Pensamento, linguagem e aprendizagem

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Pensamento, linguagem e aprendizagem

  1. 1. Pensamento, Linguagem e Aprendizagem
  2. 2. De Interpretatione (Aristóteles – 384-322 a.C.) Os sons falados são símbolos das afecções da alma, e as marcas escritas são símbolos dos sons falados. E do mesmo modo que as marcas escritas não são as mesmas para todos os homens, os sons falados também não são os mesmos para todos os homens. Mas aquilo de que os sons falados são signos, as afecções da alma, são as mesmas para todos os homens. E aquilo a que as afecções da alma são semelhantes, as coisas reais, também são as mesmas para todos os homens.
  3. 3. Segundo Aristóteles, os sons falados mantêm uma relação de simbolização para com o pensamento, assim como as marcas escritas mantêm uma relação de simbolização para com os sons falados. Numa palavra, os sons falados e as marcas escritas são símbolos estabelecidos por convenção. Por isso mesmo, variam de povo para povo.
  4. 4. Aristóteles está fazendo referência a uma discussão ocorrida no diálogo Crátilo, de Platão (428-348 a.C.), sobre a seguinte pergunta: qual é a relação entre a linguagem e a natureza? Hermógenes, oponente de Crátilo, sustenta que a linguagem é um produto da natureza (physis, em grego), e cita o exemplo das onomatopéias (‘arara’, ‘au’, ‘ai’, ‘bum’etc. ). Crátilo sustenta que a linguagem é produto da convenção (nomós, em grego), e que as onomatopéias são uma pequena parte da linguagem.
  5. 5. Voltando a Aristóteles, o pensamento mantém uma relação de semelhança para com as coisas reais ou realidade fora dele. Podemos dizer que, para Aristóteles, o pensamento é um espelho da realidade. A relação entre o pensamento e as coisas reais não é convencional ou cultural, mas natural.
  6. 6. Assim, o pensamento seria semelhante à realidade e aquilo a que o pensamento se refere, ou seja, as coisas reais ou realidade em geral, não variariam de povo para povo. Em suma, segundo Aristóteles, para os mais diferentes povos, haveria uma única realidade e um único pensamento semelhante a essa realidade.
  7. 7. Para poder simbolizar tanto o pensamento quanto a realidade da qual o pensamento seria um mero espelho, a linguagem teria de apresentar uma determinada estrutura, uma estrutura simétrica ou análoga à estrutura do pensamento e, em última análise, simétrica ou análoga à estrutura da realidade.
  8. 8. Assim, a linguagem possuiria uma determinada estrutura gramatical que simbolizaria a estrutura do pensamento e da realidade da qual ele é um espelho. Assim, a linguagem possuiria nomes ou substantivos, próprios e comuns, porque na realidade há coisas ou pessoas para serem nomeadas (cadeiras, árvores, gatos, João etc). A linguagem possuiria verbos, porque as coisas ou pessoas na realidade passam por processos ou executam ações (João pensa, árvores crescem, gatos miam etc).
  9. 9. A linguagem possuiria adjetivos, porque tanto coisas quanto pessoas são dotadas de qualidades e propriedades, que por sua vez seriam nomeadas por esses adjetivos (grande, verde, bonito, etc). A linguagem possuiria advérbios, porque tanto os processos quanto as qualidades podem ser qualificados ou apresentar diferentes modos (João fala muito, árvores crescem rápido, o verde é escuro etc).
  10. 10. Aristóteles sustenta que conhecemos e pensamos as coisas como são em si mesmas, e usamos a linguagem para descrevê-las exatamente como existem em si mesmas, independentemente da estrutura do pensamento e da própria linguagem. É o que se conhece como realismo (ingênuo).
  11. 11. O filósofo francês René Descartes (1596-1650) pôs em dúvida esse realismo. Ele mostrou que não temos acesso direto e imediato às coisas reais supostamente independentes de nós, mas somente às nossas próprias sensações dessas coisas. Mas Descartes ainda tentou “construir uma ponte” entre as nossas sensações subjetivas e as coisas reais objetivas fora de nós, apelando para a existência de Deus.
  12. 12. Mas os filósofos empiristas ingleses levaram às últimas conseqüências o ensinamento de Descartes. Berkeley afirmou que “ser é ser percebido”, que as coisas reais supostamente independentes de nós não passam de um feixe de sensações, representações ou ideias (ideas, em inglês). (Ele teve de acrescentar depois que “ser é perceber e ser percebido”). Em oposição a Aristóteles, Berkeley defendeu o que se conhece hoje como idealismo.

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