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Cadeia em Pauta
38 DBO novembro 2018
Renato Villela
renato.villela@revistadbo.com.br
A
s mulheres estão cada vez mais presentes no agro-
negócio. À medida que sua participação avança,
seja no dia a dia das fazendas, seja nas empresas
do setor, cresce igualmente sua percepção sobre obstáculos
que enfrentam no meio rural. Desde a tributação elevada e
dificuldade de se escoar a produção em vias esburacadas,
até os rigores da legislação ambiental e certo ressentimento
quanto à maneira como o setor é visto por parte da socie-
dade urbana e da grande mídia. Queixas antes restritas ao
discurso dos homens começam a ganhar uma versão am-
plificada nas vozes femininas. Reunidas no 3o Congresso
Nacional das Mulheres do Agronegócio, em São Paulo,
SP, nos dias 23 e 24 de outubro, 1.500 representantes desse
segmento – eram 500 no primeiro encontro, há três anos
– reivindicaram seu espaço para expor ideias, opiniões, ex-
periências e insatisfações, mas também mostrar ao setor e a
si próprias sua capacidade de mobilização.
Segundo dados preliminares do Censo Agropecuário
2017, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Ge-
ografia e Estatística), em 11 anos o número de mulheres
à frente dos estabelecimentos rurais passou de 12,68%
(2006) para 18,67% em 2017. A maioria dessas empre-
endedoras do Agro está em postos de liderança. Pesquisa
feita pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio),
com 862 mulheres, divididas em três categorias – antes
da porteira (serviços que atendem a fazenda), dentro das
propriedades (produtora) e fora da porteira (atividades re-
lacionadas ao comércio e industrialização) mostrou que
59,2% das mulheres são proprietárias ou sócias. A área
de atuação com maior presença feminina é a agricultu-
ra, com 42% de participação, sendo as principais culturas
soja, milho e hortifrutigranjeiros. A pecuária vem logo a
seguir, com 25% das mulheres entrevistadas.
Papel de protagonista
Elas também estão ocupando cada vez mais espaço
no mundo corporativo do Agro. Se antes precisavam for-
çar a entrada em um universo eminentemente masculino,
agora são as empresas que abrem suas portas para recebê-
-las. “As mulheres têm desempenhado um papel cada vez
mais relevante na Cargill ”, afirmou Luiz Pretti, presiden-
te da multinacional no Brasil. Segundo Pretti, 30% dos
funcionários da Cargill são mulheres e 26% ocupam car-
gos de liderança. “Temos um compromisso de elevar esse
percentual para 50% até 2030”, disse. O gerente de sus-
tentabilidade corporativa da BASF para América Latina,
Emiliano Graziano, chamou a atenção para a importância
feminina em um tema bastante debatido no congresso: o
desperdício de alimentos. A dupla arroz e feijão, símbolo
da culinária brasileira, representa aproximadamente 38%
do montante de alimentos jogados fora no País, segundo
pesquisa demandada pelos Diálogos Setoriais União Eu-
ropeia-Brasil, em projeto liderado pela Embrapa e apoia-
do pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
“A mulher tem papel-chave para evitar o desperdício
porque é a principal responsável pela transmissão do co-
nhecimento no meio rural”, disse Graziano. O presidente
da John Deer no Brasil, Paulo Herrmann, conclamou a for-
ça feminina a enfrentar os novos desafios do setor pecuário,
ao mencionar a fabricação de carne em laboratório a partir
de células animais, onda que começa a pipocar mundo afo-
ra por iniciativa de startups do Vale do Silício e da Europa.
“Para competir contra essas ‘ameaças’, precisamos melho-
rar nossa eficiência produtiva e as mulheres têm muita ca-
pacidade para contribuir nesse quesito”, disse. O executivo
ressaltou ainda a tecnologia cada vez mais presente no cam-
po. A chamada “agricultura 4.0” tem sido responsável pelo
regresso das novas gerações. “Muitos jovens foram para a
cidade, mas estão voltando. O futuro está no campo”.
Desabafo coletivo
A plateia do congresso, distribuída em quatro blocos
(“arenas”) – reproduzindo o formato de uma mandala com
os debatedores no centro – ouviu dos especialistas que o
País avança na sustentabilidade do seu negócio, em função
do maior uso de insumos biológicos e sistemas integrados
de produção. “Hoje temos 14 milhões de ha de ILPF (In-
tegração Lavoura-Pecuária-Floresta) e devemos ampliar
mais 4 milhões de ha até 2030”, disse Cléber Soares,
Mulheres em alto e bom som
Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio reuniu 1.500 congressistas em São
Paulo, que expuseram suas ideias, dividiram experiências e deram voz a suas queixas
Plateia cheia:
1.500 mulheres
participaram
do congresso.
Fotos:Marcelodonatelli
Cadeia em Pauta
40 DBO novembro 2018
diretor executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa.
O cenário econômico do País também foi discutido.
Zaina Latif, economista chefe da XP Investimentos, de
São Paulo, fez um prognóstico pouco animador sobre o
comportamento do dólar, que impacta os custos de produ-
ção (insumos). “Acotação está baixa por conta da expec-
tativa em relação ao novo governo, que tem o benefício
da dúvida, mas a tendência internacional é de valorização
da moeda norte-americana”, disse.Assim que se abriu es-
paço para perguntas da planteia, no primeiro dia de even-
to, ficou claro que as mulheres precisavam falar. E elas
falaram sobre a imagem do setor. “Somos vistos como
vilões. Poluímos o mundo e não produzimos alimentos
saudáveis. É assim que a sociedade e a mídia nos trata.
Somos reconhecidos no mundo como grande produtores.
Aqui, somos massacrados”, disse Raquel Schenkel Fan-
celli, da Fazenda Santa Rosa, no município de Rio Ver-
de, no MT, onde são produzidos grãos, suínos e bovinos.
O desabafo, aplaudido, foi uma espécie de salvo conduto
para novas manifestações, que tiveram como alvo desde
o descaso por vias ferroviárias para transportar a produ-
ção até os altos impostos que incidem sobre a atividade
agropecuária. “Como é possível o Brasil avançar e ser o
celeiro de alimentos que todos esperam, com uma tributa-
ção dessas? Os produtores estão enforcados. É muito difí-
cil produzir no Brasil”, criticou Vivian Machado, da Agro-
pecuária 2 M, em Barra do Ouro, TO, que produz animais
meio-sangue WagyuAkaushi (pelagem vermelha).
À frente do MAT (Mulheres do Agronegócio Tocanti-
nense), Vivian questionou o Código Florestal, que estabe-
leceu reserva legal de 80% na Amazônia Legal, 35% no
cerrado, 20% em campos gerais, e 20% nos demais bio-
mas das outras regiões do Brasil. “Quem está nas áreas de
Amazônia Legal deveria, ao menos, ter algum tipo de be-
nefício fiscal, juros mais baratos. Como é que consegue so-
breviver explorando somente 20% da área?”, questionou.
Ao acompanhar este repórter para tirar uma foto para esta
reportagem, Vivian foi parada mais de uma vez, deixando
a impressão de ter sido porta-voz de insatisfações até ali re-
primidas. “Você disse o que estava engasgado na nossa gar-
ganta”, ouviu de uma congressista, a quem agredeceu, antes
de fazer um convite. “Participe da nossa rede”. “É um site
das mulheres pelo Agro. Chama-se Glamour Rural. Temos
de divulgar”, disse, virando-se para mim. 	 n
Vozes do Agro: Raquel Fancelli, da Fazenda Santa Rosa, e.... a jovem Vivian Machado, da Agropecuária 2M, no TO.
“O que nos move é a fé e a vontade de fazer”
No segundo e último dia do evento, an-
tes do término da plenária da manhã, uma
mulher ergueu o braço e pediu a palavra.
Lilia Ticiana da Rita Cardoso, vinda de
Angola especialmente para o congresso,
estava um pouco incomodada com o que
ouvia. Formada em Gestão Agrícola, em
uma universidade de Lisboa, Portugal, Lilia
retornou para Angola 12 anos atrás, então
com 22 anos, para “enfrentar o desafio do
agronegócio”. Essa tarefa incluía desde a
retirada de minas terrestres dos campos
agrícolas até lidar com o total desinteresse
do governo angolano pela atividade. “Bus-
quei consultores fora de Angola. Nem sem-
pre consegui investimentos para os agri-
cultores, mas fiz os projetos técnicos para
ajudá-los. Não posso desanimar, porque
tenho amor pelo campo”, disse, convicta.
Talvez por vivenciar uma realidade tão dura,
como a de agricultores que precisam guar-
dar as sementes dos frutos que consomem
para formar pomares, Lilia disse, ao micro-
fone, que as mulheres no congresso lhe pa-
reciam “mimosas” (quis dizer “mimadas”),
e que deveriam lutar em vez de reclamar. O
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A plateia, que a aplaudiu, pareceu entender
que o discurso partiu de um referencial mui-
to diferente do que estamos acostumados
por aqui. Ao me conceder uma breve en-
trevista, logo após seu pronunciamento, se
explicou. “Quis dizer que as mulheres daqui
agem muito com base na emoção, não na
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voz ser ouvida. O que nos movimenta é a fé
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Mulheres agronegocio

  • 1. Cadeia em Pauta 38 DBO novembro 2018 Renato Villela renato.villela@revistadbo.com.br A s mulheres estão cada vez mais presentes no agro- negócio. À medida que sua participação avança, seja no dia a dia das fazendas, seja nas empresas do setor, cresce igualmente sua percepção sobre obstáculos que enfrentam no meio rural. Desde a tributação elevada e dificuldade de se escoar a produção em vias esburacadas, até os rigores da legislação ambiental e certo ressentimento quanto à maneira como o setor é visto por parte da socie- dade urbana e da grande mídia. Queixas antes restritas ao discurso dos homens começam a ganhar uma versão am- plificada nas vozes femininas. Reunidas no 3o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, em São Paulo, SP, nos dias 23 e 24 de outubro, 1.500 representantes desse segmento – eram 500 no primeiro encontro, há três anos – reivindicaram seu espaço para expor ideias, opiniões, ex- periências e insatisfações, mas também mostrar ao setor e a si próprias sua capacidade de mobilização. Segundo dados preliminares do Censo Agropecuário 2017, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Ge- ografia e Estatística), em 11 anos o número de mulheres à frente dos estabelecimentos rurais passou de 12,68% (2006) para 18,67% em 2017. A maioria dessas empre- endedoras do Agro está em postos de liderança. Pesquisa feita pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), com 862 mulheres, divididas em três categorias – antes da porteira (serviços que atendem a fazenda), dentro das propriedades (produtora) e fora da porteira (atividades re- lacionadas ao comércio e industrialização) mostrou que 59,2% das mulheres são proprietárias ou sócias. A área de atuação com maior presença feminina é a agricultu- ra, com 42% de participação, sendo as principais culturas soja, milho e hortifrutigranjeiros. A pecuária vem logo a seguir, com 25% das mulheres entrevistadas. Papel de protagonista Elas também estão ocupando cada vez mais espaço no mundo corporativo do Agro. Se antes precisavam for- çar a entrada em um universo eminentemente masculino, agora são as empresas que abrem suas portas para recebê- -las. “As mulheres têm desempenhado um papel cada vez mais relevante na Cargill ”, afirmou Luiz Pretti, presiden- te da multinacional no Brasil. Segundo Pretti, 30% dos funcionários da Cargill são mulheres e 26% ocupam car- gos de liderança. “Temos um compromisso de elevar esse percentual para 50% até 2030”, disse. O gerente de sus- tentabilidade corporativa da BASF para América Latina, Emiliano Graziano, chamou a atenção para a importância feminina em um tema bastante debatido no congresso: o desperdício de alimentos. A dupla arroz e feijão, símbolo da culinária brasileira, representa aproximadamente 38% do montante de alimentos jogados fora no País, segundo pesquisa demandada pelos Diálogos Setoriais União Eu- ropeia-Brasil, em projeto liderado pela Embrapa e apoia- do pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). “A mulher tem papel-chave para evitar o desperdício porque é a principal responsável pela transmissão do co- nhecimento no meio rural”, disse Graziano. O presidente da John Deer no Brasil, Paulo Herrmann, conclamou a for- ça feminina a enfrentar os novos desafios do setor pecuário, ao mencionar a fabricação de carne em laboratório a partir de células animais, onda que começa a pipocar mundo afo- ra por iniciativa de startups do Vale do Silício e da Europa. “Para competir contra essas ‘ameaças’, precisamos melho- rar nossa eficiência produtiva e as mulheres têm muita ca- pacidade para contribuir nesse quesito”, disse. O executivo ressaltou ainda a tecnologia cada vez mais presente no cam- po. A chamada “agricultura 4.0” tem sido responsável pelo regresso das novas gerações. “Muitos jovens foram para a cidade, mas estão voltando. O futuro está no campo”. Desabafo coletivo A plateia do congresso, distribuída em quatro blocos (“arenas”) – reproduzindo o formato de uma mandala com os debatedores no centro – ouviu dos especialistas que o País avança na sustentabilidade do seu negócio, em função do maior uso de insumos biológicos e sistemas integrados de produção. “Hoje temos 14 milhões de ha de ILPF (In- tegração Lavoura-Pecuária-Floresta) e devemos ampliar mais 4 milhões de ha até 2030”, disse Cléber Soares, Mulheres em alto e bom som Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio reuniu 1.500 congressistas em São Paulo, que expuseram suas ideias, dividiram experiências e deram voz a suas queixas Plateia cheia: 1.500 mulheres participaram do congresso. Fotos:Marcelodonatelli
  • 2. Cadeia em Pauta 40 DBO novembro 2018 diretor executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa. O cenário econômico do País também foi discutido. Zaina Latif, economista chefe da XP Investimentos, de São Paulo, fez um prognóstico pouco animador sobre o comportamento do dólar, que impacta os custos de produ- ção (insumos). “Acotação está baixa por conta da expec- tativa em relação ao novo governo, que tem o benefício da dúvida, mas a tendência internacional é de valorização da moeda norte-americana”, disse.Assim que se abriu es- paço para perguntas da planteia, no primeiro dia de even- to, ficou claro que as mulheres precisavam falar. E elas falaram sobre a imagem do setor. “Somos vistos como vilões. Poluímos o mundo e não produzimos alimentos saudáveis. É assim que a sociedade e a mídia nos trata. Somos reconhecidos no mundo como grande produtores. Aqui, somos massacrados”, disse Raquel Schenkel Fan- celli, da Fazenda Santa Rosa, no município de Rio Ver- de, no MT, onde são produzidos grãos, suínos e bovinos. O desabafo, aplaudido, foi uma espécie de salvo conduto para novas manifestações, que tiveram como alvo desde o descaso por vias ferroviárias para transportar a produ- ção até os altos impostos que incidem sobre a atividade agropecuária. “Como é possível o Brasil avançar e ser o celeiro de alimentos que todos esperam, com uma tributa- ção dessas? Os produtores estão enforcados. É muito difí- cil produzir no Brasil”, criticou Vivian Machado, da Agro- pecuária 2 M, em Barra do Ouro, TO, que produz animais meio-sangue WagyuAkaushi (pelagem vermelha). À frente do MAT (Mulheres do Agronegócio Tocanti- nense), Vivian questionou o Código Florestal, que estabe- leceu reserva legal de 80% na Amazônia Legal, 35% no cerrado, 20% em campos gerais, e 20% nos demais bio- mas das outras regiões do Brasil. “Quem está nas áreas de Amazônia Legal deveria, ao menos, ter algum tipo de be- nefício fiscal, juros mais baratos. Como é que consegue so- breviver explorando somente 20% da área?”, questionou. Ao acompanhar este repórter para tirar uma foto para esta reportagem, Vivian foi parada mais de uma vez, deixando a impressão de ter sido porta-voz de insatisfações até ali re- primidas. “Você disse o que estava engasgado na nossa gar- ganta”, ouviu de uma congressista, a quem agredeceu, antes de fazer um convite. “Participe da nossa rede”. “É um site das mulheres pelo Agro. Chama-se Glamour Rural. Temos de divulgar”, disse, virando-se para mim. n Vozes do Agro: Raquel Fancelli, da Fazenda Santa Rosa, e.... a jovem Vivian Machado, da Agropecuária 2M, no TO. “O que nos move é a fé e a vontade de fazer” No segundo e último dia do evento, an- tes do término da plenária da manhã, uma mulher ergueu o braço e pediu a palavra. Lilia Ticiana da Rita Cardoso, vinda de Angola especialmente para o congresso, estava um pouco incomodada com o que ouvia. Formada em Gestão Agrícola, em uma universidade de Lisboa, Portugal, Lilia retornou para Angola 12 anos atrás, então com 22 anos, para “enfrentar o desafio do agronegócio”. Essa tarefa incluía desde a retirada de minas terrestres dos campos agrícolas até lidar com o total desinteresse do governo angolano pela atividade. “Bus- quei consultores fora de Angola. Nem sem- pre consegui investimentos para os agri- cultores, mas fiz os projetos técnicos para ajudá-los. Não posso desanimar, porque tenho amor pelo campo”, disse, convicta. Talvez por vivenciar uma realidade tão dura, como a de agricultores que precisam guar- dar as sementes dos frutos que consomem para formar pomares, Lilia disse, ao micro- fone, que as mulheres no congresso lhe pa- reciam “mimosas” (quis dizer “mimadas”), e que deveriam lutar em vez de reclamar. O tom de seu depoimento não foi agressivo. A plateia, que a aplaudiu, pareceu entender que o discurso partiu de um referencial mui- to diferente do que estamos acostumados por aqui. Ao me conceder uma breve en- trevista, logo após seu pronunciamento, se explicou. “Quis dizer que as mulheres daqui agem muito com base na emoção, não na razão. Se estás a sofrer, mexa-se, faça sua voz ser ouvida. O que nos movimenta é a fé e a vontade de fazer”. Fotos:renatovillela