Aula 9

Fun»~es exponenciais e logar¶
   co                       ³tmicas.
Uma revis~o e o n¶mero e
         a       u

Nesta aula faremos uma pequena revis~o das fun»~es f(x) = ax e g(x) = loga x, sendo
                                    a         co
a uma constante real, a > 0 e a 61. Faremos ainda uma apresenta»~o do n¶mero e,
                                =                                 ca      u
uma constante importante da matem¶tica universit¶ria.
                                   a             a


9.1     Pequena revis~o de pot^ncias
                     a        e
Sabemos que, sendo a um n¶mero real positivo,
                         u
                                       p                    p m
                             a1=n =    n
                                           a e am=n =       n
                                                              a

se m; n 2 Z, e n > 0. Assim de¯ne-se a pot^ncia de base a e expoente p, ap (l^-se a
                                          e                                  e
elevado a p"), para todo p 2 Q.
      Se ® ¶ um n¶mero irracional, existe uma seqÄ^ncia de n¶meros racionais que tende
           e     u                               ue         u
a ® (uma seqÄ^ncia de aproxima»~es de ® por n¶meros racionais), ou seja, existe uma
              ue                co               u
seqÄ^ncia de n¶meros racionais
   ue          u

                               ®1 ; ®2 ; ®3 ; : : : ; ®n ; : : :

tal que lim ®n = ®.
       n!+1
                          p
  p Por exemplo, se ® = 2 ¼ 1;414213562, existe uma seqÄ^ncia de aproxima»~es
                                                             ue                 co
de 2, cujos cinco primeiros termos s~o dados na primeira coluna da tabela abaixo:
                                    a




                                              80
Funcoes exponenciais e logar¶
   »~                                         ~       ¶
                            ³tmicas. Uma revisao e o numero e                                81



                            2
    ®1   = 1;4            (®1   = 1;96)                   j®1 ¡ ®j ¼ 0;014213562 < 0;1
                            2
    ®2   = 1;41           (®2   = 1;9881)                 j®2 ¡ ®j ¼ 0;004213562 < 0;01
                            2
    ®3   = 1;414          (®3   = 1;999396)               j®3 ¡ ®j ¼ 0;000213562 < 0;001
                            2
    ®4   = 1;4142         (®4   = 1;99996164)             j®4 ¡ ®j ¼ 0;000013562 < 0;0001
                            2
    ®5   = 1;41421        (®5   = 1;99998992)             j®5 ¡ ®j ¼ 0;000003562 < 0;00001

                                              p                          p
Uma calculadora nos fornece uma aproxima»~o de 2 com 12 casas decimais: 2 ¼
                                        ca                       p
1;414213562373. A seqÄ^ncia acima, de aproxima»~es sucessivas de p 2, ¶ tal que
      p                ue             p        co                     e
j®n ¡ 2j < 10¡n , e assim lim j®n ¡ 2j = 0, e ent~o lim ®n = 2 (a segunda
                                                  a
                                 n!+1                                    n!+1
                                       2
coluna da tabela acima sugere que lim ®n = 2).
                                          n!+1

      Sendo a 2 R, a > 0, e sendo ® um n¶mero irracional, e ®1 ; ®2 ; ®3 ; : : : uma
                                               u
seqÄ^ncia de racionais com limite ®, a® ¶ de¯nido como o limite da seqÄ^ncia
   ue                                   e                             ue

                                     a®1 ; a®2 ; a®3 ; a®4 ; : : :
               p
                2
Por exemplo, 2      ¶ o limite da seqÄ^ncia
                    e                ue

                                    21 ; 21;4 ; 21;41 ; 21;414 ; : : :

Uma calculadora nos fornece as aproxima»~es:
                                       co

                       21 = 2
                                         p
                     21;4 = 214=10 =
                                          10
                                           214                           ¼ 2; 6390
                                           p
                     21;41 = 2141=100
                                          100
                                        =     2141                       ¼ 2; 6574
                    21;414 = 21414=1000                                  ¼ 2; 6647
                 21;4142 = 214142=10000                                  ¼ 2; 6651

      No que diz respeito a pot^ncias de base real positiva e expoente real, temos as
                                e
seguintes boas propriedades, que aceitaremos sem demonstra»~o:
                                                            ca
Se a 2 R, a > 0, e x; y 2 R

                            ax ¢ ay = ax+y
                             (ax )y = axy
                                       1        ax
                               a¡x = x ; ax¡y = y ; a0 = 1
                                      a         a
                             x    x       x
                            a ¢ b = (ab) ; se tamb¶m b > 0
                                                  e
Funcoes exponenciais e logar¶
   »~                                         ~       ¶
                            ³tmicas. Uma revisao e o numero e                                                      82


9.2     A fun»~o exponencial
             ca

Sendo a um n¶mero real, positivo, a 61, de¯ne-se a fun»~o exponencial de base a
            u                        =                ca
por
                         f (x) = ax ; para todo x 2 R
      Tomamos a 61 pela simples raz~o de que 1x = 1 para todo x 2 R, o que torna
                 =                    a
ax constante no caso em que a = 1 (fun»~es constantes n~o s~o classi¯cadas como
                                        co               a a
fun»~es exponenciais). Al¶m disso, tomamos a > 0 porque, se a < 0, ax n~o se de¯ne
   co                    e                                             a
para uma in¯nidade de valores reaisp x. Por exemplo, se a = ¡4 ent~o, para cada
                                     de                              a
n 2 N, n ¸ 1, a1=2n = (¡4)1=2n = 2n ¡4 n~o se de¯ne como n¶mero real.
                                         a                  u
Assumiremos que, se a > 0 e a = 1, a fun»~o exponencial dada por f(x) = ax, ¶
                              6         ca                                  e
    ³nua em R, isto ¶,
cont¶               e

                                 lim ax = ax0 ;     para todo x0 2 R
                                 x!x0


Assumiremos tamb¶m que se a > 1, a fun»~o f (x) = ax ¶ crescente, com lim ax =
                e                     ca             e
                                                                                                   x!+1
+1, e se 0 < a < 1 a fun»~o ¶ decrescente, com lim ax = 0+ (= 0).
                        ca e
                                                             x!+1
                                                                                             ¡ 1 ¢x
      Na ¯gura 9.1 temos esbo»os dos gr¶¯cos de f(x) = 2x e g(x) =
                             c         a                                                      2
                                                                                                      .

(a)                                           (b)
                       y                                                     y
                   4                                                         4



                   2                                                         2

                   1                                                         1
                       1/2                                         1/2

        -2    -1       0     1      2   x               -2    -1         0           1   2     x

                   Figura 9.1. Gr¶¯cos de (a) y = 2x , (b) y = (1=2)x .
                                 a

      Temos agora as seguintes novidades na ¶lgebra de limites:
                                            a
                                        1      1
Se a > 1, a+1 = +1, a¡1 =                   =     = 0+ (= 0)
                                  a+1         +1
                                                1     1
Se 0 < a < 1, a+1      = 0+ (= 0), a¡1       = +1 = + = +1
                                              a      0
      Por exemplo,
                                                              ¡ 1 ¢x         ¡ 1 ¢+1                      ¡ 1 ¢x
 lim 2x = 2+1 = +1, lim 2x = 2¡1 = 0, lim                      2
                                                                         =       2
                                                                                         = 0, lim          2
                                                                                                                   =
x!+1                         x!¡1                      x!+1                                       x!¡1
Funcoes exponenciais e logar¶
   »~                                         ~       ¶
                            ³tmicas. Uma revisao e o numero e                        83

¡ 1 ¢¡1
 2
          = 2+1 = +1.


9.3       Logaritmos e fun»~es logar¶
                          co        ³tmicas

 Se a > 0, a = 1, e x > 0, o logaritmo de x na base a, denotado por loga x, ¶ o
              6                                                             e
 expoente ao qual devemos elevar a para obtermos x, ou seja

                            loga x = y se e somente se ay = x
      Assim sendo,
                                         aloga x = x

      Por exemplo,
      log2 8 = 3, pois 23 = 8;
                                  p
      log9 27 = 3 , pois 93=2 =
                2
                                   93 = 33 = 27;
             1
      log2   = ¡2, pois 2¡2 = 1=4;
             4
                          ¡ ¢¡4
      log1=2 16 = ¡4, pois 12
                                = 16;
      log2 5 ¼ 2; 3219, pois 22;3219 ¼ 4; 9999.
     log2 5 n~o ¶ um n¶mero racional, pois se log2 5 = m , com m e n inteiros positivos,
             a e       u                               n
ent~o 2m=n = 5. Da¶ 2m = (2m=n )n = 5n , o que ¶ imposs¶ pois 2m ¶ par e 5n ¶
   a                ³,                               e       ³vel         e            e
¶
³mpar.
      Listamos aqui, sem dedu»~o, algumas propriedades elementares dos logaritmos:
                             ca
 Sendo x e y reais positivos, z real, e a > 0; a 61,
                                                 =

             loga (xy) = loga x + loga y
                      x
                loga = loga x ¡ loga y
                      y
               loga xz = z ¢ loga x
                          loga x
             loga x1=z =           (se z 60)
                                         =
                            z
                          logb x
                 loga x =        ; (se b > 0; b 61)
                                                =              (mudan»a de base)
                                                                     c
                          logb a
     Assim, por exemplo, a passagem dos logaritmos decimais (base 10) para os logar-
itmos de base 2 ¶ dada por
                e
                                             log10 x   log x
                                  log2 x =           =
                                             log10 2   log 2

     Sendo a fun»~o f (x) = ax cont¶
                ca                   ³nua e crescente quando a > 0, e decrescente
quando 0 < a < 1, temos que loga x ¶ de¯nida para todo x > 0.
                                   e
Funcoes exponenciais e logar¶
   »~                                         ~       ¶
                            ³tmicas. Uma revisao e o numero e                                84


      Por exemplo, f (x) = 2x ¶ crescente, 22 = 4 e 23 = 8. Pela continuidade de f, a
                               e
imagem do intervalo [2; 3], pela fun»~o f , ¶ o intervalo [4; 8]. Existe ent~o x0 2 [2; 3]
                                    ca      e                               a
         x0
tal que 2 = 5. Assim, log2 5 = x0 . Portanto, realmente existe o n¶mero real log2 5.
                                                                      u
Al¶m disso, se a > 0, loga ¶ crescente, e se 0 < a < 1, loga ¶ decrescente.
  e                        e                                 e
      Na ¯gura 9.2, temos esbo»os dos gr¶¯cos de f(x) = log2 x e g(x) = log1=2 x.
                              c         a
      Admitiremos que f (x) = loga x ¶ cont¶
                                     e     ³nua no seu dom¶ ]0; +1[, ou seja,
                                                          ³nio

                               se x0 > 0 ent~o lim loga x = loga x0
                                            a
                                                x!x0


      Al¶m disso, temos ainda (con¯ra isto observando os gr¶¯cos da ¯gura 9.2).
        e                                                  a
                                                    (
                                            +           ¡1            se a > 0
                         lim loga x = loga (0 ) =
                         x!0+
                                                        +1            se 0 < a < 1
bem como tamb¶m (con¯ra observando os gr¶¯cos da ¯gura 9.2)
             e                          a
                                       (
                                          +1 se a > 0
              lim loga x = loga (+1) =
             x!+1                         ¡1 se 0 < a < 1

(a)                                          (b)
          y                                                 y

      2                                                 2

      1                                                 1
               1/2                                                    1   2          4
       0                                                0
                     1   2         4   x                        1/2                      x
      -1                                                -1

      -2                                                -2


                     Figura 9.2. Gr¶¯cos de (a) y = log2 x, (b) y = log1=2 x.
                                   a



9.4           O n¶mero e
                 u
Na matem¶tica universit¶ria, h¶ duas constantes num¶ricas muito importantes. S~o elas
         a             a      a                    e                          a
o n¶mero pi, ¼ ¼ 3; 14159 , e o n¶mero e, e ¼ 2; 71828 .
   u                              u
Funcoes exponenciais e logar¶
   »~                                         ~       ¶
                            ³tmicas. Uma revisao e o numero e                      85


     O n¶mero e ¶ de¯nido como sendo o limite
        u       e
                                       µ        ¶n
                                              1
                             e = lim 1 +
                                 n!+1
                                  n2N
                                              n

Pode ser demonstrado que o n¶mero e ¶ irracional.
                            u       e
                                                 ¡     ¢
                                                      1 n
     Observe a tabela de valores (aproximados) de 1 + n , para n = 1, 10, 100,
1000, 10000, 100000, dada abaixo.

                                             Tabela 9.1.
                                                1
                                                       ¡          ¢
                                                                1 n
                   n 1=n                 1+     n
                                                           1+   n

                    1 1                  2             21 = 2
                  10 0; 1                1; 1          (1; 1)10 ¼ 2; 59374
                 100 0; 01               1; 01         (1; 01)100 ¼ 2; 70481
                1000 0; 001              1; 001        (1; 001)1000 ¼ 2; 71692
               10000 0; 0001             1; 0001       (1; 0001)10000 ¼ 2; 71815
             100000 0; 00001 1; 00001 (1; 00001)100000 ¼ 2; 71828

                      ¡        1
                                   ¢          1
     Note que lim         1+   n
                                       =1+   +1
                                                    = 1.
               n!+1
                                                                        ¡    ¢
                                                                            1 n
      Assim, podemos enganosamente intuir que, quando n ¶ muito grande, 1 + n ¼
                                                          e
1n = 1 (mesmo calculadoras de boa qualidade podem nos induzir a este erro). Neste
                                                                          ¡     ¢
                                                                               1 n
caso, nossa intui»~o ¶ falha, pois pode ser demonstrado que o n¶mero an = 1 + n
                  ca e                                         u
cresce µ medida em que n cresce, sendo a1 = 2, e 2 < an < 3 para cada n ¸ 2. Na
       a
tabela 9.1, ilustramos o fato de que
                                              µ      ¶n
                                                   1
                    quando n ¶ muito grande, 1 +
                              e                         ¼ 2; 71828
                                                   n

                                 ³mbolo de indetermina»~o: 1§1 .
     Assim sendo, temos um novo s¶                    ca
     Vamos admitir, sem demonstra»~o, que tamb¶m, para x real
                                 ca           e
                                    ¡      ¢
                                         1 x
                               lim 1 + x = e
                                        x!+1


     Neste caso, podemos deduzir:

Proposi»~o 9.1
       ca                                    µ     ¶x
                                                 1
                                         lim 1 +      =e
                                        x!¡1     x
Funcoes exponenciais e logar¶
   »~                                         ~       ¶
                            ³tmicas. Uma revisao e o numero e                   86


Demonstra»~o. De fato, fazendo a mudan»a de vari¶vel
         ca                           c         a

                                         x = ¡(y + 1)

temos y = ¡x ¡ 1, e portanto x ! ¡1 se e somente se y ! +1.
     Assim, sendo
                       µ          ¶x             µ      ¶¡(y+1)
                              1                     1
                 lim       1+          = lim 1 ¡
               x!¡1           x         y!+1      y+1
                                             µ      ¶¡(y+1)
                                                y
                                       = lim
                                        y!+1 y + 1
                                             µ      ¶y+1
                                               y+1
                                       = lim
                                        y!+1    y
                                             µ      ¶y+1
                                                  1
                                       = lim 1 +
                                        y!+1      y
                                             µ      ¶y        µ    ¶
                                                  1              1
                                       = lim 1 +       ¢ lim 1 +
                                        y!+1      y     y!+1     y
                                       =e¢1=e


     Como conseqÄ^ncia, temos tamb¶m
                ue                e

Proposi»~o 9.2
       ca
                                                     1
                                       lim (1 + x) x = e
                                       x!0

Demonstra»~o. Mostraremos que
         ca
                 1                           1
      lim (1 + x) x = e, e lim (1 + x) x = e.
         +                    ¡
     x!0                      x!0

     Pondo ® = 1=x, temos que x ! 0+ se e somente se ® ! +1. Da¶
                                                               ³
                                           µ     ¶®
                                  1            1
                      lim (1 + x) x =  lim 1 +       =e
                     x!0+             ®!+1     ®
Al¶m disso, x ! 0¡ se e somente se ® ! ¡1. Da¶ pela proposi»~o 9.1,
  e                                           ³,           ca
                                            µ      ¶®
                                    1            1
                        lim (1 + x) x = lim 1 +       =e
                       x!0¡            ®!¡1      ®


Se x > 0, chama-se logaritmo natural ou logaritmo neperiano de x ao logaritmo

                                         ln x = loge x
      Como e ¼ 2; 71828 > 1, a fun»~o f(x) = ln x ¶ crescente e seu gr¶¯co tem,
                                     ca                e              a
qualitativamente, a forma do gr¶¯co de g(x) = log2 x, ¯gura 9.2 a.
                               a
Funcoes exponenciais e logar¶
   »~                                         ~       ¶
                            ³tmicas. Uma revisao e o numero e                                      87


      A passagem dos logaritmos naturais para os logaritmos decimais (base 10) ¶ dada
                                                                               e
por
                                                    loge x    ln x
                                     log10 x =             =
                                                   loge 10   ln 10


9.5     Problemas
  1. Calcule os seguintes limites. Lembre-se que 1§1 ¶ um s¶
                                                     e     ³mbolo de indetermina»~o.
                                                                                ca
               ¡      ¢
                     2 x
     (a) lim 1 + x
         x!+1
                                                                                    2          1
      Sugest~o. Para contornar a indetermina»~o 1+1 , fa»a 1 +
            a                               ca          c                           x
                                                                                        =1+    y
               ¡ x ¢x
      (b) lim 1+x
         x!+1
                                                                               x           1
      Sugest~o. Para contornar a indetermina»~o 1+1 , fa»a
            a                                 ca        c                     1+x
                                                                                    = 1+   y
               ¡ 2x+3 ¢x+1            ¡ 3x+1 ¢x
      (c) lim 2x+1            (d) lim 2x+3
         x!¡1                    x!+1
               ¡ 3x+1 ¢x            ¡      ¢
                                         1 2x
      (e) lim 2x+3         (f) lim 1 ¡ 3x
         x!¡1                       x!¡1
                                                                  p
      Respostas. (a) e2
                                                                  3
                                 (b) 1=e (c) e (d) +1 (e) 0 (f) 1= e2
                                          ah ¡1
  2. Mostre que, sendo a > 0, lim                   = ln a.
                                       h!0 h
      Sugest~o: Trate o caso a = 1 em separado. Para a 61, fa»a a mudan»a de
             a                                          =    c         c
      vari¶vel ah ¡ 1 = z, e ent~o h = ln(z + 1)= ln a.
          a                     a

  3. Usando o resultado do problema anterior, calcule
                 ¡        ¢
     (a) lim n ¢ a1=n ¡ 1      (sendo a > 0, a 61)
                                               =
         n!+1
             eax ¡1
      (b) lim  x
         x!0
                        eax ¡1                eax ¡1                 eax ¡1
      Sugest~o. lim
            a             x
                                 = lim (a ¢     ax
                                                     )   = a ¢ lim     ax
                x!0                 x!0                        x!0
             eax ¡ebx
      (c) lim    x
         x!0
                        eax ¡ebx           (eax ¡1)¡(ebx ¡1)
      Sugest~o. lim
            a               x
                                   = lim           x
                x!0                  x!0
             eax ¡1
      (d) lim bx
         x!0 e ¡1

      Respostas. (a) ln a          (b) a      (c) a ¡ b (d) a=b
                         1
  4. Sendo f (x) = 2 x , calcule os limites laterais lim f(x) e lim f (x).
                                                        +          ¡
                                                                x!0            x!0
      Resposta. +1 e 0, respectivamente.
                             1
  5. Sendo g(x) =          1 , calcule os limites laterais lim g(x) e lim g(x).
                    1 + 2 x¡a                              x!a+       x!a¡
      Resposta. 0 e 1, respectivamente.

Calculo1 aula09

  • 1.
    Aula 9 Fun»~es exponenciaise logar¶ co ³tmicas. Uma revis~o e o n¶mero e a u Nesta aula faremos uma pequena revis~o das fun»~es f(x) = ax e g(x) = loga x, sendo a co a uma constante real, a > 0 e a 61. Faremos ainda uma apresenta»~o do n¶mero e, = ca u uma constante importante da matem¶tica universit¶ria. a a 9.1 Pequena revis~o de pot^ncias a e Sabemos que, sendo a um n¶mero real positivo, u p p m a1=n = n a e am=n = n a se m; n 2 Z, e n > 0. Assim de¯ne-se a pot^ncia de base a e expoente p, ap (l^-se a e e elevado a p"), para todo p 2 Q. Se ® ¶ um n¶mero irracional, existe uma seqÄ^ncia de n¶meros racionais que tende e u ue u a ® (uma seqÄ^ncia de aproxima»~es de ® por n¶meros racionais), ou seja, existe uma ue co u seqÄ^ncia de n¶meros racionais ue u ®1 ; ®2 ; ®3 ; : : : ; ®n ; : : : tal que lim ®n = ®. n!+1 p p Por exemplo, se ® = 2 ¼ 1;414213562, existe uma seqÄ^ncia de aproxima»~es ue co de 2, cujos cinco primeiros termos s~o dados na primeira coluna da tabela abaixo: a 80
  • 2.
    Funcoes exponenciais elogar¶ »~ ~ ¶ ³tmicas. Uma revisao e o numero e 81 2 ®1 = 1;4 (®1 = 1;96) j®1 ¡ ®j ¼ 0;014213562 < 0;1 2 ®2 = 1;41 (®2 = 1;9881) j®2 ¡ ®j ¼ 0;004213562 < 0;01 2 ®3 = 1;414 (®3 = 1;999396) j®3 ¡ ®j ¼ 0;000213562 < 0;001 2 ®4 = 1;4142 (®4 = 1;99996164) j®4 ¡ ®j ¼ 0;000013562 < 0;0001 2 ®5 = 1;41421 (®5 = 1;99998992) j®5 ¡ ®j ¼ 0;000003562 < 0;00001 p p Uma calculadora nos fornece uma aproxima»~o de 2 com 12 casas decimais: 2 ¼ ca p 1;414213562373. A seqÄ^ncia acima, de aproxima»~es sucessivas de p 2, ¶ tal que p ue p co e j®n ¡ 2j < 10¡n , e assim lim j®n ¡ 2j = 0, e ent~o lim ®n = 2 (a segunda a n!+1 n!+1 2 coluna da tabela acima sugere que lim ®n = 2). n!+1 Sendo a 2 R, a > 0, e sendo ® um n¶mero irracional, e ®1 ; ®2 ; ®3 ; : : : uma u seqÄ^ncia de racionais com limite ®, a® ¶ de¯nido como o limite da seqÄ^ncia ue e ue a®1 ; a®2 ; a®3 ; a®4 ; : : : p 2 Por exemplo, 2 ¶ o limite da seqÄ^ncia e ue 21 ; 21;4 ; 21;41 ; 21;414 ; : : : Uma calculadora nos fornece as aproxima»~es: co 21 = 2 p 21;4 = 214=10 = 10 214 ¼ 2; 6390 p 21;41 = 2141=100 100 = 2141 ¼ 2; 6574 21;414 = 21414=1000 ¼ 2; 6647 21;4142 = 214142=10000 ¼ 2; 6651 No que diz respeito a pot^ncias de base real positiva e expoente real, temos as e seguintes boas propriedades, que aceitaremos sem demonstra»~o: ca Se a 2 R, a > 0, e x; y 2 R ax ¢ ay = ax+y (ax )y = axy 1 ax a¡x = x ; ax¡y = y ; a0 = 1 a a x x x a ¢ b = (ab) ; se tamb¶m b > 0 e
  • 3.
    Funcoes exponenciais elogar¶ »~ ~ ¶ ³tmicas. Uma revisao e o numero e 82 9.2 A fun»~o exponencial ca Sendo a um n¶mero real, positivo, a 61, de¯ne-se a fun»~o exponencial de base a u = ca por f (x) = ax ; para todo x 2 R Tomamos a 61 pela simples raz~o de que 1x = 1 para todo x 2 R, o que torna = a ax constante no caso em que a = 1 (fun»~es constantes n~o s~o classi¯cadas como co a a fun»~es exponenciais). Al¶m disso, tomamos a > 0 porque, se a < 0, ax n~o se de¯ne co e a para uma in¯nidade de valores reaisp x. Por exemplo, se a = ¡4 ent~o, para cada de a n 2 N, n ¸ 1, a1=2n = (¡4)1=2n = 2n ¡4 n~o se de¯ne como n¶mero real. a u Assumiremos que, se a > 0 e a = 1, a fun»~o exponencial dada por f(x) = ax, ¶ 6 ca e ³nua em R, isto ¶, cont¶ e lim ax = ax0 ; para todo x0 2 R x!x0 Assumiremos tamb¶m que se a > 1, a fun»~o f (x) = ax ¶ crescente, com lim ax = e ca e x!+1 +1, e se 0 < a < 1 a fun»~o ¶ decrescente, com lim ax = 0+ (= 0). ca e x!+1 ¡ 1 ¢x Na ¯gura 9.1 temos esbo»os dos gr¶¯cos de f(x) = 2x e g(x) = c a 2 . (a) (b) y y 4 4 2 2 1 1 1/2 1/2 -2 -1 0 1 2 x -2 -1 0 1 2 x Figura 9.1. Gr¶¯cos de (a) y = 2x , (b) y = (1=2)x . a Temos agora as seguintes novidades na ¶lgebra de limites: a 1 1 Se a > 1, a+1 = +1, a¡1 = = = 0+ (= 0) a+1 +1 1 1 Se 0 < a < 1, a+1 = 0+ (= 0), a¡1 = +1 = + = +1 a 0 Por exemplo, ¡ 1 ¢x ¡ 1 ¢+1 ¡ 1 ¢x lim 2x = 2+1 = +1, lim 2x = 2¡1 = 0, lim 2 = 2 = 0, lim 2 = x!+1 x!¡1 x!+1 x!¡1
  • 4.
    Funcoes exponenciais elogar¶ »~ ~ ¶ ³tmicas. Uma revisao e o numero e 83 ¡ 1 ¢¡1 2 = 2+1 = +1. 9.3 Logaritmos e fun»~es logar¶ co ³tmicas Se a > 0, a = 1, e x > 0, o logaritmo de x na base a, denotado por loga x, ¶ o 6 e expoente ao qual devemos elevar a para obtermos x, ou seja loga x = y se e somente se ay = x Assim sendo, aloga x = x Por exemplo, log2 8 = 3, pois 23 = 8; p log9 27 = 3 , pois 93=2 = 2 93 = 33 = 27; 1 log2 = ¡2, pois 2¡2 = 1=4; 4 ¡ ¢¡4 log1=2 16 = ¡4, pois 12 = 16; log2 5 ¼ 2; 3219, pois 22;3219 ¼ 4; 9999. log2 5 n~o ¶ um n¶mero racional, pois se log2 5 = m , com m e n inteiros positivos, a e u n ent~o 2m=n = 5. Da¶ 2m = (2m=n )n = 5n , o que ¶ imposs¶ pois 2m ¶ par e 5n ¶ a ³, e ³vel e e ¶ ³mpar. Listamos aqui, sem dedu»~o, algumas propriedades elementares dos logaritmos: ca Sendo x e y reais positivos, z real, e a > 0; a 61, = loga (xy) = loga x + loga y x loga = loga x ¡ loga y y loga xz = z ¢ loga x loga x loga x1=z = (se z 60) = z logb x loga x = ; (se b > 0; b 61) = (mudan»a de base) c logb a Assim, por exemplo, a passagem dos logaritmos decimais (base 10) para os logar- itmos de base 2 ¶ dada por e log10 x log x log2 x = = log10 2 log 2 Sendo a fun»~o f (x) = ax cont¶ ca ³nua e crescente quando a > 0, e decrescente quando 0 < a < 1, temos que loga x ¶ de¯nida para todo x > 0. e
  • 5.
    Funcoes exponenciais elogar¶ »~ ~ ¶ ³tmicas. Uma revisao e o numero e 84 Por exemplo, f (x) = 2x ¶ crescente, 22 = 4 e 23 = 8. Pela continuidade de f, a e imagem do intervalo [2; 3], pela fun»~o f , ¶ o intervalo [4; 8]. Existe ent~o x0 2 [2; 3] ca e a x0 tal que 2 = 5. Assim, log2 5 = x0 . Portanto, realmente existe o n¶mero real log2 5. u Al¶m disso, se a > 0, loga ¶ crescente, e se 0 < a < 1, loga ¶ decrescente. e e e Na ¯gura 9.2, temos esbo»os dos gr¶¯cos de f(x) = log2 x e g(x) = log1=2 x. c a Admitiremos que f (x) = loga x ¶ cont¶ e ³nua no seu dom¶ ]0; +1[, ou seja, ³nio se x0 > 0 ent~o lim loga x = loga x0 a x!x0 Al¶m disso, temos ainda (con¯ra isto observando os gr¶¯cos da ¯gura 9.2). e a ( + ¡1 se a > 0 lim loga x = loga (0 ) = x!0+ +1 se 0 < a < 1 bem como tamb¶m (con¯ra observando os gr¶¯cos da ¯gura 9.2) e a ( +1 se a > 0 lim loga x = loga (+1) = x!+1 ¡1 se 0 < a < 1 (a) (b) y y 2 2 1 1 1/2 1 2 4 0 0 1 2 4 x 1/2 x -1 -1 -2 -2 Figura 9.2. Gr¶¯cos de (a) y = log2 x, (b) y = log1=2 x. a 9.4 O n¶mero e u Na matem¶tica universit¶ria, h¶ duas constantes num¶ricas muito importantes. S~o elas a a a e a o n¶mero pi, ¼ ¼ 3; 14159 , e o n¶mero e, e ¼ 2; 71828 . u u
  • 6.
    Funcoes exponenciais elogar¶ »~ ~ ¶ ³tmicas. Uma revisao e o numero e 85 O n¶mero e ¶ de¯nido como sendo o limite u e µ ¶n 1 e = lim 1 + n!+1 n2N n Pode ser demonstrado que o n¶mero e ¶ irracional. u e ¡ ¢ 1 n Observe a tabela de valores (aproximados) de 1 + n , para n = 1, 10, 100, 1000, 10000, 100000, dada abaixo. Tabela 9.1. 1 ¡ ¢ 1 n n 1=n 1+ n 1+ n 1 1 2 21 = 2 10 0; 1 1; 1 (1; 1)10 ¼ 2; 59374 100 0; 01 1; 01 (1; 01)100 ¼ 2; 70481 1000 0; 001 1; 001 (1; 001)1000 ¼ 2; 71692 10000 0; 0001 1; 0001 (1; 0001)10000 ¼ 2; 71815 100000 0; 00001 1; 00001 (1; 00001)100000 ¼ 2; 71828 ¡ 1 ¢ 1 Note que lim 1+ n =1+ +1 = 1. n!+1 ¡ ¢ 1 n Assim, podemos enganosamente intuir que, quando n ¶ muito grande, 1 + n ¼ e 1n = 1 (mesmo calculadoras de boa qualidade podem nos induzir a este erro). Neste ¡ ¢ 1 n caso, nossa intui»~o ¶ falha, pois pode ser demonstrado que o n¶mero an = 1 + n ca e u cresce µ medida em que n cresce, sendo a1 = 2, e 2 < an < 3 para cada n ¸ 2. Na a tabela 9.1, ilustramos o fato de que µ ¶n 1 quando n ¶ muito grande, 1 + e ¼ 2; 71828 n ³mbolo de indetermina»~o: 1§1 . Assim sendo, temos um novo s¶ ca Vamos admitir, sem demonstra»~o, que tamb¶m, para x real ca e ¡ ¢ 1 x lim 1 + x = e x!+1 Neste caso, podemos deduzir: Proposi»~o 9.1 ca µ ¶x 1 lim 1 + =e x!¡1 x
  • 7.
    Funcoes exponenciais elogar¶ »~ ~ ¶ ³tmicas. Uma revisao e o numero e 86 Demonstra»~o. De fato, fazendo a mudan»a de vari¶vel ca c a x = ¡(y + 1) temos y = ¡x ¡ 1, e portanto x ! ¡1 se e somente se y ! +1. Assim, sendo µ ¶x µ ¶¡(y+1) 1 1 lim 1+ = lim 1 ¡ x!¡1 x y!+1 y+1 µ ¶¡(y+1) y = lim y!+1 y + 1 µ ¶y+1 y+1 = lim y!+1 y µ ¶y+1 1 = lim 1 + y!+1 y µ ¶y µ ¶ 1 1 = lim 1 + ¢ lim 1 + y!+1 y y!+1 y =e¢1=e Como conseqÄ^ncia, temos tamb¶m ue e Proposi»~o 9.2 ca 1 lim (1 + x) x = e x!0 Demonstra»~o. Mostraremos que ca 1 1 lim (1 + x) x = e, e lim (1 + x) x = e. + ¡ x!0 x!0 Pondo ® = 1=x, temos que x ! 0+ se e somente se ® ! +1. Da¶ ³ µ ¶® 1 1 lim (1 + x) x = lim 1 + =e x!0+ ®!+1 ® Al¶m disso, x ! 0¡ se e somente se ® ! ¡1. Da¶ pela proposi»~o 9.1, e ³, ca µ ¶® 1 1 lim (1 + x) x = lim 1 + =e x!0¡ ®!¡1 ® Se x > 0, chama-se logaritmo natural ou logaritmo neperiano de x ao logaritmo ln x = loge x Como e ¼ 2; 71828 > 1, a fun»~o f(x) = ln x ¶ crescente e seu gr¶¯co tem, ca e a qualitativamente, a forma do gr¶¯co de g(x) = log2 x, ¯gura 9.2 a. a
  • 8.
    Funcoes exponenciais elogar¶ »~ ~ ¶ ³tmicas. Uma revisao e o numero e 87 A passagem dos logaritmos naturais para os logaritmos decimais (base 10) ¶ dada e por loge x ln x log10 x = = loge 10 ln 10 9.5 Problemas 1. Calcule os seguintes limites. Lembre-se que 1§1 ¶ um s¶ e ³mbolo de indetermina»~o. ca ¡ ¢ 2 x (a) lim 1 + x x!+1 2 1 Sugest~o. Para contornar a indetermina»~o 1+1 , fa»a 1 + a ca c x =1+ y ¡ x ¢x (b) lim 1+x x!+1 x 1 Sugest~o. Para contornar a indetermina»~o 1+1 , fa»a a ca c 1+x = 1+ y ¡ 2x+3 ¢x+1 ¡ 3x+1 ¢x (c) lim 2x+1 (d) lim 2x+3 x!¡1 x!+1 ¡ 3x+1 ¢x ¡ ¢ 1 2x (e) lim 2x+3 (f) lim 1 ¡ 3x x!¡1 x!¡1 p Respostas. (a) e2 3 (b) 1=e (c) e (d) +1 (e) 0 (f) 1= e2 ah ¡1 2. Mostre que, sendo a > 0, lim = ln a. h!0 h Sugest~o: Trate o caso a = 1 em separado. Para a 61, fa»a a mudan»a de a = c c vari¶vel ah ¡ 1 = z, e ent~o h = ln(z + 1)= ln a. a a 3. Usando o resultado do problema anterior, calcule ¡ ¢ (a) lim n ¢ a1=n ¡ 1 (sendo a > 0, a 61) = n!+1 eax ¡1 (b) lim x x!0 eax ¡1 eax ¡1 eax ¡1 Sugest~o. lim a x = lim (a ¢ ax ) = a ¢ lim ax x!0 x!0 x!0 eax ¡ebx (c) lim x x!0 eax ¡ebx (eax ¡1)¡(ebx ¡1) Sugest~o. lim a x = lim x x!0 x!0 eax ¡1 (d) lim bx x!0 e ¡1 Respostas. (a) ln a (b) a (c) a ¡ b (d) a=b 1 4. Sendo f (x) = 2 x , calcule os limites laterais lim f(x) e lim f (x). + ¡ x!0 x!0 Resposta. +1 e 0, respectivamente. 1 5. Sendo g(x) = 1 , calcule os limites laterais lim g(x) e lim g(x). 1 + 2 x¡a x!a+ x!a¡ Resposta. 0 e 1, respectivamente.