Espiral 30

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Espiral 30

  1. 1. espiral boletim da associação FRATERNIT TERNITAS FRATERNITAS MOVIMENTO N.º 30 - Janeiro / Março de 2008 E m plena Quaresma, preparando-nos todos para a maior Festa do Ano, a Páscoa da Ressurreição, gostava de partilhar convosco conversãoeste espírito de conversão a que, como cristão, mesinto interpelado. Consciente de que é uma tarefade todos os dias, apercebo-me que é este o mo- e ressurreiçãomento mais propício para ela. Conversão que signi- cer em toda a Sua riqueza e profundidade!fica, antes de mais, voltar-me sempre mais para o E nunca saberemos agradecer suficientemente aoSenhor, para aquilo que Ele me marcou como pro- Artur por vir de tão longe, para nos falar, para nosjecto de existência, para aquilo que Ele espera de ajudar a reflectir, para repartir connosco, duma for-mim cada dia e em cada hora, e que tantas vezes ma sempre muito viva e estimulante, tantos anos denem consigo discernir, porque me falta meditação e profundo estudo da Escritura e, sobretudo, dos Evan-escuta da Sua Palavra. gelhos! Uma vez mais sairemos do nosso Encontro Provavelmente, quando chegar à vossa caixa de anual mais ricos em conhecimentos e com a nossacorreio este número do nosso Boletim, a Páscoa Fé reforçada e mais esclarecida.como celebração já passou, mas o Tempo Pascalcontinua, como tempo privilegiado de aprofunda-mento interior e de enriquecimento espiritual. Por issomesmo, sei que me compreendereis, sabendo que N ão posso deixar de partilhar convosco, uma vez mais, aquilo que foi tema do último edi- torial do Espiral. Estamos em ano de escolha de umaescrevi esta partilha em plena Quaresma. Direcção para um novo mandato de três anos. Te- O nosso Encontro Nacional, em Fátima, de 24 a nho confiança que o nosso Movimento já estará “em27 de Abril, será orientado pelo nosso tão caro Artur movimento” para encontrar quem assuma esta tare-Oliveira, que vai procurar baseá-lo no seu livro ain- fa. Todos os sócios se sentem, certamente, responsá-da por publicar, mas já pronto, sobre «Jesus de Na- veis por esta escolha que lhes é solicitada e, no diazaré e as Mulheres». Que oportunidade excelente da Assembleia-Geral, uma ou mais listas aparece-para prolongarmos, em Tempo Pascal, o nosso co- rão certamente, para poderem ser votadas. Seria óp-nhecimento sobre Jesus, Quem nunca será matéria timo que não fosse uma só, mas sim pelo menosesgotada para nós, tão longe estamos de O conhe- duas, porque para haver uma “eleição” é muito melhor que haja uma “escolha”, e não que vá a vo- tos uma única hipótese. Até porque no nosso Movi- SumáRIO mento há, certamente, diferentes sensibilidades, vári- Conversão e ressurreição 1 as maneiras de sentir o que somos e o que quere- Enviou-os dois a dois 2 mos, e portanto é natural que as escolhas não sejam uniformes. Só significa que somos um grupo rico de Nova organização para novas paróquias 3 ideias e projectos, e que não nos acomodamos a Um livro sobre homens corajosos 4 uma certa passividade de quem deixa para os ou- tros a solução daquilo que queremos. Anotações sobre a espiritualidade do Pela nossa parte, ao longo destes três últimos anos, seguimento de Cristo 5 procurámos estar atentos aos diferentes desejos dos Cristãos iraquianos 7 membros, tentámos inovar naquilo que nos pareceu ser o “bom sentido”, mas temos plena consciência Decálogo do sacerdote 8 das nossas limitações e fraquezas. Demos o nosso Que queremos afinal 8 melhor, mas parece-nos justo dar lugar a outros, por- (continua na pág. 2)
  2. 2. 2 espiral (Continuação pág. 1) humildade e confiança que nos substituam nestas. Eventura mais capazes de assumir essas responsabili- sabemos que “fraternalmente” seremos compreendi-dades. dos. Eu e mais alguns elementos da actual Direcção Vasco Fernandesnão nos recandidatamos, é ponto assente, mas ha-verá sempre alguém que pode transitar para umanova lista, entre outras coisas para garantir uma cer-ta continuidade desejável e proveitosa. A toda a Demos aquilo que pudemos e soubemos duranteestes três anos, e confiamos que haverá outros que FAMÍLIA FRATERNITAS FRATERNIT TERNITASnos substituirão com vantagem. Por motivos diferen-tes de cada um dos que agora cessamos a nossa desejamosresponsabilidade de Direcção, há também um moti-vo comum que se prende com a disponibilidade detempo para cumprir estas tarefas. uma Páscoa Temos que estar agradecidos ao Senhor por po-dermos servir em muitas “vinhas do Senhor”, porqueisso significa que Ele nos dá saúde e forças. Nenhum vivida e plena! E em Fátima nos encontraremos, em júbilo,de nós cessa funções para ficar sem qualquer res- a partir de 24 de Abril ao anoitecer!ponsabilidade na construção do Reino. Pelo contrá-rio, porque temos muitas outras tarefas, pedimos comEnviou-os DOIS a DOIS A doutrina do venerando Papa Bento XVI, ex- pressa em encíclicas e outros documentos,bem como em iniciativas oportunas e prudentes da medicação adequada; seja a praga moderna do rapto de crianças e tráfico de pessoas… O conjunto destas realidades, positivas por umreforma de alguns dicastérios da Cúria Romana, das lado, negativas por outro, impele-me a evocar o la-suas visitas apostólicas, principalmente à Turquia, e tente mandamento do Mestre: «Ide e ensinai».outros gestos pastorais; alguns documentos doutri- Porquê, Santíssimo Papa, Cardeais, Arcebispos,nais, iniciativas pastorais e sócio-caritativas e vários Bispos, Monsenhores, não partem assim doze degestos proféticos dos Bispos portugueses como a cada vez, acompanhados de peritos e teólogos, comooportuna e urgente chamada de atenção da Confe- anjos descidos do Céu, para pacificar as nações:rência Episcopal aos poderes civis sobre a Concordata «Deixamo-vos a paz. Damo-vos a paz de Cristo»?e a protecção das IPSS da Igreja; a continuação de Ah! Se um dia, do Vaticano, partisse uma revoadaordenações sacerdotais em todas as dioceses, em- destas “pombas brancas”, todo o mundo se admira-bora em número não suficiente; os diversos movi- ria, levantaria os olhos aos céus, acreditaria mais namentos de Fátima, cada vez mais “altar do mundo”: Igreja católica e exclamaria com júbilo: «Deus visitoutudo isto são Aleluias no mundo! o Seu povo». Por outro lado, lançando um olhar sobre as vári- Tenho consciência de que esta sugestão é arroja-as questões deste mundo real, cujo final feliz não se da. Tenho a impressão de que não passa de um belovislumbra a prazo: sejam guerras a ferro, fogo e san- sonho, de um poema. Mas a Sagrada Escritura estágue, sejam guerras frias que as diplomacias não têm cheia de sonhos, de poemas proféticos. E até o Con-resolvido; seja a fome, as piores doenças endémicas, cílio Vaticano II, que após “sonhado”, levou João principalmente existentes XXIII a não dormir 15 noites (o tempo que levou a em África, e ainda ou- promulgá-lo), e a viagem transatlântica de Paulo VI tras novas enfer- para ir discursar na sede das Nações Unidas, não midades que foram antes também sonhos subtis? pululam como «Deus pensa, o Homem sonha (o que Deus pen- cogumelos, sa), a obra nasce.» O homem não tem o direito de para as quais as pôr em dúvida o que pensa e quer o Espírito Divino, autoridades e a que tem o Seu tempo e o Seu modo, não os nossos medicina disse- tempos ou modos. Como dizia o poeta, «o sonho ram não haver comanda a vida». José Silva Pinto
  3. 3. espiral 3Nova organização para novas paróquiasD. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, propõe novos dinamismos para a paróquia e para o párocoperante as mudanças sociais. A questão séria que se põe hoje à Igreja, às comuni-dades e a cada um de nós, é o homens). O território deve ser en- tendido não só geograficamente, mas também antropologicamente: colaboração meramente ocasional para uma determinada iniciativa, mas de um laço de colaboraçãoanúncio e a transmissão da fé fren- as características humanas, sociais duradoiro e programado.te às mudanças culturais e às difi- e culturais. Dada a mobilidade ca- E não se pense que se trata deculdades e aos desafios que levan- racterística do nosso tempo, as pes- uma pura “política de crise” resul-tam: Como anunciar hoje? Qual soas já não vivem, nem fazem a tante da escassez do clero. É antesdeve ser o fundamento da evan- sua vida, só no espaço e no am- uma perspectiva que se abre paragelização? Que caminhos percor- biente da paróquia. o futuro. Isto resulta da unidade darer para que seja activa e fecun- A paróquia é a Igreja presente missão da Igreja (missão em co-da? Não podemos contentar-nos no quotidiano das pessoas e das munhão) para que seja vivida nacom uma religiosidade vaga, ge- famílias, que as acompanha em busca de todas aquelas colabo-nérica e superficial que não re- todas as idades e etapas da vida. rações que permitam realizar inici-siste às transformações culturais, à Todavia, não se pode mais ativas que superam as possibilida-mínima tempestade provocada concebê-la isolada e fechada em des de cada paróquia.por um «Código da Vinci» e outras si mesma. Já o P Congar, nos .e Uma pastoral integrada põeficções do género. meados do século passado, escre- em acção todas as energias de O Papa João Paulo II, na veu, com o título significativo: «Mi- que o povo de Deus dispõe, valo-«Novo Millennio Ineunte», indica nha paróquia, vasto mundo»! rizando-as na sua especificidadealgumas linhas programáticas que Uma pastoral de manutenção, e, ao mesmo tempo, fazendo-aspoderemos sintetizar em três pala- voltada unicamente para a conser- confluir em projectos comuns, pen-vras-chave: Contemplação – con- vação da fé e assistência da co- sados, definidos, programados etemplar o rosto (mistério) de Cristo munidade, já não basta. É preciso realizados em conjunto. Ela põe empara ir ao coração da fé e cami- uma pastoral evangelizadora e em rede os múltiplos recursos de quenhar na estrada da santidade. É o todos os campos: ser capaz de criar dispõe: humanos, espirituais, cul-reconhecimento do primado de e manter itinerários que aproximam turais, pastorais.Deus, da Sua graça e do Seu amor as pessoas à fé, promovendo lu- Mas isto requer o difícil traba-na vida e pastoral da Igreja (Pala- gares de encontro com quantos lho em equipa, que pede uma es-vra, Eucaristia, iniciação à fé); andam à busca e com quem, mes- piritualidade e uma ascese, a co-Comunhão – descobrir o mistério mo sendo baptizado, sente o de- meçar pelo “pensar em equipa”:de comunhão que habita e carac- sejo de escolher de novo o Evan- partilha dos diversos pontos de vis-teriza a forma da existência cristã gelho como orientação de fundo ta com transparência; desejo dee da Igreja, como projecção da da sua própria vida… aprender com os outros; escuta in-vida trinitária, e se torna espiritua- teressada e sem preconceitos;lidade pessoal e comunitária, que PASTORAL INTEGRAD A ASTORAL INTEGRADA consciência de que se vê e discerneconfigurará a Igreja como “casa e Acabou o tempo da paróquia a realidade com maior amplitudeescola de comunhão”, e por con- auto-suficiente que respondia a e profundidade; renúncia ao indi-seguinte, praxis de comunhão; Mis- todas as situações e problemas. vidualismo e à indisciplina.são – para ser testemunhas alegres Em âmbitos da pastorale convictas e fermento evangélico litúrgica, da formação na fé, da PASTORAL INTEGRAL ASTORALno mundo, atentos à vida quotidi- pastoral dos jovens, da família, Se acabou a época da paró-ana das pessoas e à mudança cul- caridade, cultura, saúde, etecetera, quia auto-suficiente, acabou tam-tural do nosso tempo. só se pode trabalhar juntos. São bém o tempo do pároco auto-su- terrenos onde a paróquia tem ne- ficiente (faz-tudo), que pensa o seu PARÓQUIA E TERRITÓRIO cessidade e urgência de mover-se ministério isolado. O pároco de- A paróquia tem duas referênci- em colaboração com as paróqui- verá promover carismas, vocações,as fundamentais: a igreja dio- as vizinhas, no contexto da ministérios a partir da correspon-cesana (da qual é uma célula) e o vigararia, investindo corajosamen- sabilidade. (ver texto completo emterritório (no qual torna a Igreja te numa pastoral de conjunto. w w w. a g e n c i a . e c c l e s i a . p t /presente no meio das casas dos E não se trata apenas de uma noticia.asp?noticiaid=55439http).
  4. 4. 4 espiralUM LIVRO sobre HOMENS CORAJOSOS«Des Prêtres Épousent Leur correntes filosóficas como o dre casado, observa de forma lú-Humanité», este é o título ori- existencialismo, a vontade de in- cida o facto de que nada se alte-ginal de um livro de Philippe tervenção efectiva no meio (segun- rou entretanto, e como, nesta área,Brand (Ph.B.), publicado pe- do o modelo dos “padres operá- não tem sido possível encetar, atélas Editions L’Harmattan (564 L’Harmattan rios”), e outros. Eles, homens de hoje, qualquer tipo de diálogopáginas - 28 Euros). convicção e de acção, preocupa- com a hierarquia.A partir de uma recolha de dos em transmitir a mensagem do Estes testemunhos permitem a24 testemunhos escritos, de Evangelho, vão-se dando conta de Ph.B. analisar os diferentes percur-padres casados, Ph.B. analisa que a Igreja se vai tornando um sos destes homens corajosos queo percurso desses homens simples “centro de administração continuam a acreditar no “tesouroque escolheram casar-se, de sacramentos”. Mas não põem do Evangelho” e na acção colec-rompendo assim com a disci-plina da Igreja católica. a sua fé em causa. É na instituição tiva. É comovente, sobretudo, aA questão que põe em análise que situam o problema, devido so- descrição da dolorosa inserção noé a seguinte: Por que motivo bretudo à sua estreita visão de um mundo laico e do trabalho...homens normais, moldados “pensamento cristão único”. Este livro é um dos únicos e, quepor uma rigorosa formação, «Na medida em que o espírito eu tenha conhecimento, o primei-se decidiram por essa opção, era alimentado e satisfeito, as ne- ro desde há mais de uma déca-enquanto outros (com a mes- cessidades do corpo encontravam- da, a evocar colectivamente a ex-ma formação) permanecem -se limitadas», conclui Philippe periência daqueles que fizeramfiéis ao estado clerical? Brand. Para lá da sexualidade, en- uma escolha de vida determinan- carada como um pecado, o en- te, há trinta ou quarenta anos atrás. Florian Bruckner contro com o feminino fez com que Procura interpretar este fenóme- in Golias magazine, n.º116, estes homens descobrissem o amor no colectivo através da história das Set/Out 2007 Tradução: Paulo Eufrásio e encarassem a possibilidade de correntes do pensamen- to e das forças socio- lógicas e espirituais P hilippe Brand situa as vidas dos padres casados, dequem recolheu testemunhos por dos quatro últimos séculos, após a Re-escrito, no contexto de uma Igreja forma protestanteem declínio de influência, de con- e o Concílio devicções enfraquecidas e incapaz de Trento. Situaassegurar o pleno desenvolvimen- igualmente es-to individual dos seus ministros. tas experiênci-Para isso elaborou uma grelha de as de vida norespostas em que aborda as eta- quadro dospas decisivas com que esses pa- problemasdres se depararam: a formação com os quaisinicial e o despertar da vocação, são confron-a ruptura com a Igreja, a nova pro- descen- tados os ho-fissão, a vida de casal e familiar, dência. O mens e oso lugar na sociedade e, finalmen- casamento, crentes dete, as posteriores relações, quer com assumido hoje.o mundo laico, quer com a Igreja. como um verda- O livro Os diferentes testemunhos per- deiro acto de mi- não propõemitiram ao autor descrever as pri- litância, no sentido de opção por soluçõesmeiras fissuras detectadas, isto uma união livre, acaba por signi- para a crise da Igreja católica nosapesar da moldura moral e disci- ficar a ruptura com a Igreja. E esta nossos dias, como também nãoplinar que receberam. São tidos não pode fechar os olhos – como pretende qualquer acerto de con-em conta diversos factores de in- faz por vezes com certas uniões tas com a instituição. A obra pode,fluência, tais como acontecimen- “oficiosas” - revelando-se incapaz contudo, contribuir para esclarecertos exteriores (serviço militar, guer- de evoluir nesta matéria. os espíritos dos responsáveis ecle-ra da Argélia, Maio de 68, ...), O autor, ele também um pa- siais. página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: geral@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: direccao@fraternitas.pt * pági
  5. 5. espiral 5 ANOTAÇÕES SOBRE A ESPIRITUALIDADE DO SEGUIMENTO DE CRISTO O teólogo Jon Sobrino disse, diadores, é a da proximidade. Je- uma profunda libertação na pró- uma vez, que Cristo é Alguém sus é o Próximo. Ele, não só pria noção de Deus, distinguindo que se descobre todos os dias. encarnou, mas aproxima-Se das Deus verdadeiro dos ídolos. Deus Isto, porque Ele é pessoas e da sua realidade, e é quer a vida das pessoas, que deve eterna novidade; assim que faz os Seus julgamen- ser em abundância, mas que co- porque nós, os crentes, tos, denuncia, desmascara, per- meça com pão, casa, saúde e O temos escondido; doa, salva e exige. A proximida- educação. Os ídolos, ao contrá- e, também, de é, em síntese, a encarnação da rio, esvaziam as pessoas: exigem- porque a humanidade está misericórdia. É pela proximidade -lhes, cada vez mais, tempo, emo- sempre a fabricar que todos, e em especial os po- ções, dinheiro e, até, a felicidade. os seus cristos/ídolos. bres, podemos chamar Irmão a D escobrir Cristo, significa re- descobrir o Jesus de Na- zaré dos Evangelhos, entregue a Jesus. Por esta mesma proximida- de misericordiosa – em que vivem em conjunto alegrias e tristezas, an- SEGUIMENTO O SEGUIMENTO Seguir Cristo é aderir ao que Ele nos diz. Começa por não nos nós em narrações de fé, apresen- seios e conquistas –, é que Jesus é conformarmos com este mundo, tado através de mediadores: credível, é Verdade. com as suas verdades, os seus ído- Deus- Pai, o Espírito Santo, e toda Uma segunda característica de los, mas denunciá-lo, quando ade- a História da Igreja. Cristo, a ser captada e clonada por re ao pecado. Nisto havemos de A História da Igreja, e da hu- nós, é a de Libertador, Redentor, ser Boa Nova de libertação. Temos manidade é lugar do redesco- Salvador, conforme Lc 4,18-19: «O de ser fiéis, mesmo quando as con- brimento de Cristo, porque o Evan- Espírito do Senhor está sobre Mim, sequências possam ser todo o tipo gelho tem reencontrado o seu pró- porque Ele Me consagrou com a de perseguições. Neste núcleo fun- prio lugar, o lugar no qual deve unção, para anunciar a Boa Nova damental da espiritualidade, a ser lido e a partir do qual se faz aos pobres, enviou-Me para pro- existência orienta-se não para a Palavra de Vida. Esse lugar é o clamar a libertação aos presos e defesa da própria pessoa, nem de mundo dos crentes, que são pro- aos cegos a recuperação da vista; uma filosofia, de uma ideologia fetas, sacerdotes, reis, pobres, mis- para libertar os oprimidos, e para política ou de um fundamentalis- sionários, mártires, convertidos… proclamar um ano de graça do mo religioso, mas para Deus, que A primeira característica de Senhor». É libertador enquanto li- quer ser «tudo em todos». Cristo que pode ser captada pe- vra as pessoas das angústias, da A vida dos crentes, no mundo los crentes, e dela estes serem me- resignação, dos individualismos, de hoje, é seguimento de Jesus no do desespero; porquanto nos co- desprendimento, no serviço, no munica uma força interior que apontar caminhos, na sobriedade nos faz mudar, pessoalmen- baseada na verdade. Nunca no te e ao nosso redor, de pes- triunfalismo. Não é por se funda- soas amedrontadas, fecha- mentar nos títulos: sou cristão, sou das, para homens livres, para papa, bispo, padre, religioso, esperar, para nos unirmos, catequista, que o crente se faz Boa para lutar. Mas esta liberta- Notícia, mas por ser Amigo de Cris- ção só é possível com a fé. O to. Ele não é dono da Salvação. contacto de Jesus com os doentes O crente não tem soluções para deixava--os sãos, mas uma era a tudo; mas, objectivamente, sabe a razão: «A tua fé te salvou». A fé em direcção para a qual nos devemos Deus Pai correlaciona-se com a fé mover: o Reino de Deus. E, como na fraternidade universal. Daí que afirmou o profeta Miqueias, cami- a maior cura para a sociedade de nha «sem triunfalismos, por uma hoje é vencerem-se egoísmos, es- parte, e sem complexos de inferi- cravidões, ódios. oridade, por outra, mas humilde- Isto leva-nos a uma terceira ca- mente, com Deus». racterística de Jesus: Ele opera Fernando félixina oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: secretariado@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: tesoureiraria@fraternitas.pt
  6. 6. 6 espiral CRISTÃOS IRAQUIANOS Entre a esperança e a fugaA convite do arcebispocatólico caldeu de Kirkuk, tre os quais o Ministro das Finan- defende a igualdade de homensLouis Sako, uma pequena ças, Sarkis Aghajan Mamendu, bas- e mulheres. Rejeita em absolutodelegação austríaca tante influente. Toda a região curda qualquer extremismo. Considera-deslocou-se ao Iraque com o experimenta um desenvolvimento -se empenhado na luta contra aobjectivo de verificar no económico que se pode classificar violência sobre as mulheres:terreno a situação local dos de claro a héctico. Isso torna-se evi- «Encontramo-nos hoje numa guer-cristãos na região do Iraque dente no elevado número de no- ra fria contra os extremistas islâ-controlada pelos Curdos. vas construções em toda a região micos. Numa sociedade domina-Entre os participantes e pelo denso tráfego de camiões. da por homens, eles tentam excluircontava-se também o Apenas os inúmeros controlos as mulheres curdas da participa-Dr. Mart presidenteDr. Johann Mar t e, president e armados nas estradas, principal- ção na vida cultural.»da Pró-Oriente. mente nas de longo curso, alertam No que concerne aos direitosApresentamos excertos do para a tensa situação de seguran- das mulheres, já desde o início dosseu relatório de viagem. ça. Só na cidade de Kirkuk, que fica anos 90 há melhor regulamenta- na fronteira da região curda, as ção do que na maioria das outras pp. in Kirche In, 09/2007, pp. 30 Tradução: João Simão barragens de estrada, inúmeras regiões do Iraque. forças policiais e a proibição de O objectivo da des- locação de uma peque-na delegação austríaca ao Iraque saída a partir das 23 horas, assi- nalam o reforço da situação de segurança. CRISTÃOS: A CONDIÇÃO Antes de 2003, metade dos cristãos iraquianos vivia emera expressar solidariedade aos A região curda lucra claramen- Bagdade. Eles dividem-se por ca-cristãos refugiados, provenientes te com esta situação. Já antes não torze confissões diferentes. Muitossobretudo das grandes cidades do foi afectada pelo embargo da já se refugiaram no estrangeiro ousul (Bagdade e Bassorá), mas tam- ONU (1991-2003), tendo podido no norte do Iraque (no universo debém de Mossul, no norte, e estu- desenvolver-se mais ou menos tran- todos os refugiados, os cristãos sãodar a melhor forma de os ajudar. quilamente durante esse tempo. uma parte desproporcionadamen-Eles pertencem àqueles grupos O ministro curdo da cultura, te grande) mas ainda há bairros,populacionais que, na actual situ- Falak-Addin Kakayee, quer como Ankawa em Erbil, capital doação, são proporcionalmente implementar uma «more open Curdistão, ou pequenas cidadesmais perseguidos e ameaçados. kurdish society». Promove intensiva- como Karakosh ou d’Alkosh, que A viagem até Erbil decorreu mente a língua e cultura curdas e são quase exclusivamente cristãos.sem problemas. O visto de entra-da, na forma de um carimbo, foiconcedido gratuitamente. Comunidades católicas no Iraque O CURDISTÃO A região curda tem cerca decinco milhões de habitantes, den-tre os quais aproximadamente A presença cristã no Iraque é muito antiga e decorre da pregação do Apóstolo Tomé, que As comunidades católicas no Iraque são de quatro ritos: Caldeus, Sírio-antioquenos,200.000 são cristãos. Em todo o depois da morte e da Ressurreição Arménios e Latinos.Iraque ainda há actualmente en- de Jesus, partiu de Jerusalém e Os Caldeus são a grande mai-tre 400.000 e 500.000 cristãos, o evangelizou, nos anos 42-49, to- oria (setenta por cento) entre osque representa apenas metade dos das as populações do Oriente Mé- cristãos locais. A sede do Patriar-que lá viviam antes da invasão do dio. Os protestantes chegaram ao cado está em Bagdade. Num con-exército dos Estados Unidos. Iraque há poucos anos. texto de maioria islâmica, vive e À região curda são atribuídos Na era pós-Saddam, a comu- celebra a sua fé com grande vita-17 por cento do orçamento naci- nidade cristã manteve o seu espa- lidade, dedicando-se sobretudo àonal. O presidente do Governo é ço social e político, lutando pela catequese e à educação. Fervo-Massoud Barzani. Três membros edificação de um Estado leigo e rosa na caridade, assiste numero-do seu Governo são cristãos, en- pluralista, respeitoso das minorias. sas famílias pobres, cristãs e mu-
  7. 7. espiral 7 A Delegação ficou muito sur- móveis, carrinhas para poderem zes amistosas, entre cristãos e mu-preendida com os aldeamentos e mandar os filhos à escola, porque çulmanos em nada influem paracom as igrejas, recém construídos o Governo sente-se incapaz de sa- alterar a existência de uma divisãopara os cristãos refugiados. Os tisfazer estas exigências. fundamental da sociedade numarecursos para esse efeito foram Afectados por esta imediata si- camada dominante (muçulmanos)disponibilizados pelo Ministro das tuação de emergência estão actu- e os súbditos (todos os outros), definanças Sarkis Aghajan Mamendu. almente cerca de 6000 cristãos acordo com Corão 9, 33. A clas-É evidente que, com estas novas (talvez mais de 2000 famílias). sificação de «dhimitude», o cha-aldeias, se pretende colonizar o Com raras excepções, os cris- mado «pecado original da dife-norte do país, até agora muito tãos no sul do Iraque são amea- rença» (…) e, em consequência dis-pouco aproveitado. çados ou raptados, não por serem so, as sempre recorrentes humilha- Ora os cristãos envolvidos nes- cristãos, mas porque são vítimas ções e discriminações de toda ata situação deparam-se com um mais fáceis (não são protegidos espécie, a total falta de autorida-grande problema: eles habitam por ninguém) e mais de política, mas também persegui-casas novas (pequenos bangalós compensadoras (os raptores espe- ções sangrentas, não deixaram detérreos) numa região isolada, mas ram resgates maiores). ter consequências sobre a formafértil, no entanto sem empregos, na de estar na vida dos cristãos.maior parte dos casos sem água e SOBREVIVÊNCIA A preocupação actual comumsem electricidade. O maior problema para a so- a todos os cristãos no Iraque é o Na grande maioria, estes cris- brevivência da cultura cristã no Ira- paradoxo da nova Constituição detãos provêm de cidades grandes, que é a emigração. Aliás, ela Outubro de 2005. Enquanto omuitos são intelectuais e não têm acontece muitas vezes mesmo sem Art.º 1 daquele documento funda-experiência em agricultura. Ora, haver pressão externa, como no mental garante os direitos huma-um trabalho neste sector parece ser caso de Akra, onde, talvez desde nos e parece proteger os cidadãosum pressuposto essencial para a há mais de dois séculos, ainda contra qualquer espécie de discri-sua sobrevivência. Geralmente sen- existia uma diocese, cujo bispo foi minação, estabelece o Art.º 2 quetem-se felizes por terem escapado antecessor do arcebispo Sako. O nenhuma lei pode contrariar aao terror e ao perigo de vida. Tam- clero desempenha um papel mui- sharia (lei islâmica). Caso a shariabém recebem do Governo regio- to importante quando se trata de islâmica se torne a lei suprema, hánal 100 dólares por mês para a contrariar o fluxo emigratório. Um que contar com um novo êxodosubsistência, o que é muito pouco outro problema para as Igrejas dos cristãos e, provavelmente, compara viver e não pode constituir cristãs é o paternalismo generali- o fim da sua presença no Iraque,uma solução duradoura. O que zado (espírito de tribo) e a onde eles, desde os tempos apos-eles pediram à Delegação foi, segmentação da sociedade em tólicos, sempre deram uma contri-concretamente: vacas, ovelhas, grupos, uma situação que neutra- buição decisiva para a cultura,bem como tractores, estações de liza a legislação. para a vida social e para o de-tratamento de água, hospitais Também as relações, muitas ve- senvolvimento económico.çulmanas, distribuindo alimentos, mando assim a Igreja sírio-anti- São Gregório, o Iluminador, quevestuário e ajudas de vários géne- oquena católica, que manteve toda cristianizou a Arménia no século III.ros, todos os meses. Na Liturgia a herança patrística e litúrgica. As Divide-se entre ortodoxos (ouCaldeia, a língua oficial é o línguas usadas na Liturgia são, tan- apostólicos) e católicos. Na últimaaramaico, língua litúrgica, teoló- to o árabe, sobretudo nas gran- década, a comunidade reduziu-segica e clássica do Cristianismo de des cidades, como o aramaico, muito devido à marginalização etradição semítica. nas aldeias ao redor de Mossul. à pobreza. Os Sírio-antioquenos são uma O Patriarcado dos sírios católicos A Igreja latina é diminuta: 2500comunidade de cerca de 75 mil é em Beirute, no Líbano. fiéis. É animada por Institutos mis-fiéis, divididos em duas dioceses As comunidades arménias pre- sionários, que administram paró-entre Bagdade e Mossul. Depois sentes no Iraque provêm da imi- quias. Estes aprendem a línguada missão dos Jesuítas e dos gração e das deportações força- árabe e a tradição litúrgica e ritualFranciscanos Capuchinhos, inicia- das das populações arménias, caldeia, inserindo-se plenamenteda em Aleppo (Síria) em 1626, ocorridas em 1915, depois dos na cultura local. O arcebispo Domuma parte da Igreja sírio-anti- massacres ordenados pelo regime Jean Benjamin Sleiman é seu líder.oquena, chamada «Jacobita», de- de Giovanni Turchi. A Igrejacidiu unir-se à Igreja de Roma, for- arménia inspira-se na figura de Fernando Félix
  8. 8. Decálogo do sacerdote de D. Klaus Hemmerle, bispo de Achen, Alemanha É mais importante: Espaço de Partilha 1 - Como vivo o sacerdócio, do que aquilo quefaço enquanto sacerdote. 1. Ninguém é indiferente às necessidades 2 - O que Cristo faz através de mim, do que dos outros. Mas, quando os atingidos são osaquilo que faço eu. nossos, os que nos são mais próximos (familiares, 3 - Que eu viva a comunhão no presbitério, do companheiros de jornada ou de ideal), certamenteque lançar-me até à exaustão sozinho no ministé- mobilizamo-nos mais.rio. 2. Sabemos que o Movimento tem procurado 4 - O serviço da oração e da palavra, do que acorrer a casos concretos e, por vezes,o das mesas. dramáticos. A Fraternitas fá-lo por imperativo de 5 - Seguir e ajudar a formar, espiritual e cultu- consciência e para dar cumprimento aos seusralmente, os colaboradores, do que fazer eu mes- Estatutos. Mas procura que aconteçamo e sozinho o mais possível. evangelicamente: «Não saiba a tua esquerda o 6 - Estar presente em poucos, mas centrais sec- que faz a tua direita».tores de acção, com uma presença que irradie vida, 3. Só é possível continuar a acorrer a casosdo que estar em tudo à pressa ou a meias. de verdadeira necessidade se partilharmos 7 - Agir em comunhão com os colaboradores,do que sozinho, mesmo que me considere capaz; também Por isso, não esperes que te batam também.ou seja, é mais importante a comunhão do que a expressamente à porta. Decide-te, desde já:acção. partilha com os outros através do Movimento. 8 - A cruz do que os resultados, muitas vezes 4. Vá já à caixa do multibanco mais próximaaparentes, fruto de talentos e esforços simplesmen- e faça uma transferência interbancária para ate humanos, porque mais fecunda. conta nº 0033 000045218426660 05 O 05. 9 - Ter a alma aberta sobre o “todo” (comuni- montante é apenas da sua conta e da de Deus.dade, diocese, Igreja universal, humanidade), do Irá direitinho para quem precisa!que fixada em interesses particulares, ainda que 5. Também pode depositar na mesma contame pareçam importantes. bancária o valor da quota anual de sócio: 30 10- Que a fé seja testemunhada a todos, do euros - casal; 20 euros - pessoa singular.que satisfazer todos os pedidos habituais. Bem-haja! QUE QUEREMOS, AFINAL N ão somos pessimistas nem derrotistas, mas temos de aceitar que há pro-blemas graves que afligem a humanidade. sabemos que logo viria a fúria das ondas para tudo arrasar, deixando apenas a desilusão da fantasia, que eventualmente acalentáramos, de conservar po- A morte lenta de milhões de irmãos nossos emas e sonhos no que é inseguro e efémero na vida.subalimentados, as discriminações sociais e raciais, Não, amigos! O nosso optimismo assenta numae o tormento das guerras, mal desaparecidas de um fé que não vacila diante das tempestades da vida, epaís para se implantarem noutro, quase nos levam a nunca no que é passageiro! Deus é um Deus de vida,dar razão ao filósofo Hobbes, para quem a guerra de paz e de abundância, mas para todos, e não deseria o estado normal do homem sobre a terra. morte e de guerras. Deus é libertação e não escravi- Não alinhamos nesse pressuposto, até porque a dão. Deus é Pai, Deus é amigo, Deus é o compa-fé que nos anima dá-nos outras perspectivas da vida, nheiro de viagem sempre presente, ainda que muitasque para nós não é uma tragédia, mas uma passa- vezes nos pareça ausente. A vontade de Deus é quegem, mais ou menos atribulada sim, mas a caminho cada um de nós seja feliz. Mas deixa-nos a liberda-de uma vida de paz e de amor junto de Deus. de de escolher! E o mal é que nem sequer sabemos, Podem estas considerações parecer uma utopia ou não nos interessa escolher!moralista, sem impacto na vida real. Sabemos que Todos temos a missão de ajudar a encontrar ca-falar de moral faz enjoar muita gente! Não somos minhos seguros para sair deste infernal desconchavo.tão pessimistas quanto isso, mas também não quere- Sabemos isso?... Se não sabemos, então que quere-mos ser tão ingénuos que nos entretenhamos a es- mos, afinal?! Manuel Paivacrever lindos poemas na areia das praias, porque espiral Boletim da Associação Fraternitas Movimento Responsável: Fernando Félix Praceta dos Malmequeres, 4 - 3.º Esq. N.º 30 - Janeiro/Março de 2008 Massamá / 2745-816 Queluz www.fraternitas.pt e-mail: fernfelix@gmail.com

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