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FALÁCIAS INFORMAIS
Tema: Falácias informais


 A— O que são falácias?


As falácias são defeitos de raciocínio. Em geral, esse defeito passa

despercebido, criando assim a ilusão de se estar na presença de um raciocínio
correto. Esta ilusão pode ser intencional (quando é utilizada com intenção) ou
casual (quando a pessoa não se apercebe de que está a argumentar mal). As
falácias podem afetar os argumentos dedutivos (falácias formais) ou os outros.

 B— Porque é importante estudar as falácias?


Porque as falácias são maus argumentos. Ora, um estudante de Filosofia

deve saber avaliar argumentos, quer os que ele próprio utiliza, quer os argumentos
de outros. Portanto, é útil conhecer as falácias mais usuais: torna-se menos
provável que incorramos nesse erro e mais improvável que aceitemos como bons
os argumentos falaciosos dos outros.

 C— Algumas falácias informais: caracterização, exemplos e comentários.
 FALSO DILEMA: São apresentadas apenas duas alternativas mas de facto há

mais

 Ex. 1: Ou és feliz ou infeliz.
 O que há de errado: Há mais opções: sentirmo-nos parcialmente felizes, ou felizes

em relação a algumas coisas e infelizes em relação a outras, etc.

 Ex. 2: Ou estás por mim ou contra mim.
 APELO À IGNORÂNCIA: Conclui-se que uma proposição é

verdadeira por não se ter provado que é falsa ou conclui-se que uma
proposição é falsa por não se ter provado que é verdadeira


 Ex. 1: Deus existe, porque o João tentou provar que não existe e

não conseguiu.
 O que há de errado: O facto do João não ter conseguido provar
que Deus não existe não prova que Deus exista, prova apenas que
ele não conseguiu provar o contrário, o que é muito diferente. Ou
seja: a tentativa fracassada de refutar uma afirmação não garante
que ela seja verdadeira.

 Ex. 2: A Maria bem tentou provar que não foi ela que roubou o

cacifo, mas não conseguiu. Portanto, ela devia estar a mentir.
 ATAQUE PESSOAL (ad hominem): Ataca-se a pessoa que

apresentou um argumento e não o argumento que foi apresentado.
Formas mais habituais: (1) Ataque ao carácter da pessoa ou (2)
referem-se circunstâncias relativas à pessoa ou (3) invoca-se o facto
de a pessoa não praticar o que diz


 Ex: É natural que concordes com o congelamento dos salários. Tu

és rico...
 O que há de errado: O carácter ou outros aspetos respeitantes à
pessoa não têm nada a ver com a verdade ou falsidade do que ela
defende.

 Ex. 2: Dizes que eu não devo beber, mas tu andas sempre nos

“copos”...


 PETIÇÃO DE PRINCÍPIO: a verdade da conclusão já

estava assumida nas premissas


 Ex.: Porque é que eu afirmo que Deus existe? Porque na

Bíblia afirma-se que Deus existe. Ora, a Bíblia é
verdadeira, uma vez que quem a escreveu estava
inspirado por Deus. Portanto, Deus existe.
 O que há de errado: Conclui-se que Deus existe com
base na Bíblia e aceita-se o que é afirmado na Bíblia com
o argumento de que foi escrita por inspiração de Deus.
Ou seja: a conclusão («Deus existe») já estava aceite à
partida.
 Falácia do Espantalho- consiste em atribuir a

outrem uma opinião fictícia, ou em deturpar as suas
afirmações de modo a terem outro significado ou
ainda, em distorcer a posição de alguém para que
possa ser atacada mais facilmente
 EX 1: Para ser ateu você precisa crer piamente na

inexistência de Deus. Para convencer-se disso, é
preciso vasculhar todo o Universo e todos os
lugares onde Deus poderia estar. Já que obviamente
você não fez isso, sua posição é indefensável.”
 EX2: Vou à matança do porco do meu primo.

o António disse-me que o primo dele é porco.
 O que há de errado: O erro está no facto dela não

lidar com os verdadeiros argumentos.
 Bola de Neve (derrapagem, redução ao

absurdo reductio ad absurdum)

Consiste em tirar de uma proposição uma série de
factos ou consequências que podem ou não ocorrer.
É um raciocínio levado indevidamente ao extremo,
às últimas consequências.
 Ex: Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a

jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve
estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e,
inclusivamente, pode acontecer que te vires para o
crime para suportar as tuas despesas e pagar as
dívidas.
 O que há de errado: Para mostrar que uma

proposição, P, é inaceitável, extraem-se
consequências inaceitáveis de P e consequências das
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  • 2. Tema: Falácias informais    A— O que são falácias?   As falácias são defeitos de raciocínio. Em geral, esse defeito passa despercebido, criando assim a ilusão de se estar na presença de um raciocínio correto. Esta ilusão pode ser intencional (quando é utilizada com intenção) ou casual (quando a pessoa não se apercebe de que está a argumentar mal). As falácias podem afetar os argumentos dedutivos (falácias formais) ou os outros.   B— Porque é importante estudar as falácias?   Porque as falácias são maus argumentos. Ora, um estudante de Filosofia deve saber avaliar argumentos, quer os que ele próprio utiliza, quer os argumentos de outros. Portanto, é útil conhecer as falácias mais usuais: torna-se menos provável que incorramos nesse erro e mais improvável que aceitemos como bons os argumentos falaciosos dos outros.   C— Algumas falácias informais: caracterização, exemplos e comentários.
  • 3.  FALSO DILEMA: São apresentadas apenas duas alternativas mas de facto há mais   Ex. 1: Ou és feliz ou infeliz.  O que há de errado: Há mais opções: sentirmo-nos parcialmente felizes, ou felizes em relação a algumas coisas e infelizes em relação a outras, etc.   Ex. 2: Ou estás por mim ou contra mim.
  • 4.  APELO À IGNORÂNCIA: Conclui-se que uma proposição é verdadeira por não se ter provado que é falsa ou conclui-se que uma proposição é falsa por não se ter provado que é verdadeira   Ex. 1: Deus existe, porque o João tentou provar que não existe e não conseguiu.  O que há de errado: O facto do João não ter conseguido provar que Deus não existe não prova que Deus exista, prova apenas que ele não conseguiu provar o contrário, o que é muito diferente. Ou seja: a tentativa fracassada de refutar uma afirmação não garante que ela seja verdadeira.   Ex. 2: A Maria bem tentou provar que não foi ela que roubou o cacifo, mas não conseguiu. Portanto, ela devia estar a mentir.
  • 5.  ATAQUE PESSOAL (ad hominem): Ataca-se a pessoa que apresentou um argumento e não o argumento que foi apresentado. Formas mais habituais: (1) Ataque ao carácter da pessoa ou (2) referem-se circunstâncias relativas à pessoa ou (3) invoca-se o facto de a pessoa não praticar o que diz   Ex: É natural que concordes com o congelamento dos salários. Tu és rico...  O que há de errado: O carácter ou outros aspetos respeitantes à pessoa não têm nada a ver com a verdade ou falsidade do que ela defende.   Ex. 2: Dizes que eu não devo beber, mas tu andas sempre nos “copos”... 
  • 6.  PETIÇÃO DE PRINCÍPIO: a verdade da conclusão já estava assumida nas premissas   Ex.: Porque é que eu afirmo que Deus existe? Porque na Bíblia afirma-se que Deus existe. Ora, a Bíblia é verdadeira, uma vez que quem a escreveu estava inspirado por Deus. Portanto, Deus existe.  O que há de errado: Conclui-se que Deus existe com base na Bíblia e aceita-se o que é afirmado na Bíblia com o argumento de que foi escrita por inspiração de Deus. Ou seja: a conclusão («Deus existe») já estava aceite à partida.
  • 7.  Falácia do Espantalho- consiste em atribuir a outrem uma opinião fictícia, ou em deturpar as suas afirmações de modo a terem outro significado ou ainda, em distorcer a posição de alguém para que possa ser atacada mais facilmente
  • 8.  EX 1: Para ser ateu você precisa crer piamente na inexistência de Deus. Para convencer-se disso, é preciso vasculhar todo o Universo e todos os lugares onde Deus poderia estar. Já que obviamente você não fez isso, sua posição é indefensável.”  EX2: Vou à matança do porco do meu primo. o António disse-me que o primo dele é porco.
  • 9.  O que há de errado: O erro está no facto dela não lidar com os verdadeiros argumentos.
  • 10.  Bola de Neve (derrapagem, redução ao absurdo reductio ad absurdum) Consiste em tirar de uma proposição uma série de factos ou consequências que podem ou não ocorrer. É um raciocínio levado indevidamente ao extremo, às últimas consequências.
  • 11.  Ex: Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.
  • 12.  O que há de errado: Para mostrar que uma proposição, P, é inaceitável, extraem-se consequências inaceitáveis de P e consequências das consequências...