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NOTÌCIAS2                                                                                                             espi...
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BÍBLIA            l      espiral                                                                                          ...
Em redor do bispo D. Ilídio                                                                                               ...
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Espiral 39 40

  1. 1. espiral da ANO xi - fraternitas moviment ternit N.º - vimento boletim da associação fraternitas movimento N.º 39-40 SETEMBRO ABRIL / SETEMBRO de 2010Tive um sonho… LINDO, talvez profético ive alv profofético Serafim de Sousa Vivia-se a grande azáfama da vinda de Sua actos de culto, e noutras reuniões, a grande maioriaSantidade o Papa Bento XVI a Portugal, de 11 a 14 dos assistentes eram senhoras e no altar apenas haviade Maio. Numa dessas noites, dormia eu bem homens, com excepção de alguns cantores dos salmos.sossegadinho, tive um sonho: ia na frente do cortejo É preciso abrir as mentes para estas e outras realidadespapal com um grande cartaz, em que se lia em letras novas, que se impõem com alguma pertinência.gordas: DISTÂNCIA E PRESENÇA Bento fav «Santidade Bento XVI, por favor:Acabe com o celibato obrigatório dos padres católicos!Acabe celibato Não me integrei no cortejo eucarístico, nem fiz portas Acabe-se Abra as portas do sacerdócio às mulheres! Acabe-se qualquer esforço, nem pedi a algum responsável da sexual vezcom a discriminação sexual de uma vez para sempre!» organização para que tal acontecesse, embora alguém, É claro que isto foi um sonho, mas um sonho lindo, a quem contei o meu sonho, me tivesse incitado paraque traduz o meu sentimento interior a propósito destes o fazer. O meu anonimato, os meus princípios de fé,e de muitos outros problemas, que nos últimos tempos amor e respeito pelas instituições e pela hierarquia nãomuito têm molestado a Igreja de Cristo. Tem-se dito e me permitiram que fosse além do Terreiro do Paço, epropagado aos quatro ventos que é necessário cá bem atrás, com a vista direccionada para o altar,reevangelizar, dar novos caminhos de acesso a Deus, participei sempre com atenção e o máximo respeito.que sejam actuais e não estratificados nos moldes Dos vários discursos que ouvi, uma ideia ressaltou:medievais, que já pouco dizem às novas gerações. «Cristo está no meio de nós e estará até ao fim dos O sonho é a minha linha de pensamento. Acredito tempos, e a força da fé consegue eliminar todas asplenamente que mais tarde ou mais cedo a Igreja tem barreiras.» Ele está nas artes, na cultura, no serviço dade acabar com a obrigatoriedade do celibato católico e pastoral dos mais pobres e dos mais inteligentes. Eleadmitir o sacerdócio de pleno direito para as mulheres. habita dentro e fora dos corações dos homens e estáSe isso tem de acontecer, por que razão não se avança com eles, mesmo que muitos O rejeitem e esqueçam.já? Seria uma forma de entrar na Igreja a sensibilidade VER, LER E INTERPRETARfeminina, que tanta falta aí faz! Os sinais dos tempos são muitos e devem ser ob- PROXIMIDADE E AUSÊNCIA servados, lidos e interpretados, e não podemos olhar Foi interessante ver as multidões que acorreram a só para aqueles que nos interessam. Argumentar aqui a favor do celibato dos padres ou do sacerdócio dassaudar o Papa, tentando chegar o mais perto possível mulheres - porque os dados são bem conhecidos ede Sua Santidade. Foi extraordinário ver as manifesta- quase todos os movimentos já falaram disso - seriações de fé nos lugares onde foi celebrada a Eucaristia. repetição desnecessária e fastidiosa, e os fundamenta-Com certeza encheram o coração do Papa de satisfa- listas viriam de imediato em defesa das suas verda-ção e muita alegria. Gostei de tudo o que pude obser- des.var e admirei a serenidade, a determinação e a con- Um assunto e o outro, no entanto, carecem urgen-centração do Papa no essencial das suas comunica- temente de ser resolvidos, para que haja unidade na Igreja e ninguém seja discriminado, como tem acon-ções: Cristo é a Verdade e Ele está sempre connosco. tecido até agora. Se isto não ocorrer depressa, paraEsta é a verdade principal do Cristianismo. Dela nun- bem de todos e com a lucidez e a transparência deca poderemos fugir. Cristo é modelo para todos. Re- quem manda e sabe olhar em frente, só aconteceráflecti demorada e profundamente sobre as mensagens. quando a Igreja for forçada a fazê-lo, precipitada e Notei, no entanto, que nas assistências a todos os atabalhoadamente... Esperemos que não!
  2. 2. NOTÌCIAS2 espiral ENCONTRO REGIONAL CENTRO Celibato em debate na TV Vinte e oito pessoas, dez casais e oito singulares, O sócio Jorge Ribeiro esteve no programa «Pontosassentiram à Fraternitas e reuniram-se em Coimbra, a nos is», de Mário Figueiredo, na RTP Memória, no dia20 de Março, no Instituto Universitário Justiça e Paz. 8 de Maio. Foi convidado para falar sobre «Celibato».O convite foi dirigido a todos os associados e não Foi também entrevistado um não-associado.associados, residentes e/ou ordenados nas dioceses F.J.S.M, não-associado da Fraternitas, viu a entrevistada Região Centro, e às suas esposas. Não associados e comentou: «De registar a serenidade como cada umcompareceram dois: uma familiar e, apenas, um padre falou do seu caso pessoal e actual relação com os bisposdispensado. Com o convite para o encontro, foram e colegas em exercício. O jornalista foi bastante cordial,enviadas 152 cartas pelo correio e três entregues sem evitar as perguntas mais pertinentes. […] Pensopessoalmente. Os estados de saúde dos próprios, que se tocaram os vários lados do poliedro quanto àacompanhamento de familiares e outros motivos, dimensão humana e sacerdotal da sexualidade e dacomo o de Isidro Rodrigues Pedro, anteriormente conjugalidade, os dois pesos e as duas medidas emresidente em Abrantes, que afirmou ter retomado o relação aos anglicanos e “as excepções” no todoexercício de funções, encontrando-se agora na diocese nacional […]. Obrigado pela oportunidade.»de Beja - justificaram muitas ausências. O tema da palestra, «Pós-modernidade», proferido NO REGAÇO DE DEUSpelo P.e Dr. Anselmo Borges, foi muito apreciado. É Lucília Amália Rodrigues de Carvalho, esposacom o mesmo deleite que acompanhamos o que ele de Manuel Tuna, faleceu no dia 2 de Ju-vai escrevendo, e muitos relêem pelo correio electrónico nho. Nascera em Junho de 1934, na fre-de Nós Somos Igreja (NSI), a cuja rede pertencemos. guesia de Fornelos, Vila Real. Cada vez mais debilitada, ia frequentemente ao Por- ENCONTRO NACIONAL to, e terminou internada devido à dureza do tratamento. Partilha Joaquim Soares: «A De 23 a 25 de Abril, 50 associados participaram partida de uma pessoa enche-nos sempre no Encontro Nacional da Fraternitas, em Fátima, e na de emoção. Sabemos que somos peregri- Assembleia Geral. Compareceram, também, dois ca- nos, mas é um saber intelectual. A experi- sais não associados: o casal Marques, residente em ência de passar pela situação deixa-nos em baixo. A Marrazes, e João e Sofia Tavares, ele natural de Fé é um esteio, a Palavra de Jesus é fundamento, mas Carvalhais, S. Pedro do Sul, ela brasileira. João é o a nossa sensibilidade também faz parte da natureza. moderador do e–grupo padrescasados@grupos.com.br, A oração, a solidariedade dos amigos ajuda a atraves- do Movimento de Padres Casados (MPC), no Brasil. sar esta noite. Acreditamos que só temos acesso à ple- Joaquim e Raquel Palma, casal missionário da Fra- nitude do Reino depois de se desfazer esta morada ternidade Missionária Verbum Dei, orientaram o tema temporária. Que o Pai acolha a nossa irmã Lucília nessa «Relação Familiar», com dicas e dinâmicas muito gra- plenitude do Amor Maior Absoluto de que o Pai nos tificantes para reflexão e oração pessoal e em casal quis fazer participantes. Para o Tuna e família, a cer- (ver páginas 8 a 12 deste boletim). teza de que estamos com eles, e para nós a fé de que No domingo, alegrámo-nos com a presença do ca- ela partiu antes para nos ajudar no caminho.» sal Cristóvão Manuel e Margarida Isabel, de S. Pedro Maria Fernanda Leal Gonçalves Serra Simão, da Cova, Gondomar, com os dois filhotes, um bebé. esposa de João Simão, faleceu no dia 17 de Agosto, em Azurva, Aveiro. Nascera em Espi-COLÓQUIO EM LISBOA nhal, Coimbra, em Dezembro de 1928. Com o tema «A situação dos padres dispensados», Ramos Mendes lembra-a com fé: «Cris-realizou-se no Centro Nacional de Cultura, em Lis- to disse: “Quem acredita em mim, ain-boa, no dia 27 de Abril, um colóquio promovido pelo da que venha a morrer, viverá para sem-movimento Nós Somos Igreja e que teve na mesa dois pre.” Assim o acreditamos e anuncia-movimentos congéneres: a Fraternitas e o MPC/Asso- mos. A nossa irmã Fernanda não dei-ciação Rumos, do Brasil. A comunicação social fez-se xou de viver. Vive, agora, para semprepresente: TSF, JN, DN e um canal de TV da Espanha, a Vida que não tem fim, junto do Pai que nos ama,que entrevistou o casal Tavares. nos criou e para Ele nos chama.»
  3. 3. Reflexão l espiral 3Três ecos do Ano Sacerdotal Salvé, Maria, Mãe UM ASSOCIADO, em Maio, escreveu: «A grande Maria, que lindo nome! Todos os nomes sãomissão dos padres casados é terem presente, numa bonitos, embora gostemos e nos soem mais agradáveisunião à VIDE, aqueles que foram escolhidos pelo uns que outros. Mesmo neste mundo, quando encontrosacerdócio da Ordem, para testemunharem “pelo o nome Maria, parece que me soa como um nome maiscoração e pela palavra” que o Amor Salvador actua nobre do que quando é acompanhado ou compostono meio dos homens”.» […] E passados alguns dias: de outros nomes igualmente nobres, bonitos e«Concordo plenamente com uma Igreja de simbolicamente ricos. Para mim, quando leio ou chamosimplicidade […] – a Igreja do Mandamento Novo e por simplesmente «Maria», parece que sinto umado Lava-pés. Eu também sou (…) desse Povo de Deus espécie de «magia», um encanto, uma sinfonia, um coroperegrinante. […] Há sempre nestas mensagens (refe- algo especial. Quando encontro simplesmente Maria,ria-se às notícias sobre os escândalos no seio da Igreja logo me soa a Aleluia (com que rima) bem como poesia,em exercício ministerial) um convite pertinente a olhar Pia, sabedoria, e produz em mim um pequeno estadopara mim. Quando o faço, a vergonha torna-se vergo- de contemplação, um sentimento de êxtase, a sensaçãonha na minha pessoa […]. Um abraço sempre comun- de que nele estão contidos todos os nomes femininos.gante do Lúcio (Cuba/Alentejo).» Quando me ressoa o celestial nome de Maria, fico a pensar, na minha mística solidão: será que este nome UM NÃO ASSOCIADO, em 26 de Agosto de Maria é mais luzente que um puro diamante, mais belo2001, partilhou: «(…) É verdade que em criança, por que uma pérola colhida do fundo do mar, mais luzidiovolta dos 8 anos, senti o apelo de Deus para a vocação que qualquer brilhante ou um outro objecto precioso?!sacerdotal, mas o handicap de que sofro foi o maiorobstáculo: sofro de paraplegia, consequência de uma Maria é o nome mais comum, historicamentepoliomielite contraída durante a infância, nos de há séculos, em todo o mundo. A composição oumembros inferiores. […] Resta-me partilhar convos- anexação com outros nomes, em Portugal, é infinita,co que somos muito felizes como casal, apesar de não como primeiro ou segundo nome. O dicionáriotermos tido filhos. E já lá vão 14 anos. F.A.S.C.M.» antropológico diz que «Maria é uma mulher hábil e No passado 31 de Maio, telefonei. Atendeu a afectiva, terna, criativa e agradável. Maria é a expressãoesposa. Estavam de saída para a fisioterapia que o da feminilidade; alegre, simples, sabe armar uma rodamarido faz regularmente. Deixaram saudações cordiais. de amigos, recebê-los quase ritualmente, entendê- los… pondo-os a gravitar ao seu redor. Ela tem sentido NÃO ASSOCIADO, em 11 de Junho prático e infatigável; tem êxito nos pequenos (e(encerramento do Ano Sacerdotal): «Agradecido estou grandes) empreendimentos. É uma boa esposa ea todos pela imensidão de orações e pelo poder melhor mãe».grandioso transmitido por Ele a mim e minha família.Estamos fortes, confiantes que a Carina Ferreira - cujo MARIA, MÃE DA REDENÇÃOacidente ocorreu na véspera do Dia da Mãe - levava Maria é Mãe de Jesus. Como Jesus é Deus, Ele éno carro a prenda que comprara para oferecer à sua em tudo igual às outras duas Pessoas da Trindade, sómãe, e minha irmã, mas creio que ofereceu à nossa que «encarnou». A Cristo coube ser o «Mediador» entreMãe do Céu. O funeral esteve lindo. Concelebraram a Humanidade e Deus. Fez-se Homem para ter um15 padres, um grupo de jovens cantou melodias ao corpo para morrer e para «ressuscitar»; subiu ao CéuPai do Céu, e uma multidão acompanhou-a à última onde «está sentado à direita do Pai»; ensinou àmorada, num chegar de raios de sol! Abraço amigo, Humanidade o «caminho» para nos salvar: o Amor.Manuel Catarino.» SENHORA DO ROSÁRIO PELA PAZ PARA ASSOCIADOS E NÃO ASSOCIADOS, Em Fátima, Maria não só avisou que devemos rezare seus familiares em estado problemático de saúde, como apelou à nossa caridade através dos sacrifícios,assim como para os seus cuidadores, suplicamos a a fim de conseguir a paz, conversão dos pecadores e aFORÇA de Deus em Jesus e Maria de Nazaré. santificação da Igreja. Urtélia Silva José Silva Pinto
  4. 4. Reflexão4 espiral Celibato Sacerdotal, hoje:Motiva este artigo e nela sefundamenta, a erudita palestra os pés aos apóstolos, acrescento ménico”, “O Presbiterado e o Epis-intitulada “O Sacerdócio à Luz do eu; e o palestrante – «fermento do copado – Corpo Sacerdotal”.Concílio Vaticano ll, Sob este último título, destaco,«Sacerdotalis Caelibatus» (Paulo Novo Reino, do Novo Povo».VI) e o «Codex Iuris Canonici»”, Nesta ordem de ideias, continua por muito oportuna, a conclusão:que António Moreira pronunciou com vários tópicos: “Igreja «Daí que será uma traição qualquerno 2.º Encontro, promovido por Comunidade Sacerdotal”, “Os distanciamento ou menos apreçoD. Ilídio Leandro, bispo de Viseu, Leigos – Sacerdócio Comum”, “O efectivo, ou afectivo, de todos ospara padres dispensados do membros entre si e de um modoexercício do ministério Povo Santo de Deus Guardaordenado, em que participavam Infalível da Fé e dos Costumes”, muito particular entre os detentorestambém alguns padres em “O Matrimónio, Restauração do do Sacerdócio Ordenado e doexercício, palestra que o seu Plano Criador de Deus”, “O Sacerdócio Comum: terão deautor facultou à Associação Sacramento da Ordem, Sacramento escutar-se! Para que haja um sóFraternitas Movimento e Rebanho e um só Pastor, Jesusautorizou a difundir da Hierarquização da Comunidadeintegralmente entre os seus Eclesial”, “O Episcopado – Cristo. A mesma raiz – Jesus Cristo,associados, o que foi feito via Colégio dos Bispos e Concílio Ecu- o mesmo fruto – o Reino de Deus.»Internet. O encontro estárelatado, neste boletim, na 2.ª voz – O Celibatopágina 16. Luís Cunha António Moreira relaciona o decreto conciliar «Presbyterorum Ordinis», promulgado por Paulo VI, com a encíclica «Sacerdotalis Caelibatus», do A palestra: 1.ª voz - Dignidade mesmo papa, e o último «Código de Direito Canónico», promulgado porFundamental João Paulo II. Perante as incoerências constatadas entre a «liberdade radi- Fundamentou-se o palestrante, cal pela Criação e Restauração e a liberdade pela lei», aponta, com algu-além de passagens bíblicas, em três ma ironia, «os perigos da perfeita imperfeição», a propósito da condutadocumentos do Concílio Vaticano por parte do sacerdote e, sobretudo, no concernente ao celibato. «Estall - «Lumen Gentium», «Gaudium recomendação [proposta do celibato] insere-se no apelo feito a todos oset Spes» e «Presbyterorum Ordinis» crentes no âmbito dos conselhos evangélicos», mas «a proposta mobiliza,- para desenvolver ideias fundamen- a imposição quebra toda a iniciativa e […] facilmente a rotiniza e lhetais acerca da criação do Homem corta toda a frescura, tornando-se um contra-testemunho do tal Reino deno Éden e do Novo Homem (Cris- Deus». Não será difícil entender que tal assunto mal tenha sido afloradoto), evidenciando a dignidade radi- no Concílio (aberto ao Espírito Santo?!...), porque «tratava-se de satisfa-cal da pessoa humana, quer no pri- zer um compromisso» tomado por carta de Paulo VI ao cardeal Tisserant.meiro momento (o da Criação), Será de questionar, quanto às «dolorosas deserções», «aqueles infelizes»,quer no segundo (o da Restaura- «desgraçadamente infiéis às obrigações contraídas», se estas expressõesção): «O Homem, por natureza, no ofensivas contidas na encíclica estiveram implícitas no corajoso pedidoplano da criação, é Sacerdote, tem de perdão, de João Paulo ll, para os pecados da Igreja. Incluiria ainda,o dom de […] sacralizar […] a cria- neste pedido, a também infeliz expressão «redução ao estado laical»,tura, a começar por si próprio. […] inconsequente para os visados e ofensiva até para os leigos, o que foiAgora, o Homem em Jesus Cristo, corrigido, no novo Código, para «perda do estado clerical», mas aindaassume, com toda a propriedade, a inconsequente, se, de facto, o Sacerdócio imprime carácter? Nestasua natural condição de mediador. convicção, o subscritor destas linhas já deu a absolvição penitencial…[…] A natureza sacerdotal do Ho- Entretanto, o palestrante foca a incongruência que é o ter de pedir a “graça”mem é restaurada, elevada para da dispensa do exercício do ministério ordenado até para aceder a umalém dos limites da primitiva cria- sacramento, o Matrimónio. Pergunta, então, a propósito do Cânone 976,ção.» É que «pelo Batismo (que encerra «o dilema existencial do sacerdote: ter a obrigação deconfiguramo-nos com Cristo» - o manifestar o que é, mas de tal ser proibido por uma lei administrativa», ourevolucionário do Amor, o que lava “ditadura”): «Será uma lei justa?»
  5. 5. Reflexão l espiral 5 «jóia da coroa» ou pechisbeque 3.ª voz – Eagora (EcclesiaHac Hora) Celibato opcional é joia Nesta pós-modernidade, em que D. Ilídio Leandro, após referir templo de Jerusalém e vinda deconvivemos na globalização, a prá- o contributo do conferencista, Cristo (Mt 24, 8); da própria criaçãotica do celibato e os seus proble- convidou os participantes a uma que geme (Rm 8,22); de Paulo, per-mas deixaram de ser tabus e de po- reflexão e a partilhá-la, alertando plexo (Gl 4,19); Sião, a Mulher e oderem ser manipulados. Se a fé não que «o que alguém pensa sobre a Menino, o Messias, a Igreja (Ap 12).alicerçasse a nossa esperança, tal- organização da Igreja não é De maneira nenhuma terá de ser sóvez julgássemos que a Igreja não infalível» e, sagazmente, advertiu: o Papa a suportar tamanho solavan-ultrapassará esta geração, como, no «Opção pelo casamento…, co e a senti-las, mas também sem opassado, outros julgaram, porém, fidelidade dos celibatários… não doentio unanimismo (se Paulo nãoem tantos séculos e tantas crises, a é fácil a uns e a outros.» O diálogo, tivesse contrariado Pedro, hoje to-Igreja sobreviveu. O «Eu estarei as achegas foram aparecendo, uma dos os homens cristãos seríamossempre convosco» de Jesus, garan- vez que está em causa a verdade, circuncidados).tindo a presença salvífica nos por- possivelmente com alguma Como D. Ilídio reconheceu emtadores da Boa Nova, não falha. subjectividade, e a felicidade quase entrevista ao «Jornal de Notícias», Como as leis desumanas e anti- nunca está na facilidade. Um padre em 8 de Maio de 2009, há o funda--evangélicas - mesmo da Igreja - são no activo reconhece que o Povo de mentalismo de muitos a dificultarde homens caminhantes e de bar- Deus aceita os padres casados. Um as reformas.ro, sujeitos a muitas armadilhas, padre casado refere a «vida dupla, A mentalidade em Portugalpodem e devem mudar quando se senão tripla, de muitos que não dão acerca do celibato evoluiu, édescobre a sua malignidade ou falta testemunho sacerdotal verdadeiro favorável ao casamento dos padres,de qualidade, como têm mudado os com um celibato autêntico», o que a cuja causa a nossa Associaçãocódigos de direito canónico e ele quis evitar em si e casou. Fraternitas Movimento tem dadooutras nor mas disciplinares. Jóia da coroa é como Paulo Vl, algum contributo. Sem quebrar aFicamos à espera, com «desinteres- na «Sacerdotalis Caelibatus», vê o unidade com Roma, parece-nosse, egoísmo, falta de responsabi- celibato sacerdotal na Igreja. que a Conferência Episcopallidade cívico-eclesial? Não será Comentou-se: «Sim, “jóia” quando Portuguesa, única no mundo queuma desobediência aos princípios o celibato for opcional, sem ser aprovou – julga-se – os Estatutosda racionalidade, da corresponsa- condição para nada, fonte de de uma associação de padresbilidade, da liberdade? Queremos felicidade para quem quer e pode casados, que tanto tem sidoa Igreja presente nesta Hora?» O seguir o conselho evangélico; de apoiada pela quase totalidade dosconferencista interroga e, com olhar contrário, celibato obrigatório, com seus bispos e secretários (ou nãoabrangente, vê os milhares de tanta mentira, encobrimento e fosse ela da iniciativa de umenamorados da Igreja, «que um dia descrédito, não é “ jóia”, mas “santo” cónego Filipe deos fascinou e fascina e que nem os pechisbeque; com a generaliza- Figueiredo), deve continuaramores do tempo presente faz ção consequente, todos sofrem exemplar (seria porta aberta paraesquecer. Esperam. E se é uma com o ridículo do falso adorno.» outras conferências episcopaisespera no amor, também o é na A espera «no amor» e «na procederem de igual modo) e nãodor». António Moreira, padre dor» evocou a figura bíblica das pode deixar de assumir também asdispensado, e a maior parte dos “dores de parto”. Daí, o regozijo “dores de parto”, para, no seupresentes, reconhecendo em si a de que a situação crítica que a campo jurisdicional, abolir ovocação sacerdotal, concluiram Igreja enfrenta seja de «dores de celibato obrigatório e fazer nascerque não foram vocacionados para parto», indício de aproximação de a nova criatura, bela e refulgente,o celibato como condição para a vida nova, como os sinais do celibato opcional, com verdade,Ordem, mas «a dor está presente». precursores da destruição do a autêntica «jóia da coroa».
  6. 6. Reflexão6 espiral Celibato e MatrimónioNo número anterior do «Espiral», o n.º 38, New American Bible (NAB), com Imprimatur de 11Fernando Neves analisa os textos bíblicos em que de Outubro de 1991, apresenta o texto seguinte: «Dose fundamenta a Igreja para defender o celibatodos padres. Continua a reflexão neste número. we not have de right to take along a Christian wife, as do the rest of the apostles, and the brothers of the Lord, and Em Fátima, numa das suas livrarias, demo-nos ao Kephas?/Não temos nós (Paulo e Barnabé) o direito detrabalho de ver como estava traduzido 1 Cor 9,5, em levar connosco uma esposa cristã, como fazem os restantesBíblias católicas, com aprovação eclesiástica: “Nihil apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Kephas?»obstat”, “Imprimi potest” e “Imprimatur”. Tivemos A Bíblia Sagrada, traduzida da Vulgata e anotadaalgumas surpresas, confir mando a tradução pelo P.e Matos Soares, primeira edição de 1933, e queapresentada no «Espiral» n.º 38. pode ser considerada como a primeira Bíblia popular CORRECÇÃO: O «Espiral» pede desculpa pelas dos católicos romanos de Portugal, apresenta umaincorrecções de pontuação e pela referência à tradução tradução literal do citado versículo de 1 Cor 9:da Vulgata por Ambrósio quando, na verdade, como «Porventura não temos nós direito de levar por toda a partetodos sabemos, foi por Jerónimo. Deparámo-nos com uma mulher irmã, como também os outros Apóstolos, e osuma primeira versão e não com a definitiva, em que já irmãos do Senhor, e Cefas?»tinham sido introduzidas as referidas correcções. Curioso é que, servindo este capítulo também como S. Jerónimo e Santo Ambrósio, Padres e Doutores justificação para o direito do ministro ordenadoda Igreja, coexistindo temporalmente em grande parte receber, da comunidade que serve, a côngruada sua vida, tinham a paixão pelas Sagradas Escrituras: sustentação (no dizer de S. Paulo, esse direito eraAmbrósio, conhecendo-a e comentando-a, a partir do mesmo extensivo à esposa que acompanhava oseu mestre Orígenes; Jerónimo, refugiado na sua apóstolo), ele seja dos muito poucos que não“tebaida”, fazendo esse trabalho ciclópico da tradução mereceram qualquer anotação a este tradutor.da mesma, dos originais grego ou hebraico, para a Porquê? Talvez para ser honesto e não faltar àlíngua latina, a pedido do papa Dâmaso I, santo. Foi, verdade. E, assim, terá achado preferível omitir e nãotalvez, a primeira grande tentativa de tornar acessível dizer aquilo que seria chocante para a comunidadee dar a conhecer ao maior número possível de crente, no contexto eclesial absolutamente tridentinosacerdotes e pessoas a Palavra de Deus contida nas em que, então, ainda se vivia.Escrituras Sagradas. Daí o nome de Vulgata, ou seja Outra atitude tiveram - como já foi dito - os autoresuma tradução para divulgar a Palavra de Deus, na do compêndio, com todas as aprovações canónicas elíngua vulgar, então, de maior uso, no ocidente: o latim. adoptado por alguns Seminários na década de 1960, que interpretam do seguinte modo 1 Cor 9,5: «Una Assim, a Bíblia de Jerusalém, no seu original francês, mujer hermana: una cristiana. Mujer...: puede tomarseapresenta o seguinte texto: «N’avons-nous pas le droit en sentido próprio de esposa o de mujer en general.d’emmener avec nous une épouse croyante, comme les autres En el contexto cuadra mejor el primer sentido. Pauloapôtres, et les frères du Seigneur, et Céphas?/Não temos nós podria haberse casado y llevar consigo su mujer…»(Paulo e Barnabé) o direito de levar connosco uma esposa ( LEAL, Juan e outros, La Sagrada Escritura, Nuevocrente, como os outros apóstolos, e os irmãos do Senhor, e testamento II. Hechos de los Apóstoles y Cartas de S. Pablo,Céphas?» (Estes e os próximos sublinhados são nossos.) p. 405, segunda edicion, B.A.C. Madrid 1965). A edição brasileira da Bíblia de Jerusalém é fiel na São, pois, estes autores da opinião de que todos ostradução, utilizando também a palavra esposa. apóstolos não só eram casados, mas até de que viviam Os Capuchinhos, nas últimas edições da Difusora e eram acompanhados pelas suas esposas.Bíblica, traduzem de forma literal (uma mulher cristã) E entende-se bem por quê. É que, se não semas, em nota de rodapé, dizem que, gramaticalmente entender a mulher irmã/cristã como a própria esposa(?!), se deve entender como esposa cristã. Cada um que que acompanhava cada apóstolo, ficaria, moralmen-faça os comentários que quiser ao gramaticalmente! te, uma bota para descalçar. Efectivamente, para a A Holy Bible, Dove of Peace, Catholic Edition da mentalidade semítica, seria totalmente escandaloso um
  7. 7. Reflexão l espiral 7 O NOSSO ESPÍRITO «É “um coração que vê”. Este coração vê onde há necessidade de amor e actua em consequência» No passado 13 de Maio, o Papa Bento XVI Sogra de Pedro encontrou-se com representantes da Pastoral Socialhomem ser acompanhado, dia e noite, por uma mu- de Portugal, na igreja da Santíssima Trindade. Foi umlher qualquer, embora irmã, entenda-se cristã. Acom- momento cheio de vivacidade, humanidade e de afecto.panhado pela esposa já seria uma situação de norma- O espaço estava repleto com mais de 9000 pessoaslidade. De resto, isto não será novidade, pelas quali- ligadas aos diversos organismos e serviços que a Igrejadades a ter em conta na escolha dos bispos, presbíteros disponibiliza para o serviço aos que mais precisam.e diáconos, para as primeiras comunidades cristãs, E, enquanto aguardávamos o papa, fomosonde segundo S. Paulo, em 1 Tm 3 e Tt 1, se recomen- presenteados com um concerto pelo grupo “Figoda para todos eles que sejam casados e homens de uma Maduro” (mãe e quatro filhos!) e com a apresentaçãosó esposa. dos bispos diocesanos e auxiliares ligados a esta área. A exortação de Bento XVI foi profundíssima e A TENTAÇÃO DO CARREIRISMO transbordante de “sumo”. O papa partiu do texto do Bento XVI, na homilia da ordenação de presbíteros, Evangelho proclamado imediatamente antes, aem Roma, no passado mês de Junho, referiu-se à parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37), e inicioupossível queda em tentação de alguns ministros a sua reflexão desta forma: «Ouvistes Jesus dizer: “Vaiordenados se exibirem para conseguir fazer carreira e faz o mesmo.” Recomenda-nos que façamos nossoeclesiástica. E uma das coisas que condenou foi que o estilo do bom samaritano, ao aproximar-nos dasalguém, para ser considerado e promovido, pratique a situações carentes de ajuda fraterna.» E desenvolveuadulação ou tenha de dizer aquilo que os seus o seu pensamento concentrando-nos no “distintivo”,superiores querem e gostam de ouvir (!). a marca do agir cristão, nomeadamente dos que servem Ora, na realidade, muita da hierarquia eclesial os seus irmãos, em nome do Senhor Jesus, em serviços,revela ainda alguma falta de poder de encaixe para organizações, instituições eclesiais da pastoral social.temas candentes e vitais, mesmo que não ligados ao Da homilia, cheia de grande densidade edogma mas só a puras práticas disciplinares, profundidade e, simultaneamente, de uma cristalinaocasionais, como é, por exemplo, o caso da ainda actual clareza, permito-me sublinhar um parágrafo: «No meioexigência do celibato obrigatório sacerdotal. de tantas instituições sociais que servem o bem Que nem sempre assim foi revelam-no, à saciedade, comum, próximas de populações carenciadas, contam-os Evangelhos (Jesus cura a sogra de Pedro), as referidas -se as da Igreja Católica. Importa que seja clara a suaCartas de S. Paulo, a História da Igreja e mesmo a do orientação de modo a assumirem uma identidade bempróprio papado. patente: na inspiração dos seus objectivos, na escolha E, com tudo isto, quem sofre é o Povo de Deus, dos seus recursos humanos, nos métodos de actuação,pois o número de ministros ordenados não é suficiente na qualidade dos seus serviços, na gestão séria e eficazpara acorrer às suas necessidades. dos meios. A firmeza da identidade das instituições é Não diz o Vaticano II que o sacrifício eucarístico de um serviço real, com grandes vantagens para os queCristo é fonte e centro da vida cristã? (LG 11) Porquê, pois, dele beneficiam. Passo fundamental, além dadevido à simples norma disciplinar do celibato identidade e unido a ela, é conceder à actividadeeclesiástico, privar uma grande parte dos fiéis do seu caritativa cristã autonomia e independência da políticadireito de haurirem das riquezas desta fonte? Não será e das ideologias, ainda que em cooperação comque o Espírito, que sempre faz tudo de novo, esteja a organismos do Estado para atingir fins comuns.»querer dizer algo de muito vital para a Igreja-Povo de Eis um programa para a nossa actuação, uma marcaDeus, mas que a hierarquia, por carreirismo, se recusa que se nos pede: que tenhamos “um coração que vê”.a receber e concretizar, porque não gosta de ouvir? Albert o Albert Osório
  8. 8. Especial8 espiralChamados à Vida,«Há festa no Céu! Não há nada melhor para os pais do que ra q uel raq palma palmater os seus filhos em casa, do que estarmos na casa do Pai.Estamos com Deus com todo o nosso passado e com todo o Estamos mortos quando não amamos. Desde sem-nosso presente, para parar, para nos encontrarmos, para pre fomos chamados ao Amor, a um amor com quali-nos re-situarmos.» Foi com estas e muitas outras palavrasque o casal Joaquim e Raquel Palma ajudaram os dade divina. E o problema é que muitas vezes vive-membros da «Fraternitas» a rezar, reflectir e crescer na mos esta chamada não como uma ALEGRIA, uma«Relação Familiar», nos dias 23 e 24 de Abril, em Fátima. BOA NOVA, mas como um peso, um fardo, uma má notícia. Porquê? 1.º REFLEXÃO da manhã do dia 24: Quando Não será porque assumimos esta chamada comonos retiramos com Deus, não vamos para nos funcionários de Deus e não como amigos, como fi-evadirmos da vida mais ou menos complicada que lhos?cada um tem, nem para esquecer, mas para olhar de Qual é a diferença?frente, para olhar acompanhados, para olhar O funcionário conta com as suas forças, muitasprofundamente, para olhar a partir dos olhos de Deus vezes não entende o valor, o significado das ordens– que é Pai Bom, que é Misericórdia, que vê que lhe são dadas, não comunga com elas…possibilidades onde nós só vemos entraves, que vê O filho, ao contrário do funcionário, deixa-se amar,Luz onde nós só vemos trevas, que tem o poder de acolhe esse amor e deixa que o “amor derramado” nofazer nascer a Vida onde nós só encontramos morte. seu coração transborde para os que vivem ao seu Deus não nos convida a situarmo-nos como redor.“espectadores que já viram o filme”, mas chama-nos Qual é a BOA NOVA do Evangelho de Jesus? Daa agarrar a oportunidade de, mais uma vez, Sua Vida?ressuscitarmos com Ele. De olhar com Ele para as Podemos tentar encontrar a resposta no lema quenossas mortes, para os túmulos da nossa vida, daqueles escolhemos para o encontro: «Aspirai, porém aosa quem amamos, e de deixar que Jesus retire a “pedra” melhores dons… Se não tiver amor, nada sou».que nos impede de viver. Poder Amar é um DOM; não é uma conquista De facto, estamos mortos quando não amamos! pessoal. Às vezes gastamos tantos esforços em tentar Estamos mortos quando não vivemos aquilo para amar… e são necessários. Mas, a ênfase deve ser pos-que fomos criados. ta em DEIXAR-ME AMAR PRIMEIRO. Certezas e drama Nos primeiros capítulos dos Génesis expressa-se com a CERTEZA, desde o princípio, de que o nossomuito bem aquilo para que Deus nos criou, a essência Deus e Criador: - tem o poder de simplificar o que éda existência humana, o seu sentido e os seus dramas: complexo em nós; a) Fomos criados para a COMUNHÃO (Gn 1 e - tem o poder de ordenar o que em nós éGn 2): desordenado e caótico; - para uma vida de comunhão com Deus, de - tem o poder de separar a luz das trevas e de nosamizade, de familiaridade; ajudar a ver o que convém e não convém, o que nos - para uma vida de comunhão com os irmãos, de faz viver e nos dá a morte (Gn 1, 1-4; Gn 2, 16-18).entreajuda, de caminhar juntos, de caminhar com…; c) O nosso drama existencial, o nosso maior pecado, - em harmonia com a Natureza e com todos os se assim lhe quisermos chamar, é-nos relatado nobens da Terra. capítulo 3, é a SOBERBA - a não aceitação da Os capítulos 1 e 2 do Génesis mostram-nos que realidade de ser criatura e não Deus. Como Eva,estamos no Paraíso quando vivemos em comunhão, gostávamos de ser “deuses”, perfeitos, acabados. Equando há harmonia nas nossas relações. dava-nos tanto jeito que os outros à nossa volta b) Fomos criados para viver com a CONFIANÇA, também o fossem! (cf. Gn 3, 2-6). página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: direccao@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas
  9. 9. Especial l espiral 9 ao Amor HOJE É O DIA DA NOSSA SALVAÇÃO. Somos convidados a ressuscitar. Somos convidados a fazer a experiência de que a vida, a morte e a ressurreição de Jesus vencem aquilo que mais nos mata como ser humanos, aquilo que mais compromete a nossa felicidade, que mais compromete a qualidade das nossas relações - a SOBERBA: - a não aceitação da realidade de ser criatura e não Deus; - a não aceitação da fragilidade pessoal e do outro, dos limites; - a não aceitação da realidade de filhos, porque não se confia, porque não se quer ser dependentes. Jesus, ao encarnar, assume a condição humana e mostra-nos que não há que ter medo de ser criaturas, mostra-nos que como criaturas também temos uma grandeza: fomos criados à imagem e semelhança de PARA A ORAÇÃO PESSOAL PESSOAL Deus (Gn 1, 26-27), somos amados e temos em nós uma semente de Deus, do Seu ser divino, do Seu Amor; FAMÍLIA E EM FAMÍLIA temos em nós a capacidade de amar com uma qualidade de amor divino e não apenas humano. Que cada um pegue numa das leituras sugeridas e peça o Jesus, com a Sua vida, morte e ressurreição, mos- dom de se deixar amar hoje, na circunstância real em que está, tra-nos que, mais do que criaturas, somos FILHOS na etapa concreta da vida, tal como está, com as feridas que AMADOS do Pai e ensina-nos a confiar na tem. SABEDORIA do Pai, ensina-nos a acreditar, a Hoje somos convidados a deixar que o Senhor nos descobrir que a Sua obra está bem feita e a viver agra- faça renovar a experiência que temos do Seu amor, decidos em vez de zangados! (cf. Gn 1,31). que nos faça saborear, que nos faça conhecer… Como poderei amar com um amor de qualidade divina se todas as experiências de amor que faço ao longo da vida são pequenas e limitadas? Como posso exigir ao outro um amor perfeito, se, como eu, é limitado? Já Santa Teresa dizia: «Mendigamos amor em casa de gente pobre.» Hoje, agora, neste tempo de silêncio: pedir o dom de deixar-me amar por um amor que é: - prestável, que não busca o seu interesse... 1 Cor 13, 4-8; - incondicional - Sl 103(102); - poderoso, faz impossíveis - Mt 9, 20-22 (hemorroíssa) e Jo 11 (ressurreição de Lázaro); - esbanjador, exagerado no dar, que vê muito mais além - Mt 26,6-10 (unção de Betânia); Jo 13 (lava- pés); - que não condena - Jo 8, 1-11 (mulher adúltera).s.pt * e-mail: secretariado@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: tesouraria@fraternitas.pt
  10. 10. Especial10 espiral DETALHES da RELAÇÃO FAMILIARAo preparar estas pistas para o momento de oração, pediaajuda a Deus para saber viver tantos papéis e tantas tare-fas que desempenhamos. Papéis que são essenciais: serpai, ser marido, ser bom profissional, ser cristão, ser casalapostólico, caritativo, líder... 2.º REFLEXÃO da manhã do dia 24: O Senhorfez-me entender que a nossa natureza humana é vivernesta tensão: procuramos abraçar inúmeras tarefas,sentimo-nos criados/feitos para desejar muito, paraprocurar o eterno, o infinito, o perfeito, mas esbarra-mos nos nossos limites, na nossa imperfeição, nosassuntos imediatos. Experimentamos constantemen-te esta contradição na nossa vida: - Somos corpo e somos alma. - Somos interioridade e exterioridade. - Experimentamos a infinitude e os limites, a tensão entre amar e ser amados, ser e fazer, presente e passado, o absoluto e o relativo que cer-tas coisas são. - Experimentamos a contradição entre os ideais e Jesus também propõe que uma vida nova nãoa realidade, a nossa inteligência e os sentidos, seja colocada nos mesmos moldes da vida velha: Vi- entre o que queremos fazer e o que fazemos, nho novo em odres novos (Mc 2, 21-22). entre a vida que queremos e a que se vai... Nesta vida nova que queremos acolher, o primeiro E a contradição mais radical é entre a vida e a morte, fruto é o Amor – por isso a primeira análise queentre as muitas vidas e as mortes que experimentamos; temos de fazer é ao estado do nosso Amor, à qua-e o que ainda é mais difícil é que não experimentamos lidade do Amor com que amamos.isto só uma vez, mas muitas, desde que nascemos. É muito importante conhecer como amamos. Se Viver nesta contradição é a nossa natureza - Deus não amo no Amor de Deus, o meu amor é limitado,fez Adão do pó e sobre ele soprou o Seu Espírito. dependente de todas as minhas contradições, procura Esquecer que somos esta contradição mais o meu bem-estar que o do outro, não «suporta - pó e Espírito de Deus - tudo, não é sempre paciente, etc. (cf. 1 Cor 13). O é o pecado de Adão e Eva; meu amor humano é pequeno e não constrói a pessoa é romper a relação com DEUS, a quem digo que amo: Se eu não tiver amor, eu nada sou. não aceitar que Deus é Deus E qual é a melhor forma de eu conhecer a qua- e não aceitar que somos criaturas. lidade do meu Amor? É pelo exame do meu amor Em relação a estas contradições que ao próximo. Não existe forma mais simples e efi-experimentamos, e muitas outras que cada um pode caz que perguntar a quem está ao meu ladoencontrar na sua vida, a nossa atitude não deve ser de COMO ESTOU A AMAR?perder a esperança, porque é próprio da nossa natureza E o outro, com toda a certeza, não deixará de nosviver nesta tensão entre Homem novo e Homem ajudar a ver como é a qualidade do nosso amor.velho. A qualidade com que amamos tem a ver com aquilo A atitude construtora é a que Jesus propõe a que pretendemos quando estamos com o outro, comNicodemos (Jo 3) – voltar a nascer para uma vida o que procuramos e oferecemos quando amamos.nova: «O que nasceu da carne é carne, o que nasceu Uma leitura que nos pode ajudar a verificar o estadodo Espírito é Espírito, quem não nascer da água e do do nosso amor é esta checklist de características do amor:Espírito não pode entrar no Reino de Deus.» de 1 Cor 13.
  11. 11. Especial l espiral 11 Alguns aspectos a cuidar podem ser estes: qual é o melhor momento para dialogar, como começar o dialogo e como acabar, onde dialogar - em casa, no Joa q uim Joa Palma Palma restaurante, no jardim, parados ou a andar...? E hoje pode ser de uma forma e daqui a 10 anos pode ser melhor de outra forma. Para isso precisamos sempre de actualizar o conhecimento que temos do outro. Depois, como somos humanos, precisamos de es- PRESTAR ATENÇÃO AOS DETALHES tar atentos às necessidades humanas individuais de: É no âmbito das relações familiares que, de facto, Tempo - para pensar e assimilar antes de falar; parase identifica a qualidade de amor com que amamos. descansar, dormir, comer - muitas vezes colocamos A nossa realidade é que não sabemos amar ou muito stress na vida diária por não cuidarmos das ne-amamos muito pouco o outro, e sobretudo os que es- cessidades físicas e psicológicas de descanso, comida,tão próximos, mais próximos - a esposa, a companhei- sono, silêncio...ra, os filhos, os pais, etc. E o normal é que não o sai- Espaço - reservado, individual, pois, por mais pró-bamos fazer - por isso a atitude fundamental é reco- ximos que estejamos, existe um espaço em nós quenhecer que precisamos aprender. ninguém consegue preencher. Esse lugar solitário que Na relação de Jesus com os seus discípulos, ve- temos também precisa de ser cuidado. E precisamosmos como Ele utiliza uma pedagogia muito cuidado- deixar Deus entrar nesses pensamentos reservados (ossa e uma atenção muito especial a aspectos muito hu- outros nunca conseguirão entrar aí). No livro «Omanos. Jesus: Profeta», Khalil-Gibran tem um poema sobre o casa- - dedica muito tempo aos seus amigos, e está aten- mento em que diz que precisamos cultivar um espaçoto a que comam, a que durmam, a que tenham tem- afastado entre os dois, pois as colunas do templo cres-pos só para eles sem estarem sempre no meio da mul- cem afastadas para melhor suportar o peso dele.tidão; Uma vida a dois, a três, a quatro..., próxima, intensa, - ressuscitado, não se cansa de repetir e de recordar diária, não pode apenas ser stress, trabalho,o que já havia dito em vida; organização, rigidez... Ninguém aguenta isso. As - não se cansa de voltar por causa de Tomé; próprias empresas reconhecem a necessidade de - vai ao encontro dos apóstolos quando voltam à espaços lúdicos para fortalecer o trabalho em equipa.pesca, come com eles, etc. Em casal, é importante avaliar o tempo e o Ou seja, Jesus sabe que nós precisamos de tempo, cuidado que temos dado às relações dentro daque precisamos de sinais, que precisamos de repetição, família - à relação conjugal, aos filhos, etc. Porque precisamos de momentos fortes... exemplo, avaliar quando foi a última vez que planea- Por vezes, nas relações mais importantes es- ram uma saída só a dois, de todos, quando foi a últimaquecemos disto. vez que houve tempo para sentar e dialogar... Não nos podemos esquecer que precisamos decuidar dos detalhes, dos tempos de encontro e, de uma Algumas atitudes que constroem a amizadeforma muito particular, do diálogo. A relação não Na história de Saint–Exupéry, no encontro dosobrevive sem o diálogo - mas as palavras podem principezinho com a raposa, constrói-se uma amiza-aproximar ou afastar o coração, consoante o modo e o de, em que são importantes pequenos detalhes:tom com que se digam, o momento em que se digam, - O local onde se encontram. A raposa associa oetc. É vital ouvir o outro, dizer o que se gosta e não se campo de trigo no local onde se encontram com a corgosta, conhecer o que o outro está a viver e como está dos cabelos do principezinho e assim o próprio locala viver, e actualizar o conhecimento que temos evoca a presença do amigo.do outro, porque nós mudamos e se não dialogamos - O tempo que se “gasta” a cuidar a preparação dodeixamos de conhecer as pessoas que estão connosco. encontro e os rituais em redor desse encontro são muito Não podemos é esquecer que dialogar é uma arte importantes. A raposa pede ao seu amigo para que(e constantemente esquecemos isto), não é chegue sempre à mesma hora, para que o seu coraçãoespontânea, precisa de ser aprendida, trabalhada. se comece a preparar antes do encontro.
  12. 12. Especial12 espiral A VOCAÇÃO ao AMORO chamamento a amar ao longo da vida não só assume Acreditamos que a Palavra de Deus é um dosmuitas formas (casal, pais, avós…), cada uma com os alimentos mais adequados para a caminhada, longa,seus desafios e dificuldades, como nem sempre é um“mar de rosas”. Muitas vezes a opção pelo amor não é o complexa, que é a nossa vida.caminho imediato mais fácil, ainda que compense a Hoje, como no tempo de Elias, o convite forte quelongo prazo. Deus nos faz é: «Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho a percorrer.» REFLEXÃO da tarde do dia 24: É diferente: O contacto com a Palavra de Deus, a oração com - Amar na saúde e na doença. a Palavra, é um dos meios privilegiados através do - Amar o lado positivo ou o lado frágil do outro. qual Deus vem ao nosso encontro e nos alimenta - Amar quando me sinto cheio de forças ou quando no caminho, e nos capacita para amar, amar comestou no limite. gozo profundo, amar totalmente convencidos de que - Amar “quando tenho razão de queixa” ou quando vai valer a pena, de que a seu tempo dará fruto!surge em resposta ao amor do outro. Onde está a força da Palavra? Onde está a sua magia, o seu poder? Como é que actua em nós? Qual a experiência de Maria, de Jesus, dos Apóstolos? A Palavra não é morta, é «viva e eficaz». Deus não só está vivo na Palavra, com Se dá a Si mesmo atra- vés da Palavra. Precisamos, por isso, de renovar cada dia a esperança! Precisamos de renovar cada dia a fé. E a confiança no Amor, que é o método do Deus de Jesus. Se não o fizermos, facilmente vivemos com a lógica do mundo e não com a de Deus - como Pedro - a quem Jesus chegou a dizer: «Afasta-te de Mim Sa- ESPERAR O QUE NÃO SE VÊ tanás, porque os teus critérios não são os de Deus.» O Sr. Luís fez uma cova na terra, depositou uma Deus oferece-se na Sua Palavra diária – liturgia desemente e regou. cada dia, em que podemos pegar e parar nem que seja Voltou no dia seguinte, e não havia sinais da planta. 10 minutos apenas, como alimento diário para: Lá no interior da terra, o caule saía da semente. - discernir nas encruzilhadas da vida; O Sr. Luís voltou ao segundo dia. Ainda não havia - fortalecer nas opções tomadas;nenhuma pontinha verde da planta. - aceitar fragilidades e fracassos, pessoais e sociais; Lá na terra, o caule rasgava o solo. - renovar esperança e convicções; Ao terceiro dia, o Sr. Luís desconfiou que nenhuma - recomeçar: «Amas-Me? Apascenta!» (Jo 21)planta iria nascer. Mas a planta estava prestes a germinar. A ESTÓRIA E AS NOSSAS VIDAS Ao quarto dia, o Sr. Luís não foi ver a terra que O Sr. Luís não conhecia os tempos e os modos/plantou. Mas a planta germinou. E um pássaro sinais de crescimento do que semeou. Eles sãoobservou. diferentes para cada caso. É preciso não ver só as Ao quinto dia, a planta deu uma flor, e o pássaro aparências; é preciso estar atentos e procurar sinaiscolheu-a. da mudança que está a ocorrer. É preciso acreditar na Diante da complexidade da vida, do facto de tantas mudança, na fecundidade das entregas, nos frutos davezes não vermos quaisquer frutos da nossa entre- dedicação, do cuidar. Se não se acredita, pode não sega... de semearmos e nada... como o Sr Luís da histó- facilitar o nascimento ou, pior ainda, pode ocorrer eria, apetece-nos desistir e ir por outras vias que não a já não estarmos para ver. E é também importantedo Amor, mas da impaciência, da falta de esperança... cuidar, regar, preparar-se para colher… O pássaro Apetece-nos dizer “Basta, Senhor!”, como Elias colheu e alegrou-se!(1 Rs 19). ra q uel E JOA Q UIM palma raq JOA palma
  13. 13. IGREJA l espiral 13 REPENSAR JUNTOS Com os Movimentos na Igreja A PASTORAL DA IGREJA D. Ilídio Leandro, Bispo de Viseu Leandro Os movimentos na Igreja podem ler-se e interpre- A Conferência Episcopal Portuguesa está a tar--se à luz do capítulo 12 da 1.ª Carta de S. Paulopromover um caminho para «repensar a pastoral da aos Coríntios. Procedem do Espírito Santo; orientam-Igreja em Portugal», de modo a adequá-la melhor ao se para o bem da Igreja; estão na Igreja como os mem-mandato recebido de Jesus e às circunstâncias actuais. bros no corpo humano. Estes são critérios que aju-Foi elaborado o documento «Formação para a missão dam ao seu discernimento - missão dos pastores nas– formação na missão». Nele se aponta este objectivo: comunidades cristãs. Aliás, o Papa Bento XVI, aquan-«Encontrar uma compreensão comum a todas as do da sua visita a Portugal, no dia 13 de Maio passa-Igrejas de Portugal dos caminhos da missão e enunciar do, aponta aos bispos uma nota importantíssima: «Osprioridades de opções e dinâmicas de acção com as portadores de um carisma particular devem sentir-sequais todas as dioceses se comprometam.» E refere- fundamentalmente responsáveis pela comunhão, pelase como método a leitura dos “sinais dos tempos”, fé comum da Igreja e devem submeter-se à guia dossegundo a perspectiva do Concílio Vaticano II (cf. GS pastores. São estes que devem garantir a eclesialidade4 e 11). Recentemente, foi apresentado um instrumen- dos movimentos. Os pastores não são apenas pessoasto de trabalho que dá continuidade prática ao citado que ocupam um cargo, mas eles próprios sãodocumento, em ordem a determinar o caminho e os carismáticos, são responsáveis pela abertura da Igrejamodos de a Igreja em Portugal cumprir de modo mais à acção do Espírito Santo».frutuoso a sua missão. Todos, de alguma forma, sabíamos isto: os bispos Neste esforço para repensar a pastoral, pretende- e os responsáveis e seguidores de um movimento.se envolver num caminho sinodal, em comunhão e Penso que, nem uns nem outros temos tido coragem ecolaboração, a nível diocesano e nacional, os múltiplos consciência para reconhecer e, sobretudo, actuar deagentes pastorais (bispos, sacerdotes, religiosos e que é nesta abertura, nesta clareza e nesta confiançareligiosas, movimentos, associações de fiéis e outras que, para bem e fidelidade ao Espírito e à Igreja deve-obras eclesiais). O itinerário percorrerá várias etapas. mos agir. Tudo isto, numa docilidade, simples e obe- 1.º - A Assembleia Plenária da Conferência diente, ao Espírito Santo.Episcopal Portuguesa (CEP) apreciou o instrumento Bento XVI dizia: «Graças aos carismas, ade trabalho (Abril de 2010). radicalidade do Evangelho, o conteúdo objectivo da 2.º - Nas Jornadas Pastorais do Episcopado, a CEP fé, o fluxo vivo da sua tradição comunicam-se persu-reviu experiências e ouviu o contributo de peritos em asivamente e são acolhidos como experiência pesso-teologia e pastoral e de figuras da sociedade civil e da al, como adesão da liberdade ao evento presente decultura (Junho de 2010). Cristo.» Está aqui, no meu entendimento, a doutrina 3.º Entre Julho de 2010 e Março de 2011, nas fundamental sobre a importância, o lugar e a missãodioceses (conselhos pastorais ou outras dos movimentos na Igreja. Creio firmemente que,instâncias), nas conferências ou direcções enquanto manifestação do Espírito em cada tem-nacionais dos institutos de vida consagrada e dos po, os movimentos são indispensáveis à vida damovimentos e associações de fiéis far-se-á o Igreja e têm um lugar insubstituível na iniciaçãotrabalho de discernimento pastoral. cristã de muitos baptizados, levando-os ao encon- 4.º - O resultado deste trabalho é recolhido e tro pessoal com Jesus Cristo.sintetizado no Gabinete de Estudos Pastorais da CEP. João Paulo II já falava da necessidade que a Igreja 5. As conclusões recolhidas são depois reflectidas tem de «grandes correntes, movimentos e testemunhospelo grupo representativo das dioceses, congregações de santidade entre os fiéis», sobretudo nos meios hu-e movimentos e devolvidas à CEP. (Maio de 2011). manos onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo, 6. Nas jornadas pastorais, estudam-se as formas atraindo para a graça de Cristo dando testemunhode pôr em prática as orientações comuns nas dioceses d’Ele.e nas diferentes instâncias da Igreja (Junho de 2011). No presente caminho de «repensar a Igreja em Por- 7. A CEP define as orientações pastorais comuns tugal», os movimentos e as novas comunidades ecle-para a Igreja em Portugal (Novembro de 2011). siais têm um lugar muito importante.
  14. 14. IGREJA14 espiral Antigos alunos dos seminários voltam à cena Há cerca de um ano, realizou-se o 1.º Congresso Nacional dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses. O professor Este ano criou-se a União das Associações dos Antigos César das Neves abordou o tema Alunos dos Seminários Portugueses – UASP. “Um novo sentido de responsabi- Matias L uís Matias lidade para o desenvolvimento so- cioeconómico” sob duas perspec- Já ninguém tem dúvidas de que os seminários tivas principais: uma visão sobredesempenharam um papel absolutamente relevante, o actual cenário do mundo nadiremos fundamental, no ensino e na transformação questão económica – de crise –da sociedade do século passado. Foi reconhecido que e o impacto social que ela acar-o trabalho realizado e a investigação efectuada no reta, colocando-lhe contudoâmbito do 1.º Congresso Nacional dos Antigos Alunos uma visão e perspectiva posi-dos Seminários Portugueses teria de ter continuação e tiva e de esperança, con-radicar-se com uma estrutura per manente de victo de que o mun-polarização, de difusão de ideias, de representação, de do teve outras crisespromoção de actividades e valores, radicados no parecidas, pioresfundamento da educação e dos princípios emanados até, e que sempredesta riquíssima experiência de formação num dos foram superadas.muitos seminários em Portugal. Crê que as crises são Com este objectivo, constituiu-se um núcleo de também uma grande oportuni-trabalho de âmbito nacional, sediado no Seminário dade de repensar os processos,Diocesano de Leiria, por razões de centralidade, das de os ajustar para o futuro. De-excelentes condições oferecidas e do incondicional pois, pegou na encíclica papalapoio dos seus responsáveis. Aqui se deram os «Caritas in Veritate» eprimeiros passos para a formação de uma “União das escalpelizou o fundamento da sua posição, dizendoAssociações dos Antigos Alunos dos Seminários que já quase tudo está ali expresso, e que o pensamen-Portugueses – UASP”, sendo concebida pelas diversas to e o papel da Igreja são fundamentais para encarar oassociações intervenientes como uma estrutura futuro com esperança, para cada pessoa e para a Hu-polarizadora e de representação, que não intervirá na manidade.dinâmica interna das diversas associações que aconstituem. Este grupo de trabalho criou, com reflexãoe discussão, os estatutos da UASP, que foram A Dr.a Marta Brites, investigadora do Instituto depublicamente apresentados em 12 de Junho passado. Bioética da UCP – Porto, desenvolveu o tema das “Pos- A sessão de apresentação rodeou-se de um bem sibilidades e limites das tecnologias no cuidar da vidarecheado programa, que desde já é augúrio do elevado humana”, contextualizando esta nova e fundamentalnível que os responsáveis pretendem dar a todas as disciplina da Bioética no contexto da moralização erealizações deste organismo nascente. Nela propôs-se dos princípios, nos limites das tecnologias aplicadas àreflectir genericamente sobre «ética e responsabilidade vida humana. A massificação, o afrouxamento dos prin-na gestão do bem comum». É um assunto sério e cípios morais e éticos das sociedades contemporâne-emergente, não só em Portugal, mas em todo o mundo, as, a fácil cedência ao utilitarismo, conjugado com oconsiderando a actual conjuntura económica, social e espantoso desenvolvimento dos conhecimentos cien-técnico-científica. Realizaram-se duas conferências, tíficos e tecnológicos, podem levar à instrumentaliza-uma de manhã, pelo professor Doutor João César das ção destes por aqueles, situação inaceitável e de altoNeves, outra de tarde, pela Dr.a. Marta Brites. risco para o nosso presente e para as sociedades futu- Este riquíssimo evento contou ainda com a Euca- ras. A Bioética coloca-se neste meio como moderado-ristia presidida por D. António Marto, bispo de Leiria- ra do cada vez mais complicado diálogo entre estasFátima, e um almoço convívio entre os participantes. duas partes.
  15. 15. BÍBLIA l espiral 15 O dilúvio, a Aliança, a reconciliação universal O «Dilúvio” foi tema de estudo na Universidade Sénior de Castelo de Paiva. O orientador desafiouos participantes a apreciarem o texto e a descobrirem uma interpretação. Joaquim Soares partilha-o. Capítulos 6, 7 e 8 do Génesis. Impressionante este analfabetos espezinhados, os famintos abundam portexto! Deslumbram os pormenores da Arca, a todos os lados, os explorados não param de crescer. Emeticulosidade das dimensões, os cuidados com a sua os responsáveis e entendidos entretêm-se com cimeirasvedação, a atenção de Noé sobre os pormenores da e outras reuniões de altos desígnios, infindáveis, quesua construção, o cuidado na selecção dos animais e servem para elogios mútuos, mas adiam as soluções.das aves. Há de facto uma preocupação desta A desilusão, a frustração... Os povos vivem umapersonagem em corresponder à vontade de Deus. esperança que não vêem concretizada. Todavia, sente-se a frustração do autor da narrativa:o Homem não corresponde aos objectivos do Criador. Que solução se pode esperar . Noé não tem solução. Será que o homem aprendeu Profissão de fé alguma coisa com a sua experiência? Apenas lhe surge A doutrina da Igreja e a sua interpretação é assunto como solução para uma sociedade justa a aniquilaçãoque não se questiona. A presente reflexão vai na linha da Humanidade e o seu recomeço em parâmetrosde encontrar um fio condutor que se ajuste ao tempo novos, valores novos - fazer tudo de novo!presente. Terá esta passagem algo a dizer ao homem Temos ouvido muitas vezes a gente simples dizer:do século XXI? Poderemos transpor para o presente a «Deus não pode com tanto!», fazer uma novapersonagem Noé? Será actual esta personagem? Humanidade em que os homens sejam irmãos, se Partimos do texto: a corrupção estendeu-se por toda respeitem nas diferenças, superem as dificuldades…a Terra, sob as mais diversas formas. O Senhor Outros, mais radicais, talvez garantam que só umaarrependeu-Se de ter criado o homem e o Seu coração bomba… A resposta de Noé foi construir uma arcasofreu amargamente. Noé, homem justo e perfeito, grandiosa. Lá abrigou alguns animais e a sua família.encontrou graça diante do Senhor. O Senhor comuni- Assim começou o repovoamento do mundo, cujos ho-ca a Noé a Sua decisão de exterminar os homens e a mens e mulheres seriam a Humanidade nova.Terra. O Senhor faz o convite da construção da arca. Este texto é muito belo. Seria abuso considerá-lo Erro de Noéultrapassado. Noé imaginou que só uma destruição, o aniquilamento, dos homens e dos animais existentes Se Noé fosse dos nossos dias acabaria com o mal, toda a espécie de mal que o afligia. Comparemos as circunstâncias: a corrupção ganhou Noé vem a descobrir que foi erro. Como é que eledimensão que a todos surpreende; a exploração do descobriu essa verdade, não sabemos. Mas o autor põehomem; o desemprego forjado; salários em atraso; a na boca de Deus palavras claras (vv. 8, 21 e 22) quan-avidez insaciável de lucro; a guerra; a violência; a to ao futuro da Humanidade.mentira; as conveniências; o jogo do poder; a políticasuja… um nunca mais acabar. Aliança Noé, um resistente! Não cede ao facilitismo, não A aliança com Noé é cosmológica: Noé, osse vende ao consumismo. Resiste! Insatisfeito com o descendentes e os demais seres vivos… E será Deusque observa, considera que o seu Deus não pode que, ao ver o arco-íris nas nuvens, Se recordará destaconcordar com esta situação. Que pode fazer? Sente- aliança, e o dilúvio não voltará a acontecer.-se impotente para enfrentar os grandes deste mundo. Noé foi, no seu tempo, um salvador da Hoje, a realidade é idêntica. Admira-se que os mais Humanidade. Poderemos concluir que a salvação deesclarecidos, os mais conscientes dos cidadãos vários está dependente do esforço de alguns. E, emembarquem adormecidos e colaborem nesta farsa: os Jesus Cristo, pela Aliança no Seu Sangue, Deus recon-pobres e os idosos são esquecidos, os simples e os cilia o Homem consigo mesmo. Admirável!
  16. 16. Em redor do bispo D. Ilídio | P.Ta Malmequeres, 4 - 3.º Esq | 2745-816 A convite do bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, normais de formação; os padres casados falarem dacomo previsto, realizou-se o 2.º Encontro dos padres da sua experiência aos padres em exercício; criar umadispensados do exercício do ministério ordenado, que, comissão ou secretariado composto por padres dopor sua vez, tinham convidado alguns sacerdotes no Conselho Presbiteral e padres casados, para aprofun-exercício desse ministério. Foi acontecimento damento de temas de mútuo interesse; o bispo ou osmarcante no dia 28 de Maio passado, prolongado por seus órgãos representativos convidarem os padresumas sete horas, com o almoço incluído, tudo no casados a participar na vida da diocese, quando o en-Centro Sócio-Pastoral da diocese. Compareceram 14 tenderem, bem como na oração de uma das Horaspadres dispensados (um deles vindo do Brasil, com (talvez Vésperas) do Ofício Divino, possivelmente àsua esposa, João Tavares e Sofia, única senhora quinta-feira…presente por deferência de D. Ilídio) e 7 padres no O próximo Encontro - o terceiro - ficou marcadoexercício. Assinale-se que a teóloga Sofia, no seu para 4 de Dezembro, aberto às esposas dos sacerdorestestemunho, referiu que, nos primeiros encontros de casados e a todos os sacerdotes da diocese que quei- P.Tapadres casados no Brasil, sobressaía o saudosismo; ram participar. Questionados quanto ao tema a tratar,«hoje, estão felizes com o seu estado de vida». sugeriram-se tópicos: a prática das obras de miseri-Pessoalmente, dedica-se «ao anúncio da Palavra, a córdia/obras sociais, tendo ficado encarregados de o Boletim de Fraternitas Movimento | Trimestral | Redacção: Fernando Félixtornar Jesus Cristo conhecido». fazer Fernando Vale (padre casado) e Ricardo Cardo- so (padre em exercício). Antes ainda, D. Ilídio irá con- O próximo Encontro - o terceiro - ficou vidar os padres dispensados do exercício do ministé- marcado para 4 de Dezembro, e será rio ordenado residentes na diocese, a fim de, em Se- aberto às esposas dos padres tembro, tratarem do sínodo diocesano que, então, se dispensados e a todos os sacerdotes da iniciará, porque, repete o que já dissera no 1.º Encon- diocese que queiram participar. Terá tro: «Gostaria de contar muito convosco no sínodo como tema diocesano. Vamos acordar quais as participações a ter.» as obras de misericórdia/obras sociais António Moreira, do grupo dos padres casados, já conhecido da Fraternitas Movimento, pois participou D. Ilídio começou por referir os ausentes, um que com sua esposa num dos Encontros da Associação,tinha falecido na Suíça e outros que haviam em Fátima, tinha-se incumbido de preparar o temajustificado, seguindo-se a apresentação dos restantes. que apresentou, intitulado «O Sacerdócio à Luz do Foi evidenciada ao nosso querido bispo a satisfação Vaticano II, ‘Sacerdotalis Caelibatus’ (Paulo VI) e opor esta sua iniciativa de congregar ao seu redor ‘Codex Iuris Canonici’». Acerca da sua magistral eelementos dos dois estados no sacerdócio, em que as oportuna dissertação e diálogo que se seguiu, ver o QUELUZ | E-mail: fernfelix@gmail.comrelações nem sempre foram as mais fraternas. Um padre artigo «Celibato Sacerdotal, hoje: “jóia da coroa” ouno exercício considerou-a como um «desafio», pechisbeque», nas páginas 4 e 5 deste boletim.passando-se a sugestões: abertura mútua em encontros Luís CunhaRETIRO/ENCONTRO FRATERNITAS em FÁTIMA Tema: Como caminhar com Cristo e com a Igreja, - Refeição – Almoço ou jantar: 10 euros; na meia-num mundo que tenta afastar-se da fé. diária: 5,50 euros. Orientador: P.e Rocha Monteiro (salesiano) - 1 dormida com pequeno-almoço: 17,50 euros; Data: de 26 (jantar) a 28 (almoço) de Novembro na meia-diária: 10,50 euros. Local: Casa Nossa Senhora do Carmo, em Fátima Informações e inscrições - Secretariado: Preço: INSCRIÇÃO: Sócios: gratuita Urtélia Silva | Telemóvel: 914 754 706 Não Sócios: 5 euros/por pessoa. Telefone: 239 001 605 Diária por pessoa: E-Mail: secretariado@fraternitas.pt - 35 euros (quarto individual/duplo ou triplo) Data limite de inscrições: 15 de Novembro O pagamento far-se-á durante a estadia ao espi ral - Gratuito – até aos 3 anos (exclusive) - Meia diária (17,50 euros) – 3 aos 12 anos tesoureiro, Luís Cunha.(exclusive) Que ninguém deixe de participar por dificuldades financeiras.

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