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Bases Epistemológicas da Psicologia
Prof. Carlos Antonio
Behaviorismo: (Behaviorism em inglês, de behaviour (RU) ou
behavior (EUA): comportamento, conduta), também designado de
comportamentalismo, ou às vezes comportamentismo, é o conjunto
das teorias psicológicas (dentre elas a Análise do Comportamento, a
Psicologia Objetiva) que postulam o comportamento como o mais
adequado objeto de estudo da Psicologia. Comportamento geralmente
é definido por meio das unidades analíticas respostas e estímulos.
Historicamente, a observação e descrição do comportamento fez
oposição ao uso do método de introspecção.
As raízes do behaviorismo podem ser encontradas no conceito
filosófico de ASSOCIACIONISMO.
Essa teoria, em sua forma mais simples, se propõe a estudar as
ligações que unem as ideias entre si e, a partir daí, a estabelecer
as regras que permitem descrever e explicar o comportamento.
O associacionismo nunca chegou a ser uma escola filosófica
propriamente dita, mas uma simples corrente de pensamento.
Ele se desenvolveu a partir do empirismo inglês (Locke,
Berkeley e Hume), mas seus fundamentos estão na verdade em
Aristóteles.
Alguns grandes nomes da psicologia recorreram ao
associacionismo para explicar o vasto e importante tema que é
o aprendizado.
O aprendizado ocorre quando, sob o efeito de uma experiência,
o organismo “modifica sua conduta” de modo durável.
Essa “modificação durável” exclui as mudanças temporárias
decorrentes de doençãs, do cansaço, da embriaguez, etc.
Por experiência, entendem-se as alterações que não podemos
atribuir à hereditariedade, ao crescimento, à invalidez, etc.
Como precedentes do Comportamentismo podem ser
considerados os fisiólogos russos Vladimir Mikhailovich
Bechterev (1857-1927) e Ivan Petrovich Pavlov(1849-
1936).
Bechterev, grande estudioso de neurologia e
psicofisiologia, foi o primeiro a propor uma Psicologia
cuja pesquisa se baseasse no comportamento, em sua
Psicologia Objetiva.
Ivan Petrovich Pavlov(1849-1936), fisiologista russo,
fundador em 1890 do Instituto de Medicina
Experimental, é o autor de estudos sobre a digestão,
que ele publicou em 1897, em seu Trabalho sobre as
glândulas digestivas.
Pavlov, por sua vez, foi o primeiro a propor o modelo de
condicionamento do comportamento conhecido como
condicionamento reflexo, e tornou-se conceituado com suas
experiências de condicionamento com cães. Sua obra inspirou a
publicação, em 1913, do artigo “Psychology as the Behaviorist
views it”, “Psicologia: como os behavioristas a vêem” de John
B. Watson.
Este artigo apresenta uma contraposição à tendência até então
mentalista (isto é, internalista, focada nos processos psicologicos
internos, como memória ou emoção) da Psicologia do início do
século XX, além de ser o primeiro texto a usar o termo
Behaviorismo. Também é o primeiro artigo da vertente
denominada Behaviorismo Clássico.
III) os estímulos neutros passam a ser estímulos
condicionados.
I) a espécie animal responde aos estímulos do ambiente de
forma incondicionada;
II) é possível condicionar a resposta a partir de estímulos
neutros, modificando o comportamento incondicionado;
Ivan Pavlov formulou sua teoria do reflexo no
início do século XX. Sua hipótese
fundamental tem três aspectos indissociáveis:
Ivan PAVLOV e o estudo das leis do reflexo:
salivação em cães.
1ª abordagem científica no estudo da
aprendizagem.
O experimento de Pavlov consistiu em condicionar
um cão que é atrelado dentro de uma caixa opaca que não
deixa passar nem sons nem odores. Ou seja, ele não
consegue nem ouvir, nem ver, nem sentir o cheiro do
experimentador. Cada vez que se dá comida a ele, produz-se
um som no interior da caixa e mede-se a secreção da saliva
produzida. Depois de vários testes combinando os dois
estímulos (som e alimento), aciona-se o som sem dar
comida a ele e constata-se a salivação do animal.
A simples idéia do alimento já provocava no cão uma
reação orgânica que era visível através da salivação,
fortalecendo assim, a idéia de que era possível condicionar
o comportamento animal e posteriormente o humano.
SOM- estímulo neutro (EN), que em seguida se transforma em estímulo
condicional (EC)
Alimento estímulo incondicional (EI) Medição da Salivação- a resposta
incondicional (RI) ao estímulo do
alimento se transforma em resposta
condicionada (RC) ao estímulo do
som.
ANTES DURANTE DEPOIS
SOM SEM RESPOSTA
(EN)
ALIMENTO SALIVAÇÃO
(EI) (RI)
SOM
(EN)
ALIMENTO SALIVAÇÃO
(EI) (RI)
SOM
(EC)
SALIVAÇÃO
(RC)
Foi assim que Pavlov condicionou o cão a salivar cada vez que ele
ouvia o som.
Behaviorismo
Behaviorismo
Talvez haja quem considere as primeiras experiências de Pavlov
grosseiras e inúteis, mas elas são importantíssimas por dois
motivos:
1) O condicionamento clássico explica praticamente todo
aprendizado que implica um jogo de reflexos – o ritmo
cardíaco, a transpiração, a tensão muscular, etc.
2) Se os reflexos citados acima são sinais de excitação – quer o
motivo seja a ansiedade, quer sejam as pulsões sexuais -, eles
podem, no entanto, explicar também os comportamentos
pouco habituais e indesejáveis, como as fobias e as
perversões sexuais.
Em consequência, o condicionamento clássico constitui a base
da terapia comportamental.
MAS AFINAL QUAL A FINALIDADE DE CONSEGUIR FAZER UM CACHORRO SALIVAR?
O condicionamento clássico possibilita que expliquemos
os comportamentos sexuais não habituais. Exemplo:
uma pessoa que gosta de usar botas de borracha.
Como é que isso pode se transformar em fetichismo?
ANTES DURANTE DEPOIS
BOTAS Sem
resposta
Estímulo resposta
sexual sexual
BOTAS
Estímulo resposta
sexual sexual
BOTAS
resposta
sexual
Mais ou menos na mesma época dos trabalhos
de Pavlov na ex-URSS, Edward Thorndike (1874-1949) fez nos
Estados Unidos pesquisas similares sobre o que ele chamou de
conexionismo, ele também derivado do associacionismo.
Thorndike enunciou duas “leis” de aprendizado:
1) Lei do exercício: a repetição reforça o aprendizado (ou “a prática
leva à perfeição”).O fato de repetir como papagaio um poema,
uma peça de teatro ou uma tabuada nos ajuda a aprender o
conteúdo de cor.
2) Lei do efeito: uma recompensa tem o efeito de reforçar o
aprendizado (ou “se tivermos prazer, repetiremos a experiência”).
Thorndike descobriu que a recompensa (lei2) era mais eficaz do
que a simples repetição (lei1).
EDWARD LEE THORNDIKE (1874/1949) foi o
pioneiro das tentativas para compreender a aprendizagem
dos animais através da realização de experimentos. Para
ele, aprender consistia em estabelecer uma conexão entre
uma resposta e a produção de situação agradável e que a
repetição de um ato que causava um resultado agradável,
aumentava a probabilidade de ocorrência deste ato – era a
Lei do Efeito.
Behaviorismo Clássico (também conhecido como Behaviorismo
Watsoniano, menos comumente Psicologia S-R e Psicologia da
Contração Muscular) apresenta a Psicologia como um ramo
puramente objetivo e experimental das ciências naturais. A
finalidade da Psicologia seria, então, prever e controlar o
comportamento de todo e qualquer indivíduo.
A proposta de Watson era abandonar, ao menos provisoriamente, o
estudo dos processos mentais, como pensamento ou sentimentos,
mudando o foco da Psicologia, até então mentalista, para o
comportamento observável. Para Watson, a pesquisa dos processos
mentais era pouco produtiva, de modo que seria conveniente
concentrar-se no que é observável, o comportamento. No caso,
comportamento seria qualquer mudança observada, em um
organismo, que fossem consequência de algum estímulo ambiental
anterior, especialmente alterações nos sistemas glandular e motor.
Por esta ênfase no movimento muscular, alguns autores referem-se
ao Behaviorismo Clássico como Psicologia da Contração Muscular.
O Behaviorismo Clássico partia do princípio de que o
comportamento era modelado pelo paradigma pavloviano de
estímulo e resposta conhecido como condicionamento clássico.
Em outras palavras, para o Behaviorista Clássico, um
comportamento é sempre uma resposta a um estímulo específico.
Esta proposta viria a ser superada por comportamentalistas
posteriores, porém. Ocorre de se referirem ao Comportamentismo
Clássico como Psicologia S-R (sendo S-R a sigla de Stimulus-
Response (estímulo-resposta), em inglês).
É importante notar, porém, que Watson em momento algum nega a
existência de processos mentais. Para Watson, o problema no uso
destes conceitos não é tanto o conceito em si, mas a inviabilidade
de, à época, poder analisar os processos mentais de maneira
objetiva.
De fato, Watson não propôs que os processos mentais não existam,
mas sim que seu estudo fosse abandonado, mesmo que
provisoriamente, em favor do estudo do comportamento
observável. Uma vez que, para Watson, os processos mentais
devem ser ignorados por uma questão de método (e não porque
não existissem), o Comportamentismo Clássico também ficou
conhecido pela alcunha de Behaviorismo Metodológico.
Watson era um defensor da importância do meio na construção e
desenvolvimento do indivíduo. Ele acreditava que todo
comportamento era consequência da influência do meio, a ponto
de afirmar que, dado algumas crianças recém-nascidas arbitrárias
e um ambiente totalmente controlado, seria possível determinar
qual a profissão e o caráter de cada uma delas.
Embora não tenha executado algum experimento do tipo, por razões
óbvias, Watson executou o clássico e controvertido experimento
do Pequeno Albert, demonstrando o condicionamento dos
sentimentos humanos através do condicionamento responsivo.
Behaviorismo
Pressupostos:
Comportamento é multideterminado
Comportamento é aprendido
Análise do comportamento e não de suas
causas subjacentes
Fases:
Behaviorismo Metodológico
Behaviorismo Radical
John Broadus Watson (1878-1958)
1913: funda o behaviorismo.
Manifesto: “A Psicologia como o behaviorista a vê”
Negava a existência da mente como causa de
comportamentos
Hereditariedade e Ambientalismo → Interacionismo.
Watson foi o primeiro representante do ambientalismo, lançou o
behaviorismo e transformou o estudo da aprendizagem em um
processo pelo qual a conduta de um organismo muda como
resultado da experiência.
Watson sofreu influência da filosofia empírica de John Locke e
da psicologia fisiológica de Ivan Pavlov, de quem aceitou o
condicionamento clássico para explicar a aprendizagem,
admitindo que nascemos com certas conexões de estímulo-
resposta chamados reflexos.
O Behaviorismo derivou-se de dois grandes
movimentos:
1- A crítica ao racionalismo cartesiano – teoria que atribui à
Razão humana a capacidade exclusiva de conhecer e de
estabelecer a Verdade. Opõe-se ao empirismo, colocando a
Razão independente da experiência sensível, ou seja, rejeita toda
intervenção de sentimentos, somente a Razão é válida.
2- O surgimento da teoria positivista da ciência - do
filósofo francês Augusto Comte (1789-1857).
A teoria behaviorista também é chamada de
comportamentalismo ou condutismo. A postulação de
Watson decorreu em função dos estudos experimentais
sobre o comportamento reflexo efetuados por Ivan Pavlov e
dava à psicologia a consistência que os psicólogos da época
vinham buscando, ou seja, a Psicologia tinha um objeto
mensurável e observável para estudar e os experimentos
poderiam ser reproduzidos em diferentes sujeitos e
condições. Tais possibilidades foram importantes para que a
Psicologia alcançasse o status de ciência.
“Dê-me uma dúzia de bebês saudáveis e bem-formados e um
mundo especificado por mim para criá-los, que garanto escolher
qualquer um ao acaso e treiná-lo para tornar-se qualquer tipo de
especialista que eu escolher – médico, advogado, artista,
comerciante e, sim, até mesmo mendigo e ladrão,
independentemente de seus talentos, inclinações, tendências,
habilidades, vocações e da raça de seus ancestrais”.
John B. Watson
Reflexo = preparação mínima que os organismos têm
para começar a interagir com seu ambiente para ter
chances de sobreviver.
É uma relação entre estímulo resposta
S – R
ESTÍMULO: parte ou mudança em parte do
ambiente.
RESPOSTA: parte ou mudança em parte no
organismo.
Ex: sucção no recém-nascido, reflexo de preensão, reflexo
patelar
Uma mudança no ambiente (estímulo – S) produz
determinada mudança no organismo (resposta – R).
O estímulo elicia a resposta
Behaviorismo
Capacidade de aprender novos reflexos
Reagir de formas diferentes a novos estímulos
Ex: alguns animais já “nascem sabendo” que não podem comer
uma fruta de cor amarela, a qual é venenosa (História
Filogenética). A toxina, inatamente, produz vômitos e náusea. Ao
comer a fruta amarela, o animal terá essas respostas eliciadas
por esse estímulo (toxina). Após tal evento, o animal poderá
passar a sentir náuseas ao ver a fruta anarela e não mais a
comerá, diminuindo as chances de morrer envenenado.
A resposta de náusea diante do estímulo fruta amarela é um
reflexo aprendido.
Um reflexo é condicionado a partir de outro
existente.
Componentes do condicionamento:
SI - Estímulo incondicionado (comida)
RI - Resposta incondicionada - involuntária
(salivação)
SC - Estímulo condicionado - antes era
neutro SN (som)
RC - Resposta condicionada - aprendida
(salivação na presença do som – relação S-
R)
Behaviorismo
Behaviorismo
a) ao dirigir quando está chovendo, sofre um acidente -
medo de dirigir quando estiver chovendo.
b) ter passado por situação de constrangimento em
público - medo de falar em público.
c) passou por dor quando a enfermeira não achou a
veia no momento de aplicar a injeção – medo de
injeção.
d) ter caído de algum lugar relativamente alto (mesa,
cadeira, etc) – perspectiva/visão da altura - medo de
altura.
e) situações prazerosas/pessoas/objetos em uma
propaganda (SI) emparelhadas com o produto que se
quer vender (SN)
Behaviorismo
Burrhus Frederic Skinner (1904-1990)
Nenhum pensador ou cientista do século
XX levou tão longe a crença na
possibilidade de controlar e moldar o
comportamento humano como o norte-
americano Burrhus Frederic Skinner.
Na década de 40, Skinner sistematiza o Behaviorismo
Radical, como proposta para o entendimento sobre o
comportamento do homem. O autor foi completamente
contra as causas internas mentais para compreender ou
explicar o comportamento humano.
Behaviorismo Radical
Skinner opõe-se a Watson, que só não desdobrava
suas pesquisas aos fenômenos mentais pelas limitações
metodológicas e não por serem irreais. Skinner defendia,
que o homem era um ser homogêneo, não acreditando na
constituição humana como junção do corpo e mente.
A aprendizagem para Skinner é fruto de
condicionamento operante, ou seja, um comportamento é
premiado, reforçado, até que ele seja condicionado de tal
forma que ao se retirar o reforço o comportamento continue
a acontecer.
A teoria de Skinner apóia-se na idéia de que o
aprendizado tem a função de mudança no comportamento
manifesto. O condicionamento operante é baseado na lei do
efeito de Thorndike, segundo a qual o comportamento que
produz bons efeitos tende a se tornar mais freqüente,
enquanto que o comportamento que produz maus efeitos
tende a se tornar menos freqüente.
O condicionamento operante é um mecanismo de
aprendizagem de novo comportamento - um processo que
Skinner chamou de modelagem. O instrumento
fundamental de modelagem é o reforço.
Um reforço é qualquer coisa que fortaleça a resposta
desejada. Pode ser um elogio, uma boa nota, ou um
sentimento de realização ou satisfação crescente. A teoria
também cobre reforços negativos - uma ação que evita uma
conseqüência indesejada.
Behaviorismo
Behaviorismo
O condicionamento operante difere do condicionamento
respondente de Pavlov e Watson porque, no comportamento
operante, o comportamento é condicionado não por associação
reflexa entre estímulo e resposta, mas sim pela probabilidade de
um estímulo se seguir à resposta condicionada. Quando um
comportamento é seguido da apresentação de um reforço positivo
ou negativo, aquela resposta tem maior probabilidade de se repetir
com a mesma função; do mesmo modo, quando o comportamento
é seguido por uma punição (positiva ou negativa), a resposta tem
menor probabilidade de ocorrer posteriormente.
O Behaviorismo Radical se propõe a explicar o comportamento
animal através do modelo de seleção por consequências. Desse
modo, o Behaviorismo Radical propõe um modelo de
condicionamento não-linear e probabilístico, em oposição ao
modelo linear e reflexo das teorias precedentes do
Comportamentalismo.
Behaviorismo
Para Skinner, a maior parte dos comportamentos humanos são
condicionados dessa maneira operante.
Para Skinner, os comportamentos são selecionados através de três
níveis de seleção. Os componentes da mesma são:
1 - Nível Filogenético: que corresponde aos aspectos biológicos da
espécie e da hereditariedade do indivíduo;
2 - Nível Ontogenético: que corresponde a toda a história de vida do
indivíduo;
3 - Nível Cultural: os aspectos culturais que influenciam a conduta
humana.
Através da interação desses três níveis (onde nenhum deles possui um
status superior a outro) os comportamentos são selecionados.
Para Skinner, o ser humano é um ser ativo, que opera no ambiente,
provocando modificações no mesmo, modificações essas que
retroagem sobre o sujeito, modificando seus padrões
comportamentais.
1) Os comportamentalistas apresentam várias razões pelas quais
seria razoável adotar uma postura behaviorista. Uma das
razões mais comuns é epistêmica: afirmações sobre estados
internos dos organismos feitas por observadores são baseadas
no comportamento do organismo. Por exemplo, a afirmação de
que um rato sabe o caminho para o alimento em uma caixa de
Skinner é baseada na observação do fato de que o animal
chegou até o alimento, o que é um comportamento. Para um
behaviorista, os chamados fenômenos mentais poderiam muito
bem ser apenas padrões de comportamento.
2) Comportamentalistas também fazem notar o caráter anti-
inatista típico do Behaviorismo. Muito embora o inatismo não
seja inerente ao mentalismo, é bastante comum que tais teorias
assumam que existam procedimentos mentais inatos.
Behavioristas, por crerem que todo comportamento é
conseqüência de condicionamento, geralmente rejeitam a idéia
de habilidades inatas aos organismos. Todo comportamento
seria aprendido através de condicionamento.
3) Outro argumento muito popular a favor do Behaviorismo é a
idéia de que estados internos não provêm explicações para
comportamentos externos por eles mesmos serem
comportamentos. Explicar o comportamento animal exigiria
uma apresentação do problema em termos diferentes do
conceito sendo apresentado (isto é, comportamento). Para um
comportamentalista (especialmente um comportamentalista
radical), estados mentais são, em si, comportamentos, de modo
que utilizá-los como estímulos resultaria em uma referência
circular. Para o behaviorista, estados internos só seriam
válidos como comportamentos a serem explicados; uma teoria
que seguisse tal princípio, porém, seria comportamentalista.
1) Uma das razões comumente apontadas é o desenvolvimento das
neurociências. Essas disciplinas jogaram nova luz sobre o
funcionamento interno do cérebro, abrindo margens para
paradigmas mais modernos na Psicologia. Por seu compromisso
com a idéia de que todo comportamento pode ser explicado sem
apelar para conceitos cognitivos, o Behaviorismo leva a uma
postura por vezes desinteressada em relação às novas
descobertas das neurociências, com exceção do behaviorismo
radical, Skinner enfatizou sempre a importância da neurociência
como sendo um campo complementar essencial para o
entendimento humano.
Os behavioristas afirmam, porém, que as descobertas neurológicas
apenas definem os fenômenos físicos e químicos que são parte
do comportamento, pois o organismo não poderia exercer
comportamentos independentes do ambiente por causas
neurológicas.
2) Outro aspecto que também é enfatizado por behavioristas radicais é de
que embora as neurociências possam lançar luz a alguns processos
comportamentais, ela não é prática. Por exemplo, se o objeto for
promover uma mudança comportamental em um indivíduo, a
modificação das contingências ambientais seria muito mais eficaz que
uma modificação direta no sistema nervoso da pessoa.
3)Outra crítica ao Behaviorismo afirma que o comportamento não depende
tanto mais dos estímulos quanto da história de aprendizagem ou da
representação do ambiente do indivíduo. Por exemplo,
independentemente de quanto se estimule uma criança para que informe
quem quebrou um objeto, a criança pode simplesmente não responder,
por estar interessada em ocultar a identidade de quem o fizera. Do
mesmo modo, estímulos para que um indivíduo coma algum prato
exótico podem ser de pouca valia se o indivíduo não vir o prato exótico
como um estímulo em si. Esta crítica só tem validade se for aplicada ao
behaviorismo clássico de Watson, o behaviorismo radical de Skinner
leva em conta, como ilustrado pelo nível ontogenético, a história de vida
do indivíduo na predição e controle do comportamento.
4) Vários críticos apontam para o fato de que um comportamento
não precisa ser, necessariamente, conseqüência de um estímulo
postulado. Uma pessoa pode se comportar como se sentisse
cócegas, dor ou qualquer outra sensação mesmo se não estiver
sentindo nada. Algumas propriedades mentais, como a dor,
possuem uma espécie de "qualidade intrínseca" que não pode ser
descrita em termos comportamentalistas. O problema desta crítica
é de que ela trata como se todos os behaviorismos fossem
mecanicistas [estímulo-resposta] o que não é verdade, o outro
problema é que esta crítica ignora outros fatores contextuais que
reforçam os comportamentos de, no caso, sentir cócegas. Por
exemplo, uma criança pode se comportar como se sentisse dor
porque assim a professora poderia mandá-la para casa.
Apesar de ter sido e ainda ser bastante criticado, muitos dos
preconceitos em relação às ideias de Skinner são, na verdade,
fruto do desconhecimento de quem critica. Muitas das críticas
feitas ao behaviorismo radical são, na verdade, críticas ao
behaviorismo de Watson. Mesmo autores que ficaram
amplamente conhecidos por suas críticas ao behaviorismo, como
Chomsky "A Review on Skinner's Verbal Behavior", pouco
conheciam acerca da abordagem e, com isso, cometeram diversos
erros. A crítica de Chomsky já foi respondida por Kenneth
MacCorquodale "On Chomsky's Review of Skinner's Verbal
Behavior".
O behaviorismo skinneriano, hoje em dia, é o mais popular, se
não o único, behaviorismo ainda vivo. A ABAI (Association for
Behavior Analysis International) possui cerca de 13.500
membros mundo inteiro (lembrando que isso nem de longe
corresponde ao número real) e cresce cerca de 6.5% ao ano, o que
"(...) o aluno pode também ser condicionado a ter medo da
matemática, ciências, ortografia ou qualquer outra disciplina escolar.
As resposta autônomas como o suor, ritmo cardíaco acelerado ou
sentimentos difusos de ansiedade, podem ser condicionados por
certos indícios, que acabam por ficar associados a vários aspectos
do contexto escolar. As crianças que foram condicionadas a ponto de
ficarem literalmente paralisadas de medo ao verem um problema de
matemática, provavelmente não irão conseguir aprender
matemática. Podem tentar aprender a disciplina, mas devido a um
desconforto perturbador não o conseguirão. Não significa que os
professores criem deliberadamente estes medos, mas podem, sem
querer, preparar o cenário para o condicionamento."
Ainda voltando ao exemplo da matemática, o que por vezes pode
acontecer é que os próprios professores têm medo (condicionado)
da matemática, e, involuntariamente, transmitem-na aos alunos

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Behaviorismo

  • 1. Bases Epistemológicas da Psicologia Prof. Carlos Antonio
  • 2. Behaviorismo: (Behaviorism em inglês, de behaviour (RU) ou behavior (EUA): comportamento, conduta), também designado de comportamentalismo, ou às vezes comportamentismo, é o conjunto das teorias psicológicas (dentre elas a Análise do Comportamento, a Psicologia Objetiva) que postulam o comportamento como o mais adequado objeto de estudo da Psicologia. Comportamento geralmente é definido por meio das unidades analíticas respostas e estímulos. Historicamente, a observação e descrição do comportamento fez oposição ao uso do método de introspecção.
  • 3. As raízes do behaviorismo podem ser encontradas no conceito filosófico de ASSOCIACIONISMO. Essa teoria, em sua forma mais simples, se propõe a estudar as ligações que unem as ideias entre si e, a partir daí, a estabelecer as regras que permitem descrever e explicar o comportamento. O associacionismo nunca chegou a ser uma escola filosófica propriamente dita, mas uma simples corrente de pensamento. Ele se desenvolveu a partir do empirismo inglês (Locke, Berkeley e Hume), mas seus fundamentos estão na verdade em Aristóteles.
  • 4. Alguns grandes nomes da psicologia recorreram ao associacionismo para explicar o vasto e importante tema que é o aprendizado. O aprendizado ocorre quando, sob o efeito de uma experiência, o organismo “modifica sua conduta” de modo durável. Essa “modificação durável” exclui as mudanças temporárias decorrentes de doençãs, do cansaço, da embriaguez, etc. Por experiência, entendem-se as alterações que não podemos atribuir à hereditariedade, ao crescimento, à invalidez, etc.
  • 5. Como precedentes do Comportamentismo podem ser considerados os fisiólogos russos Vladimir Mikhailovich Bechterev (1857-1927) e Ivan Petrovich Pavlov(1849- 1936). Bechterev, grande estudioso de neurologia e psicofisiologia, foi o primeiro a propor uma Psicologia cuja pesquisa se baseasse no comportamento, em sua Psicologia Objetiva.
  • 6. Ivan Petrovich Pavlov(1849-1936), fisiologista russo, fundador em 1890 do Instituto de Medicina Experimental, é o autor de estudos sobre a digestão, que ele publicou em 1897, em seu Trabalho sobre as glândulas digestivas.
  • 7. Pavlov, por sua vez, foi o primeiro a propor o modelo de condicionamento do comportamento conhecido como condicionamento reflexo, e tornou-se conceituado com suas experiências de condicionamento com cães. Sua obra inspirou a publicação, em 1913, do artigo “Psychology as the Behaviorist views it”, “Psicologia: como os behavioristas a vêem” de John B. Watson. Este artigo apresenta uma contraposição à tendência até então mentalista (isto é, internalista, focada nos processos psicologicos internos, como memória ou emoção) da Psicologia do início do século XX, além de ser o primeiro texto a usar o termo Behaviorismo. Também é o primeiro artigo da vertente denominada Behaviorismo Clássico.
  • 8. III) os estímulos neutros passam a ser estímulos condicionados. I) a espécie animal responde aos estímulos do ambiente de forma incondicionada; II) é possível condicionar a resposta a partir de estímulos neutros, modificando o comportamento incondicionado; Ivan Pavlov formulou sua teoria do reflexo no início do século XX. Sua hipótese fundamental tem três aspectos indissociáveis:
  • 9. Ivan PAVLOV e o estudo das leis do reflexo: salivação em cães. 1ª abordagem científica no estudo da aprendizagem.
  • 10. O experimento de Pavlov consistiu em condicionar um cão que é atrelado dentro de uma caixa opaca que não deixa passar nem sons nem odores. Ou seja, ele não consegue nem ouvir, nem ver, nem sentir o cheiro do experimentador. Cada vez que se dá comida a ele, produz-se um som no interior da caixa e mede-se a secreção da saliva produzida. Depois de vários testes combinando os dois estímulos (som e alimento), aciona-se o som sem dar comida a ele e constata-se a salivação do animal. A simples idéia do alimento já provocava no cão uma reação orgânica que era visível através da salivação, fortalecendo assim, a idéia de que era possível condicionar o comportamento animal e posteriormente o humano.
  • 11. SOM- estímulo neutro (EN), que em seguida se transforma em estímulo condicional (EC) Alimento estímulo incondicional (EI) Medição da Salivação- a resposta incondicional (RI) ao estímulo do alimento se transforma em resposta condicionada (RC) ao estímulo do som.
  • 12. ANTES DURANTE DEPOIS SOM SEM RESPOSTA (EN) ALIMENTO SALIVAÇÃO (EI) (RI) SOM (EN) ALIMENTO SALIVAÇÃO (EI) (RI) SOM (EC) SALIVAÇÃO (RC) Foi assim que Pavlov condicionou o cão a salivar cada vez que ele ouvia o som.
  • 15. Talvez haja quem considere as primeiras experiências de Pavlov grosseiras e inúteis, mas elas são importantíssimas por dois motivos: 1) O condicionamento clássico explica praticamente todo aprendizado que implica um jogo de reflexos – o ritmo cardíaco, a transpiração, a tensão muscular, etc. 2) Se os reflexos citados acima são sinais de excitação – quer o motivo seja a ansiedade, quer sejam as pulsões sexuais -, eles podem, no entanto, explicar também os comportamentos pouco habituais e indesejáveis, como as fobias e as perversões sexuais. Em consequência, o condicionamento clássico constitui a base da terapia comportamental. MAS AFINAL QUAL A FINALIDADE DE CONSEGUIR FAZER UM CACHORRO SALIVAR?
  • 16. O condicionamento clássico possibilita que expliquemos os comportamentos sexuais não habituais. Exemplo: uma pessoa que gosta de usar botas de borracha. Como é que isso pode se transformar em fetichismo? ANTES DURANTE DEPOIS BOTAS Sem resposta Estímulo resposta sexual sexual BOTAS Estímulo resposta sexual sexual BOTAS resposta sexual
  • 17. Mais ou menos na mesma época dos trabalhos de Pavlov na ex-URSS, Edward Thorndike (1874-1949) fez nos Estados Unidos pesquisas similares sobre o que ele chamou de conexionismo, ele também derivado do associacionismo. Thorndike enunciou duas “leis” de aprendizado: 1) Lei do exercício: a repetição reforça o aprendizado (ou “a prática leva à perfeição”).O fato de repetir como papagaio um poema, uma peça de teatro ou uma tabuada nos ajuda a aprender o conteúdo de cor. 2) Lei do efeito: uma recompensa tem o efeito de reforçar o aprendizado (ou “se tivermos prazer, repetiremos a experiência”). Thorndike descobriu que a recompensa (lei2) era mais eficaz do que a simples repetição (lei1).
  • 18. EDWARD LEE THORNDIKE (1874/1949) foi o pioneiro das tentativas para compreender a aprendizagem dos animais através da realização de experimentos. Para ele, aprender consistia em estabelecer uma conexão entre uma resposta e a produção de situação agradável e que a repetição de um ato que causava um resultado agradável, aumentava a probabilidade de ocorrência deste ato – era a Lei do Efeito.
  • 19. Behaviorismo Clássico (também conhecido como Behaviorismo Watsoniano, menos comumente Psicologia S-R e Psicologia da Contração Muscular) apresenta a Psicologia como um ramo puramente objetivo e experimental das ciências naturais. A finalidade da Psicologia seria, então, prever e controlar o comportamento de todo e qualquer indivíduo.
  • 20. A proposta de Watson era abandonar, ao menos provisoriamente, o estudo dos processos mentais, como pensamento ou sentimentos, mudando o foco da Psicologia, até então mentalista, para o comportamento observável. Para Watson, a pesquisa dos processos mentais era pouco produtiva, de modo que seria conveniente concentrar-se no que é observável, o comportamento. No caso, comportamento seria qualquer mudança observada, em um organismo, que fossem consequência de algum estímulo ambiental anterior, especialmente alterações nos sistemas glandular e motor. Por esta ênfase no movimento muscular, alguns autores referem-se ao Behaviorismo Clássico como Psicologia da Contração Muscular.
  • 21. O Behaviorismo Clássico partia do princípio de que o comportamento era modelado pelo paradigma pavloviano de estímulo e resposta conhecido como condicionamento clássico. Em outras palavras, para o Behaviorista Clássico, um comportamento é sempre uma resposta a um estímulo específico. Esta proposta viria a ser superada por comportamentalistas posteriores, porém. Ocorre de se referirem ao Comportamentismo Clássico como Psicologia S-R (sendo S-R a sigla de Stimulus- Response (estímulo-resposta), em inglês).
  • 22. É importante notar, porém, que Watson em momento algum nega a existência de processos mentais. Para Watson, o problema no uso destes conceitos não é tanto o conceito em si, mas a inviabilidade de, à época, poder analisar os processos mentais de maneira objetiva. De fato, Watson não propôs que os processos mentais não existam, mas sim que seu estudo fosse abandonado, mesmo que provisoriamente, em favor do estudo do comportamento observável. Uma vez que, para Watson, os processos mentais devem ser ignorados por uma questão de método (e não porque não existissem), o Comportamentismo Clássico também ficou conhecido pela alcunha de Behaviorismo Metodológico.
  • 23. Watson era um defensor da importância do meio na construção e desenvolvimento do indivíduo. Ele acreditava que todo comportamento era consequência da influência do meio, a ponto de afirmar que, dado algumas crianças recém-nascidas arbitrárias e um ambiente totalmente controlado, seria possível determinar qual a profissão e o caráter de cada uma delas. Embora não tenha executado algum experimento do tipo, por razões óbvias, Watson executou o clássico e controvertido experimento do Pequeno Albert, demonstrando o condicionamento dos sentimentos humanos através do condicionamento responsivo.
  • 25. Pressupostos: Comportamento é multideterminado Comportamento é aprendido Análise do comportamento e não de suas causas subjacentes Fases: Behaviorismo Metodológico Behaviorismo Radical
  • 26. John Broadus Watson (1878-1958) 1913: funda o behaviorismo. Manifesto: “A Psicologia como o behaviorista a vê” Negava a existência da mente como causa de comportamentos Hereditariedade e Ambientalismo → Interacionismo.
  • 27. Watson foi o primeiro representante do ambientalismo, lançou o behaviorismo e transformou o estudo da aprendizagem em um processo pelo qual a conduta de um organismo muda como resultado da experiência. Watson sofreu influência da filosofia empírica de John Locke e da psicologia fisiológica de Ivan Pavlov, de quem aceitou o condicionamento clássico para explicar a aprendizagem, admitindo que nascemos com certas conexões de estímulo- resposta chamados reflexos. O Behaviorismo derivou-se de dois grandes movimentos: 1- A crítica ao racionalismo cartesiano – teoria que atribui à Razão humana a capacidade exclusiva de conhecer e de estabelecer a Verdade. Opõe-se ao empirismo, colocando a Razão independente da experiência sensível, ou seja, rejeita toda intervenção de sentimentos, somente a Razão é válida.
  • 28. 2- O surgimento da teoria positivista da ciência - do filósofo francês Augusto Comte (1789-1857). A teoria behaviorista também é chamada de comportamentalismo ou condutismo. A postulação de Watson decorreu em função dos estudos experimentais sobre o comportamento reflexo efetuados por Ivan Pavlov e dava à psicologia a consistência que os psicólogos da época vinham buscando, ou seja, a Psicologia tinha um objeto mensurável e observável para estudar e os experimentos poderiam ser reproduzidos em diferentes sujeitos e condições. Tais possibilidades foram importantes para que a Psicologia alcançasse o status de ciência.
  • 29. “Dê-me uma dúzia de bebês saudáveis e bem-formados e um mundo especificado por mim para criá-los, que garanto escolher qualquer um ao acaso e treiná-lo para tornar-se qualquer tipo de especialista que eu escolher – médico, advogado, artista, comerciante e, sim, até mesmo mendigo e ladrão, independentemente de seus talentos, inclinações, tendências, habilidades, vocações e da raça de seus ancestrais”. John B. Watson
  • 30. Reflexo = preparação mínima que os organismos têm para começar a interagir com seu ambiente para ter chances de sobreviver. É uma relação entre estímulo resposta S – R ESTÍMULO: parte ou mudança em parte do ambiente. RESPOSTA: parte ou mudança em parte no organismo. Ex: sucção no recém-nascido, reflexo de preensão, reflexo patelar
  • 31. Uma mudança no ambiente (estímulo – S) produz determinada mudança no organismo (resposta – R). O estímulo elicia a resposta
  • 33. Capacidade de aprender novos reflexos Reagir de formas diferentes a novos estímulos Ex: alguns animais já “nascem sabendo” que não podem comer uma fruta de cor amarela, a qual é venenosa (História Filogenética). A toxina, inatamente, produz vômitos e náusea. Ao comer a fruta amarela, o animal terá essas respostas eliciadas por esse estímulo (toxina). Após tal evento, o animal poderá passar a sentir náuseas ao ver a fruta anarela e não mais a comerá, diminuindo as chances de morrer envenenado. A resposta de náusea diante do estímulo fruta amarela é um reflexo aprendido.
  • 34. Um reflexo é condicionado a partir de outro existente. Componentes do condicionamento: SI - Estímulo incondicionado (comida) RI - Resposta incondicionada - involuntária (salivação) SC - Estímulo condicionado - antes era neutro SN (som) RC - Resposta condicionada - aprendida (salivação na presença do som – relação S- R)
  • 37. a) ao dirigir quando está chovendo, sofre um acidente - medo de dirigir quando estiver chovendo. b) ter passado por situação de constrangimento em público - medo de falar em público. c) passou por dor quando a enfermeira não achou a veia no momento de aplicar a injeção – medo de injeção. d) ter caído de algum lugar relativamente alto (mesa, cadeira, etc) – perspectiva/visão da altura - medo de altura. e) situações prazerosas/pessoas/objetos em uma propaganda (SI) emparelhadas com o produto que se quer vender (SN)
  • 39. Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) Nenhum pensador ou cientista do século XX levou tão longe a crença na possibilidade de controlar e moldar o comportamento humano como o norte- americano Burrhus Frederic Skinner. Na década de 40, Skinner sistematiza o Behaviorismo Radical, como proposta para o entendimento sobre o comportamento do homem. O autor foi completamente contra as causas internas mentais para compreender ou explicar o comportamento humano. Behaviorismo Radical
  • 40. Skinner opõe-se a Watson, que só não desdobrava suas pesquisas aos fenômenos mentais pelas limitações metodológicas e não por serem irreais. Skinner defendia, que o homem era um ser homogêneo, não acreditando na constituição humana como junção do corpo e mente. A aprendizagem para Skinner é fruto de condicionamento operante, ou seja, um comportamento é premiado, reforçado, até que ele seja condicionado de tal forma que ao se retirar o reforço o comportamento continue a acontecer.
  • 41. A teoria de Skinner apóia-se na idéia de que o aprendizado tem a função de mudança no comportamento manifesto. O condicionamento operante é baseado na lei do efeito de Thorndike, segundo a qual o comportamento que produz bons efeitos tende a se tornar mais freqüente, enquanto que o comportamento que produz maus efeitos tende a se tornar menos freqüente.
  • 42. O condicionamento operante é um mecanismo de aprendizagem de novo comportamento - um processo que Skinner chamou de modelagem. O instrumento fundamental de modelagem é o reforço. Um reforço é qualquer coisa que fortaleça a resposta desejada. Pode ser um elogio, uma boa nota, ou um sentimento de realização ou satisfação crescente. A teoria também cobre reforços negativos - uma ação que evita uma conseqüência indesejada.
  • 45. O condicionamento operante difere do condicionamento respondente de Pavlov e Watson porque, no comportamento operante, o comportamento é condicionado não por associação reflexa entre estímulo e resposta, mas sim pela probabilidade de um estímulo se seguir à resposta condicionada. Quando um comportamento é seguido da apresentação de um reforço positivo ou negativo, aquela resposta tem maior probabilidade de se repetir com a mesma função; do mesmo modo, quando o comportamento é seguido por uma punição (positiva ou negativa), a resposta tem menor probabilidade de ocorrer posteriormente. O Behaviorismo Radical se propõe a explicar o comportamento animal através do modelo de seleção por consequências. Desse modo, o Behaviorismo Radical propõe um modelo de condicionamento não-linear e probabilístico, em oposição ao modelo linear e reflexo das teorias precedentes do Comportamentalismo.
  • 47. Para Skinner, a maior parte dos comportamentos humanos são condicionados dessa maneira operante. Para Skinner, os comportamentos são selecionados através de três níveis de seleção. Os componentes da mesma são: 1 - Nível Filogenético: que corresponde aos aspectos biológicos da espécie e da hereditariedade do indivíduo; 2 - Nível Ontogenético: que corresponde a toda a história de vida do indivíduo; 3 - Nível Cultural: os aspectos culturais que influenciam a conduta humana. Através da interação desses três níveis (onde nenhum deles possui um status superior a outro) os comportamentos são selecionados. Para Skinner, o ser humano é um ser ativo, que opera no ambiente, provocando modificações no mesmo, modificações essas que retroagem sobre o sujeito, modificando seus padrões comportamentais.
  • 48. 1) Os comportamentalistas apresentam várias razões pelas quais seria razoável adotar uma postura behaviorista. Uma das razões mais comuns é epistêmica: afirmações sobre estados internos dos organismos feitas por observadores são baseadas no comportamento do organismo. Por exemplo, a afirmação de que um rato sabe o caminho para o alimento em uma caixa de Skinner é baseada na observação do fato de que o animal chegou até o alimento, o que é um comportamento. Para um behaviorista, os chamados fenômenos mentais poderiam muito bem ser apenas padrões de comportamento.
  • 49. 2) Comportamentalistas também fazem notar o caráter anti- inatista típico do Behaviorismo. Muito embora o inatismo não seja inerente ao mentalismo, é bastante comum que tais teorias assumam que existam procedimentos mentais inatos. Behavioristas, por crerem que todo comportamento é conseqüência de condicionamento, geralmente rejeitam a idéia de habilidades inatas aos organismos. Todo comportamento seria aprendido através de condicionamento.
  • 50. 3) Outro argumento muito popular a favor do Behaviorismo é a idéia de que estados internos não provêm explicações para comportamentos externos por eles mesmos serem comportamentos. Explicar o comportamento animal exigiria uma apresentação do problema em termos diferentes do conceito sendo apresentado (isto é, comportamento). Para um comportamentalista (especialmente um comportamentalista radical), estados mentais são, em si, comportamentos, de modo que utilizá-los como estímulos resultaria em uma referência circular. Para o behaviorista, estados internos só seriam válidos como comportamentos a serem explicados; uma teoria que seguisse tal princípio, porém, seria comportamentalista.
  • 51. 1) Uma das razões comumente apontadas é o desenvolvimento das neurociências. Essas disciplinas jogaram nova luz sobre o funcionamento interno do cérebro, abrindo margens para paradigmas mais modernos na Psicologia. Por seu compromisso com a idéia de que todo comportamento pode ser explicado sem apelar para conceitos cognitivos, o Behaviorismo leva a uma postura por vezes desinteressada em relação às novas descobertas das neurociências, com exceção do behaviorismo radical, Skinner enfatizou sempre a importância da neurociência como sendo um campo complementar essencial para o entendimento humano. Os behavioristas afirmam, porém, que as descobertas neurológicas apenas definem os fenômenos físicos e químicos que são parte do comportamento, pois o organismo não poderia exercer comportamentos independentes do ambiente por causas neurológicas.
  • 52. 2) Outro aspecto que também é enfatizado por behavioristas radicais é de que embora as neurociências possam lançar luz a alguns processos comportamentais, ela não é prática. Por exemplo, se o objeto for promover uma mudança comportamental em um indivíduo, a modificação das contingências ambientais seria muito mais eficaz que uma modificação direta no sistema nervoso da pessoa. 3)Outra crítica ao Behaviorismo afirma que o comportamento não depende tanto mais dos estímulos quanto da história de aprendizagem ou da representação do ambiente do indivíduo. Por exemplo, independentemente de quanto se estimule uma criança para que informe quem quebrou um objeto, a criança pode simplesmente não responder, por estar interessada em ocultar a identidade de quem o fizera. Do mesmo modo, estímulos para que um indivíduo coma algum prato exótico podem ser de pouca valia se o indivíduo não vir o prato exótico como um estímulo em si. Esta crítica só tem validade se for aplicada ao behaviorismo clássico de Watson, o behaviorismo radical de Skinner leva em conta, como ilustrado pelo nível ontogenético, a história de vida do indivíduo na predição e controle do comportamento.
  • 53. 4) Vários críticos apontam para o fato de que um comportamento não precisa ser, necessariamente, conseqüência de um estímulo postulado. Uma pessoa pode se comportar como se sentisse cócegas, dor ou qualquer outra sensação mesmo se não estiver sentindo nada. Algumas propriedades mentais, como a dor, possuem uma espécie de "qualidade intrínseca" que não pode ser descrita em termos comportamentalistas. O problema desta crítica é de que ela trata como se todos os behaviorismos fossem mecanicistas [estímulo-resposta] o que não é verdade, o outro problema é que esta crítica ignora outros fatores contextuais que reforçam os comportamentos de, no caso, sentir cócegas. Por exemplo, uma criança pode se comportar como se sentisse dor porque assim a professora poderia mandá-la para casa.
  • 54. Apesar de ter sido e ainda ser bastante criticado, muitos dos preconceitos em relação às ideias de Skinner são, na verdade, fruto do desconhecimento de quem critica. Muitas das críticas feitas ao behaviorismo radical são, na verdade, críticas ao behaviorismo de Watson. Mesmo autores que ficaram amplamente conhecidos por suas críticas ao behaviorismo, como Chomsky "A Review on Skinner's Verbal Behavior", pouco conheciam acerca da abordagem e, com isso, cometeram diversos erros. A crítica de Chomsky já foi respondida por Kenneth MacCorquodale "On Chomsky's Review of Skinner's Verbal Behavior". O behaviorismo skinneriano, hoje em dia, é o mais popular, se não o único, behaviorismo ainda vivo. A ABAI (Association for Behavior Analysis International) possui cerca de 13.500 membros mundo inteiro (lembrando que isso nem de longe corresponde ao número real) e cresce cerca de 6.5% ao ano, o que
  • 55. "(...) o aluno pode também ser condicionado a ter medo da matemática, ciências, ortografia ou qualquer outra disciplina escolar. As resposta autônomas como o suor, ritmo cardíaco acelerado ou sentimentos difusos de ansiedade, podem ser condicionados por certos indícios, que acabam por ficar associados a vários aspectos do contexto escolar. As crianças que foram condicionadas a ponto de ficarem literalmente paralisadas de medo ao verem um problema de matemática, provavelmente não irão conseguir aprender matemática. Podem tentar aprender a disciplina, mas devido a um desconforto perturbador não o conseguirão. Não significa que os professores criem deliberadamente estes medos, mas podem, sem querer, preparar o cenário para o condicionamento." Ainda voltando ao exemplo da matemática, o que por vezes pode acontecer é que os próprios professores têm medo (condicionado) da matemática, e, involuntariamente, transmitem-na aos alunos