SAMICO, Gilvan (1928). Nascido em Recife (PE). Tendo participado a partir de 1952 das
atividades do Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife, dedicou-se após 1957
ao aprendizado de gravura com Lívio Abramo em São Paulo e Oswaldo Goeldi no Rio de
Janeiro, e já em 1958 recebia prêmio de aquisição em xilogravura no Salão Nacional de Arte
Moderna, inaugurando uma carreira de gravador da qual seria ponto máximo o Prêmio de Arte
Litúrgica obtido na Bienal de Veneza de 1962. Inspirando-se na gravura popular, mas
imprimindo a seu trabalho um apuro artesanal e um rigor expressivo insuperáveis, o artista tem
produzido algumas das mais belas e instigantes gravuras em madeira da arte brasileira,
utilizando-se com mestria única do colorido. Professor de Xilogravura na Universidade Federal
da Paraíba após 1965, Samico conquistou em 1968 o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro do
Salão Nacional de Arte Moderna, do qual desfrutou principalmente na Espanha. Regressando
em 1970 a Olinda, onde vive até hoje, vem-se dedicando desde então com freqüência maior a
pintura, alimentando-se tematicamente no "mundo estranho e belo do romanceiro e das capas
dos folhetos nordestinos", como escreveu Ariano Suassuna, que continua:

- É nesse mundo que ele mergulha, procurando um reencontro com as raízes de seu sangue, e
de onde regressa com seus pássaros de fogo, bichos monstruosos, anjos, caçadores, santos,
serpentes, cachorros e profetas. Seu universo - como o da gravura popular nordestina, da qual
ele é, ao mesmo tempo, o herdeiro e o rei - é povoado de pavões misteriosos, a ave-insígnia da
Beleza, que mereceu esse título por ter as penas semelhantes a pedras preciosas incrustradas,
a cabeça de serpente do Mal e os pés de ladrão maldosos e grosseiros do Feio, também
integrado no ser do mundo; de bois encantados e cavalos marcados com o sino-salomão; de
guerreiros do ar ou de virgens que saem de palmas como quem sai de um incêndio ou do fogo
da sarça-ardente; de traições, estandartes e demônios.

Para a pintura - arte, seja dito en passant, pela qual se iniciou - Samico carreou, em verdade,
todo o seu apuro formal e um mundo de idéias fincado no chão de sua realidade nordestina,
com excepcionais recursos de desenho e sobretudo aguda sensibilidade cromática. Não é de
modo algum um gravador que pinta, mas um grande gravador que é também um extraordinário
pintor. Seus 40 anos de gravura foram comemorados em 1997 com importante exposição no
Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.

                              A luta dos anjos, xilogravura, 1968;
                       0,54 X 0,33, Museu Nacional de Belas Artes, RJ.

Samico, gilvan

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    SAMICO, Gilvan (1928).Nascido em Recife (PE). Tendo participado a partir de 1952 das atividades do Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife, dedicou-se após 1957 ao aprendizado de gravura com Lívio Abramo em São Paulo e Oswaldo Goeldi no Rio de Janeiro, e já em 1958 recebia prêmio de aquisição em xilogravura no Salão Nacional de Arte Moderna, inaugurando uma carreira de gravador da qual seria ponto máximo o Prêmio de Arte Litúrgica obtido na Bienal de Veneza de 1962. Inspirando-se na gravura popular, mas imprimindo a seu trabalho um apuro artesanal e um rigor expressivo insuperáveis, o artista tem produzido algumas das mais belas e instigantes gravuras em madeira da arte brasileira, utilizando-se com mestria única do colorido. Professor de Xilogravura na Universidade Federal da Paraíba após 1965, Samico conquistou em 1968 o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro do Salão Nacional de Arte Moderna, do qual desfrutou principalmente na Espanha. Regressando em 1970 a Olinda, onde vive até hoje, vem-se dedicando desde então com freqüência maior a pintura, alimentando-se tematicamente no "mundo estranho e belo do romanceiro e das capas dos folhetos nordestinos", como escreveu Ariano Suassuna, que continua: - É nesse mundo que ele mergulha, procurando um reencontro com as raízes de seu sangue, e de onde regressa com seus pássaros de fogo, bichos monstruosos, anjos, caçadores, santos, serpentes, cachorros e profetas. Seu universo - como o da gravura popular nordestina, da qual ele é, ao mesmo tempo, o herdeiro e o rei - é povoado de pavões misteriosos, a ave-insígnia da Beleza, que mereceu esse título por ter as penas semelhantes a pedras preciosas incrustradas, a cabeça de serpente do Mal e os pés de ladrão maldosos e grosseiros do Feio, também integrado no ser do mundo; de bois encantados e cavalos marcados com o sino-salomão; de guerreiros do ar ou de virgens que saem de palmas como quem sai de um incêndio ou do fogo da sarça-ardente; de traições, estandartes e demônios. Para a pintura - arte, seja dito en passant, pela qual se iniciou - Samico carreou, em verdade, todo o seu apuro formal e um mundo de idéias fincado no chão de sua realidade nordestina, com excepcionais recursos de desenho e sobretudo aguda sensibilidade cromática. Não é de modo algum um gravador que pinta, mas um grande gravador que é também um extraordinário pintor. Seus 40 anos de gravura foram comemorados em 1997 com importante exposição no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. A luta dos anjos, xilogravura, 1968; 0,54 X 0,33, Museu Nacional de Belas Artes, RJ.