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SUINOCULTURA
Prof. Marcelo José Milagres de Almeida




            Setor de Ensino a Distância
                 Barbacena – MG
                       2011
Prezado aluno,


            O Campus Barbacena – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Sudeste de Minas Gerais lhe deseja boas vindas.
            É o início de uma fase de sua vida que será marcada por muito trabalho. Você
encontrará pela frente, muitas experiências novas, interessantes e carregadas de emoções para
vivenciar cada fase do Curso Técnico em Agropecuária.
            O Campus Barbacena lhe disponibiliza um ambiente virtual de aprendizagem que
permitirá uma convivência agradável com seus colegas de curso. É um espaço cibernético onde
vocês poderão interagir para alcançar seus objetivos de sucesso profissional.
            Nós da equipe da Educação a Distância – professores, coordenadores, tutores e
alunos – estamos orgulhosos por você estar conosco.
       A presente apostila tem como objetivo mais amplo o desenvolvimento das competências
necessárias ao planejamento, à orientação, à avaliação e ao monitoramento da exploração
técnica e econômica da Suinocultura, visando a desenvolver no aluno habilidades específicas
diversas, tais como identificar as principais raças, linhagens e suas características; manejar
animais nas fases de reprodução, cria e engorda; orientar e monitorar o manejo alimentar dos
suínos; identificar e relacionar as instalações e equipamentos necessários à exploração da
suinocultura; orientar e monitorar a profilaxia e o tratamento das doenças mais comuns;
identificar e reconhecer a importância da suinocultura para o Brasil.
      Estou a disposição para contribuir, no que for possível, no desenvolvimento profissional
de vocês.
      Conte comigo.
      Um abraços e vamos estudar.
                                 Prof. Marcelo José Milagres de Almeida
                                 Zootecnista – CRMV 0758/Z
                                 Professor de Zootecnia – Suinocultura Campus Barbacena
                                 Doutor em Nutrição de Monogástricos – UFLA - MG




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SUMÁRIO


                                                                                                                      página
Semana 1 – Aula 1: Aspectos relacionados ao futuro da cadeia suinícola …......                                          4
                 Aula 2: Colesterol ….............................................................................      5
                 Aula 3:Cisticercose e Teníase..............................................................            7
                 Aula 4: Importância dos suínos para a medicina humana ...............                                  9
Semana 2 – Aula 1:Classificação zoológica, origem e evolução do suíno.............                                     11
                 Aula 2:Exterior do suíno......................................................................        12
Semana 3 – Aula 1:Sistemas de produção de suínos..............................................                         13
                 Aula 2:Noções de Construções ............................................................             15
Semana 4 – Aula 1:Material genético......................................................................              22
                 Aula 2:Principais linhagens de suínos.................................................                26
                 Aula 3:Órgãos reprodutivos do macho e da fêmea............................                            29
                 Aula 4: Reprodução..............................................................................      31
Semana 5 – Aula 1: Manejo da produção - Machos, Procedimentos para
detecção de cio, Pré-cobrição, cobrição, Gestação e Descarte de Fêmeas ...........                                     37
                 Aula 2: Manejo da produção - Maternidade …..............................                              41
                 Aula 3: Manejo da produção - Creche...............................................                    44
                  Aula 4: Manejo da produção – Crescimento e Terminação............                                    45
Semana 6 – Aula 1:Noções de nutrição ..................................................................                46
                 Aula 2:Preparo de ração......................................................................         48
Semana 7 – Aula 1:Biossegurança...........................................................................             56
                 Aula 2:Limpeza e desinfecção ............................................................             59
                 Aula 3:Vacinação .................................................................................    67
Semana 8 – Aula 1:Manejo pré – abate …..............................................................                   69
                 Aula 2:Gerenciamento ….....................................................................           69
Semana 9 – Aula 1:Proteção ambiental ..................................................................                75
                 Aula 2:Manejo de dejetos ...................................................................          78
Referências bibliográficas ........................................................................................    80




                                                                       3
SEMANA 1
META:
Apresentar os pontos mais importantes relacionados a cadeia suinícola e os mitos e verdades sobre a
carne suína

OBJETIVOS:
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
   Identificar os principais aspectos relacionados ao futura da cadeia produtiva de suínos;
   Reconhecer a qualidade da carne suína, relacionando aos fatores colesterol e cisticercose;
   Reconhecer a importância dos suínos para a medicina Humana.

AULA 1

ASPECTOS RELACIONADOS AO FUTURO DA CADEIA SUINÍCOLA

        A produção de carne suína permanece como uma produção agrícola ainda diretamente pressionada
pela concorrência internacional. Sob essa constante pressão, para manter o nível de competitividade de
seus rebanhos, os produtores devem se adaptar continuamente à evolução das técnicas de produção.
Adicionalmente, devem ter em conta os embaraços regulamentares, induzidos pelas exigências cada vez
mais fortes da sociedade, em particular aquelas concernentes a proteção do ambiente, ao bem-estar dos
animais, ou da segurança dos alimentos aos consumidores.
        Nos anos setenta, no contexto da cadeia suinícola do Brasil, a visão de futuro apontava mais
diretamente para questões relacionadas aos sistemas de produção. Atualmente, como fruto da globalização
do comércio, a visão de futuro aponta para questões de mercado, com exigências de rastreabilidade total
dentro das cadeias produtivas. Além das barreiras tarifárias, ganham força as barreiras técnicas de proteção
dos mercados, colocadas sobre as exportações nacionais da carne suína.
        As diretivas sobre segurança alimentar, bem estar animal e ambiente vêm alterar profundamente o
modo de criar, transportar e abater os animais para consumo humano. Assim, o cumprimento de todas as
normas deve, necessariamente, aumentar os custos do produto final por razões que se prendem ao aumento
do espaço necessário para sua criação, qualidade e tipo dos alimentos a usar, tempo para o transporte,
instalações, espaços e materiais de construção, tipos de equipamentos, preparação do pessoal para manejo
pré-abate e abate dos animais, entre outras.
        Como as normas serão exigidas não só dos criadores da União Europeia (EU), mas também dos
países exportadores, as grandes barreiras à entrada de produtos nesses países, deixarão de ser tarifárias
para tornarem-se técnicas ou sanitárias. Nesse caso as exigências nos limites permitidos serão revisadas
exigindo novos equipamentos e conhecimentos.
        Também muito importante é que o país gere inovações na cadeia produtiva de suínos como forma
de competir com produtos de maior valorr agregado, aumentando a participação das empresas brasileiras
com marcas próprias nas prateleiras dos supermercados dos países importadores. É necessário estar atento
a esse passo importante, pois cada vez mais será exigido padrão internacional de certificação.
        A expressividade do Brasil na produção e exportação de carne suína está a exigir também uma
constante atualização dos profissionais do setorr para aprimorar e dar seqüência ao crescimento e qualidade
da atividade suinícola nacional. A tendência de concentração da produção de suinos deve continuar a
ocorrer de maneira acelerada no Brasil, com a redução do número de produtores dedicados à criação, mas
com crescimento do volume produzido, das divisas e da renda do setor.
        Nesse cenário, apresenta-se como desafio para os diferentes elos desta cadeia, notada mente para a
indústria, a pesquisa e a assistência técnica, as questões relacionadas com a sanidade, diagnóstico e
controle das doenças, as questões de conservação do meio ambiente, bem-estar animal, qualidade da carne
e a segurança dos alimentos.
        Fonte: Silveira, P.R.S. (2007)




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AULA 2

COLESTEROL

   As doenças cardiovasculares são consideradas a causa mais freqüente de mortes na população humana.
Estas enfermidades começam geralmente sob a forma de uma arteriosclerose, que é uma condição na qual
depósitos de gordura, contendo colesterol desenvolvem-se “placas” no interior das artérias. Estes depósitos
vão se avolumando, prejudicando o fluxo de sangue, e chegam até o bloqueio total. O bloqueio da artéria
que fornece sangue ao coração é a causa do chamado “ataque cardíaco”.
   Para evitar esses depósitos de gordura tem-se recomendado a redução no consumo de gorduras
saturadas e de colesterol. Como os produtos de origem animal contem estas duas substâncias, eles têm sido
alvo de inúmeras campanhas negativas, que visam denegrir sua verdadeira imagem e valor nutricional. Em
alguns casos, tem ocorrido uma verdadeira “colesterofobia epidêmica”, levando o público ao pânico, sem
uma base científica que comprove o fato adequadamente.
   Um exemplo disso foram as campanhas da fortíssima indústria da soja para a introdução das margarinas
no mercado consumidor, em substituição às gorduras animais. Nessa ocasião foram feitos fones ataques s
gorduras animais por serem saturadas. Porém, não mencionaram que as margarinas, apesar de serem de
origem vegetal, com grande concentração de gorduras insaturadas, no seu processo industrial de produção
passam por reações químicas que as transformam em saturadas, sendo tão indesejáveis ao organismo
quanto às gorduras animais se ingeridas em excesso.
   Mas como as doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo, toda atenção deve ser dada
ao assunto, evitando-se excessos de qualquer um dos lados que tente provar a veracidade de seus conceitos.
   Por enquanto, a verdade é que existe muita discussão sobre o assunto e que não existe uma
compreensão total do que causa ou do que evita essas doenças. O que se conhece atualmente é que
indivíduos que possuam taxas de colesterol acima de 200-240 mg/ 100ml de sangue são classificados como
de alto risco, especialmente se apresentarem mais de dois dos fatores que estão associados à ocorrência de
enfermidades cardíacas:
     Fatores hereditários: muitas evidências mostram que as enfermidades cardíacas podem ser
transmitidas hereditariamente;
     Estresse, diabete mellitus, obesidade e hipertensão cardíaca;
     Sexo: os homens são mais suscetíveis do que as mulheres;
     Idade: o risco aumenta com a idade;
     Hábito de fumar: são mais freqüentes nos fumantes.
   O organismo do homem sintetiza cerca de 1000mg colesterol por dia. A média de consumo diário
através da alimentação está entre 400 a 500mg, o que mostra que a absorção dietética representa cerca de
1/3 do total do colesterol no Organismo. Pessoas pertencentes ao grupo de risco em relação às
enfermidades cardiovasculares devem restringir seu consumo diário de colesterol a menos de 300 mg. Um
bom filé de 100g de lombo de pernil cozido fornece apenas 69 a 82mg de colesterol. ou seja, apenas 25%
do total das 300 mg permitidas.
   Importância do Colesterol - O colesterol um componente vital de todas as células do organismo.
Parece uma gordura e é encontrado exclusivamente nos animais. Ele é essencial à vida, pois através dele
são produzidos hormônios sexuais, ácidos biliares, vitaminas, (Vit. D) e as membranas das células.
   A quantidade de colesterol no organismo tem duas origens: a síntese orgânica e a absorção dietética.
   Síntese orgânica: é responsável por 2/3 do colesterol do corpo. Ele é produzido em quase todos os
tecidos, mas a sede principal é o fígado. O organismo controla a síntese, aumentando-a se o consumo pela
dieta é baixo, ou diminuindo-a em caso contrario. Se for necessário é capaz de produzir todo o colesterol
que necessita. Algumas pessoas não conseguem regular a síntese, produzem colesterol em excesso e devem
seguir o regime e as recomendações do seu médico. Uma em cada 500 pessoas apresenta este distúrbio
orgânico. As pessoas sadias mantêm um baixo nível de colesterol, mesmo quando consomem dietas
contendo altos níveis do mesmo.



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Absorção dietética: é responsável por 1/3 do colesterol do corpo. Proveniente dos alimentos, ele é
absorvido no intestino, após sofrer a ação da bile. Para se locomover no organismo, usa a corrente
sanguínea onde se encontra ligado às chamadas lipoproteínas. Existem duas lipoproteínas importantes: as
de alta densidade (HDL), que possuem mais proteína do que gordura; e as de baixa densidade (LDL), que
possuem mais gordura do que proteína. As HDL são chamadas de “Bom colesterol”, pois elas o retiram da
circulação sanguínea e o levam para ser metabolizado no fígado. Pessoas que possuem mais HDL têm
menor incidência de doenças cardíacas. As LDL são chamadas de “Mau colesterol” porque retiram o
colesterol produzido no fígado e o despejam no sangue.
   A maior porção do colesterol é encontrada junto às lipoproteínas de baixa densidade (LDL). Sabe-se
que até 200 miligramas de colesterol por 100 miligramas de sangue é um resultado aceitável para o
homem. Porém, dosagens muito abaixo de 200mg podem ressecar as veias e as artérias, pois o colesterol é
essencial para a lubrificação das mesmas.
   Efeito da dieta: É importante não confundir colesterol dos alimentos com colesterol sangüíneo. Os
níveis sanguíneos são pouco alterados no homem com o uso de dietas ricas em colesterol, em virtude do
Sistema de controle que aumenta ou diminui a síntese no organismo, de acordo com a menor ou maior
absorção intestinal. Estudos com grandes populações não mostram correlação entre o colesterol da dieta e
o sanguíneo.
   O consumo excessivo de colesterol não aumenta a incidência de enfermidades cardíacas em pessoas
normais, pois estas o metabolizam de forma eficiente para exercer suas funções essenciais e eliminam
naturalmente os excessos do mesmo,
   Algumas pessoas, porém, estão expostas a uma série de fatores de risco, que as predispõem ao acúmulo
de colesterol nos vasos sangüíneos, podendo contribuir para as doenças cardiovasculares. Os principais
fatores de risco são:
     Pessoas incapazes de controlar a síntese ou excreção do colesterol. Dessa forma, ocorre o acúmulo
        do mesmo nos vasos sangüíneos, devido a um desequilibro no sistema que regula o nível de
        produção e eliminação. As causas para este distúrbio são hereditárias;
     Pessoas que possuem maiores níveis de lipoproteínas de baixa densidade (LDL), que levam o
        colesterol produzido no fígado para o sangue. As causas podem ser genéticas ou não. Os níveis de
        HDL, o bom colesterol, podem ser aumentados com o exercício físico constante e moderado. A
        presença de fibras na dieta mantém o HDL e diminui o LDL;
     Pessoas com vida sedentária. sem exercícios físicos, obesos, fumantes, consumidores de álcool sob
        forma excessiva, diabéticos, com baixa atividade sexual ou com a predisposição hereditária
        possuem maiores probabilidades de aumentar as doenças cardiovasculares;
     Pessoas que ingerem grandes quantidades de gorduras saturadas. As gorduras são classificas de
        acordo com o seu índice de saturação. De uma forma geral, as gorduras saturadas que são
        encontradas nos animais são mais duras na temperatura ambiente e aumentam o nível de LDL (o
        mau colesterol) no organismo do homem. Quando não são consumidas, o nível de colesterol
        sangüíneo tende a ser menor. Nem todas as animais são totalmente saturadas. No suíno, por
        exemplo menos de 50% de sua gordura é saturada. As gorduras insaturadas são mais liquidas na
        temperatura ambiente são encontradas nos óleos vegetais, com exceção do coco e palmas. A
        qualidade das gorduras ingeridas é definida pela relação entre gorduras saturadas e insaturadas.
        Quanto maior esta relação (maior quantidade de insaturadas), mais aconselhável é o seu consumo.
        Pelo exposto conclui-se que há uma ligação entre o consumo de gorduras saturadas e insaturadas e
        o teor de colesterol sanguíneo. Quanto maior o teor de gorduras saturadas na dieta, maior o nível de
        colesterol no sangue. Este efeito pode ser contornado com o maior consumo de gorduras
        insaturadas, que diminuem o colesterol sanguíneo devido a maior excreção de ácidos biliares e
        esteróis neutros do corpo. Uma das formas mais praticas de se diminuir o consumo de gorduras
        saturadas, sem prejudicar o valor nutricional da dieta, é eliminar o consumo de alimentos “extras”,
        tais como biscoitos, batatas fritas, maioneses, etc. Esses alimentos são ricos em gorduras e
        relativamente pobres em outros nutrientes.




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Pelo que comentamos até o momento, o colesterol da dieta não tem relação com a taxa de colesterol no
sangue de pessoas consideradas normais. Porém, em virtude das pessoas situadas na faixa de risco, é
importante que se divulgue os teores de colesterol dos vários alimentos para que cada um possa elaborar
uma dieta condizente com sua situação.
   Em relação às carnes dos animais, os teores de colesterol são semelhantes nos suínos, bovinos e aves.
São maiores nas carnes cozidas do que nas cruas, pois o cozimento retira a água e concentra os demais
componentes.
Fonte: ROPPA, L. Suínos: mitos e verdades. Revista Suinocultura Industrial, n.127, p.10-27, 1997.

AULA 3

CISTICERCOSE E TENÍASE

    Os primeiros escritos dos judeus 300 anos antes de Cristo, proibiam, sob pena de prisão, a ingestão de
carne de porco. Isto porque Aristóteles havia descrito a cisticercose nos suínos. É dessa época, portanto,
que remontam os conceitos errados de que o porco transmita esta doença ao homem. Moisés e Maomé
contribuíram para a formação desse conceito ao proibir o consumo de carne de porco na dieta humana para
evitar as parasitoses tão comuns já naquela época. Um dos nomes mais famosos da história a sofrer o
problema da cisticercose foi Joana D’Arc. Após ser queimada em praça pública, seu cérebro foi
necropsiado e nele foram encontrados cisticercos calcificados, principalmente no lobo temporal, que
seriam as causas de suas alucinações visuais.
    O conceito errôneo de que a cisticercose é transmitida pelo consumo de carnes contaminadas (de suíno
ou bovino) deve-se à falta de conhecimento e de esclarecimento sobre o ciclo de vida deste parasita. Para
entender corretamente esta enfermidade, vamos expor a seguir o seu ciclo de vida, diferenciando o que é
Teníase do que Cisticercose.
    A Teníase é a doença causa por um parasita chamado de Taenia Solium no caso dos suínos e Taenia
Saginata no caso dos bovinos. As taenias precisam de dois hospedeiros para completar o seu ciclo
evolutivo. Um é o homem, que é o único hospedeiro definitivo, da taenia (único a possuir a fase adulta do
verme). O outro hospedeiro, chamado de intermediário, pois nele só ocorre a fase larvar (cisticerco),
podem ser os suíno, bovinos, carneiros, etc.
    Ao comer carne crua ou mal passada dos suínos e bovinos que contenha as larvas das taenia
(cisticercos), o homem passa a desenvolver a doença chamada Teníase, também conhecida por “solitária”,
porque geralmente é causada por uma taenia só. São conhecidos, porem, casos comprovados de até 9
taenias localizadas no intestino do mesmo se humano.
    A Teníase é uma doença que muitas vezes passa despercebida. Alguns casos pode haver vômitos, mal-
atar gástrico e gases, que são sintomas comuns a outras enfermidades. Três meses após a ingestão do
cisticerco, a Taenia já localizada no intestino delgado do homem, começa a soltar anéis de seu corpo, com
ovos. Geralmente, elimina de 5 a 6 anéis por semana, sendo que cada anel contem de 40 a 80 mil ovos. Os
anéis podem sair com as fezes ou se romper ainda dentro do intestino liberando os ovos, que são da mesma
forma eliminados durante a defecação. No meio ambiente, estes ovos, dependendo da temperatura e
umidade, podem continuar vivos por até 300 dias. A taenia pode viver até 8 anos ou mais no intestino do
homem, contaminando seguidamente o meio ambiente onde caírem as suas fezes. Se houver esgotos
apropriados, o problema praticamente desaparece. Acentua-se, porém, se a defecação for em local
inadequado (campo, etc.). As fezes se ressecam com o sol, os ovos ficam mais leves que o pó e são levados
pelo vento a grandes distâncias. Dessa forma, contamina as pastagens, hortas ou rios e lagoas, cujas águas
podem ser utilizadas para beber ou irrigar plantações. Somente a fervura ou cocção acima de 90ºC
centígrados é capaz de inativar o ovo, que é resistente à maioria dos produtos químicos. O homem com
Teníase pode se auto-contaminar com os ovos, ao não fazer corretamente a higiene após evacuar e levar as
mãos à boca, ou praticando o sexo oral, já que os ovos podem permanecer na região perianal.
    Já a Cisticercose é uma doença causada no hospedeiro intermediário pelas larvas da taenia. Os suínos,
bovinos e o próprio homem adquirem esta doença ao comer as verduras, frutas (morango), pastagens ou
ingerir água contaminados com ovos da taenia. Depois de ingeridos, os ovos vão para o estômago e o
intestino delgado, onde os sucos gástricos e pancreáticos dissolvem a sua camada superficial, liberando os

                                                  7
embriões. Estes se fixam nas vilosidades intestinais, onde permanecem por 4 dias. A seguir, perfuram a
parede intestinal e caem nos vasos sangüíneos, sendo distribuídos pelo corpo todo. A grande maioria fixa-
se no cérebro, causando a chamada Neurocisticercose. É a forma mais grave, pois causa crises convulsivas,
hipertensão craniana (dores de cabeça, vômitos, etc.) e hidrocefalia. Outras localizações além do sistema
nervoso são o coração, olhos e músculo.
   No homem, as larvas calcificam-se rapidamente e os doentes podem, portanto, restabelecer-se dos
sintomas sem qualquer prejuízo. No suíno, a formação dos cisticercos no músculo é popularmente
conhecida como “canjiquinha”, que algumas pessoas acreditam de forma errônea ser uma “virtude” da
carne, por ser mais macia. Ao comer estas carnes, se elas não forem devidamente cozidas, o homem irá
ingerir os cisticercos (larvas), que irão evoluir em seu intestino até a fase adulta, causando a teníase,
completando assim o ciclo desse verme.
   Pela descrição do ciclo de vida deste parasita, podemos concluir:
  O suíno não causa a cisticercose no homem. O homem causa a cisticercose no suíno;
  O suíno não é fonte de transmissão. Apenas participa do ciclo da doença que lhe é transmitida pelo
homem, abrigando a fase larvar da taenia (cisticerco);
  O homem adquire a Cisticercose ao ingerir frutas, verduras ou água contaminadas com fezes de pessoas
portadoras de taenias;
  O homem adquire a taenia ao ingerir carne mal cozida de bovinos ou suínos com Cisticercose. Em
nenhuma hipótese ele terá cisticercose ao ingerir esta carne;
  O homem é o hospedeiro definitivo, pois possui a fase adulta da taenia;
  O suíno e o bovino são hospedeiros intermediários, pois possuem a fase larvar da taenia (cisticerco) e
não o verme adulto (taenia);
  O homem contamina o meio ambiente (pastagens, verduras, águas. etc.) através de suas fezes, liberando
os ovos do parasita;
  Se não houver pessoas com solitária (teníase), não haverá Cisticercose nos suínos e bovinos.
   Como os suínos se contaminam através da ingestão de fezes humanas ou de verduras contaminadas,
com o advento da suinocultura moderna, onde os suínos são criados confinados e recebem apenas rações
como alimento, a possibilidade de transmissão ficou mais difícil.
   A contaminação, porém, permanece alta nos bovinos, que necessitam das pastagens, e nos porcos
criados soltos em suinoculturas de baixo padrão zootécnico e que geralmente são apenas para subsistência
dos seus proprietários.
   A falta de fossas no meio rural contribui para a poluição do meio ambiente, sendo comuns os casos em
que os animais acabam consumindo as fezes humanas. O uso de irrigação de hortas e de morangos com
águas contaminadas tem sido, talvez, uma das principais fontes de infecção para o homem.
   O controle desta enfermidade passa pelas seguintes medidas:
       Tratamento do homem, que é o hospedeiro das Taenias que produzem ovos;
       Tratamento dos esgotos urbanos, para evitar que os ovos liberados com as fezes humanas
contaminem os rios e as águas de bebida;
       Inspeção e seqüestro das carcaças contaminadas com Cisticercose nos abatedouros;
       Tratamento da carne por cocção adequada.
   Para a área rural, também são importantes os programas educativos nas escolas, sindicatos rurais e
cooperativas, para o ensino de medidas higiênicas básicas.

Quadro. Resumo do ciclo evolutivo de parasitas da família Taenidae
           Espécies de Parasitas    Hospedeiro         Hospedeiro     Forma larvar
                                     definitivo       intermediário
                Taenia solium          Homem          Suíno,homem     Cysticercus cellulosae
               Taenia saginata         Homem               boi          Cysticercus bovis
Fonte: Carvalho & Oliveira (2006)

                                                  8
Figura: Esquema do ciclo de transmissão da Taenia solium, destacando os pontos onde ocorre teníase e
cisticercose. o ser humano pode contrair teníase ao consumir carne suína contendo cisticercos vivos, o que
ocorre geralmente em decorrência do consumo de carne crua ou mal passada. O ser humano pode, ainda,
contrair cisticercose ao ingerir ovos de Taenia solium através de alimentos (principalmente verduras e
frutas) ou água contaminadas ou mesmo se auto infectar pela introdução de ovos de Taenia solium na boca
pelas mãos contaminadas, o que ocorre geralmente pela falta de hábitos higiênicos.
Fonte: Carvalho & Oliveira (2006)

AULA 4

IMPORTÂNCIA DOS SUÍNOS PARA A MEDICINA HUMANA

    Por sua semelhança com o homem, várias partes do organismo dos suínos podem ser utilizadas em
medicina humana. Desde o fornecimento de substâncias vitais à vida do homem até a doação de órgãos, os
suínos são a grande opção da medicina para aumentar a sobrevivência das pessoas. A seguir relacionamos
uma série de utilidades do organismo dos suínos para o homem:
► O pâncreas dos suínos é um órgão do qual se obtém Insulina. Esse hormônio é essencial para os
diabéticos. Ele é encarregado de permitir a entrada de açúcar nas células e de diminuir a sua taxa no
sangue, evitando dessa forma que atinja níveis mortais para o homem. Outra utilidade do pâncreas dos
suínos para o homem é a de fornecer ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langerhans) para implantes em
pessoas diabéticas que não as possuem. Estes implantes poderão deixar os diabéticos livres de injeções de

                                                  9
insulina por vários anos. Atualmente, a insulina é também produzida por engenharia genética através da
multiplicação bacteriana. Porém a um custo mais caro.
     ► A glândula pituitária do suíno é utilizada para obtenção do ACTH. Esse hormônio é usado em
medicina humana para o tratamento das artrites e doenças inflamatórias, que causam dores insuportáveis
para o homem.
     ► A Tireóide do suíno é utilizada para obter medicamentos que serão usados por pessoas que
possuem glândulas tireóides pouco ativas.
     ► A pele dos suínos pode ser usada temporariamente pelo homem nos casos de queimaduras que
causam grandes descontinuidades de sua pele.
     ► A mucosa intestinal dos suínos é usada para a obtenção de uma substância chamada heparina. Esta
tem a função de coagular o sangue e é aplicada em medicina humana nos casos de hemorragia.
     ► Do coração dos suínos são retiradas válvulas cardíacas que serão transplantadas para o homem e as
crianças. Os suínos usados para fornecer essas válvulas pesam de 16 a 25kg. Estas válvulas são retiradas
do coração e conservadas num preparado químico, podendo ser preservadas por 5 anos, As válvulas
cardíacas do homem podem ser substituídas por válvulas mecânicas feitas com materiais artificiais. As
válvulas dos suínos, porém, têm vantagens sobre essas mecânicas, pois são menos rejeitadas pelo
organismo, têm a mesma estrutura e resistem mais às infecções.
     ► Aplicações práticas de suínos transgênicos: Suínos modificados geneticamente podem produzir
hemoglobina humana (pigmento do sangue que leva oxigênio às células do corpo). Pesquisas da empresa
DNX (EUA) injetaram em três embriões de suínos, cópias dos dois genes responsáveis pela produção de
hemoglobina humana. A técnica fez com que 15% da hemoglobina encontrada nos suínos fossem do tipo
humano. As duas hemoglobinas são depois separadas devido a suas cargas elétricas diferentes. Este
produto pode ser estocado por meses, ao contrário do sangue normal, que se conserva apenas por semanas.
 Fonte: Informativo técnico nº 222 - http://www.sossuinos.com.br/inicial.htm




                                                10
SEMANA 2
META:
Apresentar aspectos relacionados a classificação, origem, evolução e exterior dos suínos

OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
   Situar os suínos no amplo grupo do seres vivos do Reino Animal;
   Identificar a importância de conhecer o exterior do suíno.

AULA 1

CLASSIFICAÇÃO ZOOLÓGICA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS SUÍNOS
   Os suínos pertencem ao gênero “suis” e apareceram no velho mundo na era quaternária. São
zoologicamente classificados como:
     Classe: Mamíferos
     Sobre-ordem: Ungulados (dedos providos de cascos)
     Ordem: Artiodáctilos (número par de dedos)
     Família: Suideos (Suidae)
     Sub-família: Suínos (Suinae)
     Gênero: Suis
     Espécies selvagens:
     Sus scrofa ferus (suínos originários do javali europeu)
     Sus scrofa vittatus (suínos originados do javali asiático)
     Espécie doméstica: Sus scrofa domesticus
   Segundo Nathusius e Rutirmayer, citados por Machado (1967), as raças suínas encontradas no mundo,
são originadas do Javali Europeu ou do Asiático, ou ainda, do cruzamento de ambos que deu origem ao
javali do Mediterrâneo (Sus mediterraneus). Estes historiadores basearam–se nas diferenças de posição de
orelha (asiática, ibérica e céltica), nos diferentes tipos de perfil craniano (retilíneo, sub–côncavo e ultra–
côncavo) e na variação do número de vértebras torácicas e lombares ( 14 a 16 e 4 a 6 , respectivamente),
encontrados nas diversas raças, para justificar as suas hipóteses.
   O porco selvagem da antiguidade possuía 70% da massa anterior e 30% da massa posterior. Vivia na
floresta e alimentava – se de pastos nativos, frutas e pequenos animais. Era muito veloz e possuía como
principal arma os seus dentes longos e afiados. Para resistir aos impactos das lutas, seus membros
dianteiros eram fortes e musculosos, enquanto o seu posterior era formado por fracas massas musculares.
   O porco tipo banha surgiu na época da domesticação, há 10 mil anos, o que perdurou até o século XX.
Com a domesticação, o porco não precisava amais procurar alimento na floresta nem mais fugir de seus
inimigos. Vivendo em chiqueiros fechados, recebia toda a alimentação que precisava. Comendo mais e
fazendo menos exercícios, começou a alterar a sua composição corporal,passando a apresentar 50% de
dianteiro e 50% de traseiro. O acúmulo de gordura fez com que passasse a ser considerado o animal ideal
para o homem, já que lhe fornecia grande quantidade de banha (energia) e carne (proteína). É dessa época
que advêm os conceitos de animais criados na lama e com altos teores de gordura na carcaça.
   O suíno moderno começou a ser desenvolvido no início do século, através do melhoramento genético
com o cruzamento de raças puras. Pressionados por uma melhor produtividade para tornar a espécie mais
viável e pelas exigências da população por um animal com menos gordura, devido à substituição das
mesmas pelo óleo vegetal, os técnicos e criadores passaram a desenvolver um suíno (e não mais porco)
com 30% de massa muscular no anterior e 70% de posterior. Os suínos começaram a apresentar menores
teores de gordura nas carcaças e a desenvolver massas musculares mais proeminentes, especialmente nas
suas carnes nobres, como o lombo e o pernil. No início desta fantástica seleção, o suíno apresentava de 45
a 50% de carne magra e espessura de toicinho de 5 a 6 centímetros.
         Atualmente, graças aos programas de genética e nutrição, o suíno moderno apresenta de 55% a
60% de carne magra na carcaça e apenas 1 a 1,5 centímetros de espessura de toicinho. Esta evolução foi
muito forte e eficiente também nas áreas de manejo, sanidade e instalações.


                                                   11
AULA 2

EXTERIOR DO SUÍNO

   A importância do conhecimento do exterior de um suíno (Figura está relacionado, principalmente, aos

seguintes itens:

      Seleção de matrizes e reprodutores;

      identificação das diferentes raças de suínos;

      julgamento dos animais (muito usada na região sul do país para a escolha dos melhores animais em

       exposições).


Figura. Exterior de um suíno




                                                   12
SEMANA 3
META:
Apresentar as principais características dos sistemas de produção e das construções para suínos

OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
   Conceituar os sistemas de produção de suínos;
   Identificar os princípios básicos de construção para suínos;
   Relacionar os aspectos de construção com as fases de vida dos suínos.
  

AULA 1

SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS

   Um sistema de produção de suínos (SPS), normalmente chamado de “granja de suínos” , é constituído
de um conjunto inter-relacionado de componentes ou variáveis organizadas que tem como objetivo básico
a produção de suínos. Fazem parte do SPS os seguintes componentes: o homem (mão-de-obra), as
edificações, os equipamentos, os animais (genética), a alimentação e a água (nutrição), o manejo ,o estado
de saúde do rebanho (sanidade) e o ambiente (condições e influências externas que afetam o desempenho
do animal – clima).
   A variabilidade entre os sistemas de produção é de tal ordem que pode se afirmar que um SPS será
sempre diferente do outro.


Sistemas intensivos de criação de suínos

I) Sistema de criação ao ar livre
    O sistema intensivo de criação de suínos ao ar livre – SISCAL – tem conquistado grande número de
criadores, face ao bom desempenho técnico, baixo custo de implantação e manutenção, número reduzido
de edificações, facilidade na implantação e ampliação da produção, mobilidade das instalações e redução
do uso de medicamentos.
    Tipos de SISCAL mais utilizados:
     Produção de leitões de 25 kg: é caracterizado por manter os animais em piquetes, com abrigos,
        nas fases de reprodução, maternidade e creche, cercados com fios, e ou telas de arame eletrificadas
        com corrente alternada. As fases de crescimento e terminação (25 a 100 kg de peso vivo) ocorrem
        em confinamento, Muitos suinocultores utilizam o Siscal para produção de leitões, que, ao
        atingirem 25 a 30 kg de peso vivo, são vendidos para os terminadores.
     Ciclo completo: todas as fases são mantidas em piquetes (cobertura, gestação, maternidade, creche
        e terminação).

II) Sistema de criação misto ou semiconfinado
    É o que usa piquetes para a manutenção permanente ou intermitente para algumas categorias e
confinamento para outras. O Sistema tradicional é o mais utilizado dos sistemas de criação misto, sendo
mais freqüente nas criações do sul do Brasil; prevê o uso de piquetes pelas fêmeas em cobertura e
gestação, e pelos cachaços. Na fase de lactação, a porca fica confinada na maternidade e os leitões, do
nascimento ao abate, são mantidos em confinamento.

III) Sistema de criação confinado
   Nesse sistema, todas as categorias estão sobre piso e cobertura. As fases de criação podem ser
desenvolvidas em um ou em vários prédios.
   A necessidade de área para criação é mínima, a não ser a área destinada para a produção de alimentos.
O investimento em custeio e equipamentos é muito alto, podendo variar de US$ 1.300,00 (mil e trezentos

                                                  13
dólares) por matriz instalada a US$ 2.000,00 (dois mil dólares) por matriz instalada, desconsiderando – se
o valor da terra.
   Nesse sistema, a produção, armazenagem, tratamento e aproveitamento dos dejetos devem merecer
tanta atenção quanto às demais questões relativas à criação.

► Tipos de produção
   Os tipos de produção podem ser definidos pelo produto a ser comercializado ou pelas fases de criação
existentes na propriedade.
     Produção de ciclo completo: criação que abrange todas as fases da produção (gestação,
        maternidade, creche, crescimento e terminação) e que tem como produto o suíno terminado.
     Produção de leitões desmamados: tem como produto o leitão desmamado, que pode ter em média
        6 kg (21 dias) ou 10 kg (42 dias). O valor de comercialização deste leitão usualmente oscila entre
        1,5 a 2 vezes o valor do quilo do suíno terminado.
     Produção de leitões para terminação: tem como produto o leitão de 18 a 25 kg de peso vivo e 50
        a 70 dias de idade. Essa criação, além dos reprodutores, tem a fase de creche onde os leitões
        permanecem do desmame até a comercialização. O valor de comercialização do quilo deste leitão
        varia de 1,3 a 1,6 vezes o valor do quilo do suíno terminado.
     Produção de terminados: envolve somente a fase de terminação, portanto tem como produto final
        o suíno terminado. Usualmente, o criador adquire o leitão com 20 a 30 kg e, portanto, só tem prédio
        (s) de terminação. Quando adquire leitões de 6 a 10 kg, precisa ter creche para abrigar os leitões
        antes de levá – los para os galpões de terminação.
     Produção de reprodutores tradicional: é uma criação nos moldes de um produtor em ciclo
        completo, tendo como produto principal futuros reprodutores machos e fêmeas. A comercialização
        pode ser feita após a inspeção zootécnica com três meses, ou após o final do teste de Granja, com
        aproximadamente cinco meses, ou ainda em exposições.
     Produção de reprodutores em granja núcleo: é uma criação com plantel fechado, de animais de
        raça pura ou linhagens de alto padrão genético e sanitário, fazendo–se a avaliação de todos os
        animais produzidos e passíveis de comercialização do ponto de vista reprodutivo. Tendem a
        substituir os machos a cada seis meses e as fêmeas após, no máximo, a produção da segunda
        leitegada. Comercializam para as granjas multiplicadoras machos e fêmeas puros, geneticamente
        melhorados e, para os produtores de animais para a indústria, os machos.
     Produção de reprodutores em granja multiplicadora: é uma criação vinculada a uma granja
        núcleo que recebe machos e fêmeas selecionados e predestinados a acasalamentos que gerarão
        animais cruzados, incorporando “vigor híbrido” nos reprodutores que serão comercializados para os
        produtores de animais para a indústria.

►Estrutura da produção
  1. Estrutura especializada: os suinocultores são livres compradores de alimentos, medicamentos,
     equipamentos, contratadores de assistência técnica permanente ou eventual, e comercializam seus
     animais com intermediários ou diretamente com os abatedouros.
  2. Estrutura de integração vertical: é composta por duas partes distintas, uma chamada de
     integrador e a outra formada por integrados. Ao integrador cabe, geralmente, produção e
     fornecimento de reprodutores, fornecimento da alimentação (total ou parcial), fornecimento de
     produtos veterinários, orientação técnica e compra de suínos. Aos integrados cabe, geralmente,
     participar com a sua terra, mão-de-obra, edificações e equipamentos, alimentação (só grão ou
     também os demais componentes, total ou parcialmente) e produzir os suínos. Nessa estrutura de
     produção existe um compromisso de caráter formal dos integrados em vender seus animais ao
     integrador e, deste em comprar os animais com um preço determinado de acordo com índices
     zootécnicos de produção.




                                                  14
3. Estrutura de integração horizontal: também chamada de associativa, é semelhante a integração
      vertical, porém, é exercida por cooperativas, associações de produtores, condomínios ou outras
      formas de organização de suinocultores, podendo apenas comercializar suínos após industrializá –
      los ou comercializar os produtos cárneos.

Fonte: SOBESTIANSKY, J.; WENTZ, I; SILVEIRA, P. R. S. DA; SESTI,. A. C. (Ed.) Suinocultura
intensiva: produção, manejo e saúde do rebanho. Brasília: Embrapa Serviço de Produção de
Informação, 1998.


AULA 2

NOÇÕES DE CONSTRUÇÕES

   O tipo ideal de edificação deve ser definido fazendo-se um estudo detalhado do clima da região e(ou) do
local onde será implantada a exploração, determinando as mais altas e baixas temperaturas ocorridas, a
umidade do ar, a direção e a intensidade do vento. Assim, é possível projetar instalações com
características construtivas capazes de minimizar os efeitos adversos do clima sobre os suínos.

 ►Homeotermia
   Os suínos são animais homeotérmicos, capazes de regular a temperatura corporal. No entanto, o
mecanismo de homeostase, é eficiente somente quando a temperatura ambiente está dentro de certos
limites. Portanto é importante que as instalações tenham temperaturas ambientais próximas às das
condições de conforto dos suínos (tabela 4). Nesse sentido, o aperfeiçoamento das instalações com adoção
de técnicas e equipamentos de condicionamento térmico ambiental tem superado os efeitos prejudiciais de
alguns elementos climáticos, possibilitando alcançar bom desempenho produtivo dos animais.


Tabela . Temperatura de conforto para diferentes categorias de suínos.
Categoria                  Temperatura de Temperatura crítica          Temperatura crítica
                            conforto (°C)          inferior (°C)         superior (°C)
Recém-nascidos                  32-34                    -                     -
Leitões até a desmama           29-31                   21                    36
Leitões desmamados              22-26                   17                    27
Leitões em crescimento          18-20                   15                    26
Suínos em terminação            12-21                   12                    26
Fêmeas gestantes                16-19                   10                    24
Fêmeas em lactação              12-16                    7                    23
Fêmeas vazias e machos          17-21                   10                    25

Fonte: Perdomo et.al. (1985) citado por Fávero et al. (2009)



►Princípios básicos

   Para manter a temperatura interna da instalação dentro da zona de conforto térmico dos animais,
aproveitando as condições naturais do clima, alguns aspectos básicos devem ser observados, como:
localização, orientação e dimensões das instalações, cobertura, área circundante e sombreamento.

     Localização
   A área selecionada deve permitir a locação da instalação e de sua possível expansão, de acordo com as
exigências do projeto, de biossegurança e daquelas descritas na proteção ambiental.


                                                  15
O local deve ser escolhido de tal modo que se aproveitem as vantagens da circulação natural do ar e se
evite a obstrução do ar por outras construções, barreiras naturais ou artificiais. A instalação deve ser
situada em relação à principal direção do vento. Caso isto não ocorra, a localização da instalação, para
diminuir os efeitos da radiação solar em seu interior, prevalece sobre a direção do vento dominante.
   Escolher o local com declividade suave, voltada para o norte, é desejável para boa ventilação. No
entanto, os ventos dominantes locais, devem ser levados em conta, principalmente no período de inverno,
devendo-se prever barreiras naturais.
   É recomendável dentro do possível, que sejam situadas em locais de topografia plana ou levemente
ondulada, contudo é interessante observar o comportamento da corrente de ar, por entre vales e planícies,
nestes locais é comum o vento ganhar grandes velocidades e causar danos nas construções.
   O afastamento entre instalações deve ser suficiente para que uma não atue como barreira à ventilação
natural da outra. Assim, recomenda-se afastamento de 10 vezes a altura da instalação, entre as duas
primeiras a barlavento, sendo que da segunda instalação em diante o afastamento deverá ser de 20 à 25
vezes esta altura, como representado na Figura localizada na página 13.


  Figura . Afastamento entre as instalações.




Fonte: Fávero et al. (2009)

     Largura
   A grande influência da largura da instalação é no acondicionamento térmico interior, bem como em seu
custo. A largura da instalação está relacionada com o clima da região onde a mesma será construída, com o
número de animais alojados e com as dimensões e disposições das baias. Normalmente recomenda-se
largura de até 10 m para clima quente e úmido e largura de 10 até 14 m para clima quente e seco.

     Pé direito
   O pé direito da instalação é elemento importante para favorecer a ventilação e reduzir a quantidade de
energia radiante vinda da cobertura sobre os animais. Estando os suínos mais distantes da superfície
inferior do material de cobertura, receberão menor quantidade de energia radiante, por unidade de
superfície do corpo, sob condições normais de radiação. Desta forma, quanto maior o pé direito da
instalação, menor é a carga térmica recebida pelos animais. Recomenda-se como regra geral pé-direito de 3
a 3,5 m.



                                                 16
 Comprimento
  O comprimento da instalação deve ser estabelecido com base no Planejamento da Produção, assim
como também para evitar problemas com terraplanagem e sistema de distribuição de água.

     Orientação
   O sol não é imprescindível à suinocultura. Se possível, o melhor é evitá-lo dentro das instalações.
Assim, devem ser construídas com o seu eixo longitudinal orientado no sentido leste-oeste. Nesta posição
nas horas mais quentes do dia a sombra vai incidir embaixo da cobertura e a carga calorífica recebida pela
instalação será a menor possível. A temperatura do topo da cobertura se eleva, por isso é de grande
importância a escolha do material para evitar que esta se torne um coletor solar. Na época da construção da
instalação deve ser levada em consideração a trajetória do sol, para que a orientação leste-oeste seja correta
para as condições mais críticas de verão. Por mais que se oriente adequadamente a instalação em relação
ao sol, haverá incidência direta de radiação solar em seu interior em algumas horas do dia na face norte, no
período de inverno. Providenciar nesta face dispositivos para evitar esta radiação (Figura na página 14).


Figura. Orientação da instalação em relação à trajetória do sol.




Fonte: Fávero et al. (2009)

     Cobertura
   O telhado recebe a radiação do sol emitindo-a, tanto para cima, como para o interior da instalação. O
mais recomendável é escolher para o telhado, material com grande resistência térmica, como a telha
cerâmica. Pode-se utilizar estrutura de madeira, metálica ou pré-fabricada de concreto.
   Sugere-se a pintura da parte superior da cobertura na cor branca e na face inferior na cor preta. Antes da
pintura deve ser feita lavagem do telhado para retirar o limo ou crostas que estiverem aderidos à telha e
facilitar assim, a fixação da tinta.
   A proteção contra a radiação recebida e emitida pela cobertura para o interior da instalação, pode ser
feita com uso de forro. Este atua como segunda barreira física, permitindo a formação de camada de ar
junto à cobertura e contribuindo na redução da transferência de calor para o interior da construção.
   Outras técnicas para melhorar o desempenho das coberturas e condicionar ótima proteção contra a
radiação solar, tem sido o uso de isolantes sobre as telhas (poliuretano), sob as telhas (poliuretano,
poliestireno extrusado, lã de vidro ou similares), ou mesmo forro à altura do pé-direito.




                                                   17
Tabela. Largura, pé-direito e beiral em função do clima para telhas de barro.

                       Clima        Largura (m) Pé-direito (m) Beiral (m)
                       Quente seco  10,0 -14,0  2,8 - 3,0      1,2 - 1,5
                       Quente úmido 6,0 - 8,0   2,5 - 2,8      1,2 - 1,5

Obs: O uso da telha fibro-cimento está sendo limitado em alguns Estados.
Fonte: Fávero et al. (2009)
     Áreas circundantes
   A qualidade das áreas circundantes afetam a radiosidade. É comum o plantio de grama em toda a área
delimitada das instalações pois reduz a quantidade de luz refletida e o calor que penetra nos mesmos, além
de evitar erosão em taludes aterros e cortes. Esta grama deve ser de crescimento rápido que feche bem o
solo não permitindo a propagação de plantas invasoras. Deverá ser constantemente aparada para evitar a
proliferação de insetos.
   Para receber as águas provenientes do telhado, construir uma canaleta ao longo da instalação de 0,40 m
de largura com declividade de 1%, revestida de alvenaria de tijolos ou de concreto pré-fabricado.
   A rede de esgoto deve ser em manilhas ou tubos de PVC, sendo recomendado diâmetro mínimo de 0,30
para as linhas principais e de 0,20 m para as secundárias.


     Instalações por fase
   O sistema de produção de suínos compreende as fases de pré-cobrição e gestação, maternidade, creche,
crescimento e terminação. Os aspectos construtivos das instalações diferem em cada fase de criação e
devem se adequar às características físicas, fisiológicas e térmicas do animal.


►PRÉ-COBRIÇÃO E GESTAÇÃO
   Nessas instalações ficarão alojadas em baias coletivas, as fêmeas de reposição até o primeiro parto e as
porcas a partir de 28 dias de gestação. Em boxes individuais, ficarão as fêmeas desmamadas até 28 dias de
gestação. Os machos ficarão em baias individuais.
   As instalações para essa fase são abertas, com controle da ventilação por meio de cortinas, contendo
baias para as fêmeas reprodutoras em frente ou ao lado das baias para os machos (cachaços). As baias das
porcas em gestação podem ter acesso a piquetes para o exercício.
   Aconselha-se o uso de paredes laterais externas e internas, ripadas com placas pré-fabricadas em
cimento ou outro material para obter-se boa ventilação natural no interior dos prédios.
   Fundação direta descontínua sob os pilares e direta contínua sob as alvenarias, ambas em concreto 1:4:8
(cimento, areia e brita).
   Nos boxes individuais de gestação, o piso deve ser parcialmente ripado e nos boxes dos machos e de
reposição, pode-se adotar o piso compacto ou parcialmente ripado. Piso compacto de 6 a 8 cm de espessura
em concreto 1:4:8 com revestimento de argamassa 1:3 ou 1:4 (areia média) com declividade de 2% no
sentido das canaletas de drenagem. Piso áspero danifica o casco do animal e piso excessivamente liso
dificulta o ato de levantar e deitar. Os comedouros e bebedouros são instalados na parte frontal. Na parte
traseira das baias é construído um canal coletor de dejetos. A canaleta de drenagem pode ser externa à baia
com largura de 30 a 40 cm, ou na parte interna da baia com largura de aproximadamente 30% do
comprimento da baia e com declividade suficiente para não permanecer dejetos dentro da mesma. O
fechamento da canaleta poderá ser de ferro ou de concreto.
   Nas baias coletivas pode-se usar o piso compacto ou 2/3 compacto e 1/3 ripado, bebedouro tipo concha e
comedouro com divisórias para cada animal.




                                                   18
Tabela. Recomendações para orientação de projetos para as fases de gestação, pré-cobrição e de macho.
Baias                                            Área recomendada (m2/animal)
Gestação individual (Box/Gaiola)                                 1,32
Leitoas em baias coletivas                                         3
Macho                                                              6
                                                   Número de animais por baia
Gestação coletiva/rePosição/Pré-cobrição                        6 a 10
Área de Piquete Por fêmea                                      200 m2
Fonte: Fávero et al. (2009)


►MATERNIDADE
   É a instalação utilizada para o parto e fase de lactação das porcas que, por ser a fase mais sensível da
produção de suínos, deve ser construída atentando com muito cuidado para os detalhes. Qualquer erro na
construção poderá trazer graves problemas, como de umidade (empoçamento de fezes e urina),
esmagamento de leitões e calor ou frio em excesso que provocam, como conseqüência, alta mortalidade de
leitões. Na maternidade deve-se prever dois ambientes distintos, um para as porcas e outro para os leitões.
Como a faixa de temperatura de conforto das porcas é diferente daquela dos leitões, torna-se obrigatório o
uso do escamoteador para os leitões.

     Maternidade em salas de parto múltiplas com parições escalonadas
   As salas não podem ter comunicação direta entre si, recomendando-se o acesso a cada uma delas por
meio de portas localizadas na lateral da instalação. É indispensável o uso de forro como isolante térmico e
cortinas laterais para proporcionar melhores condições de conforto.
   As celas parideiras devem ser instaladas ao nível do piso. O piso da gaiola de parição é dividido em 3
partes distintas, que são:
1) Local onde fica alojada a porca - parte dianteira com 1,30 m em piso compacto de concreto no traço
1:3:5 ou 1:4:8 de cimento areia grossa e brita 1, com 6 cm de espessura e, sobre esse é feita uma
cimentação no traço 1:3 de cimento e areia média na espessura de 1,5 a 2,5 cm, e parte de traseira com 90
cm, em ripado de concreto ou metal. Altura de 1,10 m e largura de 0,60 m.
2) Local onde ficam alojados os leitões, denominado escamoteador - construído em concreto como o
anterior, localizado entre duas baias na parte frontal, com largura de 0,60 m e comprimento de 1,20 m.
3) Laterais da baia onde os leitões ficam para se amamentar - um lado construído em concreto e o outro em
ripado de concreto ou metal com 0,60 m de largura.

     Área de parição
   A área de parição pode ser em baias convencionais ou em celas parideiras.
   Nas baias convencionais há necessidade de dispor de maior espaço que, por outro lado, contribui para
um maior conforto (bem estar animal) para as porcas. Essas baias devem ter, nas laterais, um protetor
contra o esmagamento dos leitões e numa das laterais o escamoteador.
   Nas gaiolas metálicas as divisórias podem ser de ferro redondo de construção de 6,3 mm de diâmetro e
chapas de 2,5 x 6,3 mm ou em uma estrutura de chapa de 2,5 x 6,3 mm e tela de 5 cm de malha.
   O escamoteador deve, em ambos os casos, ser dotado de uma fonte de aquecimento baseada em energia
elétrica, biogás ou lenha. As dimensões recomendadas para a área de parição em baias convencionais e
celas parideiras são apresentadas na Tabela .




                                                  19
Tabela. Coeficientes técnicos indicados para as áreas de parição.
Cela Parideira:
Área da cela parideira                   Superior a 3,96 m2
Espaço para a porca                      0,60 m x 2,20 m
Espaço para os leitões                   0,60 m de cada lado x 2,20 m de comprimento
Altura da cela parideira                 1,10 m2
Altura das divisórias                    0,40 m a 0,50 m
Baia convencional
Área mínima do piso                      6 m2 (2,0 m x 3,0 m)
Altura do protetor contra esmagamento 0,20 m
Distância do protetor da parede          0,12 m
Escamoteador
Área mínima do piso                      0,70 m2
Largura mínima do corredor de serviço 1,0 m

Fonte: Fávero et al. (2009)


►CRECHE
   Creche é a edificação destinada aos leitões desmamados. Deve-se prever a instalação de cortinas nas
laterais para permitir o manejo adequado da ventilação.
   As baias devem ser de piso ripado ou parcialmente ripado. Pisos parcialmente ripados devem ter
aproximadamente 2/3 da baia com piso compacto e o restante (1/3) com piso ripado, onde os leitões irão
defecar, urinar e beber água.
   É necessário dispor de um sistema de aquecimento, que pode ser elétrico, a gás ou a lenha, para manter a
temperatura ambiente ideal para os leitões, principalmente nas primeiras semanas após o desmame. Em
regiões frias é recomendado o uso de abafadores sobre as baias, com o objetivo de criar um microclima
confortável.
   Além do agrupamento correto dos leitões e da adequação de espaço para os animais, é importante que
nesta fase inicial de crescimento, o leitão tenha condições de temperatura e renovação de ar compatíveis
com as suas exigências. Sabe-se que um leitão desmamado precocemente necessita de um ambiente
protegido e que um número excessivo de animais em pequenas salas causam problemas de concentração de
gases nocivos e odores desagradáveis. Recomenda-se a construção de baias para 4 a 5 leitegadas,
respeitando-se a uniformidade dos leitões nas baias, em salas com um sistema de renovação de ar,
preferentemente com ventilação natural.
   As instalações podem ser abertas, com cortinas para permitir uma boa ventilação amenizando o estresse
calórico. É indispensável o uso de forro como isolante térmico e cortinas laterais para proporcionar
melhores condições de conforto.

Tabela. Coeficientes técnicos indicados para a creche.
Área recomendada por leitão:
- Piso totalmente ripado        0,30 m2
- Piso parcialmente ripado      0,35 m2
Altura das paredes das baias    0,50 m a 0,70 m
Declividade do piso             5%
Fonte: Fávero et al. (2009)




                                                  20
►CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO

   Essa edificação destina-se ao crescimento e terminação dos animais desde a fase que vai da saída da
creche até a comercialização.
   O piso das baias pode ser totalmente ripado ou 2/3 compacto e 1/3 ripado. O piso totalmente ripado é o
mais indicado para regiões quentes, porém, é o de custo mais elevado. O piso parcialmente ripado, isto é,
constituído de 30% da área do piso da baia em ripado sobre fosso, é construído em vigotas de concreto e o
restante da área do piso (70%) compacto em concreto.
   O manejo dos dejetos deve ser do lado de fora da edificação e por sala para possibilitar maior higiene e
limpeza.
   A declividade do piso da baia deve situar-se entre 3% e 5%.
   As paredes laterais podem ser ripadas, em placas pré-fabricadas em cimento ou outro material, para
facilitar a ventilação natural.
   As instalações nesta fase necessitam de pouca proteção contra o frio (exceto correntes prejudiciais que
podem ser controladas por meio de cortinas), e de grande proteção contra o excessivo calor, razão pela
qual devem ser bem ventiladas, levando em consideração a densidade e o tamanho dos animais. Nesta fase
há uma formação de grande quantidade de calor, gases e dejeções que poderão prejudicar o ambiente. Para
se ter uma ventilação natural apropriada, as instalações devem possuir área por animal de 0,70, 0,80 e 1,00
m² para piso totalmente ripado, parcialmente ripado e compacto, respectivamente.
   Para o sistema de ventilação mecânica pode ser adotada a exaustão ou pressurização (ventilação
negativa ou positiva). O correto dimensionamento do equipamento de ventilação deve atender à demanda
máxima de renovação de ar nos períodos mais quentes. Pode-se também adotar o sistema de resfriamento
evaporativo por nebulização em alta pressão (> 200 psi) para evitar estresse térmico em dias quentes.




                                                  21
SEMANA 4
META:
Apresentar aspectos relacionados a reprodução em suinocultura


OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

      Identificar as principais raças e linhagens de suínos utilizadas na produção de suínos;
      Reconhecer a aplicabilidade dos esquemas de cruzamento;
      Reconhecer os órgãos reprodutivos do macho e da fêmea da espécie suína;
      Identificar as principais características reprodutivas dos suínos.


AULA 1

►MATERIAL GENÉTICO

   A qualidade genética dos reprodutores de um sistema de produção é considerada a base tecnológica de
sustentação de sua produção. O desempenho de uma raça ou linhagem é fruto de sua constituição genética
somada ao meio ambiente em que é criada. Por meio ambiente entende-se não só o local onde o animal é
criado, mas também a nutrição, a sanidade e o manejo geral que lhe é imposto. Portanto, de nada adiantaria
fornecer o melhor ambiente possível para um animal se este não tivesse capacidade genética, ou potencial
genético como é normalmente chamado, de beneficiar-se dos aspectos positivos do meio, em especial a
nutrição e a condição sanitária, para promover o aumento da produtividade.
   Antes de decidir a compra dos reprodutores, o produtor deve observar as especificações dos suínos a
serem produzidos, com base no mercado a ser atendido, pois isso poderá ser decisivo na escolha do
material genético. Toda a escolha deve basear-se em dados técnicos que permitam ao produtor projetar os
níveis de produtividade a serem obtidos. A experiência de outros produtores em relação a determinada
genética é ainda mais importante que os dados disponibilizados pelo fornecedor. O produtor não deve
esquecer, nesses casos, de verificar as condições de criação que estão sendo observadas e aquelas que serão
oferecidas aos animais em seu sistema de produção, de forma a minimizar possíveis interações
genótipo/ambiente que serão decisivas na obtenção dos índices de produtividade. O acompanhamento pós
venda do material genético também é um fator importante a ser considerado na decisão de compra, pois
garantirá orientação adequada para atingir as metas de produtividade, preconizadas pelo fornecedor, bem
como a necessária substituição de animais não produtivos.

     Principais raças de suínos
   Por definição, raça é o conjunto de animais com características semelhantes que tenham a capacidade de
transmiti-las aos descendentes. Dentro de uma mesma raça encontramos animais bons e ruins e, na prática,
pode-se observar que a diferença de produtividade entre estes indivíduos pode ser até mais expressiva do
que a diferença entre algumas raças.
   Existem certas raças que se sobressaem em produtividade, produção de carne e precocidade reprodutiva,
e existem outras que, ainda que precoces, têm a conformação e peso menos adequados, com produção de
menores leitegadas. Com o estudo das raças podemos conhecer seus defeitos e qualidades para produção e
cruzamentos na suinocultura.
   Assim sendo, será realizada uma descrição das raças estrangeiras que sejam numericamente expressivas
no Brasil e as demais serão brevemente comentadas pelo processo de extinção que sofrem.

►Raças estrangeiras
   É notável a contribuição das raças estrangeiras na suinocultura nacional, pela seleção de muitos anos
feitas em países de adiantada tecnologia, resultando em índices de produtividade expressivos. As raças
estrangeiras mais conhecidas e criadas no Brasil são: Landrace, Large White ou Yorkshire, Duroc, Pietrain,

                                                  22
entre outras. Estas raças são as mais indicadas para criação de suínos de sistema intensivo (confinamento),
pelo retorno econômico proporcionado pelas mesmas.

a) Landrace
   De origem dinamarquesa, é a principal raça estrangeira criada no Brasil, a primeira no livro de registros
da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). São animais totalmente brancos, com as orelhas
caídas (do tipo céltica). As fêmeas são excelentes mães, muito prolíferas, produzem leite suficiente para
criar leitegadas numerosas. São animais compridos com bons pernis e área de olho de lombo; entretanto,
apresentam sérios defeitos de aprumos, problemas de casco e fotossensibilização.


b) Large White
   Raça de origem inglesa, em segundo lugar nos registros da ABCS. São animais de cor branca, cabeça
moderadamente longa, orelhas grandes e em pé (do tipo asiática). Possuem lombo comprido,porém com
menor área de olho lombar do que a landrace. As características produtivas e reprodutivas são semelhantes
às da raça landrace, porém apresentam menos problemas de aprumos e de cascos, sendo também sensível à
fotossensibilização.

c) Duroc
   Raça de origem norte americana, também bastante criada no Brasil devido à sua rusticidade,
precocidade e excelente adaptação em nosso meio. São animais de cor vermelho- cereja, com mucosas
marrons. Os machos são indicados para reprodução por transmitir excelentes descendentes para abate, por
isso é conhecida como raça pai. As fêmeas produzem pouco leite, apresentam freqüentes problemas no
parto, tetas cegas ou invertidas, não sendo consideradas boas mães.

d) Pietrain
   Raça originária da Bélgica, conhecida como raça dos quatro pernis por possuir grande quantidade de
carne nos quartos dianteiros. Também por este motivo, é bastante usada em melhoramento genético, nos
cruzamentos com raças nacionais. As fêmeas são boas produtoras de leite e criadeiras. Apresenta
problemas circulatórios, sendo comum morte súbita por deficiência cardíaca, principal causa da pouca
adaptação de animais desta raça nos trópicos. A carne do Pietrain não é considerada de boa qualidade
devido a problemas de perda excessiva de água (tipo PSE).

►Outras raças
    Existem ainda inúmeras raças estrangeiras criadas no Brasil como: Wessex (inglesa), Hampshire
(Estados Unidos), Berkshire (inglesa), Poland China (Estados Unidos). Podemos citar ainda, as raças
chinesas que atualmente vem sendo muito utilizadas em melhoramento genético pela sua alta prolificidade.
      Raças nacionais
    Nenhuma raça nacional possui associação ou livro de registros; são animais de baixa produtividade,
porém rústicos,, associados à produção de banha e indicados para criações que não tenham muito controle
zootécnico e baixo controle sanitário, de forma extensiva, sem objetivos comerciais. Dentre as raças
nacionais, podemos relacionar: Piau, Caruncho, Canastra, Nilo e outras.
a) Piau
    Originada provavelmente na região do sul de Goiás e Triângulo Mineiro, considerada a melhor e mais
importante raça nacional. Foi estudada e melhorada pelo Dr. Antonio Teixeira Viana, em São Carlos (SP).
Possuem pelagem com manchas pretas e creme misturadas no corpo. São animais rústicos e de razoável
prolificidade, relativamente 12 precoces, podendo ser abatidos entre os 7 e os 9 meses com boa produção
de carne e gordura.
b) Caruncho
    De origem desconhecida, são animais com pelagem semelhante a do Piau, porém com manchas
menores. Animais de pequeno porte, roliços, rústicos, pouco exigentes em alimentação e grande produtores
de gordura.
c) Canastra
    Apresentam pelagem preta, podendo ser malhados ou ruivos. Animais rústicos e muito prolíficos (8 a 10
leitões).

                                                  23
d) Nilo
   Animais de porte médio, pelados, de cor preta. São rústicos, apresentam má conformação, pouca
ossatura e pouca massa muscular.
Outras raças
   Podemos ainda citar raças nacionais espalhadas pelo país como: Pereira, Mouro, Tatu, Pirapetinga,
Sorocaba, Junqueira, etc.


►Esquemas de cruzamentos

As raças mais utilizadas nos cruzamentos para produção comercial de suínos são:
 DUROC: de pelagem vermelha, que se caracteriza por boa rusticidade e taxa de crescimento, carne de
excelente qualidade, porém com baixo rendimento de carcaça, utilizada geralmente como linha paterna;
 LANDRACE: de pelagem branca, com excelente aptidão materna, taxa de crescimento,conversão
alimentar e bom rendimento de carne, utilizada coma linha materna;
 LARGE WHITE: também de pelagem branca, com carcaterísticas muito semelhantes às observadas na
raça Landrace, sendo utilizada como linha materna e paterna, dependendo da linha de seleção;
 PIETRAIN: apresenta o maior rendimento de carne de todas as raças, porém com pouca rusticidade e
carne de baixa qualidade, e é utilizada como linha paterna.
    As características de cada raça, variáveis de acordo com o programa de melhoramento do qual são
oriundas, sugere que raramente se terá uma raça ou genótipo homozigoto que permita maximizar o
desempenho em diversas características de importância econômica. Portanto, os ganhos econômicos
devem ser maiores utilizando–se genótipos cruzados na produção de suínos para ao abate, sendo que para
isso pode ser utilizado vários esquemas de cruzamento, como por exemplo os fixos de duas, três ou quatro
raças, ou mesmo os cruzamentos rotativos de duas ou mais raças (Figuras 7 e 8). Estes tipos de
cruzamentos são recomendados para sistemas de produção de suínos de pequeno porte e com baixo nível
tecnológico.
   Os principais cruzamentos são:
 Cruzamento de duas raças ou cruzamento simples: permite explorar as vantagens de heterose nos
embriões e nos leitões, aumentando a taxa de sobrevivência, e melhorando a taxa de crescimento dos
animais do nascimento ao abate. Não explora, porém, as heteroses materna e paterna. Entre os principais
cruzamentos de duas raças encontra-se os de machos Large White com fêmeas Landrace, ou vice – versa,
utilizado para a produção de fêmeas F-1, e de machos Pietrain com fêmeas Duroc para a produção de
machos híbridos.

 Cruzamento de três raças ou “Three cross”: utilizam-se fêmeas F-1, como as Large White –
Landrace, cruzadas com machos Duroc. Desse cruzamento espera-se maior número de leitões e maior peso
das leitegadas ao nascer e ao desmame do que o cruzamento simples, devido a heterose materna. A terceira
raça deve acrescentar vantagens de taxa de crescimento, conversão alimentar, rendimento ou qualidade de
carne ao produto final.

 Cruzamento de quatro raças: permite explorar as heteroses materna (maior prolificidade e peso das
leitegadas ao nascer e ao desmame), paterna (maior libido e melhores taxas de concepção) e individual
(animais de abate com maior taxa de crescimento e maior rendimento de carne na carcaça. Permite aos
criadores comerciais utilizarem, por exemplo, fêmeas F-1 Large White – Landrace, adquiridas ou
produzidas no próprio plantel, e machos Pietrain – Duroc , geralmente adquiridos de empresas
especializadas em melhoramento genético de suínos.

 Cruzamento rotacional de 2 raças: utiliza-se por exemplo, Large White e Landrace, produz –se fêmeas
F-1 que são acasaladas com machos de uma das duas raças que compõem a fêmea, por exemplo Large
White, Da progênie produzida, composta de 75% Large White + 25% Landrace, escolhe – se as melhores
fêmeas para a reposição do plantel, as quais , por sua vez, são acasaladas com machos Landrace, obtendo –
se animais 62,5% Landrace e 37,5% Large White. As demais progênies são comercializadas para o abate.


                                                 24
Para a produção de fêmeas da próxima geração, acasalam-se fêmeas 62,5% Landrace + 37,5% Large White
com machos Large White. obtendo-se animais com 68,75% Large White + 31,25% de Landrace.
    O procedimento utilizado com 3, 4 ou mais raças é o mesmo. As principais vantagens do sistema são as
de se produzir as fêmeas de reposição na própria granja. barateando sensivelmente seu custo de produção,
e de se evitar a entrada de problemas sanitários na granja,, utilizando –se animais já adaptados às
condições existentes. O único material genético a ser introduzido na granja é o do macho, o que pode ser
feito via inseminação artificial. Essa auto reposição do plantel só é possível quando se dispõem de um
plantel de matrizes com mais de 100 fêmeas, e de excelentes condições de controle de acasalamentos e
destino dos animais mestiços.
Figura – Esquema dos cruzamentos simples , three cross e 4 raças.




►Aquisição dos reprodutores

   Os reprodutores devem ser adquiridos de rebanhos ligados a um programa de melhoria genética e que
apresentem Certificado de Granja de Reprodutores Suídeos (GRSC). É importante certificar-se de que o
material genético é livre do gene halotano, responsável pela predisposição dos animais ao estresse e pelo
comprometimento da qualidade da carne. Todos os machos e fêmeas devem ser de uma mesma origem,
com o objetivo de evitar problemas sanitários.

    Fêmeas
   Como referência, as fêmeas devem apresentar um potencial para produzir acima de 11 (onze) leitões
vivos por parto e serem, de preferência, oriundas do cruzamento entre as raças brancas Landrace e Large

                                                 25
White, por serem mais prolíficas. Em relação aos dados produtivos, as leitoas devem apresentar um ganho
de peso médio diário mínimo de 650 g (100 kg aos 154 dias de idade) e uma espessura de toucinho entre os
90 e 100 kg próximo de 15 mm.
   A aquisição de leitoas deve ser feita com idade próxima de 5 meses, em lotes equivalentes aos grupos
de gestação, acrescidos de 15% para compensar retornos e outros problemas reprodutivos.
   Em complementação aos dados de produtividade, atenção especial deve ser dada a qualidade dos
aprumos, a integridade dos órgãos reprodutivos, ao número e distribuição das tetas (mínimo 12) e as
condições sanitárias apresentadas no momento da aquisição.

   A reposição das fêmeas do plantel deve ficar entre 30% e 40% ao ano, variação esta que permite ao
produtor manter um equilíbrio entre a imunidade e o ganho genético do rebanho. Animais de excelente
desempenho reprodutivo podem e devem ser mantidos em produção por mais tempo, de forma a
compensar a eliminação de fêmeas que se mostrarem improdutivas na fase inicial de reprodução.

     Machos
   Os machos devem apresentar um alto percentual de carne na carcaça e boa conversão alimentar,
podendo ser de raça pura, sintética ou cruzado, de raça, raças ou linhas diferentes daquelas que deram
origem às leitoas. O mercado brasileiro de reprodutores oferece uma variedade de genótipos, que vai desde
puros da raça Duroc e Large White até cruzados Duroc x Pietrain, Duroc x Large White, Large White x
Pietrain, etc e sintéticos envolvendo essas raças e outras como o Hampshire. A escolha deve sempre
contemplar o mercado do produto final.
   Como referência o ganho de peso médio diário deve ser superior a 690 g (100 kg aos 145 dias de idade)
e o percentual de carne na carcaça superior a 60%.
   Os machos devem ser adquiridos em torno de 2 meses mais velhos que a idade do(s) lote(s) de leitoas
que irá (ão) servir. Os primeiros animais a serem adquiridos devem, portanto, apresentar idade entre 7 e 8
meses e os demais, necessários para a reposição, com idade superior a 5 meses. Essas referências de idade
são particularmente importantes para que o produtor possa fazer a avaliação dos dados produtivos dos
animais, bem como verificar as condições físicas mais próximas da idade de reprodução.
   A reposição anual de machos deve ficar em torno de 80%, o que eqüivale a substituir os animais com
idade aproximada de 2 anos.

      Proporção entre machos e fêmeas no plantel
   A proporção de machos e fêmeas (leitoas e porcas) no plantel é de 1/20, sendo indispensável dispor de
no mínimo 2 machos na granja. Sempre que possível o produtor deve optar pela inseminação artificial,
utilizando na cobrição das fêmeas sêmen oriundo de CIAs oficiais. Os machos das CIAs são selecionados
com maior intensidade em relação aos que são destinados à monta natural, apresentando, portanto,
melhores índices de produtividade nas características economicamente importantes. Quando o produtor usa
inseminação artificial o número de machos poderá ser reduzido, pois os mesmos serão utilizados apenas
para o manejo reprodutivo (detecção de cio) e para a realização de algumas montas naturais em dias que
possam dificultar o uso da inseminação artificial.


AULA 2

►PRINCIPAIS LINHAGENS DE SUÍNOS

          O melhoramento genético é a base tecnológica de sustentação de qualquer estrutura de produção,
seja ela “animal ou vegetal”, resume o pesquisador da área de Genética Suína da Embrapa Suínos e Aves,
Jerônimo Fávero. Segundo ele, o desempenho de uma raça ou linhagem é fruto de sua constituição
genética somada ao meio ambiente em que é criada. “Por meio ambiente entende-se não só o local onde o
animal é criado, mas também a nutrição, a sanidade e o manejo geral que lhe é imposto”, explica.
“Portanto, de nada adiantaria fornecer o melhor ambiente possível para um animal se este não tivesse
capacidade genética, ou potencial genético como é normalmente chamado, de transformar os aspectos


                                                 26
positivos do meio, em especial a nutrição e a condição sanitária, em aumento da produtividade das
características economicamente importantes”.

Figura – Esquema para obtenção de uma linhagem de suínos




                                     ABCD
        Por essa razão, o pesquisador afirma que o trabalho de seleção desenvolvido nos rebanhos núcleo
tem contribuído de forma expressiva para as melhorias genéticas dos suínos, que, somada aos avanços da
nutrição e incremento das condições sanitárias, além de outras melhorias de ambiente, tornou a
suinocultura uma atividade altamente competitiva na produção de proteína animal. “Essas melhorias,
obtidas no topo da pirâmide de produção, são transferidas diretamente ou através dos rebanhos
multiplicadores aos sistemas de produção de animais para abate”.
   Com essa introdução, fica mais fácil entender o mecanismo do melhoramento genético suíno
empregado no Brasil. Um processo que começou no final da década de 70 e vem se aprimorando ao longo
dos anos. Conforme ressalta Fávero, por ser a base de sustentação da produção, a evolução genética
permitiu que a suinocultura saísse de uma produtividade insustentável para os padrões atuais de produção.
“Exemplos disso são a evolução experimentada em características como o número de leitões terminados
por porca por ano, que hoje encontra- se entre 24 a 26, a conversão alimentar que se situa entre 2,4 e 2,6
para animais de terminação e o percentual de carne na carcaça, que saiu de 50% no início dos anos 90 para
uma média atual próxima de 58% em animais de abate com peso vivo entre 100 e 110kg”.
   O mercado atual da suinocultura, segundo o pesquisador, está exigindo animais que proporcionem umas
produções sustentáveis, que implica em preservar o ambiente, com boas condições de desenvolvimento
(sem estresse) e que reduzam ao máximo o uso de drogas como promotores de crescimento. “Dentre as
linhas de trabalho na área do melhoramento genético, devem merecer atenção especial a seleção para
resistência às doenças, visando reduzir o uso de aditivos e drogas para melhorar a absorção dos alimentos e
reduzir o poder poluente dos dejetos e a constante melhoria da qualidade da carne”, destaca. O pesquisador
também lembra que os programas de seleção continuarão buscando a melhoria da prolificidade e o
aumento da produção de carne de qualidade, características essas que têm uma grande influência sobre o
desempenho econômico da produção.


                                                  27
Nesse sentido, a Embrapa Suínos e Aves desenvolveu e colocou no mercado nacional, em parceria com
a Cooperativa Central Oeste Catarinense (Aurora), em 1996, o macho linha Embrapa MS58, um suíno com
material genético com o propósito de tornar competitivos os pequenos e médios produtores, em função do
incremento da tipificação de carcaças, principalmente nos frigoríficos do Sul do Brasil. A linha Embrapa
MS58 ainda está sendo produzida e distribuída por oito multiplicadores. sendo um no Rio Grande do Sul,
quatro em Santa Catarina e três no Paraná.
   Com o estreitamento dessa parceria, foi lançada no ano 2000 uma segunda linha de macho terminador,
denominada Embrapa MS60. Esta linha é livre do gene halotano, produz animais terminados resistentes ao
estresse e sem predisposição genética negativa sobre a qualidade da carne. De acordo com Fávero, a partir
de 2003 os multiplicadores da linha MS58 já estarão produzindo machos MS60.

     AGROCERES PIC-
     Fêmeas avós: AG1050 e AG1062;
     Machos avôs: AG1075 e AG1020;
     Matrizes comerciais: Camborough 22 e Camborough 25 ;
     Machos comerciais: AGPIC 427, AGPIC 409, AGPIC 337 e AGPIC 412.0427 é disponibilizado
apenas na categoria TG Elite (I. Artificial) e os demais nas categorias Monta Natural, TG Superior (I.
Artificial) e TG Elite (também IA);
     Produtos AGPIC : AG1075 LS1 e AGPIC 337 PT1;
     Genética Líquida: Comercialização de sêmen dos machos comerciais.

     TOPIGS -
    A TOPIGS conta com três linhas machos no mercado brasileiro. Uma, de alta produção de carne magra,
com boa conformação, boa qualidade de carne e líder em taxa de crescimento, que é o macho terminador
DALBOAR. Outra, que é uma linha macho de alto rendimento em carne magra, extremamente muscular e
com boa conversão alimentar, que é a mais nova linha da empresa: o macho comercial TOPPI. E a
terceira, que é uma linha intermediaria: o TYBOR, desenvolvido para atender todas as exigências dos
diferentes nichos do mercado nacional. “Uma modificação implantada no programa de melhoramento
genético TOPIGS é que desde o ano passado, todas as linhagens machos da empresa estão sendo
selecionadas a um peso mais elevado, melhorando a acurácia dos cálculos dos valores genéticos para
produção de carne magra e selecionando animais na mesma condição exigida pelo mercado”, explica o
diretor.
    Na linha fêmea, no Brasil, a TOPIGS possui a comercial C40 que, além de ser altamente prolífera em
condições de clima quente, de acordo com a empresa (produz acima de 27 desmamados por porca por
ano), tem bom consumo na maternidade e alta produção de leite. “A fêmea C40 não possui componente de
sangue Landrace e isto faz com que a mesma atenda as tendências do mercado, pois é uma fêmea que tem
urna baixa exigência de manutenção, gastando em torno de 100 kg a menos de ração do que as linhagens
comerciais que possuem componente Landrace”, ressalta Wigman. A TOPIGS também possui duas linhas
maternas de avôs.
    A TOPIGS do Brasil conta com três granjas núcleos de melhoramento genético distribuídas nos Estados
de Goiás, Paraná e Rio Grande doSul, onde os bisavós importados da Holanda e da França são submetidos
a teste de granja. Os dados destes animais são enviados para o IPG (Intitute for Pig Genetics), na Holanda,
e são incorporados ao banco de dados do Grupo TOPIGS, junto com os dados de todas as outras granjas
núcleos ao redor do mundo, usando a ferramenta interna TSNS (TOPIGS Satellite Núcleo System).

      PEN AR LAN - “Num contexto cada vez mais competitivo, mais que nunca, o produtor de suínos
       deve procurar baixar o seu custo de produção”, diz o diretor da Pen Ar Lan do Brasil, Yves
       Naveau. “E a genética, como também o manejo, a nutrição, as instalações e a sanidade, são
       componentes estruturais fundamentais na geração do custo de produção e na rentabilidade da
       atividade”. Ele afirma que no Brasil e no mundo, além de continuar a trabalhar cornos atuais
       critérios de seleção Como a carcaça o crescimento, a prolificidade a rusticidade e as qualidades
       maternais, outros critérios, como a resistência às doenças, podem ser fundamentais no futuro. “A

                                                  28
genética molecular também será uma ferramenta cada vez mais usada, porém, na Pen Ar Lan,
        mesmo investindo em biotecnologia acreditamos que a genética quantitativa clássica e a
        simplicidade, associadas a uma certa paciência e perseverança, ainda serão as bases do nosso
        trabalho para os próximos anos”, revela. Naveau lembra ainda que a Pen Ar Lan foi quem iniciou a
        descoberta do gene de acidez da carne suína (RN-) no mundo.
   A Pen Ar Lan propõe aos produtores O CACHAÇO P76 E A FÊMEA NAÏMA, cuja particularidade é
o uso do sangue chinês. Totalmente livre do gene de sensibilidade ao estresse, o macho cruzado P76 alia
crescimento rusticidade, homogeneidade dos descendentes e uma excelente qualidade de carcaça, resultado
de uma seleção intensiva de mais de 25 anos das duas linhagens sintéticas que o compõem. Já a fêmea
Naïma combina as qualidades de carcaça e de crescimento das raças européias e a prolificidade das raças
chinesas. “O nosso objetivo no Brasil é que os produtores, usando a Naïma, cheguem aos mesmos
resultados alcança dos na França, ou seja, em média 11 leitões desmamados por parto”.

       DB DANBRED – De acordo com Mateus Borges, do Departamento de Marketing da DB-Danbred
        do Brasil, o melhoramento genético suíno proporcionou uma maior produção de carne por metro
        quadrado, maior competitividade na área de proteína animal, melhor qualidade de carne e maior
        rentabilidade para toda cadeia de carne suína.
   “As exigências do mercado Consumidor são carne de qualidade (cor, suculência, sabor) e características
de carcaça (espessura de toucinho, porcentagem de carne magra, comprimento da carcaça)”, diz. “Do
ponto de vista produtivo, as características exigidas são: prolificidade, ganho de peso, conversão alimentar,
taxa de mortalidade”.
   A empresa trabalha no Brasil com AVÓS DB 25, FÊMEAS COMERCIAIS DB 90 E OS
REPRODUTORES: TÍVOLI, VIBORG E FREDERIK. O processo de melhoramento genético da DB
DanBred vem da Dinamarca, onde 90% da população suína daquele país está sob um mesmo programa
genético (DanBred). “



AULA 3

►ÓRGÃOS REPRODUTIVOS DO MACHO

a) Testículos: Localiza-se fora da cavidade abdominal protegidos por uma extensão de pele em forma de
bolsa denominada de escroto. Cada testículo está recoberto por uma forte cápsula que é a Túnica
Albugínea.
b) Aparelho excretor do sêmen: No interior de cada testículo existem milhares de condutos enrolados
chamados tubos seminíferos Os espermatozóides são produzidos dentro destes tubos, sendo encaminhados
daí ao canal deferente que é uma estrutura despregada dos testículos. Do canal deferente dirigem-se à
uretra. Os testículos constituem a fonte do hormônio sexual masculino TESTOSTERONA - que é
responsável pelo comportamento sexual do macho e pelos caracteres sexuais secundários, O testículo
esquerdo é ligeiramente maior que o direito, provavelmente devido à irrigação sangüínea. A retenção
parcial (monorquidismo) ou total (criptorquidismo) dos testículos na cavidade abdominal se constituem em
fatores altamente indesejáveis em animais destinados à reprodução, dada a sua condição hereditária.
c) Glândulas acessórias: Vesícula seminal, próstata e glândulas bulbo uretrais ou de Cowper, constituem
o plasma seminal ou sêmen, cuja finalidade é servir de meio de suspensão dos espermatozóides,
proporcionando-lhes material alimentício.
d) Pênis: Constituído de uretra, corpos cavernosos, glande e prepúcio. A uretra dos varrões possui uma
forma espiralada. Durante a excitação os espaços cavernosos do pênis se tomam cheios de sangue cuja
saída fica impedida, quando o pênis se toma túrgido e ereto. A parte externa do pênis, de forma espiralada,
se dá o nome de glande. Os suínos possuem uma bolsa prepucial próxima à extremidade do pênis, de
função desconhecida e não encontrada em outras espécies animais. O tamanho desta bolsa diminui
sensivelmente após a castração. Nesta bolsa se acumula a urina que é responsável pelo forte odor sexual
masculino dos varrões que se infiltra até em sua carne, dando-lhe um cheiro e sabor desagradáveis.
                                                   29
Figura – Órgãos reprodutivos do macho

►ORGÃOS REPRODUTIVOS DA FÊMEA

a) Ovários: São em número de dois, em forma de um cacho de uva, sendo o ovário esquerdo 70% mais
funcional do que o direito. O tamanho do ovário depende em grande parte da idade e da fase reprodutiva da
fêmea. Possuem três funções básicas que são: produção dos gamelas femininos (óvulos), secreção de
estrógeno e secreção de progesterona.
b) Sistema condutor feminino
   Consta das seguintes partes: ovidutos (ou trompa de falópio), útero, cérvix, vagina e genitália externa.
1) Ovidutos: São um par de tubos longos e enrolados que conectam os ovários com o útero. Depois que os
óvulos abandonam os folículos ováricos, dirigem-se ao oviduto. Nesta região há o encontro do óvulo com
o espermatozóide seguindo-se a fecundação. Os óvulos depois de fecundados descem até o útero para a
implantação.
 2) Útero: Consta de uma porção curta chamada corpo uterino e de dois corpos uterinos bem
desenvolvidos. Cada corpo na maioria das vezes contém aproximadamente metade do número de
embriões, em decorrência da migração intra-uterina dos óvulos fertilizados, ou seja, o deslocamento dos
ovos de uma parte para a outra do útero. Esta migração ocorre cerca de onze dias após a fertilização.
3) Cérvix ou colo uterino: Esfincter muscular situado entre o útero e a vagina, isolando o útero do meio
exterior. A ocorrência de algum distúrbio na cérvix pode acarretar o aborto.
4) Vagina: Divide-se em duas partes: vestíbulo ou vulva que é a parte mais externa e a vagina posterior,
que se estende deste orifício central até o cérvix. Possui massas de tecidos conjuntivo denso e frouxo, com
abundante provisão de plexos venosos, fibras nervosas e pequenos grupos de células nervosas. O muco


                                                  30
normalmente encontrado na vagina, procedente sobretudo da cérvix, aumenta consideravelmente nas
fêmeas em cio.
5) Genitália externa: Constituída pelo clitóris, lábios maiores e menores e certas glândulas que se abrem
no vestíbulo vaginal. O clitóris é homólogo embriológico do pênis e está formado por dois pequenos
cavernosos eréteis que terminam em uma glande rudimentar.
Figura – Órgãos reprodutivos da fêmea




Fonte: Lima et al. ( 1995)



AULA 4

►REPRODUÇÃO

     IMPORTÂNCIA
    Reprodução é um processo complexo, dependendo de uma série de atividades, maturação e
desprendimento dos óvulos dos ovários, desejo sexual no momento da ovulação, cópula, transporte do
sêmen ao encontro dos óvulos fertilizados ao útero, sua implantação adequada e subseqüente nutrição dos
recém-nascidos pelas glândulas mamárias.
    Todos esses eventos são regulados por um complexo sistema neuro-hormonal que permite um
funcionamento normal e bem balanceado dos órgãos terminais afetados por hormônios, daí resultando
perfeita sincronização da função do mecanismo sexual.
   A espécie suína é multípara, do tipo poliestral não estacional com cios ocorrendo com intervalos de 21
dias, possuindo ovulação espontânea nos dois ovários. São animais altamente prolíferos, podendo produzir
mais de 20 leitões em dois partos por ano. Iniciam a vida reprodutiva bastante jovens. Aos 8 meses os
animais já estão aptos a procriar.



                                                 31
É sabido que o tamanho da leitegada é muito mais conseqüência do manejo do que de fatores
hereditários. Nessas condições é com o manejo adequado, através do conhecimento do mecanismo
fisiológico da reprodução, que se pode influir no aumento do número de leitões nascidos por parto.

     IDADE DA REPRODUÇÃO
   Devido ao desenvolvimento anatômico insuficiente, os reprodutores não deverão ser utilizados na
reprodução tão logo alcancem a puberdade. O processo de crescimento mobiliza grandes quantidades de
proteínas, pois os músculos, ossos, sangue e outros ferimentos essenciais ao crescimento possuem elevadas
proporções de proteínas em sua composição. Como a fração gelatinosa do esperma é rica de proteína no
metabolismo animal.
    De um modo geral são necessárias três condições para que a cobrição de leitoas seja bem sucedida:
maturidade sexual (3º cio), idade (6 a 7 meses); desenvolvimento corporal (110 kg) mais ou menos.
Quanto ao macho deve ser utilizado gradativamente e possivelmente a uma idade e peso ligeiramente
superiores aos das marrãs.

    CICLO ESTRAL
   O processo reprodutivo das fêmeas é sempre cíclico, iniciando com o estro ou cio e terminando
imediatamente antes da manifestação do novo cio. A duração total média do ciclo estral é de 21 dias,
podendo haver pequenas oscilações.

     FASES DO CICLO ESTRAL
a) Proestro ou fase de proliferação - Nesta fase os folículos ovários estão bastante desenvolvidos ou da
maturação. O útero fica tenso, a vagina corada e edematosa e a cérvix aberta. Às vezes há presença de
muco na vagina, com evidência da aproximação do novo cio, com início das manifestações psíquicas. A
duração desta fase é de aproximadamente dois dias.
b) Estro ou cio - Fase ovulatória, de cobrição com duração de aproximadamente 2 a 3 dias. Será tratada
em item especial, devido a sua importância.
c) Metaestro
Nesta fase o útero perde a sua tenacidade e a vagina apresenta menos entumecida.
Fase pós-ovulatória, com duração de 2 dias. Os ovários se caracterizam por apresentarem inicialmente
depressões correspondentes aos locais de ovulação que posteriormente dão origem aos corpos
hemorrágicos.
d) Diestro
Esta fase com duração de 14 dias após a ovulação, se caracteriza por: corpo lúteo maduro, útero quieto e
sem tenacidade e presença da pri onda de crescimento folicular. A mucosa da vagina e a cérvix estão secas
e pálidas.
e) Anaestro
E o período de diestro prolongado. Pode-se constituir num dos tipos de esterilidade funcional, pela
possibilidade de persistência do corpo lúteo.

   ESTRO OU CIO
  É fase em que a fêmea aceita o macho, permitindo a cópula. Terminado o cio, o macho perde, de um
modo geral, o interesse pela fêmea, sendo também por ele repelido.
  De acordo com as características do cio, os animais, dividem-se:
  1. Monoestrais - aqueles que apresentam um cio por ano.
  2. POLIESTRAIS - apresentam mais de um cio por ano.
  3. Contínuos - aqueles que apresentam manifestações de cio durante todo o ano.
      Ex.: porca, vaca, coelha.
  4. Estacionais - aqueles que apresentam cio em determinada época do ano (estação). Ex.: ovelha,
      cabra, égua.

                                                 32
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Suínocultura

  • 1. SUINOCULTURA Prof. Marcelo José Milagres de Almeida Setor de Ensino a Distância Barbacena – MG 2011
  • 2. Prezado aluno, O Campus Barbacena – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais lhe deseja boas vindas. É o início de uma fase de sua vida que será marcada por muito trabalho. Você encontrará pela frente, muitas experiências novas, interessantes e carregadas de emoções para vivenciar cada fase do Curso Técnico em Agropecuária. O Campus Barbacena lhe disponibiliza um ambiente virtual de aprendizagem que permitirá uma convivência agradável com seus colegas de curso. É um espaço cibernético onde vocês poderão interagir para alcançar seus objetivos de sucesso profissional. Nós da equipe da Educação a Distância – professores, coordenadores, tutores e alunos – estamos orgulhosos por você estar conosco. A presente apostila tem como objetivo mais amplo o desenvolvimento das competências necessárias ao planejamento, à orientação, à avaliação e ao monitoramento da exploração técnica e econômica da Suinocultura, visando a desenvolver no aluno habilidades específicas diversas, tais como identificar as principais raças, linhagens e suas características; manejar animais nas fases de reprodução, cria e engorda; orientar e monitorar o manejo alimentar dos suínos; identificar e relacionar as instalações e equipamentos necessários à exploração da suinocultura; orientar e monitorar a profilaxia e o tratamento das doenças mais comuns; identificar e reconhecer a importância da suinocultura para o Brasil. Estou a disposição para contribuir, no que for possível, no desenvolvimento profissional de vocês. Conte comigo. Um abraços e vamos estudar. Prof. Marcelo José Milagres de Almeida Zootecnista – CRMV 0758/Z Professor de Zootecnia – Suinocultura Campus Barbacena Doutor em Nutrição de Monogástricos – UFLA - MG 2
  • 3. SUMÁRIO página Semana 1 – Aula 1: Aspectos relacionados ao futuro da cadeia suinícola …...... 4 Aula 2: Colesterol …............................................................................. 5 Aula 3:Cisticercose e Teníase.............................................................. 7 Aula 4: Importância dos suínos para a medicina humana ............... 9 Semana 2 – Aula 1:Classificação zoológica, origem e evolução do suíno............. 11 Aula 2:Exterior do suíno...................................................................... 12 Semana 3 – Aula 1:Sistemas de produção de suínos.............................................. 13 Aula 2:Noções de Construções ............................................................ 15 Semana 4 – Aula 1:Material genético...................................................................... 22 Aula 2:Principais linhagens de suínos................................................. 26 Aula 3:Órgãos reprodutivos do macho e da fêmea............................ 29 Aula 4: Reprodução.............................................................................. 31 Semana 5 – Aula 1: Manejo da produção - Machos, Procedimentos para detecção de cio, Pré-cobrição, cobrição, Gestação e Descarte de Fêmeas ........... 37 Aula 2: Manejo da produção - Maternidade ….............................. 41 Aula 3: Manejo da produção - Creche............................................... 44 Aula 4: Manejo da produção – Crescimento e Terminação............ 45 Semana 6 – Aula 1:Noções de nutrição .................................................................. 46 Aula 2:Preparo de ração...................................................................... 48 Semana 7 – Aula 1:Biossegurança........................................................................... 56 Aula 2:Limpeza e desinfecção ............................................................ 59 Aula 3:Vacinação ................................................................................. 67 Semana 8 – Aula 1:Manejo pré – abate ….............................................................. 69 Aula 2:Gerenciamento …..................................................................... 69 Semana 9 – Aula 1:Proteção ambiental .................................................................. 75 Aula 2:Manejo de dejetos ................................................................... 78 Referências bibliográficas ........................................................................................ 80 3
  • 4. SEMANA 1 META: Apresentar os pontos mais importantes relacionados a cadeia suinícola e os mitos e verdades sobre a carne suína OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar os principais aspectos relacionados ao futura da cadeia produtiva de suínos;  Reconhecer a qualidade da carne suína, relacionando aos fatores colesterol e cisticercose;  Reconhecer a importância dos suínos para a medicina Humana. AULA 1 ASPECTOS RELACIONADOS AO FUTURO DA CADEIA SUINÍCOLA A produção de carne suína permanece como uma produção agrícola ainda diretamente pressionada pela concorrência internacional. Sob essa constante pressão, para manter o nível de competitividade de seus rebanhos, os produtores devem se adaptar continuamente à evolução das técnicas de produção. Adicionalmente, devem ter em conta os embaraços regulamentares, induzidos pelas exigências cada vez mais fortes da sociedade, em particular aquelas concernentes a proteção do ambiente, ao bem-estar dos animais, ou da segurança dos alimentos aos consumidores. Nos anos setenta, no contexto da cadeia suinícola do Brasil, a visão de futuro apontava mais diretamente para questões relacionadas aos sistemas de produção. Atualmente, como fruto da globalização do comércio, a visão de futuro aponta para questões de mercado, com exigências de rastreabilidade total dentro das cadeias produtivas. Além das barreiras tarifárias, ganham força as barreiras técnicas de proteção dos mercados, colocadas sobre as exportações nacionais da carne suína. As diretivas sobre segurança alimentar, bem estar animal e ambiente vêm alterar profundamente o modo de criar, transportar e abater os animais para consumo humano. Assim, o cumprimento de todas as normas deve, necessariamente, aumentar os custos do produto final por razões que se prendem ao aumento do espaço necessário para sua criação, qualidade e tipo dos alimentos a usar, tempo para o transporte, instalações, espaços e materiais de construção, tipos de equipamentos, preparação do pessoal para manejo pré-abate e abate dos animais, entre outras. Como as normas serão exigidas não só dos criadores da União Europeia (EU), mas também dos países exportadores, as grandes barreiras à entrada de produtos nesses países, deixarão de ser tarifárias para tornarem-se técnicas ou sanitárias. Nesse caso as exigências nos limites permitidos serão revisadas exigindo novos equipamentos e conhecimentos. Também muito importante é que o país gere inovações na cadeia produtiva de suínos como forma de competir com produtos de maior valorr agregado, aumentando a participação das empresas brasileiras com marcas próprias nas prateleiras dos supermercados dos países importadores. É necessário estar atento a esse passo importante, pois cada vez mais será exigido padrão internacional de certificação. A expressividade do Brasil na produção e exportação de carne suína está a exigir também uma constante atualização dos profissionais do setorr para aprimorar e dar seqüência ao crescimento e qualidade da atividade suinícola nacional. A tendência de concentração da produção de suinos deve continuar a ocorrer de maneira acelerada no Brasil, com a redução do número de produtores dedicados à criação, mas com crescimento do volume produzido, das divisas e da renda do setor. Nesse cenário, apresenta-se como desafio para os diferentes elos desta cadeia, notada mente para a indústria, a pesquisa e a assistência técnica, as questões relacionadas com a sanidade, diagnóstico e controle das doenças, as questões de conservação do meio ambiente, bem-estar animal, qualidade da carne e a segurança dos alimentos. Fonte: Silveira, P.R.S. (2007) 4
  • 5. AULA 2 COLESTEROL As doenças cardiovasculares são consideradas a causa mais freqüente de mortes na população humana. Estas enfermidades começam geralmente sob a forma de uma arteriosclerose, que é uma condição na qual depósitos de gordura, contendo colesterol desenvolvem-se “placas” no interior das artérias. Estes depósitos vão se avolumando, prejudicando o fluxo de sangue, e chegam até o bloqueio total. O bloqueio da artéria que fornece sangue ao coração é a causa do chamado “ataque cardíaco”. Para evitar esses depósitos de gordura tem-se recomendado a redução no consumo de gorduras saturadas e de colesterol. Como os produtos de origem animal contem estas duas substâncias, eles têm sido alvo de inúmeras campanhas negativas, que visam denegrir sua verdadeira imagem e valor nutricional. Em alguns casos, tem ocorrido uma verdadeira “colesterofobia epidêmica”, levando o público ao pânico, sem uma base científica que comprove o fato adequadamente. Um exemplo disso foram as campanhas da fortíssima indústria da soja para a introdução das margarinas no mercado consumidor, em substituição às gorduras animais. Nessa ocasião foram feitos fones ataques s gorduras animais por serem saturadas. Porém, não mencionaram que as margarinas, apesar de serem de origem vegetal, com grande concentração de gorduras insaturadas, no seu processo industrial de produção passam por reações químicas que as transformam em saturadas, sendo tão indesejáveis ao organismo quanto às gorduras animais se ingeridas em excesso. Mas como as doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo, toda atenção deve ser dada ao assunto, evitando-se excessos de qualquer um dos lados que tente provar a veracidade de seus conceitos. Por enquanto, a verdade é que existe muita discussão sobre o assunto e que não existe uma compreensão total do que causa ou do que evita essas doenças. O que se conhece atualmente é que indivíduos que possuam taxas de colesterol acima de 200-240 mg/ 100ml de sangue são classificados como de alto risco, especialmente se apresentarem mais de dois dos fatores que estão associados à ocorrência de enfermidades cardíacas: Fatores hereditários: muitas evidências mostram que as enfermidades cardíacas podem ser transmitidas hereditariamente; Estresse, diabete mellitus, obesidade e hipertensão cardíaca; Sexo: os homens são mais suscetíveis do que as mulheres; Idade: o risco aumenta com a idade; Hábito de fumar: são mais freqüentes nos fumantes. O organismo do homem sintetiza cerca de 1000mg colesterol por dia. A média de consumo diário através da alimentação está entre 400 a 500mg, o que mostra que a absorção dietética representa cerca de 1/3 do total do colesterol no Organismo. Pessoas pertencentes ao grupo de risco em relação às enfermidades cardiovasculares devem restringir seu consumo diário de colesterol a menos de 300 mg. Um bom filé de 100g de lombo de pernil cozido fornece apenas 69 a 82mg de colesterol. ou seja, apenas 25% do total das 300 mg permitidas. Importância do Colesterol - O colesterol um componente vital de todas as células do organismo. Parece uma gordura e é encontrado exclusivamente nos animais. Ele é essencial à vida, pois através dele são produzidos hormônios sexuais, ácidos biliares, vitaminas, (Vit. D) e as membranas das células. A quantidade de colesterol no organismo tem duas origens: a síntese orgânica e a absorção dietética. Síntese orgânica: é responsável por 2/3 do colesterol do corpo. Ele é produzido em quase todos os tecidos, mas a sede principal é o fígado. O organismo controla a síntese, aumentando-a se o consumo pela dieta é baixo, ou diminuindo-a em caso contrario. Se for necessário é capaz de produzir todo o colesterol que necessita. Algumas pessoas não conseguem regular a síntese, produzem colesterol em excesso e devem seguir o regime e as recomendações do seu médico. Uma em cada 500 pessoas apresenta este distúrbio orgânico. As pessoas sadias mantêm um baixo nível de colesterol, mesmo quando consomem dietas contendo altos níveis do mesmo. 5
  • 6. Absorção dietética: é responsável por 1/3 do colesterol do corpo. Proveniente dos alimentos, ele é absorvido no intestino, após sofrer a ação da bile. Para se locomover no organismo, usa a corrente sanguínea onde se encontra ligado às chamadas lipoproteínas. Existem duas lipoproteínas importantes: as de alta densidade (HDL), que possuem mais proteína do que gordura; e as de baixa densidade (LDL), que possuem mais gordura do que proteína. As HDL são chamadas de “Bom colesterol”, pois elas o retiram da circulação sanguínea e o levam para ser metabolizado no fígado. Pessoas que possuem mais HDL têm menor incidência de doenças cardíacas. As LDL são chamadas de “Mau colesterol” porque retiram o colesterol produzido no fígado e o despejam no sangue. A maior porção do colesterol é encontrada junto às lipoproteínas de baixa densidade (LDL). Sabe-se que até 200 miligramas de colesterol por 100 miligramas de sangue é um resultado aceitável para o homem. Porém, dosagens muito abaixo de 200mg podem ressecar as veias e as artérias, pois o colesterol é essencial para a lubrificação das mesmas. Efeito da dieta: É importante não confundir colesterol dos alimentos com colesterol sangüíneo. Os níveis sanguíneos são pouco alterados no homem com o uso de dietas ricas em colesterol, em virtude do Sistema de controle que aumenta ou diminui a síntese no organismo, de acordo com a menor ou maior absorção intestinal. Estudos com grandes populações não mostram correlação entre o colesterol da dieta e o sanguíneo. O consumo excessivo de colesterol não aumenta a incidência de enfermidades cardíacas em pessoas normais, pois estas o metabolizam de forma eficiente para exercer suas funções essenciais e eliminam naturalmente os excessos do mesmo, Algumas pessoas, porém, estão expostas a uma série de fatores de risco, que as predispõem ao acúmulo de colesterol nos vasos sangüíneos, podendo contribuir para as doenças cardiovasculares. Os principais fatores de risco são:  Pessoas incapazes de controlar a síntese ou excreção do colesterol. Dessa forma, ocorre o acúmulo do mesmo nos vasos sangüíneos, devido a um desequilibro no sistema que regula o nível de produção e eliminação. As causas para este distúrbio são hereditárias;  Pessoas que possuem maiores níveis de lipoproteínas de baixa densidade (LDL), que levam o colesterol produzido no fígado para o sangue. As causas podem ser genéticas ou não. Os níveis de HDL, o bom colesterol, podem ser aumentados com o exercício físico constante e moderado. A presença de fibras na dieta mantém o HDL e diminui o LDL;  Pessoas com vida sedentária. sem exercícios físicos, obesos, fumantes, consumidores de álcool sob forma excessiva, diabéticos, com baixa atividade sexual ou com a predisposição hereditária possuem maiores probabilidades de aumentar as doenças cardiovasculares;  Pessoas que ingerem grandes quantidades de gorduras saturadas. As gorduras são classificas de acordo com o seu índice de saturação. De uma forma geral, as gorduras saturadas que são encontradas nos animais são mais duras na temperatura ambiente e aumentam o nível de LDL (o mau colesterol) no organismo do homem. Quando não são consumidas, o nível de colesterol sangüíneo tende a ser menor. Nem todas as animais são totalmente saturadas. No suíno, por exemplo menos de 50% de sua gordura é saturada. As gorduras insaturadas são mais liquidas na temperatura ambiente são encontradas nos óleos vegetais, com exceção do coco e palmas. A qualidade das gorduras ingeridas é definida pela relação entre gorduras saturadas e insaturadas. Quanto maior esta relação (maior quantidade de insaturadas), mais aconselhável é o seu consumo. Pelo exposto conclui-se que há uma ligação entre o consumo de gorduras saturadas e insaturadas e o teor de colesterol sanguíneo. Quanto maior o teor de gorduras saturadas na dieta, maior o nível de colesterol no sangue. Este efeito pode ser contornado com o maior consumo de gorduras insaturadas, que diminuem o colesterol sanguíneo devido a maior excreção de ácidos biliares e esteróis neutros do corpo. Uma das formas mais praticas de se diminuir o consumo de gorduras saturadas, sem prejudicar o valor nutricional da dieta, é eliminar o consumo de alimentos “extras”, tais como biscoitos, batatas fritas, maioneses, etc. Esses alimentos são ricos em gorduras e relativamente pobres em outros nutrientes. 6
  • 7. Pelo que comentamos até o momento, o colesterol da dieta não tem relação com a taxa de colesterol no sangue de pessoas consideradas normais. Porém, em virtude das pessoas situadas na faixa de risco, é importante que se divulgue os teores de colesterol dos vários alimentos para que cada um possa elaborar uma dieta condizente com sua situação. Em relação às carnes dos animais, os teores de colesterol são semelhantes nos suínos, bovinos e aves. São maiores nas carnes cozidas do que nas cruas, pois o cozimento retira a água e concentra os demais componentes. Fonte: ROPPA, L. Suínos: mitos e verdades. Revista Suinocultura Industrial, n.127, p.10-27, 1997. AULA 3 CISTICERCOSE E TENÍASE Os primeiros escritos dos judeus 300 anos antes de Cristo, proibiam, sob pena de prisão, a ingestão de carne de porco. Isto porque Aristóteles havia descrito a cisticercose nos suínos. É dessa época, portanto, que remontam os conceitos errados de que o porco transmita esta doença ao homem. Moisés e Maomé contribuíram para a formação desse conceito ao proibir o consumo de carne de porco na dieta humana para evitar as parasitoses tão comuns já naquela época. Um dos nomes mais famosos da história a sofrer o problema da cisticercose foi Joana D’Arc. Após ser queimada em praça pública, seu cérebro foi necropsiado e nele foram encontrados cisticercos calcificados, principalmente no lobo temporal, que seriam as causas de suas alucinações visuais. O conceito errôneo de que a cisticercose é transmitida pelo consumo de carnes contaminadas (de suíno ou bovino) deve-se à falta de conhecimento e de esclarecimento sobre o ciclo de vida deste parasita. Para entender corretamente esta enfermidade, vamos expor a seguir o seu ciclo de vida, diferenciando o que é Teníase do que Cisticercose. A Teníase é a doença causa por um parasita chamado de Taenia Solium no caso dos suínos e Taenia Saginata no caso dos bovinos. As taenias precisam de dois hospedeiros para completar o seu ciclo evolutivo. Um é o homem, que é o único hospedeiro definitivo, da taenia (único a possuir a fase adulta do verme). O outro hospedeiro, chamado de intermediário, pois nele só ocorre a fase larvar (cisticerco), podem ser os suíno, bovinos, carneiros, etc. Ao comer carne crua ou mal passada dos suínos e bovinos que contenha as larvas das taenia (cisticercos), o homem passa a desenvolver a doença chamada Teníase, também conhecida por “solitária”, porque geralmente é causada por uma taenia só. São conhecidos, porem, casos comprovados de até 9 taenias localizadas no intestino do mesmo se humano. A Teníase é uma doença que muitas vezes passa despercebida. Alguns casos pode haver vômitos, mal- atar gástrico e gases, que são sintomas comuns a outras enfermidades. Três meses após a ingestão do cisticerco, a Taenia já localizada no intestino delgado do homem, começa a soltar anéis de seu corpo, com ovos. Geralmente, elimina de 5 a 6 anéis por semana, sendo que cada anel contem de 40 a 80 mil ovos. Os anéis podem sair com as fezes ou se romper ainda dentro do intestino liberando os ovos, que são da mesma forma eliminados durante a defecação. No meio ambiente, estes ovos, dependendo da temperatura e umidade, podem continuar vivos por até 300 dias. A taenia pode viver até 8 anos ou mais no intestino do homem, contaminando seguidamente o meio ambiente onde caírem as suas fezes. Se houver esgotos apropriados, o problema praticamente desaparece. Acentua-se, porém, se a defecação for em local inadequado (campo, etc.). As fezes se ressecam com o sol, os ovos ficam mais leves que o pó e são levados pelo vento a grandes distâncias. Dessa forma, contamina as pastagens, hortas ou rios e lagoas, cujas águas podem ser utilizadas para beber ou irrigar plantações. Somente a fervura ou cocção acima de 90ºC centígrados é capaz de inativar o ovo, que é resistente à maioria dos produtos químicos. O homem com Teníase pode se auto-contaminar com os ovos, ao não fazer corretamente a higiene após evacuar e levar as mãos à boca, ou praticando o sexo oral, já que os ovos podem permanecer na região perianal. Já a Cisticercose é uma doença causada no hospedeiro intermediário pelas larvas da taenia. Os suínos, bovinos e o próprio homem adquirem esta doença ao comer as verduras, frutas (morango), pastagens ou ingerir água contaminados com ovos da taenia. Depois de ingeridos, os ovos vão para o estômago e o intestino delgado, onde os sucos gástricos e pancreáticos dissolvem a sua camada superficial, liberando os 7
  • 8. embriões. Estes se fixam nas vilosidades intestinais, onde permanecem por 4 dias. A seguir, perfuram a parede intestinal e caem nos vasos sangüíneos, sendo distribuídos pelo corpo todo. A grande maioria fixa- se no cérebro, causando a chamada Neurocisticercose. É a forma mais grave, pois causa crises convulsivas, hipertensão craniana (dores de cabeça, vômitos, etc.) e hidrocefalia. Outras localizações além do sistema nervoso são o coração, olhos e músculo. No homem, as larvas calcificam-se rapidamente e os doentes podem, portanto, restabelecer-se dos sintomas sem qualquer prejuízo. No suíno, a formação dos cisticercos no músculo é popularmente conhecida como “canjiquinha”, que algumas pessoas acreditam de forma errônea ser uma “virtude” da carne, por ser mais macia. Ao comer estas carnes, se elas não forem devidamente cozidas, o homem irá ingerir os cisticercos (larvas), que irão evoluir em seu intestino até a fase adulta, causando a teníase, completando assim o ciclo desse verme. Pela descrição do ciclo de vida deste parasita, podemos concluir: O suíno não causa a cisticercose no homem. O homem causa a cisticercose no suíno; O suíno não é fonte de transmissão. Apenas participa do ciclo da doença que lhe é transmitida pelo homem, abrigando a fase larvar da taenia (cisticerco); O homem adquire a Cisticercose ao ingerir frutas, verduras ou água contaminadas com fezes de pessoas portadoras de taenias; O homem adquire a taenia ao ingerir carne mal cozida de bovinos ou suínos com Cisticercose. Em nenhuma hipótese ele terá cisticercose ao ingerir esta carne; O homem é o hospedeiro definitivo, pois possui a fase adulta da taenia; O suíno e o bovino são hospedeiros intermediários, pois possuem a fase larvar da taenia (cisticerco) e não o verme adulto (taenia); O homem contamina o meio ambiente (pastagens, verduras, águas. etc.) através de suas fezes, liberando os ovos do parasita; Se não houver pessoas com solitária (teníase), não haverá Cisticercose nos suínos e bovinos. Como os suínos se contaminam através da ingestão de fezes humanas ou de verduras contaminadas, com o advento da suinocultura moderna, onde os suínos são criados confinados e recebem apenas rações como alimento, a possibilidade de transmissão ficou mais difícil. A contaminação, porém, permanece alta nos bovinos, que necessitam das pastagens, e nos porcos criados soltos em suinoculturas de baixo padrão zootécnico e que geralmente são apenas para subsistência dos seus proprietários. A falta de fossas no meio rural contribui para a poluição do meio ambiente, sendo comuns os casos em que os animais acabam consumindo as fezes humanas. O uso de irrigação de hortas e de morangos com águas contaminadas tem sido, talvez, uma das principais fontes de infecção para o homem. O controle desta enfermidade passa pelas seguintes medidas:  Tratamento do homem, que é o hospedeiro das Taenias que produzem ovos;  Tratamento dos esgotos urbanos, para evitar que os ovos liberados com as fezes humanas contaminem os rios e as águas de bebida;  Inspeção e seqüestro das carcaças contaminadas com Cisticercose nos abatedouros;  Tratamento da carne por cocção adequada. Para a área rural, também são importantes os programas educativos nas escolas, sindicatos rurais e cooperativas, para o ensino de medidas higiênicas básicas. Quadro. Resumo do ciclo evolutivo de parasitas da família Taenidae Espécies de Parasitas Hospedeiro Hospedeiro Forma larvar definitivo intermediário Taenia solium Homem Suíno,homem Cysticercus cellulosae Taenia saginata Homem boi Cysticercus bovis Fonte: Carvalho & Oliveira (2006) 8
  • 9. Figura: Esquema do ciclo de transmissão da Taenia solium, destacando os pontos onde ocorre teníase e cisticercose. o ser humano pode contrair teníase ao consumir carne suína contendo cisticercos vivos, o que ocorre geralmente em decorrência do consumo de carne crua ou mal passada. O ser humano pode, ainda, contrair cisticercose ao ingerir ovos de Taenia solium através de alimentos (principalmente verduras e frutas) ou água contaminadas ou mesmo se auto infectar pela introdução de ovos de Taenia solium na boca pelas mãos contaminadas, o que ocorre geralmente pela falta de hábitos higiênicos. Fonte: Carvalho & Oliveira (2006) AULA 4 IMPORTÂNCIA DOS SUÍNOS PARA A MEDICINA HUMANA Por sua semelhança com o homem, várias partes do organismo dos suínos podem ser utilizadas em medicina humana. Desde o fornecimento de substâncias vitais à vida do homem até a doação de órgãos, os suínos são a grande opção da medicina para aumentar a sobrevivência das pessoas. A seguir relacionamos uma série de utilidades do organismo dos suínos para o homem: ► O pâncreas dos suínos é um órgão do qual se obtém Insulina. Esse hormônio é essencial para os diabéticos. Ele é encarregado de permitir a entrada de açúcar nas células e de diminuir a sua taxa no sangue, evitando dessa forma que atinja níveis mortais para o homem. Outra utilidade do pâncreas dos suínos para o homem é a de fornecer ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langerhans) para implantes em pessoas diabéticas que não as possuem. Estes implantes poderão deixar os diabéticos livres de injeções de 9
  • 10. insulina por vários anos. Atualmente, a insulina é também produzida por engenharia genética através da multiplicação bacteriana. Porém a um custo mais caro. ► A glândula pituitária do suíno é utilizada para obtenção do ACTH. Esse hormônio é usado em medicina humana para o tratamento das artrites e doenças inflamatórias, que causam dores insuportáveis para o homem. ► A Tireóide do suíno é utilizada para obter medicamentos que serão usados por pessoas que possuem glândulas tireóides pouco ativas. ► A pele dos suínos pode ser usada temporariamente pelo homem nos casos de queimaduras que causam grandes descontinuidades de sua pele. ► A mucosa intestinal dos suínos é usada para a obtenção de uma substância chamada heparina. Esta tem a função de coagular o sangue e é aplicada em medicina humana nos casos de hemorragia. ► Do coração dos suínos são retiradas válvulas cardíacas que serão transplantadas para o homem e as crianças. Os suínos usados para fornecer essas válvulas pesam de 16 a 25kg. Estas válvulas são retiradas do coração e conservadas num preparado químico, podendo ser preservadas por 5 anos, As válvulas cardíacas do homem podem ser substituídas por válvulas mecânicas feitas com materiais artificiais. As válvulas dos suínos, porém, têm vantagens sobre essas mecânicas, pois são menos rejeitadas pelo organismo, têm a mesma estrutura e resistem mais às infecções. ► Aplicações práticas de suínos transgênicos: Suínos modificados geneticamente podem produzir hemoglobina humana (pigmento do sangue que leva oxigênio às células do corpo). Pesquisas da empresa DNX (EUA) injetaram em três embriões de suínos, cópias dos dois genes responsáveis pela produção de hemoglobina humana. A técnica fez com que 15% da hemoglobina encontrada nos suínos fossem do tipo humano. As duas hemoglobinas são depois separadas devido a suas cargas elétricas diferentes. Este produto pode ser estocado por meses, ao contrário do sangue normal, que se conserva apenas por semanas. Fonte: Informativo técnico nº 222 - http://www.sossuinos.com.br/inicial.htm 10
  • 11. SEMANA 2 META: Apresentar aspectos relacionados a classificação, origem, evolução e exterior dos suínos OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Situar os suínos no amplo grupo do seres vivos do Reino Animal;  Identificar a importância de conhecer o exterior do suíno. AULA 1 CLASSIFICAÇÃO ZOOLÓGICA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS SUÍNOS Os suínos pertencem ao gênero “suis” e apareceram no velho mundo na era quaternária. São zoologicamente classificados como:  Classe: Mamíferos  Sobre-ordem: Ungulados (dedos providos de cascos)  Ordem: Artiodáctilos (número par de dedos)  Família: Suideos (Suidae)  Sub-família: Suínos (Suinae)  Gênero: Suis  Espécies selvagens:  Sus scrofa ferus (suínos originários do javali europeu)  Sus scrofa vittatus (suínos originados do javali asiático)  Espécie doméstica: Sus scrofa domesticus Segundo Nathusius e Rutirmayer, citados por Machado (1967), as raças suínas encontradas no mundo, são originadas do Javali Europeu ou do Asiático, ou ainda, do cruzamento de ambos que deu origem ao javali do Mediterrâneo (Sus mediterraneus). Estes historiadores basearam–se nas diferenças de posição de orelha (asiática, ibérica e céltica), nos diferentes tipos de perfil craniano (retilíneo, sub–côncavo e ultra– côncavo) e na variação do número de vértebras torácicas e lombares ( 14 a 16 e 4 a 6 , respectivamente), encontrados nas diversas raças, para justificar as suas hipóteses. O porco selvagem da antiguidade possuía 70% da massa anterior e 30% da massa posterior. Vivia na floresta e alimentava – se de pastos nativos, frutas e pequenos animais. Era muito veloz e possuía como principal arma os seus dentes longos e afiados. Para resistir aos impactos das lutas, seus membros dianteiros eram fortes e musculosos, enquanto o seu posterior era formado por fracas massas musculares. O porco tipo banha surgiu na época da domesticação, há 10 mil anos, o que perdurou até o século XX. Com a domesticação, o porco não precisava amais procurar alimento na floresta nem mais fugir de seus inimigos. Vivendo em chiqueiros fechados, recebia toda a alimentação que precisava. Comendo mais e fazendo menos exercícios, começou a alterar a sua composição corporal,passando a apresentar 50% de dianteiro e 50% de traseiro. O acúmulo de gordura fez com que passasse a ser considerado o animal ideal para o homem, já que lhe fornecia grande quantidade de banha (energia) e carne (proteína). É dessa época que advêm os conceitos de animais criados na lama e com altos teores de gordura na carcaça. O suíno moderno começou a ser desenvolvido no início do século, através do melhoramento genético com o cruzamento de raças puras. Pressionados por uma melhor produtividade para tornar a espécie mais viável e pelas exigências da população por um animal com menos gordura, devido à substituição das mesmas pelo óleo vegetal, os técnicos e criadores passaram a desenvolver um suíno (e não mais porco) com 30% de massa muscular no anterior e 70% de posterior. Os suínos começaram a apresentar menores teores de gordura nas carcaças e a desenvolver massas musculares mais proeminentes, especialmente nas suas carnes nobres, como o lombo e o pernil. No início desta fantástica seleção, o suíno apresentava de 45 a 50% de carne magra e espessura de toicinho de 5 a 6 centímetros. Atualmente, graças aos programas de genética e nutrição, o suíno moderno apresenta de 55% a 60% de carne magra na carcaça e apenas 1 a 1,5 centímetros de espessura de toicinho. Esta evolução foi muito forte e eficiente também nas áreas de manejo, sanidade e instalações. 11
  • 12. AULA 2 EXTERIOR DO SUÍNO A importância do conhecimento do exterior de um suíno (Figura está relacionado, principalmente, aos seguintes itens:  Seleção de matrizes e reprodutores;  identificação das diferentes raças de suínos;  julgamento dos animais (muito usada na região sul do país para a escolha dos melhores animais em exposições). Figura. Exterior de um suíno 12
  • 13. SEMANA 3 META: Apresentar as principais características dos sistemas de produção e das construções para suínos OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Conceituar os sistemas de produção de suínos;  Identificar os princípios básicos de construção para suínos;  Relacionar os aspectos de construção com as fases de vida dos suínos.  AULA 1 SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS Um sistema de produção de suínos (SPS), normalmente chamado de “granja de suínos” , é constituído de um conjunto inter-relacionado de componentes ou variáveis organizadas que tem como objetivo básico a produção de suínos. Fazem parte do SPS os seguintes componentes: o homem (mão-de-obra), as edificações, os equipamentos, os animais (genética), a alimentação e a água (nutrição), o manejo ,o estado de saúde do rebanho (sanidade) e o ambiente (condições e influências externas que afetam o desempenho do animal – clima). A variabilidade entre os sistemas de produção é de tal ordem que pode se afirmar que um SPS será sempre diferente do outro. Sistemas intensivos de criação de suínos I) Sistema de criação ao ar livre O sistema intensivo de criação de suínos ao ar livre – SISCAL – tem conquistado grande número de criadores, face ao bom desempenho técnico, baixo custo de implantação e manutenção, número reduzido de edificações, facilidade na implantação e ampliação da produção, mobilidade das instalações e redução do uso de medicamentos. Tipos de SISCAL mais utilizados:  Produção de leitões de 25 kg: é caracterizado por manter os animais em piquetes, com abrigos, nas fases de reprodução, maternidade e creche, cercados com fios, e ou telas de arame eletrificadas com corrente alternada. As fases de crescimento e terminação (25 a 100 kg de peso vivo) ocorrem em confinamento, Muitos suinocultores utilizam o Siscal para produção de leitões, que, ao atingirem 25 a 30 kg de peso vivo, são vendidos para os terminadores.  Ciclo completo: todas as fases são mantidas em piquetes (cobertura, gestação, maternidade, creche e terminação). II) Sistema de criação misto ou semiconfinado É o que usa piquetes para a manutenção permanente ou intermitente para algumas categorias e confinamento para outras. O Sistema tradicional é o mais utilizado dos sistemas de criação misto, sendo mais freqüente nas criações do sul do Brasil; prevê o uso de piquetes pelas fêmeas em cobertura e gestação, e pelos cachaços. Na fase de lactação, a porca fica confinada na maternidade e os leitões, do nascimento ao abate, são mantidos em confinamento. III) Sistema de criação confinado Nesse sistema, todas as categorias estão sobre piso e cobertura. As fases de criação podem ser desenvolvidas em um ou em vários prédios. A necessidade de área para criação é mínima, a não ser a área destinada para a produção de alimentos. O investimento em custeio e equipamentos é muito alto, podendo variar de US$ 1.300,00 (mil e trezentos 13
  • 14. dólares) por matriz instalada a US$ 2.000,00 (dois mil dólares) por matriz instalada, desconsiderando – se o valor da terra. Nesse sistema, a produção, armazenagem, tratamento e aproveitamento dos dejetos devem merecer tanta atenção quanto às demais questões relativas à criação. ► Tipos de produção Os tipos de produção podem ser definidos pelo produto a ser comercializado ou pelas fases de criação existentes na propriedade.  Produção de ciclo completo: criação que abrange todas as fases da produção (gestação, maternidade, creche, crescimento e terminação) e que tem como produto o suíno terminado.  Produção de leitões desmamados: tem como produto o leitão desmamado, que pode ter em média 6 kg (21 dias) ou 10 kg (42 dias). O valor de comercialização deste leitão usualmente oscila entre 1,5 a 2 vezes o valor do quilo do suíno terminado.  Produção de leitões para terminação: tem como produto o leitão de 18 a 25 kg de peso vivo e 50 a 70 dias de idade. Essa criação, além dos reprodutores, tem a fase de creche onde os leitões permanecem do desmame até a comercialização. O valor de comercialização do quilo deste leitão varia de 1,3 a 1,6 vezes o valor do quilo do suíno terminado.  Produção de terminados: envolve somente a fase de terminação, portanto tem como produto final o suíno terminado. Usualmente, o criador adquire o leitão com 20 a 30 kg e, portanto, só tem prédio (s) de terminação. Quando adquire leitões de 6 a 10 kg, precisa ter creche para abrigar os leitões antes de levá – los para os galpões de terminação.  Produção de reprodutores tradicional: é uma criação nos moldes de um produtor em ciclo completo, tendo como produto principal futuros reprodutores machos e fêmeas. A comercialização pode ser feita após a inspeção zootécnica com três meses, ou após o final do teste de Granja, com aproximadamente cinco meses, ou ainda em exposições.  Produção de reprodutores em granja núcleo: é uma criação com plantel fechado, de animais de raça pura ou linhagens de alto padrão genético e sanitário, fazendo–se a avaliação de todos os animais produzidos e passíveis de comercialização do ponto de vista reprodutivo. Tendem a substituir os machos a cada seis meses e as fêmeas após, no máximo, a produção da segunda leitegada. Comercializam para as granjas multiplicadoras machos e fêmeas puros, geneticamente melhorados e, para os produtores de animais para a indústria, os machos.  Produção de reprodutores em granja multiplicadora: é uma criação vinculada a uma granja núcleo que recebe machos e fêmeas selecionados e predestinados a acasalamentos que gerarão animais cruzados, incorporando “vigor híbrido” nos reprodutores que serão comercializados para os produtores de animais para a indústria. ►Estrutura da produção 1. Estrutura especializada: os suinocultores são livres compradores de alimentos, medicamentos, equipamentos, contratadores de assistência técnica permanente ou eventual, e comercializam seus animais com intermediários ou diretamente com os abatedouros. 2. Estrutura de integração vertical: é composta por duas partes distintas, uma chamada de integrador e a outra formada por integrados. Ao integrador cabe, geralmente, produção e fornecimento de reprodutores, fornecimento da alimentação (total ou parcial), fornecimento de produtos veterinários, orientação técnica e compra de suínos. Aos integrados cabe, geralmente, participar com a sua terra, mão-de-obra, edificações e equipamentos, alimentação (só grão ou também os demais componentes, total ou parcialmente) e produzir os suínos. Nessa estrutura de produção existe um compromisso de caráter formal dos integrados em vender seus animais ao integrador e, deste em comprar os animais com um preço determinado de acordo com índices zootécnicos de produção. 14
  • 15. 3. Estrutura de integração horizontal: também chamada de associativa, é semelhante a integração vertical, porém, é exercida por cooperativas, associações de produtores, condomínios ou outras formas de organização de suinocultores, podendo apenas comercializar suínos após industrializá – los ou comercializar os produtos cárneos. Fonte: SOBESTIANSKY, J.; WENTZ, I; SILVEIRA, P. R. S. DA; SESTI,. A. C. (Ed.) Suinocultura intensiva: produção, manejo e saúde do rebanho. Brasília: Embrapa Serviço de Produção de Informação, 1998. AULA 2 NOÇÕES DE CONSTRUÇÕES O tipo ideal de edificação deve ser definido fazendo-se um estudo detalhado do clima da região e(ou) do local onde será implantada a exploração, determinando as mais altas e baixas temperaturas ocorridas, a umidade do ar, a direção e a intensidade do vento. Assim, é possível projetar instalações com características construtivas capazes de minimizar os efeitos adversos do clima sobre os suínos. ►Homeotermia Os suínos são animais homeotérmicos, capazes de regular a temperatura corporal. No entanto, o mecanismo de homeostase, é eficiente somente quando a temperatura ambiente está dentro de certos limites. Portanto é importante que as instalações tenham temperaturas ambientais próximas às das condições de conforto dos suínos (tabela 4). Nesse sentido, o aperfeiçoamento das instalações com adoção de técnicas e equipamentos de condicionamento térmico ambiental tem superado os efeitos prejudiciais de alguns elementos climáticos, possibilitando alcançar bom desempenho produtivo dos animais. Tabela . Temperatura de conforto para diferentes categorias de suínos. Categoria Temperatura de Temperatura crítica Temperatura crítica conforto (°C) inferior (°C) superior (°C) Recém-nascidos 32-34 - - Leitões até a desmama 29-31 21 36 Leitões desmamados 22-26 17 27 Leitões em crescimento 18-20 15 26 Suínos em terminação 12-21 12 26 Fêmeas gestantes 16-19 10 24 Fêmeas em lactação 12-16 7 23 Fêmeas vazias e machos 17-21 10 25 Fonte: Perdomo et.al. (1985) citado por Fávero et al. (2009) ►Princípios básicos Para manter a temperatura interna da instalação dentro da zona de conforto térmico dos animais, aproveitando as condições naturais do clima, alguns aspectos básicos devem ser observados, como: localização, orientação e dimensões das instalações, cobertura, área circundante e sombreamento.  Localização A área selecionada deve permitir a locação da instalação e de sua possível expansão, de acordo com as exigências do projeto, de biossegurança e daquelas descritas na proteção ambiental. 15
  • 16. O local deve ser escolhido de tal modo que se aproveitem as vantagens da circulação natural do ar e se evite a obstrução do ar por outras construções, barreiras naturais ou artificiais. A instalação deve ser situada em relação à principal direção do vento. Caso isto não ocorra, a localização da instalação, para diminuir os efeitos da radiação solar em seu interior, prevalece sobre a direção do vento dominante. Escolher o local com declividade suave, voltada para o norte, é desejável para boa ventilação. No entanto, os ventos dominantes locais, devem ser levados em conta, principalmente no período de inverno, devendo-se prever barreiras naturais. É recomendável dentro do possível, que sejam situadas em locais de topografia plana ou levemente ondulada, contudo é interessante observar o comportamento da corrente de ar, por entre vales e planícies, nestes locais é comum o vento ganhar grandes velocidades e causar danos nas construções. O afastamento entre instalações deve ser suficiente para que uma não atue como barreira à ventilação natural da outra. Assim, recomenda-se afastamento de 10 vezes a altura da instalação, entre as duas primeiras a barlavento, sendo que da segunda instalação em diante o afastamento deverá ser de 20 à 25 vezes esta altura, como representado na Figura localizada na página 13. Figura . Afastamento entre as instalações. Fonte: Fávero et al. (2009)  Largura A grande influência da largura da instalação é no acondicionamento térmico interior, bem como em seu custo. A largura da instalação está relacionada com o clima da região onde a mesma será construída, com o número de animais alojados e com as dimensões e disposições das baias. Normalmente recomenda-se largura de até 10 m para clima quente e úmido e largura de 10 até 14 m para clima quente e seco.  Pé direito O pé direito da instalação é elemento importante para favorecer a ventilação e reduzir a quantidade de energia radiante vinda da cobertura sobre os animais. Estando os suínos mais distantes da superfície inferior do material de cobertura, receberão menor quantidade de energia radiante, por unidade de superfície do corpo, sob condições normais de radiação. Desta forma, quanto maior o pé direito da instalação, menor é a carga térmica recebida pelos animais. Recomenda-se como regra geral pé-direito de 3 a 3,5 m. 16
  • 17.  Comprimento O comprimento da instalação deve ser estabelecido com base no Planejamento da Produção, assim como também para evitar problemas com terraplanagem e sistema de distribuição de água.  Orientação O sol não é imprescindível à suinocultura. Se possível, o melhor é evitá-lo dentro das instalações. Assim, devem ser construídas com o seu eixo longitudinal orientado no sentido leste-oeste. Nesta posição nas horas mais quentes do dia a sombra vai incidir embaixo da cobertura e a carga calorífica recebida pela instalação será a menor possível. A temperatura do topo da cobertura se eleva, por isso é de grande importância a escolha do material para evitar que esta se torne um coletor solar. Na época da construção da instalação deve ser levada em consideração a trajetória do sol, para que a orientação leste-oeste seja correta para as condições mais críticas de verão. Por mais que se oriente adequadamente a instalação em relação ao sol, haverá incidência direta de radiação solar em seu interior em algumas horas do dia na face norte, no período de inverno. Providenciar nesta face dispositivos para evitar esta radiação (Figura na página 14). Figura. Orientação da instalação em relação à trajetória do sol. Fonte: Fávero et al. (2009)  Cobertura O telhado recebe a radiação do sol emitindo-a, tanto para cima, como para o interior da instalação. O mais recomendável é escolher para o telhado, material com grande resistência térmica, como a telha cerâmica. Pode-se utilizar estrutura de madeira, metálica ou pré-fabricada de concreto. Sugere-se a pintura da parte superior da cobertura na cor branca e na face inferior na cor preta. Antes da pintura deve ser feita lavagem do telhado para retirar o limo ou crostas que estiverem aderidos à telha e facilitar assim, a fixação da tinta. A proteção contra a radiação recebida e emitida pela cobertura para o interior da instalação, pode ser feita com uso de forro. Este atua como segunda barreira física, permitindo a formação de camada de ar junto à cobertura e contribuindo na redução da transferência de calor para o interior da construção. Outras técnicas para melhorar o desempenho das coberturas e condicionar ótima proteção contra a radiação solar, tem sido o uso de isolantes sobre as telhas (poliuretano), sob as telhas (poliuretano, poliestireno extrusado, lã de vidro ou similares), ou mesmo forro à altura do pé-direito. 17
  • 18. Tabela. Largura, pé-direito e beiral em função do clima para telhas de barro. Clima Largura (m) Pé-direito (m) Beiral (m) Quente seco 10,0 -14,0 2,8 - 3,0 1,2 - 1,5 Quente úmido 6,0 - 8,0 2,5 - 2,8 1,2 - 1,5 Obs: O uso da telha fibro-cimento está sendo limitado em alguns Estados. Fonte: Fávero et al. (2009)  Áreas circundantes A qualidade das áreas circundantes afetam a radiosidade. É comum o plantio de grama em toda a área delimitada das instalações pois reduz a quantidade de luz refletida e o calor que penetra nos mesmos, além de evitar erosão em taludes aterros e cortes. Esta grama deve ser de crescimento rápido que feche bem o solo não permitindo a propagação de plantas invasoras. Deverá ser constantemente aparada para evitar a proliferação de insetos. Para receber as águas provenientes do telhado, construir uma canaleta ao longo da instalação de 0,40 m de largura com declividade de 1%, revestida de alvenaria de tijolos ou de concreto pré-fabricado. A rede de esgoto deve ser em manilhas ou tubos de PVC, sendo recomendado diâmetro mínimo de 0,30 para as linhas principais e de 0,20 m para as secundárias.  Instalações por fase O sistema de produção de suínos compreende as fases de pré-cobrição e gestação, maternidade, creche, crescimento e terminação. Os aspectos construtivos das instalações diferem em cada fase de criação e devem se adequar às características físicas, fisiológicas e térmicas do animal. ►PRÉ-COBRIÇÃO E GESTAÇÃO Nessas instalações ficarão alojadas em baias coletivas, as fêmeas de reposição até o primeiro parto e as porcas a partir de 28 dias de gestação. Em boxes individuais, ficarão as fêmeas desmamadas até 28 dias de gestação. Os machos ficarão em baias individuais. As instalações para essa fase são abertas, com controle da ventilação por meio de cortinas, contendo baias para as fêmeas reprodutoras em frente ou ao lado das baias para os machos (cachaços). As baias das porcas em gestação podem ter acesso a piquetes para o exercício. Aconselha-se o uso de paredes laterais externas e internas, ripadas com placas pré-fabricadas em cimento ou outro material para obter-se boa ventilação natural no interior dos prédios. Fundação direta descontínua sob os pilares e direta contínua sob as alvenarias, ambas em concreto 1:4:8 (cimento, areia e brita). Nos boxes individuais de gestação, o piso deve ser parcialmente ripado e nos boxes dos machos e de reposição, pode-se adotar o piso compacto ou parcialmente ripado. Piso compacto de 6 a 8 cm de espessura em concreto 1:4:8 com revestimento de argamassa 1:3 ou 1:4 (areia média) com declividade de 2% no sentido das canaletas de drenagem. Piso áspero danifica o casco do animal e piso excessivamente liso dificulta o ato de levantar e deitar. Os comedouros e bebedouros são instalados na parte frontal. Na parte traseira das baias é construído um canal coletor de dejetos. A canaleta de drenagem pode ser externa à baia com largura de 30 a 40 cm, ou na parte interna da baia com largura de aproximadamente 30% do comprimento da baia e com declividade suficiente para não permanecer dejetos dentro da mesma. O fechamento da canaleta poderá ser de ferro ou de concreto. Nas baias coletivas pode-se usar o piso compacto ou 2/3 compacto e 1/3 ripado, bebedouro tipo concha e comedouro com divisórias para cada animal. 18
  • 19. Tabela. Recomendações para orientação de projetos para as fases de gestação, pré-cobrição e de macho. Baias Área recomendada (m2/animal) Gestação individual (Box/Gaiola) 1,32 Leitoas em baias coletivas 3 Macho 6 Número de animais por baia Gestação coletiva/rePosição/Pré-cobrição 6 a 10 Área de Piquete Por fêmea 200 m2 Fonte: Fávero et al. (2009) ►MATERNIDADE É a instalação utilizada para o parto e fase de lactação das porcas que, por ser a fase mais sensível da produção de suínos, deve ser construída atentando com muito cuidado para os detalhes. Qualquer erro na construção poderá trazer graves problemas, como de umidade (empoçamento de fezes e urina), esmagamento de leitões e calor ou frio em excesso que provocam, como conseqüência, alta mortalidade de leitões. Na maternidade deve-se prever dois ambientes distintos, um para as porcas e outro para os leitões. Como a faixa de temperatura de conforto das porcas é diferente daquela dos leitões, torna-se obrigatório o uso do escamoteador para os leitões.  Maternidade em salas de parto múltiplas com parições escalonadas As salas não podem ter comunicação direta entre si, recomendando-se o acesso a cada uma delas por meio de portas localizadas na lateral da instalação. É indispensável o uso de forro como isolante térmico e cortinas laterais para proporcionar melhores condições de conforto. As celas parideiras devem ser instaladas ao nível do piso. O piso da gaiola de parição é dividido em 3 partes distintas, que são: 1) Local onde fica alojada a porca - parte dianteira com 1,30 m em piso compacto de concreto no traço 1:3:5 ou 1:4:8 de cimento areia grossa e brita 1, com 6 cm de espessura e, sobre esse é feita uma cimentação no traço 1:3 de cimento e areia média na espessura de 1,5 a 2,5 cm, e parte de traseira com 90 cm, em ripado de concreto ou metal. Altura de 1,10 m e largura de 0,60 m. 2) Local onde ficam alojados os leitões, denominado escamoteador - construído em concreto como o anterior, localizado entre duas baias na parte frontal, com largura de 0,60 m e comprimento de 1,20 m. 3) Laterais da baia onde os leitões ficam para se amamentar - um lado construído em concreto e o outro em ripado de concreto ou metal com 0,60 m de largura.  Área de parição A área de parição pode ser em baias convencionais ou em celas parideiras. Nas baias convencionais há necessidade de dispor de maior espaço que, por outro lado, contribui para um maior conforto (bem estar animal) para as porcas. Essas baias devem ter, nas laterais, um protetor contra o esmagamento dos leitões e numa das laterais o escamoteador. Nas gaiolas metálicas as divisórias podem ser de ferro redondo de construção de 6,3 mm de diâmetro e chapas de 2,5 x 6,3 mm ou em uma estrutura de chapa de 2,5 x 6,3 mm e tela de 5 cm de malha. O escamoteador deve, em ambos os casos, ser dotado de uma fonte de aquecimento baseada em energia elétrica, biogás ou lenha. As dimensões recomendadas para a área de parição em baias convencionais e celas parideiras são apresentadas na Tabela . 19
  • 20. Tabela. Coeficientes técnicos indicados para as áreas de parição. Cela Parideira: Área da cela parideira Superior a 3,96 m2 Espaço para a porca 0,60 m x 2,20 m Espaço para os leitões 0,60 m de cada lado x 2,20 m de comprimento Altura da cela parideira 1,10 m2 Altura das divisórias 0,40 m a 0,50 m Baia convencional Área mínima do piso 6 m2 (2,0 m x 3,0 m) Altura do protetor contra esmagamento 0,20 m Distância do protetor da parede 0,12 m Escamoteador Área mínima do piso 0,70 m2 Largura mínima do corredor de serviço 1,0 m Fonte: Fávero et al. (2009) ►CRECHE Creche é a edificação destinada aos leitões desmamados. Deve-se prever a instalação de cortinas nas laterais para permitir o manejo adequado da ventilação. As baias devem ser de piso ripado ou parcialmente ripado. Pisos parcialmente ripados devem ter aproximadamente 2/3 da baia com piso compacto e o restante (1/3) com piso ripado, onde os leitões irão defecar, urinar e beber água. É necessário dispor de um sistema de aquecimento, que pode ser elétrico, a gás ou a lenha, para manter a temperatura ambiente ideal para os leitões, principalmente nas primeiras semanas após o desmame. Em regiões frias é recomendado o uso de abafadores sobre as baias, com o objetivo de criar um microclima confortável. Além do agrupamento correto dos leitões e da adequação de espaço para os animais, é importante que nesta fase inicial de crescimento, o leitão tenha condições de temperatura e renovação de ar compatíveis com as suas exigências. Sabe-se que um leitão desmamado precocemente necessita de um ambiente protegido e que um número excessivo de animais em pequenas salas causam problemas de concentração de gases nocivos e odores desagradáveis. Recomenda-se a construção de baias para 4 a 5 leitegadas, respeitando-se a uniformidade dos leitões nas baias, em salas com um sistema de renovação de ar, preferentemente com ventilação natural. As instalações podem ser abertas, com cortinas para permitir uma boa ventilação amenizando o estresse calórico. É indispensável o uso de forro como isolante térmico e cortinas laterais para proporcionar melhores condições de conforto. Tabela. Coeficientes técnicos indicados para a creche. Área recomendada por leitão: - Piso totalmente ripado 0,30 m2 - Piso parcialmente ripado 0,35 m2 Altura das paredes das baias 0,50 m a 0,70 m Declividade do piso 5% Fonte: Fávero et al. (2009) 20
  • 21. ►CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO Essa edificação destina-se ao crescimento e terminação dos animais desde a fase que vai da saída da creche até a comercialização. O piso das baias pode ser totalmente ripado ou 2/3 compacto e 1/3 ripado. O piso totalmente ripado é o mais indicado para regiões quentes, porém, é o de custo mais elevado. O piso parcialmente ripado, isto é, constituído de 30% da área do piso da baia em ripado sobre fosso, é construído em vigotas de concreto e o restante da área do piso (70%) compacto em concreto. O manejo dos dejetos deve ser do lado de fora da edificação e por sala para possibilitar maior higiene e limpeza. A declividade do piso da baia deve situar-se entre 3% e 5%. As paredes laterais podem ser ripadas, em placas pré-fabricadas em cimento ou outro material, para facilitar a ventilação natural. As instalações nesta fase necessitam de pouca proteção contra o frio (exceto correntes prejudiciais que podem ser controladas por meio de cortinas), e de grande proteção contra o excessivo calor, razão pela qual devem ser bem ventiladas, levando em consideração a densidade e o tamanho dos animais. Nesta fase há uma formação de grande quantidade de calor, gases e dejeções que poderão prejudicar o ambiente. Para se ter uma ventilação natural apropriada, as instalações devem possuir área por animal de 0,70, 0,80 e 1,00 m² para piso totalmente ripado, parcialmente ripado e compacto, respectivamente. Para o sistema de ventilação mecânica pode ser adotada a exaustão ou pressurização (ventilação negativa ou positiva). O correto dimensionamento do equipamento de ventilação deve atender à demanda máxima de renovação de ar nos períodos mais quentes. Pode-se também adotar o sistema de resfriamento evaporativo por nebulização em alta pressão (> 200 psi) para evitar estresse térmico em dias quentes. 21
  • 22. SEMANA 4 META: Apresentar aspectos relacionados a reprodução em suinocultura OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar as principais raças e linhagens de suínos utilizadas na produção de suínos;  Reconhecer a aplicabilidade dos esquemas de cruzamento;  Reconhecer os órgãos reprodutivos do macho e da fêmea da espécie suína;  Identificar as principais características reprodutivas dos suínos. AULA 1 ►MATERIAL GENÉTICO A qualidade genética dos reprodutores de um sistema de produção é considerada a base tecnológica de sustentação de sua produção. O desempenho de uma raça ou linhagem é fruto de sua constituição genética somada ao meio ambiente em que é criada. Por meio ambiente entende-se não só o local onde o animal é criado, mas também a nutrição, a sanidade e o manejo geral que lhe é imposto. Portanto, de nada adiantaria fornecer o melhor ambiente possível para um animal se este não tivesse capacidade genética, ou potencial genético como é normalmente chamado, de beneficiar-se dos aspectos positivos do meio, em especial a nutrição e a condição sanitária, para promover o aumento da produtividade. Antes de decidir a compra dos reprodutores, o produtor deve observar as especificações dos suínos a serem produzidos, com base no mercado a ser atendido, pois isso poderá ser decisivo na escolha do material genético. Toda a escolha deve basear-se em dados técnicos que permitam ao produtor projetar os níveis de produtividade a serem obtidos. A experiência de outros produtores em relação a determinada genética é ainda mais importante que os dados disponibilizados pelo fornecedor. O produtor não deve esquecer, nesses casos, de verificar as condições de criação que estão sendo observadas e aquelas que serão oferecidas aos animais em seu sistema de produção, de forma a minimizar possíveis interações genótipo/ambiente que serão decisivas na obtenção dos índices de produtividade. O acompanhamento pós venda do material genético também é um fator importante a ser considerado na decisão de compra, pois garantirá orientação adequada para atingir as metas de produtividade, preconizadas pelo fornecedor, bem como a necessária substituição de animais não produtivos.  Principais raças de suínos Por definição, raça é o conjunto de animais com características semelhantes que tenham a capacidade de transmiti-las aos descendentes. Dentro de uma mesma raça encontramos animais bons e ruins e, na prática, pode-se observar que a diferença de produtividade entre estes indivíduos pode ser até mais expressiva do que a diferença entre algumas raças. Existem certas raças que se sobressaem em produtividade, produção de carne e precocidade reprodutiva, e existem outras que, ainda que precoces, têm a conformação e peso menos adequados, com produção de menores leitegadas. Com o estudo das raças podemos conhecer seus defeitos e qualidades para produção e cruzamentos na suinocultura. Assim sendo, será realizada uma descrição das raças estrangeiras que sejam numericamente expressivas no Brasil e as demais serão brevemente comentadas pelo processo de extinção que sofrem. ►Raças estrangeiras É notável a contribuição das raças estrangeiras na suinocultura nacional, pela seleção de muitos anos feitas em países de adiantada tecnologia, resultando em índices de produtividade expressivos. As raças estrangeiras mais conhecidas e criadas no Brasil são: Landrace, Large White ou Yorkshire, Duroc, Pietrain, 22
  • 23. entre outras. Estas raças são as mais indicadas para criação de suínos de sistema intensivo (confinamento), pelo retorno econômico proporcionado pelas mesmas. a) Landrace De origem dinamarquesa, é a principal raça estrangeira criada no Brasil, a primeira no livro de registros da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). São animais totalmente brancos, com as orelhas caídas (do tipo céltica). As fêmeas são excelentes mães, muito prolíferas, produzem leite suficiente para criar leitegadas numerosas. São animais compridos com bons pernis e área de olho de lombo; entretanto, apresentam sérios defeitos de aprumos, problemas de casco e fotossensibilização. b) Large White Raça de origem inglesa, em segundo lugar nos registros da ABCS. São animais de cor branca, cabeça moderadamente longa, orelhas grandes e em pé (do tipo asiática). Possuem lombo comprido,porém com menor área de olho lombar do que a landrace. As características produtivas e reprodutivas são semelhantes às da raça landrace, porém apresentam menos problemas de aprumos e de cascos, sendo também sensível à fotossensibilização. c) Duroc Raça de origem norte americana, também bastante criada no Brasil devido à sua rusticidade, precocidade e excelente adaptação em nosso meio. São animais de cor vermelho- cereja, com mucosas marrons. Os machos são indicados para reprodução por transmitir excelentes descendentes para abate, por isso é conhecida como raça pai. As fêmeas produzem pouco leite, apresentam freqüentes problemas no parto, tetas cegas ou invertidas, não sendo consideradas boas mães. d) Pietrain Raça originária da Bélgica, conhecida como raça dos quatro pernis por possuir grande quantidade de carne nos quartos dianteiros. Também por este motivo, é bastante usada em melhoramento genético, nos cruzamentos com raças nacionais. As fêmeas são boas produtoras de leite e criadeiras. Apresenta problemas circulatórios, sendo comum morte súbita por deficiência cardíaca, principal causa da pouca adaptação de animais desta raça nos trópicos. A carne do Pietrain não é considerada de boa qualidade devido a problemas de perda excessiva de água (tipo PSE). ►Outras raças Existem ainda inúmeras raças estrangeiras criadas no Brasil como: Wessex (inglesa), Hampshire (Estados Unidos), Berkshire (inglesa), Poland China (Estados Unidos). Podemos citar ainda, as raças chinesas que atualmente vem sendo muito utilizadas em melhoramento genético pela sua alta prolificidade.  Raças nacionais Nenhuma raça nacional possui associação ou livro de registros; são animais de baixa produtividade, porém rústicos,, associados à produção de banha e indicados para criações que não tenham muito controle zootécnico e baixo controle sanitário, de forma extensiva, sem objetivos comerciais. Dentre as raças nacionais, podemos relacionar: Piau, Caruncho, Canastra, Nilo e outras. a) Piau Originada provavelmente na região do sul de Goiás e Triângulo Mineiro, considerada a melhor e mais importante raça nacional. Foi estudada e melhorada pelo Dr. Antonio Teixeira Viana, em São Carlos (SP). Possuem pelagem com manchas pretas e creme misturadas no corpo. São animais rústicos e de razoável prolificidade, relativamente 12 precoces, podendo ser abatidos entre os 7 e os 9 meses com boa produção de carne e gordura. b) Caruncho De origem desconhecida, são animais com pelagem semelhante a do Piau, porém com manchas menores. Animais de pequeno porte, roliços, rústicos, pouco exigentes em alimentação e grande produtores de gordura. c) Canastra Apresentam pelagem preta, podendo ser malhados ou ruivos. Animais rústicos e muito prolíficos (8 a 10 leitões). 23
  • 24. d) Nilo Animais de porte médio, pelados, de cor preta. São rústicos, apresentam má conformação, pouca ossatura e pouca massa muscular. Outras raças Podemos ainda citar raças nacionais espalhadas pelo país como: Pereira, Mouro, Tatu, Pirapetinga, Sorocaba, Junqueira, etc. ►Esquemas de cruzamentos As raças mais utilizadas nos cruzamentos para produção comercial de suínos são:  DUROC: de pelagem vermelha, que se caracteriza por boa rusticidade e taxa de crescimento, carne de excelente qualidade, porém com baixo rendimento de carcaça, utilizada geralmente como linha paterna;  LANDRACE: de pelagem branca, com excelente aptidão materna, taxa de crescimento,conversão alimentar e bom rendimento de carne, utilizada coma linha materna;  LARGE WHITE: também de pelagem branca, com carcaterísticas muito semelhantes às observadas na raça Landrace, sendo utilizada como linha materna e paterna, dependendo da linha de seleção;  PIETRAIN: apresenta o maior rendimento de carne de todas as raças, porém com pouca rusticidade e carne de baixa qualidade, e é utilizada como linha paterna. As características de cada raça, variáveis de acordo com o programa de melhoramento do qual são oriundas, sugere que raramente se terá uma raça ou genótipo homozigoto que permita maximizar o desempenho em diversas características de importância econômica. Portanto, os ganhos econômicos devem ser maiores utilizando–se genótipos cruzados na produção de suínos para ao abate, sendo que para isso pode ser utilizado vários esquemas de cruzamento, como por exemplo os fixos de duas, três ou quatro raças, ou mesmo os cruzamentos rotativos de duas ou mais raças (Figuras 7 e 8). Estes tipos de cruzamentos são recomendados para sistemas de produção de suínos de pequeno porte e com baixo nível tecnológico. Os principais cruzamentos são:  Cruzamento de duas raças ou cruzamento simples: permite explorar as vantagens de heterose nos embriões e nos leitões, aumentando a taxa de sobrevivência, e melhorando a taxa de crescimento dos animais do nascimento ao abate. Não explora, porém, as heteroses materna e paterna. Entre os principais cruzamentos de duas raças encontra-se os de machos Large White com fêmeas Landrace, ou vice – versa, utilizado para a produção de fêmeas F-1, e de machos Pietrain com fêmeas Duroc para a produção de machos híbridos.  Cruzamento de três raças ou “Three cross”: utilizam-se fêmeas F-1, como as Large White – Landrace, cruzadas com machos Duroc. Desse cruzamento espera-se maior número de leitões e maior peso das leitegadas ao nascer e ao desmame do que o cruzamento simples, devido a heterose materna. A terceira raça deve acrescentar vantagens de taxa de crescimento, conversão alimentar, rendimento ou qualidade de carne ao produto final.  Cruzamento de quatro raças: permite explorar as heteroses materna (maior prolificidade e peso das leitegadas ao nascer e ao desmame), paterna (maior libido e melhores taxas de concepção) e individual (animais de abate com maior taxa de crescimento e maior rendimento de carne na carcaça. Permite aos criadores comerciais utilizarem, por exemplo, fêmeas F-1 Large White – Landrace, adquiridas ou produzidas no próprio plantel, e machos Pietrain – Duroc , geralmente adquiridos de empresas especializadas em melhoramento genético de suínos.  Cruzamento rotacional de 2 raças: utiliza-se por exemplo, Large White e Landrace, produz –se fêmeas F-1 que são acasaladas com machos de uma das duas raças que compõem a fêmea, por exemplo Large White, Da progênie produzida, composta de 75% Large White + 25% Landrace, escolhe – se as melhores fêmeas para a reposição do plantel, as quais , por sua vez, são acasaladas com machos Landrace, obtendo – se animais 62,5% Landrace e 37,5% Large White. As demais progênies são comercializadas para o abate. 24
  • 25. Para a produção de fêmeas da próxima geração, acasalam-se fêmeas 62,5% Landrace + 37,5% Large White com machos Large White. obtendo-se animais com 68,75% Large White + 31,25% de Landrace. O procedimento utilizado com 3, 4 ou mais raças é o mesmo. As principais vantagens do sistema são as de se produzir as fêmeas de reposição na própria granja. barateando sensivelmente seu custo de produção, e de se evitar a entrada de problemas sanitários na granja,, utilizando –se animais já adaptados às condições existentes. O único material genético a ser introduzido na granja é o do macho, o que pode ser feito via inseminação artificial. Essa auto reposição do plantel só é possível quando se dispõem de um plantel de matrizes com mais de 100 fêmeas, e de excelentes condições de controle de acasalamentos e destino dos animais mestiços. Figura – Esquema dos cruzamentos simples , three cross e 4 raças. ►Aquisição dos reprodutores Os reprodutores devem ser adquiridos de rebanhos ligados a um programa de melhoria genética e que apresentem Certificado de Granja de Reprodutores Suídeos (GRSC). É importante certificar-se de que o material genético é livre do gene halotano, responsável pela predisposição dos animais ao estresse e pelo comprometimento da qualidade da carne. Todos os machos e fêmeas devem ser de uma mesma origem, com o objetivo de evitar problemas sanitários.  Fêmeas Como referência, as fêmeas devem apresentar um potencial para produzir acima de 11 (onze) leitões vivos por parto e serem, de preferência, oriundas do cruzamento entre as raças brancas Landrace e Large 25
  • 26. White, por serem mais prolíficas. Em relação aos dados produtivos, as leitoas devem apresentar um ganho de peso médio diário mínimo de 650 g (100 kg aos 154 dias de idade) e uma espessura de toucinho entre os 90 e 100 kg próximo de 15 mm. A aquisição de leitoas deve ser feita com idade próxima de 5 meses, em lotes equivalentes aos grupos de gestação, acrescidos de 15% para compensar retornos e outros problemas reprodutivos. Em complementação aos dados de produtividade, atenção especial deve ser dada a qualidade dos aprumos, a integridade dos órgãos reprodutivos, ao número e distribuição das tetas (mínimo 12) e as condições sanitárias apresentadas no momento da aquisição. A reposição das fêmeas do plantel deve ficar entre 30% e 40% ao ano, variação esta que permite ao produtor manter um equilíbrio entre a imunidade e o ganho genético do rebanho. Animais de excelente desempenho reprodutivo podem e devem ser mantidos em produção por mais tempo, de forma a compensar a eliminação de fêmeas que se mostrarem improdutivas na fase inicial de reprodução.  Machos Os machos devem apresentar um alto percentual de carne na carcaça e boa conversão alimentar, podendo ser de raça pura, sintética ou cruzado, de raça, raças ou linhas diferentes daquelas que deram origem às leitoas. O mercado brasileiro de reprodutores oferece uma variedade de genótipos, que vai desde puros da raça Duroc e Large White até cruzados Duroc x Pietrain, Duroc x Large White, Large White x Pietrain, etc e sintéticos envolvendo essas raças e outras como o Hampshire. A escolha deve sempre contemplar o mercado do produto final. Como referência o ganho de peso médio diário deve ser superior a 690 g (100 kg aos 145 dias de idade) e o percentual de carne na carcaça superior a 60%. Os machos devem ser adquiridos em torno de 2 meses mais velhos que a idade do(s) lote(s) de leitoas que irá (ão) servir. Os primeiros animais a serem adquiridos devem, portanto, apresentar idade entre 7 e 8 meses e os demais, necessários para a reposição, com idade superior a 5 meses. Essas referências de idade são particularmente importantes para que o produtor possa fazer a avaliação dos dados produtivos dos animais, bem como verificar as condições físicas mais próximas da idade de reprodução. A reposição anual de machos deve ficar em torno de 80%, o que eqüivale a substituir os animais com idade aproximada de 2 anos.  Proporção entre machos e fêmeas no plantel A proporção de machos e fêmeas (leitoas e porcas) no plantel é de 1/20, sendo indispensável dispor de no mínimo 2 machos na granja. Sempre que possível o produtor deve optar pela inseminação artificial, utilizando na cobrição das fêmeas sêmen oriundo de CIAs oficiais. Os machos das CIAs são selecionados com maior intensidade em relação aos que são destinados à monta natural, apresentando, portanto, melhores índices de produtividade nas características economicamente importantes. Quando o produtor usa inseminação artificial o número de machos poderá ser reduzido, pois os mesmos serão utilizados apenas para o manejo reprodutivo (detecção de cio) e para a realização de algumas montas naturais em dias que possam dificultar o uso da inseminação artificial. AULA 2 ►PRINCIPAIS LINHAGENS DE SUÍNOS O melhoramento genético é a base tecnológica de sustentação de qualquer estrutura de produção, seja ela “animal ou vegetal”, resume o pesquisador da área de Genética Suína da Embrapa Suínos e Aves, Jerônimo Fávero. Segundo ele, o desempenho de uma raça ou linhagem é fruto de sua constituição genética somada ao meio ambiente em que é criada. “Por meio ambiente entende-se não só o local onde o animal é criado, mas também a nutrição, a sanidade e o manejo geral que lhe é imposto”, explica. “Portanto, de nada adiantaria fornecer o melhor ambiente possível para um animal se este não tivesse capacidade genética, ou potencial genético como é normalmente chamado, de transformar os aspectos 26
  • 27. positivos do meio, em especial a nutrição e a condição sanitária, em aumento da produtividade das características economicamente importantes”. Figura – Esquema para obtenção de uma linhagem de suínos ABCD Por essa razão, o pesquisador afirma que o trabalho de seleção desenvolvido nos rebanhos núcleo tem contribuído de forma expressiva para as melhorias genéticas dos suínos, que, somada aos avanços da nutrição e incremento das condições sanitárias, além de outras melhorias de ambiente, tornou a suinocultura uma atividade altamente competitiva na produção de proteína animal. “Essas melhorias, obtidas no topo da pirâmide de produção, são transferidas diretamente ou através dos rebanhos multiplicadores aos sistemas de produção de animais para abate”. Com essa introdução, fica mais fácil entender o mecanismo do melhoramento genético suíno empregado no Brasil. Um processo que começou no final da década de 70 e vem se aprimorando ao longo dos anos. Conforme ressalta Fávero, por ser a base de sustentação da produção, a evolução genética permitiu que a suinocultura saísse de uma produtividade insustentável para os padrões atuais de produção. “Exemplos disso são a evolução experimentada em características como o número de leitões terminados por porca por ano, que hoje encontra- se entre 24 a 26, a conversão alimentar que se situa entre 2,4 e 2,6 para animais de terminação e o percentual de carne na carcaça, que saiu de 50% no início dos anos 90 para uma média atual próxima de 58% em animais de abate com peso vivo entre 100 e 110kg”. O mercado atual da suinocultura, segundo o pesquisador, está exigindo animais que proporcionem umas produções sustentáveis, que implica em preservar o ambiente, com boas condições de desenvolvimento (sem estresse) e que reduzam ao máximo o uso de drogas como promotores de crescimento. “Dentre as linhas de trabalho na área do melhoramento genético, devem merecer atenção especial a seleção para resistência às doenças, visando reduzir o uso de aditivos e drogas para melhorar a absorção dos alimentos e reduzir o poder poluente dos dejetos e a constante melhoria da qualidade da carne”, destaca. O pesquisador também lembra que os programas de seleção continuarão buscando a melhoria da prolificidade e o aumento da produção de carne de qualidade, características essas que têm uma grande influência sobre o desempenho econômico da produção. 27
  • 28. Nesse sentido, a Embrapa Suínos e Aves desenvolveu e colocou no mercado nacional, em parceria com a Cooperativa Central Oeste Catarinense (Aurora), em 1996, o macho linha Embrapa MS58, um suíno com material genético com o propósito de tornar competitivos os pequenos e médios produtores, em função do incremento da tipificação de carcaças, principalmente nos frigoríficos do Sul do Brasil. A linha Embrapa MS58 ainda está sendo produzida e distribuída por oito multiplicadores. sendo um no Rio Grande do Sul, quatro em Santa Catarina e três no Paraná. Com o estreitamento dessa parceria, foi lançada no ano 2000 uma segunda linha de macho terminador, denominada Embrapa MS60. Esta linha é livre do gene halotano, produz animais terminados resistentes ao estresse e sem predisposição genética negativa sobre a qualidade da carne. De acordo com Fávero, a partir de 2003 os multiplicadores da linha MS58 já estarão produzindo machos MS60.  AGROCERES PIC- Fêmeas avós: AG1050 e AG1062; Machos avôs: AG1075 e AG1020; Matrizes comerciais: Camborough 22 e Camborough 25 ; Machos comerciais: AGPIC 427, AGPIC 409, AGPIC 337 e AGPIC 412.0427 é disponibilizado apenas na categoria TG Elite (I. Artificial) e os demais nas categorias Monta Natural, TG Superior (I. Artificial) e TG Elite (também IA); Produtos AGPIC : AG1075 LS1 e AGPIC 337 PT1; Genética Líquida: Comercialização de sêmen dos machos comerciais.  TOPIGS - A TOPIGS conta com três linhas machos no mercado brasileiro. Uma, de alta produção de carne magra, com boa conformação, boa qualidade de carne e líder em taxa de crescimento, que é o macho terminador DALBOAR. Outra, que é uma linha macho de alto rendimento em carne magra, extremamente muscular e com boa conversão alimentar, que é a mais nova linha da empresa: o macho comercial TOPPI. E a terceira, que é uma linha intermediaria: o TYBOR, desenvolvido para atender todas as exigências dos diferentes nichos do mercado nacional. “Uma modificação implantada no programa de melhoramento genético TOPIGS é que desde o ano passado, todas as linhagens machos da empresa estão sendo selecionadas a um peso mais elevado, melhorando a acurácia dos cálculos dos valores genéticos para produção de carne magra e selecionando animais na mesma condição exigida pelo mercado”, explica o diretor. Na linha fêmea, no Brasil, a TOPIGS possui a comercial C40 que, além de ser altamente prolífera em condições de clima quente, de acordo com a empresa (produz acima de 27 desmamados por porca por ano), tem bom consumo na maternidade e alta produção de leite. “A fêmea C40 não possui componente de sangue Landrace e isto faz com que a mesma atenda as tendências do mercado, pois é uma fêmea que tem urna baixa exigência de manutenção, gastando em torno de 100 kg a menos de ração do que as linhagens comerciais que possuem componente Landrace”, ressalta Wigman. A TOPIGS também possui duas linhas maternas de avôs. A TOPIGS do Brasil conta com três granjas núcleos de melhoramento genético distribuídas nos Estados de Goiás, Paraná e Rio Grande doSul, onde os bisavós importados da Holanda e da França são submetidos a teste de granja. Os dados destes animais são enviados para o IPG (Intitute for Pig Genetics), na Holanda, e são incorporados ao banco de dados do Grupo TOPIGS, junto com os dados de todas as outras granjas núcleos ao redor do mundo, usando a ferramenta interna TSNS (TOPIGS Satellite Núcleo System).  PEN AR LAN - “Num contexto cada vez mais competitivo, mais que nunca, o produtor de suínos deve procurar baixar o seu custo de produção”, diz o diretor da Pen Ar Lan do Brasil, Yves Naveau. “E a genética, como também o manejo, a nutrição, as instalações e a sanidade, são componentes estruturais fundamentais na geração do custo de produção e na rentabilidade da atividade”. Ele afirma que no Brasil e no mundo, além de continuar a trabalhar cornos atuais critérios de seleção Como a carcaça o crescimento, a prolificidade a rusticidade e as qualidades maternais, outros critérios, como a resistência às doenças, podem ser fundamentais no futuro. “A 28
  • 29. genética molecular também será uma ferramenta cada vez mais usada, porém, na Pen Ar Lan, mesmo investindo em biotecnologia acreditamos que a genética quantitativa clássica e a simplicidade, associadas a uma certa paciência e perseverança, ainda serão as bases do nosso trabalho para os próximos anos”, revela. Naveau lembra ainda que a Pen Ar Lan foi quem iniciou a descoberta do gene de acidez da carne suína (RN-) no mundo. A Pen Ar Lan propõe aos produtores O CACHAÇO P76 E A FÊMEA NAÏMA, cuja particularidade é o uso do sangue chinês. Totalmente livre do gene de sensibilidade ao estresse, o macho cruzado P76 alia crescimento rusticidade, homogeneidade dos descendentes e uma excelente qualidade de carcaça, resultado de uma seleção intensiva de mais de 25 anos das duas linhagens sintéticas que o compõem. Já a fêmea Naïma combina as qualidades de carcaça e de crescimento das raças européias e a prolificidade das raças chinesas. “O nosso objetivo no Brasil é que os produtores, usando a Naïma, cheguem aos mesmos resultados alcança dos na França, ou seja, em média 11 leitões desmamados por parto”.  DB DANBRED – De acordo com Mateus Borges, do Departamento de Marketing da DB-Danbred do Brasil, o melhoramento genético suíno proporcionou uma maior produção de carne por metro quadrado, maior competitividade na área de proteína animal, melhor qualidade de carne e maior rentabilidade para toda cadeia de carne suína. “As exigências do mercado Consumidor são carne de qualidade (cor, suculência, sabor) e características de carcaça (espessura de toucinho, porcentagem de carne magra, comprimento da carcaça)”, diz. “Do ponto de vista produtivo, as características exigidas são: prolificidade, ganho de peso, conversão alimentar, taxa de mortalidade”. A empresa trabalha no Brasil com AVÓS DB 25, FÊMEAS COMERCIAIS DB 90 E OS REPRODUTORES: TÍVOLI, VIBORG E FREDERIK. O processo de melhoramento genético da DB DanBred vem da Dinamarca, onde 90% da população suína daquele país está sob um mesmo programa genético (DanBred). “ AULA 3 ►ÓRGÃOS REPRODUTIVOS DO MACHO a) Testículos: Localiza-se fora da cavidade abdominal protegidos por uma extensão de pele em forma de bolsa denominada de escroto. Cada testículo está recoberto por uma forte cápsula que é a Túnica Albugínea. b) Aparelho excretor do sêmen: No interior de cada testículo existem milhares de condutos enrolados chamados tubos seminíferos Os espermatozóides são produzidos dentro destes tubos, sendo encaminhados daí ao canal deferente que é uma estrutura despregada dos testículos. Do canal deferente dirigem-se à uretra. Os testículos constituem a fonte do hormônio sexual masculino TESTOSTERONA - que é responsável pelo comportamento sexual do macho e pelos caracteres sexuais secundários, O testículo esquerdo é ligeiramente maior que o direito, provavelmente devido à irrigação sangüínea. A retenção parcial (monorquidismo) ou total (criptorquidismo) dos testículos na cavidade abdominal se constituem em fatores altamente indesejáveis em animais destinados à reprodução, dada a sua condição hereditária. c) Glândulas acessórias: Vesícula seminal, próstata e glândulas bulbo uretrais ou de Cowper, constituem o plasma seminal ou sêmen, cuja finalidade é servir de meio de suspensão dos espermatozóides, proporcionando-lhes material alimentício. d) Pênis: Constituído de uretra, corpos cavernosos, glande e prepúcio. A uretra dos varrões possui uma forma espiralada. Durante a excitação os espaços cavernosos do pênis se tomam cheios de sangue cuja saída fica impedida, quando o pênis se toma túrgido e ereto. A parte externa do pênis, de forma espiralada, se dá o nome de glande. Os suínos possuem uma bolsa prepucial próxima à extremidade do pênis, de função desconhecida e não encontrada em outras espécies animais. O tamanho desta bolsa diminui sensivelmente após a castração. Nesta bolsa se acumula a urina que é responsável pelo forte odor sexual masculino dos varrões que se infiltra até em sua carne, dando-lhe um cheiro e sabor desagradáveis. 29
  • 30. Figura – Órgãos reprodutivos do macho ►ORGÃOS REPRODUTIVOS DA FÊMEA a) Ovários: São em número de dois, em forma de um cacho de uva, sendo o ovário esquerdo 70% mais funcional do que o direito. O tamanho do ovário depende em grande parte da idade e da fase reprodutiva da fêmea. Possuem três funções básicas que são: produção dos gamelas femininos (óvulos), secreção de estrógeno e secreção de progesterona. b) Sistema condutor feminino Consta das seguintes partes: ovidutos (ou trompa de falópio), útero, cérvix, vagina e genitália externa. 1) Ovidutos: São um par de tubos longos e enrolados que conectam os ovários com o útero. Depois que os óvulos abandonam os folículos ováricos, dirigem-se ao oviduto. Nesta região há o encontro do óvulo com o espermatozóide seguindo-se a fecundação. Os óvulos depois de fecundados descem até o útero para a implantação. 2) Útero: Consta de uma porção curta chamada corpo uterino e de dois corpos uterinos bem desenvolvidos. Cada corpo na maioria das vezes contém aproximadamente metade do número de embriões, em decorrência da migração intra-uterina dos óvulos fertilizados, ou seja, o deslocamento dos ovos de uma parte para a outra do útero. Esta migração ocorre cerca de onze dias após a fertilização. 3) Cérvix ou colo uterino: Esfincter muscular situado entre o útero e a vagina, isolando o útero do meio exterior. A ocorrência de algum distúrbio na cérvix pode acarretar o aborto. 4) Vagina: Divide-se em duas partes: vestíbulo ou vulva que é a parte mais externa e a vagina posterior, que se estende deste orifício central até o cérvix. Possui massas de tecidos conjuntivo denso e frouxo, com abundante provisão de plexos venosos, fibras nervosas e pequenos grupos de células nervosas. O muco 30
  • 31. normalmente encontrado na vagina, procedente sobretudo da cérvix, aumenta consideravelmente nas fêmeas em cio. 5) Genitália externa: Constituída pelo clitóris, lábios maiores e menores e certas glândulas que se abrem no vestíbulo vaginal. O clitóris é homólogo embriológico do pênis e está formado por dois pequenos cavernosos eréteis que terminam em uma glande rudimentar. Figura – Órgãos reprodutivos da fêmea Fonte: Lima et al. ( 1995) AULA 4 ►REPRODUÇÃO  IMPORTÂNCIA Reprodução é um processo complexo, dependendo de uma série de atividades, maturação e desprendimento dos óvulos dos ovários, desejo sexual no momento da ovulação, cópula, transporte do sêmen ao encontro dos óvulos fertilizados ao útero, sua implantação adequada e subseqüente nutrição dos recém-nascidos pelas glândulas mamárias. Todos esses eventos são regulados por um complexo sistema neuro-hormonal que permite um funcionamento normal e bem balanceado dos órgãos terminais afetados por hormônios, daí resultando perfeita sincronização da função do mecanismo sexual. A espécie suína é multípara, do tipo poliestral não estacional com cios ocorrendo com intervalos de 21 dias, possuindo ovulação espontânea nos dois ovários. São animais altamente prolíferos, podendo produzir mais de 20 leitões em dois partos por ano. Iniciam a vida reprodutiva bastante jovens. Aos 8 meses os animais já estão aptos a procriar. 31
  • 32. É sabido que o tamanho da leitegada é muito mais conseqüência do manejo do que de fatores hereditários. Nessas condições é com o manejo adequado, através do conhecimento do mecanismo fisiológico da reprodução, que se pode influir no aumento do número de leitões nascidos por parto.  IDADE DA REPRODUÇÃO Devido ao desenvolvimento anatômico insuficiente, os reprodutores não deverão ser utilizados na reprodução tão logo alcancem a puberdade. O processo de crescimento mobiliza grandes quantidades de proteínas, pois os músculos, ossos, sangue e outros ferimentos essenciais ao crescimento possuem elevadas proporções de proteínas em sua composição. Como a fração gelatinosa do esperma é rica de proteína no metabolismo animal. De um modo geral são necessárias três condições para que a cobrição de leitoas seja bem sucedida: maturidade sexual (3º cio), idade (6 a 7 meses); desenvolvimento corporal (110 kg) mais ou menos. Quanto ao macho deve ser utilizado gradativamente e possivelmente a uma idade e peso ligeiramente superiores aos das marrãs.  CICLO ESTRAL O processo reprodutivo das fêmeas é sempre cíclico, iniciando com o estro ou cio e terminando imediatamente antes da manifestação do novo cio. A duração total média do ciclo estral é de 21 dias, podendo haver pequenas oscilações.  FASES DO CICLO ESTRAL a) Proestro ou fase de proliferação - Nesta fase os folículos ovários estão bastante desenvolvidos ou da maturação. O útero fica tenso, a vagina corada e edematosa e a cérvix aberta. Às vezes há presença de muco na vagina, com evidência da aproximação do novo cio, com início das manifestações psíquicas. A duração desta fase é de aproximadamente dois dias. b) Estro ou cio - Fase ovulatória, de cobrição com duração de aproximadamente 2 a 3 dias. Será tratada em item especial, devido a sua importância. c) Metaestro Nesta fase o útero perde a sua tenacidade e a vagina apresenta menos entumecida. Fase pós-ovulatória, com duração de 2 dias. Os ovários se caracterizam por apresentarem inicialmente depressões correspondentes aos locais de ovulação que posteriormente dão origem aos corpos hemorrágicos. d) Diestro Esta fase com duração de 14 dias após a ovulação, se caracteriza por: corpo lúteo maduro, útero quieto e sem tenacidade e presença da pri onda de crescimento folicular. A mucosa da vagina e a cérvix estão secas e pálidas. e) Anaestro E o período de diestro prolongado. Pode-se constituir num dos tipos de esterilidade funcional, pela possibilidade de persistência do corpo lúteo.  ESTRO OU CIO É fase em que a fêmea aceita o macho, permitindo a cópula. Terminado o cio, o macho perde, de um modo geral, o interesse pela fêmea, sendo também por ele repelido. De acordo com as características do cio, os animais, dividem-se: 1. Monoestrais - aqueles que apresentam um cio por ano. 2. POLIESTRAIS - apresentam mais de um cio por ano. 3. Contínuos - aqueles que apresentam manifestações de cio durante todo o ano. Ex.: porca, vaca, coelha. 4. Estacionais - aqueles que apresentam cio em determinada época do ano (estação). Ex.: ovelha, cabra, égua. 32