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Trabalho AV1 - Livro Parte I 3º ano - Gênesis Colégio e Curso

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Trabalho AV1 - Livro Parte I 3º ano - Gênesis Colégio e Curso

  1. 1. Página 1 de 9 1. Leia o trecho de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo. “– Quem eu sou? na verdade fora difícil dizê-lo: corri muito mundo, a cada instante mudando de nome e de vida. Fui poeta e como poeta cantei. Fui soldado e banhei minha fronte juvenil nos últimos raios de sol da águia de Waterloo. Apertei ao fogo da batalha a mão do homem do século. Bebi numa taverna com Bocage – o português, ajoelhei-me na Itália sobre o túmulo de Dante e fui à Grécia para sonhar como Byron naquele túmulo das glórias do passado. – Quem eu sou? Fui um poeta aos vinte anos, um libertino aos trinta, sou um vagabundo sem pátria e sem crenças aos quarenta. Sentei-me à sombra de todos os sóis, beijei lábios de mulheres de todos os países; e de todo esse peregrinar, só trouxe duas lembranças – um amor de mulher que morreu nos meus braços na primeira noite de embriaguez e de febre – e uma agonia de poeta... Dela tenho uma rosa murcha e a fita que prendia seus cabelos. Dele olhai... O velho tirou de um bolso um embrulho: era um lenço vermelho o invólucro; desataram-no: dentro estava uma caveira.” O trecho selecionado recupera a fala de um velho que interrompe a história, contada pelo jovem Bertram, um dos rapazes presentes na Taverna. As palavras dessa personagem expressam, nas entrelinhas, a) o sofrimento de um amante e poeta que, durante toda a sua peregrinação, não conseguiu realizar-se como Homem. b) a descrição de cada um dos lugares por onde passou e viveu. c) a indignação frente à miséria e às injustiças presenciadas em todos os lugares visitados. d) a dificuldade de mostrar-se diante da plateia que escutava a narrativa de Bertram, o segundo, naquela noite, a relatar sua trágica história. e) a confissão do arrependimento pela vida errante do passado e o desejo de um cotidiano mais regrado. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Um Apólogo 1 Era uma vez uma agulha, QUE disse a um NOVELO DE LINHA: 2 - Por que está VOCÊ COM esse ar, toda CHEIA DE SI, toda enrolada, PARA fingir que vale alguma cousa neste MUNDO? 3 - Deixe-me, senhora. 4 - Que a deixe? Que A deixe, POR quê? Porque LHE digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. 5 - Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é AGULHA. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o AR que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros. 6 - Mas você é orgulhosa. 7 - Decerto que sou. 8 - Mas por quê? 9 - É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu? 10 - Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu? 11 - Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados... 12 - Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando... 13 - Também os batedores vão adiante do imperador. COLÉGIO E CURSO GÊN SIS PORTUGUÊS | REDAÇÃO | LITERATURA AV1 – 1º TRIMESTRE 3º ANO E. M. Professor Jason Lima NOME: Data: ___/___/____
  2. 2. Página 2 de 9 14 - Você é imperador? 15 - Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto... 16 Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana - para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha: 17 - Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima... 18 A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile. 19 Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe: 20 - Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá. 21 Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: - Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 22 Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: - Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária! (ASSIS, Machado de. Contos. 18ª ed. São Paulo: Ática, 1997. p. 89-90.) Apólogo: Gênero que expressa uma verdade moral em forma de fábula. (N.E.) Galgos = cães ágeis. Diana: Era a deusa da caça entre os romanos. Armada de arco, Diana vivia nas matas protegendo a caça, acompanhada por seus cães. (N.E.) 2. Todas as proposições referem-se ao texto. Assinale a VERDADEIRA. a) O título nomeia um gênero literário, sendo que, nessa narrativa, aparecem objetos que se personificam, assumindo os cargos dos nobres. b) Há um tratamento desigual entre os personagens no diálogo. Os pronomes de tratamento empregados por eles são: senhora, você, imperador e baronesa. c) No parágrafo 18 do texto de Machado de Assis que principia com "A linha não respondia nada,..." não existe o ruído da voz humana, nem o diálogo entre personagens, entretanto fica clara a presença de onomatopeia, de verbos na forma nominal do gerúndio e de um substantivo diminutivo formado por derivação sufixal. d) A obra terminada pela costureira da baronesa não tinha botões e destinava-se a agasalhar a "bela dama" para a festa noturna na qual a música é entoada, enquanto o corpo entra em movimento ritmado, tão informal quanto as festas "funks" dos jovens de 2001. e) A agulha concorda com a linha, confirmando ser ela - a linha - a única responsável por prender um pedaço do tecido ao outro.
  3. 3. Página 3 de 9 3. Com base nos conhecimentos da obra Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, e do conto Bertram, que compõe o livro, é correto afirmar: a) Histórias como as narradas em Bertram foram responsáveis por um aspecto do realismo que tematizava a imagem da virgem idealizada, inatingível pelo seu comportamento guiado pelo recato, simplicidade e pureza. b) Em Noite na taverna comparecem todas as formas de horror: necrofilia, incesto, fratricídio etc. Desde seu início, observa-se a imagem da morte como adorno da beleza, um dos traços capazes de produzir o belo terrível e corrompido. c) Essa narrativa retrata de forma ideal a sociedade burguesa brasileira do século XIX e é um importante exemplo do realismo/naturalismo que se anunciava no país. d) O texto assinala a história de mulheres pobres, animalizadas pelo estilo de vida norteado por instintos. Refere-se também aos dados biográficos do autor que teria convivido com essas mulheres nos anos em que residiu em São Paulo para estudar. e) O conto é marcado pelo abandono dos ideais românticos. De modo irônico, esse texto defende os valores de pureza campestre, impensáveis na vida urbana do Brasil oitocentista. 4. Leia os seguintes fragmentos, extraídos de contos de Machado de Assis. 1 - "Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito." ("Missa do Galo") 2 - "- Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir." ("O Espelho") 3 - "A obra, célere a princípio, afrouxou o andar. Pestana tinha altos e baixos. Ora achava-a incompleta, não lhe sentia a alma sacra, nem ideia, nem inspiração, nem método; ora elevava-se-lhe o coração e trabalhava com vigor. Oito meses, nove, dez, onze, e o 'Requiem' não estava concluído. Redobrou de esforços; esqueceu lições e amizades. Tinha refeito muitas vezes a obra; mas agora queria concluí-la, fosse como fosse." ("Um Homem Célebre") Associe adequadamente as seis afirmações abaixo com os cinco fragmentos transcritos acima. ( ) O conto expressa a dificuldade em lidar com os conflitos provocados pela dualidade do ser humano e com as suas consequências na autoimagem. ( ) O conto mostra como a popularidade atingida não livra o artista da frustração por não conseguir realizar uma grande obra erudita. ( ) O conto retrata as relações conjugais típicas de uma família patriarcal brasileira do século XIX. ( ) O conto é marcado pela ambiguidade, pois sugere o adultério da esposa, que de fato não ocorre. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) 1 - 2 - 3 - 2. b) 2 - 1 - 2 - 3. c) 3 - 2 - 1 - 1. d) 2 - 3 - 1 - 1. e) 2 - 1 - 3 - 1. 5. Leia com atenção: "... Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas... - Duas? - Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar
  4. 4. Página 4 de 9 de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira: as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja." Assinalar a alternativa que indica o conto de onde o fragmento foi retirado e o seu autor: a) "Noite de Almirante" de Machado de Assis b) "Bertram " de Álvares de Azevedo c) "Redivivo" de Domingos Olympio d) "Uns braços" de Machado de Assis e) "O Espelho" de Machado de Assis TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 7 QUESTÕES: O trecho do conto Uns braços, de Machado de Assis, é base para responder às questões. "Havia cinco semanas que ali morava, e a vida era sempre a mesma, sair de manhã com o Borges, andar por audiências e cartórios, correndo, levando papéis ao selo, ao distribuidor, aos escrivães, aos oficiais de justiça. (...) Cinco semanas de solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs; cinco semanas de silêncio, porque ele só falava uma ou outra vez na rua; em casa, nada. 'Deixe estar, - pensou ele um dia - fujo daqui e não volto mais.' Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D. Severina. Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. A educação que tivera não lhe permitira encará-los logo abertamente, parece até que a princípio afastava os olhos, vexado. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando e amando. No fim de três semanas eram eles, moralmente falando, as suas tendas de repouso. Aguentava toda a trabalheira de fora, toda a melancolia da solidão e do silêncio, toda a grosseria do patrão, pela única paga de ver, três vezes por dia, o famoso par de braços. Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e Inácio estirava-se na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na sala da frente, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez, desconfiou alguma cousa. Rejeitou a ideia logo, uma criança! Mas há ideias que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita? Esta outra ideia não foi rejeitada, antes afagada e beijada. E recordou então os modos dele, os esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim." 6. Analise as duas ocorrências: "... uma criança!" "Criança?" Essas duas passagens mostram que a) tanto os sentimentos de D. Severina como a sua razão mostravam-lhe que Inácio era ainda muito jovem para se dar às questões do amor. b) D. Severina via Inácio como uma criança apenas, o que a perturbava muito, por sentir-se atraída por ele. c) havia duas vozes na consciência de D. Severina: uma lhe proibia o desejo; outra o mostrava como possibilidade. d) D. Severina rejeitava qualquer possibilidade de uma relação com Inácio, já que não nutria nenhum sentimento pelo rapaz. e) havia um embate entre a consciência e a educação de D. Severina, o qual a impedia de aceitar o amor do rapaz.
  5. 5. Página 5 de 9 7. Quando se diz, ao final do texto, que D. Severina "concluiu que sim", significa que ela reconheceu que a) Inácio começava a amá-la. b) Inácio era um desastrado, de fato. c) estava enganada sobre o amor de Inácio. d) Inácio deveria ser advertido. e) deveria contar tudo a Borges. 8. A expressão "um princípio de rascunho de buço" indica que o buço de Inácio a) mostrava-o homem formado. b) era ainda incipiente c) já estava bem evidente. d) não podia ser visto.. e) chamava muito a atenção. 9. De início, morar na casa de Borges era solitário e tedioso, o que levou Inácio a pensar em ir embora. Todavia, isso não aconteceu, sobretudo porque o rapaz a) passou a ser mais bem tratado pelo casal após três semanas. b) teve uma educação que não lhe permitiria tal rebeldia. c) gostava, na realidade, do trabalho que realizava com Borges. d) se pegou atraído por D. Severina, com o passar do tempo. e) sentia que D. Severina se mostrava mais atenciosa com ele. 10. Ao conceber-se bonita, D. Severina entendeu que a) sua beleza não era para ser desfrutada por uma criança. b) era possível Inácio estar apaixonado por ela. c) a traição a Borges seria um grande equívoco. d) Inácio, de fato, desejava vingar-se de Borges. e) o marido não a via assim, ao contrário de Inácio. 11. Uma das características do Realismo é a introspecção psicológica. No conto, ela se manifesta, sobretudo, a) no comportamento grosseiro de Borges, que impõe medo a D. Severina e desperta ódio em Inácio. b) na forma solitária como Inácio se submete no trabalho com Borges, sem que pudesse estar com sua mãe e irmãs. c) nas vivências interiores de Inácio e de D. Severina, que revelam seus sentimentos e conflitos. d) nas reflexões de D. Severina, que vê Inácio como uma criança que merece carinho e não o silêncio e a reclusão. e) na forma como o contato é estabelecido entre as personagens, já que a falta de diálogo é uma constante em suas vidas. 12. No discurso indireto livre, há uma mistura das falas do narrador e da personagem, de tal modo que se torna difícil precisar os limites da fala de um e de outro. Esse tipo de discurso ocorre em a) No fim de três semanas eram eles, moralmente falando, as suas tendas de repouso. b) Voltava à tarde, jantava e recolhia-se ao quarto, até a hora da ceia; ceava e ia dormir. c) "Deixe estar, - pensou ele um dia - fujo daqui e não volto mais." d) Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. e) Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita?
  6. 6. Página 6 de 9 13. O texto a seguir pertence a uma reportagem que aborda os motivos que levam certas pessoas a cometerem atos cruéis. A MALDADE E A ARTE Como entender o fascínio da história de Anakyn/Darth Vader? Para o diretor teatral e psicólogo social carioca Bernardo Jablonski, a chave está em nossos conflitos pessoais. "Histórias assim são projeções de desejos muito profundos. Na visão contemporânea da psicologia social, somos tanto bons como maus. Sou capaz de ajudar uma velhinha a atravessar a rua, mas se alguém molestar meu filho, eu mato. Sem querer diminuir as religiões, Deus e o diabo somos nós." A dualidade dos jedis é também a nossa. ("Galileu", Maio 2005.) As personagens de Machado de Assis parecem se ajustar a essa visão do ser humano, pois, sem serem essencialmente más, podem, em determinadas circunstâncias, praticar atos violentos contra terceiros, violando-lhes a integridade física. Encaixam-se nesse perfil os protagonistas do conto a) "Pai contra mãe”. b)"Uns braços". c) "Missa do galo". d) "O espelho". e) "Noite de almirante". 14. No conto "Uns Braços", de Machado de Assis, o adolescente Inácio vive durante algum tempo na casa do "solicitador" Borges e de sua mulher D. Severina. O jovem, inicialmente atraído pelos braços da mulher, os quais observava durante as refeições, acaba se apaixonando. Severina percebe os sentimentos do rapaz e é tomada por emoções ambíguas. Num domingo em que Inácio adormecera na rede do quarto, e Borges se ausentara de casa, D. Severina não resiste à tentação e vai ao quarto do jovem. Assinale a alternativa que dá seguimento correto aos fatos referidos no acima. a) O jovem acorda com a aproximação de D. Severina e os dois se beijam. b) O jovem permanece dormindo, D. Severina chega junto à rede com a intenção de beijá-lo, mas se arrepende à última hora. c) D. Severina observa Inácio dormindo, aproxima-se da rede e beija-lhe a boca, no mesmo instante em que o jovem sonha que está beijando a mulher. d) Quando está no quarto de Inácio, D. Severina é surpreendida pelo marido que retorna à casa e lhe exige explicações. e) Inácio sonha que D. Severina pega-lhe as mãos e dá-lhe um beijo na boca; aturdido, acorda repentinamente e vê que tudo não passou de um sonho.
  7. 7. Página 7 de 9 15. No conto "Um homem célebre", da obra VÁRIAS HISTÓRIAS, de Machado de Assis, há uma profunda investigação da alma humana que pode ser resumida na afirmação do narrador de que "o primeiro lugar na aldeia não contentava a este César, que continuava a preferir-lhe, não o segundo, mas o centésimo em Roma". Isso se justifica porque a) Pestana, exímio em sua atividade de compositor de polcas, não se satisfaz com a perfeição que atinge. b) Romão Pires, exímio regente de orquestra, busca aquilo que não consegue alcançar. c) Fortunato, dono de uma Casa de Saúde, diante da dor alheia sente um enorme prazer e a saboreia deliciosamente. d) Vilela, afamado advogado e marido de Rita, mata a mulher e o amante, acometido de indignação e furor. e) Inácio, jovem aprendiz de escritório, refugia-se no sonho/realidade, envolvido pelo objeto de sua obsessão amorosa. 16. O conto Missa do galo, de Machado de Assis, relata uma conversa do narrador, Sr. Nogueira, um jovem de 17 anos, com Conceição, de 30 anos, mulher do escrivão Meneses, um distante parente seu. O narrador, de Mangaratiba (RJ), hospedou-se durante alguns meses na casa de Meneses e Conceição, no Rio de Janeiro, a fim de estudar na capital. O foco do conto é a incompreensão do narrador sobre tal conversa com Conceição, momentos antes da missa do galo. O fragmento abaixo expressa um dos aspectos que contribuiu para a incompreensão do narrador. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranquilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho da cortina ou consertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas ideias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la. Esse aspecto, recorrente no conto, refere-se a) à conversa repetitiva de Conceição. b) às razões da insônia de Conceição. c) ao acanhamento de Conceição. d) à movimentação de Conceição na sala. e) aos sobressaltos de Conceição. 17. Considere as afirmações abaixo sobre o conto "A Missa do Galo", de Machado de Assis. I- Machado de Assis vale-se de um recurso muito presente na sua ficção, ou seja, a utilização de diversos pontos de vista e avaliações, deixando ao leitor o trabalho de interpretá-los. II- A ambiguidade do discurso narrativo pode ser relacionada à imbricação de dois pontos de vista: o do adolescente Nogueira e do Nogueira maduro que avalia o passado. III- Para o adolescente Nogueira, são transparentes os gestos e as palavras de Conceição, mas, por questões éticas, finge não os compreender. Quais são corretas? a) Apenas I e II. b) Apenas III. c) Apenas I. d) Apenas I e III. e) I, II e III.
  8. 8. Página 8 de 9 18. "O lugar mais erótico de um corpo não é o ponto em que o vestuário se entreabre? (...) é a intermitência, como muito bem o disse a psicanálise, que é erótica: a da pele que cintila entre duas peças (as calças e a camisola), entre duas margens (a camisa entreaberta, a luva e a manga); é essa própria cintilação que seduz, ou ainda: a encenação de um aparecimento- desaparecimento." [Roland Barthes] Costuma-se reconhecer como fato capital na composição de "Missa do Galo", de Machado e Assis, a criação de uma atmosfera erótica. Levando em conta a definição do erótico contida no texto acima, aponte os elementos que dão origem a tal atmosfera no comportamento da personagem Conceição; 19. Considere as afirmações abaixo sobre o conto "Pai contra mãe", de Machado de Assis, I- Trata-se da história de um homem que decide ganhar dinheiro com a captura de escravos fugidos, para poder sustentar seu filho e, assim, evitar que o mesmo seja entregue à roda dos enjeitados. II- O conto narra uma história cujo teor dramático advém do fato de que a salvação de uma criança implica a morte de outra, a que está no ventre da escrava capturada, demonstrando ironicamente que a lei dos mais fortes rege a vida. III- Adotando uma forma de narrar pautada pela objetividade, ironia e frieza, através da qual descreve os instrumentos usados para castigar escravos e o ofício de capturar escravos fugidos, o narrador provoca mais impacto sobre o leitor do que se fizesse uso de um discurso sentimentalista. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II e III. c) Apenas I e II. d) Apenas II. e) I, II e III. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: "A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha de Flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dois para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. (...) Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. (...) O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também, à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. (...) Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. A fuga repetia-se, entretanto. (...) Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a quem lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os sinais do fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o bairro por onde andava e a quantia de gratificação. (...) Ora, pegar escravos fugidos era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que se mantém a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso, e alguma vez o gosto de servir também, ainda
  9. 9. Página 9 de 9 que por outra via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo para pôr ordem à desordem. Cândido Neves - em família, Candinho - é a pessoa a quem se liga a história de fuga, cedeu à pobreza, quando adquiriu o ofício de pegar escravos fugidos." (Machado de Assis, Pai contra mãe) 20. Considere as seguintes afirmações sobre a obra de Machado de Assis: I. Diferentemente das obras românticas, a expressão da nacionalidade, em Machado de Assis, não é dada pela descrição pitoresca ou idealizada da natureza. II. Pela denúncia da desigualdade social nos vários Brasis, rural e urbano, a obra machadiana antecipa questões tratadas pelos escritores do século XX. III. A técnica machadiana do narrador em 1a pessoa, tal como se dá em "Pai contra mãe", dá voz à consciência de um indivíduo e seus valores sociais. IV. Nos temas em que se trata das ações humanas, revela-se que elas são determinadas pelos instintos e pela raça. Quanto a essas afirmações, devemos concluir que a) somente II e IV são corretas. b) somente III e IV são corretas. c) somente I e III são corretas. d) somente I e IV são corretas. e) somente I e II são corretas.

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