Conhecer a Bíblia Aula 5 O Cânone das Escrituras
Tradição, Igreja e Bíblia Os livros sagrados chamam-se também   canónicos:  eles são o  «cânone»  ou a  «lei»  da verdade revelada por Deus  . A Tradição apostólica estabeleceu o  cânone  da Bíblia, quer dizer, reconheceu como inspirados e  sagrados  aqueles livros, não depois de longas investigações científicas mas sim sob a condução do Espírito Santo que nela actua e a leva ao conhecimento da verdade plena.
A Bíblia como literatura normativa Como é que sabemos quais são os  livros inspira- dos ? Ou quais os  critérios válidos  para discernir  que um livro bíblico é inspirado? A Igreja discerniu os escritos que devem ser conservados como Sagrada Escritura  guiada  pelo Espírito Santo e à luz da Tradição viva que recebeu. Um livro diz-se  inspirado  por ter Deus como autor principal. Um livro chama-se  canónico , porque, sendo inspirado, a  Igreja – através do seu Magistério infalível – o reconheceu  como tal.  A  canonicidade  de um livro  supõe  pois a i nspiração : é  canónico porque é inspirado e não o contrário.
Õ cânone dos livros inspirados, regra de fé Por circunstâncias históricas denomina-  -se a maioria dos escritos bíblicos como  protocanónicos  porque foram tidos como inspirados sempre e em todas as comuni- dades cristãs: para os distinguir de uns poucos – sete de cada Testamento – que se chamam  deuterocanónicos . A Bíblia foi considerada desde o princípio como norma de fé e vida para os cristãos; e por causa disto, se denominará rapidamente cânone ao conjunto dos livros inspirados. Entende-se por  cânone bíblico  o conjunto de todos os escritos que  formam a Bíblia e que, pela sua origem divina, constituem a sua  regra  da fé e costumes ; quer dizer, o catálogo completo dos escritos inspirados.
História do cânone do AT O discernimento do  cânone  da Sagrada Escritura foi o ponto de chegada de um longo processo. Na tradição judaica . – O elenco dos livros sagrados era classificado pelos judeus, já no tempo de Jesus Cristo, em três partes:  A Lei, os Profetas e os Escritos . O problema dos livros “deuterocanónicos” do Antigo Testamento . – Os livros deuterocanónicos do AT são: Tobias, Judite; Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, 1 e 2 Macabeus; e, além disto, fragmentos de Ester (10, 4–16, 24) e Daniel (3, 24-90; 13-14). Estes escritos foram reconhecidos como sagrados desde o século II a.C., quando se concluiu a tradução grega  dos Setenta .
História do cânone do AT A tradição apostólica e o cânone do Antigo Testamento . – A fixação definitiva do cânone do AT aparece  já no século IV, com a decla- ração do  Concílio regional de Hipona  (ano 393), em que interveio o próprio Santo Agostinho. Posteriormente, o cânone dos livros inspirados consta da declaração do Concílio ecuménico  de  Florença  (1441) e na definição infalível do  Concílio ecuménico de  Trento  (1546).
História do cânone do Novo Testamento Como já ficou exposto, os livros do NT  foram escritos entre os anos 50 e 100  da nossa era e sobre o seu  cânone  houve sempre uma tradição constante e firme. Depois da morte do último apóstolo, São João, cessou toda a revelação pública e já não aparece nenhum outro livro inspirado ou canónico.
História do cânone do Novo Testamento Os Testemunhos históricos mostram que entre os finais do século I e finais do século II se fez paulatinamente a  selecção e o  catálogo dos livros inspirados . Na segunda metade do século II chega a formar- -se um «corpus» de  quatro Evangelhos  e  outro paulino de pelo menos 10 cartas ; os outros escritos do cânone do AT ainda não eram considerados importantes. Esta codificação foi, ao que parece, feita em Roma, como o testemunha o famoso  Cânone de Muratori  dos finais do século II, desco-berto em 1740.
Os livros “deuterocanónicos” do NT Contudo, entre os séculos III e V surgiram  dúvidas  limitadas geo- graficamente, sobre a inspiração  de sete deles:  a Carta aos Hebreus – especial- mente no Ocidente - ,  o Apocalipse e a maior parte das chamadas “Cartas católicas”: Todas estas dúvidas não tardaram em ser  absorvidas  pelo peso da Tradição. São os livros  deuterocanónicos   do Novo Testamento.  As  dúvidas  prolongaram-se  até ao século VI  mas convém precisar quantas e  quais eram estas dúvidas. a de São Tiago, a segunda de São Pedro,  a segunda e a terceira de São João e a de São Judas.
Critérios de canonicidade O dado revelado definido pela Igreja, é certamente o  critério  supremo e infalível para  conhecer a inspiração e a canonicidade dos livros da Bíblia . É necessária a proposição do Magistério eclesiástico porque a inspiração e canonicidade de um livro é um facto sobrenatural que só se pode conhecer por revelação divina, através da Igreja. A  definição dogmática  de  cânone bíblico   encontra-se na IV sessão do  Concílio de Trento , de 8 de Abril de 1546.
Critérios de canonicidade Critérios católicos . – Podemos destacar resumidamente  três critérios  objectivos que guiaram a Igreja para reconhecer quais são os escritos inspirados do NT: Outros critérios subjectivos Critério da  origem apostólica Critério da   ortodoxia   Critério da   catolicidade . Critérios protestantes   .
Os livros apócrifos Chama-se  apócrifo  a um livro de  autor desconhecido que tem certa  afinidade com os livros sagrados  no  argumento ou no título mas ao qual a Igreja Universal nunca reconheceu  autoridade canónica  por não ser inspirado. Têm um certo  valor  porque mostram ideias  religiosas e morais mais ou menos difundidas nos tempos próxi- mos de Jesus Cristo e porque recolhem dados da Tradição que não se encontram nos Evangelhos;  por exemplo , os nomes dos pais da Santíssima Virgem, a sua Apresentação no Templo, etc. O termo grego apokrypha, da raiz Kryphein  (ocultar),  no seu sentido primitivo significava  coisas ocultas ,  ou mais exactamente  livros ocultos ou secretos .
Conclusões O único critério válido universalmente, claro e infalível é a  revelação divina  conservada na  Tradição  viva da Igreja e proposta infalivelmente pelo  Magistério  eclesiástico .  Juntamente com a Tradição sagrada a Igreja teve sempre e continua a ter as  Sagradas Escrituras  como  regra suprema  da sua fé.
Ficha técnica Bibliografia Estes Guiões são baseados nos manuais da Biblioteca de Iniciación Teológica de Editorial Rialp (editados em português pela editora Diel) Slides Originais - D. Serge Nicoloff, disponíveis em  www.agea.org.es  (Guiones doctrinales actualizados) Tradução para português europeu - disponível em  inicteol.no.sapo.pt

O Cânone Das Escrituras

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    Conhecer a BíbliaAula 5 O Cânone das Escrituras
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    Tradição, Igreja eBíblia Os livros sagrados chamam-se também canónicos: eles são o «cânone» ou a «lei» da verdade revelada por Deus . A Tradição apostólica estabeleceu o cânone da Bíblia, quer dizer, reconheceu como inspirados e sagrados aqueles livros, não depois de longas investigações científicas mas sim sob a condução do Espírito Santo que nela actua e a leva ao conhecimento da verdade plena.
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    A Bíblia comoliteratura normativa Como é que sabemos quais são os livros inspira- dos ? Ou quais os critérios válidos para discernir que um livro bíblico é inspirado? A Igreja discerniu os escritos que devem ser conservados como Sagrada Escritura guiada pelo Espírito Santo e à luz da Tradição viva que recebeu. Um livro diz-se inspirado por ter Deus como autor principal. Um livro chama-se canónico , porque, sendo inspirado, a Igreja – através do seu Magistério infalível – o reconheceu como tal. A canonicidade de um livro supõe pois a i nspiração : é canónico porque é inspirado e não o contrário.
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    Õ cânone doslivros inspirados, regra de fé Por circunstâncias históricas denomina- -se a maioria dos escritos bíblicos como protocanónicos porque foram tidos como inspirados sempre e em todas as comuni- dades cristãs: para os distinguir de uns poucos – sete de cada Testamento – que se chamam deuterocanónicos . A Bíblia foi considerada desde o princípio como norma de fé e vida para os cristãos; e por causa disto, se denominará rapidamente cânone ao conjunto dos livros inspirados. Entende-se por cânone bíblico o conjunto de todos os escritos que formam a Bíblia e que, pela sua origem divina, constituem a sua regra da fé e costumes ; quer dizer, o catálogo completo dos escritos inspirados.
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    História do cânonedo AT O discernimento do cânone da Sagrada Escritura foi o ponto de chegada de um longo processo. Na tradição judaica . – O elenco dos livros sagrados era classificado pelos judeus, já no tempo de Jesus Cristo, em três partes: A Lei, os Profetas e os Escritos . O problema dos livros “deuterocanónicos” do Antigo Testamento . – Os livros deuterocanónicos do AT são: Tobias, Judite; Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, 1 e 2 Macabeus; e, além disto, fragmentos de Ester (10, 4–16, 24) e Daniel (3, 24-90; 13-14). Estes escritos foram reconhecidos como sagrados desde o século II a.C., quando se concluiu a tradução grega dos Setenta .
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    História do cânonedo AT A tradição apostólica e o cânone do Antigo Testamento . – A fixação definitiva do cânone do AT aparece já no século IV, com a decla- ração do Concílio regional de Hipona (ano 393), em que interveio o próprio Santo Agostinho. Posteriormente, o cânone dos livros inspirados consta da declaração do Concílio ecuménico de Florença (1441) e na definição infalível do Concílio ecuménico de Trento (1546).
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    História do cânonedo Novo Testamento Como já ficou exposto, os livros do NT foram escritos entre os anos 50 e 100 da nossa era e sobre o seu cânone houve sempre uma tradição constante e firme. Depois da morte do último apóstolo, São João, cessou toda a revelação pública e já não aparece nenhum outro livro inspirado ou canónico.
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    História do cânonedo Novo Testamento Os Testemunhos históricos mostram que entre os finais do século I e finais do século II se fez paulatinamente a selecção e o catálogo dos livros inspirados . Na segunda metade do século II chega a formar- -se um «corpus» de quatro Evangelhos e outro paulino de pelo menos 10 cartas ; os outros escritos do cânone do AT ainda não eram considerados importantes. Esta codificação foi, ao que parece, feita em Roma, como o testemunha o famoso Cânone de Muratori dos finais do século II, desco-berto em 1740.
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    Os livros “deuterocanónicos”do NT Contudo, entre os séculos III e V surgiram dúvidas limitadas geo- graficamente, sobre a inspiração de sete deles: a Carta aos Hebreus – especial- mente no Ocidente - , o Apocalipse e a maior parte das chamadas “Cartas católicas”: Todas estas dúvidas não tardaram em ser absorvidas pelo peso da Tradição. São os livros deuterocanónicos do Novo Testamento. As dúvidas prolongaram-se até ao século VI mas convém precisar quantas e quais eram estas dúvidas. a de São Tiago, a segunda de São Pedro, a segunda e a terceira de São João e a de São Judas.
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    Critérios de canonicidadeO dado revelado definido pela Igreja, é certamente o critério supremo e infalível para conhecer a inspiração e a canonicidade dos livros da Bíblia . É necessária a proposição do Magistério eclesiástico porque a inspiração e canonicidade de um livro é um facto sobrenatural que só se pode conhecer por revelação divina, através da Igreja. A definição dogmática de cânone bíblico encontra-se na IV sessão do Concílio de Trento , de 8 de Abril de 1546.
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    Critérios de canonicidadeCritérios católicos . – Podemos destacar resumidamente três critérios objectivos que guiaram a Igreja para reconhecer quais são os escritos inspirados do NT: Outros critérios subjectivos Critério da origem apostólica Critério da ortodoxia Critério da catolicidade . Critérios protestantes .
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    Os livros apócrifosChama-se apócrifo a um livro de autor desconhecido que tem certa afinidade com os livros sagrados no argumento ou no título mas ao qual a Igreja Universal nunca reconheceu autoridade canónica por não ser inspirado. Têm um certo valor porque mostram ideias religiosas e morais mais ou menos difundidas nos tempos próxi- mos de Jesus Cristo e porque recolhem dados da Tradição que não se encontram nos Evangelhos; por exemplo , os nomes dos pais da Santíssima Virgem, a sua Apresentação no Templo, etc. O termo grego apokrypha, da raiz Kryphein (ocultar), no seu sentido primitivo significava coisas ocultas , ou mais exactamente livros ocultos ou secretos .
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    Conclusões O únicocritério válido universalmente, claro e infalível é a revelação divina conservada na Tradição viva da Igreja e proposta infalivelmente pelo Magistério eclesiástico . Juntamente com a Tradição sagrada a Igreja teve sempre e continua a ter as Sagradas Escrituras como regra suprema da sua fé.
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    Ficha técnica BibliografiaEstes Guiões são baseados nos manuais da Biblioteca de Iniciación Teológica de Editorial Rialp (editados em português pela editora Diel) Slides Originais - D. Serge Nicoloff, disponíveis em www.agea.org.es (Guiones doctrinales actualizados) Tradução para português europeu - disponível em inicteol.no.sapo.pt