Desenvolvimento da depressão - Curso Psicologia da Depressão

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Curso Psicologia Cognitiva da Depressão por Professor Felipe de Souza - www.psicologiamsn.com

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Desenvolvimento da depressão - Curso Psicologia da Depressão

  1. 1. Curso Psicologia Cognitiva da Depressão Por Professor Felipe de Souza www.psicologiamsn.com
  2. 2. A predisposição à depressão Entre os conceitos centrais na patogênese da depressão estão as atitudes das pessoas em relação a si mesmas, ao ambiente e ao futuro. Uma vez que a formulação de todos os três tipos de conceitos é semelhante, a dos autoconceitos pode servir de padrão para as outras duas.
  3. 3. A predisposição à depressão Os autoconceitos das pessoas são aglomerados de atitudes sobre si mesmas, algumas favoráveis e outras desfavoráveis. Esses aglomerados consistem em generalizações baseadas em interações com o ambiente. Assim, forma-se um ciclo: cada juízo negativo fortalece a autoimagem negativa, que por sua vez facilita a interpretação negativa das vivências posteriores, as quais consolidam o autoconceito negativo.
  4. 4. Autoconceitos Entre os autoconceitos positivos (ou autoengrandecedores) positivos estão atitudes como “sou capaz”, “sou atraente”, “posso conseguir o que quero”, “sou capaz de entender problemas e resolvê-los”. Exemplos de autoconceitos negativos (ou autodepreciativos) são “sou fraco”, “sou inferior”, “sou detestável” e “não sou capaz de fazer nada direito”.
  5. 5. Juízos de valor e afeto Quando vem a si mesmos positivamente, como admiráveis, vivenciam um afeto agradável. Estabelecidas as rotas entre um determinado conceito, tal como “sou inepto”, e o afeto negativo, a pessoa vivencia o afeto desagradável toda vez que faz um juízo negativo.
  6. 6. Vulnerabilidade Os autoconceitos negativos, embora possam não ser perceptíveis, mantém-se na surdina e, em uma situação eliciadora, podem vir à tona. “Quando todos os componentes da constelação de características de depressão são ativados, ocorre o seguinte: os indivíduos interpretam uma vivência como representativa de derrota ou frustração pessoal; atribuem essa derrota a algum defeito em si mesmos; consideram-se sem valor por terem esse traço; culpam a si mesmos por terem adquirido essa característica e não gostam de si mesmos por isso; como eles consideram o traço uma parte intrínseca de si mesmos, não têm esperança de mudar e veem o futuro como desprovido de satisfação ou repleto de dor” (BECK, p. 211).
  7. 7. Estresse específico Exemplo: executiva que veio de uma classe baixa sentia-se inferior Situações que previsivelmente diminuiriam a autoestima de um indivíduo são precipitadores frequentes frequentes de depressão. Algumas observadas na prática clínica incluem reprovação em uma prova, rejeição pelo namorado ou pela namorada, rejeição por associação estudantil e demissão (BECK, p. 212).
  8. 8. Estresse específico Essas circunstâncias produziriam sentimentos de dor ou frustração na maioria das pessoas, mas não causariam depressão. O indivíduo deve ser peculiarmente sensível à situação e deve ter a constelação pré-depressiva necessária para desenvolver depressão clínica (BECK, p. 212).
  9. 9. Moderação genética do vínculo estresse-depressão Estudo: “A influência de eventos estressantes na predição de depressão foi moderada (afetada) por um polimorfismo funcional na região promotora do gene transportador da serotonina (5-HTT). Aqueles com uma ou duas cópias do alelo curto do polimorfismo diferiam dos indivíduos homozigóticos para o alelo longo. Especificamente, o alelo curto estava associado a mais depressão e tentativas ou pensamentos suicidas em resposta a estresse comparados com indivíduos homozigóticos para o alelo longo. Entretanto, os autores reconheceram que o estudo não fornece evidências inequívocas de um gene por interação com estresse, pois é possível que a frequente exposição a eventos estressantes seja ela mesma mediada pela variação genética (BECK, p. 213).
  10. 10. Moderação genética do vínculo estresse-depressão Nemeroff e Vale assinalaram que a maioria dos transtornos psiquiátricos incluindo transtornos de humor e de ansiedade, são de natureza poligênica, e não dterminados pela tradicional genética mendeliana autossômica-dominante (BECK, p. 214).
  11. 11. Estresse não específico Às vezes a depressão é precipitada, não por um único incidente esmagador, mas por uma série de eventos traumáticos (BECK, p. 214).
  12. 12. Organização da personalidade na depressão - Como o pensamento depressivo peculiar torna-se dominante? Por que o paciente deprimido agarra-se com tanta tenacidade a ideias dolorosas, mesmo quando confrontado com evidências em contrário? Qual é a relação entre pensamento e afeto?
  13. 13. Literatura sobre organizações cognitivas Exemplos de estruturas cognitivas: “conceitualizações de Freud dos processos primários e secundários, o conceito de autoimagem de Horney, a formulação do autoconceito de Rogers, a teoria dos construtos pessoais de Kelly, o conceito de autoverbalizações de Ellis. Harvey e colaboradores apresentaram o modelo mais completo de sistemas conceituais em psicopatologias específicas, incluindo a depressão” (BECK, p. 216).
  14. 14. Definição de esquemas Um determinado indivíduo tende a mostrar consistências no modo como responde a tipos semelhantes de eventos (...) Padrões estereotipados ou repetitivos de conceitualização são considerados manifestações de organizações ou estruturas cognitivas.
  15. 15. Definição de esquemas Uma estrutura cognitiva é um componente relativamente duradouro de uma organização cognitiva, em contraste como um processo cognitivo, que é transitório. Esquema é uma estrutura para classificar, codificar e avaliar os estímulos que afetam o organismo.
  16. 16. Definição de esquemas Quando um determinado conjunto de estímulos afetam o indivíduo, um esquema pertinente a esses estímulos é ativado. O esquema condensa e molda os dados brutos em cognições. Uma cognição refere-se a qualquer atividade mental que possui conteúdo verbal; assim, ela inclui não somente ideias ou juízos, mas também autoinstruções, autocríticas e desejos verbalmente articulados.
  17. 17. Definição de esquemas Como são estruturas, os esquemas também se caracterizam por outras qualidades, tais como flexibilidade-inflexibilidade, abertura-fechamento, permeabilidade-impermeabilidade e concretude-abstração.
  18. 18. Identificação dos esquemas A característica mais marcante dos esquemas é o seu conteúdo. O conteúdo geralmente tem a forma de uma generalização que corresponde às atitudes, aos objetivos, aos valores e às concepções do indivíduo. Exemplo: estudante que tinha a crença “eu sou burra”.
  19. 19. Esquemas na depressão A ideação nos indivíduos deprimidos é matizada por certos temas depressivos típicos. A interpretação das vivências, a explicação para sua ocorrência e as perspectivas para o futuro demonstram, respectivamente, temas de deficiência pessoal, autorrecriminação e expectativas negativas.
  20. 20. Modos de psicopatologia A maneira como os esquemas se inter-relacionam na coordenação dos diversos sistemas psicológicos é referida como modo. O modo é a ativação dos conglomerados de esquemas e varia segundo o contexto e a percepção que o indivíduo tem dos eventos.
  21. 21. Distorção e erros de interpretação Quando procuramos prever a resposta a uma situação de estímulo, é evidente que existem diversos modos possíveis de interpretar uma situação. Na depressão e outros tipos de psicopatologia, a organizada correspondência de estímulo e esquema é perturbada pela intromissão dos esquemas idiossincráticos hiperativos.
  22. 22. Distorção e erros de interpretação Somente os detalhes da situação de estímulo compatíveis com o esquema são selecionados, e estes são reorganizados de forma a torná-los congruentes com o esquema. Em outras palavras, em vez de um esquema ser selecionado para ajustar-se a detalhes externos, os detalhes são seletivamente extraídos e moldados para que se ajustem ao esquema.
  23. 23. Perseveração (ruminação) À medida que a depressão avança, os pacientes perdem o controle sobre seus processos de pensamento; ou seja, mesmo quando tentam focar em outros assuntos, as cognições depressivas continuam se intrometer e ocupar uma posição central. Nolen-Hoeksema e colaboradores investigaram a hipótese de que as mulheres são mais vulneráveis aos sintomas depressivos do que os homens em parte por causa da maior ruminação.
  24. 24. Perda da objetividade Nos estágios mais graves, os pacientes têm dificuldade até para considerar a possibilidade de que suas ideias ou interpretações talvez sejam errôneas.
  25. 25. Afetos e cognição Tese: a resposta afetiva é determinada pelo modo como um indivíduo estrutura sua vivência. Ou seja, o esquema determina o tipo específico de resposta afetiva. Mas também é possível que um mecanismo circular seja ativado, no qual os esquemas estimulam os afetos e os afetos reforçam a atividade dos esquemas.
  26. 26. Esquemas de feedback Quanto mais negativamente os pacientes pensam, pior se sentem; quanto pior se sentem, mais negativamente pensam.
  27. 27. Conclusão Durante o período de desenvolvimento, indivíduos propensos à depressão adquirem algumas atitudes negativas sobre si mesmo, sobre o mundo externo e sobre o futuro. Como consequência dessas atitudes, tornam-se especialmente sensíveis a alguns estresses específicos, tais como sentir-se privado, frustrado ou rejeitado. Quando expostos a esses estresses, esses indivíduos respondem desproporcionalmente com ideações de deficiência pessoal, autorrecriminação e pessimismo.
  28. 28. Conclusão Os esquemas idiossincráticos na depressão consistem em concepções negativas do valor, das características pessoais e do desempenho ou saúde do indivíduo, e incluem expectativas niilistas. Quando evocados, esses esquemas moldam o conteúdo do pensamento e levam aos típicos sentimentos depressivos de tristeza, culpa, solidão e pessimismo.
  29. 29. Conclusão Os esquemas permanecem basicamente inativos durante os períodos assintomáticos, mas são ativados com o início da depressão. À medida que a depressão se aprofunda, tais esquemas dominam cada vez mais os processos cognitivos e substituem os esquemas apropriados, além de interromperem os processos cognitivos envolvidos na realização de auto-objetividade e testagem da realidade.
  30. 30. Conclusão A relativa ausência de raiva na depressão talvez se deva à substituição dos esquemas relativos à culpa dos outros por esquemas de autorrecriminação.

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