sobrevivendo no inferno
Racionais MC’s
Prof. José Ricardo Lima
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O GRUPO
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o grupo
Pedro Paulo Soares Pereira
22/04/70
Mano Brown
Edivaldo Pereira Alves
20/0970
Edi Rock
Paulo Eduardo Salvador
16/03/69
Ice Blue
Kleber Geraldo Lelis Simões
10/08/69
KL Jay
Milton
Sales
1988
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 Qual seu papel na formação dos Racionais
MC´s?
Eles não se conheciam. Apresentei o Mano ao Ice
Blue e criei todo o projeto político dos Racionais.
Toda a linha antissistema, contra a mídia, de
pensamento. Apresentei a eles algumas gravadoras.
Dei dinheiro, financiei ideias. Gastei muita grana para
promovê-los. Até rádio pirata eu criei para tocar a
música deles. A rádio alcançava da Bela Vista a São
José dos Campos. Era um estouro.
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o grupo
São Paulo 27 junho 2019
Foto (Alexandre Battibugli/Veja SP)
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o grupo
Holocausto urbano
1990
Escolha o seu caminho
1992
Raio X Brasil
1993
ÁLBUNS ANTERIORES A “SOBREVIVENDO NO INFERNO”
CONTEXTO HISTÓRICO DO ÁLBUM
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contexto
MASSACRE DO CARANDIRU
LOCAL Carandiru, São Paulo, Brasil
DATA 2 de outubro de 1992
TIPO DE ATAQUE Assassínio em massa
MORTES 111
FERIDOS Incontáveis
RESPONSÁVEIS Tropa de Choque (PMESP)
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contexto
MASSACRE DE VIGÁRIO GERAL
LOCAL
Favela de Vigário Geral, Rio
de Janeiro-RJ
DATA 29 de agosto de 1993
ARMA Arma de fogo
MORTES 21
RESPONSÁVEIS PMRJ
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contexto
CHACINA DA CANDELÁRIA
LOCAL
Igreja da Candelária,
localizada no centro da
cidade do Rio de Janeiro
DATA 23 de julho de 1993
ARMA Arma de fogo
MORTES 7
RÉUS 4 PMs
TRECHOS DO PREFÁCIO
Acauam Silveiro de Oliveira
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 "Longe de se tratar de equívocos ou desvios, a sé-
rie de episódios trágicos configurava-se como um verda-
deiro projeto de gerenciamento da miséria por meio da
violência. O que a periferia percebeu antes de todos é
que esse modelo genocida de organização social, ancora-
do numa série de mecanismos herdados da escravidão e
aperfeiçoados durante a ditadura, não se voltava apenas
contra aqueles considerados “criminosos”, tendo se con-
vertido em norma geral, com aprovação quase irrestrita
da opinião pública.“
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contexto
Acauam Silveiro de Oliveira
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
 "Em Sobrevivendo no inferno, a figura do professor
autoritário dos primeiros discos cede lugar à postura
do pastor-marginal, aquele que almeja “conseguir a paz
de forma violenta” (“Diário de um detento”) portando
uma “Bíblia velha, uma pistola automática” e “um sen-
timento de revolta” (“Gênesis”). Ao contrário do pro-
fessor, de olhar distanciado e senhor da verdade, o
pastor-marginal acolhe e guia seus irmãos pelo vale das
sombras a partir da palavra divina, construída coleti-
vamente por toda a comunidade de irmãos.
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contexto
Acauam Silveiro de Oliveira
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
 Enquanto o objetivo do professor é transmitir a sua
verdade, o pastor deseja salvar a alma dos irmãos
desgarrados, livrando-os das mãos do demônio, mais
próximo e mais destrutivo do que se imagina: “Irmão, o
demônio fode tudo ao seu redor/ Pelo rádio, jornal,
revista e outdoor/ Te oferece dinheiro, conversa com
calma/ Contamina seu caráter, rouba sua alma/ Depois te
joga na merda, sozinho/ Transforma um preto tipo A num
neguinho”, prega Mano Brown em “Capítulo 4, versículo
3”.
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contexto
Acauam Silveiro de Oliveira
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 O discurso é de aceitação e acolhimento, mas também
de rigor, pois a salvação da alma depende de que o
sujeito se comprometa a andar “pelo certo”. A mudança
de linguagem do professor autoritário para a do pastor-
marginal transforma também a função dessa palavra,
portadora de uma verdadeira teologia da sobrevivência.
É uma palavra de salvação que não mais se dirige ao
Estado ou a qualquer outra instância externa à própria
comunidade.
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contexto
Acauam Silveiro de Oliveira
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
 Ela é caminho de salvação, desde que aquele que a
escute compreenda e aceite os caminhos do proceder
periférico. Seu objetivo maior é formar os sujeitos
para a construção de uma ética comunitária que os per-
mita viver a “vida loka” — o estado geral de
precarização das condições de existência marcadas pelo
risco iminente e pela contingência — sem desandar, ou
seja, permanecendo vivos.“
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contexto
Acauam Silveiro de Oliveira
A CAPA
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 Investindo em uma forma minimalista, a capa ostenta
apenas uma cruz dourada e um fundo preto, com as
bordas do livro também em dourado, em clara
associação com a forma clássica da Bíblia.
 A fonte utilizada é a mesma que aparece em capas de
Bíblias tradicionais;
 Sobre um fundo preto, pode-se ler um versículo
bíblico: Refrigera-me a alma e guia-me pelo caminho
da justiça (Salmo 23; Cap. 3)*
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o grupo
* Apesar de aparecer na capa do
álbum a abreviação Cap., o nº 3
se refere ao versículo bíblico e
não ao capítulo.
AS CANÇÕES
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
OBJETIVO DO ÁLBUM
 O objetivo do álbum “Sobrevivendo no Inferno” seria transmitir uma
mensagem para seus companheiros de periferia, emulando um pastor que
leva a Palavra aos seus fiéis.
 Nesse sentido, o grupo – na figura de um narrador “pastor-marginal”, que
guia o rebanho pelo vale das sombras oferece elementos necessários para que
seus destinatários exerçam seu pensamento crítico contra um sistema que
os oprime diuturnamente, fazendo com que percebam o lugar que
ocupam na sociedade e o modo como são encarados pelas classes
dominantes.
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canções
JORGE DA CAPADÓCIA
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JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor)
Ogunhê!
Jorge sentou praça
Na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também
Sou da sua companhia
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canções
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor)
Ogunhê
 Na religião Candomblé, Ogum é o Orixá de
todos os caminhos e encruzilhadas.
 Portanto, citá-lo logo na primeira frase do
álbum significa que ele está abrindo espaço para
que as faixas e as mensagens subsequentes
venham.
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canções
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JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor)
Jorge sentou praça
Na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também
Sou da sua companhia
Uma referência ao fato de São Jorge ser da guarda romana e, mais do que
isso, da sua qualidade de guerreiro. Ter alguém desta valentia nos protegendo
só pode ser uma alegria. Jorge teve seu martírio por não negar sua fé em
Cristo, logo sua companhia é uma forte proteção em nossas jornadas.
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canções
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor)
Eu estou vestido com as roupas
e as armas de Jorge.
Para que meus inimigos tenham pés
e não me alcancem.
Para que meus inimigos tenham mãos
e não me toquem.
Para que meus inimigos tenham olhos
e não me vejam.
E nem mesmo em pensamento eles possam ter
para me fazerem mal.
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canções
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor)
 Esse trecho é inspirado em uma das orações para São Jorge.
 Simbolicamente, estamos protegidos pela armadura e pela espada de São
Jorge, que não permitirá que nenhum inimigo nos atinja com nenhum tipo de
arma.
 Aqui é como se o eu lírico estivesse “se vestindo” com as roupas de São
Jorge para que ao longo do álbum eles possam transmitir todas as
mensagens que querem, por mais duras que sejam, sem medo das
consequências que isso poderá eventualmente causar.
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canções
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor)
Pois eu estou vestido com as roupas
e as armas de Jorge.
Jorge é de Capadócia
Salve Jorge!
Salve Jorge!
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canções
 Assim como no trecho anterior, essa parte da letra é uma paráfrase da
Oração a São Jorge, muito conhecida dentro do catolicismo.
GENESIS
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GENESIS (Mano Brown)
Deus fez o mar, as árvore, as criança, o amor...
O homem me deu a favela, o crack, a trairagem
As arma, as bebida, as puta...
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canções
 Mano Brown resume aqui que Deus criou tudo o que há de melhor no
mundo, porém, o homem com toda a sua ganância, egoísmo e luxúria,
modifica tudo o que lhe foi concedido visando a vantagem própria.
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GENESIS (Mano Brown)
Deus fez o mar, as árvore, as criança, o amor...
O homem me deu a favela, o crack, a trairagem
As arma, as bebida, as puta...
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canções
 Da mesma forma, aconteceu na história bíblica de Adão e Eva, que
foram criados por Deus na belíssima moradia do Jardim do Éden, e
mesmo com tudo o que receberam de mais perfeito, ainda assim caíram
nas tentações mundanas para benefício próprio.
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
GENESIS (Mano Brown)
Eu?! Eu tenho uma Bíblia véia, uma pistola automática
E um sentimento de revolta
Eu tô tentando sobreviver no inferno
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canções
Seja através de orações (“biblía véia”), ou por meio de violência (“pistola
automática”), o eu lírico (e todos os moradores da periferia que ele aqui
representa) vai fazer de tudo para continuar vivo neste cotidiano violento e
desalmado no qual ele se encontra.
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GENESIS (Mano Brown)
Eu?! Eu tenho uma Bíblia véia, uma pistola automática
E um sentimento de revolta
Eu tô tentando sobreviver no inferno
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canções
Ele termina a introdução fazendo uma alusão ao nome do álbum, como dizendo
que a partir desse momento ele se inicia.
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
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canções
 O título da música é, provavelmente, uma alusão ao fato de ser a terceira faixa
do quarto álbum do grupo, com referência à linguagem religiosa, como os
trechos da Bíblia Cristã são divididos.
 Aborda os temas da desigualdade social, criminalidade e consumo de
drogas, principalmente nas periferias de São Paulo.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
[Intro: Primo Preto]
60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais
Já sofreram violência policial
A cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são negras
Nas universidades brasileiras, apenas 2% dos alunos são negros
A cada quatro horas, um jovem negro morre violentamente
Em São Paulo
Aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente
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canções
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
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canções
 Primo Preto fala sobre as estatísticas que resumem bem a situação do negro
na sociedade brasileira, de como o negro é perseguido pela polícia e
excluído socialmente.
 Em dados da Anistia Internacional, em 2012, de 56.000 pessoas no Brasil,
30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Mano Brown)
Minha intenção é ruim... esvazia o lugar
Eu tô em cima, eu tô afim... um dois pra atirar
Eu sou bem pior do que você tá vendo
O preto aqui não tem dó... é 100 por cento veneno
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canções
 Em tom vilanesco, a introdução do verso de Brown apresenta a conotação
violenta que denota toda sua fala de forma metafórica.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Mano Brown)
Minha intenção é ruim... esvazia o lugar
Eu tô em cima, eu tô afim... um dois pra atirar
Eu sou bem pior do que você tá vendo
O preto aqui não tem dó... é 100 por cento veneno
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canções
 A construção de um ambiente hostil e ríspido, referenciando a violência,
com armas e agressividade, mostra a crueza e desafios morais de uma vida
marginalizada e vulnerável socialmente.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
A primeira faz bum, a segunda faz tá
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canções
 Referência a uma famosa propaganda dos anos 90 da Gilette onde o mote da
peça é “a primeira faz ‘tchan’ e a segunda faz ‘tchum’”, substituídas aqui por
onomatopeias provenientes de uma arma de fogo sendo disparada ou, ainda,
às batidas de rap;
 A metáfora sobre violência se estende, como evidenciadas no trecho anterior,
perdurando por toda a construção do “verso”.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Eu tenho uma missão e não vou parar
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canções
 O objetivo do grupo neste álbum é mostrar para todo o Brasil,
especialmente para as camadas superiores da sociedade como é a vida
nas favelas e becos das periferias.
 Não importa o que isso irá acarretar ou se tentarão fazer com que ele se
cale para que a sujeira continue “debaixo do tapete”.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Meu estilo é pesado e faz tremer o chão
Minha palavra vale um tiro... eu tenho muita munição
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canções
 Neste trecho, já não se está mais falando sobre uma arma de fogo,
literalmente, mas sim fazendo uma metáfora para o que ele tem a dizer.
 A arma dele é, na verdade, o conhecimento, a informação e a experiência
de vida. Por “muita munição”, a canção dá a entender que o eu lírico tem
muito o que falar.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Na queda ou na ascensão, minha atitude vai além
E tem disposição pro mal e pro bem
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canções
 Seja nos maus ou nos bons momentos, a atitude dele não se prende ao
presente, ele mantém a sua opinião firme, independente da fase.
 Para atingir suas metas o eu lírico batalhará pelos dois lados da guerra,
sendo o herói e o vilão.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Talvez eu seja um sádico, um anjo, um mágico
Juiz ou réu, um bandido do céu
Malandro ou otário, quase sanguinário
Franco atirador se for necessário
Revolucionário, insano ou marginal
Antigo e moderno, imortal
Fronteira do céu com o inferno
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canções
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
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canções
 Para descobrir a sua verdadeira identidade e a sua função na Terra, o eu
lírico faz uma série de antíteses, explicitando cada vez mais essa ideia de bom
e mau vivendo em conjunto que ele cria ao longo de todo o verso.
 Atribuindo características opostas às originais de uma pessoa, ou seja:
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
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canções
• Juiz x Réu
• Bandido x Céu (já que esperamos que um bandido vá para o inferno)
• Malandro x Otário
• Padre x Sanguinário (esperamos que um padre seja pacífico)
• Antigo x Moderno
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Astral imprevisível, como um ataque cardíaco no verso
Violentamente pacífico, verídico
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canções
 O eu lírico considera o seu verso como algo que causa um impacto
arrebatador, que choca e causa espanto no seu ouvinte, provocando um
verdadeiro ataque cardíaco de tão poderoso.
 Na segunda “linha” desse trecho, ele também lança mão de uma antítese,
como nas anteriores.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Vim pra sabotar seu raciocínio
Vim pra abalar seu sistema nervoso e sanguíneo
Pra mim ainda é pouco Brown cachorro louco
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canções
 A intenção do eu lírico é mudar completamente o pensamento de quem o
ouve, fazer com que essa pessoa tenha dúvidas sobre as suas crenças e
passe a acreditar naquilo que ele diz, mesmo que isso te deixe espantado.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Numero um... dia terrorista da periferia
Uni-duni-tê, eu tenho pra você
Um rap venenoso ou uma rajada de PT
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canções
 O eu lírico afirma que o seu rap é tão potente que ouvi-lo é o mesmo que levar
tiros de uma pistola.
 Nestas linhas também existe uma certa oposição de ideias já que Brown usa
uma cantiga infantil como é o “Uni-duni-te” para expressar um fato que nada
condiz com a realidade das crianças, que é a da violência.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
E a profecia se fez como previsto
1997 depois de Cristo
A fúria negra ressuscita outra vez
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canções
 34 anos depois do histórico discurso de Matin Luther King em Washington
nos Estados Unidos (1963), denominado I Have A Dream, a “fúria negra”
volta a ter uma voz ativa na sociedade, demandando os seus direitos como
todo cidadão.
 1997 que é o ano de lançamento oficial do álbum.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Aleluia (x2)
Racionais no ar
Filha da puta, pá pá pá
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canções
 Em “Aleluia”, mais uma referência à religiosidade cristã;
 A onomatopeia faz referência a tiros, uma metáfora para o tom contundente
da música que trata da violência que assola as comunidades mais pobres
de São Paulo, principalmente.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Faz frio em São Paulo... pra mim tá sempre bom
Eu tô na rua de bombeta e moletom
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canções
 Não importa o clima que esteja fazendo, para ele tanto faz.
 O conjunto de jaqueta de moletom + boné (bombeta, na gíria) é uma maneira
bastante comum de se vestir não só, mas em grande número, nas periferias.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Dim dim dom, rap é o som que emana do Opala marrom
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canções
 Rap é estilo musical que eles sempre escutam
quando saem de carro.
 O Chevrolet Opala é um carro antigo que
parou de ser produzido em 1992 (ou seja, na
época desta música, 1997, ele já era antigo,
imagina hoje!)
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
E aí, chama o Guilherme
Chama o Fader, chama o Dinho... e o Di
Marquinho, chama o Éder, vamo aí
Se os outros mano vem pela ordem tudo bem melhor
Quem é quem no bilhar, no dominó
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canções
 Eles vão juntar um pessoal pra irem pro bar beber, jogar alguma coisa,
conversar. Na gíria, “tirar um lazer com os chegados no boteco”.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Colou dois mano, um acenou pra mim
De jaco de cetim, de tênis, calça jeans
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canções
 Este é o trecho da música que começa a narrativa do estilo de vida dos
indivíduos que fazem uso de drogas nas ruas, principalmente das periferias,
e tudo o que eles são capazes de fazer para conseguir sempre mais
substâncias.
 Brown aqui pode estar se referindo a dois traficantes de jaco (blusa de frio) de
cetim que o chamaram para tentar lhe vender alguma droga.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Ei Brown, sai fora, nem vai, nem cola
Não vale a pena dar idéia nesse tipo aí
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canções
 Ice Blue aconselha Brown a não se envolver com esse tipo de gente, que é
encrenca na certa.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Ontem à noite eu vi na beira do asfalto
Tragando a morte, soprando a vida pro alto
Ó os cara só o pó... pele e osso
No fundo do poço, mó flagrante no bolso
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canções
 As pessoas que entram nesse mundo já não se importam com mais nada,
esquecem a família, os amigos, o trabalho, e vivem para conseguir sempre
mais drogas e usá-las nem que seja no meio das ruas.
 Possível referência à Cracolândia.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Veja bem, ninguém é mais que ninguém
Veja bem, veja bem, e eles são nossos irmãos também
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canções
 Apesar de estarem usando drogas e destruindo suas vidas, Brown lembra que
todos somos seres humanos e temos os mesmos direitos na sociedade.
 Prefere não julgar ninguém pelos seus atos.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Mar de cocaína e crack, uísque e conhaque
Os mano morre rapidinho sem lugar de destaque
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canções
 As pessoas que morrem por esse motivo normalmente acabam sendo
anônimos dentro da sociedade, como “apenas mais um”, sem uma ocupação
fixa, já que dificilmente você conseguirá manter uma vida estável.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Mas quem sou eu pra falar de quem cheira ou quem
fuma?
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canções
 Brown prefere não apontar o dedo na cara de ninguém, pois nem ele e nem
ninguém é perfeito, e tanto ele quanto todas as outras pessoas no mundo,
apenas Deus pode julgar.
 Essa linha também é vista por algumas pessoas como uma confissão de que
Brown também já usou muitas drogas e por isso prefere não criticar quem o
faz, mas não existe nenhuma confirmação deste fato.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Nem dá... nunca te dei porra nenhuma
Você fuma o que vem... entope o nariz
Bebe tudo o que vê... faça o diabo feliz
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canções
 A lei do livre arbítrio, faça o que quiser.
 O problema é seu, os vícios o dinheiro gasto com isso também. Depois arque
com as consequências.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Você vai terminar tipo o outro mano lá
Que era um preto tipo A... ninguém tava numa
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canções
 Nestas linhas começa a narrativa da história de um rapaz bem de vida que se
afundou no mundo das drogas e das festas e terminou mal, como acontece na
maioria das vezes.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Mó estilo de calça Calvin Klein, tênis Puma
Um jeito humilde de ser no trampo e no rolê
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canções
 Apesar de se vestir com roupas de marcas caras, ele, ainda assim, era uma
pessoa humilde, tanto com os colegas de trabalho quanto nos momentos de
diversão.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Curtia um funk, jogava uma bola
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canções
 O funk o qual Mano Brown se refere é o estilo americano surgido em meados
dos anos 60, tendo como principais nomes James Brown, Parliament,
Funkadelic entre outros.
 O cara ouvia sempre um funk do bom e participava das peladas que sempre
acontecem na quebrada.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Buscava a preta dele no portão da escola
Exemplo pra nóis... mó moral, mó ibope
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canções
 O personagem da história era comum, assim como a maioria dos jovens
negros, busca sua namorada no portão da escola, sendo um namorado
presente.
 Isso também para caracterizar o rapaz, pois mesmo os negros, quando
ascendem socialmente, procuram parceiras brancas, para se mostrarem
pertencentes às altas classes, buscando aceitação.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Mas começou a colar com os branquinho do shopping
Ai já era... Ih, mano, outra vida, outro pique
Só mina de elite, balada, vários drinques
Puta de butique, toda aquela porra
Sexo sem limite, Sodoma e Gomorra
Hãn, faz uns nove anos
Tem uns quinze dias atrás eu vi o mano
Cê tem que ver... pedindo cigarro pros tiozinho no ponto
Dente tudo zuado, bolso sem nenhum conto
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canções
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
O cara cheira mal, as tias sente medo
Muito louco de sei lá o que logo cedo
Agora não oferece mais perigo
Viciado, doente, fudido... inofensivo
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sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
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 Mano Brown descreve a história de um conhecido que não só era um cidadão
normal como ele mesmo, como também era um exemplo para ele e os amigos
e toda a comunidade.
 Um cara que era do bem, de vida simples mas que se desvirtuou e desandou
após fazer novas amizades.
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
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 Por fim, Brown o reencontra e vê que o cara agora está fadado à uma vida
ainda mais difícil e sem perspectiva alguma, por ter se vislumbrado com toda
aquela badalação, drogas e luxúria.
 A sociedade jamais o irá aceitar de volta por um erro que ele cometeu no
passado já que não lhe é dado novas oportunidades.
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Um dia um PM negro veio embaçar
E disse pra eu me pôr no meu lugar
Eu vejo um mano nessas condições, não dá
Será assim que eu deveria estar?
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 Uma das características do racismo é discriminar a situação das pessoas e
determinar onde elas deveriam estar apenas pela sua cor. Brown se põe no
estereótipo do jovem negro das periferias brasileiras. Será que ele deveria estar
viciado em drogas e totalmente desacreditado? O sistema quer adequar às
pessoas a uma condição kamikaze.
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Um dia um PM negro veio embaçar
E disse pra eu me pôr no meu lugar
Eu vejo um mano nessas condições, não dá
Será assim que eu deveria estar?
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 Brown também pode estar falando do PM negro. Será que ele deveria estar do
lado do sistema como aquele cara, naquela condição? Na linha seguinte ele
fala do sistema e de como ele te atrapalha.
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CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor
Pelo rádio, jornal, revista e outdoor
Te oferece dinheiro, conversa com calma
Contamina seu caráter, rouba sua alma
Depois te joga na merda sozinho
Transforma um preto tipo A num neguinho
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sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
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 O mal está por todo lugar porque o dinheiro está em todo lugar. E por dinheiro, as
pessoas fazem de tudo e não percebem que o mais importante as vezes é ter caráter,
consciência limpa e buscar paz e felicidade.
 O demônio, a fim de te corromper, toma conta da mídia e das pessoas envolta e por
fim a gente acaba por conta própria.
 Enfim, Brown diz que o sistema transforma um homem negro bom e livre (“tipo A”)
em um neguinho qualquer que pode se corromper usando drogas e sendo inferior aos
outros.
sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
Minha palavra alivia sua dor
Ilumina minha alma, louvado seja o meu senhor
Que não deixa o mano aqui desandar
E nem senta o dedo em nenhum pilantra
Mas que nenhum filha da puta ignore a minha lei
Racionais capítulo 4 versículo 3
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sobrevivendo no infernoRacionais MC’S
CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown)
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 O eu lírico é um religioso e acredita que suas letras de rap que são guiadas
pelo pensamento de Deus vão conduzir os seus ouvintes a salvação, conduzir
seus ouvintes ao caminho certo, fora do crime.
 Ele diz também, que é Deus quem faz ele não ter matado ninguém ainda e
nem ter desandado.
 No entanto, termina por dizer que pode abrir uma exceção se alguém ignorar
sua lei.
CONTINUA...

Sobrevivendo no inferno (Unicamp)

  • 1.
    sobrevivendo no inferno RacionaisMC’s Prof. José Ricardo Lima www.literaturaeshow.com.br
  • 2.
  • 3.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br o grupo Pedro Paulo Soares Pereira 22/04/70 Mano Brown Edivaldo Pereira Alves 20/0970 Edi Rock Paulo Eduardo Salvador 16/03/69 Ice Blue Kleber Geraldo Lelis Simões 10/08/69 KL Jay Milton Sales 1988
  • 4.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S  Qual seu papel na formação dos Racionais MC´s? Eles não se conheciam. Apresentei o Mano ao Ice Blue e criei todo o projeto político dos Racionais. Toda a linha antissistema, contra a mídia, de pensamento. Apresentei a eles algumas gravadoras. Dei dinheiro, financiei ideias. Gastei muita grana para promovê-los. Até rádio pirata eu criei para tocar a música deles. A rádio alcançava da Bela Vista a São José dos Campos. Era um estouro. Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br o grupo São Paulo 27 junho 2019 Foto (Alexandre Battibugli/Veja SP)
  • 5.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br o grupo Holocausto urbano 1990 Escolha o seu caminho 1992 Raio X Brasil 1993 ÁLBUNS ANTERIORES A “SOBREVIVENDO NO INFERNO”
  • 6.
  • 7.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br contexto MASSACRE DO CARANDIRU LOCAL Carandiru, São Paulo, Brasil DATA 2 de outubro de 1992 TIPO DE ATAQUE Assassínio em massa MORTES 111 FERIDOS Incontáveis RESPONSÁVEIS Tropa de Choque (PMESP)
  • 8.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br contexto MASSACRE DE VIGÁRIO GERAL LOCAL Favela de Vigário Geral, Rio de Janeiro-RJ DATA 29 de agosto de 1993 ARMA Arma de fogo MORTES 21 RESPONSÁVEIS PMRJ
  • 9.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br contexto CHACINA DA CANDELÁRIA LOCAL Igreja da Candelária, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro DATA 23 de julho de 1993 ARMA Arma de fogo MORTES 7 RÉUS 4 PMs
  • 10.
    TRECHOS DO PREFÁCIO AcauamSilveiro de Oliveira
  • 11.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S  "Longe de se tratar de equívocos ou desvios, a sé- rie de episódios trágicos configurava-se como um verda- deiro projeto de gerenciamento da miséria por meio da violência. O que a periferia percebeu antes de todos é que esse modelo genocida de organização social, ancora- do numa série de mecanismos herdados da escravidão e aperfeiçoados durante a ditadura, não se voltava apenas contra aqueles considerados “criminosos”, tendo se con- vertido em norma geral, com aprovação quase irrestrita da opinião pública.“ Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br contexto Acauam Silveiro de Oliveira
  • 12.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S  "Em Sobrevivendo no inferno, a figura do professor autoritário dos primeiros discos cede lugar à postura do pastor-marginal, aquele que almeja “conseguir a paz de forma violenta” (“Diário de um detento”) portando uma “Bíblia velha, uma pistola automática” e “um sen- timento de revolta” (“Gênesis”). Ao contrário do pro- fessor, de olhar distanciado e senhor da verdade, o pastor-marginal acolhe e guia seus irmãos pelo vale das sombras a partir da palavra divina, construída coleti- vamente por toda a comunidade de irmãos. Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br contexto Acauam Silveiro de Oliveira
  • 13.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S  Enquanto o objetivo do professor é transmitir a sua verdade, o pastor deseja salvar a alma dos irmãos desgarrados, livrando-os das mãos do demônio, mais próximo e mais destrutivo do que se imagina: “Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor/ Pelo rádio, jornal, revista e outdoor/ Te oferece dinheiro, conversa com calma/ Contamina seu caráter, rouba sua alma/ Depois te joga na merda, sozinho/ Transforma um preto tipo A num neguinho”, prega Mano Brown em “Capítulo 4, versículo 3”. Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br contexto Acauam Silveiro de Oliveira
  • 14.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S  O discurso é de aceitação e acolhimento, mas também de rigor, pois a salvação da alma depende de que o sujeito se comprometa a andar “pelo certo”. A mudança de linguagem do professor autoritário para a do pastor- marginal transforma também a função dessa palavra, portadora de uma verdadeira teologia da sobrevivência. É uma palavra de salvação que não mais se dirige ao Estado ou a qualquer outra instância externa à própria comunidade. Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br contexto Acauam Silveiro de Oliveira
  • 15.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S  Ela é caminho de salvação, desde que aquele que a escute compreenda e aceite os caminhos do proceder periférico. Seu objetivo maior é formar os sujeitos para a construção de uma ética comunitária que os per- mita viver a “vida loka” — o estado geral de precarização das condições de existência marcadas pelo risco iminente e pela contingência — sem desandar, ou seja, permanecendo vivos.“ Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br contexto Acauam Silveiro de Oliveira
  • 16.
  • 17.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S  Investindo em uma forma minimalista, a capa ostenta apenas uma cruz dourada e um fundo preto, com as bordas do livro também em dourado, em clara associação com a forma clássica da Bíblia.  A fonte utilizada é a mesma que aparece em capas de Bíblias tradicionais;  Sobre um fundo preto, pode-se ler um versículo bíblico: Refrigera-me a alma e guia-me pelo caminho da justiça (Salmo 23; Cap. 3)* Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br o grupo * Apesar de aparecer na capa do álbum a abreviação Cap., o nº 3 se refere ao versículo bíblico e não ao capítulo.
  • 18.
  • 19.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S OBJETIVO DO ÁLBUM  O objetivo do álbum “Sobrevivendo no Inferno” seria transmitir uma mensagem para seus companheiros de periferia, emulando um pastor que leva a Palavra aos seus fiéis.  Nesse sentido, o grupo – na figura de um narrador “pastor-marginal”, que guia o rebanho pelo vale das sombras oferece elementos necessários para que seus destinatários exerçam seu pensamento crítico contra um sistema que os oprime diuturnamente, fazendo com que percebam o lugar que ocupam na sociedade e o modo como são encarados pelas classes dominantes. Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
  • 20.
  • 21.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor) Ogunhê! Jorge sentou praça Na cavalaria E eu estou feliz porque eu também Sou da sua companhia Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
  • 22.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor) Ogunhê  Na religião Candomblé, Ogum é o Orixá de todos os caminhos e encruzilhadas.  Portanto, citá-lo logo na primeira frase do álbum significa que ele está abrindo espaço para que as faixas e as mensagens subsequentes venham. Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
  • 23.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor) Jorge sentou praça Na cavalaria E eu estou feliz porque eu também Sou da sua companhia Uma referência ao fato de São Jorge ser da guarda romana e, mais do que isso, da sua qualidade de guerreiro. Ter alguém desta valentia nos protegendo só pode ser uma alegria. Jorge teve seu martírio por não negar sua fé em Cristo, logo sua companhia é uma forte proteção em nossas jornadas. Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
  • 24.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor) Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge. Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem. Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem. Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam. E nem mesmo em pensamento eles possam ter para me fazerem mal. Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
  • 25.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor)  Esse trecho é inspirado em uma das orações para São Jorge.  Simbolicamente, estamos protegidos pela armadura e pela espada de São Jorge, que não permitirá que nenhum inimigo nos atinja com nenhum tipo de arma.  Aqui é como se o eu lírico estivesse “se vestindo” com as roupas de São Jorge para que ao longo do álbum eles possam transmitir todas as mensagens que querem, por mais duras que sejam, sem medo das consequências que isso poderá eventualmente causar. Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
  • 26.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S JORGE DE CAPADÓCIA (Jorge Benjor) Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge. Jorge é de Capadócia Salve Jorge! Salve Jorge! Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Assim como no trecho anterior, essa parte da letra é uma paráfrase da Oração a São Jorge, muito conhecida dentro do catolicismo.
  • 27.
  • 28.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S GENESIS (Mano Brown) Deus fez o mar, as árvore, as criança, o amor... O homem me deu a favela, o crack, a trairagem As arma, as bebida, as puta... Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Mano Brown resume aqui que Deus criou tudo o que há de melhor no mundo, porém, o homem com toda a sua ganância, egoísmo e luxúria, modifica tudo o que lhe foi concedido visando a vantagem própria.
  • 29.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S GENESIS (Mano Brown) Deus fez o mar, as árvore, as criança, o amor... O homem me deu a favela, o crack, a trairagem As arma, as bebida, as puta... Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Da mesma forma, aconteceu na história bíblica de Adão e Eva, que foram criados por Deus na belíssima moradia do Jardim do Éden, e mesmo com tudo o que receberam de mais perfeito, ainda assim caíram nas tentações mundanas para benefício próprio.
  • 30.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S GENESIS (Mano Brown) Eu?! Eu tenho uma Bíblia véia, uma pistola automática E um sentimento de revolta Eu tô tentando sobreviver no inferno Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções Seja através de orações (“biblía véia”), ou por meio de violência (“pistola automática”), o eu lírico (e todos os moradores da periferia que ele aqui representa) vai fazer de tudo para continuar vivo neste cotidiano violento e desalmado no qual ele se encontra.
  • 31.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S GENESIS (Mano Brown) Eu?! Eu tenho uma Bíblia véia, uma pistola automática E um sentimento de revolta Eu tô tentando sobreviver no inferno Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções Ele termina a introdução fazendo uma alusão ao nome do álbum, como dizendo que a partir desse momento ele se inicia.
  • 32.
  • 33.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  O título da música é, provavelmente, uma alusão ao fato de ser a terceira faixa do quarto álbum do grupo, com referência à linguagem religiosa, como os trechos da Bíblia Cristã são divididos.  Aborda os temas da desigualdade social, criminalidade e consumo de drogas, principalmente nas periferias de São Paulo.
  • 34.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) [Intro: Primo Preto] 60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais Já sofreram violência policial A cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são negras Nas universidades brasileiras, apenas 2% dos alunos são negros A cada quatro horas, um jovem negro morre violentamente Em São Paulo Aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
  • 35.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Primo Preto fala sobre as estatísticas que resumem bem a situação do negro na sociedade brasileira, de como o negro é perseguido pela polícia e excluído socialmente.  Em dados da Anistia Internacional, em 2012, de 56.000 pessoas no Brasil, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros.
  • 36.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Mano Brown) Minha intenção é ruim... esvazia o lugar Eu tô em cima, eu tô afim... um dois pra atirar Eu sou bem pior do que você tá vendo O preto aqui não tem dó... é 100 por cento veneno Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Em tom vilanesco, a introdução do verso de Brown apresenta a conotação violenta que denota toda sua fala de forma metafórica.
  • 37.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Mano Brown) Minha intenção é ruim... esvazia o lugar Eu tô em cima, eu tô afim... um dois pra atirar Eu sou bem pior do que você tá vendo O preto aqui não tem dó... é 100 por cento veneno Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  A construção de um ambiente hostil e ríspido, referenciando a violência, com armas e agressividade, mostra a crueza e desafios morais de uma vida marginalizada e vulnerável socialmente.
  • 38.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) A primeira faz bum, a segunda faz tá Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Referência a uma famosa propaganda dos anos 90 da Gilette onde o mote da peça é “a primeira faz ‘tchan’ e a segunda faz ‘tchum’”, substituídas aqui por onomatopeias provenientes de uma arma de fogo sendo disparada ou, ainda, às batidas de rap;  A metáfora sobre violência se estende, como evidenciadas no trecho anterior, perdurando por toda a construção do “verso”.
  • 39.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Eu tenho uma missão e não vou parar Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  O objetivo do grupo neste álbum é mostrar para todo o Brasil, especialmente para as camadas superiores da sociedade como é a vida nas favelas e becos das periferias.  Não importa o que isso irá acarretar ou se tentarão fazer com que ele se cale para que a sujeira continue “debaixo do tapete”.
  • 40.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Meu estilo é pesado e faz tremer o chão Minha palavra vale um tiro... eu tenho muita munição Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Neste trecho, já não se está mais falando sobre uma arma de fogo, literalmente, mas sim fazendo uma metáfora para o que ele tem a dizer.  A arma dele é, na verdade, o conhecimento, a informação e a experiência de vida. Por “muita munição”, a canção dá a entender que o eu lírico tem muito o que falar.
  • 41.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Na queda ou na ascensão, minha atitude vai além E tem disposição pro mal e pro bem Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Seja nos maus ou nos bons momentos, a atitude dele não se prende ao presente, ele mantém a sua opinião firme, independente da fase.  Para atingir suas metas o eu lírico batalhará pelos dois lados da guerra, sendo o herói e o vilão.
  • 42.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Talvez eu seja um sádico, um anjo, um mágico Juiz ou réu, um bandido do céu Malandro ou otário, quase sanguinário Franco atirador se for necessário Revolucionário, insano ou marginal Antigo e moderno, imortal Fronteira do céu com o inferno Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
  • 43.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Para descobrir a sua verdadeira identidade e a sua função na Terra, o eu lírico faz uma série de antíteses, explicitando cada vez mais essa ideia de bom e mau vivendo em conjunto que ele cria ao longo de todo o verso.  Atribuindo características opostas às originais de uma pessoa, ou seja:
  • 44.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções • Juiz x Réu • Bandido x Céu (já que esperamos que um bandido vá para o inferno) • Malandro x Otário • Padre x Sanguinário (esperamos que um padre seja pacífico) • Antigo x Moderno
  • 45.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Astral imprevisível, como um ataque cardíaco no verso Violentamente pacífico, verídico Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  O eu lírico considera o seu verso como algo que causa um impacto arrebatador, que choca e causa espanto no seu ouvinte, provocando um verdadeiro ataque cardíaco de tão poderoso.  Na segunda “linha” desse trecho, ele também lança mão de uma antítese, como nas anteriores.
  • 46.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Vim pra sabotar seu raciocínio Vim pra abalar seu sistema nervoso e sanguíneo Pra mim ainda é pouco Brown cachorro louco Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  A intenção do eu lírico é mudar completamente o pensamento de quem o ouve, fazer com que essa pessoa tenha dúvidas sobre as suas crenças e passe a acreditar naquilo que ele diz, mesmo que isso te deixe espantado.
  • 47.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Numero um... dia terrorista da periferia Uni-duni-tê, eu tenho pra você Um rap venenoso ou uma rajada de PT Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  O eu lírico afirma que o seu rap é tão potente que ouvi-lo é o mesmo que levar tiros de uma pistola.  Nestas linhas também existe uma certa oposição de ideias já que Brown usa uma cantiga infantil como é o “Uni-duni-te” para expressar um fato que nada condiz com a realidade das crianças, que é a da violência.
  • 48.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) E a profecia se fez como previsto 1997 depois de Cristo A fúria negra ressuscita outra vez Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  34 anos depois do histórico discurso de Matin Luther King em Washington nos Estados Unidos (1963), denominado I Have A Dream, a “fúria negra” volta a ter uma voz ativa na sociedade, demandando os seus direitos como todo cidadão.  1997 que é o ano de lançamento oficial do álbum.
  • 49.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Aleluia (x2) Racionais no ar Filha da puta, pá pá pá Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Em “Aleluia”, mais uma referência à religiosidade cristã;  A onomatopeia faz referência a tiros, uma metáfora para o tom contundente da música que trata da violência que assola as comunidades mais pobres de São Paulo, principalmente.
  • 50.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Faz frio em São Paulo... pra mim tá sempre bom Eu tô na rua de bombeta e moletom Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Não importa o clima que esteja fazendo, para ele tanto faz.  O conjunto de jaqueta de moletom + boné (bombeta, na gíria) é uma maneira bastante comum de se vestir não só, mas em grande número, nas periferias.
  • 51.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Dim dim dom, rap é o som que emana do Opala marrom Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Rap é estilo musical que eles sempre escutam quando saem de carro.  O Chevrolet Opala é um carro antigo que parou de ser produzido em 1992 (ou seja, na época desta música, 1997, ele já era antigo, imagina hoje!)
  • 52.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) E aí, chama o Guilherme Chama o Fader, chama o Dinho... e o Di Marquinho, chama o Éder, vamo aí Se os outros mano vem pela ordem tudo bem melhor Quem é quem no bilhar, no dominó Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Eles vão juntar um pessoal pra irem pro bar beber, jogar alguma coisa, conversar. Na gíria, “tirar um lazer com os chegados no boteco”.
  • 53.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Colou dois mano, um acenou pra mim De jaco de cetim, de tênis, calça jeans Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Este é o trecho da música que começa a narrativa do estilo de vida dos indivíduos que fazem uso de drogas nas ruas, principalmente das periferias, e tudo o que eles são capazes de fazer para conseguir sempre mais substâncias.  Brown aqui pode estar se referindo a dois traficantes de jaco (blusa de frio) de cetim que o chamaram para tentar lhe vender alguma droga.
  • 54.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Ei Brown, sai fora, nem vai, nem cola Não vale a pena dar idéia nesse tipo aí Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Ice Blue aconselha Brown a não se envolver com esse tipo de gente, que é encrenca na certa.
  • 55.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Ontem à noite eu vi na beira do asfalto Tragando a morte, soprando a vida pro alto Ó os cara só o pó... pele e osso No fundo do poço, mó flagrante no bolso Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  As pessoas que entram nesse mundo já não se importam com mais nada, esquecem a família, os amigos, o trabalho, e vivem para conseguir sempre mais drogas e usá-las nem que seja no meio das ruas.  Possível referência à Cracolândia.
  • 56.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Veja bem, ninguém é mais que ninguém Veja bem, veja bem, e eles são nossos irmãos também Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Apesar de estarem usando drogas e destruindo suas vidas, Brown lembra que todos somos seres humanos e temos os mesmos direitos na sociedade.  Prefere não julgar ninguém pelos seus atos.
  • 57.
    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Mar de cocaína e crack, uísque e conhaque Os mano morre rapidinho sem lugar de destaque Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  As pessoas que morrem por esse motivo normalmente acabam sendo anônimos dentro da sociedade, como “apenas mais um”, sem uma ocupação fixa, já que dificilmente você conseguirá manter uma vida estável.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Mas quem sou eu pra falar de quem cheira ou quem fuma? Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Brown prefere não apontar o dedo na cara de ninguém, pois nem ele e nem ninguém é perfeito, e tanto ele quanto todas as outras pessoas no mundo, apenas Deus pode julgar.  Essa linha também é vista por algumas pessoas como uma confissão de que Brown também já usou muitas drogas e por isso prefere não criticar quem o faz, mas não existe nenhuma confirmação deste fato.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Nem dá... nunca te dei porra nenhuma Você fuma o que vem... entope o nariz Bebe tudo o que vê... faça o diabo feliz Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  A lei do livre arbítrio, faça o que quiser.  O problema é seu, os vícios o dinheiro gasto com isso também. Depois arque com as consequências.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Você vai terminar tipo o outro mano lá Que era um preto tipo A... ninguém tava numa Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Nestas linhas começa a narrativa da história de um rapaz bem de vida que se afundou no mundo das drogas e das festas e terminou mal, como acontece na maioria das vezes.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Mó estilo de calça Calvin Klein, tênis Puma Um jeito humilde de ser no trampo e no rolê Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Apesar de se vestir com roupas de marcas caras, ele, ainda assim, era uma pessoa humilde, tanto com os colegas de trabalho quanto nos momentos de diversão.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Curtia um funk, jogava uma bola Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  O funk o qual Mano Brown se refere é o estilo americano surgido em meados dos anos 60, tendo como principais nomes James Brown, Parliament, Funkadelic entre outros.  O cara ouvia sempre um funk do bom e participava das peladas que sempre acontecem na quebrada.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Buscava a preta dele no portão da escola Exemplo pra nóis... mó moral, mó ibope Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  O personagem da história era comum, assim como a maioria dos jovens negros, busca sua namorada no portão da escola, sendo um namorado presente.  Isso também para caracterizar o rapaz, pois mesmo os negros, quando ascendem socialmente, procuram parceiras brancas, para se mostrarem pertencentes às altas classes, buscando aceitação.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Mas começou a colar com os branquinho do shopping Ai já era... Ih, mano, outra vida, outro pique Só mina de elite, balada, vários drinques Puta de butique, toda aquela porra Sexo sem limite, Sodoma e Gomorra Hãn, faz uns nove anos Tem uns quinze dias atrás eu vi o mano Cê tem que ver... pedindo cigarro pros tiozinho no ponto Dente tudo zuado, bolso sem nenhum conto Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) O cara cheira mal, as tias sente medo Muito louco de sei lá o que logo cedo Agora não oferece mais perigo Viciado, doente, fudido... inofensivo Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Mano Brown descreve a história de um conhecido que não só era um cidadão normal como ele mesmo, como também era um exemplo para ele e os amigos e toda a comunidade.  Um cara que era do bem, de vida simples mas que se desvirtuou e desandou após fazer novas amizades.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Por fim, Brown o reencontra e vê que o cara agora está fadado à uma vida ainda mais difícil e sem perspectiva alguma, por ter se vislumbrado com toda aquela badalação, drogas e luxúria.  A sociedade jamais o irá aceitar de volta por um erro que ele cometeu no passado já que não lhe é dado novas oportunidades.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Um dia um PM negro veio embaçar E disse pra eu me pôr no meu lugar Eu vejo um mano nessas condições, não dá Será assim que eu deveria estar? Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Uma das características do racismo é discriminar a situação das pessoas e determinar onde elas deveriam estar apenas pela sua cor. Brown se põe no estereótipo do jovem negro das periferias brasileiras. Será que ele deveria estar viciado em drogas e totalmente desacreditado? O sistema quer adequar às pessoas a uma condição kamikaze.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Um dia um PM negro veio embaçar E disse pra eu me pôr no meu lugar Eu vejo um mano nessas condições, não dá Será assim que eu deveria estar? Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  Brown também pode estar falando do PM negro. Será que ele deveria estar do lado do sistema como aquele cara, naquela condição? Na linha seguinte ele fala do sistema e de como ele te atrapalha.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor Pelo rádio, jornal, revista e outdoor Te oferece dinheiro, conversa com calma Contamina seu caráter, rouba sua alma Depois te joga na merda sozinho Transforma um preto tipo A num neguinho Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  O mal está por todo lugar porque o dinheiro está em todo lugar. E por dinheiro, as pessoas fazem de tudo e não percebem que o mais importante as vezes é ter caráter, consciência limpa e buscar paz e felicidade.  O demônio, a fim de te corromper, toma conta da mídia e das pessoas envolta e por fim a gente acaba por conta própria.  Enfim, Brown diz que o sistema transforma um homem negro bom e livre (“tipo A”) em um neguinho qualquer que pode se corromper usando drogas e sendo inferior aos outros.
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Minha palavra alivia sua dor Ilumina minha alma, louvado seja o meu senhor Que não deixa o mano aqui desandar E nem senta o dedo em nenhum pilantra Mas que nenhum filha da puta ignore a minha lei Racionais capítulo 4 versículo 3 Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções
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    sobrevivendo no infernoRacionaisMC’S CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3 (Mano Brown) Prof. JOSÉ RICARDO LIMA – Literatura - www.literaturaeshow.com.br canções  O eu lírico é um religioso e acredita que suas letras de rap que são guiadas pelo pensamento de Deus vão conduzir os seus ouvintes a salvação, conduzir seus ouvintes ao caminho certo, fora do crime.  Ele diz também, que é Deus quem faz ele não ter matado ninguém ainda e nem ter desandado.  No entanto, termina por dizer que pode abrir uma exceção se alguém ignorar sua lei.
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