A eficácia da comunicação

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A eficácia da comunicação

  1. 1. Fátima CaiadoA eficácia da comunicaçãoEmbora pareça tremendamente simples o processo comunicacional é afectado por umconjunto de barreiras, cujo impacto nas organizações é significativo.A eficácia nos processos comunicacionais passa necessariamente pelo reconhecimentoda existência dessas barreiras e também pela atitude pessoal que possa favorecer o seuderrubar.No quadro abaixo referem-se, de modo sintético, as principais barreiras ao sucessocomunicacional.Barreiras à comunicaçãoAtitudes pessoais que favorecem a comunicaçãoA auto-estimaCorresponde à imagem que temos de nós próprios, ao valor que reconhecemos em nós eé muito influenciada por aquilo que o nosso meio mais próximo nos devolveu como
  2. 2. Fátima Caiadoimagem durante a nossa infância, período privilegiado de constituição da nossapersonalidade.A auto-estima está muito dependente dos fenómenos de percepção (já tratadosanteriormente): entre as características que possuímos, a qual delas vamos concedermaior importância e o que é que vamos daí deduzir? Alguém que possui poucasvantagens no plano atlético vai sentir-se um fracassado, pensar que está acima disso ounão dar importância?Os indivíduos que apresentam baixos níveis de auto-estima, terão dificuldade emestabelecer e desenvolver relações com os outros, em admitir críticas construtivas daparte de que os rodeia, em exprimir posições diferentes relativamente a uma opiniãodominante. Estas pessoas mostram-se muitas vezes passivas e adoptam uma posturadefensiva nas relações interpessoais.Pelo contrário, as pessoas que possuem um bom nível de auto-estima vão dar provas deum à-vontade apreciável nas relações que estabelecem. Saberão tomar iniciativas noscontactos desenvolvidos, dar informações sobre si próprias, expressar claramente a suaposição procurando compreender os pontos de vista diferentes. Aceitam a críticafundamentada e procuram de uma maneira positiva extrair algo de cada situação.Assim, é manifesta a forte correlação existente entre auto-estima e estilo decomunicação. De que maneira vai uma organização contribuir para o desenvolvimentodos elementos que a constituem? Quais os estilos de mensagens que são maisfrequentemente dirigidas aos seus membros?A nossa experiência leva-nos a verificar nas ligações funcionais uma frequência muitomais elevada de relações baseadas na constatação “do que não está bem”, e isto quer nosentido da hierarquia – colaboradores quer no sentido inverso. Muitas vezes o que estábem é considerado como normal e por isso, julga-se que nada há a dizer. É bom saberque uma tal atitude ignora o fenómeno do reforço positivo.A capacidade de escutarEscutar é uma atitude profunda de disponibilidade de uma pessoa àquilo que alguém lhedirige como mensagem para compreender o que esta significa. Estamos muito para alémdo simples facto de ouvir! Como já sublinhamos, a comunicação é um fenómenocomplexo e só pode ter sucesso se pusermos em prática uma atitude activa.Se alguém se nos dirige, devemos esforçar-nos por compreender exactamente osentido da sua tentativa e só o conseguiremos…ouvindo!Se nós nos dirigimos a alguém para lhe transmitir uma mensagem, temos de noscertificar de que foi bem compreendida e só poderemos adquirir esta certeza ouvindopor nossa vez o que a pessoa nos pode dizer. Para melhorarmos a nossa capacidade deescutar devemos observar os seguintes princípios:•Saber deixar de falar: em certos momentos é impossível ouvir falando ao mesmotempo.•Colocar-se em empatia com o outro: esforçar-se por se pôr no lugar daquele que seexprime afim de situar as informações em relação ao seu ponto de vista.•Concentrar-se no que é dito: concentrar activamente a sua atenção nas palavras, nasideias e nos sentimentos expressos.
  3. 3. Fátima Caiado•Olhar com atenção para a outra pessoa: O rosto, olhos, gestos permitirão compreendermelhor a sua mensagem. Ajuda à nossa concentração permitindo, ao mesmo tempo – aoemissor constatar a nossa atenção.•Eliminar qualquer juízo imediato: um juízo muito rápido não permite umadisponibilidade real ao que é dito•Não interromper o outro: arranjar tempo para ouvir até ao fim, o que o outro exprime àsua maneira. Não convém interrompê-lo pretendendo adivinhar o que ele quer dizer.•Eliminar provisoriamente as nossas emoções pessoais: as nossas preocupações, osnossos cuidados são substituídos pelo que o outro nos transmite.•Reagir ás ideias expressas e não à própria pessoa: as ideias podem ser de um grandeinteresse, mesmo que venham de uma pessoa em relação à qual temos pouca simpatia.•Reformular: quando a mensagem se pode prestar à ambiguidade, é importante voltar aexpor com as nossas próprias palavras o que percebemos.•Utilizar as nossas capacidades cerebrais: o ritmo médio de fala de uma pessoa é daordem das 120 palavras por minuto, enquanto a velocidade de pensamento é da ordemdas 400 palavras por minuto. A diferença permite conciliar o tempo da compreensão.Estes diferentes pontos estão na sua maioria em inter-relação.Seria absurdo menosprezar a dificuldade de um verdadeiro escutar. Ele constitui, pois, apassagem obrigatória para uma comunicação mais conseguida e traduz uma grandeprova de interesse em relação ao outro.É uma fase de recolha privilegiada deinformações perante o nosso interlocutor (a sua linguagem, as suas referências, as suasexpressões verbais e não verbais) que serão úteis quando tivermos por nossa vez de nosexpressar diante dele. Na verdade ouvimos com os nossos ouvidos, mas nãoesqueçamos os nossos olhos e de modo mais geral, todo o nosso corpo.

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