SERPA, Ivan Ferreira (1923-73). Nascido e falecido no Rio de Janeiro. Fez seus estudos com
Axl von Leskoschek, a partir de 1946, e já no ano seguinte expunha seus primeiros trabalhos.
Em 1951, na I Bienal de São Paulo, com uma pintura sugestivamente intitulada Formas
ganhou o prêmio Jovem Pintor Nacional, inscrevendo-se desde então entre os mais
destacados representantes da arte não-figurativa de orientação geométrica no Brasil. De 1952
em diante começou a ensinar pintura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, contando-
se entre seus alunos crianças e adultos; continuaria lecionando até o fim da vida, abrindo em
1970, com Bruno Tausz, o Centro de Pesquisa de Arte, além de ministrar aulas a reduzido
grupo de alunos em sua residência-ateliê no subúrbio carioca do Meyer.

Serpa foi o criador e principal representante do Grupo Frente, que desempenhou papel de
grande importância na evolução do movimento concretista brasileiro, tendo durado entre 1954
e 1956. Também da década de 1950 são alguns fatos marcantes na evolução de sua carreira,
como sejam os primeiros papiers collés, produzidos em 1953, a publicação do livro
Crescimento e criação, em colaboração com Mário Pedrosa (1954), e o prêmio de viagem à
Europa no Salão Nacional de Arte Moderna (1957), com o qual, em 1958 e 1959, visitou
especialmente Itália e Espanha, sentindo-se profundamente tocado pela visão das pinturas pré-
históricas de Altamira.

Foi justamente o impacto das grutas de Altamira que determinou, em começos da década de
1960, seu gradativo retorno ao figurativismo, culminando em 1963 com a explosão
expressionista das grandes telas que compõem a chamada Fase Negra, à qual se alternam
desenhos de elevada carga erótica, executados a bico de pena (Fase Amazônica). Mas esse
interlúdio figurativista logo cederia vez novamente à geometria, às pesquisas ótico-espaciais, à
sondagem do espaço tridimensional por meio de objetos, relevos e contra-relevos e afinal às
caixas espelhadas que buscavam esgotar a dualidade interno-externo ou a relação avesso-
direito.

Ivan Serpa participou inúmeras vezes do Salão Nacional de Arte Moderna e da Bienal de São
Paulo, bem como de praticamente todas as coletivas mais importantes de arte de vanguarda
efetuadas no país a partir de começos da década de 1950 - tais como a Exposição Nacional de
Arte Abstrata (Petrópolis, 1953), Opinião 65 e Opinião 66 (Museu de Arte Moderna do Rio de
Janeiro), Nova Objetividade Brasileira (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1967), etc.
Integrou também por diversas vezes representações de arte brasileira enviadas ao exterior -
participando desta maneira de exposições como a Bienal de Veneza (1952, 1954, 1962), a
Bienal Hispano-Americana de Barcelona (1955), a Bienal de Córdoba (1962), o Salon
Comparaisons de Paris (1965), Arte da América Latina desde a Independência (Estados
Unidos da América, 1965), etc. Dentre suas exposições individuais destacam-se as três
retrospectivas que lhe consagrou o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1965
(pinturas e desenhos), 1971 (desenhos) e 1974, essa póstuma. Serpa foi ainda restaurador de
papel, funcionário da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, chegando a ser detectável, em
certo momento de sua evolução artística, a influência desse seu diuturno contato com velhos
papéis comidos de traças, tal como, professor por anos a fio de crianças, sofreu em dado
instante a curiosa influência da expressão linear e cromática de seus jovens discípulos.

Uma lista de alunos desse excelente professor abarca nomes de tendências as mais diversas,
como Aluísio Carvão e Hélio Oiticica, Grauben do Monte Lima e Sonia Von Brüsky, Elsa
Martins da Silveira e Rubem Mauro Ludolf, João José Costa e Darcílio Lima.

                                  Cabeça, óleo s/ tela, 1964;
                     1,00 X 1,15, Museu de Arte Contemporânea da USP

                              Ciranda da vida, óleo s/ tela, 1965;
                            1,20 X 1,00, Museus Castro Maya, RJ.

Serpa, ivan ferreira

  • 1.
    SERPA, Ivan Ferreira(1923-73). Nascido e falecido no Rio de Janeiro. Fez seus estudos com Axl von Leskoschek, a partir de 1946, e já no ano seguinte expunha seus primeiros trabalhos. Em 1951, na I Bienal de São Paulo, com uma pintura sugestivamente intitulada Formas ganhou o prêmio Jovem Pintor Nacional, inscrevendo-se desde então entre os mais destacados representantes da arte não-figurativa de orientação geométrica no Brasil. De 1952 em diante começou a ensinar pintura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, contando- se entre seus alunos crianças e adultos; continuaria lecionando até o fim da vida, abrindo em 1970, com Bruno Tausz, o Centro de Pesquisa de Arte, além de ministrar aulas a reduzido grupo de alunos em sua residência-ateliê no subúrbio carioca do Meyer. Serpa foi o criador e principal representante do Grupo Frente, que desempenhou papel de grande importância na evolução do movimento concretista brasileiro, tendo durado entre 1954 e 1956. Também da década de 1950 são alguns fatos marcantes na evolução de sua carreira, como sejam os primeiros papiers collés, produzidos em 1953, a publicação do livro Crescimento e criação, em colaboração com Mário Pedrosa (1954), e o prêmio de viagem à Europa no Salão Nacional de Arte Moderna (1957), com o qual, em 1958 e 1959, visitou especialmente Itália e Espanha, sentindo-se profundamente tocado pela visão das pinturas pré- históricas de Altamira. Foi justamente o impacto das grutas de Altamira que determinou, em começos da década de 1960, seu gradativo retorno ao figurativismo, culminando em 1963 com a explosão expressionista das grandes telas que compõem a chamada Fase Negra, à qual se alternam desenhos de elevada carga erótica, executados a bico de pena (Fase Amazônica). Mas esse interlúdio figurativista logo cederia vez novamente à geometria, às pesquisas ótico-espaciais, à sondagem do espaço tridimensional por meio de objetos, relevos e contra-relevos e afinal às caixas espelhadas que buscavam esgotar a dualidade interno-externo ou a relação avesso- direito. Ivan Serpa participou inúmeras vezes do Salão Nacional de Arte Moderna e da Bienal de São Paulo, bem como de praticamente todas as coletivas mais importantes de arte de vanguarda efetuadas no país a partir de começos da década de 1950 - tais como a Exposição Nacional de Arte Abstrata (Petrópolis, 1953), Opinião 65 e Opinião 66 (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro), Nova Objetividade Brasileira (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1967), etc. Integrou também por diversas vezes representações de arte brasileira enviadas ao exterior - participando desta maneira de exposições como a Bienal de Veneza (1952, 1954, 1962), a Bienal Hispano-Americana de Barcelona (1955), a Bienal de Córdoba (1962), o Salon Comparaisons de Paris (1965), Arte da América Latina desde a Independência (Estados Unidos da América, 1965), etc. Dentre suas exposições individuais destacam-se as três retrospectivas que lhe consagrou o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1965 (pinturas e desenhos), 1971 (desenhos) e 1974, essa póstuma. Serpa foi ainda restaurador de papel, funcionário da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, chegando a ser detectável, em certo momento de sua evolução artística, a influência desse seu diuturno contato com velhos papéis comidos de traças, tal como, professor por anos a fio de crianças, sofreu em dado instante a curiosa influência da expressão linear e cromática de seus jovens discípulos. Uma lista de alunos desse excelente professor abarca nomes de tendências as mais diversas, como Aluísio Carvão e Hélio Oiticica, Grauben do Monte Lima e Sonia Von Brüsky, Elsa Martins da Silveira e Rubem Mauro Ludolf, João José Costa e Darcílio Lima. Cabeça, óleo s/ tela, 1964; 1,00 X 1,15, Museu de Arte Contemporânea da USP Ciranda da vida, óleo s/ tela, 1965; 1,20 X 1,00, Museus Castro Maya, RJ.