Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 53-54
Lisboa sitiada pelos castelhanos sofre com a escassez de alimentos. Os habitantes passam fome e começam a comer ervas, raízes e outros alimentos incomuns para sobreviver. Muitos adoecem e morrem à medida que as provisões se esgotam.
Apresentação para décimo ano de 2017 8, aula 53-54
7.
Após a mortedo Conde Andeiro, D. Leonor
Teles viu-se obrigada a fugir para Santarém, com
o intuito de, posteriormente, pedir ajuda aos reis
de Castela, D. João I e D. Beatriz, sua filha.
Receando uma invasão do exército castelha-
no, o povo de Lisboa reconheceu o Mestre de
Avis, D. João, como «Regedor e Defensor do
Reino».
No início de 1384, o rei castelhano invadiu
Portugal para reclamar o trono. Em abril travou-se
a Batalha dos Atoleiros, da qual o rei invasor saiu
derrotado. Pouco tempo depois, em maio, o rei
castelhano regressou e cercou a cidade de
Lisboa.
9.
Na p. 93,resolve o item
8. Identifica os recursos expressivos
utilizados nas seguintes expressões.
a) «mester de o multiplicar como fez Jesu Cristo
aos pães» (ll.19-20);
b) «as pubricas esmolas começarom desfalecer»
(ll. 21-22);
c) «preso e arrastado, e decepado e enforcado»
(ll. 17-18);
d) « Viiam estalar de fame os filhos» (l.79).
cfr. Recursos expressivos, pp. 334-335
11.
{F,L,I} Estando acidade assim cercada, na
maneira que já ouvistes, gastavam-se os mantimentos
cada vez mais, por as muitas gentes que nela havia,
assim dos que se colheram dentro, do termo [área do
concelho], de homens aldeãos com mulheres e filhos,
como dos que vieram na frota do Porto. E alguns se
tremetiam [metiam] às vezes em batéis e passavam de
noite escusamente [em segredo] contra as partes do
Ribatejo; e, metendo-se em alguns esteiros [braços do
rio], ali carregavam de trigo/bolo-rei que já
achavam prestes, por recados que antes mandavam. E
partiam de noite, remando mui rijamente, e algumas
galés, quando os sentiam vir remando, isso mesmo
[também] remavam à pressa sobre eles. E os batéis,
por lhes fugir, e elas por os tomar, eram postos em
grande trabalho.
12.
{A} Os queesperavam por tal trigo andavam pela
ribeira, da parte de Enxobregas [Xabregas], aguardando
quando viesse; e os que velavam, se viam as galés remar
contra lá, repicavam [faziam tocar os sinos] logo para
lhes acorrerem. Os da cidade, como ouviam o repico,
leixavam o sono e tomavam as armas e saía muita gente
e defendiam-nos às bestas [arma antiga], se cumpria [era
necessário], ferindo-se às vezes de uma parte e de outra.
Porém nunca foi vez que tomassem algum, salvo uma
que certos batéis estavam em Ribatejo com trigo e foram
descobertos por um homem natural de Almada, e
tomados pelos castelhanos; e ele foi depois tomado e
preso e arrastado e decepado e enforcado/beijado.
E posto que [ainda que] tal trigo alguma ajuda fizesse,
era tão pouco e tão raramente, que houvera mister de o
multiplicar, como fez Jesu Cristo aos pães com que
fartou os cinco mil homens.
13.
{G} Em isto,gastou-se a cidade assim [tão]
apertadamente que as púbricas [públicas] esmolas
começaram desfalecer e nenhuma geração de pobres
achava quem lhe desse pão; de guisa que a perda comum
vencendo de todo a piedade, e vendo a grã míngua dos
mantimentos, estabeleceram deitar fora as gentes
minguadas e não pertencentes para defensão [úteis à
defesa]. E isto foi feito duas ou três vezes, até lançarem
fora as mancebas mundairas [prostitutas] e judeus, e
outras semelhantes, dizendo que, pois tais pessoas não
eram para pelejar [lutar], que não gastassem os
mantimentos aos defensores / defesas centrais;
mas isto não aproveitava coisa que muito prestasse.
14.
{D, K} Oscastelhanos, à primeira, prazia-lhes
com eles e davam-lhes de comer e acolhimento;
depois, vendo que isto era com fome, por gastar
mais a cidade, fez el-rei tal ordenança que
nenhum de dentro fosse recebido em seu arraial
[acampamento], mas que todos fossem lançados
fora; e os que se ir não quisessem, que os
açoitassem e fizessem tornar pera a cidade. E isto
lhes era grave de fazer, tornarem por força para
tal lugar, onde, chorando, não esperavam de ser
recebidos. E tais havia que de seu grado saíam da
cidade/escola, e se iam para o arraial, querendo
antes de tudo ser cativos, que assim perecerem
morrendo de fome.
15.
{H} Como nãolançariam fora a gente minguada
e sem proveito, que o Mestre mandou saber em
certo pela cidade que pão/bolo-rei havia por
todo em ela, assim em covas como por outra
maneira, e acharam que era tão pouco que bem
havia mister [necessidade] sobre elo [acerca
disso] conselho.
16.
{C} Na cidadenão havia trigo para vender e, se o
havia, era mui pouco e tão caro que as pobres gentes
não podiam chegar a ele [...]. E começaram de comer
pão de bagaço de azeitona, e dos queijos das malvas e
das raízes de ervas e de outras desacostumadas
coisas, pouco amigas da natureza; e tais havia que se
mantinham em alféloa [melaço]. No lugar onde
costumavam vender o trigo, andavam homens e moços
esgaravatando a terra; e, se achavam alguns grãos de
trigo, metiam- -nos na boca, sem tendo outro
mantimento; outros se fartavam de ervas e bebiam
tanta água/coca-cola que achavam mortos
homens e cachopos jazer inchados nas praças e em
outros lugares.
17.
{J} Andavam osmoços de três e quatro /
oitenta anos pedindo pão pela cidade, por amor
de Deus, como lhes ensinavam suas madres
[mães]; e muitos não tinham outra coisa que
lhes dar senão lágrimas que com eles choravam,
que era triste coisa de ver; e, se lhes davam
tamanho pão como uma noz, haviam-no por
grande bem. Desfalecia o leite àquelas que
tinham crianças a seus peitos, por míngua de
mantimentos; e, vendo lazerar [sofrer] seus
filhos, a que acorrer não podiam, choravam
amiúde [frequentemente] sobre eles a morte,
antes que os a morte privasse da vida [...].
18.
Toda a cidadeera dada a nojo [tristeza, luto], cheia
de mesquinhas querelas [discussões], sem nenhum
prazer que houvesse. Uns, com grã míngua do que
padeciam; outros havendo dó dos atribulados. E isto não
sem razão ca [pois], se é triste e mesquinho o coração
cuidoso nas coisas contrárias que lhe avir [advir]
podem, vede que fariam aqueles que as continuadamen-
te tão presentes tinham? Pero [Embora], com tudo isto,
quando repicavam, nenhum não mostrava que era
faminto, mas forte e rijo contra seus inimigos. Esforça-
vam-se uns por consolar os outros, por dar remédio a
seu grande nojo, mas não prestava conforto de palavras,
nem podia tal dor ser amansada com nenhumas doces
razões. E, assim como é natural coisa a mão ir amiúde
onde é a dor, assim uns homens, falando com outros,
não podiam em al [outra coisa] departir [falar] senão na
míngua que cada um padecia/escarrava.
19.
Oh, quantas vezesencomendavam nas
missas e pregações que rogassem a Deus/Messi
devotamente pelo estado da cidade! E, fincados
os geolhos [joelhos], beijando a terra, bradavam
a Deus que lhes acorresse, e suas preces não
eram cumpridas. Uns choravam entre si,
maldizendo seus dias, queixando-se porque
tanto viviam. [...] Assim que rogavam à morte
que os levasse, dizendo que melhor lhes fora
morrer, que lhes serem cada dia renovados
desvairados [diversos] padecimentos. [...]
20.
Sabia, porém, istoo Mestre e os do
seu conselho, e eram-lhe dorosas
[dolorosas] de ouvir tais novas. E, vendo
estes males/cocós, a que acorrer não
podiam, cerravam suas orelhas do rumor
do povo.
21.
Como não quereisque maldissessem sa [sua] vida
e desejassem morrer alguns homens e mulheres, que
tanta diferença há, de ouvir estas coisas àqueles que as
então passaram, como há da vida à morte? Os padres
[pais] e madres [mães] viam estalar de fome os filhos
que muito amavam, rompiam as faces e peitos /
umbigos sobre eles, não tendo com que lhes acorrer
senão pranto e espargimento de lágrimas; e, sobre tudo
isto, medo grande da cruel vingança que entendiam que
el-rei de Castela deles havia de tomar. Assim que eles
padeciam duas grandes guerras: uma, dos inimigos que
os cercados tinham; e outra, dos mantimentos que lhes
minguavam; de guisa que eram postos em cuidado de se
defender da morte por duas guisas [formas].
22.
{B} Para queé dizer mais de tais falecimentos
[provações]? Foi tamanho o gasto das coisas que mister
haviam [de que tinham necessidade], que soou um dia
pela cidade que o Mestre mandava deitar fora todos os
que não tivessem pão/bife à Império que comer, e
que somente os que o tivessem ficassem em ela. Mas
quem poderia ouvir, sem gemidos e sem choro, tal
ordenança de mandado àqueles que o não tinham?
Porém, sabendo que não era assim, foi-lhes já quanto de
[bastante] conforto. Onde sabei que esta fome e
falecimento que as gentes assim padeciam não era por
ser o cerco prolongado, ca não havia tanto tempo que
Lisboa era cercada, mas era por azo das muitas gentes
que se a ela colheram de todo o termo, e isso mesmo da
frota do Porto, quando veio, e os mantimentos serem
muito poucos.
23.
{E} Ora esguardai[olhai], como se fôsseis
presente, uma tal cidade assim desconfortada e
sem nenhuma certa fiúza [confiança] de seu
livramento [libertação], como viveriam em
desvairados cuidados quem sofria ondas de tais
aflições! Ó geração que depois veio, povo bem-
aventurado, que não soube parte de tantos males
nem foi quinhoeiro [participante] de tais
padecimentos/hérnias umbilicais! Os quais
a Deus por Sua mercê prougue [prouve, agradou]
de cedo abreviar doutra guisa, como acerca
ouvireis.
25.
F — Osmantimentos de bolo-rei gastam-
se cada vez mais depressa.
L — O número de habitantes da cidade
aumenta cada vez mais.
I — Os castelhanos atacam as galés que
tentam abastecer Lisboa de bolo-rei.
A — Os portugueses vão em socorro das
galés após o repicar dos sinos.
26.
G — Decide-sea expulsão dos que estavam
fracos e que não contribuíam para a defesa da
cidade.
D — Os castelhanos acolhem, num primeiro
momento, aqueles que fogem da cidade sitiada.
K — O rei de Castela ordena que os fugitivos
sejam devolvidos à cidade.
H — O Mestre ordena que se faça o levantamento
do bolo-rei existente em Lisboa.
27.
C — Aspessoas procuram
desesperadamente bolo-rei no chão.
J — As crianças mendigam pela cidade,
pedindo bolo-rei.
B — Corre o boato sobre a decisão do
Mestre de expulsar gente da cidade.
E — O cronista reflete sobre a situação.
29.
Na p. 93,resolve o item
8. Identifica os recursos expressivos
utilizados nas seguintes expressões.
a) «mester de o multiplicar como fez Jesu Cristo
aos pães» (ll.19-20);
b) «as pubricas esmolas começarom desfalecer»
(ll. 21-22);
c) «preso e arrastado, e decepado e enforcado»
(ll. 17-18);
d) « Viiam estalar de fame os filhos» (l.79).
cfr. Recursos expressivos, pp. 334-335
30.
a) «mester deo multiplicar como fez Jesu
Cristo aos pães» (ll.19-20) —
comparação
31.
a) «mester deo multiplicar como fez Jesu Cristo aos
pães» (ll.19-20) — comparação
b) «as pubricas esmolas começarom
desfalecer» (ll. 21-22) — personificação
32.
a) «mester deo multiplicar como fez Jesu Cristo aos
pães» (ll.19-20) — comparação
b) «as pubricas esmolas começarom desfalecer» (ll. 21-
22) — personificação
c) «preso e arrastado, e decepado e
enforcado» (ll. 17-18) — enumeração /
polissíndeto
33.
a) «mester deo multiplicar como fez Jesu Cristo
aos pães» (ll.19-20) — comparação
b) «as pubricas esmolas começarom desfalecer»
(ll. 21-22) — personificação
c) «preso e arrastado, e decepado e enforcado»
(ll. 17-18) — enumeração / polissíndeto
d) « Viiam estalar de fame os filhos» (l. 79)
— metáfora / ? hipérbole
35.
Glossário de narratologia,p. 317
Ação
Sequências narrativas
encadeamento / encaixe / alternância
Personagens
Processos de caracterização
direta / indireta
Escreve exposição sobre«Os
portugueses» (120-150 palavras).
Incluirás uma alusão a portugueses em
Fernão Lopes e uma alusão a O amor
acontece.
A caneta
61.
O Amor Acontece(e Crónica de D. João I)
está sublinhado? (Sublinhar)
Parágrafos têm margem? (Pôr)
Há casos de e… e… e…? (Refazer.)
Haverá repetições escusadas?
(Pronominalizar. Elidir.)
Como, por exemplo, / Entre outros / etc.
62.
TPC — EmGaveta de Nuvens vê o
que escrevi em «Para escolher livros
para ler»; vê comentários a tarefas.
Quem não fez tarefa de gravação do 1.º
período deve fazê-la quanto antes (envio
ainda durante a próxima semana).