Cap 16 Os Seguidores e os Críticos de Kant

1.698 visualizações

Publicada em

Idealistas e Realistas; o idealismo romântico na Alemanha; Fichte e Schelling; Georg Hegel; Kierkegaard; Arthur Schopenhauer; Friedrich Nietzsche.

Publicada em: Educação
2 comentários
2 gostaram
Estatísticas
Notas
Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.698
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
201
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
62
Comentários
2
Gostaram
2
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Cap 16 Os Seguidores e os Críticos de Kant

  1. 1. Profº José Ferreira Júnior
  2. 2.  A filosofia racionalista teve duas derivações principais: o idealismo e o realismo. Ambas foram fundadas pela crítica ao pensamento de Kant. Os IDEALISTAS abraçam a crítica da razão pura de Kant. Os REALISTAS se baseiam na crítica da razão prática. Idealistas e Realistas
  3. 3.  Com origem na Alemanha, a filosofia idealista propagou-se para a França e posteriormente para a Inglaterra, Itália e Estados Unidos. A preocupação científica manteve-se influente, mas agora com um sensível desenvolvimento da lógica, da psicologia, da filosofia da natureza, da filosofia política, bem como da estética, da educação e dos estudos sobre a linguagem. Idealistas e Realistas
  4. 4.  As bases do IDEALISMO vieram de Kant, que foi o primeiro a tentar conciliar os conflitos que opunham a realidade e a razão, assegurando a prioridade da mente sobre a natureza sem, contudo, invalidar os princípios da investigação científica. A ideia kantiana de LIBERDADE INTERIOR se tornou inspiração dos gênios criativos. O idealismo romântico na Alemanha
  5. 5.  O conceito de uma mente criativa e livre passou a fornecer a base para a ética, a estética e a religião. O movimento filosófico idealista desenvolveu-se intimamente ligado ao movimento artístico e literário denominado Romantismo. O Romantismo era caracterizado pela ideia de criatividade e liberdade de espírito. O idealismo romântico na Alemanha
  6. 6.  Causas históricas podem explicar o surgimento e a rápida expansão do idealismo na Alemanha.  Final do século XVIII e no começo do seguinte, a Alemanha encontrava-se totalmente fragmentada.  A nação era formada por aproximadamente 300 territórios independentes que competiam entre si.  Predominava na região o regime de servidão.  Qualquer manifestação de pensamento era vista como uma ameaça tolhida com rigor. O idealismo romântico na Alemanha
  7. 7.  A ideia de liberdade era divulgada, mas não a liberdade em si. Não havia liberdade na prática. O Romantismo teve início na Alemanha, mas alcançou toda a civilização ocidental. Atingiu a criação poética e literária com Goethe e Schiller, a música com Beethoven e Brahms, as artes plásticas com a Escola de Berlim, além da filosofia. O idealismo romântico na Alemanha
  8. 8.  O Romantismo nasceu como uma reação, principalmente dos jovens, contra o modelo racionalista apregoado pelo Iluminismo. Foi uma forma de conceber o homem não só como detentor de razão, mas também de sentimento. A aquisição do conhecimento era resultante da interação entre a razão e o sentimento. O idealismo romântico na Alemanha
  9. 9.  O Romantismo significou uma ruptura com a educação cristalizada, fundamentada apenas no desenvolvimento da razão, e conferiu ao ser humano o direito de ter a sua interpretação pessoal do mundo. Uma das características marcantes do Romantismo é o amor à natureza e à sua mística: o homem faz parte da natureza, assim como a natureza faz parte do homem. O idealismo romântico na Alemanha
  10. 10.  As personagens da literatura romântica são essencialmente portadoras de ideias, especialmente do ideal da liberdade. Algumas exprimem a rebeldia política e social, outras combatem os preconceitos aristocráticos. O idealismo romântico na Alemanha
  11. 11.  Fichte e Schelling
  12. 12.  O idealismo romântico (dialético), levou ao máximo a racionalidade da ideia. Os primeiros grande idealistas dialéticos foram: FICHTE  com predomínio dos aspectos éticos da filosofia; SCHELLING  com predomínio da natureza; HEGEL  com predomínio da ideia de absoluto. Fichte e Schelling
  13. 13.  Foi extremamente influenciado pela obra de Kant. Alcançou o posto de professor na Universidade de Iena ao apresentar um estudo sobre a filosofia kantiana, acrescentando-lhe algumas modificações, que a adequavam ao idealismo. Fichte e Schelling
  14. 14.  Teve que deixar a Universidade de Iena sob a acusação de ser ateu, transferindo-se para a Universidade de Berlim, onde foi nomeado seu primeiro reitor. Promoveu uma campanha nacionalista, de defesa e de unificação dos Estados alemães. Ficaram particularmente famosos seus Discursos à nação alemã, de 1807 e 1808. Fichte e Schelling
  15. 15.   É considerado o fundador do nacionalismo alemã, elemento fundamental na luta pela unificação do país, que só se consumaria em 1871.  Segundo seu idealismo, o pensamento do indivíduo é o único instrumento hábil para explicar a realidade  O espírito humano, livre e absoluto, poderia ser considerado o ponto de partida de todo e qualquer conhecimento que se pretende alcançar, demonstrando, assim, que a atividade de reflexão do homem possuiria um caráter infinito, ao explicar tudo o que existe ao seu redor. Fichte e Schelling
  16. 16.  O processo de conhecimento de um objeto se daria na chamada forma dialética, a qual caminharia sucessivamente pelas seguintes etapas: TESE ANTÍTESE SÍNTESE Fichte e Schelling
  17. 17.  TESE Primeiramente, a consciência se contemplaria a si mesma, num processo de autoanálise, descobrindo as suas determinações fundamentais, ou seja, o seu “eu absoluto”. Fichte e Schelling
  18. 18.  ANTÍTESE Na segunda etapa, esse “eu absoluto” entraria em confronto com os pensamentos inconscientes, contrários às suas próprias estipulações, que formariam o “não- eu”. Fichte e Schelling
  19. 19.  SÍNTESE Num terceiro momento, a partir do surgimento do choque de ideias entre o “eu absoluto” e o “não-eu”, aconteceria o pretendido conhecimento do objeto, promovendo, então, a unificação entre a realidade humana (mundo sensível) e seu pensamento (mundo inteligível). Da síntese reinicia-se o movimento do pensamento (tese – antítese – síntese). Fichte e Schelling
  20. 20.  Foi assistente e sucessor de Fichte na Universidade de Iena. Assim como seu mestre, que o influenciou, também partia do princípio da infinitude do pensamento, considerando como único conhecimento possível aquele que se estabelece na consciência do ser humano, em contraposição à ideia de que o homem conhece somente a partir de suas experiências concretas. Fichte e Schelling
  21. 21.  Suas ideias davam grande ênfase à natureza. Concebeu a natureza como uma totalidade viva e independente, que se basta e se explica a si mesma. Ela é o espírito adormecido que emerge como consciência de se mesmo no homem, como efeito da evolução. Fichte e Schelling
  22. 22.  A natureza e a consciência identificam-se no plano das ideias racionais contidas no chamado eu absoluto, superando, assim, qualquer oposição existente entre o sujeito e o objeto a ser conhecido. Por meio da atividade artística que se poderia captar de forma consciente o mundo exterior, devendo a filosofia apontar para esse caminho, como forma de encontrar o autoconhecimento pleno. Fichte e Schelling
  23. 23.  Georg Hegel O absoluto é o universal e uma ideia que, como autojustificativa, se particulariza num sistema de ideias determinadas. Hegel
  24. 24.  Nasceu em Stuttgart. Estudou filosofia e teologia na Universidade de Tübingen e foi um entusiasta da Revolução Francesa. Lecionou em Iena, Nuremberg, Heidelgerb e em Berlim. Georg Hegel
  25. 25.  Propôs-se a desenvolver uma série de critérios que possibilitassem ao homem um modo histórico de reflexão. Entendia que a forma de pensar do homem seria variável de acordo com o tempo. Assim, seria impossível determinar uma verdade universal. Georg Hegel
  26. 26.  A VERDADE UNIVERSAL seria válida para todos os homens em todas as suas gerações, ou seja, vigoraria independente do tempo e do espaço. A filosofia hegeliana apóia-se na própria história, uma vez que o pensamento humano se encontraria vinculado ao elemento temporal e o ser estaria em constante transformação. Georg Hegel
  27. 27.  Cada época, cada povo, teria sua própria verdade. A história constitui o ponto central das ideias de Hegel, uma vez que ela determina a maneira como as pessoas pensam e agem em determinado período de tempo. Georg Hegel
  28. 28.  O fundamento de uma ideia é o contexto em que ela se encontra inserida, ou seja, o tempo histórico será a condição necessária para determinarmos a racionalidade dessa forma de pensar. Exemplo: mulher (passado e presente). Georg Hegel
  29. 29.  O que o pensamento do filósofo realça é que cada época tem seus valores, sua verdade. O contexto histórico é configurado em uma determinada unidade de tempo, que se transforma pela adaptação aos conceitos estabelecidos pelo próprio homem, em um constante processo de mutabilidade. Georg Hegel
  30. 30.  Esse processo de mutabilidade é evolutivo: um pensamento está vinculado ao contexto histórico em que se insere e evolui à medida que acrescentamos algo novo. A humanidade está sempre se desenvolvendo, progredindo dentro dos respectivos contextos históricos, para encontrar a consciência de si mesma, o autoconhecimento. Hegel chama a isso de “espírito do mundo”. Georg Hegel
  31. 31.  Retomando o idealismo de Fichte, Hegel diz que a progressão do pensamento não acontece por força do acaso, mas por meio de um processo dialético que convém recordar. O processo dialético é formado pela contraposição de uma tese (ideia) a uma antítese (ideia contrária à tese), que dá origem a uma síntese (conclusão). A Dialética
  32. 32.  Um determinado pensamento sempre surgirá com base em pensamentos formulados anteriormente. Quando consolidado (tese), esse pensamento encontrará necessariamente uma forma de pensar oposta (antítese), o que ocasionará um elo. A Dialética
  33. 33.  Esse elo será rompido por um terceiro pensamento, que reunirá o que há de melhor em ambos (síntese). Esse terceiro pensamento formará uma nova tese, dando origem a um novo ciclo. A Dialética
  34. 34.  Se aplicarmos à própria história da filosofia as concepções hegelianas de tese-antítese-síntese, verificamos que os conhecimentos filosóficos avançaram seguindo esse movimento. A Dialética
  35. 35.  Exemplo: conhecimento do homem
  36. 36.  Considera o ser humano como parte de um todo, confirmando, desse modo, a grande importância atribuída pelo filósofo ao meio histórico em que o indivíduo está inserido. O chamado espírito do mundo somente pode ser compreendido tendo em conta uma determinada coletividade, da qual não podemos desligá-lo. A Dialética
  37. 37.  Conceito de espírito. “Mas que é o espírito? É o único Infinito Imutavelmente homgêneo – a Identidade pura – que, em sua segunda fase, se separa de si mesmo e faz desse segundo aspecto seu próprio oposto polar, ou seja, como existência por si e em si em contraste com o universal”. A Dialética
  38. 38.  O caminho para o autoconhecimento do ser humano rumo ao desenvolvimento do espírito do mundo deve passar por 3 etapas: 1ª - Razão Subjetiva 2ª - Razão Objetiva 3ª - Razão Absoluta A Dialética
  39. 39.  1ª - Razão Subjetiva Quando o espírito do mundo toma consciência de si mesmo no homem. 2ª - Razão Objetiva O espírito do mundo se conscientiza em nível social (família, sociedade civil e Estado). 3ª - Razão Absoluta O espírito do mundo atinge seu ponto mais elevado tomando consciência de si ao utilizar a filosofia, que demonstra seu papel no contexto histórico. A Dialética
  40. 40.  Na razão objetiva, encontra-se o Estado que consiste no grau máximo de agrupamento entre os diversos interesses contraditórios dos indivíduos que o compõem. A família e a sociedade civil estariam situadas em um patamar inferior ao do Estado, pois não teriam a possibilidade de superar os antagonismos que imperam na esfera social. O Estado
  41. 41.  Somente o Estado, único e soberano, pacificaria as possíveis tensões existentes na coletividade, pois, em seu manto, todos reconheceriam a necessidade de atuar em prol do bem comum. Essa concepção foi utilizada para fundamentar os Estados totalitários do século XX. O Estado
  42. 42.  O conceito de liberdade em Hegel está associado à noção de Estado. Identifica o Estado com o Absoluto, uma vez que o homem necessita da vida social para determinar a razão de seus pensamentos. O Estado é a instituição responsável por instaurar todo o corpo de leis que regula a vida social. O Estado
  43. 43.  Não há liberdade sem leis e onde há lei, há necessariamente liberdade, de modo que o emprego do termo liberdade é determinado pelo direito de obedecer à lei, uma vez que aquele que faz as leis e os que a cumprem fazem parte do mesmo todo, cujo objetivo é a realização plena da Verdade. O Estado
  44. 44.  Definição de Estado: “O Estado é a Ideia do Espírito na manifestação exterior da Vontade Humana e de sua Liberdade”. Hegel confere ao Estado o papel atribuído pelos filósofos medievais à Igreja. O Estado
  45. 45.  As relações entre Estados também estão acima das normas morais, e o que deve prevalecer é o interesse de cada Estado. Defende a concepção de que o Estado fundamentaria a própria sociedade, não sendo necessário recorrer à ideia de Estado de natureza. O Estado
  46. 46.  Kierkegaard e a Crítica ao Realismo A subjetividade é a verdade; a subjetividade é a realidade. Kierkegaard
  47. 47.  Nasceu em Copenhague, na Dinamarca. Proveniente de uma família de intelectuais abastados. Estudou teologia entre 1830 e 1840, atendendo aos desejos do pai. Suas várias e graves crises de fé o impediram de seguir carreira como pastor luterano. Com a morte do pai passou a viver da fortuna herdada. Vida
  48. 48.  Pensamento Filosófico  Contestou a supremacia da razão como único instrumento capaz de estabelecer a verdade, tal como Hegel propunha.  Como pensador cristão, defendeu o conhecimento que se origina da fé.  Afirmava que a existência humana possui três fases:  Fase estética;  Fase ética; e  Fase religiosa.
  49. 49.  Pensamento Filosófico  FASE ESTÉTICA: satisfação de seus desejos, guiado pelo prazer;  FASE ÉTICA: o indivíduo deixa-se guiar pela consciência do valor sobre o certo e o errado, do que é moral e justo. Vivencia o problema da liberdade e da contradição entre o prazer e o dever;  FASE RELIGIOSA: o indivíduo vai além da lei, da moral e da razão, deixando-se guiar pela fé.
  50. 50.  Pensamento Filosófico  Cabe ao homem escolher em que fase ele quer viver, já que se trata de fases que se excluem entre si.  Essas fases podem ser entendidas como etapas pelas quais o homem passa durante a sua existência.  Primeiro viria a estética, depois a ética e, por último, a religiosa, que seria a mais elevada.
  51. 51.  Pensamento Filosófico  Sua principal crítica à filosofia hegeliana se deve ao fato de ela não levar em consideração a subjetividade humana.  Para ele, nenhum sistema de pensamento consegue dar conta (pensar tudo) da experiência ampla e única da vida individual.
  52. 52.  Pensamento Filosófico Opondo-se à filosofia sistemática de Hegel e a seu caráter abstrato, procurou destacar as condições específicas da existência humana e incorporá-las às reflexões filosóficas. É normalmente considerado o “Pai do Existencialismo”.
  53. 53.  Pensamento Filosófico Em sua obra, procurou analisar os problemas da relação existencial do homem com o mundo, consigo mesmo e com Deus.
  54. 54.  Pensamento Filosófico  A RELAÇÃO DO HOMEM COM O MUNDO  É dominada pela angústia.  A angústia é entendida como o sentimento profundo que temos ao perceber a instabilidade de viver num mundo de acontecimentos possíveis, sem garantia de que nossas expectativas sejam realizadas.
  55. 55.  Pensamento Filosófico  A RELAÇÃO DO HOMEM CONSIGO MESMO  É marcada pela inquietação e pelo desespero.  Isso ocorre por duas razões fundamentais: ou porque o homem nunca está plenamente satisfeito com as possibilidades que realizou, ou  Porque não conseguiu realizar o que pretendia, esgotando os limites do possível e fracassando diante de suas expectativas.
  56. 56.  KIERKEGAARD: a experiência única da vida  A RELAÇÃO DO HOME COM DEUS  Seria talvez a única via para a superação da angústia e do desespero.  É marcada pelo paradoxo de ter de compreender pela fé o que é incompreensível pela razão.
  57. 57.  SCHOPENHAUER: Vida  Nasceu em Dantzing, na Alemanha.  Filho de comerciantes prósperos, estudou nas universidades de Göttingen, de 1809 a 1811, e de Berlim, de 1811 a 1813, tornando- se docente em 1819.  Seus ataques a Hegel o tornaram impopular e o levaram a fixar-se em Frankfurt, como escritor independente.
  58. 58.  SCHOPENHAUER: Vontade e Representação  Atacou com maior veemência o pensamento hegeliano.  Em sua opinião, Hegel seria um verdadeiro “charlatão”, ao construir sua filosofia segundo os interesses do Estado prussiano.  Referia-se a Hegel como um “acadêmico mercenário”.  Obra: O mundo como vontade e representação.
  59. 59.  SCHOPENHAUER: Vontade e Representação  Sustenta que, como o conhecimento é uma relação na qual o objeto é percebido pelo sujeito, o homem não conhece as coisas como elas são, mas como elas podem ser percebidas e interpretadas.  “Tudo o que o mundo inclui ou pode incluir é inevitavelmente dependente do sujeito, não existindo senão para o sujeito. O mundo é representação”.
  60. 60.  SCHOPENHAUER: Vontade e Representação Para existir o conhecimento do mundo, é preciso existir o sujeito. A representação do mundo seria para ele como uma “ilusão”, pois o objeto conhecido é condicionado pelo sujeito.
  61. 61.  SCHOPENHAUER: Vontade e Representação Mas, admite ser possível alcançar a essência das coisas, através do insight intuitivo, uma espécie de iluminação. Nesse processo, a arte teria grande relevância, pois a atividade estética permitiria ao homem a compreensão da verdade.
  62. 62.  SCHOPENHAUER: Vontade e Representação  Pela arte, o sujeito se desprenderia de sua individualidade para fundir-se no objeto, numa entrega pura e plena.  Sua filosofia se caracteriza por uma visão pessimista do homem e da vida.  O ser humano seria essencialmente vontade, o que o levaria a desejar sempre mais, produzindo uma insatisfação constante.
  63. 63.  SCHOPENHAUER: Vontade e Representação  Essa vontade, que se expressa nas ações humanas, seria parte de uma vontade que anima todas as coisas da natureza.  Se a essência do homem e do mundo é essa vontade insaciável, Shopenhauer identifica aí a origem das lutas entre os homens, da dor e do sofrimento.
  64. 64.  SCHOPENHAUER: Vontade e Representação A história é a história de lutas, onde “a infelicidade é a norma”, a regra geral. Apenas pela arte a ascese, ou seja, o abandono de si, pode o homem se libertar da dor.
  65. 65.  Friedrich Nietzsche A moral não subsiste quando falta um Deus que a sancione. O além é absolutamente necessário quando se quer conservar sinceramente a fé na moral. Nietzsche
  66. 66.   Nascido em Röcken, perto de Leipzig, na Alemanha.  Era filho e neto de pastores protestantes.  Em 1858, conseguiu uma bolsa de estudos na escola de Pforta.  Na juventude, foi bastante influenciado pelo Romantismo, tornando-se admirador de Schiller, que mais tarde iria criticar.  Na adolescência estudou a Bíblia e os autores clássicos da cultura grega. Friedrich Nietzsche
  67. 67.   Em Bonn estudou filosofia e teologia, passando por um curto período de intensa boemia.  Em 1869, tornou-se professor de filologia grega na Universidade da Basiléia, na Suíça.  Em 1879 deixou de dar aulas, devido à saúde precária.  De 1883 a 1885, escreve sua principal obra, Assim falou Zaratustra (expõe as ideias do eterno retorno e da derrota da moral cristã pelo super-homem). Friedrich Nietzsche
  68. 68.  Em 1889, sofre uma crise de loucura da qual não se recuperará até sua morte. Nietzsche considerava-se o sucessor de Schopenhauer e defendeu a primazia da vontade. A parte mais significativa do seu pensamento refere-se à ética e à crítica da religião (1872), marca o início da reflexão sobre a cultura grega e sua influência no desenvolvimento do pensamento ocidental. Friedrich Nietzsche
  69. 69.  Segundo Nietzsche, existem dois elementos fundamentais e antagônicos:  ESPÍRITO APOLÍNEO: que representa a ordem, a harmonia e a razão; vinculado ao deus Apolo, símbolo da luz, da razão e da beleza masculina, associado à música e à poesia, às profecias e à moralidade.  ESPÍRITO DIONISÍACO: que representa o sentimento, a ação e a emoção; ligava-se a Dioniso, deus grego do vinho e da fertilidade, símbolo do drama. Friedrich Nietzsche
  70. 70.   Na cultura ocidental, o espírito apolíneo é mais forte do que o dionisíaco, e o papel da filosofia seria o de libertar o homem dessa tradição para encontrar-se com o niilismo.  O niilismo de Nietzsche conduz o homem ao encontro de valores que sejam afirmativos de sua existência real, de sua vontade de poder, para que possa escapar dos valores e das crenças tradicionais, como aqueles impostos pelo cristianismo, que pregou valores distintos. Friedrich Nietzsche
  71. 71.   Na obra A origem da tragédia no espírito da música, afirma que a verdadeira virtude do homem havia sido corretamente trabalhada pelos pré-socráticos, que consagravam a liberdade do elemento emocional.  A moral defendida por Nietzsche é radicalmente anticristã e o seu objetivo último é o poder.  Para Nietzsche a verdadeira virtude é característica de uma minoria de indivíduos, que deve sobrepujar as massas medíocres, formadas por homens “inferiores”, que cultivam essencialmente o ressentimento. Friedrich Nietzsche
  72. 72.  O ETERNO RETORNO pode ser considerado a fórmula que sintetiza todo o pensamento de Nietzsche. Coloca-se em oposição frontal ao platonismo e ao cristianismo, considerando-os uma espécie de platonismo popular. Rejeita qualquer distinção entre este mundo e outro, seja o mundo inteligível de Platão ou o paraíso cristão. Friedrich Nietzsche
  73. 73.  Para Nietzsche, só este mundo é real com suas cores e movimentos, em constante mudança. Não admite a existência de uma outra realidade que seja inteligível, única e imutável. Nega a existência de uma verdade necessária e universal. Friedrich Nietzsche
  74. 74.   Para ele, há apenas perspectivas diversas sobre um real que está em permanente transformação e que se repete num eterno retorno.  Segundo Nietzsche, devemos aceitar a vida como ela é, e o eterno retorno consistiria num verdadeiro teste pelo qual o homem deveria passar: a vida, revivida inúmeras vezes, não trazendo nada de novo, tudo ocorrendo na mesma ordem e na mesma sucessão, pode levá-lo à destruição ou à exaltação, dependendo de sua capacidade para superar e admitir essa contínua repetição. Friedrich Nietzsche
  75. 75.  Friedrich Nietzsche  Nietzsche considerava o super-homem como a própria expressão da vontade de poder, determinando a nova ordem de valores.  Um líder guerreiro, altamente disciplinado, capaz de ser cruel quando as suas conquistas o exigirem.
  76. 76.   Nietzsche considera que o cristianismo tem um efeito degenerativo, porque doma o espírito e enfraquece a vontade de poder com a sua condenação do orgulho, da paixão, da cólera, dos instintos de guerra e de conquista.  O filósofo deplora o arrependimento e a redenção; em vez da figura do santo cristão, em sua essência, é a própria vontade de poder, desvinculado dos conceitos cultivados pela sociedade.  O santo cristão é um produto da medo do inferno, e não do amor à humanidade. Friedrich Nietzsche
  77. 77.   Apenas a vontade de poder permite ao homem ultrapassar a si mesmo, em direção ao super-homem.  O filósofo afirma:  O super-homem é o sentido da terra. Eu vos conjuro, irmãos meus, a que permaneçais fiéis ao sentido da terra e não presteis fé aos que falam de esperanças supraterrenas.  Na obra Assim falou Zaratustra, composta de vários discursos, expõe as suas ideias sobre o homem e o seu comportamento diante de uma realidade desordenada, sem princípio, meio e fim. Friedrich Nietzsche
  78. 78.   Só resta ao homem, diante do espetáculo irracional do mundo, adotar três posturas: ser fraco, forte ou inocente.  Para explicar essas atitudes, recorre a uma metáfora envolvendo as figuras do camelo, do leão e do menino.  Assim, o homem passa da situação de:  CAMELO: que aceita, ou melhor, carrega todos os valores;  LEÃO: que se revolta contra esses mesmos valores;  CRIANÇA: que é capaz de esquecer, de recomeçar, de aceitar o jogo natural da criação e da vida. Friedrich Nietzsche
  79. 79.   CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. São Paulo: Ática, 2012. Referência Bibliográfica

×