Thiago Barbosa Soares
Bem longe de dizer que o objeto precede o ponto de vista, diríamos
que é o ponto de vista que cria o objeto (SAUSSURE, 1972, p. 15)
 O que é linguagem?
 O que é língua?
 O que é gramática?
 Qual a relação entre linguagem, língua e
gramática?
 Como a resposta dessas perguntas afeta o ensino
da língua portuguesa?
1)Linguagem como expressão do pensamento: A
língua serve para representar o mundo, o
pensamento e o conhecimento
2)Linguagem como instrumento de comunicação:
A língua é um código com o qual um emissor
comunica a um receptor determinadas
mensagens.
3)Linguagem como processo de interação: A
língua é ação interindividual finalisticamente
orientada e a prática dos mais diversos atos
de linguagem.
 Gramática possui muitas definições, mas
pode, no limite, ser considerada como uma
forma de descrição dos vários componentes
da língua, havendo, portanto, usos para
essa descrição, de forma a produzirem
concepções distintas de gramáticas.
 1) Gramática normativa;
 2) Gramática descritiva;
 3) Gramática internalizada.
 Gramática normativa criticaria os supostos
erros das duas falas: essa, pra, dotô etc...
 Gramática descritiva explicaria as regras
gerais que regem cada uma das falas. Uma
fala urbana e uma fala rural.
 Gramática internalizada exporia cada fala
inadequada à outra, ou seja, a diferença
entre as duas falas é manifestação do choque
sociocultural de dois mundos.
 a) prescritivo;
 b) descritivo;
 c) produtivo.
 Compreender a língua como interação
transcendente à gramática, proporciona ensino
real e significativo da língua;
 Permite contato com outros domínios;
 Envolve o estudo dos elementos da língua
localizados na composição textual;
 Amplia o rol das competências a serem
desenvolvidas pelos alunos;
 Valoriza efetivamente a leitura e a escrita como
atividades integradoras na sociedade (ANTUNES,
2007)
 Linguagem e língua se confundem, mas a primeira
é condição de existência da segunda.
 A língua é expressão do pensamento, instrumento
de comunicação e, sobretudo, processo de ação
interindividual.
 As gramáticas como a descrição do funcionamento
do sistema da língua pressupõem visões de
língua(gem).
 Os tipos de ensino estão intimamente ligados às
concepções de língua e de gramática, porquanto
as tem por norteadores.
 Vício na fala
(Oswald de Andrade)
Para dizerem milho
dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem
teiado
E vão fazendo telhados
 Pronominais
(Oswald de Andrade)
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o
bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
 Sermão de St. Antônio
"Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com
os pregadores, sois o sal da terra: e chama-
lhes sal da terra, porque quer que façam na
terra o que faz o sal. O efeito do sal é
impedir a corrupção; mas quando a terra se
vê tão corrupta como está a nossa, havendo
tantos nela que têm ofício de sal, qual será,
ou qual pode ser a causa desta corrupção?
Ou é porque o sal não salga, ou porque a
terra se não deixa salgar" (VIERA,1968).
a) A beleza de cada um desses textos não só está expressa pelo modo
como foram construídos mas também pelos seus conteúdos, ou
melhor, na junção da forma com o conteúdo. De que trata cada um?
b) Como cada concepção gramatical trataria esses textos segundo suas
formas linguísticas? Justifique sua resposta com elementos dos
textos.
c) Cada autor tem sua maneira de se relacionar com a língua, deixando
marcas em suas produções de qual concepção de linguagem e,
consequentemente, de ensino tem. Desse modo, pode-se dizer que o
autor do "Sermão de St. Antônio" era adepto de qual concepção de
linguagem e de qual tipo de ensino? Explique.
d) Oswald de Andrade, por meio desses dois poemas, demonstra ter uma
concepção de língua(gem). Qual é essa? Justifique através dos
poemas.
e) De acordo com o ensino produtivo, como cada um desses textos pode
contribuir para o desenvolvimento de habilidades e competências no
itinerário dos estudos da língua portuguesa?
 ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1971.
 ___________. Obras completas, Volumes 6-7. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1972.
 ANTUNES, I. Muito além da gramática: por um ensino de língua sem
pedras no caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
 BRASIL. Ministério da Educação. Orientações Curriculares Nacionais
para o Ensino Médio: linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília:
MEC, 2006 (v.1).
 CASTILHO, T. C. Gramática do português brasileiro. São Paulo:
Contexto, 2012.
 GERALDI, J. W. (org). O texto na sala de aula: leitura e produção. 2ª
ed. Cascavel, PR, Assoeste, 1984.
 KOCH, I. G. V. A inter-ação pela linguagem. 10ª ed. São Paulo:
Contexto, 2006.
 SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. (org.) Charles Bally e Albert
Sechehaye. trad. Antônio Chelini, José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. 4ª
ed. São Paulo, Cultrix, 1972.
 TRAVAGLIA, L, C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino
de gramática. 14ª ed. São Paulo: Cortez, 2009.
 VIERA, A. Os sermões. São Paulo, Difel, 1968.
 http://humortadela.bol.uol.com.br/charges/33888.
OBRIGADO!

Concepções de linguagem, língua, gramática e

  • 1.
  • 2.
    Bem longe dedizer que o objeto precede o ponto de vista, diríamos que é o ponto de vista que cria o objeto (SAUSSURE, 1972, p. 15)  O que é linguagem?  O que é língua?  O que é gramática?  Qual a relação entre linguagem, língua e gramática?  Como a resposta dessas perguntas afeta o ensino da língua portuguesa?
  • 3.
    1)Linguagem como expressãodo pensamento: A língua serve para representar o mundo, o pensamento e o conhecimento
  • 4.
    2)Linguagem como instrumentode comunicação: A língua é um código com o qual um emissor comunica a um receptor determinadas mensagens.
  • 5.
    3)Linguagem como processode interação: A língua é ação interindividual finalisticamente orientada e a prática dos mais diversos atos de linguagem.
  • 6.
     Gramática possuimuitas definições, mas pode, no limite, ser considerada como uma forma de descrição dos vários componentes da língua, havendo, portanto, usos para essa descrição, de forma a produzirem concepções distintas de gramáticas.
  • 7.
     1) Gramáticanormativa;  2) Gramática descritiva;  3) Gramática internalizada.
  • 9.
     Gramática normativacriticaria os supostos erros das duas falas: essa, pra, dotô etc...  Gramática descritiva explicaria as regras gerais que regem cada uma das falas. Uma fala urbana e uma fala rural.  Gramática internalizada exporia cada fala inadequada à outra, ou seja, a diferença entre as duas falas é manifestação do choque sociocultural de dois mundos.
  • 10.
     a) prescritivo; b) descritivo;  c) produtivo.
  • 11.
     Compreender alíngua como interação transcendente à gramática, proporciona ensino real e significativo da língua;  Permite contato com outros domínios;  Envolve o estudo dos elementos da língua localizados na composição textual;  Amplia o rol das competências a serem desenvolvidas pelos alunos;  Valoriza efetivamente a leitura e a escrita como atividades integradoras na sociedade (ANTUNES, 2007)
  • 12.
     Linguagem elíngua se confundem, mas a primeira é condição de existência da segunda.  A língua é expressão do pensamento, instrumento de comunicação e, sobretudo, processo de ação interindividual.  As gramáticas como a descrição do funcionamento do sistema da língua pressupõem visões de língua(gem).  Os tipos de ensino estão intimamente ligados às concepções de língua e de gramática, porquanto as tem por norteadores.
  • 13.
     Vício nafala (Oswald de Andrade) Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados  Pronominais (Oswald de Andrade) Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro
  • 14.
     Sermão deSt. Antônio "Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama- lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar" (VIERA,1968).
  • 15.
    a) A belezade cada um desses textos não só está expressa pelo modo como foram construídos mas também pelos seus conteúdos, ou melhor, na junção da forma com o conteúdo. De que trata cada um? b) Como cada concepção gramatical trataria esses textos segundo suas formas linguísticas? Justifique sua resposta com elementos dos textos. c) Cada autor tem sua maneira de se relacionar com a língua, deixando marcas em suas produções de qual concepção de linguagem e, consequentemente, de ensino tem. Desse modo, pode-se dizer que o autor do "Sermão de St. Antônio" era adepto de qual concepção de linguagem e de qual tipo de ensino? Explique. d) Oswald de Andrade, por meio desses dois poemas, demonstra ter uma concepção de língua(gem). Qual é essa? Justifique através dos poemas. e) De acordo com o ensino produtivo, como cada um desses textos pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades e competências no itinerário dos estudos da língua portuguesa?
  • 16.
     ANDRADE, O.Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971.  ___________. Obras completas, Volumes 6-7. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.  ANTUNES, I. Muito além da gramática: por um ensino de língua sem pedras no caminho. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.  BRASIL. Ministério da Educação. Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio: linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: MEC, 2006 (v.1).  CASTILHO, T. C. Gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2012.  GERALDI, J. W. (org). O texto na sala de aula: leitura e produção. 2ª ed. Cascavel, PR, Assoeste, 1984.  KOCH, I. G. V. A inter-ação pela linguagem. 10ª ed. São Paulo: Contexto, 2006.  SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. (org.) Charles Bally e Albert Sechehaye. trad. Antônio Chelini, José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. 4ª ed. São Paulo, Cultrix, 1972.  TRAVAGLIA, L, C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática. 14ª ed. São Paulo: Cortez, 2009.  VIERA, A. Os sermões. São Paulo, Difel, 1968.  http://humortadela.bol.uol.com.br/charges/33888.
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