teoria da literatura
Tipos de discurso
     Manoel Neves
O DISCURSO DIRETO
                                        fala a personagem
Então a moça bondosa abriu a janela dando pro Pacaembu deserto e falou:
– Vou dizer três adivinhas, se você descobre, te deixo fugir. O que é que é: É comprido roliço e
perfurado, entra duro e sai mole, satisfaz o gosto da gente e não é palavra indecente?
– Ah! Isso é indecência sim!
– Bobo! É macarrão!
– Ahn... é mesmo!... Engraçado, não?
– Agora o que é que é: Qual o lugar onde as mulheres têm cabelo mais crespinho?
– Ôh, que bom! Isso eu sei! É aí!
– Cachorro! É na África...
                      ANDRADE, Mário de. Macunaíma. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.


                                         características
  reprodução textual da fala das personagens, introduzida ou acompanhada do verbo discendi
     [falar, dizer, perguntar, responder] e/ou acompanhada por elemento gráfico [§ : “” −];
              apresentação direta do conflito, tal qual ocorre no gênero dramático;
O DISCURSO INDIRETO
                     o narrador apresenta a fala a personagem
Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca,
moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que deveria sofrer
de ataque.
Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O
rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar.
           TREVISAN, Dalton. Uma vela para Dario. Disponível em: http://trapichedosoutros.blogspot.com


                                          características
        reprodução apenas do sentido da fala da personagem com palavras do narrador
[verbo discendi + oração subordinada substantiva objetiva direta introduzida por que, se, quando]
O DISCURSO INDIRETO LIVRE
         fundem-se as perspectivas do narrador e da personagem
A voz de Madalena continua a acariciar-me. Que diz ela? Pede-me naturalmente que mande
algum dinheiro a mestre Caetano.
Isto me irrita, mas a irritação é diferente das outras, é uma irritação antiga, que me deixa
inteiramente calmo. Loucura estar uma pessoa ao mesmo tempo zangada e tranquila. Mas
estou assim. Irritado contra quem? Contra mestre Caetano. Não obstante ele ter morrido, acho
bom que vá trabalhar. Mandrião!
                       RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro, Record, 2005.


                                       características
     manifestação da pessoa no narrador através do tempo verbal e da pessoa gramatical
exteriorização do pensamento da personagem, tal qual se a personagem falasse consigo mesma
       [ausência de pronomes, verbos no infinitivo, frases interrogativas e exclamativas]
monólogo interior: grande volume de discurso indireto livre [narrativas modernas, psicológicas]
 fluxo de consciência: grande volume de monólogo interior [narrativas modernas, psicológicas]

Tipos de discurso

  • 1.
    teoria da literatura Tiposde discurso Manoel Neves
  • 2.
    O DISCURSO DIRETO fala a personagem Então a moça bondosa abriu a janela dando pro Pacaembu deserto e falou: – Vou dizer três adivinhas, se você descobre, te deixo fugir. O que é que é: É comprido roliço e perfurado, entra duro e sai mole, satisfaz o gosto da gente e não é palavra indecente? – Ah! Isso é indecência sim! – Bobo! É macarrão! – Ahn... é mesmo!... Engraçado, não? – Agora o que é que é: Qual o lugar onde as mulheres têm cabelo mais crespinho? – Ôh, que bom! Isso eu sei! É aí! – Cachorro! É na África... ANDRADE, Mário de. Macunaíma. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. características reprodução textual da fala das personagens, introduzida ou acompanhada do verbo discendi [falar, dizer, perguntar, responder] e/ou acompanhada por elemento gráfico [§ : “” −]; apresentação direta do conflito, tal qual ocorre no gênero dramático;
  • 3.
    O DISCURSO INDIRETO o narrador apresenta a fala a personagem Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que deveria sofrer de ataque. Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. TREVISAN, Dalton. Uma vela para Dario. Disponível em: http://trapichedosoutros.blogspot.com características reprodução apenas do sentido da fala da personagem com palavras do narrador [verbo discendi + oração subordinada substantiva objetiva direta introduzida por que, se, quando]
  • 4.
    O DISCURSO INDIRETOLIVRE fundem-se as perspectivas do narrador e da personagem A voz de Madalena continua a acariciar-me. Que diz ela? Pede-me naturalmente que mande algum dinheiro a mestre Caetano. Isto me irrita, mas a irritação é diferente das outras, é uma irritação antiga, que me deixa inteiramente calmo. Loucura estar uma pessoa ao mesmo tempo zangada e tranquila. Mas estou assim. Irritado contra quem? Contra mestre Caetano. Não obstante ele ter morrido, acho bom que vá trabalhar. Mandrião! RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro, Record, 2005. características manifestação da pessoa no narrador através do tempo verbal e da pessoa gramatical exteriorização do pensamento da personagem, tal qual se a personagem falasse consigo mesma [ausência de pronomes, verbos no infinitivo, frases interrogativas e exclamativas] monólogo interior: grande volume de discurso indireto livre [narrativas modernas, psicológicas] fluxo de consciência: grande volume de monólogo interior [narrativas modernas, psicológicas]