Espiral 36

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Espiral 36

  1. 1. espiral boletim da associação FRATERNIT TERNITAS FRATERNITAS MOVIMENTO N.º 36 - Julho / Setembro de 2009 Um abraço e um convite importante Basta o facto de sermos amados pelo Senhor para Roma, Bento XVI ao clero de Roma, «tudo o que é constitutivonos considerarmos próximos uns dos outros. Mas esta do nosso ministério não pode ser produto das nossaspágina é uma ocasião para dar os meus cumprimen- capacidades pessoais. Isto é válido para a celebraçãotos e chegar a todos, em especial àqueles com os dos sacramentos, mas vale igualmente para o serviçoquais nunca houve um contacto. Palavra; anunciar- da Palavra; não somos enviados para nos anunciar- Desde já, peço as minhas sinceras desculpas por mos a nós mesmos nem às nossas opiniões pessoais,não me sentir à altura de ser assistente espiritual da mas para anunciar o mistério de Cristo e, Nele, a me- me- raternitas,Fraternitas, função para a qual me arrastou a mão Fiel dida do verdadeiro humanismo». E se Deus é fiel – Fielpersistente do nosso presidente, Serafim de Sousa, é o seu nome – requer de nós também um comporta- Porjá velho amigo meu e conhecido de todos. Por isso exer- mento compatível com essa dignidade, mesmo não exer-não venho ensinar nada, apenas quero caminhar con- cendo plenamente o sacerdócio.vosco e convosco aprender e lutar no que for possí-vel para bem do Corpo Místico de Cristo. Já entrados num ano dedicado ao sacerdócio, RETIREMO-NOS propõe- defender,cada um de nós propõe -se, naturalmente, defender,aprofundar e viver este tesouro que no dia da nossaordenação nos foi confiado. Dom inestimável que COM CRISTOnos enche de alegria – poder consagrar e ser distri-buidor do pão dos anjos às multidões famintas – e Fraternitas A Fraternitas convoca todos os seus membros paratambém de responsabilidade. «Como é assustador o retiro que vai realizar em Fátima nos próximos diasser sacerdote», dizia Santo Cura d’Ars. 27 (à noite, após o jantar), 28 (todo o dia) e 29 (termi- procurar- Este dom exige de nós um esforço para procurar- na com o almoço) de Novembro. Acontecerá no Cen-mos corresponder à dignidade de que nos revestiu; Francisco tro de Espiritualidade Francisco e Jacinta Marto. Serádignidade baseada no dom, não propriamente na Rev .e ev. nosso conferencista o Rev. P Morujão, secretário danossa pessoa, que não passa de um vaso de barro, Conferência Episcopal. partir. Papasempre na tangencia de se partir. Como disse o Papa SALDANHA Até lá, saúde e paz. | P GUILHERMINO SALDANHA .e
  2. 2. 2 espiralMISSA TRIDENTINA, ontem, hoje, ...Basta abrir o Google com a expressão “MissaBasta expressão E quase a concluir, reforça, preto no branco, o que para forçaTridentina” para nos apercebermos da força que os diz anteriormente, com a autoridade que lhe advinha do“conserv for oram Carta“conser vadores” da Igreja foram buscar à Carta Apos- Pontificado e de representante máximo do Colégio Epis- Pontificum Bento Nesta,tólica Summorum Pontificum de Bento XVI. Nesta, ele copal: «Queremos também que tudo quanto nesta Cons-autoriza todo sacerdo dot exer-autoriza a todo e qualquer sacerdote romano, em exer- tituição fica estabelecido e prescrito tenha força de lei, ministério, celebraçãocício do ministério, a celebração da missa segundo o agora e para o futuro, não obstante, se for caso disso,rito Tridentino, pararito do Missal Tridentino, sem para isso necessitar de as Constituições e Ordenações Apostólicas dos nossos autorizaçãoqualquer autorização especial. | FERNANDO NEVES Predecessores…» O mesmo seria dizer que, a partir des- Além de pormenores como a comunhão de joelhos e ta data, o Missal e o rito celebrativo anterior deviam serdepositada na boca (tratamento de menoridade oposto considerados quase não mais do que peças de museu.ao “tomai e comei” do Mestre e sempre anti-higiénico), Ora o que acontece agora com a Summorumo rito da Missa Tridentina distingue-se da Missa do Vati- Pontificum leva-nos a perguntar onde está o respeito pelascano II, essencialmente, em dois aspectos: aquela é em normas estabelecidas por Paulo VI? Se não se respei-Latim – língua hoje quase ignorada por todo o Povo de tam, não há o testemunhar e o confirmar entre rodos daDeus – e esta é em vernáculo, permitindo, por isso, uma mútua unidade visada por Paulo VI nem a aplicação domaior compreensão da Palavra de Deus, que só pode força de lei, agora e para o futuro. Venham embora osser uma palavra de salvação se não houver estorvos ou argumentos de autodefesa, face às críticas que foramruídos na comunicação bilateral Deus–homem; em se- feitas, de que não po-gundo lugar, aquela é celebrada pelo e com sacerdote dia abandonar meiae acólitos de costas voltadas para a assembleia enquan- dúzia de bispos – orde-to, na Missa do Vaticano II, estes se posicionam de face nados ilicitamente, comvoltada para a comunidade celebrante. a consequente excomu- A Missa Tridentina, na actualidade, é ainda uma mis- nhão – uns tantos pa-sa tergiversada, pois que, além da posição de costas dres, seminaristas e frei-voltadas, reflecte também uma não-aceitação das nor- ras lefevrianos e outrosmas celebrativas do Vaticano II e um regresso ao passa- similares. Não podiamdo anteconciliar. No Concílio nota-se uma caminhada eles celebrar em latimprogressiva desde a sua primeira Constituição, intitulada utilizando o MissaleSacrossantum Concilium – sobre a Sagrada Liturgia –, Romanum do Vaticanoaté ao seu encerramento. Nesta Constituição, é notória II, se era da Missa emuma dinâmica de abertura, embora com o cuidado de latim que tinham sauda-não ferir muito as susceptibilidades. Mas, já quando eu des? Claro que podiam.era estudante de Teologia, se falava que esta Constitui- Então por que embirra-ção teria sido bem diferente, para mais aberta, se tivesse ram? Em linhas gerais,sido discutida e aprovada em momento posterior, na Aula sabe-se bem porquê.Conciliar. Por isso, Paulo VI podia jubilosamente procla- Por isso, porquê tanto olhar para esta facção conser-mar, na Homilia da 9.ª Sessão, a 7 de Dezembro de vadora da Igreja e não ter idêntica atitude, noutras situ-1965: «Vede por exemplo: como inumeráveis línguas fo- ações em que um número muito mais elevado de sacer-ram admitidas para exprimir liturgicamente a palavra dos dotes e fiéis clama por uma maior abertura da Igreja emhomens a Deus e a palavra de Deus aos homens.» questões que não são de fé, mas meramente disciplina- E, na Constituição Apostólica que promulga o Missale res? Não amarão também estes Jesus, a sua Igreja e oRomanum, reformado por Decreto do Concílio Vaticano Concílio? Não seria justo ter para com eles a mesmaII, como que pressentindo as então e as actuais reac- preocupação de não marginalização ou exclusão?ções adversas, chama à colação a apresentação da 1.ª Na maioria das actuais celebrações da Eucaristia, oedição do Missal Romano ao povo cristão como instru- espírito de simplicidade e de assembleia de irmãos commento da unidade litúrgica e monumento do genuíno igual dignidade resultante da fonte baptismal, procla-culto religioso da Igreja. Pelas palavras que diz a seguir, mado pelo Concílio, parece agora ter seguido outrosconclui-se que o mesmo ele desejava para o novo Mis- rumos. A saudade mórbida e promocional das antigassal que acabava de promulgar: «Também Nós, ainda missas solenes e pontificais, que mais se assemelhavamque admitamos no novo Missal, de acordo com as pres- a rituais da corte, profanos, pelo conjunto decrições do Concílio Vaticano II, ‘variantes e adaptações ‘salamaleques` e de roquetes-acólitos envolvidos nalegítimas`, confiamos que ele será recebido pelos fiéis cerimónia, está de volta em quase todas as Igrejas. Ocomo instrumento valioso para testemunhar e confirmar fausto resultante é um óbice à simplicidade e à espiritu-entre todos a mútua unidade.» alidade, apanágios da celebração deste Mistério da Fé.
  3. 3. l espiral 3 Dignidade celebrativa, sim, sobretudo, na figura e ras, por tantas vezes ouvida a sua repetição, perdeu-se.gestos litúrgicos do celebrante, no modo como a as- Isto será válido mesmo para quase todos aqueles quesembleia participa e na dignidade espiritual e elevação são adeptos e frequentadores do Rito Tridentino. Nãoartística dos cânticos entoados por todos. Mas sem os recolherão muito mais do que um vazio da Palavra, umexageros que actualmente por aí se vêem na quantida- saudosismo – homo laudator temporis acti –, uma satis-de e apresentação dos elementos que cirandam à volta fação do seu ego, uma observação de coisas de museu.do celebrante, como se este fosse um senhor feudal e Mesmo uma grande parte dos padres que, naquele tem-não aquele que deve oferecer sacrifícios, tanto pelos po, celebrava missa em latim, tinha grande dificuldadeseus próprios pecados como pelos do povo. (Heb 5,3) em compreender totalmente a mensagem das leituras, Bem pudera, pois, a Summorum Pontificum estar lá se não fizessem uma preparação prévia. O que não se-quietinha e, como noutras situações, deixar que o pro- ria hoje?! Nos tempos pós-conciliares, os próprios Se-blema que quis atalhar se extinguisse por si mesmo, pela minários pouco se preocuparam com o ensino do Latimlei natural da vida. Tem que se ter consciência do tempo aos seus formandos.já vivido após o Concílio e das suas marcas benfazejas Concluimos com as sábias palavras do bispo Antó-ou destruidoras. O pouco traquejo que o povo tinha na nio Marcelino: «Na Igreja há ainda sinais de um passa-participação da missa, respondendo em latim e com- do teimoso que ganhou ferrugem e se foi instalando àpreendendo globalmente alguma mensagem das leitu- margem do Evangelho.» O essencial do Ano Sacerdotal Hoje pretende-se viver sem princípios morais, sem que parece teimar no desperdício de valores que a podi-valores que nos orientem na vida. Parece que tudo fun- am enriquecer!... É também ano em que a figura dociona ao sabor de caprichos e de interesses! Por isso há sacerdote tem de aparecer como modelo de fé, detantas desgraças, desesperos, droga e guerras! O ego- evangelizador de simplicidade, de doação aos outros, eísmo, que já se tornou feroz, tem-nos tornado lobos uns capaz de entender os problemas do nosso tempo e sa-dos outros! Não atribuam as culpas a Deus, porque Ele ber ir ao encontro deles, sem medo nem hesitações, edeu-nos a liberdade, não para abusarmos dela, mas para com capacidades para os ajudar a resolver à luz do Evan-nos realizarmos como homens responsáveis e dignos gelho. O sacerdote não pode ficar à espera que o pro-fazedores da História. curem, mas tem de sair à procura daqueles que, nos É preciso pensar nos outros como irmãos, viver para refolhos do progresso moderno, perderam a orientaçãoa comunidade. Senão, não temos futuro! Temos de nos que os possa conduzir às respostas pelas quais anseiam.cultivar em comunidade e para a comunidade, desen- Jesus foi bem claro quando disse que temos de servolvendo o convívio entre todos, vivendo a arte que nos suas testemunhas. Isto tem de ser aplicado aos sacerdo-eleva e civiliza. Como se compreende que tantos jovens tes, que não podem viver a pensar apenas em si, masdesapareçam de casa dos pais para se meterem em aven- em doação sem limites às comunidades de que são res-turas insensatas, ficando marcados, para toda a vida, ponsáveis, no acolhimento fraterno daqueles que mui-com o ferrete do desvario?!... De quem é a culpa? tas vezes são rejeitados, apenas porque escolheram ca- Estamos no ano Sacerdotal. Ano para reflectir sobre minhos diferentes, ou até porque, tantas vezes, se mos-o valor da acção dos sacerdotes nas nossas comunida- traram agressivos por lhes faltar pontos de referênciades. Ano em que as nossas orações devem subir ao Céu, que os conduzam na vida. É a esses que os sacerdotesnão para acordar Deus para as nossas necessidades de têm de falar com o exemplo vivo, com o testemunho desacerdotes. Ele nunca dorme. A Hierarquia da Igreja é simplicidade, de desprendimento e solicitude que os ajude e reencontrar os caminhos que aprenderam a viver no tempo de catequese, mas que desperdiçaram na confu- são dos falsos atractivos que os desviaram. Fala-se muito de oração pelas vocações sacerdotais. Mas é preciso que as famílias, as comunidades, e tam- bém a Hierarquia, criem um ambiente favorável para que os apelos do Espírito Santo encontrem ambiente onde a semente divina possa produzir frutos. Parece que an- damos a pedir que a semente frutifique em cima de pe- nhascos corroídos e secos!...De nada vale lançar boa semente em terra árida e adversa à sua germinação e desenvolvimento até dar frutos. Onde fica a colabora- ção das famílias, das comunidades e da Hierarquia na preparação de ambientes onde as vocações sacerdotais e religiosas possam germinar? | MANUEL PAIVA PAIV AIVA
  4. 4. 4 espiralMalhar em ferro frioSerafim Sousa no número 34 do Espiral, com o texto acerca de um hipotético referendo sobre a obrigatoriedadeSeraf afim 34 Espiral, texto hipotético referendo obrigatoriedade celibato eclesiástico ordenação inter erpelou-me. VALENTE do celibato eclesiástico e a ordenação das mulheres, interpelou-me. | HIGINO VALENTE No texto «Que tal um referendo na Igreja Católica que era muito conhecido. Às tantas, aparece a notícia:sobre celibato ou mulheres padres», Serafim Sousa refe- «O padre Paul foi-se embora, regressou a Inglaterra parare ter encontrado três tipos de posição: a) torcer o nariz; se casar.» Nessa altura, fiquei a saber que a Igrejab) apadrinhar a ideia; c) não vale a pena. Anglicana só envia missionários para o estrangeiro en- Começo, com o Serafim, por discordar da previsão quanto solteiros. E bem se compreende. Muitos militaresde que a maior parte dos católicos votariam a favor da casados (estava-se no auge da guerra colonial) tambémobrigatoriedade do celibato (condição sine qua non). lá não tinham as famílias.Pela minha já longa e diversificada experiência de vida, MANDAMENT PARA QUEM É O 6.º MANDAMENTO? AMENTO?tenho para mim, muito convictamente, que a maioria A questão da obrigatoriedade do celibato eclesiásti-dos católicos (mais praticantes, menos praticantes), com co poderia ter ficado resolvida com o Papa João XXIII,inteira liberdade de voto, sem pressões nem condicio- que sonhou o «aggiornamento» da Igreja e, para isso,namentos, votariam contra (a obrigatoriedade) ou en- convocou o Concílio Vaticano II, o qual poderia ter idocolheriam os ombros e ficariam no «tanto me dá», abs- mais longe, dada a rapidez com que o mundo evoluiu,tendo-se. E seria até de prever uma gorda maioria, como sobretudo a partir da II Guerra Mundial.tem acontecido em todos os referendos em Portugal. Uma Só o não foi devido ao pensamento do papa (quereduzida maioria, de mentalidade mais fundamentalista me abstenho de adjectivar). Falando com Étiene Gilson,e retrógrada, votaria a favor (da obrigatoriedade). numa tarde de Dezembro de 1960, ter-lhe-á saído este VAMOS PENSAR desabafo: «A minha maior dor, não como homem, mas Referendo? Numa Instituição (que é divina, mas for- como papa, o meu sofrimento contínuo é pensar nessesmada por homens e mulheres) gerontocrática e jovens padres que arrastam consigo, tão corajosamen-monolítica (com o que esta característica tem de positi- te, o fardo do celibato eclesiástico. Para alguns deles évo e de negativo), pouco aberta à crítica interna e em um martírio. Com frequência me parece ouvir vozes lon-que o poder de decisão é exercido, apenas e só, na gínquas pedindo que a Igreja os liberte deste fardo. Issolinha vertical, não há lugar para referendo, que é a for- não é impossível em si. O celibato eclesiástico não é umma mais genuína de exercício do poder de decisão na dogma. A Escritura não o impõe. É mesmo fácil: pega-dimensão transversal. Democracia? Que é dela? Li, há mos na caneta e assinamos um documento; e amanhã,tempos, no «Correio de Coimbra», órgão oficioso da os padres que quiserem podem casar-se. Mas não po-diocese, um artigo escrito pelo engenheiro Jorge Cotovio, demos fazê-lo. Eu dizia recentemente aos cardeais: acei-que está à frente da equipa diocesana da pastoral fami- taremos nós que alguma vez possa deixar de se dizerliar, no qual, a certa altura, se deixa dizer que na nossa unam, sanctam, castam eclesiam? Não podemos. NãoIgreja os leigos são uns «paus mandados». podemos fazer isso.» Cito, com tradução minha, Da coerência e da fidelidade ao “santo celibato”, só Conditión de Prêtre – Mariage ou Célibat, de PierreDeus sabe. Mas nós também sabemos algumas coisas… Herman, que cita, por sua vez, Souvenir du Père, de Étieneque melhor seria não sabermos. Sabemos que o Papa Gilson, em «La France Catholique», núero 862, de 7 deBento XVI foi aos EUA e lá pediu perdão pelos crimes de Junho de 1963, páginas 213 e 214.pedofilia dos padres; foi à Austrália e fez o mesmo. João É caso para nos interrogarmos: será que João XXIIIPaulo II mandou chamar uns quantos bispos norte-ame- entendia que o 6.º mandamento do Decálogo é só pararicanos e o remédio indicado foi pôr os prevaricadores os celibatários?...a fazer retiro. Escusado será dizer que o campo das infi- ORDENAÇÃO DE MULHERESdelidades ao “santo” celibato é muito mais vasto. Relativamente ao referendo acerca da ordenação das TESTEMUNHO PESSOALPESSOAL mulheres, sinto mais dificuldade em prognosticar. Já casados, estive com a minha esposa em Vila Cabral Propendo para a afirmativa ao retardador. Não resisto a– hoje Lichinga –, no Niassa, junto ao lago com o mes- fazer mais uma citação, esta de «Deus no século XXI e omo nome, no Interior Norte de Moçambique, desde fins futuro do Cristianismo», publicação coordenada porde 1968 até meados de 1972. A maioria da população Anselmo Borges, editada em 2007 pela Campo das Le-era islâmica; e já o era em todo o Norte moçambicano tras: «O Cristianismo, concretamente na sua expressãoquando os Portugueses lá chegaram. Havia missões ca- católica, tem pela frente alguns problemas maiores, no-tólicas, tendo a diocese sido criada na primeira metade meadamente o respeito pelos direitos humanos no seuda década de 60, e sendo seu primeiro bispo D. Eurico interior, o pluralismo nos diferentes domínios – teológi-Dias Nogueira. E também havia missões anglicanas. co, litúrgico, jurídico-organizacional e até moral –, oNuma delas, Messumba, estava o padre Paul, inglês, tratamento das mulheres em igualdade com os homens.» e-mail: geral@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: direccao@fraternitas.pt * página oficial na Internet: w
  5. 5. l espiral 5 OFENSIVA DOS GUERRILHEIROS Regresso ao Latim, à comunhão na Os “guerrilheiros do statu quo” Ratzinger. Tendo trocado Tübingen costas para boca, à missa de costas para a as- eram de outra opinião. Logo nos fi- por Regensburg, foi aí colega de sembleia: eis apenas algumas das nais dos anos setenta aparecia na Gamber, cujas propostas caíram em inv exigências invocadas por um grupo Alemanha um livro intitulado: «A re- chão fecundo. Ratzinger escreveu obstinado obstinado de católicos, presos a forma da Liturgia Romana. Seus pro- mesmo um longo e laudatório pre- espírito pré-conciliar, para um espírito pré-conciliar, para en- blemas, suas raízes», cujo autor é o fácio ao livro de Gamber. rev contra saiar a revolta contra o Concílio conservador Klaus Gamber, profes- Um jovem padre – escrevia Para Vaticano II. Para isso contam com sor de Liturgia em Regensburg. Ratzinger – ter-lhe-ia dito recente- tolerância a tolerância ou mesmo com a Gamber tinha dúvidas de que a cons- mente: «precisamos de um novo mo- aconteceu ajuda do papa, como aconteceu há tituição sobre a liturgia, publicada vimento litúrgico». Na mesma altura tem empo pouco tempo num congresso pelo concílio e pelo papa Paulo VI em que os padres, o altar e a cele- internacional Liturgia, te internacional de Liturgia, que teve Budapest Agos gost lugar em Budapeste em Agosto de em 3 de Abril de 1969, trouxesse bração eucarística eram levados para 2008. | RUDOLF SCHERMANN algo de positivo relativamente ao o meio da assembleia e os fiéis ca- missal romano. Também considera- lorosamente celebravam, cada vez Escrevíamos 1967, o ano em que va que, no seu conjunto, a reforma mais na sua própria língua, Jesus – ligada aos nomes Groer, Krenn e litúrgica era responsável pelo esva- Cristo literalmente “no meio deles”, outros – começou, na pequena re- ziamento das igrejas, pela crescente o teólogo Joseph Ratzinger, sábio em pública alpina da Áustria, aquela era falta de padres e pela secularização teorias, mas distante de qualquer catastrófica da sua história eclesiás- galopante. Como remoque a Paulo proximidade humana e experiência tica, que provocou um escândalo VI afirmava até que a reforma conci- pastoral, fabulava acerca do desas- geral, afastou da Igreja dezenas de liar era «mais radical do que a refor- tre da reforma litúrgica, pois, em sua milhar de pessoas e haveria de de- ma de Lutero». Afirmar, como agora opinião, a liturgia não teria sido re- saguar, anos mais tarde, num escân- se diz na consagração, que Jesus novada desde a sua profundidade e dalo horrível. Foi nesse ano que viu derramou o seu sangue por todos, é meio, a partir do encontro com o a luz do dia a publicação «KIRCHE errado. Seria mais correcto dizer que Deus vivo, mas se tinha degradado INTERN», a qual foi evoluindo até à Ele derramou o seu sangue por “mui- à condição de show. Neste actual revista ilustrada «KIRCHE IN», tos”, tal como constava da missa “showmaster” espiritual eram utiliza- fórum para todas aquelas forças que antiga. Também a proliferação de dos textos de escolha própria. Em se opõem desde o princípio a esta textos bíblicos para a celebração eu- lugar duma liturgia como fruto de um previsível evolução. Nesse mesmo carística, repartidos num ciclo de três desenvolvimento orgânico, criou-se ano surgiu também sob a responsa- anos, não é correcta e deveria ser um artefacto, uma liturgia auto- bilidade do jesuíta francês René substituída por “algo melhor”. Uma fabricada. O tom de Ratzinger: «Por Latourelle, professor na Universida- vez que muitos fieis preferem uma isso é necessário um novo estímulo de Gregoriana em Roma, e sob o missa “moderna”, dever-se-ia auto- para que a liturgia volte a ser uma patrocínio de outros dois institutos rizar tanto a missa antiga, como tam- acção comunitária da Igreja. Ela tem jesuítas, o Instituto Bíblico e o Institu- bém a “nova”. A reforma veio des- de ser subtraída ao controlo dos pá- to Oriental, por ocasião do 25.º truir a missa antiga, mas é perfeita- rocos e das equipas litúrgicas.» aniversário do concílio, aquela obra mente possível reabilitá-la. Neste sen- Gamber, a quem Ratzinger apeli- em dois volumes: «Vaticano II. Ba- tido, opina Gamber: «Importante é da de “verdadeiro profeta” e “teste- lanço e Perspectivas». Nela, nunca perder a esperança.» munha fiel”, terá indicado o cami- Latourelle classificava aquelas forças, “Artefacto”, a nova missa? nho para esse fim. Seria necessário que tinham surgido logo no início do A anseio de Gamber por uma ambicionar a unidade da Igreja acei- concílio tendo por objectivo a sua reforma da reforma litúrgica concili- tando ambos os ritos da missa, o desmontagem, como “guerrilheiros ar encontrou um grande eco entre antigo e o novo. do statu quo”. os católicos ultra-conservadores e Cumpriu-se. Vai Cumpriu-se. Vai unir? Segundo Latourelle, «ao convo- seus dirigentes, nomeadamente o Tudo aquilo que Gamber escre- car o concílio, o papa João XXIII que- arcebispo Lefebvre. veu há cerca de quarenta anos com ria introduzir a Igreja na sociedade Mas também junto de um teólo- a calorosa aprovação de Ratzinger, do século XX. Porque estava conven- go conciliar, então muito considera- tem vindo a ser concretizado passo cido de que a Igreja nem é uma ci- do nos círculos progressistas, mas a passo hoje em dia por Joseph dadela nem um museu, mas um jar- que mudou a linha de combate (coi- Ratzinger, no «interesse da unidade dim onde nunca faltarão as flores sa que ele sempre negou) aproximan- da Igreja», afirma ele no motu pró- (…), João XXIII desejava que o con- do-se cada vez mais dos chefes dos prio Summorum Pontificum, de Julho cílio fosse um novo Pentecostes». “guerrilheiros do statu quo”: Joseph de 2007, sobre a Liturgia.www.fraternitas.pt * e-mail: secretariado@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: tesouraria@fraternitas.pt
  6. 6. 6 espiralDeus é meu amigo Nasci no dia de S. José.. Um dia, perguntei – a quem sabia – se o meu nome tinha algum significado especial e pergunt guntei significado hebraico, significa SILV PINTO foi-me respondido que, em hebraico, «Joseph» significa «aquele a quem Deus ama. | JOSE SILVA PINTO Num dos nossos encontros da vida de felicidade. Há 22 anos,Fraternitas, em Fátima, perguntei ao ela começou a mostrar sinaisnosso companheiro Artur Oliveira evidentes de falta de memória,qual o significado completo do meu sintomas de Alzheimer.nome José. Ele respondeu-me: «Sig- Vivemos 18 anos no Porto.nifica “aquele a quem Deus ama Fomos, depois, para Peso dacom amplexo e aumenta a sua Régua, onde podia dar mais evida”.» Fiquei mais contente, porque melhor assistência à Mariazinha,Deus não só me amava, mas ama- e onde morava a minha mãe, ava-me de um modo especial e que minha irmã, quatro sobrinhos eEle aumentava a minha vida. Não outros familiares. E contrateilhe perguntei se isso era espiritual uma empregada interna.ou materialmente. Se me ama de um A doença progrediu. Amodo especial, é o que eu quero; é o principal. Mariazinha passou a ser incontinente e depois perdeu o Nasci numa pequena “ilha” de meia dúzia de vizi- andar. Agora, toma o pequeno-almoço e o almoço numanhos, no lugar de Cais de Baixo, perto do rio, em Peso cadeira de rodas especial. Em seguida, descansa nada Régua. Havia muitos anos que não nascia lá uma cama articulada, onde permanece o resto do dia. À noi-criança. Nasci eu… foi uma grande alegria para os meus te, descansa muito bem, não precisando de comprimi-vizinhos, que, por isso, me tratavam com carinho, todos dos para dormir. Ao fim-de-semana, substituo a empre-desejavam ter-me ao colo. Depois, até aos 6 anos, não gada. Ela deixa as refeições no frigorífico e eu aqueço-tive quem se interpusesse, e continuei a ser objecto de -as no microondas.todo o carinho e atenções. Eu era o objecto do seu amor. Há dias, disse-me um colega: «O amor só é total Com a idade, fui reparando que aqueles vizinhos to- quando começa o sofrimento.» Citava a beata Madrecavam as raias da pobreza ou eram meio remediados. Teresa de Calcutá. Eu não compreendo este mistérioO amor que me tinham e o que eu tinha por eles levou- muito bem. Parece-me que a cada dia que passa, maisme a amá-los mais. “pena” tenho da Mariazinha e, ao mesmo tempo, mais Em 1964, tinha eu 28 anos, foi aprovada a Funda- “amor”. Neste planeta que Deus criou, o lugar ondeção Dr. Carneiro de Mesquita. Vi nela uma oportunida- gosto de estar é ao lado da Mariazinha: ela na sua ca-de para resolver vários problemas de pobreza: abrimos deira de rodas ou na cama articulada; eu, a ler ou auma creche, um jardim-de-infância e um ATL, em Fon- escrever, fazendo do seu leito a minha escrivaninha.tes, os primeiros no concelho de Santa Marta de Cito um enxerto do padre António Vieira: «Que du-Penaguião. Depois, providenciámos um Centro de Dia reza mais dura que a do ferro? E, contudo, (…) tambémpara os idosos. Entretanto, começava a emigração clan- se deixa penetrar e padecer de amor. É o ferro amadodestina. As famílias vinham ter connosco, porque o di- da pedra íman (…) e é tão milagrosa, ou tão amorosanheiro que os chefes de família mandavam mal dava entre ambos, a força desta natural empatia, que a pe-para se alimentarem e vestirem. Com a ajuda da Fun- dra (…) sempre está atraindo, e o ferro (…) sempredação C. Gulbenkian, erguemos um pequeno bairro de correspondendo. Ela o chama, ele se move; ela o guia,seis casas, para as famílias com mais filhos e mais ele a segue; ela o leva, ele se suspende; ela o ata, ele secarenciadas. deixa prender; se ela pára, ele pára; se sobe, sobe; se Nos fins de Julho de 1975, expus ao meu bispo o desce, desce; se anda de roda, rodeia; sempre juntos,desejo de ser dispensado das obrigações sacerdotais e sempre conformes, sempre unidos, e tão pegados entredisse-lhe que pretendia celebrar matrimónio católico com si, como se um e outro foram de cera. E se isto obra noa Mariazinha, que trabalhava naquelas obras sociais. O ferro (…), que seria no coração, ainda que fosse de fer-documento chegou do Vaticano nos inícios de Novem- ro, um amor declarado? Um ferro amado de uma pedrabro e casámo-nos no domingo antes do Natal. não pode deixar de pagar amor com amor. E poderá Em toda a minha vida há um só fio condutor: o Amor; um coração humano amado não amar? Todos estaisa amor que recebi dos meus pais, familiares e famílias dizendo que não, e parece que dizeis bem.» (Sermão davizinhas; o amor que eu retribuía a todos eles, nas situa- Primeira Sexta-Feira da Quaresma, 1644)ções de pobreza, no que chamo respeito e delicadeza; E, poderá um amor de filho tão amado deixar deamor no convívio social, e amor matrimonial. amar o amor paternal e divino de um Deus e Senhor? Vivo com a Mariazinha há 34 anos, e tem sido uma Amor com amor se paga!
  7. 7. l espiral 7PELO DOM DA VIDA, graças te damos Secretariado,O Secretariado, em nome da direcção da Associação aternitas Moviment vimento,Fraternitas Movimento, deseja, a cada um dos sócios viverem uns com os outros como irmãos… A fraternida-aniversariantes ersariant Agos gost Set para-aniversariantes em Julho, Agosto e Setembro, para- de seja mais que uma simples palavra no final de umabéns e muitas bênçãos divinas. oração… Sentarmo-nos juntos à mesa da fraternida- No seu livro «Aventura Feliz», Páginas 306 a 308, o de..”»sócio Henrique Maria dos Santos, oferece-nos este pen-samento sobre a vida: JULHO «Quando se é jovem, e se começa a avançar na la- Dia 2 – Paula de Jesus C. L. Silva (Esmoriz).deira da vida, não nos apercebemos, nem sequer pres- Dia 3 – Lúcia da Natividade M. A. Ribeiro (Cabanões).sentimos, os barrancos e os abismos que a envolvem… Dia 4 – Augusto de Campos Oliveira (Maia).Todavia, não se deve perder ânimo, coragem, mas, sim, Dia 6 – Manuel J. Cristo Martins (Mem Martins).lembrar que o nosso organismo pertence à terra e o Dia 8 – Dilcarina R. Veríssimo (Seixal).nosso pensamento ao Céu. A cada tendência funda- Dia 10 – Ana da Luz M. Rodrigues (Bragança).mental do homem corresponde precisamente o seu alvo: Dia 11 – Higino R. Valente (Santiago da Guarda/ Ansião).ao anelo, desejo ardente de verdade, a ciência; ao estí- Dia 12 – António Manuel M. Sousa (Porto).mulo do belo, a arte; ao desejo do bem, a moral; à Dia 18 – Maria da Graça M. V. A. Sousa (Lisboa).sociabilidade, o Estado; ao amor, a família. Dia 18 – João da Silva (Coimbra). Perante a repugnância que se tem ao nada e pela Dia 23 – Manoel B. C. Pombal (S.ta Marta Portozelo).convergência que todos temos ao infinito, ao nosso fi- Dia 24 – Maria Cristina G. Vieira de Castro (Lisboa).nar há-de corresponder, realmente, a imortalidade que Dia 25 – Fernando J. Félix Ferreira (Massamá).fica registada nas nossas obras… Todos nos devemos Dia 27 – Maria Augusta G. C. D. Jana (Abrantes).esforçar por ser a Sociedade em que estamos enxerta- Dia 28 – Lucília Amália R. C. (S.ta Marta Penaguião).dos, uma família. Como alguém escreveu, a Humani-dade deve ser como uma família, um aviário sublime AGOSTO GOSTOonde as gerações se emplumam, o viveiro precioso onde Dia 1 – Alda Pereira Henriques (Caxarias).as existências se enfloram, a colmeia grandiosa onde os Dia 1 – António Almeida Duarte (Lisboa).seres se desatam, a fonte pura onde as vidas devem Dia 3 – António R. Mourinho (Miranda do Douro).deslizar, onda cristalina onde o homem se deve reflectir, Dia 8 – Cidália José de Matos Costa (Abrantes).resumir e encontrar. Dia 12 – Manuel Alves de Paiva (Oliveira de Azeméis). A Sociedade em que vivemos devia ser translúcida Dia 13 – Emília A. S. A. Neto Fernandes (Porto).confederação de todos os espíritos na dulcíssima unida- Dia 13 – Fausta de Jesus F B. Simões Rodrigues (Esmoriz). .de do mesmo afecto. Como Luther King, que sonhava Dia 14 – Lúcio Salvador de Sousa (Cuba – Beja).em voz alta, eu afirmo: “Os homens foram feitos para Dia 16 – Virgolina da Silva Cabrita (Silves). Dia 20 – António Batista Lopes (Porto). Dia 23 – Antónia A. C. Sampaio Ferreira (Lisboa). Dia 24 – Judite P M. O. Paiva (Oliveira de Azeméis). . SOLIDARIED ARIEDADE Espaço de SOLIDARIEDADE Dia 25 – Joaquim F. Soares (Oliveira do Ardo). Dia 25 – José Alves Carneiro (Amadora). 1. Ninguém é indiferente às necessidades dos outros. Dia 31 – Ana Paula L. A. P Nascimento (At.a da Baleia). . 2. Só é possível continuar a acorrer a casos de ver-dadeira necessidade se partilharmos também Por isso, também. SETEMBROnão esperes que te batam expressamente à porta. Deci- Dia 8 – Fernando Ribeiro das Neves (Palhaça).de-te: partilha com os outros através da Fraternitas. Dia 9 – Pamela A. Krebsbach (Freiria – Caranguejeira). 3. Vai já à caixa do multibanco mais próxima e faz Dia 12 – M.ª Conceição V. Gomes (Oliveira do Ardo).uma transferência interbancária para a conta n.º 0033 Dia 12 – Rosa Maria F S. Rodrigues (Outeiro de Lobos ). .000045218426660 05 O montante depende apenas 05. Dia 13 – Maria Zélia F Teles Borges (Meridãos – Cinfães) .da tua consciência, o qual a Direcção da Fraternitas fará Dia 14 – Maria Isabel C. O. das Neves (Palhaça).chegar a quem precisa! Manda o comprovativo e dá Dia 15 – Horácio Neto Fernandes (Porto).conhecimento da finalidade, porque também podes de- Dia 19 – Lucília E. M. Soares (Viseu).positar na mesma conta bancária o valor da quota anu- Dia 21 – Maria José B. Mendonça (Massamá).al de sócio: 30 euros - casal; 20 euros - pessoa singular; Dia 22 – Eliseu L- G- Seara (Chaves).ou contribuir para o boletim «Espiral». Dia 29 – António J. Eira e Costa (A-Ver-o-Mar). 4. Contacta Luís Cunha, tesouraria@fraternitas.pt ou Dia 30 – Artur da Cunha Oliveira (Angra do Heroísmo).telefone 232459478.
  8. 8. RUA PADRE C ARLOS LEONEL NO ENTRONC AMENTO RUA PADRE CARL ARLOS ENTRONCAMENTO zembro do ano anterior vinham O Bloco de Esquerda do En- manifestando colectivamente otroncamento propôs à câmara seu descontentamento, transcre-municipal a atribuição do nome vendo as cartas dos mesmos ao“Padre Carlos Leonel” a uma rua ministro das Corporações e aoda cidade. O sacerdote foi páro- Presidente do Conselho, ouvindoco do Entroncamento nos anos as suas queixas e criticando o es-sessenta. pírito corporativista dos sindica- A decisão é justificada com o tos. De acordo com o BE, tal ges-facto de Carlos Leonel, ter dado to custou-lhe a suspensão força-voz, em 1969, no jornal da Igre- da do jornal, em Novembro des-ja Católica, «O Entroncamento», se ano e, a seguir, o seu afasta-aos ferroviários que desde De- mento da paróquia.A Bíblia é a História da relação de Deus com a Humanidade. Uma ILUMINANTE 2 - PRESENÇA ILUMINANTE (Jo 1, 9)relação que deixou marcas. CRISTO MARTINS encontrou oitopresenças de Deus em nós. E anotou-as em 8 poemas, que o ILUMINANTE – facho de sabedoria e profusão«Espiral» vai partilhar. e, assim, corresponde às necessidades profundas DEUS, NO HOMEM, É DEUS, do autoconhecimento e do autodesenvolvimento. “A verdade do Homem está no Ser”. Presença 1 - Presença Vivificante (Jo 10, 10) O Espírito Divino é constitutivo do ser humano e pertence, por graça, à estrutura espiritual do Homem. VIVIFICANTE – Caudal de vida em abundância e, assim, corresponde às necessidades vitais É do Ser que emerge a «Luz que a todos ilumina», a nível fisiológico, psicológico e espiritual. e , daí, as necessidades existenciais que nos habitam. O desenvolvimento do potencial fisiológico, A SABEDORIA é a arte de Ser. sentidos e aptidões gerais e específicas, A personalidade emerge de um conjunto de características gera um corpo vigoroso, activo e saudável. genéticas, morfológicas e psicoculturais em interacção com o ambiente envolvente. O desenvolvimento do potencial psicológico, lucidez intelectual e alta motivação, O autoconhecimento, como necessidade existencial gera a capacidade da cooperação criativa. é mais profundo. Seu objectivo é a identidade. O desenvolvimento do potencial espiritual, A personalidade é algo que temos, algo construído. sabedoria, bondade, amor, harmonia e paz, accionando o potencial psicológico, A identidade é o que somos. É o íntimo de nós mesmos. proporciona e garante à dimensão fisiológica a plena e livre circulação da energia vital. A sabedoria está na descoberta progressiva do que somos. A sabedoria está na consciência progressiva do que somos. O HOMEM é um TODO. A sabedoria está no desenvolvimento progressivo do que Seu caminho é a INTEGRALIDADE. somos. O desenvolvimento do pleno potencial humano requer uma acção contínua, progressiva e integrada O autoconhecimento, e o autodesenvolvimento, é pessoal. a que chamamos dinâmica tridimensional. Têm princípio mas não têm fim – eternizam-se. Viver a nível da consciência psicológica A arte de Ser é, antes de mais, uma abertura é viver no mar revolto da instabilidade. à acção do Espírito Divino imanente no Homem. A consciência espiritual, O Homem, imagem e semelhança de Deus, está em relação: estádio de consagração permanente, ao Pai – em transcendência – revela-O; é o canal que nos introduz ao Filho – em ressurreição – testemunha-O; no OCEANO DIVINO DA VIDA. ao Espírito Santo – em expansão – manifesta-O. Boletim da Associação Responsável: Fernando Félix espiral Fraternitas Movimento Praceta dos Malmequeres, 4 - 3.º Esq. N.º 36 - Julho / Setembro de 2009 Massamá / 2745-816 Queluz www.fraternitas.pt e-mail: fernfelix@gmail.com

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