Escola Secundária de
                            Fafe




         Cap. IX - Construção da
           Passarola Voadora
         Memorial Do Convento de   José Saramago

Ana Pinto
Fábio Costa
Rui Braga
Baltasar Mateus
 De alcunha Sete-Sóis;
 Ex. soldado maneta devido à guerra:
 “Não é verdade que a mão esquerda não faça falta. (…)um homem
precisa de duas mãos, uma mão lava a outra, as duas lavam o rosto,(…)
são os desastres da guerra(…)” – Pág. 120 ; “este maneta” – pág. 123 ;
“soldado” – pág. 130;
Apaixonado por Blimunda:
 “Dormiram nessa noite os sóis e as luas abraçados, enquanto as
estrelas giravam devagar no céu. Lua onde estás, Sol aonde vais.” – Pág.
122.
Blimunda de Jesus
De apelido Sete-Luas:
 “(…) tu serás Sete-Luas porque vês às escuras, e, assim, Blimunda, que
até aí só se chamava, como sua mãe, de Jesus, ficou sendo Sete-Luas(…)”
– Pág. 121
Filha de Sebastiana Maria de Jesus:
 “(…) Sebastiana Maria de Jesus e onde abriu Blimunda pela primeira vez
os olhos para o espectáculo do mundo, porque em jejum nasceu.”
 Feiticeira <-> Vidente:
 “Este ferro não serve, tem uma racha por dentro, Como é que sabes, Foi
Blimunda que viu (…)” – Pág. 121;
Blimunda de Jesus
 Cabelos cor de mel sombrio:
“(…)    os   pesados,   espessos   cabelos    de
Blimunda, cor de mel sombrio(…) – Pág. 120.
Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão
Comparado       ao      Padre    António    Vieira:
 “(…)tão grande fama de orador sacro, ao ponto
de   terem   comparado       ao   padre     António
Vieira(…)” – Pág.122;
 Voador e extravagante:
 “(…)   a    fama     que   tem    de   voador    e
extravagante(…)” – Pág. 123;
 Protegido pelo Rei :
 “(…) el-rei não falemos, que sendo tão moço
ainda gosta de brinquedos e por isso protege o
padre(…)” – Pág. 123.
Localização temporal

   Inicia-se após o nascimento do

    infante D. Pedro que ocorreu a 19 de

    outubro de 1712 e termina após a

    partida do padre Bartolomeu de

    Gusmão para a Holanda, em 1713.
Antes: Capítulo VIII
   Relação amorosa de Baltasar e Blimunda.

   Confissão do segredo misterioso de Blimunda a Baltasar depois de este lhe ter
    escondido o pão.

   Blimunda prova a Baltasar que o seu segredo é verdadeiro dizendo-lhe tudo o que
    vê no interior das pessoas/coisas.

   Referência ao treino de pontaria de D. Franscisco.

   Falha na obtenção da tença pedida por Baltasar e despedimento do local onde este
    trabalhava (açougue).

   Nascimento do segundo filho do rei, o infante D. Pedro.

   Deslocação de El-rei a Mafra, para escolher a localização do convento (um alto a
    que chamam Vela).
Mudança para a quinta

 Baltasar e Blimunda mudam-se para a quinta do Duque de Aveiro, em S.
Sebastião da Pedreira, para trabalhar na construção da máquina de voar
do Padre Bartolomeu Lourenço.
                                       “E sendo a Costa do Castelo

   “Outro ferro anda agora                longe de S. Sebastião da

  no alforge de Sete-Sóis, é a           Pedreira, de mais para ir e

   chave da quinta do duque               vir todos os dias, decidiu

   de Aveiro,(…)podia enfim                Blimunda que deixaria a

   adiantar-se a construção                   casa para estar onde

   da máquina de voar(...)”                    estivesse Sete-Sóis.
“(…) padre Bartolomeu Lourenço
que tem diante dos próprios olhos
 um maior pecado seu, aquele de
orgulho e ambição de fazer levantar
  um dia aos ares, aonde até hoje
 apenas subiram Cristo, a Virgem e
  alguns escolhidos santos(…)”
O Papel de Blimunda na construção
    Blimunda assegurava que a construção da Passarola ia sendo perfeita
     vendo os materiais, que iam sendo usados, por dentro.



    “ Uma vez por outra, Blimunda levantava-se mais cedo, antes de comer o
     pão de todas as manhãs, e, deslizando ao longo da parede para evitar
     pôr os olhos em Baltasar, afasta o pano e vai inspeccionar a obra
     feita, descobrir a fraqueza escondida do entrançado, a bolha de ar no
     interior do ferro, e, acabada a vistoria, fica enfim a mastigar o
     alimento(…)”
O “batismo” de Blimunda de Jesus
   É neste capitulo que Blimunda que surge o seu apelido de Sete-
    Luas, dado pelo padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.



“Tu és Sete-Sóis, porque vês às claras, tu serás Sete-Luas porque vês às
    escuras, e, assim, Blimunda, que até aí só se chamava, como sua
    mãe, de Jesus, ficou sendo Sete-Luas, e bem baptizada estava, que o
    baptismo foi de padre, não alcunha de qualquer um”
A proteção de el-rei
   O rei protegia a invenção do padre, e por isso este não era perseguido
    pela inquisição. O autor aproveita para criticar o rei e a rainha neste
    capitulo;



“(…) de el-rei não falemos , que sendo tão moço ainda gosta de
    brinquedos, por isso protege o padre, por isso de diverte tanto com as
    freiras nos mosteiros e as vai emprenhando(…) coitada da rainha, que
    seria dela se não fosse o seu confessor António Stieff, jesuíta, por lhe
    ensinar resignação, e os sonhos em que lhe aparece o infante D.
    Francisco(…)”
O anúncio da partida para a Holanda
   O Padre informa Blimunda e Sete-Sóis que partira em breve para a
    Holanda, terra de muitos sábios sobre alquimia e éter, pois sem este
    nunca conseguirá voar.



“Partirei breve para a Holanda, que é terra de muitos sábios, e lá
    aprenderei a arte de fazer descer o éter do espaço, de modo a
    introduzi-lo nas esferas, porque sem ele nunca a máquina voará,(…) É
    ser parte da virtude geral que atrai os seres e os corpos, e até as coisas
    inanimadas, se libertam do peso da terra para o sol(…)”
A revolução das freiras de Santa Mónica
   D. João V dá a ordem que as freiras apenas podem falar no convento
    com os seu familiares, estas revoltadas, saem à rua para se
    manifestarem e conseguem o que querem.



“(…) que frequentavam as esposas do Senhor e as deixavam grávidas no
    tempo de uma ave-maria, que o faça D.João V, só lhe fica bem, mas não
    a um joão-qualquer ou um josé-ninguém. (…) posto o que recolheram
    vitoriosas as freiras de Santa Mónica(…)”
O auto-de-fé e a as touradas
   O par decide não ir ao auto-de-fé e vão assistir às touradas, que é um
    bom divertimento. As touradas é como assar o touro em vida, tortura-se
    o touro enquanto o público aplaude a mísera morte. Cheira a carne
    queimada mas o povo nem nota pois está habituado ao churrasco do
    auto-de-fé.

   Como o padre vai para a Holanda, Sete-Sóis e Sete-Luas decidem ir para
    Mafra.
A despedida do Padre Bartolomeu
   “Deitou o padre Bartolomeu Lourenço a bênção ao soldado e à
    vidente, eles beijaram-lhe a mão mas no último momento se abraçaram
    os três, teve mais força a amizade que o respeito, e o padre
    disse, Adeus Blimunda, adeus Baltasar, cuidem um do outro e da
    passarola, que eu voltarei um dia com o que vou buscar, não será ouro
    nem diamante, mas sim o ar que Deus respira, guardarás a chave que te
    dei, e como vão partir para Mafra, lembra-te de vir aqui de vez em
    quando ver como está a máquina, podes entrar e sair sem receio, que a
    quinta confiou-ma el-rei e ele sabe o que nela está, e tendo dito montou
    na mula e partiu.”
Partida do casal para Mafra
   Após a Tourada o casal parte para Mafra, com uma trouxa e alguma
    comida.



“ Na madrugada seguinte, ainda noite, Baltasar e Blimunda, sem outro
    carrego que uma trouxa de roupa e alguma comida no alforge, saíram
    de Lisboa para Mafra.”
Depois: Capítulo X
   Visita de Baltasar à família, com apresentação de Blimunda e explicação da perda da
    mão.

   Vivência conjunta e harmoniosa na família de Baltasar.

   Venda das terras do pai de Baltasar, por causa da construção do convento.

   Procura de trabalho por Baltasar.

   Comparação entre a morte e o funeral do filho de dois anos da irmã de Baltasar e a
    morte do infante D. Pedro.

   Nova gravidez da rainha, desta vez do futuro rei.

   Comparação dos encontros de Baltasar com Blimunda e do rei com a rainha.

   A frequência dos desmaios do rei e a preocupação da rainha.

   O desejo de D. Francisco, irmão do rei, casar com a rainha, à morte deste.
Espaço físico
Espaço social
   Os autos-de-fé e as touradas caraterizam
    Lisboa        como     um        espaço
    caótico, dominado por rituais religiosos
    cujo efeito exorcizante amaldiçoa um
    mal      momentâneo   que    motiva   a
    exaltação absurda que envolve os
    habitantes.



“(...) mas não faltou povo à festa [auto-de-
    fé] (...)”
Espaço social (cont.)
   As touradas são vistas como um “(...)
    bom divertimento (...)” apreciadas por
    toda a população “Estão as bancadas
    e os terrados formigando de povo(...)”



“Cheira a carne queimada, mas é um
    cheiro   que     não    ofende    estes
    narizes, habituados que estão ao
    churrasco do auto-de-fé, (...)”
Linguagem
   “...provêm de um princípio básico segundo o qual todo o dito se destina
    a ser ouvido. Quero com isso significar que é como narrador oral que me
    vejo quando escrevo e que as palavras são por mim escritas tanto para
    serem lidas como para serem ouvidas. Ora, o narrador oral não usa
    pontuação, fala como se estivesse a compor música e usa os mesmos
    elementos que o músico: sons e pausas, altos e baixos, uns, breves ou
    longas, outras” (SARAMAGO, Cadernos de Lanzarote, 1997: 223).
Recursos estilísticos
   Ironia – “(...) que o faça D. João V, só lhe fica bem,(...)”

   Perífrase – “(...) o clandestino encontro, o suave contacto, a doce
    carícia, mesmo trazendo ela tantas vezes consigo o inferno, abençoado
    seja.”

   Metáfora – “A passarola (...) é agora uma torre em ruínas (...)”

   Comparação – “A passarola, que parecia um castelo a levantar-se,(...)”

   Anáfora – “Entrou o primeiro touro, entrou o segundo, entrou o
    terceiro (...)”

   Diminutivos - “(...) dão gritinhos (...)”
Recursos estilísticos (cont.)
   Adjetivação – “(...) digam-no os cavalos, aliás bonitos e luzidamente

    aparelhados, encabuzados de veludo carmesim lavrado, com as mantas

    franjadas de prata falsa (...)”

   Hipálage – “(...) trombetas bastardas (...)”

   Anástrofe – “Não era a perda grande, (...)”

   Polissíndeto – “(...) e dizendo, (...) e o telhado, e então ficarão (...) e

    onde abriu (...)”
Recursos estilísticos (cont.)
   Hipérbato – “Quanto à leveza do fardo, assim deveria ser de cada
    vez, levarem consigo mulher e homem o que têm, e cada um deles ao
    outro, para não terem de tornar sobre os mesmo passos, é sempre
    tempo perdido, e basta.”

   “(...) eles beijaram-lhe a mão, mas no último momento se abraçaram os
    três, teve mais força a amizade que o respeito, e o padre disse, Adeus
    Blimunda, adeus Baltasar, cuidem um do outro e da passarola, que eu
    voltarei um dia com o que vou buscar, não será ouro nem
    diamante, mas sim o ar que Deus respira (...) ”
Outros processos usados na escrita
                                    saramaguiana
   Utilização predominante do presente

   Mistura de discursos

   Coexistência de segmentos narrativos e descritivos sem delimitação
    clara

   Presença constante de marcas de coloquialidade

   Tom simultaneamente cómico, trágico e épico

   Discurso construído pelo emprego de provérbios e ditados populares:
    “Uma mão lava a outra, as duas lavam o rosto, (...)” ; “(…)quem vai à
    guerra empadas leva(…)”
O papel da passarola voadora na obra

Na obra, parece-nos que a passarola tem uma função marcadamente
simbólica.
De facto, não será por acaso que o que faz subir a passarola são as
vontades dos homens e das mulheres. Estas vontades recolhidas por
Blimunda poderão significar que as vontades dos homens, unidas por uma
mesma causa ou num mesmo sonho, serão capazes de vencer a ignorância,
o fanatismo, a intolerância, libertando o homem, projetando-o para uma
nova idade, abrindo-lhe perspetivas de um mundo diferente.
O papel da passarola voadora na obra
                                                               (cont.)
Mas o simbolismo tem outra face. A busca das vontades matará Blimunda
depois de a ter feito sofrer cruelmente:
“Cansados da grande caminhada de tanto subir e descer escadas,
recolheram-se Baltasar e Blimunda à quinta, sete mortiços sóis, sete
pálidas luas, ela sofrendo uma insuportável náusea, como se regressasse
de um campo de batalha (...)”
O papel da passarola voadora na obra
                                                                (cont.)
A concretização do sonho dos três seres empenhados na construção da
passarola levará o Padre Lourenço à loucura e Baltasar à morte. Quanto a
Blimunda, ela sofrerá nove anos a angústia de uma morte lenta, enquanto
busca desesperada o seu amor:
“Durante nove anos, Blimunda procurou Baltasar. Conheceu todos os
caminhos do pó e da lama, a branda areia, a pedra aguda, tantas vezes a
geada rangente e assassina, dois nevões de que só saiu viva porque ainda
não queria morrer. Tisnou-se do sol como um ramo de árvore retirado do
lume antes de lhe chegar a hora das cinzas, arregoou-se como um fruto
estalado, foi espantalho no meio de searas, aparição entre os moradores
das vilas, susto nos pequenos lugares e nos casais perdidos”.
O papel da passarola voadora na obra
                                                                    (cont.)




Assim, a história da construção da passarola representa, no seu conjunto, a
força criadora que revoluciona o mundo, a esperança de um mundo livre e
diferente, mas também o sofrimento que a sua conquista acarreta para
quem se atreve a lutar por ela.
A mensagem que chega à atualidade

O mundo está cheio de exemplos extraordinários de pessoas que com
força de vontade têm conseguido        ultrapassar dificuldades, grandes
obstáculos    que    parecem     intransponíveis,    mas    que,    com
persistência, acabam por ser superados. A vontade está dentro de nós, no
entanto, por vezes, ela separa-se do homem. Conhecemos então essas
pessoas fracas, desinteressadas, sem vontade sequer para fazer o
trivial, para viver o quotidiano. No entanto, quando ela existe e não nos
abandona, é um bem precioso, “é a vontade dos homens que segura as
estrelas”.
Através dos tempos, o Homem tem conseguido realizar tarefas
grandiosas, mostrando a sua superioridade quando à vontade alia a
A mensagem que chega à atualidade
                                                                     (cont.)


Outrora,   pela   magia   e   pelo   divino   explicava-se   o   que   era
incompreensível; depois, a ciência veio dar resposta a muitas dúvidas
e ajudou o Homem a integrar-se num mundo que, por vezes, lhe
era hostil; o desenvolvimento da técnica tornou o nosso mundo mais
claro, a nossa vida mais fácil. A arte que sempre existiu reflecte um outro
mundo, o mundo dos sentimentos, do que está dentro de nós e se
exterioriza de diversas formas.
A mensagem que chega à atualidade
                                                                (cont.)


O próprio voo da passarola poderá representar o poder que o homem
tem quando é capaz de sonhar e não desiste dos seus sonhos. Como a
passarola, o homem libertar-se-á das amarras que o prendem às
limitações do seu quotidiano, à mesquinhez do dia-a-dia e, capaz de
olhar o mundo com lucidez, tornar-se-á mais livre, será cada vez mais
senhor de si.
Em   consonância,   a   ciência,   o   engenho,   a magia   e   a arte
harmonizam-se para corporizarem o sonho e o progresso.

MC construção da passarola

  • 1.
    Escola Secundária de Fafe Cap. IX - Construção da Passarola Voadora Memorial Do Convento de José Saramago Ana Pinto Fábio Costa Rui Braga
  • 3.
    Baltasar Mateus  Dealcunha Sete-Sóis;  Ex. soldado maneta devido à guerra: “Não é verdade que a mão esquerda não faça falta. (…)um homem precisa de duas mãos, uma mão lava a outra, as duas lavam o rosto,(…) são os desastres da guerra(…)” – Pág. 120 ; “este maneta” – pág. 123 ; “soldado” – pág. 130; Apaixonado por Blimunda: “Dormiram nessa noite os sóis e as luas abraçados, enquanto as estrelas giravam devagar no céu. Lua onde estás, Sol aonde vais.” – Pág. 122.
  • 4.
    Blimunda de Jesus Deapelido Sete-Luas: “(…) tu serás Sete-Luas porque vês às escuras, e, assim, Blimunda, que até aí só se chamava, como sua mãe, de Jesus, ficou sendo Sete-Luas(…)” – Pág. 121 Filha de Sebastiana Maria de Jesus: “(…) Sebastiana Maria de Jesus e onde abriu Blimunda pela primeira vez os olhos para o espectáculo do mundo, porque em jejum nasceu.”  Feiticeira <-> Vidente: “Este ferro não serve, tem uma racha por dentro, Como é que sabes, Foi Blimunda que viu (…)” – Pág. 121;
  • 5.
    Blimunda de Jesus Cabelos cor de mel sombrio: “(…) os pesados, espessos cabelos de Blimunda, cor de mel sombrio(…) – Pág. 120.
  • 6.
    Padre Bartolomeu Lourençode Gusmão Comparado ao Padre António Vieira: “(…)tão grande fama de orador sacro, ao ponto de terem comparado ao padre António Vieira(…)” – Pág.122;  Voador e extravagante: “(…) a fama que tem de voador e extravagante(…)” – Pág. 123;  Protegido pelo Rei : “(…) el-rei não falemos, que sendo tão moço ainda gosta de brinquedos e por isso protege o padre(…)” – Pág. 123.
  • 7.
    Localização temporal  Inicia-se após o nascimento do infante D. Pedro que ocorreu a 19 de outubro de 1712 e termina após a partida do padre Bartolomeu de Gusmão para a Holanda, em 1713.
  • 8.
    Antes: Capítulo VIII  Relação amorosa de Baltasar e Blimunda.  Confissão do segredo misterioso de Blimunda a Baltasar depois de este lhe ter escondido o pão.  Blimunda prova a Baltasar que o seu segredo é verdadeiro dizendo-lhe tudo o que vê no interior das pessoas/coisas.  Referência ao treino de pontaria de D. Franscisco.  Falha na obtenção da tença pedida por Baltasar e despedimento do local onde este trabalhava (açougue).  Nascimento do segundo filho do rei, o infante D. Pedro.  Deslocação de El-rei a Mafra, para escolher a localização do convento (um alto a que chamam Vela).
  • 9.
    Mudança para aquinta  Baltasar e Blimunda mudam-se para a quinta do Duque de Aveiro, em S. Sebastião da Pedreira, para trabalhar na construção da máquina de voar do Padre Bartolomeu Lourenço. “E sendo a Costa do Castelo “Outro ferro anda agora longe de S. Sebastião da no alforge de Sete-Sóis, é a Pedreira, de mais para ir e chave da quinta do duque vir todos os dias, decidiu de Aveiro,(…)podia enfim Blimunda que deixaria a adiantar-se a construção casa para estar onde da máquina de voar(...)” estivesse Sete-Sóis.
  • 10.
    “(…) padre BartolomeuLourenço que tem diante dos próprios olhos um maior pecado seu, aquele de orgulho e ambição de fazer levantar um dia aos ares, aonde até hoje apenas subiram Cristo, a Virgem e alguns escolhidos santos(…)”
  • 11.
    O Papel deBlimunda na construção  Blimunda assegurava que a construção da Passarola ia sendo perfeita vendo os materiais, que iam sendo usados, por dentro. “ Uma vez por outra, Blimunda levantava-se mais cedo, antes de comer o pão de todas as manhãs, e, deslizando ao longo da parede para evitar pôr os olhos em Baltasar, afasta o pano e vai inspeccionar a obra feita, descobrir a fraqueza escondida do entrançado, a bolha de ar no interior do ferro, e, acabada a vistoria, fica enfim a mastigar o alimento(…)”
  • 12.
    O “batismo” deBlimunda de Jesus  É neste capitulo que Blimunda que surge o seu apelido de Sete- Luas, dado pelo padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão. “Tu és Sete-Sóis, porque vês às claras, tu serás Sete-Luas porque vês às escuras, e, assim, Blimunda, que até aí só se chamava, como sua mãe, de Jesus, ficou sendo Sete-Luas, e bem baptizada estava, que o baptismo foi de padre, não alcunha de qualquer um”
  • 13.
    A proteção deel-rei  O rei protegia a invenção do padre, e por isso este não era perseguido pela inquisição. O autor aproveita para criticar o rei e a rainha neste capitulo; “(…) de el-rei não falemos , que sendo tão moço ainda gosta de brinquedos, por isso protege o padre, por isso de diverte tanto com as freiras nos mosteiros e as vai emprenhando(…) coitada da rainha, que seria dela se não fosse o seu confessor António Stieff, jesuíta, por lhe ensinar resignação, e os sonhos em que lhe aparece o infante D. Francisco(…)”
  • 14.
    O anúncio dapartida para a Holanda  O Padre informa Blimunda e Sete-Sóis que partira em breve para a Holanda, terra de muitos sábios sobre alquimia e éter, pois sem este nunca conseguirá voar. “Partirei breve para a Holanda, que é terra de muitos sábios, e lá aprenderei a arte de fazer descer o éter do espaço, de modo a introduzi-lo nas esferas, porque sem ele nunca a máquina voará,(…) É ser parte da virtude geral que atrai os seres e os corpos, e até as coisas inanimadas, se libertam do peso da terra para o sol(…)”
  • 15.
    A revolução dasfreiras de Santa Mónica  D. João V dá a ordem que as freiras apenas podem falar no convento com os seu familiares, estas revoltadas, saem à rua para se manifestarem e conseguem o que querem. “(…) que frequentavam as esposas do Senhor e as deixavam grávidas no tempo de uma ave-maria, que o faça D.João V, só lhe fica bem, mas não a um joão-qualquer ou um josé-ninguém. (…) posto o que recolheram vitoriosas as freiras de Santa Mónica(…)”
  • 16.
    O auto-de-fé ea as touradas  O par decide não ir ao auto-de-fé e vão assistir às touradas, que é um bom divertimento. As touradas é como assar o touro em vida, tortura-se o touro enquanto o público aplaude a mísera morte. Cheira a carne queimada mas o povo nem nota pois está habituado ao churrasco do auto-de-fé.  Como o padre vai para a Holanda, Sete-Sóis e Sete-Luas decidem ir para Mafra.
  • 17.
    A despedida doPadre Bartolomeu  “Deitou o padre Bartolomeu Lourenço a bênção ao soldado e à vidente, eles beijaram-lhe a mão mas no último momento se abraçaram os três, teve mais força a amizade que o respeito, e o padre disse, Adeus Blimunda, adeus Baltasar, cuidem um do outro e da passarola, que eu voltarei um dia com o que vou buscar, não será ouro nem diamante, mas sim o ar que Deus respira, guardarás a chave que te dei, e como vão partir para Mafra, lembra-te de vir aqui de vez em quando ver como está a máquina, podes entrar e sair sem receio, que a quinta confiou-ma el-rei e ele sabe o que nela está, e tendo dito montou na mula e partiu.”
  • 18.
    Partida do casalpara Mafra  Após a Tourada o casal parte para Mafra, com uma trouxa e alguma comida. “ Na madrugada seguinte, ainda noite, Baltasar e Blimunda, sem outro carrego que uma trouxa de roupa e alguma comida no alforge, saíram de Lisboa para Mafra.”
  • 19.
    Depois: Capítulo X  Visita de Baltasar à família, com apresentação de Blimunda e explicação da perda da mão.  Vivência conjunta e harmoniosa na família de Baltasar.  Venda das terras do pai de Baltasar, por causa da construção do convento.  Procura de trabalho por Baltasar.  Comparação entre a morte e o funeral do filho de dois anos da irmã de Baltasar e a morte do infante D. Pedro.  Nova gravidez da rainha, desta vez do futuro rei.  Comparação dos encontros de Baltasar com Blimunda e do rei com a rainha.  A frequência dos desmaios do rei e a preocupação da rainha.  O desejo de D. Francisco, irmão do rei, casar com a rainha, à morte deste.
  • 20.
  • 21.
    Espaço social  Os autos-de-fé e as touradas caraterizam Lisboa como um espaço caótico, dominado por rituais religiosos cujo efeito exorcizante amaldiçoa um mal momentâneo que motiva a exaltação absurda que envolve os habitantes. “(...) mas não faltou povo à festa [auto-de- fé] (...)”
  • 22.
    Espaço social (cont.)  As touradas são vistas como um “(...) bom divertimento (...)” apreciadas por toda a população “Estão as bancadas e os terrados formigando de povo(...)” “Cheira a carne queimada, mas é um cheiro que não ofende estes narizes, habituados que estão ao churrasco do auto-de-fé, (...)”
  • 23.
    Linguagem  “...provêm de um princípio básico segundo o qual todo o dito se destina a ser ouvido. Quero com isso significar que é como narrador oral que me vejo quando escrevo e que as palavras são por mim escritas tanto para serem lidas como para serem ouvidas. Ora, o narrador oral não usa pontuação, fala como se estivesse a compor música e usa os mesmos elementos que o músico: sons e pausas, altos e baixos, uns, breves ou longas, outras” (SARAMAGO, Cadernos de Lanzarote, 1997: 223).
  • 24.
    Recursos estilísticos  Ironia – “(...) que o faça D. João V, só lhe fica bem,(...)”  Perífrase – “(...) o clandestino encontro, o suave contacto, a doce carícia, mesmo trazendo ela tantas vezes consigo o inferno, abençoado seja.”  Metáfora – “A passarola (...) é agora uma torre em ruínas (...)”  Comparação – “A passarola, que parecia um castelo a levantar-se,(...)”  Anáfora – “Entrou o primeiro touro, entrou o segundo, entrou o terceiro (...)”  Diminutivos - “(...) dão gritinhos (...)”
  • 25.
    Recursos estilísticos (cont.)  Adjetivação – “(...) digam-no os cavalos, aliás bonitos e luzidamente aparelhados, encabuzados de veludo carmesim lavrado, com as mantas franjadas de prata falsa (...)”  Hipálage – “(...) trombetas bastardas (...)”  Anástrofe – “Não era a perda grande, (...)”  Polissíndeto – “(...) e dizendo, (...) e o telhado, e então ficarão (...) e onde abriu (...)”
  • 26.
    Recursos estilísticos (cont.)  Hipérbato – “Quanto à leveza do fardo, assim deveria ser de cada vez, levarem consigo mulher e homem o que têm, e cada um deles ao outro, para não terem de tornar sobre os mesmo passos, é sempre tempo perdido, e basta.”  “(...) eles beijaram-lhe a mão, mas no último momento se abraçaram os três, teve mais força a amizade que o respeito, e o padre disse, Adeus Blimunda, adeus Baltasar, cuidem um do outro e da passarola, que eu voltarei um dia com o que vou buscar, não será ouro nem diamante, mas sim o ar que Deus respira (...) ”
  • 27.
    Outros processos usadosna escrita saramaguiana  Utilização predominante do presente  Mistura de discursos  Coexistência de segmentos narrativos e descritivos sem delimitação clara  Presença constante de marcas de coloquialidade  Tom simultaneamente cómico, trágico e épico  Discurso construído pelo emprego de provérbios e ditados populares: “Uma mão lava a outra, as duas lavam o rosto, (...)” ; “(…)quem vai à guerra empadas leva(…)”
  • 28.
    O papel dapassarola voadora na obra Na obra, parece-nos que a passarola tem uma função marcadamente simbólica. De facto, não será por acaso que o que faz subir a passarola são as vontades dos homens e das mulheres. Estas vontades recolhidas por Blimunda poderão significar que as vontades dos homens, unidas por uma mesma causa ou num mesmo sonho, serão capazes de vencer a ignorância, o fanatismo, a intolerância, libertando o homem, projetando-o para uma nova idade, abrindo-lhe perspetivas de um mundo diferente.
  • 29.
    O papel dapassarola voadora na obra (cont.) Mas o simbolismo tem outra face. A busca das vontades matará Blimunda depois de a ter feito sofrer cruelmente: “Cansados da grande caminhada de tanto subir e descer escadas, recolheram-se Baltasar e Blimunda à quinta, sete mortiços sóis, sete pálidas luas, ela sofrendo uma insuportável náusea, como se regressasse de um campo de batalha (...)”
  • 30.
    O papel dapassarola voadora na obra (cont.) A concretização do sonho dos três seres empenhados na construção da passarola levará o Padre Lourenço à loucura e Baltasar à morte. Quanto a Blimunda, ela sofrerá nove anos a angústia de uma morte lenta, enquanto busca desesperada o seu amor: “Durante nove anos, Blimunda procurou Baltasar. Conheceu todos os caminhos do pó e da lama, a branda areia, a pedra aguda, tantas vezes a geada rangente e assassina, dois nevões de que só saiu viva porque ainda não queria morrer. Tisnou-se do sol como um ramo de árvore retirado do lume antes de lhe chegar a hora das cinzas, arregoou-se como um fruto estalado, foi espantalho no meio de searas, aparição entre os moradores das vilas, susto nos pequenos lugares e nos casais perdidos”.
  • 31.
    O papel dapassarola voadora na obra (cont.) Assim, a história da construção da passarola representa, no seu conjunto, a força criadora que revoluciona o mundo, a esperança de um mundo livre e diferente, mas também o sofrimento que a sua conquista acarreta para quem se atreve a lutar por ela.
  • 32.
    A mensagem quechega à atualidade O mundo está cheio de exemplos extraordinários de pessoas que com força de vontade têm conseguido ultrapassar dificuldades, grandes obstáculos que parecem intransponíveis, mas que, com persistência, acabam por ser superados. A vontade está dentro de nós, no entanto, por vezes, ela separa-se do homem. Conhecemos então essas pessoas fracas, desinteressadas, sem vontade sequer para fazer o trivial, para viver o quotidiano. No entanto, quando ela existe e não nos abandona, é um bem precioso, “é a vontade dos homens que segura as estrelas”. Através dos tempos, o Homem tem conseguido realizar tarefas grandiosas, mostrando a sua superioridade quando à vontade alia a
  • 33.
    A mensagem quechega à atualidade (cont.) Outrora, pela magia e pelo divino explicava-se o que era incompreensível; depois, a ciência veio dar resposta a muitas dúvidas e ajudou o Homem a integrar-se num mundo que, por vezes, lhe era hostil; o desenvolvimento da técnica tornou o nosso mundo mais claro, a nossa vida mais fácil. A arte que sempre existiu reflecte um outro mundo, o mundo dos sentimentos, do que está dentro de nós e se exterioriza de diversas formas.
  • 34.
    A mensagem quechega à atualidade (cont.) O próprio voo da passarola poderá representar o poder que o homem tem quando é capaz de sonhar e não desiste dos seus sonhos. Como a passarola, o homem libertar-se-á das amarras que o prendem às limitações do seu quotidiano, à mesquinhez do dia-a-dia e, capaz de olhar o mundo com lucidez, tornar-se-á mais livre, será cada vez mais senhor de si. Em consonância, a ciência, o engenho, a magia e a arte harmonizam-se para corporizarem o sonho e o progresso.