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ANTROPOLOGIA
DA RELIGIÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
>
> Definir as principais escolas de antropologia.
>
> Estabelecer diálogos comparativos e complementares entre as diversas
escolas de antropologia.
>
> Identificar os rumos das escolas de antropologia pela contextualização da
antropologia no Brasil.
Introdução
A antropologia é uma disciplina que contém várias teorias sobre o homem, sobre
sua cultura, sobre a evolução dessa cultura no tempo e no espaço, sobre sua dis-
seminaçãoedifusãopeloglobo,sobreasfunçõesdeinúmerasinstituiçõessociais
(como a guerra, a violência, a alimentação, a religião, os tabus e o matrimônio) e
sobre as estruturas sociais que moldam, influenciam e conduzem os indivíduos
dentro de suas culturas. Cada antropólogo estudou algum povo específico no
mundo, elaborou teorias novas, adaptou antigas, misturou outras, para formar
hipóteses mais plausíveis e acertadas sobre o funcionamento do homem dentro
da cultura.
Neste capítulo, você verá algumas dessas teorias agrupadas em escolas para
facilitar o aprendizado. Muitas vezes, é difícil encaixar o pensamento e as teses
de alguém em uma única escola. Outras vezes, é perfeitamente possível e lou-
As escolas de
antropologia
Bruno Uhlick D'ambros
vável assim fazê-lo, por questões didáticas. A compreensão de uma escola e de
suas teses gerais não isenta de buscar, por si mesmo, aprender mais sobre um
antropólogo específico.
Principais escolas de antropologia
Nesta seção, trataremos das cinco principais escolas de antropologia so-
cial: o evolucionismo, o difusionismo, o culturalismo, o funcionalismo e o
estruturalismo.
Evolucionismo
O evolucionismo foi a primeira tese, hipótese e conjunto de ideias a aparecer na
antropologia social. Ele se caracterizou por sustentar a hipótese de que houve
uma evolução histórica progressiva distinta e sobreposta entre os diferentes
povos e as diferentes culturas do mundo. Alguns estavam mais avançados e
civilizados que outros. Os povos primitivos estavam mais atrasados que os
civilizados, mas tinham sua própria evolução, e um dia chegariam no estágio
dos civilizados. Os povos civilizados já haviam passado pelos estágios de
primitividade, mas alguns resquícios de primitivismo sobreviviam neles, em
sua religião e em suas organizações política, familiar e mental.
Tal hipótese não era gratuita ou fruto de mero preconceito europeu e
etnocentrista: ela se baseava em vestígios arqueológicos e linguísticos com-
parados vindos de áreas em crescente desenvolvimento à época, como a
filologia e a história arqueológica. O evolucionismo adotava, com frequência,
o esquema histórico tripartite advindo do positivismo de Comte, em que a
história estava em progressiva evolução, em estágios do mais atrasado ao
mais avançado: teológico, metafísico e positivo.
Os evolucionistas, portanto, acreditam que a história dos povos e das
culturas evolui progressivamente, do menos civilizado para o mais civilizado,
do menos tecnológico para o mais tecnológico (Figura 1), do menos racional
para o mais racional e científico. Seus principais representantes foram os
antropólogos Lewis Henry Morgan, Edward Burnett Tylor e James George Frazer.
As escolas de antropologia
2
Figura 1. Evolução de lanças e pontas de flechas de diferentes localidades, em diferentes
formas.
Fonte: Pitt-Rivers (1906, p. 146).
Lewis Henry Morgan (1818–1881) se interessou pela tribo dos iroqueses,
pelo parentesco e pela matrilinearidade. Morgan notou que os iroqueses
usavam termos de parentesco diversos dos europeus. Enquanto os termos
de parentesco europeus eram descritivos, os dos iroqueses eram classifica-
tórios. Ele foi um dos primeiros a propor a tese de que os povos indígenas
americanos têm origem asiática por monogênese (CASTRO, 2009).
Sua maior obra é Ancient Society (1877), em que ele opôs progresso social a
progresso tecnológico, dizendo que são coisas distintas e que uma não implica
a outra. Ele sustentou uma relação entre a evolução tecnológica, familiar e de
propriedade com estruturas sociais e de governo e desenvolvimento intelec-
tual. Morgan dividiu a evolução histórica dos povos em selvageria, barbárie
e civilização, por meio das invenções tecnológicas em cada estágio. Na fase
de selvageria, teria havido o domínio do fogo, da madeira e da cerâmica; na
fase de barbárie, a domesticação de animais, a agricultura e a metalurgia;
na civilização, o alfabeto e a escrita (CASTRO, 2009).
Edward Burnett Tylor (1832–1917) foi outro antropólogo evolucionista. Para
ele, a tarefa da antropologia era descobrir os estágios de desenvolvimento
da civilização. Sua principal obra é Primitive culture (1871), cuja segunda parte,
As escolas de antropologia 3
intitulada “Religião na cultura primitiva”, dá uma satisfatória interpretação do
animismo, a crença de que espíritos animam as coisas inanimadas. Ele dizia que
o animismo é a única possibilidade real da religião, porque é a própria essência
e base de todas as religiões. Dessa forma, ele estava, inclusive, relativizando
as crenças cristãs, que se criam mais civilizadas que as dos povos primitivos.
Tylor cria que a religião é uma ferramenta para explicar o mundo. Ele via
a crença em Deus como uma sobrevivente da ignorância primitiva. Contudo,
ele não acreditava que o ateísmo era consequência lógica do progresso e da
evolução, mas uma forma minimalista de um deísmo monoteísta. Ele propôs
os conceitos de eliminação gradativa do paganismo e de desencantamento no
mundo moderno. É clássica sua definição de que a cultura é o complexo total
que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e toda a capacidade e
os hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade (CASTRO, 2009).
Por fim, Sir James George Frazer (1854–1941) foi o terceiro importante
expoente do evolucionismo cultural. Sua obra The golden bought (1890)
documenta semelhanças entre crenças religiosas por meio das mitologias
no mundo. Ele propôs uma evolução religiosa tripartite: mágica, religião e
ciência, sendo o primeiro a perceber a relação entre mitos e ritos. Frazer cria
que mágica e ciência eram semelhantes porque ambas tinham um caráter
prático e de dominação do mundo natural pela técnica, por palavras mágicas
e pela manipulação adequadas de objetos (CASTRO, 2009).
Uma crítica que se faz à antropologia evolucionista é seu caráter
completamente não empírico, o que a fez conhecida como “antro-
pologia de gabinete”, porque seus teóricos não faziam qualquer trabalho de
campo, de pesquisa prática ou etnográfica, conjecturando os períodos histórico-
-evolutivos somente por leituras históricas, filológicas e arqueológicas, sem
fornecer explicações sobre como e quando teriam acontecido as supostas
transições de um estágio evolutivo ao outro. Isso tudo, segundo seus críticos,
faz seus escritos soarem um tanto pretensiosos, genéricos, hiper-explicativos
e com pouco embasamento factual real.
Difusionismo
O difusionismo veio como um desdobramento do evolucionismo. Assim como
este, aquele também é uma teoria histórica sobre a evolução do homem e da
cultura. O evolucionismo deixou algumas lacunas explicativas, e o difusio-
nismo tentou respondê-las. Por exemplo, por que há objetos arqueológicos
semelhantes em partes diferentes do mundo, se cada cultura evoluiu distin-
As escolas de antropologia
4
tamente da outra, se elas eram incomunicáveis entre si e se a mente humana
de cada pessoa de um povo é diferente? O difusionismo tentou responder
essa questão ao sustentar que as inovações tecnológicas e culturais durante
a história evolutiva foram iniciadas em culturas específicas e difundidas
de inúmeros modos posteriormente, de forma que haveria uma essência
humana mental, o que explicaria a presença de objetos, motivos artísticos e
tecnologias semelhantes em vestígios arqueológicos em partes distintas do
mundo. O difusionismo enfatizou o papel da imitação cultural tecnológica
por necessidades universais, como caça, comida, cocção, etc. Daí a presença
de elementos culturais semelhantes em povos distintos.
Seus principais expoentes foram Wilhelm Schmidt, Fritz Gräbner e Grafton
Elliot Smith. Eles criaram a hipótese da Kulturkreise, os “círculos culturais”, que
seriam círculos de difusão cultural centrífugos, em que o elemento cultural era
criado em um centro e se difundia circularmente para seu entorno geográfico
mais acessível (Figura 2). Por exemplo, o Egito antigo foi um grande centro
de difusão cultural, visto que, em seu entorno, o mediterrâneo, há inúmeros
artefatos, vestígios arqueológicos, linguísticos, religiosos e políticos que,
se traçadas as origens, remontam ao delta do Nilo (Figura 3). Sabe-se, por
exemplo, hoje, que a religião grega deve muito ao próprio Egito (ERIKSEN, 2012).
Figura 2. Armas usadas pelos australianos primitivos, organizadas por afinidade e originando
de uma única forma simples para várias complexas, para mostrar a sobrevivências de armas
antigas na atualidade, por meio da hipótese evolutivo-difusionista. No centro, a forma sim-
ples, de onde todas as outras derivaram. Em volta delas, todas suas variações existentes no
passado e no presente, de lanças lisas, lanças farpadas e bastões a bumerangues.
Fonte: Pitt-Rivers (1906, p. 49).
As escolas de antropologia 5
Figura 3. Difusionismo cultural a partir do Egito, de Grafton Elliot Smith. O Egito teria sido
a fonte das chamadas culturas “heliolíticas”. No mapa, vê-se as rotas prováveis de difusão
de tal cultura.
Fonte: Smith (1929, p. 14).
Digite “Difusionismo: correntes antropológicas do século XIX” em seu
motor de busca preferido para ter acesso a um excelente material
didático sobre o difusionismo, com suas principais escolas internas e vertentes,
expoentes e métodos, de autoria de Leonardo Marcondes Alves.
Culturalismo
O culturalismo, também conhecido como relativismo cultural, particularismo
histórico ou escola americana de antropologia social, foi uma corrente da
antropologia cultural que sustentava que as crenças, os valores e as práticas
deveriam ser compreendidos dentro da própria cultural do indivíduo, no
lugar de compreendidos segundo os critérios de outra cultura. Seu principal
expoente foi o antropólogo alemão, naturalizado americano, Franz Boas,
acompanhado de seus discípulos, como Ruth Benedict, Margaret Mead e
As escolas de antropologia
6
Edward Sapir. As principais características dessa escola foram a empiria, a
etnografia, o relativismo e o culturalismo.
Franz Boas (1858–1942) se doutorou em física na Universidade de Kiel, em
1881, com a tese Contribuições para a percepção da cor da água, e sempre
se interessou muito em psicofísica e geografia. Em 1883, ele participou de
uma expedição na Ilha Baffin, no Canadá, para pesquisar sobre o impacto
do meio ambiente nas migrações do povo esquimó Inuit e, então, escreveu a
etnografia chamada The central eskimo (1886) para privatdozent (título uni-
versitário próprio das universidades de língua alemã na Europa) em geografia
na Universidade de Berlim. Contudo, ele se mudou para os Estados Unidos no
ano seguinte e se tornou professor de Antropologia na Universidade Clark em
1888. Alguns anos depois, em 1899, ele se tornou professor de antropologia
na Universidade de Columbia.
Boas dizia que a civilização não é algo absoluto, mas relativo, e que
as ideias e os conceitos são verdadeiros somente na medida da própria
civilização. Nessa medida, o culturalismo é uma rejeição do evolucionismo
antropológico. Boas não concordava com a ideia de evoluções lineares, ou
seja, que todas as sociedade estão na mesma trajetória linear histórica e
atingem seus níveis particulares de evolução e desenvolvimento do mesmo
modo como as outras sociedades. As sociedades, para Boas, alcançam
o mesmo nível de desenvolvimento cultural por diferentes e variados
caminhos paralelos. A cultura humana é maleável, plástica, apreendida
por educação social e, portanto, as diferenças comportamentais, sociais,
morais entre as culturas são distintas entre si, e não se devem a predis-
posições inatas biológicas. Portanto, os fatores biológicos, geográficos
e naturais não são relevantes para compreender as diferenças culturais
dos indivíduos. Boas, assim, rejeita a classificação e a gradação em es-
calas evolutivas do evolucionismo e, portanto, hierarquias evolutivas. As
sociedades, em seu ponto de vista, são resultado de processos históricos
particulares e não universais.
Boas sustentava o relativismo cultural, um ponto central dentro do
culturalismo. Ele assere que uma cultura só pode ser compreendida
dentro de seus próprios padrões morais e de seu próprio desenvolvimento
histórico interno. Assim, não é viável ou cientificamente válido classificar e
avaliar uma cultura segundo os padrões do próprio pesquisador, antropólogo
ou cientista. A classificação dos evolucionistas entre culturas primitivas ou
civilizadas só faz sentido dentro de sua própria cultura.
As escolas de antropologia 7
A principal obra de Boas, A mente do homem primitivo (1911), é uma crítica
ao conceito de cultura primitiva, conceitos raciais ultrapassados, ideias
eugênicas sobre raça e inteligência, supremacia branca, hereditariedade da
inteligência e o conflito entre nature e nurture. Sua afirmação de que não há
relação entre fenótipos e dotes mentais foi polêmica à época, quando muitos
médicos, biólogos e nutrólogos a sustentavam. Ele também argumentava que
é a linguagem que molda o pensamento, não o contrário. Essa tese igualmente
foi polêmica e criou toda uma corrente de pesquisa na antropologia, seguida
por seu discípulo Sapir.
De forma semelhante, Boas sustentava que a ideia de estágios evolutivos
histórico-culturais é absurda, porque nem todos os estágios estiveram pre-
sentes em todas as culturas. Por fim, desfaz a ligação histórica entre raça e
cultura, dizendo que o desenvolvimento cultural de uma sociedade não tem
nada a ver com o desenvolvimento racial de um povo e que, portanto, a raça
não influencia o desenvolvimento econômico e cultural de um povo, pois
fenótipos e biologia não podem ser determinantes em questões de ordem
histórica e cultural. As conclusões lógicas, as premissas, os silogismos e as
relações de causalidade feitas por outros povos se devem ao conhecimento
acumulado passado, e não a questões de monta biológica (ERIKSEN, 2012).
Em suma, a obra de Boas é uma crítica ao naturalismo antropológico e
moral que dominava as ciências humanas no século XIX e no início do XX.
Ele corta toda a ligação e possibilidade de ligação que poderia haver entre
questões de ordem epistemológica, moral, cultural e social com questões
de ordem biológica, natural e geográfica. De modo sucinto, ele separa dois
campos distintos: a psicologia da biologia. A mente humana, e seu subproduto,
a cultura, independem da biologia e da natureza. Está inaugurada, assim, a
antropologia social moderna.
A principal contribuição de Edward Sapir (1884–1939), um dos discípulos
de Boas, foi o conhecimento sobre as relações entre a linguagem e a cultura,
ou entre linguística e psicologia e antropologia. Ele estudou como ambas se
inter-relacionam, como a linguagem molda a cultura e como a organização
social reflete a organização linguística mental de um povo. Essas relações
são conhecidas como a hipótese Sapir-Whorf. Além disso, ele fez importantes
contribuições para a classificação das línguas indígenas da América do Norte
e desenvolveu o conceito de fonema. Seu trabalho todo é uma tentativa de
compreender como os padrões culturais são moldados pelas personalida-
des individuais por meio da linguagem. Uma de suas obras importantes é
Linguagem: uma introdução ao estudo do discurso (1921).
As escolas de antropologia
8
Ruth Benedict (1887–1948) se doutorou na Universidade de Columbia sob
a orientação de Boas em 1923 com a tese O conceito de espírito guardião na
América do Norte. Assim como Sapir, ela também estava interessada nas
relações entre cultura e personalidade, em antropologia e psicologia. Suas
principais obras foram Padrões de cultura (1934) e O crisântemo e a espada:
padrões da cultura japonesa (1946). A ideia-chave da autora é que as culturas
são personalidades, pois as culturas, assim como os indivíduos, são padrões
de pensamento e ações.
Margaret Mead (1901–1978) também fez parte da escola americana cul-
turalista de antropologia social. Seu principal livro é Sexo e temperamento
em três sociedades primitivas (1935), no qual ela relata o comportamento
dominante das mulheres entre os Tchambuli da Papua Nova Guiné e conclui
que os Arapesh eram pacíficos, os Mundugumor eram bélicos e os Tchambuli
continham diferenças de gêneros, sendo que os homens passavam muito
tempo decorando a si mesmos, enquanto as mulheres eram mais práticas.
Há muitas controvérsias sobre as pesquisas de Mead. Em 1983 o
antropólogo neozelandês John Derek Freeman publicou um livro
criticando o trabalho de Margaret Mead (FREEMAN; MEAD; SAMOA, 1983). Derek
argumenta que a cultura Samoa, diferentemente do que asserido por Mead, tinha
em alta conta a castidade feminina e não era uma cultura de promiscuidade. Em
1981 a antropóloga Deborah Gewertz não encontrou evidências de diferenças de
gênero tão agudas apontadas por Mead em Samoa e a socióloga Jessie Bernard
considerou o trabalho de Mead como completamente enviesado.
Funcionalismo
O funcionalismo foi outra escola de pensamento na Antropologia, mas que se
iniciou na sociologia, com Émile Durkheim. Ele explica inúmeros elementos
aparentemente caóticos, desajustados e desarmoniosos na sociedade em
termos de funções sociais. Assim, para o funcionalismo, não existem coisas
certas ou erradas, mas coisas ou instituições que têm ou não funções sociais
no interior de dado sistema social. Durkheim dizia que o objeto das ciências
sociais são os fatos sociais, em contraposição aos valores sociais da escola de
sociologia compreensiva weberiana. Tudo, na sociedade, deve ser encarado
como um fato social à título de método.
As escolas de antropologia 9
Os fatos sociais têm três características: exterioridade, coercitividade
e generalidade. Ou seja, são instituições sociais que se impõem ao
indivíduo, são maiores que o indivíduo e abrangem todos os indivíduos. Por
exemplo, o direito e as leis são fatos sociais. Todo fato social, por mais estranho
que pareça, tem uma função social. Por exemplo, o suicídio, as mitologias irra-
cionais, os sacrifícios absurdos, etc. Tudo, assim, tem uma função para conduzir
a sociedade ao equilíbrio, à estabilidade e à ordem, sem os quais ela colapsaria.
O funcionalismo é uma teoria holística, porque aborda a sociedade pelo todo,
e não por suas partes constituintes. Assim, os indivíduos são secundários, e as
estruturas, as funções e as instituições sociais são mais importantes que a psique
individual ou as relações entre os indivíduos. Desse modo, as normas, os costu-
mes, as tradições e as instituições se sobrepõem aos indivíduos, e suas escolhas
individuais têm pouco, ou nenhum, valor para a manutenção do todo social.
Veja, no Quadro 1, os principais conceitos funcionalistas de Durkheim em
suas principais obras.
Quadro 1. Os principais conceitos funcionalistas de Durkheim
Obra Conceitos
Da divisão do trabalho
social (1893)
Sociedades simples e complexas
Solidariedade mecânica e orgânica
Direito repressivo e restitutivo
Primitivos e modernos
Regras do método
sociológico (1895)
Fato social
Naturalismo metodológico
Utilitarismo
Ciências moraissociais versus naturais
Holismo metodológico
Morfologização metodológica
Comparativismo metodológico
As formas elementares
da vida religiosa (1912)
Totemismo australiano
Sagrado e profano
Crenças e ritos
As escolas de antropologia
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Bronisław Malinowski (1884–1942) foi um antropólogo polonês que lecionou
na London School of Economics. Sua maior contribuição para a antropologia foi
o método etnográfico da observação participante, por meio de suas pesquisas
sobre o kula com os nativos das Ilhas Trobriand, na Melanésia, documentadas
em Argonautas do pacífico ocidental (1922). O kula era uma cerimônia ritual de
trocas de braceletes brancos e colares vermelhos e de oferendas e presentes
entre os habitantes do Norte e do Sul das Ilhas Trobriand.
A tese demonstrada em sua pesquisa é em antropologia econômica: as
trocas do kula mostram que não são somente vantagens utilitárias econômi-
cas que são valiosas para os ilhéus. A função social do kula não tem caráter
econômico utilitário, mas social, em criar laços, fazer amizades e estimular
a reciprocidade. A cultura serve para as necessidades dos indivíduos e, por-
tanto, da própria sociedade. Assim, o sentimento e a intenção das instituições
sociais são cruciais para se compreender uma sociedade.
Outra obra sua importante foi Sexo e repressão na sociedade selvagem
(1927), em que questiona alguma ideias da psicanálise tidas como universais,
como o complexo de Édipo, a sexualidade infantil na puberdade, o papel
materno na criação, os mitos e tabus familiares como o incesto, o parricídio
como fundação da cultura, a transição dos instintos naturais para a formação
da cultura civilizada, etc.
Alfred Reginald Radcliffe-Brown (1881–1955) foi outro expoente importante
da escola funcionalista de antropologia social na Inglaterra. Ele considera
as instituições sociais, como casamento, direito, religião, mitos e ritos, como
chaves para a manutenção da ordem social e do equilíbrio, como organismos
vivos. Contudo, seu funcionalismo é mais corretamente chamado de estrutural-
-funcionalismo. A função de uma prática social é seu papel em manter o todo
da estrutura social.
Por fim, Sir Edward Evans-Pritchard (1902–1973) foi um antropólogo inglês,
professor da Universidade de Oxford. Sua principal obra é Bruxaria, oráculo
e magia entre os Azande (1937), um estudo sobre religião entre um povo da
África Centro-Norte. Ele notou que os Azande têm a tendência em atribuir a
causa de vários infortúnios à bruxaria e que seria impossível compreender
a religião Azande sem seu contexto social e sua função social, a saber, que a
bruxaria e os oráculos tinham a função de resolver disputas entre os Azande,
constituindo um meio de explicação tão plausível e lógico dentro do sistema
interno da cultura Azande quanto a ciência no mundo civilizado.
As escolas de antropologia 11
Estruturalismo
O estruturalismo na antropologia teve várias influências. Uma delas foi o
Curso geral de linguística (1916), de Ferdinand de Saussure, que abandonava o
método diacrônico (ou filológico) na linguística e adotava o método sincrônico,
considerando a língua como uma estrutura cujos elementos constituintes, os
fonemas, só poderiam ser compreendidos pelas relações de equivalência e
oposição com os outros. Assim, o significado só pode ser compreendido por
sua estrutura, e não pelos elementos singulares isolados. Por exemplo, as
palavras “cat” e “bat” se diferenciam apenas pelos fonemas “c” e “b”, pois são
fonemas contrastantes. É essa oposição entre eles que formam o significado
de ambas as palavras.
O estruturalismo na linguística nasceu a partir das ideias de Saussure e
foi seguido por Louis Hjelmslev, Émile Benveniste, Roman Jakobson e Nikolai
Trubetzkoy. A ideia central se encontrava na fonética, na relação entre os
fonemas na formação do significado. Além da dicotomia entre os fonemas,
há a dicotomia entre língua e fala, sincronia e diacronia, significante e signi-
ficado, sintagma e paradigma. Em antropologia, seu principal expoente foi
Lévi-Strauss.
Claude Lévi-Strauss (1908–2009) foi um antropólogo francês que aplicou
largamente as noções do estruturalismo linguístico no estudo das culturas
primitivas. Ele compreendia a mente humana (e seu subproduto, a cultura)
analogamente à linguagem para encontrar os universais, os padrões, as es-
truturas e os irredutíveis culturais que formam as sociedades. O pensamento
humano, reproduzindo a linguagem dos mitos, opera por pares de oposição
simples, como cru e cozido, dia e noite, frio e quente, vivo e morte, sol e lua,
etc. As estruturas formam uma gramática social profunda e são visíveis na
linguagem e no inconsciente, na mente (LOURENÇO, 1997).
O principal livro de Lévi-Strauss foi As estruturas elementares do paren-
tesco (1949), cujos temas centrais são o parentesco e suas várias formas de
organização, o incesto e suas teorias e uma defesa da teoria da aliança.
Lévi-Strauss considera o tabu do incesto a origem da sociedade, a passa-
gem primordial da natureza para a cultura, o ponto fundante da sociedade,
porque estabelece uma regra para as relações sexuais e, com essa regra,
seleciona e reduz as possibilidades infinitas de cópula na natureza e, assim,
direciona o instinto. Ao estabelecer regras sociais, a proibição do incesto
delimita com quem alguém pode casar-se, copular e reproduzir-se, ou seja,
com alguém fora do círculo familiar próximo. Ao fazê-lo, ele estimula a am-
pliação do círculo social, a saída do nubente da vigília paterna e materna
As escolas de antropologia
12
e, por conseguinte, sua entrada em outro mundo, o do cônjuge. O tabu do
incesto estimula a exogamia. A ideia é uma troca recíproca no fundamento
da aliança matrimonial. A mulher troca de família quando se casa, e é essa
circulação de fêmeas que liga grupos sociais diversos e famílias em uma
única, a sociedade.
Lévi-Strauss fala de dois tipos de estruturas de parentesco: as complexas
e as elementares. Quando as mulheres são oferecidas a outro grupo explici-
tamente definido, fala-se de estruturas elementares. Quando as mulheres
são oferecidas a um grupo indeterminado e aberto, fala-se de estruturas
complexas. Desse modo, ele tenta explicar o fenômenos dos casamentos
cruzados entre primos em sociedades de estrutura elementares de paren-
tesco (Figura 4).
Figura 4. Estrutura elementar do parentesco. O átomo de parentesco presente no casamento
cruzado.
As escolas de antropologia 13
O casamento entre primos cruzados não permite a aliança entre primos
paralelos porque considera o tio ou tia como segundas mães e, portanto, os
primos paralelos como irmãos e, assim, como incesto. Para evitar o incesto,
casa-se com os primos cruzados. Essa prática, além de forçar a endogamia,
estimula a criação de átomos de sociedades endógenas, separadas da família
próxima. Várias sociedades adotam esse modelo, como alguns povos árabes
e hindus. Lévi-Strauss chamou de átomo de parentesco esse pequeno grupo
formado pelo casamento cruzado e localizou ali a origem da sociedade.
Diálogos entre as escolas
Entre as várias escolas de antropologia social, existem diversas semelhanças
e diferenças. Algumas enfatizam mais alguns pontos do que outras.
O evolucionismo foi a escola que deu o início à antropologia. Ela é uma
escola típica do século XIX, derivada do positivismo de Augusto Comte. Ela
dialoga muito com o difusionismo, pois oferece sua base, como as noções
de evolução histórica, desenvolvimento, degeneração cultural, regeneração
cultural, resíduos culturais, migrações, trocas culturais e diacronia cultural.
Ambas são essencialmente historicistas, ou seja, focam o desenvolvimento
no tempo. Contudo, o difusionismo é muito mais geográfico, pois foca o
desenvolvimento cultural no espaço.
O culturalismo se relaciona muito com o difusionismo, por pressupor
uma unidade psíquica humana, ligações culturais históricas entre os povos
em diversos locais. Contudo, ele estabelece uma cisão forte entre natureza e
cultura, entre biologia e antropologia, entre raça e pensamento, entre modos
diferentes de pensar e biotipos e fenótipos.
O funcionalismo estabelece, por sua vez, um diálogo com a noção de
estruturas sociais maiores que influenciam o indivíduo, e, portanto, há muito
contato com o estruturalismo. A noção de fatos sociais gerais, exteriores e
coercitivos tem ecos na noção de estrutura.
A antropologia nasceu como uma ciência humana que tentava compreender
o homem e seu meio. Portanto, é uma ciência ideográfica, não nomotética,
para usar a expressão de Windelband, ou, ainda, uma ciência descritiva, não
normativa, ou mesmo uma ciência do espírito, não natural. Essas distinções
(ideográfica, descritiva e do espírito) eram distinções derivadas da crítica
kantiana e se solidificaram ao longo do século XIX. Dizer que uma ciência é
ideográfica ou descritiva é dizer que seu papel é essencialmente de compre-
ensão da realidade, não de explicação (verstehen/erklären, verbos “entender”
e “explicar” em alemão, respectivamente).
As escolas de antropologia
14
Dado que o próprio objeto da antropologia é o homem no tempo e no
espaço, e dado que esse objeto muda constantemente, é natural que
a antropologia tenha um caráter intrinsecamente relativista e não se proponha
a prescrever normas ou homens e culturais ideais, mas a compreender os já
existentes. Por isso a preocupação sempre em fazer trabalho de campo e colher
informações in loco dos outros povos.
As diferenças entre as várias escolas de antropologia são apenas dis-
tinções metodológicas ou de pressupostos teóricos de abordagem, mas
não distinções essenciais, que as façam profundamente diversas umas das
outras. Elas todas se unem na ideia de que há várias sociedades e povos, e
que o papel do cientista deve ser compreender suas diferenças.
Veja, no Quadro 2, um comparativo dessas escolas para melhor fixá-las,
com as devidas palavras-chave de cada autor.
Quadro 2. Comparativo entre as principais escolas de antropologia
Escola Antropólogo Vida Principal obra Palavras-chave
Evolucionismo
Lewis Henry
Morgan
(1818–1881) Sociedade antiga
(1877)
Iroqueses, parentesco,
selvageria, barbárie e
civilização
Edward
Burnett Tylor
(1832–1917) Primitive culture
(1871)
Animismo, cultura, uni-
versais, sobreviventes
Sir James
George
Frazer
(1854–1941) O ramo dourado
(1890)
Mágica, religião e
ciência, mitologia
Difusionismo
Grafton Elliot
Smith
(1871–1937) As migrações na
cultura antiga
(1915)
Disseminação geográ-
fica, egiptologia
Wilhelm
Schmidt
(1868–1954) A origem e
desenvolvimento
da religião (1931)
Monoteísmo primitivo
Fritz Gräbner (1877–1934) A visão de mundo
dos primitivos
(1924)
Kulturkreise
(Continua)
As escolas de antropologia 15
Escola Antropólogo Vida Principal obra Palavras-chave
Culturalismo
Franz Boas (1858–1942) A mente do
homem primitivo
(1911)
Relativismo cultural,
Inuits, particularismo
histórico
Edward Sapir (1884–1939) Linguagem: uma
introdução ao
estudo do dis-
curso (1921)
Linguagem, antro-
pologia e psicologia,
hipótese Sapir-Whorff
Ruth
Benedict
(1887–1948) Padrões de
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Margaret
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(1901–1978) Sexo e tempe-
ramento em
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Funcionalismo
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pacífico ociden-
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Alfred
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(1881–1955) Organização
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(1902–1973) Bruxaria, oráculo
e magia entre os
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cotomias, bricolagem
O estudo do homem no Brasil
Enquanto, na Europa, as escolas de antropologia vistas ficaram essencial-
mente na Inglaterra, na Alemanha e na França, nas Américas, elas ficaram
muito restritas aos Estados Unidos, notadamente a escola culturalista. No
Brasil, por ser um País que preservou a cultura indígena bem mais que seus
vizinhos hispânicos, ela foi bem desenvolvida. Há muitos nomes de antropó-
(Continuação)
As escolas de antropologia
16
logos brasileiros ou estrangeiros que estiveram no Brasil durante a segunda
metade do Império até os primeiros anos da República.
Assim, o primeiro momento da antropologia no Brasil pode ser traçado
de 1835 até 1933. Ele se inicia com os estudos do dinamarquês, primo do
filósofo Soren Kierkegaard, Peter Lund (1801–1880) em Lagoa Santa, Minas
Gerais, onde ele descobriu ossadas fósseis nas cavernas do Rio das Velhas,
que hoje estão no Museu de História Natural de Copenhagen. Sua pesquisa
antropológica foi restrita à antropologia biológica, um ramo da antropologia
mais próximo às ciências naturais do que às ciências humanas.
Outro nome muito importante nesse período foi o de João Barbosa Ro-
drigues (1842–1909). Ele foi um dos integrantes da pesquisa científica na
Amazônia financiada por Dom Pedro II e, ainda, um exímio desenhista botânico,
diretor do Jardim Botânico de Manaus, sob patrocínio da princesa Isabel. Sua
contribuição mais importante para a antropologia social foi, sem dúvida, na
subárea da etnolinguística, com uma coleção de obras sobre línguas indí-
genas amazônicas: A Língua Geral do Amazonas e o Guarany: observações
sobre o alphabeto indigena (1888); O muyrakytã : estudo da origem Asiatica
da civilização do Amazonas nos tempos prehistoricos (1889); Pacificação dos
Crichanás (1885); Poranduba Amazonense (1890); Vocabulario indigena com a
orthographia correcta (1894); Vocabulario indigena comparado (1892).
O terceiro nome importante no primeiro período foi o de Curt Nimuen-
dajú, nascido Curt Unckel (1883–1945), um alemão que percorreu o Brasil
pesquisando os índios por mais de 40 anos. Ele deixou inúmeros trabalhos,
mas, devido ao irresponsável incêndio do Museu Nacional em 2018, muitas
de suas obras foram perdidas: Apontamentos sôbre os Guarani (1954); Patašó
(1938); Os Gorotire (1940); Índios Maxakali (1939); Os índios Tukuna (1929); Re-
conhecimento dos rios Içana, Ayarí e Uaupés (1927); As tribos do alto Madeira
(1925); Etnografia e indigenismo: sobre os Kaingang, os Ofaié-Xavante e os
índios do Pará (1993).
Apesar de ser um nome mais recente, Darcy Ribeiro (1922–1997) pode ser
contado entre esses primeiros, por sua abordagem evolucionista e difusionista
na antropologia. Darcy Ribeiro foi um nome importante não apenas na política
e na educação brasileira, mas também por seus trabalhos antropológicos, en-
tre eles: Culturas e línguas indígenas do Brasil (1957); Arte plumária dos índios
Kaapo (1957); Os índios e a civilização (1970); Suma etnológica brasileira (1986);
O processo civilizatório: etapas da evolução sócio-cultural (1968); As Américas
e a civilização: processo de formação e causas do desenvolvimento cultural
desigual dos povos americanos (1970); Os brasileiros: teoria do Brasil (1972).
As escolas de antropologia 17
Esses primeiros nomes da antropologia brasileira estavam profundamente
marcados pelas escolas evolucionistas e difusionistas, como se pode notar
na obra do próprio Darcy Ribeiro. Ribeiro cria que os povos todos passam
pelo chamado processo civilizatório, iniciando como caçadores e coletores, e
passando por revoluções, como a agrícola, a urbana, a hídrica, a metalúrgica,
a pecuária, a mercantil e a industrial, que iam modificando o povo e a cultura.
Na segunda fase da antropologia no Brasil, podem ser incluídos nomes
como o de Donald Pierson, Arthur Ramos, Eduardo Galvão, Roberto de Oliveira
e Silvio Coelho dos Santos. E, na terceira, nomes como o de Manuela Carneiro
da Cunha e Eduardo Viveiros de Castro.
Donald Pierson (1900–1995) foi um sociólogo e antropólogo americano
que lecionou na Escola de Sociologia e Política de São Paulo até 1959. Ele
pesquisou os negros na Bahia e, em 1942, publicou sua tese de doutorado,
chamada de Brancos e pretos na Bahia: um estudo de contato racial. A obra
é marcada pelo evolucionismo, contendo vários quadros classificatórios
de pessoas por tipo racial, e conclui que os negros brasileiros não sofriam
preconceitos raciais como nos Estados Unidos, pelo forte componente de
miscigenação presente na Bahia. Ele coordenou vários estudos importantes
sobre o Brasil, que resultaram nos livros Cruz das almas: uma vila brasileira
(1951) e O homem no Vale do São Francisco (1972).
Arthur Ramos de Araújo Pereira (1903–1949) foi um psiquiatra, psicólogo
e etnólogo com estudos importantes sobre a identidade brasileira e com
um papel importante na institucionalização das ciências sociais no Brasil.
Ele cunhou o termo “democracia racial” ao se referir ao Brasil e sua alta
miscigenação. Entre suas obras, destacam-se Primitivo e loucura (1926), O
negro brasileiro: etnografia religiosa e psicanálise (1934) e A Mestiçagem no
Brasil (1951), publicada após seu falecimento.
Eduardo Enéas Gustavo Galvão (1921–1976), graduado em geografia e
história pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, foi o primeiro an-
tropólogo brasileiro a ter um doutorado pela Universidade de Columbia,
em 1952, com a tese Santos e visagens: um estudo da vida religiosa de Itá,
Amazonas. Durante toda a vida, pesquisou muitos indígenas, como os Tapi-
rapé, Tenetehara, Tiriyó, Anambé, Kamaiurá, Kayabi, Juruna, etc. Foi professor
na Universidade de Brasília e na Universidade Federal do Pará. Entre suas
obras mais relevantes, destacam-se Santos e visagens: um estudo da vida
religiosa de Itá, Amazonas (1955) e Índios do Brasil, áreas culturais e áreas
de subsistência (1973).
As escolas de antropologia
18
De modo geral, a antropologia no Brasil tem uma influência muito grande
da França, pela proximidade histórica dos dois países e por muitos de
seus representantes terem estudado nos grandes centros educacionais
superiores franceses, notadamente a École des hautes études en sciences
sociales. A antropologia brasileira, portanto, recebe muita influência do
funcionalismo francês na sociologia e do estruturalismo na antropologia,
bem como do pós-modernismo e do pós-estruturalismo franceses, com
Pierre Clastres, por exemplo.
Ademais, a fundação da Universidade de São Paulo foi marcada pela
vinda de inúmeros intelectuais franceses durante a década de 1930 e
1940, como Lévi-Strauss. Todos esses fatores tiveram um impacto sig-
nificativo nas ciências humanas no Brasil, sobretudo na antropologia,
mas também na filosofia, com o que chamamos de escola continental
em filosofia, um modo de pensar mais distanciado da lógica formal e
mais próximo à história.
Como visto, por muito tempo as ciências sociais no Brasil estiveram muito
ligadas às escolas de tendência positivista e evolucionista, e mesmo recen-
temente, com Darcy Ribeiro, o evolucionismo esteve presente. No campo da
antropologia biológica, destaca-se, no Brasil, a Universidade Federal do Pará,
que conduz uma intensa pesquisa em arqueologia.
Referências
CASTRO, C. (org.) Evolucionismo cultural: textos de Morgan, Tylor e Frazer. 2. ed. Rio
de Janeiro: Zahar, 2009.
ERIKSEN, T. H.; NIELSEN, F. S. História da antropologia. Rio de Janeiro: Vozes, 2012.
FREEMAN, D. Margaret Mead and Samoa. Cambridge, London: Harvard University
Press, 1983.
LOURENÇO, J. M. A racionalidade em Lévi-strauss. Revista Portuguesa De Filosofia, v.
53, nº 2, p. 249–289, 1997.
PITT-RIVERS, A. H. L.-F. The evolution of culture and other essays. Oxford: Clarendon
Press, 1906.
SMITH, G. E. The migrations of early culture. Manchester: Manchester University Press,
1929.
As escolas de antropologia 19
Leituras recomendadas
DESCOLA, P. Claude Lévi-Strauss, uma apresentação. Estudos avançados, v. 23, nº 67,
p. 149–160, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext
&pid=S0103-40142009000300019. Acesso em: 14 out. 2020.
GRAEBNER, F. El mundo del hombre primitivo: estudio de las concepciones primitivas
del mundo en los pueblos salvajes. Madrid: Revista de Occidente, 1925.
PIRES, P. S. O conceito de magia nos autores clássicos. Revista de Antropologia Social
dos Alunos do PPGAS-UFSCar, v. 2, nº 1, p. 97–123, 2010. Disponível em: http://www.rau.
ufscar.br/wp-content/uploads/2015/05/r@uv2n1-artigo-5.pdf. Acesso em: 14 out. 2020.
ROCHA, A. E. O estruturalismo de Lévi-Strauss: significação do "estrutural Inconsciente".
Revista Portuguesa De Filosofia, v. 32, nº 2, p. 171-–06, 1976.
RUTSCH, M. Los fundamentos de la teoría culturalista boasiana. Boletín de Antropología
Americana, nº 4, p. 115–137, 1981.
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As scolas de antropologia

  • 2. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > > Definir as principais escolas de antropologia. > > Estabelecer diálogos comparativos e complementares entre as diversas escolas de antropologia. > > Identificar os rumos das escolas de antropologia pela contextualização da antropologia no Brasil. Introdução A antropologia é uma disciplina que contém várias teorias sobre o homem, sobre sua cultura, sobre a evolução dessa cultura no tempo e no espaço, sobre sua dis- seminaçãoedifusãopeloglobo,sobreasfunçõesdeinúmerasinstituiçõessociais (como a guerra, a violência, a alimentação, a religião, os tabus e o matrimônio) e sobre as estruturas sociais que moldam, influenciam e conduzem os indivíduos dentro de suas culturas. Cada antropólogo estudou algum povo específico no mundo, elaborou teorias novas, adaptou antigas, misturou outras, para formar hipóteses mais plausíveis e acertadas sobre o funcionamento do homem dentro da cultura. Neste capítulo, você verá algumas dessas teorias agrupadas em escolas para facilitar o aprendizado. Muitas vezes, é difícil encaixar o pensamento e as teses de alguém em uma única escola. Outras vezes, é perfeitamente possível e lou- As escolas de antropologia Bruno Uhlick D'ambros
  • 3. vável assim fazê-lo, por questões didáticas. A compreensão de uma escola e de suas teses gerais não isenta de buscar, por si mesmo, aprender mais sobre um antropólogo específico. Principais escolas de antropologia Nesta seção, trataremos das cinco principais escolas de antropologia so- cial: o evolucionismo, o difusionismo, o culturalismo, o funcionalismo e o estruturalismo. Evolucionismo O evolucionismo foi a primeira tese, hipótese e conjunto de ideias a aparecer na antropologia social. Ele se caracterizou por sustentar a hipótese de que houve uma evolução histórica progressiva distinta e sobreposta entre os diferentes povos e as diferentes culturas do mundo. Alguns estavam mais avançados e civilizados que outros. Os povos primitivos estavam mais atrasados que os civilizados, mas tinham sua própria evolução, e um dia chegariam no estágio dos civilizados. Os povos civilizados já haviam passado pelos estágios de primitividade, mas alguns resquícios de primitivismo sobreviviam neles, em sua religião e em suas organizações política, familiar e mental. Tal hipótese não era gratuita ou fruto de mero preconceito europeu e etnocentrista: ela se baseava em vestígios arqueológicos e linguísticos com- parados vindos de áreas em crescente desenvolvimento à época, como a filologia e a história arqueológica. O evolucionismo adotava, com frequência, o esquema histórico tripartite advindo do positivismo de Comte, em que a história estava em progressiva evolução, em estágios do mais atrasado ao mais avançado: teológico, metafísico e positivo. Os evolucionistas, portanto, acreditam que a história dos povos e das culturas evolui progressivamente, do menos civilizado para o mais civilizado, do menos tecnológico para o mais tecnológico (Figura 1), do menos racional para o mais racional e científico. Seus principais representantes foram os antropólogos Lewis Henry Morgan, Edward Burnett Tylor e James George Frazer. As escolas de antropologia 2
  • 4. Figura 1. Evolução de lanças e pontas de flechas de diferentes localidades, em diferentes formas. Fonte: Pitt-Rivers (1906, p. 146). Lewis Henry Morgan (1818–1881) se interessou pela tribo dos iroqueses, pelo parentesco e pela matrilinearidade. Morgan notou que os iroqueses usavam termos de parentesco diversos dos europeus. Enquanto os termos de parentesco europeus eram descritivos, os dos iroqueses eram classifica- tórios. Ele foi um dos primeiros a propor a tese de que os povos indígenas americanos têm origem asiática por monogênese (CASTRO, 2009). Sua maior obra é Ancient Society (1877), em que ele opôs progresso social a progresso tecnológico, dizendo que são coisas distintas e que uma não implica a outra. Ele sustentou uma relação entre a evolução tecnológica, familiar e de propriedade com estruturas sociais e de governo e desenvolvimento intelec- tual. Morgan dividiu a evolução histórica dos povos em selvageria, barbárie e civilização, por meio das invenções tecnológicas em cada estágio. Na fase de selvageria, teria havido o domínio do fogo, da madeira e da cerâmica; na fase de barbárie, a domesticação de animais, a agricultura e a metalurgia; na civilização, o alfabeto e a escrita (CASTRO, 2009). Edward Burnett Tylor (1832–1917) foi outro antropólogo evolucionista. Para ele, a tarefa da antropologia era descobrir os estágios de desenvolvimento da civilização. Sua principal obra é Primitive culture (1871), cuja segunda parte, As escolas de antropologia 3
  • 5. intitulada “Religião na cultura primitiva”, dá uma satisfatória interpretação do animismo, a crença de que espíritos animam as coisas inanimadas. Ele dizia que o animismo é a única possibilidade real da religião, porque é a própria essência e base de todas as religiões. Dessa forma, ele estava, inclusive, relativizando as crenças cristãs, que se criam mais civilizadas que as dos povos primitivos. Tylor cria que a religião é uma ferramenta para explicar o mundo. Ele via a crença em Deus como uma sobrevivente da ignorância primitiva. Contudo, ele não acreditava que o ateísmo era consequência lógica do progresso e da evolução, mas uma forma minimalista de um deísmo monoteísta. Ele propôs os conceitos de eliminação gradativa do paganismo e de desencantamento no mundo moderno. É clássica sua definição de que a cultura é o complexo total que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e toda a capacidade e os hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade (CASTRO, 2009). Por fim, Sir James George Frazer (1854–1941) foi o terceiro importante expoente do evolucionismo cultural. Sua obra The golden bought (1890) documenta semelhanças entre crenças religiosas por meio das mitologias no mundo. Ele propôs uma evolução religiosa tripartite: mágica, religião e ciência, sendo o primeiro a perceber a relação entre mitos e ritos. Frazer cria que mágica e ciência eram semelhantes porque ambas tinham um caráter prático e de dominação do mundo natural pela técnica, por palavras mágicas e pela manipulação adequadas de objetos (CASTRO, 2009). Uma crítica que se faz à antropologia evolucionista é seu caráter completamente não empírico, o que a fez conhecida como “antro- pologia de gabinete”, porque seus teóricos não faziam qualquer trabalho de campo, de pesquisa prática ou etnográfica, conjecturando os períodos histórico- -evolutivos somente por leituras históricas, filológicas e arqueológicas, sem fornecer explicações sobre como e quando teriam acontecido as supostas transições de um estágio evolutivo ao outro. Isso tudo, segundo seus críticos, faz seus escritos soarem um tanto pretensiosos, genéricos, hiper-explicativos e com pouco embasamento factual real. Difusionismo O difusionismo veio como um desdobramento do evolucionismo. Assim como este, aquele também é uma teoria histórica sobre a evolução do homem e da cultura. O evolucionismo deixou algumas lacunas explicativas, e o difusio- nismo tentou respondê-las. Por exemplo, por que há objetos arqueológicos semelhantes em partes diferentes do mundo, se cada cultura evoluiu distin- As escolas de antropologia 4
  • 6. tamente da outra, se elas eram incomunicáveis entre si e se a mente humana de cada pessoa de um povo é diferente? O difusionismo tentou responder essa questão ao sustentar que as inovações tecnológicas e culturais durante a história evolutiva foram iniciadas em culturas específicas e difundidas de inúmeros modos posteriormente, de forma que haveria uma essência humana mental, o que explicaria a presença de objetos, motivos artísticos e tecnologias semelhantes em vestígios arqueológicos em partes distintas do mundo. O difusionismo enfatizou o papel da imitação cultural tecnológica por necessidades universais, como caça, comida, cocção, etc. Daí a presença de elementos culturais semelhantes em povos distintos. Seus principais expoentes foram Wilhelm Schmidt, Fritz Gräbner e Grafton Elliot Smith. Eles criaram a hipótese da Kulturkreise, os “círculos culturais”, que seriam círculos de difusão cultural centrífugos, em que o elemento cultural era criado em um centro e se difundia circularmente para seu entorno geográfico mais acessível (Figura 2). Por exemplo, o Egito antigo foi um grande centro de difusão cultural, visto que, em seu entorno, o mediterrâneo, há inúmeros artefatos, vestígios arqueológicos, linguísticos, religiosos e políticos que, se traçadas as origens, remontam ao delta do Nilo (Figura 3). Sabe-se, por exemplo, hoje, que a religião grega deve muito ao próprio Egito (ERIKSEN, 2012). Figura 2. Armas usadas pelos australianos primitivos, organizadas por afinidade e originando de uma única forma simples para várias complexas, para mostrar a sobrevivências de armas antigas na atualidade, por meio da hipótese evolutivo-difusionista. No centro, a forma sim- ples, de onde todas as outras derivaram. Em volta delas, todas suas variações existentes no passado e no presente, de lanças lisas, lanças farpadas e bastões a bumerangues. Fonte: Pitt-Rivers (1906, p. 49). As escolas de antropologia 5
  • 7. Figura 3. Difusionismo cultural a partir do Egito, de Grafton Elliot Smith. O Egito teria sido a fonte das chamadas culturas “heliolíticas”. No mapa, vê-se as rotas prováveis de difusão de tal cultura. Fonte: Smith (1929, p. 14). Digite “Difusionismo: correntes antropológicas do século XIX” em seu motor de busca preferido para ter acesso a um excelente material didático sobre o difusionismo, com suas principais escolas internas e vertentes, expoentes e métodos, de autoria de Leonardo Marcondes Alves. Culturalismo O culturalismo, também conhecido como relativismo cultural, particularismo histórico ou escola americana de antropologia social, foi uma corrente da antropologia cultural que sustentava que as crenças, os valores e as práticas deveriam ser compreendidos dentro da própria cultural do indivíduo, no lugar de compreendidos segundo os critérios de outra cultura. Seu principal expoente foi o antropólogo alemão, naturalizado americano, Franz Boas, acompanhado de seus discípulos, como Ruth Benedict, Margaret Mead e As escolas de antropologia 6
  • 8. Edward Sapir. As principais características dessa escola foram a empiria, a etnografia, o relativismo e o culturalismo. Franz Boas (1858–1942) se doutorou em física na Universidade de Kiel, em 1881, com a tese Contribuições para a percepção da cor da água, e sempre se interessou muito em psicofísica e geografia. Em 1883, ele participou de uma expedição na Ilha Baffin, no Canadá, para pesquisar sobre o impacto do meio ambiente nas migrações do povo esquimó Inuit e, então, escreveu a etnografia chamada The central eskimo (1886) para privatdozent (título uni- versitário próprio das universidades de língua alemã na Europa) em geografia na Universidade de Berlim. Contudo, ele se mudou para os Estados Unidos no ano seguinte e se tornou professor de Antropologia na Universidade Clark em 1888. Alguns anos depois, em 1899, ele se tornou professor de antropologia na Universidade de Columbia. Boas dizia que a civilização não é algo absoluto, mas relativo, e que as ideias e os conceitos são verdadeiros somente na medida da própria civilização. Nessa medida, o culturalismo é uma rejeição do evolucionismo antropológico. Boas não concordava com a ideia de evoluções lineares, ou seja, que todas as sociedade estão na mesma trajetória linear histórica e atingem seus níveis particulares de evolução e desenvolvimento do mesmo modo como as outras sociedades. As sociedades, para Boas, alcançam o mesmo nível de desenvolvimento cultural por diferentes e variados caminhos paralelos. A cultura humana é maleável, plástica, apreendida por educação social e, portanto, as diferenças comportamentais, sociais, morais entre as culturas são distintas entre si, e não se devem a predis- posições inatas biológicas. Portanto, os fatores biológicos, geográficos e naturais não são relevantes para compreender as diferenças culturais dos indivíduos. Boas, assim, rejeita a classificação e a gradação em es- calas evolutivas do evolucionismo e, portanto, hierarquias evolutivas. As sociedades, em seu ponto de vista, são resultado de processos históricos particulares e não universais. Boas sustentava o relativismo cultural, um ponto central dentro do culturalismo. Ele assere que uma cultura só pode ser compreendida dentro de seus próprios padrões morais e de seu próprio desenvolvimento histórico interno. Assim, não é viável ou cientificamente válido classificar e avaliar uma cultura segundo os padrões do próprio pesquisador, antropólogo ou cientista. A classificação dos evolucionistas entre culturas primitivas ou civilizadas só faz sentido dentro de sua própria cultura. As escolas de antropologia 7
  • 9. A principal obra de Boas, A mente do homem primitivo (1911), é uma crítica ao conceito de cultura primitiva, conceitos raciais ultrapassados, ideias eugênicas sobre raça e inteligência, supremacia branca, hereditariedade da inteligência e o conflito entre nature e nurture. Sua afirmação de que não há relação entre fenótipos e dotes mentais foi polêmica à época, quando muitos médicos, biólogos e nutrólogos a sustentavam. Ele também argumentava que é a linguagem que molda o pensamento, não o contrário. Essa tese igualmente foi polêmica e criou toda uma corrente de pesquisa na antropologia, seguida por seu discípulo Sapir. De forma semelhante, Boas sustentava que a ideia de estágios evolutivos histórico-culturais é absurda, porque nem todos os estágios estiveram pre- sentes em todas as culturas. Por fim, desfaz a ligação histórica entre raça e cultura, dizendo que o desenvolvimento cultural de uma sociedade não tem nada a ver com o desenvolvimento racial de um povo e que, portanto, a raça não influencia o desenvolvimento econômico e cultural de um povo, pois fenótipos e biologia não podem ser determinantes em questões de ordem histórica e cultural. As conclusões lógicas, as premissas, os silogismos e as relações de causalidade feitas por outros povos se devem ao conhecimento acumulado passado, e não a questões de monta biológica (ERIKSEN, 2012). Em suma, a obra de Boas é uma crítica ao naturalismo antropológico e moral que dominava as ciências humanas no século XIX e no início do XX. Ele corta toda a ligação e possibilidade de ligação que poderia haver entre questões de ordem epistemológica, moral, cultural e social com questões de ordem biológica, natural e geográfica. De modo sucinto, ele separa dois campos distintos: a psicologia da biologia. A mente humana, e seu subproduto, a cultura, independem da biologia e da natureza. Está inaugurada, assim, a antropologia social moderna. A principal contribuição de Edward Sapir (1884–1939), um dos discípulos de Boas, foi o conhecimento sobre as relações entre a linguagem e a cultura, ou entre linguística e psicologia e antropologia. Ele estudou como ambas se inter-relacionam, como a linguagem molda a cultura e como a organização social reflete a organização linguística mental de um povo. Essas relações são conhecidas como a hipótese Sapir-Whorf. Além disso, ele fez importantes contribuições para a classificação das línguas indígenas da América do Norte e desenvolveu o conceito de fonema. Seu trabalho todo é uma tentativa de compreender como os padrões culturais são moldados pelas personalida- des individuais por meio da linguagem. Uma de suas obras importantes é Linguagem: uma introdução ao estudo do discurso (1921). As escolas de antropologia 8
  • 10. Ruth Benedict (1887–1948) se doutorou na Universidade de Columbia sob a orientação de Boas em 1923 com a tese O conceito de espírito guardião na América do Norte. Assim como Sapir, ela também estava interessada nas relações entre cultura e personalidade, em antropologia e psicologia. Suas principais obras foram Padrões de cultura (1934) e O crisântemo e a espada: padrões da cultura japonesa (1946). A ideia-chave da autora é que as culturas são personalidades, pois as culturas, assim como os indivíduos, são padrões de pensamento e ações. Margaret Mead (1901–1978) também fez parte da escola americana cul- turalista de antropologia social. Seu principal livro é Sexo e temperamento em três sociedades primitivas (1935), no qual ela relata o comportamento dominante das mulheres entre os Tchambuli da Papua Nova Guiné e conclui que os Arapesh eram pacíficos, os Mundugumor eram bélicos e os Tchambuli continham diferenças de gêneros, sendo que os homens passavam muito tempo decorando a si mesmos, enquanto as mulheres eram mais práticas. Há muitas controvérsias sobre as pesquisas de Mead. Em 1983 o antropólogo neozelandês John Derek Freeman publicou um livro criticando o trabalho de Margaret Mead (FREEMAN; MEAD; SAMOA, 1983). Derek argumenta que a cultura Samoa, diferentemente do que asserido por Mead, tinha em alta conta a castidade feminina e não era uma cultura de promiscuidade. Em 1981 a antropóloga Deborah Gewertz não encontrou evidências de diferenças de gênero tão agudas apontadas por Mead em Samoa e a socióloga Jessie Bernard considerou o trabalho de Mead como completamente enviesado. Funcionalismo O funcionalismo foi outra escola de pensamento na Antropologia, mas que se iniciou na sociologia, com Émile Durkheim. Ele explica inúmeros elementos aparentemente caóticos, desajustados e desarmoniosos na sociedade em termos de funções sociais. Assim, para o funcionalismo, não existem coisas certas ou erradas, mas coisas ou instituições que têm ou não funções sociais no interior de dado sistema social. Durkheim dizia que o objeto das ciências sociais são os fatos sociais, em contraposição aos valores sociais da escola de sociologia compreensiva weberiana. Tudo, na sociedade, deve ser encarado como um fato social à título de método. As escolas de antropologia 9
  • 11. Os fatos sociais têm três características: exterioridade, coercitividade e generalidade. Ou seja, são instituições sociais que se impõem ao indivíduo, são maiores que o indivíduo e abrangem todos os indivíduos. Por exemplo, o direito e as leis são fatos sociais. Todo fato social, por mais estranho que pareça, tem uma função social. Por exemplo, o suicídio, as mitologias irra- cionais, os sacrifícios absurdos, etc. Tudo, assim, tem uma função para conduzir a sociedade ao equilíbrio, à estabilidade e à ordem, sem os quais ela colapsaria. O funcionalismo é uma teoria holística, porque aborda a sociedade pelo todo, e não por suas partes constituintes. Assim, os indivíduos são secundários, e as estruturas, as funções e as instituições sociais são mais importantes que a psique individual ou as relações entre os indivíduos. Desse modo, as normas, os costu- mes, as tradições e as instituições se sobrepõem aos indivíduos, e suas escolhas individuais têm pouco, ou nenhum, valor para a manutenção do todo social. Veja, no Quadro 1, os principais conceitos funcionalistas de Durkheim em suas principais obras. Quadro 1. Os principais conceitos funcionalistas de Durkheim Obra Conceitos Da divisão do trabalho social (1893) Sociedades simples e complexas Solidariedade mecânica e orgânica Direito repressivo e restitutivo Primitivos e modernos Regras do método sociológico (1895) Fato social Naturalismo metodológico Utilitarismo Ciências moraissociais versus naturais Holismo metodológico Morfologização metodológica Comparativismo metodológico As formas elementares da vida religiosa (1912) Totemismo australiano Sagrado e profano Crenças e ritos As escolas de antropologia 10
  • 12. Bronisław Malinowski (1884–1942) foi um antropólogo polonês que lecionou na London School of Economics. Sua maior contribuição para a antropologia foi o método etnográfico da observação participante, por meio de suas pesquisas sobre o kula com os nativos das Ilhas Trobriand, na Melanésia, documentadas em Argonautas do pacífico ocidental (1922). O kula era uma cerimônia ritual de trocas de braceletes brancos e colares vermelhos e de oferendas e presentes entre os habitantes do Norte e do Sul das Ilhas Trobriand. A tese demonstrada em sua pesquisa é em antropologia econômica: as trocas do kula mostram que não são somente vantagens utilitárias econômi- cas que são valiosas para os ilhéus. A função social do kula não tem caráter econômico utilitário, mas social, em criar laços, fazer amizades e estimular a reciprocidade. A cultura serve para as necessidades dos indivíduos e, por- tanto, da própria sociedade. Assim, o sentimento e a intenção das instituições sociais são cruciais para se compreender uma sociedade. Outra obra sua importante foi Sexo e repressão na sociedade selvagem (1927), em que questiona alguma ideias da psicanálise tidas como universais, como o complexo de Édipo, a sexualidade infantil na puberdade, o papel materno na criação, os mitos e tabus familiares como o incesto, o parricídio como fundação da cultura, a transição dos instintos naturais para a formação da cultura civilizada, etc. Alfred Reginald Radcliffe-Brown (1881–1955) foi outro expoente importante da escola funcionalista de antropologia social na Inglaterra. Ele considera as instituições sociais, como casamento, direito, religião, mitos e ritos, como chaves para a manutenção da ordem social e do equilíbrio, como organismos vivos. Contudo, seu funcionalismo é mais corretamente chamado de estrutural- -funcionalismo. A função de uma prática social é seu papel em manter o todo da estrutura social. Por fim, Sir Edward Evans-Pritchard (1902–1973) foi um antropólogo inglês, professor da Universidade de Oxford. Sua principal obra é Bruxaria, oráculo e magia entre os Azande (1937), um estudo sobre religião entre um povo da África Centro-Norte. Ele notou que os Azande têm a tendência em atribuir a causa de vários infortúnios à bruxaria e que seria impossível compreender a religião Azande sem seu contexto social e sua função social, a saber, que a bruxaria e os oráculos tinham a função de resolver disputas entre os Azande, constituindo um meio de explicação tão plausível e lógico dentro do sistema interno da cultura Azande quanto a ciência no mundo civilizado. As escolas de antropologia 11
  • 13. Estruturalismo O estruturalismo na antropologia teve várias influências. Uma delas foi o Curso geral de linguística (1916), de Ferdinand de Saussure, que abandonava o método diacrônico (ou filológico) na linguística e adotava o método sincrônico, considerando a língua como uma estrutura cujos elementos constituintes, os fonemas, só poderiam ser compreendidos pelas relações de equivalência e oposição com os outros. Assim, o significado só pode ser compreendido por sua estrutura, e não pelos elementos singulares isolados. Por exemplo, as palavras “cat” e “bat” se diferenciam apenas pelos fonemas “c” e “b”, pois são fonemas contrastantes. É essa oposição entre eles que formam o significado de ambas as palavras. O estruturalismo na linguística nasceu a partir das ideias de Saussure e foi seguido por Louis Hjelmslev, Émile Benveniste, Roman Jakobson e Nikolai Trubetzkoy. A ideia central se encontrava na fonética, na relação entre os fonemas na formação do significado. Além da dicotomia entre os fonemas, há a dicotomia entre língua e fala, sincronia e diacronia, significante e signi- ficado, sintagma e paradigma. Em antropologia, seu principal expoente foi Lévi-Strauss. Claude Lévi-Strauss (1908–2009) foi um antropólogo francês que aplicou largamente as noções do estruturalismo linguístico no estudo das culturas primitivas. Ele compreendia a mente humana (e seu subproduto, a cultura) analogamente à linguagem para encontrar os universais, os padrões, as es- truturas e os irredutíveis culturais que formam as sociedades. O pensamento humano, reproduzindo a linguagem dos mitos, opera por pares de oposição simples, como cru e cozido, dia e noite, frio e quente, vivo e morte, sol e lua, etc. As estruturas formam uma gramática social profunda e são visíveis na linguagem e no inconsciente, na mente (LOURENÇO, 1997). O principal livro de Lévi-Strauss foi As estruturas elementares do paren- tesco (1949), cujos temas centrais são o parentesco e suas várias formas de organização, o incesto e suas teorias e uma defesa da teoria da aliança. Lévi-Strauss considera o tabu do incesto a origem da sociedade, a passa- gem primordial da natureza para a cultura, o ponto fundante da sociedade, porque estabelece uma regra para as relações sexuais e, com essa regra, seleciona e reduz as possibilidades infinitas de cópula na natureza e, assim, direciona o instinto. Ao estabelecer regras sociais, a proibição do incesto delimita com quem alguém pode casar-se, copular e reproduzir-se, ou seja, com alguém fora do círculo familiar próximo. Ao fazê-lo, ele estimula a am- pliação do círculo social, a saída do nubente da vigília paterna e materna As escolas de antropologia 12
  • 14. e, por conseguinte, sua entrada em outro mundo, o do cônjuge. O tabu do incesto estimula a exogamia. A ideia é uma troca recíproca no fundamento da aliança matrimonial. A mulher troca de família quando se casa, e é essa circulação de fêmeas que liga grupos sociais diversos e famílias em uma única, a sociedade. Lévi-Strauss fala de dois tipos de estruturas de parentesco: as complexas e as elementares. Quando as mulheres são oferecidas a outro grupo explici- tamente definido, fala-se de estruturas elementares. Quando as mulheres são oferecidas a um grupo indeterminado e aberto, fala-se de estruturas complexas. Desse modo, ele tenta explicar o fenômenos dos casamentos cruzados entre primos em sociedades de estrutura elementares de paren- tesco (Figura 4). Figura 4. Estrutura elementar do parentesco. O átomo de parentesco presente no casamento cruzado. As escolas de antropologia 13
  • 15. O casamento entre primos cruzados não permite a aliança entre primos paralelos porque considera o tio ou tia como segundas mães e, portanto, os primos paralelos como irmãos e, assim, como incesto. Para evitar o incesto, casa-se com os primos cruzados. Essa prática, além de forçar a endogamia, estimula a criação de átomos de sociedades endógenas, separadas da família próxima. Várias sociedades adotam esse modelo, como alguns povos árabes e hindus. Lévi-Strauss chamou de átomo de parentesco esse pequeno grupo formado pelo casamento cruzado e localizou ali a origem da sociedade. Diálogos entre as escolas Entre as várias escolas de antropologia social, existem diversas semelhanças e diferenças. Algumas enfatizam mais alguns pontos do que outras. O evolucionismo foi a escola que deu o início à antropologia. Ela é uma escola típica do século XIX, derivada do positivismo de Augusto Comte. Ela dialoga muito com o difusionismo, pois oferece sua base, como as noções de evolução histórica, desenvolvimento, degeneração cultural, regeneração cultural, resíduos culturais, migrações, trocas culturais e diacronia cultural. Ambas são essencialmente historicistas, ou seja, focam o desenvolvimento no tempo. Contudo, o difusionismo é muito mais geográfico, pois foca o desenvolvimento cultural no espaço. O culturalismo se relaciona muito com o difusionismo, por pressupor uma unidade psíquica humana, ligações culturais históricas entre os povos em diversos locais. Contudo, ele estabelece uma cisão forte entre natureza e cultura, entre biologia e antropologia, entre raça e pensamento, entre modos diferentes de pensar e biotipos e fenótipos. O funcionalismo estabelece, por sua vez, um diálogo com a noção de estruturas sociais maiores que influenciam o indivíduo, e, portanto, há muito contato com o estruturalismo. A noção de fatos sociais gerais, exteriores e coercitivos tem ecos na noção de estrutura. A antropologia nasceu como uma ciência humana que tentava compreender o homem e seu meio. Portanto, é uma ciência ideográfica, não nomotética, para usar a expressão de Windelband, ou, ainda, uma ciência descritiva, não normativa, ou mesmo uma ciência do espírito, não natural. Essas distinções (ideográfica, descritiva e do espírito) eram distinções derivadas da crítica kantiana e se solidificaram ao longo do século XIX. Dizer que uma ciência é ideográfica ou descritiva é dizer que seu papel é essencialmente de compre- ensão da realidade, não de explicação (verstehen/erklären, verbos “entender” e “explicar” em alemão, respectivamente). As escolas de antropologia 14
  • 16. Dado que o próprio objeto da antropologia é o homem no tempo e no espaço, e dado que esse objeto muda constantemente, é natural que a antropologia tenha um caráter intrinsecamente relativista e não se proponha a prescrever normas ou homens e culturais ideais, mas a compreender os já existentes. Por isso a preocupação sempre em fazer trabalho de campo e colher informações in loco dos outros povos. As diferenças entre as várias escolas de antropologia são apenas dis- tinções metodológicas ou de pressupostos teóricos de abordagem, mas não distinções essenciais, que as façam profundamente diversas umas das outras. Elas todas se unem na ideia de que há várias sociedades e povos, e que o papel do cientista deve ser compreender suas diferenças. Veja, no Quadro 2, um comparativo dessas escolas para melhor fixá-las, com as devidas palavras-chave de cada autor. Quadro 2. Comparativo entre as principais escolas de antropologia Escola Antropólogo Vida Principal obra Palavras-chave Evolucionismo Lewis Henry Morgan (1818–1881) Sociedade antiga (1877) Iroqueses, parentesco, selvageria, barbárie e civilização Edward Burnett Tylor (1832–1917) Primitive culture (1871) Animismo, cultura, uni- versais, sobreviventes Sir James George Frazer (1854–1941) O ramo dourado (1890) Mágica, religião e ciência, mitologia Difusionismo Grafton Elliot Smith (1871–1937) As migrações na cultura antiga (1915) Disseminação geográ- fica, egiptologia Wilhelm Schmidt (1868–1954) A origem e desenvolvimento da religião (1931) Monoteísmo primitivo Fritz Gräbner (1877–1934) A visão de mundo dos primitivos (1924) Kulturkreise (Continua) As escolas de antropologia 15
  • 17. Escola Antropólogo Vida Principal obra Palavras-chave Culturalismo Franz Boas (1858–1942) A mente do homem primitivo (1911) Relativismo cultural, Inuits, particularismo histórico Edward Sapir (1884–1939) Linguagem: uma introdução ao estudo do dis- curso (1921) Linguagem, antro- pologia e psicologia, hipótese Sapir-Whorff Ruth Benedict (1887–1948) Padrões de cultura (1934) Cultura e personali- dade, antropologia e psicologia, Kwakiutls Margaret Mead (1901–1978) Sexo e tempe- ramento em três sociedades primitivas (1935) Samoa, sexualidade, gênero, Tchambuli Funcionalismo Bronisław Malinowski (1884–1942) Argonautas do pacífico ociden- tal (1922) Etnografia, observação participante, kula, Ilhas Trobriand Alfred Radcliffe- -Brown (1881–1955) Organização social das tribos australianas (1931) Coadaptação, função e estrutura, tribos australianas Sir Edward Evans- -Pritchard (1902–1973) Bruxaria, oráculo e magia entre os Azande (1937) Religião primitiva, tribos africanas, Nuer, parentesco Estrutura- lismo Claude Lévi-Strauss (1908–2009) As estruturas elementares do parentesco (1949) Casamentos cruzados, incesto, mitologias, linguística estrutural, pares de oposição, di- cotomias, bricolagem O estudo do homem no Brasil Enquanto, na Europa, as escolas de antropologia vistas ficaram essencial- mente na Inglaterra, na Alemanha e na França, nas Américas, elas ficaram muito restritas aos Estados Unidos, notadamente a escola culturalista. No Brasil, por ser um País que preservou a cultura indígena bem mais que seus vizinhos hispânicos, ela foi bem desenvolvida. Há muitos nomes de antropó- (Continuação) As escolas de antropologia 16
  • 18. logos brasileiros ou estrangeiros que estiveram no Brasil durante a segunda metade do Império até os primeiros anos da República. Assim, o primeiro momento da antropologia no Brasil pode ser traçado de 1835 até 1933. Ele se inicia com os estudos do dinamarquês, primo do filósofo Soren Kierkegaard, Peter Lund (1801–1880) em Lagoa Santa, Minas Gerais, onde ele descobriu ossadas fósseis nas cavernas do Rio das Velhas, que hoje estão no Museu de História Natural de Copenhagen. Sua pesquisa antropológica foi restrita à antropologia biológica, um ramo da antropologia mais próximo às ciências naturais do que às ciências humanas. Outro nome muito importante nesse período foi o de João Barbosa Ro- drigues (1842–1909). Ele foi um dos integrantes da pesquisa científica na Amazônia financiada por Dom Pedro II e, ainda, um exímio desenhista botânico, diretor do Jardim Botânico de Manaus, sob patrocínio da princesa Isabel. Sua contribuição mais importante para a antropologia social foi, sem dúvida, na subárea da etnolinguística, com uma coleção de obras sobre línguas indí- genas amazônicas: A Língua Geral do Amazonas e o Guarany: observações sobre o alphabeto indigena (1888); O muyrakytã : estudo da origem Asiatica da civilização do Amazonas nos tempos prehistoricos (1889); Pacificação dos Crichanás (1885); Poranduba Amazonense (1890); Vocabulario indigena com a orthographia correcta (1894); Vocabulario indigena comparado (1892). O terceiro nome importante no primeiro período foi o de Curt Nimuen- dajú, nascido Curt Unckel (1883–1945), um alemão que percorreu o Brasil pesquisando os índios por mais de 40 anos. Ele deixou inúmeros trabalhos, mas, devido ao irresponsável incêndio do Museu Nacional em 2018, muitas de suas obras foram perdidas: Apontamentos sôbre os Guarani (1954); Patašó (1938); Os Gorotire (1940); Índios Maxakali (1939); Os índios Tukuna (1929); Re- conhecimento dos rios Içana, Ayarí e Uaupés (1927); As tribos do alto Madeira (1925); Etnografia e indigenismo: sobre os Kaingang, os Ofaié-Xavante e os índios do Pará (1993). Apesar de ser um nome mais recente, Darcy Ribeiro (1922–1997) pode ser contado entre esses primeiros, por sua abordagem evolucionista e difusionista na antropologia. Darcy Ribeiro foi um nome importante não apenas na política e na educação brasileira, mas também por seus trabalhos antropológicos, en- tre eles: Culturas e línguas indígenas do Brasil (1957); Arte plumária dos índios Kaapo (1957); Os índios e a civilização (1970); Suma etnológica brasileira (1986); O processo civilizatório: etapas da evolução sócio-cultural (1968); As Américas e a civilização: processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos (1970); Os brasileiros: teoria do Brasil (1972). As escolas de antropologia 17
  • 19. Esses primeiros nomes da antropologia brasileira estavam profundamente marcados pelas escolas evolucionistas e difusionistas, como se pode notar na obra do próprio Darcy Ribeiro. Ribeiro cria que os povos todos passam pelo chamado processo civilizatório, iniciando como caçadores e coletores, e passando por revoluções, como a agrícola, a urbana, a hídrica, a metalúrgica, a pecuária, a mercantil e a industrial, que iam modificando o povo e a cultura. Na segunda fase da antropologia no Brasil, podem ser incluídos nomes como o de Donald Pierson, Arthur Ramos, Eduardo Galvão, Roberto de Oliveira e Silvio Coelho dos Santos. E, na terceira, nomes como o de Manuela Carneiro da Cunha e Eduardo Viveiros de Castro. Donald Pierson (1900–1995) foi um sociólogo e antropólogo americano que lecionou na Escola de Sociologia e Política de São Paulo até 1959. Ele pesquisou os negros na Bahia e, em 1942, publicou sua tese de doutorado, chamada de Brancos e pretos na Bahia: um estudo de contato racial. A obra é marcada pelo evolucionismo, contendo vários quadros classificatórios de pessoas por tipo racial, e conclui que os negros brasileiros não sofriam preconceitos raciais como nos Estados Unidos, pelo forte componente de miscigenação presente na Bahia. Ele coordenou vários estudos importantes sobre o Brasil, que resultaram nos livros Cruz das almas: uma vila brasileira (1951) e O homem no Vale do São Francisco (1972). Arthur Ramos de Araújo Pereira (1903–1949) foi um psiquiatra, psicólogo e etnólogo com estudos importantes sobre a identidade brasileira e com um papel importante na institucionalização das ciências sociais no Brasil. Ele cunhou o termo “democracia racial” ao se referir ao Brasil e sua alta miscigenação. Entre suas obras, destacam-se Primitivo e loucura (1926), O negro brasileiro: etnografia religiosa e psicanálise (1934) e A Mestiçagem no Brasil (1951), publicada após seu falecimento. Eduardo Enéas Gustavo Galvão (1921–1976), graduado em geografia e história pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, foi o primeiro an- tropólogo brasileiro a ter um doutorado pela Universidade de Columbia, em 1952, com a tese Santos e visagens: um estudo da vida religiosa de Itá, Amazonas. Durante toda a vida, pesquisou muitos indígenas, como os Tapi- rapé, Tenetehara, Tiriyó, Anambé, Kamaiurá, Kayabi, Juruna, etc. Foi professor na Universidade de Brasília e na Universidade Federal do Pará. Entre suas obras mais relevantes, destacam-se Santos e visagens: um estudo da vida religiosa de Itá, Amazonas (1955) e Índios do Brasil, áreas culturais e áreas de subsistência (1973). As escolas de antropologia 18
  • 20. De modo geral, a antropologia no Brasil tem uma influência muito grande da França, pela proximidade histórica dos dois países e por muitos de seus representantes terem estudado nos grandes centros educacionais superiores franceses, notadamente a École des hautes études en sciences sociales. A antropologia brasileira, portanto, recebe muita influência do funcionalismo francês na sociologia e do estruturalismo na antropologia, bem como do pós-modernismo e do pós-estruturalismo franceses, com Pierre Clastres, por exemplo. Ademais, a fundação da Universidade de São Paulo foi marcada pela vinda de inúmeros intelectuais franceses durante a década de 1930 e 1940, como Lévi-Strauss. Todos esses fatores tiveram um impacto sig- nificativo nas ciências humanas no Brasil, sobretudo na antropologia, mas também na filosofia, com o que chamamos de escola continental em filosofia, um modo de pensar mais distanciado da lógica formal e mais próximo à história. Como visto, por muito tempo as ciências sociais no Brasil estiveram muito ligadas às escolas de tendência positivista e evolucionista, e mesmo recen- temente, com Darcy Ribeiro, o evolucionismo esteve presente. No campo da antropologia biológica, destaca-se, no Brasil, a Universidade Federal do Pará, que conduz uma intensa pesquisa em arqueologia. Referências CASTRO, C. (org.) Evolucionismo cultural: textos de Morgan, Tylor e Frazer. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. ERIKSEN, T. H.; NIELSEN, F. S. História da antropologia. Rio de Janeiro: Vozes, 2012. FREEMAN, D. Margaret Mead and Samoa. Cambridge, London: Harvard University Press, 1983. LOURENÇO, J. M. A racionalidade em Lévi-strauss. Revista Portuguesa De Filosofia, v. 53, nº 2, p. 249–289, 1997. PITT-RIVERS, A. H. L.-F. The evolution of culture and other essays. Oxford: Clarendon Press, 1906. SMITH, G. E. The migrations of early culture. Manchester: Manchester University Press, 1929. As escolas de antropologia 19
  • 21. Leituras recomendadas DESCOLA, P. Claude Lévi-Strauss, uma apresentação. Estudos avançados, v. 23, nº 67, p. 149–160, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext &pid=S0103-40142009000300019. Acesso em: 14 out. 2020. GRAEBNER, F. El mundo del hombre primitivo: estudio de las concepciones primitivas del mundo en los pueblos salvajes. Madrid: Revista de Occidente, 1925. PIRES, P. S. O conceito de magia nos autores clássicos. Revista de Antropologia Social dos Alunos do PPGAS-UFSCar, v. 2, nº 1, p. 97–123, 2010. Disponível em: http://www.rau. ufscar.br/wp-content/uploads/2015/05/r@uv2n1-artigo-5.pdf. Acesso em: 14 out. 2020. ROCHA, A. E. O estruturalismo de Lévi-Strauss: significação do "estrutural Inconsciente". Revista Portuguesa De Filosofia, v. 32, nº 2, p. 171-–06, 1976. RUTSCH, M. Los fundamentos de la teoría culturalista boasiana. Boletín de Antropología Americana, nº 4, p. 115–137, 1981. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. As escolas de antropologia 20