Barroco - CILP

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Barroco - CILP

  1. 1. LITERATURA BRASILEIRA Barroco
  2. 2. Barroco Séc. XVII ao começo do séc. XVIII
  3. 3. "Toda forma exige fechamento e fim, e o barroco se define pelo movimento e instabilidade; parece-nos, pois, que ele se encontra ante um dilema: ou negar-se como barroco, para completar-se numa obra, ou resistir à obra para persistir fiel a si mesmo" J. Rousset
  4. 4. O SURGIMENTO O Barroco procura solucionar os dilemas de um homem que perdeu sua confiança ilimitada na razão e na harmonia, através da volta a uma intensa religiosidade medieval e da eliminação dos conceitos renascentistas de vida e arte. Em parte, isso não é atingido e as contradições prosseguiriam.
  5. 5. Feudalismo Mercantilismo Crise da sociedade renascentista e Contra- Reforma Arte Medieval Teocentrismo Valorização da vida espiritual Renascimento Humanismo Valorização da vida corpórea Barroco Volta à religiosidade Dilaceramentos: alma x corpo vida x morte claro x escuro céu x terra, etc.
  6. 6. Conhecido também por Seiscentismo (anos de 1600), este foi um estilo literário marcado pela linguagem rebuscada, o uso de antíteses e de paradoxos que expressavam a visão de mundo barroca numa época de transição entre o teocentrismo e o antropocentrismo. No Barroco, estão presentes duas vertentes: cultismo e conceptismo: Cultismo ou gongorismo - valorização de forma e imagem, jogo de palavras, uso de metáforas, hipérboles, analogias e comparações. Manifesta-se uma expressão da angústia de não ter fé. Barroco
  7. 7. " Ofendi-vos, Meu Deus, é bem verdade, É verdade, Senhor, que hei, delinqüido Delinqüido vos tenho...“ Gregório de Matos Conceptismo ou quevedismo - valorização do conteúdo/conceito, jogo de idéias através do raciocínio lógico. Há o uso da parábola com finalidade mística e religiosa.
  8. 8. “Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos.“ Pe. Vieira "Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na Sacra História, Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada Cobrai-a e não queirais, Pastor Divino, Perder na Vossa ovelha a Vossa glória." Gregório de Matos
  9. 9. Referências históricas  Renovações culturais trazidas pelo Renascimento  Fim do ciclo das navegações  Reforma Protestante combatida através da Contra- Reforma Na segunda metade do século XVIII, sentem-se no Brasil os "ecos" do Barroco. O ciclo do ouro propicia o desenvolvimento das artes em geral, notadamente em Minas Gerais, em que se destacam as obras de Aleijadinho. (1730 – 1814)
  10. 10. São José de Botas, atribuído ao Aleijadinho
  11. 11. Características  Essa situação contraditória provoca o aparecimento de uma arte que expressar também atitudes contraditórias do artista em face do mundo, da vida, dos sentimentos e de si mesmo.  O homem tenta conciliar a glória e o valor humano despertados pelo Renascimento com as idéias de submissão e pequenez diante de Deus e a igreja.  Homem está entre céu e terra, consciente de sua grandeza, mas perseguido pela idéia de pecado e busca a salvação de forma angustiada. Assim, há uma tentativa de conciliação de idéias antagônicas: Bem – Mal / Deus – Diabo / Céu – Terra / Pureza – Pecado / Alegria – Tristeza / Espírito – Carne
  12. 12.  Há um crescente pessimismo em face da vida (oposto à vontade de viver e vencer do Renascimento) e tudo lembra ao homem sua morte e aniquilamento. "Ó não guardes, que a madura idade, / te converte essa flor, essa beleza, / em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada." Gregório de Matos É de se esperar que os recursos dessa visão de mundo sejam, na poesia, as figuras: sonoras (aliteração, assonância, eco, onomatopéia...), sintáticas (elipse, inversão, anacoluto, silepse...) e principalmente semânticas (metáfora, metonímia, sinédoque, antítese, paradoxo, clímax...).
  13. 13. Metáfora Revolução da poética barroca com o surgimento das metáforas erótico- anatômicas que associavam o amor ao prazer e a natureza à mulher. "Goza, goza da flor da mocidade. / Que o tempo trata a toda ligeireza / E imprime em toda a flor sua pisada." Gregório de Matos Antítese Reflete a contradição do homem barroco, seu dualismo. "Ardem chamas n’água, e como / vivem as chamas, que apura, / são ditosas Salamandras / as que são nadantes turbas" Botelho de Oliveira
  14. 14. Paradoxo Demonstra a tentativa de fusão dos opostos que atormenta o homem barroco "Ardor em firme coração nascido; / Pranto por belos olhos derramado; / Incêndio em mares de água disfarçado; / Rio de neve em fogo convertido." Gregório de Matos Hipérbato Denota a desordem do pensamento do homem barroco "A vós correndo vou, braços sagrados / Nessa Cruz sacrossanta descobertos" Gregório de Matos Gradação "Oh não aguardes que a madura idade / Te converta essa flor, essa beleza, / Em terra, em cinzas, em pó, em sombra, em nada." Gregório de Matos
  15. 15. São usados vários símbolos que traduzem a efemeridade e a instabilidade das coisas: fumaça, ventos, neve, chama, água, espuma etc. As frases interrogativas ajudam a refletir a dúvida e a incerteza que caracterizam esse período. "Porém, se acaba o Sol, por que nascia? / Se tão formosa a Luz é, por que não dura? / Como a beleza assim se transfigura? / Como o gosto da pena assim se fia?" Gregório de Matos A ordem inversa torna a frase pomposa e traduz os maneios de raciocínio, além de retratar a falta de clareza, de certeza diante das coisas.
  16. 16. O Martírio de São Felipe, de Jusepe de Ribera, exemplo da religiosidade tensa da cultura barroca católica.
  17. 17. GREGÓRIO DE MATOS GUERRA (1636-1695) Poesia Religiosa  A oscilação da alma barroca entre o mundo terreno e a perspectiva da salvação eterna aguça-se em Gregório de Matos Guerra. Até meados do século XVIII, nenhum homem de letras pode fugir a uma educação contra-reformista, pois os jesuítas controlam todo o sistema de ensino. Desta forma, ilustrar-se só será possível dentro dos preceitos da Companhia de Jesus, o que acontece com o futuro poeta.  Por outro lado, Gregório é filho de senhores de engenho, quer dizer, dos verdadeiros senhores da terra, dos que possuem todos os direitos, inclusive o de vida e morte e que, por isso, podem exercer o estupro ou o simples domínio sexual sobre índias e escravas. Estão presentes nele, portanto, os elementos contraditórios da época: a licenciosidade moral e a posterior consciência da infâmia, seguida do arrependimento.
  18. 18. Na maior parte de seus poemas religiosos, o poeta se ajoelha diante de Deus, com um forte sentimento de culpa por haver pecado, e promete redimir-se. Trata-se de uma imagem constante: o homem ajoelhado, implorando perdão por seus erros, conforme podemos verificar no primeiro quarteto do soneto Buscando a Cristo: A vós correndo vou, braços sagrados, Nessa cruz sacrossanta descobertos, Que, para receber-me, estais abertos, E, por não castigar-me, estais cravados.
  19. 19. Poesia Amorosa Seguindo o modelo dos barrocos espanhóis, Gregório apresenta uma visão cindida das relações amorosas. Ora seus poemas tendem a uma concepção "petrarquista", isto é, à idealização dos afetos em linguagem elevada; ora a uma abordagem crua e agressiva da sexualidade em linguagem vulgar. A) O amor elevado Exemplo dessa perspectiva é um dos sonetos dedicados a D. Ângela, provável objeto da paixão do poeta e que o teria rejeitado por outro pretendente. Observe-se o jogo de aproximações entre as palavras anjo e flor para designar a amada. Observe-se também que, ao mesmo tempo tais vocábulos possuem um caráter contraditório (anjo = eternidade; flor = brevidade). Como sugere um crítico, esta duplicidade de Angélica lança o poeta em tensão e quase desespero ("Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.")
  20. 20. Anjo no nome, Angélica na cara! Isso é ser flor, e Anjo juntamente: Ser Angélica flor, e Anjo florente Em quem, senão em vós, se uniformara? Quem vira uma tal flor, que a não cortara, De verde pé, da rama florescente? A quem um Anjo vira tão luzente Que por seu Deus o não idolatrara?
  21. 21. B) O amor obsceno-satírico Se o erotismo é a exaltação da sensualidade e da beleza dos corpos, independentemente da linguagem, que pode ser aberta ou velada; se a pornografia é a busca do sexo proibido e culpado através de imagens grosseiras e chocantes e valendo-se quase sempre de uma forma vulgar; a obscenidade situa-se noutra esfera. Ela não visa ao sensualismo refinado do erotismo nem à excitação cafajeste da pornografia. Não se trata, pois, de uma estimulação dos sentidos, e sim uma espécie de protesto contra o sistema moral, contra as concepções dominantes de amor e de sexo, e contra o próprio mundo. Às vezes, a obscenidade toma o sentido de um culto rude e subversivo do prazer contra os tabus que impedem a plena realização da libido.
  22. 22. Na poesia obscena-satírica, Gregório de Matos não apresenta qualquer requinte voluptuoso. Sua visão do amor físico é agressiva e galhofeira. Quer despertar o riso ou o comentário maldoso da platéia. Por isso, manifesta desprezo pela concepção cristã do amor que envolve a camada espiritual, conforme podemos verificar no texto abaixo: O amor é finalmente um embaraço de pernas, uma união de barrigas, um breve tremor de artérias. Uma confusão de bocas, uma batalha de veias, um reboliço de ancas, quem diz outra coisa, é besta.
  23. 23. Poesia Satírica O desengano barroco tem como uma de suas conseqüências o implacável gosto pela sátira. Resposta a uma realidade que os artistas julgam degradada, a poesia ferina e contundente não perdoa nenhum grupo social. Ricos e pobres são fustigados pelas penas corrosivas de Góngora, de Quevedo, como mais tarde o fará o brasileiro Boca do Inferno. Esta ironia cáustica e por vezes obscena é traço marcante do barroco ibérico. Quando retorna ao Brasil, já quarentão, em 1682, Gregório de Matos encontra uma sociedade em crise. A decadência econômica torna-se visível: o açúcar brasileiro enfrenta a concorrência do açúcar produzido nas Antilhas e seu preço desaba. Além disso, uma nova camada de comerciantes (em sua maioria, portugueses) acumula riquezas com a exportação e importação de produtos. Esta nova classe abastada humilha aqueles que se julgam bem nascidos, mas que, dia após dia, perdem seu poder econômico e seu prestígio.
  24. 24. Ninguém parece escapar à sua ironia: os figurões portugueses, os padres, os colonos, os bacharéis, os degradados lusos que vinham para o Brasil e aqui enriqueciam, os nativos, os mestiços, os negros, todos são sistematicamente ridicularizados, como em Epílogos, onde num jogo de perguntas e respostas, o poeta demole com a sociedade de seu tempo: Que falta nesta cidade?... Verdade Que mais por sua desonra?... Honra Falta mais que se lhe proponha?... Vergonha O demo a viver se exponha, Por mais que a fama a exalta, Numa cidade onde falta Verdade, honra, vergonha. Quem a pôs neste socrócio? ... Negócio. Quem causa tal perdição? ... Ambição. E o maior desta loucura? ... Usura.
  25. 25. PADRE ANTONIO VIEIRA - prosa
  26. 26. PADRE ANTÔNIO VIEIRA • O Padre Antônio Vieira nasceu em Portugal, mais precisamente na cidade de Lisboa, em 6 de Fevereiro de 1608 e morreu em São Salvador da Bahia em 18 de Julho de 1697
  27. 27. PADRE ANTONIO VIEIRA  A obra do Padre Antônio Vieira pode ser dividida em três tipos de trabalhos:  Profecias;  Cartas;  Sermões.
  28. 28. O MAIOR ORADORDE TODOS OS TEMPOS  PROFECIAS: Conta três histórias: -História do futuro; -Esperanças de Portugal -Clovis prophetarum- sebastianismo.
  29. 29. Pe. VIEIRA  CARTAS:  São cerca de 500 cartas, que versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a inquisição e os cristãos novos e sobre a situação da colônia.
  30. 30. Pe. Antônio Vieira  SERMÕES:  São quase 200 sermões o melhor da obra de Vieira. Em estilo barroco conceptista, totalmente oposto ao gongorismo, o pregador português usa a retórica jesuítica para trabalhar ideias e conceitos.
  31. 31. OS SERMÕES  DIVIDEM-SE EM TRÊS PARTES:  Intróito- parte inicial;  Desenvolvimento ou argumento- a defesa de uma idéia;  Peroração- a parte final.
  32. 32. O sermão da sexagésima • "Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte está branco; da outra há se estar negro; Se de uma parte dizem luz, da outra hão de dizer sombra; Se de uma parte dizem desceu, da outra hão de subir. Basta, que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteira com o seu contrário?"

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