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Variação Linguística
A língua é viva!
1. Sotaque/ Dialeto/ Variação Linguística
Assaltante Nordestino :
" Ei, bixim... Isso é um assalto... Arriba os braços e num se bula
nem faça munganga... Passa vexado o dinheiro senão eu planto a
peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora...
Perdão meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da
moléstia..."
Assaltante Mineiro :
"Ô sô, prestenção... Isso é um assartin, uai... Levanto os braço e
fica quetin quesse trem na minha mão tá cheio de bala... Ói, passa
logo os trocado que eu num tô bão hoje... Vai andando, uai, tá
esperando o que, meu fi."
Assaltante Gaúcho :
" O gurí, ficas atento... Báh, isso é um assalto... Levantas os
braços e te aquieta, tchê! Não tente nada e tome cuidado que esse
facão corta que é uma barbaridade! Passa os pilas prá cá! E te
manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala!!"
Assaltante Carioca :
" Seguiiiinnte, bicho... Tu se f... isso é um assalto...
Aí, passa a grana e levanta os braços rapá... Não fica de bobeira que eu
atiro bem pa c... Vai andando e se olhar pra trás vira presunto..."
Assaltante Baiano :
" Ô meu rei...(longa pausa)... isso é um assalto... Levanta os braços,
mas não se avexe não...(outra pausa) Se num quiser nem precisa
levantar, pra num ficar cansado... Vai passando a grana (pausa), bem
devagarinho... Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar
muito pesado... Não esquento, meu irmãozinho, vou deixar teus
documentos na próxima encruzilhada...
Assaltante Paulista :
" Ôrra, meu... Isso é um assalto, meu... Alevanta os braços, meu... Passa
a grana logo, meu... Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a
bilheteria aberta pa comprar o ingresso do jogo do Curintia, meu... Pô,
se manda, mano..."
2. Linguagem culta ou padrão
• Ensinada nas escolas;
• Obediência às normas gramaticais
3. Linguagem informal ou popular
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
Oswald de Andrade ANDRADE, O. Obras completas, Volumes 6-7. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972
• É a língua do cotidiano;
• Situações familiares ou entre amigos;
4. Variação Histórica
“De ponta a ponta, é tudo praia... Muito chã e
muito formosa. Nela, até agora, não pudemos
saber que haja ouro nem prata... Porém a terra
em si é de muitos bons ares, assim frios e
temperados... Águas são muitas; infindas. E em
tal maneira é graciosa, que querendo-a
aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das
águas que tem (...)
(A Carta de Pero Vaz de Caminha)
• Ocorre em um determinado período de
tempo;
• Mudanças de grafia ou de significado
5. Variação Regional
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
(Oswald de Andrade - Literatura comentada. São
Paulo, Nova Cultural, 1988
6. Variação Social ou cultural: Jargões
• Ligada aos grupos sociais e ao grau de
instrução de uma determinada pessoa;
• Jargão: expressão ou palavra comum a
um grupo de profissionais.
7. Variação Social ou cultural: Gírias
• Linguagem de caráter popular, criada e
usada por determinados grupos
8. Adequação Linguística
Gerente: — Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo?
Cliente: — Estou interessado em financiamento para compra
de veículo.
Gerente: — Nós dispomos de várias modalidades de crédito.
O senhor é nosso cliente?
Cliente: — Sou Júlio César Fontoura, também sou
funcionário do banco.
Gerente: — Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em
Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de
Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma.
BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna.
São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).
• habilidade que os falantes possuem de
adaptar a linguagem de acordo com a
necessidade do momento
• variedade padrão ou a variedade popular,
também conhecida como linguagem coloquial.
Vamos praticar?
1. Marque a alternativa correta:
a) variação regional é aquela que sofre mudanças ao
longo do tempo.
b) variação regional ocorre de acordo com a cultura de
determinada região.
c) variação regional é a linguagem utilizada por pessoas
de maior prestigio social.
d) variação regional é a linguagem utilizada pelos
cantores de rap.
2. “Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles
e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam
anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os
janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-
alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses
debaixo do balaio." (Carlos Drummond de Andrade)
Após a leitura do trecho acima, marque as palavras que
estão em dususo.
a) Antigamente, geral, moças
b) arrastando, longos, anos
c) mademoiselles, prendadas, janotas
d) dezoito, completavam, debaixo
3. Evanildo Bechara (professor e gramático)
defende que o aluno deva ser poliglota em sua
própria língua. “Ninguém vai a praia de fraque ou
de chinelo ao municipal”. A afirmativa que melhor
define o que Bechara quis dizer é:
a) Devemos usar sempre a variedade formal.
b) Precisamos conheceras variantes linguísticas,
mas não usar gírias.
c) Precisamos entender as variações existentes no
Português para poder fazer uso adequado.
d) Precisamos falar várias línguas.
4. Leia a letra da música “Saudosa maloca” e responda:
“Si o senhor não “tá” lembrado
Dá licença de “conta”
Que aqui onde agora está
Esse adifício arto
Era uma casa véia
Um palacete assobradado
Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímos nossa maloca
Mas um dia, nóis nem pode se alembrá
Veio os homis c'as ferramentas
O dono mandô derrubá (...)”
A letra dessa música é um exemplo de linguagem:
a) culta ou padrão
b) popular ou coloquial
c) jargão
d) formal
5.“Iscute o que tô dizendo.
Seu dotô, seu coroné:
De fome tão padecendo.
Meus fio e minha muié”
(Patativa do Assaré)
A partir da análise da linguagem utilizada no poema, infere-se
que o eu lírico revela-se como falante de uma variedade
linguística específica. Esse falante em seu grupo social, é
identificado como um falante:
a) escolarizada proveniente de uma metrópole
b) estrangeiro que imigrou para uma comunidade do sul do país
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Variação linguística

  • 2. A língua é viva!
  • 3. 1. Sotaque/ Dialeto/ Variação Linguística
  • 4. Assaltante Nordestino : " Ei, bixim... Isso é um assalto... Arriba os braços e num se bula nem faça munganga... Passa vexado o dinheiro senão eu planto a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora... Perdão meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da moléstia..." Assaltante Mineiro : "Ô sô, prestenção... Isso é um assartin, uai... Levanto os braço e fica quetin quesse trem na minha mão tá cheio de bala... Ói, passa logo os trocado que eu num tô bão hoje... Vai andando, uai, tá esperando o que, meu fi." Assaltante Gaúcho : " O gurí, ficas atento... Báh, isso é um assalto... Levantas os braços e te aquieta, tchê! Não tente nada e tome cuidado que esse facão corta que é uma barbaridade! Passa os pilas prá cá! E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala!!"
  • 5. Assaltante Carioca : " Seguiiiinnte, bicho... Tu se f... isso é um assalto... Aí, passa a grana e levanta os braços rapá... Não fica de bobeira que eu atiro bem pa c... Vai andando e se olhar pra trás vira presunto..." Assaltante Baiano : " Ô meu rei...(longa pausa)... isso é um assalto... Levanta os braços, mas não se avexe não...(outra pausa) Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado... Vai passando a grana (pausa), bem devagarinho... Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado... Não esquento, meu irmãozinho, vou deixar teus documentos na próxima encruzilhada... Assaltante Paulista : " Ôrra, meu... Isso é um assalto, meu... Alevanta os braços, meu... Passa a grana logo, meu... Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pa comprar o ingresso do jogo do Curintia, meu... Pô, se manda, mano..."
  • 6. 2. Linguagem culta ou padrão
  • 7. • Ensinada nas escolas; • Obediência às normas gramaticais
  • 8. 3. Linguagem informal ou popular Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro. Oswald de Andrade ANDRADE, O. Obras completas, Volumes 6-7. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972
  • 9. • É a língua do cotidiano; • Situações familiares ou entre amigos;
  • 10. 4. Variação Histórica “De ponta a ponta, é tudo praia... Muito chã e muito formosa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro nem prata... Porém a terra em si é de muitos bons ares, assim frios e temperados... Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa, que querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem (...) (A Carta de Pero Vaz de Caminha)
  • 11. • Ocorre em um determinado período de tempo; • Mudanças de grafia ou de significado
  • 12. 5. Variação Regional Vício na fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados (Oswald de Andrade - Literatura comentada. São Paulo, Nova Cultural, 1988
  • 13.
  • 14. 6. Variação Social ou cultural: Jargões
  • 15. • Ligada aos grupos sociais e ao grau de instrução de uma determinada pessoa; • Jargão: expressão ou palavra comum a um grupo de profissionais.
  • 16. 7. Variação Social ou cultural: Gírias
  • 17. • Linguagem de caráter popular, criada e usada por determinados grupos
  • 18. 8. Adequação Linguística Gerente: — Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo? Cliente: — Estou interessado em financiamento para compra de veículo. Gerente: — Nós dispomos de várias modalidades de crédito. O senhor é nosso cliente? Cliente: — Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do banco. Gerente: — Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma. BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).
  • 19. • habilidade que os falantes possuem de adaptar a linguagem de acordo com a necessidade do momento • variedade padrão ou a variedade popular, também conhecida como linguagem coloquial.
  • 21. 1. Marque a alternativa correta: a) variação regional é aquela que sofre mudanças ao longo do tempo. b) variação regional ocorre de acordo com a cultura de determinada região. c) variação regional é a linguagem utilizada por pessoas de maior prestigio social. d) variação regional é a linguagem utilizada pelos cantores de rap.
  • 22. 2. “Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de- alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio." (Carlos Drummond de Andrade) Após a leitura do trecho acima, marque as palavras que estão em dususo. a) Antigamente, geral, moças b) arrastando, longos, anos c) mademoiselles, prendadas, janotas d) dezoito, completavam, debaixo
  • 23. 3. Evanildo Bechara (professor e gramático) defende que o aluno deva ser poliglota em sua própria língua. “Ninguém vai a praia de fraque ou de chinelo ao municipal”. A afirmativa que melhor define o que Bechara quis dizer é: a) Devemos usar sempre a variedade formal. b) Precisamos conheceras variantes linguísticas, mas não usar gírias. c) Precisamos entender as variações existentes no Português para poder fazer uso adequado. d) Precisamos falar várias línguas.
  • 24. 4. Leia a letra da música “Saudosa maloca” e responda: “Si o senhor não “tá” lembrado Dá licença de “conta” Que aqui onde agora está Esse adifício arto Era uma casa véia Um palacete assobradado Foi aqui seu moço Que eu, Mato Grosso e o Joca Construímos nossa maloca Mas um dia, nóis nem pode se alembrá Veio os homis c'as ferramentas O dono mandô derrubá (...)” A letra dessa música é um exemplo de linguagem: a) culta ou padrão b) popular ou coloquial c) jargão d) formal
  • 25. 5.“Iscute o que tô dizendo. Seu dotô, seu coroné: De fome tão padecendo. Meus fio e minha muié” (Patativa do Assaré) A partir da análise da linguagem utilizada no poema, infere-se que o eu lírico revela-se como falante de uma variedade linguística específica. Esse falante em seu grupo social, é identificado como um falante: a) escolarizada proveniente de uma metrópole b) estrangeiro que imigrou para uma comunidade do sul do país c) idoso que habita numa comunidade urbana d) escolarizado que habita uma comunidade do interior do país e) sertanejo morador de uma área rural