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Os Filósofos da Natureza1
O projeto dos filósofos
Como a maioria dos filósofos viveu em outra época – e provavelmente também numa cultura completamente diferente da
nossa -, vale a pena examinar o projeto de cada filósofo. Precisamos tentar entender do que precisamente se ocuparam
estes filósofos. Um filósofo pode se perguntar, por exemplo, como surgem as plantas e os animais. Outro pode querer
descobrir se há um Deus ou se as plantas têm uma alma imortal.
Depois de termos definido qual é o projeto de determinado filósofo, será mais fácil acompanhar seu pensamento, pois
nenhum filósofo pode se ocupar de todas as questões concernentes à filosofia.

Mudanças naturais

Os primeiros filósofos gregos são por vezes chamados de Filósofos da Natureza, porque se ocupavam principalmente
do mundo natural e dos seus processos.

Os filósofos observavam com os próprios olhos que a Natureza esta em constante estado de transformação. Mas como
ocorrem essas transformações? Todos os primeiros filósofos compartilhavam da crença de que deveria haver uma
determinada substância básica na raiz de todas as mudanças. Deveria haver algo de que todas as coisas provêm e a ele
retornam.

Para nós, a parte de maior interesse não são as soluções encontradas por esses filósofos, mas as perguntas
que eles formularam e o tipo de respostas que procuravam.

Sabemos que estavam à procura das leis fundamentais da Natureza. Queriam entender o que acontece no mundo, sem
precisar recorrer a mitos. E, mais importante, queriam entender os processos pelo estudo da própria Natureza.

Assim, pouco a pouco a filosofia se libertou da religião. É possível dizer que os filósofos da Natureza deram o
primeiro passo na direção dado raciocínio cientifico e, por conseguinte, do que viria a ser a ciência moderna.

Sobreviveram apenas os fragmentos do que os filósofos da Natureza disseram e escreveram. O pouco que se conhece
encontram-se nos escritos de Aristóteles, que viveu dois séculos mais tarde. Mas o que conhecemos nos permite
confirmar que o projeto dos primeiros filósofos gregos dizia respeito a uma substância constituinte básica e das
mudanças na Natureza.

Tales

Tales achava que a origem de todas as coisas seria a água. Ele estava convencido de que toda forma de vida ter-se-ia
originada da água - para onde retorna quando se dissolve.

Tales viajou por várias regiões, inclusive a Egito, onde, segundo consta, calculou a altura de uma pirâmide a partir da
proporção entre sua própria altura e o comprimento de sua sombra: essa proporção é a mesma que existe entre a altura
da pirâmide e o comprimento da sombra desta. Esse cálculo exprime o que, na geometria, até hoje se conhece como
Teorema de Tales.

A partir de cerca de 500 a.C., quem se interessou pela questão acima foi um grupo de filósofos da colônia grega de
Eléia, no sul do Itália, por isso, conhecidos como “eleatas”.

Parmênides

O mais importante dos filósofos eleatas foi Parmênides (c. 540 — 480 a.C.). Ele pensava que tudo o que existe sempre
existiu. Nada nasce do nada, e nada do que existe se transforma em nada.

Mas Parmênides levou a idéia ainda mais longe. Achava que não existiriam mudanças reais. De acordo com ele,
nenhum objeto poderia se transformar em algo diferente do que era.

Parmênides se deu conta, clara, de que a Natureza está em constante estado de fluidez. Percebia com os sentidos
que as coisas mudam. Mas não conseguia conciliar isso com o que a razão lhe dizia. Parecia logicamente impossível
que uma coisa se tornasse diferente e, apesar disso, permanecesse de algum modo a mesma. Quando se viu forçado a
escolher entre confiar nos sentidos ou na razão, escolheu a razão.


1
    Texto adaptado do livro: O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder.
                                                            1
Essa inabalável crença na razão humana recebeu o nome de racionalismo. Um racionalista é alguém que acredita que
a razão humana é a fonte primária de nosso conhecimento do mundo.

Heráclito

Um contemporâneo de Parmênides foi Heráclito (c. 540 - 480 a.C.) que era de Éfeso, na Ásia Menor. Heráclito
propunha que a matéria básica do Universo seria o fogo. Pensava também que a mudança constante, ou o fluxo, seria a
característica mais elementar da Natureza. Heráclito acreditava mais do que Parmênides naquilo que percebia. “Tudo
flui, disse Heráclito. Tudo está em fluxo e movimento constantes, nada permanece. (...) “não entramos duas vezes no
mesmo rio.” Quando entro no rio pela segunda vez, nem eu nem o rio somos os mesmos.

Heráclito assinalou que o mundo se caracterizava por opostos. Ele acreditava que tanto o bem como o mal teriam um
lugar inevitável na ordem das coisas, e que sem essa constante interação de opostos o mundo deixaria de existir.

“Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, fome e saciedade” disse Heráclito. Ele usou a palavra “Deus”, mas
evidentemente não se referia aos deuses da mitologia grega. Para Heráclito estava convencido de que deveria haver
uma espécie de razão universal , guiando tudo o que ocorre na Natureza.

Trata-se de algo pelo qual os seres humanos são guiados – no entanto, Heráclito pensava a grande maioria das pessoas
vive segundo a razão individual. De modo geral, ele desprezava o próximo. “As opiniões da maioria”, disse ele, “são
como brinquedos para as crianças”.

Assim, no centro de todo esse fluxo constante e essa interação de opostos. Heráclito divisou uma Entidade, ou unidade.
Esse “algo”, que seria a origem de todas as coisas ele chamou de Deus, ou logos.

Demócrito

Demócrito foi o último dos grandes filósofos da Natureza. Pouco se conhece sobre sua vida, mas se sabe que ele era
da pequena cidade de Abdera, na costa do mar Egeu. Ele concordava com seus antecessores em que as
transformações na Natureza não poderiam resultar em de alguma “mudança” real das coisas.

Demócrito pensava que todas as coisas fossem feitas de minúsculos blocos de armar invisíveis, cada uma delas eterna
e imutável. Ele chamou essas minúsculas unidades de átomos.

A palavra “átomo” significa “indivisível”. Para Demócrito era fundamental estabelecer que as partes constituintes das
quais tudo seria feito não pudessem ser divididas indefinidamente em partes ainda menores, a Natureza se dissolveria
como uma sopa rala, constantemente diluída.

Além disso, as pedras da natureza teriam de ser eternas – porque nada pode surgir do nada. Neste ponto, Demócrito
concordava com Parmênides e com os eleatas. Ele também acreditava que todos os átomos deveriam ser firmes e
sólidos. Mas não poderiam ser todos iguais. Se todos os átomos fossem idênticos, ainda assim, não haveria uma
explicação satisfatória para o fato de eles se combinarem para formar todas as coisas, desde papoulas e oliveiras a pele
de cabra e cabelo humano.

Demócrito achava que a natureza consistiria em um número e variedades de átomos sem limites. Alguns seriam
redondos e lisos, outros irregulares e denteados. E precisamente por serem tão diferentes é que poderiam juntar-se e
formar todos os tipos de corpos diversificados. Mas por mais infinitos que pudessem ser em número e forma, seriam
todos eternos, imutáveis e indivisíveis.

A solução que Demócrito encontrou para o problema da transformação era que um só átomo – as unidade básicas das
quais todas as coisas se formariam – sofreria qualquer alteração. Ele concluiu que a única coisa que realmente se
transforma seria a combinação dos átomos.




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FilóSofos Da Natureza

  • 1. Os Filósofos da Natureza1 O projeto dos filósofos Como a maioria dos filósofos viveu em outra época – e provavelmente também numa cultura completamente diferente da nossa -, vale a pena examinar o projeto de cada filósofo. Precisamos tentar entender do que precisamente se ocuparam estes filósofos. Um filósofo pode se perguntar, por exemplo, como surgem as plantas e os animais. Outro pode querer descobrir se há um Deus ou se as plantas têm uma alma imortal. Depois de termos definido qual é o projeto de determinado filósofo, será mais fácil acompanhar seu pensamento, pois nenhum filósofo pode se ocupar de todas as questões concernentes à filosofia. Mudanças naturais Os primeiros filósofos gregos são por vezes chamados de Filósofos da Natureza, porque se ocupavam principalmente do mundo natural e dos seus processos. Os filósofos observavam com os próprios olhos que a Natureza esta em constante estado de transformação. Mas como ocorrem essas transformações? Todos os primeiros filósofos compartilhavam da crença de que deveria haver uma determinada substância básica na raiz de todas as mudanças. Deveria haver algo de que todas as coisas provêm e a ele retornam. Para nós, a parte de maior interesse não são as soluções encontradas por esses filósofos, mas as perguntas que eles formularam e o tipo de respostas que procuravam. Sabemos que estavam à procura das leis fundamentais da Natureza. Queriam entender o que acontece no mundo, sem precisar recorrer a mitos. E, mais importante, queriam entender os processos pelo estudo da própria Natureza. Assim, pouco a pouco a filosofia se libertou da religião. É possível dizer que os filósofos da Natureza deram o primeiro passo na direção dado raciocínio cientifico e, por conseguinte, do que viria a ser a ciência moderna. Sobreviveram apenas os fragmentos do que os filósofos da Natureza disseram e escreveram. O pouco que se conhece encontram-se nos escritos de Aristóteles, que viveu dois séculos mais tarde. Mas o que conhecemos nos permite confirmar que o projeto dos primeiros filósofos gregos dizia respeito a uma substância constituinte básica e das mudanças na Natureza. Tales Tales achava que a origem de todas as coisas seria a água. Ele estava convencido de que toda forma de vida ter-se-ia originada da água - para onde retorna quando se dissolve. Tales viajou por várias regiões, inclusive a Egito, onde, segundo consta, calculou a altura de uma pirâmide a partir da proporção entre sua própria altura e o comprimento de sua sombra: essa proporção é a mesma que existe entre a altura da pirâmide e o comprimento da sombra desta. Esse cálculo exprime o que, na geometria, até hoje se conhece como Teorema de Tales. A partir de cerca de 500 a.C., quem se interessou pela questão acima foi um grupo de filósofos da colônia grega de Eléia, no sul do Itália, por isso, conhecidos como “eleatas”. Parmênides O mais importante dos filósofos eleatas foi Parmênides (c. 540 — 480 a.C.). Ele pensava que tudo o que existe sempre existiu. Nada nasce do nada, e nada do que existe se transforma em nada. Mas Parmênides levou a idéia ainda mais longe. Achava que não existiriam mudanças reais. De acordo com ele, nenhum objeto poderia se transformar em algo diferente do que era. Parmênides se deu conta, clara, de que a Natureza está em constante estado de fluidez. Percebia com os sentidos que as coisas mudam. Mas não conseguia conciliar isso com o que a razão lhe dizia. Parecia logicamente impossível que uma coisa se tornasse diferente e, apesar disso, permanecesse de algum modo a mesma. Quando se viu forçado a escolher entre confiar nos sentidos ou na razão, escolheu a razão. 1 Texto adaptado do livro: O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder. 1
  • 2. Essa inabalável crença na razão humana recebeu o nome de racionalismo. Um racionalista é alguém que acredita que a razão humana é a fonte primária de nosso conhecimento do mundo. Heráclito Um contemporâneo de Parmênides foi Heráclito (c. 540 - 480 a.C.) que era de Éfeso, na Ásia Menor. Heráclito propunha que a matéria básica do Universo seria o fogo. Pensava também que a mudança constante, ou o fluxo, seria a característica mais elementar da Natureza. Heráclito acreditava mais do que Parmênides naquilo que percebia. “Tudo flui, disse Heráclito. Tudo está em fluxo e movimento constantes, nada permanece. (...) “não entramos duas vezes no mesmo rio.” Quando entro no rio pela segunda vez, nem eu nem o rio somos os mesmos. Heráclito assinalou que o mundo se caracterizava por opostos. Ele acreditava que tanto o bem como o mal teriam um lugar inevitável na ordem das coisas, e que sem essa constante interação de opostos o mundo deixaria de existir. “Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, fome e saciedade” disse Heráclito. Ele usou a palavra “Deus”, mas evidentemente não se referia aos deuses da mitologia grega. Para Heráclito estava convencido de que deveria haver uma espécie de razão universal , guiando tudo o que ocorre na Natureza. Trata-se de algo pelo qual os seres humanos são guiados – no entanto, Heráclito pensava a grande maioria das pessoas vive segundo a razão individual. De modo geral, ele desprezava o próximo. “As opiniões da maioria”, disse ele, “são como brinquedos para as crianças”. Assim, no centro de todo esse fluxo constante e essa interação de opostos. Heráclito divisou uma Entidade, ou unidade. Esse “algo”, que seria a origem de todas as coisas ele chamou de Deus, ou logos. Demócrito Demócrito foi o último dos grandes filósofos da Natureza. Pouco se conhece sobre sua vida, mas se sabe que ele era da pequena cidade de Abdera, na costa do mar Egeu. Ele concordava com seus antecessores em que as transformações na Natureza não poderiam resultar em de alguma “mudança” real das coisas. Demócrito pensava que todas as coisas fossem feitas de minúsculos blocos de armar invisíveis, cada uma delas eterna e imutável. Ele chamou essas minúsculas unidades de átomos. A palavra “átomo” significa “indivisível”. Para Demócrito era fundamental estabelecer que as partes constituintes das quais tudo seria feito não pudessem ser divididas indefinidamente em partes ainda menores, a Natureza se dissolveria como uma sopa rala, constantemente diluída. Além disso, as pedras da natureza teriam de ser eternas – porque nada pode surgir do nada. Neste ponto, Demócrito concordava com Parmênides e com os eleatas. Ele também acreditava que todos os átomos deveriam ser firmes e sólidos. Mas não poderiam ser todos iguais. Se todos os átomos fossem idênticos, ainda assim, não haveria uma explicação satisfatória para o fato de eles se combinarem para formar todas as coisas, desde papoulas e oliveiras a pele de cabra e cabelo humano. Demócrito achava que a natureza consistiria em um número e variedades de átomos sem limites. Alguns seriam redondos e lisos, outros irregulares e denteados. E precisamente por serem tão diferentes é que poderiam juntar-se e formar todos os tipos de corpos diversificados. Mas por mais infinitos que pudessem ser em número e forma, seriam todos eternos, imutáveis e indivisíveis. A solução que Demócrito encontrou para o problema da transformação era que um só átomo – as unidade básicas das quais todas as coisas se formariam – sofreria qualquer alteração. Ele concluiu que a única coisa que realmente se transforma seria a combinação dos átomos. 2