Os gêneros do discurso

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Os gêneros do discurso

  1. 1. 1. Os gêneros do discurso Para Bakhtin (2003), os gêneros do discurso são tipos relativamente estáveis de enunciados que são reconhecidos pelos usuários da língua em determinado contexto social, ou seja, surgem da necessidade de representação e comunicação de determinado aspecto da realidade que se faz presente para um grupo de sujeitos, e por conta disso, os gêneros nascem, circulam, transformam-se e, como também, caem em discurso de acordo com o movimento e a transformação da própria sociedade. Nesse sentido, entende-se que há uma enorme gama de gêneros do discurso, pois são incontáveis as possibilidades da atividade humana. Cabe salientar a extrema heterogeneidade dos gêneros do discurso (orais e escritos) o que poderia tornar os traços gerais dos gêneros abstratos e vazios. CITAÇÃO:/ Não se deve de modo algum, minimizar a extrema heterogeneidade dos gêneros discursivos e a dificuldade daí advinda de definir a natureza geral do enunciado. Aqui é de especial importância atentar para a diferença essencial entre os gêneros discursivos primários (simples) e secundários (complexos) não se trata de uma diferença funcional [...](Bakhtin,2003,p.263)/ Nessa perspectiva entendemos que há diferenças entre gêneros primários e secundários. Os gêneros discursivos primários são os gêneros da vida cotidiana, ora predominante, mas não exclusivamente orais e tem relação direta com contextos mais imediatos a piada, bate papo, o chat. Enquanto os gêneros do discurso secundário pertencem à espera da comunicação cultural mais elaborada, a jornalística, a jurídica, a religiosa, a politica, os gêneros publicitários entre outros. CITAÇÃO: /A própria relação mútua dos gêneros primários e secundários e o processo de formação histórica das últimas lançam luz sobre a natureza do enunciado. e antes de tudo sobre o complexo problemas da relação de reciprocidade entre linguagem e ideologia. (Bakhtin, 2003, p.264)/ Para Bakhtin (2003), o não conhecimento da natureza do enunciado e a relação com as peculiaridades das diversidades do gênero do discurso em qualquer ramo da investigação linguística a transformam em formalismo ou quando muito em uma abstração que deforma a historicidade da investigação, empobrecem as relações da língua com a vida. Nesse aspecto o enunciado é um núcleo problemático de grande importância no que se refere a alguns campos e problemas da linguística, Bakhtin (2003, p.265) destaca a estatística: /”Todo estilo está indissoluvelmente ligado ao enunciado e as formas típicas de enunciado, ou seja, aos gêneros do discurso. ”/ todo enunciado seja ele oral o escrito, é individual e reflete a individualidade do falante (ou de quem escreve), ito é o estilo individual. Nem todos os gêneros são igualmente propícios a tal reflexo da individualidade. No caso dos gêneros da literatura de ficção. O estilo individual integra diretamente o próprio edifício do enunciado. As condições menos propicias para o reflexo da individualidade estão presentes em gêneros do discurso com forma padronizada (modalidade de documentos oficiais, de ordens militares, nos sinais, nos sinais verbalizados da produção, etc.), ou seja, em uma gama de gêneros é possível identificar diferentes camadas e aspectos de uma personalidade individual.
  2. 2. Bakhtin (2003) também afirma que a relação orgânica do estilo com o gênero se revela também na questão dos estilos de linguagem ou funcionais. Em cada campo de linguagem são revelados gêneros que correspondem as condições específicas de dado campo e a esses gêneros correspondem determinados estilos. Uma função (científica, publicística, cotidiana) e as especificidades de comunicação discursiva de cada campo geram gêneros, isto é, tipos de enunciado relativamente releváveis. CITAÇÃO:/ O estilo indissociável de determinadas unidades temáticas, e o que é de especial importância _ de determinados unidades composicionais: de determinados tipos de construção do conjunto, de tipos de seu acabamento, de tipos de relação do seu falante com outros participantes da comunicação discursiva_ com os ouvintes, os leitores, os parceiros, o discurso do outro, etc. O estilo integra a unidade de gênero do enunciado como seu elemento (Bakhtin, 2003, p.266)/ Na concepção de Fiorin (2006), o conteúdo temático não é o assunto específico de um texto, mas é um domínio de sentido de que se ocupa o gênero. Nesse sentido, a unidade composicional_ é o modo de organizar o texto, de estrutura-lo. O ato estilístico é uma seleção de meios linguísticos. Estilo é, pois uma seleção de aspectos lexicais, fraseológicos e gramaticais em função da imagem do interlocutor e de como se presume sua compreensão responsiva do enunciado. Para o autor: CITAÇÃO/ Há, assim, um estilo oficial, que usa formas respeitadas, como nos requerimentos, discursos parlamentares, etc : um estilo objetivo_ neutro, em que há uma identificação entre o locutor e seu interlocutor, como nas exposições científicas, em que se usa um jargão marcado por uma “ objetividade” e uma neutralidade; um estilo familiar, em que se vê o interlocutor fora do âmbito das hierarquias e das convenções sociais, como nas brincadeiras com os amigos, marcados por uma atitude pessoal e uma informalidade com relação a linguagem [...] (Fiorin, 2006, p.62)/ Para Brait (2007), o estilo está intrinsecamente ligado ao enunciado, isto é, formas típicas de enunciados que são os gêneros. Nesse contexto, o enunciado busca refletir em qualquer que seja a esfera de comunicação, a individualidade de quem fala ou escreve: CITAÇÃO:/ Uma dada função, seja ela cientifica, técnica religiosa, oficial, cotidiana, somadas às condições especificas de cada uma das esferas da comunicação, geram um dado gênero, ou seja, um dado tipo de enunciado, relativamente, estável do ponto de vista temático, composicional e estatístico[...] (Brait, 2007, p.80)/ Nesse contexto é pertinente observar que, as mudanças históricas dos estilos de linguagem estão indissoluvelmente ligadas as mudanças dos gêneros do discurso. Os enunciados e seus tipos, isto é, os gêneros discursivos, são correias de transmissão entre a história da sociedade e a história da linguagem. Nenhum fenômeno novo (fonética, léxico, gramatical) pode fazer parte do sistema da língua sem ter percorrido um amplo e longo caminho de experimentação e elaboração de gêneros e estilos. Com essa percepção Bakhtin afirma que, onde há estilo há gênero: /”A passagem do estilo de um gênero para outro não só modifica o som do estilo nas condições do gênero que não lhe é próprio como destrói ou renova tal gênero” (Bakhtin, 2003, p.268)/ Num ângulo de comparação entre a gramática e a estilística, Bakhtin (2003) faz algumas distinções pois convergem e dixvergem em qualquer fenômeno concreto de
  3. 3. linguagem. CITAÇÃO: /[...] Se o examinamos apenas no sistema da língua estamos diante de um fenômeno gramatical, mas se o examinamos no conjunto de enunciado individual ou do gênero discursivo já se trata de um fenômeno estilístico. Porque a própria escolha de uma determinada forma gramatical pelo falante é um ato estilístico [...] (Bakntin, 2003, P.269)/ Desse modo, quando se analisar o enunciado como unidade da comunicação discursiva. Nunca há um receptor passivo, ou seja, não há categoricamente o “ouvinte” é um equivo dar essa visão deturpada do processo complexo e extremamente ativo da comunicação discursiva. O ouvinte, ao compreender o significado do discurso, ocupa uma ativa posição responsiva concordando ou discordando, completando-o, aplicando-o, preparando-se para usá-lo, toda compreensão da fala viva, do enunciado vivo é de natureza ativamente responsiva, ou seja, o ouvinte se torna falante. É correto salientar que a resposta não é necessariamente em voz alta. A compreensão ativamente responsiva pode realizar-se na ação; como também pode permanecer como compreensão responsiva silenciosa, mas como efeito retardado (cedo ou tarde que foi dito responde nos próximos discursos ou no comportamento do ouvinte). Portanto, toda compreensão plena e real é ativamente responsiva, o próprio falante espera uma resposta, uma concordância, uma participação. Todo falante é por si mesmo um respondente, porque ele não é o primeiro falante, sempre faz uso de enunciações dos antecedentes. CITAÇÃO: [...] Todo enunciado _ da replica sucinta (monovocal) do diálogo cotidiano ao grande romance ou tratado científico tem, por assim dizer, um princípio absoluto e um fim absoluto: antes do seu inicio, os enunciados de outros depois do seu término os enunciados responsivos de outros[...] (Bakhtin, 2003, p.275) Assim sendo, alternância dos seus sujeitos do discurso no dialogo real, em que se alternam as enunciações dos interlocutores denominadas replicas. Essas replicas, por mais breve que sejam possuem uma conclusibilidade especifica ao exprimir certa posição do falante que suscita resposta em relação a qual se pode assumir uma posição responsiva. Nesse contexto, Bakhtin (2003, p.279) ao tratar da alternância dos sujeitos do discurso afirma que é o “que emoldura o enunciado e cria para ele a massa firme, rigorosamente delimitada dos outros enunciados a ele vinculadas[...]”/. Ao lado disso, a conclusibilidade do enunciado, é um aspecto da alternância dos sujeitos do discurso e possui como critério a possibilidade de responder a esse enunciado, ou seja, o ouvinte precisava entender, concluir e em seguida responder ao enunciado. Para tanto, há ainda de se considerar os elementos que asseguram a possibilidade de resposta no enunciado; exauribilidade do objetivo e do sentido; projeto de discurso ou vontade de discurso do falante (determina o todo do enunciado, o seu volume e as fronteiras); formas típicas composicionais e de formas típicas composicionais e de gênero do acabamento. Esse terceiro elemento é de maior importância, pois se concretiza, na escolha de um certo gênero de discurso e, desse modo a intenção discursiva do falante, com toda a sua individualidade é aplicada ao gênero escolhido. CITAÇÃO:/[...] Todos os nosso enunciados possuem relativamente estáveis e típicas de construção do todo. Dispomos de um rico repertorio de gênero de discursos orais
  4. 4. (e escritos). Em termos práticos, nós os empregamos de forma segura e habilidosa, mas em termos teóricos podemos desconhecer inteiramente a sua existência[...]( Bakhtin, 2003, p.282)/ Assim, toda uma serie de gêneros difundidos no cotidiano é de tal forma padronizada que a vontade discursiva individual do falante só se manifesta na escolha de um determinado gênero e na entonação expressiva ( gêneros elevados, oficiais) paralelamente a esses gêneros padronizados, existem gêneros mais livres e mais criativos de comunicação discursiva. Para Bakhtin (2003) quanto mais dominamos os gêneros, mais livremente os empregamos e descobrimos neles a nossa individualidade, ou seja, refletimos de modo mais flexíveis e sutil a situação singular da comunicação; em suma, realizamos de modo mais acabado o nosso livre projeto de discurso. Ao tratar das escolhas individuais para enunciação, Bakhtin (2003) enfatiza que escolhemos as palavras que, pelo tiom, correspondem à expressão do nosso enunciado. Só o contato da língua, o qual se dá no enunciado, gera a expressão. O leque de escolha das palavras é feita a partir de outros enunciados. Para Bakhtin (2003) a palavra existe em três aspectos: como palavra da língua neutra, como palavra dos outros, cheia de ecos de outros enunciados e como a minha própria palavra, porque em uma intenção de discurso determinada ela já representa minha expressão. O elemento expressivo é uma peculiaridade constitutiva no enunciado. O sistema da língua é dotado das formas necessárias (meios linguísticos) para emitir a expressão, mas a própria língua e as suas unidades significativas (palavras e as orações) carecem de expressão, são neutras. Segundo Bakhtin (2003), a estilística considera os seguintes fatores que determinam o estilo do enunciado: a língua como sistema, o objeto do discurso e do falante e a sua relação com esse objeto. CITAÇÃO:/[...] O falante com sua visão do mundo, os seus juízos de valor e emoções por um lado, e o de seu objeto de seu discurso e o sistema da língua (dos recursos linguísticos), por outro-eis tudo o que determina o enunciado, o seu estilo e sua composição[...] (Bakhtin, 2003, p.296). Nesse sentido podemos evidenciar que o enunciado não está ligado apenas aos elos procedentes mas também aos subsequentes da comunicação discursiva, ou seja, uma marca essencial é o seu direcionamento a alguém. Bakhtin (2003) confirma que a quem se destina o enunciado, como o falante (ou que escreve) percebe e representa para si os seus destinatários, ou seja, disto dependem tanto a composição, como também, o estilo do enunciado. Quando enunciamos é considerável que a percepção do destinatário, e, sobretudo é relevante saber se ele conhece a situação, dispõe de conhecimento? O que engloba também conhecermos suas convicções e preconceitos. Tudo isso contribui com sua ativa compreensão responsiva, e como conseguinte, o processo interativo acaba por determinar a escolha do gênero dos meios composição, como também dos linguísticos. Ainda conforme Bakhtin (2003): CITAÇÃO:/ O direcionamento, o endereçamento do enunciado é sua peculiaridade constitutiva sem a qual não há nem pode haver enunciado. As várias formas típicas de tal direcionamento e as diferentes concepções típicas de destinatários são
  5. 5. peculiaridades constutivas e determinantes dos diferentes gêneros do discurso. (Bakhtin, 2003, p.305)/ Com base na presente análise sobre gêneros discursivos, estilo enunciação gêneros discursivos, estilo enunciação e atitude responsiva ativa, discutiremos a seguir as peculiaridades do gênero publicitário. 1.1 Os gêneros publicitários É fato incontestável que os integrantes das modernas sociedades de consumo são facilmente influenciáveis pela publicidade. Assim, por mais defesas que possamos construir, por barreiras que levantemos sempre iremos nos deparar com uma peça publicitária que fura o cerco, ultrapassa as neuras da nossa resistência e estabelece uma ideia que interfere em nossas escolhas, ou seja, a propaganda torna-se inevitável e, persuasiva. De acordo com Carvalho (2000), ao contrário do panorama caótico do mundo apresentado nos noticiários dos jornais a mensagem publicitária cria e exibe um mundo perfeito, tudo são luzes e calor e encanto. E nesse contexto mercadológico, vendem-se estilos de vida, sensações, emoções e visões de mundo. Como bem define a autora. CITAÇÃO:/” Em sua forma de interagir, a linguagem publicitária se caracteriza pelo reforço do individualismo. Ao concentrar o receptor em si próprio, egoisticamente-ou quando muito, nos “seus”_ está dizendo que o que interessa é sua roupa, sua casa, sua saúde. A mensagem quer persuadir o receptor a realizar uma ação predeterminada e para isso usa uma linguagem autoritária. (Carvalho 2000, p.13) Vestegaard e Schoder (2000). Tratam sobre a representação da situação de comunicação a representação da situação de comunicação quando se refere a propaganda da seguinte forma. O emissor é anunciante e o receptor é o leitor, o significado transmitido refere-se ao produto, o código é a linguagem verbal ou visual. Nesse sentido vale dizer que os textos mediáticos são construídos e organizados na inter-relação complexa de diferentes códigos e de processos signicos e diversos. CITAÇÃO:/ Todo ato de comunicação se verifica em dada situação, no contexto. Isso depende da situação em que o emissor e o receptor se acham, incluindo os acontecimentos imediatamente anteriores, embora o contexto também englobe a situação cultural mais ampla de ambos, bem como o conhecimento que tenham da situação deles e de sua cultura. (Vestegaard e Schoder 2000, P.15)/. Para Carvalho (2000), a palavra tem o poder de criar e destruir, de prometer e negar, e a publicidade se vale desse recurso como seu principal instrumento. CITAÇÃO/ A função persuasiva na linguagem publicitária consiste em tentar mudar a atitude do receptor. Para isso, ao elaborar o texto publicitário leva-se em conta o receptor ideal da mensagem, ou seja, o público para o qual está sendo criada. O vocabulário é escolhido no registro referente aos seus usos. Tomando por base o vazio interior de cada ser humano, a mensagem faz ver que falta algo para completar a pessoa: prestigio, amor, sucesso, vitória, (Carvalho 2000, P.19) De acordo com Vestegaard / Schoder (2000), o objetivo final de toda propaganda é vender o produto, mas para ser tecnicamente eficaz o publicitário
  6. 6. deve estimular primeiramente o desejo de compra e chamar a atenção do leitor ouvinte, através de mensagens de consumo. A primeira tarefa do publicitário, portanto, é conseguir que o anúncio seja notado, uma vez captada a atenção do leitor, o anúncio deve mantê-lo e convencê-lo de que o tema daquele anúncio específico é do interesse do consumidor. Assim, a propaganda procura estimular o desejo do leitor e criar a convicção sobre a qualidade do produto, através de vantagens preço, como também, a credibilidade do produto. Outro método usado pelos publicitários é a referência da autoridade médica e da ciência em alguns produtos. Ainda de acordo com os autores, é importante enfatizar que o papel do publicitário é induzir à ação de compra. É de fundamental importância para o homem da propaganda que ele não pareça estar se impondo, evitando assim, uma rejeição do público. CITAÇÃO:/ É o contexto que nos permite concluir se um enunciado que se mascara como informação ou conselho constitui-se fato de um apelo à ação (Vestegaard, Schoder, 2000, P.69)/. Na concepção de Carvalho (2000), no texto publicitário o elemento verbal que representa a ordem ou convite, constitui um imperativo revestido de roupagens que camuflam as intenções do texto. CITAÇÃO/ Para persuadir e seduzir, o texto publicitário se utiliza de estratégias linguísticas, de modo a estabelecer uma personalidade para o produto, dotando-o de atributos e promovendo-o pela celebração do nome (Carvalho, 2000, P.46) Nesse aspecto convém ressaltar que a propaganda cria situações hipotéticas que conduzem o leitor a concluir exatamente o que pretende quem o escrever muitas vezes, a linguagem da propagando é coloquial, para parecer uma conversa; o interlocutor é trazido para dentro do texto por meio de pronomes como você, e isso vai gerando no leitor (interlocutor do texto) uma certa intimidade com o raciocínio que lhe está sendo apresentado. É como se ele estivesse raciocinando junto com o texto, concordando com as ideias apresentadas. CITAÇÃO/ Convidando-nos a entrar no seu paraíso imaginário, a propaganda se torna assim um espelho mágico, no qual uma interpretação mais sutil nos permite discernir os contornos do generalizado descontentamento popular com a lida cotidiana e com as oportunidades que nos proporciona a sociedade em que vivemos, portanto, a propaganda se fundamenta no desejo subconsciente de um mundo melhor (Vestegaard, Schoder, 2000, P. 132)/ Vestegaard, Schoder, (2000) afirmam ainda que a propaganda deve estar em contato com a consciência do leitor, captando sua atenção e colocando-o a favor do produto anunciado, nesse sentido, a principal meta do anunciante é agradar plenamente os consumidores. Os valores sociais são fortemente marcados no discurso da propagandae, conferem ao produto um valor simbólico ou “imagem”. Esse papel de desempenhado por complexas de significação com a história, a natureza, a ciência. Para Carvalho (2000), a publicidade induz a uma visão dinâmica do social, privilegiando as ideias mais atuais, os fatos em emergência, as inovações tecnológicas as novidades de ultima hora. CITAÇÃO/ No texto publicitário, qualquer que seja a mensagem implícita, é o testemunho de uma sociedade de
  7. 7. consumo e conduz a uma representação pessoal com a realidade particular. Sua mensagem primeira e explícita é o estímulo ao consumo de um produto, mas ele põe em destaque determinado aspecto de uma cultura, como um projeto poderoso, sem deixar de criarem torno de si algumas zonas de sombra (Carvalho 2000, p.106) Ainda conforme Carvalho (2000), podemos dizer que a publicidade muitas vezes, sustenta seu discurso nas conotações culturais e linguísticas, como também, naquelas que vinculam estereótipos, mais facilmente codificáveis e compreensíveis. CITAÇÃO/ A mensagem publicitária sempre utilizará as palavras com carga cultural que possuem na comunidade em que será veiculada, tentado não contrariar o estabelecido, para que possa ser entendida e aceita (Carvalho 2000, P.108)/ Nesse contexto Vestegaard, Schoder (2000) ao tratarem dos dois sistemas referenciais mais comuns utilizadas pela propaganda da natureza e história, confirmam que o anuncio exemplifica a forma básica de exploração da história em mensagens comerciais, ou seja, uma vez que o presente é vivenciado como insuficiente, os anúncios projetam imagens de uma história mítica e imprecisa para conferir autoridade cultural às mercadorias. O sentido de “natural” se tornou o grau de aproximação da natureza que uma cultura histórica define como desejável. CITAÇÃO/ Quando a propaganda o emprega, o “natural”, por consequência, torna-se um mecanismo que permite a cultura apropriar-se das qualidades positivas associadas com a natureza e fazer essas qualidades, desprovidas da respectiva substância, aderirem aos produtos de fabricação industrial. (Vestegaard, Schoder, 2000, P.176)/. Assim, o anuncio publicitário é cercado de recursos ( repetições de sons, valorização de certas estruturas morfossintáticas etc.) que pretende, entre outras objetivos provocar o interesse do consumidor; estimular o desejo de comprar e chamar a atenção do leitor, através de mensagens de consumo. Para isso, produz uma profusão de imagens e símbolos que conectados a linguagem verbal criam e exibem um mundo perfeito e ideal provocando, pois no leitor/ ouvinte uma sensação ainda maior desejo e, consequentemente, uma aceitação sem qualquer tipo de questionamento, e que só reafirma o poder de persuasão dos meios de comunicação. 2. Cerveja: Uma breve história e a companhia Brahma A cerveja é um produto com longa tradição no Brasil, surgindo referências a esta bebida em documentos que dotam do século XVII. No entanto, a sua ascensão foi demorada e tortuosa, sendo que, no início do século XIX, a cachaça e o vinho eram as bebidas alcoólicas preferidas pelo povo. A cerveja já era produzida, mas o seu consumo não se encontrava generalizado. Antes permanecendo como uma produção caseira e típica de populações imigrantes. CITAÇÃO/[...] “O consumo foi crescendo gradualmente e, em 1836, surgiu a primeira notícia sobre a fabricação de cerveja no Brasil. Esse anúncio, publicado no jornal do comércio do Rio de Janeiro, dizia o seguinte: Na rua Mata – Cavalos, números 90, e rua direita número 86, da cervejaria brasileira, vende-se e muito procurada. Essa saudável
  8. 8. bebida reúne a barateza um sabor agradável e a propriedade de conservar-se por muito tempo” [...] (Disponível em <htpp://www.cervejasdomundo.com/brasil.htm> acesso em 21/04/2014) Com o passar dos anos a grande quantidade de fábricas e cervejarias foram surgindo, mas precisamente entre os anos 40 e 80 do século XIX, o que permitiu uma grande expansão no consumo de cerveja, esse fato contribui para que esta bebida se tornasse a mais popular do Brasil. Até a consagração da cerveja como bebida da rainha, o produto mais procurado e consumido pela população era a “Gengi birra”, feita de farinha de milho, gengibre, casca de limão e água. Após a mistura dos ingredientes, deixava-se a infusão descansar por alguns dias, e logo depois eram vendidos em garrafas ou canecas. Outra bebida apreciada na época era a “caramuru”, feita de milho, gengibre, açúcar mascavo e água, depois era levada a fermentação antes de ser consumida. CITAÇÃO/ [...]Estes produtos passaram a sofrer uma forte concorrência por parte da cerveja, sendo exemplo disso o pequeno bar “A cidade de berna”, local de grande sucesso no qual era servida a cerveja Bavária, então produzida pela STUPAKOFF e cia. Por essa altura, o Rio de Janeiro já era uma cidade comparável as outras da Europa, possuindo um mercado consumidor relevante. A venda da cerveja era negociada no balcão da própria cervejaria que atendia a particulares. As entregas eram feitas por carroças, que se deslocavam às zonas oficiais dos bairros adjacentes. /(Disponível em http://www,cervejasdomundo.com/brasil.htm>acesso em 21/04/2014)/ A princípio, eram poucas fábricas de cerveja existentes no país. Henri Joseph Leiden foi o fundador da primeira fábrica de cerveja do Brasil, é Pernambuco. Aos poucos outras regiões também foram beneficiadas com a instalação de cervejaria e com isso, foram de suma importância e de grande contribuição para a economia do país. Como nosso objetivo é analisarmos o discurso da Brahma, na copa 2014 é importante nos debruçarmo-nos sobre algumas informações da companhia Brahma. 2.2 Companhia Brahma Brahma é uma marca de cerveja brasileira criada em 1888, no Rio de Janeiro, pela manufatura de cerveja Brahma Villiger e companhia, que depois mudaria de nome para companhia cervejaria Brahma, e depois seria sucedida pela Ambev. CITAÇÃO/[...] A empresa, então instalada na rua Visconde de Sapucaí 128, adotou o mesmo nome que um Deus da Índia, muito venerado. Junto das águas do lado de Pushkar, sendo que quem ai se banha tem todos os seus pecados perdoados, por piores que estes sejam. A primeira imagem associada a Brahma representava uma mulher em volta por ramos floridos de lúpulo e levada, sendo esta o componente do também primeiro rótulo da marca. /(Disponível em: <http:// www.cervejasdo mundo.com/brasil.htm> Acesso em 21/04/2014) / A partir da década de 30 com algumas fusões e aquisições, a Brahma torna-se uma empresa estrutura e virada para o futuro e cada vez mais, aposta em tecnologias e publicidade e com isso, consegue manter grande afinidade com os consumidores, já no ano de 1934 liderava com a marca Brahma Chopp a cerveja mais consumida no país. Os anos seguintes são marcados pela contínua expansão da companhia e por algumas alterações na forma de apresentar os produtos.
  9. 9. Durante os anos 80, a Brahma apostou forte no mercado de refrigerantes, toda via manteve a origem cervejeira da empresa, nesse mesmo ano foi eleita como a melhor cerveja importada dos EUA. A internacionalização da marca e a sua grande aceitação no mercado interno mereceu destaque como a 7° empresa cerveja do mundo, numa avaliação companhia de mais 90 países. Este reconhecimento econômico surgiu a partir do reconhecimento científico, obtido após a inauguração de uma moderna cervejaria piloto para o desenvolvimento de novo produtos. O final da década fica marcado pela aquisição da companhia cervejaria Brahma pelo grupo garantia, iniciando-se um período de reestruturação e construção de novas fábricas. Os últimos dez anos continuaram a ser de crescimento. No início de 1996 é inaugurada a filial Rio de Janeiro, no bairro de Campo Grande-RJ. CITAÇÃO/[...] Trata- se da maior fábrica da América Latina com capacidade de produção de 12 milhões de hectolitros por ano. É igual mente iniciada a construção de mais 2 unidades fabris: uma Viamão- Rio Grande do Sul e outra correspondente a cervejaria águas claras, município de Estância, Aracaju[...] / (disponível em: ltt://www.cervejasdomundo.com/brasil.htm>Acesso em 21/04/2014)/ Em 199, a companhia Antártica paulista e a companhia cervejaria Brahma anunciavam a criação da companhia de bebidas das Américas (AMBEV), resultante da fusão entre ambas. Apesar da Brahma ser totalmente brasileira, ela é famosa por ser marca internacional da AMBEV, marcando presença em mais de 15 países ao redor do mundo. Em 2006, a cerveja Brahma ultrapassou em vendas a Holandesa Heineken, tornando- se a 5° cerveja mais vendida do mundo.

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