SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 63
Baixar para ler offline
Camões… Líricoda medida velha … aodolcestilnuovo
Renascimento em síntese: 
Características gerais: * Racionalidade * Rigor Científico 
* Dignidade do Ser Humano * Ideal Humanista * Reutilização das artes greco-romanas 
a)Racionalismo–a razão é o único caminho para se chegar ao conhecimento. 
b)Experimentalismo –todo o conhecimento deverá ser demonstrado racionalmente. 
c)Antropocentrismo–colocava o homem como a suprema criação de Deus e como o centro do universo. 
d)Humanismo–glorificação do homem e da natureza humana, em contraposição ao divino e ao sobrenatural. 
e)Classicismo -movimento cultural que valoriza e recupera os elementos artísticos da cultura clássica (greco-romana). Ocorreu nas artes plásticas, teatro e literatura, nos séculos XIV ao XVI.
A lírica tradicional também identificada com a medida velha. 
-Revela grande influência da lírica trovadoresca, quer no que diz respeito à forma, quer no que diz respeito ao conteúdo; 
-Uso da redondilha –utilização de versos de cinco (menor) e sete (maior)sílabas métricas; 
-Algumas dessas composições são por exemplo vilancetes e cantigas; 
. vilancete –composição com um mote de dois ou três versos e uma ou mais voltas ou glosas de sete versos; o último verso das voltas repete, com ou sem variantes o último verso do mote; 
. cantiga -composição com um mote de quatro ou cinco versos e uma ou mais voltas ou glosas de oito versos; o último verso das voltas repete, com ou sem variantes o último verso do mote;
. Endechas ou Trovas –número variável de estrofes, frequentemente quadras ou oitavas 
. Esparsa –composição de uma estrofe só / entre oito e dezasseis versos 
-Ambiente cortesão; 
-Arte de ser galante; elogio; mesura; amor cortês; 
-Inspiração amorosa predominante; os queixumes do coração resultantes da saudade, da distância, da coita/sofrimento de amor ; a morte de/por amor; submissão amorosa; cativo do amor perante a beleza sobrenatural da amada; 
-Inspiração de ocasião entre o jocoso e o trivial; as trivialidades do dia-a-dia; 
-Ambiente pastoril; o mar; a fonte, etc. –o Bucolismo.
A lírica de corrente renascentista, 
também identificada com a medida nova e o dolcestilnuovo 
-A maioria das composições adotam os géneros líricos herdados da estética clássica: o soneto, a canção, terceto, a ode, a elegia, a écloga; 
-Revela as grandes influências de Virgílio, Ovídio, Horácio e Petrarca, Neoplatonismo; 
-Influência da poesia provençal e do romance cortês presente na lírica de inspiração tradicional: 
. a mulher como ser superior, quase divina e de beleza inefável; idealização da mulher; 
. atitude de reverência perante a amada, mantendo o sentido da distância que os separa; platonismo; 
. a morte de/por amor.
-Análise psicológica de todo o processo, dos seus impulsos contraditórios e a manifestação de desejos opostos; 
-O temperamento ardente e apaixonado do poeta; 
-O amor: desde uma abordagem superficial a uma abordagem intensa e trágica; 
-O amor platónico; conflito entre o amor puro/espiritual e o amor sensual/carnal; 
-Amor ideal –exclui a sensualidade e é concebido como uma contemplação espiritual. As contradições que este amor acarreta faz parte de um processo de purificação. 
-Desconcerto sentimental; sentimento de perda; travo de melancolia; saudade; 
-Consciência do pecado; 
-O ideal de mulher –cabelos loiros, pele branca, olhos claros; alegria grave, harmonia pura e exata, o gesto sereno; a mulher amada é um ideal de beleza e perfeição;
-Petrarquismo: temas de Petrarca –a mulher amada, o amor e os seus efeitos, os conflitos interiores do sujeito, visão subjetiva da natureza. 
-Neoplatonismo–perceção da realidade através de dois mundos ( sensível e inteligível) 
-Por vezes não segue este modelo e aparecem a sensualidade e descrições de mulher que se afastam do modelo. 
-A natureza como confidente e espelho do estado de espírito do poeta; 
-Animizaçãoda natureza; 
-Locus amoenus–natureza harmoniosa, serena, luminosa, alegre, cristalina, transparente; 
-Referências à mitologia pagã: mitologia grega e romana; 
-As circunstâncias da realidade dramática pessoal do poeta; 
-A contínua mudança, o destino e o desconcerto do mundo.
-Soneto –duas quadras dois tercetos; decassílabos; esquema rimático abbaabbacdcdcd/ou cdecde; 
-Canção –série de estrofes com número regular de versos, com uma estrofe mais pequena; 
-Ode–Louvor feitos nacionais, a vida campesina, a celebrar o amor e a vida, etc.; 
-Elegia –Exprimem sentimentos de tristeza; 
-Écloga –intranquilidade e desassossego aliada ao bucolismo; 
-Oitava–poemas habitualmente endereçados a individualidades. Estrofe de oito versos decassilábicos, esquema rimático abababcc.
AnáliseMedida velha
Verdes são os campos 
da cor do limão 
assim são os olhos 
do meu coração. 
Aquela cativa 
que me tem cativo, 
Porque nela vivo 
Já não quer que viva. 
Se Helena apartar 
Do campo seus olhos, 
Nascerão abrolhos 
Análise de composições poéticas 
- A influência tradicional 
- A medida velha Quem ora soubesse 
Onde o amor nasce, 
Que o semeasse. 
Vós, Senhora, tudo tendes, 
senão que tendes os olhos verdes.
MOTE ALHEIO 
Vós, Senhora, tudo tendes, senão que tendes os olhos verdes. 
Dotou em vós Naturezao sumo da perfeiçãoque, o que em vós é senão, é em outras gentileza; o verde não se despreza, que, agora que vós o tendes, são belos os olhos verdes. 
Ouro e azul é a milhorcor por que a gente se perde; mas a graça desse verdetira a graça a toda a cor. Fica agora sendo a flora cor que nos olhos tendes, porque são vossos... e verdes! 
Análise formal 
Vilancete: mote alheio de dois versos 
Redondilha maior –7 silabas métricas 
Duas voltas 
Rima: abbaaccdeeddcc 
O sujeito poético elogia a beleza da amada, referindo que ela é perfeita, no entanto refere que ela tem os olhos verdes e isso é um “senão”, segundo o mote alheio que está na base deste vilancete. 
Se há alguns que desprezam os olhos verdes, agora não há razão para tal, uma vez que ela tem os olhos verdes e isso não pode ser defeito. 
A maioria das pessoas acredita que os olhos azuis são os mais belos. 
O sujeito poético faz um trocadilho com a “graça” do verde, dizendo que a “graça”, ou seja a beleza do verde, rouba a beleza a todas as outras cores.
MOTE ALHEIO 
Vós, Senhora, tudo tendes, senão que tendes os olhos verdes. 
Dotou em vós Naturezao sumo da perfeiçãoque, o que em vós é senão, é em outras gentileza; o verde não se despreza, que, agora que vós o tendes, são belos os olhos verdes. 
Ouro e azul é a milhorcor por que a gente se perde; mas a graça desse verdetira a graça a toda a cor. Fica agora sendo a flora cor que nos olhos tendes, porque são vossos... e verdes! 
Traços comuns na temática camoniana: 
Idealização da mulher 
Ênfase no olhar –espelho da alma 
Elogio e a galanteria 
O segundo verso do mote constitui a questão a ser desenvolvida ao longo do vilancete e encontra continuidade nos últimos versos das voltas. 
O sujeito poético conclui que os olhos verdes são belos, porque são os da amada.
Mote: 
Verdes são os campos 
da cor do limão 
assim são os olhos 
do meu coração. 
Voltas: 
Campo que te estendes 
com verdura bela; 
ovelhas que nela 
vosso pasto tendes: 
d’ervasvos mantendes 
que traz o Verão, 
e eu das lembranças 
do meu coração. 
Gado que paceis, 
comcontentamento 
vosso mantimento 
não o entendeis; 
isso que comeis 
não são ervas , não: 
São graças dos olhos 
Do meu coração.
Mote alheio 
Verdessão os campos 
da cor do limão 
assim são os olhos 
do meu coração. 
O sujeito poético começa por apresentar o ponto de partida para a criação poética: A semelhança entre a cor dos olhos da amada e a cor dos campos/ da Natureza. 
Estabelece uma comparação entre ambos. 
Os olhos representam a amada no seu todo 
(a parte pelo todo –sinédoque) 
Está já presente a devoção amorosa e os elementos da Natureza. 
Destaca-se já a banalidade e trivialidade da inspiração poética. 
Os elementos bucólicos estão presentes, reforçando essa simplicidade e trivialidade.
Voltas: 
Campoque te estendes 
com verdura bela; 
ovelhasque nela 
vosso pasto tendes: 
d’ervasvos mantendes 
que traz o Verão, 
e eu das lembranças 
do meu coração. 
É apresentado o destinatário ou destinatários deste lamento: Campo, Ovelhas e Gado. 
O sujeito poético dirige-se a estes elementos. 
Primeiro começa por invocar o campo verde que se estende de forma bela, mas passa logo de seguida para as ovelhas que estão tão próximas dessa beleza verde. 
O sujeito poético deixa-lhes um recado, ao lembrar- lhes que, por um lado, elas se alimentam/ elas se mantêm vivas por causa dessa verdura que o verão torna possível, por outro lado o sujeito poético alimenta-se vive por causa das lembranças/ das memórias que tem da amada. 
Pressupomos, portanto uma relação dominada pela saudade, pela tristeza e pela nostalgia.
Gadoque paceis, 
cocontentamento 
vosso mantimento 
não o entendeis; 
isso que comeis 
não são ervas , não: 
São graças dos olhos 
Do meu coração 
Dirige-se agora ao Gado, no geral, que não tem consciênciada realidade do seu sofrimento. 
O sujeito poético de uma forma exagerada (hipérbole) assume a projecção da amada na Natureza, assumindo que, sem se dar conta, o gado come a graciosidade dos olhos da amada. 
Ao longo da cantiga temos uma comparação entre os olhos da amada e os campos que se vai tornando cada vez mais evidente aos olhos do sujeito poético. 
A repetição do advérbio de negação “não” transmite um tom de oralidade ao poema, e temos a certeza de que o sujeito poético está convencido desta projeção da amada na Natureza. 
No final da composição poética os olhos não são como os campos (comparação) 
São os próprios campos verdes (metáfora).
(10pts) 1 –Que relação o sujeito poético estabelece entre os campos e a amada. 
Mote: 
Verdes são os campos 
da cor do limão assim são os olhos do meu coração. 
Voltas: 
Campo que te estendes 
com verdura bela; 
ovelhas que nela 
vosso pasto tendes: 
d’ervasvos mantendes 
que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. 
Gado que paceis, 
cocontentamento 
vosso mantimento 
não o entendeis; isso que comeisnão são ervas , não: São graças dos olhosDo meu coração. 
Os campos 
ponto de partida para a recordação da amada 
semelhança entre a cor dos campos e os olhos da natureza 
os campos alimentam/ dão vida e a amada também mantém o sujeito vivo através das recordações. 
projeção e posterior união entre a amada e a Natureza.
Mote: Verdessão os campos 
da cor do limão 
assim são os olhos 
do meu coração. 
Voltas: 
Campo que te estendes 
com verdura bela; 
ovelhas que nela 
vosso pasto tendes: 
d’ervasvos mantendes 
que traz o Verão, 
e eu das lembranças 
do meu coração. 
Gado que paceis, 
cocontentamento 
vosso mantimento 
não o entendeis; 
isso que comeis 
não são ervas , não: 
São graças dos olhos 
Do meu coração. 
(10pts) 2 –A presença da cor é importante na construção desta cantiga. Demonstra a sua importância simbólica. 
Verde 
–símbolo da Natureza, que é o elemento de comparação com a amada; 
-Símbolo da esperança, uma vez que a separação causa sofrimento, há o desejo de reencontrar a amada.
Mote: 
Verdes são os campos 
da cor do limão assim são os olhos do meu coração. 
Voltas: 
Campo que te estendes 
com verdura bela; 
ovelhas que nela 
vosso pasto tendes: 
d’ervasvos mantendes 
que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. 
Gado que paceis, 
cocontentamento 
vosso mantimentonão o entendeis; isso que comeisnão são ervas , não: São graças dos olhosDo meu coração. 
(10pts) 3 –Quais os sentimentos que dominam o sujeito poético ao longo da cantiga. 
Apaixonado –porque a natureza o faz recordar as características da amada 
Nostálgico/ Saudoso –vive de recordações de passado e não de presente 
Triste/Incompreendido/Apaixonado –porque os outros, a natureza não o compreende; porque as saudades são muitas e tudo o que tem são recordações
Mote: 
Verdes são os campos 
da cor do limão 
assim são os olhos 
do meu coração. 
Voltas: Campoque te estendescom verdura bela; ovelhasque nela vosso pasto tendes: 
d’ervasvos mantendes 
que traz o Verão, 
e eu das lembranças 
do meu coração. Gadoque paceis, cocontentamento 
vosso mantimento 
não o entendeis; 
isso que comeis 
não são ervas , não: 
São graças dos olhos 
Do meu coração. 
(10pts) 4 –Observa as palavras “Campo” “ovelhas” “Gado”. Relaciona a sua utilização com o tema da composição poética. 
É apresentado o destinatário ou destinatários deste lamento: Campo, Ovelhas e Gado. O sujeito poético dirige-se a estes elementos. 
Primeiro começa por invocar o campo verde que se estende de forma bela, mas passa logo de seguida para as ovelhas que estão tão próximas dessa beleza verde. 
O sujeito poético deixa-lhes um recado, ao lembrar-lhes que por um lado elas se alimentam, elas se mantêm vivas por causa dessa verdura que o verão torna possível, por outro lado o sujeito poético alimenta-se/vive por causa das lembranças/ das memórias que tem da amada.
Mote: 
Ver//des// são// os //cam//pos 
Da// cor// do// li//mão 
assim são os olhos 
do meu coração. 
Voltas: Campo que te estendes 
com verdura bela; ovelhas que nela 
vosso pasto tendes: 
d’ervasvos mantendes 
que traz o Verão, 
e eu das lembranças 
do meu coração. Gado que paceis, 
cocontentamento 
vosso mantimento 
não o entendeis; 
isso que comeis 
não são ervas, não: 
São graças dos olhos 
Do meu coração. 
(15pts) 5 –Este poema retoma aspectos característicos da poesia tradicional. Identifica-os. 
Formal : 
•Cantiga / redondilha menor (5 sílabas métricas) 
•mote: quatro versos 
•voltas com oito versos 
•repetição do último verso do mote no final de cada volta 
Conteúdo: 
•Saudade 
•elogio à beleza da amada 
•as características da mulher : os olhos claros 
a graciosidade•0 bucolismo: a natureza, os campos, as ervas, as ovelhas, o gado, o pasto 
•a simplicidade, trivialidade e banalidade dos elementos que estão na base da inspiração poética: os campos verdes
(15pts) 6 –Apresenta a Paráfrase da última volta. Identificando e clarificando a intenção do recurso expressivo presente nos últimos quatro versos. 
Mote: 
Verdes são os campos 
da cor do limão 
assim são os olhos 
do meu coração. 
Voltas: 
Campo que te estendes 
com verdura bela; 
ovelhas que nela 
vosso pasto tendes: 
d’ervasvos mantendes 
que traz o Verão, 
e eu das lembranças 
do meu coração. Gado que paceis, cocontentamentovosso mantimentonão o entendeis; isso que comeisnão são ervas , não: São graças dos olhosDo meu coração. 
Dirige-se agora ao Gado, no geral, que não tem consciênciada realidade do seu sofrimento. 
O sujeito poético de uma forma exagerada (hipérbole) assume a projeção da amada na Natureza, assumindo que, sem se dar conta, o gado come a graciosidade dos olhos da amada. 
Ao longo da cantiga, temos uma comparação entre os olhos da amada e os campos que se vai tornando cada vez mais evidente aos olhos do sujeito poético. 
A repetição do advérbio de negação “não” transmite um tom de oralidade ao poema, e temos a certeza de que o sujeito poético está convencido desta projeção da amada na Natureza. 
No final da composição poética os olhos não são como os campos (comparação) 
São os próprios campos verdes (metáfora).
A 
“Pretos os cabelos 
Onde o povo vão 
perde opinião 
Que os louros são belos” 
B 
“Tãolindaqueomundoespanta” 
C 
“Os ventos serena, 
Faz claras de abrolhos 
Oardosseusolhos.” 
D 
“Presença serena 
Que a tormenta amansa” 
E 
“Pretidão de amor, 
Tão doce a figura, 
Que a neve lhe jura 
que trocou a cor.” 
F 
“Mais branca que a neve pura(…)” 
“Cabelos de ouro o trançado.” 
(20pts) 1 -Organiza as temáticas recorrentes na poesia de influência tradicional, exemplificando com os versos acima apresentados. 
•O modelo de mulher correspondia à mulher loura, mas em Camões há muitas vezes a dúvida, a alteração dos padrões habituais. (A ) 
•Serenidade no perfil psicológico (D e C) 
•A presença da antítese, por um lado está presente a inquietação, por outro lado está presente a serenidade. (D) 
•A beleza da mulher é sempre enaltecida, dando muitas vezes origem à hipérbole. (B) 
•A brancura da pele é sempre motivo para a metáfora e símbolo da sua pureza e simplicidade. Novamente as dúvidas e contradiçõesdo sujeito poético. (E) 
•A amada é um agente transformador da natureza supra-humano, divinizado, capaz de fazer coisas que a maioria dos mortais não consegue. (C) 
•Além da brancura e dos cabelos louros, ainda se acrescenta a metáfora constante, recorrendo aos metais preciosos (ouro e prata) construindo-se assim um retrato ainda mais valorativo. (F)
Todootrabalhobem 
Prometegostosofruito, 
Masostrabalhos,quevêm 
Paraquemdita(1)ditanãotem, 
Valempoucoecustammuito. 
(1)Boafortuna,felicidade 
Osbonsvisemprepassar 
Nomundogravestormentos; 
E,paramaism’espantar, 
Osmausvisemprenadar 
Emmardecontentamentos. 
2 -“ A experiência do humanista, a experiência amorosa e a experiência de vida colocam Camões perante uma constatação: a de que o mundo, a realidade, é absurda e domina o desconcerto. Esta constatação deixou marcas amargas em poemas de revolta, queixa, desengano, perplexidade angustiada.” 
InAmélia Pinto Pais, Eu cantarei de amor –Lírica de Luís de Camões. 
(20pts) 2.1 -Clarifica as afirmações e exemplifica com a análise dos versos que se seguem: 
Camões foi um humanista, viajou e conheceu o mundo 
•humanismo alimenta a capacidade nas capacidades humanas; 
•valorização da razão e do juízo crítico 
•certificação da verdade através da experimentação 
•desenvolve a capacidade de conhecer o mundo de o questionar e de reflectir sobre os comportamentos humanos. 
No primeiro excerto, conclui que o mundo vive em desconcerto, pois o trabalho deveria levar ao mérito e à honra, o que não acontece. 
No segundo excerto, conclui que o mundo vive em desconcerto, pois a bondade deve ser premiada e não é. A maldade deve ser castigada e também não é.
Aquela cativa 
que me tem cativo, 
Porque nela vivo 
Já não quer que viva. 
Eu nunca vi rosa 
Em suaves molhos, 
Que perameus olhos 
Fosse mais fermosa. 
Nem no campo flores, 
Nem no céu estrelas 
Me parecem belas 
Como os meus amores. 
Rosto singular 
Olhos sossegados 
Pretos e cansados, 
Mas não de matar. 
uagraça viva, 
Que neles lhe mora, 
Peraser senhora 
de quem é cativa. 
Pretos os cabelos, 
Onde o povo vão 
Perde a opinião 
Que os louros são belos 
Pretidão de amor, 
Tão doce a figura, 
Que a neve lhe jura 
Que trocara a cor. 
Leda mansidão 
Que o siso acompanha; 
Bem parece estranha 
Mas bárbara não. 
Presença serena 
Que a tormenta amansa; 
Nela, enfim descansa 
Toda a minha pena. 
Esta é a cativa 
Que me tem cativo, 
E, pois nela vivo, 
É força que viva.
Aquela cativa 
que me tem cativo 
Porque nela vivo 
Já não quer que viva. 
Eu nunca vi rosa 
Em suaves molhos, 
Que perameus olhos 
Fosse mais fermosa. 
O sujeito poético começa com um jogo de palavras: cativo/cativa que é sugestivo da escravidão amorosa do sujeito poético. 
Se por um lado Bárbara é escrava/cativa (socialmente), o sujeito poético também o é. 
É escravo do seu amor. 
O sujeito poético faz um elogio à beleza da amada, construindo já a tradicional hipérbole, onde superioriza a amada. 
Os elementos da Natureza são os escolhidos para ajudar a descrever a beleza da amada
Nem no campo flores, 
Nem no céu estrelas 
Me parecem belas 
Como os meus amores. Rosto singular 
Olhos sossegados 
Pretos e cansados, Masnão de matar. 
Comparativamente com as flores e/ou as estrelas, a sua amada é muito mais bela. 
Note-se que todo o elogio é pessoal, ou seja, pareceao sujeito poético que a sua amada tem uma beleza incomparável à beleza da grandiosidade da Natureza. Está presente uma comparação. 
O rosto da amada não é um rosto banal, é singular/diferente/único, ou seja não corresponde aos padrões habituais. 
Mais uma vez, os olhos são apresentados como um espelho da alma, neste caso estão sossegados, o que mais uma vez reforça a ideia da calma e serenidade que caracterizava as mulheres da lírica camoniana. 
Mas logo de seguida, apresenta características que se opõem ao modelo de mulher: “olhos pretos e cansados”, ou seja, olhos escuros e doridos do trabalho duro. Mais uma vez o sujeito poético joga com as palavras e diz que ela está cansada, mas não de matar …de amor, não de seduzir e de inspirar paixões.
uagraça viva, 
Que neleslhe mora, 
Peraser senhora 
de quem é cativa. 
Pretos os cabelos, 
Onde o povo vão 
Perde a opinião 
Que os louros são belos. 
O “povo vão”, ou seja, a opinião geral e pouco acertada é de que os cabelos louros é que são belos. 
O sujeito poético põe em causa o modelo da época e substitui-o por outro. 
Antecedente –“olhos” 
Mais uma vez se joga com as palavras “senhora” e “cativa”, reforçando a ideia de que apesar de ser cativa/escrava, domina, é senhora dos corações apaixonados. 
O reforço da graciosidade da mulher é contínuo e assemelha-se ao modelo de mulher.
Pretidão de amor, 
Tão doce a figura, 
Que a neve lhe jura 
Que trocara a cor. 
Leda mansidão 
Que o siso acompanha; 
Bem parece estranha 
Mas bárbaranão. 
Presença serena 
Que a tormenta amansa; 
Nela, enfim descansa 
Toda a minha pena. 
Esta é a cativa 
Que me tem cativo. 
E, pois nela vivo, 
É força que viva. 
Inicia esta oitava com uma apóstrofeà mulher amada, pondo em destaque precisamente as características que se opõem ao modelo de mulher da época, 
Mas logo se sucedem características psicológicas que se adequam ao modelo: 
Doçura, leda mansidão, siso. 
Toda esta descrição pode parecer diferente, mas não agressiva, ofensiva (“bárbara”). 
Novamente o reforço da serenidade. E também a presença da antítese, que põe em destaque as contradições amorosas e os conflitos de opinião. 
O sujeito poético encaminha para uma conclusãotodo este elogio, dizendo que nela se concentra a sua inspiração poética e sofrimento poético (“pena”).
Aquela cativa 
que me tem cativo, 
Porque nela vivo 
Já não quer que viva. 
Eu nunca vi rosa 
Em suaves molhos, 
Que perameus olhos 
Fosse mais fermosa. 
Em no campo flores, 
Nem no céu estrelas 
Me parecem belas 
Como os meus amores. 
Rosto singular 
Olhos sossegados 
Pretos e cansados, 
Mas não de matar. 
uagraça viva, 
Que neles lhe mora, 
Peraser senhora 
de quem é cativa. 
Pretos os cabelos, 
Onde o povo vão 
Perde a opinião 
Que os louros são belos 
Pretidão de amor, 
Tão doce a figura, 
Que a neve lhe jura 
Que trocara a cor. 
Leda mansidão 
Que o siso acompanha; 
Bem parece estranha 
Mas bárbara não. 
Presença serena 
Que a tormenta amansa; 
Ela, enfim descansa 
Toda a minha pena. 
Esta é a cativa 
Que me tem cativo. 
E, pois nela vivo, 
É força que viva. 
“Aquela” implica um distanciamento, pois o sujeito poético ainda não apresentou a personagem. 
“ Esta” implica proximidade, pois agora as características desta personagem são conhecidas.
A escrava contraria o modelo de mulher renascentista pelas suas características físicas que fogem ao pré-estabelecido: loiro, olhos claros, pele branca. 
A sua serenidade, sensatez, calma e forma distante já se inscrevem nesse modelo.
Se Helena apartar 
Do campo seus olhos, 
Nascerão abrolhos 
Voltas: 
A verdura amena 
Gados que pasceis 
Sabei que a deveis 
Aos olhos de Helena. 
Os ventos serena, 
Faz flores de abrolhos 
O ar de seus olhos. 
Faz serras floridas, 
Faz claras as fontes; 
Se isto faz nos montes, 
Que fará nas vidas? 
Trá-las suspendidas 
Como ervas em molhos, 
na luz de seus olhos. 
Os corações prende 
Com graça inumana 
De cada pestana 
Ua alma lhe pende. 
Amor se lhe rende 
E, posto em giolhos, 
Pasma nos seus olhos.
Se Helena apartar 
Do campo seus olhos, 
Nascerão abrolhos. 
No mote, o sujeito poético deixa evidente que 
os olhos de Helena irradiam uma luz especial, 
de origem “divina”, inumana capaz de 
transfigurar a Natureza, transformando-a de 
forma bela. 
Está presente o universo bucólico, onde a 
Natureza é o cenário da acção da mulher e 
do seu elogio.
Voltas: 
A verdura amena 
Gados que pasceis 
Sabei que a deveis 
Aos olhos de Helena. 
Os ventos serena, 
Faz flores de abrolhos 
O ar de seus olhos. 
Faz serras floridas, 
Faz claras as fontes; 
Continuam a estar presentes os elementos 
da Natureza e são o destinatário da 
mensagem do sujeito poético. 
Está presente uma anástrofe, que reforça a 
ação dos olhos de Helena. 
( “Gado que pasceis, sabei que deveis a 
verdura amena aos olhos de Helena”). 
(Outro caso de inversão da ordem natural: 
“o ar de seus olhos faz flores de abrolhos”) 
O sujeito poético parece querer tornar claro 
para o gado que este deve tudo à capacidade 
que os olhos de Helena têm de transmutar a 
Natureza. 
Esta ação está reforçada quer pela utilização 
de verbos, quer pela utilização de 
adjectivação e adjectivo anteposto, 
Anáfora – “Faz” 
Reforça o sentido 
transformador. Sem o seu olhar 
nada existiria.
---------------------------- 
---------------------------- 
Se isto faz nos montes, 
Que fará nas vidas? 
Trá-las suspendidas 
Como ervas em molhos, 
na luz de seus olhos. 
Os dois primeiros versos desta volta 
completam a primeira parte do vilancete: 
• A acção dos olhos de Helena na 
Natureza 
Agora inicia-se a segunda parte: 
• A acção dos olhos de Helena nas vidas 
humanas. 
Esta segunda parte começa com uma questão 
retórica que nos leva a reflectir sobre os efeitos que 
esta mulher terá nos humanos. 
Logo de seguida, o sujeito poético responde a esta 
questão, com uma comparação. 
Conclui que também as almas humanas estão 
dependentes dela.
Os corações prende 
Com graça inumana 
De cada pestana 
Ua alma lhe pende. 
Amor se lhe rende 
E, posto em giolhos, 
Pasma nos seus olhos. 
Até o amor lhe presta vassalagem. 
Helena é uma figura graciosa, inatingível, 
espiritualizada, pertencente a um outro mundo, 
onde a matéria se suspende e de si depende. 
O amor que inspira é um amor espiritualizado, 
inefável.
Mote 
Quem ora soubesse 
Onde o amor nasce, 
Que o semeasse. 
Voltas: 
D’Amore seus danos 
Me fiz lavrador; 
Semeava amor 
E colhia enganos; 
Não vi em meus anos, 
Homem que apanhasse 
O que semeasse. 
Vi terra florida 
De lindos abrolhos, 
Lindos para os olhos, 
duros para a vida; 
Mas a rês(1) perdida 
Que tal erva pace(2) 
Em forte hora nace. 
Com quanto perdi, 
Trabalhava em vão; 
Se semeei grão 
Grande dor colhi. 
Amor nunca vi 
Que muito durasse, 
Que não magoasse. Luís de Camões
Mote 
Quem ora soubesse 
Onde o amor nasce, 
Que o semeasse. 
O sujeito poético utiliza o Pretérito Imperfeito do Conjuntivo para expressar as suas dúvidas e os seus conselhos. 
O sujeito poético começa por lançar uma questão, uma dúvida para o ar. Ele diz que se alguém conhece o terreno fértil do amor deveria plantá-lo. 
O sujeito poético inicia aqui esta metáfora que aproxima o amor de uma cultura que necessita terreno especial, ou seja cuidados especiais.
D’ Amor e seus danos 
Me fiz lavrador; 
Semeava amor 
E colhia enganos; 
Não vi em meus anos, 
Homem que apanhasse 
O que semeasse. 
O sujeito poético conta que se tornou lavrador de amor. 
Inicia aqui uma metáforaque se irá prolongar ao longo de todo o texto: Todo este processo de colher, nascer, cuidar e colher está presente como a metáfora de sentir amor de o alimentar e conduzir ao longo da vida. 
Os aspectos da Natureza dominam completamente a metáfora em construção. 
O sujeito poético afirma que ao longo da vida semeou amor, mas só colheu enganos, ou seja faz alusão a um amor infeliz e sofrido. 
Por fim refere que, partindo da sua experiência pessoal, nunca viu ninguém que apanhasse o que recolheu , ou seja nunca ninguém foi verdadeiramente feliz no amor.
Vi terra florida 
De lindos abrolhos, 
Lindos para os olhos, 
duros para a vida; 
Mas a rês(1) perdida 
Que tal erva pace(2) 
Em forte hora nace. 
O sujeito poético recorda que já teve momentos felizes, porém momentos contraditórios: Por um lado eram “lindos”, por outro eram “duros”, porque levavam ao sofrimento . 
Constrói-se uma antítese, pois os “abrolhos” não são plantas bonitas, pelo contrário, têm picos , ou seja, representam aqui uma ilusão e um perigo de sofrimento. 
A “rês perdida” representa aqui o Homem que se alimenta de “tal erva”, ou seja, do amor ilusório. 
Destaca-se também o facto deste amor (erva) nascer forte/ intenso e condenar o homem.
Com quanto perdi, 
Trabalhavaem vão; Se semeei grão 
Grande dor colhi. 
Amor nunca vi 
Que muito durasse, 
Que não magoasse. 
Luís de Camões 
O investimento, a dedicação, o trabalhoque este lavrador (homem) dedicou à sementeira ( ao amor) foi em vão, ou seja foi inútil, porque a única coisa que colheu foi dor e sofrimento. 
O sujeito poético conclui a metáfora, tornando-a clara nos últimos três versos onde diz que nunca conheceu um Amor que perdure e que não conduza ao sofrimento. 
Anáfora 
Aliteração
(15pts) 1 –Logo na primeira volta o sujeito poético apresenta-se metaforicamente. Justifica a afirmação. 
O sujeito poético inicia esta metáfora que aproxima o amor de uma cultura que necessita terreno especial, ou seja cuidados especiais. 
D’ Amor e seus danos 
Me fiz lavrador; 
Semeava amor 
E colhia enganos; 
Não vi em meus anos, 
Homem que apanhasse 
O que semeasse. 
O sujeito poético conta que se tornou lavrador de amor. 
Inicia aqui uma metáforaque se irá prolongar ao longo de todo o texto: Todo este processo de colher, nascer, cuidar e colher está presente como a metáfora de sentir amor, de o alimentar e conduzir ao longo da vida. 
Os aspectos da Natureza dominam completamente a metáfora em construção. 
O sujeito poético afirma que ao longo da vida semeou amor, mas só colheu enganos, ou seja faz alusão a um amor infeliz e sofrido.
(15pts) 2 –Este texto é uma reflexão pessoal. 
Justifica a afirmação e apresenta o possível destinatário deste vilancete. 
Mote 
Quem ora soubesse 
Onde o amor nasce, 
Que o semeasse. 
Voltas: 
D’Amore seus danos 
Me fiz lavrador; 
Semeavaamor 
E colhiaenganos; 
Não viem meus anos, 
Homem que apanhasse 
O que semeasse. 
Viterra florida 
De lindos abrolhos, 
Lindos para os olhos, 
duros para a vida; 
Mas a rês(1) perdida 
Que tal erva pace(2) 
Em forte hora nace. 
Com quanto perdi, 
Trabalhavaem vão; 
Se semeei grão 
Grande dor colhi. 
Amor nunca vi 
Que muito durasse, 
Que não magoasse. 
Luís de Camões 
O sujeito poético começa por lançar uma questão, uma dúvida para o ar. Ele diz que se alguém conhece o terreno fértil do amor deveria plantá-lo. 
Tudo isto é uma reflexão pessoal, porque o sujeito poético recorre à sua experiência pessoal para tirar conclusões. Isto é ele vai contando o que fez, o que semeou, o que colheu, o que viu, o que perdeu, o que trabalhou, e a que conclusões chega: o amor conduz sempre ao sofrimento…
(10pts) 3 –Quais os efeitos e características do Amor? Justifica, fazendo o levantamento de palavras que o comprovam. 
Mote 
Quem ora soubesse 
Onde o amor nasce, 
Que o semeasse. 
Voltas: 
D’ Amor e seus danos 
Me fiz lavrador; 
Semeava amor 
E colhia enganos; 
Não vi em meus anos, 
Homem que apanhasse 
O que semeasse. 
Vi terra florida 
De lindos abrolhos, 
Lindos para os olhos, 
duros para a vida; 
Mas a rês(1) perdida 
Que tal erva pace(2) 
Em forte hora nace. 
Com quanto perdi, 
Trabalhava em vão; 
Se semeei grão 
Grande dorcolhi. 
Amor nunca vi 
Que muito durasse, 
Que não magoasse. 
Luís de Camões 
Efeitos: 
Danos 
Sofrimento 
Desilusão 
Dor 
magoa 
Características: 
Enganoso 
Ilusório 
Contraditório 
Forte/intenso 
Exigente 
O Amor é apenas uma ilusão, cria expectativas, alimenta as esperanças, mas no final acaba sempre por levar ao sofrimento e à desilusão. 
É também forte e exigente, pois quando surge é intenso e arrebatador, e todo o apaixonado deve “trabalhar”, ou seja empenhar-se nesta tarefa.
(15pts) 4 –Este poema retoma aspectos característicos da poesia tradicional. Identifica-os. 
Mote 
Quem ora soubesse 
Onde o amor nasce, 
Que o semeasse. 
Voltas: 
D’ Amor e seus danos 
Me fiz lavrador; Semeavaamor 
E colhia enganos; 
Não vi em meus anos, 
Homem que apanhasseO que semeasse. 
Vi terra florida 
De lindos abrolhos, 
Lindos para os olhos, 
duros para a vida; 
Mas a rês(1) perdida 
Que tal erva pace(2) 
Em forte hora nace. 
Com quanto perdi, 
Trabalhava em vão; Se semeei grão 
Grande dor colhi. 
Amor nunca vi 
Que muito durasse, 
Que não magoasse. 
Luís de Camões 
Formal : 
•vilancete/ redondilha menor (5 sílabas métricas) 
•mote: três versos 
•voltas com sete versos 
•repetição do último verso do mote no final de cada volta 
Conteúdo: •0 bucolismo: a natureza, os campos, o lavrador, a sementeira, o gado, o pasto 
•a simplicidade, trivialidade e banalidade dos elementos que estão na base da inspiração poética: a sementeira. 
•o sofrimento amoroso e a submissão amorosa. A coita de amor.
(15pts) 5 –Apresenta a Paráfrase da última volta. Identificando e clarificando a intenção do recurso expressivo presente nos últimos quatro versos. 
Mote 
Quem ora soubesse 
Onde o amor nasce, 
Que o semeasse. 
Voltas: 
D’ Amor e seus danos 
Me fiz lavrador; 
Semeava amor 
E colhia enganos; 
Não vi em meus anos, 
Homem que apanhasse 
O que semeasse. 
Vi terra florida 
De lindos abrolhos, 
Lindos para os olhos, 
duros para a vida; 
Mas a rês(1) perdida 
Que tal erva pace(2) 
Em forte hora nace. 
Com quanto perdi, 
Trabalhava em vão; 
Se semeei grão 
Grande dor colhi. 
Amor nunca vi 
Que muito durasse, 
Que não magoasse. 
Luís de Camões 
O investimento, a dedicação, o trabalhoque este lavrador (homem) dedicou à sementeira ( ao amor) foi em vão, ou seja foi inútil, porque a única coisa que colheu foi dor e sofrimento. 
O sujeito poético conclui a metáfora, tornando-a clara nos últimos três versos onde diz que nunca conheceu um Amor que perdure e que não conduza ao sofrimento.
AnáliseMedida novadolcestilnuovo
Ondados fios de ouro reluzenteOndados fios de ouro reluzente, Que agora da mão bela recolhidos, Agora sobre as rosas estendidosFazeis que sua graça se acrescente; Olhos, que vos moveis tão docemente, Em mil divinos raios encendidos, Se de cá me levais alma e sentidos, Que fora, se de vós não fora ausente? Honesto riso, que entre a mor finezaDe perlas e corais nacee parece, Se n'alma em doces ecos não o ouvisse! Se imaginando só tanta beleza, De si, em nova glória, a alma se esquece, Que será quando a vir? Ah! Quem a visse! 
O soneto aborda o tema da mulher, mais propriamente, o ideal Petrarquista. 
Este ideal é sempre descrito como uma mulher perfeita, bela, nobre, só descritível em imagens hiperbólicas. 
Verifica-se a descrição física, à maneira de Petrarca, de uma mulher, que contribui para a sua caracterização moral. O poema apresenta uma enumeração metafórica dos atributos físicos da mulher. 
Esta caracterização respeita o ideal feminino petrarquista e assume também a ausência da amada. 
Assim, afastado do objeto da sua devoção, o poeta deseja a proximidade. 
Utiliza um discurso expressivo, marcado pelas expressões interjetivas. 
O texto é constituído por duas quadras e dois tercetos em metro decassilábico, com um esquema rimático ABBA // ABBA // CDE // CDE, verificando-se a existência de rima interpolada em “A”, emparelhada em “B” e interpolada em “C,D,E”.
Presença bela, angélica figura, Em quem, quanto o Céu tinha, nos tem dado; Gesto alegre, de rosas semeado, Entre as quais se está rindo a Fermosura; Olhos, onde tem feito tal misturaEm cristal branco e preto marchetado, Que vemos já no verde delicadoNão esperança, mas enveja escura; Brandura, aviso e graça que, aumentandoA natural beleza c'umdesprezoCom que, mais desprezada, mais se aumenta; São as prisões de um coração que, preso, Seu mal ao som dos ferros vai cantando, Como faz a sereia na tormenta.
Leda serenidade deleitosa, Que representa em terra um paraíso; Entre rubis e perlas doce riso; Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa; 
Presença moderada e graciosa, Onde ensinando estão despejo e sisoQue se pode por arte e por aviso, Como por natureza, ser fermosa; 
Fala de quem a morte e a vida pende, Rara, suave; enfim, Senhora, vossa; Repouso nela alegre e comedido: 
Estas as armas são com que me rendeE me cativa Amor; mas não que possaDespojar-me da glória de rendido. 
Contradição do amor 
felicidade e sofrimento 
Retratoidealizado da amada: 
Traços físicos e psicológicos 
Estrutura interna 
Recursos expressivos 
Efeitos da mulher no sujeito lírico 
Presença/ausência do dialogismo
Dizei, Senhora, da Beleza ideia: Para fazerdes esse áureo crino, Onde fostes buscar esse ouro fino? De que escondida mina ou de que veia? Dos vossos olhos essa luz febeia, Esse respeito, de um império dino? Se o alcançastes com saber divino, Se com encantamentos de Medeia? De que escondidas conchas escolhestesAs perlaspreciosas orientaisQue, falando, mostrais no doce riso? Poisvos formastes tal como quisestes, Vigiai-vos de vós, não vos vejais; Fugi das fontes: lembre-vos Narciso. 
Retratoidealizado, concetuale divinizado da amada: 
Traços físicos e psicológicos 
Sedução, fatalidade do amor 
Influência do classicismo – Febo, Medeia, Vénus, Narciso 
Estrutura interna 
Recursos expressivos 
Efeitos da mulher no sujeito lírico 
Presença do dialogismo
Pág. 278 
Está o lascivo e doce passarinhoCo'obiquinho as penas ordenando, O verso sem medida, alegre e brando, Espedindo no rústico raminho. O cruel caçador, que do caminhoSe vem, calado e manso, desviando, Na pronta vista a seta endireitando, Lhe dá no Estígio lago eterno ninho. Destarte o coração, que livre andava, (Posto que já de longe destinado), Onde menos temia, foi ferido. Porque o Frecheiro cego me esperava, Para que me tomasse descuidado, Em vossos claros olhos escondido. 
Locus amoenus 
Metáfora do enamoramento 
Amor –prisão, cegueira, fatalidade 
Ambiente bucólico
Pág. 278 
Comoquando o mar tempestuosoo marinheiro, lasso e trabalhado, de um naufrágio cruel já salvo a nado, só ouvir falar nele o faz medroso, e jura que, em que veja bonançosoo violento mar e sossegado, não entre nele mais, mas vai forçadopelo muito interesse cobiçoso; assi, Senhora, eu, que da tormentade vossa vista fujo, por salvar-me, jurando de não mais em outra ver-me: minh’alma, que de vós nunca se ausenta, dá-me por preço ver-vos, faz tornar-me 
donde fugi tão perto de perder-me. 
Locus amoenus 
Metáfora do enamoramento 
Amor –tormenta, cruel, fatalidade 
Ambiente bucólico
Pág290 
O céu, a terra, o vento sossegado... As ondas, que se estendem pela areia... Os peixes, que no mar o sono enfreia... O nocturno silêncio repousado... O pescador Aónio, que, deitadoOnde co vento a água se meneia, Chorando, o nome amado em vão nomeia, Que não pode ser mais que nomeado: —Ondas –dezia–antes que Amor me mate, Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedoMe fizestes à morte estar sujeita. Ninguém lhe fala; o mar de longe bate; Move-se brandamente o arvoredo; Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita. 
Locus amoenus 
Metáfora do enamoramento 
Amor –tormenta, cruel, fatalidade 
Ambiente bucólico
Página 293 
Males, que contra mim vos conjurastes, Quanto há-de durar tão duro intento? Se dura, por que dure meu tormento, Baste-vos quanto já me atormentastes. Mas se assim porfiais, porque cuidastesDerribar o meu alto pensamento, Mais pode a causa dele, em que o sustento, Que vós, que dela mesma o ser tomastes. E pois vossa tenção com minha morteÉ de acabar o mal destes amores, Dai já fim a tormento tão comprido. Assim de ambos contente será a sorte: Em vós por acabar-me, vencedores, Em mim porque acabei de vós vencido. 
Desconcerto emocional 
(pág. 298)
http://www.slideshare.net/HMECOUT/o-dia-em-que-eu-nasci-morra-e-perea 
Pág. 291 
O dia em que nasci moura e pereça, Não o queira jamais o tempo dar; Não torne mais ao Mundo, e, se tornar, Eclipse nesse passo o Sol padeça. A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça, Mostre o Mundo sinais de se acabar, Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar, A mãe ao próprio filho não conheça. As pessoas pasmadas, de ignorantes, As lágrimas no rosto, a cor perdida, Cuidem que o mundo já se destruiu. Ó gente temerosa, não te espantes, Que este dia deitou ao Mundo a vida Mais desgraçada que jamais se viu! 
Desconcerto emocional
Pág. 301 
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança: Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soía. 
Desconcerto do mundo 
(pág. 304)
Omundotem-mefeitodesfeitasatrásdedesfeitas.Namaiorpartedasvezes,omundoentretém-seamostrar- mequesouestúpido.Admitoque,quandoissoacontece,omundoquasenãotemdefazernadaparaoconseguir.Masérealmenteincrívelotrabalhoaqueomundosetemdadoparamefazersentirvelho.Todososdiasfazpiruetasimpossíveis,semoutrajustificaçãoquenãosejaobrigar-meadizer,comoumoctogenário,"Nomeutempoistonãoeraassim".Aúltimadessascabriolasfoiesta:nestemomento,oregimepolíticoqueaspessoasricasprefereméodaRússia.Nomeutempoistonãoeraassim.GérardDépardieu,francês,actor, milionárioereputadobêbadourinadornochãodeaviões,pediuacidadaniarussaparapagarmenosimpostos. Eobteve-aporque,aopassoquenomeutempoaRússiaachavaqueoocidenteerademasiadocapitalista, agoraachaquenãooésuficientemente. 
Nomeutempo,osrussosqueriamsairparaoocidente.Agora,osocidentaisquerementrarnaRússia.Alguémsubstituiuacortinadeferroporaquelacortinaque,nosaviões,separaaralédaprimeiraclasse.Efoirapidíssimo.Todoomundoécompostodemudança,eusei.Jamaistebanharásduasvezesnaságuasdomesmorio,etal.Deacordo.Masistoéumexagero.Qualrio,Heraclito?Quaiságuas?Opróprioriodeixoudeserumrio.Ejánãoestamosabanhar-nosemágua.Istoévinho.EGérardDepardieuestáabebê-lotodo,comoéevidente.Nãosemudajácomosoíaporqueoprópriodevirmudou.Eoumuitomeenganoouestádrogado. 
Empoucomaisde20anos,aRússiatransfigurou-se.Nãoseiseaguentomudançasdomesmogéneronospróximos20anos.Receioqueaminhasaúdenãoresistaaochoquese,em2033,aCoreiadoNorteforumpaíslivre,aAlemanhaforumpaíspobre,ePortugalforumpaísdecente.Osobressaltopoderiamatar-me.Creioqueéissoqueomundopretende,eomaistristeéqueestouconvencidodequeacabaráporconsegui-lo.Resta-meretaliarcomoposso.Voucomprardoisoutrêsaerossóisbempoluenteseajustarcontascomomundo.Logoveremossecontinuarácomvontadedefazerpoucodemimquandotiveracamadadeozonotodaesburacada. 
Ricardo Araújo Pereira, Visão
Omundotem-mefeitodesfeitasatrásdedesfeitas.Namaiorpartedasvezes,omundoentretém-seamostrar- mequesouestúpido.Admitoque,quandoissoacontece,omundoquasenãotemdefazernadaparaoconseguir. Masérealmenteincrívelotrabalhoaqueomundosetemdadoparamefazersentirvelho.Todososdiasfazpiruetasimpossíveis,semoutrajustificaçãoquenãosejaobrigar-meadizer,comoumoctogenário,"Nomeutempoistonãoeraassim".Aúltimadessascabriolasfoiesta:nestemomento,oregimepolíticoqueaspessoasricasprefereméodaRússia.Nomeutempoistonãoeraassim.GérardDépardieu,francês,actor, milionárioereputadobêbadourinadornochãodeaviões,pediuacidadaniarussaparapagarmenosimpostos.Eobteve-aporque,aopassoquenomeutempoaRússiaachavaqueoocidenteerademasiadocapitalista,agoraachaquenãooésuficientemente. 
Nomeutempo,osrussosqueriamsairparaoocidente.Agora,osocidentaisquerementrarnaRússia.Alguémsubstituiuacortinadeferroporaquelacortinaque,nosaviões,separaaralédaprimeiraclasse.Efoirapidíssimo. Todoomundoécompostodemudança,eusei.Jamaistebanharásduasvezesnaságuasdomesmorio,etal.Deacordo.Masistoéumexagero.Qualrio,Heraclito?Quaiságuas?Opróprioriodeixoudeserumrio.Ejánãoestamosabanhar-nosemágua.Istoévinho.EGérardDepardieuestáabebê-lotodo,comoéevidente.Nãosemudajácomosoíaporqueoprópriodevirmudou.Eoumuitomeenganoouestádrogado. 
Empoucomaisde20anos,aRússiatransfigurou-se.Nãoseiseaguentomudançasdomesmogéneronospróximos20anos.Receioqueaminhasaúdenãoresistaaochoquese,em2033,aCoreiadoNorteforumpaíslivre,aAlemanhaforumpaíspobre,ePortugalforumpaísdecente.Osobressaltopoderiamatar-me.Creioqueéissoqueomundopretende,eomaistristeéqueestouconvencidodequeacabaráporconsegui-lo.Resta-meretaliarcomoposso.Voucomprardoisoutrêsaerossóisbempoluenteseajustarcontascomomundo.Logoveremossecontinuarácomvontadedefazerpoucodemimquandotiveracamadadeozonotodaesburacada.
TOPONÍMIAMudam-se os tempos. Jánão sabemos as matinais cançõesnem habitamos vilas morenas. Toleramos serventes de pedreiro louros, de preferência não legalizados. Queremosum grande apartamento em condomíniofechado, um ferrari, uma piscina, um topode gama de uma coisa qualquer. Temos ruas, temos praças e pontescom nome de revolução. Como todosos países temos hino -nação valenteimortal. Tivemos canela e diamantes, santos, barregãs e dinastias detiranos e servos. Andámos muitono mar, trocando rotas e poderes, escravos, inquisições e cruzes. 
Agora, neste estreitoquadrilátero, de onde saímose mal regressámos, sem índias nemquinto império -salvou-se o manuscrito doLuís Vaz a nado -restam-nos a sardinhae a conquilha -ao que consta cercadasde barcos espanhóis -o bacalhauque já não vem da Terra Nova, a memóriados pescadores de baleias, esgotada a capturanas ilhas. Também temos o trezede Maio, o negócio clandestinodas abortadeiras, a broa de Avintes, os tintos, por enquanto de marca eo leitão da Bairrada e o Benfica eo Sporting e o FutebolClube do Porto.
Temos ruas, temos praças epontes com nome de revolução, topónimos nebulosos que a distânciaapagará. Apenas aquela ruachamada Cantor Zeca Afonsopoderá surpreender o transeuntese acrescentarem o aviso: nunca quis uma ruasó para si. 
Inês Lourenço
Elabora um Texto de Opinião que comece assim: 
“No meu tempo não era nada assim…” 
E que inclua no seu desenvolvimento alguns dos versos de Camões presentes neste soneto. 
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança: Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. 
O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soía.
Maria de Lurdes Augusto -2014

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Um mover de olhos brando e piadoso
Um mover de olhos brando e piadosoUm mover de olhos brando e piadoso
Um mover de olhos brando e piadosoHelena Coutinho
 
A formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serraA formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serraHelena Coutinho
 
O dia em que eu nasci, morra e pereça
O dia em que eu nasci, morra e pereçaO dia em que eu nasci, morra e pereça
O dia em que eu nasci, morra e pereçaHelena Coutinho
 
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António VieiraAlexandra Madail
 
Gil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereiraGil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereiraDavid Caçador
 
Crónica de D. João I de Fernão Lopes
Crónica de D. João I de Fernão LopesCrónica de D. João I de Fernão Lopes
Crónica de D. João I de Fernão LopesGijasilvelitz 2
 
Cap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geralCap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geralHelena Coutinho
 
Sermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesSermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesvermar2010
 
Estruturas externa-e-interna de "Frei Luís de Sousa"
Estruturas externa-e-interna de "Frei Luís de Sousa"Estruturas externa-e-interna de "Frei Luís de Sousa"
Estruturas externa-e-interna de "Frei Luís de Sousa"Maria Góis
 
Resumos de Português: Camões lírico
Resumos de Português: Camões líricoResumos de Português: Camões lírico
Resumos de Português: Camões líricoRaffaella Ergün
 
Estrutura do Texto de Apreciação Crítica
Estrutura do Texto de Apreciação CríticaEstrutura do Texto de Apreciação Crítica
Estrutura do Texto de Apreciação CríticaVanda Sousa
 
Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)Dina Baptista
 
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da InfânciaFernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da InfânciaSamuel Neves
 
Capítulo III Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo III Sermão de Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo III Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo III Sermão de Santo António aos Peixes Padre António VieiraAlexandra Madail
 
Noite Fechada, de Cesário Verde
Noite Fechada, de Cesário VerdeNoite Fechada, de Cesário Verde
Noite Fechada, de Cesário VerdeDina Baptista
 

Mais procurados (20)

Um mover de olhos brando e piadoso
Um mover de olhos brando e piadosoUm mover de olhos brando e piadoso
Um mover de olhos brando e piadoso
 
A formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serraA formosura desta fresca serra
A formosura desta fresca serra
 
Amor é fogo que arde
Amor é fogo que ardeAmor é fogo que arde
Amor é fogo que arde
 
O dia em que eu nasci, morra e pereça
O dia em que eu nasci, morra e pereçaO dia em que eu nasci, morra e pereça
O dia em que eu nasci, morra e pereça
 
As cantigas de amigo
As cantigas de amigoAs cantigas de amigo
As cantigas de amigo
 
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo V Sermão Santo António aos Peixes Padre António Vieira
 
Endechas a bárbara
Endechas a bárbaraEndechas a bárbara
Endechas a bárbara
 
Canto v 92_100
Canto v 92_100Canto v 92_100
Canto v 92_100
 
Gil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereiraGil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereira
 
Crónica de D. João I de Fernão Lopes
Crónica de D. João I de Fernão LopesCrónica de D. João I de Fernão Lopes
Crónica de D. João I de Fernão Lopes
 
Cap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geralCap iv repreensões geral
Cap iv repreensões geral
 
Canto viii 96_99
Canto viii 96_99Canto viii 96_99
Canto viii 96_99
 
Sermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesSermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixes
 
Estruturas externa-e-interna de "Frei Luís de Sousa"
Estruturas externa-e-interna de "Frei Luís de Sousa"Estruturas externa-e-interna de "Frei Luís de Sousa"
Estruturas externa-e-interna de "Frei Luís de Sousa"
 
Resumos de Português: Camões lírico
Resumos de Português: Camões líricoResumos de Português: Camões lírico
Resumos de Português: Camões lírico
 
Estrutura do Texto de Apreciação Crítica
Estrutura do Texto de Apreciação CríticaEstrutura do Texto de Apreciação Crítica
Estrutura do Texto de Apreciação Crítica
 
Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)Camões Lírico (10.ºano/Português)
Camões Lírico (10.ºano/Português)
 
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da InfânciaFernando Pessoa Nostalgia da Infância
Fernando Pessoa Nostalgia da Infância
 
Capítulo III Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo III Sermão de Santo António aos Peixes Padre António VieiraCapítulo III Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
Capítulo III Sermão de Santo António aos Peixes Padre António Vieira
 
Noite Fechada, de Cesário Verde
Noite Fechada, de Cesário VerdeNoite Fechada, de Cesário Verde
Noite Fechada, de Cesário Verde
 

Destaque

Alma minha gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partisteAlma minha gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partisterita Silva
 
Luís de camões
Luís de camõesLuís de camões
Luís de camõesAna Helena
 
Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica
Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida RomânticaTrabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica
Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida RomânticaLuisMagina
 
Frei luis de sousa
Frei luis de sousaFrei luis de sousa
Frei luis de sousaMaria da Paz
 

Destaque (8)

Alma minha gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partisteAlma minha gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partiste
 
Luís de camões
Luís de camõesLuís de camões
Luís de camões
 
Educação n' os maias
Educação n' os maiasEducação n' os maias
Educação n' os maias
 
Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica
Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida RomânticaTrabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica
Trabalho sobre Os Maias - Episódios da Vida Romântica
 
Frei luís de sousa
Frei luís de sousaFrei luís de sousa
Frei luís de sousa
 
Frei luis de sousa
Frei luis de sousaFrei luis de sousa
Frei luis de sousa
 
Frei luís de sousa
Frei luís de sousaFrei luís de sousa
Frei luís de sousa
 
10º testes leya
10º testes leya10º testes leya
10º testes leya
 

Semelhante a Lírica de Luís de Camões

PARNASIANISMO-AUTORES1.ppt
PARNASIANISMO-AUTORES1.pptPARNASIANISMO-AUTORES1.ppt
PARNASIANISMO-AUTORES1.pptRildeniceSantos
 
Tipos De Poesias
Tipos De PoesiasTipos De Poesias
Tipos De Poesiasklauddia
 
Classicismo nota de aula biografia
Classicismo nota de aula biografiaClassicismo nota de aula biografia
Classicismo nota de aula biografiaPéricles Penuel
 
resumo-exame-10oano.pdf
resumo-exame-10oano.pdfresumo-exame-10oano.pdf
resumo-exame-10oano.pdfAdliaMarques5
 
Ficha_de_consolidacao_Poesia_Trovadoresc.pdf
Ficha_de_consolidacao_Poesia_Trovadoresc.pdfFicha_de_consolidacao_Poesia_Trovadoresc.pdf
Ficha_de_consolidacao_Poesia_Trovadoresc.pdfMariaMargaridaPereir5
 
Lírica de Camões
Lírica de CamõesLírica de Camões
Lírica de Camõesinessalgado
 
Avaliaçãoii unidade
Avaliaçãoii unidadeAvaliaçãoii unidade
Avaliaçãoii unidadeManu Dias
 
Luís Vaz de Camões
Luís Vaz de CamõesLuís Vaz de Camões
Luís Vaz de CamõesJosé Trigo
 
Resumos Exame Nacional Português 12º ano
Resumos Exame Nacional Português 12º ano Resumos Exame Nacional Português 12º ano
Resumos Exame Nacional Português 12º ano Paula Pereira
 
Sonetos de camões
Sonetos de camões Sonetos de camões
Sonetos de camões TVUERJ
 
Poemas de eugénio de andrade
Poemas de eugénio de andradePoemas de eugénio de andrade
Poemas de eugénio de andradeAnaGomes40
 
Folhas caídas características gerais da obra
Folhas caídas  características gerais da obraFolhas caídas  características gerais da obra
Folhas caídas características gerais da obraHelena Coutinho
 
Cetrans Primavera 2013 - Poema coletivo
Cetrans Primavera 2013 - Poema coletivoCetrans Primavera 2013 - Poema coletivo
Cetrans Primavera 2013 - Poema coletivoVera Laporta
 

Semelhante a Lírica de Luís de Camões (20)

Camões lírico 2017
Camões lírico 2017Camões lírico 2017
Camões lírico 2017
 
PARNASIANISMO-AUTORES1.ppt
PARNASIANISMO-AUTORES1.pptPARNASIANISMO-AUTORES1.ppt
PARNASIANISMO-AUTORES1.ppt
 
Camões Lírico
Camões LíricoCamões Lírico
Camões Lírico
 
Tipos De Poesias
Tipos De PoesiasTipos De Poesias
Tipos De Poesias
 
Camões Lírico
Camões LíricoCamões Lírico
Camões Lírico
 
Camões lírico
Camões líricoCamões lírico
Camões lírico
 
Camões Lírico
Camões LíricoCamões Lírico
Camões Lírico
 
Camões Lírico
Camões LíricoCamões Lírico
Camões Lírico
 
Classicismo nota de aula biografia
Classicismo nota de aula biografiaClassicismo nota de aula biografia
Classicismo nota de aula biografia
 
resumo-exame-10oano.pdf
resumo-exame-10oano.pdfresumo-exame-10oano.pdf
resumo-exame-10oano.pdf
 
Ficha_de_consolidacao_Poesia_Trovadoresc.pdf
Ficha_de_consolidacao_Poesia_Trovadoresc.pdfFicha_de_consolidacao_Poesia_Trovadoresc.pdf
Ficha_de_consolidacao_Poesia_Trovadoresc.pdf
 
Lírica de Camões
Lírica de CamõesLírica de Camões
Lírica de Camões
 
Avaliaçãoii unidade
Avaliaçãoii unidadeAvaliaçãoii unidade
Avaliaçãoii unidade
 
Luís Vaz de Camões
Luís Vaz de CamõesLuís Vaz de Camões
Luís Vaz de Camões
 
Resumos Exame Nacional Português 12º ano
Resumos Exame Nacional Português 12º ano Resumos Exame Nacional Português 12º ano
Resumos Exame Nacional Português 12º ano
 
Parnasianismo
ParnasianismoParnasianismo
Parnasianismo
 
Sonetos de camões
Sonetos de camões Sonetos de camões
Sonetos de camões
 
Poemas de eugénio de andrade
Poemas de eugénio de andradePoemas de eugénio de andrade
Poemas de eugénio de andrade
 
Folhas caídas características gerais da obra
Folhas caídas  características gerais da obraFolhas caídas  características gerais da obra
Folhas caídas características gerais da obra
 
Cetrans Primavera 2013 - Poema coletivo
Cetrans Primavera 2013 - Poema coletivoCetrans Primavera 2013 - Poema coletivo
Cetrans Primavera 2013 - Poema coletivo
 

Mais de Lurdes Augusto

10ºano camões parte C
10ºano camões parte C10ºano camões parte C
10ºano camões parte CLurdes Augusto
 
10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte BLurdes Augusto
 
10ºano Luís de Camões - parte A
10ºano Luís de Camões - parte A10ºano Luís de Camões - parte A
10ºano Luís de Camões - parte ALurdes Augusto
 
Literatura trovadoresca
Literatura trovadoresca Literatura trovadoresca
Literatura trovadoresca Lurdes Augusto
 
Romantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de SousaRomantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de SousaLurdes Augusto
 
Os Maias de Eça de Queirós - personagens
Os Maias de Eça de Queirós - personagensOs Maias de Eça de Queirós - personagens
Os Maias de Eça de Queirós - personagensLurdes Augusto
 
Do Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao RealismoDo Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao RealismoLurdes Augusto
 
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo BrancoAmor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo BrancoLurdes Augusto
 
Grupos frásicos e Funções Sintáticas
Grupos frásicos e Funções SintáticasGrupos frásicos e Funções Sintáticas
Grupos frásicos e Funções SintáticasLurdes Augusto
 
Resumo da gramática - classe de palavras
Resumo da gramática - classe de palavrasResumo da gramática - classe de palavras
Resumo da gramática - classe de palavrasLurdes Augusto
 
A Aia - Trabalhos de grupo (alunos)
A Aia - Trabalhos de grupo (alunos)A Aia - Trabalhos de grupo (alunos)
A Aia - Trabalhos de grupo (alunos)Lurdes Augusto
 
Tempos verbais simples e compostos
Tempos verbais simples e compostosTempos verbais simples e compostos
Tempos verbais simples e compostosLurdes Augusto
 
Funcionamento da língua - coordenação, subordinação
Funcionamento da língua - coordenação, subordinaçãoFuncionamento da língua - coordenação, subordinação
Funcionamento da língua - coordenação, subordinaçãoLurdes Augusto
 
Texto dramático - características
Texto dramático - característicasTexto dramático - características
Texto dramático - característicasLurdes Augusto
 
Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
Falar Verdade a Mentir, de Almeida GarrettFalar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
Falar Verdade a Mentir, de Almeida GarrettLurdes Augusto
 
Texto dramático - exercício de aplicação
Texto dramático - exercício de aplicaçãoTexto dramático - exercício de aplicação
Texto dramático - exercício de aplicaçãoLurdes Augusto
 
Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
Falar Verdade a Mentir, de Almeida GarrettFalar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
Falar Verdade a Mentir, de Almeida GarrettLurdes Augusto
 
Texto dramático, Falar verdade a Mentir
Texto dramático, Falar verdade a MentirTexto dramático, Falar verdade a Mentir
Texto dramático, Falar verdade a MentirLurdes Augusto
 

Mais de Lurdes Augusto (20)

10ºano camões parte C
10ºano camões parte C10ºano camões parte C
10ºano camões parte C
 
10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B10ºano Luís de Camões parte B
10ºano Luís de Camões parte B
 
10ºano Luís de Camões - parte A
10ºano Luís de Camões - parte A10ºano Luís de Camões - parte A
10ºano Luís de Camões - parte A
 
Literatura trovadoresca
Literatura trovadoresca Literatura trovadoresca
Literatura trovadoresca
 
Romantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de SousaRomantismo, Frei Luís de Sousa
Romantismo, Frei Luís de Sousa
 
Os Maias de Eça de Queirós - personagens
Os Maias de Eça de Queirós - personagensOs Maias de Eça de Queirós - personagens
Os Maias de Eça de Queirós - personagens
 
Modernismo
ModernismoModernismo
Modernismo
 
Do Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao RealismoDo Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao Realismo
 
Cesário Verde
Cesário Verde Cesário Verde
Cesário Verde
 
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo BrancoAmor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição (exceto cap. VI, VII, VIII) de Camilo Castelo Branco
 
Grupos frásicos e Funções Sintáticas
Grupos frásicos e Funções SintáticasGrupos frásicos e Funções Sintáticas
Grupos frásicos e Funções Sintáticas
 
Resumo da gramática - classe de palavras
Resumo da gramática - classe de palavrasResumo da gramática - classe de palavras
Resumo da gramática - classe de palavras
 
A Aia - Trabalhos de grupo (alunos)
A Aia - Trabalhos de grupo (alunos)A Aia - Trabalhos de grupo (alunos)
A Aia - Trabalhos de grupo (alunos)
 
Tempos verbais simples e compostos
Tempos verbais simples e compostosTempos verbais simples e compostos
Tempos verbais simples e compostos
 
Funcionamento da língua - coordenação, subordinação
Funcionamento da língua - coordenação, subordinaçãoFuncionamento da língua - coordenação, subordinação
Funcionamento da língua - coordenação, subordinação
 
Texto dramático - características
Texto dramático - característicasTexto dramático - características
Texto dramático - características
 
Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
Falar Verdade a Mentir, de Almeida GarrettFalar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
 
Texto dramático - exercício de aplicação
Texto dramático - exercício de aplicaçãoTexto dramático - exercício de aplicação
Texto dramático - exercício de aplicação
 
Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
Falar Verdade a Mentir, de Almeida GarrettFalar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett
 
Texto dramático, Falar verdade a Mentir
Texto dramático, Falar verdade a MentirTexto dramático, Falar verdade a Mentir
Texto dramático, Falar verdade a Mentir
 

Último

Habilidades Motoras Básicas e Específicas
Habilidades Motoras Básicas e EspecíficasHabilidades Motoras Básicas e Específicas
Habilidades Motoras Básicas e EspecíficasCassio Meira Jr.
 
FCEE - Diretrizes - Autismo.pdf para imprimir
FCEE - Diretrizes - Autismo.pdf para imprimirFCEE - Diretrizes - Autismo.pdf para imprimir
FCEE - Diretrizes - Autismo.pdf para imprimirIedaGoethe
 
DIGNITAS INFINITA - DIGNIDADE HUMANA -Declaração do Dicastério para a Doutrin...
DIGNITAS INFINITA - DIGNIDADE HUMANA -Declaração do Dicastério para a Doutrin...DIGNITAS INFINITA - DIGNIDADE HUMANA -Declaração do Dicastério para a Doutrin...
DIGNITAS INFINITA - DIGNIDADE HUMANA -Declaração do Dicastério para a Doutrin...Martin M Flynn
 
A galinha ruiva sequencia didatica 3 ano
A  galinha ruiva sequencia didatica 3 anoA  galinha ruiva sequencia didatica 3 ano
A galinha ruiva sequencia didatica 3 anoandrealeitetorres
 
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGISPrática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGISVitor Vieira Vasconcelos
 
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024Sandra Pratas
 
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chaveAula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chaveaulasgege
 
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptxSlides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 
Doutrina Deus filho e Espírito Santo.pptx
Doutrina Deus filho e Espírito Santo.pptxDoutrina Deus filho e Espírito Santo.pptx
Doutrina Deus filho e Espírito Santo.pptxThye Oliver
 
DIA DO INDIO - FLIPBOOK PARA IMPRIMIR.pdf
DIA DO INDIO - FLIPBOOK PARA IMPRIMIR.pdfDIA DO INDIO - FLIPBOOK PARA IMPRIMIR.pdf
DIA DO INDIO - FLIPBOOK PARA IMPRIMIR.pdfIedaGoethe
 
Programa de Intervenção com Habilidades Motoras
Programa de Intervenção com Habilidades MotorasPrograma de Intervenção com Habilidades Motoras
Programa de Intervenção com Habilidades MotorasCassio Meira Jr.
 
Investimentos. EDUCAÇÃO FINANCEIRA 8º ANO
Investimentos. EDUCAÇÃO FINANCEIRA 8º ANOInvestimentos. EDUCAÇÃO FINANCEIRA 8º ANO
Investimentos. EDUCAÇÃO FINANCEIRA 8º ANOMarcosViniciusLemesL
 
Educação São Paulo centro de mídias da SP
Educação São Paulo centro de mídias da SPEducação São Paulo centro de mídias da SP
Educação São Paulo centro de mídias da SPanandatss1
 
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileirosMary Alvarenga
 
LEMBRANDO A MORTE E CELEBRANDO A RESSUREIÇÃO
LEMBRANDO A MORTE E CELEBRANDO A RESSUREIÇÃOLEMBRANDO A MORTE E CELEBRANDO A RESSUREIÇÃO
LEMBRANDO A MORTE E CELEBRANDO A RESSUREIÇÃOColégio Santa Teresinha
 
Bingo da potenciação e radiciação de números inteiros
Bingo da potenciação e radiciação de números inteirosBingo da potenciação e radiciação de números inteiros
Bingo da potenciação e radiciação de números inteirosAntnyoAllysson
 
cartilha-pdi-plano-de-desenvolvimento-individual-do-estudante.pdf
cartilha-pdi-plano-de-desenvolvimento-individual-do-estudante.pdfcartilha-pdi-plano-de-desenvolvimento-individual-do-estudante.pdf
cartilha-pdi-plano-de-desenvolvimento-individual-do-estudante.pdfIedaGoethe
 
O Universo Cuckold - Compartilhando a Esposas Com Amigo.pdf
O Universo Cuckold - Compartilhando a Esposas Com Amigo.pdfO Universo Cuckold - Compartilhando a Esposas Com Amigo.pdf
O Universo Cuckold - Compartilhando a Esposas Com Amigo.pdfPastor Robson Colaço
 
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdfMapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdfangelicass1
 
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNASQUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNASEdinardo Aguiar
 

Último (20)

Habilidades Motoras Básicas e Específicas
Habilidades Motoras Básicas e EspecíficasHabilidades Motoras Básicas e Específicas
Habilidades Motoras Básicas e Específicas
 
FCEE - Diretrizes - Autismo.pdf para imprimir
FCEE - Diretrizes - Autismo.pdf para imprimirFCEE - Diretrizes - Autismo.pdf para imprimir
FCEE - Diretrizes - Autismo.pdf para imprimir
 
DIGNITAS INFINITA - DIGNIDADE HUMANA -Declaração do Dicastério para a Doutrin...
DIGNITAS INFINITA - DIGNIDADE HUMANA -Declaração do Dicastério para a Doutrin...DIGNITAS INFINITA - DIGNIDADE HUMANA -Declaração do Dicastério para a Doutrin...
DIGNITAS INFINITA - DIGNIDADE HUMANA -Declaração do Dicastério para a Doutrin...
 
A galinha ruiva sequencia didatica 3 ano
A  galinha ruiva sequencia didatica 3 anoA  galinha ruiva sequencia didatica 3 ano
A galinha ruiva sequencia didatica 3 ano
 
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGISPrática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
 
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
 
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chaveAula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
 
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptxSlides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
 
Doutrina Deus filho e Espírito Santo.pptx
Doutrina Deus filho e Espírito Santo.pptxDoutrina Deus filho e Espírito Santo.pptx
Doutrina Deus filho e Espírito Santo.pptx
 
DIA DO INDIO - FLIPBOOK PARA IMPRIMIR.pdf
DIA DO INDIO - FLIPBOOK PARA IMPRIMIR.pdfDIA DO INDIO - FLIPBOOK PARA IMPRIMIR.pdf
DIA DO INDIO - FLIPBOOK PARA IMPRIMIR.pdf
 
Programa de Intervenção com Habilidades Motoras
Programa de Intervenção com Habilidades MotorasPrograma de Intervenção com Habilidades Motoras
Programa de Intervenção com Habilidades Motoras
 
Investimentos. EDUCAÇÃO FINANCEIRA 8º ANO
Investimentos. EDUCAÇÃO FINANCEIRA 8º ANOInvestimentos. EDUCAÇÃO FINANCEIRA 8º ANO
Investimentos. EDUCAÇÃO FINANCEIRA 8º ANO
 
Educação São Paulo centro de mídias da SP
Educação São Paulo centro de mídias da SPEducação São Paulo centro de mídias da SP
Educação São Paulo centro de mídias da SP
 
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
 
LEMBRANDO A MORTE E CELEBRANDO A RESSUREIÇÃO
LEMBRANDO A MORTE E CELEBRANDO A RESSUREIÇÃOLEMBRANDO A MORTE E CELEBRANDO A RESSUREIÇÃO
LEMBRANDO A MORTE E CELEBRANDO A RESSUREIÇÃO
 
Bingo da potenciação e radiciação de números inteiros
Bingo da potenciação e radiciação de números inteirosBingo da potenciação e radiciação de números inteiros
Bingo da potenciação e radiciação de números inteiros
 
cartilha-pdi-plano-de-desenvolvimento-individual-do-estudante.pdf
cartilha-pdi-plano-de-desenvolvimento-individual-do-estudante.pdfcartilha-pdi-plano-de-desenvolvimento-individual-do-estudante.pdf
cartilha-pdi-plano-de-desenvolvimento-individual-do-estudante.pdf
 
O Universo Cuckold - Compartilhando a Esposas Com Amigo.pdf
O Universo Cuckold - Compartilhando a Esposas Com Amigo.pdfO Universo Cuckold - Compartilhando a Esposas Com Amigo.pdf
O Universo Cuckold - Compartilhando a Esposas Com Amigo.pdf
 
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdfMapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
 
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNASQUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
 

Lírica de Luís de Camões

  • 1. Camões… Líricoda medida velha … aodolcestilnuovo
  • 2. Renascimento em síntese: Características gerais: * Racionalidade * Rigor Científico * Dignidade do Ser Humano * Ideal Humanista * Reutilização das artes greco-romanas a)Racionalismo–a razão é o único caminho para se chegar ao conhecimento. b)Experimentalismo –todo o conhecimento deverá ser demonstrado racionalmente. c)Antropocentrismo–colocava o homem como a suprema criação de Deus e como o centro do universo. d)Humanismo–glorificação do homem e da natureza humana, em contraposição ao divino e ao sobrenatural. e)Classicismo -movimento cultural que valoriza e recupera os elementos artísticos da cultura clássica (greco-romana). Ocorreu nas artes plásticas, teatro e literatura, nos séculos XIV ao XVI.
  • 3. A lírica tradicional também identificada com a medida velha. -Revela grande influência da lírica trovadoresca, quer no que diz respeito à forma, quer no que diz respeito ao conteúdo; -Uso da redondilha –utilização de versos de cinco (menor) e sete (maior)sílabas métricas; -Algumas dessas composições são por exemplo vilancetes e cantigas; . vilancete –composição com um mote de dois ou três versos e uma ou mais voltas ou glosas de sete versos; o último verso das voltas repete, com ou sem variantes o último verso do mote; . cantiga -composição com um mote de quatro ou cinco versos e uma ou mais voltas ou glosas de oito versos; o último verso das voltas repete, com ou sem variantes o último verso do mote;
  • 4. . Endechas ou Trovas –número variável de estrofes, frequentemente quadras ou oitavas . Esparsa –composição de uma estrofe só / entre oito e dezasseis versos -Ambiente cortesão; -Arte de ser galante; elogio; mesura; amor cortês; -Inspiração amorosa predominante; os queixumes do coração resultantes da saudade, da distância, da coita/sofrimento de amor ; a morte de/por amor; submissão amorosa; cativo do amor perante a beleza sobrenatural da amada; -Inspiração de ocasião entre o jocoso e o trivial; as trivialidades do dia-a-dia; -Ambiente pastoril; o mar; a fonte, etc. –o Bucolismo.
  • 5. A lírica de corrente renascentista, também identificada com a medida nova e o dolcestilnuovo -A maioria das composições adotam os géneros líricos herdados da estética clássica: o soneto, a canção, terceto, a ode, a elegia, a écloga; -Revela as grandes influências de Virgílio, Ovídio, Horácio e Petrarca, Neoplatonismo; -Influência da poesia provençal e do romance cortês presente na lírica de inspiração tradicional: . a mulher como ser superior, quase divina e de beleza inefável; idealização da mulher; . atitude de reverência perante a amada, mantendo o sentido da distância que os separa; platonismo; . a morte de/por amor.
  • 6. -Análise psicológica de todo o processo, dos seus impulsos contraditórios e a manifestação de desejos opostos; -O temperamento ardente e apaixonado do poeta; -O amor: desde uma abordagem superficial a uma abordagem intensa e trágica; -O amor platónico; conflito entre o amor puro/espiritual e o amor sensual/carnal; -Amor ideal –exclui a sensualidade e é concebido como uma contemplação espiritual. As contradições que este amor acarreta faz parte de um processo de purificação. -Desconcerto sentimental; sentimento de perda; travo de melancolia; saudade; -Consciência do pecado; -O ideal de mulher –cabelos loiros, pele branca, olhos claros; alegria grave, harmonia pura e exata, o gesto sereno; a mulher amada é um ideal de beleza e perfeição;
  • 7. -Petrarquismo: temas de Petrarca –a mulher amada, o amor e os seus efeitos, os conflitos interiores do sujeito, visão subjetiva da natureza. -Neoplatonismo–perceção da realidade através de dois mundos ( sensível e inteligível) -Por vezes não segue este modelo e aparecem a sensualidade e descrições de mulher que se afastam do modelo. -A natureza como confidente e espelho do estado de espírito do poeta; -Animizaçãoda natureza; -Locus amoenus–natureza harmoniosa, serena, luminosa, alegre, cristalina, transparente; -Referências à mitologia pagã: mitologia grega e romana; -As circunstâncias da realidade dramática pessoal do poeta; -A contínua mudança, o destino e o desconcerto do mundo.
  • 8. -Soneto –duas quadras dois tercetos; decassílabos; esquema rimático abbaabbacdcdcd/ou cdecde; -Canção –série de estrofes com número regular de versos, com uma estrofe mais pequena; -Ode–Louvor feitos nacionais, a vida campesina, a celebrar o amor e a vida, etc.; -Elegia –Exprimem sentimentos de tristeza; -Écloga –intranquilidade e desassossego aliada ao bucolismo; -Oitava–poemas habitualmente endereçados a individualidades. Estrofe de oito versos decassilábicos, esquema rimático abababcc.
  • 10. Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Aquela cativa que me tem cativo, Porque nela vivo Já não quer que viva. Se Helena apartar Do campo seus olhos, Nascerão abrolhos Análise de composições poéticas - A influência tradicional - A medida velha Quem ora soubesse Onde o amor nasce, Que o semeasse. Vós, Senhora, tudo tendes, senão que tendes os olhos verdes.
  • 11. MOTE ALHEIO Vós, Senhora, tudo tendes, senão que tendes os olhos verdes. Dotou em vós Naturezao sumo da perfeiçãoque, o que em vós é senão, é em outras gentileza; o verde não se despreza, que, agora que vós o tendes, são belos os olhos verdes. Ouro e azul é a milhorcor por que a gente se perde; mas a graça desse verdetira a graça a toda a cor. Fica agora sendo a flora cor que nos olhos tendes, porque são vossos... e verdes! Análise formal Vilancete: mote alheio de dois versos Redondilha maior –7 silabas métricas Duas voltas Rima: abbaaccdeeddcc O sujeito poético elogia a beleza da amada, referindo que ela é perfeita, no entanto refere que ela tem os olhos verdes e isso é um “senão”, segundo o mote alheio que está na base deste vilancete. Se há alguns que desprezam os olhos verdes, agora não há razão para tal, uma vez que ela tem os olhos verdes e isso não pode ser defeito. A maioria das pessoas acredita que os olhos azuis são os mais belos. O sujeito poético faz um trocadilho com a “graça” do verde, dizendo que a “graça”, ou seja a beleza do verde, rouba a beleza a todas as outras cores.
  • 12. MOTE ALHEIO Vós, Senhora, tudo tendes, senão que tendes os olhos verdes. Dotou em vós Naturezao sumo da perfeiçãoque, o que em vós é senão, é em outras gentileza; o verde não se despreza, que, agora que vós o tendes, são belos os olhos verdes. Ouro e azul é a milhorcor por que a gente se perde; mas a graça desse verdetira a graça a toda a cor. Fica agora sendo a flora cor que nos olhos tendes, porque são vossos... e verdes! Traços comuns na temática camoniana: Idealização da mulher Ênfase no olhar –espelho da alma Elogio e a galanteria O segundo verso do mote constitui a questão a ser desenvolvida ao longo do vilancete e encontra continuidade nos últimos versos das voltas. O sujeito poético conclui que os olhos verdes são belos, porque são os da amada.
  • 13. Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d’ervasvos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. Gado que paceis, comcontentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração.
  • 14. Mote alheio Verdessão os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. O sujeito poético começa por apresentar o ponto de partida para a criação poética: A semelhança entre a cor dos olhos da amada e a cor dos campos/ da Natureza. Estabelece uma comparação entre ambos. Os olhos representam a amada no seu todo (a parte pelo todo –sinédoque) Está já presente a devoção amorosa e os elementos da Natureza. Destaca-se já a banalidade e trivialidade da inspiração poética. Os elementos bucólicos estão presentes, reforçando essa simplicidade e trivialidade.
  • 15. Voltas: Campoque te estendes com verdura bela; ovelhasque nela vosso pasto tendes: d’ervasvos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. É apresentado o destinatário ou destinatários deste lamento: Campo, Ovelhas e Gado. O sujeito poético dirige-se a estes elementos. Primeiro começa por invocar o campo verde que se estende de forma bela, mas passa logo de seguida para as ovelhas que estão tão próximas dessa beleza verde. O sujeito poético deixa-lhes um recado, ao lembrar- lhes que, por um lado, elas se alimentam/ elas se mantêm vivas por causa dessa verdura que o verão torna possível, por outro lado o sujeito poético alimenta-se vive por causa das lembranças/ das memórias que tem da amada. Pressupomos, portanto uma relação dominada pela saudade, pela tristeza e pela nostalgia.
  • 16. Gadoque paceis, cocontentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração Dirige-se agora ao Gado, no geral, que não tem consciênciada realidade do seu sofrimento. O sujeito poético de uma forma exagerada (hipérbole) assume a projecção da amada na Natureza, assumindo que, sem se dar conta, o gado come a graciosidade dos olhos da amada. Ao longo da cantiga temos uma comparação entre os olhos da amada e os campos que se vai tornando cada vez mais evidente aos olhos do sujeito poético. A repetição do advérbio de negação “não” transmite um tom de oralidade ao poema, e temos a certeza de que o sujeito poético está convencido desta projeção da amada na Natureza. No final da composição poética os olhos não são como os campos (comparação) São os próprios campos verdes (metáfora).
  • 17. (10pts) 1 –Que relação o sujeito poético estabelece entre os campos e a amada. Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d’ervasvos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. Gado que paceis, cocontentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeisnão são ervas , não: São graças dos olhosDo meu coração. Os campos ponto de partida para a recordação da amada semelhança entre a cor dos campos e os olhos da natureza os campos alimentam/ dão vida e a amada também mantém o sujeito vivo através das recordações. projeção e posterior união entre a amada e a Natureza.
  • 18. Mote: Verdessão os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d’ervasvos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. Gado que paceis, cocontentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração. (10pts) 2 –A presença da cor é importante na construção desta cantiga. Demonstra a sua importância simbólica. Verde –símbolo da Natureza, que é o elemento de comparação com a amada; -Símbolo da esperança, uma vez que a separação causa sofrimento, há o desejo de reencontrar a amada.
  • 19. Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d’ervasvos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. Gado que paceis, cocontentamento vosso mantimentonão o entendeis; isso que comeisnão são ervas , não: São graças dos olhosDo meu coração. (10pts) 3 –Quais os sentimentos que dominam o sujeito poético ao longo da cantiga. Apaixonado –porque a natureza o faz recordar as características da amada Nostálgico/ Saudoso –vive de recordações de passado e não de presente Triste/Incompreendido/Apaixonado –porque os outros, a natureza não o compreende; porque as saudades são muitas e tudo o que tem são recordações
  • 20. Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campoque te estendescom verdura bela; ovelhasque nela vosso pasto tendes: d’ervasvos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. Gadoque paceis, cocontentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração. (10pts) 4 –Observa as palavras “Campo” “ovelhas” “Gado”. Relaciona a sua utilização com o tema da composição poética. É apresentado o destinatário ou destinatários deste lamento: Campo, Ovelhas e Gado. O sujeito poético dirige-se a estes elementos. Primeiro começa por invocar o campo verde que se estende de forma bela, mas passa logo de seguida para as ovelhas que estão tão próximas dessa beleza verde. O sujeito poético deixa-lhes um recado, ao lembrar-lhes que por um lado elas se alimentam, elas se mantêm vivas por causa dessa verdura que o verão torna possível, por outro lado o sujeito poético alimenta-se/vive por causa das lembranças/ das memórias que tem da amada.
  • 21. Mote: Ver//des// são// os //cam//pos Da// cor// do// li//mão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d’ervasvos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. Gado que paceis, cocontentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas, não: São graças dos olhos Do meu coração. (15pts) 5 –Este poema retoma aspectos característicos da poesia tradicional. Identifica-os. Formal : •Cantiga / redondilha menor (5 sílabas métricas) •mote: quatro versos •voltas com oito versos •repetição do último verso do mote no final de cada volta Conteúdo: •Saudade •elogio à beleza da amada •as características da mulher : os olhos claros a graciosidade•0 bucolismo: a natureza, os campos, as ervas, as ovelhas, o gado, o pasto •a simplicidade, trivialidade e banalidade dos elementos que estão na base da inspiração poética: os campos verdes
  • 22. (15pts) 6 –Apresenta a Paráfrase da última volta. Identificando e clarificando a intenção do recurso expressivo presente nos últimos quatro versos. Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d’ervasvos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração. Gado que paceis, cocontentamentovosso mantimentonão o entendeis; isso que comeisnão são ervas , não: São graças dos olhosDo meu coração. Dirige-se agora ao Gado, no geral, que não tem consciênciada realidade do seu sofrimento. O sujeito poético de uma forma exagerada (hipérbole) assume a projeção da amada na Natureza, assumindo que, sem se dar conta, o gado come a graciosidade dos olhos da amada. Ao longo da cantiga, temos uma comparação entre os olhos da amada e os campos que se vai tornando cada vez mais evidente aos olhos do sujeito poético. A repetição do advérbio de negação “não” transmite um tom de oralidade ao poema, e temos a certeza de que o sujeito poético está convencido desta projeção da amada na Natureza. No final da composição poética os olhos não são como os campos (comparação) São os próprios campos verdes (metáfora).
  • 23. A “Pretos os cabelos Onde o povo vão perde opinião Que os louros são belos” B “Tãolindaqueomundoespanta” C “Os ventos serena, Faz claras de abrolhos Oardosseusolhos.” D “Presença serena Que a tormenta amansa” E “Pretidão de amor, Tão doce a figura, Que a neve lhe jura que trocou a cor.” F “Mais branca que a neve pura(…)” “Cabelos de ouro o trançado.” (20pts) 1 -Organiza as temáticas recorrentes na poesia de influência tradicional, exemplificando com os versos acima apresentados. •O modelo de mulher correspondia à mulher loura, mas em Camões há muitas vezes a dúvida, a alteração dos padrões habituais. (A ) •Serenidade no perfil psicológico (D e C) •A presença da antítese, por um lado está presente a inquietação, por outro lado está presente a serenidade. (D) •A beleza da mulher é sempre enaltecida, dando muitas vezes origem à hipérbole. (B) •A brancura da pele é sempre motivo para a metáfora e símbolo da sua pureza e simplicidade. Novamente as dúvidas e contradiçõesdo sujeito poético. (E) •A amada é um agente transformador da natureza supra-humano, divinizado, capaz de fazer coisas que a maioria dos mortais não consegue. (C) •Além da brancura e dos cabelos louros, ainda se acrescenta a metáfora constante, recorrendo aos metais preciosos (ouro e prata) construindo-se assim um retrato ainda mais valorativo. (F)
  • 24. Todootrabalhobem Prometegostosofruito, Masostrabalhos,quevêm Paraquemdita(1)ditanãotem, Valempoucoecustammuito. (1)Boafortuna,felicidade Osbonsvisemprepassar Nomundogravestormentos; E,paramaism’espantar, Osmausvisemprenadar Emmardecontentamentos. 2 -“ A experiência do humanista, a experiência amorosa e a experiência de vida colocam Camões perante uma constatação: a de que o mundo, a realidade, é absurda e domina o desconcerto. Esta constatação deixou marcas amargas em poemas de revolta, queixa, desengano, perplexidade angustiada.” InAmélia Pinto Pais, Eu cantarei de amor –Lírica de Luís de Camões. (20pts) 2.1 -Clarifica as afirmações e exemplifica com a análise dos versos que se seguem: Camões foi um humanista, viajou e conheceu o mundo •humanismo alimenta a capacidade nas capacidades humanas; •valorização da razão e do juízo crítico •certificação da verdade através da experimentação •desenvolve a capacidade de conhecer o mundo de o questionar e de reflectir sobre os comportamentos humanos. No primeiro excerto, conclui que o mundo vive em desconcerto, pois o trabalho deveria levar ao mérito e à honra, o que não acontece. No segundo excerto, conclui que o mundo vive em desconcerto, pois a bondade deve ser premiada e não é. A maldade deve ser castigada e também não é.
  • 25. Aquela cativa que me tem cativo, Porque nela vivo Já não quer que viva. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos, Que perameus olhos Fosse mais fermosa. Nem no campo flores, Nem no céu estrelas Me parecem belas Como os meus amores. Rosto singular Olhos sossegados Pretos e cansados, Mas não de matar. uagraça viva, Que neles lhe mora, Peraser senhora de quem é cativa. Pretos os cabelos, Onde o povo vão Perde a opinião Que os louros são belos Pretidão de amor, Tão doce a figura, Que a neve lhe jura Que trocara a cor. Leda mansidão Que o siso acompanha; Bem parece estranha Mas bárbara não. Presença serena Que a tormenta amansa; Nela, enfim descansa Toda a minha pena. Esta é a cativa Que me tem cativo, E, pois nela vivo, É força que viva.
  • 26. Aquela cativa que me tem cativo Porque nela vivo Já não quer que viva. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos, Que perameus olhos Fosse mais fermosa. O sujeito poético começa com um jogo de palavras: cativo/cativa que é sugestivo da escravidão amorosa do sujeito poético. Se por um lado Bárbara é escrava/cativa (socialmente), o sujeito poético também o é. É escravo do seu amor. O sujeito poético faz um elogio à beleza da amada, construindo já a tradicional hipérbole, onde superioriza a amada. Os elementos da Natureza são os escolhidos para ajudar a descrever a beleza da amada
  • 27. Nem no campo flores, Nem no céu estrelas Me parecem belas Como os meus amores. Rosto singular Olhos sossegados Pretos e cansados, Masnão de matar. Comparativamente com as flores e/ou as estrelas, a sua amada é muito mais bela. Note-se que todo o elogio é pessoal, ou seja, pareceao sujeito poético que a sua amada tem uma beleza incomparável à beleza da grandiosidade da Natureza. Está presente uma comparação. O rosto da amada não é um rosto banal, é singular/diferente/único, ou seja não corresponde aos padrões habituais. Mais uma vez, os olhos são apresentados como um espelho da alma, neste caso estão sossegados, o que mais uma vez reforça a ideia da calma e serenidade que caracterizava as mulheres da lírica camoniana. Mas logo de seguida, apresenta características que se opõem ao modelo de mulher: “olhos pretos e cansados”, ou seja, olhos escuros e doridos do trabalho duro. Mais uma vez o sujeito poético joga com as palavras e diz que ela está cansada, mas não de matar …de amor, não de seduzir e de inspirar paixões.
  • 28. uagraça viva, Que neleslhe mora, Peraser senhora de quem é cativa. Pretos os cabelos, Onde o povo vão Perde a opinião Que os louros são belos. O “povo vão”, ou seja, a opinião geral e pouco acertada é de que os cabelos louros é que são belos. O sujeito poético põe em causa o modelo da época e substitui-o por outro. Antecedente –“olhos” Mais uma vez se joga com as palavras “senhora” e “cativa”, reforçando a ideia de que apesar de ser cativa/escrava, domina, é senhora dos corações apaixonados. O reforço da graciosidade da mulher é contínuo e assemelha-se ao modelo de mulher.
  • 29. Pretidão de amor, Tão doce a figura, Que a neve lhe jura Que trocara a cor. Leda mansidão Que o siso acompanha; Bem parece estranha Mas bárbaranão. Presença serena Que a tormenta amansa; Nela, enfim descansa Toda a minha pena. Esta é a cativa Que me tem cativo. E, pois nela vivo, É força que viva. Inicia esta oitava com uma apóstrofeà mulher amada, pondo em destaque precisamente as características que se opõem ao modelo de mulher da época, Mas logo se sucedem características psicológicas que se adequam ao modelo: Doçura, leda mansidão, siso. Toda esta descrição pode parecer diferente, mas não agressiva, ofensiva (“bárbara”). Novamente o reforço da serenidade. E também a presença da antítese, que põe em destaque as contradições amorosas e os conflitos de opinião. O sujeito poético encaminha para uma conclusãotodo este elogio, dizendo que nela se concentra a sua inspiração poética e sofrimento poético (“pena”).
  • 30. Aquela cativa que me tem cativo, Porque nela vivo Já não quer que viva. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos, Que perameus olhos Fosse mais fermosa. Em no campo flores, Nem no céu estrelas Me parecem belas Como os meus amores. Rosto singular Olhos sossegados Pretos e cansados, Mas não de matar. uagraça viva, Que neles lhe mora, Peraser senhora de quem é cativa. Pretos os cabelos, Onde o povo vão Perde a opinião Que os louros são belos Pretidão de amor, Tão doce a figura, Que a neve lhe jura Que trocara a cor. Leda mansidão Que o siso acompanha; Bem parece estranha Mas bárbara não. Presença serena Que a tormenta amansa; Ela, enfim descansa Toda a minha pena. Esta é a cativa Que me tem cativo. E, pois nela vivo, É força que viva. “Aquela” implica um distanciamento, pois o sujeito poético ainda não apresentou a personagem. “ Esta” implica proximidade, pois agora as características desta personagem são conhecidas.
  • 31. A escrava contraria o modelo de mulher renascentista pelas suas características físicas que fogem ao pré-estabelecido: loiro, olhos claros, pele branca. A sua serenidade, sensatez, calma e forma distante já se inscrevem nesse modelo.
  • 32. Se Helena apartar Do campo seus olhos, Nascerão abrolhos Voltas: A verdura amena Gados que pasceis Sabei que a deveis Aos olhos de Helena. Os ventos serena, Faz flores de abrolhos O ar de seus olhos. Faz serras floridas, Faz claras as fontes; Se isto faz nos montes, Que fará nas vidas? Trá-las suspendidas Como ervas em molhos, na luz de seus olhos. Os corações prende Com graça inumana De cada pestana Ua alma lhe pende. Amor se lhe rende E, posto em giolhos, Pasma nos seus olhos.
  • 33. Se Helena apartar Do campo seus olhos, Nascerão abrolhos. No mote, o sujeito poético deixa evidente que os olhos de Helena irradiam uma luz especial, de origem “divina”, inumana capaz de transfigurar a Natureza, transformando-a de forma bela. Está presente o universo bucólico, onde a Natureza é o cenário da acção da mulher e do seu elogio.
  • 34. Voltas: A verdura amena Gados que pasceis Sabei que a deveis Aos olhos de Helena. Os ventos serena, Faz flores de abrolhos O ar de seus olhos. Faz serras floridas, Faz claras as fontes; Continuam a estar presentes os elementos da Natureza e são o destinatário da mensagem do sujeito poético. Está presente uma anástrofe, que reforça a ação dos olhos de Helena. ( “Gado que pasceis, sabei que deveis a verdura amena aos olhos de Helena”). (Outro caso de inversão da ordem natural: “o ar de seus olhos faz flores de abrolhos”) O sujeito poético parece querer tornar claro para o gado que este deve tudo à capacidade que os olhos de Helena têm de transmutar a Natureza. Esta ação está reforçada quer pela utilização de verbos, quer pela utilização de adjectivação e adjectivo anteposto, Anáfora – “Faz” Reforça o sentido transformador. Sem o seu olhar nada existiria.
  • 35. ---------------------------- ---------------------------- Se isto faz nos montes, Que fará nas vidas? Trá-las suspendidas Como ervas em molhos, na luz de seus olhos. Os dois primeiros versos desta volta completam a primeira parte do vilancete: • A acção dos olhos de Helena na Natureza Agora inicia-se a segunda parte: • A acção dos olhos de Helena nas vidas humanas. Esta segunda parte começa com uma questão retórica que nos leva a reflectir sobre os efeitos que esta mulher terá nos humanos. Logo de seguida, o sujeito poético responde a esta questão, com uma comparação. Conclui que também as almas humanas estão dependentes dela.
  • 36. Os corações prende Com graça inumana De cada pestana Ua alma lhe pende. Amor se lhe rende E, posto em giolhos, Pasma nos seus olhos. Até o amor lhe presta vassalagem. Helena é uma figura graciosa, inatingível, espiritualizada, pertencente a um outro mundo, onde a matéria se suspende e de si depende. O amor que inspira é um amor espiritualizado, inefável.
  • 37. Mote Quem ora soubesse Onde o amor nasce, Que o semeasse. Voltas: D’Amore seus danos Me fiz lavrador; Semeava amor E colhia enganos; Não vi em meus anos, Homem que apanhasse O que semeasse. Vi terra florida De lindos abrolhos, Lindos para os olhos, duros para a vida; Mas a rês(1) perdida Que tal erva pace(2) Em forte hora nace. Com quanto perdi, Trabalhava em vão; Se semeei grão Grande dor colhi. Amor nunca vi Que muito durasse, Que não magoasse. Luís de Camões
  • 38. Mote Quem ora soubesse Onde o amor nasce, Que o semeasse. O sujeito poético utiliza o Pretérito Imperfeito do Conjuntivo para expressar as suas dúvidas e os seus conselhos. O sujeito poético começa por lançar uma questão, uma dúvida para o ar. Ele diz que se alguém conhece o terreno fértil do amor deveria plantá-lo. O sujeito poético inicia aqui esta metáfora que aproxima o amor de uma cultura que necessita terreno especial, ou seja cuidados especiais.
  • 39. D’ Amor e seus danos Me fiz lavrador; Semeava amor E colhia enganos; Não vi em meus anos, Homem que apanhasse O que semeasse. O sujeito poético conta que se tornou lavrador de amor. Inicia aqui uma metáforaque se irá prolongar ao longo de todo o texto: Todo este processo de colher, nascer, cuidar e colher está presente como a metáfora de sentir amor de o alimentar e conduzir ao longo da vida. Os aspectos da Natureza dominam completamente a metáfora em construção. O sujeito poético afirma que ao longo da vida semeou amor, mas só colheu enganos, ou seja faz alusão a um amor infeliz e sofrido. Por fim refere que, partindo da sua experiência pessoal, nunca viu ninguém que apanhasse o que recolheu , ou seja nunca ninguém foi verdadeiramente feliz no amor.
  • 40. Vi terra florida De lindos abrolhos, Lindos para os olhos, duros para a vida; Mas a rês(1) perdida Que tal erva pace(2) Em forte hora nace. O sujeito poético recorda que já teve momentos felizes, porém momentos contraditórios: Por um lado eram “lindos”, por outro eram “duros”, porque levavam ao sofrimento . Constrói-se uma antítese, pois os “abrolhos” não são plantas bonitas, pelo contrário, têm picos , ou seja, representam aqui uma ilusão e um perigo de sofrimento. A “rês perdida” representa aqui o Homem que se alimenta de “tal erva”, ou seja, do amor ilusório. Destaca-se também o facto deste amor (erva) nascer forte/ intenso e condenar o homem.
  • 41. Com quanto perdi, Trabalhavaem vão; Se semeei grão Grande dor colhi. Amor nunca vi Que muito durasse, Que não magoasse. Luís de Camões O investimento, a dedicação, o trabalhoque este lavrador (homem) dedicou à sementeira ( ao amor) foi em vão, ou seja foi inútil, porque a única coisa que colheu foi dor e sofrimento. O sujeito poético conclui a metáfora, tornando-a clara nos últimos três versos onde diz que nunca conheceu um Amor que perdure e que não conduza ao sofrimento. Anáfora Aliteração
  • 42. (15pts) 1 –Logo na primeira volta o sujeito poético apresenta-se metaforicamente. Justifica a afirmação. O sujeito poético inicia esta metáfora que aproxima o amor de uma cultura que necessita terreno especial, ou seja cuidados especiais. D’ Amor e seus danos Me fiz lavrador; Semeava amor E colhia enganos; Não vi em meus anos, Homem que apanhasse O que semeasse. O sujeito poético conta que se tornou lavrador de amor. Inicia aqui uma metáforaque se irá prolongar ao longo de todo o texto: Todo este processo de colher, nascer, cuidar e colher está presente como a metáfora de sentir amor, de o alimentar e conduzir ao longo da vida. Os aspectos da Natureza dominam completamente a metáfora em construção. O sujeito poético afirma que ao longo da vida semeou amor, mas só colheu enganos, ou seja faz alusão a um amor infeliz e sofrido.
  • 43. (15pts) 2 –Este texto é uma reflexão pessoal. Justifica a afirmação e apresenta o possível destinatário deste vilancete. Mote Quem ora soubesse Onde o amor nasce, Que o semeasse. Voltas: D’Amore seus danos Me fiz lavrador; Semeavaamor E colhiaenganos; Não viem meus anos, Homem que apanhasse O que semeasse. Viterra florida De lindos abrolhos, Lindos para os olhos, duros para a vida; Mas a rês(1) perdida Que tal erva pace(2) Em forte hora nace. Com quanto perdi, Trabalhavaem vão; Se semeei grão Grande dor colhi. Amor nunca vi Que muito durasse, Que não magoasse. Luís de Camões O sujeito poético começa por lançar uma questão, uma dúvida para o ar. Ele diz que se alguém conhece o terreno fértil do amor deveria plantá-lo. Tudo isto é uma reflexão pessoal, porque o sujeito poético recorre à sua experiência pessoal para tirar conclusões. Isto é ele vai contando o que fez, o que semeou, o que colheu, o que viu, o que perdeu, o que trabalhou, e a que conclusões chega: o amor conduz sempre ao sofrimento…
  • 44. (10pts) 3 –Quais os efeitos e características do Amor? Justifica, fazendo o levantamento de palavras que o comprovam. Mote Quem ora soubesse Onde o amor nasce, Que o semeasse. Voltas: D’ Amor e seus danos Me fiz lavrador; Semeava amor E colhia enganos; Não vi em meus anos, Homem que apanhasse O que semeasse. Vi terra florida De lindos abrolhos, Lindos para os olhos, duros para a vida; Mas a rês(1) perdida Que tal erva pace(2) Em forte hora nace. Com quanto perdi, Trabalhava em vão; Se semeei grão Grande dorcolhi. Amor nunca vi Que muito durasse, Que não magoasse. Luís de Camões Efeitos: Danos Sofrimento Desilusão Dor magoa Características: Enganoso Ilusório Contraditório Forte/intenso Exigente O Amor é apenas uma ilusão, cria expectativas, alimenta as esperanças, mas no final acaba sempre por levar ao sofrimento e à desilusão. É também forte e exigente, pois quando surge é intenso e arrebatador, e todo o apaixonado deve “trabalhar”, ou seja empenhar-se nesta tarefa.
  • 45. (15pts) 4 –Este poema retoma aspectos característicos da poesia tradicional. Identifica-os. Mote Quem ora soubesse Onde o amor nasce, Que o semeasse. Voltas: D’ Amor e seus danos Me fiz lavrador; Semeavaamor E colhia enganos; Não vi em meus anos, Homem que apanhasseO que semeasse. Vi terra florida De lindos abrolhos, Lindos para os olhos, duros para a vida; Mas a rês(1) perdida Que tal erva pace(2) Em forte hora nace. Com quanto perdi, Trabalhava em vão; Se semeei grão Grande dor colhi. Amor nunca vi Que muito durasse, Que não magoasse. Luís de Camões Formal : •vilancete/ redondilha menor (5 sílabas métricas) •mote: três versos •voltas com sete versos •repetição do último verso do mote no final de cada volta Conteúdo: •0 bucolismo: a natureza, os campos, o lavrador, a sementeira, o gado, o pasto •a simplicidade, trivialidade e banalidade dos elementos que estão na base da inspiração poética: a sementeira. •o sofrimento amoroso e a submissão amorosa. A coita de amor.
  • 46. (15pts) 5 –Apresenta a Paráfrase da última volta. Identificando e clarificando a intenção do recurso expressivo presente nos últimos quatro versos. Mote Quem ora soubesse Onde o amor nasce, Que o semeasse. Voltas: D’ Amor e seus danos Me fiz lavrador; Semeava amor E colhia enganos; Não vi em meus anos, Homem que apanhasse O que semeasse. Vi terra florida De lindos abrolhos, Lindos para os olhos, duros para a vida; Mas a rês(1) perdida Que tal erva pace(2) Em forte hora nace. Com quanto perdi, Trabalhava em vão; Se semeei grão Grande dor colhi. Amor nunca vi Que muito durasse, Que não magoasse. Luís de Camões O investimento, a dedicação, o trabalhoque este lavrador (homem) dedicou à sementeira ( ao amor) foi em vão, ou seja foi inútil, porque a única coisa que colheu foi dor e sofrimento. O sujeito poético conclui a metáfora, tornando-a clara nos últimos três versos onde diz que nunca conheceu um Amor que perdure e que não conduza ao sofrimento.
  • 48. Ondados fios de ouro reluzenteOndados fios de ouro reluzente, Que agora da mão bela recolhidos, Agora sobre as rosas estendidosFazeis que sua graça se acrescente; Olhos, que vos moveis tão docemente, Em mil divinos raios encendidos, Se de cá me levais alma e sentidos, Que fora, se de vós não fora ausente? Honesto riso, que entre a mor finezaDe perlas e corais nacee parece, Se n'alma em doces ecos não o ouvisse! Se imaginando só tanta beleza, De si, em nova glória, a alma se esquece, Que será quando a vir? Ah! Quem a visse! O soneto aborda o tema da mulher, mais propriamente, o ideal Petrarquista. Este ideal é sempre descrito como uma mulher perfeita, bela, nobre, só descritível em imagens hiperbólicas. Verifica-se a descrição física, à maneira de Petrarca, de uma mulher, que contribui para a sua caracterização moral. O poema apresenta uma enumeração metafórica dos atributos físicos da mulher. Esta caracterização respeita o ideal feminino petrarquista e assume também a ausência da amada. Assim, afastado do objeto da sua devoção, o poeta deseja a proximidade. Utiliza um discurso expressivo, marcado pelas expressões interjetivas. O texto é constituído por duas quadras e dois tercetos em metro decassilábico, com um esquema rimático ABBA // ABBA // CDE // CDE, verificando-se a existência de rima interpolada em “A”, emparelhada em “B” e interpolada em “C,D,E”.
  • 49. Presença bela, angélica figura, Em quem, quanto o Céu tinha, nos tem dado; Gesto alegre, de rosas semeado, Entre as quais se está rindo a Fermosura; Olhos, onde tem feito tal misturaEm cristal branco e preto marchetado, Que vemos já no verde delicadoNão esperança, mas enveja escura; Brandura, aviso e graça que, aumentandoA natural beleza c'umdesprezoCom que, mais desprezada, mais se aumenta; São as prisões de um coração que, preso, Seu mal ao som dos ferros vai cantando, Como faz a sereia na tormenta.
  • 50. Leda serenidade deleitosa, Que representa em terra um paraíso; Entre rubis e perlas doce riso; Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa; Presença moderada e graciosa, Onde ensinando estão despejo e sisoQue se pode por arte e por aviso, Como por natureza, ser fermosa; Fala de quem a morte e a vida pende, Rara, suave; enfim, Senhora, vossa; Repouso nela alegre e comedido: Estas as armas são com que me rendeE me cativa Amor; mas não que possaDespojar-me da glória de rendido. Contradição do amor felicidade e sofrimento Retratoidealizado da amada: Traços físicos e psicológicos Estrutura interna Recursos expressivos Efeitos da mulher no sujeito lírico Presença/ausência do dialogismo
  • 51. Dizei, Senhora, da Beleza ideia: Para fazerdes esse áureo crino, Onde fostes buscar esse ouro fino? De que escondida mina ou de que veia? Dos vossos olhos essa luz febeia, Esse respeito, de um império dino? Se o alcançastes com saber divino, Se com encantamentos de Medeia? De que escondidas conchas escolhestesAs perlaspreciosas orientaisQue, falando, mostrais no doce riso? Poisvos formastes tal como quisestes, Vigiai-vos de vós, não vos vejais; Fugi das fontes: lembre-vos Narciso. Retratoidealizado, concetuale divinizado da amada: Traços físicos e psicológicos Sedução, fatalidade do amor Influência do classicismo – Febo, Medeia, Vénus, Narciso Estrutura interna Recursos expressivos Efeitos da mulher no sujeito lírico Presença do dialogismo
  • 52. Pág. 278 Está o lascivo e doce passarinhoCo'obiquinho as penas ordenando, O verso sem medida, alegre e brando, Espedindo no rústico raminho. O cruel caçador, que do caminhoSe vem, calado e manso, desviando, Na pronta vista a seta endireitando, Lhe dá no Estígio lago eterno ninho. Destarte o coração, que livre andava, (Posto que já de longe destinado), Onde menos temia, foi ferido. Porque o Frecheiro cego me esperava, Para que me tomasse descuidado, Em vossos claros olhos escondido. Locus amoenus Metáfora do enamoramento Amor –prisão, cegueira, fatalidade Ambiente bucólico
  • 53. Pág. 278 Comoquando o mar tempestuosoo marinheiro, lasso e trabalhado, de um naufrágio cruel já salvo a nado, só ouvir falar nele o faz medroso, e jura que, em que veja bonançosoo violento mar e sossegado, não entre nele mais, mas vai forçadopelo muito interesse cobiçoso; assi, Senhora, eu, que da tormentade vossa vista fujo, por salvar-me, jurando de não mais em outra ver-me: minh’alma, que de vós nunca se ausenta, dá-me por preço ver-vos, faz tornar-me donde fugi tão perto de perder-me. Locus amoenus Metáfora do enamoramento Amor –tormenta, cruel, fatalidade Ambiente bucólico
  • 54. Pág290 O céu, a terra, o vento sossegado... As ondas, que se estendem pela areia... Os peixes, que no mar o sono enfreia... O nocturno silêncio repousado... O pescador Aónio, que, deitadoOnde co vento a água se meneia, Chorando, o nome amado em vão nomeia, Que não pode ser mais que nomeado: —Ondas –dezia–antes que Amor me mate, Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedoMe fizestes à morte estar sujeita. Ninguém lhe fala; o mar de longe bate; Move-se brandamente o arvoredo; Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita. Locus amoenus Metáfora do enamoramento Amor –tormenta, cruel, fatalidade Ambiente bucólico
  • 55. Página 293 Males, que contra mim vos conjurastes, Quanto há-de durar tão duro intento? Se dura, por que dure meu tormento, Baste-vos quanto já me atormentastes. Mas se assim porfiais, porque cuidastesDerribar o meu alto pensamento, Mais pode a causa dele, em que o sustento, Que vós, que dela mesma o ser tomastes. E pois vossa tenção com minha morteÉ de acabar o mal destes amores, Dai já fim a tormento tão comprido. Assim de ambos contente será a sorte: Em vós por acabar-me, vencedores, Em mim porque acabei de vós vencido. Desconcerto emocional (pág. 298)
  • 56. http://www.slideshare.net/HMECOUT/o-dia-em-que-eu-nasci-morra-e-perea Pág. 291 O dia em que nasci moura e pereça, Não o queira jamais o tempo dar; Não torne mais ao Mundo, e, se tornar, Eclipse nesse passo o Sol padeça. A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça, Mostre o Mundo sinais de se acabar, Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar, A mãe ao próprio filho não conheça. As pessoas pasmadas, de ignorantes, As lágrimas no rosto, a cor perdida, Cuidem que o mundo já se destruiu. Ó gente temerosa, não te espantes, Que este dia deitou ao Mundo a vida Mais desgraçada que jamais se viu! Desconcerto emocional
  • 57. Pág. 301 Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança: Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soía. Desconcerto do mundo (pág. 304)
  • 58. Omundotem-mefeitodesfeitasatrásdedesfeitas.Namaiorpartedasvezes,omundoentretém-seamostrar- mequesouestúpido.Admitoque,quandoissoacontece,omundoquasenãotemdefazernadaparaoconseguir.Masérealmenteincrívelotrabalhoaqueomundosetemdadoparamefazersentirvelho.Todososdiasfazpiruetasimpossíveis,semoutrajustificaçãoquenãosejaobrigar-meadizer,comoumoctogenário,"Nomeutempoistonãoeraassim".Aúltimadessascabriolasfoiesta:nestemomento,oregimepolíticoqueaspessoasricasprefereméodaRússia.Nomeutempoistonãoeraassim.GérardDépardieu,francês,actor, milionárioereputadobêbadourinadornochãodeaviões,pediuacidadaniarussaparapagarmenosimpostos. Eobteve-aporque,aopassoquenomeutempoaRússiaachavaqueoocidenteerademasiadocapitalista, agoraachaquenãooésuficientemente. Nomeutempo,osrussosqueriamsairparaoocidente.Agora,osocidentaisquerementrarnaRússia.Alguémsubstituiuacortinadeferroporaquelacortinaque,nosaviões,separaaralédaprimeiraclasse.Efoirapidíssimo.Todoomundoécompostodemudança,eusei.Jamaistebanharásduasvezesnaságuasdomesmorio,etal.Deacordo.Masistoéumexagero.Qualrio,Heraclito?Quaiságuas?Opróprioriodeixoudeserumrio.Ejánãoestamosabanhar-nosemágua.Istoévinho.EGérardDepardieuestáabebê-lotodo,comoéevidente.Nãosemudajácomosoíaporqueoprópriodevirmudou.Eoumuitomeenganoouestádrogado. Empoucomaisde20anos,aRússiatransfigurou-se.Nãoseiseaguentomudançasdomesmogéneronospróximos20anos.Receioqueaminhasaúdenãoresistaaochoquese,em2033,aCoreiadoNorteforumpaíslivre,aAlemanhaforumpaíspobre,ePortugalforumpaísdecente.Osobressaltopoderiamatar-me.Creioqueéissoqueomundopretende,eomaistristeéqueestouconvencidodequeacabaráporconsegui-lo.Resta-meretaliarcomoposso.Voucomprardoisoutrêsaerossóisbempoluenteseajustarcontascomomundo.Logoveremossecontinuarácomvontadedefazerpoucodemimquandotiveracamadadeozonotodaesburacada. Ricardo Araújo Pereira, Visão
  • 59. Omundotem-mefeitodesfeitasatrásdedesfeitas.Namaiorpartedasvezes,omundoentretém-seamostrar- mequesouestúpido.Admitoque,quandoissoacontece,omundoquasenãotemdefazernadaparaoconseguir. Masérealmenteincrívelotrabalhoaqueomundosetemdadoparamefazersentirvelho.Todososdiasfazpiruetasimpossíveis,semoutrajustificaçãoquenãosejaobrigar-meadizer,comoumoctogenário,"Nomeutempoistonãoeraassim".Aúltimadessascabriolasfoiesta:nestemomento,oregimepolíticoqueaspessoasricasprefereméodaRússia.Nomeutempoistonãoeraassim.GérardDépardieu,francês,actor, milionárioereputadobêbadourinadornochãodeaviões,pediuacidadaniarussaparapagarmenosimpostos.Eobteve-aporque,aopassoquenomeutempoaRússiaachavaqueoocidenteerademasiadocapitalista,agoraachaquenãooésuficientemente. Nomeutempo,osrussosqueriamsairparaoocidente.Agora,osocidentaisquerementrarnaRússia.Alguémsubstituiuacortinadeferroporaquelacortinaque,nosaviões,separaaralédaprimeiraclasse.Efoirapidíssimo. Todoomundoécompostodemudança,eusei.Jamaistebanharásduasvezesnaságuasdomesmorio,etal.Deacordo.Masistoéumexagero.Qualrio,Heraclito?Quaiságuas?Opróprioriodeixoudeserumrio.Ejánãoestamosabanhar-nosemágua.Istoévinho.EGérardDepardieuestáabebê-lotodo,comoéevidente.Nãosemudajácomosoíaporqueoprópriodevirmudou.Eoumuitomeenganoouestádrogado. Empoucomaisde20anos,aRússiatransfigurou-se.Nãoseiseaguentomudançasdomesmogéneronospróximos20anos.Receioqueaminhasaúdenãoresistaaochoquese,em2033,aCoreiadoNorteforumpaíslivre,aAlemanhaforumpaíspobre,ePortugalforumpaísdecente.Osobressaltopoderiamatar-me.Creioqueéissoqueomundopretende,eomaistristeéqueestouconvencidodequeacabaráporconsegui-lo.Resta-meretaliarcomoposso.Voucomprardoisoutrêsaerossóisbempoluenteseajustarcontascomomundo.Logoveremossecontinuarácomvontadedefazerpoucodemimquandotiveracamadadeozonotodaesburacada.
  • 60. TOPONÍMIAMudam-se os tempos. Jánão sabemos as matinais cançõesnem habitamos vilas morenas. Toleramos serventes de pedreiro louros, de preferência não legalizados. Queremosum grande apartamento em condomíniofechado, um ferrari, uma piscina, um topode gama de uma coisa qualquer. Temos ruas, temos praças e pontescom nome de revolução. Como todosos países temos hino -nação valenteimortal. Tivemos canela e diamantes, santos, barregãs e dinastias detiranos e servos. Andámos muitono mar, trocando rotas e poderes, escravos, inquisições e cruzes. Agora, neste estreitoquadrilátero, de onde saímose mal regressámos, sem índias nemquinto império -salvou-se o manuscrito doLuís Vaz a nado -restam-nos a sardinhae a conquilha -ao que consta cercadasde barcos espanhóis -o bacalhauque já não vem da Terra Nova, a memóriados pescadores de baleias, esgotada a capturanas ilhas. Também temos o trezede Maio, o negócio clandestinodas abortadeiras, a broa de Avintes, os tintos, por enquanto de marca eo leitão da Bairrada e o Benfica eo Sporting e o FutebolClube do Porto.
  • 61. Temos ruas, temos praças epontes com nome de revolução, topónimos nebulosos que a distânciaapagará. Apenas aquela ruachamada Cantor Zeca Afonsopoderá surpreender o transeuntese acrescentarem o aviso: nunca quis uma ruasó para si. Inês Lourenço
  • 62. Elabora um Texto de Opinião que comece assim: “No meu tempo não era nada assim…” E que inclua no seu desenvolvimento alguns dos versos de Camões presentes neste soneto. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança: Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soía.
  • 63. Maria de Lurdes Augusto -2014