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Raciocínio Lógico
   Prof. Marcelo Boia
Qual a importância do
 Raciocínio Lógico?
www.drikamath.wordpress.com
Ao longo dos séculos, a filosofia, em sua constante busca
pelo conhecimento, formulou várias questões, inclusive
qual sua origem, tipos, critérios e veracidade. E esse
último item é o que nos interessa: a verdade.
Mas o que é a verdade? Séculos atrás, ela era
considerada imutável. Hoje, é relativa. Defende-se o
princípio de que não existe verdade absoluta, mas
diferentes pontos de vista que explicam o mesmo fato.
Voltando a questão: uma afirmação deve se
basear no raciocínio de ideias, a forma como
estas se interligam para que possamos elaborar
um conceito. A lógica, nada mais é do que um
instrumento de ordenação, princípios e critérios
desses pensamentos na busca pela elaboração de
um conhecimento. Quando criamos ou
concordamos com uma verdade, é porque
aceitamos a validade de seus argumentos, de
acordo com regras estabelecidas por critérios
pessoais.
Uma afirmação deve se basear no raciocínio de
ideias, a forma como estas se interligam para que
possamos elaborar um conceito. A lógica, nada
mais é do que um instrumento de ordenação,
princípios e critérios desses pensamentos na
busca pela elaboração de um conhecimento.
Quando criamos ou concordamos com uma
verdade, é porque aceitamos a validade de seus
argumentos, de acordo com regras estabelecidas
por critérios pessoais.
Por exemplo, se alguém lhe perguntasse se a atriz Luana
Piovani é bonita o que você responderia? E a cantora
Claudia Leite? Talvez a modelo Ana Hickemann?




Essas proposições são verdadeiras ou falsas?
Alguns podem concordar que todas são bonitas. Outros
que apenas uma ou duas. E outros ainda que nenhuma.
Para avaliá-las, deveríamos definir o que vem a ser uma
mulher bonita. Mas, como avaliar a beleza de alguém?
Poderíamos estabelecer critérios, tais como: altura, cor
dos olhos, tipo físico, apresentação. Mesmo assim
chegaríamos em um impasse pois um observador
poderia ressaltar mais um aspecto do que outro, de
acordo com seu gosto pessoal. Nem mesmo a prioridade
dos quesitos seria unânime. O conceito de beleza,
portanto, é relativo para qualquer uma das mulheres
citadas acima.
O exemplo é importante para compreendermos que a
preocupação no estudo da Lógica não é a de avaliar o
conteúdo em si, mas a forma, ou seja, analisar se
um determinado argumento (raciocínio), foi ou não
bem construído. É estruturar um raciocínio de
modo que seja possível apresentar uma proposição
como consequência de outras, independentemente
de seu teor, para que esta tenha validade.
Chamamos de inferência o processo pelo qual chegamos a
uma conclusão. Podemos considerá-la também como
um conjunto de proposições (afirmações) das quais
uma delas, a conclusão, é extraída das demais, as
premissas.
Para a Lógica, interessa o argumento correspondente
à inferência. Independentemente do caminho percorrido,
a Lógica examina a relação existente entre as diversas
afirmações, a fim de verificar se é justificável chegar a
determinada conclusão.
Veja o exemplo:
1) Carolina acabou de sair de sua casa para vir para
cá.
2) Carolina leva no mínimo 30 minutos para vir da
sua casa até aqui.
3) Aqui, em 10 minutos, vamos ter uma reunião
onde Carolina é aguardada.
4) Portanto, Carolina chegará atrasada à reunião.
Na inferência acima há quatro proposições, sendo que
(1), (2) e (3) são as premissas e (4) é a conclusão. A
expressão     "portanto"   é    um     indicador    de
conclusão,                  assim                como
"logo", "consequentemente", "disso se segue que", etc.
Um indicador de conclusão é sempre colocado
imediatamente antes da conclusão de uma inferência.
Nota-se que a inferência busca uma resposta a partir de
juízos anteriores.   Juízo é o ato pelo qual a
inteligência nega ou afirma a identidade
representativa de dois conceitos.
Por sua vez, o raciocínio é a operação pela qual o
pensamento de duas ou mais relações conhecidas infere
uma outra relação que desta decorre logicamente.
O raciocínio é, portanto, a ligação das proposições.
 Por exemplo:


Todo metal conduz eletricidade ...................... premissa 1
O ferro é um metal ......................................... Premissa 2
Logo, o ferro conduz eletricidade.................... Conclusão
Nota-se que os juízos estão ligados logicamente
formando um raciocínio. Da ligação dos dois primeiros
juízos, “ferro” e “metal”, nós podemos inferir o terceiro,
“eletricidade”, que constitui a conclusão.
O encadeamento lógico dos juízos compõe o argumento,
sendo ele a expressão verbal do raciocínio. Todo
argumento tem uma estrutura, não é simplesmente uma
coleção de proposições, mas deve possuir premissas
como evidência e uma conclusão que as confirme. O
argumento, portanto, é uma operação verbal do
pensamento que consiste em encadear juízos e
deles tirar uma conclusão.
Nem sempre um argumento apresenta-se com
clareza e permite distinguir as premissas e a
conclusão. Quando expomos nossas ideias, às vezes
começamos pela conclusão. Com frequência, também
omitimos premissas, deixando-as subentendidas.
Exemplo:

                    “Pedro é alto”.
Nesta afirmação, subentende-se que perto das outras
pessoas de seu convívio social, Pedro possui uma
estatura maior. Ou ainda, que Pedro é maior do que a
média de altura dos brasileiros (que segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística é de 1,75 m). No
entanto, nenhuma das duas informações foram
explicitadas.
www.portalg20.blogspot.com
Verdade e falsidade só podem ser aplicadas a
proposições. Dizemos que uma proposição é
verdadeira ou falsa e nunca que é válida ou inválida.
Da mesma forma, dizemos que um argumento é
válido ou inválido e nunca que o argumento é
verdadeiro ou falso. Existem relações estreitas entre a
validade e invalidade de um argumento e a verdade e
falsidade de suas premissas, mas essa relação não é tão
simples. Alguns argumentos válidos possuem premissas
verdadeiras.
Exemplo:
Todo homem é um bípede ....................... premissa 1
Todo bípede anda...................................... premissa 2
Logo, todo homem anda.......................... Conclusão

Neste caso, o conteúdo (premissas e conclusão) é
verdadeiro e o argumento válido.
Mas há argumentos que podem conter proposições
falsas, mas do ponto de vista formal o argumento é
válido.
                                     Exemplo:
Todo homem é um quadrúpede
.............................................................. premissa 1
Todo quadrúpede é mulher
.............................................................. premissa 2
Logo, todo homem é mulher
................................................................. Conclusão

         O argumento é válido e o conteúdo falso
Há argumentos que a primeira vista parecem inválidos,
mas que na verdade são válidos. Do mesmo modo, há
argumentos que parecem válidos, mas que na verdade
são inválidos. Reparem nesses dois argumentos.
                              Exemplo:
Todos os homens são jogadores............ Premissa 1
João é homem....................................... premissa 2
Logo, João é jogador ............................. conclusão
   A primeira premissa é falsa, pois nem todos os
homens são jogadores, portanto a conclusão pode ser
verdadeira ou falsa. Entretanto, o argumento é
válido.
Veja este outro exemplo:

Todos os homens são mamíferos ...................... premissa 1
João é mamífero ............................................... premissa 2
Logo, João é homem ........................................ conclusão

De acordo com as premissas, João é mamífero, mas não
podemos concluir que ele seja necessariamente um
homem. Neste caso, o conteúdo é verdadeiro, mas o
argumento inválido (sofisma).
Outro caso:
Todos os cariocas são pessimistas .................... premissa 1
Joao é pessimista ............................................. premissa 2
Joao é carioca .................................................. conclusão
 De acordo com as premissas, João pode ser carioca ou
não, logo a conclusão não é necessariamente verdadeira.
O argumento é invalido (sofisma ou falácia) e o
conteúdo é falso.
Como você pode perceber, a verdade ou falsidade das
premissas não determina a validade ou invalidade de um
argumento. Tampouco a validade de um argumento
garante a verdade de sua conclusão.
Argumento dedutivo
Num argumento dedutivo, a conclusão está explícita
nas premissas e não acrescenta qualquer
informação adicional além das que foram expostas
nas premissas. Neste argumento, a conclusão é inferida
necessariamente de duas premissas.
O filósofo grego Sócrates chamava a dedução lógica de
silogismo, que significa “ligação”: é a ligação de dois
termos por meio de um terceiro.
Todos os homens são mortais .......................... premissa 1
Paulo é homem ................................................ premissa 2
Logo Paulo é mortal.......................................... conclusão

Neste caso, afirmamos que x (homens) = z (mortais), e
que y (Paulo) = x (homem), então, y = z (conclusão).
Perceba que há um termo médio (x), que estabelece a
ligação entre y e z, de modo que torna a conclusão
necessária, ou seja, tem de ser esta e não outra. A
conclusão é necessária porque deriva das premissas
O silogismo é um raciocínio que parte de uma proposição
geral e conclui outra proposição geral:

Todo brasileiro é sul-americano............................... premissa 1
Todo mineiro é brasileiro.......................................... premissa 2
Todo mineiro é sul-americano.................................. conclusão

Na proposição “Os mineiros são sul-americanos”, não
importa que os mineiros sejam uma parte dos brasileiros, mas
que nesse caso estamos nos referindo a totalidade dos
mineiros.

A dedução é um modelo argumentativo que não nos
ensina nada de novo, apenas organiza o conhecimento
já adquirido.
O argumento indutivo é aquele cuja a conclusão é geral e
decorre de premissas particulares. A característica deste tipo
de argumento é a de apresentar uma conclusão provável, mas
não certa, já que as premissas são construídas por meio de
uma observação empírica, ou seja, baseada na experiência.
                                   Exemplo:
O cobre é condutor de eletricidade ............................ premissa 1
O ouro é condutor de eletricidade............................. premissa 2
O ferro é condutor de eletricidade............................. premissa 3
O zinco é condutor de eletricidade.............................premissa 4
A prata é condutora de eletricidade........................... premissa 5
Logo, todo metal é condutor de eletricidade ..............
conclusão
Como é possível observar, diferente do argumento
dedutivo, no argumento indutivo o conteúdo da
conclusão excede o das premissas. Ou seja, enquanto a
conclusão da dedução está contida nas premissas, e retira
daí sua validade, a conclusão da indução tem apenas
probabilidade de ser correta.
Cabe a quem formula o pensamento lógico examinar
as condições favoráveis para considerar se a indução
é correta, isto é, se pertence a um tipo de argumento em
que a maioria das premissas são verdadeiras e têm
condição de aumentar a probabilidade de acertos.
Indução completa: quando há condições de serem
examinados cada um dos elementos de um conjunto
                        Exemplo:
Meu apartamento possui dois quarto, uma sala de
estar, um banheiro, e uma cozinha. Portanto, meu
apartamento possui cinco cômodos .
Nas ciências físicas e biológicas, pesquisadores
frequentemente usam este método. Pesquisadores
notaram em centenas de experiências que um certo
fungo mata bactérias estreptococos, e induziram que a
penicilina serviria como remédio contra pneumonia.
Indução incompleta ou por enumeração: em que são
observados alguns elementos, dos quais se conclui a
totalidade.
                           Exemplo:
 No último senso eleitoral para as eleição presidencial
de 2010, feito com aproximadamente dois mil eleitores
por todo o Brasil, a candidata a presidente Dilma era a
favorita as eleições com quarenta e oito por cento dos
votos (48%), seguido por vinte e sete por cento (27%) de
José Serra e doze por cento (12%) de Marina Silva.
Podemos inferir que este será o resultado das eleições
presidenciais, cuja população é de duzentos milhões de
eleitores. Dilma seria, pela probabilidade, vencedora.
       Ao considerar que dentre os eleitores da amostra 48%
votará em Dilma e 27% em José Serra, conclui-se que a
totalidade dos eleitores votará segundo a mesma proporção.
Argumento de autoridade: é outro tipo comum de
raciocínio indutivo. Diariamente fazemos várias
induções baseadas nas afirmações de pessoas que
respeitamos.
                        Exemplo:
Quando vamos ao médico e seguimos suas
prescrições, é porque acreditamos que ele já
realizou esse procedimentos diversas vezes com
sucesso e que portanto no nosso caso também
acertará o diagnóstico.
Analogia (raciocínio por semelhança): A analogia é um
raciocínio indutivo parcial ou imperfeito. Quando observamos
uma situação semelhante aquela que enfrentaremos, induzimos
que o resultado será o mesmo ou pelo menos semelhante.
                           Exemplo:
 Carolina curou sua dor de cabeça com este remédio.
 Logo, se Pedro tomar o mesmo remédio, também vai curar sua
dor de cabeça.
Raciocínio por analogia se baseia no princípio que o universo e
tudo dentre dele é uniforme e que condições iniciais
semelhantes produzirão resultados semelhantes. Este raciocínio
pode até funcionar às vezes, e certamente serve para nortear
nosso raciocínio, na falta de outros indicadores mais fortes.
Infelizmente, sabemos que o universo não é uniforme e que
condições iniciais semelhantes não precisam produzir
resultados semelhantes.
Grande parte de nossas conclusões diárias baseia-se
em analogias. Se um determinado autor lança um novo
livro, e conhecemos e gostamos de sua obra, compramos
o livro porque deduzimos que ele será tão bom quanto as
obras anteriores deste autor. Da mesma forma, se somos
bem atendidos em uma determinada loja, retornamos
para comprar porque deduzimos que teremos o mesmo
tratamento dado anteriormente. Da mesma forma se
formos mal atendidos, evitaremos retornar.
A falácia é um pensamento incorreto que tem
aparência de correto. Ela é considerada um sofisma,
quando o erro é proposital, ou seja, tem intenção de
enganar, ou um paralogismo, quando não há
intenção de enganar.
As falácias podem ser formais, quando contrariam as
regras do raciocínio correto, e não-formais (ou
informais), quando os erros decorrem da falta de atenção
ou de uma ambiguidade na linguagem utilizada para
formular nosso argumento.
Existem inúmeras falácias. Vejamos alguns tipos.
Presumir sobre uma população ou grande amplitude de
casos baseado em uma amostra inadequada (usualmente
por ser não-representativa ou ser muito pequena).
Estereótipos sobre as pessoas (“gordinhos são
simpáticos”, políticos são desonestos”, “mulheres são
emotivas demais”) são exemplos comuns do princípio
subjacente (que não se manifesta claramente) à
generalização apressada.
                         Exemplo:
“Meu colega disse que a disciplina de Filosofia dele foi
difícil e a disciplina de Filosofia em que estou inscrito
também é. Todas as disciplinas de Filosofia devem ser
difíceis.”
 A experiência de suas pessoas, neste caso, não é suficiente
para embasar uma conclusão.
Ocorre quando consideramos errada uma conclusão
porque parte de alguém que nós depreciamos.
                      Exemplo:
“Catherine McKinnon escreveu vários livros
argumentando que a pornografia degrada as
mulheres. Mas McKinnon é uma pessoa amarga e
solitária, portanto não deveríamos dar ouvido às
suas opiniões.”
O caráter e a situação marital de McKinnon, que foi
caracterizada de forma tão depreciativo, nada tem a ver
com a força do argumento dela, portanto, usá-los como
evidências é falacioso.
Ocorre quando tentamos convencer alguém a concordar
simplesmente impressionando-o com um nome famoso
ou apelando a uma suposta autoridade, que não é um
especialista no assunto.
                        Exemplo:
Quando recorremos a autoridade do Pelé para
avaliar política, ou a um artista famoso para
“vender” desde sabonetes até ideias em
propagandas.
Acontece quando se tenta convencer alguém a aceitar a
conclusão fazendo-o sentir pena de outro alguém.
                         Exemplo:
“Eu sei que fui mal na prova, mas acho que você deve me
dar uma nota maior, pois meu cachorro estava doente e
eu estive gripado, por isso não consegui estudar direito”.
A conclusão é “você deve me dar uma nota maior”. Mas
os critérios para notas maiores estão relacionados
ao aprendizado e à aplicação dos conhecimentos. O
princípio que se tenta sustentar (aqueles que
tiveram uma semana difícil devem ter notas
maiores) é claramente inaceitável.
Ignorância da questão
Consiste em se afastar da questão, desviando a
discussão para outro lado.
                       Exemplo:
Um advogado habilidoso, que não tem como negar o
crime do réu, enfatiza que ele é bom filho, bom marido,
trabalhador, etc.
Ou ainda, o deputado que defende o governo acusado de
corrupção em comissão de inquérito não se detém para
avaliar os fatos devidamente comprovados, mas discute
questões formais do relatório da comissão ou enfatiza o
pretenso revanchismo dos deputados oposicionistas.
Trata-se simplesmente de afirmar a mesma coisa com
outras palavras.
                       Exemplo:
“Eu acho que alpinismo é um esporte perigoso porque é
inseguro e arriscado.”
 Dizer que algo é “inseguro e arriscado” é o mesmo
que dizer que ele é “perigoso”. Simplesmente
repetiu-se a primeira afirmação com outras
palavras.
Além das falácias informais, há as falácias formais,
quando o argumento não atende às regras do
pensamento correto e válido. Para melhorar o
entendimento, vejamos o exemplo a seguir:
Todos os homens são loiros.
Ora, eu sou homem.
Logo, eu sou loiro.
A primeira vista, o argumento nos parece falso. Mas
embora a primeira premissa seja materialmente falsa (ou
seja, o conteúdo dela não corresponde à realidade),
trata-se de um raciocínio formalmente correto.
Segundo as regras da lógica, colocadas tais
premissas, a conclusão se põe necessariamente.
Agora, analisemos outro exemplo:
Todos os homens são vertebrados.
Ora, sou vertebrado.
Logo, eu sou homem.
Neste caso, tendemos a considerar o raciocínio
verdadeiro, mas formalmente, ele é inválido. Não
importa se a conclusão corresponde a realidade, mas sim
que não se trata de uma construção logicamente válida.
Segundo uma das regras do silogismo, o termo médio deve
ser, pelo menos uma vez, total. O termo médio (que no
caso é “vertebrado”) é aquele que aparece nas duas
premissas e permite estabelecer a ligação entre os outros
dois termos. Essa regra não é atendida no segundo
exemplo, pois os homens são alguns dentre os
vertebrados, e eu sou um dos vertebrados.
Os dois exemplos são falácias, sendo o primeiro
uma falácia quanto à matéria, embora se trate de
um argumento formalmente correto, enquanto o
segundo é uma falácia quanto à forma, pois
desatende uma regra do argumento válido.
FONTE:
BOIA, MARCELO FERREIRA.APOSTILA DE
FILOSOFIA 3° ANO

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Lógica

  • 1. Raciocínio Lógico Prof. Marcelo Boia
  • 2. Qual a importância do Raciocínio Lógico?
  • 4. Ao longo dos séculos, a filosofia, em sua constante busca pelo conhecimento, formulou várias questões, inclusive qual sua origem, tipos, critérios e veracidade. E esse último item é o que nos interessa: a verdade. Mas o que é a verdade? Séculos atrás, ela era considerada imutável. Hoje, é relativa. Defende-se o princípio de que não existe verdade absoluta, mas diferentes pontos de vista que explicam o mesmo fato.
  • 5. Voltando a questão: uma afirmação deve se basear no raciocínio de ideias, a forma como estas se interligam para que possamos elaborar um conceito. A lógica, nada mais é do que um instrumento de ordenação, princípios e critérios desses pensamentos na busca pela elaboração de um conhecimento. Quando criamos ou concordamos com uma verdade, é porque aceitamos a validade de seus argumentos, de acordo com regras estabelecidas por critérios pessoais.
  • 6. Uma afirmação deve se basear no raciocínio de ideias, a forma como estas se interligam para que possamos elaborar um conceito. A lógica, nada mais é do que um instrumento de ordenação, princípios e critérios desses pensamentos na busca pela elaboração de um conhecimento. Quando criamos ou concordamos com uma verdade, é porque aceitamos a validade de seus argumentos, de acordo com regras estabelecidas por critérios pessoais.
  • 7. Por exemplo, se alguém lhe perguntasse se a atriz Luana Piovani é bonita o que você responderia? E a cantora Claudia Leite? Talvez a modelo Ana Hickemann? Essas proposições são verdadeiras ou falsas?
  • 8. Alguns podem concordar que todas são bonitas. Outros que apenas uma ou duas. E outros ainda que nenhuma. Para avaliá-las, deveríamos definir o que vem a ser uma mulher bonita. Mas, como avaliar a beleza de alguém? Poderíamos estabelecer critérios, tais como: altura, cor dos olhos, tipo físico, apresentação. Mesmo assim chegaríamos em um impasse pois um observador poderia ressaltar mais um aspecto do que outro, de acordo com seu gosto pessoal. Nem mesmo a prioridade dos quesitos seria unânime. O conceito de beleza, portanto, é relativo para qualquer uma das mulheres citadas acima.
  • 9. O exemplo é importante para compreendermos que a preocupação no estudo da Lógica não é a de avaliar o conteúdo em si, mas a forma, ou seja, analisar se um determinado argumento (raciocínio), foi ou não bem construído. É estruturar um raciocínio de modo que seja possível apresentar uma proposição como consequência de outras, independentemente de seu teor, para que esta tenha validade.
  • 10. Chamamos de inferência o processo pelo qual chegamos a uma conclusão. Podemos considerá-la também como um conjunto de proposições (afirmações) das quais uma delas, a conclusão, é extraída das demais, as premissas. Para a Lógica, interessa o argumento correspondente à inferência. Independentemente do caminho percorrido, a Lógica examina a relação existente entre as diversas afirmações, a fim de verificar se é justificável chegar a determinada conclusão.
  • 11. Veja o exemplo: 1) Carolina acabou de sair de sua casa para vir para cá. 2) Carolina leva no mínimo 30 minutos para vir da sua casa até aqui. 3) Aqui, em 10 minutos, vamos ter uma reunião onde Carolina é aguardada. 4) Portanto, Carolina chegará atrasada à reunião.
  • 12. Na inferência acima há quatro proposições, sendo que (1), (2) e (3) são as premissas e (4) é a conclusão. A expressão "portanto" é um indicador de conclusão, assim como "logo", "consequentemente", "disso se segue que", etc. Um indicador de conclusão é sempre colocado imediatamente antes da conclusão de uma inferência.
  • 13. Nota-se que a inferência busca uma resposta a partir de juízos anteriores. Juízo é o ato pelo qual a inteligência nega ou afirma a identidade representativa de dois conceitos. Por sua vez, o raciocínio é a operação pela qual o pensamento de duas ou mais relações conhecidas infere uma outra relação que desta decorre logicamente. O raciocínio é, portanto, a ligação das proposições.
  • 14.  Por exemplo: Todo metal conduz eletricidade ...................... premissa 1 O ferro é um metal ......................................... Premissa 2 Logo, o ferro conduz eletricidade.................... Conclusão
  • 15. Nota-se que os juízos estão ligados logicamente formando um raciocínio. Da ligação dos dois primeiros juízos, “ferro” e “metal”, nós podemos inferir o terceiro, “eletricidade”, que constitui a conclusão.
  • 16. O encadeamento lógico dos juízos compõe o argumento, sendo ele a expressão verbal do raciocínio. Todo argumento tem uma estrutura, não é simplesmente uma coleção de proposições, mas deve possuir premissas como evidência e uma conclusão que as confirme. O argumento, portanto, é uma operação verbal do pensamento que consiste em encadear juízos e deles tirar uma conclusão. Nem sempre um argumento apresenta-se com clareza e permite distinguir as premissas e a conclusão. Quando expomos nossas ideias, às vezes começamos pela conclusão. Com frequência, também omitimos premissas, deixando-as subentendidas.
  • 17. Exemplo: “Pedro é alto”. Nesta afirmação, subentende-se que perto das outras pessoas de seu convívio social, Pedro possui uma estatura maior. Ou ainda, que Pedro é maior do que a média de altura dos brasileiros (que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é de 1,75 m). No entanto, nenhuma das duas informações foram explicitadas.
  • 19. Verdade e falsidade só podem ser aplicadas a proposições. Dizemos que uma proposição é verdadeira ou falsa e nunca que é válida ou inválida. Da mesma forma, dizemos que um argumento é válido ou inválido e nunca que o argumento é verdadeiro ou falso. Existem relações estreitas entre a validade e invalidade de um argumento e a verdade e falsidade de suas premissas, mas essa relação não é tão simples. Alguns argumentos válidos possuem premissas verdadeiras.
  • 20. Exemplo: Todo homem é um bípede ....................... premissa 1 Todo bípede anda...................................... premissa 2 Logo, todo homem anda.......................... Conclusão Neste caso, o conteúdo (premissas e conclusão) é verdadeiro e o argumento válido.
  • 21. Mas há argumentos que podem conter proposições falsas, mas do ponto de vista formal o argumento é válido. Exemplo: Todo homem é um quadrúpede .............................................................. premissa 1 Todo quadrúpede é mulher .............................................................. premissa 2 Logo, todo homem é mulher ................................................................. Conclusão O argumento é válido e o conteúdo falso
  • 22. Há argumentos que a primeira vista parecem inválidos, mas que na verdade são válidos. Do mesmo modo, há argumentos que parecem válidos, mas que na verdade são inválidos. Reparem nesses dois argumentos. Exemplo: Todos os homens são jogadores............ Premissa 1 João é homem....................................... premissa 2 Logo, João é jogador ............................. conclusão A primeira premissa é falsa, pois nem todos os homens são jogadores, portanto a conclusão pode ser verdadeira ou falsa. Entretanto, o argumento é válido.
  • 23. Veja este outro exemplo: Todos os homens são mamíferos ...................... premissa 1 João é mamífero ............................................... premissa 2 Logo, João é homem ........................................ conclusão De acordo com as premissas, João é mamífero, mas não podemos concluir que ele seja necessariamente um homem. Neste caso, o conteúdo é verdadeiro, mas o argumento inválido (sofisma).
  • 24. Outro caso: Todos os cariocas são pessimistas .................... premissa 1 Joao é pessimista ............................................. premissa 2 Joao é carioca .................................................. conclusão De acordo com as premissas, João pode ser carioca ou não, logo a conclusão não é necessariamente verdadeira. O argumento é invalido (sofisma ou falácia) e o conteúdo é falso. Como você pode perceber, a verdade ou falsidade das premissas não determina a validade ou invalidade de um argumento. Tampouco a validade de um argumento garante a verdade de sua conclusão.
  • 25. Argumento dedutivo Num argumento dedutivo, a conclusão está explícita nas premissas e não acrescenta qualquer informação adicional além das que foram expostas nas premissas. Neste argumento, a conclusão é inferida necessariamente de duas premissas. O filósofo grego Sócrates chamava a dedução lógica de silogismo, que significa “ligação”: é a ligação de dois termos por meio de um terceiro.
  • 26. Todos os homens são mortais .......................... premissa 1 Paulo é homem ................................................ premissa 2 Logo Paulo é mortal.......................................... conclusão Neste caso, afirmamos que x (homens) = z (mortais), e que y (Paulo) = x (homem), então, y = z (conclusão). Perceba que há um termo médio (x), que estabelece a ligação entre y e z, de modo que torna a conclusão necessária, ou seja, tem de ser esta e não outra. A conclusão é necessária porque deriva das premissas
  • 27. O silogismo é um raciocínio que parte de uma proposição geral e conclui outra proposição geral: Todo brasileiro é sul-americano............................... premissa 1 Todo mineiro é brasileiro.......................................... premissa 2 Todo mineiro é sul-americano.................................. conclusão Na proposição “Os mineiros são sul-americanos”, não importa que os mineiros sejam uma parte dos brasileiros, mas que nesse caso estamos nos referindo a totalidade dos mineiros. A dedução é um modelo argumentativo que não nos ensina nada de novo, apenas organiza o conhecimento já adquirido.
  • 28. O argumento indutivo é aquele cuja a conclusão é geral e decorre de premissas particulares. A característica deste tipo de argumento é a de apresentar uma conclusão provável, mas não certa, já que as premissas são construídas por meio de uma observação empírica, ou seja, baseada na experiência. Exemplo: O cobre é condutor de eletricidade ............................ premissa 1 O ouro é condutor de eletricidade............................. premissa 2 O ferro é condutor de eletricidade............................. premissa 3 O zinco é condutor de eletricidade.............................premissa 4 A prata é condutora de eletricidade........................... premissa 5 Logo, todo metal é condutor de eletricidade .............. conclusão
  • 29. Como é possível observar, diferente do argumento dedutivo, no argumento indutivo o conteúdo da conclusão excede o das premissas. Ou seja, enquanto a conclusão da dedução está contida nas premissas, e retira daí sua validade, a conclusão da indução tem apenas probabilidade de ser correta. Cabe a quem formula o pensamento lógico examinar as condições favoráveis para considerar se a indução é correta, isto é, se pertence a um tipo de argumento em que a maioria das premissas são verdadeiras e têm condição de aumentar a probabilidade de acertos.
  • 30. Indução completa: quando há condições de serem examinados cada um dos elementos de um conjunto Exemplo: Meu apartamento possui dois quarto, uma sala de estar, um banheiro, e uma cozinha. Portanto, meu apartamento possui cinco cômodos . Nas ciências físicas e biológicas, pesquisadores frequentemente usam este método. Pesquisadores notaram em centenas de experiências que um certo fungo mata bactérias estreptococos, e induziram que a penicilina serviria como remédio contra pneumonia.
  • 31. Indução incompleta ou por enumeração: em que são observados alguns elementos, dos quais se conclui a totalidade. Exemplo: No último senso eleitoral para as eleição presidencial de 2010, feito com aproximadamente dois mil eleitores por todo o Brasil, a candidata a presidente Dilma era a favorita as eleições com quarenta e oito por cento dos votos (48%), seguido por vinte e sete por cento (27%) de José Serra e doze por cento (12%) de Marina Silva. Podemos inferir que este será o resultado das eleições presidenciais, cuja população é de duzentos milhões de eleitores. Dilma seria, pela probabilidade, vencedora. Ao considerar que dentre os eleitores da amostra 48% votará em Dilma e 27% em José Serra, conclui-se que a totalidade dos eleitores votará segundo a mesma proporção.
  • 32. Argumento de autoridade: é outro tipo comum de raciocínio indutivo. Diariamente fazemos várias induções baseadas nas afirmações de pessoas que respeitamos. Exemplo: Quando vamos ao médico e seguimos suas prescrições, é porque acreditamos que ele já realizou esse procedimentos diversas vezes com sucesso e que portanto no nosso caso também acertará o diagnóstico.
  • 33. Analogia (raciocínio por semelhança): A analogia é um raciocínio indutivo parcial ou imperfeito. Quando observamos uma situação semelhante aquela que enfrentaremos, induzimos que o resultado será o mesmo ou pelo menos semelhante. Exemplo: Carolina curou sua dor de cabeça com este remédio. Logo, se Pedro tomar o mesmo remédio, também vai curar sua dor de cabeça. Raciocínio por analogia se baseia no princípio que o universo e tudo dentre dele é uniforme e que condições iniciais semelhantes produzirão resultados semelhantes. Este raciocínio pode até funcionar às vezes, e certamente serve para nortear nosso raciocínio, na falta de outros indicadores mais fortes. Infelizmente, sabemos que o universo não é uniforme e que condições iniciais semelhantes não precisam produzir resultados semelhantes.
  • 34. Grande parte de nossas conclusões diárias baseia-se em analogias. Se um determinado autor lança um novo livro, e conhecemos e gostamos de sua obra, compramos o livro porque deduzimos que ele será tão bom quanto as obras anteriores deste autor. Da mesma forma, se somos bem atendidos em uma determinada loja, retornamos para comprar porque deduzimos que teremos o mesmo tratamento dado anteriormente. Da mesma forma se formos mal atendidos, evitaremos retornar.
  • 35. A falácia é um pensamento incorreto que tem aparência de correto. Ela é considerada um sofisma, quando o erro é proposital, ou seja, tem intenção de enganar, ou um paralogismo, quando não há intenção de enganar. As falácias podem ser formais, quando contrariam as regras do raciocínio correto, e não-formais (ou informais), quando os erros decorrem da falta de atenção ou de uma ambiguidade na linguagem utilizada para formular nosso argumento. Existem inúmeras falácias. Vejamos alguns tipos.
  • 36. Presumir sobre uma população ou grande amplitude de casos baseado em uma amostra inadequada (usualmente por ser não-representativa ou ser muito pequena). Estereótipos sobre as pessoas (“gordinhos são simpáticos”, políticos são desonestos”, “mulheres são emotivas demais”) são exemplos comuns do princípio subjacente (que não se manifesta claramente) à generalização apressada. Exemplo: “Meu colega disse que a disciplina de Filosofia dele foi difícil e a disciplina de Filosofia em que estou inscrito também é. Todas as disciplinas de Filosofia devem ser difíceis.” A experiência de suas pessoas, neste caso, não é suficiente para embasar uma conclusão.
  • 37. Ocorre quando consideramos errada uma conclusão porque parte de alguém que nós depreciamos. Exemplo: “Catherine McKinnon escreveu vários livros argumentando que a pornografia degrada as mulheres. Mas McKinnon é uma pessoa amarga e solitária, portanto não deveríamos dar ouvido às suas opiniões.” O caráter e a situação marital de McKinnon, que foi caracterizada de forma tão depreciativo, nada tem a ver com a força do argumento dela, portanto, usá-los como evidências é falacioso.
  • 38. Ocorre quando tentamos convencer alguém a concordar simplesmente impressionando-o com um nome famoso ou apelando a uma suposta autoridade, que não é um especialista no assunto. Exemplo: Quando recorremos a autoridade do Pelé para avaliar política, ou a um artista famoso para “vender” desde sabonetes até ideias em propagandas.
  • 39. Acontece quando se tenta convencer alguém a aceitar a conclusão fazendo-o sentir pena de outro alguém. Exemplo: “Eu sei que fui mal na prova, mas acho que você deve me dar uma nota maior, pois meu cachorro estava doente e eu estive gripado, por isso não consegui estudar direito”. A conclusão é “você deve me dar uma nota maior”. Mas os critérios para notas maiores estão relacionados ao aprendizado e à aplicação dos conhecimentos. O princípio que se tenta sustentar (aqueles que tiveram uma semana difícil devem ter notas maiores) é claramente inaceitável.
  • 40. Ignorância da questão Consiste em se afastar da questão, desviando a discussão para outro lado. Exemplo: Um advogado habilidoso, que não tem como negar o crime do réu, enfatiza que ele é bom filho, bom marido, trabalhador, etc. Ou ainda, o deputado que defende o governo acusado de corrupção em comissão de inquérito não se detém para avaliar os fatos devidamente comprovados, mas discute questões formais do relatório da comissão ou enfatiza o pretenso revanchismo dos deputados oposicionistas.
  • 41.
  • 42. Trata-se simplesmente de afirmar a mesma coisa com outras palavras. Exemplo: “Eu acho que alpinismo é um esporte perigoso porque é inseguro e arriscado.” Dizer que algo é “inseguro e arriscado” é o mesmo que dizer que ele é “perigoso”. Simplesmente repetiu-se a primeira afirmação com outras palavras.
  • 43. Além das falácias informais, há as falácias formais, quando o argumento não atende às regras do pensamento correto e válido. Para melhorar o entendimento, vejamos o exemplo a seguir: Todos os homens são loiros. Ora, eu sou homem. Logo, eu sou loiro. A primeira vista, o argumento nos parece falso. Mas embora a primeira premissa seja materialmente falsa (ou seja, o conteúdo dela não corresponde à realidade), trata-se de um raciocínio formalmente correto. Segundo as regras da lógica, colocadas tais premissas, a conclusão se põe necessariamente.
  • 44. Agora, analisemos outro exemplo: Todos os homens são vertebrados. Ora, sou vertebrado. Logo, eu sou homem. Neste caso, tendemos a considerar o raciocínio verdadeiro, mas formalmente, ele é inválido. Não importa se a conclusão corresponde a realidade, mas sim que não se trata de uma construção logicamente válida. Segundo uma das regras do silogismo, o termo médio deve ser, pelo menos uma vez, total. O termo médio (que no caso é “vertebrado”) é aquele que aparece nas duas premissas e permite estabelecer a ligação entre os outros dois termos. Essa regra não é atendida no segundo exemplo, pois os homens são alguns dentre os vertebrados, e eu sou um dos vertebrados.
  • 45. Os dois exemplos são falácias, sendo o primeiro uma falácia quanto à matéria, embora se trate de um argumento formalmente correto, enquanto o segundo é uma falácia quanto à forma, pois desatende uma regra do argumento válido.