O documento discute as diferentes funções da literatura ao longo da história. A literatura provê entretenimento, reflexão, ensinamentos sobre a vida e denúncia da realidade social. Ela permite sonhar e viver outras vidas através de suas narrativas.
As muitas respostaspara essa pergunta variaram muito ao longo da História. Durante muito tempo, a arte foi entendida como representação do belo. Mas o que é “belo”?
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Na Antiguidade, obelo estava condicionado ao conceito de harmonia e proporção das formas. Por esse motivo, o ideal de beleza entre os gregos ganha forma na representação de seres humanos, vistos como modelo de perfeição.
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No século XIX,o Romantismo adotará os sentimentos e a imaginação como princípios da criação artística — o belo desvincular da harmonia das formas. O monge pelo mar , de Caspar David Friedrich.
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Ainda no finaldo século XIX, a pintura ganha novos ares com o Realismo: Mulheres peneirando trigo, de Gustav Coubert
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Mas foi noséculo XX que ela realmente ganhou novas dimensões, podendo representar um movimento... Velocidade de um motor de carro , do futurista italiano Carlo Carrà.
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... a interpretaçãogeométrica das formas existentes ou de formas criadas... Ao lado, Homem com a guitarra (1911), quadro do francês Georges Braque.
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... a tentativade reprodução do inconsciente humano: Sonho causado pelo vôo de uma abelha em volta de uma romã, um segundo antes do despertar , Dalí.
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Houve até quemcausasse polêmica nos perguntando: “Tudo o que um artista expõe e chama de arte, REALMENTE é arte?” Ready-mades de Marcel Duchamp.
Isto é arte:Museu de arte contemporânea, Oscar Niemeyer
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Isto é arte:Aparição de rosto e fruteira numa praia (Dalí).
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Isto é arte:Canção Mínima (Cecília Meireles) No mistério do Sem-Fim, equilibra-se um planeta. E, no planeta, um jardim, e, no jardim, um canteiro; no canteiro, uma violeta, e, sobre ela, o dia inteiro, entre o planeta e o Sem-Fim, a asa de uma borboleta.
Isto TAMBÉM: Dizem,que o vosso cu, Cota, assopra sem zombaria, que parece artilharia, quando vem chegando a frota: parece que está de aposta este cu a peidos dar, porque jamais sem parar este grão-cu de enche-mão sem pederneira, ou murrão, está sempre a disparar. Gregório de Matos Guerra (1636 – 1695)
Como acontece comas outras artes, todas as sociedades, todas as culturas, em todos os tempos e lugares, produziram Literatura em sua forma oral ou escrita. Por quê? Que atributos específicos teria a Literatura para se mostrar tão importante para homens e mulheres desde sempre? A Literatura É UMA ARTE
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Há muitas respostaspossíveis para essa pergunta, mas o fato de ter sido produzida por culturas diferentes nos permite concluir que a Literatura cumpre funções muito importantes nas sociedades humanas. Quais são elas? A Literatura É UMA ARTE
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A LITERATURA NOSFAZ SONHAR, VIVER OUTRAS VIDAS: FUNÇÕES DA Literatura Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado. Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta. Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida. Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
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A LITERATURA PROVOCANOSSA REFLEXÃO: FUNÇÕES DA Literatura O ANALFABETO POLÍTICO (Bertolt Brecht) O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
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A LITERATURA NOSDIVERTE: FUNÇÕES DA Literatura AUTO DA COMPADECIDA (Ariano Suassuna) JOÃO GRILO: Eu não lhe disse que a fraqueza da mulher do patrão era bicho e dinheiro? CHICÓ: Disse. JOÃO GRILO: Pois vou vender a ela, para tomar o lugar do cachorro, um gato maravilhoso, que descome dinheiro. CHICÓ: Descome, João? JOÃO GRILO: Sim, descome, Chicó. Come, ao contrário. CHICÓ: Está doido, João! Não existe essa qualidade de gato. JOÃO GRILO: Muito mais difícil de existir é pirarucu que pesca gente e você mesmo já foi pescado por um.
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A LITERATURA NOSDIVERTE: FUNÇÕES DA Literatura CHICÓ: É mesmo, João, do jeito que as coisas vão eu não me admiro mais de nada. JOÃO GRILO: Para uma pessoa cuja fraqueza é dinheiro e bicho não vejo nada melhor do que um bicho que descome dinheiro. CHICÓ: João, não é duvidando não, mas como é que esse gato descome dinheiro? JOÃO GRILO: É isso que é preciso combinar com você. A mulher vem já para cá, cumprir o testamento. Eu deixei o gato amarrado ali fora. Você vá lá e enfie essas pratas de dez tostões no desgraçado do gato, entendeu? CHICÓ: Entendi.
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A LITERATURA NOSENSINA A VIVER: FUNÇÕES DA Literatura Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. I Cor 13, 1-4
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A LITERATURA DENUNCIAA REALIDADE: FUNÇÕES DA Literatura O BICHO ( Manuel Bandeira) Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.