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brasileiros
Desnudando a sociedade em verde e a amarelo
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REALISMO NATURALISMO
Romance documental, apoiado na observação e na
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Voltada aos documentos, “fotografa” a realidade,
busca a impressão da vida real.
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interior, por meio da análise psicológica.
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burguesia urbana.
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conclusões.
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cabendo ao leitor aceitá-las ou discuti-las.
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• Linguagem forte, de riqueza
plástica e sonora
Angra dos Reis (RJ), 1863 / Rio de Janeiro (RJ), 1895
Obra de inspiração autobiográfica, conta as memórias do
narrador-personagem Sérgio de quando ele estudava no
internato Ateneu. Separado de sua mãe aos onze anos, é
levado pelo pai ao colégio interno Ateneu, cujo dono,
Aristarco agia como o imperador do colégio, mais
preocupado com o lucro do que com a questão pedagógica.
Em um mundo de moral rebaixada, o garoto Sérgio tem
contato com várias personagens, dentre elas, pederastas,
aproveitadores que se passavam por protetores; e várias
atitudes, como a ganância e a prepotência. Assassinato,
amizades por interesse em uma sucessão de críticas ao
comportamento humano. O colégio termina incendiado e
assim se dá o fim do Ateneu.
Aluísio Azevedo
• Abolicionista convicto, entrou na literatura por conta de
dificuldades financeiras
• Choca a população de São Luís com a publicação de O Mulato
• Ganha o apelido de o Satanás da cidade
• Alterna obras de valor literário com publicações de encomenda, os
chamados romances de encomenda
• Prefere descrições objetivas e fortes
• Uso de sinestesias
São Luís (MA), 1857 / Buenos Aires (ARG), 1910
O Mulato
Raimundo é orfão de pai e vive afastado da mãe, uma ex-
escrava. Volta da Europa formado para viver com o seu tio e
tutor, Manuel Pescada, e acaba se interessando por sua filha,
Ana Rosa. A paixão é correspondida, mas a família da moça
não quer a união devido ao rapaz ser mulato. Quem mais se
empenha contra o romance é Padre Diogo, responsável pela
morte do pai de Raimundo, que o flagrara em pleno ato
sexual com sua esposa. Raimundo, desiludido após ter
negada a possibilidade de ficar com Ana Rosa por ser filho de
uma negra, decide partir; Ana Rosa, porém, pede que ele
fique e a moça acaba engravidando. Os dois planejam a fuga,
mas têm os planos frustrados por Diogo e Dias, um caixeiro
de Manuel que queria a mão de Ana Rosa. Quando volta
para sua casa, Raimundo é morto por um tiro de Dias. Ana
Rosa, ao vê-lo morto, aborta. Anos depois, porém, ela
aparece em uma recepção oficial, casada com Dias,
preocupada com os três filhos que eles deixaram dormindo
em casa. Padre Diogo é promovido a Cônego. O mal triunfa,
associado à igreja corrupta e ao comércio burguês.
Casa de pensão
Amâncio é um jovem que vem do Maranhão para o Rio de
Janeiro para estudar medicina, hospedando-se na casa de
um conhecido da família. O modo de vida boêmio que adota,
porém, o leva a desentendimentos na casa, o que faz com
que se mude para uma pensão. O seu dono, João Coqueiro,
lhe fora apresentado por seu grande amigo Paiva Rocha, que
também viera do Maranhão. Lá, ele se envolve com Amélia,
irmã de João Coqueiro. Ele e sua mulher, Mme. Brizard, usam
o caso para envolver Amâncio em uma série de tramas,
explorando-o e lhe tirando dinheiro. Sufocado pelo ambiente
asfixiante e corrupto da pensão, Amâncio decide voltar para
o Maranhão para ver a mãe, que acabara de se tornar viúva.
Suspeitando da viagem de Amâncio, João Coqueiro consegue
a prisão do estudante sob a acusação de defloramento.
Depois de rumoroso julgamento, Amâncio é inocentado;
inconformado com o veredito, João Coqueiro o mata com um
tiro.
João Romão é um português ambicioso que
consegue abrir um pequeno estabelecimento
comercial. Ele junta-se então a uma escrava fugida,
Bertoleza, sua vizinha e aproveita-se do dinheiro
dela para conseguir aumentar sua propriedade.
Começa, então, a alugar pequenas casas.
O negócio da certo, e os cubículos vão se
multiplicando, gerando o cortiço. Uma enorme
variedade de tipos humanos passa a habitar o local,
trabalhando na pedreira montada pelo próprio João
Romão e comprando em seu armazém. O único
incomodado com o crescimento do cortiço é o
também português Miranda, de classe mais elevada.
Entre os tipos que vivem no cortiço estão a
Machona, lavadeira gritalhona; Pombinha, moça
franzina que se desencaminha por influência das
más companhias; Rita Baiana, mulata faceira que
andava amigada na ocasião com Firmo, malandro
valentão; Jerônimo e sua mulher, entre outros.
Outro cortiço se forma na mesma rua, sendo
apelidado de "Cabeça-de-Gato". Os moradores do
Cabeça-de-Gato, por sua vez, apelidam os
moradores do cortiço de "Carapicus". Há uma
rivalidade entre os moradores dos dois cortiços,
agravada pela disputa entre Jerônimo e Firmo por
Rita Baiana, pois Firmo se muda para o Cabeça-de-
Gato. O conflito só acaba após um misterioso
incêndio, que conta com o auxílio do próprio João
Romão que destrói parte do cortiço.
O português, porém, recebe o seguro e reconstrói o
cortiço e tornando-o ainda mais próspero. O seu
sonho passa a ser casar com uma moça de família
para conseguir mais status, e seu alvo passa a ser a
filha de Miranda, Zulmira. Após os acertos de
interesse entre os dois patrícios, João Romão decide
se livrar da escrava Bertoleza, para abrir caminho
para o casamento.
Para isso, ele entrega aos antigos donos da negra o
seu paradeiro. Bertoleza, que acreditava ser livre
graças a uma falsa carta de alforria dada há tempos
por João Romão, rapidamente percebe a traição e se
mata, com a mesma faca que usava para preparar as
refeições do português.
O romance trata, de fato, do nascimento, vida e
morte do próprio cortiço, transformando o espaço
em personagem principal da obra.
O cortiço
Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti.
Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação.
Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a
tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com
artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da
meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios.
O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de
pedagogo. Eram boletins de propaganda pelas províncias, conferências em diversos pontos da cidade, a pedidos, à substância,
atochando a imprensa dos lugarejos, caixões, sobretudo, de livros elementares, fabricados às pressas com o ofegante e esbaforido
concurso de professores prudentemente anônimos, caixões e mais caixões de volumes cartonados em Leipzig, inundando as escolas
públicas de toda a parte com a sua invasão de capas azuis, róseas, amarelas, em que o nome de Aristarco, inteiro e sonoro, oferecia-
se ao pasmo venerador dos esfaimados de alfabeto dos confins da pátria. Os lugares que não procuravam eram um belo dia
surpreendidos pela enchente, gratuita, espontânea, irresistível! E não havia senão aceitar a farinha daquela marca para o pão do
espírito.
POMPÉIA, R. O Ateneu. São Paulo: Scipione, 2005.
Ao descrever o Ateneu e as atitudes de seu diretor, o narrador revela um olhar sobre a inserção social do colégio demarcado pela
(A) ideologia mercantil da educação, repercutida nas vaidades pessoais.
(B) interferência afetiva das famílias, determinantes no processo educacional.
(C) produção pioneira de material didático, responsável pela facilitação do ensino.
(D) ampliação do acesso à educação, com a negociação dos custos escolares.
(E) cumplicidade entre educadores e famílias, unidos pelo interesse comum do avanço social.
Abatidos pelo fadinho harmonioso e nostálgico dos desterrados, iam todos, até mesmo os
brasileiros, se concentrando e caindo em tristeza; mas, de repente, o cavaquinho de Porfiro,
acompanhado pelo violão do Firmo, romperam vibrantemente com um chorado baiano. Nada mais
que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse
logo, como se alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E seguiram-se outra notas, e
outras, cada vez mais ardentes e mais delirantes. Já não eram dois instrumentos que soavam, eram
lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente, a correrem serpenteando, como cobras numa
floresta incendiada; eram ais convulsos, chorados em frenesi de amor: música feita de beijos e
soluços gostosos; carícia de fera, carícia de doer, fazendo estalar de gozo.
AZEVEDO, A. O Cortiço . São Paulo: Ática, 1983 (fragmento).
No romance O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, as personagens são observadas como elementos
coletivos caracterizados por condicionantes de origem social, sexo e etnia. Na passagem transcrita,
o confronto entre brasileiros e portugueses revela prevalência do elemento brasileiro, pois
A. destaca o nome de personagens brasileiras e omite o de personagens portuguesas.
B. exalta a força do cenário natural brasileiro e considera o do português inexpressivo.
C. mostra o poder envolvente da música brasileira, que cala o fado português.
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Realismo-naturalismo brasileiros

  • 1. Realismo e Naturalismo brasileiros Desnudando a sociedade em verde e a amarelo
  • 2. Momento histórico brasileiro • Fim da Guerra do Paraguai (1865-1870) • Declínio da monarquia brasileira junto a parcelas consideráveis da população • Fundação do Partido Republicano • Influência positivista e republicana no seio do Exército • Princípio da imigração europeia • A ordem imperial é mantida apenas por grupos de latifundiários conservadores que luta contra a abolição • Fim da escravatura em 1888 • Proclamação da República em novembro de 1889. • Ainda que nascesse de um golpe de estado e não tivesse nenhuma proposta radical de alteração do status quo, a República contaria com significativo apoio popular e traria progresso para o país, sobremodo a partir da virada do século. Pedro Américo, A batalha do Avaí
  • 3. Características estéticas do período • Anatomia do caráter • Crítica do homem • Análise psicológica das personagens • Relaciona-se aos problemas sociais, ao ambiente urbano e a elementos do cotidiano. • Determinismo, negando a existência do livre-arbítrio. • Amor fisiológico: o enfoque do adultério • Preferência pelo presente, pelo contemporâneo • Caráter anticlerical, antirromântico e antiburguês
  • 4. REALISMO NATURALISMO Romance documental, apoiado na observação e na análise da realidade. Romance experimental, apoiado na experimentação científica. Valorização da racionalidade: inteligência Valorização do instinto: atitudes animalescas, brutas Voltada aos documentos, “fotografa” a realidade, busca a impressão da vida real. Cria experiências que geram conclusões a que não se chegaria apenas pela observação. Arte desinteressada, impassibilidade. Arte engajada, de denúncia; preocupações políticas e sociais. Seleção de temas, mantendo aspirações estéticas Apresentação de aspectos torpes e degradantes. Reprodução da realidade exterior, bem como da interior, por meio da análise psicológica. Centrado nos aspectos exteriores: atos, gestos e ambientes. Apoio na psicologia, visão sobre o indivíduo (homem). Preferência pela biologia, a patologia (evolucionismo – zoomorfismo) e (determinismo - ambiente coletivo) Retrata e critica as classes dominantes, a alta burguesia urbana. Retrata as camadas inferiores, o proletariado, os marginalizados. Sugestão possibilidades. É o leitor quem tira as suas conclusões. Assertivo nos conceitos. Expõe conclusões (tese), cabendo ao leitor aceitá-las ou discuti-las. Grande preocupação com o estilo. O estilo é relegado a segundo plano; no primeiro, está a denúncia.
  • 5. Pulp fiction A literatura brasileira do final do século XIX
  • 6. O submundo literário • Barateamento da produção dos livros • Ampliação do mercado editorial • Publicações baratas voltadas ao público desfavorecido financeiramente • Capas com desenhos atraentes, exóticos, sensacionalistas e chocantes • Grande sucesso de vendas • Limites éticos da sociedade • Temas sobre sexo, violência, crimes e mistérios • Personagens com atitudes fora das regras sociais
  • 7. Romances de sensação • Tramas para impactar e produzir “sensação” • Romances populares • Temas sobre violência, crimes e mistérios • Escrita direta e de facílima leitura • Comportamento moral condenável • Narrativas predominantemente em terceira pessoa • Temas: Perda da virgindade antes do casamento, jovens raptadas por homens cruéis, filhos abandonados pelos pais, aparições de fantasmas que vinham cobrar dos vivos promessas quebradas. Elzira, a morta virgem Os estranguladores do Rio A emparedada da rua nova.
  • 8. Romances para homens • Literatura proibida para mulheres • Relacionamentos proibidos • Prazeres sem fim • Desejos consumados • Personagens políticos e nobres, padres e freiras • Hipocrisia do ambiente religioso • Homossexualidade e “perversões” sexuais • Narrativas predominantemente em primeira pessoa Amar, gozar, morrer O aborto Cartas Pornográficas de D. Pedro I Serões do Convento
  • 10. O Ateneu Raul Pompeia • Caricaturista social • Vida boêmia • Republicano e florianista • O Ateneu: entre o realismo, o naturalismo e o impressionismo • Linguagem forte, de riqueza plástica e sonora Angra dos Reis (RJ), 1863 / Rio de Janeiro (RJ), 1895 Obra de inspiração autobiográfica, conta as memórias do narrador-personagem Sérgio de quando ele estudava no internato Ateneu. Separado de sua mãe aos onze anos, é levado pelo pai ao colégio interno Ateneu, cujo dono, Aristarco agia como o imperador do colégio, mais preocupado com o lucro do que com a questão pedagógica. Em um mundo de moral rebaixada, o garoto Sérgio tem contato com várias personagens, dentre elas, pederastas, aproveitadores que se passavam por protetores; e várias atitudes, como a ganância e a prepotência. Assassinato, amizades por interesse em uma sucessão de críticas ao comportamento humano. O colégio termina incendiado e assim se dá o fim do Ateneu.
  • 11. Aluísio Azevedo • Abolicionista convicto, entrou na literatura por conta de dificuldades financeiras • Choca a população de São Luís com a publicação de O Mulato • Ganha o apelido de o Satanás da cidade • Alterna obras de valor literário com publicações de encomenda, os chamados romances de encomenda • Prefere descrições objetivas e fortes • Uso de sinestesias São Luís (MA), 1857 / Buenos Aires (ARG), 1910
  • 12. O Mulato Raimundo é orfão de pai e vive afastado da mãe, uma ex- escrava. Volta da Europa formado para viver com o seu tio e tutor, Manuel Pescada, e acaba se interessando por sua filha, Ana Rosa. A paixão é correspondida, mas a família da moça não quer a união devido ao rapaz ser mulato. Quem mais se empenha contra o romance é Padre Diogo, responsável pela morte do pai de Raimundo, que o flagrara em pleno ato sexual com sua esposa. Raimundo, desiludido após ter negada a possibilidade de ficar com Ana Rosa por ser filho de uma negra, decide partir; Ana Rosa, porém, pede que ele fique e a moça acaba engravidando. Os dois planejam a fuga, mas têm os planos frustrados por Diogo e Dias, um caixeiro de Manuel que queria a mão de Ana Rosa. Quando volta para sua casa, Raimundo é morto por um tiro de Dias. Ana Rosa, ao vê-lo morto, aborta. Anos depois, porém, ela aparece em uma recepção oficial, casada com Dias, preocupada com os três filhos que eles deixaram dormindo em casa. Padre Diogo é promovido a Cônego. O mal triunfa, associado à igreja corrupta e ao comércio burguês. Casa de pensão Amâncio é um jovem que vem do Maranhão para o Rio de Janeiro para estudar medicina, hospedando-se na casa de um conhecido da família. O modo de vida boêmio que adota, porém, o leva a desentendimentos na casa, o que faz com que se mude para uma pensão. O seu dono, João Coqueiro, lhe fora apresentado por seu grande amigo Paiva Rocha, que também viera do Maranhão. Lá, ele se envolve com Amélia, irmã de João Coqueiro. Ele e sua mulher, Mme. Brizard, usam o caso para envolver Amâncio em uma série de tramas, explorando-o e lhe tirando dinheiro. Sufocado pelo ambiente asfixiante e corrupto da pensão, Amâncio decide voltar para o Maranhão para ver a mãe, que acabara de se tornar viúva. Suspeitando da viagem de Amâncio, João Coqueiro consegue a prisão do estudante sob a acusação de defloramento. Depois de rumoroso julgamento, Amâncio é inocentado; inconformado com o veredito, João Coqueiro o mata com um tiro.
  • 13. João Romão é um português ambicioso que consegue abrir um pequeno estabelecimento comercial. Ele junta-se então a uma escrava fugida, Bertoleza, sua vizinha e aproveita-se do dinheiro dela para conseguir aumentar sua propriedade. Começa, então, a alugar pequenas casas. O negócio da certo, e os cubículos vão se multiplicando, gerando o cortiço. Uma enorme variedade de tipos humanos passa a habitar o local, trabalhando na pedreira montada pelo próprio João Romão e comprando em seu armazém. O único incomodado com o crescimento do cortiço é o também português Miranda, de classe mais elevada. Entre os tipos que vivem no cortiço estão a Machona, lavadeira gritalhona; Pombinha, moça franzina que se desencaminha por influência das más companhias; Rita Baiana, mulata faceira que andava amigada na ocasião com Firmo, malandro valentão; Jerônimo e sua mulher, entre outros. Outro cortiço se forma na mesma rua, sendo apelidado de "Cabeça-de-Gato". Os moradores do Cabeça-de-Gato, por sua vez, apelidam os moradores do cortiço de "Carapicus". Há uma rivalidade entre os moradores dos dois cortiços, agravada pela disputa entre Jerônimo e Firmo por Rita Baiana, pois Firmo se muda para o Cabeça-de- Gato. O conflito só acaba após um misterioso incêndio, que conta com o auxílio do próprio João Romão que destrói parte do cortiço. O português, porém, recebe o seguro e reconstrói o cortiço e tornando-o ainda mais próspero. O seu sonho passa a ser casar com uma moça de família para conseguir mais status, e seu alvo passa a ser a filha de Miranda, Zulmira. Após os acertos de interesse entre os dois patrícios, João Romão decide se livrar da escrava Bertoleza, para abrir caminho para o casamento. Para isso, ele entrega aos antigos donos da negra o seu paradeiro. Bertoleza, que acreditava ser livre graças a uma falsa carta de alforria dada há tempos por João Romão, rapidamente percebe a traição e se mata, com a mesma faca que usava para preparar as refeições do português. O romance trata, de fato, do nascimento, vida e morte do próprio cortiço, transformando o espaço em personagem principal da obra. O cortiço
  • 14. Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação. Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios. O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. Eram boletins de propaganda pelas províncias, conferências em diversos pontos da cidade, a pedidos, à substância, atochando a imprensa dos lugarejos, caixões, sobretudo, de livros elementares, fabricados às pressas com o ofegante e esbaforido concurso de professores prudentemente anônimos, caixões e mais caixões de volumes cartonados em Leipzig, inundando as escolas públicas de toda a parte com a sua invasão de capas azuis, róseas, amarelas, em que o nome de Aristarco, inteiro e sonoro, oferecia- se ao pasmo venerador dos esfaimados de alfabeto dos confins da pátria. Os lugares que não procuravam eram um belo dia surpreendidos pela enchente, gratuita, espontânea, irresistível! E não havia senão aceitar a farinha daquela marca para o pão do espírito. POMPÉIA, R. O Ateneu. São Paulo: Scipione, 2005. Ao descrever o Ateneu e as atitudes de seu diretor, o narrador revela um olhar sobre a inserção social do colégio demarcado pela (A) ideologia mercantil da educação, repercutida nas vaidades pessoais. (B) interferência afetiva das famílias, determinantes no processo educacional. (C) produção pioneira de material didático, responsável pela facilitação do ensino. (D) ampliação do acesso à educação, com a negociação dos custos escolares. (E) cumplicidade entre educadores e famílias, unidos pelo interesse comum do avanço social.
  • 15. Abatidos pelo fadinho harmonioso e nostálgico dos desterrados, iam todos, até mesmo os brasileiros, se concentrando e caindo em tristeza; mas, de repente, o cavaquinho de Porfiro, acompanhado pelo violão do Firmo, romperam vibrantemente com um chorado baiano. Nada mais que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse logo, como se alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E seguiram-se outra notas, e outras, cada vez mais ardentes e mais delirantes. Já não eram dois instrumentos que soavam, eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente, a correrem serpenteando, como cobras numa floresta incendiada; eram ais convulsos, chorados em frenesi de amor: música feita de beijos e soluços gostosos; carícia de fera, carícia de doer, fazendo estalar de gozo. AZEVEDO, A. O Cortiço . São Paulo: Ática, 1983 (fragmento). No romance O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, as personagens são observadas como elementos coletivos caracterizados por condicionantes de origem social, sexo e etnia. Na passagem transcrita, o confronto entre brasileiros e portugueses revela prevalência do elemento brasileiro, pois A. destaca o nome de personagens brasileiras e omite o de personagens portuguesas. B. exalta a força do cenário natural brasileiro e considera o do português inexpressivo. C. mostra o poder envolvente da música brasileira, que cala o fado português. D. destaca o sentimentalismo brasileiro, contrário à tristeza dos portugueses. E. atribui aos brasileiros uma habilidade maior com instrumentos musicais.