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Luís Vaz de Camões parte B
Professora: Lurdes Augusto
10ºANO
Canto IV – Plano da História de Portugal / narrador: Vasco da Gama
Despedidas de Belém e Velho do Restelo/ estâncias 84 – 93
estâncias 94 - 104
Mar Português
O homem do leme
Na preparação da partida das naus de Vasco da
Gama para a Índia, sobressai no meio da
confusão um alvoroço e ao mesmo tempo um
desejo de alcançar o trajeto pretendido.
Após a citação do chamado Velho do Restelo,
deu-se a partida; ficaram para trás as terras
portuguesas e apenas o mar e o céu infinitos
cabiam na visão dos lusitanos.
D. João II - 3 de Maio
de 1455 – Alvor, 25 de
Outubro de 1495
D. Manuel - 31 de
Maio de 1469 —
Lisboa, 13 de
Dezembro de 1521)
O projecto para o caminho marítimo para a Índia foi
delineado por D. João II como medida de redução dos
custos nas trocas comerciais com a Ásia e tentativa de
monopolizar o comércio das especiarias. A juntar à cada
vez mais sólida presença marítima portuguesa, D. João
almejava o domínio das rotas comerciais e expansão do
reino de Portugal que já se transformava em Império.
Porém, o empreendimento não seria realizado durante o
seu reinado. Seria o seu sucessor, D. Manuel I que iria
designar Vasco da Gama para esta expedição, embora
mantendo o plano original.
Foram de Emanuel remunerados,
Porque com mais amor se apercebessem,
E com palavras altas animados
Para quantos trabalhos sucedessem.
Assim foram os Mínias ajuntados,
Para que o Véu dourado combatessem,
Na fatídica Nau, que ousou primeira
Tentar o mar Euxínio, aventureira.
84
E já no porto da ínclita Ulisseia
C'um alvoroço nobre, e é um desejo,
(Onde o licor mistura e branca areia
Co'o salgado Neptuno o doce Tejo)
As naus prestes estão; e não refreia
Temor nenhum o juvenil despejo,
Porque a gente marítima e a de Marte
Estão para seguir-me a toda parte.
85
Pelas praias vestidos os soldados
De várias cores vêm e várias artes,
E não menos de esforço aparelhados
Para buscar do mundo novas partes.
Nas fortes naus os ventos sossegados
Ondeam os aéreos estandartes;
Elas prometem, vendo os mares largos,
De ser no Olimpo estrelas como a de Argos.
Partida das naus , o velho do restelo -
Plano da História de Portugal e início da viagem (narrador – Vasco da Gama) Canto – IV 83-89 / 94-104
D. Manuel é o responsável pela
organização deste grupo. Tê-
lo-á incentivado e motivado.
Tal como já acontecera no mar
Negro
Já no Porto de Lisboa, em
Belém, onde o rio Tejo
encontra o mar.
As naus já estão prontas e o
ânimo dos marinheiros e
soldados é elevado.
Perífrase -
Lisboa
Narrador
participante:
Vasco da
Gama a
contar a
própria
viagem
Descrição dos soldados,
prontos para descobrir novos
mundos.
As naus são personificadas e
prometem levar aqueles
homens à imortalidade.
Preparação do rei
Apresentação dos
marinheiros e
soldados
86
Depois de aparelhados desta sorte
De quanto tal viagem pede e manda,
Aparelhamos a alma para a morte,
Que sempre aos nautas ante os olhos anda.
Para o sumo Poder que a etérea corte
Sustenta só coa vista veneranda,
Imploramos favor que nos guiasse,
E que nossos começos aspirasse.
87
Partimo-nos assim do santo templo
Que nas praias do mar está assentado,
Que o nome tem da terra, para exemplo,
Donde Deus foi em carne ao mundo dado.
Certifico-te, ó Rei, que se contemplo
Como fui destas praias apartado,
Cheio dentro de dúvida e receio,
Que apenas nos meus olhos ponho o freio.
Perífrase:
Deus
As condições físicas estão
asseguradas, há que
preparar o espírito para o
perigo da morte, que sempre
existe.
Vasco da Gama recorda a
oração e pedido de
protecção e ajuda a Deus
para esta viagem.
Partiram da ermida de Nossa
S. de Belém.
Deus
Cristão
Perífrase:
Belém
Apóstrofe ao rei de Melinde,
recordando a dúvida e o
receio que sentira, mas que
tentara disfarçar.
Apóstrofe:
Rei de
Melinde
Apresentação do
estado de espírito
de Vasco da
Gama
88
A gente da cidade aquele dia,
(Uns por amigos, outros por parentes,
Outros por ver somente) concorria,
Saudosos na vista e descontentes.
E nós coa virtuosa companhia
De mil Religiosos diligentes,
Em procissão solene a Deus orando,
Para os batéis viemos caminhando.
89
Em tão longo caminho e duvidoso
Por perdidos as gentes nos julgavam;
As mulheres c'um choro piedoso,
Os homens com suspiros que arrancavam;
Mães, esposas, irmãs, que o temeroso
Amor mais desconfia, acrescentavam
A desesperarão, e frio medo
De já nos não tornar a ver tão cedo.
Apresentação do
estado de espírito
das gentes No dia da partida, havia
muitos presentes
descontentes/ infelizes.
A comitiva fez-se
acompanhar de religiosos em
procissão.
Enumeração
de pessoas
que não
acreditavam
voltar a ver
os que
embarcavam
O povo não acreditava no
sucesso desta expedição.
90
Qual vai dizendo: -" Ó filho, a quem eu tinha
Só para refrigério, e doce amparo
Desta cansada já velhice minha,
Que em choro acabará, penoso e amaro,
Por que me deixas, mísera e mesquinha?
Por que de mim te vás, ó filho caro,
A fazer o funéreo enterramento,
Onde sejas de peixes mantimento!" –
91
"Qual em cabelo: -"Ó doce e amado esposo,
Sem quem não quis Amor que viver possa,
Por que is aventurar ao mar iroso
Essa vida que é minha, e não é vossa?
Como por um caminho duvidoso
Vos esquece a afeição tão doce nossa?
Nosso amor, nosso vão contentamento
Quereis que com as velas leve o vento?" -
92
Nestas e outras palavras que diziam
De amor e de piedosa humanidade,
Os velhos e os meninos os seguiam,
Em quem menos esforço põe a idade.
Os montes de mais perto respondiam,
Quase movidos de alta piedade;
A branca areia as lágrimas banhavam,
Que em multidão com elas se igualavam.
Apresentam-se dois casos de
lamúrias/queixas:
. Os filhos, que deveriam
acompanhar os pais e ajudá-
los, são afastados.
. Os homens que
abandonavam os lares para
se aventurarem no mar.
* Crítica aos descobrimentos
ao facto de se abandonar o
país e o seu
desenvolvimento.
O narrador diz que todos
tinham esta perspetiva.
E até a natureza responde a
esta dor.
Personificação
93
Nós outros sem a vista alevantarmos
Nem a mãe, nem a esposa, neste estado,
Por nos não magoarmos, ou mudarmos
Do propósito firme começado,
Determinei de assim nos embarcarmos
Sem o despedimento costumado,
Que, posto que é de amor usança boa,
A quem se aparta, ou fica, mais magoa.
O narrador diz que a tripulação não parou os
seus olhos naqueles que deixava para não
sofrer, nem se deixar mover dos seus
propósitos.
Vasco da Gama não quis demorar as
despedidas que sempre magoam.
1 – Apresenta o estado de espírito dos vários elementos presentes neste
episódio. (Vasco da Gama, os marinheiros e soldados e as gentes)
. Soldados e navegadores – com ânimo juvenil; prontos para seguir viagem.
. Vasco da gama – consciente; receoso; duvidoso.
. Gentes – saudosos; descontentes; em desespero; sem esperança; sem
acreditarem no sucesso desta armada.
2 – Nas estâncias 90 e 91 estão apresentados dois casos concretos de
consequências das descobertas. Apresenta-os.
94
Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:
95
- Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!
Apresentação de um velho
que fica nas praias:
- Aspeto respeitado
- Descontente
- Experiente
. As características do Velho
reforçam a legitimidade desta
figura.
. Atitude crítica em relação
à política dos
descobrimentos:
- Denuncia a atitude de
cobiça e vaidade
associada às
Descobertas,
apresentada com uma
imagem de Honra e
Fama.
. Tom de revolta/ desalento/
exclamações
96
— "Dura inquietação d'alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!
A fama e a glória é
apresentada como:
- Consome o dinheiro
do reino;
- Fonte de
desamparos e
adultérios;
- Forma de enganar
o povo inculto.
—"A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?
. Sucessão de
interrogações retóricas
dirigidas à Fama e À
Glória que levantam
suspeitas.
Tom irónico e acusativo
98
"Mas ó tu, geração daquele insano,
Cujo pecado e desobediência,
Não somente do reino soberano
Te pôs neste desterro e triste ausência,
Mas inda doutro estado mais que humano
Da quieta e da simples inocência,
Idade d'ouro, tanto te privou,
Que na de ferro e d'armas te deitou:
99
"Já que nesta gostosa vaidade
Tanto enlevas a leve fantasia,
Já que à bruta crueza e feridade
Puseste nome esforço e valentia,
Já que prezas em tanta quantidade
O desprezo da vida, que devia
De ser sempre estimada, pois que já
Temeu tanto perdê-la quem a dá,
Nova apóstrofe, agora à
humanidade, que desde
do início se mostrou
desobediente
Perífrase
-Adão
Perífrase
-Guerra
Irónico
Acusa de haver uma errada
interpretação dos factos:
O que é crueldade é visto
como esforço e valentia.
Duas Políticas
Expansão marítima
Descobertas
Apoio da Burguesia
Exemplo: D. Manuel
Expansão Terrestre
Combate contra os Mouros
Norte de África
Apoio da Nobreza
Exemplo: D. Sebastião
100
"Não tens junto contigo o Ismaelita,
Com quem sempre terás guerras sobejas?
Não segue ele do Arábio a lei maldita,
Se tu pela de Cristo só pelejas?
Não tem cidades mil, terra infinita,
Se terras e riqueza mais desejas?
Não é ele por armas esforçado,
Se queres por vitórias ser louvado?
101
"Deixas criar às portas o inimigo,
Por ires buscar outro de tão longe,
Por quem se despovoe o Reino antigo,
Se enfraqueça e se vá deitando a longe?
Buscas o incerto e incógnito perigo
Por que a fama te exalte e te lisonge,
Chamando-te senhor, com larga cópia,
Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia?
Aponta uma nova
possibilidade (com uma série
de perguntas retóricas) para:
- Demonstrar a coragem do
povo
- Difundir a fé cristã
- Aumentar a riqueza do
reino
- Encontrar um inimigo à
altura do povo português
Esse local é Norte de África
Acusa o povo português
de deixar o inimigo que
está perto para ir buscar
um outro que implica a
sua fragilidade.
Tudo é afinal uma farsa
102
"Ó maldito o primeiro que no mundo
Nas ondas velas pôs em seco lenho,
Dino da eterna pena do profundo,
Se é justa a justa lei, que sigo e tenho!
Nunca juízo algum alto e profundo,
Nem cítara sonora, ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e glória.
"Trouxe o filho de Jápeto do Céu
O fogo que ajuntou ao peito humano,
Fogo que o mundo em armas acendeu
Em mortes, em desonras (grande engano).
Quanto melhor nos fora, Prometeu,
E quanto para o mundo menos dano,
Que a tua estátua ilustre não tivera
Fogo de altos desejos, que a movera!
Amaldiçoa o primeiro
Homem que navegou e
deseja que a
exploração dos mares
não seja motivo de
glória
Lembra a figura de
Prometeu: associado à
ambição desmedida
Prometeu- terá criado uma estátua
em barro à qual deu vida com o fogo
que roubou do carro do sol, assim
terá surgido a raça humana.
Prometeu foi castigado depois por
Zeus que o amarrou no monte
Cáucaso, onde os abutres lhe
devoram as entranhas que renascem
diariamente (castigo eterno)
104
"Não cometera o moço miserando
O carro alto do pai, nem o ar vazio
O grande Arquiteto co'o filho, dando
Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.
Nenhum cometimento alto e nefando,
Por fogo, ferro, água, calma e frio,
Deixa intentado a humana geração.
Mísera sorte, estranha condição!" —
Lembra a figura de
Faetonte e de Ícaro:
associados à ambição
desmedida e à
penalização da mesma
Conclusão
Faetonte, ao conduzir o
caro do Sol caiu no rio Pó.
Dédalo construir o labirinto
de Creta e ficou lá encerrado
com o filho, Ícaro, contruiu
umas asas de cera.
Fascinado com o voo
aproximou-se do céu e as
asas descolaram-se,
fazendo Ícaro cair no mar
Discurso contraditório do Velho do Restelo
• Crítica àquilo a que chama a condição humana;
• Tudo o que a vigem representa é, na opinião do Velho uma forma de enganar
o povo que não sabe a diferença entre o ser e o parecer
• As viagens só acarretam desgraças: desamparos, adultérios, ruína económica,
perigos, mortes
• Todo o discurso é pontuado por apóstrofes, interrogações, exclamações, logo
muito emotivo;
• O ser humano é apresentado como insatisfeito, inquieto, sempre pronto a
partir, a ousar, a arriscar
• Reflete um bom senso e um uso da razão associado à experiência e à
compreensão da vida e da natureza humana;
• Muito lúcido sabe que as suas palavras não vão ser ouvidas;
• Representa toda a corrente de opinião contrária às descobertas, que Camões
parece apoiar
• Herói – que surge desta contradição
- é aquele que em nome da lealdade, parte, arrisca;
- é o que é movido pelo impulso de grandeza sem uso do bom senso e razão;
- é animado pela força interior, na superação de todos os obstáculos, apesar
dos perigos
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
- Cada um de nós à sua maneira
segura o leme da vida. Para onde
queres navegar?
Elabora um texto expositivo-
argumentativo onde desenvolvas
esta questão e onde faças
referências ao poema Homem do
leme.
Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.
E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...
E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.
E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...
E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...
E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
– O sonho é o caminho para o
sucesso ou é o caminho para a
ilusão?
Elabora um texto expositivo-
argumentativo onde desenvolvas
esta questão e onde faças
referências ao poema Pedra
Filosofal de António Gedeão.
Pedra Filosofal – António Gedeão
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se
agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é
fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa
Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem
sonham,
que o sonho comanda a
vida,
que sempre que um homem
sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma
criança.
Canto V – considerações do poeta após o final da narração de Vasco da Gama
A importância das artes; estâncias 90-100
Canto V – considerações do poeta após o final da narração de Vasco da Gama
A importância das artes; estâncias 90-100
90
Da boca do fecundo Capitão
Pendendo estavam todos, embebidos,
Quando deu fim à longa narração
Dos altos feitos, grandes e subidos.
Louva o Rei o sublime coração
Dos Reis em tantas guerras conhecidos;
Da gente louva a antiga fortaleza,
A lealdade d'ânimo e nobreza.
91
Vai recontando o povo, que se admira,
O caso cada qual que mais notou;
Nenhum deles da gente os olhos tira
Que tão longos caminhos rodeou.
Mas já o mancebo Délio as rédeas vira
Que o irmão de Lampécia(1) mal guiou,
Por vir a descansar nos Tétios braços;
E el-Rei se vai do mar aos nobres paços.
. Fim do discurso de Gama;
Camões retoma a narração
. Todos os que o ouviam
estavam fascinados com a
narração.
. O Rei de Melinde louva toda
a geração de reis, destacando
as características deste povo.
. O povo de Melinde vai
recordando o episódio de que mais
gostou e todos admiram os
portugueses.
. Construção de uma imagem
mitológica para representar o pôr
do sol.
. O rei de Melinde que tem estado
na embarcação de Gama vai para
terra
(1) “irmão de Lampécia” – Faetonte
Um dia pediu a seu pai as rédeas do carro do
Sol. Délio/ Apolo inicialmente recusou mas
acabou por aceder, dando-lhe a indicação se
que rota deveria seguir. No entanto Faetonte
não conseguiu manter essa rota ora subindo
demasiado e provocando oscilações nos astros
ora descendo e arriscando-se a provocar
destruição na terra. A fim de prevenir um
desastre Zeus viu-se obrigado a fulminá-lo com
um raio e Faetonte precipitou-se sobre o rio Pó,
no norte da Itália ).
92
Quão doce é o louvor e a justa glória
Dos próprios feitos, quando são soados!
Qualquer nobre trabalha que em memória
Vença ou iguale os grandes já passados.
As envejas da ilustre e alheia história
Fazem mil vezes feitos sublimados.
Quem valerosas obras exercita,
Louvor alheio muito o esperta e incita.
93
Não tinha em tanto os feitos gloriosos
De Aquiles, Alexandro, na peleja,
Quanto de quem o canta os numerosos
Versos: isso só louva, isso deseja.
Os troféus de Milcíades, famosos,
Temístocles despertam só de enveja;
E diz que nada tanto o deleitava.
Como a voz que seus feitos celebrava.
. Início da reflexão propriamente dita
em tom exclamativo:
- O louvor quando é merecido é
doce, é bom.
- Todos desejam igualar os feitos
de uma gesta tão gloriosa
- O louvor dos feitos é
fundamental, pois incita. Quem
merece deve ser louvado/
reconhecido.
- Alusão a exemplos para a
confirmação dos seus
argumentos:
- Alexandre apreciou os versos de
Homero sobre Aquiles
- Milcíades e Temístocles são
generais gregos que também
apreciavam a poesia.
94
Trabalha por mostrar Vasco da Gama
Que essas navegações que o mundo canta
Não merecem tamanha glória e fama
Como a sua, que o Céu e a Terra espanta.
Si; mas aquele Herói que estima e ama
Com dões, mercês (1), favores e honra tanta
A lira Mantuana (2) , faz que soe
Eneias, e a Romana glória voe.
95
Dá a terra Lusitana Cipiões, Césares,
Alexandros, e dá Augustos;
Mas não lhe dá contudo aqueles dões
Cuja falta os faz duros e robustos.
Octávio, entre as maiores opressões,
Compunha versos doutos e venustos
(Não dirá Fúlvia, certo, que é mentira,
Quando a deixava António por Glafira *).
- Gama tenta provar que os feitos
que são reconhecidos no mundo
não são tão gloriosos como
aqueles que ele desempenha,
pois a terra e o céu espanta.
(Hipérbole)
- Camões mostra a proteção de
Augusto a Vírgilio.
- (1) Augusto – Imperador que
valorizava as artes
- (2) e fez com que a obra épica
de de Virgílio (de Mantua) seja
reconhecida.
- A terra lusitana, ou seja Portugal,
tem grandes lideres militares
- Mas não tem o apreço pela cultura.
Por isso os portugueses são duros
e robustos, ou seja rudes. (crítica)
- Exemplificação: Otávio, mesmo
com muitas dificuldades fazia
versos.(1) Flúvia: mulher de Marco António que a abandonou
por Gladira. Na sequência desta história pediu a
Octávio que fizesse uns poemas.
96
Vai César sojugando toda França
E as armas não lhe impedem a ciência;
Mas, nüa mão a pena e noutra a lança,
Igualava de Cícero a eloquência.
O que de Cipião se sabe e alcança
É nas comédias grande experiência.
Lia Alexandro a Homero de maneira
Que sempre se lhe sabe à cabeceira.
97
Enfim, não houve forte Capitão
Que não fosse também douto e ciente,
Da Lácia, Grega ou Bárbara nação,
Senão da Portuguesa tão somente.
Sem vergonha o não digo: que a razão
De algum não ser por versos excelente
É não se ver prezado o verso e rima,
Porque quem não sabe arte, não na estima.
Novos exemplos:
- César anda a combater, mas
continua um apreciador da ciência;
- Cipião (general) o que se sabe
dele está presente no teatro
(comédias)
- Alexandre lia Homero de forma
constante.
A ideia fundamental é salientar que a
bravura e a cultura devem andar lado
a lado, ou seja, numa mão a pena e
na outra a espada.
Só em Portugal isto não acontece o
que traz tristeza e vergonha ao poeta.
(caso de exceção)
Se não há mais louvores ao povo
português é porque não se valorizam
as artes.
Quem não conhece a arte não a
consegue apreciar e esse é o caso
dos portugueses
98
Por isso, e não por falta de natura,
Não há também Virgílios nem Homeros;
Nem haverá, se este costume dura,
Pios Eneias nem Aquiles feros.
Mas o pior de tudo é que a ventura
Tão ásperos os fez e tão austeros,
Tão rudos e de engenho tão remisso,
Que a muitos lhe dá pouco ou nada disso.
99
Às Musas agardeça o nosso Gama
O muito amor da pátria, que as obriga
A dar aos seus, na lira, nome e fama
De toda a ilustre e bélica fadiga;
Que ele, nem quem na estirpe seu se chama,
Calíope não tem por tão amiga
Nem as filhas do Tejo, que deixassem
As telas d'ouro fino e que o cantassem.
- Por causa desse desprezo (e não
por falta de capacidades) em
Portugal também não há grandes
escritores como Vírgilio ou Homero;
Nem haverá heróis que essa atitude
continuar
- O destino fez os portugueses
ásperos, austeros, rudes.
- Volta ao caso de Gama, que
deve agradecer ao amor à pátria,
o facto de estar a ser louvado,
pois ele não é amigo de Calíope,
ou seja também não é um
apreciador da poesia.
portugueses
História de Portugal
Poesia lírica
100
Porque o amor fraterno e puro gosto
De dar a todo o Lusitano feito
Seu louvor, é somente o pros[s]uposto
Das Tágides gentis, e seu respeito.
Porém não deixe, enfim, de ter disposto
Ninguém a grandes obras sempre o peito:
Que, por esta ou por outra qualquer via,
Não perderá seu preço e sua valia.
As tágides apenas querem
glorificar os feitos lusitanos
Mesmo assim, apesar de
tudo isto, as obras
valerosas deverão sempre
continuar que sempre
serão reconhecidas
• Comentário crítico ao não cultivo das artes e da poesia, entre os
portugueses.
• As artes são fundamentais para que se faça a divulgação dos feitos dos
heróis.
• Ser grandioso é sê-lo na coragem, mas também na proteção das artes;
• O ideal de herói será aliar a “espada” à “pena” como o fizeram os antigos e
como o faz Camões;
• Camões constrói assim a linha moral de Os Lusíadas.
Canto VI– considerações do poeta; O mérito próprio; estâncias 95 - 99
95
Por meio destes hórridos perigos,
Destes trabalhos graves e temores,
Alcançam os que são de fama amigos
As honras imortais e graus maiores;
Não encostados sempre nos antigos
Troncos nobres de seus antecessores;
Não nos leitos dourados, entre os finos
Animais de Moscóvia zibelinos;
Não cos manjares novos e esquisitos,
Não cos passeios moles e ouciosos,
Não cos vários deleites e infinitos,
Que afeminam os peitos generosos;
Não cos nunca vencidos apetitos,
Que a Fortuna tem sempre tão mimosos,
Que não sofre a nenhum que o passo mude
Pera algüa obra heróica de virtude;
Os portugueses acabam de chegar à Índia
. Assim enfrentando perigos e
dificuldades, os portugueses
alcançam a imortalidade
E não como alguns fazem
Que se apoiam nos feitos dos
outros, nos antepassados e se
acomodam à proteção e
riqueza que têm.
Não recorrendo ao excêntrico
à preguiça
ao prazer
. O ambiente atraente e luxuoso
não permite que ninguém mude
o rumo para se dedicar à
realização de obras de
verdadeiro valor.
Enumeraçãodosfeitos/açõesquenão
conduzemàglória/honraimortal
Martas/peles caras
97
Mas com buscar, co seu forçoso braço,
As honras que ele chame próprias suas;
Vigiando e vestindo o forjado aço,
Sofrendo tempestades e ondas cruas,
Vencendo os torpes frios no regaço
Do Sul, e regiões de abrigo nuas,
Engolindo o corrupto mantimento
Temperado com um árduo sofrimento;
98
E com forçar o rosto, que se enfia,
A parecer seguro, ledo, inteiro,
Pera o pelouro ardente que assovia
E leva a perna ou braço ao companheiro.
Destarte o peito um calo honroso cria,
Desprezador das honras e dinheiro,
Das honras e dinheiro que a ventura
Forjou, e não virtude justa e dura.
. Consegue-se a glória:
- Com a busca constante;
- O sofrimento as dificuldades, a
busca pessoal, as vitórias
O uso o infinitivo e do gerúndio
reforçam a ideia de um processo
contante, ininterrupto, contínuo.
E ainda
- Encarando o nosso sofrimento e
o sofrimento alheio;
- Dominando o medo, não
mostrando medo
Assim (introduz a conclusão da
reflexão)
- O peito fica fortalecido
- Despreza os bens materiais
- Valoriza a virtude justa e dura.
Por oposição à anáfora
99
Destarte se esclarece o entendimento,
Que experiências fazem repousado,
E fica vendo, como de alto assento,
O baxo trato humano embaraçado.
Este, onde tiver força o regimento
Direito e não de afeitos ocupado,
Subirá (como deve) a ilustre mando,
Contra vontade sua, e não rogando.
- Novas considerações de caráter moral e pedagógico sobre como se pode
alcançar a glória;
- Para se ser herói e merecer glória, o Homem não se pode acomodar ou
deixar seduzir pela riqueza e tranquilidade ; deve buscar novos desafios;
deve enfrentar o seu sofrimento e o dos outros;
- Estas considerações constituem críticas indiretas aos seus contemporâneos
que ouvem ou leem o seu Poema.
Continua a conclusão:
- Assim, da forma descrita se
esclarece que se atinge a serenidade
que permite julgar as confusas
relações entre os homens.
- É este tipo de Homem que deve
ser líder e deve ser louvado:
- aquele que é regido pelo
direito e não pela amizade
- aquele que atinge a glória
contra sua vontade/ sem pedir
favores/ por mérito.
Canto VII– considerações do poeta;
estâncias 2,3,14 (empenho na difusão da fé)
Canto VII– considerações do poeta;
estâncias 2,3,14 (empenho na difusão da fé)
2
A vós, ó geração de Luso, digo,
Que tão pequena parte sois no mundo,
Não digo inda no mundo, mas no amigo
Curral de Quem governa o Céu rotundo;
Vós, a quem não somente algum perigo
Estorva conquistar o povo imundo,
Mas nem cobiça ou pouca obediência
Da Madre que nos Céus está em essência;
3
Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que, à custa de vossas várias mortes,
A lei da vida eterna dilatais:
Assi do Céu deitadas são as sortes
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade.
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!
Apóstrofe repetida aos
portugueses;
Sacrifício pela dilatação da fé
Somos poucos mas temos
um grande impacto na
cristianização.
14
Mas, entanto que cegos e sedentos
Andais de vosso sangue, ó gente insana,
Não faltaram Cristãos atrevimentos
Nesta pequena casa Lusitana.____Portugal
De Africa tem marítimos assentos;
É na Ásia mais que todas soberana;
Na quarta parte nova os campos ara; ___ Brasil/ América
E, se mais mundo houvera, lá chegara.
(empenho na difusão da fé)
- A propósito da chegada à India tecem-se considerações sobre a
necessidade dos povos europeus seguirem o exemplo dos portugueses e
se empenharem na missão de difundir a fé de Cristo entre os povos
pagãos;
- Reforço da noção de missão.
Nova apóstrofe
Aos povos europeus que
muitas vezes guerreiam
entre si/lutas fratricidas.
Acrescenta que a audácia
cristã nunca faltou em
Portugal.
78
Um ramo na mão tinha... Mas, ó cego,
Eu, que cometo, insano e temerário,
Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego,
Por caminho tão árduo, longo e vário!
Vosso favor invoco, que navego
Por alto mar, com vento tão contrário
Que, se não me ajudais, hei grande medo
Que o meu fraco batel se alague cedo.
Olhai que há tanto tempo que, cantando
O vosso Tejo e os vossos Lusitanos,
A Fortuna me traz peregrinando,
Novos trabalhos vendo e novos danos:
Agora o mar, agora experimentando
Os perigos Mavórcios inumanos,
Qual Cánace, que à morte se condena,
Nüa mão sempre a espada e noutra a pena;
Canto VII– Considerações do poeta; estâncias 78 – 87
(Invocação e proposição invertida: apresenta quem não cantará)
apóstrofe
Dirige-se à ninfas e desabafa
dizendo que este percurso da
escrita é longo e árduo.
Constrói uma metáfora entre a
escrita e o mar, pondo em
evidência que a escrita da
epopeia é difícil.
Metáfora:
Mar,
ventos=
obstáculos à
escrita
Remete para o presente da
escrita, mostrando que o destino
não lhe tem sido favorável.
Inicia a enumeração de factos
que caracterizam a sua vida:
- Enfrenta o mar e a guerra;
- Enfrenta os perigos, mas
nunca abandona a arte da
escrita;
80
Agora, com pobreza avorrecida,
Por hospícios alheios degradado;
Agora, da esperança já adquirida,
De novo mais que nunca derribado;
Agora às costas escapando a vida,
Que dum fio pendia tão delgado
Que não menos milagre foi salvar-se
Que pera o Rei Judaico acrecentar-se.
81
E ainda, Ninfas minhas, não bastava
Que tamanhas misérias me cercassem,
Senão que aqueles que eu cantando andava
Tal prémio de meus versos me tornassem:
A troco dos descansos que esperava,
Das capelas de louro que me honrassem,
Trabalhos nunca usados me inventaram,
Com que em tão duro estado me deitaram!
- Enfrenta a pobreza;
- Encara a desilusão;
- Sofre um naufrágio e tem de
lutar pela vida, mas é
milagrosamente salvo.
Perífrase:
portugueses
apóstrofe
Além de todas as misérias
pessoais, Camões lamenta
que os portugueses não
valorizem o seu trabalho;
Em troco de tudo o que fez
ao glorificar os portugueses,
Camões apenas recebe
miséria e desprezo.
Vede, Ninfas, que engenhos de senhores
O vosso Tejo cria valerosos,
Que assi sabem prezar, com tais favores,
A quem os faz, cantando, gloriosos!
Que exemplos a futuros escritores,
Pera espertar engenhos curiosos,
Pera porem as cousas em memória
Que merecerem ter eterna glória!
83
Pois logo, em tantos males, é forçado
Que só vosso favor me não faleça,
Principalmente aqui, que sou chegado
Onde feitos diversos engrandeça:
Dai-mo vós sós, que eu tenho já jurado
Que não no empregue em quem o não
mereça,
Nem por lisonja louve algum subido,
Sob pena de não ser agradecido.
apóstrofe
ironia
Pede atenção para os ditos
senhores que não sabem
valorizar quem os glorifica.
Destaca o facto de estes
senhores serem maus
exemplos para futuros
escritores, que não se
sentirão inspirados a
escrever sobre alguém que
não os valoriza.
Neste contexto, só espera
que a inspiração e o apoio
das ninfas não lhe falte.
Jura que usará essa
inspiração de forma
correta:
- Louvando quem mereça;
- Não se deixando
influenciar de forma
alguma;
proposição invertida: apresenta quem não cantará
84
Nem creiais, Ninfas, não, que fama desse
A quem ao bem comum e do seu Rei
Antepuser seu próprio interesse,
Imigo da divina e humana Lei.
Nenhum ambicioso que quisesse
Subir a grandes cargos, cantarei,
Só por poder com torpes exercícios
Usar mais largamente de seus vícios;
85
Nenhum que use de seu poder bastante
Pera servir a seu desejo feio,
E que, por comprazer ao vulgo errante,
Se muda em mais figuras que Proteio.
Nem, Camenas, também cuideis que cante
Quem, com hábito honesto e grave, veio,
Por contentar o Rei, no ofício novo,
A despir e roubar o pobre povo!
Usará a inspiração de
forma correta:
- Não louvará quem põe o
interesse próprio em
primeiro lugar;
- Não louvará os
ambiciosos, que apenas
querem poder;
- Não louvará quem use o
seu poder e quem seja
falso;
- Não louvará as pessoas
que apenas querem
agradar ao rei e
desrespeitam o povo.
86
Nem quem acha que é justo e que é direito
Guardar-se a lei do Rei severamente,
E não acha que é justo e bom respeito
Que se pague o suor da servil gente;
Nem quem sempre, com pouco experto peito,
Razões aprende, e cuida que é prudente,
Pera taxar, com mão rapace e escassa,
Os trabalhos alheios que não passa.
87
Aqueles sós direi que aventuraram
Por seu Deus, por seu Rei, a amada vida,
Onde, perdendo-a, em fama a dilataram,
Tão bem de suas obras merecida.
Apolo e as Musas, que me acompanharam,
Me dobrarão a fúria concedida,
Enquanto eu tomo alento, descansado,
Por tornar ao trabalho, mais folgado.
- Não louvar os que
cumprem cegamente as
regras do rei não
respeitando o trabalho e
esforço do povo; (crítica
implícita às leis régias)
- não louvará quem não dá
a recompensa a quem
trabalha e se esforça.
Apresenta agora pela
positiva quem quer louvar:
- Aqueles que servem a
Deus e ao Rei dedicando
a sua vida e assim
ganhando a memória, a
glória e a imortalidade.
Camões acredita que a sua
inspiração sairá reforçada e
que voltará ao seu trabalho
de escrita mais inspirado e
folgado.
Importância e Atualidade
Pouca valorização da arte, em especial da literatura;
 Informação tendenciosa, ou seja, na imprensa, por
vezes, os críticos e jornalistas privilegiam uma ou outra
parte;
Importância e Atualidade
 o perfil de pessoa descrita:
Pessoas que só agem em função do seu interesse
pessoal ;
Pessoas ambiciosas e com fome de poder;
Pessoas falsas e oportunistas;
Pessoas bajuladoras
Pessoas que não respeitam as classes mais baixas;
Pessoas injustas.
Canto VIII– considerações do poeta; O poder do ouro/ traição; estâncias 96 - 99
96
Nas naus estar se deixa, vagaroso,
Até ver o que o tempo lhe descobre;
Que não se fia já do cobiçoso
Regedor, corrompido e pouco nobre.
Veja agora o juízo curioso
Quanto no rico, assi como no pobre,
Pode o vil interesse e sede imiga
Do dinheiro, que a tudo nos obriga!
97
A Polidoro mata o Rei Treício,
Só por ficar senhor do grão tesouro;
Entra, pelo fortíssimo edifício,
Com a filha de Acriso a chuva d'ouro;
Pode tanto em Tarpeia avaro vício
Que, a troco do metal luzente e louro,
Entrega aos inimigos a alta torre,
Do qual quási afogada em pago morre.
Em Calecute, Baco volta a intervir, Gama é retido e é-lhe exigido o pagamento de fazendas.
Gama, depois de ter sido retido
pelo Catual, não confia nele, pois
considera-o um homem cobiçoso,
corrompido e pouco nobre.
Reflexão/dimensão moral e
filosófica: Tese: o dinheiro
controla o pobre e o rico.
comparação
Exemplificação: Figuras
históricas e
lendárias/míticas que tudo
fizeram por dinheiro e
para manter os poderes
que tinham:
- Polidoro
- Acriso
- Tarpeia
98
Este rende munidas fortalezas;
Faz trédoros e falsos os amigos;
Este a mais nobres faz fazer vilezas,
E entrega Capitães aos inimigos;
Este corrompe virginais purezas,
Sem temer de honra ou fama alguns perigos;
Este deprava às vezes as ciências,
Os juízos cegando e as consciências.
99
Este interpreta mais que sutilmente
Os textos; este faz e desfaz leis;
Este causa os perjúrios entre a gente
E mil vezes tiranos torna os Reis.
Até os que só a Deus omnipotente
Se dedicam, mil vezes ouvireis
Que corrompe este encantador, e ilude;
Mas não sem cor, contudo, de virtude!
O DINHEIRO Efeitos da ação corruptiva do
dinheiro:
- Constrói poder;
- Fomenta traições;
- Corrompe até os melhores;
- Torna tudo impuro;
- Manipula a ciência e cega as
consciências;
- Manipula a informação;
- Está na base de muitas leis;
- Provoca mentiras;
- É causa das tiranias;
- Corrompe até o clero
Mas sempre sob a aparência
de algo bom e positivo.
Dissimulação.
Perífrase:
Clero
O Dinheiro não Compra a Felicidade
O dinheiro não compra a felicidade, mas alivia a infelicidade. O dinheiro não
compra a felicidade, mas torna a infelicidade mais pura, livrando-a das distrações
desconfortáveis, provocadas pela falta de dinheiro, que concorrem com ela,
disputando prioridades.
A felicidade está para o dinheiro como o riso para o meio de transporte. Há uma
relação - mas estão apenas vagamente relacionados. Dito doutra maneira, é mais
fácil estar-se triste quando não se tem dinheiro. A frase propagandística tem de ter
alguma verdade para funcionar. Sim, o dinheiro não compra a felicidade - mas isso
é uma frouxa máxima para quem tem dinheiro e, por causa disso, pensa que pode
ser feliz.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (9 Out 2011)‘
Episódio da ilha dos amores - plano da viagem e plano mitológico – canto IX
episódio simbólico
• A Ilha dos Amores simboliza a glorificação pelos feitos heroicos, a
imortalidade do nome, para sempre gravado na História.
• Ainda antes de os nautas encontrarem a ilha, Cupido organiza uma
expedição contra todos os que não amam, abrindo espaço para a crítica
de Camões aos mais favorecidos, clero, nobreza, rei.
• Os marinheiros adivinham e avistam por
entre os ramos das árvores as cores dos
tecidos das vestes das ninfas, as quais,
deliberadamente, se vão deixando alcançar.
Outras são surpreendidas no banho e
correm nuas por entre o mato, enquanto
alguns jovens entram vestidos na água.
Elas não fogem e deixam-se cair aos pés
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Ação narrativa: encontro entre o plano mitológico e o plano da viagem

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10ºano Luís de Camões parte B

  • 1. Luís Vaz de Camões parte B Professora: Lurdes Augusto 10ºANO
  • 2.
  • 3. Canto IV – Plano da História de Portugal / narrador: Vasco da Gama Despedidas de Belém e Velho do Restelo/ estâncias 84 – 93 estâncias 94 - 104 Mar Português O homem do leme
  • 4. Na preparação da partida das naus de Vasco da Gama para a Índia, sobressai no meio da confusão um alvoroço e ao mesmo tempo um desejo de alcançar o trajeto pretendido. Após a citação do chamado Velho do Restelo, deu-se a partida; ficaram para trás as terras portuguesas e apenas o mar e o céu infinitos cabiam na visão dos lusitanos. D. João II - 3 de Maio de 1455 – Alvor, 25 de Outubro de 1495 D. Manuel - 31 de Maio de 1469 — Lisboa, 13 de Dezembro de 1521) O projecto para o caminho marítimo para a Índia foi delineado por D. João II como medida de redução dos custos nas trocas comerciais com a Ásia e tentativa de monopolizar o comércio das especiarias. A juntar à cada vez mais sólida presença marítima portuguesa, D. João almejava o domínio das rotas comerciais e expansão do reino de Portugal que já se transformava em Império. Porém, o empreendimento não seria realizado durante o seu reinado. Seria o seu sucessor, D. Manuel I que iria designar Vasco da Gama para esta expedição, embora mantendo o plano original.
  • 5. Foram de Emanuel remunerados, Porque com mais amor se apercebessem, E com palavras altas animados Para quantos trabalhos sucedessem. Assim foram os Mínias ajuntados, Para que o Véu dourado combatessem, Na fatídica Nau, que ousou primeira Tentar o mar Euxínio, aventureira. 84 E já no porto da ínclita Ulisseia C'um alvoroço nobre, e é um desejo, (Onde o licor mistura e branca areia Co'o salgado Neptuno o doce Tejo) As naus prestes estão; e não refreia Temor nenhum o juvenil despejo, Porque a gente marítima e a de Marte Estão para seguir-me a toda parte. 85 Pelas praias vestidos os soldados De várias cores vêm e várias artes, E não menos de esforço aparelhados Para buscar do mundo novas partes. Nas fortes naus os ventos sossegados Ondeam os aéreos estandartes; Elas prometem, vendo os mares largos, De ser no Olimpo estrelas como a de Argos. Partida das naus , o velho do restelo - Plano da História de Portugal e início da viagem (narrador – Vasco da Gama) Canto – IV 83-89 / 94-104 D. Manuel é o responsável pela organização deste grupo. Tê- lo-á incentivado e motivado. Tal como já acontecera no mar Negro Já no Porto de Lisboa, em Belém, onde o rio Tejo encontra o mar. As naus já estão prontas e o ânimo dos marinheiros e soldados é elevado. Perífrase - Lisboa Narrador participante: Vasco da Gama a contar a própria viagem Descrição dos soldados, prontos para descobrir novos mundos. As naus são personificadas e prometem levar aqueles homens à imortalidade. Preparação do rei Apresentação dos marinheiros e soldados
  • 6. 86 Depois de aparelhados desta sorte De quanto tal viagem pede e manda, Aparelhamos a alma para a morte, Que sempre aos nautas ante os olhos anda. Para o sumo Poder que a etérea corte Sustenta só coa vista veneranda, Imploramos favor que nos guiasse, E que nossos começos aspirasse. 87 Partimo-nos assim do santo templo Que nas praias do mar está assentado, Que o nome tem da terra, para exemplo, Donde Deus foi em carne ao mundo dado. Certifico-te, ó Rei, que se contemplo Como fui destas praias apartado, Cheio dentro de dúvida e receio, Que apenas nos meus olhos ponho o freio. Perífrase: Deus As condições físicas estão asseguradas, há que preparar o espírito para o perigo da morte, que sempre existe. Vasco da Gama recorda a oração e pedido de protecção e ajuda a Deus para esta viagem. Partiram da ermida de Nossa S. de Belém. Deus Cristão Perífrase: Belém Apóstrofe ao rei de Melinde, recordando a dúvida e o receio que sentira, mas que tentara disfarçar. Apóstrofe: Rei de Melinde Apresentação do estado de espírito de Vasco da Gama
  • 7. 88 A gente da cidade aquele dia, (Uns por amigos, outros por parentes, Outros por ver somente) concorria, Saudosos na vista e descontentes. E nós coa virtuosa companhia De mil Religiosos diligentes, Em procissão solene a Deus orando, Para os batéis viemos caminhando. 89 Em tão longo caminho e duvidoso Por perdidos as gentes nos julgavam; As mulheres c'um choro piedoso, Os homens com suspiros que arrancavam; Mães, esposas, irmãs, que o temeroso Amor mais desconfia, acrescentavam A desesperarão, e frio medo De já nos não tornar a ver tão cedo. Apresentação do estado de espírito das gentes No dia da partida, havia muitos presentes descontentes/ infelizes. A comitiva fez-se acompanhar de religiosos em procissão. Enumeração de pessoas que não acreditavam voltar a ver os que embarcavam O povo não acreditava no sucesso desta expedição.
  • 8. 90 Qual vai dizendo: -" Ó filho, a quem eu tinha Só para refrigério, e doce amparo Desta cansada já velhice minha, Que em choro acabará, penoso e amaro, Por que me deixas, mísera e mesquinha? Por que de mim te vás, ó filho caro, A fazer o funéreo enterramento, Onde sejas de peixes mantimento!" – 91 "Qual em cabelo: -"Ó doce e amado esposo, Sem quem não quis Amor que viver possa, Por que is aventurar ao mar iroso Essa vida que é minha, e não é vossa? Como por um caminho duvidoso Vos esquece a afeição tão doce nossa? Nosso amor, nosso vão contentamento Quereis que com as velas leve o vento?" - 92 Nestas e outras palavras que diziam De amor e de piedosa humanidade, Os velhos e os meninos os seguiam, Em quem menos esforço põe a idade. Os montes de mais perto respondiam, Quase movidos de alta piedade; A branca areia as lágrimas banhavam, Que em multidão com elas se igualavam. Apresentam-se dois casos de lamúrias/queixas: . Os filhos, que deveriam acompanhar os pais e ajudá- los, são afastados. . Os homens que abandonavam os lares para se aventurarem no mar. * Crítica aos descobrimentos ao facto de se abandonar o país e o seu desenvolvimento. O narrador diz que todos tinham esta perspetiva. E até a natureza responde a esta dor. Personificação
  • 9. 93 Nós outros sem a vista alevantarmos Nem a mãe, nem a esposa, neste estado, Por nos não magoarmos, ou mudarmos Do propósito firme começado, Determinei de assim nos embarcarmos Sem o despedimento costumado, Que, posto que é de amor usança boa, A quem se aparta, ou fica, mais magoa. O narrador diz que a tripulação não parou os seus olhos naqueles que deixava para não sofrer, nem se deixar mover dos seus propósitos. Vasco da Gama não quis demorar as despedidas que sempre magoam.
  • 10. 1 – Apresenta o estado de espírito dos vários elementos presentes neste episódio. (Vasco da Gama, os marinheiros e soldados e as gentes) . Soldados e navegadores – com ânimo juvenil; prontos para seguir viagem. . Vasco da gama – consciente; receoso; duvidoso. . Gentes – saudosos; descontentes; em desespero; sem esperança; sem acreditarem no sucesso desta armada. 2 – Nas estâncias 90 e 91 estão apresentados dois casos concretos de consequências das descobertas. Apresenta-os.
  • 11.
  • 12. 94 Mas um velho d'aspeito venerando, Que ficava nas praias, entre a gente, Postos em nós os olhos, meneando Três vezes a cabeça, descontente, A voz pesada um pouco alevantando, Que nós no mar ouvimos claramente, C'um saber só de experiências feito, Tais palavras tirou do experto peito: 95 - Ó glória de mandar! Ó vã cobiça Desta vaidade, a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça C'uma aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas! Apresentação de um velho que fica nas praias: - Aspeto respeitado - Descontente - Experiente . As características do Velho reforçam a legitimidade desta figura. . Atitude crítica em relação à política dos descobrimentos: - Denuncia a atitude de cobiça e vaidade associada às Descobertas, apresentada com uma imagem de Honra e Fama. . Tom de revolta/ desalento/ exclamações
  • 13. 96 — "Dura inquietação d'alma e da vida, Fonte de desamparos e adultérios, Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios: Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo dina de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana! A fama e a glória é apresentada como: - Consome o dinheiro do reino; - Fonte de desamparos e adultérios; - Forma de enganar o povo inculto. —"A que novos desastres determinas De levar estes reinos e esta gente? Que perigos, que mortes lhe destinas Debaixo dalgum nome preminente? Que promessas de reinos, e de minas D'ouro, que lhe farás tão facilmente? Que famas lhe prometerás? que histórias? Que triunfos, que palmas, que vitórias? . Sucessão de interrogações retóricas dirigidas à Fama e À Glória que levantam suspeitas. Tom irónico e acusativo
  • 14. 98 "Mas ó tu, geração daquele insano, Cujo pecado e desobediência, Não somente do reino soberano Te pôs neste desterro e triste ausência, Mas inda doutro estado mais que humano Da quieta e da simples inocência, Idade d'ouro, tanto te privou, Que na de ferro e d'armas te deitou: 99 "Já que nesta gostosa vaidade Tanto enlevas a leve fantasia, Já que à bruta crueza e feridade Puseste nome esforço e valentia, Já que prezas em tanta quantidade O desprezo da vida, que devia De ser sempre estimada, pois que já Temeu tanto perdê-la quem a dá, Nova apóstrofe, agora à humanidade, que desde do início se mostrou desobediente Perífrase -Adão Perífrase -Guerra Irónico Acusa de haver uma errada interpretação dos factos: O que é crueldade é visto como esforço e valentia.
  • 15. Duas Políticas Expansão marítima Descobertas Apoio da Burguesia Exemplo: D. Manuel Expansão Terrestre Combate contra os Mouros Norte de África Apoio da Nobreza Exemplo: D. Sebastião
  • 16. 100 "Não tens junto contigo o Ismaelita, Com quem sempre terás guerras sobejas? Não segue ele do Arábio a lei maldita, Se tu pela de Cristo só pelejas? Não tem cidades mil, terra infinita, Se terras e riqueza mais desejas? Não é ele por armas esforçado, Se queres por vitórias ser louvado? 101 "Deixas criar às portas o inimigo, Por ires buscar outro de tão longe, Por quem se despovoe o Reino antigo, Se enfraqueça e se vá deitando a longe? Buscas o incerto e incógnito perigo Por que a fama te exalte e te lisonge, Chamando-te senhor, com larga cópia, Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia? Aponta uma nova possibilidade (com uma série de perguntas retóricas) para: - Demonstrar a coragem do povo - Difundir a fé cristã - Aumentar a riqueza do reino - Encontrar um inimigo à altura do povo português Esse local é Norte de África Acusa o povo português de deixar o inimigo que está perto para ir buscar um outro que implica a sua fragilidade. Tudo é afinal uma farsa
  • 17. 102 "Ó maldito o primeiro que no mundo Nas ondas velas pôs em seco lenho, Dino da eterna pena do profundo, Se é justa a justa lei, que sigo e tenho! Nunca juízo algum alto e profundo, Nem cítara sonora, ou vivo engenho, Te dê por isso fama nem memória, Mas contigo se acabe o nome e glória. "Trouxe o filho de Jápeto do Céu O fogo que ajuntou ao peito humano, Fogo que o mundo em armas acendeu Em mortes, em desonras (grande engano). Quanto melhor nos fora, Prometeu, E quanto para o mundo menos dano, Que a tua estátua ilustre não tivera Fogo de altos desejos, que a movera! Amaldiçoa o primeiro Homem que navegou e deseja que a exploração dos mares não seja motivo de glória Lembra a figura de Prometeu: associado à ambição desmedida Prometeu- terá criado uma estátua em barro à qual deu vida com o fogo que roubou do carro do sol, assim terá surgido a raça humana. Prometeu foi castigado depois por Zeus que o amarrou no monte Cáucaso, onde os abutres lhe devoram as entranhas que renascem diariamente (castigo eterno)
  • 18. 104 "Não cometera o moço miserando O carro alto do pai, nem o ar vazio O grande Arquiteto co'o filho, dando Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio. Nenhum cometimento alto e nefando, Por fogo, ferro, água, calma e frio, Deixa intentado a humana geração. Mísera sorte, estranha condição!" — Lembra a figura de Faetonte e de Ícaro: associados à ambição desmedida e à penalização da mesma Conclusão Faetonte, ao conduzir o caro do Sol caiu no rio Pó. Dédalo construir o labirinto de Creta e ficou lá encerrado com o filho, Ícaro, contruiu umas asas de cera. Fascinado com o voo aproximou-se do céu e as asas descolaram-se, fazendo Ícaro cair no mar
  • 19. Discurso contraditório do Velho do Restelo • Crítica àquilo a que chama a condição humana; • Tudo o que a vigem representa é, na opinião do Velho uma forma de enganar o povo que não sabe a diferença entre o ser e o parecer • As viagens só acarretam desgraças: desamparos, adultérios, ruína económica, perigos, mortes • Todo o discurso é pontuado por apóstrofes, interrogações, exclamações, logo muito emotivo; • O ser humano é apresentado como insatisfeito, inquieto, sempre pronto a partir, a ousar, a arriscar • Reflete um bom senso e um uso da razão associado à experiência e à compreensão da vida e da natureza humana; • Muito lúcido sabe que as suas palavras não vão ser ouvidas; • Representa toda a corrente de opinião contrária às descobertas, que Camões parece apoiar • Herói – que surge desta contradição - é aquele que em nome da lealdade, parte, arrisca; - é o que é movido pelo impulso de grandeza sem uso do bom senso e razão; - é animado pela força interior, na superação de todos os obstáculos, apesar dos perigos
  • 20. Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.
  • 21. - Cada um de nós à sua maneira segura o leme da vida. Para onde queres navegar? Elabora um texto expositivo- argumentativo onde desenvolvas esta questão e onde faças referências ao poema Homem do leme. Sozinho na noite um barco ruma para onde vai. Uma luz no escuro brilha a direito ofusca as demais. E mais que uma onda, mais que uma maré... Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé... Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade, vai quem já nada teme, vai o homem do leme... E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser. E uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder... No fundo do mar jazem os outros, os que lá ficaram. Em dias cinzentos descanso eterno lá encontraram. E mais que uma onda, mais que uma maré... Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé... Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade, vai quem já nada teme, vai o homem do leme... E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser. E uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder... No fundo horizonte sopra o murmúrio para onde vai. No fundo do tempo foge o futuro, é tarde demais... E uma vontade de rir nasce do fundo do ser. E uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder...
  • 22. – O sonho é o caminho para o sucesso ou é o caminho para a ilusão? Elabora um texto expositivo- argumentativo onde desenvolvas esta questão e onde faças referências ao poema Pedra Filosofal de António Gedeão. Pedra Filosofal – António Gedeão Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso em serenos sobressaltos, como estes pinheiros altos que em verde e oiro se agitam, como estas aves que gritam em bebedeiras de azul. eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento. Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel, arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia, que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa-dos-ventos, Infante, caravela quinhentista, que é cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim, bastidor, passo de dança, Colombina e Arlequim, passarola voadora, pára-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra-som, televisão, desembarque em foguetão na superfície lunar. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.
  • 23. Canto V – considerações do poeta após o final da narração de Vasco da Gama A importância das artes; estâncias 90-100
  • 24. Canto V – considerações do poeta após o final da narração de Vasco da Gama A importância das artes; estâncias 90-100 90 Da boca do fecundo Capitão Pendendo estavam todos, embebidos, Quando deu fim à longa narração Dos altos feitos, grandes e subidos. Louva o Rei o sublime coração Dos Reis em tantas guerras conhecidos; Da gente louva a antiga fortaleza, A lealdade d'ânimo e nobreza. 91 Vai recontando o povo, que se admira, O caso cada qual que mais notou; Nenhum deles da gente os olhos tira Que tão longos caminhos rodeou. Mas já o mancebo Délio as rédeas vira Que o irmão de Lampécia(1) mal guiou, Por vir a descansar nos Tétios braços; E el-Rei se vai do mar aos nobres paços. . Fim do discurso de Gama; Camões retoma a narração . Todos os que o ouviam estavam fascinados com a narração. . O Rei de Melinde louva toda a geração de reis, destacando as características deste povo. . O povo de Melinde vai recordando o episódio de que mais gostou e todos admiram os portugueses. . Construção de uma imagem mitológica para representar o pôr do sol. . O rei de Melinde que tem estado na embarcação de Gama vai para terra
  • 25. (1) “irmão de Lampécia” – Faetonte Um dia pediu a seu pai as rédeas do carro do Sol. Délio/ Apolo inicialmente recusou mas acabou por aceder, dando-lhe a indicação se que rota deveria seguir. No entanto Faetonte não conseguiu manter essa rota ora subindo demasiado e provocando oscilações nos astros ora descendo e arriscando-se a provocar destruição na terra. A fim de prevenir um desastre Zeus viu-se obrigado a fulminá-lo com um raio e Faetonte precipitou-se sobre o rio Pó, no norte da Itália ).
  • 26. 92 Quão doce é o louvor e a justa glória Dos próprios feitos, quando são soados! Qualquer nobre trabalha que em memória Vença ou iguale os grandes já passados. As envejas da ilustre e alheia história Fazem mil vezes feitos sublimados. Quem valerosas obras exercita, Louvor alheio muito o esperta e incita. 93 Não tinha em tanto os feitos gloriosos De Aquiles, Alexandro, na peleja, Quanto de quem o canta os numerosos Versos: isso só louva, isso deseja. Os troféus de Milcíades, famosos, Temístocles despertam só de enveja; E diz que nada tanto o deleitava. Como a voz que seus feitos celebrava. . Início da reflexão propriamente dita em tom exclamativo: - O louvor quando é merecido é doce, é bom. - Todos desejam igualar os feitos de uma gesta tão gloriosa - O louvor dos feitos é fundamental, pois incita. Quem merece deve ser louvado/ reconhecido. - Alusão a exemplos para a confirmação dos seus argumentos: - Alexandre apreciou os versos de Homero sobre Aquiles - Milcíades e Temístocles são generais gregos que também apreciavam a poesia.
  • 27. 94 Trabalha por mostrar Vasco da Gama Que essas navegações que o mundo canta Não merecem tamanha glória e fama Como a sua, que o Céu e a Terra espanta. Si; mas aquele Herói que estima e ama Com dões, mercês (1), favores e honra tanta A lira Mantuana (2) , faz que soe Eneias, e a Romana glória voe. 95 Dá a terra Lusitana Cipiões, Césares, Alexandros, e dá Augustos; Mas não lhe dá contudo aqueles dões Cuja falta os faz duros e robustos. Octávio, entre as maiores opressões, Compunha versos doutos e venustos (Não dirá Fúlvia, certo, que é mentira, Quando a deixava António por Glafira *). - Gama tenta provar que os feitos que são reconhecidos no mundo não são tão gloriosos como aqueles que ele desempenha, pois a terra e o céu espanta. (Hipérbole) - Camões mostra a proteção de Augusto a Vírgilio. - (1) Augusto – Imperador que valorizava as artes - (2) e fez com que a obra épica de de Virgílio (de Mantua) seja reconhecida. - A terra lusitana, ou seja Portugal, tem grandes lideres militares - Mas não tem o apreço pela cultura. Por isso os portugueses são duros e robustos, ou seja rudes. (crítica) - Exemplificação: Otávio, mesmo com muitas dificuldades fazia versos.(1) Flúvia: mulher de Marco António que a abandonou por Gladira. Na sequência desta história pediu a Octávio que fizesse uns poemas.
  • 28. 96 Vai César sojugando toda França E as armas não lhe impedem a ciência; Mas, nüa mão a pena e noutra a lança, Igualava de Cícero a eloquência. O que de Cipião se sabe e alcança É nas comédias grande experiência. Lia Alexandro a Homero de maneira Que sempre se lhe sabe à cabeceira. 97 Enfim, não houve forte Capitão Que não fosse também douto e ciente, Da Lácia, Grega ou Bárbara nação, Senão da Portuguesa tão somente. Sem vergonha o não digo: que a razão De algum não ser por versos excelente É não se ver prezado o verso e rima, Porque quem não sabe arte, não na estima. Novos exemplos: - César anda a combater, mas continua um apreciador da ciência; - Cipião (general) o que se sabe dele está presente no teatro (comédias) - Alexandre lia Homero de forma constante. A ideia fundamental é salientar que a bravura e a cultura devem andar lado a lado, ou seja, numa mão a pena e na outra a espada. Só em Portugal isto não acontece o que traz tristeza e vergonha ao poeta. (caso de exceção) Se não há mais louvores ao povo português é porque não se valorizam as artes. Quem não conhece a arte não a consegue apreciar e esse é o caso dos portugueses
  • 29. 98 Por isso, e não por falta de natura, Não há também Virgílios nem Homeros; Nem haverá, se este costume dura, Pios Eneias nem Aquiles feros. Mas o pior de tudo é que a ventura Tão ásperos os fez e tão austeros, Tão rudos e de engenho tão remisso, Que a muitos lhe dá pouco ou nada disso. 99 Às Musas agardeça o nosso Gama O muito amor da pátria, que as obriga A dar aos seus, na lira, nome e fama De toda a ilustre e bélica fadiga; Que ele, nem quem na estirpe seu se chama, Calíope não tem por tão amiga Nem as filhas do Tejo, que deixassem As telas d'ouro fino e que o cantassem. - Por causa desse desprezo (e não por falta de capacidades) em Portugal também não há grandes escritores como Vírgilio ou Homero; Nem haverá heróis que essa atitude continuar - O destino fez os portugueses ásperos, austeros, rudes. - Volta ao caso de Gama, que deve agradecer ao amor à pátria, o facto de estar a ser louvado, pois ele não é amigo de Calíope, ou seja também não é um apreciador da poesia. portugueses História de Portugal Poesia lírica
  • 30. 100 Porque o amor fraterno e puro gosto De dar a todo o Lusitano feito Seu louvor, é somente o pros[s]uposto Das Tágides gentis, e seu respeito. Porém não deixe, enfim, de ter disposto Ninguém a grandes obras sempre o peito: Que, por esta ou por outra qualquer via, Não perderá seu preço e sua valia. As tágides apenas querem glorificar os feitos lusitanos Mesmo assim, apesar de tudo isto, as obras valerosas deverão sempre continuar que sempre serão reconhecidas • Comentário crítico ao não cultivo das artes e da poesia, entre os portugueses. • As artes são fundamentais para que se faça a divulgação dos feitos dos heróis. • Ser grandioso é sê-lo na coragem, mas também na proteção das artes; • O ideal de herói será aliar a “espada” à “pena” como o fizeram os antigos e como o faz Camões; • Camões constrói assim a linha moral de Os Lusíadas.
  • 31.
  • 32. Canto VI– considerações do poeta; O mérito próprio; estâncias 95 - 99 95 Por meio destes hórridos perigos, Destes trabalhos graves e temores, Alcançam os que são de fama amigos As honras imortais e graus maiores; Não encostados sempre nos antigos Troncos nobres de seus antecessores; Não nos leitos dourados, entre os finos Animais de Moscóvia zibelinos; Não cos manjares novos e esquisitos, Não cos passeios moles e ouciosos, Não cos vários deleites e infinitos, Que afeminam os peitos generosos; Não cos nunca vencidos apetitos, Que a Fortuna tem sempre tão mimosos, Que não sofre a nenhum que o passo mude Pera algüa obra heróica de virtude; Os portugueses acabam de chegar à Índia . Assim enfrentando perigos e dificuldades, os portugueses alcançam a imortalidade E não como alguns fazem Que se apoiam nos feitos dos outros, nos antepassados e se acomodam à proteção e riqueza que têm. Não recorrendo ao excêntrico à preguiça ao prazer . O ambiente atraente e luxuoso não permite que ninguém mude o rumo para se dedicar à realização de obras de verdadeiro valor. Enumeraçãodosfeitos/açõesquenão conduzemàglória/honraimortal Martas/peles caras
  • 33. 97 Mas com buscar, co seu forçoso braço, As honras que ele chame próprias suas; Vigiando e vestindo o forjado aço, Sofrendo tempestades e ondas cruas, Vencendo os torpes frios no regaço Do Sul, e regiões de abrigo nuas, Engolindo o corrupto mantimento Temperado com um árduo sofrimento; 98 E com forçar o rosto, que se enfia, A parecer seguro, ledo, inteiro, Pera o pelouro ardente que assovia E leva a perna ou braço ao companheiro. Destarte o peito um calo honroso cria, Desprezador das honras e dinheiro, Das honras e dinheiro que a ventura Forjou, e não virtude justa e dura. . Consegue-se a glória: - Com a busca constante; - O sofrimento as dificuldades, a busca pessoal, as vitórias O uso o infinitivo e do gerúndio reforçam a ideia de um processo contante, ininterrupto, contínuo. E ainda - Encarando o nosso sofrimento e o sofrimento alheio; - Dominando o medo, não mostrando medo Assim (introduz a conclusão da reflexão) - O peito fica fortalecido - Despreza os bens materiais - Valoriza a virtude justa e dura. Por oposição à anáfora
  • 34. 99 Destarte se esclarece o entendimento, Que experiências fazem repousado, E fica vendo, como de alto assento, O baxo trato humano embaraçado. Este, onde tiver força o regimento Direito e não de afeitos ocupado, Subirá (como deve) a ilustre mando, Contra vontade sua, e não rogando. - Novas considerações de caráter moral e pedagógico sobre como se pode alcançar a glória; - Para se ser herói e merecer glória, o Homem não se pode acomodar ou deixar seduzir pela riqueza e tranquilidade ; deve buscar novos desafios; deve enfrentar o seu sofrimento e o dos outros; - Estas considerações constituem críticas indiretas aos seus contemporâneos que ouvem ou leem o seu Poema. Continua a conclusão: - Assim, da forma descrita se esclarece que se atinge a serenidade que permite julgar as confusas relações entre os homens. - É este tipo de Homem que deve ser líder e deve ser louvado: - aquele que é regido pelo direito e não pela amizade - aquele que atinge a glória contra sua vontade/ sem pedir favores/ por mérito.
  • 35. Canto VII– considerações do poeta; estâncias 2,3,14 (empenho na difusão da fé)
  • 36. Canto VII– considerações do poeta; estâncias 2,3,14 (empenho na difusão da fé) 2 A vós, ó geração de Luso, digo, Que tão pequena parte sois no mundo, Não digo inda no mundo, mas no amigo Curral de Quem governa o Céu rotundo; Vós, a quem não somente algum perigo Estorva conquistar o povo imundo, Mas nem cobiça ou pouca obediência Da Madre que nos Céus está em essência; 3 Vós, Portugueses, poucos quanto fortes, Que o fraco poder vosso não pesais; Vós, que, à custa de vossas várias mortes, A lei da vida eterna dilatais: Assi do Céu deitadas são as sortes Que vós, por muito poucos que sejais, Muito façais na santa Cristandade. Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade! Apóstrofe repetida aos portugueses; Sacrifício pela dilatação da fé Somos poucos mas temos um grande impacto na cristianização.
  • 37. 14 Mas, entanto que cegos e sedentos Andais de vosso sangue, ó gente insana, Não faltaram Cristãos atrevimentos Nesta pequena casa Lusitana.____Portugal De Africa tem marítimos assentos; É na Ásia mais que todas soberana; Na quarta parte nova os campos ara; ___ Brasil/ América E, se mais mundo houvera, lá chegara. (empenho na difusão da fé) - A propósito da chegada à India tecem-se considerações sobre a necessidade dos povos europeus seguirem o exemplo dos portugueses e se empenharem na missão de difundir a fé de Cristo entre os povos pagãos; - Reforço da noção de missão. Nova apóstrofe Aos povos europeus que muitas vezes guerreiam entre si/lutas fratricidas. Acrescenta que a audácia cristã nunca faltou em Portugal.
  • 38. 78 Um ramo na mão tinha... Mas, ó cego, Eu, que cometo, insano e temerário, Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego, Por caminho tão árduo, longo e vário! Vosso favor invoco, que navego Por alto mar, com vento tão contrário Que, se não me ajudais, hei grande medo Que o meu fraco batel se alague cedo. Olhai que há tanto tempo que, cantando O vosso Tejo e os vossos Lusitanos, A Fortuna me traz peregrinando, Novos trabalhos vendo e novos danos: Agora o mar, agora experimentando Os perigos Mavórcios inumanos, Qual Cánace, que à morte se condena, Nüa mão sempre a espada e noutra a pena; Canto VII– Considerações do poeta; estâncias 78 – 87 (Invocação e proposição invertida: apresenta quem não cantará) apóstrofe Dirige-se à ninfas e desabafa dizendo que este percurso da escrita é longo e árduo. Constrói uma metáfora entre a escrita e o mar, pondo em evidência que a escrita da epopeia é difícil. Metáfora: Mar, ventos= obstáculos à escrita Remete para o presente da escrita, mostrando que o destino não lhe tem sido favorável. Inicia a enumeração de factos que caracterizam a sua vida: - Enfrenta o mar e a guerra; - Enfrenta os perigos, mas nunca abandona a arte da escrita;
  • 39. 80 Agora, com pobreza avorrecida, Por hospícios alheios degradado; Agora, da esperança já adquirida, De novo mais que nunca derribado; Agora às costas escapando a vida, Que dum fio pendia tão delgado Que não menos milagre foi salvar-se Que pera o Rei Judaico acrecentar-se. 81 E ainda, Ninfas minhas, não bastava Que tamanhas misérias me cercassem, Senão que aqueles que eu cantando andava Tal prémio de meus versos me tornassem: A troco dos descansos que esperava, Das capelas de louro que me honrassem, Trabalhos nunca usados me inventaram, Com que em tão duro estado me deitaram! - Enfrenta a pobreza; - Encara a desilusão; - Sofre um naufrágio e tem de lutar pela vida, mas é milagrosamente salvo. Perífrase: portugueses apóstrofe Além de todas as misérias pessoais, Camões lamenta que os portugueses não valorizem o seu trabalho; Em troco de tudo o que fez ao glorificar os portugueses, Camões apenas recebe miséria e desprezo.
  • 40. Vede, Ninfas, que engenhos de senhores O vosso Tejo cria valerosos, Que assi sabem prezar, com tais favores, A quem os faz, cantando, gloriosos! Que exemplos a futuros escritores, Pera espertar engenhos curiosos, Pera porem as cousas em memória Que merecerem ter eterna glória! 83 Pois logo, em tantos males, é forçado Que só vosso favor me não faleça, Principalmente aqui, que sou chegado Onde feitos diversos engrandeça: Dai-mo vós sós, que eu tenho já jurado Que não no empregue em quem o não mereça, Nem por lisonja louve algum subido, Sob pena de não ser agradecido. apóstrofe ironia Pede atenção para os ditos senhores que não sabem valorizar quem os glorifica. Destaca o facto de estes senhores serem maus exemplos para futuros escritores, que não se sentirão inspirados a escrever sobre alguém que não os valoriza. Neste contexto, só espera que a inspiração e o apoio das ninfas não lhe falte. Jura que usará essa inspiração de forma correta: - Louvando quem mereça; - Não se deixando influenciar de forma alguma; proposição invertida: apresenta quem não cantará
  • 41. 84 Nem creiais, Ninfas, não, que fama desse A quem ao bem comum e do seu Rei Antepuser seu próprio interesse, Imigo da divina e humana Lei. Nenhum ambicioso que quisesse Subir a grandes cargos, cantarei, Só por poder com torpes exercícios Usar mais largamente de seus vícios; 85 Nenhum que use de seu poder bastante Pera servir a seu desejo feio, E que, por comprazer ao vulgo errante, Se muda em mais figuras que Proteio. Nem, Camenas, também cuideis que cante Quem, com hábito honesto e grave, veio, Por contentar o Rei, no ofício novo, A despir e roubar o pobre povo! Usará a inspiração de forma correta: - Não louvará quem põe o interesse próprio em primeiro lugar; - Não louvará os ambiciosos, que apenas querem poder; - Não louvará quem use o seu poder e quem seja falso; - Não louvará as pessoas que apenas querem agradar ao rei e desrespeitam o povo.
  • 42. 86 Nem quem acha que é justo e que é direito Guardar-se a lei do Rei severamente, E não acha que é justo e bom respeito Que se pague o suor da servil gente; Nem quem sempre, com pouco experto peito, Razões aprende, e cuida que é prudente, Pera taxar, com mão rapace e escassa, Os trabalhos alheios que não passa. 87 Aqueles sós direi que aventuraram Por seu Deus, por seu Rei, a amada vida, Onde, perdendo-a, em fama a dilataram, Tão bem de suas obras merecida. Apolo e as Musas, que me acompanharam, Me dobrarão a fúria concedida, Enquanto eu tomo alento, descansado, Por tornar ao trabalho, mais folgado. - Não louvar os que cumprem cegamente as regras do rei não respeitando o trabalho e esforço do povo; (crítica implícita às leis régias) - não louvará quem não dá a recompensa a quem trabalha e se esforça. Apresenta agora pela positiva quem quer louvar: - Aqueles que servem a Deus e ao Rei dedicando a sua vida e assim ganhando a memória, a glória e a imortalidade. Camões acredita que a sua inspiração sairá reforçada e que voltará ao seu trabalho de escrita mais inspirado e folgado.
  • 43. Importância e Atualidade Pouca valorização da arte, em especial da literatura;  Informação tendenciosa, ou seja, na imprensa, por vezes, os críticos e jornalistas privilegiam uma ou outra parte;
  • 44. Importância e Atualidade  o perfil de pessoa descrita: Pessoas que só agem em função do seu interesse pessoal ; Pessoas ambiciosas e com fome de poder; Pessoas falsas e oportunistas; Pessoas bajuladoras Pessoas que não respeitam as classes mais baixas; Pessoas injustas.
  • 45. Canto VIII– considerações do poeta; O poder do ouro/ traição; estâncias 96 - 99 96 Nas naus estar se deixa, vagaroso, Até ver o que o tempo lhe descobre; Que não se fia já do cobiçoso Regedor, corrompido e pouco nobre. Veja agora o juízo curioso Quanto no rico, assi como no pobre, Pode o vil interesse e sede imiga Do dinheiro, que a tudo nos obriga! 97 A Polidoro mata o Rei Treício, Só por ficar senhor do grão tesouro; Entra, pelo fortíssimo edifício, Com a filha de Acriso a chuva d'ouro; Pode tanto em Tarpeia avaro vício Que, a troco do metal luzente e louro, Entrega aos inimigos a alta torre, Do qual quási afogada em pago morre. Em Calecute, Baco volta a intervir, Gama é retido e é-lhe exigido o pagamento de fazendas. Gama, depois de ter sido retido pelo Catual, não confia nele, pois considera-o um homem cobiçoso, corrompido e pouco nobre. Reflexão/dimensão moral e filosófica: Tese: o dinheiro controla o pobre e o rico. comparação Exemplificação: Figuras históricas e lendárias/míticas que tudo fizeram por dinheiro e para manter os poderes que tinham: - Polidoro - Acriso - Tarpeia
  • 46. 98 Este rende munidas fortalezas; Faz trédoros e falsos os amigos; Este a mais nobres faz fazer vilezas, E entrega Capitães aos inimigos; Este corrompe virginais purezas, Sem temer de honra ou fama alguns perigos; Este deprava às vezes as ciências, Os juízos cegando e as consciências. 99 Este interpreta mais que sutilmente Os textos; este faz e desfaz leis; Este causa os perjúrios entre a gente E mil vezes tiranos torna os Reis. Até os que só a Deus omnipotente Se dedicam, mil vezes ouvireis Que corrompe este encantador, e ilude; Mas não sem cor, contudo, de virtude! O DINHEIRO Efeitos da ação corruptiva do dinheiro: - Constrói poder; - Fomenta traições; - Corrompe até os melhores; - Torna tudo impuro; - Manipula a ciência e cega as consciências; - Manipula a informação; - Está na base de muitas leis; - Provoca mentiras; - É causa das tiranias; - Corrompe até o clero Mas sempre sob a aparência de algo bom e positivo. Dissimulação. Perífrase: Clero
  • 47. O Dinheiro não Compra a Felicidade O dinheiro não compra a felicidade, mas alivia a infelicidade. O dinheiro não compra a felicidade, mas torna a infelicidade mais pura, livrando-a das distrações desconfortáveis, provocadas pela falta de dinheiro, que concorrem com ela, disputando prioridades. A felicidade está para o dinheiro como o riso para o meio de transporte. Há uma relação - mas estão apenas vagamente relacionados. Dito doutra maneira, é mais fácil estar-se triste quando não se tem dinheiro. A frase propagandística tem de ter alguma verdade para funcionar. Sim, o dinheiro não compra a felicidade - mas isso é uma frouxa máxima para quem tem dinheiro e, por causa disso, pensa que pode ser feliz. Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (9 Out 2011)‘
  • 48. Episódio da ilha dos amores - plano da viagem e plano mitológico – canto IX episódio simbólico
  • 49. • A Ilha dos Amores simboliza a glorificação pelos feitos heroicos, a imortalidade do nome, para sempre gravado na História. • Ainda antes de os nautas encontrarem a ilha, Cupido organiza uma expedição contra todos os que não amam, abrindo espaço para a crítica de Camões aos mais favorecidos, clero, nobreza, rei. • Os marinheiros adivinham e avistam por entre os ramos das árvores as cores dos tecidos das vestes das ninfas, as quais, deliberadamente, se vão deixando alcançar. Outras são surpreendidas no banho e correm nuas por entre o mato, enquanto alguns jovens entram vestidos na água. Elas não fogem e deixam-se cair aos pés de seus perseguidores. Ação narrativa: encontro entre o plano mitológico e o plano da viagem