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Pr. Handerson Xavier
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
Introdução ao
Antigo Testamento
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Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
3
INTRODUÇÃO
Bíblia, a biblioteca do Espírito Santo.
A Bíblia é o livro dos livros, o maior compêndio literário da história. É a carta
magna de Deus para a humanidade. É a constituição das constituições. É o supremo código
de doutrina e vida. É a nossa única regra de fé e prática. A Bíblia é a voz de Deus em
linguagem humana. É o depositário de toda vontade de Deus para o homem.
A singularidade da Bíblia.
A Bíblia é o livro por excelência: inspirado por Deus, escrito pelos homens,
concebido no céu, nascido na terra, odiado pelo inferno, pregado pela Igreja, perseguido
pelo mundo e crido pelos crentes.
A Bíblia não contém erros, pois ela é a Palavra de Deus. A Bíblia é o livro dos
paradoxos: é o livro mais lido e o mais desconhecido. É o livro mais amado e o mais odiado.
É o livro mais obedecido e o mais escarnecido. É o mais pregado e o mais combatido. A
Bíblia é o livro mais publicado, mais distribuído, mais lido e mais comentado do mundo.
A Bíblia é o livro de Deus. É o livro do céu. É a Biblioteca do Espírito Santo. É o
livro que foi muitas vezes acorrentado, mas trouxe libertação; que foi muitas vezes queimado
na fogueira, mas tirou muitas vidas do inferno. É o livro odiado que tem ensinado o perdão.
É o livro que nos mostra o caminho da salvação em Jesus Cristo nos labirintos religiosos
deste mundo tenebroso.
Há três razões suficientes e irrefutáveis para evidenciar a veracidade
incontroversa das Sagradas Escrituras:
1. A sua unidade: A Bíblia é o único livro da humanidade que demorou cerca de
1.600 anos para ser escrito. É um livro divino, pois Deus o inspirou. Ela é um livro humano,
pois não foi escrito pelo dedo de Deus, mas por homens inspirados pelo Espírito Santo. A
palavra é de Deus, mas a voz é humana. Cerca de 40 escritores foram usados para registrar
de forma infalível todo o conteúdo da revelação divina. Homens de diversos lugares, de
diversos níveis culturais e intelectuais, homens de cultura enciclopédica como Moisés,
Salomão e Paulo; homens de vida palaciana como Isaías e Daniel; mas também homens
simples como o boiero Amós e o pescador Pedro. Esses homens escreveram para pessoas
diferentes, em línguas diferentes, mas dentro de uma absoluta concordância e harmonia de
conteúdo. Isso é algo que só pode ser explicado pela ação soberana de Deus.
2. O cumprimento das profecias: a Bíblia não é apenas um livro de história. Ela
conta história antes dela acontecer. A Bíblia é um livro profético. Ela encerra centenas de
profecias que vêm se cumprindo literalmente. Deus vê o futuro no seu eterno agora. Por isso
Ele conhece o amanhã como se fosse hoje.
3. O poder da Bíblia de transformar as pessoas que a examinam: quando o
homem lê a Bíblia, ele é lido por ela. Quando ele a examina, é examinado por ela. Quando a
confronta, é confrontado por ela. Ela é a espada do Espírito. Ela penetra o mais íntimo do
nosso ser. Ela é a lâmpada que clareia a escuridão do nosso coração e lança luz na estrada
de nossa vida. A Palavra de Deus é espírito e vida. O mesmo sopro que a inspirou é o sopro
que dá vida ao homem que está morto em seus delitos e pecados. Por isso ela tem sido luz
para as nações, alicerce para a construção das grandes civilizações, parâmetro para as
instituições que são guardiãs da justiça, carta magna para o estabelecimento da justiça no
mundo e regra infalível de fé e prática para o povo de Deus.
É sobre esta maravilhosa Palavra que estaremos estudando neste curso.
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
4
Como a Bíblia chegou até nós?
A Bíblia é um livro antigo. O livro de Gênesis começou a ser escrito 1.400 anos
antes de Cristo, aproximadamente. O último livro, o Apocalipse, foi escrito perto do ano 100
da era cristã. Foram necessários 1.500 anos para que todo o material ficasse pronto, e já se
passaram quase 2.000 anos desde que seus livros começaram a circular. Mesmo assim, por
mais antiga que seja, sua mensagem sempre foi atual e verdadeira.
Origem e significado dos termos.
A palavra “bíblia” vem do termo grego “biblos” (βιβλος) que significa “livro”.
Originalmente, todos os livros da Bíblia foram escritos em peças separadas e durante muitos
anos eles foram usados individualmente.
Dois materiais foram utilizados para a escrita: o pergaminho e o papiro. O
pergaminho era feito de couro de ovelha, cabra ou bois. O pêlo era retirado e o couro
amaciado com pedras. Alguns tingiam o pergaminho com púrpuras e usavam tinta de ouro
ou prata sobre eles. Na cidade de Pérgamo, na Ásia Menor, fabricava-se o material em tão
grande quantidade que este acabou herdando o nome do lugar: pergaminho. Paulo se refere
a esse tipo de material na carta enviada a Timóteo (2 Tm 4:13).
Já o papiro era um material feito de junco, uma planta que crescia em pântanos e
tinha seis centímetros de diâmetro. Ele era cortado em tiras de trinta centímetros de
comprimento, colocadas lado a lado. Uma outra camada era colocada por cima, formando
um ângulo reto, e então as duas camadas eram embebidas com cola e água. Em seguida
eram apertadas até que formassem um só tecido. Por fim, alisava-se sua superfície com
pedra-pome. Juntavam-se várias seções do material que, então eram enroladas até um
tamanho conveniente. Estes rolos também eram chamados “bíblia” (livros).
Divisão da Bíblia
A Bíblia está dividida em Antigo Testamento e Novo Testamento. Testamento
significa um “acordo”, “pacto” ou “aliança”. Vários acordos ou pactos entre Deus e os
homens são citados no Antigo Testamento, como por exemplo, o chamado de Abraão em
Gênesis 12.
O Antigo Testamento (ou Velho Testamento) possui 39 livros1
e relata o fracasso
do homem em cumprir com sua responsabilidade diante de Deus. Também relata as ações
de Jeová em direção ao homem para prover o perdão dos seus pecados. O Novo
Testamento possui 27 livros e apresenta uma nova maneira de Deus tratar o pecado e o
pecador: em Cristo, Deus perdoa os pecados do Seu povo e cria uma nova qualidade de
relacionamento, firmado na misericórdia, no amor e no perdão: “... e dos seus pecados de
modo nenhum me lembrarei” (Hb 10:17).
Leitura da Bíblia
Quando a Bíblia surgiu, tanto o Antigo como o Novo Testamento, não era dividida
nem por capítulos nem por versículos. A Bíblia Sagrada foi dividida em capítulos no século
XIII (entre 1234 e 1242), pelo teólogo Stephen Langhton, então Bispo de Canterbury, na
Inglaterra, e professor da Universidade de Paris, na França.
A divisão do Antigo Testamento em versículos foi estabelecida por estudiosos
judeus das Escrituras Sagradas, chamados de massoretas. Com hábitos monásticos e
ascéticos, os massoretas dedicavam suas vidas à recitação e cópia das Escrituras, bem
como à formulação da gramática hebraica e técnicas didáticas de ensino do texto bíblico.
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
5
Foram eles que, entre os séculos IX e X primeiro dividiram o texto hebraico (do Antigo
Testamento) em versículos. Influenciado pelo trabalho dos massoretas no Antigo
Testamento, um impressor francês chamado Robert d’Etiénne dividiu o Novo Testamento
em versículos no ano de 1551.
Até boa parte do século XVI, as Bíblias eram publicadas somente com os
capítulos. Foi assim, por exemplo, com a Bíblia que Lutero traduziu para o Alemão, por volta
de 1530. A primeira Bíblia a ser publicada incluindo integralmente a divisão de capítulos e
versículos foi a Bíblia de Genebra, lançada em 1560, na Suiça. Os primeiros editores da
Bíblia de Genebra optaram pelos capítulos e versículos vendo nisto grande utilidade para a
memorização, localização e comparação de passagens bíblicas. (Hoje, as notas históricas
dos estudiosos protestantes de Genebra agregadas a novas notas de estudo podem ser
encontradas em um recente lançamento da Sociedade Bíblica do Brasil: a Bíblia de Estudo
de Genebra.) Em Português, já a primeira edição do Novo Testamento de João Ferreira de
Almeida (1681) foi publicada com a divisão de capítulos e versículos.
O Antigo Testamento
O Antigo Testamento foi escrito, quase na sua totalidade, na língua hebraica, que
é o idioma falado ainda hoje pelos judeus. É composto por 39 livros divididos em 4
categorias (Pentateuco, Históricos, Poéticos e Proféticos – nesta respectiva ordem nas
Bíblias cristãs). No Antigo Testamento hebraico a divisão é diferente e segue o esquema a
seguir:
a) A Lei (Torah): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio (5 livros);
b) Os profetas:
1. Profetas anteriores: Josué, Juízes, Samuel e Reis (4 livros);
2. Profetas posteriores:
Maiores: Isaías, Jeremias e Ezequiel (3 livros);
Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum,
Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias (no hebraico formam um
tomo só);
c) Os Escritos ou “Hagiógrafos”:
1. Os poéticos: Salmos, Provérbio e Jó (3 livros);
2. Os cinco rolos: Cânticos, Rute Lamentações de Jeremias, Eclesiastes e
Ester (5 livros);
3. Os Históricos: Daniel, Esdras, Neemias e Crônicas (3 livros)
A ordem usada nas Bíblias evangélicas segue esta seqüência:
a) Livros da Lei ou Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronômio;
b) Livros Históricos: Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2
Crônicas, Esdras, Neemias e Ester;
c) Livros Poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Cânticos de Salomão (ou Cântico dos
Cânticos) e Eclesiastes;
d) Livros Proféticos: dividem-se em Profetas Maiores e Menores;
1. Profetas Maiores: Isaías, Jeremias (Juntamente com Lamentações),
Ezequiel e Daniel;
2. Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum,
Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias;
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
6
Os Livros Apócrifos e Apocalípticos
A Bíblia utilizada pelos católicos romanos, além dos livros contidos na Bíblia
utilizada pelos evangélicos, possui alguns outros livros. São os chamados “Livros Apócrifos”.
Nós não utilizamos estes livros, pois não podem ser reconhecidos como inspirados por Deus
e nem como autoritativos para a vida cristã.
Com o nome de “apócrifos” designamos, normalmente, os livros que a Vulgata
Latina2
contém, mas que não estão incluídos no Velho Testamento Hebraico. A presença de
tais livros na Vulgata, exceção feita a II Esdras, deve-se à tradução grega da Septuaginta3
,
fonte da versão latina destes livros. Muitos foram escritos em “pseudepígrafe”, ou seja, um
autor desconhecido escrevia um livro e assinava com o nome de alguém muito conhecido
para dar à sua obra autoridade.
Além dos que a Bíblia católica contém, existem outros que são menos conhecidos.
Os livros apócrifos são:
1 livro de Esdras: Não confunda com o Livros históricos de Esdras. É uma
narração fragmentária dos acontecimentos lembrados no livro de Esdras, juntamente com a
história dos três cortesões, um dos quais se chama Zorobabel e que teve papel
preponderante na festa de Dario.
2 livro de Esdras: Não passa dum apocalipse do primeiro século da era cristã, de
certo modo o mais trágico de todos os apocalipses.
Tobias: É uma história romântica que nos fala da sepultura dos mortos e do
casamento de Tobias. Foi escrito provavelmente nos fins do século III A.C.
Judite: É outra obra de ficção a propósito da libertação duma cidade do exército
assírio. Não vai além da época dos Macabeus (150 A.C.).
O descanso de Ester: É um apêndice ao livro canônico4
de Ester e inclui orações
e decretos, que vêm tornar mais explícito o caráter religioso do livro.
Sabedoria de Salomão: É considerado um dos livros mais representativos e mais
sublimes da sabedoria hebraica, do período interbíblico5
. Supõe-se que tenha sido escrito
entre os anos 150 A.C. e 40 D.C.
Eclesiástico: Também chamado de “Sabedoria de Jesus, filho de Siraque”, é uma
obra no mesmo estilo de “Sabedoria de Salomão” e datada do ano 180 A.C.
Baruque forma um livro só com A Epístola de Jeremias, datado do primeiro do
século III A.C. e o segundo do século II A.C. Ambos se destinam a combater a heresia6
.
Apêndices ao livro de Daniel conhecem-se três: A História de Susana,
condenada a morte e defendida pelo jovem Daniel; a Oração de Azarias e o Cântico dos
três santos mancebos lançados à fornalha ardente; e por fim Bel e o Dragão, duas
narrativas separadas contando como Daniel desacreditou os sacerdotes de Bel e
desmascarou o deus-dragão.
A oração de Manassés, é um grito de arrependimento proferido pelo rei que tem
este nome e baseado em 11 Crônicas 23:12ss, escrito provavelmente no século II A.C..
O livro de I Macabeus narra a luta dos judeus, chefiados pelos filhos de Matatias
contra Antíoco Epífanes e seus sucessores. Há quem suponha que o autor é
contemporâneo dos acontecimentos que relata.
O livro de II Macabeus continua o anterior e expõe, num estilo primoroso, as
façanhas de Judas Macabeu.
Ainda existem outros livros apócrifos e pseudepígrafes que não figuram na Bíblia
católica, como o Livro de Enoque, o Livro dos Jubileus, A assunção de Moisés, entre outros
que falam também de Jesus e dos apóstolos.
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
7
Dicas para leitura da Bíblia
Para você ler e estudar a Bíblia é necessário conhecer algumas abreviaturas e
formas de escrita. Quando você for estudar a Bíblia tenha algumas coisas em mente:
1º. Quem escreveu este livro?
2º Quando ele escreveu?
3º Para quem escreveu?
4º Quais acontecimentos importantes marcam a vida de quem escreveu e de quem recebeu
o que foi escrito?
5º Qual o estilo do livro? (Histórico, Poético, Profético, Espistolar, Apocalítico?)
É necessário saber também as abreviaturas e escritas das passagens.
Veja a lista que segue:
: (dois pontos) dividem o capítulo do versículo (Gn 3:4)
, (vírgula) dividem versículos (Gn 3:4,5)
- (traço) dividem trechos ou passagens (Gn 3:4-6 ou Gn 3:4-5:6)
; (ponto e vírgula) dividem capítulos de capítulos ou livros de livros (Gn 3:4; Gn
9:10)
ss (dois esses) ler o versículo indicado e os posteriores (Gn 3:4ss), também
indicado por “seg.” (usa-se também a abreviatura “segs.”)
cf. (conforme). Indica que você compreenderá aquele texto lendo o outro.
Algumas Bíblias possuem ajudas especiais para leitura e estudo, que devem ser
consultadas a parte. Muitos compram Bíblias de estudo e nunca a utilizam como deveriam.
Colocamo-nos à disposição para ensinar como utilizar melhor os recursos de que a sua
Bíblia dispõe.
Elementos essenciais à compreensão do Antigo Testamento
1. Elemento histórico: Todos os livros do Antigo Testamento estão fundamentados
em dados históricos. Podemos encaixar na cronologia tantos os livros históricos quanto os
poéticos e proféticos. Neste sentido, percebemos que Deus está tanto Se revelando neste
processo histórico quanto o controlando.
2. Elemento cultural: Vários povos são citados no Antigo Testamento e cada um
possui a sua cultura peculiar. Também encontramos o desenvolvimento da cultura da nação
de Israel. Essas culturas afetam diretamente a compreensão do texto bíblico. Nossa
tendência é ler o texto com a nossa cultura.
3. Elemento geográfico: As narrativas nos remetem à lugares específicos.
Conhecê-los aumenta nossa compreensão.
4. Elemento literário: É grande a diversidade literária do Antigo Testamento:
narração, poesia, literatura sapiencial, etc. Em que grupo se encaixa o texto incidirá
diretamente na sua interpretação.
5. Elemento revelacional: O Antigo Testamento é a revelação que Deus faz de Si
mesmo. Esta revelação se dá através do desenvolvimento da história (experiências e
relacionamento) e, acima de tudo, de maneira proposicional (palavras).
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
8
6. Elemento teológico: Devemos levar em consideração a revelação progressiva
ao lermos o Antigo Testamento. Da criação do mundo à reedificação do Templo, o
conhecimento do homem sobre Deus está gradativamente aumentando.
OS LIVROS DA LEI OU PENTATEUCO
Geralmente esta seção do AT é comumente conhecido como Toráh (Lei). O
substantivo toráh se deriva da raiz yarah, “lançar” ou “projetar”, e significa orientação, lei,
instrução.
A palavra “Pentateuco” é uma derivação de duas palavras gregas “pente” (cinco)
e “teuchos” (volume). Seu primeiro uso se encontra, talvez, nos escritos de Orígenes, a
respeito de Jo 4:25, “do Pentateuco de Moisés”.
No AT o Pentateuco é chamado de:
1. Lei: Js 8:34; Ed 10:3; Ne 8:2,7,14; 10:34,36; 12:44; 13:3; 2 Cr 14:4; 31:21; 33:8.
2. Livro da Lei: s 1:8; 8:34; 2 Rs 22:8; Ne 8:3.
3. Livro da Lei de Moisés: Js 8:31; 23:6; 2 Rs 14:6; Ne 8:1.
4. Livro de Moisés: Ed 6:18; Ne 13:1; 2 Cr 25:4; 35:12.
5. Livro do Senhor: Ed 7:10; 1 Cr 16:40; 2 Cr 31:3; 35:26.
6. Lei de Deus: Js 24:26; Ne 8:18.
7. Livro da Lei de Deus: Js 24:26; Ne 8:18.
8. Livro da Lei do Senhor: 2 Cr 17:9; 34:14.
9. Livro da Lei do Senhor seu Deus: Ne 9:3.
10. Livro de Moisés, servo de Deus: Dn 9:11, 13; Ml 4:4.
No NT o Pentateuco é chamado de:
1. Livro da Lei: Gl 3:10.
2. Livro de Moisés: Mc 12:26.
3. Lei: Mt 12:5; Lc 16:16; Jo 7:19.
4. Lei de Moisés: Lc 2:22; Jo 7:23.
5. Lei do Senhor: Lc 2:23-24.
1. Autoria do Pentateuco
O Pentateuco é uma obra contínua, completa, produzida por um só autor
inspirado. É possível que se tenha feito o uso de fontes orais e escritas sob orientação
divina.
1.1. Negação da Autoria Mosaica
1.1.1.Origem do Desenvolvimento da Teoria Documentária
O deísmo e o racionalismo contribuíram para o surgimento da TEORIA
DOCUMENTÁRIA. O objetivo era negar a relação sobrenatural de Deus com o homem e,
consequentemente, a doutrina da Bíblia como inspiração sobrenatural. O Antigo
Testamento, segundo estes autores, não é formado pelo conteúdo da revelação
sobrenatural de Deus acerca de si mesmo, mas das experiências religiosas dos que
buscavam a Deus. Thomas Hobbes em sua obra Leviathan (1651) afirmou que o Pentateuco
havia sido editado por Esdras a partir de fontes antigas. Benedicto Spinoza declarou em
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
9
Tractatus Theologico-Politicus (1670) que Esdras havia editado o Pentateuco com
interpolação de Deuteronômio, questionando a autoria mosaica.
1.1.2.Teoria Documentária Primitiva
Jean Astruc, médico francês, foi o primeiro a dar expressão literária a essa teoria
(em 1753). Limitou suas dúvidas apenas a autoria de Gn 1. Sua tese era que Moisés havia
compilado o livro de Gênesis a partir de duas memórias, e outros documentos menores.
Astruc identificou 2 fontes principais: Fonte A, com o uso da palavra Elohim, e fonte B, o uso
da palavra Yahweh. Todavia, aceita Moisés como autor do livro todo. Alegava ter encontrado
em Gênesis mais de dez fontes e outras interpolações textuais!
Johann G. Eichorn em sua Einleitung (1780-1783), expandiu as idéias de Astruc a
todo o Pentateuco e não apenas a Gênesis. Negou a autoria mosaica. Dividiu Gn e Êx 1-2
em fontes designadas J e E, e afirmou que estas foram editadas por um autor desconhecido.
1.1.3.Teoria Fragmentária
Alexander Geddes, padre católico escocês, investigou as “memoires” de Astruc.
Em 1792-1800 desenvolveu a teoria fragmentária. Segundo a Teoria Fragmentária o
Pentateuco consiste em fragmentos lendários, desconexos entre si e de muitos autores
desconhecidos, mas possuindo apenas um redator. Foi o primeiro a sugerir a existência de
um Hexateuco. Segundo Geddes o Pentateuco foi compilado por um redator desconhecido a
partir de numerosos fragmentos que tiveram sua origem em círculos diferentes, um
elohístico, e o outro javístico. A data da composição final do “Hexateuco” teria ocorrido em
Jerusalém, durante o reinado de Salomão.
J. Vater (1802-1805) fez a divisão do Pentateuco em 39 fragmentos. A data da
composição final do Pentateuco foi no exílio babilônico, sendo que nesta época adquiriu a
forma que hoje conhecemos.
A.T. Hartmann foi o primeiro a dizer que a escrita era desconhecida no tempo de
Moisés entre os israelitas (1831). Segundo ele, o Pentateuco era constituído de um grande
número de pequenos documentos pós-mosaicos, a que foram feitas adições, de tempos em
tempos, até se tornarem nos cinco livros. Considerava o Pentateuco como lenda e mito.
1.1.4.Teoria suplementar
Wilhelm M. L. De Wette (1780-1849) em 1805 escreveu um livro, acerca de
Deuteronômio, dando este livro como pertencente ao tempo de Josias e escrito um pouco
antes da sua reforma religiosa, em 621 a.C.
Heinrich Ewald (+1875) rejeitou a autoria mosaica. Segundo ele o Pentateuco é
composto de muitos documentos, mas enfatizando o documento E como sendo básico.
Tuch foi quem deu expressão clássica à teoria. Deu ênfase a dois documentos
básicos, o E e o J, tendo datado o E no tempo de Saul, e o J no tempo de Salomão.
Representa uma volta a Teoria Documentária primitiva. Segundo essa teoria, o
documento básico, original era um só, o documento E (elohista), combinado com um
suplemento principal que era o documento J (jeovísta) formavam a base para o Pentateuco.
No decorrer dos séculos novas adições foram feitas a estes documentos, terminando na
cristalização do atual conjunto de cinco livros. Todos estes críticos negaram a autoria
mosaica do Pentateuco.
1.1.5.Teoria Documentária Modificada
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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Esta teoria defende que de três a quatro documentos principais e contínuos foram
combinados por um redator.
Hermann Hupfeldt, em 1853, ensinou que, além do Deuteronômio, havia três
documentos contínuos que eram J,E1 e E2, combinados por um único redator.
E. Riehm (1854) defendeu que os documentos contínuos eram quatro e não três.
Foi o primeiro a apresentar um quarto documento principal, chamado D. A forma dos
documentos seria E1, E2, J, D.
1.1.6.Teoria Documental em seu Estado Final
Segundo esta teoria, quatro ou cinco documentos principais, mais outros
documentos secundários foram combinados por quatro redatores principais e mais outros
redatores secundários.
Reuss (1850) acreditava em cinco documentos principais J, E1, E2, d, P. Foi o
primeiro a sugerir o documento P como sendo documento básico e também como sendo o
último deles. Atribuiu ao tempo de Esdras como data final da redação do Pentateuco.
Karl H. Graff, em 1865, afirmou a literatura de Êxodo, Levítico e Números, não
pertencia ao período de Josias, mas ao cativeiro babilônico. Rejeitou o documento E1 como
sendo um documento independente. Para ele o E1 é igual ao P, um documento procedente
do período do reinado de Josias. Para Graff a ordem dos documentos seria P–histórico, E, J,
D, P-legal.
Abraham Kuenen (1869-1870) desenvolveu a teoria de Graff e a difundiu,
principalmente na Alemanha. Em sua obra “A Religião de Israel” (1869) argumentou que o
P-histórico não poderia ser separado do documento P-legal. Sua teoria resultou em J, E, D,
P.
Julius Wellhausen foi quem deu uma popular formulação literária à teoria, em sua
obra Die Composition dês Hexateuchs, em 1876. Com ele a teoria adquiriu o nome de Graff-
Kuenen-Wellhausen. Causou um grande impulso ao criticismo moderno.
1.1.7.Teoria Documentária no Século XX
Herman Gunkel (1862-1932) e Hugo Gressmann (1877-1927) posicionaram-se
contra as tendências do wellhausenismo clássico. Os grandes expoentes na crítica das
fontes. Defendiam a necessidade de se descobrir o Sitz im Leben (contexto vital).
Comparação com a mitologia antiga.
Otto Eissfeldt em sua Einleitung in das Alte Testament (1934) defendia a
classificação da literatura do AT em vários gêneros e categorias. Tenta traçar o
desenvolvimento (a influência pré-história literária) dos diferentes documentos. Propõem a
existência de um documento L (fonte leiga). Não possui uma concepção adequada da
revelação, considera a literatura do AT como de origem meramente humana.
R.H. Pfeiffer em Introduction to the Old Testament (1941) mostra erudição e
apologia, basicamente anti-cristã. Ensinou a existência de um documento S (Sul ou Seir),
mas obteve aceitação popular. Nega a revelação, milagres, etc., segundo Pfeiffer estas são
cousas subjetivas, sem prova científica.
Gerhard Von Rad (1934) defendeu a existência de mais dois documentos Pa e Pb.
Propôs a teoria do Hexateuco.
Aage Bentzen publicou em 1941 uma obra que esposa o método histórico-crítico
que presta dedicada atenção ao estudo das supostas formas da literatura do AT.
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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1.1.8. Características dos “supostos” documentos
Documento J (Jeová, Jeovista)
1.Data: 950 ou 850 a.C.
2.Local escrita: Judá
3.Autoria: é atribuído a um historiador desconhecido, pertencente ao reino do Sul
4.Conteúdo: começa com a criação e vai até o fim do reino de Davi (Gn 2 a Nm
22-24).
5.Natureza: uma coleção de literatura épica, demonstrando forte sentimento
nacionalista. Contém dramatização vívida, apresentações antropomórficas de Deus, em que
Deus é descrito em termos humanos. Prefere usar o nome Yahweh para Deus. Ressalta a
continuidade do propósito de Deus desde a criação, passando pelos patriarcas, até o papel
de Israel como seu povo. Essa continuidade leva ao estabelecimento da monarquia com
Davi.
Documento E (Elohista)
1.Data: 850 ou 750 a.C.
2.Autoria: atribuída a um sacerdote desconhecido de Betel (Reino do Norte), ou a
um profeta, sob a influência de Elias.
3.Local escrita: Efraim
4.Conteúdo: começa com Abraão e termina com Josué
5.Natureza: Usa-se a história na forma épica. Este documento possui uma
variedade de detalhes, grande interesse no ritual e uma teologia mais abstrata, que evita
antropomorfismo e usa visões e anjos como meios de revelação. É a narrativa da tradição
de Israel (reino do Norte) em paralelo com documente J. Prefere Elohim como nome de
Deus até a revelação de seu nome Yahweh a Moisés (Êx 3), depois disso passa a empregar
ambos os nomes de Deus.
Documento D (Deuteronomista)
1.Data: 650 a.C.
2.Autoria: atribuída a um sacerdote desconhecido.
3.Local escrita: Jerusalém
4.Conteúdo: é o material núcleo do livro de Deuteronômio
5.Natureza: tem interesse teológico pelo Templo de Jerusalém, e forte oposição
contra a idolatria. O estilo literário é prosaico, prolixo, paranético (repleto de exortações ou
conselhos). Seria o tal livro descoberto no reinado do rei Josias no ano 621 a.C.
Documento P (do inglês Priestly [Sacerdotal])
1.Data: 525 ou 450 a.C.
2.Autoria: desconhecida
3.Conteúdo: composto de tradições mosaicas antigas depois do Exílio.
1.2. Uma avaliação crítica da Teoria Documentária.
Devemos considerar algumas implicações da Teoria Documentária em afirmar a
formação final do Pentateuco num período pós-exílico (entre 500-400 a.C.), quando a
religião de Israel já estava bem desenvolvida.
1. A Teoria Documentária não prova a não autoria de Moisés.
2. Mesmo entre os adeptos desta teoria não há concordância acerca da
identificação e classificação dos textos e dos grupos documentais a que eles supostamente
pertencem.
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
12
3. Aceitar a teoria JEDP anula a credibilidade do Pentateuco. Segundo a Teoria
Documentária a história bíblica é forjada. O uso do nome de Moisés no Pentateuco, era
simplesmente para dar autoridade ao texto, mas ele nada tinha a ver com a composição
histórica do mesmo.
4. Retira todo o caráter normativo do Pentateuco. Se ele não foi o princípio
regulador para os primeiros leitores, não teria valor algum para os crentes de outras épocas,
uma vez que os conceitos humanos mudam e o que não foi normativo para um povo, pode
não ser para outro.
5. Invalida o esforço de composição. O relato do Pentateuco é rico em detalhes e
informações. Possui informações das origens e desenvolvimento dos povos, em especial do
povo de Israel. Os supostos autores teriam se dado a um imenso trabalho de imaginação
para simplesmente manter uma ordem que já estava estabelecida.
6. Devemos considerar a ausência de evidências histórica, ou manuscritológicas,
de que estes supostos documentos (JEDP) tenham circulado em algum período soltos uns
dos outros.
7. Considera o autor mal-intencionado.
8. Impossibilidade do sobrenatural no AT. Consequentemente a intervenção divina
é negada: revelação, inspiração, encarnação, milagres, etc.
9. Negação da revelação especial. A Bíblia torna-se meramente uma referência
literária semítica. Um livro antigo como outro qualquer, deixando de ser a auto revelação
proposicional de Deus.
1.3. Argumentos em favor da Autoria Mosaica do Pentateuco
Não há no Pentateuco uma declaração objetiva de que Moisés tenha escrito o
Pentateuco. Todavia, há um testemunho suficiente, que apoia a sua autoria.
A ausência do nome do autor harmoniza-se com a prática do AT em particular, e
com as obras literárias antigas em geral. No antigo Oriente Médio, o “autor” era basicamente
um preservador do passado, limitando-se ao uso de material e metodologia tradicionais,
conforme já foi observado.
1.3.1. Evidências Internas
1. Êx 17:14 indica que Moisés estava em condições de escrever.
2. Êx 24:4-8 refere ao “Livro da Aliança”.
3. Êx 34:27 pela segunda vez a ordem de escrever.
4. Nm 33:1-2 Moisés anotou a lista das paradas desde o Egito até.
5. Dt 31:9,24 referência aos 4 livros anteriores do Pentateuco.
6. Dt 31:22 refere-se a Dt 32.
7. Narra detalhes de uma testemunha ocular. O número de fontes e palmeiras (Êx
15:27), a aparência e paladar do maná (Nm 11:7-8).
8. Em Gn e Êx, o autor exprime um detalhado conhecimento do Egito, e do
percurso do êxodo.
9. Conhecimento de palavras e nomes egípcios. O autor possuí uma noção
estrangeira da Palestina. Os termos usados para as estações, tempo, fauna, flora são
egípcios, não palestinos. O autor estava familiarizado com a geografia egípcia e sinaítica.
Menciona quase nada sobre a geografia palestina, o que evidencia seu pouco conhecimento
da região.
1.3.2. Evidências Externas
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
13
1. Livro de Josué repleto de referências a Moisés como autor do Pentateuco Js
1:7-8; 8:31; 22:9; 23:6; etc.
2. Jz 3:4 declara “...por intermédio de Moisés.”
3. Expressões frequentes nos livros históricos: “lei de Moisés”, “livro da lei de
Moisés”, “livro de Moisés”, etc. 1 Rs 2:3; 2 Rs 14:6; 21:8; Ed 6:18; Ne 13:1; etc.
1.3.3. Evidências do NT
1. Cristo menciona passagens do Pentateuco como sendo de Moisés. Mt 19:8; Mc
10:4-5.
2. O texto sobre a circuncisão (Gn 17:12) mencionado no NT (Jo 7:23) como
fazendo parte da Lei de Moisés.
3. Restante do NT em harmonia com Cristo. At 3:22-23; 13:38-39; 15:5,21; 26:22;
28:23; Rm 10:5,19; 1 Co 9:9; 2 Co 3:15; Ap 15:3.
1.3.4. Moisés Era Qualificado Para Escrever o Pentateuco
Moisés é reconhecido como o homem erudito na antiguidade bíblica. Nos dias de
Moisés o Egito era a maior civilização do mundo, tanto em domínio, construções e
conhecimento. Moisés teve a oportunidade de ter sido educado na corte real egípcia,
recebendo a instrução de disciplinas acadêmicas que no Egito já eram tão desenvolvidas.
Incluindo a arte da escrita, que há muito tempo era usada, de comum uso dos egípcios,
inclusive entre os próprios escravos.
Como historiador, soube coletar as informações da rica tradição oral de seu povo.
Mas além da tradição oral, Moisés dispôs, enquanto esteve no palácio real egípcio, do seu
acervo literário.
Era possuidor de um vasto e detalhado conhecimento geográfico. O clima,
vegetação, a topografia, o deserto tanto do Egito como do Sinai, e os povos circunvizinhos
lhe eram familiares.
O modo como o autor do Pentateuco descreve os eventos e lugares, indica que
ele não era palestino. Alguns fatos contribuem para esta conclusão 1) conhecia lugares
pelos nomes egípcios, 2) usa uma porcentagem maior de palavras egípcias do qualquer
outra parte do AT, 3) as estações e tempo que se mencionam nas narrativas são geralmente
egípcias e não palestinas, 4) a flora e a fauna descritas são egípcias, 5) os usos e costumes
relatados que o autor conhecia e eram comuns em seus dias.
Moisés como fundador da comunidade de Israel, também exerceu o papel de
legislador, educador, juiz, mediador, profeta, libertador, sacerdote, pastor, historiador, entre
outros. Possuía vários motivos, segundo as funções que exerceu, para prover ao seu povo
alicerces morais concretos e religiosos, e era preciso registrar e distribuir a Lei entre o povo,
de modo que ela fosse acessível a todos.
Como escritor teve tempo mais que suficiente. O Êxodo durou quarenta árduos e
longos anos de peregrinação pelo deserto do Sinai. Apesar de sua ocupação ativista, este
seria um tempo mais do suficiente para que pudesse escrever todo o Pentateuco, e ainda se
necessário alfabetizar todo o povo.
Ele mesmo reivindicou escrever sob orientação de Deus (Êx 17:14; 34:27; Dt 31:9,
24). Nenhum outro autor da antiguidade foi assim identificado.
1.3.5. O Que se Entende Por Autoria Mosaica?[13]
1. Não significa que Moisés tenha pessoalmente escrito originalmente cada
palavra do Pentateuco. Certamente ele lançou mão da “tradição oral”;[14]
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
14
2. É possível que ele tenha empregado porções de documentos previamente
existentes;
3. Talvez, tenha usado escribas ou amanuenses para escrever;
4. Moisés foi o autor fundamental ou real do Pentateuco;
5. Sob a orientação divina, talvez, tenha havido pequenas adições secundárias
posteriores, ou mesmo revisões (Dt 34);
2.Unidade
2.1. Unidade Literária/Textual
Não há nenhuma evidência história ou manuscritológica que vários redatores
tenham “costurado” os livros do Pentateuco. Não existe nenhuma evidência que em algum
período da história, o Pentateuco tenha circulado como “pedaços” (fontes JEDP), e que
algum redator, ou redatores, tenha compilado e dado sua formação final, como propõe a
teoria documentária. Os rabinos judeus desconhecem tal coisa.
2.2. Unidade Histórica
O Pentateuco possui uma linha histórica que se desenvolve. A ligação
cronológica entre os cinco livros, transmite-nos a ideia de que, é somente um livro de cinco
capítulos. Podemos resumir a história de Israel registrada no Pentateuco da seguinte forma:
1. Deus é o criador de toda a raça humana, e dela formou para si um povo.
2. Deus escolheu Abraão e seus descendentes, e lhes prometeu dar a terra de
Canaã.
3. Israel foi para o Egito, e caiu na escravidão, da qual o Senhor os livrou.
4. Deus conduziu Israel a Canaã conforme prometeu.
3.3. Unidade Temática
1. Em Gn vemos a origem do universo e a aliança com Israel.
2. Em Êx vemos a escravidão e libertação de Israel.
3. Em Lv vemos a santificação de Israel.
4. Em Nm vemos a recontagem do povo de Israel.
5. Em Dt vemos a renovação da aliança com a nova geração de Israel
4. Importância
4.1. Aspectos Sociais: princípio norteador para toda a nação.
4.2. Aspecto Científico: O criacionismo é fundamentado a partir de Gênesis.
4.3. Aspecto Teológico: Os grandes fundamentos da fé são criados a partir dele.
4.4. Aspectos Históricos: O mais perfeito relato histórico apresentando Cristo.
4.5. Aspectos Antropológicos: Descreve raças, nações e culturas.
4.6. Aspectos Proféticos: Fundamenta os temas proféticos mais importantes.
O livro de Gênesis
Abreviatura: Gn
Autor: Moisés
Data: 1450/1410 AC.
Versículo-chave: 1:1; 12:1-2
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
15
Frase-chave: Começos, origens;
Conteúdo:
O Livro de Gênesis é o livro das origens. Relata a criação do mundo, o surgimento
do homem e da mulher e o pecado original. Outro fato importante neste livro é a escolha que
Deus faz. Deus escolhe Abraão, Deus escolhe Isaque, Deus escolhe Jacó e Deus escolhe
Judá.
Esboço:
I. Os princípios da História 1:1-11:32
a. A criação do Universo (1:1-2:3)
b. O lugar do homem (2:4-25)
c. A entrada do pecado no mundo (3:1-4:26)
d. A genealogia de Adão a Noé (5:1-32)
e. A perversidade e o castigo do velho mundo (6:1-9:29)
f. As antigas famílias da humanidade (10:1-11:32)
II. A História de Abraão (12:1-2518)
a. A fé e a obediência de Abrão (12:1-14:24)
b. Aliança de Deus com Abrão (15:1-17:27)
c. O livramento de Ló de Sodoma e Gomorra (18:1-19:38)
d. Abraão e Abimeleque (20:1-18)
e. O filho prometido (21:1-24:67)
f. A família de Abraão (25:1-18)
III. A História de Isaque (25:19-26:35)
a. Nascimento de Esaú e Jacó (25:19-28)
b. Esaú vende sua primogenitura para Jacó (25:29-34)
c. Isaque e Abimeleque (26:1-16)
d. Disputa a respeito de poços (26:17-33)
e. Os casamentos de Esaú (26:34-35)
IV. A História de Jacó e Esaú (27:1-37:1)
a. Jacó na casa paterna (27:1-46)
b. A viagem de Jacó (28:1-22)
c. Jacó na Síria (29:1-33:15)
d. Jacó na Terra Prometida (33:16-35:20)
e. Descendência de Jacó e Esaú (35:21-37:1)
V. A História de José (37:2-50:26)
a. A infância de José (37:2-36)
b. Judá e Tamar (38:1-30)
c. Promoção de José no Egito (39:1-41:57)
d. José e seus irmãos (42:1-45:15)
e. José recebe seu pai no Egito (45:16-47:26)
f. Últimos dias de Jacó (47:27-50:14)
g. José cuida de seus irmãos (50:15-26)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
16
O livro de Êxodo
Abreviatura: Ex
Autor: Moisés
Data: 1450/1410 AC.
Versículo-chave: 19:4-6
Frase-chave: Saída do Egito
Conteúdo:
Depois da morte de José, que assinala o fim do Gênesis e da “era patriarcal”7
, o
povo de Israel floresceu e se multiplicou no Egito. Os egípcios, porém, logo se esqueceram
de como José os havia salvado da fome. A gratidão dos governantes egípcios transformou-
se em suspeita e ódio. O livro relata o livramento dos oprimidos israelitas do poder egípcio.
Os rigores da escravidão no Egito e o faraó exigiram a preparação do libertador, Moisés, um
dos tipos de Cristo8
.
Esboço:
I. A opressão no Egito (1:122)
II. Nascimento, treino e chamada de Moisés (2:1-7:7)
a. Os primeiros oitenta anos de Moisés (2:1-22)
b. A chamada de Moisés (2:33-4:17)
c. Moisés retorna ao Egito (4:18-31)
d. A primeira petição a Faraó e seu resultado (5:1-6:1)
e. As promessas e a comissão renovadas (6:2-13)
f. As genealogias de Moisés e Aarão (6:14-27)
g. A comissão retomada (6:28-7:7)
III. As pragas, a Páscoa e o Êxodo (7:8-15:21)
a. Faraó reconhece um sinal (7:8-13)
b. As primeiras nove pragas (7:14-10:29)
c. Aviso sobre a última praga (11:1-10)
d. Instituição da Páscoa (12:1-28)
e. A décima praga e a partida para fora do Egito (12:29-51)
f. Santificação e redenção dos primogênitos (13:1-16)
g. A travessia do Mar Vermelho (13:17-14:31)
h. O cântico de Moisés (15:1-21)
IV. A viagem até Horebe (15:22-18:27)
a. Mara e Elim (15:22-27)
b. A provisão do maná (16:1-36)
c. A rebelião em Refidim e a batalha com Amaleque (17:1-16)
d. A visita de Jetro (18:1-27)
V. A entrega da Lei, no Sinai (19:1-24:18)
a. Preparação para a recepção da lei no concerto (19:1-25)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
17
b. Os dez mandamentos (20:1-17)
c. O temor de Deus cai sobre o povo (20:18-21)
d. O altar a ser erigido (20:22-26)
e. Vários julgamentos (21:1-22:20)
f. Vários estatutos morais (22:21-23:19)
g. As recompensas da obediência (23:20-33)
h. A ratificação do concerto (24:1-11)
i. Moisés delega sua autoridade e sobe novamente ao monte Sinai (24:12-18)
VI. O plano divino para o Tabernáculo9
(25:1-31:18)
a. Dádivas para o tabernáculo (25:1-9)
b. Os móveis do tabernáculo (25:10-40)
c. O tabernáculo, o altar e o pátio (26:1-27:21)
d. As vestes do Sumo sacerdote e seus filhos (28:1-43)
e. Ordenanças para a consagração dos sacerdotes (29:1-37)
f. O sacrifício diário e a promessa da presença do Senhor (29:38-46)
g. Mais instruções sobre o tabernáculo (30:1-31:11)
h. O sinal do sábado (31:12-17)
i. As tábuas do testemunho (31:18)
VII. A idolatria dos israelitas e a intercessão de Moisés (32:1-33:23)
a. A fabricação do bezerro de ouro (32:1-6)
b. Moisés intercede pelo povo (32:7-14)
c. O povo é castigado (32:15-29)
d. Moisés intercede novamente, e lhe é mostrada a glória divina (32:30-33:23)
VIII. A renovação do concerto (34:1-35)
IX. Construção e ereção do tabernáculo (35:1-40:38)
a. O povo traz oferendas voluntárias (35:1-29)
b. Os construtores fazem o trabalho segundo o modelo (35:30-39:43)
c. O tabernáculo é armado (40:1-33)
d. A glória do Senhor entra no tabernáculo (40:34-38)
O livro de Levítico
Abreviatura: Lv
Autor: Moisés
Data: 1450/1410 AC.
Versículo-chave: 20:7-8
Frase-chave: Santidade
Conteúdo:
O nome “Levítico” vem de “Levi”. Levi era o terceiro filho de Jacó e Lia (Gn 29:34)
e sua família foi escolhida para auxiliar os sacerdotes. Note algo importante: somente os da
família de Arão eram sacerdotes, os levitas tinham por obrigação auxilia-los.
Desmanchavam, transportavam e armavam o Tabernáculo (Nm 3:5ss) e substituíam os
primogênitos de toda a nação servindo ao Senhor. Cada uma das três famílias de Levi tinha
deveres especiais. Os filhos de Coate estavam incumbidos de transportar os móveis depois
que os mesmos fossem cuidadosamente cobertos pelos sacerdotes. Os coatitas eram
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
18
supervisionados por Eleazar, filho de Arão. Os filhos de Gérson cuidavam das cobertas,
cortinas e véus sob a supervisão do filho de Arão, Itamar. Os filhos de Merari tinham a tarefa
de transportar e erguer a armação do tabernáculo e seu átrio. Os levitas começavam a servir
quando tinham 25 anos e continuavam a servir até os 50 anos. Os levitas não possuíam
herança alguma na terra. Eles eram sustentados por dízimos do povo e habitavam em 48
cidades em Israel, dentre estas, seis cidades eram “cidades de refúgio”10
.
O livro de Êxodo terminou com o levantamento do tabernáculo, construído
segundo o padrão que Deus dera a Moisés. Como iria Israel usar o tabernáculo? As
instruções encontradas em Levítico são a resposta a essa pergunta, e foram dadas a Moisés
no intervalo de 50 dias entre a inauguração do tabernáculo (Ex 40:17) e a partida do povo do
Sinai (Nm 10:11).
Esboço:
I. Os sacrifícios (1:1-7:38)
a. A porção do Senhor (1:2-6:7)
b. A porção do sacerdote e do oferente (6:8-7:38)
II. A consagração de Arão seus filhos (8:1-10:20)
a. Arão e seus filhos consagrados por Moisés (8:1-36)
b. Arão desempenha o seu ofício (9:1-24)
c. O sacrilégio e suas conseqüências (10:1-20)
III. Leis relativas à purificação (11:1-15:33)
a. Impureza por causa dos animais (11:1-47)
b. Purificação do primogênito (12:1-8)
c. Purificação do leproso (15:1-33)
d. Impureza do corpo (15:1-33)
IV. O dia da expiação (16:1-34)
a. A preparação de Arão (16:1-10)
b. O sacrifício pelos sacerdotes (16:11-14)
c. O sacrifício pelo povo (16:15-19)
d. O bode expiatório (16:20-22)
e. Sacrifícios terminados (16:23-28)
f. Outras instruções (16:29-34)
V. Local do sacrifício e santidade do sangue (17:1-16)
VI. Pecados contra a lei moral (18:1-20:27)
a. Casamentos ilícitos e uniões abomináveis (18:1-30)
b. Uma coleção de novas leis (19:1-37)
c. Diversas leis respeitantes a outros crimes hediondos (20:1-27)
VII. Instruções para os sacerdotes (21:1-22:33)
a. Os sacerdotes devem ser santos (21:1-9)
b. Determinações especiais para o Sumo-sacerdote (21:10-15)
c. Efeitos da deformidade física (21:16-24)
d. A profanação impede o sacerdote de tocar nas coisas santas (22:1-16)
e. Diretrizes para a oferta dos sacrifícios (22:17-33)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
19
VIII. As festas sagradas (23:1-44)
a. O sábado (23:3)
b. A Páscoa e a festa dos pães asmos (23:4-8)
c. A oferta das primícias (23:9-14)
d. A festa das semanas (23:15-22)
e. As festas do sétimo mês (23:23-24)
IX. O óleo santo, os bolos e o pecado da blasfêmia (24:1-23)
a. O azeite para a lâmpada (24:1-4)
b. Os bolos (24:5-9)
c. O pecado da blasfêmia e os crimes da violência (24:10-23)
X. O Ano Sabático e o Ano do Jubileu (25:1-55)
a. O Ano Sabático (25:1-7)
b. O Jubileu (25:8-55)
XI. Bênçãos e maldições (26:1-46)
a. Bênçãos como prêmio da obediência (26:3-13)
b. Castigos pela desobediência (26:14-45)
XII. Votos particulares e dízimos (27:1-34)
O livro de Números
Abreviatura: Nm
Autor: Moisés
Data: 1450/1410 AC.
Versículo-chave: 14:22,23
Frase-chave: Andando no deserto
Conteúdo:
O título do livro vem da tradução grega e não resume o seu conteúdo. A tradução
hebraica utiliza o nome bemidhbar (no deserto), que resume bem o conteúdo do livro. É de
recear que a nossa tradução baseada no grego leve muitos crentes a desprezarem o livro, e
a perderem assim os tesouros que ele encerra.
Como o título hebraico sugere, contém uma descrição da viagem dos israelitas
através do deserto. O Êxodo conta a partida do Egito e a viagem até o Sinai; Josué narra a
entrada na Terra Prometida; mas é em Números que se descreve a longa caminhada desde
o Sinai até às terras de Canaã.
O livro de Números divide-se em quatro partes distintas: a preparação para a
jornada através do deserto; a viagem desde o Sinai até as planícies de Moabe; o episódio de
Balaão e a preparação para a entrada em Canaã.
Esboço
I PARTE
A PREPARAÇÃO PARA A JORNADA ATRAVÉS DO DESERTO (1:1-10:10)
I. Disposição dos homens para a guerra e para a marcha (1:1-2:34)
II. Enumeração dos Levitas e dos cargos que lhes competiam (3:1-4:49)
III. Não se admitem impurezas no arraial (5:1-31)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
20
IV. O voto dos nazireus (6:1-21)
V. Disposições para o culto no arraial (6:22-9:14)
VI. Deus vela pela orientação do seu povo (9:15-10:10)
II PARTE
A VIAGEM DESDE O SINAI ATÉ AS PLANÍCIES DE MOABE (10:11-22:1)
VII. Primeira etapa (10:11-36)
VIII. Revolta e traição (11:1-12:16)
IX. Desânimo e saudade (13:1-14:45)
X. A proclamação de novas leis passada a crise (15:1-41)
XI. A revolta de Core, Data e Abirão (16:1-50)
XII. Consequências da revolta (17:1-19:22)
XIII. Incidentes a caminho das planícies de Moabe (20:1-22:1)
III PARTE
O EPISÓDIO DE BALAÃO (22:2-25:18)
XIV. A intimação de Balaão (22:2-40)
XV. As profecias de Balaão (22:41-24:24)
XVI. As conseqüências (24:25-25:18)
IV PARTE
A PREPARAÇÃO PARA A ENTRADA EM CANAÃ (26:1-36:13)
XVII. Preparação para a conquista e partilhas da terra (26:1-27:23)
XVIII.Regulamento dos sacrifícios e votos (28:1-30:16)
XIX. Vingança sobre os midianitas (31:1-54)
XX. As partilhas da transjordânia (32:1-42)
XXI. Resumo das etapas desde a saída do Egito até a planícies de Moabe (33:1-42)
XXII. Planos para a divisão de Canaã (33:50-36:13)
O livro de Deuteronômio
Abreviatura: Dt
Autor: Moisés
Data: 1410 AC.
Versículo-chave: 6:4-5
Frase-chave: Lembrem-se da aliança
Conteúdo:
O nome deriva da tradução grega “deuteronomion”, que significa “segunda lei” ou
“repetição da lei” e contém os discursos dirigidos por Moisés ao povo, antes de entrar na
Terra prometida. Os acontecimentos descritos no livro pertencem ao último mês dos
quarenta anos de vagueação impostos sobre o povo por causa da sua incredulidade (1:3,35-
2:14). Diferentemente de Êxodo, Levítico e Números em que as leis são referentes ao
tabernáculo e aos sacerdotes, em Deuteronômio dirigem-se a todos os membros da
congregação. Em termos da mais fácil compreensão anuncia-se a todo o bom israelita o que
Deus pretende dele. Se uma ou outra vez se fala em sacerdotes e levitas, é do ponto de
vista dos leigos que se fala, apontando-lhes as funções dos sacerdotes como ministros e os
levitas como instrumentos da Lei. A mensagem de Deuteronômio pode resumir-se em três
exortações: Recorda! Obedece! Cuidado!
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
21
Esboço:
I. Introdução (1:1-5)
II. Primeiro discurso de Moisés (1:6-4:40)
a. Panorama retrospectivo (1:6-3:29)
b. Exortação à obediência (4:1-40)
III. Designação de três cidades de refúgio (4:41-43)
IV. Segundo discurso de Moisés (4:44-26:15)
a. Introdução (4:44-49)
b. Exortação à fidelidade e à obediência baseada na revelação feita em Horebe (5:1-
11:32)
c. Preceitos religiosos, civis e domésticos (12:1-26:15)
d. Exortação final (26:16-19)
V. A Lei é gravada: bênçãos e maldições (27:1-28:68)
a. A Lei é gravada (27:1-8)
b. Exige-se inteira obediência (27:9-10)
c. Maldições da Lei (27:11-26)
d. Sanções da Lei (28:1-68)
VI. Terceiro discurso de Moisés (29:1-30:20)
a. Renovação da aliança (29:1-29)
b. O arrependimento (30:1-14)
c. A escolha entre a vida e à morte (30:15-20)
VII. A leitura da Lei e o Cântico de Josué (31:1-30)
a. A Lei é escrita e lida ao povo (31:1-13)
b. A nomeação de Josué (31:14-15)
c. O cântico de Josué (31:16-30)
VIII. O cântico de Moisés (32:1-43)
IX. A despedida de Moisés (32:44-33:29)
a. Última exortação (32:44-47)
b. A aproximação da morte (32:48-52)
c. A bênção final (33:1-29)
X. A morte de Moisés (34:1-8)
XI. Conclusão (34:9-12)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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O CALENDÁRIO JUDAICO
Ano sagrado Meses Hebreus Ano civil Equivalência moderna
1Abibe (Nisã) 7 Março/Abril
1 – Lua nova
14 – Páscoa
15 – Sábado
16 – Pães asmos (semana)
21 – Santa convocação
2Iiar (Zive) 8 Abril/Maio
3Sivã 9Maio/Junho
1 – Lua nova
6-7 – Festa das semanas
4Tamuz 10 Junho/Julho
1 – Lua nova
5Abe 11 Julho/Agosto
1 – Lua nova
6Elul 12 Agosto/Setembro
1 – Lua nova
7Tisri (Etanim) 1Setembro/Outubro
1 – Lua nova
Ano novo
Festa das trombetas
10 – Dia da expiação
15-22 – Festa dos tabernáculos
8Hesvã 2Outubro/Novembro
1 – Lua nova
9Quisleu 3Novembro/Dezembro
1 – Lua nova
10 Tebete 4 Dezembro/Janeiro
11 Shebate 5 Janeiro/Fevereiro
12 Adar 6 Fevereiro/Março
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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AS OFERTAS NO VELHO TESTAMENTO
Quatro tipos de oferendas envolviam o derramamento de sangue de sangue: os
holocaustos, as ofertas pacíficas, as ofertas pelo pecado e as ofertas pela culpe. Os animais
reputados aceitáveis para sacrifício eram animais mansos e limpos, cuja carne era
comestível, como ovelhas, cabras e vacas, machos ou fêmeas, velhos ou novos. Nos casos
de extrema pobreza, permitia-se a substituição por pombos.
Regras gerais para a execução dos sacrifícios:
1. Apresentação do animal diante do altar
2. Imposição da mão sobre a vítima pelo ofertante
3. Abater o animal
4. Aspersão do sangue sobre o altar
5. Sacrifício consumido pelo fogo
Quando era oferecido algum sacrifício pela nação, oficiava um sacerdote. Quando
um indivíduo oferecia sacrifício por si mesmo, trazia o animal, impunha sobre ele a mão e o
abatia. Em seguida, o sacerdote aspergia o sangue e queimava o animal. Aquele que fazia
uma oferta dessas não podia comer dela, a menos que se tratasse de uma oferta pacífica.
Quando várias oferendas eram feitas ao mesmo tempo, a oferta pelo pecado antecedia o
holocausto e as ofertas pacíficas.
Holocaustos: A característica distintiva dos holocaustos era o fato de que o animal
sacrificado era totalmente consumido pelo fogo sobre o altar (Lv 1:5-17 e 6:8-13). Não
estava excluída a expiação, porquanto fazia parte de todo sacrifício com sangue. A completa
consagração do ofertante a Deus era simbolizada pela consumição se todo o sacrifício. A
Israel foi ordenado que se mantivesse um holocausto contínuo, dia e noite, por intermédio de
uma chama sobre o altar de cobre. Um cordeiro era oferecido toda manhã e toda tarde, o
que relembrava Israel se sua devoção a Deus (Ex 29:38-42 e Nm 28:3-8).
Ofertas pacíficas: Eram totalmente voluntárias. A despeito da inclusão das idéias de
representação e expiação, a característica primária dessa oferenda era a oferta de uma
refeição (LV 3:1-17; 7:11-34; 19:5-8 e 22:21-25). Isso era símbolo de uma viva comunhão e
companheirismo entre o homem e Deus. Familiares e amigos tinham permissão de unir-se
ao ofertante, nessa refeição sacrificial (Dt 12:6, 7, 17, 18). Visto tratar-se de uma oferenda
voluntária, qualquer animal, excetuando aves, era aceito, sem importar idade ou sexo. Após
o abate da vítima e a aspersão do sangue para fazer a expiação pelo pecado, a gordura do
animal era queimada sobre o altar. Por meio do rito de agitar as mãos do ofertante, que
segurava a coxa e o peito do animal, o sacerdote oficiante dedicava essas porções a Deus.
O restante da oferta provia um banquete para o ofertante e seus convidados. Esse alegre
companheirismo indicava o laço de amizade entre Deus e o homem.
Ofertas pelo pecado: Os pecados de ignorância, cometidos inadvertidamente, exigiam
oferta pelo pecado (Lv 4:1-35 e 6:24-30). A violação de mandamentos negativos, puníveis
por extirpação, podia ser retificada por um sacrifício prescrito. Embora Deus tenha um único
padrão de moralidade, a oferenda variava de acordo com a responsabilidade do indivíduo.
Nenhum líder religioso ou civil era proeminente que seu pecado fosse tolerado, e nem havia
qualquer indivíduo tão insignificante que seu pecado fosse ignorado. Havia gradação nas
ofertas requeridas: um novilho para o sumo sacerdote ou para a congregação; um bode para
qualquer líder; uma cabra ou ovelha para qualquer cidadão particular. O ritual também
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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variava. No caso de um sacerdote ou da congregação, o sangue era aspergido por sete
vezes perante a entrada do santo dos santos. Para um governante ou leigo, o sangue era
aplicado sobre os chifres do altar. Visto tratar-se de uma oferenda de expiação, a parte
culpada não tinha permissão de comer qualquer porção do animal. Conseqüentemente, esse
sacrifício ou era consumido sobre o altar ou queimado no campo, havendo uma única
exceção – o sacerdote recebia uma porção determinada quando oficiava em favor de algum
líder ou leigo.
A oferta pelo pecado também era exigida para as transgressões específicas, como
a recusa de dar testemunho, a contaminação cerimonial e os juramentos inúteis (Lv 5:1-13).
Embora esses pecados pudessem ser considerados intencionais, não representavam
desafios calculados contra Deus e puníveis de morte (Nm 15:27-31). Se o pecador não
tivesse condições financeiras, poderia oferecer uma rola ou um pombinho. Em casos de
pobreza extrema, até mesmo um punhado de farinha de trigo – o equivalente à ração
alimentar de um dia – assegurava à parte culpada a sua aceitação diante de Deus.
Oferta pela transgressão: Os direitos legais de uma pessoa e suas propriedades, em
situações que envolvessem Deus ou seus semelhantes humanos, eram claramente firmados
nas exigências acerca das ofertas pela culpa (Lv 5:14-6:7 e 7:1-7). O fato de não reconhecer
a Deus, deixando de trazer as primícias, os dízimos ou outras ofertas requeridas, exigiam
não só a restituição, mas igualmente sacrifício. Em adição ao pagamento de seis quintos do
que era devido, o ofensor também deveria sacrificar um carneiro para que obtivesse perdão.
Quando o erro fosse cometido contra o próximo, também era exigido aquele quinto acima do
prejuízo para que houvesse retificação. Se não se pudesse fazer restituição à pessoa
ofendida ou a um parente próximo, essas reparações eram pagas ao sacerdote (Nm 5:5-10).
A infração contra os direitos de outra pessoa também representava uma ofensa contra Deus.
Conseqüentemente, tornava-se necessário um sacrifício.
Oferta de manjares: Essa é a única oferenda que não envolvia a vida de um animal, mas
que consistia primariamente de produtos do solo, que representavam frutos do labor humano
(Lv 2:1-16:14-23). Essa oferenda podia ser apresentada de três modos diferentes, sempre
de mistura com azeite, incenso e sal, mas sem fermento ou mel. Se uma oferta consistisse
de primícias, então as espigas, que deveriam ser novas, teriam de ser assadas ao fogo.
Após a moagem do grãos, este podia ser apresentado ao sacerdote na forma de farinha de
trigo, ou de pães asmos (sem fermento), ou de bolos ou de obréias preparadas ao forno.
Parece que uma porção subordinada dessa oferta era uma quantia apropriada de vinho,
para servir de libação (Ex 39:40; Lv 23:13; Nm 15:5, 10). Uma inferência justificada é que
essa oferenda jamais era trazida sozinha. Ela era, primariamente, um acompanhamento dos
holocaustos diários (Lv 6:14-23; Nm 4:16). Quando era oferecida pelo sacerdote, em prol da
congregação, era consumida a oferenda inteira. No caso de oferendas individuais, o
sacerdote oficiante apresentava somente um punhado ante o altar dos holocaustos, retendo
o resto para o tabernáculo. Nem na oferenda propriamente dita e nem no ritual havia
qualquer sugestão de que houvesse provisão para a expiação pelo pecado. Mediante essa
oferenda os israelitas apresentavam o fruto do seu labor, assim indicando a dedicação de
seus presentes a Deus.
FESTAS E ESTAÇÕES DETERMINADAS
Por meio de festas e estações determinadas os israelitas eram constantemente
lembrados de que eram povo santo de Deus. No pacto que Israel ratificou no monte Sinai, a
observância fiel de períodos fixos fazia parte do compromisso assumido (Ex 20-24).
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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O sábado: A primeira, principal e mais freqüente observância era o sábado. Embora
Gênesis mencione períodos de sete dias, o sábado é referido pela primeira vez no treco de
Ex 16:23-30. no decálogo (como é chamado “Os dez mandamentos”) os israelitas são
advertidos a “lembrar o dia de sábado”, o que indicava que esse não foi o início de sua
observância. Través do descanso ou cessação do trabalho, os israelitas eram relembrados
do fato que Deus descansou de sua obra criadora no sétimo dia. A observância do sábado,
pois, era memorial de que Deus redimira a Israel da servidão egípcia, tendo santificado ao
povo para ser seu povo santo (Ex 31:13 e Dt 5:12-15). Isso causa um belo contraste, já que
na época da servidão no Egito não havia descanso. Na observância do sábado até os
servos dos israelitas participavam. Havia punições severas para aqueles que
deliberadamente não observavam o sábado (Ex 35:3 e Nm 15:32-36). Se o sacrifício diário
em favor de Israel era um cordeiro, no sábado tinham de ser oferecidos dois cordeiros (Nm
28:9, 19). Era igualmente nesse dia que se punham os doze pães sobre a mesa, no lugar
santo (Lv 24:5-8).
Lua nova e Festa das Trombetas: Toques de trombeta proclamavam, oficialmente o
começo de um novo mês (Nm 10:10). A lua nova também era observada mediante
holocaustos e sacrifícios pelo pecado, com as devidas provisões de ofertas de manjares e
de libação (Nm 28:11-15). O sétimo mês, no qual havia o Dia da Expiação e a Festa das
Semanas, assinalava o clímax do ano religioso, ou fim do ano (Ex 34:22). No primeiro dia
dessa semana, a lua nova era intitulada “Festa das Trombetas”, quando eram apresentadas
oferendas adicionais (Lv 23:23-25 e Nm 29:1-6). E era esse, por igual modo, o começo do
ano civil.
Ano Sabático: Intimamente relacionado ao sábado, havia o ano sabático aplicável aos
israelitas desde que entrassem na terra de Canaã (Ex 23:10-11 e Lv 25:1-7). Observando-o
como um ano de descanso para o solo, os israelitas não semeavam seus campos e nem
podavam suas videiras a cada sete anos. Tudo quanto colhessem naquele ano deveria ser
igualmente compartilhado pelo proprietário, pelos servos, pelos estrangeiros e até pelos
animais. Os credores eram instruídos a cancelarem as dívidas dos pobres, assumidas
durante os seis anos anteriores (Dt 15:1-11). Havia instruções mosaicas que também
faziam arranjos para a leitura da lei (Dt 31:10-31). Desse maneira, o ano sabático se tornava
significativo para os velhos e jovens, para senhores, quanto para os escravos.
Ano Jubileu: Após sete observâncias do ano sabático (49 anos), vinha o ano jubileu (50º
ano). Este era inaugurado quando eram tocadas as trombetas, no décimo dia de Tisri, o
sétimos mês. De conformidade com as instruções baixadas em Lv 25:8-55, isso assinalava o
ano de liberdade, quando a herança da família era restituída àqueles que tivessem tido o
infortúnio de perde-la, quando os escravos hebreus eram libertos e quanto a terra ficava sem
cultivo. Os israelitas tinham o dever se reconhecer, na possessão da terra, que Deus era o
doador. Portanto, a terra devia ser guardada na família, passando de pais a filhos como uma
herança. No caso de necessidade, somente o direito à produção da terra podia ser vendido.
E posto que a cada cinqüenta anos essa terra revertia ao proprietário original, o preço
estava diretamente relacionado ao número de anos que restavam antes do ano jubileu. A
qualquer tempo, durante esse período, a terra poderia ser remida pelo proprietário ou por um
parente próximo. As casas erigidas em cidades muradas, excetuando as cidades dos levitas,
não estavam incluídas nas provisões do ano jubileu.
Os escravos eram libertos nesse ano, sem importar por quanto tempo vinham
servindo. Seis anos era o período máximo de servidão para qualquer escravo hebreu que
não gozasse da opção de liberdade (Ex 21:11). Por conseguinte, não podia ele ser reduzido
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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a um estado perpétuo de escravidão, embora ele se visse forçado a vender-se a outro
senhor, como servo contratado, quando se visse financeiramente pressionado. E nem os
próprios escravos não-hebreus podiam ser reputados como propriedade absoluta. A morte,
resultante de crueldade por parte de um proprietário, impunha a este uma punição (Ex
21:20, 21). No caso de mais tratos, um escravo podia reivindicar a sua liberdade (Ex 21:26,
27). Por meio da soltura periódica de escravos hebreus e da demonstração de amor e
gentileza para com os estrangeiros na sua terra (Lv 19:33, 34), os israelitas eram
relembrados de que antigamente haviam sido escravos no Egito. No ano jubileu era proibido
cultivar a terra. Sendo assim, seguiam-se dois anos sem cultivar o solo: o 49º ano, que era
sabático, e o 50º ano, que era o jubileu. Deus prometeu que no 48º ano teriam uma colheita
tão abundante que daria para os dois anos seguintes.
Um detalhe é que o ano jubileu nunca foi cumprido pelos judeus. Tanto que o
período de cativeiro, que foi de 70 anos, foi calculado com base na quantidade de anos em
que deixou de ser observado: 490 anos.
Festas anuais
As três festividades que tinham de ser observadas, eram: (1) a Páscoa e a Festa
dos Pães Asmos; (2) a Festa das Semanas, das Primícias ou da Sega; e (3) a Festa dos
Tabernáculos ou Colheita. Tão significativas eram essas festividades que todos os israelitas
do sexo masculino tinham obrigação de se fazerem presentes (Ex 23:14-17).
A Páscoa e a Festa dos Pães Asmos: Historicamente, a Páscoa foi observada pela
primeira vez no Egito, quando as famílias de Israel foram isentadas da morte dos
primogênitos, mediante o sacrifício do cordeiro pascal (Ex 12:1-13:10). O cordeiro era
selecionado no décimo dia do mês de Abibe, e morto no décimo quarto dia. Durante os sete
dias subseqüentes só se podia consumir pão sem fermento. Esse mês de Abibe, que mais
tarde tornou-se conhecido como mês de Nisã, foi designado “o começo dos meses”, ou seja,
o princípio do ano religioso (Ex 12:2). A segunda Páscoa foi observada no décimo quarto dia
do mês de Abibe, um ano depois que Israel Saiu do Egito (Nm 9:1-5). Visto que nenhum
homem incircunciso poderia participar da Páscoa (Ex 12:48), os israelitas não observaram
essa festividade durante o restante de suas peregrinações pelo deserto (Js 5:6). Foi
somente depois que o povo entrou em Canaã, quarenta anos após terem partido do Egito,
que foi observada a terceira Páscoa. O propósito declarado da observância pascal era o de
relembrar anualmente aos israelitas, qual fora a miraculosa intervenção divina em favor
deles (Ex 13:3, 4; 34:18 e Dt 16:1). A celebração da Páscoa passou por reformulação quanto
se iniciou a celebração no templo.
Tão cheia de significado era a celebração da Páscoa que havia arranjos especiais
para os que fossem incapazes de participar dela durante o tempo determinado, podendo
observa-la um mês mais tarde (Nm 9:9-12). Qualquer pessoa que se recusasse a celebrar a
Páscoa caía no ostracismo em Israel. Os próprios estrangeiros residentes em Israel eram
bem acolhidos se quisessem participar dessa celebração anual (Nm 9:13, 14).
Festa das Semanas: Esta festa tinha lugar cinqüenta dias após a celebração da Páscoa,
após a colheita do trigo (Dt 16:8). Embora fosse ocasião importantíssima, essa festa era
observada por um único dia. Neste mesmo dia de descanso, uma oferta de manjares
especial, que consistia de duas obréias sem fermento, era apresentada ao Senhor, para uso
do tabernáculo, dando a entender que até o pão diário era provido por Deus (Lv 23:15-20).
Os sacrifícios prescritos eram apresentados junto com essa oferenda. Nessa oportunidade
de júbilo, os israelitas não deveriam esquecer-se dos menos afortunados, deixando respigas
no campo, para os pobres e necessitados (Lv 23:32).
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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Festa dos Tabernáculos: A festividade final do ano era a festa dos Tabernáculos – um
período de sete dias, durante os quais os israelitas habitavam em tendas (Ex 23:16; 34:22 e
Lv 23:40, 41). Essa festa não somente não assinalava o fim da estação da colheita, mas,
uma vez que os israelitas se estabeleceram na terra de Canaã, ela fazia-os lembrarem-se,
anualmente, de suas peregrinações pelo deserto, quando então tinham vivido em tendas.
Eram oferecidos muitos sacrifícios adicionais. Cada sétimo ano era peculiarmente
significativo nesta festa. Esse era o ano em que se lia publicamente a Lei. Embora dos
peregrinos se requeresse que se fizessem presentes na Páscoa ou na Festa das Semanas
apenas por um dia, normalmente eles passavam a semana inteira na Festa dos
Tabernáculos. Isso prova ampla oportunidade para a leitura da Lei, de acordo com a
determinação de Moisés (Dt 31:9-13).
Dia da Expiação: A mais solene ocasião do ano inteiro era o Dia da Expiação (Lv 16:1-34;
23:26-32 e Nm 29:7-11). Esse dia era observado no décimo dia do mês de Tisri, havendo
santa convocação e jejum. Nenhum trabalho era permitido nesse dia. Esse era o único jejum
exigido pela lei de Moisés. O principal propósito dessa observância era fazer expiação.
Somente o sumo sacerdote podia oficiar naquele dia. Aos demais sacerdotes não era nem
permitido entrarem no santuário, porquanto ficavam identificados com a congregação. Nessa
ocasião, o sumo sacerdote deixava de lado suas vestimentas especiais e se vestia de linho
branco. As oferendas prescritas para aquele dia eram as seguintes: dois carneiros como
holocaustos, que o sumo sacerdote oferecia por si mesmo e pela congregação, um novilho
como oferta por seu próprio pecado, e dois bodes como oferta pelo pecado do povo.
Enquanto os dois bodes permaneciam de pé, diante do altar, o sumo sacerdote
oferecia sua oferta pelo pecado, fazendo expiação por si mesmo. Sacrificando um dos bodes
no altar, ele fazia expiação pela congregação. Em ambos os casos ele aplicava o sangue ao
propiciatório. De forma similar ele santificava o santuário interno, o lugar santo e o altar dos
holocaustos. Dessa maneira, as três divisões do tabernáculo eram devidamente purificadas
no Dia da Expiação pela nação. Impondo a mão sobre o bode vivo, o sumo sacerdote
confessava os pecados da nação. Então o bode era levado ao deserto, para que os pecados
da congregação fossem embora. A pessoa que conduzia essa bode ao deserto só tinha
permissão de retornar ao acampamento depois de ter-se banhado e lavado as suas roupas.
Tendo confessado os pecados do povo, o sumo sacerdote retornava ao
tabernáculo, a fim de purificar-se e vestir-se com suas vestimentas oficiais. Uma vez mais
ele retornava ao altar do átrio exterior. Ali ele concluía o ritual do Dia da Expiação com dois
holocaustos, um por si mesmo e outro pela congregação de Israel.
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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OS LIVROS HISTÓRICOS
O livro de Josué
Abreviatura: Js
Autor: Josué
Data: 1400/1370 AC.
Versículo-chave: 1:8
Frase-chave: Vitória
Conteúdo:
Josué, filho de Num, era descendente da família de José. Foi chamado por seus
familiares de Oséias, “salvação” (Dt 32:44 e Nm 13:8); esse nome ocorre na sua tribo,
Efraim (1 Cr 27:20, cf. 2 Rs 17:1), talvez por isso Moisés ter acrescentado o nome Josué,
que em hebraico é “yehôshua”, que significa “o Senhor é salvação”. O nome de Jesus vem
da mesma raiz e tem o mesmo significado.
Vários fatores contribuíram para que Josué viesse a chefiar o povo escolhido do
Senhor. Seu avô Elisama, fora orientador da tribo de Efraim através do deserto. O contato
que teve com a civilização e a cultura egípcias (já que no Egito nascera e tomara parte no
êxodo (Nm 32:11ss)), preparou-o, como, aliás, a Moisés, para a grande missão de dar a
estrutura e a independência a um novo país.
No livro de Êxodo, Josué aparece como jovem (Ex 33:11). Moisés o escolheu
como seu assistente pessoal, e lhe deu o comando de um destacamento tirado das tribos
ainda não-organizadas para repelir os assaltantes amalequitas (ex 17). Como representante
de Efraim, no grupo de reconhecimento enviado de Cades (Nm 13 e 14), ele apoiou as
recomendações de Calebe para que se desse prosseguimento à invasão.
Estando Moisés sozinho perante Deus, no monte Sinai, Josué ficou a vigiar; na
Tenda da Aliança ele também aprendeu a esperar no Senhor; e nos anos que se seguiram,
algo da paciência e da mansidão de Moisés certamente foi também adicionado ao valor
pessoal de Josué (Ex 24:13; 32:17; 33:11; Nm 21:28). Nas planícies próximas ao Jordão
Josué foi formalmente consagrado como sucessor de Moisés no tocante à liderança militar,
coordenada com o sacerdócio de Eleazar (Nm 27:18ss; 34:17 cf. 3 e 31). Provavelmente ele
tinha então setenta anos de idade. Josué faleceu com a idade de 110 anos, e foi sepultado
perto de Timnate-sera.
O livro descreve a conquista e a divisão da terra de Canaã, tendo como pano-de-
fundo as características corruptas e brutais da religião cananita. Prostituição de ambos os
sexos, sacrifícios de crianças e sincretismo religioso eram alguns dos males pelos quais
Deus ordenou a destruição completa dos habitantes de Canaã.
Esboço:
I. A missão de Josué (1:1-9)
II. A entrada em Canaã (1:10-5:12)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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a. A mobilização (1:10-18)
b. A missão dos espias (2:1-24)
c. A preparação para a guerra santa (3:1-13)
d. A travessia do Jordão (3:14-4:18)
e. O acampamento em Gilgal (4:19-5:12)
III. A conquista de Canaã (5:13-12:24)
a. O comandante divino (5:13-15)
b. Primeira etapa: Jericó e Ai (6:1-8:35)
c. Segunda etapa: a campanha do sul (9:1-10:43)
d. Terceira etapa: a campanha do norte (11:1-23)
e. Lista dos reis cananeus derrotados (12:1-24)
IV. A divisão do território (13:1-22:34)
a. Ordem para dividir o território (13:1-7)
b. Território das duas tribos e meia (13:8-33)
c. Território de Calebe e Judá (14:1-15:63)
d. Território de Efraim e Manasses (16:1-17:18)
e. Território das sete tribos (18:1-19:51)
f. Cidades de refúgio (20:1-9)
g. Cidades dos Levitas (21:1-45)
h. Regresso das tribos orientais e construção dum altar (22:1-34)
V. Últimos dias de Josué (23:1-24:33)
a. Primeira exortação de Josué (23:1-16)
b. Segunda exortação de Josué (24:1-28)
c. Morte e sepultura de Josué (24:29-33)
O livro de Juízes
Abreviatura: Jz
Autor: Anônimo, provavelmente Samuel
Data: 1050/1000 AC.
Versículo-chave: 21:25
Frase-chave: Ciclos de falhas (pecado – castigo – arrependimento – libertador)
Conteúdo:
A época descrita no livro de Juízes descreve a história de Israel desde o
falecimento de Josué até o levantamento de Samuel. Esses juízes, entretanto, eram mais do
que simples árbitros judiciais; eram “libertadores” (3:9), carismaticamente dotados pelo
Espírito Santo de Deus, para livramento e preservação de Israel (6:34) até o
estabelecimento do reino.
O fundo histórico pertencente ao período dos juízes diz respeito, localmente, à
presença dos cananeus. Antes da conquista dos hebreus, Moisés havia ordenado seu
extermínio (Dt 7:2; cf. 6:17) tanto pro causa de sua secular imoralidade (Dt 9:5; cf. Gn
9:22,25; 15:16) como por causa de sua aviltante influência religiosa sobre o povo de Deus
(Dt 7:4); pois, em incontáveis “lugares altos”11
os cananeus adoravam os deuses locais da
fertilidade, os baalim, com ritos que incluíam a prostituição sagrada, e até sacrifícios de
crianças (11:31). Josué, dessa maneira, havia subjugado a terra de Canaã inteira (Js 11:16;
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
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cf. 21:43). Porém, seus habitantes nativos ainda não haviam perdido seu potencial para a
resistência. Vez por outra, os habitantes de Canaã lançavam duras ofensivas contra Israel.
Existem três lições centrais no livro de Juízes: a) A indignação de Deus contra o
pecado (2:11,14); b) A misericórdia de Deus em vista do arrependimento (2:16) e c) A total
depravação do homem (2:19).
Esboço:
I. Conquista parcial de Canaã (1:1-2:5)
II. Alguns gentios ficam no país (2:6-3:6)
III. Cusã – Risataim e Otniel (3:7-11)
IV. Eglom, rei de Moabe, e Eúde (3:12-30)
V. Feitos de Sangar, Filho de Anate (3:31)
VI. Jabim, rei de Canaã, e Débora e Baraque (4:1-24, 5:31b)
VII. O cântico de Débora e Baraque (5:1-31a)
VIII. Midiã e Gideão (6:1-8:32)
IX. O episódio de Abimeleque (8:33-9:57)
X. Tola e Jair, juízes menores (10:1-5)
XI. Amom e Jefté (10:6-12:7)
XII. Ibsã, Elom e Abdom, juízes menores (12:8-15)
XIII. Os filisteus e os feitos de Sansão (13:1-16:31)
XIV.Mica e a emigração dos daneus (17:1-18:31)
XV. A guerra contra Benjamim (19:1-21:25)
O livro de Rute
Abreviatura: Rt
Autor: Anônimo, alguns sugerem Samuel
Data: 1000 AC.
Versículo-chave: 1:16
Frase-chave: Amor fiel
Conteúdo:
Os acontecimentos narrados no livro deram-se durante o reinado dos Juízes (1:1),
provavelmente durante a mocidade de Samuel, último juiz. Fala-nos da história da família de
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Introdução ao Antigo Testamento
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Elimeleque, de Belém, que emigrou para Moabe, acossado pela fome, e lá morreu com seus
dois filhos. Entretanto, a viúva Noemi volta à terra de seus antepassados, levando consigo
sua nora Rute, também viúva, que insistiu em acompanha-la. Aí encontraram um parente
próximo, Boaz, que voluntariamente assumiu a responsabilidade de “goel”12
, o qual
desposou Rute, que foi mãe de Obede, avô de Davi.
O livro oferece um vislumbre das vidas de pessoas comuns, ainda tementes a
Deus, durante o período turbulento dos juízes. O livro é um oásis de fidelidade numa época
marcada pela idolatria e infidelidade.
Esboço:
I. Fome e a imigração de Elimeleque (1:1-5)
II. Noemi e Rute decidem ir para Judá (1:6-18)
III. Um triste regresso (1:19-22)
IV. Um bom amigo (2:1-23)
V. Nobre resolução (3:1-18)
VI. Casamento de Boaz e Rute (4:1-16)
VII. A promessa (4:17-22)
Os livros de 1 e 2 Samuel
Abreviatura: 1 Sm; 2 Sm
Autor: Samuel, entre outros (Nata e Gade, cf. 1 Cr 29:29)
Data: 930 AC. em diante
Versículo-chave: 01:1; 13:14; 16:13
Frase-chave: Reino estabelecido
Conteúdo:
Samuel foi o último e maior dos juízes e o primeiro dos profetas. Foi sucessor de
Eli no sacerdócio. Era filho de Elcana, um piedoso efraimita e de sua esposa Ana, que por
longo tempo fora estéril, e fizera um voto que se Deus lhe desse um filho ele seria dedicado
ao serviço do santuário. Quando Samuel foi desmamado, provavelmente com dois ou três
anos de idade, sua mãe o levou e o dedicou formalmente, deixando-o com Eli. Samuel foi
crescendo em estatura na presença do povo, e toda a terra compreendeu que Samuel fora
encarregado com um ofício profético da parte do Senhor (3:20). O tema de 1 e 2 Samuel é o
estabelecimento do reino nas pessoas de Saul e Davi.
Esboço:
I Samuel
I. História de Israel desde o nascimento de Samuel até a libertação dos filisteus (1:1-7:17)
a. Nascimento e primeiros anos de Samuel (1:1-3:21)
b. A guerra contra os filisteus (4:1-7:17)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
32
II. O rei Saul (8:1-15:35)
a. A eleição de Saul (8:1-12:25)
b. Guerras com os filisteus (13:1-14:52)
c. A destruição dos amalequitas (15:1-35)
III. Saul e Davi (16:1-31:13)
a. Unção de Davi, Vitória sobre o gigante Golias (16:1-17:58)
b. Davi e Jônatas (18:1-20:42)
c. O exílio de Davi (21:1-24:22)
d. Morte e Samuel (25:1)
e. Davi e Abigail (25:2-44)
f. Declínio de Saul (26:1-30:31)
g. Derrota e morte de Saul e Jônatas (31:1-13)
II Samuel
IV. Davi no trono (1:1-20:26)
a. Davi chora a morte de Saul e Jônatas (1:1-27)
b. Proclamação de Davi em Hebrom e início do seu reinado em Jerusalém (2:1-5:25)
c. A arca é levada para Sião. Vitórias de Davi (6:1-11:1)
d. O pecado de Davi e a censura de Nata (11:2-12:25)
e. A revolta de Absalão (12:26-18:33)
f. Regresso de Davi e revolta de Ziba (19:1-20:26)
V. Últimos anos do reinado de Davi (21:1-24:25)
a. A fome e a vitória sobre os filisteus (21:1-22)
b. Cântico de ação de graças do rei Davi (22:1-51)
c. Últimas palavras de Davi (23:1-7)
d. Lista dos “valentes” de Davi (23:8-39)
e. O recenseamento e o castigo de Deus (24:1-25)
O livro de 1 e 2 Reis
Abreviatura: 1 Rs e 2 Rs
Autor: Desconhecido, um profeta contemporâneo de Jeremias (alguns sugerem o próprio
Jeremias)
Data: 550 AC.
Versículo-chave: 11:1; 12:16
Conteúdo:
Certa tradição judaica não muito recuada atribui estes livros ao profeta Jeremias
(Josephus, em termos mais gerais, atribui os livros históricos aos profetas); contudo, ainda
que possivelmente associado à sua parte final e revisão, não é natural que Jeremias seja o
seu único autor. O livro dos Reis baseia-se, em parte, segundo o seu próprio testemunho,
em certas autoridades escritas: “os livros dos sucessos de Salomão” (1 Rs 11:41); “o livro
das crônicas dos reis de Israel” (1 Rs 14; 19); “o livro das crônicas dos reis de Judá” (1 Rs
14:29). É certo que seu autor seria um profeta contemporâneo de Jeremias. Assim como os
livros de Samuel, os livros de Reis formavam um único volume. A divisão em dois livros foi
introduzida pela Septuaginta, por questões de praticidade. A tradução grega, na qual as
vogais são escritas, requer duas vezes mais espaço que o original hebraico, no qual
nenhuma vogal era empregada senão depois de 600 D.C. Um rolo grande podia conter o
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
33
livro inteiro em hebraico, mas dois rolos eram necessários para a tradução grega. Apesar de
histórico o livro tem uma forte tonalidade religiosa.
Os capítulos 1 ao 12 de 1 Reis relatam o final do governo de Davi, a entronização,
o governo e a queda de Salomão. Com a morte deste, seu reino foi divido em dois: o reino
do Norte (chamado de Israel), cuja capital ficou sendo Samaria, e o reino do Sul (chamado
de Judá), com a capital em Jerusalém (caps. 13 – 22). 2 Reis descreve o declínio e o
cativeiro tanto de Israel quanto de Judá. Israel suportou uma sucessão de reis maus durante
130 anos até o cativeiro assírio. A história de Judá, culminando com o cativeiro babilônico é
contada com poucos detalhes.
Profetas dessa época: Em Israel: Elias, Eliseu, Amós e Oséias; em Judá: Obadias,
Joel, Isaías, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias e Jeremias.
Cronologia dos Reis de Israel e Judá após a divisão:
Israel Judá Israel Judá
Jeroboão I 930-910 Roboão 930-914 Jeroboão II 793-753 Azarias 791-740
Nadabe 910-909 Abias 913-911 Zacarias 753-752 (Uzias)
Baasa 909-886 Asa 910-870 Salum 752
Elá 886-885 Menaém 751-742 Jotão 751-736
Zinri 885 Pecaías 741-740
Onri 885-874 Peca 751-732 Acaz 736-716
Acabe 874-853 Josafá 873-849 Oséias 731-723 Ezequias 729-687
Acazias 853-852 Manasses 696-642
Jorão 852-841 Jeorão 849-842 Amom 641-640
Acazias 841 Josias 639-609
Jeú 841-814 Atalia 841-836 Jeoacaz 609
Joás 836-797 Jeoaquim 608-598
Jeoacaz 814-798 Joaquim 608-598
Jeoás 798-782 Amazias 797-768 Zedequias 597-586
Esboço:
O REINO ANTES DA DIVISÃO (1 Reis 1:1-11:43)
I. Salomão sobe ao trono (1:1-2:46)
II. O princípio do reinado de Salomão (3:1-28)
III. Excertos dos anais reais (4:1-34)
IV. Salomão como edificador (5:1-7:51)
V. A dedicação do templo (8:1-9:9)
VI. Assuntos diversos (9:10-10:29)
VII. As tribulações de Salomão (11:1-43)
O REINO APÓS A DIVISÃO (1 Reis 12:1 – 2 Reis 17:41)
VIII. O cisma (12:1-24)
IX. Jeroboão de Israel (12:25-14:20)
X. Roboão, Abias e Asa de Judá (14:21-15:24)
XI. De Nadabe a Onri de Israel (15:25-16:28)
XII. Acabe e Elias (16:29-22:40)
XIII. Josafá de Judá (22:41-50)
XIV. Acazias de Israel (22:51 – 2 Reis 1:18)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
34
XV. Elias é sucedido por Eliseu (2:1-25)
XVI. Jorão de Israel (3:1-27)
XVII. Eliseu, o profeta (4:1-8:15)
XVIII. Jorão e Acazias de Judá (8:16-29)
XIX. Jeú de Israel (9:1-10:36)
XX. Atalia de Judá (11:1-20)
XXI. Joás de Judá (11:21-12:21)
XXII. Jeoacaz e Jeoás de Israel (13:1-25)
XXIII. Amasias de Judá (14:1-22)
XXIV. Jeroboão II de Israel (14:23-29)
XXV. Azarias (Uzias) de Judá (15:1-7)
XXVI. Caos em Israel (15:8-31)
XXVII. Jotão e Acaz de Judá (15:32-16:20)
XXVIII. O fim do Israel (17:1-41)
O REINO DE JUDÁ (2 Reis 18:1-25:30)
XXIX. Ezequias (18:1-20:21)
XXX. Manasses (21:1-18)
XXXI. Amom (21:19-26)
XXXII. Josias (22:1-23:30a)
XXXIII. Os últimos dias de Jerusalém (23:30b-25:7)
XXXIV. Destruição e exílio (25:8-30)
O livro de 1 e 2 Crônicas
Abreviatura: 1 Cr e 2 Cr
Autor: Esdras
Data: 450/425 AC.
Versículo-chave: 7:14
Frase-chave: Judá e o templo
Conteúdo:
Uma crônica difere de uma história por ser um registro de acontecimentos
transitórios feitos sem qualquer critério seletivo quanto ao que se inclui ou ao que se omite.
O “cronista” escreve obviamente histórias, pois há um princípio muito claro que ressalta
tanto do que acrescenta a Samuel e a Reis como do que exclui. Os seus acrescentamentos
referem-se principalmente ao templo e aos seus atos de culto e aos acontecimentos que
exaltavam o aspecto religioso de estado sobre o civil; é óbvio que se preocupava, sobretudo,
com Israel como comunidade religiosa. As suas omissões mostram que o seu interesse se
concentrava no desenvolvimento de duas instituições divinas: o templo e a linhagem
davídica de monarcas. Por isso, só menciona a morte de Saul, omitindo-se o seu reinado, o
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
35
pecado de Davi, a rebelião de Absalão, a tentativa de usurpação feita por Adonias. A história
do reino do norte (Israel), que se revoltou contra ambas instituições de Deus, é mencionada
só até ao ponto em que se relaciona com os destino de Judá.
É por isso que se diz que o livro de Crônicas representa o ponto de vista
sacerdotal, preocupando-se com a realização do que Deus determinara e não, ao contrário
de Samuel e Reis, com o ponto de vista profético, de como Deus tratou o Seu povo e Se
revelou.
Esdras, que conduziu um grupo de exilados de volta à Palestina em 458 A.C.,
tinha a preocupação de estabelecer um alicerce espiritual sólido para o povo. Para alcançar
este objetivo, evidentemente compilou o livro de Crônicas para enfatizar a importância da
pureza religiosa e racial, o lugar apropriado da Lei, do templo e do sacerdócio. Assim, ele
omite as atividades detalhadas dos reis e profetas, enfatizando a rica herança do povo e a
benção de seu relacionamento pactual com Deus.
Esboço:
I. Genealogias (1 Cr 1:1-9:44)
a. Genealogias desde o Gênesis (1:1-2:2)
b. Genealogias de Judá (2:3-4:23)
c. Genealogias de Simeão, Rúben, Gade e Manasses (4:24-5:26)
d. Genealogias de Levi (6:1-81)
e. Genealogias de Issacar, Zebulom, Dã, Naftali, Manasses, Efraim e Aser (7:1-40)
f. Genealogias de Benjamim (8:1-40 e 9:35-44)
g. Chefes de família posteriores ao exílio e residente em Jerusalém (9:1-34)
II. O reinado de Davi (1 Cr 10:1-29:30)
a. Morte de Saul (10:1-14)
b. Davi é aclamado rei (11:1-12:40)
c. Davi e arca (13:1-17:27)
d. As guerras de Davi (18:1-20:8)
e. Os preparativos para a construção do templo (21:1-22:19)
f. Organização e deveres dos levitas (23:1-26:32)
g. Os dirigentes civis da nação (27:1-34)
h. Salomão sobe ao trono (28:1-29:30)
III. O reinado de Salomão (2 Cr 1:1-9:31)
a. Salomão confirmado no reino por Deus (1:1-17)
b. A construção do templo (2:1-5:1)
c. A dedicação do templo (5:2-7:22)
d. A glória de Salomão (8:1-9:31)
IV. Os reis de Judá (2 Cr 10:1-36:23)
a. Roboão (10:1-12:16)
b. Abias (13:1-22)
c. Asa (14:1-16:14)
d. Josafá (17:1-20:37)
e. Jeorão e Acazias (21:1-22:9)
f. Joás (22:10-24:27)
g. Amazias (25:1-26:2)
h. Uzias (26:3-23)
i. Jotão (27:1-9)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
36
j. Acaz (28:1-27)
l. Ezequias (29:1-32:33)
m. Manassés (33:1-20)
n. Amom (33:21-25)
o. Josias (34:1-35:27)
p. Queda e restauração (36:1-23)
O livro de Esdras
Abreviatura: Ed
Autor: Esdras
Data: 456/444 AC.
Versículo-chave: 1:3
Frase-chave: Construindo o templo
Conteúdo:
De acordo com Ed 7, ele foi enviado a Jerusalém pelo rei Artaxerxes I, em 458 A.
C. Parece provável que ele mantinha uma posição na Pérsia equivalente ao Secretário de
Estado para negócios judaicos. Sua tarefa era pôr em vigor a observância uniforme da lei
judaica, e para essa finalidade tinha autoridade de fazer nomeações dentro do estado
judaico. Um grande grupo de exilados veio com ele, e trouxe presentes valiosos para o
templo, da parte do rei e dos exilados judeus. Foi-lhe solicitado que cuidasse do problema
dos casamentos mistos e, depois de jejum e oração, ele e uma comissão selecionada,
puseram na lista negra os indivíduos culpados, induzindo alguns, pelo menos, a rejeitarem
suas esposas pagãs (10:19).
Depois disso não ouvimos falar mais em Esdras senão quando leu publicamente a
lei, em Ne 8. Isso aconteceu em 444 A.C. Visto que havia sido enviado pelo rei numa missão
temporária, presumivelmente regressou com seu relatório, porém, foi novamente enviado
com comissão similar quando os muros da cidade ficaram terminados. Neemias, em parte
de suas memórias (Ne 12:36ss) registra que ele mesmo liderou um grupo ao redor dos
muros, por ocasião de sua dedicação, enquanto Esdras liderou outro grupo.
O livro registra o cumprimento da promessa divina de restaurar Israel à sua terra
depois de 70 anos de cativeiro na Babilônia (Jr 25:11). Isto foi conseguido através da ajuda
de três monarcas persas (Ciro, Dario e Artaxerxes), bem como de líderes judeus como
Zorobabel, Josué, Ageu, Zacarias e Esdras. Ciro conquistou Babilônia em 539 A.C. e, de
acordo com sua política de estimular os povos subjugados a retornarem às suas terras de
origem, promulgou em 538 A.C. um decreto autorizando os judeus a fazerem o mesmo.
Esboço:
I. O regresso dos exilados a Jerusalém (1:1-2:70)
II. Enceta-se o trabalho da restauração (3:1-13)
III. O trabalho paralisado (4:1-24)
IV. Recomeça-se o trabalho e conclui-se a construção do templo (5:1-6:22)
V. Esdras vem a Jerusalém (7:1-8:36)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
37
VI. O problema dos casamentos mistos (9:1-10:44)
O livro de Neemias
Abreviatura: Ne
Autor: Esdras
Data: 445/425 AC.
Versículo-chave: 8:9,10
Frase-chave: Construindo o muro
Conteúdo:
Neemias era um oficial importante, copeiro do rei Artaxerxes I da Pérsia. Ele ficara
chocado ao ter notícias, muitos anos depois do primeiro retorno de exilados, que as
muralhas de Jerusalém ainda permaneciam tombadas e a situação não havia melhorado
quase nada. Depois de orar e se preparar cuidadosamente, obteve do imperador permissão
para voltar. Neemias demonstrou qualidades ímpares de liderança e organização. Em 52
dias de trabalho, a reconstrução foi terminada. Como governador de Judá, Neemias
demonstrou humildade, integridade, patriotismo, energia, piedade e altruísmo.
Esboço:
I. Neemias informado das dificuldades em Jerusalém (1:1-11)
II. Neemias vai a Jerusalém (2:1-20)
III. Lista dos edificadores (3:1-32)
IV. Concluído o trabalho apesar da oposição (4:1-7:4)
V. Registro dos que regressaram com Zorobabel (7:5-73)
VI. A Lei lida e explicada (8:1-18)
VII. Arrependimento nacional e concerto de obediência (9:1-10:39)
VIII. Listas de habitantes (11:1-12:26)
IX. Dedicação das muralhas e organização dos serviços no templo (12:27-47)
X. Reformas de Neemias (13:1-31)
O livro de Ester
Abreviatura: Et
Autor: Incerto, provavelmente um judeu (alguns sugerem Esdras ou Mardoqueu)
Data: 456 AC.
Versículo-chave: 4:14
Frase-chave: Providência de Deus
Conteúdo:
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
38
A ação do livro de Ester decorre no palácio de Susã (ou Susa), em Elão, uma das
três capitais do império persa. Como os livro de Daniel, Esdras e Neemias, dá-nos uma
breve visão dos judeus na Babilônia conforme vistos por alguém que gozava de autoridade
na corte real e que estava familiarizado com as suas convenções e hábitos; mas, enquanto
que Esdras e Neemias se preocupam veementemente com as aspirações espirituais e
políticas dos judeus que regressaram do cativeiro, o livro de Ester aborda esses assuntos
com reserva estudada e significativa. Em todo o livro palpita um patriotismo fervido e, no
entanto, não há uma única referência ao Deus de Israel. Descreve ele situações de perigo,
aflição e desespero, mas em todo este quadro bem vívido, não ocorrem quaisquer orações
ou súplicas ardentes da parte do povo naquela fase de terrível provação. Os judeus
choravam e lamentavam-se e Mardoqueu “clamou com grande e amargo clamor”, mas o
autor evita cuidadosamente dizer que era a Deus que clamavam. Jejuavam, mas não se
atribui qualquer significado espiritual a esta prática essencialmente religiosa.
É agora evidente que este cuidado em evitar qualquer referência explícita à
religião é deliberada. A melhor explicação é que talvez o livro tivesse sido escrito numa
época em que era extremamente perigoso confessar publicamente a adoração de Jeová (ver
Dn 6:7-17). O rei citado como Assuero é tido como o mesmo que Xerxes.
Esboço:
I. Divórcio de Vasti (1:1-22)
II. Ester escolhida para a rainha (2:1-23)
III. A intriga de Hamã para destruir os judeus (3:1-4:3)
IV. Mardoqueu persuade Ester a intervir (4:4-17)
V. A petição de Ester coroada de êxito (5:1-8:2)
VI. O livramento dos judeus (8:3-9:16)
VII. A festa do Purim (9:17-32)
VIII. Conclusão (10:1-3)
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
39
OS LIVROS POÉTICOS
A poesia hebraica
Diferentemente da poesia brasileira, a poesia hebraica não faz rimar as palavras
finais das sentenças. O padrão da poesia hebraica não depende do ritmo ou compasso em
uma linha, e sim daquilo que se chama “ritmo” mental. Esta forma de se fazer poesia é
denominada de paralelismo. A combinação conjunta de idéias forma o padrão. Essa poesia
não joga com palavras, mas com pensamentos.
Existem cinco tipos de paralelismos para lembrar:
1. Paralelismo sinônimo: a segunda linha repete a idéia da primeira.
Ex: Salmo 19:1: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento as obras de
suas mãos”.
2. Paralelismo antitético: a segunda linha contrasta a idéia da primeira linha.
Ex: Salmo 1:6: “Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos
ímpios perecerá”.
3. Paralelismo sintético: a segunda linha desenvolve a idéia da primeira linha.
Ex: Salmo 1:1:” Bem aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios,
não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos
escarnecedores”.
4. Paralelismo simbólico: a segunda linha ilustra a idéia da primeira linha.
Ex: Salmo 42:1: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó
Deus, suspira a minha alma”.
5. Paralelismo gradativo: a segunda linha amplia a primeira linha.
Ex: Salmo 29:1: “Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e
força”.
O livro de Jó
Abreviatura: Jó
Autor: Incerto (alguns sugerem Jó, Eliú, Moisés e Salomão)
Data: Incerta
Versículo-chave: 19:25, 26; 42:5, 6
Frase-chave: Porque o justo sofre?
Conteúdo:
O autor é desconhecido, bem como a sua data. Não existe nele nenhuma
referência a acontecimentos históricos capazes de ajudar a definição de uma data para a
sua escrita, mesmo que aproximada. A história passa-se na “terra de Uz”, que é provável
que deva identificar-se com Edom (Sl 137:7; Ml 1:2ss). Nenhuma das personagens é
israelita. Quatro amigos de Jó – Elifaz, Bildade, Zofar e Eliú – representam tudo que a
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
40
teologia da época tinha a dizer acerca do significado das calamidades que haviam arrasado
a felicidade e a estabilidade de Jó. Com a possível exceção de Eliú, a sua contribuição é
gravemente limitada por uma inexorável interpretação do sofrimento: o sofrimento como
conseqüência do pecado pessoal. Se eles se tivessem limitado a estabelecer a
solidariedade humana no pecado, Jó ter-lhe-ia dado a sua imediata aprovação, visto que ele
jamais considera um homem perfeito; mas ao ouvi-los insinuar e depois direta e claramente
afirmar que o seu sofrimento era inevitável fruto da semente do pecado que ele cometera e
de que só Deus era testemunha, Jó nega veementemente e coerentemente a exatidão do
seu juízo.
O livro denuncia, de maneira notável, a insuficiência dos horizontes humanos para
uma compreensão adequada do problema do sofrimento. Todas as figuras do drama falam
com o desconhecimento absoluto das alegações de Satanás conta a piedade de Jó,
descritas no prólogo, e da conseqüente permissão divina – a permissão concedida a
Satanás de provar, se puder, a exatidão das suas acusações. Com o prólogo como pano de
fundo, os sofrimentos de Jó aparecem, portanto, não como irrefutável prova de castigo
divino, como pretendiam os amigos, mas como prova de confiança divina em seu caráter.
Esboço:
I. Prólogo (1:1-2:13)
II. Primeiro ciclo de discursos (3:1-14:22)
III. Segundo ciclo de discursos (15:1-21:34)
IV. Terceiro Ciclo de discursos (22:1-31:40)
V. A intervenção de Eliú (32:1-37:24)
VI. O Senhor responde a Jó (38:1-41:34)
VII. A resposta de Jó à palavra divina (42:1-6)
VIII. Epílogo (42:7-17)
O livro dos Salmos
Abreviatura: Sl
Autor: Vários autores
Data: Várias datas
Versículo-chave: 19:14
Frase-chave: Hinário de Israel
Conteúdo:
Nada menos que setenta e três salmos são atribuídos a Davi. Outros autores
nomeados são: Asafe (50; 75-83), os filhos de Core (42-49; 84; 85 e 87), Salomão (72 1
127), Hemã (88) e Etã (89) e Moisés (90). Há ainda outros de autores anônimos.
O livro dos Salmos divide-se em cinco partes (cinco rolos): Livro I (Sl 1 ao 41);
Livro II (Sl 42 ao 72); Livro III (Sl 73 ao 89); Livro IV (Sl 90 ao 106) e Livro V (Sl 107 ao 150).
Os salmos também seguem esta classificação:
Pr. Handerson Xavier
Introdução ao Antigo Testamento
41
1. Salmos que são orações, em que os salmistas solicitam bênção e a proteção de
Deus (86 e 102);
2. Salmos de louvor, em que a ação de graças pode ser por causa de atos
específicos de misericórdia divina, ou o louvor pode basear-se na majestade de
Deus no mundo da natureza, ou louvor em adoração (47, 145 – 150);
3. Salmos que apelam pela intervenção divina e por livramento em tempos de
enfermidade, calamidades ou perigo (38 e 88);
4. Salmos de penitência por causa do pecado, havendo sete salmos dessa
categoria (6, 32, 38, 51, 102, 130 e 143), porém, em apenas um deles (51) é que a
confissão é proeminente; de fato, em dois deles (6 e 102) não há qualquer
referência ao pecado, pois a principal preocupação gira em torno do perdão e não
da confissão;
5. Salmos que são confissões de fé de que Deus é o Senhor, o Criador e o Rei
das nações, Juiz e Governador moral do universo (33, 94, 96, 136 e 145);
6. Salmos de intercessão, nos quais os salmistas intercedem a favor do rei, de seu
povo, de outras nações, da casa de Davi e de Jerusalém (31, 67, 89 e 122);
7. Salmos imprecatórios são pedidos de justiça e vingança a Deus sobre a vida
dos ímpios (35, 59, 69, 109). A idéia que forma o fundo dessas passagens do
saltério, onde maldições e punições vingativas são invocadas contra adversários é
expressa em Sl 139:21: “Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem?... para
mim são inimigos de fato”. Em outras palavras, os salmistas não são motivados
por desejos de vingança pessoal, mas antes pelo zelo pelo Santo de Israel, que
necessariamente exerce retribuição na presente ordem moral do mundo. Por trás
das imprecações há o reconhecimento de um governo moral exercido por Deus no
mundo, uma crença que o correto e o errado têm significado para Deus, e que, por
conseguinte, o julgamento deve operar no mundo moral paralelamente com a
graça. O julgamento aqui em vista não é o escatológico, isto é, o “fim do mundo”,
mas o julgamento imediato.
8. Salmos de sabedoria, na forma de homilias espirituais ou religiosas, que
oferecem instrução sobre a paciência quando o ímpio prospera sobre a verdadeira
glória de Jerusalém, sobre como o rei deve realmente governar, sobre a falsa
prosperidade, sobre o serviço autêntico prestado à Deus, sobre o cuidado
providencial de Deus acerca da nação, sobre o poder de Deus no mundo da
natureza, e sobre Seu domínio em toda a história (37, 122, 45, 49, 50, 78, 104,
105 – 107);
9. Salmos que tratam de providências estranhas que sobrevêm ao povo de Deus,
e com questões tais como a vida futura, a razão da prosperidade dos ímpios, e
com especulações sobre a possibilidade de galardões após a morte (94, 49, 16,
17, 73);
10. Salmos que exaltam a grandeza da Lei. O primeiro salmo de todos concerne
às alegrias e bênçãos que acompanham o indivíduo que estuda e pratica a Lei
(Torah). O Salmo 19 descreve a natureza da lei e seus efeitos sobre o coração
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Apostila de Introdução ao Antigo Testamento

  • 1. 1 Pr. Handerson Xavier Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento Introdução ao Antigo Testamento
  • 2. 2 Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 3. 3 INTRODUÇÃO Bíblia, a biblioteca do Espírito Santo. A Bíblia é o livro dos livros, o maior compêndio literário da história. É a carta magna de Deus para a humanidade. É a constituição das constituições. É o supremo código de doutrina e vida. É a nossa única regra de fé e prática. A Bíblia é a voz de Deus em linguagem humana. É o depositário de toda vontade de Deus para o homem. A singularidade da Bíblia. A Bíblia é o livro por excelência: inspirado por Deus, escrito pelos homens, concebido no céu, nascido na terra, odiado pelo inferno, pregado pela Igreja, perseguido pelo mundo e crido pelos crentes. A Bíblia não contém erros, pois ela é a Palavra de Deus. A Bíblia é o livro dos paradoxos: é o livro mais lido e o mais desconhecido. É o livro mais amado e o mais odiado. É o livro mais obedecido e o mais escarnecido. É o mais pregado e o mais combatido. A Bíblia é o livro mais publicado, mais distribuído, mais lido e mais comentado do mundo. A Bíblia é o livro de Deus. É o livro do céu. É a Biblioteca do Espírito Santo. É o livro que foi muitas vezes acorrentado, mas trouxe libertação; que foi muitas vezes queimado na fogueira, mas tirou muitas vidas do inferno. É o livro odiado que tem ensinado o perdão. É o livro que nos mostra o caminho da salvação em Jesus Cristo nos labirintos religiosos deste mundo tenebroso. Há três razões suficientes e irrefutáveis para evidenciar a veracidade incontroversa das Sagradas Escrituras: 1. A sua unidade: A Bíblia é o único livro da humanidade que demorou cerca de 1.600 anos para ser escrito. É um livro divino, pois Deus o inspirou. Ela é um livro humano, pois não foi escrito pelo dedo de Deus, mas por homens inspirados pelo Espírito Santo. A palavra é de Deus, mas a voz é humana. Cerca de 40 escritores foram usados para registrar de forma infalível todo o conteúdo da revelação divina. Homens de diversos lugares, de diversos níveis culturais e intelectuais, homens de cultura enciclopédica como Moisés, Salomão e Paulo; homens de vida palaciana como Isaías e Daniel; mas também homens simples como o boiero Amós e o pescador Pedro. Esses homens escreveram para pessoas diferentes, em línguas diferentes, mas dentro de uma absoluta concordância e harmonia de conteúdo. Isso é algo que só pode ser explicado pela ação soberana de Deus. 2. O cumprimento das profecias: a Bíblia não é apenas um livro de história. Ela conta história antes dela acontecer. A Bíblia é um livro profético. Ela encerra centenas de profecias que vêm se cumprindo literalmente. Deus vê o futuro no seu eterno agora. Por isso Ele conhece o amanhã como se fosse hoje. 3. O poder da Bíblia de transformar as pessoas que a examinam: quando o homem lê a Bíblia, ele é lido por ela. Quando ele a examina, é examinado por ela. Quando a confronta, é confrontado por ela. Ela é a espada do Espírito. Ela penetra o mais íntimo do nosso ser. Ela é a lâmpada que clareia a escuridão do nosso coração e lança luz na estrada de nossa vida. A Palavra de Deus é espírito e vida. O mesmo sopro que a inspirou é o sopro que dá vida ao homem que está morto em seus delitos e pecados. Por isso ela tem sido luz para as nações, alicerce para a construção das grandes civilizações, parâmetro para as instituições que são guardiãs da justiça, carta magna para o estabelecimento da justiça no mundo e regra infalível de fé e prática para o povo de Deus. É sobre esta maravilhosa Palavra que estaremos estudando neste curso. Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 4. 4 Como a Bíblia chegou até nós? A Bíblia é um livro antigo. O livro de Gênesis começou a ser escrito 1.400 anos antes de Cristo, aproximadamente. O último livro, o Apocalipse, foi escrito perto do ano 100 da era cristã. Foram necessários 1.500 anos para que todo o material ficasse pronto, e já se passaram quase 2.000 anos desde que seus livros começaram a circular. Mesmo assim, por mais antiga que seja, sua mensagem sempre foi atual e verdadeira. Origem e significado dos termos. A palavra “bíblia” vem do termo grego “biblos” (βιβλος) que significa “livro”. Originalmente, todos os livros da Bíblia foram escritos em peças separadas e durante muitos anos eles foram usados individualmente. Dois materiais foram utilizados para a escrita: o pergaminho e o papiro. O pergaminho era feito de couro de ovelha, cabra ou bois. O pêlo era retirado e o couro amaciado com pedras. Alguns tingiam o pergaminho com púrpuras e usavam tinta de ouro ou prata sobre eles. Na cidade de Pérgamo, na Ásia Menor, fabricava-se o material em tão grande quantidade que este acabou herdando o nome do lugar: pergaminho. Paulo se refere a esse tipo de material na carta enviada a Timóteo (2 Tm 4:13). Já o papiro era um material feito de junco, uma planta que crescia em pântanos e tinha seis centímetros de diâmetro. Ele era cortado em tiras de trinta centímetros de comprimento, colocadas lado a lado. Uma outra camada era colocada por cima, formando um ângulo reto, e então as duas camadas eram embebidas com cola e água. Em seguida eram apertadas até que formassem um só tecido. Por fim, alisava-se sua superfície com pedra-pome. Juntavam-se várias seções do material que, então eram enroladas até um tamanho conveniente. Estes rolos também eram chamados “bíblia” (livros). Divisão da Bíblia A Bíblia está dividida em Antigo Testamento e Novo Testamento. Testamento significa um “acordo”, “pacto” ou “aliança”. Vários acordos ou pactos entre Deus e os homens são citados no Antigo Testamento, como por exemplo, o chamado de Abraão em Gênesis 12. O Antigo Testamento (ou Velho Testamento) possui 39 livros1 e relata o fracasso do homem em cumprir com sua responsabilidade diante de Deus. Também relata as ações de Jeová em direção ao homem para prover o perdão dos seus pecados. O Novo Testamento possui 27 livros e apresenta uma nova maneira de Deus tratar o pecado e o pecador: em Cristo, Deus perdoa os pecados do Seu povo e cria uma nova qualidade de relacionamento, firmado na misericórdia, no amor e no perdão: “... e dos seus pecados de modo nenhum me lembrarei” (Hb 10:17). Leitura da Bíblia Quando a Bíblia surgiu, tanto o Antigo como o Novo Testamento, não era dividida nem por capítulos nem por versículos. A Bíblia Sagrada foi dividida em capítulos no século XIII (entre 1234 e 1242), pelo teólogo Stephen Langhton, então Bispo de Canterbury, na Inglaterra, e professor da Universidade de Paris, na França. A divisão do Antigo Testamento em versículos foi estabelecida por estudiosos judeus das Escrituras Sagradas, chamados de massoretas. Com hábitos monásticos e ascéticos, os massoretas dedicavam suas vidas à recitação e cópia das Escrituras, bem como à formulação da gramática hebraica e técnicas didáticas de ensino do texto bíblico. Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 5. 5 Foram eles que, entre os séculos IX e X primeiro dividiram o texto hebraico (do Antigo Testamento) em versículos. Influenciado pelo trabalho dos massoretas no Antigo Testamento, um impressor francês chamado Robert d’Etiénne dividiu o Novo Testamento em versículos no ano de 1551. Até boa parte do século XVI, as Bíblias eram publicadas somente com os capítulos. Foi assim, por exemplo, com a Bíblia que Lutero traduziu para o Alemão, por volta de 1530. A primeira Bíblia a ser publicada incluindo integralmente a divisão de capítulos e versículos foi a Bíblia de Genebra, lançada em 1560, na Suiça. Os primeiros editores da Bíblia de Genebra optaram pelos capítulos e versículos vendo nisto grande utilidade para a memorização, localização e comparação de passagens bíblicas. (Hoje, as notas históricas dos estudiosos protestantes de Genebra agregadas a novas notas de estudo podem ser encontradas em um recente lançamento da Sociedade Bíblica do Brasil: a Bíblia de Estudo de Genebra.) Em Português, já a primeira edição do Novo Testamento de João Ferreira de Almeida (1681) foi publicada com a divisão de capítulos e versículos. O Antigo Testamento O Antigo Testamento foi escrito, quase na sua totalidade, na língua hebraica, que é o idioma falado ainda hoje pelos judeus. É composto por 39 livros divididos em 4 categorias (Pentateuco, Históricos, Poéticos e Proféticos – nesta respectiva ordem nas Bíblias cristãs). No Antigo Testamento hebraico a divisão é diferente e segue o esquema a seguir: a) A Lei (Torah): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio (5 livros); b) Os profetas: 1. Profetas anteriores: Josué, Juízes, Samuel e Reis (4 livros); 2. Profetas posteriores: Maiores: Isaías, Jeremias e Ezequiel (3 livros); Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias (no hebraico formam um tomo só); c) Os Escritos ou “Hagiógrafos”: 1. Os poéticos: Salmos, Provérbio e Jó (3 livros); 2. Os cinco rolos: Cânticos, Rute Lamentações de Jeremias, Eclesiastes e Ester (5 livros); 3. Os Históricos: Daniel, Esdras, Neemias e Crônicas (3 livros) A ordem usada nas Bíblias evangélicas segue esta seqüência: a) Livros da Lei ou Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio; b) Livros Históricos: Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester; c) Livros Poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Cânticos de Salomão (ou Cântico dos Cânticos) e Eclesiastes; d) Livros Proféticos: dividem-se em Profetas Maiores e Menores; 1. Profetas Maiores: Isaías, Jeremias (Juntamente com Lamentações), Ezequiel e Daniel; 2. Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias; Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 6. 6 Os Livros Apócrifos e Apocalípticos A Bíblia utilizada pelos católicos romanos, além dos livros contidos na Bíblia utilizada pelos evangélicos, possui alguns outros livros. São os chamados “Livros Apócrifos”. Nós não utilizamos estes livros, pois não podem ser reconhecidos como inspirados por Deus e nem como autoritativos para a vida cristã. Com o nome de “apócrifos” designamos, normalmente, os livros que a Vulgata Latina2 contém, mas que não estão incluídos no Velho Testamento Hebraico. A presença de tais livros na Vulgata, exceção feita a II Esdras, deve-se à tradução grega da Septuaginta3 , fonte da versão latina destes livros. Muitos foram escritos em “pseudepígrafe”, ou seja, um autor desconhecido escrevia um livro e assinava com o nome de alguém muito conhecido para dar à sua obra autoridade. Além dos que a Bíblia católica contém, existem outros que são menos conhecidos. Os livros apócrifos são: 1 livro de Esdras: Não confunda com o Livros históricos de Esdras. É uma narração fragmentária dos acontecimentos lembrados no livro de Esdras, juntamente com a história dos três cortesões, um dos quais se chama Zorobabel e que teve papel preponderante na festa de Dario. 2 livro de Esdras: Não passa dum apocalipse do primeiro século da era cristã, de certo modo o mais trágico de todos os apocalipses. Tobias: É uma história romântica que nos fala da sepultura dos mortos e do casamento de Tobias. Foi escrito provavelmente nos fins do século III A.C. Judite: É outra obra de ficção a propósito da libertação duma cidade do exército assírio. Não vai além da época dos Macabeus (150 A.C.). O descanso de Ester: É um apêndice ao livro canônico4 de Ester e inclui orações e decretos, que vêm tornar mais explícito o caráter religioso do livro. Sabedoria de Salomão: É considerado um dos livros mais representativos e mais sublimes da sabedoria hebraica, do período interbíblico5 . Supõe-se que tenha sido escrito entre os anos 150 A.C. e 40 D.C. Eclesiástico: Também chamado de “Sabedoria de Jesus, filho de Siraque”, é uma obra no mesmo estilo de “Sabedoria de Salomão” e datada do ano 180 A.C. Baruque forma um livro só com A Epístola de Jeremias, datado do primeiro do século III A.C. e o segundo do século II A.C. Ambos se destinam a combater a heresia6 . Apêndices ao livro de Daniel conhecem-se três: A História de Susana, condenada a morte e defendida pelo jovem Daniel; a Oração de Azarias e o Cântico dos três santos mancebos lançados à fornalha ardente; e por fim Bel e o Dragão, duas narrativas separadas contando como Daniel desacreditou os sacerdotes de Bel e desmascarou o deus-dragão. A oração de Manassés, é um grito de arrependimento proferido pelo rei que tem este nome e baseado em 11 Crônicas 23:12ss, escrito provavelmente no século II A.C.. O livro de I Macabeus narra a luta dos judeus, chefiados pelos filhos de Matatias contra Antíoco Epífanes e seus sucessores. Há quem suponha que o autor é contemporâneo dos acontecimentos que relata. O livro de II Macabeus continua o anterior e expõe, num estilo primoroso, as façanhas de Judas Macabeu. Ainda existem outros livros apócrifos e pseudepígrafes que não figuram na Bíblia católica, como o Livro de Enoque, o Livro dos Jubileus, A assunção de Moisés, entre outros que falam também de Jesus e dos apóstolos. Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 7. 7 Dicas para leitura da Bíblia Para você ler e estudar a Bíblia é necessário conhecer algumas abreviaturas e formas de escrita. Quando você for estudar a Bíblia tenha algumas coisas em mente: 1º. Quem escreveu este livro? 2º Quando ele escreveu? 3º Para quem escreveu? 4º Quais acontecimentos importantes marcam a vida de quem escreveu e de quem recebeu o que foi escrito? 5º Qual o estilo do livro? (Histórico, Poético, Profético, Espistolar, Apocalítico?) É necessário saber também as abreviaturas e escritas das passagens. Veja a lista que segue: : (dois pontos) dividem o capítulo do versículo (Gn 3:4) , (vírgula) dividem versículos (Gn 3:4,5) - (traço) dividem trechos ou passagens (Gn 3:4-6 ou Gn 3:4-5:6) ; (ponto e vírgula) dividem capítulos de capítulos ou livros de livros (Gn 3:4; Gn 9:10) ss (dois esses) ler o versículo indicado e os posteriores (Gn 3:4ss), também indicado por “seg.” (usa-se também a abreviatura “segs.”) cf. (conforme). Indica que você compreenderá aquele texto lendo o outro. Algumas Bíblias possuem ajudas especiais para leitura e estudo, que devem ser consultadas a parte. Muitos compram Bíblias de estudo e nunca a utilizam como deveriam. Colocamo-nos à disposição para ensinar como utilizar melhor os recursos de que a sua Bíblia dispõe. Elementos essenciais à compreensão do Antigo Testamento 1. Elemento histórico: Todos os livros do Antigo Testamento estão fundamentados em dados históricos. Podemos encaixar na cronologia tantos os livros históricos quanto os poéticos e proféticos. Neste sentido, percebemos que Deus está tanto Se revelando neste processo histórico quanto o controlando. 2. Elemento cultural: Vários povos são citados no Antigo Testamento e cada um possui a sua cultura peculiar. Também encontramos o desenvolvimento da cultura da nação de Israel. Essas culturas afetam diretamente a compreensão do texto bíblico. Nossa tendência é ler o texto com a nossa cultura. 3. Elemento geográfico: As narrativas nos remetem à lugares específicos. Conhecê-los aumenta nossa compreensão. 4. Elemento literário: É grande a diversidade literária do Antigo Testamento: narração, poesia, literatura sapiencial, etc. Em que grupo se encaixa o texto incidirá diretamente na sua interpretação. 5. Elemento revelacional: O Antigo Testamento é a revelação que Deus faz de Si mesmo. Esta revelação se dá através do desenvolvimento da história (experiências e relacionamento) e, acima de tudo, de maneira proposicional (palavras). Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 8. 8 6. Elemento teológico: Devemos levar em consideração a revelação progressiva ao lermos o Antigo Testamento. Da criação do mundo à reedificação do Templo, o conhecimento do homem sobre Deus está gradativamente aumentando. OS LIVROS DA LEI OU PENTATEUCO Geralmente esta seção do AT é comumente conhecido como Toráh (Lei). O substantivo toráh se deriva da raiz yarah, “lançar” ou “projetar”, e significa orientação, lei, instrução. A palavra “Pentateuco” é uma derivação de duas palavras gregas “pente” (cinco) e “teuchos” (volume). Seu primeiro uso se encontra, talvez, nos escritos de Orígenes, a respeito de Jo 4:25, “do Pentateuco de Moisés”. No AT o Pentateuco é chamado de: 1. Lei: Js 8:34; Ed 10:3; Ne 8:2,7,14; 10:34,36; 12:44; 13:3; 2 Cr 14:4; 31:21; 33:8. 2. Livro da Lei: s 1:8; 8:34; 2 Rs 22:8; Ne 8:3. 3. Livro da Lei de Moisés: Js 8:31; 23:6; 2 Rs 14:6; Ne 8:1. 4. Livro de Moisés: Ed 6:18; Ne 13:1; 2 Cr 25:4; 35:12. 5. Livro do Senhor: Ed 7:10; 1 Cr 16:40; 2 Cr 31:3; 35:26. 6. Lei de Deus: Js 24:26; Ne 8:18. 7. Livro da Lei de Deus: Js 24:26; Ne 8:18. 8. Livro da Lei do Senhor: 2 Cr 17:9; 34:14. 9. Livro da Lei do Senhor seu Deus: Ne 9:3. 10. Livro de Moisés, servo de Deus: Dn 9:11, 13; Ml 4:4. No NT o Pentateuco é chamado de: 1. Livro da Lei: Gl 3:10. 2. Livro de Moisés: Mc 12:26. 3. Lei: Mt 12:5; Lc 16:16; Jo 7:19. 4. Lei de Moisés: Lc 2:22; Jo 7:23. 5. Lei do Senhor: Lc 2:23-24. 1. Autoria do Pentateuco O Pentateuco é uma obra contínua, completa, produzida por um só autor inspirado. É possível que se tenha feito o uso de fontes orais e escritas sob orientação divina. 1.1. Negação da Autoria Mosaica 1.1.1.Origem do Desenvolvimento da Teoria Documentária O deísmo e o racionalismo contribuíram para o surgimento da TEORIA DOCUMENTÁRIA. O objetivo era negar a relação sobrenatural de Deus com o homem e, consequentemente, a doutrina da Bíblia como inspiração sobrenatural. O Antigo Testamento, segundo estes autores, não é formado pelo conteúdo da revelação sobrenatural de Deus acerca de si mesmo, mas das experiências religiosas dos que buscavam a Deus. Thomas Hobbes em sua obra Leviathan (1651) afirmou que o Pentateuco havia sido editado por Esdras a partir de fontes antigas. Benedicto Spinoza declarou em Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 9. 9 Tractatus Theologico-Politicus (1670) que Esdras havia editado o Pentateuco com interpolação de Deuteronômio, questionando a autoria mosaica. 1.1.2.Teoria Documentária Primitiva Jean Astruc, médico francês, foi o primeiro a dar expressão literária a essa teoria (em 1753). Limitou suas dúvidas apenas a autoria de Gn 1. Sua tese era que Moisés havia compilado o livro de Gênesis a partir de duas memórias, e outros documentos menores. Astruc identificou 2 fontes principais: Fonte A, com o uso da palavra Elohim, e fonte B, o uso da palavra Yahweh. Todavia, aceita Moisés como autor do livro todo. Alegava ter encontrado em Gênesis mais de dez fontes e outras interpolações textuais! Johann G. Eichorn em sua Einleitung (1780-1783), expandiu as idéias de Astruc a todo o Pentateuco e não apenas a Gênesis. Negou a autoria mosaica. Dividiu Gn e Êx 1-2 em fontes designadas J e E, e afirmou que estas foram editadas por um autor desconhecido. 1.1.3.Teoria Fragmentária Alexander Geddes, padre católico escocês, investigou as “memoires” de Astruc. Em 1792-1800 desenvolveu a teoria fragmentária. Segundo a Teoria Fragmentária o Pentateuco consiste em fragmentos lendários, desconexos entre si e de muitos autores desconhecidos, mas possuindo apenas um redator. Foi o primeiro a sugerir a existência de um Hexateuco. Segundo Geddes o Pentateuco foi compilado por um redator desconhecido a partir de numerosos fragmentos que tiveram sua origem em círculos diferentes, um elohístico, e o outro javístico. A data da composição final do “Hexateuco” teria ocorrido em Jerusalém, durante o reinado de Salomão. J. Vater (1802-1805) fez a divisão do Pentateuco em 39 fragmentos. A data da composição final do Pentateuco foi no exílio babilônico, sendo que nesta época adquiriu a forma que hoje conhecemos. A.T. Hartmann foi o primeiro a dizer que a escrita era desconhecida no tempo de Moisés entre os israelitas (1831). Segundo ele, o Pentateuco era constituído de um grande número de pequenos documentos pós-mosaicos, a que foram feitas adições, de tempos em tempos, até se tornarem nos cinco livros. Considerava o Pentateuco como lenda e mito. 1.1.4.Teoria suplementar Wilhelm M. L. De Wette (1780-1849) em 1805 escreveu um livro, acerca de Deuteronômio, dando este livro como pertencente ao tempo de Josias e escrito um pouco antes da sua reforma religiosa, em 621 a.C. Heinrich Ewald (+1875) rejeitou a autoria mosaica. Segundo ele o Pentateuco é composto de muitos documentos, mas enfatizando o documento E como sendo básico. Tuch foi quem deu expressão clássica à teoria. Deu ênfase a dois documentos básicos, o E e o J, tendo datado o E no tempo de Saul, e o J no tempo de Salomão. Representa uma volta a Teoria Documentária primitiva. Segundo essa teoria, o documento básico, original era um só, o documento E (elohista), combinado com um suplemento principal que era o documento J (jeovísta) formavam a base para o Pentateuco. No decorrer dos séculos novas adições foram feitas a estes documentos, terminando na cristalização do atual conjunto de cinco livros. Todos estes críticos negaram a autoria mosaica do Pentateuco. 1.1.5.Teoria Documentária Modificada Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 10. 10 Esta teoria defende que de três a quatro documentos principais e contínuos foram combinados por um redator. Hermann Hupfeldt, em 1853, ensinou que, além do Deuteronômio, havia três documentos contínuos que eram J,E1 e E2, combinados por um único redator. E. Riehm (1854) defendeu que os documentos contínuos eram quatro e não três. Foi o primeiro a apresentar um quarto documento principal, chamado D. A forma dos documentos seria E1, E2, J, D. 1.1.6.Teoria Documental em seu Estado Final Segundo esta teoria, quatro ou cinco documentos principais, mais outros documentos secundários foram combinados por quatro redatores principais e mais outros redatores secundários. Reuss (1850) acreditava em cinco documentos principais J, E1, E2, d, P. Foi o primeiro a sugerir o documento P como sendo documento básico e também como sendo o último deles. Atribuiu ao tempo de Esdras como data final da redação do Pentateuco. Karl H. Graff, em 1865, afirmou a literatura de Êxodo, Levítico e Números, não pertencia ao período de Josias, mas ao cativeiro babilônico. Rejeitou o documento E1 como sendo um documento independente. Para ele o E1 é igual ao P, um documento procedente do período do reinado de Josias. Para Graff a ordem dos documentos seria P–histórico, E, J, D, P-legal. Abraham Kuenen (1869-1870) desenvolveu a teoria de Graff e a difundiu, principalmente na Alemanha. Em sua obra “A Religião de Israel” (1869) argumentou que o P-histórico não poderia ser separado do documento P-legal. Sua teoria resultou em J, E, D, P. Julius Wellhausen foi quem deu uma popular formulação literária à teoria, em sua obra Die Composition dês Hexateuchs, em 1876. Com ele a teoria adquiriu o nome de Graff- Kuenen-Wellhausen. Causou um grande impulso ao criticismo moderno. 1.1.7.Teoria Documentária no Século XX Herman Gunkel (1862-1932) e Hugo Gressmann (1877-1927) posicionaram-se contra as tendências do wellhausenismo clássico. Os grandes expoentes na crítica das fontes. Defendiam a necessidade de se descobrir o Sitz im Leben (contexto vital). Comparação com a mitologia antiga. Otto Eissfeldt em sua Einleitung in das Alte Testament (1934) defendia a classificação da literatura do AT em vários gêneros e categorias. Tenta traçar o desenvolvimento (a influência pré-história literária) dos diferentes documentos. Propõem a existência de um documento L (fonte leiga). Não possui uma concepção adequada da revelação, considera a literatura do AT como de origem meramente humana. R.H. Pfeiffer em Introduction to the Old Testament (1941) mostra erudição e apologia, basicamente anti-cristã. Ensinou a existência de um documento S (Sul ou Seir), mas obteve aceitação popular. Nega a revelação, milagres, etc., segundo Pfeiffer estas são cousas subjetivas, sem prova científica. Gerhard Von Rad (1934) defendeu a existência de mais dois documentos Pa e Pb. Propôs a teoria do Hexateuco. Aage Bentzen publicou em 1941 uma obra que esposa o método histórico-crítico que presta dedicada atenção ao estudo das supostas formas da literatura do AT. Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 11. 11 1.1.8. Características dos “supostos” documentos Documento J (Jeová, Jeovista) 1.Data: 950 ou 850 a.C. 2.Local escrita: Judá 3.Autoria: é atribuído a um historiador desconhecido, pertencente ao reino do Sul 4.Conteúdo: começa com a criação e vai até o fim do reino de Davi (Gn 2 a Nm 22-24). 5.Natureza: uma coleção de literatura épica, demonstrando forte sentimento nacionalista. Contém dramatização vívida, apresentações antropomórficas de Deus, em que Deus é descrito em termos humanos. Prefere usar o nome Yahweh para Deus. Ressalta a continuidade do propósito de Deus desde a criação, passando pelos patriarcas, até o papel de Israel como seu povo. Essa continuidade leva ao estabelecimento da monarquia com Davi. Documento E (Elohista) 1.Data: 850 ou 750 a.C. 2.Autoria: atribuída a um sacerdote desconhecido de Betel (Reino do Norte), ou a um profeta, sob a influência de Elias. 3.Local escrita: Efraim 4.Conteúdo: começa com Abraão e termina com Josué 5.Natureza: Usa-se a história na forma épica. Este documento possui uma variedade de detalhes, grande interesse no ritual e uma teologia mais abstrata, que evita antropomorfismo e usa visões e anjos como meios de revelação. É a narrativa da tradição de Israel (reino do Norte) em paralelo com documente J. Prefere Elohim como nome de Deus até a revelação de seu nome Yahweh a Moisés (Êx 3), depois disso passa a empregar ambos os nomes de Deus. Documento D (Deuteronomista) 1.Data: 650 a.C. 2.Autoria: atribuída a um sacerdote desconhecido. 3.Local escrita: Jerusalém 4.Conteúdo: é o material núcleo do livro de Deuteronômio 5.Natureza: tem interesse teológico pelo Templo de Jerusalém, e forte oposição contra a idolatria. O estilo literário é prosaico, prolixo, paranético (repleto de exortações ou conselhos). Seria o tal livro descoberto no reinado do rei Josias no ano 621 a.C. Documento P (do inglês Priestly [Sacerdotal]) 1.Data: 525 ou 450 a.C. 2.Autoria: desconhecida 3.Conteúdo: composto de tradições mosaicas antigas depois do Exílio. 1.2. Uma avaliação crítica da Teoria Documentária. Devemos considerar algumas implicações da Teoria Documentária em afirmar a formação final do Pentateuco num período pós-exílico (entre 500-400 a.C.), quando a religião de Israel já estava bem desenvolvida. 1. A Teoria Documentária não prova a não autoria de Moisés. 2. Mesmo entre os adeptos desta teoria não há concordância acerca da identificação e classificação dos textos e dos grupos documentais a que eles supostamente pertencem. Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 12. 12 3. Aceitar a teoria JEDP anula a credibilidade do Pentateuco. Segundo a Teoria Documentária a história bíblica é forjada. O uso do nome de Moisés no Pentateuco, era simplesmente para dar autoridade ao texto, mas ele nada tinha a ver com a composição histórica do mesmo. 4. Retira todo o caráter normativo do Pentateuco. Se ele não foi o princípio regulador para os primeiros leitores, não teria valor algum para os crentes de outras épocas, uma vez que os conceitos humanos mudam e o que não foi normativo para um povo, pode não ser para outro. 5. Invalida o esforço de composição. O relato do Pentateuco é rico em detalhes e informações. Possui informações das origens e desenvolvimento dos povos, em especial do povo de Israel. Os supostos autores teriam se dado a um imenso trabalho de imaginação para simplesmente manter uma ordem que já estava estabelecida. 6. Devemos considerar a ausência de evidências histórica, ou manuscritológicas, de que estes supostos documentos (JEDP) tenham circulado em algum período soltos uns dos outros. 7. Considera o autor mal-intencionado. 8. Impossibilidade do sobrenatural no AT. Consequentemente a intervenção divina é negada: revelação, inspiração, encarnação, milagres, etc. 9. Negação da revelação especial. A Bíblia torna-se meramente uma referência literária semítica. Um livro antigo como outro qualquer, deixando de ser a auto revelação proposicional de Deus. 1.3. Argumentos em favor da Autoria Mosaica do Pentateuco Não há no Pentateuco uma declaração objetiva de que Moisés tenha escrito o Pentateuco. Todavia, há um testemunho suficiente, que apoia a sua autoria. A ausência do nome do autor harmoniza-se com a prática do AT em particular, e com as obras literárias antigas em geral. No antigo Oriente Médio, o “autor” era basicamente um preservador do passado, limitando-se ao uso de material e metodologia tradicionais, conforme já foi observado. 1.3.1. Evidências Internas 1. Êx 17:14 indica que Moisés estava em condições de escrever. 2. Êx 24:4-8 refere ao “Livro da Aliança”. 3. Êx 34:27 pela segunda vez a ordem de escrever. 4. Nm 33:1-2 Moisés anotou a lista das paradas desde o Egito até. 5. Dt 31:9,24 referência aos 4 livros anteriores do Pentateuco. 6. Dt 31:22 refere-se a Dt 32. 7. Narra detalhes de uma testemunha ocular. O número de fontes e palmeiras (Êx 15:27), a aparência e paladar do maná (Nm 11:7-8). 8. Em Gn e Êx, o autor exprime um detalhado conhecimento do Egito, e do percurso do êxodo. 9. Conhecimento de palavras e nomes egípcios. O autor possuí uma noção estrangeira da Palestina. Os termos usados para as estações, tempo, fauna, flora são egípcios, não palestinos. O autor estava familiarizado com a geografia egípcia e sinaítica. Menciona quase nada sobre a geografia palestina, o que evidencia seu pouco conhecimento da região. 1.3.2. Evidências Externas Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 13. 13 1. Livro de Josué repleto de referências a Moisés como autor do Pentateuco Js 1:7-8; 8:31; 22:9; 23:6; etc. 2. Jz 3:4 declara “...por intermédio de Moisés.” 3. Expressões frequentes nos livros históricos: “lei de Moisés”, “livro da lei de Moisés”, “livro de Moisés”, etc. 1 Rs 2:3; 2 Rs 14:6; 21:8; Ed 6:18; Ne 13:1; etc. 1.3.3. Evidências do NT 1. Cristo menciona passagens do Pentateuco como sendo de Moisés. Mt 19:8; Mc 10:4-5. 2. O texto sobre a circuncisão (Gn 17:12) mencionado no NT (Jo 7:23) como fazendo parte da Lei de Moisés. 3. Restante do NT em harmonia com Cristo. At 3:22-23; 13:38-39; 15:5,21; 26:22; 28:23; Rm 10:5,19; 1 Co 9:9; 2 Co 3:15; Ap 15:3. 1.3.4. Moisés Era Qualificado Para Escrever o Pentateuco Moisés é reconhecido como o homem erudito na antiguidade bíblica. Nos dias de Moisés o Egito era a maior civilização do mundo, tanto em domínio, construções e conhecimento. Moisés teve a oportunidade de ter sido educado na corte real egípcia, recebendo a instrução de disciplinas acadêmicas que no Egito já eram tão desenvolvidas. Incluindo a arte da escrita, que há muito tempo era usada, de comum uso dos egípcios, inclusive entre os próprios escravos. Como historiador, soube coletar as informações da rica tradição oral de seu povo. Mas além da tradição oral, Moisés dispôs, enquanto esteve no palácio real egípcio, do seu acervo literário. Era possuidor de um vasto e detalhado conhecimento geográfico. O clima, vegetação, a topografia, o deserto tanto do Egito como do Sinai, e os povos circunvizinhos lhe eram familiares. O modo como o autor do Pentateuco descreve os eventos e lugares, indica que ele não era palestino. Alguns fatos contribuem para esta conclusão 1) conhecia lugares pelos nomes egípcios, 2) usa uma porcentagem maior de palavras egípcias do qualquer outra parte do AT, 3) as estações e tempo que se mencionam nas narrativas são geralmente egípcias e não palestinas, 4) a flora e a fauna descritas são egípcias, 5) os usos e costumes relatados que o autor conhecia e eram comuns em seus dias. Moisés como fundador da comunidade de Israel, também exerceu o papel de legislador, educador, juiz, mediador, profeta, libertador, sacerdote, pastor, historiador, entre outros. Possuía vários motivos, segundo as funções que exerceu, para prover ao seu povo alicerces morais concretos e religiosos, e era preciso registrar e distribuir a Lei entre o povo, de modo que ela fosse acessível a todos. Como escritor teve tempo mais que suficiente. O Êxodo durou quarenta árduos e longos anos de peregrinação pelo deserto do Sinai. Apesar de sua ocupação ativista, este seria um tempo mais do suficiente para que pudesse escrever todo o Pentateuco, e ainda se necessário alfabetizar todo o povo. Ele mesmo reivindicou escrever sob orientação de Deus (Êx 17:14; 34:27; Dt 31:9, 24). Nenhum outro autor da antiguidade foi assim identificado. 1.3.5. O Que se Entende Por Autoria Mosaica?[13] 1. Não significa que Moisés tenha pessoalmente escrito originalmente cada palavra do Pentateuco. Certamente ele lançou mão da “tradição oral”;[14] Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 14. 14 2. É possível que ele tenha empregado porções de documentos previamente existentes; 3. Talvez, tenha usado escribas ou amanuenses para escrever; 4. Moisés foi o autor fundamental ou real do Pentateuco; 5. Sob a orientação divina, talvez, tenha havido pequenas adições secundárias posteriores, ou mesmo revisões (Dt 34); 2.Unidade 2.1. Unidade Literária/Textual Não há nenhuma evidência história ou manuscritológica que vários redatores tenham “costurado” os livros do Pentateuco. Não existe nenhuma evidência que em algum período da história, o Pentateuco tenha circulado como “pedaços” (fontes JEDP), e que algum redator, ou redatores, tenha compilado e dado sua formação final, como propõe a teoria documentária. Os rabinos judeus desconhecem tal coisa. 2.2. Unidade Histórica O Pentateuco possui uma linha histórica que se desenvolve. A ligação cronológica entre os cinco livros, transmite-nos a ideia de que, é somente um livro de cinco capítulos. Podemos resumir a história de Israel registrada no Pentateuco da seguinte forma: 1. Deus é o criador de toda a raça humana, e dela formou para si um povo. 2. Deus escolheu Abraão e seus descendentes, e lhes prometeu dar a terra de Canaã. 3. Israel foi para o Egito, e caiu na escravidão, da qual o Senhor os livrou. 4. Deus conduziu Israel a Canaã conforme prometeu. 3.3. Unidade Temática 1. Em Gn vemos a origem do universo e a aliança com Israel. 2. Em Êx vemos a escravidão e libertação de Israel. 3. Em Lv vemos a santificação de Israel. 4. Em Nm vemos a recontagem do povo de Israel. 5. Em Dt vemos a renovação da aliança com a nova geração de Israel 4. Importância 4.1. Aspectos Sociais: princípio norteador para toda a nação. 4.2. Aspecto Científico: O criacionismo é fundamentado a partir de Gênesis. 4.3. Aspecto Teológico: Os grandes fundamentos da fé são criados a partir dele. 4.4. Aspectos Históricos: O mais perfeito relato histórico apresentando Cristo. 4.5. Aspectos Antropológicos: Descreve raças, nações e culturas. 4.6. Aspectos Proféticos: Fundamenta os temas proféticos mais importantes. O livro de Gênesis Abreviatura: Gn Autor: Moisés Data: 1450/1410 AC. Versículo-chave: 1:1; 12:1-2 Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 15. 15 Frase-chave: Começos, origens; Conteúdo: O Livro de Gênesis é o livro das origens. Relata a criação do mundo, o surgimento do homem e da mulher e o pecado original. Outro fato importante neste livro é a escolha que Deus faz. Deus escolhe Abraão, Deus escolhe Isaque, Deus escolhe Jacó e Deus escolhe Judá. Esboço: I. Os princípios da História 1:1-11:32 a. A criação do Universo (1:1-2:3) b. O lugar do homem (2:4-25) c. A entrada do pecado no mundo (3:1-4:26) d. A genealogia de Adão a Noé (5:1-32) e. A perversidade e o castigo do velho mundo (6:1-9:29) f. As antigas famílias da humanidade (10:1-11:32) II. A História de Abraão (12:1-2518) a. A fé e a obediência de Abrão (12:1-14:24) b. Aliança de Deus com Abrão (15:1-17:27) c. O livramento de Ló de Sodoma e Gomorra (18:1-19:38) d. Abraão e Abimeleque (20:1-18) e. O filho prometido (21:1-24:67) f. A família de Abraão (25:1-18) III. A História de Isaque (25:19-26:35) a. Nascimento de Esaú e Jacó (25:19-28) b. Esaú vende sua primogenitura para Jacó (25:29-34) c. Isaque e Abimeleque (26:1-16) d. Disputa a respeito de poços (26:17-33) e. Os casamentos de Esaú (26:34-35) IV. A História de Jacó e Esaú (27:1-37:1) a. Jacó na casa paterna (27:1-46) b. A viagem de Jacó (28:1-22) c. Jacó na Síria (29:1-33:15) d. Jacó na Terra Prometida (33:16-35:20) e. Descendência de Jacó e Esaú (35:21-37:1) V. A História de José (37:2-50:26) a. A infância de José (37:2-36) b. Judá e Tamar (38:1-30) c. Promoção de José no Egito (39:1-41:57) d. José e seus irmãos (42:1-45:15) e. José recebe seu pai no Egito (45:16-47:26) f. Últimos dias de Jacó (47:27-50:14) g. José cuida de seus irmãos (50:15-26) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 16. 16 O livro de Êxodo Abreviatura: Ex Autor: Moisés Data: 1450/1410 AC. Versículo-chave: 19:4-6 Frase-chave: Saída do Egito Conteúdo: Depois da morte de José, que assinala o fim do Gênesis e da “era patriarcal”7 , o povo de Israel floresceu e se multiplicou no Egito. Os egípcios, porém, logo se esqueceram de como José os havia salvado da fome. A gratidão dos governantes egípcios transformou- se em suspeita e ódio. O livro relata o livramento dos oprimidos israelitas do poder egípcio. Os rigores da escravidão no Egito e o faraó exigiram a preparação do libertador, Moisés, um dos tipos de Cristo8 . Esboço: I. A opressão no Egito (1:122) II. Nascimento, treino e chamada de Moisés (2:1-7:7) a. Os primeiros oitenta anos de Moisés (2:1-22) b. A chamada de Moisés (2:33-4:17) c. Moisés retorna ao Egito (4:18-31) d. A primeira petição a Faraó e seu resultado (5:1-6:1) e. As promessas e a comissão renovadas (6:2-13) f. As genealogias de Moisés e Aarão (6:14-27) g. A comissão retomada (6:28-7:7) III. As pragas, a Páscoa e o Êxodo (7:8-15:21) a. Faraó reconhece um sinal (7:8-13) b. As primeiras nove pragas (7:14-10:29) c. Aviso sobre a última praga (11:1-10) d. Instituição da Páscoa (12:1-28) e. A décima praga e a partida para fora do Egito (12:29-51) f. Santificação e redenção dos primogênitos (13:1-16) g. A travessia do Mar Vermelho (13:17-14:31) h. O cântico de Moisés (15:1-21) IV. A viagem até Horebe (15:22-18:27) a. Mara e Elim (15:22-27) b. A provisão do maná (16:1-36) c. A rebelião em Refidim e a batalha com Amaleque (17:1-16) d. A visita de Jetro (18:1-27) V. A entrega da Lei, no Sinai (19:1-24:18) a. Preparação para a recepção da lei no concerto (19:1-25) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 17. 17 b. Os dez mandamentos (20:1-17) c. O temor de Deus cai sobre o povo (20:18-21) d. O altar a ser erigido (20:22-26) e. Vários julgamentos (21:1-22:20) f. Vários estatutos morais (22:21-23:19) g. As recompensas da obediência (23:20-33) h. A ratificação do concerto (24:1-11) i. Moisés delega sua autoridade e sobe novamente ao monte Sinai (24:12-18) VI. O plano divino para o Tabernáculo9 (25:1-31:18) a. Dádivas para o tabernáculo (25:1-9) b. Os móveis do tabernáculo (25:10-40) c. O tabernáculo, o altar e o pátio (26:1-27:21) d. As vestes do Sumo sacerdote e seus filhos (28:1-43) e. Ordenanças para a consagração dos sacerdotes (29:1-37) f. O sacrifício diário e a promessa da presença do Senhor (29:38-46) g. Mais instruções sobre o tabernáculo (30:1-31:11) h. O sinal do sábado (31:12-17) i. As tábuas do testemunho (31:18) VII. A idolatria dos israelitas e a intercessão de Moisés (32:1-33:23) a. A fabricação do bezerro de ouro (32:1-6) b. Moisés intercede pelo povo (32:7-14) c. O povo é castigado (32:15-29) d. Moisés intercede novamente, e lhe é mostrada a glória divina (32:30-33:23) VIII. A renovação do concerto (34:1-35) IX. Construção e ereção do tabernáculo (35:1-40:38) a. O povo traz oferendas voluntárias (35:1-29) b. Os construtores fazem o trabalho segundo o modelo (35:30-39:43) c. O tabernáculo é armado (40:1-33) d. A glória do Senhor entra no tabernáculo (40:34-38) O livro de Levítico Abreviatura: Lv Autor: Moisés Data: 1450/1410 AC. Versículo-chave: 20:7-8 Frase-chave: Santidade Conteúdo: O nome “Levítico” vem de “Levi”. Levi era o terceiro filho de Jacó e Lia (Gn 29:34) e sua família foi escolhida para auxiliar os sacerdotes. Note algo importante: somente os da família de Arão eram sacerdotes, os levitas tinham por obrigação auxilia-los. Desmanchavam, transportavam e armavam o Tabernáculo (Nm 3:5ss) e substituíam os primogênitos de toda a nação servindo ao Senhor. Cada uma das três famílias de Levi tinha deveres especiais. Os filhos de Coate estavam incumbidos de transportar os móveis depois que os mesmos fossem cuidadosamente cobertos pelos sacerdotes. Os coatitas eram Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 18. 18 supervisionados por Eleazar, filho de Arão. Os filhos de Gérson cuidavam das cobertas, cortinas e véus sob a supervisão do filho de Arão, Itamar. Os filhos de Merari tinham a tarefa de transportar e erguer a armação do tabernáculo e seu átrio. Os levitas começavam a servir quando tinham 25 anos e continuavam a servir até os 50 anos. Os levitas não possuíam herança alguma na terra. Eles eram sustentados por dízimos do povo e habitavam em 48 cidades em Israel, dentre estas, seis cidades eram “cidades de refúgio”10 . O livro de Êxodo terminou com o levantamento do tabernáculo, construído segundo o padrão que Deus dera a Moisés. Como iria Israel usar o tabernáculo? As instruções encontradas em Levítico são a resposta a essa pergunta, e foram dadas a Moisés no intervalo de 50 dias entre a inauguração do tabernáculo (Ex 40:17) e a partida do povo do Sinai (Nm 10:11). Esboço: I. Os sacrifícios (1:1-7:38) a. A porção do Senhor (1:2-6:7) b. A porção do sacerdote e do oferente (6:8-7:38) II. A consagração de Arão seus filhos (8:1-10:20) a. Arão e seus filhos consagrados por Moisés (8:1-36) b. Arão desempenha o seu ofício (9:1-24) c. O sacrilégio e suas conseqüências (10:1-20) III. Leis relativas à purificação (11:1-15:33) a. Impureza por causa dos animais (11:1-47) b. Purificação do primogênito (12:1-8) c. Purificação do leproso (15:1-33) d. Impureza do corpo (15:1-33) IV. O dia da expiação (16:1-34) a. A preparação de Arão (16:1-10) b. O sacrifício pelos sacerdotes (16:11-14) c. O sacrifício pelo povo (16:15-19) d. O bode expiatório (16:20-22) e. Sacrifícios terminados (16:23-28) f. Outras instruções (16:29-34) V. Local do sacrifício e santidade do sangue (17:1-16) VI. Pecados contra a lei moral (18:1-20:27) a. Casamentos ilícitos e uniões abomináveis (18:1-30) b. Uma coleção de novas leis (19:1-37) c. Diversas leis respeitantes a outros crimes hediondos (20:1-27) VII. Instruções para os sacerdotes (21:1-22:33) a. Os sacerdotes devem ser santos (21:1-9) b. Determinações especiais para o Sumo-sacerdote (21:10-15) c. Efeitos da deformidade física (21:16-24) d. A profanação impede o sacerdote de tocar nas coisas santas (22:1-16) e. Diretrizes para a oferta dos sacrifícios (22:17-33) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 19. 19 VIII. As festas sagradas (23:1-44) a. O sábado (23:3) b. A Páscoa e a festa dos pães asmos (23:4-8) c. A oferta das primícias (23:9-14) d. A festa das semanas (23:15-22) e. As festas do sétimo mês (23:23-24) IX. O óleo santo, os bolos e o pecado da blasfêmia (24:1-23) a. O azeite para a lâmpada (24:1-4) b. Os bolos (24:5-9) c. O pecado da blasfêmia e os crimes da violência (24:10-23) X. O Ano Sabático e o Ano do Jubileu (25:1-55) a. O Ano Sabático (25:1-7) b. O Jubileu (25:8-55) XI. Bênçãos e maldições (26:1-46) a. Bênçãos como prêmio da obediência (26:3-13) b. Castigos pela desobediência (26:14-45) XII. Votos particulares e dízimos (27:1-34) O livro de Números Abreviatura: Nm Autor: Moisés Data: 1450/1410 AC. Versículo-chave: 14:22,23 Frase-chave: Andando no deserto Conteúdo: O título do livro vem da tradução grega e não resume o seu conteúdo. A tradução hebraica utiliza o nome bemidhbar (no deserto), que resume bem o conteúdo do livro. É de recear que a nossa tradução baseada no grego leve muitos crentes a desprezarem o livro, e a perderem assim os tesouros que ele encerra. Como o título hebraico sugere, contém uma descrição da viagem dos israelitas através do deserto. O Êxodo conta a partida do Egito e a viagem até o Sinai; Josué narra a entrada na Terra Prometida; mas é em Números que se descreve a longa caminhada desde o Sinai até às terras de Canaã. O livro de Números divide-se em quatro partes distintas: a preparação para a jornada através do deserto; a viagem desde o Sinai até as planícies de Moabe; o episódio de Balaão e a preparação para a entrada em Canaã. Esboço I PARTE A PREPARAÇÃO PARA A JORNADA ATRAVÉS DO DESERTO (1:1-10:10) I. Disposição dos homens para a guerra e para a marcha (1:1-2:34) II. Enumeração dos Levitas e dos cargos que lhes competiam (3:1-4:49) III. Não se admitem impurezas no arraial (5:1-31) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 20. 20 IV. O voto dos nazireus (6:1-21) V. Disposições para o culto no arraial (6:22-9:14) VI. Deus vela pela orientação do seu povo (9:15-10:10) II PARTE A VIAGEM DESDE O SINAI ATÉ AS PLANÍCIES DE MOABE (10:11-22:1) VII. Primeira etapa (10:11-36) VIII. Revolta e traição (11:1-12:16) IX. Desânimo e saudade (13:1-14:45) X. A proclamação de novas leis passada a crise (15:1-41) XI. A revolta de Core, Data e Abirão (16:1-50) XII. Consequências da revolta (17:1-19:22) XIII. Incidentes a caminho das planícies de Moabe (20:1-22:1) III PARTE O EPISÓDIO DE BALAÃO (22:2-25:18) XIV. A intimação de Balaão (22:2-40) XV. As profecias de Balaão (22:41-24:24) XVI. As conseqüências (24:25-25:18) IV PARTE A PREPARAÇÃO PARA A ENTRADA EM CANAÃ (26:1-36:13) XVII. Preparação para a conquista e partilhas da terra (26:1-27:23) XVIII.Regulamento dos sacrifícios e votos (28:1-30:16) XIX. Vingança sobre os midianitas (31:1-54) XX. As partilhas da transjordânia (32:1-42) XXI. Resumo das etapas desde a saída do Egito até a planícies de Moabe (33:1-42) XXII. Planos para a divisão de Canaã (33:50-36:13) O livro de Deuteronômio Abreviatura: Dt Autor: Moisés Data: 1410 AC. Versículo-chave: 6:4-5 Frase-chave: Lembrem-se da aliança Conteúdo: O nome deriva da tradução grega “deuteronomion”, que significa “segunda lei” ou “repetição da lei” e contém os discursos dirigidos por Moisés ao povo, antes de entrar na Terra prometida. Os acontecimentos descritos no livro pertencem ao último mês dos quarenta anos de vagueação impostos sobre o povo por causa da sua incredulidade (1:3,35- 2:14). Diferentemente de Êxodo, Levítico e Números em que as leis são referentes ao tabernáculo e aos sacerdotes, em Deuteronômio dirigem-se a todos os membros da congregação. Em termos da mais fácil compreensão anuncia-se a todo o bom israelita o que Deus pretende dele. Se uma ou outra vez se fala em sacerdotes e levitas, é do ponto de vista dos leigos que se fala, apontando-lhes as funções dos sacerdotes como ministros e os levitas como instrumentos da Lei. A mensagem de Deuteronômio pode resumir-se em três exortações: Recorda! Obedece! Cuidado! Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 21. 21 Esboço: I. Introdução (1:1-5) II. Primeiro discurso de Moisés (1:6-4:40) a. Panorama retrospectivo (1:6-3:29) b. Exortação à obediência (4:1-40) III. Designação de três cidades de refúgio (4:41-43) IV. Segundo discurso de Moisés (4:44-26:15) a. Introdução (4:44-49) b. Exortação à fidelidade e à obediência baseada na revelação feita em Horebe (5:1- 11:32) c. Preceitos religiosos, civis e domésticos (12:1-26:15) d. Exortação final (26:16-19) V. A Lei é gravada: bênçãos e maldições (27:1-28:68) a. A Lei é gravada (27:1-8) b. Exige-se inteira obediência (27:9-10) c. Maldições da Lei (27:11-26) d. Sanções da Lei (28:1-68) VI. Terceiro discurso de Moisés (29:1-30:20) a. Renovação da aliança (29:1-29) b. O arrependimento (30:1-14) c. A escolha entre a vida e à morte (30:15-20) VII. A leitura da Lei e o Cântico de Josué (31:1-30) a. A Lei é escrita e lida ao povo (31:1-13) b. A nomeação de Josué (31:14-15) c. O cântico de Josué (31:16-30) VIII. O cântico de Moisés (32:1-43) IX. A despedida de Moisés (32:44-33:29) a. Última exortação (32:44-47) b. A aproximação da morte (32:48-52) c. A bênção final (33:1-29) X. A morte de Moisés (34:1-8) XI. Conclusão (34:9-12) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 22. 22 O CALENDÁRIO JUDAICO Ano sagrado Meses Hebreus Ano civil Equivalência moderna 1Abibe (Nisã) 7 Março/Abril 1 – Lua nova 14 – Páscoa 15 – Sábado 16 – Pães asmos (semana) 21 – Santa convocação 2Iiar (Zive) 8 Abril/Maio 3Sivã 9Maio/Junho 1 – Lua nova 6-7 – Festa das semanas 4Tamuz 10 Junho/Julho 1 – Lua nova 5Abe 11 Julho/Agosto 1 – Lua nova 6Elul 12 Agosto/Setembro 1 – Lua nova 7Tisri (Etanim) 1Setembro/Outubro 1 – Lua nova Ano novo Festa das trombetas 10 – Dia da expiação 15-22 – Festa dos tabernáculos 8Hesvã 2Outubro/Novembro 1 – Lua nova 9Quisleu 3Novembro/Dezembro 1 – Lua nova 10 Tebete 4 Dezembro/Janeiro 11 Shebate 5 Janeiro/Fevereiro 12 Adar 6 Fevereiro/Março Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 23. 23 AS OFERTAS NO VELHO TESTAMENTO Quatro tipos de oferendas envolviam o derramamento de sangue de sangue: os holocaustos, as ofertas pacíficas, as ofertas pelo pecado e as ofertas pela culpe. Os animais reputados aceitáveis para sacrifício eram animais mansos e limpos, cuja carne era comestível, como ovelhas, cabras e vacas, machos ou fêmeas, velhos ou novos. Nos casos de extrema pobreza, permitia-se a substituição por pombos. Regras gerais para a execução dos sacrifícios: 1. Apresentação do animal diante do altar 2. Imposição da mão sobre a vítima pelo ofertante 3. Abater o animal 4. Aspersão do sangue sobre o altar 5. Sacrifício consumido pelo fogo Quando era oferecido algum sacrifício pela nação, oficiava um sacerdote. Quando um indivíduo oferecia sacrifício por si mesmo, trazia o animal, impunha sobre ele a mão e o abatia. Em seguida, o sacerdote aspergia o sangue e queimava o animal. Aquele que fazia uma oferta dessas não podia comer dela, a menos que se tratasse de uma oferta pacífica. Quando várias oferendas eram feitas ao mesmo tempo, a oferta pelo pecado antecedia o holocausto e as ofertas pacíficas. Holocaustos: A característica distintiva dos holocaustos era o fato de que o animal sacrificado era totalmente consumido pelo fogo sobre o altar (Lv 1:5-17 e 6:8-13). Não estava excluída a expiação, porquanto fazia parte de todo sacrifício com sangue. A completa consagração do ofertante a Deus era simbolizada pela consumição se todo o sacrifício. A Israel foi ordenado que se mantivesse um holocausto contínuo, dia e noite, por intermédio de uma chama sobre o altar de cobre. Um cordeiro era oferecido toda manhã e toda tarde, o que relembrava Israel se sua devoção a Deus (Ex 29:38-42 e Nm 28:3-8). Ofertas pacíficas: Eram totalmente voluntárias. A despeito da inclusão das idéias de representação e expiação, a característica primária dessa oferenda era a oferta de uma refeição (LV 3:1-17; 7:11-34; 19:5-8 e 22:21-25). Isso era símbolo de uma viva comunhão e companheirismo entre o homem e Deus. Familiares e amigos tinham permissão de unir-se ao ofertante, nessa refeição sacrificial (Dt 12:6, 7, 17, 18). Visto tratar-se de uma oferenda voluntária, qualquer animal, excetuando aves, era aceito, sem importar idade ou sexo. Após o abate da vítima e a aspersão do sangue para fazer a expiação pelo pecado, a gordura do animal era queimada sobre o altar. Por meio do rito de agitar as mãos do ofertante, que segurava a coxa e o peito do animal, o sacerdote oficiante dedicava essas porções a Deus. O restante da oferta provia um banquete para o ofertante e seus convidados. Esse alegre companheirismo indicava o laço de amizade entre Deus e o homem. Ofertas pelo pecado: Os pecados de ignorância, cometidos inadvertidamente, exigiam oferta pelo pecado (Lv 4:1-35 e 6:24-30). A violação de mandamentos negativos, puníveis por extirpação, podia ser retificada por um sacrifício prescrito. Embora Deus tenha um único padrão de moralidade, a oferenda variava de acordo com a responsabilidade do indivíduo. Nenhum líder religioso ou civil era proeminente que seu pecado fosse tolerado, e nem havia qualquer indivíduo tão insignificante que seu pecado fosse ignorado. Havia gradação nas ofertas requeridas: um novilho para o sumo sacerdote ou para a congregação; um bode para qualquer líder; uma cabra ou ovelha para qualquer cidadão particular. O ritual também Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 24. 24 variava. No caso de um sacerdote ou da congregação, o sangue era aspergido por sete vezes perante a entrada do santo dos santos. Para um governante ou leigo, o sangue era aplicado sobre os chifres do altar. Visto tratar-se de uma oferenda de expiação, a parte culpada não tinha permissão de comer qualquer porção do animal. Conseqüentemente, esse sacrifício ou era consumido sobre o altar ou queimado no campo, havendo uma única exceção – o sacerdote recebia uma porção determinada quando oficiava em favor de algum líder ou leigo. A oferta pelo pecado também era exigida para as transgressões específicas, como a recusa de dar testemunho, a contaminação cerimonial e os juramentos inúteis (Lv 5:1-13). Embora esses pecados pudessem ser considerados intencionais, não representavam desafios calculados contra Deus e puníveis de morte (Nm 15:27-31). Se o pecador não tivesse condições financeiras, poderia oferecer uma rola ou um pombinho. Em casos de pobreza extrema, até mesmo um punhado de farinha de trigo – o equivalente à ração alimentar de um dia – assegurava à parte culpada a sua aceitação diante de Deus. Oferta pela transgressão: Os direitos legais de uma pessoa e suas propriedades, em situações que envolvessem Deus ou seus semelhantes humanos, eram claramente firmados nas exigências acerca das ofertas pela culpa (Lv 5:14-6:7 e 7:1-7). O fato de não reconhecer a Deus, deixando de trazer as primícias, os dízimos ou outras ofertas requeridas, exigiam não só a restituição, mas igualmente sacrifício. Em adição ao pagamento de seis quintos do que era devido, o ofensor também deveria sacrificar um carneiro para que obtivesse perdão. Quando o erro fosse cometido contra o próximo, também era exigido aquele quinto acima do prejuízo para que houvesse retificação. Se não se pudesse fazer restituição à pessoa ofendida ou a um parente próximo, essas reparações eram pagas ao sacerdote (Nm 5:5-10). A infração contra os direitos de outra pessoa também representava uma ofensa contra Deus. Conseqüentemente, tornava-se necessário um sacrifício. Oferta de manjares: Essa é a única oferenda que não envolvia a vida de um animal, mas que consistia primariamente de produtos do solo, que representavam frutos do labor humano (Lv 2:1-16:14-23). Essa oferenda podia ser apresentada de três modos diferentes, sempre de mistura com azeite, incenso e sal, mas sem fermento ou mel. Se uma oferta consistisse de primícias, então as espigas, que deveriam ser novas, teriam de ser assadas ao fogo. Após a moagem do grãos, este podia ser apresentado ao sacerdote na forma de farinha de trigo, ou de pães asmos (sem fermento), ou de bolos ou de obréias preparadas ao forno. Parece que uma porção subordinada dessa oferta era uma quantia apropriada de vinho, para servir de libação (Ex 39:40; Lv 23:13; Nm 15:5, 10). Uma inferência justificada é que essa oferenda jamais era trazida sozinha. Ela era, primariamente, um acompanhamento dos holocaustos diários (Lv 6:14-23; Nm 4:16). Quando era oferecida pelo sacerdote, em prol da congregação, era consumida a oferenda inteira. No caso de oferendas individuais, o sacerdote oficiante apresentava somente um punhado ante o altar dos holocaustos, retendo o resto para o tabernáculo. Nem na oferenda propriamente dita e nem no ritual havia qualquer sugestão de que houvesse provisão para a expiação pelo pecado. Mediante essa oferenda os israelitas apresentavam o fruto do seu labor, assim indicando a dedicação de seus presentes a Deus. FESTAS E ESTAÇÕES DETERMINADAS Por meio de festas e estações determinadas os israelitas eram constantemente lembrados de que eram povo santo de Deus. No pacto que Israel ratificou no monte Sinai, a observância fiel de períodos fixos fazia parte do compromisso assumido (Ex 20-24). Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 25. 25 O sábado: A primeira, principal e mais freqüente observância era o sábado. Embora Gênesis mencione períodos de sete dias, o sábado é referido pela primeira vez no treco de Ex 16:23-30. no decálogo (como é chamado “Os dez mandamentos”) os israelitas são advertidos a “lembrar o dia de sábado”, o que indicava que esse não foi o início de sua observância. Través do descanso ou cessação do trabalho, os israelitas eram relembrados do fato que Deus descansou de sua obra criadora no sétimo dia. A observância do sábado, pois, era memorial de que Deus redimira a Israel da servidão egípcia, tendo santificado ao povo para ser seu povo santo (Ex 31:13 e Dt 5:12-15). Isso causa um belo contraste, já que na época da servidão no Egito não havia descanso. Na observância do sábado até os servos dos israelitas participavam. Havia punições severas para aqueles que deliberadamente não observavam o sábado (Ex 35:3 e Nm 15:32-36). Se o sacrifício diário em favor de Israel era um cordeiro, no sábado tinham de ser oferecidos dois cordeiros (Nm 28:9, 19). Era igualmente nesse dia que se punham os doze pães sobre a mesa, no lugar santo (Lv 24:5-8). Lua nova e Festa das Trombetas: Toques de trombeta proclamavam, oficialmente o começo de um novo mês (Nm 10:10). A lua nova também era observada mediante holocaustos e sacrifícios pelo pecado, com as devidas provisões de ofertas de manjares e de libação (Nm 28:11-15). O sétimo mês, no qual havia o Dia da Expiação e a Festa das Semanas, assinalava o clímax do ano religioso, ou fim do ano (Ex 34:22). No primeiro dia dessa semana, a lua nova era intitulada “Festa das Trombetas”, quando eram apresentadas oferendas adicionais (Lv 23:23-25 e Nm 29:1-6). E era esse, por igual modo, o começo do ano civil. Ano Sabático: Intimamente relacionado ao sábado, havia o ano sabático aplicável aos israelitas desde que entrassem na terra de Canaã (Ex 23:10-11 e Lv 25:1-7). Observando-o como um ano de descanso para o solo, os israelitas não semeavam seus campos e nem podavam suas videiras a cada sete anos. Tudo quanto colhessem naquele ano deveria ser igualmente compartilhado pelo proprietário, pelos servos, pelos estrangeiros e até pelos animais. Os credores eram instruídos a cancelarem as dívidas dos pobres, assumidas durante os seis anos anteriores (Dt 15:1-11). Havia instruções mosaicas que também faziam arranjos para a leitura da lei (Dt 31:10-31). Desse maneira, o ano sabático se tornava significativo para os velhos e jovens, para senhores, quanto para os escravos. Ano Jubileu: Após sete observâncias do ano sabático (49 anos), vinha o ano jubileu (50º ano). Este era inaugurado quando eram tocadas as trombetas, no décimo dia de Tisri, o sétimos mês. De conformidade com as instruções baixadas em Lv 25:8-55, isso assinalava o ano de liberdade, quando a herança da família era restituída àqueles que tivessem tido o infortúnio de perde-la, quando os escravos hebreus eram libertos e quanto a terra ficava sem cultivo. Os israelitas tinham o dever se reconhecer, na possessão da terra, que Deus era o doador. Portanto, a terra devia ser guardada na família, passando de pais a filhos como uma herança. No caso de necessidade, somente o direito à produção da terra podia ser vendido. E posto que a cada cinqüenta anos essa terra revertia ao proprietário original, o preço estava diretamente relacionado ao número de anos que restavam antes do ano jubileu. A qualquer tempo, durante esse período, a terra poderia ser remida pelo proprietário ou por um parente próximo. As casas erigidas em cidades muradas, excetuando as cidades dos levitas, não estavam incluídas nas provisões do ano jubileu. Os escravos eram libertos nesse ano, sem importar por quanto tempo vinham servindo. Seis anos era o período máximo de servidão para qualquer escravo hebreu que não gozasse da opção de liberdade (Ex 21:11). Por conseguinte, não podia ele ser reduzido Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 26. 26 a um estado perpétuo de escravidão, embora ele se visse forçado a vender-se a outro senhor, como servo contratado, quando se visse financeiramente pressionado. E nem os próprios escravos não-hebreus podiam ser reputados como propriedade absoluta. A morte, resultante de crueldade por parte de um proprietário, impunha a este uma punição (Ex 21:20, 21). No caso de mais tratos, um escravo podia reivindicar a sua liberdade (Ex 21:26, 27). Por meio da soltura periódica de escravos hebreus e da demonstração de amor e gentileza para com os estrangeiros na sua terra (Lv 19:33, 34), os israelitas eram relembrados de que antigamente haviam sido escravos no Egito. No ano jubileu era proibido cultivar a terra. Sendo assim, seguiam-se dois anos sem cultivar o solo: o 49º ano, que era sabático, e o 50º ano, que era o jubileu. Deus prometeu que no 48º ano teriam uma colheita tão abundante que daria para os dois anos seguintes. Um detalhe é que o ano jubileu nunca foi cumprido pelos judeus. Tanto que o período de cativeiro, que foi de 70 anos, foi calculado com base na quantidade de anos em que deixou de ser observado: 490 anos. Festas anuais As três festividades que tinham de ser observadas, eram: (1) a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; (2) a Festa das Semanas, das Primícias ou da Sega; e (3) a Festa dos Tabernáculos ou Colheita. Tão significativas eram essas festividades que todos os israelitas do sexo masculino tinham obrigação de se fazerem presentes (Ex 23:14-17). A Páscoa e a Festa dos Pães Asmos: Historicamente, a Páscoa foi observada pela primeira vez no Egito, quando as famílias de Israel foram isentadas da morte dos primogênitos, mediante o sacrifício do cordeiro pascal (Ex 12:1-13:10). O cordeiro era selecionado no décimo dia do mês de Abibe, e morto no décimo quarto dia. Durante os sete dias subseqüentes só se podia consumir pão sem fermento. Esse mês de Abibe, que mais tarde tornou-se conhecido como mês de Nisã, foi designado “o começo dos meses”, ou seja, o princípio do ano religioso (Ex 12:2). A segunda Páscoa foi observada no décimo quarto dia do mês de Abibe, um ano depois que Israel Saiu do Egito (Nm 9:1-5). Visto que nenhum homem incircunciso poderia participar da Páscoa (Ex 12:48), os israelitas não observaram essa festividade durante o restante de suas peregrinações pelo deserto (Js 5:6). Foi somente depois que o povo entrou em Canaã, quarenta anos após terem partido do Egito, que foi observada a terceira Páscoa. O propósito declarado da observância pascal era o de relembrar anualmente aos israelitas, qual fora a miraculosa intervenção divina em favor deles (Ex 13:3, 4; 34:18 e Dt 16:1). A celebração da Páscoa passou por reformulação quanto se iniciou a celebração no templo. Tão cheia de significado era a celebração da Páscoa que havia arranjos especiais para os que fossem incapazes de participar dela durante o tempo determinado, podendo observa-la um mês mais tarde (Nm 9:9-12). Qualquer pessoa que se recusasse a celebrar a Páscoa caía no ostracismo em Israel. Os próprios estrangeiros residentes em Israel eram bem acolhidos se quisessem participar dessa celebração anual (Nm 9:13, 14). Festa das Semanas: Esta festa tinha lugar cinqüenta dias após a celebração da Páscoa, após a colheita do trigo (Dt 16:8). Embora fosse ocasião importantíssima, essa festa era observada por um único dia. Neste mesmo dia de descanso, uma oferta de manjares especial, que consistia de duas obréias sem fermento, era apresentada ao Senhor, para uso do tabernáculo, dando a entender que até o pão diário era provido por Deus (Lv 23:15-20). Os sacrifícios prescritos eram apresentados junto com essa oferenda. Nessa oportunidade de júbilo, os israelitas não deveriam esquecer-se dos menos afortunados, deixando respigas no campo, para os pobres e necessitados (Lv 23:32). Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 27. 27 Festa dos Tabernáculos: A festividade final do ano era a festa dos Tabernáculos – um período de sete dias, durante os quais os israelitas habitavam em tendas (Ex 23:16; 34:22 e Lv 23:40, 41). Essa festa não somente não assinalava o fim da estação da colheita, mas, uma vez que os israelitas se estabeleceram na terra de Canaã, ela fazia-os lembrarem-se, anualmente, de suas peregrinações pelo deserto, quando então tinham vivido em tendas. Eram oferecidos muitos sacrifícios adicionais. Cada sétimo ano era peculiarmente significativo nesta festa. Esse era o ano em que se lia publicamente a Lei. Embora dos peregrinos se requeresse que se fizessem presentes na Páscoa ou na Festa das Semanas apenas por um dia, normalmente eles passavam a semana inteira na Festa dos Tabernáculos. Isso prova ampla oportunidade para a leitura da Lei, de acordo com a determinação de Moisés (Dt 31:9-13). Dia da Expiação: A mais solene ocasião do ano inteiro era o Dia da Expiação (Lv 16:1-34; 23:26-32 e Nm 29:7-11). Esse dia era observado no décimo dia do mês de Tisri, havendo santa convocação e jejum. Nenhum trabalho era permitido nesse dia. Esse era o único jejum exigido pela lei de Moisés. O principal propósito dessa observância era fazer expiação. Somente o sumo sacerdote podia oficiar naquele dia. Aos demais sacerdotes não era nem permitido entrarem no santuário, porquanto ficavam identificados com a congregação. Nessa ocasião, o sumo sacerdote deixava de lado suas vestimentas especiais e se vestia de linho branco. As oferendas prescritas para aquele dia eram as seguintes: dois carneiros como holocaustos, que o sumo sacerdote oferecia por si mesmo e pela congregação, um novilho como oferta por seu próprio pecado, e dois bodes como oferta pelo pecado do povo. Enquanto os dois bodes permaneciam de pé, diante do altar, o sumo sacerdote oferecia sua oferta pelo pecado, fazendo expiação por si mesmo. Sacrificando um dos bodes no altar, ele fazia expiação pela congregação. Em ambos os casos ele aplicava o sangue ao propiciatório. De forma similar ele santificava o santuário interno, o lugar santo e o altar dos holocaustos. Dessa maneira, as três divisões do tabernáculo eram devidamente purificadas no Dia da Expiação pela nação. Impondo a mão sobre o bode vivo, o sumo sacerdote confessava os pecados da nação. Então o bode era levado ao deserto, para que os pecados da congregação fossem embora. A pessoa que conduzia essa bode ao deserto só tinha permissão de retornar ao acampamento depois de ter-se banhado e lavado as suas roupas. Tendo confessado os pecados do povo, o sumo sacerdote retornava ao tabernáculo, a fim de purificar-se e vestir-se com suas vestimentas oficiais. Uma vez mais ele retornava ao altar do átrio exterior. Ali ele concluía o ritual do Dia da Expiação com dois holocaustos, um por si mesmo e outro pela congregação de Israel. Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 28. 28 OS LIVROS HISTÓRICOS O livro de Josué Abreviatura: Js Autor: Josué Data: 1400/1370 AC. Versículo-chave: 1:8 Frase-chave: Vitória Conteúdo: Josué, filho de Num, era descendente da família de José. Foi chamado por seus familiares de Oséias, “salvação” (Dt 32:44 e Nm 13:8); esse nome ocorre na sua tribo, Efraim (1 Cr 27:20, cf. 2 Rs 17:1), talvez por isso Moisés ter acrescentado o nome Josué, que em hebraico é “yehôshua”, que significa “o Senhor é salvação”. O nome de Jesus vem da mesma raiz e tem o mesmo significado. Vários fatores contribuíram para que Josué viesse a chefiar o povo escolhido do Senhor. Seu avô Elisama, fora orientador da tribo de Efraim através do deserto. O contato que teve com a civilização e a cultura egípcias (já que no Egito nascera e tomara parte no êxodo (Nm 32:11ss)), preparou-o, como, aliás, a Moisés, para a grande missão de dar a estrutura e a independência a um novo país. No livro de Êxodo, Josué aparece como jovem (Ex 33:11). Moisés o escolheu como seu assistente pessoal, e lhe deu o comando de um destacamento tirado das tribos ainda não-organizadas para repelir os assaltantes amalequitas (ex 17). Como representante de Efraim, no grupo de reconhecimento enviado de Cades (Nm 13 e 14), ele apoiou as recomendações de Calebe para que se desse prosseguimento à invasão. Estando Moisés sozinho perante Deus, no monte Sinai, Josué ficou a vigiar; na Tenda da Aliança ele também aprendeu a esperar no Senhor; e nos anos que se seguiram, algo da paciência e da mansidão de Moisés certamente foi também adicionado ao valor pessoal de Josué (Ex 24:13; 32:17; 33:11; Nm 21:28). Nas planícies próximas ao Jordão Josué foi formalmente consagrado como sucessor de Moisés no tocante à liderança militar, coordenada com o sacerdócio de Eleazar (Nm 27:18ss; 34:17 cf. 3 e 31). Provavelmente ele tinha então setenta anos de idade. Josué faleceu com a idade de 110 anos, e foi sepultado perto de Timnate-sera. O livro descreve a conquista e a divisão da terra de Canaã, tendo como pano-de- fundo as características corruptas e brutais da religião cananita. Prostituição de ambos os sexos, sacrifícios de crianças e sincretismo religioso eram alguns dos males pelos quais Deus ordenou a destruição completa dos habitantes de Canaã. Esboço: I. A missão de Josué (1:1-9) II. A entrada em Canaã (1:10-5:12) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 29. 29 a. A mobilização (1:10-18) b. A missão dos espias (2:1-24) c. A preparação para a guerra santa (3:1-13) d. A travessia do Jordão (3:14-4:18) e. O acampamento em Gilgal (4:19-5:12) III. A conquista de Canaã (5:13-12:24) a. O comandante divino (5:13-15) b. Primeira etapa: Jericó e Ai (6:1-8:35) c. Segunda etapa: a campanha do sul (9:1-10:43) d. Terceira etapa: a campanha do norte (11:1-23) e. Lista dos reis cananeus derrotados (12:1-24) IV. A divisão do território (13:1-22:34) a. Ordem para dividir o território (13:1-7) b. Território das duas tribos e meia (13:8-33) c. Território de Calebe e Judá (14:1-15:63) d. Território de Efraim e Manasses (16:1-17:18) e. Território das sete tribos (18:1-19:51) f. Cidades de refúgio (20:1-9) g. Cidades dos Levitas (21:1-45) h. Regresso das tribos orientais e construção dum altar (22:1-34) V. Últimos dias de Josué (23:1-24:33) a. Primeira exortação de Josué (23:1-16) b. Segunda exortação de Josué (24:1-28) c. Morte e sepultura de Josué (24:29-33) O livro de Juízes Abreviatura: Jz Autor: Anônimo, provavelmente Samuel Data: 1050/1000 AC. Versículo-chave: 21:25 Frase-chave: Ciclos de falhas (pecado – castigo – arrependimento – libertador) Conteúdo: A época descrita no livro de Juízes descreve a história de Israel desde o falecimento de Josué até o levantamento de Samuel. Esses juízes, entretanto, eram mais do que simples árbitros judiciais; eram “libertadores” (3:9), carismaticamente dotados pelo Espírito Santo de Deus, para livramento e preservação de Israel (6:34) até o estabelecimento do reino. O fundo histórico pertencente ao período dos juízes diz respeito, localmente, à presença dos cananeus. Antes da conquista dos hebreus, Moisés havia ordenado seu extermínio (Dt 7:2; cf. 6:17) tanto pro causa de sua secular imoralidade (Dt 9:5; cf. Gn 9:22,25; 15:16) como por causa de sua aviltante influência religiosa sobre o povo de Deus (Dt 7:4); pois, em incontáveis “lugares altos”11 os cananeus adoravam os deuses locais da fertilidade, os baalim, com ritos que incluíam a prostituição sagrada, e até sacrifícios de crianças (11:31). Josué, dessa maneira, havia subjugado a terra de Canaã inteira (Js 11:16; Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 30. 30 cf. 21:43). Porém, seus habitantes nativos ainda não haviam perdido seu potencial para a resistência. Vez por outra, os habitantes de Canaã lançavam duras ofensivas contra Israel. Existem três lições centrais no livro de Juízes: a) A indignação de Deus contra o pecado (2:11,14); b) A misericórdia de Deus em vista do arrependimento (2:16) e c) A total depravação do homem (2:19). Esboço: I. Conquista parcial de Canaã (1:1-2:5) II. Alguns gentios ficam no país (2:6-3:6) III. Cusã – Risataim e Otniel (3:7-11) IV. Eglom, rei de Moabe, e Eúde (3:12-30) V. Feitos de Sangar, Filho de Anate (3:31) VI. Jabim, rei de Canaã, e Débora e Baraque (4:1-24, 5:31b) VII. O cântico de Débora e Baraque (5:1-31a) VIII. Midiã e Gideão (6:1-8:32) IX. O episódio de Abimeleque (8:33-9:57) X. Tola e Jair, juízes menores (10:1-5) XI. Amom e Jefté (10:6-12:7) XII. Ibsã, Elom e Abdom, juízes menores (12:8-15) XIII. Os filisteus e os feitos de Sansão (13:1-16:31) XIV.Mica e a emigração dos daneus (17:1-18:31) XV. A guerra contra Benjamim (19:1-21:25) O livro de Rute Abreviatura: Rt Autor: Anônimo, alguns sugerem Samuel Data: 1000 AC. Versículo-chave: 1:16 Frase-chave: Amor fiel Conteúdo: Os acontecimentos narrados no livro deram-se durante o reinado dos Juízes (1:1), provavelmente durante a mocidade de Samuel, último juiz. Fala-nos da história da família de Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 31. 31 Elimeleque, de Belém, que emigrou para Moabe, acossado pela fome, e lá morreu com seus dois filhos. Entretanto, a viúva Noemi volta à terra de seus antepassados, levando consigo sua nora Rute, também viúva, que insistiu em acompanha-la. Aí encontraram um parente próximo, Boaz, que voluntariamente assumiu a responsabilidade de “goel”12 , o qual desposou Rute, que foi mãe de Obede, avô de Davi. O livro oferece um vislumbre das vidas de pessoas comuns, ainda tementes a Deus, durante o período turbulento dos juízes. O livro é um oásis de fidelidade numa época marcada pela idolatria e infidelidade. Esboço: I. Fome e a imigração de Elimeleque (1:1-5) II. Noemi e Rute decidem ir para Judá (1:6-18) III. Um triste regresso (1:19-22) IV. Um bom amigo (2:1-23) V. Nobre resolução (3:1-18) VI. Casamento de Boaz e Rute (4:1-16) VII. A promessa (4:17-22) Os livros de 1 e 2 Samuel Abreviatura: 1 Sm; 2 Sm Autor: Samuel, entre outros (Nata e Gade, cf. 1 Cr 29:29) Data: 930 AC. em diante Versículo-chave: 01:1; 13:14; 16:13 Frase-chave: Reino estabelecido Conteúdo: Samuel foi o último e maior dos juízes e o primeiro dos profetas. Foi sucessor de Eli no sacerdócio. Era filho de Elcana, um piedoso efraimita e de sua esposa Ana, que por longo tempo fora estéril, e fizera um voto que se Deus lhe desse um filho ele seria dedicado ao serviço do santuário. Quando Samuel foi desmamado, provavelmente com dois ou três anos de idade, sua mãe o levou e o dedicou formalmente, deixando-o com Eli. Samuel foi crescendo em estatura na presença do povo, e toda a terra compreendeu que Samuel fora encarregado com um ofício profético da parte do Senhor (3:20). O tema de 1 e 2 Samuel é o estabelecimento do reino nas pessoas de Saul e Davi. Esboço: I Samuel I. História de Israel desde o nascimento de Samuel até a libertação dos filisteus (1:1-7:17) a. Nascimento e primeiros anos de Samuel (1:1-3:21) b. A guerra contra os filisteus (4:1-7:17) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 32. 32 II. O rei Saul (8:1-15:35) a. A eleição de Saul (8:1-12:25) b. Guerras com os filisteus (13:1-14:52) c. A destruição dos amalequitas (15:1-35) III. Saul e Davi (16:1-31:13) a. Unção de Davi, Vitória sobre o gigante Golias (16:1-17:58) b. Davi e Jônatas (18:1-20:42) c. O exílio de Davi (21:1-24:22) d. Morte e Samuel (25:1) e. Davi e Abigail (25:2-44) f. Declínio de Saul (26:1-30:31) g. Derrota e morte de Saul e Jônatas (31:1-13) II Samuel IV. Davi no trono (1:1-20:26) a. Davi chora a morte de Saul e Jônatas (1:1-27) b. Proclamação de Davi em Hebrom e início do seu reinado em Jerusalém (2:1-5:25) c. A arca é levada para Sião. Vitórias de Davi (6:1-11:1) d. O pecado de Davi e a censura de Nata (11:2-12:25) e. A revolta de Absalão (12:26-18:33) f. Regresso de Davi e revolta de Ziba (19:1-20:26) V. Últimos anos do reinado de Davi (21:1-24:25) a. A fome e a vitória sobre os filisteus (21:1-22) b. Cântico de ação de graças do rei Davi (22:1-51) c. Últimas palavras de Davi (23:1-7) d. Lista dos “valentes” de Davi (23:8-39) e. O recenseamento e o castigo de Deus (24:1-25) O livro de 1 e 2 Reis Abreviatura: 1 Rs e 2 Rs Autor: Desconhecido, um profeta contemporâneo de Jeremias (alguns sugerem o próprio Jeremias) Data: 550 AC. Versículo-chave: 11:1; 12:16 Conteúdo: Certa tradição judaica não muito recuada atribui estes livros ao profeta Jeremias (Josephus, em termos mais gerais, atribui os livros históricos aos profetas); contudo, ainda que possivelmente associado à sua parte final e revisão, não é natural que Jeremias seja o seu único autor. O livro dos Reis baseia-se, em parte, segundo o seu próprio testemunho, em certas autoridades escritas: “os livros dos sucessos de Salomão” (1 Rs 11:41); “o livro das crônicas dos reis de Israel” (1 Rs 14; 19); “o livro das crônicas dos reis de Judá” (1 Rs 14:29). É certo que seu autor seria um profeta contemporâneo de Jeremias. Assim como os livros de Samuel, os livros de Reis formavam um único volume. A divisão em dois livros foi introduzida pela Septuaginta, por questões de praticidade. A tradução grega, na qual as vogais são escritas, requer duas vezes mais espaço que o original hebraico, no qual nenhuma vogal era empregada senão depois de 600 D.C. Um rolo grande podia conter o Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 33. 33 livro inteiro em hebraico, mas dois rolos eram necessários para a tradução grega. Apesar de histórico o livro tem uma forte tonalidade religiosa. Os capítulos 1 ao 12 de 1 Reis relatam o final do governo de Davi, a entronização, o governo e a queda de Salomão. Com a morte deste, seu reino foi divido em dois: o reino do Norte (chamado de Israel), cuja capital ficou sendo Samaria, e o reino do Sul (chamado de Judá), com a capital em Jerusalém (caps. 13 – 22). 2 Reis descreve o declínio e o cativeiro tanto de Israel quanto de Judá. Israel suportou uma sucessão de reis maus durante 130 anos até o cativeiro assírio. A história de Judá, culminando com o cativeiro babilônico é contada com poucos detalhes. Profetas dessa época: Em Israel: Elias, Eliseu, Amós e Oséias; em Judá: Obadias, Joel, Isaías, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias e Jeremias. Cronologia dos Reis de Israel e Judá após a divisão: Israel Judá Israel Judá Jeroboão I 930-910 Roboão 930-914 Jeroboão II 793-753 Azarias 791-740 Nadabe 910-909 Abias 913-911 Zacarias 753-752 (Uzias) Baasa 909-886 Asa 910-870 Salum 752 Elá 886-885 Menaém 751-742 Jotão 751-736 Zinri 885 Pecaías 741-740 Onri 885-874 Peca 751-732 Acaz 736-716 Acabe 874-853 Josafá 873-849 Oséias 731-723 Ezequias 729-687 Acazias 853-852 Manasses 696-642 Jorão 852-841 Jeorão 849-842 Amom 641-640 Acazias 841 Josias 639-609 Jeú 841-814 Atalia 841-836 Jeoacaz 609 Joás 836-797 Jeoaquim 608-598 Jeoacaz 814-798 Joaquim 608-598 Jeoás 798-782 Amazias 797-768 Zedequias 597-586 Esboço: O REINO ANTES DA DIVISÃO (1 Reis 1:1-11:43) I. Salomão sobe ao trono (1:1-2:46) II. O princípio do reinado de Salomão (3:1-28) III. Excertos dos anais reais (4:1-34) IV. Salomão como edificador (5:1-7:51) V. A dedicação do templo (8:1-9:9) VI. Assuntos diversos (9:10-10:29) VII. As tribulações de Salomão (11:1-43) O REINO APÓS A DIVISÃO (1 Reis 12:1 – 2 Reis 17:41) VIII. O cisma (12:1-24) IX. Jeroboão de Israel (12:25-14:20) X. Roboão, Abias e Asa de Judá (14:21-15:24) XI. De Nadabe a Onri de Israel (15:25-16:28) XII. Acabe e Elias (16:29-22:40) XIII. Josafá de Judá (22:41-50) XIV. Acazias de Israel (22:51 – 2 Reis 1:18) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 34. 34 XV. Elias é sucedido por Eliseu (2:1-25) XVI. Jorão de Israel (3:1-27) XVII. Eliseu, o profeta (4:1-8:15) XVIII. Jorão e Acazias de Judá (8:16-29) XIX. Jeú de Israel (9:1-10:36) XX. Atalia de Judá (11:1-20) XXI. Joás de Judá (11:21-12:21) XXII. Jeoacaz e Jeoás de Israel (13:1-25) XXIII. Amasias de Judá (14:1-22) XXIV. Jeroboão II de Israel (14:23-29) XXV. Azarias (Uzias) de Judá (15:1-7) XXVI. Caos em Israel (15:8-31) XXVII. Jotão e Acaz de Judá (15:32-16:20) XXVIII. O fim do Israel (17:1-41) O REINO DE JUDÁ (2 Reis 18:1-25:30) XXIX. Ezequias (18:1-20:21) XXX. Manasses (21:1-18) XXXI. Amom (21:19-26) XXXII. Josias (22:1-23:30a) XXXIII. Os últimos dias de Jerusalém (23:30b-25:7) XXXIV. Destruição e exílio (25:8-30) O livro de 1 e 2 Crônicas Abreviatura: 1 Cr e 2 Cr Autor: Esdras Data: 450/425 AC. Versículo-chave: 7:14 Frase-chave: Judá e o templo Conteúdo: Uma crônica difere de uma história por ser um registro de acontecimentos transitórios feitos sem qualquer critério seletivo quanto ao que se inclui ou ao que se omite. O “cronista” escreve obviamente histórias, pois há um princípio muito claro que ressalta tanto do que acrescenta a Samuel e a Reis como do que exclui. Os seus acrescentamentos referem-se principalmente ao templo e aos seus atos de culto e aos acontecimentos que exaltavam o aspecto religioso de estado sobre o civil; é óbvio que se preocupava, sobretudo, com Israel como comunidade religiosa. As suas omissões mostram que o seu interesse se concentrava no desenvolvimento de duas instituições divinas: o templo e a linhagem davídica de monarcas. Por isso, só menciona a morte de Saul, omitindo-se o seu reinado, o Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 35. 35 pecado de Davi, a rebelião de Absalão, a tentativa de usurpação feita por Adonias. A história do reino do norte (Israel), que se revoltou contra ambas instituições de Deus, é mencionada só até ao ponto em que se relaciona com os destino de Judá. É por isso que se diz que o livro de Crônicas representa o ponto de vista sacerdotal, preocupando-se com a realização do que Deus determinara e não, ao contrário de Samuel e Reis, com o ponto de vista profético, de como Deus tratou o Seu povo e Se revelou. Esdras, que conduziu um grupo de exilados de volta à Palestina em 458 A.C., tinha a preocupação de estabelecer um alicerce espiritual sólido para o povo. Para alcançar este objetivo, evidentemente compilou o livro de Crônicas para enfatizar a importância da pureza religiosa e racial, o lugar apropriado da Lei, do templo e do sacerdócio. Assim, ele omite as atividades detalhadas dos reis e profetas, enfatizando a rica herança do povo e a benção de seu relacionamento pactual com Deus. Esboço: I. Genealogias (1 Cr 1:1-9:44) a. Genealogias desde o Gênesis (1:1-2:2) b. Genealogias de Judá (2:3-4:23) c. Genealogias de Simeão, Rúben, Gade e Manasses (4:24-5:26) d. Genealogias de Levi (6:1-81) e. Genealogias de Issacar, Zebulom, Dã, Naftali, Manasses, Efraim e Aser (7:1-40) f. Genealogias de Benjamim (8:1-40 e 9:35-44) g. Chefes de família posteriores ao exílio e residente em Jerusalém (9:1-34) II. O reinado de Davi (1 Cr 10:1-29:30) a. Morte de Saul (10:1-14) b. Davi é aclamado rei (11:1-12:40) c. Davi e arca (13:1-17:27) d. As guerras de Davi (18:1-20:8) e. Os preparativos para a construção do templo (21:1-22:19) f. Organização e deveres dos levitas (23:1-26:32) g. Os dirigentes civis da nação (27:1-34) h. Salomão sobe ao trono (28:1-29:30) III. O reinado de Salomão (2 Cr 1:1-9:31) a. Salomão confirmado no reino por Deus (1:1-17) b. A construção do templo (2:1-5:1) c. A dedicação do templo (5:2-7:22) d. A glória de Salomão (8:1-9:31) IV. Os reis de Judá (2 Cr 10:1-36:23) a. Roboão (10:1-12:16) b. Abias (13:1-22) c. Asa (14:1-16:14) d. Josafá (17:1-20:37) e. Jeorão e Acazias (21:1-22:9) f. Joás (22:10-24:27) g. Amazias (25:1-26:2) h. Uzias (26:3-23) i. Jotão (27:1-9) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 36. 36 j. Acaz (28:1-27) l. Ezequias (29:1-32:33) m. Manassés (33:1-20) n. Amom (33:21-25) o. Josias (34:1-35:27) p. Queda e restauração (36:1-23) O livro de Esdras Abreviatura: Ed Autor: Esdras Data: 456/444 AC. Versículo-chave: 1:3 Frase-chave: Construindo o templo Conteúdo: De acordo com Ed 7, ele foi enviado a Jerusalém pelo rei Artaxerxes I, em 458 A. C. Parece provável que ele mantinha uma posição na Pérsia equivalente ao Secretário de Estado para negócios judaicos. Sua tarefa era pôr em vigor a observância uniforme da lei judaica, e para essa finalidade tinha autoridade de fazer nomeações dentro do estado judaico. Um grande grupo de exilados veio com ele, e trouxe presentes valiosos para o templo, da parte do rei e dos exilados judeus. Foi-lhe solicitado que cuidasse do problema dos casamentos mistos e, depois de jejum e oração, ele e uma comissão selecionada, puseram na lista negra os indivíduos culpados, induzindo alguns, pelo menos, a rejeitarem suas esposas pagãs (10:19). Depois disso não ouvimos falar mais em Esdras senão quando leu publicamente a lei, em Ne 8. Isso aconteceu em 444 A.C. Visto que havia sido enviado pelo rei numa missão temporária, presumivelmente regressou com seu relatório, porém, foi novamente enviado com comissão similar quando os muros da cidade ficaram terminados. Neemias, em parte de suas memórias (Ne 12:36ss) registra que ele mesmo liderou um grupo ao redor dos muros, por ocasião de sua dedicação, enquanto Esdras liderou outro grupo. O livro registra o cumprimento da promessa divina de restaurar Israel à sua terra depois de 70 anos de cativeiro na Babilônia (Jr 25:11). Isto foi conseguido através da ajuda de três monarcas persas (Ciro, Dario e Artaxerxes), bem como de líderes judeus como Zorobabel, Josué, Ageu, Zacarias e Esdras. Ciro conquistou Babilônia em 539 A.C. e, de acordo com sua política de estimular os povos subjugados a retornarem às suas terras de origem, promulgou em 538 A.C. um decreto autorizando os judeus a fazerem o mesmo. Esboço: I. O regresso dos exilados a Jerusalém (1:1-2:70) II. Enceta-se o trabalho da restauração (3:1-13) III. O trabalho paralisado (4:1-24) IV. Recomeça-se o trabalho e conclui-se a construção do templo (5:1-6:22) V. Esdras vem a Jerusalém (7:1-8:36) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 37. 37 VI. O problema dos casamentos mistos (9:1-10:44) O livro de Neemias Abreviatura: Ne Autor: Esdras Data: 445/425 AC. Versículo-chave: 8:9,10 Frase-chave: Construindo o muro Conteúdo: Neemias era um oficial importante, copeiro do rei Artaxerxes I da Pérsia. Ele ficara chocado ao ter notícias, muitos anos depois do primeiro retorno de exilados, que as muralhas de Jerusalém ainda permaneciam tombadas e a situação não havia melhorado quase nada. Depois de orar e se preparar cuidadosamente, obteve do imperador permissão para voltar. Neemias demonstrou qualidades ímpares de liderança e organização. Em 52 dias de trabalho, a reconstrução foi terminada. Como governador de Judá, Neemias demonstrou humildade, integridade, patriotismo, energia, piedade e altruísmo. Esboço: I. Neemias informado das dificuldades em Jerusalém (1:1-11) II. Neemias vai a Jerusalém (2:1-20) III. Lista dos edificadores (3:1-32) IV. Concluído o trabalho apesar da oposição (4:1-7:4) V. Registro dos que regressaram com Zorobabel (7:5-73) VI. A Lei lida e explicada (8:1-18) VII. Arrependimento nacional e concerto de obediência (9:1-10:39) VIII. Listas de habitantes (11:1-12:26) IX. Dedicação das muralhas e organização dos serviços no templo (12:27-47) X. Reformas de Neemias (13:1-31) O livro de Ester Abreviatura: Et Autor: Incerto, provavelmente um judeu (alguns sugerem Esdras ou Mardoqueu) Data: 456 AC. Versículo-chave: 4:14 Frase-chave: Providência de Deus Conteúdo: Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 38. 38 A ação do livro de Ester decorre no palácio de Susã (ou Susa), em Elão, uma das três capitais do império persa. Como os livro de Daniel, Esdras e Neemias, dá-nos uma breve visão dos judeus na Babilônia conforme vistos por alguém que gozava de autoridade na corte real e que estava familiarizado com as suas convenções e hábitos; mas, enquanto que Esdras e Neemias se preocupam veementemente com as aspirações espirituais e políticas dos judeus que regressaram do cativeiro, o livro de Ester aborda esses assuntos com reserva estudada e significativa. Em todo o livro palpita um patriotismo fervido e, no entanto, não há uma única referência ao Deus de Israel. Descreve ele situações de perigo, aflição e desespero, mas em todo este quadro bem vívido, não ocorrem quaisquer orações ou súplicas ardentes da parte do povo naquela fase de terrível provação. Os judeus choravam e lamentavam-se e Mardoqueu “clamou com grande e amargo clamor”, mas o autor evita cuidadosamente dizer que era a Deus que clamavam. Jejuavam, mas não se atribui qualquer significado espiritual a esta prática essencialmente religiosa. É agora evidente que este cuidado em evitar qualquer referência explícita à religião é deliberada. A melhor explicação é que talvez o livro tivesse sido escrito numa época em que era extremamente perigoso confessar publicamente a adoração de Jeová (ver Dn 6:7-17). O rei citado como Assuero é tido como o mesmo que Xerxes. Esboço: I. Divórcio de Vasti (1:1-22) II. Ester escolhida para a rainha (2:1-23) III. A intriga de Hamã para destruir os judeus (3:1-4:3) IV. Mardoqueu persuade Ester a intervir (4:4-17) V. A petição de Ester coroada de êxito (5:1-8:2) VI. O livramento dos judeus (8:3-9:16) VII. A festa do Purim (9:17-32) VIII. Conclusão (10:1-3) Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 39. 39 OS LIVROS POÉTICOS A poesia hebraica Diferentemente da poesia brasileira, a poesia hebraica não faz rimar as palavras finais das sentenças. O padrão da poesia hebraica não depende do ritmo ou compasso em uma linha, e sim daquilo que se chama “ritmo” mental. Esta forma de se fazer poesia é denominada de paralelismo. A combinação conjunta de idéias forma o padrão. Essa poesia não joga com palavras, mas com pensamentos. Existem cinco tipos de paralelismos para lembrar: 1. Paralelismo sinônimo: a segunda linha repete a idéia da primeira. Ex: Salmo 19:1: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento as obras de suas mãos”. 2. Paralelismo antitético: a segunda linha contrasta a idéia da primeira linha. Ex: Salmo 1:6: “Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá”. 3. Paralelismo sintético: a segunda linha desenvolve a idéia da primeira linha. Ex: Salmo 1:1:” Bem aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. 4. Paralelismo simbólico: a segunda linha ilustra a idéia da primeira linha. Ex: Salmo 42:1: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma”. 5. Paralelismo gradativo: a segunda linha amplia a primeira linha. Ex: Salmo 29:1: “Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e força”. O livro de Jó Abreviatura: Jó Autor: Incerto (alguns sugerem Jó, Eliú, Moisés e Salomão) Data: Incerta Versículo-chave: 19:25, 26; 42:5, 6 Frase-chave: Porque o justo sofre? Conteúdo: O autor é desconhecido, bem como a sua data. Não existe nele nenhuma referência a acontecimentos históricos capazes de ajudar a definição de uma data para a sua escrita, mesmo que aproximada. A história passa-se na “terra de Uz”, que é provável que deva identificar-se com Edom (Sl 137:7; Ml 1:2ss). Nenhuma das personagens é israelita. Quatro amigos de Jó – Elifaz, Bildade, Zofar e Eliú – representam tudo que a Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 40. 40 teologia da época tinha a dizer acerca do significado das calamidades que haviam arrasado a felicidade e a estabilidade de Jó. Com a possível exceção de Eliú, a sua contribuição é gravemente limitada por uma inexorável interpretação do sofrimento: o sofrimento como conseqüência do pecado pessoal. Se eles se tivessem limitado a estabelecer a solidariedade humana no pecado, Jó ter-lhe-ia dado a sua imediata aprovação, visto que ele jamais considera um homem perfeito; mas ao ouvi-los insinuar e depois direta e claramente afirmar que o seu sofrimento era inevitável fruto da semente do pecado que ele cometera e de que só Deus era testemunha, Jó nega veementemente e coerentemente a exatidão do seu juízo. O livro denuncia, de maneira notável, a insuficiência dos horizontes humanos para uma compreensão adequada do problema do sofrimento. Todas as figuras do drama falam com o desconhecimento absoluto das alegações de Satanás conta a piedade de Jó, descritas no prólogo, e da conseqüente permissão divina – a permissão concedida a Satanás de provar, se puder, a exatidão das suas acusações. Com o prólogo como pano de fundo, os sofrimentos de Jó aparecem, portanto, não como irrefutável prova de castigo divino, como pretendiam os amigos, mas como prova de confiança divina em seu caráter. Esboço: I. Prólogo (1:1-2:13) II. Primeiro ciclo de discursos (3:1-14:22) III. Segundo ciclo de discursos (15:1-21:34) IV. Terceiro Ciclo de discursos (22:1-31:40) V. A intervenção de Eliú (32:1-37:24) VI. O Senhor responde a Jó (38:1-41:34) VII. A resposta de Jó à palavra divina (42:1-6) VIII. Epílogo (42:7-17) O livro dos Salmos Abreviatura: Sl Autor: Vários autores Data: Várias datas Versículo-chave: 19:14 Frase-chave: Hinário de Israel Conteúdo: Nada menos que setenta e três salmos são atribuídos a Davi. Outros autores nomeados são: Asafe (50; 75-83), os filhos de Core (42-49; 84; 85 e 87), Salomão (72 1 127), Hemã (88) e Etã (89) e Moisés (90). Há ainda outros de autores anônimos. O livro dos Salmos divide-se em cinco partes (cinco rolos): Livro I (Sl 1 ao 41); Livro II (Sl 42 ao 72); Livro III (Sl 73 ao 89); Livro IV (Sl 90 ao 106) e Livro V (Sl 107 ao 150). Os salmos também seguem esta classificação: Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento
  • 41. 41 1. Salmos que são orações, em que os salmistas solicitam bênção e a proteção de Deus (86 e 102); 2. Salmos de louvor, em que a ação de graças pode ser por causa de atos específicos de misericórdia divina, ou o louvor pode basear-se na majestade de Deus no mundo da natureza, ou louvor em adoração (47, 145 – 150); 3. Salmos que apelam pela intervenção divina e por livramento em tempos de enfermidade, calamidades ou perigo (38 e 88); 4. Salmos de penitência por causa do pecado, havendo sete salmos dessa categoria (6, 32, 38, 51, 102, 130 e 143), porém, em apenas um deles (51) é que a confissão é proeminente; de fato, em dois deles (6 e 102) não há qualquer referência ao pecado, pois a principal preocupação gira em torno do perdão e não da confissão; 5. Salmos que são confissões de fé de que Deus é o Senhor, o Criador e o Rei das nações, Juiz e Governador moral do universo (33, 94, 96, 136 e 145); 6. Salmos de intercessão, nos quais os salmistas intercedem a favor do rei, de seu povo, de outras nações, da casa de Davi e de Jerusalém (31, 67, 89 e 122); 7. Salmos imprecatórios são pedidos de justiça e vingança a Deus sobre a vida dos ímpios (35, 59, 69, 109). A idéia que forma o fundo dessas passagens do saltério, onde maldições e punições vingativas são invocadas contra adversários é expressa em Sl 139:21: “Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem?... para mim são inimigos de fato”. Em outras palavras, os salmistas não são motivados por desejos de vingança pessoal, mas antes pelo zelo pelo Santo de Israel, que necessariamente exerce retribuição na presente ordem moral do mundo. Por trás das imprecações há o reconhecimento de um governo moral exercido por Deus no mundo, uma crença que o correto e o errado têm significado para Deus, e que, por conseguinte, o julgamento deve operar no mundo moral paralelamente com a graça. O julgamento aqui em vista não é o escatológico, isto é, o “fim do mundo”, mas o julgamento imediato. 8. Salmos de sabedoria, na forma de homilias espirituais ou religiosas, que oferecem instrução sobre a paciência quando o ímpio prospera sobre a verdadeira glória de Jerusalém, sobre como o rei deve realmente governar, sobre a falsa prosperidade, sobre o serviço autêntico prestado à Deus, sobre o cuidado providencial de Deus acerca da nação, sobre o poder de Deus no mundo da natureza, e sobre Seu domínio em toda a história (37, 122, 45, 49, 50, 78, 104, 105 – 107); 9. Salmos que tratam de providências estranhas que sobrevêm ao povo de Deus, e com questões tais como a vida futura, a razão da prosperidade dos ímpios, e com especulações sobre a possibilidade de galardões após a morte (94, 49, 16, 17, 73); 10. Salmos que exaltam a grandeza da Lei. O primeiro salmo de todos concerne às alegrias e bênçãos que acompanham o indivíduo que estuda e pratica a Lei (Torah). O Salmo 19 descreve a natureza da lei e seus efeitos sobre o coração Pr. Handerson Xavier Introdução ao Antigo Testamento