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Camões   Erros meus, má fortuna, amor ardente         Corrente renascentista
Erros meus, má fortuna, amor ardenteem minha perdição se conjuraram;os erros e a fortuna sobejaram,que para mim bastava o ...
DESVENTURAVárias foram as causas que contribuíram paraa vida desventurada do poeta: o amor, oserros praticados ao longo da...
Tema  O tema do soneto é o sofrimento do sujeitopoético.                            O AUTOBIOGRAFISMO
Tema:                                                          BALANÇO AUTOBIOGRÁFICOO poeta faz uma retrospectiva à sua v...
Assunto do poema   O sujeito poético diz que os seus maiores inimigosna vida foram os erros, a má sorte e o amor e refereq...
Estrutura interna                        Na primeira parte do poema, o eu poético                        confessa que vive...
O amor como causa do seu infortúnio                                          Erros meus, má fortuna, amor ardente         ...
O soneto aborda a vida passada do poeta e a tristeza que ele sente ao recordá-la.Erros meus, má fortuna, amor ardente     ...
Erros meus, má fortuna, amor ardenteEm minha perdição se conjuraram;Os erros e a fortuna sobejaram,Que para mim bastava o ...
Erros meus...A importância atribuída ao papel desempenhado pelo Amor na perdição do Poeta.                                ...
Erros meus, má fortuna, amor ardente    O sujeito poético transmite a ideia deEm minha perdição se conjuraram;        que ...
Erros meus, má fortuna, amor ardente    No primeiro terceto, o sujeito poéticoEm minha perdição se conjuraram;        tem ...
Camões nunca deixou de se analisar a si próprio. Ele reflectiu sistematicamente sobre asua vida. Dessa reflexão surgiram m...
Processos figurativosNeste soneto, estes processos querem mostrar como o sujeito poético se sente infeliz,perseguido e rev...
Erros meus, má fortuna, amor ardenteem minha perdição se conjuraram;         Qos erros e a fortuna sobejaram,          Uqu...
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Observa-se claramente neste soneto a vida do poeta, onde autor e eu-lírico se fundem, sendo enfatizados seus erros, causa ...
Disciplina: PortuguêsProf.ª: Helena Maria Coutinho
Erros  meus, má fortuna, amor ardente
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Erros meus, má fortuna, amor ardente

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Lírica Camoniana

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Erros meus, má fortuna, amor ardente

  1. 1. Camões Erros meus, má fortuna, amor ardente Corrente renascentista
  2. 2. Erros meus, má fortuna, amor ardenteem minha perdição se conjuraram;os erros e a fortuna sobejaram,que para mim bastava o amor somente.Tudo passei; mas tenho tão presentea grande dor das cousas que passaram,que as magoadas iras me ensinarama não querer já nunca ser contente.Errei todo o discurso de meus anos;dei causa [a] que a Fortuna castigasseas minhas mal fundadas esperanças.De amor não vi senão breves enganos.Oh! quem tanto pudesse que fartasseeste meu duro génio de vinganças!
  3. 3. DESVENTURAVárias foram as causas que contribuíram paraa vida desventurada do poeta: o amor, oserros praticados ao longo da vida, a falta desorte de que frequentemente se lamenta, oexílio a que por várias vezes se viu votado, ocontraste, feito de sonhos desfeitos, entre adesejada Sião e a real e corrupta Babilónia...Reais ou fictícios, muitos são os episódiosconhecidos que ditaram a criação umaimagem de Camões como poetadesafortunado, perseguido, incompreendido,chorando o desterro e os desgostosamorosos, reduzido, quantas vezes, a umavida de mendicidade, e morrendo na miséria.
  4. 4. Tema O tema do soneto é o sofrimento do sujeitopoético. O AUTOBIOGRAFISMO
  5. 5. Tema: BALANÇO AUTOBIOGRÁFICOO poeta faz uma retrospectiva à sua vida e verifica que as causas da sua desgraçaforam os erros que cometeu, a sua pouca sorte e o amor; mas bastava esta últimacausa para a sua perdição.. No poema “Erros meus, má fortuna, amor ardente”, o sujeito poético lamenta-se da sua vida desgraçada, que só o faz sofrer. Ele sente-se revoltado pelo facto de ter uma vida tão infeliz mostrando, no fim, um desejo intenso de vingança.
  6. 6. Assunto do poema O sujeito poético diz que os seus maiores inimigosna vida foram os erros, a má sorte e o amor e refereque estes três elementos foram os culpados da suavida de sofrimento.
  7. 7. Estrutura interna Na primeira parte do poema, o eu poético confessa que viveu uma vida de sofrimento, 1ª parte provocado pelos erros, pela má sorte e pelo amor. (12 primeiros Diz ainda que o amor apenas lhe deu “breves versos) enganos” e que, por isso, o sofrimento provocado pelos erros e pela má sorte sobejaram. Na segunda parte do poema, ele recorre a uma interjeição (“oh!”) para mostrar a dor que lhe vai 2ª parte no coração e espera que o “Génio” que o(dois últimos versos) persegue se farte de o perseguir para ele poder viver em paz.
  8. 8. O amor como causa do seu infortúnio Erros meus, má fortuna, amor ardente em minha perdição se conjuraram; os erros e a fortuna sobejaram, que para mim bastava o amor somente. 1º momento: atribui o sofrimento a Tudo passei; mas tenho tão presente certas forças – Fortuna e Amor - que a grande dor das cousas que passaram, se aliaram contra o poeta. que as magoadas iras me ensinaram a não querer já nunca ser contente. Errei todo o discurso de meus anos; dei causa [a] que a Fortuna castigasse as minhas mal fundadas esperanças. 2º momento: exclamação final De amor não vi senão breves enganos. reveladora do seu desespero. Oh! quem tanto pudesse que fartasse este meu duro génio de vinganças!
  9. 9. O soneto aborda a vida passada do poeta e a tristeza que ele sente ao recordá-la.Erros meus, má fortuna, amor ardente O sujeito poético exprime a sua tristeza emEm minha perdição se conjuraram; relação à vida que foi passando e os errosOs erros e a fortuna sobejaram, que foi cometendo.Que para mim bastava o amor, somente. Para o fazer, evoca três razões queTudo passei; mas tenho tão presente justificam um passado infeliz que, de formaA grande dor das cousas que passaram, intencional, se reuniram numa metafóricaQue as magoadas iras me ensinaram conjura para tramar contra o poeta.A não querer já nunca ser contente.Errei todo o discurso de meus anos; Partindo desta ideia, o poeta desenvolve oDei causa a que a Fortuna castigasse seu lamento ao longo das estrofesAs minhas mal fundadas esperanças. seguintes.De amor não vi senão breves enganos… Assim, o sujeito poético aprendeu a não terOh! Quem tanto pudesse que fartasse esperança na alegria que a vida lhe podiaEste meu duro Génio de vinganças! proporcionar.
  10. 10. Erros meus, má fortuna, amor ardenteEm minha perdição se conjuraram;Os erros e a fortuna sobejaram,Que para mim bastava o amor, somente.Tudo passei; mas tenho tão presenteA grande dor das cousas que passaram, Concluindo que todo o seu percurso deQue as magoadas iras me ensinaram vida foi errado, pois foi sempre iludido peloA não querer já nunca ser contente. amor e tendo em conta que o amor seria o suficiente para o levar à perdição, aErrei todo o discurso de meus anos; Fortuna, ou seja o destino, castigou as suasDei causa a que a Fortuna castigasse sempre “mal fundadas esperanças” (v. 11),As minhas mal fundadas esperanças. pois estas foram sempre criadas por um amor ilusório.De amor não vi senão breves enganos…Oh! Quem tanto pudesse que fartasse O soneto encerra com um pedido, queEste meu duro Génio de vinganças! traduz todo o sofrimento do sujeito poético, sendo toda a dor transmitida na utilização da interjeição e da frase exclamativa, e no qual é solicitado, no fundo um descanso que o poeta entende merecido.
  11. 11. Erros meus...A importância atribuída ao papel desempenhado pelo Amor na perdição do Poeta. (vv. 3-4).
  12. 12. Erros meus, má fortuna, amor ardente O sujeito poético transmite a ideia deEm minha perdição se conjuraram; que viveu muitos momentos difíceis eOs erros e a fortuna sobejaram, de grande sofrimento que ainda estãoQue para mim bastava o amor, somente. bem presentes no seu espírito.Tudo passei; mas tenho tão presenteA grande dor das cousas que passaram, Nos últimos dois versos desta estrofe éQue as magoadas iras me ensinaram visível como o passado de sofrimento,A não querer já nunca ser contente. tão presente na sua memória, interfere no futuro.Errei todo o discurso de meus anos; O melhor, segundo o sujeito poético, éDei causa a que a Fortuna castigasse não desejar nada nem ter ilusões ouAs minhas mal fundadas esperanças. esperanças. É esta a melhor forma para não haver desilusões.De amor não vi senão breves enganos…Oh! Quem tanto pudesse que fartasseEste meu duro Génio de vinganças!
  13. 13. Erros meus, má fortuna, amor ardente No primeiro terceto, o sujeito poéticoEm minha perdição se conjuraram; tem consciência que o grande erroOs erros e a fortuna sobejaram, que cometeu foi o de ter esperançasQue para mim bastava o amor, somente. vãs e de ter acreditado que podia ser feliz. Como se deixou iludir, a FortunaTudo passei; mas tenho tão presente (má sorte) castigou-o e encaminhou-oA grande dor das cousas que passaram, para a sua perdição. As suasQue as magoadas iras me ensinaramA não querer já nunca ser contente. esperanças infundadas eram em relação ao amor. Este também oErrei todo o discurso de meus anos; enganou.Dei causa a que a Fortuna castigasseAs minhas mal fundadas esperanças. Nos últimos dois versos do segundo terceto, é notória a revolta do sujeitoDe amor não vi senão breves enganos… poético. Ele sente-se uma vítima eOh! Quem tanto pudesse que fartasse quer vingar-se de tudo aquilo queEste meu duro Génio de vinganças! contribuiu para a sua perdição.
  14. 14. Camões nunca deixou de se analisar a si próprio. Ele reflectiu sistematicamente sobre asua vida. Dessa reflexão surgiram manifestações de impotência, de perplexidade, derevolta, de frustração e de sofrimento. Como resultado das suas constantes interrogações,Camões chegou a várias conclusões: •O amor é o responsável por tudo o que de mal está na sua vida pois priva o homem da sua liberdade; o amor dá esperanças que nunca se realizam. •A má sorte persegue-o incessantemente e castiga-o. •O destino persegue-o, retira-lhe a liberdade, castiga-o e não o deixa ser feliz. Ele sente-se impotente para lutar contra o destino. No entanto, e através dos seus poemas, Camões revela um certo orgulho em tudo isto pois, apesar de ser infeliz e desgraçado, ele sente que vive um destino grandioso. Só alguém tão especial como ele, poderia atrair um destino tão injusto e mau.
  15. 15. Processos figurativosNeste soneto, estes processos querem mostrar como o sujeito poético se sente infeliz,perseguido e revoltado. Encontras, então: Adjectivação valorativaErros meus, má fortuna, amor ardenteEm minha perdição se conjuraram;Os erros e a fortuna sobejaram, Conotações negativasQue pera mim bastava amor somente. HipérboleTudo passei; mas tenho tão presenteA grande dor das cousas que passaram, Exclamação FinalQue as magoadas iras me ensinaramA não querer já nunca ser contente. Anástrofe (v.8)Errei todo o discurso de meus anos;Dei causa [a] que a Fortuna castigasse Personificação (v. 7, 10)As minhas mal fundadas esperanças.De amor não vi senão breves enganos. Enumeração – “Erros meus, má fortuna, amorOh! quem tanto pudesse, que fartasse ardente” (verso 1)Este meu duro Génio de vinganças! Interjeição – “Oh” (verso 13)
  16. 16. Erros meus, má fortuna, amor ardenteem minha perdição se conjuraram; Qos erros e a fortuna sobejaram, Uque para mim bastava o amor somente. A D Este poemaTudo passei; mas tenho tão presente R é um sonetoa grande dor das cousas que passaram, A porque éque as magoadas iras me ensinarama não querer já nunca ser contente. S constituído por duasErrei todo o discurso de meus anos; T quadrasdei causa [a] que a Fortuna castigasse E e doisas minhas mal fundadas esperanças. R C tercetos.De amor não vi senão breves enganos. EOh! quem tanto pudesse que fartasse Teste meu duro génio de vinganças! O S
  17. 17. Erros meus, má fortuna, amor ardente AEm minha perdição se conjuraram; BOs erros e a fortuna sobejaram, B A A rima é interpoladaQue pera mim bastava amor somente. e emparelhadaTudo passei; mas tenho tão presente A nas quadras comoA grande dor das cousas que passaram, B se pode verificarQue as magoadas iras me ensinaram B no esquema rimáticoA não querer já nunca ser contente. A ABBA. Nos tercetos aErrei todo o discurso de meus anos; C rima é interpoladaDei causa [a] que a Fortuna castigasse D como podesAs minhas mal fundadas esperanças. E ver no esquemaDe amor não vi senão breves enganos. C rimático CDECDEOh! quem tanto pudesse, que fartasse DEste meu duro Génio de vinganças! E Esquema rimático e tipo de rima
  18. 18. Erros meus, má fortuna, amor ardente Este texto é constituído por duas quadrasem minha perdição se conjuraram; e dois tercetos, em metro decassilábico,os erros e a fortuna sobejaram,que para mim bastava o amor somente. com esquema rimático: ABBA / ABBA / CDE / CDE,Tudo passei; mas tenho tão presente verificando a existência de rimaa grande dor das cousas que passaram, interpolada em A, emparelhada em B eque as magoadas iras me ensinaram interpolada nos tercetos.a não querer já nunca ser contente.Errei todo o discurso de meus anos;dei causa [a] que a Fortuna castigasseas minhas mal fundadas esperanças.De amor não vi senão breves enganos.Oh! quem tanto pudesse que fartasseeste meu duro génio de vinganças! E/rros /meus,/ má /for / tu / na, a / mor / ar/ den (te) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
  19. 19. Observa-se claramente neste soneto a vida do poeta, onde autor e eu-lírico se fundem, sendo enfatizados seus erros, causa de castigo dadeusa Fortuna: “Errei todo o discurso de meus anos; dei causa a que aFortuna castigasse”. O sentimento de arrependimento se faz presentenuma confissão e também, a compreensão de que somente o amor, nasua essência, era o suficiente.Encontramos a força do lirismo último, quando o autor apresenta umquestionamento sobre suas ambições, que de uma forma geral, são asambições humanas. Esta acaba por englobar a força intelectual comsuas questões existenciais (que exigem conhecimento) e a forçadramática com seus contrates (no caso, o certo e o errado).Olhando por uma outra ótica, podemos também incluir este poema natensão “os desconcertos do mundo”, que será vista com mais detalheposteriormente, e que nos apresenta o desengano com a existência. Oautor demonstra uma desesperança diante da vida quando diz “a nãoquerer já nunca ser contente”, com um toque de dramaticidadecausada, como vimos, pelo conflito entre o que é certo e errado.
  20. 20. Disciplina: PortuguêsProf.ª: Helena Maria Coutinho

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