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Síntese
Módulo 9.2.2
José Saramago
Memorial do
convento
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
O título – Memorial do convento
Convento
Forma de fixar
algo que se
pretende guardar
na memória.
Convento de
Mafra – edifício
que resulta da
promessa feita
pelo rei D. João
V, caso a rainha
engravidasse.
Memorial
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
O título – Memorial do convento
Ao intitular o seu romance Memorial do
convento, Saramago pretende, acima de
tudo e conferindo-lhe o devido mérito,
tornar memorável e inesquecível o
verdadeiro obreiro da construção do
edifício – o povo anónimo – que a
História ignora, celebrando apenas o
promotor da obra, o rei D. João V.
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
 “Odisseia da pedra” – O narrador descreve o transporte
da pedra mãe como um ato heróico dos operários, que
têm de transportar uma pedra gigantesca, num carro
comparado a uma “nau da Índia”, com a ajuda de
duzentas juntas de bois e dos seiscentos homens que a
puxam. O grande protagonista do romance é, assim,
imortalizado através do enaltecimento da sua coragem e
esforço e da denúncia do sofrimento e dos sacrifícios por
que teve de passar.
 Listagem simbólica de nomes – O narrador apresenta uma
lista de nomes de trabalhadores, ordenada de A a Z, como
representação de todos os que sacrificaram as suas vidas
na construção do convento de Mafra.
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
As linhas da ação
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
As linhas da ação
Primeira linha
Promessa de D. João V
de construir um
convento em Mafra
Segunda linha
Construção do
convento pelo povo
Terceira linha
História de amor de
Baltasar e Blimunda
Quarta linha
Sonho do Padre
Bartolomeu Lourenço
de construir a passarola
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
O tempo histórico e o tempo da narrativa
Tempo histórico – aquele que é evocado pela ação e que se circunscreve a
uma determinada época.
Reinado
de D. João
V
Século
XVIII
1711
-
1739
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
O tempo histórico e o tempo da narrativa
Tempo da narrativa – tempo de duração da ação (28 anos)
1711
•Promessa de D.
João V
•Encontro de
Baltasar e Blimunda
1717
•Bênção da primeira
pedra da basílica
1724
•Voo da passarola
1729
•Casamento de D.
José com Mariana
Vitória e da Infanta
Bárbara com D.
Fernando
1730
•Sagração do
convento de Mafra
1739
•Condenação de
Baltasar à fogueira
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José Saramago – Memorial do convento
Visão crítica
 Vaidade, prepotência e
megalomania do rei
 Má gestão financeira
 Falta de produtividade do reino
 Opressão do povo pelos poderosos
 Perseguição religiosa
 Hipocrisia religiosa
 Ignorância do povo, que vivia sob o
controlo da coroa e da Igreja
 Corrupção da Justiça
 Ausência de valores (adultério,
incumprimento de votos de
castidade, assassínios)
 Negligência do rei face às
necessidades e fraquezas do povo,
que vivia na miséria
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José Saramago – Memorial do convento
Caracterização das personagens
 Personagem histórica, que reinou em Portugal de 1706 a 1750.
 Casado com D. Maria Ana Josefa, não se coibiu de ter relações adúlteras, das quais
resultaram vários filhos bastardos.
 É o protótipo do rei absolutista, megalómano, prepotente, displicente com a gestão
das finanças e caprichoso.
 Sente-se apavorado com a ideia da morte e, por isso, antecipa a inauguração do
convento, fazendo recair sobre o povo uma maior opressão.
D. João V
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Caracterização das personagens
 Personagem histórica, de origem austríaca, casa com D. João V em 1708 e, durante
alguns anos, revela dificuldades em engravidar.
 Para que a rainha engravide, garantindo a sucessão, o rei promete edificar o
convento de Mafra.
 Negligenciada pelo marido, torna-se extremamente devota e refugia-se em sonhos
libidinosos.
D. Maria Ana
Josefa
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Caracterização das personagens
 Personagem coletiva que desempenha o papel de herói da obra, ainda
que possa assumir contornos de anti-herói, sobretudo pelas características
físicas que são apontadas a alguns dos seus membros – marrecos, zarolhos, manetas –
facto que acaba por valorizar ainda mais a sua importância.
 São os homens anónimos que Saramago pretende imortalizar (embora alguns
deles, como Manuel Milho ou Francisco Marques, surjam individualizados).
 Ainda que ignorantes, são os verdadeiros obreiros da construção do convento.
 São o espelho da opressão, do sofrimento, do sacrifício e da superação humana.
Povo
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Caracterização das personagens
 Personagem fictícia, embora haja registos de que viveu realmente em Mafra a
família dos Sete-Sóis.
 Foi soldado na Guerra da Sucessão de Espanha, onde perdeu a mão esquerda; foi o
executor do projeto do padre Bartolomeu Lourenço e, mais tarde, trabalhou nas obras
de edificação do convento.
 É um homem simples, determinado, destemido e leal.
 Morre às mãos da Inquisição, queimado numa fogueira.
Baltasar
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Caracterização das personagens
 Personagem fictícia, ainda que possa ser baseada numa figura real da época.
 Apesar de mulher, revela-se um elemento ativo quer na relação que mantém com
Baltasar quer na construção da passarola.
 Em jejum, possui o dom de ver as pessoas por dentro, mas perde temporariamente essa
capacidade quando muda o ciclo lunar.
 Empreende uma procura incessante por Baltasar, durante nove anos, tornando-se
guardiã da sua vontade quando ele morre.
 É astuta, destemida, persistente e pouco convencional para a altura (sobretudo, em
termos da relação amorosa).
Blimunda
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Sete-Sóis e Sete-Luas, in José Santa-
Bárbara, Vontades – uma leitura do
memorial do convento, Lisboa,
Editorial Caminho, 2001.
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Caracterização das personagens
 Personagem histórica, de origem brasileira. Sob a proteção
de D. João V, terá mesmo feito voar um balão no paço.
 Na obra, acumula as funções de frade oratoriano, doutor em leis por Coimbra e
funcionário da corte com a idealização e a projeção da sua grande invenção: a
passarola.
 Chega a pôr em causa os dogmas da Igreja; é perseguido pela Inquisição, mas foge
e morre, louco, em Espanha.
 É resiliente, de trato fácil, curioso, ambicioso, sonhador e visionário.
Bartolomeu
Lourenço
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Caracterização das personagens
 Personagem histórica, de origem italiana, convidado por D. João V para ser o
professor de música da Infanta D. Maria Bárbara e para assumir as funções de mestre
da capela real.
 Bartolomeu Lourenço acaba por lhe confiar o segredo da passarola e, por isso,
torna-se uma presença habitual na abegoaria.
 É ele que, através da sua música, consegue curar Blimunda quando esta entra num
estado de letargia.
 É fiel, sensível e sonhador.
Domenico
Scarlatti
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Relação entre as personagens
D. João V + D. Maria Ana Josefa
D. João V + Povo
D. João V + Bartolomeu Lourenço +
Domenico Scarlatti
relação fria, distante e formal
opressor/oprimidos
protecionismo
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Relação entre as personagens
Baltasar + Blimunda
Baltasar + Blimunda + Bartolomeu
Lourenço
Baltasar + Blimunda + Bartolomeu
Lourenço + Domenico Scarlatti
relação pouco convencional para a
época, de amor puro, sincero e
profundo
relação de amizade verdadeira
(trindade terrestre)
relação de lealdade
(partilha do segredo e do sonho)
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Força motora que
conduz à evolução
e ao progresso.
Dimensão simbólica
sonho
/
vontade
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
 A passarola constitui-se como um bem
em prol do desenvolvimento humano.
passarola
/
convento
 O convento é o mero resultado da
vaidade e da prepotência de um rei.
 Para a construção da máquina voadora
foram necessárias apenas três pessoas,
movidas pela vontade e pelo sonho.
 As obras do convento obrigaram a um
trabalho hercúleo e de sofrimento por
parte de milhares de trabalhadores.
 É a metáfora da liberdade e poder do
homem.
 Representa, por um lado, o poder da
Igreja e o absolutismo do rei e, por outro,
a opressão do povo.
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Símbolo da união e da plenitude. O primeiro representa o dia, a força
física, o trabalho. A segunda, a noite, a magia, o transcendente, o
mundo onírico. A união de ambos simboliza a perfeição, visível não só
nas alcunhas, como no número sete e nas três sílabas que compõem o
seu nome.
Sete-Sóis/
Sete-Luas
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Representa a ordem espiritual e
intelectual. É o número perfeito, a
expressão da totalidade. Para o
Cristianismo, os três elementos da
Santíssima Trindade são o Pai, o
Filho e o Espírito Santo, um só Deus
em três pessoas.
Trindade Terreste, constituída por
Blimunda, Baltasar e Bartolomeu
Lourenço, três pessoas em perfeita
comunhão que alcançam um poder
divino.
3
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Símbolo da Terra com os seus
pontos cardeais. Representa a
totalidade do espaço e do tempo.
Domenico Scarlatti é o quarto
elemento que completa um grupo
de pessoas que concretizam a
ousada missão de voar e que se
torna imprescindível para a plena
realização do projeto.
4
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Resultado da soma do número
perfeito (três) e do número da
totalidade (quatro), simboliza a
mudança, a renovação, a totalidade.
Sete homens vêm trabalhar para o
convento, oriundos de sete regiões
do país; sete bispos batizaram a
infanta; sete vezes Blimunda vai a
Lisboa à procura de Baltasar. O
número sete repete-se também na
data da bênção da primeira pedra
do convento: 17/11/1717.
7
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Número da procura, da gestação,
simboliza o coroar do esforço.
Depois de desaparecer levado pela
passarola, Baltasar é procurado por
Blimunda durante nove anos. O
reencontro de ambos pode ser visto
como uma recompensa pelo esforço
levado a cabo por Blimunda ao
longo de nove anos de busca
incessante por Baltasar.
9
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Símbolo do final de um ciclo.
Número de anos que dura a ação do
romance, desde a chegada de
Baltasar a Lisboa, em 1711, até à
sua morte, em 1739, altura em que
Blimunda o encontra a ser
queimado num auto de fé – fim do
ciclo da narrativa e da vida do herói.
28
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Linguagem, estilo e estrutura
Intertextualidade
Ao longo da obra, Saramago estabelece
relações de intertextualidade com
provérbios, com a Bíblia ou com outros
autores da literatura portuguesa,
nomeadamente, Camões, Padre
António Vieira e Fernando Pessoa. Essas
alusões, paródias ou citações funcionam
quase sempre como ponto de partida
para ironizar e ridicularizar outras
situações que estão a ser relatadas.
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Linguagem, estilo e estrutura
Pontuação
Os únicos sinais de pontuação usados
por Saramago são o ponto final e a
vírgula. É através desta e do uso da
maiúscula que o autor marca as falas
em discurso direto, sendo que é o
contexto que ajuda o leitor a perceber
quando se trata de uma declaração, de
uma exclamação ou de uma
interrogação.
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Linguagem, estilo e estrutura
Reprodução do
discurso no discurso
Ao longo da obra, o discurso do narrador
evidencia um conjunto de outras vozes
que não a sua: polifonia. É o que
acontece, por exemplo, quando assume
a voz de Sebastiana de Jesus, quando se
faz passar por um guia moderno do
convento de Mafra ou quando se
esconde por detrás do fidalgo que relata
os acontecimentos sobre o casamento
real a que João Elvas não tem acesso.
Síntese do Módulo 9.2.2
José Saramago – Memorial do convento
Linguagem, estilo e estrutura
 São visíveis também nas suas palavras os vários modos de relato do discurso:
Citação “ave-maria cheia de graça”. (cap. I)
Discurso
direto
Discurso
indireto
Discurso
indireto livre
“então ouve Baltasar dizer, Não procures mais, não encontrarás, e ela,
cobrindo os olhos com os punhos cerrados, implora, Dá-me o pão, Baltasar,
dá-me o pão, por alma de quem lá tenhas” (cap. VIII)
“Veio a viúva do porteiro da maça dizer ao padre que tinha o jantar servido”.
(cap. XIV)
“Pontualmente escrevera o padre Bartolomeu Lourenço quando se instalou
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Memorial do convento slides- português 2023

  • 2. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento O título – Memorial do convento Convento Forma de fixar algo que se pretende guardar na memória. Convento de Mafra – edifício que resulta da promessa feita pelo rei D. João V, caso a rainha engravidasse. Memorial
  • 3. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento O título – Memorial do convento Ao intitular o seu romance Memorial do convento, Saramago pretende, acima de tudo e conferindo-lhe o devido mérito, tornar memorável e inesquecível o verdadeiro obreiro da construção do edifício – o povo anónimo – que a História ignora, celebrando apenas o promotor da obra, o rei D. João V.
  • 4. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento  “Odisseia da pedra” – O narrador descreve o transporte da pedra mãe como um ato heróico dos operários, que têm de transportar uma pedra gigantesca, num carro comparado a uma “nau da Índia”, com a ajuda de duzentas juntas de bois e dos seiscentos homens que a puxam. O grande protagonista do romance é, assim, imortalizado através do enaltecimento da sua coragem e esforço e da denúncia do sofrimento e dos sacrifícios por que teve de passar.  Listagem simbólica de nomes – O narrador apresenta uma lista de nomes de trabalhadores, ordenada de A a Z, como representação de todos os que sacrificaram as suas vidas na construção do convento de Mafra.
  • 5. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento As linhas da ação
  • 6. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento As linhas da ação Primeira linha Promessa de D. João V de construir um convento em Mafra Segunda linha Construção do convento pelo povo Terceira linha História de amor de Baltasar e Blimunda Quarta linha Sonho do Padre Bartolomeu Lourenço de construir a passarola
  • 7. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento O tempo histórico e o tempo da narrativa Tempo histórico – aquele que é evocado pela ação e que se circunscreve a uma determinada época. Reinado de D. João V Século XVIII 1711 - 1739
  • 8. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento O tempo histórico e o tempo da narrativa Tempo da narrativa – tempo de duração da ação (28 anos) 1711 •Promessa de D. João V •Encontro de Baltasar e Blimunda 1717 •Bênção da primeira pedra da basílica 1724 •Voo da passarola 1729 •Casamento de D. José com Mariana Vitória e da Infanta Bárbara com D. Fernando 1730 •Sagração do convento de Mafra 1739 •Condenação de Baltasar à fogueira
  • 9. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Visão crítica  Vaidade, prepotência e megalomania do rei  Má gestão financeira  Falta de produtividade do reino  Opressão do povo pelos poderosos  Perseguição religiosa  Hipocrisia religiosa  Ignorância do povo, que vivia sob o controlo da coroa e da Igreja  Corrupção da Justiça  Ausência de valores (adultério, incumprimento de votos de castidade, assassínios)  Negligência do rei face às necessidades e fraquezas do povo, que vivia na miséria
  • 10. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Caracterização das personagens  Personagem histórica, que reinou em Portugal de 1706 a 1750.  Casado com D. Maria Ana Josefa, não se coibiu de ter relações adúlteras, das quais resultaram vários filhos bastardos.  É o protótipo do rei absolutista, megalómano, prepotente, displicente com a gestão das finanças e caprichoso.  Sente-se apavorado com a ideia da morte e, por isso, antecipa a inauguração do convento, fazendo recair sobre o povo uma maior opressão. D. João V
  • 11. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Caracterização das personagens  Personagem histórica, de origem austríaca, casa com D. João V em 1708 e, durante alguns anos, revela dificuldades em engravidar.  Para que a rainha engravide, garantindo a sucessão, o rei promete edificar o convento de Mafra.  Negligenciada pelo marido, torna-se extremamente devota e refugia-se em sonhos libidinosos. D. Maria Ana Josefa
  • 12. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Caracterização das personagens  Personagem coletiva que desempenha o papel de herói da obra, ainda que possa assumir contornos de anti-herói, sobretudo pelas características físicas que são apontadas a alguns dos seus membros – marrecos, zarolhos, manetas – facto que acaba por valorizar ainda mais a sua importância.  São os homens anónimos que Saramago pretende imortalizar (embora alguns deles, como Manuel Milho ou Francisco Marques, surjam individualizados).  Ainda que ignorantes, são os verdadeiros obreiros da construção do convento.  São o espelho da opressão, do sofrimento, do sacrifício e da superação humana. Povo
  • 13. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Caracterização das personagens  Personagem fictícia, embora haja registos de que viveu realmente em Mafra a família dos Sete-Sóis.  Foi soldado na Guerra da Sucessão de Espanha, onde perdeu a mão esquerda; foi o executor do projeto do padre Bartolomeu Lourenço e, mais tarde, trabalhou nas obras de edificação do convento.  É um homem simples, determinado, destemido e leal.  Morre às mãos da Inquisição, queimado numa fogueira. Baltasar
  • 14. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Caracterização das personagens  Personagem fictícia, ainda que possa ser baseada numa figura real da época.  Apesar de mulher, revela-se um elemento ativo quer na relação que mantém com Baltasar quer na construção da passarola.  Em jejum, possui o dom de ver as pessoas por dentro, mas perde temporariamente essa capacidade quando muda o ciclo lunar.  Empreende uma procura incessante por Baltasar, durante nove anos, tornando-se guardiã da sua vontade quando ele morre.  É astuta, destemida, persistente e pouco convencional para a altura (sobretudo, em termos da relação amorosa). Blimunda
  • 15. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Sete-Sóis e Sete-Luas, in José Santa- Bárbara, Vontades – uma leitura do memorial do convento, Lisboa, Editorial Caminho, 2001.
  • 16. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Caracterização das personagens  Personagem histórica, de origem brasileira. Sob a proteção de D. João V, terá mesmo feito voar um balão no paço.  Na obra, acumula as funções de frade oratoriano, doutor em leis por Coimbra e funcionário da corte com a idealização e a projeção da sua grande invenção: a passarola.  Chega a pôr em causa os dogmas da Igreja; é perseguido pela Inquisição, mas foge e morre, louco, em Espanha.  É resiliente, de trato fácil, curioso, ambicioso, sonhador e visionário. Bartolomeu Lourenço
  • 17. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Caracterização das personagens  Personagem histórica, de origem italiana, convidado por D. João V para ser o professor de música da Infanta D. Maria Bárbara e para assumir as funções de mestre da capela real.  Bartolomeu Lourenço acaba por lhe confiar o segredo da passarola e, por isso, torna-se uma presença habitual na abegoaria.  É ele que, através da sua música, consegue curar Blimunda quando esta entra num estado de letargia.  É fiel, sensível e sonhador. Domenico Scarlatti
  • 18. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Relação entre as personagens D. João V + D. Maria Ana Josefa D. João V + Povo D. João V + Bartolomeu Lourenço + Domenico Scarlatti relação fria, distante e formal opressor/oprimidos protecionismo
  • 19. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Relação entre as personagens Baltasar + Blimunda Baltasar + Blimunda + Bartolomeu Lourenço Baltasar + Blimunda + Bartolomeu Lourenço + Domenico Scarlatti relação pouco convencional para a época, de amor puro, sincero e profundo relação de amizade verdadeira (trindade terrestre) relação de lealdade (partilha do segredo e do sonho)
  • 20. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Força motora que conduz à evolução e ao progresso. Dimensão simbólica sonho / vontade
  • 21. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento  A passarola constitui-se como um bem em prol do desenvolvimento humano. passarola / convento  O convento é o mero resultado da vaidade e da prepotência de um rei.  Para a construção da máquina voadora foram necessárias apenas três pessoas, movidas pela vontade e pelo sonho.  As obras do convento obrigaram a um trabalho hercúleo e de sofrimento por parte de milhares de trabalhadores.  É a metáfora da liberdade e poder do homem.  Representa, por um lado, o poder da Igreja e o absolutismo do rei e, por outro, a opressão do povo.
  • 22. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Símbolo da união e da plenitude. O primeiro representa o dia, a força física, o trabalho. A segunda, a noite, a magia, o transcendente, o mundo onírico. A união de ambos simboliza a perfeição, visível não só nas alcunhas, como no número sete e nas três sílabas que compõem o seu nome. Sete-Sóis/ Sete-Luas
  • 23. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Representa a ordem espiritual e intelectual. É o número perfeito, a expressão da totalidade. Para o Cristianismo, os três elementos da Santíssima Trindade são o Pai, o Filho e o Espírito Santo, um só Deus em três pessoas. Trindade Terreste, constituída por Blimunda, Baltasar e Bartolomeu Lourenço, três pessoas em perfeita comunhão que alcançam um poder divino. 3
  • 24. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Símbolo da Terra com os seus pontos cardeais. Representa a totalidade do espaço e do tempo. Domenico Scarlatti é o quarto elemento que completa um grupo de pessoas que concretizam a ousada missão de voar e que se torna imprescindível para a plena realização do projeto. 4
  • 25. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Resultado da soma do número perfeito (três) e do número da totalidade (quatro), simboliza a mudança, a renovação, a totalidade. Sete homens vêm trabalhar para o convento, oriundos de sete regiões do país; sete bispos batizaram a infanta; sete vezes Blimunda vai a Lisboa à procura de Baltasar. O número sete repete-se também na data da bênção da primeira pedra do convento: 17/11/1717. 7
  • 26. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Número da procura, da gestação, simboliza o coroar do esforço. Depois de desaparecer levado pela passarola, Baltasar é procurado por Blimunda durante nove anos. O reencontro de ambos pode ser visto como uma recompensa pelo esforço levado a cabo por Blimunda ao longo de nove anos de busca incessante por Baltasar. 9
  • 27. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Símbolo do final de um ciclo. Número de anos que dura a ação do romance, desde a chegada de Baltasar a Lisboa, em 1711, até à sua morte, em 1739, altura em que Blimunda o encontra a ser queimado num auto de fé – fim do ciclo da narrativa e da vida do herói. 28
  • 28. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Linguagem, estilo e estrutura Intertextualidade Ao longo da obra, Saramago estabelece relações de intertextualidade com provérbios, com a Bíblia ou com outros autores da literatura portuguesa, nomeadamente, Camões, Padre António Vieira e Fernando Pessoa. Essas alusões, paródias ou citações funcionam quase sempre como ponto de partida para ironizar e ridicularizar outras situações que estão a ser relatadas.
  • 29. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Linguagem, estilo e estrutura Pontuação Os únicos sinais de pontuação usados por Saramago são o ponto final e a vírgula. É através desta e do uso da maiúscula que o autor marca as falas em discurso direto, sendo que é o contexto que ajuda o leitor a perceber quando se trata de uma declaração, de uma exclamação ou de uma interrogação.
  • 30. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Linguagem, estilo e estrutura Reprodução do discurso no discurso Ao longo da obra, o discurso do narrador evidencia um conjunto de outras vozes que não a sua: polifonia. É o que acontece, por exemplo, quando assume a voz de Sebastiana de Jesus, quando se faz passar por um guia moderno do convento de Mafra ou quando se esconde por detrás do fidalgo que relata os acontecimentos sobre o casamento real a que João Elvas não tem acesso.
  • 31. Síntese do Módulo 9.2.2 José Saramago – Memorial do convento Linguagem, estilo e estrutura  São visíveis também nas suas palavras os vários modos de relato do discurso: Citação “ave-maria cheia de graça”. (cap. I) Discurso direto Discurso indireto Discurso indireto livre “então ouve Baltasar dizer, Não procures mais, não encontrarás, e ela, cobrindo os olhos com os punhos cerrados, implora, Dá-me o pão, Baltasar, dá-me o pão, por alma de quem lá tenhas” (cap. VIII) “Veio a viúva do porteiro da maça dizer ao padre que tinha o jantar servido”. (cap. XIV) “Pontualmente escrevera o padre Bartolomeu Lourenço quando se instalou em Coimbra, notícia só de ter chegado e bem, mas agora viera uma nova carta, que sim, seguissem para Lisboa tão cedo pudessem”. (cap. XII)