Argumentação e lógica formal

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Argumentação e lógica formal

  1. 1. E s cola António Arroio Ano Lectivo 2008/2009 FILOSOFIA UNIDADE III Racionalidade argumentativa e Filosofia Argumentação e Lógica Formal Prof. Joaquim Melro
  2. 2. Argumentação e lógica formal   UNIDADE IV – Racionalidade argumentativa e Filosofia “ Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com os nossos pensamentos. Com os nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo”. (Buda) “ O pensamento faz o homem. Por isso, o bom pensamento é a coisa mais importante da vida”. (James Allen) “ O que se pode dizer pode ser dito claramente; e aquilo de que não se pode falar tem de ficar no silêncio”. (Wittgenstein) Prólogo…
  3. 3. Argumentação e lógica formal Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.). Filósofo grego, considerado um dos fundadores da lógica. Frege (1848-1925) – Filósofo, matemático e lógico alemão é considerado o principal criador da lógica matemática moderna.
  4. 4. <ul><li>Algumas questões iniciais: </li></ul><ul><li>       </li></ul><ul><li>Mas, afinal o que é a lógica ? </li></ul><ul><li>Qual a importância da lógica ? </li></ul><ul><li>Qual a relação entre lógica e argumentação? </li></ul><ul><li>Que importância tem a lógica na/para a argumentação? </li></ul>UNIDADE IV – Racionalidade argumentativa e Filosofia Argumentação e lógica formal “ Lógica - do grego clássico λογική logos, que significa palavra, pensamento, ideia, argumento, razão lógica ou princípio lógico” ( Wikipédia)
  5. 5. O que é a lógica? Algumas aproximações… <ul><li>“ Do grego logiké , arte de raciocinar - ciência que tem por objecto o estudo dos métodos e princípios que permitem distinguir raciocínios válidos de outros não válidos; Ramo da Filosofia que estuda as leis do raciocínio” (Priberam -Dicionário de Língua Portuguesa On-Line, 2006) </li></ul><ul><li>“ (…) o espírito, na sua actividade de conhecimento, não trabalha ao acaso, de um modo fantasista: o espírito tem que funcionar de um modo determinado, seguindo certas regras e certos princípios, para chegar ao conhecimento verdadeiro.” (Gex, s/d, s/d) </li></ul><ul><li>“ (…) a lógica é precisamente a ciência do pensamento, (…) podemos considerá-la como uma arte que [nos] permite criar figuras, histórias e situações, usando para tal a «paleta» das ideias e, como «pincéis», as palavras ou os símbolos matemáticos, que são uma espécie de pincéis muito finos que nos permitem desenhar traços mais rigorosos”. (Silva,1992, p. 20) </li></ul><ul><li>Voltar </li></ul>
  6. 6. Lógica e argumentação? Que relação? Que importância? <ul><li>“ A lógica estuda e sistematiza a validade ou invalidade da argumentação. Também se diz que estuda inferências ou raciocínios. [Podemos] considerar que argumentos, inferências e raciocínios são termos equivalentes”. (Padrão, 2004, p. 19) </li></ul><ul><li>Só um ser verdadeiramente livre, tem a liberdade de defender as suas ideias, mas também tem de sustentar o que defende com bons argumentos e, é claro, também tem de aceitar discutir os seus argumentos.” (Anónimo) </li></ul><ul><li>“ (…) a lógica (…) ajuda-nos a pensar melhor, de forma correcta, e a expor de forma rigorosa o nosso pensamento. Se soubermos um pouco de lógica conseguimos mostrar de maneira mais eficaz o nosso ponto de vista ou opinião sobre algo, somos capazes de perceber se as opiniões dos outros são ou não bem fundamentadas, conseguimos argumentar melhor.” (Reis, 2006, p. 34) </li></ul>
  7. 7. Princípios lógicos fundamentais segundo Aristóteles <ul><li>Princípio da identidade: A é A. </li></ul><ul><li>Em termos de cálculo proposicional o princípio de identidade pode ser traduzido nas fórmulas: p-> p; p↔ p </li></ul><ul><li>Princípio da não-contradição: não é possível, simultaneamente, A e não-A </li></ul><ul><li>No cálculo proposicional temos: ~(p^~p) </li></ul><ul><li>Princípio do terceiro excluído: entre A e não-A não existe outra posição lógica </li></ul><ul><li>No cálculo proposicional o princípio do terceiro excluído formula-se da seguinte forma: pv~p”. </li></ul>“ O ponto de partida do procedimento lógico não está em opiniões contrárias, mas sim em leis universais do pensamento” (Franco, 2006)
  8. 8. Argumentar? Porquê, para quê e como?
  9. 9. <ul><li>“ A razão não é simplesmente uma espécie de tendência automática. A razão está em boa medida baseada no confronto com os outros, quer dizer, raciocinar é uma tendência natural baseada, ou para nós fundada, no uso da palavra, no uso da linguagem; e o uso da linguagem é o que nos obriga a interiorizar o nosso papel social. A linguagem é sociedade interiorizada”. (Savater, 2003) </li></ul><ul><li>“ Argumentar” quer dizer oferecer um conjunto de razões a favor de uma conclusão ou oferecer dados favoráveis a uma conclusão. Argumentar não é apenas a afirmação de um determinado ponto de vista nem uma discussão”. (Weston, 2205) </li></ul><ul><li>“ (...) a finalidade fundamental da argumentação é simplesmente persuadir . Contudo, também usamos a argumentação para fazer as ideias interagirem , colocando-as em contacto e, frequentemente, em conflito. (Navega, 2005) </li></ul>Argumentar? Porquê, para quê e como?
  10. 10. <ul><li>“ Argumento: do latim, argumentu ; Raciocínio destinado a provar ou a refutar determinada tese; Raciocínio de que se tira uma consequência”. (Infopédia [Em linha], 2003-2005). </li></ul><ul><li>“ O que é um argumento? É um conjunto de proposições em que se pretende que uma delas (a conclusão, tese ou um ponto de vista) seja sustentada pelas premissas (razões, provas ou ideias). (…) «Argumento», «inferência» e «raciocínio» são termos aproximados, pois em todos os casos se trata de procurar chegar a uma afirmação com base noutras.” (Costa, 2006) </li></ul><ul><li>“ Os argumentos são tentativas de sustentar certos pontos de vista com razões. Neste sentido, os argumentos não são inúteis; na verdade, são essenciais”. (Weston, 2205) </li></ul>O que é o argumento? Frase, proposição, juízo e raciocínio
  11. 11. <ul><li>Alguns portugueses são artistas. (Premissa) </li></ul><ul><li>Logo, alguns artistas são portugueses. (Conclusão) </li></ul><ul><li>Se a pena de morte existe, então continuamos a violar os direitos humanos. (Premissa) </li></ul><ul><li>Ora, é um facto que a pena de morte existe. (Premissa) </li></ul><ul><li>Logo, continuamos a violar os direitos humanos. (Conclusão) </li></ul>O que é o argumentento? Estrutura e composição
  12. 12. <ul><li>A lógica formal ocupa-se com a forma e não com o conteúdo das proposições e, por consequência, dos argumentos. </li></ul><ul><li>Validade -é uma propriedade do argumento </li></ul><ul><li>verdade - é uma propriedade das proposições que o constituem. </li></ul><ul><li>Os argumentos podem ser válidos ou inválidos. </li></ul><ul><li>E o que a lógica nos pode garantir é que se o argumento (dedutivo) for válido e as premissas forem verdadeiras, é impossível que a conclusão seja falsa. </li></ul>Validade e Verdade; Forma e Conteúdo Argumentos Válidos Inválidos (falaciosos) <ul><li>A premissas sustentam a conclusão – Existe uma relação/ conexão (lógica) necessária entre as premissas e a conclusão </li></ul><ul><li>É impossível que, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão seja falsa </li></ul><ul><li>A relação que existe entre as premissas e a conclusão do argumento impede esta possibilidade. </li></ul><ul><li>A verdade das premissas não garante a verdade da conclusão </li></ul><ul><li>Dada a estrutura formal do argumento, não é impossível que a conclusão seja falsa, apesar de as premissas serem verdadeiras. </li></ul>
  13. 13. <ul><li>“ A validade ou invalidade de uma inferência depende das formas dos enunciados, que compõem as premissas e a conclusão, entendendo-se por &quot;forma&quot; as espécies de termos que os enunciados contêm e o modo como esses termos estão combinados no enunciado” (Alston, s/d) </li></ul>Validade e Verdade; Forma e Conteúdo Argumento Argumento Se estudar e gostar de lógica e de argumentação, então terei melhor qualidade de vida Estudei e gostei de lógica e argumentação   Logo, terei uma melhor qualidade de vida Se os gatos são cobras e plantas, então as casas são barcos Os gatos são cobras e plantas   Logo, as casas são barcos Se p ^q -> r p ^q Logo, r Se p ^q -> r p ^q Logo, r Todos os peixes têm guelras A sardinha é um peixe Logo, a sardinha tem guelras Todos os Zóides quacam Zib é um Zóide   Portanto, Zib quaca Todo o X é Y Z é X Logo, z é Y Todo o X é Y Z é X Logo, z é Y
  14. 14. <ul><li>Forma lógica de um argumento é a estrutura daquilo que é afirmado (forma) e não o que é afirmado (conteúdo). A estrutura de um raciocínio/argumento (que pode ser válida ou não) é o que é relevante para a validade dedutiva. </li></ul><ul><li>A validade (dedutiva) de um argumento não se avalia a partir do que é afirmado (conteúdo) nas proposições, mas a partir da estrutura do argumento (o modo como estão relacionadas as premissas e a conclusão) </li></ul><ul><li>Um argumento (dedutivo) pode ser válido apesar de ter premissas e conclusão falsas; e pode ser inválido apesar de ter premissas e conclusão verdadeiras (mas só no caso de a premissa não estar relacionada com a conclusão) . </li></ul>Validade e Verdade; Forma e Conteúdo
  15. 15. <ul><li>Estudos sócio-económicos recentes mostram que se não se aumentarem os níveis de produtividade dos trabalhadores portugueses, este continuarão a enfrentar dificuldades económicas. Ora , os autores desses estudos, dos quais se destaca o prestigiado sociólogo Martins da Fonseca, verificaram que a produtividade tem-se mantido ao mesmo nível. Por isso , concluem os autores, os portugueses continuarão a enfrentar ( ad eternum, dirimamos nós ) problemas económicos. </li></ul><ul><li>Forma canónica </li></ul><ul><li>Se não aumentarem os níveis de produtividade dos portugueses, então continuarão a enfrentar dificuldades económicas. </li></ul><ul><li>Não aumentaram os níveis de produtividade dos portugueses </li></ul><ul><li>Logo, continuarão a enfrentar dificuldades económicas </li></ul><ul><li>Forma Lógica </li></ul><ul><li>Se p então q </li></ul><ul><li>p </li></ul><ul><li>Logo, q </li></ul>Forma canónica e forma lógica dos argumentos
  16. 16. <ul><li>Há três condições necessárias para que um argumento seja bom: a validade do argumento em si, a verdade das premissas e da conclusão (solidez) e a força persuasiva (cogência). </li></ul><ul><li>A validade é uma condição necessária da boa argumentação — mas não é suficiente. </li></ul><ul><li>Exemplo 1 </li></ul><ul><li>Aristóteles e Platão eram alemães. </li></ul><ul><li>Logo, Aristóteles era alemão. </li></ul><ul><li>Argumento válido, mas não é um bom argumento porque as premissas e a </li></ul><ul><li>conclusão são falsas. </li></ul><ul><li>Exemplo 2 </li></ul><ul><li>Todos os corvos são pretos </li></ul><ul><li>Logo, os corvos são pretos </li></ul><ul><li>Argumento válido, mas não é um bom argumento porque, apesar de ter </li></ul><ul><li>premissa e conclusão verdadeiras, é uma redundância </li></ul>Validade, Solidez e Cogência
  17. 17. <ul><li>Há três condições necessárias para que um argumento seja bom: a validade do argumento em si, a verdade das premissas e da conclusão (solidez) e a força persuasiva (cogência). </li></ul><ul><li>Exemplo 3 </li></ul><ul><li>Se Aristóteles e Platão eram filósofos gregos, Parménides também o era </li></ul><ul><li>Aristóteles e Platão eram filósofos gregos. </li></ul><ul><li>Logo, Parménides também era filósofo grego. </li></ul><ul><li>Argumento sólido”, porque, além de válido, têm premissas e conclusão verdadeiras. Também é cogente porque as premissas são mais plausíveis do que a conclusão. Por isso, tem força persuasiva </li></ul><ul><li>Exemplo 4 </li></ul><ul><li>Se a vida faz sentido, Deus existe. </li></ul><ul><li>A vida faz sentido. </li></ul><ul><li>Logo, Deus existe. </li></ul><ul><li>Argumento válido, mas não é um bom argumento, porque para além de não ser necessariamente sólido as premissas não são menos discutíveis do que a conclusão, não tendo força persuasiva. </li></ul>Validade, Solidez e Cogência
  18. 18. <ul><li>Há três condições necessárias para que um argumento seja bom: a validade do argumento em si, a verdade das premissas e da conclusão (solidez) e a força persuasiva (cogência). </li></ul>Validade, Solidez e Cogência
  19. 19. Indução e dedução Características dos argumentos Argumento dedutivo (válido) Argumento indutivo (forte) Todos os seres vivos respiram. A minhoca é um ser vivo. Logo, a minhoca respira. O Sol nasceu todas as manhãs até hoje. Logo, (é provável que) nasça amanhã. O Sol nasceu todas as manhãs até hoje. Logo, (é provável que) não nasça amanhã. A verdade das premissas fornece boas razões a favor da verdade da conclusão SIM SIM A verdade das premissas torna a falsidade da conclusão impossível SIM NÃO  As premissas são razões conclusivas SIM NÃO  As razões têm graus diferenciados de força NÃO  SIM
  20. 21. Epílogo… <ul><li>“ Aprender a pensar correctamente é a mais humana das aprendizagens ”. Desidério Murcho </li></ul><ul><li>“ Seria bom se houvesse uma receita simples para construir bons argumentos. Infelizmente não há um método simples. Os argumentos podem falhar de diversas maneiras (…).” James Rachels </li></ul>

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