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Pastagem
80 DBO dezembro 2017
Ataque múltiplo para
vencer a cigarrinha
Manejo integrado de pragas (MIP) é a melhor estratégia para controlar a
infestação do inseto nas pastagens
renato villela
renato.villela@revistadbo.com.br
A
ssim que percebe os primeiros sinais de amare-
lecimento das folhas do capim, provocado pelo
ataque de cigarrinhas, o produtor se apressa
para comprar um “veneno” que dê jeito na praga que
está acabando com o vigor do seu pasto. O que ele não
percebe é que esse “pronto atendimento” é, na verdade,
tardio, e seu efeito, inócuo. É que os sinais visu-
ais que aparecem na pastagem após a ação das
cigarrinhas só ficam evidentes de duas a três
semanas depois que o inseto começa a sugar
a seiva e injetar toxinas nas plantas forragei-
ras. Esse período corresponde à fase adulta do
inseto, que é o final de seu ciclo de vida. “Na
maioria das vezes, o controle químico é feito so-
bre uma população que morrerá em poucos dias,
o que não evita os prejuízos já causados pela praga”,
adverte Adilson Aguiar, professor da Fazu – Faculda-
des Associadas de Uberaba, e consultor da Consupec
– Consultoria e Planejamento Pecuário. De acordo com
Aguiar, que é especialista em pastagem, para ser eficaz
o combate deve ser feito quando o inseto está na fase
de ninfa, o que requer seu monitoramento, e em várias
frentes, dentro do que se convencionou chamar de ma-
nejo integrado de pragas, ou simplesmente MIP.
Instituído pela comunidade científica na década de
1960 com a finalidade de otimizar o combate a pragas,
doenças e plantas invasoras, o MIP congrega os seguin-
tes métodos de controle: preventivo, cultural, físico,
mecânico, biológico, fisiológico e químico (veja a des-
crição de cada um deles no quadro da pág 82).Todas
essas medidas devem ser empregadas de modo integra-
do, independentemente da praga em questão. Algumas
dessas ações, como o método preventivo, que prevê a
limpeza de máquinas e implementos antes de início do
plantio numa nova área da propriedade, servem como
regras gerais. Outras, por sua vez, devem se adequar à
especificidade de cada praga. Para tanto, é preciso iden-
tificar o inseto e acompanhar seus níveis de infestação
de modo a tomar a medida certa. “Quando a popula-
ção da cigarrinha-das pastagens atingir 20 ninfas/m2 ou
da cigarrinha-dos-canaviais, 5 ninfas/m2, por exemplo,
significa que o controle deve ser feito para evitar danos
econômicos”.
Controle efetivo
Localizada no município de Jaboticatubas, região
metropolitana de Belo Horizonte, MG, a Fazenda Vis-
ta Alegre implantou o MIP no final de 2013, início de
2014, durante o período chuvoso. A propriedade, de
758 ha, possui 477 ha de pastagens, dos quais 380 ha
são de sequeiro e 96 ha estão sob dois pivôs centrais
(48 ha cada). Dedicada à recria e engorda de machos
Nelore, além de um núcleo de melhoramento genéti-
co da raça Mangalarga Marchador, a fazenda tinha um
histórico de ataque severo de cigarrinha-dos-canaviais,
praga ainda mais agressiva que a cigarrinha-das-pasta-
gens (veja quadro). “O capim ficava cheio de manchas,
que primeiro amarelava e depois secava”, relembra Ro-
gério Correa da Silva, gerente da fazenda. O professor
Adilson Aguiar explica que os sintomas evoluem de
listas cloróticas, formando longas faixas de cor ama-
relo limão a esbranquiçadas nas plantas, para manchas
cloróticas, que assumem tonalidades laranja e, depois,
marrom (tecidos necrosados, secos). “Esses sintomas
avançam da ponta para a folha inteira”.
Quem mais sofreu com o ataque da cigarrinha-dos-
-canaviais foi a braquiária, em especial a espécie Bra-
chiaria brizantha cultivar marandu, o popular braquia-
rão, que predomina nas pastagens da propriedade. Mas
o capim tifton, plantado sob um dos pivôs, tampouco
Cigarrinha-
dos-canaviais
é praga mais
agressiva que a
cigarrinha-das-
pastagens
Controle integrado
é mais eficaz”
Adilson Aguiar,
da Fazu
ArquivoDBO
passou imune ao apetite voraz da praga. Com o pro-
blema generalizado, a fazenda tinha dificuldade em
avançar na produção de arrobas por hectare. Na safra
2012/2013, um ano antes da adoção do programa de
manejo integrado, a produtividade média da fazenda foi
de 16@/ha/ano. De lá para cá o cenário começou a mu-
dar.Ao passo de 1,5 @/ha/ano, a fazenda conseguiu ele-
var esse ganho em 37,5%. Na última safra (2016/2017),
a produtividade alcançou 22 @/ha. A melhora do índi-
ce pode ser creditada à intensificação do sistema produ-
tivo, com o aumento das áreas com solos corrigidos e
adubados e suplementação do gado, mas o controle da
praga também teve uma contribuição decisiva. “Sem a
adoção do MIP no controle das cigarrinhas, o ganho em
arrobas por hectare seria limitado”, garante Aguiar. O
professor foi responsável pela implantação do MIP e
treinamento da equipe, além de acompanhar a execução
do programa na fazenda.
Mãos na praga
Antes de iniciar o combate à cigarrinha, toda a equi-
pe da fazenda – do peão ao gerente – passou por treina-
mento para saber identificar o inseto e/ou os sintomas
de seu ataque na forrageira para auxiliar no seu monito-
ramento. Com o conhecimento na bagagem, era hora de
ir para a pastagem em busca da praga. No caso da cigar-
rinha, o monitoramento deve começar de duas a três se-
manas após o início das primeiras chuvas.Aavaliação é
feita com o auxílio de uma moldura em forma quadran-
gular, a mesma utilizada para medir a produção de for-
ragem. Para fazer a amostragem, o “quadrado” é lança-
do aleatoriamente na pastagem. Devem ser amostrados
dez pontos por hectare, em todos os piquetes. As nin-
fas da cigarrinha-dos-canaviais habitam o colo da plan-
ta (porção intermediária entre a parte aérea e a subterrâ-
nea) e na parte superficial das raízes, diferentemente da
cigarrinha-das-pastagens, que prefere a base da planta.
Depois de lançado o quadrado, que na fazenda é fei-
to de vergalhão (1 m x 1 m), começa a “varredura” na
área. Com um rastelo de jardim, acessório formado por
um tridente em formato de “L”, como se fossem os de-
dos de uma mão, o responsável pela tarefa escarifica a
superfície do solo em busca da praga.Após a identifica-
ção das ninfas é feita a contagem. O número é anotado
numa caderneta e, posteriormente, transferido para uma
ficha de controle, onde consta o mapa do módulo com
seus respectivos piquetes delimitados, além de uma es-
cala de cores, onde cada cor corresponde a um nível de
infestação. “É um formato que facilita visualizar a si-
tuação de cada piquete para tomar as medidas necessá-
rias”, explica o professor. Quando a população da praga
no piquete supera o limite estabelecido, de 5 ninfas/m2,
é feito o controle químico, que combina as ações dos
compostos piretróide e neonicotinóide, segundo as re-
comendações de um técnico.
O programa do MIP preconiza que, uma vez diag-
nosticada a necessidade de combate à praga, a primeira
ação seja o controle químico, a ser realizado sobre a pri-
meira geração do inseto, que normalmente aparece entre
novembro e dezembro. Na segunda e terceiras gerações,
que costumam dar as caras entre dezembro e janeiro e
entre janeiro e fevereiro, respectivamente, o controle
Mais danosa, cigarrinha-dos-canaviais
é difícil de controlar.
Há aproximadamente duas décadas, a cigarrinha-dos-canaviais
(Mahanarva fimbriolata) estava restrita, como seu próprio nome sugere, às
lavouras de cana-de-açúcar, além de atacar capineiras de capim-elefante
(Pennisetum purpureum Schum). A partir daí a praga decidiu diversificar o
cardápio e abocanhar outras forrageiras, como o braquiarão. Os ataques,
começaram no bioma amazônico, mas já romperam as fronteiras. Atual-
mente, pastagens no Centro-Oeste e Sudeste já se deparam com o pro-
blema. Algumas particularidades têm dificultado seu controle e a tornam
mais danosa à pastagem. “Esse tipo de cigarrinha não teve um histórico
de coevolução com as gramíneas forrageiras, durante o qual é possível,
por meio de seleção natural, surgirem variedades susceptíveis, modera-
damente susceptíveis, moderadamente resistentes e resistentes”, explica
Adilson Aguiar, da Fazu. Diferentemente da cigarrinha-das-pastagens, em
que apenas a fase adulta é toxicogênica (a ninfa suga a seiva da planta,
mas não injeta toxina), na cigarrinha-dos-canaviais a fase de ninfa também
é toxicogênica. Além disso, seu ciclo de vida é maior.
dezembro 2017 DBO 81
Quadrado feito de vergalhão é lançado... ninfas são vasculhadas dentro do perímetro.
Fotos:RogérioCorrea
Pastagem
82 DBO dezembro 2017
MIP (adoção dos métodos abaixo de forma integrada)
Método Procedimentos Justificativa
Preventivo
* Compra de sementes “tipo
exportação”, com alto grau
de pureza e tratadas com
inseticidas
* Limpeza de máquinas e
implementos após o término da
operação numa área e antes do
início de um novo trabalho
Prevenir a introdução de
pragas de fora da fazenda,
entre retiros e piquetes.
Eficácia: alta
Cultural
* Diversificação de espécies
forrageiras, evitando o
monocultivo
* Escolha de espécies resistentes
às cigarrinhas que atacam as
pastagens
* Manejo correto do pasto,
respeitando a altura de pastejo
indicada de cada forrageira,
de modo a evitar acúmulo de
palha sobre o solo, criando
um ambiente favorável para a
sobrevivência de ovos e ninfas
da praga
* Correção e adubação do solo.
O manejo correto confere
maior vigor à planta e a
torna mais tolerante ao
ataque de pragas.
Eficácia: alta
Químico Aplicação de inseticida químico
Controlar o ataque de
pragas, principalmente no
início da infestação (no caso
da cigarrinha). Eficácia:
alta, mas é preciso escolher
corretamente o produto e
aplicar na hora certa
Biológico Aplicação de inseticida biológico
Controlar o ataque de
pragas a partir da segunda
geração (no caso da
cigarrinha). Eficácia:
alta, mas é preciso fazer
a aplicação quando as
condições climáticas
estiverem favoráveis
Mecânico
Quebra de cupinzeiros
Eliminar os cupins.
Eficácia: baixa.
A quebra de cupinzeiros
sem o controle químico
em sequência é uma das
causas da proliferação de
novos cupinzeiros
Preparo do solo na seca
Expor ovos de pragas à
radiação solar.
Eficácia: média a alta (mas
o procedimento só deve ser
adotado no plantio de novas
pastagens
Obs: Nunca adote o fogo como forma de controle. Além das consequências nocivas ao meio ambiente, a adoção dessa
prática elimina os fungos que causam doenças em pragas. Fonte: Adilson Aguiar/Adaptação: DBO
forem favoráveis à sua proliferação e sobrevivência.
Essa estratégia deve ser utilizada da segunda gera-
ção em diante, pois nesse período as condições climá-
ticas – umidade relativa do ar mais alta, maior ocor-
rência de dias nublados – e da planta – porte maior
– são mais propícias para uma resposta eficaz do fun-
go Metarhizium anisopliae. O monitoramento da pas-
tagem é feito exclusivamente no período das águas,
por 60 a 90 dias após o início das chuvas, com amos-
tragens, em média, a cada 15 dias. “Mas diariamente
toda a equipe de campo está atenta ao aparecimento de
ninfas”, ressalta Aguiar. Quando a fazenda começou a
fazer o controle era possível encontrar até 25 ninfas/
m2. Hoje, três anos depois, dificilmente se conta mais
de 5 ninfas/m2. “Está muito bem controlado”, afirma o
gerente ­Rogério Correa.
MIP reduz custos de controle da cigarrinha
SegundoAdilsonAguiar, o MIP pode - e deve - ser
adotado no controle das pragas que atacam culturas
agrícolas e pastagens. No caso das pastagens, além das
cigarrinhas, que são as principais pragas e causam os
maiores prejuízos, entram na (extensa) lista os cupins
(de montículo e subterrâneo), as formigas (quém-
-quém e saúvas), os gafanhotos, as larvas de besou-
ros (corós), as lagartas (do milho e das pastagens), os
nematóides e o percevejo-castanho das raízes. A des-
peito de sua eficiência, o MIP ainda é pouco utiliza-
do no campo. A necessidade de se empregar ações em
várias frentes - adquirir sementes “tipo exportação”,
com alto percentual de pureza, diversificar as espécies
forrageiras, corrigir e adubar o solo para aumentar a
resistência da planta ao ataque de pragas etc – vem na
contramão da postura de boa parte dos produtores, que
quando se depara com um problema na propriedade,
busca sempre uma solução única e imediata. Soma-
-se a isso a aversão aos números. “A maioria opera em
sistemas extensivos de produção, não têm controle dos
indicadores técnicos e econômicos, além de não valo-
rizar o treinamento dos integrantes de sua equipe para
adoção do MIP”.
Na opinião de Aguiar, o melhor caminho é não ter
a necessidade de combater a praga diretamente, daí a
importância das ações preventivas. No entanto, mesmo
quando o embate torna-se imperativo – condição que o
consultor avalia como “o pior cenário” - ainda assim o
saldo é positivo no final das contas. Na conta dele, ao
lançar mão do controle químico ou biológico, o pro-
dutor terá um custo que varia de 0,72 @/ha (para apli-
cação aérea) a 1,13 @/ha (para aplicação tratorizada).
Entretanto, caso não controle a cigarrinha, deixará de
produzir de 2 a 4 @/ha/ano, considerando a média de
produtividade das pastagens brasileiras (1,1 cabeça/ha,
com ganho de peso médio diário de 300 g/dia). “É pre-
ciso entender que a adoção de um MIP é fundamental
para não precisar realizar o controle químico ou bioló-
gico ou diminuir a frequência de aplicações, o que re-
duz o custo de combate à praga”.	 n
ainda poderá ser químico, mas deve-se dar preferência
ao biológico, caso contrário corre-se o risco de aumen-
tar a resistência da praga aos princípios ativos dos in-
seticidas químicos. Além disso, os fungos aplicados no
controle biológico podem colonizar o sistema (solo, pa-
lhada sobre o solo etc) e persistir por anos se as con-
dições de manejo da pastagem e do solo da pastagem

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Cigarrinha

  • 1. Pastagem 80 DBO dezembro 2017 Ataque múltiplo para vencer a cigarrinha Manejo integrado de pragas (MIP) é a melhor estratégia para controlar a infestação do inseto nas pastagens renato villela renato.villela@revistadbo.com.br A ssim que percebe os primeiros sinais de amare- lecimento das folhas do capim, provocado pelo ataque de cigarrinhas, o produtor se apressa para comprar um “veneno” que dê jeito na praga que está acabando com o vigor do seu pasto. O que ele não percebe é que esse “pronto atendimento” é, na verdade, tardio, e seu efeito, inócuo. É que os sinais visu- ais que aparecem na pastagem após a ação das cigarrinhas só ficam evidentes de duas a três semanas depois que o inseto começa a sugar a seiva e injetar toxinas nas plantas forragei- ras. Esse período corresponde à fase adulta do inseto, que é o final de seu ciclo de vida. “Na maioria das vezes, o controle químico é feito so- bre uma população que morrerá em poucos dias, o que não evita os prejuízos já causados pela praga”, adverte Adilson Aguiar, professor da Fazu – Faculda- des Associadas de Uberaba, e consultor da Consupec – Consultoria e Planejamento Pecuário. De acordo com Aguiar, que é especialista em pastagem, para ser eficaz o combate deve ser feito quando o inseto está na fase de ninfa, o que requer seu monitoramento, e em várias frentes, dentro do que se convencionou chamar de ma- nejo integrado de pragas, ou simplesmente MIP. Instituído pela comunidade científica na década de 1960 com a finalidade de otimizar o combate a pragas, doenças e plantas invasoras, o MIP congrega os seguin- tes métodos de controle: preventivo, cultural, físico, mecânico, biológico, fisiológico e químico (veja a des- crição de cada um deles no quadro da pág 82).Todas essas medidas devem ser empregadas de modo integra- do, independentemente da praga em questão. Algumas dessas ações, como o método preventivo, que prevê a limpeza de máquinas e implementos antes de início do plantio numa nova área da propriedade, servem como regras gerais. Outras, por sua vez, devem se adequar à especificidade de cada praga. Para tanto, é preciso iden- tificar o inseto e acompanhar seus níveis de infestação de modo a tomar a medida certa. “Quando a popula- ção da cigarrinha-das pastagens atingir 20 ninfas/m2 ou da cigarrinha-dos-canaviais, 5 ninfas/m2, por exemplo, significa que o controle deve ser feito para evitar danos econômicos”. Controle efetivo Localizada no município de Jaboticatubas, região metropolitana de Belo Horizonte, MG, a Fazenda Vis- ta Alegre implantou o MIP no final de 2013, início de 2014, durante o período chuvoso. A propriedade, de 758 ha, possui 477 ha de pastagens, dos quais 380 ha são de sequeiro e 96 ha estão sob dois pivôs centrais (48 ha cada). Dedicada à recria e engorda de machos Nelore, além de um núcleo de melhoramento genéti- co da raça Mangalarga Marchador, a fazenda tinha um histórico de ataque severo de cigarrinha-dos-canaviais, praga ainda mais agressiva que a cigarrinha-das-pasta- gens (veja quadro). “O capim ficava cheio de manchas, que primeiro amarelava e depois secava”, relembra Ro- gério Correa da Silva, gerente da fazenda. O professor Adilson Aguiar explica que os sintomas evoluem de listas cloróticas, formando longas faixas de cor ama- relo limão a esbranquiçadas nas plantas, para manchas cloróticas, que assumem tonalidades laranja e, depois, marrom (tecidos necrosados, secos). “Esses sintomas avançam da ponta para a folha inteira”. Quem mais sofreu com o ataque da cigarrinha-dos- -canaviais foi a braquiária, em especial a espécie Bra- chiaria brizantha cultivar marandu, o popular braquia- rão, que predomina nas pastagens da propriedade. Mas o capim tifton, plantado sob um dos pivôs, tampouco Cigarrinha- dos-canaviais é praga mais agressiva que a cigarrinha-das- pastagens Controle integrado é mais eficaz” Adilson Aguiar, da Fazu ArquivoDBO
  • 2. passou imune ao apetite voraz da praga. Com o pro- blema generalizado, a fazenda tinha dificuldade em avançar na produção de arrobas por hectare. Na safra 2012/2013, um ano antes da adoção do programa de manejo integrado, a produtividade média da fazenda foi de 16@/ha/ano. De lá para cá o cenário começou a mu- dar.Ao passo de 1,5 @/ha/ano, a fazenda conseguiu ele- var esse ganho em 37,5%. Na última safra (2016/2017), a produtividade alcançou 22 @/ha. A melhora do índi- ce pode ser creditada à intensificação do sistema produ- tivo, com o aumento das áreas com solos corrigidos e adubados e suplementação do gado, mas o controle da praga também teve uma contribuição decisiva. “Sem a adoção do MIP no controle das cigarrinhas, o ganho em arrobas por hectare seria limitado”, garante Aguiar. O professor foi responsável pela implantação do MIP e treinamento da equipe, além de acompanhar a execução do programa na fazenda. Mãos na praga Antes de iniciar o combate à cigarrinha, toda a equi- pe da fazenda – do peão ao gerente – passou por treina- mento para saber identificar o inseto e/ou os sintomas de seu ataque na forrageira para auxiliar no seu monito- ramento. Com o conhecimento na bagagem, era hora de ir para a pastagem em busca da praga. No caso da cigar- rinha, o monitoramento deve começar de duas a três se- manas após o início das primeiras chuvas.Aavaliação é feita com o auxílio de uma moldura em forma quadran- gular, a mesma utilizada para medir a produção de for- ragem. Para fazer a amostragem, o “quadrado” é lança- do aleatoriamente na pastagem. Devem ser amostrados dez pontos por hectare, em todos os piquetes. As nin- fas da cigarrinha-dos-canaviais habitam o colo da plan- ta (porção intermediária entre a parte aérea e a subterrâ- nea) e na parte superficial das raízes, diferentemente da cigarrinha-das-pastagens, que prefere a base da planta. Depois de lançado o quadrado, que na fazenda é fei- to de vergalhão (1 m x 1 m), começa a “varredura” na área. Com um rastelo de jardim, acessório formado por um tridente em formato de “L”, como se fossem os de- dos de uma mão, o responsável pela tarefa escarifica a superfície do solo em busca da praga.Após a identifica- ção das ninfas é feita a contagem. O número é anotado numa caderneta e, posteriormente, transferido para uma ficha de controle, onde consta o mapa do módulo com seus respectivos piquetes delimitados, além de uma es- cala de cores, onde cada cor corresponde a um nível de infestação. “É um formato que facilita visualizar a si- tuação de cada piquete para tomar as medidas necessá- rias”, explica o professor. Quando a população da praga no piquete supera o limite estabelecido, de 5 ninfas/m2, é feito o controle químico, que combina as ações dos compostos piretróide e neonicotinóide, segundo as re- comendações de um técnico. O programa do MIP preconiza que, uma vez diag- nosticada a necessidade de combate à praga, a primeira ação seja o controle químico, a ser realizado sobre a pri- meira geração do inseto, que normalmente aparece entre novembro e dezembro. Na segunda e terceiras gerações, que costumam dar as caras entre dezembro e janeiro e entre janeiro e fevereiro, respectivamente, o controle Mais danosa, cigarrinha-dos-canaviais é difícil de controlar. Há aproximadamente duas décadas, a cigarrinha-dos-canaviais (Mahanarva fimbriolata) estava restrita, como seu próprio nome sugere, às lavouras de cana-de-açúcar, além de atacar capineiras de capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum). A partir daí a praga decidiu diversificar o cardápio e abocanhar outras forrageiras, como o braquiarão. Os ataques, começaram no bioma amazônico, mas já romperam as fronteiras. Atual- mente, pastagens no Centro-Oeste e Sudeste já se deparam com o pro- blema. Algumas particularidades têm dificultado seu controle e a tornam mais danosa à pastagem. “Esse tipo de cigarrinha não teve um histórico de coevolução com as gramíneas forrageiras, durante o qual é possível, por meio de seleção natural, surgirem variedades susceptíveis, modera- damente susceptíveis, moderadamente resistentes e resistentes”, explica Adilson Aguiar, da Fazu. Diferentemente da cigarrinha-das-pastagens, em que apenas a fase adulta é toxicogênica (a ninfa suga a seiva da planta, mas não injeta toxina), na cigarrinha-dos-canaviais a fase de ninfa também é toxicogênica. Além disso, seu ciclo de vida é maior. dezembro 2017 DBO 81 Quadrado feito de vergalhão é lançado... ninfas são vasculhadas dentro do perímetro. Fotos:RogérioCorrea
  • 3. Pastagem 82 DBO dezembro 2017 MIP (adoção dos métodos abaixo de forma integrada) Método Procedimentos Justificativa Preventivo * Compra de sementes “tipo exportação”, com alto grau de pureza e tratadas com inseticidas * Limpeza de máquinas e implementos após o término da operação numa área e antes do início de um novo trabalho Prevenir a introdução de pragas de fora da fazenda, entre retiros e piquetes. Eficácia: alta Cultural * Diversificação de espécies forrageiras, evitando o monocultivo * Escolha de espécies resistentes às cigarrinhas que atacam as pastagens * Manejo correto do pasto, respeitando a altura de pastejo indicada de cada forrageira, de modo a evitar acúmulo de palha sobre o solo, criando um ambiente favorável para a sobrevivência de ovos e ninfas da praga * Correção e adubação do solo. O manejo correto confere maior vigor à planta e a torna mais tolerante ao ataque de pragas. Eficácia: alta Químico Aplicação de inseticida químico Controlar o ataque de pragas, principalmente no início da infestação (no caso da cigarrinha). Eficácia: alta, mas é preciso escolher corretamente o produto e aplicar na hora certa Biológico Aplicação de inseticida biológico Controlar o ataque de pragas a partir da segunda geração (no caso da cigarrinha). Eficácia: alta, mas é preciso fazer a aplicação quando as condições climáticas estiverem favoráveis Mecânico Quebra de cupinzeiros Eliminar os cupins. Eficácia: baixa. A quebra de cupinzeiros sem o controle químico em sequência é uma das causas da proliferação de novos cupinzeiros Preparo do solo na seca Expor ovos de pragas à radiação solar. Eficácia: média a alta (mas o procedimento só deve ser adotado no plantio de novas pastagens Obs: Nunca adote o fogo como forma de controle. Além das consequências nocivas ao meio ambiente, a adoção dessa prática elimina os fungos que causam doenças em pragas. Fonte: Adilson Aguiar/Adaptação: DBO forem favoráveis à sua proliferação e sobrevivência. Essa estratégia deve ser utilizada da segunda gera- ção em diante, pois nesse período as condições climá- ticas – umidade relativa do ar mais alta, maior ocor- rência de dias nublados – e da planta – porte maior – são mais propícias para uma resposta eficaz do fun- go Metarhizium anisopliae. O monitoramento da pas- tagem é feito exclusivamente no período das águas, por 60 a 90 dias após o início das chuvas, com amos- tragens, em média, a cada 15 dias. “Mas diariamente toda a equipe de campo está atenta ao aparecimento de ninfas”, ressalta Aguiar. Quando a fazenda começou a fazer o controle era possível encontrar até 25 ninfas/ m2. Hoje, três anos depois, dificilmente se conta mais de 5 ninfas/m2. “Está muito bem controlado”, afirma o gerente ­Rogério Correa. MIP reduz custos de controle da cigarrinha SegundoAdilsonAguiar, o MIP pode - e deve - ser adotado no controle das pragas que atacam culturas agrícolas e pastagens. No caso das pastagens, além das cigarrinhas, que são as principais pragas e causam os maiores prejuízos, entram na (extensa) lista os cupins (de montículo e subterrâneo), as formigas (quém- -quém e saúvas), os gafanhotos, as larvas de besou- ros (corós), as lagartas (do milho e das pastagens), os nematóides e o percevejo-castanho das raízes. A des- peito de sua eficiência, o MIP ainda é pouco utiliza- do no campo. A necessidade de se empregar ações em várias frentes - adquirir sementes “tipo exportação”, com alto percentual de pureza, diversificar as espécies forrageiras, corrigir e adubar o solo para aumentar a resistência da planta ao ataque de pragas etc – vem na contramão da postura de boa parte dos produtores, que quando se depara com um problema na propriedade, busca sempre uma solução única e imediata. Soma- -se a isso a aversão aos números. “A maioria opera em sistemas extensivos de produção, não têm controle dos indicadores técnicos e econômicos, além de não valo- rizar o treinamento dos integrantes de sua equipe para adoção do MIP”. Na opinião de Aguiar, o melhor caminho é não ter a necessidade de combater a praga diretamente, daí a importância das ações preventivas. No entanto, mesmo quando o embate torna-se imperativo – condição que o consultor avalia como “o pior cenário” - ainda assim o saldo é positivo no final das contas. Na conta dele, ao lançar mão do controle químico ou biológico, o pro- dutor terá um custo que varia de 0,72 @/ha (para apli- cação aérea) a 1,13 @/ha (para aplicação tratorizada). Entretanto, caso não controle a cigarrinha, deixará de produzir de 2 a 4 @/ha/ano, considerando a média de produtividade das pastagens brasileiras (1,1 cabeça/ha, com ganho de peso médio diário de 300 g/dia). “É pre- ciso entender que a adoção de um MIP é fundamental para não precisar realizar o controle químico ou bioló- gico ou diminuir a frequência de aplicações, o que re- duz o custo de combate à praga”. n ainda poderá ser químico, mas deve-se dar preferência ao biológico, caso contrário corre-se o risco de aumen- tar a resistência da praga aos princípios ativos dos in- seticidas químicos. Além disso, os fungos aplicados no controle biológico podem colonizar o sistema (solo, pa- lhada sobre o solo etc) e persistir por anos se as con- dições de manejo da pastagem e do solo da pastagem