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Professor Doutor André Maurício
Monteiro
Trabalho de Defesas em
Pacientes Complexos
Estratégia de Intervenção: Protocolo Clássico
com fase 2 mais simplificada
EMDR e paciente com TEPT simples – poucas sessões e
resultados milagrosos.
A vasta maioria da clientela que acorre aos consultórios
com queixas mais complexas, versando não somente
sobre memórias perturbadoras, mas questões
interpessoais ou intrapessoais que comprometem a vida
de modo mais egossintônico.
Paciente normalmente hiper-responsivo
Acesso a Evento Chave é linear => causa – efeito
-A tomada de alvo de certas memórias-chave;
o uso focado de séries de movimentos
bilaterais; identificação de crenças negativas
relacionadas a eventos traumáticos;
identificação de uma crença positiva, mais
realista, decorrente de reprocessamento
apropriado e passível de substituir a crença
negativa.
-Alguns terapeutas tentam formar um modelo híbrido
de psicoterapia, o que pode significar lacuna de
elemento crucial do EMDR, como:
Ferramentas adicionais para pacientes com histórico
extenso de trauma ou infâncias com abuso e negligência
(traumas omissivos ou comissivos)
-Van der Kolk também se refere a esses
pacientes como portadores de transtorno de
trauma de desenvolvimento (2005).
Transtorno também denominado de Transtornos de
Estresse Extremo (van der Kolk, Roth, Pelcovitz,
Sunday e Spinazzola, 2005).
Necessidade de suplementar treinamento básico de
EMDR para tratamento de pessoas com transtorno de
apego significativo, estrutura de personalidade
dissociativa e defesas psicológicas rígidas (Forgash e
Knipe, 2007 e 2012) = TEPT Complexo.
-Ao menos TEPT não é mais listado como
transtorno de ansiedade e sim codificado como
transtorno relacionado a trauma e a estressores.
Termo não consta do DSM IV ou o DSM-5,
No livro Trauma and Recovery (1992), Judith Herman
usou o termo TEPT Complexo pela primeira vez, de
modo a descrever o conjunto de sintomas apresentados
por pacientes com antecedentes extensos de abuso e/ou
negligência.
(c) pensamentos e comportamentos evitativos;
(d) sintomas de hiperativação e reatividade
emocional associados ao evento traumático.
(b) sintomas intrusivos do tipo flashbacks,
pesadelos e disparadores emocionais
relacionados às vivências traumáticas;
(a) exposição a morte real ou a sua ameaça,
ferimento grave ou violência sexual;
Os critérios atuais para TEPT ainda incluem os sintomas
listados na definição do DSM IV: (foto alguém ansioso)
dificuldades de memória;
Alterações negativas em cognições e no humor;
A definição de TEPT também inclui referência aos subtipos
dissociativos, com acréscimo de sintomas de
despersonalização e desrealização.
Na versão do DSM-5 outros critérios foram incluídos, tais como:
A versão do DSM-5 não faz referências às
possibilidades etiológicas, consideradas por vários
terapeutas como resultantes de eventos traumáticos
na infância, mas também por falta de engajamento
parental durante infância precoce (atos omitivos e/ou
omissivos).
partes podem ser co-conscientes,
parcialmente conscientes ou sem consciência
entre si;
Memórias traumáticas armazenadas de
modo disfuncional
divisão da personalidade em partes ou entidades
Estrutura de Personalidade Dissociativa:
Podemos destacar as principais características de clientes
com TEPT Complexo:
Problemas para regulação de afetos
Padrões de apego inseguro e/ou
desorganizado nos vínculos atuais
Sintomas relacionados a transtornos de apego
Defesas de vergonha
Defesas idealizadoras
Defesas de esquiva, incluindo comportamentos de
adição
Defesas Psicológicas específicas:
Teicher, Samson, Polcari e McGreenery (2006)
descobriram que agressão verbal parental durante a
infância contribuiu para mais sintomas psiquiátricos
adultos (depressão, sintomas dissociativos e
hostilidade generalizada) do que abuso físico
intrafamiliar.
Há eventos aparentemente inócuos, ou de pouco impacto,
mas desestabilizadores o suficiente para deixar marcas
profundas e indeléveis = eventos adversos de vida, ou
eventos adversos de infância.
O fenômeno da traumatização se estende para além do
DSM.
Teicher (2000) também descobriu que o efeito
combinado de agressão verbal parental e violência
doméstica contribuíram para medidas de sintomas
psiquiátricos em adultos tanto quanto ou mais do que
nos casos de abuso sexual intrafamiliar.
-Quanto mais a criança for exposta a violência
doméstica, divórcio dos pais, punição excessiva ou
testemunho de abuso de substância pelos cuidadores,
depressão, potencial suicida, ou encarceramento –
- Maior a probabilidade de que a criança
dessa família transforme-se em adulto com
problemas físicos ou mentais: abuso de
substâncias, depressão, doença
cardiovascular, diabetes, câncer e/ou
mortalidade prematura (Afifi, Mota, Dasiewicz,
MacMillan e Sarren, 2012), bem como risco
mais elevado de psicose (Varese et al., 2012).
Os efeitos perniciosos de experiências adversas de
infância (Felitti, 2013) aparentam ser cumulativos –
Felizmente, a maioria dos eventos perturbadores de
vida são processados e significados sem auxílio de
terapia.
Parece que tanto traumas evidentes quanto eventos
adversos de infância (EAI) promovem sintomas
semelhantes e podem ser resolvidos de modo
semelhante pelo EMDR.
Isso resulta não somente de traumas comissivos como de
omissivos (falta de apoio em geral, falta de espelhamento
para a criança, falta de engajamento parental ou falta de
orientação) (Lyons-Ruth, Dutra, Schuder e Bianchi, 2006).
Resumidamente, transtornos emocionais ou perturbações de
comportamento atuais podem relacionar-se a eventos anteriores
com características não ameaçadoras à vida, mas ainda assim
prejudiciais à saúde do indivíduo.
Pacientes com início de TEPT na infância
demandam intervenção mais prolongada com
EMDR, de modo a se incluir não somente o foco de
memórias perturbadoras, mas também dificuldades
em tarefas de desenvolvimento; defesas
psicológicas incluídas na estrutura de personalidade
da pessoa, derivadas das tentativas de adaptação
do cliente a ambiente ameaçador na infância, bem
como separação dissociativa de estados de ego.
Conforme Jim Knipe (2015), podemos avaliar o
resultado de vivências traumáticas no
desenvolvimento da personalidade de modos
Apesar de surgirem como reação a vivências
disfuncionais, incluem defesas patológicas, separação
dissociativas de partes do Self, crenças limitantes
sobre si mesmos/os outros e padrões disruptivos de
apego.
Podemos pensar nisso como elementos disfuncionalmente
armazenados (EDA) (Gonzales e Mosquera, 2012,
Gonzales et al, 2012).
Com frequência essas adaptações específicas não se
enquadram diretamente na categoria de memórias específicas
armazenadas de modo disfuncional.
Portanto, memória seria uma subcategoria de
elementos disfuncionalmente armazenados (EDA).
O aspecto fundamental que confere o título de
traumático é o reviver, a recordação vívida do
evento passado, como se estivesse no presente,
normalmente acompanhado por certa perda da
realidade do momento.
Podemos entender memória como os modos pelos quais
as experiências de vida do indivíduo no passado afetam
seu funcionamento no presente – não apenas a maneira
como a pessoa relembrança, mas a percepção, a
previsão do futuro, os modos de proteger o self de
emoções intensas e até mesmo os jeitos de se definir o
Self.
Um princípio do Processamento Adaptativo de Informação
(PAI) é o de que sintomas e transtornos resultam de memórias
armazenadas de modo disfuncional.
-Uma parte que enfrenta o mundo; encontra-se
orientada para a realidade consensual, externa e
ligada ao presente; e administra, de modo normal,
relacionamentos e tarefas do cotidiano.
Essa parte recebe diferentes nomes, dependendo do
autor (Schwarz, 1995; van der Hart, et al, 2006), mas
tendem a apresentar características em comum,
A maioria dos clientes com problemas emocionais graves têm
uma parte da personalidade que objetiva aparentar ser
normal, sentir-se normal e até mesmo que deseja ser normal.
Essas experiências impedem a criança de passar por processo
de integração saudável da personalidade.
Uma forma de lidar com esse conteúdo perturbador é
a organização de certas defesas que protejam a parte
normal desse conteúdo desestabilizador.
O material traumático compromete a sobrevivência, se
considerarmos que invade a parte normal da
personalidade e interfere com a percepção e vivência do
presente.
A estranheza cria isolamento e rechaço, o que em nossa
espécie significa riscos de sobrevivência.
Se uma parte não aparenta ser normal, com frequência é
encarregada de monitorar a adesão às expectativas de
normalidade por outra partes.
Podemos, portanto, definir (Knipe, 2015) a defesa no âmbito do
PAI como qualquer função mental ou ação comportamental que
tenha a função de prevenir intrusão de partes traumatizadas na
parte normal do self.
Nosso desafio é criar mecanismos de elaborar essas
defesas o suficiente, de modo a permitir o acesso
consequente reprocessamento do conteúdo perturbador,
isolado da parte normal da personalidade.
Se por um lado essa montagem defensiva protege o self,
também dificulta/impede acesso do terapeuta ao material
traumático, perpetuando a traumatização.
Alguns exemplos de defesa (evitativa) podem ser: Essa
pessoa querida morreu, mas prefiro não falar sobre esse
assunto.
Podemos classificar as principais defesas como evitativas,
idealizadoras e de vergonha.
Esse padrasto abusou de mim, mas prefiro nem pensar a
respeito.
Em suma, o sistema de Processamento Adaptativo de
Informação pode falhar tanto por (1) memórias
traumáticas quanto por (2) defesas organizadas pela
pessoa e que impedem a invasão do Self pelas
recordações traumáticas, mas impedem o acesso
apropriado do terapeuta ao material traumático.
defesas evitativas conseguem conter a ansiedade
fóbica com eficácia – o melhor jeito de não ter medo
de voar é simplesmente nunca pegar um avião!
Meus pais brigavam muito antes do divórcio, mas aprendi
a me desligar; ou Tenho tanto medo que receio avançar na
terapia e ficar com medo.
Defesas evitativas – essência do TEPT
Podemos caracterizar as defesas como categorizadas
principalmente:
exemplo
A associação catártica, seguida de dissociação
evitativa não podem ser completamente evitadas, e
parte da psicoeducação tem por objetivo preparar o
paciente para essa possibilidade.
A defesa evitativa promove reorientação ao presente, o que
também pode ocorrer com um papel sendo jogado entre
terapeuta e paciente ou um gole de água.
A defesa evitativa é um impulso, não influenciado pela
cognição e tem o propósito de interromper a fluidez de um
afeto perturbador que entra na consciência.
Consigo me lembrar claramente daquela vivência
traumática, mas não me incomoda mais. Isso ajudou
a formar meu caráter.
Ele me xingava, mas esse é o jeito dele. É só a gente
não ligar para isso. No fundo é uma ótima pessoa.
Minha mãe agia dessa forma comigo por causa da mãe
dela. Foi o jeito como ela aprendeu. Não podia dar amor,
porque não recebeu também. Ela fez o melhor que pode.
Meu pai me batia muito, mas foi bom para minha educação.
Eu era muito levado. Merecia isso.
Defesas idealizadoras
Durante um reprocessamento ou mesmo durante fase mais
verbal, a associação resultante de uma recordação antes
dissociada pode ser muito perturbadora para o paciente,
em especial se acompanhada por catarse, pois a pessoa
sente-se momentaneamente confusa.
Como fazer com esses pacientes, cuja defesa é uma fiel aliada
há vários anos? O ideal é redefinir o alvo e tomar a defesa
como ponto de partida.
Se a pessoa preserva uma imagem idealizada de um tempo
(infância), uma pessoa (progenitores, o próprio self), não
consegue acessar desamparo, fragilidade, medo, raiva,
vergonha etc, o que também impede o acesso ao material
traumático.
- exemplo
Esse equilíbrio precário precisa ser abordado como alvo (a
pessoa vai inicialmente ficar pior), de modo a se alcançar o
conteúdo armazenado de modo disfuncional e conquistar uma
visão mais realista das pessoas e dos contextos.
Podemos dizer que a vergonha é uma ilusão de
responsabilidade pessoal pelo que aconteceu e
permite à pessoa negar a realidade de sua
impotência durante o trauma – lócus de controle
O perpetrador deveria se sentir envergonhado, o
que raramente ocorre.
Crianças e adultos podem sentir muita vergonha depois
de um abuso sexual: deve haver algo errado comigo
A função de vergonha pode ser positiva para a pessoa se
dar conta de ter feito algo negativo, mas também pode ser
o resultado de uma transgressão moral.
O afeto de vergonha tem uma função de interromper outros
afetos (principalmente de interesse ou de ativação)
(Nathason, 1992).
A vergonha às vezes também pode funcionar como defesa.
Se paciente for imperfeito e tentar melhorar,
recupera certo controle sobre a situação. Quem
sabe assim os paisvão mudar e mostrar o que têm
de bom.
Lógica encontra respaldo na sobrevivência: se pais
reconhecidos como abusivos, negligentes e
desengajados – paciente era criança inocente, sem
forças para se defender e impotente diante do mundo,
sem esperança de eles mudarem = risco de
sobrevivência.
Dentro da lógica da criança, melhor ser um menino mau
com bons pais, do que uma criança boa com pais maus.
Esse tipo de vergonha defensiva normalmente ocorre com uma
defesa idealizada.
A vergonha é, para além da organização cognitiva,
uma emoção com poder de mobilizar a pessoa
visceralmente, ativando ativação parassimpática do
sistema vagal dorsal (Porges, 2007), criando um
resposta condicionada de paralisia a situações de
ameaça à sobrevivência física e/ou emocional da
pessoa.
Se a criança traz para si o controle (eu é que sou mau/não
merecedor etc), há uma relativa recuperação de controle,
mesmo com o alto preço da autoestima prejudicada.
Ross (2012) fala sobre essa mudança de lócus de controle em
uma situação em que a criança não tem controle.
Tentativas do terapeuta de acessar a defesa
provocam reações de intensificação da defesa –
conteúdo traumático ameaça a sobrevivência da
parte normal da personalidade.
Contenção bem-sucedida = experienciada como
positiva.
O afeto da defesa é um afeto positivo.
À medida que a defesa for processada, há uma redução
paralela na intensidade emocional do material traumático
subjacente.
Um exemplo é o medo de falar em público.
Quando a defesa pode ser tomada como o alvo preferencial
da terapia – tendo em vista a dificuldade de acesso ao
material traumático, tentamos tomar como alvo as imagens
positivas, as frases positivas sobre o self, as emoções
positivas, pois todo esse conteúdo positivo impede o acesso
ao material evitado... e que precisa ser acessado para que
a pessoa consiga avançar em um processo terapêutico
mais abrangente.
Terapeuta pergunta novamente: Onde você percebe
esse “9” em seu corpo?
Exemplo: Neste momento, de zero a 10, sendo zero =
nada e 10 o máximo possível, o quanto que você NÃO
quer pensar sobre o que aconteceu? O quanto você
preferiria falar sobre qualquer outra coisa? Paciente
diz: “9”.
O NUPE pode ser usado para avaliar a esquiva, a evitação
gerada internamente para evitar conteúdos
emocionais/memória.
Baseado nas medidas de A. J. Popky (1994 e 2005), que fala
sobre a medida do nível de urgência (Level of Urge), ou
fissura, Knipe (2015) fala sobre o Nível de Urgência Para Evitar
(NUPE) (Level of Urge to Avoid – LOUA).
Terapeuta: siga com isso.
Paciente: Não sei.
Terapeuta: Siga com isso... Paciente: Se eu falar sobre
isso, pode ser que as pessoas tenham uma opinião
diferente sobre mim.
Paciente: Ocorreu-me que se eu pensar sobre isso, pode
ser que eu fale sobre coisas que nunca falei antes/perca
o controle.
Neste momento, você consegue manter em sua mente o
quanto você NÃO quer falar sobre isso e observar essa
emoção que sente em seu corpo – a emoção de não querer
falar sobre isso... e siga meus dedos (movimento bilateral).
Terapeuta: siga com isso. Ou muda para o protocolo
tradicional.
Parar aqui.
Acho que talvez eu possa pensar sobre o que aconteceu.
Acho que veio uma tranquilidade. Terapeuta: E agora, de 0 a
10, o quanto você Não quer pensar a respeito? Paciente: acho
que uns 3.
Com frequência a urgência é primariamente uma
emoção, enraizada em memória implícita, em grande
medida situada fora do campo de consciência, fora da
influência do insight cognitivo ou de uma decisão
consciente.
Normalmente, parte da perturbação associada à memória
também diminui.
Portanto, considerado o PAI, podemos focalizar, em um
ambiente seguro e apoiador, a defesa que bloqueia o
andamento do conteúdo e, depois de dessensibilizá-la (=
NUPE se reduz), focalizar a memória perturbadora com
protocolo tradicional.
Jim Knipe
Paciente diz: não é possível que isso tenha
acontecido (provável referência ao discurso do
abusador: isso não aconteceu! Ninguém vai
acreditar em você. Não confie em sua memória,
somente no que eu te digo).
Outras possibilidades:
Narcisismo: está frequentemente conectado com defesas
específicas de culpabilizar automaticamente os outros pelas
dificuldades pessoas, bem como uma defesa de
permanecer emocionalmente distante e não empático com
relação aos outros, o que normalmente é uma defesa contra
o dar-se conta integralmente das experiências dolorosas
que ocorreram no passado, com cuidadores
emocionalmente distantes (engajamento precário ou
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  • 1. Professor Doutor André Maurício Monteiro Trabalho de Defesas em Pacientes Complexos
  • 2. Estratégia de Intervenção: Protocolo Clássico com fase 2 mais simplificada EMDR e paciente com TEPT simples – poucas sessões e resultados milagrosos. A vasta maioria da clientela que acorre aos consultórios com queixas mais complexas, versando não somente sobre memórias perturbadoras, mas questões interpessoais ou intrapessoais que comprometem a vida de modo mais egossintônico. Paciente normalmente hiper-responsivo Acesso a Evento Chave é linear => causa – efeito
  • 3. -A tomada de alvo de certas memórias-chave; o uso focado de séries de movimentos bilaterais; identificação de crenças negativas relacionadas a eventos traumáticos; identificação de uma crença positiva, mais realista, decorrente de reprocessamento apropriado e passível de substituir a crença negativa. -Alguns terapeutas tentam formar um modelo híbrido de psicoterapia, o que pode significar lacuna de elemento crucial do EMDR, como: Ferramentas adicionais para pacientes com histórico extenso de trauma ou infâncias com abuso e negligência (traumas omissivos ou comissivos)
  • 4. -Van der Kolk também se refere a esses pacientes como portadores de transtorno de trauma de desenvolvimento (2005). Transtorno também denominado de Transtornos de Estresse Extremo (van der Kolk, Roth, Pelcovitz, Sunday e Spinazzola, 2005). Necessidade de suplementar treinamento básico de EMDR para tratamento de pessoas com transtorno de apego significativo, estrutura de personalidade dissociativa e defesas psicológicas rígidas (Forgash e Knipe, 2007 e 2012) = TEPT Complexo.
  • 5. -Ao menos TEPT não é mais listado como transtorno de ansiedade e sim codificado como transtorno relacionado a trauma e a estressores. Termo não consta do DSM IV ou o DSM-5, No livro Trauma and Recovery (1992), Judith Herman usou o termo TEPT Complexo pela primeira vez, de modo a descrever o conjunto de sintomas apresentados por pacientes com antecedentes extensos de abuso e/ou negligência.
  • 6. (c) pensamentos e comportamentos evitativos; (d) sintomas de hiperativação e reatividade emocional associados ao evento traumático. (b) sintomas intrusivos do tipo flashbacks, pesadelos e disparadores emocionais relacionados às vivências traumáticas; (a) exposição a morte real ou a sua ameaça, ferimento grave ou violência sexual; Os critérios atuais para TEPT ainda incluem os sintomas listados na definição do DSM IV: (foto alguém ansioso)
  • 7. dificuldades de memória; Alterações negativas em cognições e no humor; A definição de TEPT também inclui referência aos subtipos dissociativos, com acréscimo de sintomas de despersonalização e desrealização. Na versão do DSM-5 outros critérios foram incluídos, tais como:
  • 8. A versão do DSM-5 não faz referências às possibilidades etiológicas, consideradas por vários terapeutas como resultantes de eventos traumáticos na infância, mas também por falta de engajamento parental durante infância precoce (atos omitivos e/ou omissivos).
  • 9. partes podem ser co-conscientes, parcialmente conscientes ou sem consciência entre si; Memórias traumáticas armazenadas de modo disfuncional divisão da personalidade em partes ou entidades Estrutura de Personalidade Dissociativa: Podemos destacar as principais características de clientes com TEPT Complexo:
  • 10. Problemas para regulação de afetos Padrões de apego inseguro e/ou desorganizado nos vínculos atuais Sintomas relacionados a transtornos de apego Defesas de vergonha Defesas idealizadoras Defesas de esquiva, incluindo comportamentos de adição Defesas Psicológicas específicas:
  • 11. Teicher, Samson, Polcari e McGreenery (2006) descobriram que agressão verbal parental durante a infância contribuiu para mais sintomas psiquiátricos adultos (depressão, sintomas dissociativos e hostilidade generalizada) do que abuso físico intrafamiliar. Há eventos aparentemente inócuos, ou de pouco impacto, mas desestabilizadores o suficiente para deixar marcas profundas e indeléveis = eventos adversos de vida, ou eventos adversos de infância. O fenômeno da traumatização se estende para além do DSM.
  • 12.
  • 13. Teicher (2000) também descobriu que o efeito combinado de agressão verbal parental e violência doméstica contribuíram para medidas de sintomas psiquiátricos em adultos tanto quanto ou mais do que nos casos de abuso sexual intrafamiliar.
  • 14. -Quanto mais a criança for exposta a violência doméstica, divórcio dos pais, punição excessiva ou testemunho de abuso de substância pelos cuidadores, depressão, potencial suicida, ou encarceramento – - Maior a probabilidade de que a criança dessa família transforme-se em adulto com problemas físicos ou mentais: abuso de substâncias, depressão, doença cardiovascular, diabetes, câncer e/ou mortalidade prematura (Afifi, Mota, Dasiewicz, MacMillan e Sarren, 2012), bem como risco mais elevado de psicose (Varese et al., 2012). Os efeitos perniciosos de experiências adversas de infância (Felitti, 2013) aparentam ser cumulativos –
  • 15. Felizmente, a maioria dos eventos perturbadores de vida são processados e significados sem auxílio de terapia. Parece que tanto traumas evidentes quanto eventos adversos de infância (EAI) promovem sintomas semelhantes e podem ser resolvidos de modo semelhante pelo EMDR. Isso resulta não somente de traumas comissivos como de omissivos (falta de apoio em geral, falta de espelhamento para a criança, falta de engajamento parental ou falta de orientação) (Lyons-Ruth, Dutra, Schuder e Bianchi, 2006). Resumidamente, transtornos emocionais ou perturbações de comportamento atuais podem relacionar-se a eventos anteriores com características não ameaçadoras à vida, mas ainda assim prejudiciais à saúde do indivíduo.
  • 16. Pacientes com início de TEPT na infância demandam intervenção mais prolongada com EMDR, de modo a se incluir não somente o foco de memórias perturbadoras, mas também dificuldades em tarefas de desenvolvimento; defesas psicológicas incluídas na estrutura de personalidade da pessoa, derivadas das tentativas de adaptação do cliente a ambiente ameaçador na infância, bem como separação dissociativa de estados de ego.
  • 17. Conforme Jim Knipe (2015), podemos avaliar o resultado de vivências traumáticas no desenvolvimento da personalidade de modos Apesar de surgirem como reação a vivências disfuncionais, incluem defesas patológicas, separação dissociativas de partes do Self, crenças limitantes sobre si mesmos/os outros e padrões disruptivos de apego. Podemos pensar nisso como elementos disfuncionalmente armazenados (EDA) (Gonzales e Mosquera, 2012, Gonzales et al, 2012). Com frequência essas adaptações específicas não se enquadram diretamente na categoria de memórias específicas armazenadas de modo disfuncional.
  • 18. Portanto, memória seria uma subcategoria de elementos disfuncionalmente armazenados (EDA). O aspecto fundamental que confere o título de traumático é o reviver, a recordação vívida do evento passado, como se estivesse no presente, normalmente acompanhado por certa perda da realidade do momento. Podemos entender memória como os modos pelos quais as experiências de vida do indivíduo no passado afetam seu funcionamento no presente – não apenas a maneira como a pessoa relembrança, mas a percepção, a previsão do futuro, os modos de proteger o self de emoções intensas e até mesmo os jeitos de se definir o Self. Um princípio do Processamento Adaptativo de Informação (PAI) é o de que sintomas e transtornos resultam de memórias armazenadas de modo disfuncional.
  • 19. -Uma parte que enfrenta o mundo; encontra-se orientada para a realidade consensual, externa e ligada ao presente; e administra, de modo normal, relacionamentos e tarefas do cotidiano. Essa parte recebe diferentes nomes, dependendo do autor (Schwarz, 1995; van der Hart, et al, 2006), mas tendem a apresentar características em comum, A maioria dos clientes com problemas emocionais graves têm uma parte da personalidade que objetiva aparentar ser normal, sentir-se normal e até mesmo que deseja ser normal. Essas experiências impedem a criança de passar por processo de integração saudável da personalidade.
  • 20. Uma forma de lidar com esse conteúdo perturbador é a organização de certas defesas que protejam a parte normal desse conteúdo desestabilizador. O material traumático compromete a sobrevivência, se considerarmos que invade a parte normal da personalidade e interfere com a percepção e vivência do presente. A estranheza cria isolamento e rechaço, o que em nossa espécie significa riscos de sobrevivência. Se uma parte não aparenta ser normal, com frequência é encarregada de monitorar a adesão às expectativas de normalidade por outra partes.
  • 21. Podemos, portanto, definir (Knipe, 2015) a defesa no âmbito do PAI como qualquer função mental ou ação comportamental que tenha a função de prevenir intrusão de partes traumatizadas na parte normal do self.
  • 22. Nosso desafio é criar mecanismos de elaborar essas defesas o suficiente, de modo a permitir o acesso consequente reprocessamento do conteúdo perturbador, isolado da parte normal da personalidade. Se por um lado essa montagem defensiva protege o self, também dificulta/impede acesso do terapeuta ao material traumático, perpetuando a traumatização.
  • 23. Alguns exemplos de defesa (evitativa) podem ser: Essa pessoa querida morreu, mas prefiro não falar sobre esse assunto. Podemos classificar as principais defesas como evitativas, idealizadoras e de vergonha. Esse padrasto abusou de mim, mas prefiro nem pensar a respeito. Em suma, o sistema de Processamento Adaptativo de Informação pode falhar tanto por (1) memórias traumáticas quanto por (2) defesas organizadas pela pessoa e que impedem a invasão do Self pelas recordações traumáticas, mas impedem o acesso apropriado do terapeuta ao material traumático.
  • 24. defesas evitativas conseguem conter a ansiedade fóbica com eficácia – o melhor jeito de não ter medo de voar é simplesmente nunca pegar um avião! Meus pais brigavam muito antes do divórcio, mas aprendi a me desligar; ou Tenho tanto medo que receio avançar na terapia e ficar com medo. Defesas evitativas – essência do TEPT Podemos caracterizar as defesas como categorizadas principalmente:
  • 25. exemplo A associação catártica, seguida de dissociação evitativa não podem ser completamente evitadas, e parte da psicoeducação tem por objetivo preparar o paciente para essa possibilidade. A defesa evitativa promove reorientação ao presente, o que também pode ocorrer com um papel sendo jogado entre terapeuta e paciente ou um gole de água. A defesa evitativa é um impulso, não influenciado pela cognição e tem o propósito de interromper a fluidez de um afeto perturbador que entra na consciência.
  • 26. Consigo me lembrar claramente daquela vivência traumática, mas não me incomoda mais. Isso ajudou a formar meu caráter. Ele me xingava, mas esse é o jeito dele. É só a gente não ligar para isso. No fundo é uma ótima pessoa. Minha mãe agia dessa forma comigo por causa da mãe dela. Foi o jeito como ela aprendeu. Não podia dar amor, porque não recebeu também. Ela fez o melhor que pode. Meu pai me batia muito, mas foi bom para minha educação. Eu era muito levado. Merecia isso. Defesas idealizadoras
  • 27. Durante um reprocessamento ou mesmo durante fase mais verbal, a associação resultante de uma recordação antes dissociada pode ser muito perturbadora para o paciente, em especial se acompanhada por catarse, pois a pessoa sente-se momentaneamente confusa. Como fazer com esses pacientes, cuja defesa é uma fiel aliada há vários anos? O ideal é redefinir o alvo e tomar a defesa como ponto de partida.
  • 28. Se a pessoa preserva uma imagem idealizada de um tempo (infância), uma pessoa (progenitores, o próprio self), não consegue acessar desamparo, fragilidade, medo, raiva, vergonha etc, o que também impede o acesso ao material traumático.
  • 29. - exemplo Esse equilíbrio precário precisa ser abordado como alvo (a pessoa vai inicialmente ficar pior), de modo a se alcançar o conteúdo armazenado de modo disfuncional e conquistar uma visão mais realista das pessoas e dos contextos.
  • 30. Podemos dizer que a vergonha é uma ilusão de responsabilidade pessoal pelo que aconteceu e permite à pessoa negar a realidade de sua impotência durante o trauma – lócus de controle O perpetrador deveria se sentir envergonhado, o que raramente ocorre. Crianças e adultos podem sentir muita vergonha depois de um abuso sexual: deve haver algo errado comigo A função de vergonha pode ser positiva para a pessoa se dar conta de ter feito algo negativo, mas também pode ser o resultado de uma transgressão moral. O afeto de vergonha tem uma função de interromper outros afetos (principalmente de interesse ou de ativação) (Nathason, 1992). A vergonha às vezes também pode funcionar como defesa.
  • 31. Se paciente for imperfeito e tentar melhorar, recupera certo controle sobre a situação. Quem sabe assim os paisvão mudar e mostrar o que têm de bom. Lógica encontra respaldo na sobrevivência: se pais reconhecidos como abusivos, negligentes e desengajados – paciente era criança inocente, sem forças para se defender e impotente diante do mundo, sem esperança de eles mudarem = risco de sobrevivência. Dentro da lógica da criança, melhor ser um menino mau com bons pais, do que uma criança boa com pais maus. Esse tipo de vergonha defensiva normalmente ocorre com uma defesa idealizada.
  • 32. A vergonha é, para além da organização cognitiva, uma emoção com poder de mobilizar a pessoa visceralmente, ativando ativação parassimpática do sistema vagal dorsal (Porges, 2007), criando um resposta condicionada de paralisia a situações de ameaça à sobrevivência física e/ou emocional da pessoa. Se a criança traz para si o controle (eu é que sou mau/não merecedor etc), há uma relativa recuperação de controle, mesmo com o alto preço da autoestima prejudicada. Ross (2012) fala sobre essa mudança de lócus de controle em uma situação em que a criança não tem controle.
  • 33. Tentativas do terapeuta de acessar a defesa provocam reações de intensificação da defesa – conteúdo traumático ameaça a sobrevivência da parte normal da personalidade. Contenção bem-sucedida = experienciada como positiva. O afeto da defesa é um afeto positivo. À medida que a defesa for processada, há uma redução paralela na intensidade emocional do material traumático subjacente. Um exemplo é o medo de falar em público.
  • 34. Quando a defesa pode ser tomada como o alvo preferencial da terapia – tendo em vista a dificuldade de acesso ao material traumático, tentamos tomar como alvo as imagens positivas, as frases positivas sobre o self, as emoções positivas, pois todo esse conteúdo positivo impede o acesso ao material evitado... e que precisa ser acessado para que a pessoa consiga avançar em um processo terapêutico mais abrangente.
  • 35. Terapeuta pergunta novamente: Onde você percebe esse “9” em seu corpo? Exemplo: Neste momento, de zero a 10, sendo zero = nada e 10 o máximo possível, o quanto que você NÃO quer pensar sobre o que aconteceu? O quanto você preferiria falar sobre qualquer outra coisa? Paciente diz: “9”. O NUPE pode ser usado para avaliar a esquiva, a evitação gerada internamente para evitar conteúdos emocionais/memória. Baseado nas medidas de A. J. Popky (1994 e 2005), que fala sobre a medida do nível de urgência (Level of Urge), ou fissura, Knipe (2015) fala sobre o Nível de Urgência Para Evitar (NUPE) (Level of Urge to Avoid – LOUA).
  • 36. Terapeuta: siga com isso. Paciente: Não sei. Terapeuta: Siga com isso... Paciente: Se eu falar sobre isso, pode ser que as pessoas tenham uma opinião diferente sobre mim. Paciente: Ocorreu-me que se eu pensar sobre isso, pode ser que eu fale sobre coisas que nunca falei antes/perca o controle. Neste momento, você consegue manter em sua mente o quanto você NÃO quer falar sobre isso e observar essa emoção que sente em seu corpo – a emoção de não querer falar sobre isso... e siga meus dedos (movimento bilateral).
  • 37. Terapeuta: siga com isso. Ou muda para o protocolo tradicional. Parar aqui. Acho que talvez eu possa pensar sobre o que aconteceu. Acho que veio uma tranquilidade. Terapeuta: E agora, de 0 a 10, o quanto você Não quer pensar a respeito? Paciente: acho que uns 3.
  • 38. Com frequência a urgência é primariamente uma emoção, enraizada em memória implícita, em grande medida situada fora do campo de consciência, fora da influência do insight cognitivo ou de uma decisão consciente. Normalmente, parte da perturbação associada à memória também diminui. Portanto, considerado o PAI, podemos focalizar, em um ambiente seguro e apoiador, a defesa que bloqueia o andamento do conteúdo e, depois de dessensibilizá-la (= NUPE se reduz), focalizar a memória perturbadora com protocolo tradicional. Jim Knipe
  • 39. Paciente diz: não é possível que isso tenha acontecido (provável referência ao discurso do abusador: isso não aconteceu! Ninguém vai acreditar em você. Não confie em sua memória, somente no que eu te digo). Outras possibilidades: Narcisismo: está frequentemente conectado com defesas específicas de culpabilizar automaticamente os outros pelas dificuldades pessoas, bem como uma defesa de permanecer emocionalmente distante e não empático com relação aos outros, o que normalmente é uma defesa contra o dar-se conta integralmente das experiências dolorosas que ocorreram no passado, com cuidadores emocionalmente distantes (engajamento precário ou inexistente) Jim Knipe

Notas do Editor

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