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QUINCAS BORBA
Machado de Assis
Professor José Ricardo Lima
O ESTILO DE ÉPOCA
QUINCAS BORBA
PROFESSOR
José Ricardo Lima
CIENTIFICISMO
SÉCULO XIX
 EVOLUCIONISMO
 POSITIVISMO
 DETERMINISMO
 SOCIALISMO
 ANTICLERICALISMO
O AUTOR E SUA OBRA
QUINCAS BORBA
 Nome completo
Joaquim Maria Machado de Assis
 Nascimento
21 de junho de 1839, Rio de Janeiro, MN, Império do Brasil
 Morte
29 de setembro de 1908 (69 anos), Rio de Janeiro, DF, Brasil
 Nacionalidade
Brasileiro
 Cônjuge
Carolina Augusta Xavier de Novais (1869–1904)
 Ocupação
Escritor, jornalista, contista, dramaturgo e poeta
PROFESSOR
José Ricardo Lima
O AUTOR
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Publicado pela primeira vez em livro em 1891, depois
portanto de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e
antes de Dom Casmurro (1899);
 Muitos críticos literários classificam a obra como o
segundo volume da chamada “Trilogia machadiana”;
 Quincas Borba é uma das obras mais marcantes da fase
realista de Machado de Assis.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
O LIVRO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Quincas Borba é uma obra metafórica, que retrata os
conflitos, as contradições e o jogo de interesses que
marcam a convivência social.
 É uma crítica sarcástica e demolidora de Machado de
Assis à sociedade capitalista.
 O personagem Quincas Borba que dá título ao livro
aparece inicialmente em MPBC. Portanto, esta obra
seria o que modernamente chamamos de “spin-off”, ou
seja, uma narrativa derivada de outra.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
O LIVRO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o
favor de ler as Memórias Póstumas de Brás
Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência,
que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado,
e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora
em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de
uma viúva, senhora de condição mediana e
parcos meios de vida; mas, tão acanhada, que
os suspiros no namorado ficavam sem eco.
Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela,
que é o presente Rubião, fez todo o possível
para casá-los. Piedade resistiu, um pleuris a
levou.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
O LIVRO
INOPINADO: Que tem uma característica singular, surpreendente.
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Descrição fidedigna das personagens;
 Análise introspectiva das personagens;
 Objetividade e Impessoalidade;
 Narrativa lenta e pormenorizada;
 Predominância do tempo presente;
 Humor - ironia;
 Niilismo-pessimismo.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
O LIVRO
A ESTRUTURA DA NARRATIVA
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 A ação se passa no Rio de Janeiro, havendo um recuo no tempo até Barbacena,
onde se passam fatos importantes que dão origem ao romance.
 Na Corte é retratada a vida de um grupo de burgueses. Todas as exigências de
uma falsa sociedade são descritas. Machado de Assis disseca a alma humana
numa visão assistemática da vida. Coloca a nu a ambição, a avareza, as
hipocrisias da sociedade.
 A narrativa se fecha em Barbacena, onde Rubião aparece louco. É o círculo da
vida. O fim de Rubião é o mesmo de Quincas Borba e tudo termina no mesmo
lugar onde inicia – Barbacena.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
A AÇÃO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 A ação, portanto, se concentra em Rubião – Sofia.
 Mas há núcleos secundários, de real importância, como é o próprio da estrutura
do romance; Sofia-Palha, Quincas Borba (cão e filósofo), Teófilo-Fernanda, Carlos
Maria-Maria Benedita, Dr. Camacho, Major Siqueira-D. Tonica, Freitas, etc.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
A AÇÃO
PERSONAGENS
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 a) Quincas Borba (o filósofo): em síntese, Quincas Borba se destaca pelos
seguintes atributos: filósofo doido, esquisito, “com frequente alteração de
humor”, “ímpetos sem motivo”, “ternura sem proporção”, extravagante, bom,
alegre, lutava contra o pessimismo e desejava a sua continuidade através dos
tempos como comprova a sua filosofia “borbista”, de natureza “humorística”, o
Humanitismo.
 Depois que morreu, “passou ao corpo do seu cão”, como sugerem as dúvidas
de Rubião ao longo da narrativa.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
PERSONAGENS
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 b) Rubião: de um modo geral, Rubião se caracteriza assim no romance: tem
medo da opinião pública, é indeciso, volúvel, ambicioso, megalomaníaco,
obsessivo, desequilibrado, tímido, acomodado, ciumento, influenciável,
conflituoso, ocioso, ingênuo.
 A sua megalomania, que o levará à sandice, tem desenvolvimento sutil e velado
ao longo da narrativa.
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PERSONAGENS
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 c) Sofia: em linhas gerais, o perfil de Sofia, no romance, se delineia assim:
vaidosa, orgulhosa, dominadora, fria, cautelosa, ambiciosa, sedutora, caráter
ambivalente, frívola, sensual e dissimulada.
 Lembremos aqui a Capitu de Dom Casmurro com seus “olhos de ressaca” e
natureza dissimulada, como fica explicitado ao longo do romance.
 Mas, por falar em olhos, Machado dá extrema importância aos olhos de Sofia.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
PERSONAGENS
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
d) Palha: ambicioso, egocêntrico, vaidoso, bajula- dor, interesseiro, parasita,
desonesto, astuto, torpe. "Rotulado por um nome que já lhe traduz o caráter
e a personalidade, também se atira ao dinheiro e à posição social como se
estivesse no caminho certo".
e) Carlos Maria: vaidoso, altivo, vazio, galanteador: é a caricatura do
conquistador de frases feitas e lugares-comuns. Um aspecto que lhe é
bastante característico é o de divindade, que Machado ironiza a toda hora.
Casou-se para ser "adorado" pela esposa, Maria Benedita.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
PERSONAGENS
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
f) Maria Benedita: tímida, pacata, sem iniciativa, passiva, resignada, influenciável,
personalidade fraca. Seu casamento com Carlos Maria que, à primeira vista,
significou o encontro da felicidade tão longamente sonhada, não passa de um
ludíbrio, em virtude do pouco amor que Carlos Maria lhe dedicava.
g) Dr. Camacho: é caricatura do politiqueiro demagogo de frase feita e retórica
excessiva; astuto e interesseiro.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
PERSONAGENS
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
h) Major Siqueira: mexeriqueiro, inicialmente, e depois magoado.
i) D. Tonica: o desespero desta "solteirona quarentona" já começa pelo nome: D.
Tonica. Revela-se invejosa, revoltada, infeliz e frustrada.
j) D. Fernanda: casamenteira e um tanto fidalga. No mais, uma boa senhora e
esposa dedicada que sabe consertar a gravata do marido nas horas necessárias...
(modelo para as menininhas de hoje que nem consertam gravatas nem
colarinhos...).
PROFESSOR
José Ricardo Lima
PERSONAGENS
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
k) Teófilo: é o marido da superesposa Dona Fernanda: ambicioso, dinâmico e, às
vezes, temperamental e minucioso.
m) Freitas: caricatura do parasita e dos glutões de jantares e de charutos alheios.
Deus que o tenha na sua santa glória!
PROFESSOR
José Ricardo Lima
PERSONAGENS
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 A narrativa se passa em Barbacena. É a história de um professor mineiro de
primeiras letras, Rubião, para quem o filósofo Quincas Borba (personagem que
já aparecera em Memórias Póstumas de Brás Cubas) deixa todos os seus bens,
com a condição de que o herdeiro cuide de seu cachorro, também chamado
Quincas Borba.
 Quincas Borba é bajulado por Rubião, que quase se havia tornado cunhado.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 O interesse é a riqueza do filósofo, solteiro, sem parentes. Seus esforços
mostram-se, no fim, frutíferos.
 Já louco, Quincas morre enquanto estava no Rio de Janeiro (esse momento de
Quincas Borba é narrado em Memórias Póstumas de Brás Cubas).
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Deve-se lembrar que o cachorro é um elemento curioso na obra. Pode-se dizer que o
título refere-se a ele, num mecanismo que engana o leitor – o livro não é, na verdade,
sobre o homem Quincas Borba.
 Pode-se, também, ver no animal uma extensão, dentro dos próprios ditames do
Humanitas, do princípio do antigo dono.
 Tanto que algumas vezes o Rubião tinha preocupações com suas ações imaginando
que o mestre havia sobrevivido na criatura.
 É uma observação que faz sentido, tanto no aspecto “espiritualista” como na própria
estrutura literária da obra, pois o cão fica como uma suposta consciência do filósofo, a
incomodar Rubião.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 De posse da fortuna e tendo aprendido de Quincas Borba alguns elementos de
sua filosofia, o Humanitismo, Rubião cai na mesma sanha da espécie humana:
quer fama, status.
 Para tanto, Barbacena não o satisfaz e ele se muda para o Rio de Janeiro.
Durante a viagem de trem, conhece o casal Sofia-Cristiano Palha.
 Encanta-se com a beleza da mulher. E, ao ingenuamente confessar sua riqueza
repentina, desperta o olhar de rapina do marido, que rapidamente oferece sua
casa e sua ajuda durante a estada do mineiro na capital.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Aproveitando-se dos encantos de sua própria esposa, Cristiano Palha consegue
atrair a atenção de Rubião, começando por adquirir dele um empréstimo.
 Mas planeja ir mais adiante: quer, por meio de uma sociedade, dinheiro para
investir em seus negócios e acabar enriquecendo.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Sofia, astuciosamente, consegue manter intactos, tanto o interesse de Rubião,
quanto a fidelidade conjugal.
 Aconselhada a não ser brusca com uma pessoa tão preciosa, Sofia acaba
assumindo uma postura ambígua para Rubião. Não atende a seus desejos, mas
também não os nega enfaticamente, o que alimenta nele esperanças, geradoras
de certas complicações.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Em um baile, um jovem de nome Carlos Maria passa a noite dançando com
Sofia, o que deixa até no ar a possibilidade do surgimento de um adultério.
 Mas houve apenas a satisfação de dois egos: ela, por se sentir idolatrada; ele,
por ter em suas mãos a mais bela mulher do salão. E tudo esfria, não surgindo
mais nenhum laço forte além da dança.
 No entanto, duas personagens imaginaram que o episódio tinha gerado
consequências mais terríveis.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Rubião, que se sente enciumado. Em sua mente, aceita dividir Sofia com
Cristiano, marido. Mas não aceita com outro amante.
 A outra personagem é Maria Benedita, prima de Sofia, criada no interior, alheia
à civilização, mas que desperta o desejo de evoluir graças ao interesse que
sente por Carlos Maria.
 Sente-se, pois, arrasada ao pensar que a prima indignamente havia-lhe passado
a perna.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Esse episódio vai lembrar a morte da avó de Quincas Borba. Por causa do flagelo
que houve na província nordestina de Alagoas, Sofia faz parte de um grupo de
caridade composto de senhoras da alta sociedade da corte.
 Começa, pois, a fincar seu lugar ao sol, graças à desgraça alheia. É também por
meio desse grupo que sai conseguir o casamento de Maria Benedita com Carlos
Maria, parente de D. Fernanda, mulher muito conceituada.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Torna-se nítido, nesse ponto, uma característica muito comum às narrativas
machadianas: os mecanismos de favor.
 No Brasil da época de Machado de Assis, muitas vezes a ascensão social não era
obtida por meio da competência. Entravam em campo tais mecanismos.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Eis, pois, o que enxergamos na relação entre a poderosa D. Fernanda e Maria
Benedita, que culminou no casamento desta, alavancando-a para a alta esfera
social.
 Vemos isso também na entrada de Sofia na Comissão de Alagoas. É por meio
desse grupo que angaria a simpatia das damas abastadas.
 Principalmente de D. Fernanda, mais uma vez (essa personagem, impositiva,
adora exercer seu poder de influência sobre as pessoas), tornando-se uma
delas.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Mas voltando aos cavalheiros, o dinheiro adquirido graças à sociedade com
Rubião é investido, originando progresso financeiro.
 O enriquecimento fica notório na sequência de mudança de residências: de
Santa Teresa vão para a praia do Flamengo e de lá finalmente instalam-se no
Palacete do Botafogo.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Rubião é destinado à exploração, à derrota. É o gastador. É o sugado. Sua
riqueza esvai-se em empréstimos a fundo perdido, em investimentos no jornal
do político Camacho, no grupo de comensais que frequentam sua casa,
aproveitando-se de jantares, charutos e demais benesses.
 O mais incrível é que no momento em que a derrocada do protagonista se
mostra mais nítida é que ele assume delírios de grandeza, provavelmente
provocados pela situação incoerente entre não ter o seu amor por Sofia
correspondido e não ser claramente dispensado por ela (o que pode explicar
essa incoerência é a vaidade de Sofia).
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Sofia sente-se lisonjeada ao saber que alguém a venera, por isso não corta os
laços, desde que não se comprometa sua reputação (mais uma vez a vaidade);
 Confirmando a discrepância entre aparência e essência, Rubião vai à falência
enquanto imagina ser Napoleão.
 Chega a receber a ajuda caritativa de D. Fernanda e do casal Palha (estes, mais
preocupados com a imagem social, pois já nem havia mais sociedade, desfeita
providencialmente às vésperas da derrocada).
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Palha e Sofia afastam-se cada vez mais e ele acaba sendo internado num asilo
de onde foge para voltar a Minas.
 Expõe-se à chuva da madrugada, o que o conduz à pneumonia, que lhe é fatal.
 Morre lá, em pleno delírio de grandeza, acompanhado de seu cão Quincas
Borba e repetindo uma frase do Humanitismo: - "Ao vencedor, as batatas".
 Três dias depois o seu cão morre.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Tudo cai no esquecimento, na indiferença do tempo.
 Humanitas mais uma vez garantia sua sobrevivência, dando vida ao forte,
eliminando os mais fracos.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
RESUMO DO ENREDO
ANÁLISE
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Narrado em terceira pessoa, é considerado o mais objetivo dos romances de Machado
de Assis. Publicado em 1891, o romance Quincas Borba pode ser visto como irmão da
obra que inaugurou o Realismo Brasileiro (Memórias Póstumas de Brás Cubas);
 É um desdobramento da problemática e da narrativa de Memórias Póstumas de Brás
Cubas, pois Quincas Borba é um personagem que já fazia parte deste livro;
 Amigo de infância do autor defunto, tinha decaído de abastado para mendigo, depois,
recebendo uma herança, tornara-se rico e criador de uma filosofia, o Humanitas ou
Humanitismo;
PROFESSOR
José Ricardo Lima
ANÁLISE
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Essa teoria é justamente o principal mote comum entre as duas obras;
 Há quem diga que se trata de uma paródia de Machado de Assis às inúmeras filosofias
que surgiram no final do século XIX, em que todos pareciam ter uma explicação sobre
tudo;
 No entanto, existe também a possibilidade de se ver aqui uma metaforização do
próprio ideário a que o grande autor realista se apegava;
 Interessante é notar que o fato de duas interpretações que enxergam tons opostos no
Humanitas é um aspecto muito esperado na literatura machadiana, acostumada a
conciliar elementos contraditórios, dilemáticos de nossa existência;
PROFESSOR
José Ricardo Lima
ANÁLISE
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 O principal elemento da estrutura da narrativa de Machado de Assis é o
narrador.
 Em Quintas Borba, também é um personagem dúplice, narrando em primeira
ou terceira pessoa, ele está fora da narrativa, mas às vezes, porta-se de maneira
autodiegética”. Ex.: “Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as...”.
 É onisciente, e interfere na história, fazendo comentários e dirigindo-se ao leitor
(intruso). Sua participação é, portanto, interventiva.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
ANÁLISE
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Machado de Assis foi um precursor ao incluir em suas narrativas, o diálogo
entre o narrador e o leitor. Este é, também, personagem, um leitor virtual,
explicitado ou não na narrativa.
 Enfim, são diferentes as formas como Machado de Assis
estabelece o diálogo entre narrador - o personagem
que conta a história - e o leitor - personagem para
quem se narram os fatos - antecipando, em quase cem
anos, a importância desses elementos na narrativa
contemporânea e a participação do leitor implícito,
intratextual, para a elaboração do sentido do texto.
PROFESSOR
José Ricardo Lima
ANÁLISE
QUINCAS BORBA – Machado de Assis
 Machado de Assis foi um precursor ao incluir em suas narrativas, o diálogo
entre o narrador e o leitor. Este é, também, personagem, um leitor virtual,
explicitado ou não na narrativa.
 Enfim, são diferentes as formas como Machado de Assis
estabelece o diálogo entre narrador - o personagem
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José Ricardo Lima
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Quincas Borba

  • 1. QUINCAS BORBA Machado de Assis Professor José Ricardo Lima
  • 2. O ESTILO DE ÉPOCA
  • 3. QUINCAS BORBA PROFESSOR José Ricardo Lima CIENTIFICISMO SÉCULO XIX  EVOLUCIONISMO  POSITIVISMO  DETERMINISMO  SOCIALISMO  ANTICLERICALISMO
  • 4. O AUTOR E SUA OBRA
  • 5. QUINCAS BORBA  Nome completo Joaquim Maria Machado de Assis  Nascimento 21 de junho de 1839, Rio de Janeiro, MN, Império do Brasil  Morte 29 de setembro de 1908 (69 anos), Rio de Janeiro, DF, Brasil  Nacionalidade Brasileiro  Cônjuge Carolina Augusta Xavier de Novais (1869–1904)  Ocupação Escritor, jornalista, contista, dramaturgo e poeta PROFESSOR José Ricardo Lima O AUTOR
  • 6. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Publicado pela primeira vez em livro em 1891, depois portanto de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e antes de Dom Casmurro (1899);  Muitos críticos literários classificam a obra como o segundo volume da chamada “Trilogia machadiana”;  Quincas Borba é uma das obras mais marcantes da fase realista de Machado de Assis. PROFESSOR José Ricardo Lima O LIVRO
  • 7. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Quincas Borba é uma obra metafórica, que retrata os conflitos, as contradições e o jogo de interesses que marcam a convivência social.  É uma crítica sarcástica e demolidora de Machado de Assis à sociedade capitalista.  O personagem Quincas Borba que dá título ao livro aparece inicialmente em MPBC. Portanto, esta obra seria o que modernamente chamamos de “spin-off”, ou seja, uma narrativa derivada de outra. PROFESSOR José Ricardo Lima O LIVRO
  • 8. QUINCAS BORBA – Machado de Assis Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de vida; mas, tão acanhada, que os suspiros no namorado ficavam sem eco. Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-los. Piedade resistiu, um pleuris a levou. PROFESSOR José Ricardo Lima O LIVRO INOPINADO: Que tem uma característica singular, surpreendente.
  • 9. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Descrição fidedigna das personagens;  Análise introspectiva das personagens;  Objetividade e Impessoalidade;  Narrativa lenta e pormenorizada;  Predominância do tempo presente;  Humor - ironia;  Niilismo-pessimismo. PROFESSOR José Ricardo Lima O LIVRO
  • 10. A ESTRUTURA DA NARRATIVA
  • 11. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  A ação se passa no Rio de Janeiro, havendo um recuo no tempo até Barbacena, onde se passam fatos importantes que dão origem ao romance.  Na Corte é retratada a vida de um grupo de burgueses. Todas as exigências de uma falsa sociedade são descritas. Machado de Assis disseca a alma humana numa visão assistemática da vida. Coloca a nu a ambição, a avareza, as hipocrisias da sociedade.  A narrativa se fecha em Barbacena, onde Rubião aparece louco. É o círculo da vida. O fim de Rubião é o mesmo de Quincas Borba e tudo termina no mesmo lugar onde inicia – Barbacena. PROFESSOR José Ricardo Lima A AÇÃO
  • 12. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  A ação, portanto, se concentra em Rubião – Sofia.  Mas há núcleos secundários, de real importância, como é o próprio da estrutura do romance; Sofia-Palha, Quincas Borba (cão e filósofo), Teófilo-Fernanda, Carlos Maria-Maria Benedita, Dr. Camacho, Major Siqueira-D. Tonica, Freitas, etc. PROFESSOR José Ricardo Lima A AÇÃO
  • 14. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  a) Quincas Borba (o filósofo): em síntese, Quincas Borba se destaca pelos seguintes atributos: filósofo doido, esquisito, “com frequente alteração de humor”, “ímpetos sem motivo”, “ternura sem proporção”, extravagante, bom, alegre, lutava contra o pessimismo e desejava a sua continuidade através dos tempos como comprova a sua filosofia “borbista”, de natureza “humorística”, o Humanitismo.  Depois que morreu, “passou ao corpo do seu cão”, como sugerem as dúvidas de Rubião ao longo da narrativa. PROFESSOR José Ricardo Lima PERSONAGENS
  • 15. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  b) Rubião: de um modo geral, Rubião se caracteriza assim no romance: tem medo da opinião pública, é indeciso, volúvel, ambicioso, megalomaníaco, obsessivo, desequilibrado, tímido, acomodado, ciumento, influenciável, conflituoso, ocioso, ingênuo.  A sua megalomania, que o levará à sandice, tem desenvolvimento sutil e velado ao longo da narrativa. PROFESSOR José Ricardo Lima PERSONAGENS
  • 16. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  c) Sofia: em linhas gerais, o perfil de Sofia, no romance, se delineia assim: vaidosa, orgulhosa, dominadora, fria, cautelosa, ambiciosa, sedutora, caráter ambivalente, frívola, sensual e dissimulada.  Lembremos aqui a Capitu de Dom Casmurro com seus “olhos de ressaca” e natureza dissimulada, como fica explicitado ao longo do romance.  Mas, por falar em olhos, Machado dá extrema importância aos olhos de Sofia. PROFESSOR José Ricardo Lima PERSONAGENS
  • 17. QUINCAS BORBA – Machado de Assis d) Palha: ambicioso, egocêntrico, vaidoso, bajula- dor, interesseiro, parasita, desonesto, astuto, torpe. "Rotulado por um nome que já lhe traduz o caráter e a personalidade, também se atira ao dinheiro e à posição social como se estivesse no caminho certo". e) Carlos Maria: vaidoso, altivo, vazio, galanteador: é a caricatura do conquistador de frases feitas e lugares-comuns. Um aspecto que lhe é bastante característico é o de divindade, que Machado ironiza a toda hora. Casou-se para ser "adorado" pela esposa, Maria Benedita. PROFESSOR José Ricardo Lima PERSONAGENS
  • 18. QUINCAS BORBA – Machado de Assis f) Maria Benedita: tímida, pacata, sem iniciativa, passiva, resignada, influenciável, personalidade fraca. Seu casamento com Carlos Maria que, à primeira vista, significou o encontro da felicidade tão longamente sonhada, não passa de um ludíbrio, em virtude do pouco amor que Carlos Maria lhe dedicava. g) Dr. Camacho: é caricatura do politiqueiro demagogo de frase feita e retórica excessiva; astuto e interesseiro. PROFESSOR José Ricardo Lima PERSONAGENS
  • 19. QUINCAS BORBA – Machado de Assis h) Major Siqueira: mexeriqueiro, inicialmente, e depois magoado. i) D. Tonica: o desespero desta "solteirona quarentona" já começa pelo nome: D. Tonica. Revela-se invejosa, revoltada, infeliz e frustrada. j) D. Fernanda: casamenteira e um tanto fidalga. No mais, uma boa senhora e esposa dedicada que sabe consertar a gravata do marido nas horas necessárias... (modelo para as menininhas de hoje que nem consertam gravatas nem colarinhos...). PROFESSOR José Ricardo Lima PERSONAGENS
  • 20. QUINCAS BORBA – Machado de Assis k) Teófilo: é o marido da superesposa Dona Fernanda: ambicioso, dinâmico e, às vezes, temperamental e minucioso. m) Freitas: caricatura do parasita e dos glutões de jantares e de charutos alheios. Deus que o tenha na sua santa glória! PROFESSOR José Ricardo Lima PERSONAGENS
  • 22. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  A narrativa se passa em Barbacena. É a história de um professor mineiro de primeiras letras, Rubião, para quem o filósofo Quincas Borba (personagem que já aparecera em Memórias Póstumas de Brás Cubas) deixa todos os seus bens, com a condição de que o herdeiro cuide de seu cachorro, também chamado Quincas Borba.  Quincas Borba é bajulado por Rubião, que quase se havia tornado cunhado. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 23. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  O interesse é a riqueza do filósofo, solteiro, sem parentes. Seus esforços mostram-se, no fim, frutíferos.  Já louco, Quincas morre enquanto estava no Rio de Janeiro (esse momento de Quincas Borba é narrado em Memórias Póstumas de Brás Cubas). PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 24. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Deve-se lembrar que o cachorro é um elemento curioso na obra. Pode-se dizer que o título refere-se a ele, num mecanismo que engana o leitor – o livro não é, na verdade, sobre o homem Quincas Borba.  Pode-se, também, ver no animal uma extensão, dentro dos próprios ditames do Humanitas, do princípio do antigo dono.  Tanto que algumas vezes o Rubião tinha preocupações com suas ações imaginando que o mestre havia sobrevivido na criatura.  É uma observação que faz sentido, tanto no aspecto “espiritualista” como na própria estrutura literária da obra, pois o cão fica como uma suposta consciência do filósofo, a incomodar Rubião. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 25. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  De posse da fortuna e tendo aprendido de Quincas Borba alguns elementos de sua filosofia, o Humanitismo, Rubião cai na mesma sanha da espécie humana: quer fama, status.  Para tanto, Barbacena não o satisfaz e ele se muda para o Rio de Janeiro. Durante a viagem de trem, conhece o casal Sofia-Cristiano Palha.  Encanta-se com a beleza da mulher. E, ao ingenuamente confessar sua riqueza repentina, desperta o olhar de rapina do marido, que rapidamente oferece sua casa e sua ajuda durante a estada do mineiro na capital. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 26. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Aproveitando-se dos encantos de sua própria esposa, Cristiano Palha consegue atrair a atenção de Rubião, começando por adquirir dele um empréstimo.  Mas planeja ir mais adiante: quer, por meio de uma sociedade, dinheiro para investir em seus negócios e acabar enriquecendo. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 27. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Sofia, astuciosamente, consegue manter intactos, tanto o interesse de Rubião, quanto a fidelidade conjugal.  Aconselhada a não ser brusca com uma pessoa tão preciosa, Sofia acaba assumindo uma postura ambígua para Rubião. Não atende a seus desejos, mas também não os nega enfaticamente, o que alimenta nele esperanças, geradoras de certas complicações. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 28. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Em um baile, um jovem de nome Carlos Maria passa a noite dançando com Sofia, o que deixa até no ar a possibilidade do surgimento de um adultério.  Mas houve apenas a satisfação de dois egos: ela, por se sentir idolatrada; ele, por ter em suas mãos a mais bela mulher do salão. E tudo esfria, não surgindo mais nenhum laço forte além da dança.  No entanto, duas personagens imaginaram que o episódio tinha gerado consequências mais terríveis. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 29. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Rubião, que se sente enciumado. Em sua mente, aceita dividir Sofia com Cristiano, marido. Mas não aceita com outro amante.  A outra personagem é Maria Benedita, prima de Sofia, criada no interior, alheia à civilização, mas que desperta o desejo de evoluir graças ao interesse que sente por Carlos Maria.  Sente-se, pois, arrasada ao pensar que a prima indignamente havia-lhe passado a perna. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 30. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Esse episódio vai lembrar a morte da avó de Quincas Borba. Por causa do flagelo que houve na província nordestina de Alagoas, Sofia faz parte de um grupo de caridade composto de senhoras da alta sociedade da corte.  Começa, pois, a fincar seu lugar ao sol, graças à desgraça alheia. É também por meio desse grupo que sai conseguir o casamento de Maria Benedita com Carlos Maria, parente de D. Fernanda, mulher muito conceituada. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 31. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Torna-se nítido, nesse ponto, uma característica muito comum às narrativas machadianas: os mecanismos de favor.  No Brasil da época de Machado de Assis, muitas vezes a ascensão social não era obtida por meio da competência. Entravam em campo tais mecanismos. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 32. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Eis, pois, o que enxergamos na relação entre a poderosa D. Fernanda e Maria Benedita, que culminou no casamento desta, alavancando-a para a alta esfera social.  Vemos isso também na entrada de Sofia na Comissão de Alagoas. É por meio desse grupo que angaria a simpatia das damas abastadas.  Principalmente de D. Fernanda, mais uma vez (essa personagem, impositiva, adora exercer seu poder de influência sobre as pessoas), tornando-se uma delas. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 33. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Mas voltando aos cavalheiros, o dinheiro adquirido graças à sociedade com Rubião é investido, originando progresso financeiro.  O enriquecimento fica notório na sequência de mudança de residências: de Santa Teresa vão para a praia do Flamengo e de lá finalmente instalam-se no Palacete do Botafogo. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 34. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Rubião é destinado à exploração, à derrota. É o gastador. É o sugado. Sua riqueza esvai-se em empréstimos a fundo perdido, em investimentos no jornal do político Camacho, no grupo de comensais que frequentam sua casa, aproveitando-se de jantares, charutos e demais benesses.  O mais incrível é que no momento em que a derrocada do protagonista se mostra mais nítida é que ele assume delírios de grandeza, provavelmente provocados pela situação incoerente entre não ter o seu amor por Sofia correspondido e não ser claramente dispensado por ela (o que pode explicar essa incoerência é a vaidade de Sofia). PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 35. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Sofia sente-se lisonjeada ao saber que alguém a venera, por isso não corta os laços, desde que não se comprometa sua reputação (mais uma vez a vaidade);  Confirmando a discrepância entre aparência e essência, Rubião vai à falência enquanto imagina ser Napoleão.  Chega a receber a ajuda caritativa de D. Fernanda e do casal Palha (estes, mais preocupados com a imagem social, pois já nem havia mais sociedade, desfeita providencialmente às vésperas da derrocada). PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 36. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Palha e Sofia afastam-se cada vez mais e ele acaba sendo internado num asilo de onde foge para voltar a Minas.  Expõe-se à chuva da madrugada, o que o conduz à pneumonia, que lhe é fatal.  Morre lá, em pleno delírio de grandeza, acompanhado de seu cão Quincas Borba e repetindo uma frase do Humanitismo: - "Ao vencedor, as batatas".  Três dias depois o seu cão morre. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 37. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Tudo cai no esquecimento, na indiferença do tempo.  Humanitas mais uma vez garantia sua sobrevivência, dando vida ao forte, eliminando os mais fracos. PROFESSOR José Ricardo Lima RESUMO DO ENREDO
  • 39. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Narrado em terceira pessoa, é considerado o mais objetivo dos romances de Machado de Assis. Publicado em 1891, o romance Quincas Borba pode ser visto como irmão da obra que inaugurou o Realismo Brasileiro (Memórias Póstumas de Brás Cubas);  É um desdobramento da problemática e da narrativa de Memórias Póstumas de Brás Cubas, pois Quincas Borba é um personagem que já fazia parte deste livro;  Amigo de infância do autor defunto, tinha decaído de abastado para mendigo, depois, recebendo uma herança, tornara-se rico e criador de uma filosofia, o Humanitas ou Humanitismo; PROFESSOR José Ricardo Lima ANÁLISE
  • 40. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Essa teoria é justamente o principal mote comum entre as duas obras;  Há quem diga que se trata de uma paródia de Machado de Assis às inúmeras filosofias que surgiram no final do século XIX, em que todos pareciam ter uma explicação sobre tudo;  No entanto, existe também a possibilidade de se ver aqui uma metaforização do próprio ideário a que o grande autor realista se apegava;  Interessante é notar que o fato de duas interpretações que enxergam tons opostos no Humanitas é um aspecto muito esperado na literatura machadiana, acostumada a conciliar elementos contraditórios, dilemáticos de nossa existência; PROFESSOR José Ricardo Lima ANÁLISE
  • 41. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  O principal elemento da estrutura da narrativa de Machado de Assis é o narrador.  Em Quintas Borba, também é um personagem dúplice, narrando em primeira ou terceira pessoa, ele está fora da narrativa, mas às vezes, porta-se de maneira autodiegética”. Ex.: “Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as...”.  É onisciente, e interfere na história, fazendo comentários e dirigindo-se ao leitor (intruso). Sua participação é, portanto, interventiva. PROFESSOR José Ricardo Lima ANÁLISE
  • 42. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Machado de Assis foi um precursor ao incluir em suas narrativas, o diálogo entre o narrador e o leitor. Este é, também, personagem, um leitor virtual, explicitado ou não na narrativa.  Enfim, são diferentes as formas como Machado de Assis estabelece o diálogo entre narrador - o personagem que conta a história - e o leitor - personagem para quem se narram os fatos - antecipando, em quase cem anos, a importância desses elementos na narrativa contemporânea e a participação do leitor implícito, intratextual, para a elaboração do sentido do texto. PROFESSOR José Ricardo Lima ANÁLISE
  • 43. QUINCAS BORBA – Machado de Assis  Machado de Assis foi um precursor ao incluir em suas narrativas, o diálogo entre o narrador e o leitor. Este é, também, personagem, um leitor virtual, explicitado ou não na narrativa.  Enfim, são diferentes as formas como Machado de Assis estabelece o diálogo entre narrador - o personagem que conta a história - e o leitor - personagem para quem se narram os fatos - antecipando, em quase cem anos, a importância desses elementos na narrativa contemporânea e a participação do leitor implícito, intratextual, para a elaboração do sentido do texto. PROFESSOR José Ricardo Lima ANÁLISE