Vidas secas

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Aula do professor André Guerra sobre uma das maiores obras primas de nossa literatura: o romance "Vidas Secas", de Graciliano Ramos

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Vidas secas

  1. 1. VIDAS SECAS<br />Retirantes (1936), óleo de Cândido Portinari.<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  2. 2. Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  3. 3. Reflexão:SEGUE O SECOCarlinhos Brown<br /> A boiada seca Ô chuva vem me dizer<br /> Na enxurrada seca Se posso ir lá em cima<br /> A trovoada seca pra derramar você<br /> Segue o seco sem secar Ó chuva preste atenção<br /> que o caminho é seco Se o povo lá de cima <br /> sem secar que vive na solidão<br /> o espinho é seco Se acabar não acostumado<br /> sem secar que Se acabar parado, calado<br /> seco é o Ser Sol Se acabar baixinho chorando<br /> Sem sacar que Se acabar meio abandonado<br /> algum espinho seco secará Pode ser lágrima de São Pedro<br /> E a água que secar Ou talvez um grande amor chorando<br /> será um tiro seco Pode ser desabotoado céu <br /> E secará o seu destino seca. Pode ser coco derramado<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  4. 4. De quem é a culpa?<br />Do clima?<br />Do solo?<br />De Deus?<br />E o homem?<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  5. 5. CarcaráJoão do Vale<br />CarcaráLá no sertãoÉ um bicho que avoa que nem aviãoÉ um pássaro malvadoTem o bico volteado que nem gaviãoCarcaráQuando vê roça queimadaSai voando, cantando,CarcaráVai fazer sua caçadaCarcará come inté cobra queimadaQuando chega o tempo da invernadaO sertão não tem mais roça queimadaCarcará mesmo assim num passa fomeOs burrego que nasce na baixadaCarcaráPega, mata e come<br />CarcaráNum vai morrer de fomeCarcaráMais coragem do que homeCarcaráPega, mata e comeCarcará é malvado, é valentãoÉ a águia de lá do meu sertãoOs burrego novinho num pode andáEle puxa o umbigo inté matáCarcaráPega, mata e comeCarcaráNum vai morrer de fomeCarcaráMais coragem do que homeCarcará<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  6. 6. Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  7. 7. “Criança morta”<br />Cândido Portinari<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  8. 8. “A culpa do crime nunca é da faca.”<br />(Eduardo Galeano)<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  9. 9. A obra Literária<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  10. 10. ENREDO SINTÉTICO<br />É a história de uma família de retirantes que vive em pleno agreste os sofrimentos da estiagem (...), um homem, uma mulher, seus filhos e uma cachorra tangidos pela seca e pela opressão dos que podem mandar (...). O que havia de unitário nas obras anteriores(do autor), apoiadas no eixo de um protagonista, dispersa-se (...)nos “casulos da vida isolada que são os diversos capítulos”, enfim, na desagregação a que o meio arrasta os destinos inúteis de Fabiano, Sinha Vitória, Baleia...<br />(Alfredo Bosi – História concisa da literatura brasileira)<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  11. 11. LINGUAGEM:<br />As frases curtas, a pontuação precisa e cortante, o uso do futuro do pretérito nas personagens em que o discurso indireto livre permite que sejam expressos os sonhos das personagens, a inexistência de diálogos, a abundância de interjeições, exclamações, sons onomatopaicos, substituindo a fala das personagens e mostrando-lhes a animalidade, constituem alguns dos elementos enriquecedores de Vidas Secas.<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  12. 12. LEMBRE-SE:<br />• No DISCURSO DIRETO o personagem fala. Reprodução das palavras ditas pelo personagem. Normalmente, o discurso direto é encontrado nos diálogos.<br />Ex.:“E aos conhecidos que dormiam no tronco e agüentavam cipó de boi oferecia consolações.<br /> ─ ‘Tenha paciência, apanhar do governo não é desfeita’”<br />• No DISCURSO INDIRETO o narrador é quem transmite as idéias expressas pelo personagem. É o narrador quem fala, e não o personagem.<br />Ex.:Sinha Vitória botou os filhos para dentro de casa, dizendo- lhes que estavam sujos como papagaios.<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  13. 13. • No DISCURSO INDIRETO LIVRE não existe pensamento expresso pelo personagem. O personagem apenas pensa. O narrador reproduz a linguagem que está no pensamento do personagem. Em outros termos: a fala interior do personagem se intercala e se funde à linguagem com que o narrador relata os fatos.<br />Ex.:“Suponha que o cevado era dele. Agora se a prefeitura tinha uma parte, estava acabado. Pois ia voltar para casa e comer a carne. Podia comer a carne? Podia ou não podia? O funcionário batera o pé agastado e Fabiano se desculpara.”<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  14. 14. OS MUNDOS<br /> Mundo dos oprimidos<br />Mundo dos opressores<br />● FABIANO<br />● SINHA VITÓRIA<br />● O FILHO MAIS VELHO<br />● O FILHO MAIS NOVO<br />● BALEIA E O PAPAGAIO<br />● PATRÃO DE FABIANO<br />● FISCAL DA PREFEITURA<br />● SOLDADO AMARELO<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  15. 15. E Tomás da Bolandeira?<br />Está entre os opressores ou entre os oprimidos?<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  16. 16. O elemento Humano em Vidas Secas<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  17. 17. Fabiano<br />Brutalidade<br />Limitação<br />Inocência<br />Angústia<br />Conflito<br />Sonho<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  18. 18. A Animalização do Homem<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  19. 19. O BICHO<br />Vi ontem um bichoNa imundície do pátioCatando comida entre os detritos.Quando achava alguma coisa,Não examinava nem cheirava:Engolia com voracidade.O bicho não era um cão,Não era um gato,Não era um rato.O bicho, meu Deus, era um homem.  <br />Manuel Bandeira -Rio, <br /> 27 de dezembro de 1947<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  20. 20. Súplica cearenseLuiz Gonzaga<br />Oh! Deus, perdoe este pobre coitadoQue de joelhos rezou um bocadoPedindo pra chuva cair sem pararOh! Deus, será que o senhor se zangouE só por isso o sol se arretirouFazendo cair toda chuva que háSenhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinhoPedir pra chover, mas chover de mansinhoPra ver se nascia uma planta no chão Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe, <br />Eu acho que a culpa foiDesse pobre que nem sabe fazer oraçãoMeu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de águaE ter-lhe pedido cheinho de mágoaPro sol inclemente se arretirarDesculpe eu pedir a toda hora pra chegar o invernoDesculpe eu pedir para acabar com o infernoQue sempre queimou o meu Ceará<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  21. 21. Fotografia de Chema Madoz<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  22. 22. Temas<br />A exploração<br />Homem X meio<br />As diferentes reações diante das adversidades<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />
  23. 23. “O Sertanejo é, antes de tudo, um forte”<br />(Euclides da Cunha)<br />Guia de Literatura Professor André Guerra<br />

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