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espiral
                                             boletim da associação FRATERNITAS MOVIMENTO
                                                        N.º 25 - Outubro / Dezembro de 2006


    PRIMEIR A DÉC ADA DA NOSSA FR ATERNITA S
    PRIMEIRA DÉCAD DA NOSS FRATERNITA
                  ADA

   I    - Ao assinalarmos os dez anos de vida da
       «Fraternitas», recordamos com saudade o
cónego Filipe de Figueiredo. Porque é um amigo que
                                                             Falou-nos de um mundo laico, aquele em que
                                                         todos os dias navegamos, e que já não discute Deus,
                                                         mas O ignora ou Lhe passa ao lado. Na verdade, a
nunca esqueceremos e que sempre exaltaremos pela         condição, hoje, da nossa realidade como cristãos é
coragem de se ter atrevido a desfazer um tabu e a        «sermos crentes num mundo descrente». E, como Igreja
evidenciar uma realidade forte: a de que nós, pa-        que se vai desertando, sermos «luz do mundo» e «sal
dres casados, continuamos a ser Igreja. E a de que       da terra». «Pusillus grex».
as nossas companheiras, que não hesitaram em unir            V - Registo alguns dados soltos, fugidiamente apa-
a sua à nossa vida, tiveram a coragem de enfrentar       nhados no decorrer das conferências:
uma sociedade que, na sua maioria, não entendia o            a) O silêncio e a não evidência de Deus, mas não
passo que uns e outros demos. É justa e devida, e        a Sua ausência, levam-nos a procurar como havemos
talvez tardia, esta homenagem às nossas mulheres         de ser testemunhos da Sua presença no mundo con-
que têm abundantemente demonstrado que são Igre-         temporâneo; um mundo que, explícita ou implicita-
ja como nós.                                             mente, nos «lança desafios a uma vivência cristã mais
    II - O padre Filipe de Figueiredo correu o risco     autêntica e comprometida».
de ficar exposto à desconfiança de muitos, quando            Foi sublinhado: «a fidelidade a Deus passa pela
ouviu e acompanhou histórias sofridas, e estabele-       fidelidade à vida e ao mundo». E a interrogação sur-
ceu com todos uma ponte fraterna. Ao ver-nos feste-      ge: «Como podemos viver como cristãos uma vida
jar estes dez anos da Obra de que ele foi o alicerce,    total, sem termos que negar ou rejeitar os valores e as
estou certo de que vive uma alegria enorme. Uma          possibilidades que a vida nos oferece?» Deus escapa
alegria que acresce à felicidade infinita que, neste     ao nosso conhecimento. O crente estará sempre
momento, frui. E creio que sintonizo o sentimento de     desprotegido na sua fé. Mas o Seu Filho, Ele no-l’O
todos nós, ao dizer-lhe daqui e enquanto não o vol-      deu a conhecer.
tamos a encontrar: Obrigado, Padre Filipe!                   Deus envolve-se na pequenez do homem. É nas
    III - As duas reuniões anuais, além dos encontros    condições desfavoráveis que Se dá a oportunidade
regionais, com dimensão nacional, da «Fraternitas»                                              (Continua pág 2)
são mais, muito mais, do que um convívio de padres
casados. Na verdade, em todas elas há um apro-
fundamento da Fé. São sessões de aprendizagem e
                                                            Sumário:
reflexão, iluminadas pelo ensino feito por professo-
res de Teologia da Universidade Católica. E tam-             Primeira década da nossa Fraternitas          1
bém pelas lições, sempre fundamentadas e lúcidas,            Perguntas embaraçosas                         3
do nosso Artur, mestre em Bíblia, e que prossegue,
apaixonadamente, a sua rota de actualização em               Um outro Natal                                3
ciência da Sagrada Escritura. São dias de uma enor-          Perspectiva diferente                         4
me riqueza em que os horizontes da nossa
interioridade se tornam mais vastos.                         Sinais dos Tempos                             5
    IV - Nos dias 1 e 2 de Dezembro, tivemos como            Deus parece ausente                           6
conferencista o doutor António Manuel Alves Martins,
da Universidade Católica de Lisboa. Uma escolha              Homenagem                                     7
excelente.                                                   Cónego Filipe                                 8
2                                                                                                           espiral


(Continuação pág 1)                                                                 termos connosco o Francis-
de O descobrirmos. Espan-                                                           co Fanhais. Deu-nos mo-
tosamente, poderemos dizer                                                          mentos inesquecíveis em que
que o poder de Deus é im-                                                           nos maravilhámos ouvindo o
potente. Mas a Sua impo-                                                            seu canto cheio de mensa-
tência é a força poderosa                                                           gens. Enroladas numa voz
do amor que se dá. E aqui                                                           de ouro.
compreendemos a fé pro-                                                                VIII - No domingo, D.
funda        de      Dietrich                                                       Serafim Ferreira e Silva, bis-
Bonhoeffer na prisão nazi,                                                          po emérito de Leiria, que
de onde saiu para ser en-                                                           acompanhou como amigo a
forcado.                                                                            «Fraternitas» desde as primei-
    A morte é uma realida-                                                          ras horas, celebrou a Euca-
de humanamente absurda. Vivemos com o absurdo.           ristia, o momento alto do nosso encontro, que foi
Mas a nossa atitude, como cristãos, é de esperança.      transmitida pela TVI. A embelezar a celebração eu-
Por isso, não podemos esquecer que o Cristo ressus-      carística esteve o grupo coral «MILLENIUM», o qual
citado é o mesmo Cristo crucificado.                     voltou a actuar no termo do nosso almoço, num sim-
    b) Referências sobre a diferença cristã:             pático e esplêndido aceno de despedida, com algu-
    - O Cristianismo, como fenómeno de massa e           mas canções do seu reportório.
cultural, irá ser uma minoria na Europa. Estamos des-         IX - O cónego António Rego encerrou com chave
tinados a ser fermento, mas não recusando os ou-         de ouro a celebração do décimo aniversário da
tros. Como minoria, seremos chamados a ser «sal da       «Fraternitas», entrevistando para o programa «8.º Dia»,
terra» e «luz do mundo».                                 também na TVI, alguns membros do Movimento. Foi
    - Cristianismo: proposta de ética e proposta de      uma riqueza e variedade de testemunhos de fé de
vida, mas sem vermos nos outros um objecto de re-        todos eles o que ali transpareceu, e que deixou desta
cusa, isto é, inimigos e opositores. Temos de nos con-   associação de padres casados a certeza de que na
vencer de que a Igreja não tem o património da éti-      Igreja há muitas moradas e de que em todas elas se
ca e da verdade. E de que a verdade de Jesus Cristo      trabalha e dá testemunho, o que, aliás, foi afirmado
ultrapassa a visibilidade da Igreja.                     em palavras claras e sucintas pelo Vasco Fernandes,
    - O diálogo exige uma paciência de estufa. E         presidente da «Fraternitas».
não pode acontecer, apenas, a nível intelectual. Tem          X – Já lá vão 10 anos de vida da Associação
de haver acolhimento. E esta é uma das contradi-         Fraternitas Movimento. Uma década em que há o
ções internas da Igreja contemporânea. Temos de fazer    ladrilho de muitas histórias. Mas em que está cheio
uma aprendizagem do diálogo. O medo da diferen-          de saúde interior o ambiente que nela se vive. E que
ça é a negação da Igreja. A razão da nossa diferen-      se reforça em cada um dos nossos encontros.
ça é o Espírito Santo. A relação «eu – tu» forma o                                     Pacheco de Andrade
«nós», tendo como charneira vital o Espírito Santo.
    - O Cristianismo está ao serviço da sociedade.
Porque «diferença e unidade não se opõem». Este é o
                                                            NOVO SÍTIO NA INTERNET
caminho cristão. Não há unidade sem diferença. Con-           A Associação Fraternitas Movimento tem uma
cluamos que o Espírito não está apenas na Igreja.         nova página na Internet: www.fraternitas.pt.
    c) A última reflexão foi sobre a beleza como pro-         Nela pode encontrar várias entradas. Em
fecia da Igreja para o mundo: beleza e tragédia hu-       «Quem somos» fala-se da identidade do Movi-
manas; beleza e santidade.                                mento; em «Actividades» figuram os encontros reali-
    Este é um pálido apontamento do muito que ou-         zados; «Novidades» é para partilharmos as ocor-
vimos expor nestes dias. Assistimos a uma exposição-      rências do dia-a-dia (nascimentos, cursos, faleci-
reflexão que o doutor António Martins, pela enorme        mentos, etc.); em «Fotografias» queremos fazer a
riqueza que nos deixou, teve o mérito de tornar a         fotobiografia do Movimento; em «Notícias» serão
mais valia do nosso encontro.                             anunciados eventos e faz-se eco de acontecimen-
    VI - Momentos fortes deste Curso de Actualização      tos eclesiais de interesse; em «Espiral» estão os
Teológica foram também as orações comunitárias,           números do boletim; em «Contactos» encontram-
sexta e sábado, densamente vividas. O Salomão foi         se os endereços postais e de correio electrónico
o encarregado de lhes dar contorno e de as abrir à        da «Fraternitas»; e «Links» liga a outros portais.
autenticidade de cada um. A sua alma de franciscano           O novo sítio é fruto do trabalho gratuito do
esteve ali muito presente. Ainda bem!                     Manoel Pombal e do seu colega Nézé, ambos
    VII - Na noite de sábado, aconteceu a alegria de      do Gabinete de Atendimento à Família (www.gaf.pt).
                                                                                                     (www.gaf
                                                                                                         .gaf.pt)
espiral                                                                                                           3

                                                                                     Um outro Natal
PERGUNTAS EMBARAÇOSAS                                                              ainda desconhecido!

   T    emos muito medo das per-
        guntas directas. Parece-nos
muito fácil dizer como os outros
                                       tenciais da nossa inconfessada pe-
                                       quenez.
                                            Aos Seus discípulos, também
                                                                              Ouviam-se, ao longe, sinos a tocar!...
                                                                              Milhões de luzes brilhando perto de mim...
pensam, sonham ou vivem! Mas é                                                Melodias suaves cresciam no ar,
                                       Cristo fez a pergunta: «E vós, quem
                                                                              E crescendo, crescendo, cantavam assim:
muito difícil manifestar o que pen-    dizeis que Eu sou?» Sendo Cristo
                                                                                  «É Natal! É Natal! Chegou o Menino,
samos, o que sonhamos e como           a face visível de Deus, dizer quem
                                                                                  E traz a Esperança e o Amor também!
vivemos, porque, muitas vezes, isso    é Cristo é dizer quem é Deus. Esta         Até na manjedoura, pobre e pequenino,
não nos convém...                      pergunta tão directa embaraçou os          Quer falar a todos, sem excluir
    Há certas verdades, a nosso        discípulos que hesitaram arriscar                                        ninguém!»...
respeito, que procuramos esconder.     uma resposta. Foi Pedro que falou      Pus-me a pensar: «Jesus!
E, se tivermos de falar delas, ou as   em nome de todos. «Tu és o Mes-                               Que nos vens dizer,
falseamos ou as disfarçamos com        sias, o Filho de Deus vivo». Porém,    Assim tão frágil e tão sozinho?...
mantos coloridos. Temos a convic-      foi o Espírito Santo que o inspirou.   Tiranos e poderosos nem Te vão querer,
ção de que, «pela verdade, tanto            É isso que nos falta, sobretudo   E os pobres só Te podem dar carinho!».
se ganha o ódio dos inimigos           nos tempos frenéticos de hoje. As          Uma voz ouvi, voando do Infinito:
como se perde a amizade dos            preocupações materiais, quando             «Esse Menino, aí, gelado a chorar,
amigos». Por isso é que o filósofo     exageradas e vividas como única            Mesmo que te pareça tão pequenito,
irlandês Berkcley escreveu que «to-    meta da vida, sufocam a voz do             É também a ti que te quer falar!».
dos gritam pela verdade, mas só        Espírito Santo. Nós temos medo de      Mirei o tecto húmido daquela cabana:
alguns a usam».                        assumir compromissos. Por isso, às     Caíam pedras toscas e raízes em malha!...
    Nós não somos apenas «algo».       vezes, vivemos com um pé dentro        No chão de terra não se via cama,
Somos «alguém», isto é, somos          e outro fora da Igreja! Como           Apenas feno murcho e um pouco de palha!...
«pessoa». Mas esta honra e digni-      Voltaire, grande perseguidor da            «Menino pequenino, pequenino Menino,
dade também nos acarreta res-                                                     Fala-me e conta o que me queres dizer!»
                                       Religião, mas que, antes de mor-
                                                                                  Abriu-se então a boca daquele bambino,
ponsabilidades difíceis de assumir.    rer, pelo sim e pelo não, mandou
                                                                                  E só pediu coisas que eu podia fazer:
    Uma das perguntas que todos        construir uma igreja com o seu
                                                                              «Ser Sua presença no mundo em confusão,
fazem, mas a cuja resposta muitos      túmulo metade dentro da igreja e       Acolher todos os pobres sem tecto nem lar,
se esquivam porque não sabem           metade no cemitério contíguo! E        Servir com amor e carinho todo o irmão,
responder ou porque não lhes con-      então explicava assim: «Os mais        Amar aqueles que não sabem amar!...».
vém, é esta: «Quem é Deus?».           perspicazes dirão que não estou                          ....................
Santo Agostinho voou nas alturas,      dentro nem fora»... É isso: nenhum         Caminhei, sem rumo, pela rua enfeitada.
com o seu modo subtil de pensar,       compromisso. Nem moral nem re-             Senti-me preso à porta de outro casebre.
à procura da resposta no Univer-       ligioso!...                                Ouvi lá dentro, na solidão calada,
so criado. E, no fim, escreveu isto         Reparai no que geralmente             Outra criança que gemia de febre!...
no livro «Confissões»: «Quem é         acontece nas férias. Na nossa ter-     Perguntei a mim mesmo: «Mas que é isto?...
Deus? Perguntei à Terra e ela dis-     ra queremos mostrar-nos muito          Será Jesus chorando, também aqui?!...»
se-me: “Eu não sou”. E tudo o que      cristãos, e revoltamo-nos se nos       Entrei, de mansinho, no portal de xisto,
nela existe me respondeu o mes-        dizem o contrário. Nas férias          E fiquei calado... Não conto o que vi!...
mo. Interroguei o mar, as suas         envergonhamo-nos, portando-nos             «Meu Deus! Quem será esta criança
profundezas e todos os seres vivos,    como qualquer ateu! Entram tam-                                                agora?!
e eles responderam-me: “Não so-        bém de férias a oração, a Euca-            Será o mesmo Cristo nela incarnado?»
mos o teu Deus. Procura-O acima        ristia, o testemunho, e até, tantas        Não pude falar!... Talvez, naquela hora,
de nós”. Interroguei toda a estrutu-   vezes, a nossa dignidade...                Chorasse Cristo ainda mais desprezado!
ra do Universo, que me respondeu:                                             Peguei na criança, levei-a ao coração!...
                                            Não é pelas palavras que se
                                                                              Estava gelada, mas sorriu para mim...
“Eu não sou Deus; foi Ele que me       conhecem as pessoas, mas pelo
                                                                              E disse, de mansinho, levantando a mão:
criou”.»                               seu comportamento e pela sua
                                                                              «Sou Cristo que vive em quem sofre assim!»
    Todavia, a pergunta continua       coerência de vida. Seja na nossa                         ....................
sem resposta para muitos...            terra ou fora dela, temos de ser           Talvez para mim e para muitos cristãos,
    Há 20 séculos, Cristo deu a res-   aquilo que dizemos ser. Ou então           O Natal tenha sido tempo perdido,
posta. Mas muitos não a querem         nunca passaremos de grotescos              Porque não vemos, na dor dos irmãos,
ouvir. Preferem perder-se em be-       saltimbancos a fugir das atitudes          Um outro Natal ainda desconhecido!...
cos sem saída, à procura de ou-        de coerência!...
tras respostas. São as crises exis-                       Manuel Paiva                                                M.P.
                                                                                                                      M.P.
4                                                                                                                                                espiral




        PERSPECTIVA DIFERENTE
                                                    católicos e evangélicos se reúnam».                 Não é com exortações ao «mun-
No n.º 10,                                          Mas ficou-se por palavras bonitas                   do secularizado ensurdecido a
de Outubro de 2006,                                 sem um sinal indicativo do futuro                   Deus» que se ganha mais confian-
a revista «Kirche In»                               para o ecumenismo. Satis-fatório                    ça. Apenas são confirmados aque-
insere uma entrevista                               apenas o convite para o diálogo                     les que em todo o caso já acredi-
                                                    de religiões mais intensivo.                        tam.
  DPA
à DPA do conhecido
                                                        kirche: As imagens televi-                           Kirche: Além do significa-
teólogo e presidente da                             sivas de massas humanas a                           do pessoal que a viagem à
Fundação Ethos Mundial,                             aplaudir davam a impressão                                                   Papa,
                                                                                                        pátria tem para o Papa, vê
Hans Küng,                                          de existir um sentimento co-                        algum efeito duradouro para
na qual este teólogo                                mum; mas, na sociedade, a                           o catolicismo alemão?
analisa a visita do Papa                            Igreja está em retrocesso. Será                          Küng: Eu podia descobrir mui-
  Baviera.
à Baviera                                                      Papa
                                                    que o Papa pôde pontuar                             tas boas intenções e palavras do
                                                    também entre os que estão                           Papa, mas nenhuns incentivos prá-
          Tradução: João Simão
                                                    longe da Igreja?                                    ticos novos. Na celebração euca-
                                                        Küng: Ver o Papa de perto                       rística central em Munique, no do-
    Kirche: Qual foi a impres-                      uma vez na vida é para muitos                       mingo, foram claramente eviden-
são global que colheu da vi-                        uma emoção. Também muitos dos                       tes as deficiências do catolicismo
          Papa
sita do Papa à Baviera?                             que se afastaram da Igreja têm                      tradicional: 1. Uma Igreja fixada
    Küng: Uma impressão discor-                     saudades duma figura paternal                       nos homens: as mulheres restrin-
dante. Bento XVI não satisfez ne-                   espiritual ou de um representante                   gem-se a funções subalternas.
nhuma das esperanças dos católi-                    da integridade moral, da justiça e                       2. Uma Igreja hierarquicamen-
cos reformistas. Pessoalmente ele                   da paz mais fidedigno do que o                      te presunçosa: Papa e bispos
actuou de forma simpática, próxi-                   são muitos políticos e homens de                    alcandorados longe do povo, iso-
ma dos fiéis. Não é um Papa                         Estado. Mas era muito menor do                      lados numa «ilha altar».
mediático com um talento de ac-                     que se esperava o número de pes-                         3. Uma Igreja confessional-
tor que arranque aplausos. É so-                    soas nas ruas, nas cerimónias reli-                 mente egocêntrica: falta ecumenis-
bretudo alguém que se concentra                     giosas, junto das televisões ou dos                 mo. Na oração não foram sequer
na verdade central do cristianismo,                 ecrãs gigantes públicos. E uma                      mencionados os cristãos evangéli-
na fé em Deus. Porém, deixou que                    Marien-platz repleta, com a pre-                    cos e ortodoxos, para não falar
se sentisse a falta de aberturas                    sença dos dirigentes da CSU, não                    das outras religiões.
para reformas na Igreja. Ora, 43                    garante igrejas de Munique mais                          4. Uma Igreja estagnante: a
por cento dos entrevistados pela                    cheias, como milhares de acólitos                   começar pela oração eucarística:
empresa de opinião «McKinsey»                       não garantem futuros padres que                     sempre a teologia da contra-refor-
são de opinião de que a Igreja                      queiram renunciar a uma esposa.                     ma, nada dos resultados da nova
católica necessita de reformas ur-                      Os curiosos também ainda não                    exegese; descura o aspecto bíbli-
gentes: 14 por cento mais do que                    são fiéis convictos. Muitos, mesmo                  co da ceia comum, repetidamente
em 2005, altura em que Bento XVI                    na Baviera, sentem-se afastados                     acentuado pelo Vaticano II...
assumiu o papado.                                   por uma encenação mon-
                 Papa
    kirche: O Papa procurou                         tada com enorme dispên-
realmente o diálogo ou ape-                         dio de meios e de dinhei-
nas se limitou a expor a sua                        ros de impostos. Segundo
visão do mundo e da fé?                             a mesma sondagem
    Küng: De diálogo praticado                      «McKinsey», quase um em
quase nada se pôde perceber. O                      cada dois alemães (45 por
presidente Köhler insistiu em expor                 cento) não tem confiança
ao Papa o anseio de muitos cris-                    na Igreja Católica como
tãos de que haja progresso ecu-                     instituição. Piores valores
ménico, para mais comunhão. É                       de confiança só mesmo os
verdade que o Papa respondeu ex-                    seguros de pensões do Es-
pressando o desejo «de se esfor-                    tado (47 por cento) e os
çar de alma e coração para que                      partidos políticos (58 por cento).                           Hans Küng e a esposa

    NOVO: página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.
espiral                                                                                                                                                   5



                            Kirche: Na alocução aos                             Küng: Bento XVI não corrigiu                         Kirche: Que lhe parece a
                        seminaristas, em Altötting, o                       a declaração «Dominus Jesus», da                      primeira encíclica do Papa?  Papa?
                        Papa lamentou a falta de pa-                        sua autoria, do ano 2000, em que                         Küng: Este escrito é confuso.
                        dres, porém evita em abso-                          nega às outras Igrejas cristãs o ser                  Continuo a esperar que o Papa
                        luto a palavra celibato.                            Igreja. Infelizmente! Também o bis-                   consiga libertar-se da sombra es-
                           Küng: Ele não faz o mais ime-                    po evangélico da Baviera calou to-                    cura do anterior guardião da fé e,
                        diato para remediar a falta de                      talmente todas as questões polé-                      como genuíno pastor de almas,
                        padres: permitir o casamento a                      micas como a Ceia do Senhor co-                       ofereça soluções construtivas à
                        padres e bispos como é expressa-                    munitária, a questão dos ministéri-                   Igreja e ao ecumenismo.
                        mente consentido no Novo Testa-                     os, os casamentos de confissões di-                      Kirche: Qual seria a tarefa
                        mento. Ele não gosta de se apre-                    ferentes, o primado de jurisdição                     mais importante que o Papa     Papa
                        sentar como um homem de exi-                        papal e a infalibilidade. Ele sen-                    deveria empreender agora?
                        gências fortes, mas de formula-                     tia-se feliz por poder fazer uma                         Küng: Satisfazer o desejo for-
                        ções suaves. Tacticamente esper-                    pregação inocente na presença do                      mulado em nome de muitos cris-
                        to, não fala da lei do celibato,                    Papa. E «à boa maneira romana»,                       tãos pelo presidente federal Köhler:
                        nem da proibição dos meios                          para todas estas questões faz es-                     progressos ecuménicos concretos!
                        contraceptivos e de outras incomo-                  perar os cristãos por mais anos ou                    Reunir-se com o cardeal Kasper, do
                        didades romanas. Acentua sobre-                     séculos de trabalho teológico.                        Secretariado para a Unidade, e
                        tudo os aspectos amáveis da fé e                    Mas, na realidade, este trabalho                      pensar o que deve ser feito como
                        da Igreja, mas não mexe nas leis                    já foi feito há muito tempo.                          passo inicial para facilitar, primei-
                        e prescrições duras da Igreja.                          Kirche: Esperava que o                            ro, a hospitalidade eucarística e,
                           Kirche: No discurso duran-                       Papa trouxesse um presente re -  re-                  depois, a Eucaristia comum. No
                        te as vésperas ecuménicas, o                        lacionado com reformas intra                          Secretariado há seguramente um
                        Papa saudou as Igrejas evan-                        eclesiais. Ficou desapontado?                         armário repleto de memorandos e
                        gélicas não como Igrejas mas                            Küng: Ele pode comportar-se                       pareceres teológicos que recomen-
                        como «amigos das várias tra-                        como aqueles visitantes que já não                    dam isto. Os teólogos e as comis-
                        dições da reforma». E não                           têm tempo para procurar um pre-                       sões ecuménicas fizeram o seu tra-
                        abordou temas polémicos.                            sente, e pode mandá-lo de Roma.                       balho. Compete ao Papa agir.



                        Sinais dos tempos                                                                                         vo, explicado pela ONU, é a falta
                                                                                                                                  de dinheiro para os transportar e
                                                                                                                                  fazer distribuir com segurança.

                             Q     uando o Papa Bento XVI
                                   chegou ao Vaticano,
                        após terminar a sua visita à Tur-
                                                                                 «Não temais», repetia sem conta
                                                                             o saudoso João Paulo II. Bento XVI
                                                                             segue esta força, com fé, esperan-
                                                                                                                                      Que paradoxo! Segundo a Or-
                                                                                                                                  ganização Humanitária britânica
                                                                                                                                  OXFAM, as despesas militares mun-
                        quia, cantei «Cristo vence, Cristo                   ça e amor. Quem o duvida, de-                        diais de 2006 chegaram a 1060
                        reina, Cristo impera!»                               pois desta visita? Mais uma vez se                   mil milhões de dólares. Em África,
                            Lembrei-me das palavras pe-                      cumpriu o «Verbo»: «Quem tiver                       de acordo com a mesma Organi-
                        remptórias de Cristo a Pedro: «Tu                    uma fé inabalável pode ordenar                       zação, entre 1985 e 2000, R. D.
                        és Pedro e sobre esta Pedra                          a uma montanha: muda-te para                         Congo, Ruanda, Sudão, Botsuana
                        edificarei a Minha Igreja (Assem-                    ali e ela muda-se.» Para já, a Ben-                  e Uganda duplicaram os gastos
                        bleia do Meu povo “de boa von-                       to XVI bastou-lhe «pairar» sobre as                  militares, na ordem dos 15 milhões
                        tade”); os infernos tentarão abalá-                  montanhas, até à Turquia. Orde-                      de dólares.
                        la, mas ela permanecerá inaba-                       nar às montanhas que se mudem.                           Mas nem tudo vai mal. Está aí
                        lável, através de todos os tempos,                   Agora será o tempo de o Espírito                     o Natal. Há um ano, centenas de
                        pelos séculos dos séculos».                          agir, porque a verdadeira viagem                     jovens cubanos distribuíram 350
                            Já vamos em 2000 anos e a                        vai muito para além da visita «visí-                 mil imagens do Menino Jesus por
                        «Barca da Igreja» navega, por ve-                    vel e física».                                       outras tantas famílias, anunciando
                        zes, sobre mares encapelados,
                        mas acaba por cumprir-se, sem-
                        pre a palavra omnipotente do «Se-
                                                                                 O        mundo sofre. O Pro-
                                                                                         grama Alimentar Mundi-
                                                                             al, das Nações Unidas, suspendeu
                                                                                                                                  o Seu nascimento e dando as Boas
                                                                                                                                  Festas. Foi o Natal mais bonito que
                                                                                                                                  algum cubano tinha visto, disseram
                        nhor da Barca»: «Não temais. Eu                      o envio de alimentos para Ango-                      as notícias. Que surpresas teremos
                        estou aqui. E vou convosco». E es-                   la, que beneficiavam cerca de                        este ano?»
                        toutras: «Eu venci o mundo.»                         meio milhão de pessoas. O moti-                                            JosÉ silva pinto



.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.pt
6                                                                                                             espiral




                                                                                 aplaca com rituais de oração e pe-
    DEUS PARECE AUSENTE                                                          nitência individual e colectiva, com
A vida é, tantas vezes, ameaçada por catástrofes natu-                           incensações e com devoções de
rais, sem aparente intervenção humana. Que responder                             toda a espécie. E não aquele Deus
a quem diz que a religião e a fé estão em decadência?                            que Se identifica com qualquer ser
                                                                                 humano, principalmente aquele

    A    humanidade, no seu pro-
        cesso evolutivo, atravessou
diversas fases de pensamento
                                          Deus destruidor, descriador da Sua
                                          própria obra, a que deu a força
                                          de evoluir continuamente, nem per-
                                                                                 que é despojado da sua dignida-
                                                                                 de para, através dos que O amam
                                                                                 e com Ele colaboram, o elevar da
cosmológico. De entre elas, des-          mitir que as forças do mal a destru-   sua condição desumana.
tacam-se o teocentrismo (onde             am pois, então, estas passariam a          Ele é o Deus que Se manifes-
Deus era o causador directo de            ser mais poderosas do que Ele e        tou em Jesus e veio «para servir e
todos os fenómenos bons ou maus)          ocupariam o Seu lugar. O mundo         não para ser servido» e que, no
e o antropocentrismo (o homem é           não acaba, vai-se transformando,       memorial da Última Ceia, expres-
o centro e tem lugar privilegiado         numa existência a que Ele preside,     sa, como Sua última vontade, a
na natureza criada).                      como entidade fonte do Bem.            exigência de idêntico comporta-
    A primeira visão dominou até              É verdade que a maldade das        mento àqueles que decidem ser
finais da Idade Média e deixou            pessoas, principalmente a dos que      Seus seguidores: «Compreendeis o
medos no subconsciente alimen-            têm o poder de decidir o rumo da       que vos fiz? Chamais-Me Mestre
tados, sobretudo, pelos poderes           história, vai deitando venenos des-    e Senhor… Ora, se Eu vos lavei
religiosos e políticos instituídos. Se-   truidores no planeta: são as guer-     os pés, sendo Senhor e Mestre,
gundo eles, tudo o que de mau             ras, as experiências nucleares, os     também vós vos deveis lavar os
acontecia na Natureza era casti-          gases poluidores... (para os quais     pés uns aos outros. (…) Dou-vos
go de Deus. Chuvas torrenciais, di-       todos contribuímos com uma quo-        um mandamento novo: que vos
lúvios, maremotos, tremores de ter-       ta-parte)... Por isso, não será Deus   ameis uns aos outros…» (Jo.13) E
ra, ou simples trovoada…, era             que, mediante petições religiosas,     Mateus faz anteceder o capítulo
Deus que castigava ou estava              terá de resolver o problema, mas       da Última Ceia (Mt. 26) pela nar-
muito zangado com as pessoas.             sim nós, sendo ecologicamente res-     ração apelativa do bem conheci-
Por isso, havia que acalmá-l’O,           ponsáveis.                             do «Vinde, benditos de Meu Pai,
apaziguá-l’O com rituais religio-             Não creio num Deus que goste       porque Eu tive fome e deste-Me
sos de submissão, de humilhação.          de ver ou provoque situações de        de comer…» (Mt. 25).
    A partir do Renascimento, mui-        miséria na criação, para depois ac-        Fé ou crença? Para mim, aque-
tos desses fenómenos naturais fo-         tuar como libertador e salvador. Tal   la é fundada em força divina; esta
ram-se tornando mais inteligíveis         Deus seria a negação da Sua pró-       tem mais a ver com imposições
pela explicação das ciências. E           pria essência: AMOR. Assim como        humanas, medos que atavicamen-
dava-se o conflito entre Fé e Ra-         também não acredito num Deus           te controlam o nosso consciente ou
zão, que os tempos modernos ten-          que Se aproveite da miséria de pa-     subconsciente, sendo fruto de uma
tam conciliar, desfazendo o que           íses pobres e de situações socais      hierarquia (poder sagrado), que
parecia um antagonismo visceral.          aviltantes e degradantes para a        o não devia ser, mas sim diaconia
    Segundo a revelação cristã,           dignidade do ser humano, para aí       (serviço, ministério = aquele que
Jesus veio para que os homens «te-        fazer florescer vocações eclesias,     é o mais pequeno, o menos im-
nham vida em abundância» e                celibatárias ou não. Deus é pela       portante, servidor dos outros),
para mostrar o rosto amoroso de           dignidade humana e quer que to-        como Jesus, que assumiu o papel
Deus, constituindo este a Sua es-         dos colaborem com Ele na promo-        de criado, escravo, lavando me-
sência, numa das Suas últimas de-         ção dessa dignidade, principal-        taforicamente os pés aos Seus
finições bíblicas: «Deus é amor».         mente aqueles que vivem na abun-       apóstolos.
    É neste Deus que creio; não           dância e a podem e devem parti-            Se na desgraça falarmos do
num Deus velhaco e humilhante,            lhar com os mais pobres.               amor e o actuarmos, as pessoas
redutor da Sua criação, em geral,             Se na sociedade contemporâ-        não procurarão Deus por medo
e do homem, em particular, que            nea Deus parece ser o grande au-       ou como remédio que se compra
«Ele criou à Sua imagem e seme-           sente, não será por Sua culpa, mas     para as maleitas, mas por razões
lhança.» Um Deus criador, que             sim pela imagem de Deus que os         essenciais, que têm a ver com a
aprecia o que criou com a classi-         responsáveis religiosos, ao longo      dignidade: «Deus é amor» e «vós
ficação de «era bom» e «muito             dos tempos, quiseram, e ainda que-     sois deuses».
bom», nunca Se pode tornar num            rem, fazer passar: um Deus que Se                     Fernando Neves
espiral                                                                                                      7


                            HOMENAGEM
    INESQUECÍVEL                           Conhecemo-nos e fizemo-nos voção a Nossa Senhora da Ale-
    FRANCISCO DOS SANTOS amigos na Escola José Régio, em gria, a padroeira, (trazia sempre
                           SANTOS
    É com um misto de alegria e Vila do Conde. Manteve sempre o terço, que recitava uma e mais
de tristeza que evoco Francisco um certo optimismo pelo futuro, à vezes por dia), e aprendeu a fé fe-
Santos. Em primeiro lugar, alegria, mistura com algumas dúvidas e cunda no Salvador do mundo, Je-
porque, cumprida brilhantemente incertezas (quem as não tem?). Foi sus Cristo.
a sua missão na terra, partiu para um homem de fé arraigada. Co-              «De mortis nisi bonum».O
o Pai com uma serenidade impres- laborou em actividades pastorais aforismo não em razão de ser com
sionante. Os últimos meses da sua onde residia. Em Vairão, sua últi- o Dr. Abílio, porque, enquanto pe-
vida foram de enorme sofrimento, ma residência, foi organista e regrinou na Terra, foi de tal ma-
sempre aceite com exemplar resig- ensaiador do grupo coral. A cer- neira honesto e bom que não é pre-
nação. Muito aprendi com ele. Era teza do Além ficou expressa nas ciso empolar nada a seu respeito.
bom amigo, óptimo colega, ad- duas obras de poesia que publi-                 Viveu modestamente e de for-
mirado e respeitado por todos.         cou «Caminhando» e «Reviver».      ma simples, tendo por lema fazer
    Lembro-o também com triste-            A sua humildade não permitiu o bem. A amizade era para ele um
za, pois deixo de o contactar fa- que revelasse a sua bagagem cul- atributo, que distribuía pelos seus
miliarmente. Ele recebia-me sem- tural. A sua modéstia deixou com- companheiros. Muito jovem ainda,
pre com um acolhimento fidalgo. posições musicais, obras poéticas, nos tempos em que jogava fute-
    Nasceu a 12 de Julho de 1931, e não só, na gaveta, como esta:         bol, nunca os seus adversários o
em Castelo do Douro, Alijó. Nes-                      MORTE                  acusaram de deslealdade, bru-
ta região, onde tudo é poesia, Ó morte, porque vens pela calada,             talidade, nem tão pouco de
cresceu poeta. Na poesia encon- numa hora, que é sempre tão incerta?         mau perder. Acabava o jogo,
trou a chama da sua existência. Sempre vens quando és menos esperada. de que muitas vezes saia vence-
    Fez os primeiros estudos no                                              dor, e, de imediato, animava a
Colégio Oficina de S. José, no Embora sejas pouco desejada,                  equipa vencida, como que di-
Porto, e aí tirou o curso de im- Quando truncas a vida, só, deserta,         zendo «na próxima serão
pressor. Completou a secundá- Mas quando a alma tem a porta aberta           vocês».
ria no Instituto Salesiano de Dum gozo eterno, és mesmo procurada.               Terminado o Curso, já no
Mogofores. Cursou Filosofia no                                               exercício das suas funções, a to-
Instituto Salesiano de Manique Sim! Não é tão escuro o teu degredo           dos acolhia com um sorriso e
do Estoril e Teologia em Lisboa.     Como o pinta quem de ti tem medo        tom optimista, e dava conselhos,
Foi ordenado Presbítero em Qual vil harpia que nos rouba assim!              usando sempre de caridade cris-
Évora.                                                                       tã. Foi um baluarte no Ministé-
    Após a ordenação, seguiu És da glória do justo portadora,                rio da Educação e a muitos pro-
para Macau onde, durante oito Dos tormentos da vida vencedora:               piciou carreiras de sucesso.
                                     Tu abres o caminho à luz sem fim.
anos, leccionou várias disciplinas                                               Deus escolheu para ele a
no Colégio Dom Bosco. Regres-                         SOUSA GONÇALVES mulher certa, a Maria de S. José,
sou a Portugal, para a direcção de         AMIGO                          que soube ser esposa exemplar,
Estudos na Escola Profissional de          ABÍLIO C. A. REBELO            com desvelo sem limites.
Santa Clara, em Vila do Conde e,           Faleceu a 20 de Outubro. Era       Nos últimos anos, enfrentou
depois, cinco anos em Izeda.           natural de Riodades, freguesia que com a maior resignação a subida
    Veio o momento delicado e de- tem como ex-libris o promontório do calvário da vida. Quando lhe
cisivo da sua vida. Fez uma op- de São Salvador do Mundo, se- perguntava pela saúde, respondia
ção, da qual jamais se arrepen- meado de pequenas capelas, dis- sempre «seja o que Deus quiser».
deu. Solicitou a dispensa do exer- postas para a via-sacra, encima-           Pelas festas do Natal, Páscoa e
cício das ordens sacras e passou a das por vetusta igreja, sobre o aniversários, mimoseava os ami-
repartir a sua vida com Maria Na- magestoso rio Douro.                    gos com cartas lindíssimas. Priva-
tália Pereira e as duas filhas, que,       Foi neste ambiente paradisíaco va com muitos sacerdotes e, quan-
com extremo carinho, dedicação, que o Dr. Abílio viveu os verdes do se dirigia à igreja, o seu en-
comunhão de felicidade, o acom- anos, acarinhado por família dis- canto era estar perto do altar. Pa-
panharam até à partida para a tinta, nomeadamente pelo tio, o recia que era o que lhe dava mais
Felicidade Eterna, a 30 de Setem- Cónego Amaral, figura cimeira da prazer na vida.
bro.                                   diocese de Lamego; e sorveu a de-                     NUNO PASCOAL
3.º ANIVERSÁRIO DO FALECIMENTO
      DO CÓNEGO FILIPE DE FIGUEIREDO
    A Fundação                                        locais, os Bombeiros, amigos do padre Fili-
Cónego Filipe                                                                          Dr. Francisco
                                                      pe, população de Estarreja e o Dr. Francisco
de Figueiredo                                         Monteiro em representação da Obra Nacio-
promoveu em                                                    Pastoral
                                                      nal da Pastoral dos Ciganos, que o padre
Estarreja, terra                                      Filipe dirigiu durante longos anos, e da
natal do padre                                        «Fraternitas»,
                                                      «Fraternitas», Movimento que ele fundou.
Filipe, e local                                             Após o almoço no Hotel Eurosol, se-
onde o Senhor                                         guiu-se, no Salão Nobre da Câmara Munici-
o chamou a Si,                                        pal, uma interessante conferência proferida
uma Semana Cultural para comemorar o 3.º              pelo amigo do Cónego Figueiredo, também
aniversário do seu falecimento, em 28 de No-                                  Dr.       Amador, so-
                                                      natural de Estarreja, Dr. Olívio Amador, so -
vembro de 2003.                                       bre alguns escritos que o homenageado de-
    A Semana, que teve início em 25 de No-            dicou a figuras notáveis de Estarreja. Este es-
vembro, culminou no dia 2 de Dezembro com                   insere-                       Dr.
                                                      tudo insere - se na pesquisa que o Dr. Olívio
uma Missa solene na igreja de São Tiago de            Amador está a fazer, com o objectivo de es -
                                                                       fazer,                     es-
Beduído, igreja paroquial das origens de              crever uma biografia do Cónego Filipe.
Estarreja, e em cujo cemitério o Cónego Fili-               Durante a Semana realizaram-se diver-
pe está sepultado. A Missa foi presidida por          sas outras actividades, das quais se destaca
D. António Marcelino, Bispo de Aveiro, num            o espectáculo do padre Borga e a sua Ban-
dos seus últimos actos públicos antes de re-          da.
signar das suas funções episcopais em Avei-                                   Francisco Monteiro
     Foi,            D.
ro. Foi, também, D. António Marcelino quem
erigiu canonicamente a Fundação Cónego Fi-
                                                                    «O mais pernicioso (da
lipe de Figueiredo.
                                                               História) foram e são ideias
       À Missa seguiu-se o lançamento da 1.ª
                                                               teológicas mesquinhas e
pedra do Centro Social Nossa Senhora do
                          Passal,
Amparo, no lugar do Passal, em terrenos que                    ridículas. Também por isso,
o Cónego Filipe tinha doado à Fundação D.
             Filipe                   Fundação D.              nomeadamente Buda,
Manuel Mendes da Conceição Santos, por si                      Confúcio, Sócrates e Jesus,
criada, a qual os cedeu à Fundação que ago-                    figuras determinantes para a
ra leva o nome dele. O Centro corresponde                      Humanidade e de cuja pro-
a um sonho do Cónego Filipe para a sua                         funda religiosidade ninguém
                             «T
terra natal de Estarreja: «Tenho um sonho que                  pode duvidar, foram conside-
quero tornar realidade: dotar a minha terra                    rados ateus. Sócrates con-
         Lar     Terceira
de um Lar de Terceira Idade». Quis o Senhor,Senhor,            cretamente bebeu a cicuta,
no dia em que na Câmara Municipal de                           acusado de ateísmo, e Jesus
Estarreja, no gabinete do hoje Administrador                   morreu na cruz, acusado de
    Fundação             Filipe, Sr. Valter
da Fundação Cónego Filipe, Sr. Valter Martins,                 blasfémia.
era comunicado que a licença para a cons-                           Estes factos obrigam a
trução do Centro Social tinha finalmente sido                  ter constantemente presen-
concedida, chamá-lo a Si.                                      tes, com temor e tremor, os
    Ao lançamento presidiram D. AntónioD.                      perigos patológicos das reli-
Marcelino, que abençoou a 1.ª pedra, o Go-                     giões.»
vernador Civil de Aveiro, o Presidente da Câ-
mara Municipal de Estarreja e o Presidente                                       Anselmo Borges;
da Fundação Cónego Filipe de Figueiredo,                           Padre e professor de Filosofia,
Sr.          Filipe Figueiredo;
Sr. Manuel Filipe Figueiredo; participaram nu-                                         in Público
merosas autoridades e entidades regionais e



espiral Boletim da Fraternitas Movimento
        Associação
                                                           Responsável: Fernando Félix
                                                           Praceta dos Malmequeres, 4 - 3º Esq.
       Nº 25 - Outubro/Dezembro de 2006                    Massamá / 2745-816 Queluz
              www.fraternitas.pt                           e-mail: fernfelix@gmail.com

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Espiral 25

  • 1. espiral boletim da associação FRATERNITAS MOVIMENTO N.º 25 - Outubro / Dezembro de 2006 PRIMEIR A DÉC ADA DA NOSSA FR ATERNITA S PRIMEIRA DÉCAD DA NOSS FRATERNITA ADA I - Ao assinalarmos os dez anos de vida da «Fraternitas», recordamos com saudade o cónego Filipe de Figueiredo. Porque é um amigo que Falou-nos de um mundo laico, aquele em que todos os dias navegamos, e que já não discute Deus, mas O ignora ou Lhe passa ao lado. Na verdade, a nunca esqueceremos e que sempre exaltaremos pela condição, hoje, da nossa realidade como cristãos é coragem de se ter atrevido a desfazer um tabu e a «sermos crentes num mundo descrente». E, como Igreja evidenciar uma realidade forte: a de que nós, pa- que se vai desertando, sermos «luz do mundo» e «sal dres casados, continuamos a ser Igreja. E a de que da terra». «Pusillus grex». as nossas companheiras, que não hesitaram em unir V - Registo alguns dados soltos, fugidiamente apa- a sua à nossa vida, tiveram a coragem de enfrentar nhados no decorrer das conferências: uma sociedade que, na sua maioria, não entendia o a) O silêncio e a não evidência de Deus, mas não passo que uns e outros demos. É justa e devida, e a Sua ausência, levam-nos a procurar como havemos talvez tardia, esta homenagem às nossas mulheres de ser testemunhos da Sua presença no mundo con- que têm abundantemente demonstrado que são Igre- temporâneo; um mundo que, explícita ou implicita- ja como nós. mente, nos «lança desafios a uma vivência cristã mais II - O padre Filipe de Figueiredo correu o risco autêntica e comprometida». de ficar exposto à desconfiança de muitos, quando Foi sublinhado: «a fidelidade a Deus passa pela ouviu e acompanhou histórias sofridas, e estabele- fidelidade à vida e ao mundo». E a interrogação sur- ceu com todos uma ponte fraterna. Ao ver-nos feste- ge: «Como podemos viver como cristãos uma vida jar estes dez anos da Obra de que ele foi o alicerce, total, sem termos que negar ou rejeitar os valores e as estou certo de que vive uma alegria enorme. Uma possibilidades que a vida nos oferece?» Deus escapa alegria que acresce à felicidade infinita que, neste ao nosso conhecimento. O crente estará sempre momento, frui. E creio que sintonizo o sentimento de desprotegido na sua fé. Mas o Seu Filho, Ele no-l’O todos nós, ao dizer-lhe daqui e enquanto não o vol- deu a conhecer. tamos a encontrar: Obrigado, Padre Filipe! Deus envolve-se na pequenez do homem. É nas III - As duas reuniões anuais, além dos encontros condições desfavoráveis que Se dá a oportunidade regionais, com dimensão nacional, da «Fraternitas» (Continua pág 2) são mais, muito mais, do que um convívio de padres casados. Na verdade, em todas elas há um apro- fundamento da Fé. São sessões de aprendizagem e Sumário: reflexão, iluminadas pelo ensino feito por professo- res de Teologia da Universidade Católica. E tam- Primeira década da nossa Fraternitas 1 bém pelas lições, sempre fundamentadas e lúcidas, Perguntas embaraçosas 3 do nosso Artur, mestre em Bíblia, e que prossegue, apaixonadamente, a sua rota de actualização em Um outro Natal 3 ciência da Sagrada Escritura. São dias de uma enor- Perspectiva diferente 4 me riqueza em que os horizontes da nossa interioridade se tornam mais vastos. Sinais dos Tempos 5 IV - Nos dias 1 e 2 de Dezembro, tivemos como Deus parece ausente 6 conferencista o doutor António Manuel Alves Martins, da Universidade Católica de Lisboa. Uma escolha Homenagem 7 excelente. Cónego Filipe 8
  • 2. 2 espiral (Continuação pág 1) termos connosco o Francis- de O descobrirmos. Espan- co Fanhais. Deu-nos mo- tosamente, poderemos dizer mentos inesquecíveis em que que o poder de Deus é im- nos maravilhámos ouvindo o potente. Mas a Sua impo- seu canto cheio de mensa- tência é a força poderosa gens. Enroladas numa voz do amor que se dá. E aqui de ouro. compreendemos a fé pro- VIII - No domingo, D. funda de Dietrich Serafim Ferreira e Silva, bis- Bonhoeffer na prisão nazi, po emérito de Leiria, que de onde saiu para ser en- acompanhou como amigo a forcado. «Fraternitas» desde as primei- A morte é uma realida- ras horas, celebrou a Euca- de humanamente absurda. Vivemos com o absurdo. ristia, o momento alto do nosso encontro, que foi Mas a nossa atitude, como cristãos, é de esperança. transmitida pela TVI. A embelezar a celebração eu- Por isso, não podemos esquecer que o Cristo ressus- carística esteve o grupo coral «MILLENIUM», o qual citado é o mesmo Cristo crucificado. voltou a actuar no termo do nosso almoço, num sim- b) Referências sobre a diferença cristã: pático e esplêndido aceno de despedida, com algu- - O Cristianismo, como fenómeno de massa e mas canções do seu reportório. cultural, irá ser uma minoria na Europa. Estamos des- IX - O cónego António Rego encerrou com chave tinados a ser fermento, mas não recusando os ou- de ouro a celebração do décimo aniversário da tros. Como minoria, seremos chamados a ser «sal da «Fraternitas», entrevistando para o programa «8.º Dia», terra» e «luz do mundo». também na TVI, alguns membros do Movimento. Foi - Cristianismo: proposta de ética e proposta de uma riqueza e variedade de testemunhos de fé de vida, mas sem vermos nos outros um objecto de re- todos eles o que ali transpareceu, e que deixou desta cusa, isto é, inimigos e opositores. Temos de nos con- associação de padres casados a certeza de que na vencer de que a Igreja não tem o património da éti- Igreja há muitas moradas e de que em todas elas se ca e da verdade. E de que a verdade de Jesus Cristo trabalha e dá testemunho, o que, aliás, foi afirmado ultrapassa a visibilidade da Igreja. em palavras claras e sucintas pelo Vasco Fernandes, - O diálogo exige uma paciência de estufa. E presidente da «Fraternitas». não pode acontecer, apenas, a nível intelectual. Tem X – Já lá vão 10 anos de vida da Associação de haver acolhimento. E esta é uma das contradi- Fraternitas Movimento. Uma década em que há o ções internas da Igreja contemporânea. Temos de fazer ladrilho de muitas histórias. Mas em que está cheio uma aprendizagem do diálogo. O medo da diferen- de saúde interior o ambiente que nela se vive. E que ça é a negação da Igreja. A razão da nossa diferen- se reforça em cada um dos nossos encontros. ça é o Espírito Santo. A relação «eu – tu» forma o Pacheco de Andrade «nós», tendo como charneira vital o Espírito Santo. - O Cristianismo está ao serviço da sociedade. Porque «diferença e unidade não se opõem». Este é o NOVO SÍTIO NA INTERNET caminho cristão. Não há unidade sem diferença. Con- A Associação Fraternitas Movimento tem uma cluamos que o Espírito não está apenas na Igreja. nova página na Internet: www.fraternitas.pt. c) A última reflexão foi sobre a beleza como pro- Nela pode encontrar várias entradas. Em fecia da Igreja para o mundo: beleza e tragédia hu- «Quem somos» fala-se da identidade do Movi- manas; beleza e santidade. mento; em «Actividades» figuram os encontros reali- Este é um pálido apontamento do muito que ou- zados; «Novidades» é para partilharmos as ocor- vimos expor nestes dias. Assistimos a uma exposição- rências do dia-a-dia (nascimentos, cursos, faleci- reflexão que o doutor António Martins, pela enorme mentos, etc.); em «Fotografias» queremos fazer a riqueza que nos deixou, teve o mérito de tornar a fotobiografia do Movimento; em «Notícias» serão mais valia do nosso encontro. anunciados eventos e faz-se eco de acontecimen- VI - Momentos fortes deste Curso de Actualização tos eclesiais de interesse; em «Espiral» estão os Teológica foram também as orações comunitárias, números do boletim; em «Contactos» encontram- sexta e sábado, densamente vividas. O Salomão foi se os endereços postais e de correio electrónico o encarregado de lhes dar contorno e de as abrir à da «Fraternitas»; e «Links» liga a outros portais. autenticidade de cada um. A sua alma de franciscano O novo sítio é fruto do trabalho gratuito do esteve ali muito presente. Ainda bem! Manoel Pombal e do seu colega Nézé, ambos VII - Na noite de sábado, aconteceu a alegria de do Gabinete de Atendimento à Família (www.gaf.pt). (www.gaf .gaf.pt)
  • 3. espiral 3 Um outro Natal PERGUNTAS EMBARAÇOSAS ainda desconhecido! T emos muito medo das per- guntas directas. Parece-nos muito fácil dizer como os outros tenciais da nossa inconfessada pe- quenez. Aos Seus discípulos, também Ouviam-se, ao longe, sinos a tocar!... Milhões de luzes brilhando perto de mim... pensam, sonham ou vivem! Mas é Melodias suaves cresciam no ar, Cristo fez a pergunta: «E vós, quem E crescendo, crescendo, cantavam assim: muito difícil manifestar o que pen- dizeis que Eu sou?» Sendo Cristo «É Natal! É Natal! Chegou o Menino, samos, o que sonhamos e como a face visível de Deus, dizer quem E traz a Esperança e o Amor também! vivemos, porque, muitas vezes, isso é Cristo é dizer quem é Deus. Esta Até na manjedoura, pobre e pequenino, não nos convém... pergunta tão directa embaraçou os Quer falar a todos, sem excluir Há certas verdades, a nosso discípulos que hesitaram arriscar ninguém!»... respeito, que procuramos esconder. uma resposta. Foi Pedro que falou Pus-me a pensar: «Jesus! E, se tivermos de falar delas, ou as em nome de todos. «Tu és o Mes- Que nos vens dizer, falseamos ou as disfarçamos com sias, o Filho de Deus vivo». Porém, Assim tão frágil e tão sozinho?... mantos coloridos. Temos a convic- foi o Espírito Santo que o inspirou. Tiranos e poderosos nem Te vão querer, ção de que, «pela verdade, tanto É isso que nos falta, sobretudo E os pobres só Te podem dar carinho!». se ganha o ódio dos inimigos nos tempos frenéticos de hoje. As Uma voz ouvi, voando do Infinito: como se perde a amizade dos preocupações materiais, quando «Esse Menino, aí, gelado a chorar, amigos». Por isso é que o filósofo exageradas e vividas como única Mesmo que te pareça tão pequenito, irlandês Berkcley escreveu que «to- meta da vida, sufocam a voz do É também a ti que te quer falar!». dos gritam pela verdade, mas só Espírito Santo. Nós temos medo de Mirei o tecto húmido daquela cabana: alguns a usam». assumir compromissos. Por isso, às Caíam pedras toscas e raízes em malha!... Nós não somos apenas «algo». vezes, vivemos com um pé dentro No chão de terra não se via cama, Somos «alguém», isto é, somos e outro fora da Igreja! Como Apenas feno murcho e um pouco de palha!... «pessoa». Mas esta honra e digni- Voltaire, grande perseguidor da «Menino pequenino, pequenino Menino, dade também nos acarreta res- Fala-me e conta o que me queres dizer!» Religião, mas que, antes de mor- Abriu-se então a boca daquele bambino, ponsabilidades difíceis de assumir. rer, pelo sim e pelo não, mandou E só pediu coisas que eu podia fazer: Uma das perguntas que todos construir uma igreja com o seu «Ser Sua presença no mundo em confusão, fazem, mas a cuja resposta muitos túmulo metade dentro da igreja e Acolher todos os pobres sem tecto nem lar, se esquivam porque não sabem metade no cemitério contíguo! E Servir com amor e carinho todo o irmão, responder ou porque não lhes con- então explicava assim: «Os mais Amar aqueles que não sabem amar!...». vém, é esta: «Quem é Deus?». perspicazes dirão que não estou .................... Santo Agostinho voou nas alturas, dentro nem fora»... É isso: nenhum Caminhei, sem rumo, pela rua enfeitada. com o seu modo subtil de pensar, compromisso. Nem moral nem re- Senti-me preso à porta de outro casebre. à procura da resposta no Univer- ligioso!... Ouvi lá dentro, na solidão calada, so criado. E, no fim, escreveu isto Reparai no que geralmente Outra criança que gemia de febre!... no livro «Confissões»: «Quem é acontece nas férias. Na nossa ter- Perguntei a mim mesmo: «Mas que é isto?... Deus? Perguntei à Terra e ela dis- ra queremos mostrar-nos muito Será Jesus chorando, também aqui?!...» se-me: “Eu não sou”. E tudo o que cristãos, e revoltamo-nos se nos Entrei, de mansinho, no portal de xisto, nela existe me respondeu o mes- dizem o contrário. Nas férias E fiquei calado... Não conto o que vi!... mo. Interroguei o mar, as suas envergonhamo-nos, portando-nos «Meu Deus! Quem será esta criança profundezas e todos os seres vivos, como qualquer ateu! Entram tam- agora?! e eles responderam-me: “Não so- bém de férias a oração, a Euca- Será o mesmo Cristo nela incarnado?» mos o teu Deus. Procura-O acima ristia, o testemunho, e até, tantas Não pude falar!... Talvez, naquela hora, de nós”. Interroguei toda a estrutu- vezes, a nossa dignidade... Chorasse Cristo ainda mais desprezado! ra do Universo, que me respondeu: Peguei na criança, levei-a ao coração!... Não é pelas palavras que se Estava gelada, mas sorriu para mim... “Eu não sou Deus; foi Ele que me conhecem as pessoas, mas pelo E disse, de mansinho, levantando a mão: criou”.» seu comportamento e pela sua «Sou Cristo que vive em quem sofre assim!» Todavia, a pergunta continua coerência de vida. Seja na nossa .................... sem resposta para muitos... terra ou fora dela, temos de ser Talvez para mim e para muitos cristãos, Há 20 séculos, Cristo deu a res- aquilo que dizemos ser. Ou então O Natal tenha sido tempo perdido, posta. Mas muitos não a querem nunca passaremos de grotescos Porque não vemos, na dor dos irmãos, ouvir. Preferem perder-se em be- saltimbancos a fugir das atitudes Um outro Natal ainda desconhecido!... cos sem saída, à procura de ou- de coerência!... tras respostas. São as crises exis- Manuel Paiva M.P. M.P.
  • 4. 4 espiral PERSPECTIVA DIFERENTE católicos e evangélicos se reúnam». Não é com exortações ao «mun- No n.º 10, Mas ficou-se por palavras bonitas do secularizado ensurdecido a de Outubro de 2006, sem um sinal indicativo do futuro Deus» que se ganha mais confian- a revista «Kirche In» para o ecumenismo. Satis-fatório ça. Apenas são confirmados aque- insere uma entrevista apenas o convite para o diálogo les que em todo o caso já acredi- de religiões mais intensivo. tam. DPA à DPA do conhecido kirche: As imagens televi- Kirche: Além do significa- teólogo e presidente da sivas de massas humanas a do pessoal que a viagem à Fundação Ethos Mundial, aplaudir davam a impressão Papa, pátria tem para o Papa, vê Hans Küng, de existir um sentimento co- algum efeito duradouro para na qual este teólogo mum; mas, na sociedade, a o catolicismo alemão? analisa a visita do Papa Igreja está em retrocesso. Será Küng: Eu podia descobrir mui- Baviera. à Baviera Papa que o Papa pôde pontuar tas boas intenções e palavras do também entre os que estão Papa, mas nenhuns incentivos prá- Tradução: João Simão longe da Igreja? ticos novos. Na celebração euca- Küng: Ver o Papa de perto rística central em Munique, no do- Kirche: Qual foi a impres- uma vez na vida é para muitos mingo, foram claramente eviden- são global que colheu da vi- uma emoção. Também muitos dos tes as deficiências do catolicismo Papa sita do Papa à Baviera? que se afastaram da Igreja têm tradicional: 1. Uma Igreja fixada Küng: Uma impressão discor- saudades duma figura paternal nos homens: as mulheres restrin- dante. Bento XVI não satisfez ne- espiritual ou de um representante gem-se a funções subalternas. nhuma das esperanças dos católi- da integridade moral, da justiça e 2. Uma Igreja hierarquicamen- cos reformistas. Pessoalmente ele da paz mais fidedigno do que o te presunçosa: Papa e bispos actuou de forma simpática, próxi- são muitos políticos e homens de alcandorados longe do povo, iso- ma dos fiéis. Não é um Papa Estado. Mas era muito menor do lados numa «ilha altar». mediático com um talento de ac- que se esperava o número de pes- 3. Uma Igreja confessional- tor que arranque aplausos. É so- soas nas ruas, nas cerimónias reli- mente egocêntrica: falta ecumenis- bretudo alguém que se concentra giosas, junto das televisões ou dos mo. Na oração não foram sequer na verdade central do cristianismo, ecrãs gigantes públicos. E uma mencionados os cristãos evangéli- na fé em Deus. Porém, deixou que Marien-platz repleta, com a pre- cos e ortodoxos, para não falar se sentisse a falta de aberturas sença dos dirigentes da CSU, não das outras religiões. para reformas na Igreja. Ora, 43 garante igrejas de Munique mais 4. Uma Igreja estagnante: a por cento dos entrevistados pela cheias, como milhares de acólitos começar pela oração eucarística: empresa de opinião «McKinsey» não garantem futuros padres que sempre a teologia da contra-refor- são de opinião de que a Igreja queiram renunciar a uma esposa. ma, nada dos resultados da nova católica necessita de reformas ur- Os curiosos também ainda não exegese; descura o aspecto bíbli- gentes: 14 por cento mais do que são fiéis convictos. Muitos, mesmo co da ceia comum, repetidamente em 2005, altura em que Bento XVI na Baviera, sentem-se afastados acentuado pelo Vaticano II... assumiu o papado. por uma encenação mon- Papa kirche: O Papa procurou tada com enorme dispên- realmente o diálogo ou ape- dio de meios e de dinhei- nas se limitou a expor a sua ros de impostos. Segundo visão do mundo e da fé? a mesma sondagem Küng: De diálogo praticado «McKinsey», quase um em quase nada se pôde perceber. O cada dois alemães (45 por presidente Köhler insistiu em expor cento) não tem confiança ao Papa o anseio de muitos cris- na Igreja Católica como tãos de que haja progresso ecu- instituição. Piores valores ménico, para mais comunhão. É de confiança só mesmo os verdade que o Papa respondeu ex- seguros de pensões do Es- pressando o desejo «de se esfor- tado (47 por cento) e os çar de alma e coração para que partidos políticos (58 por cento). Hans Küng e a esposa NOVO: página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.
  • 5. espiral 5 Kirche: Na alocução aos Küng: Bento XVI não corrigiu Kirche: Que lhe parece a seminaristas, em Altötting, o a declaração «Dominus Jesus», da primeira encíclica do Papa? Papa? Papa lamentou a falta de pa- sua autoria, do ano 2000, em que Küng: Este escrito é confuso. dres, porém evita em abso- nega às outras Igrejas cristãs o ser Continuo a esperar que o Papa luto a palavra celibato. Igreja. Infelizmente! Também o bis- consiga libertar-se da sombra es- Küng: Ele não faz o mais ime- po evangélico da Baviera calou to- cura do anterior guardião da fé e, diato para remediar a falta de talmente todas as questões polé- como genuíno pastor de almas, padres: permitir o casamento a micas como a Ceia do Senhor co- ofereça soluções construtivas à padres e bispos como é expressa- munitária, a questão dos ministéri- Igreja e ao ecumenismo. mente consentido no Novo Testa- os, os casamentos de confissões di- Kirche: Qual seria a tarefa mento. Ele não gosta de se apre- ferentes, o primado de jurisdição mais importante que o Papa Papa sentar como um homem de exi- papal e a infalibilidade. Ele sen- deveria empreender agora? gências fortes, mas de formula- tia-se feliz por poder fazer uma Küng: Satisfazer o desejo for- ções suaves. Tacticamente esper- pregação inocente na presença do mulado em nome de muitos cris- to, não fala da lei do celibato, Papa. E «à boa maneira romana», tãos pelo presidente federal Köhler: nem da proibição dos meios para todas estas questões faz es- progressos ecuménicos concretos! contraceptivos e de outras incomo- perar os cristãos por mais anos ou Reunir-se com o cardeal Kasper, do didades romanas. Acentua sobre- séculos de trabalho teológico. Secretariado para a Unidade, e tudo os aspectos amáveis da fé e Mas, na realidade, este trabalho pensar o que deve ser feito como da Igreja, mas não mexe nas leis já foi feito há muito tempo. passo inicial para facilitar, primei- e prescrições duras da Igreja. Kirche: Esperava que o ro, a hospitalidade eucarística e, Kirche: No discurso duran- Papa trouxesse um presente re - re- depois, a Eucaristia comum. No te as vésperas ecuménicas, o lacionado com reformas intra Secretariado há seguramente um Papa saudou as Igrejas evan- eclesiais. Ficou desapontado? armário repleto de memorandos e gélicas não como Igrejas mas Küng: Ele pode comportar-se pareceres teológicos que recomen- como «amigos das várias tra- como aqueles visitantes que já não dam isto. Os teólogos e as comis- dições da reforma». E não têm tempo para procurar um pre- sões ecuménicas fizeram o seu tra- abordou temas polémicos. sente, e pode mandá-lo de Roma. balho. Compete ao Papa agir. Sinais dos tempos vo, explicado pela ONU, é a falta de dinheiro para os transportar e fazer distribuir com segurança. Q uando o Papa Bento XVI chegou ao Vaticano, após terminar a sua visita à Tur- «Não temais», repetia sem conta o saudoso João Paulo II. Bento XVI segue esta força, com fé, esperan- Que paradoxo! Segundo a Or- ganização Humanitária britânica OXFAM, as despesas militares mun- quia, cantei «Cristo vence, Cristo ça e amor. Quem o duvida, de- diais de 2006 chegaram a 1060 reina, Cristo impera!» pois desta visita? Mais uma vez se mil milhões de dólares. Em África, Lembrei-me das palavras pe- cumpriu o «Verbo»: «Quem tiver de acordo com a mesma Organi- remptórias de Cristo a Pedro: «Tu uma fé inabalável pode ordenar zação, entre 1985 e 2000, R. D. és Pedro e sobre esta Pedra a uma montanha: muda-te para Congo, Ruanda, Sudão, Botsuana edificarei a Minha Igreja (Assem- ali e ela muda-se.» Para já, a Ben- e Uganda duplicaram os gastos bleia do Meu povo “de boa von- to XVI bastou-lhe «pairar» sobre as militares, na ordem dos 15 milhões tade”); os infernos tentarão abalá- montanhas, até à Turquia. Orde- de dólares. la, mas ela permanecerá inaba- nar às montanhas que se mudem. Mas nem tudo vai mal. Está aí lável, através de todos os tempos, Agora será o tempo de o Espírito o Natal. Há um ano, centenas de pelos séculos dos séculos». agir, porque a verdadeira viagem jovens cubanos distribuíram 350 Já vamos em 2000 anos e a vai muito para além da visita «visí- mil imagens do Menino Jesus por «Barca da Igreja» navega, por ve- vel e física». outras tantas famílias, anunciando zes, sobre mares encapelados, mas acaba por cumprir-se, sem- pre a palavra omnipotente do «Se- O mundo sofre. O Pro- grama Alimentar Mundi- al, das Nações Unidas, suspendeu o Seu nascimento e dando as Boas Festas. Foi o Natal mais bonito que algum cubano tinha visto, disseram nhor da Barca»: «Não temais. Eu o envio de alimentos para Ango- as notícias. Que surpresas teremos estou aqui. E vou convosco». E es- la, que beneficiavam cerca de este ano?» toutras: «Eu venci o mundo.» meio milhão de pessoas. O moti- JosÉ silva pinto .pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: fraternitas@fraternitas.pt
  • 6. 6 espiral aplaca com rituais de oração e pe- DEUS PARECE AUSENTE nitência individual e colectiva, com A vida é, tantas vezes, ameaçada por catástrofes natu- incensações e com devoções de rais, sem aparente intervenção humana. Que responder toda a espécie. E não aquele Deus a quem diz que a religião e a fé estão em decadência? que Se identifica com qualquer ser humano, principalmente aquele A humanidade, no seu pro- cesso evolutivo, atravessou diversas fases de pensamento Deus destruidor, descriador da Sua própria obra, a que deu a força de evoluir continuamente, nem per- que é despojado da sua dignida- de para, através dos que O amam e com Ele colaboram, o elevar da cosmológico. De entre elas, des- mitir que as forças do mal a destru- sua condição desumana. tacam-se o teocentrismo (onde am pois, então, estas passariam a Ele é o Deus que Se manifes- Deus era o causador directo de ser mais poderosas do que Ele e tou em Jesus e veio «para servir e todos os fenómenos bons ou maus) ocupariam o Seu lugar. O mundo não para ser servido» e que, no e o antropocentrismo (o homem é não acaba, vai-se transformando, memorial da Última Ceia, expres- o centro e tem lugar privilegiado numa existência a que Ele preside, sa, como Sua última vontade, a na natureza criada). como entidade fonte do Bem. exigência de idêntico comporta- A primeira visão dominou até É verdade que a maldade das mento àqueles que decidem ser finais da Idade Média e deixou pessoas, principalmente a dos que Seus seguidores: «Compreendeis o medos no subconsciente alimen- têm o poder de decidir o rumo da que vos fiz? Chamais-Me Mestre tados, sobretudo, pelos poderes história, vai deitando venenos des- e Senhor… Ora, se Eu vos lavei religiosos e políticos instituídos. Se- truidores no planeta: são as guer- os pés, sendo Senhor e Mestre, gundo eles, tudo o que de mau ras, as experiências nucleares, os também vós vos deveis lavar os acontecia na Natureza era casti- gases poluidores... (para os quais pés uns aos outros. (…) Dou-vos go de Deus. Chuvas torrenciais, di- todos contribuímos com uma quo- um mandamento novo: que vos lúvios, maremotos, tremores de ter- ta-parte)... Por isso, não será Deus ameis uns aos outros…» (Jo.13) E ra, ou simples trovoada…, era que, mediante petições religiosas, Mateus faz anteceder o capítulo Deus que castigava ou estava terá de resolver o problema, mas da Última Ceia (Mt. 26) pela nar- muito zangado com as pessoas. sim nós, sendo ecologicamente res- ração apelativa do bem conheci- Por isso, havia que acalmá-l’O, ponsáveis. do «Vinde, benditos de Meu Pai, apaziguá-l’O com rituais religio- Não creio num Deus que goste porque Eu tive fome e deste-Me sos de submissão, de humilhação. de ver ou provoque situações de de comer…» (Mt. 25). A partir do Renascimento, mui- miséria na criação, para depois ac- Fé ou crença? Para mim, aque- tos desses fenómenos naturais fo- tuar como libertador e salvador. Tal la é fundada em força divina; esta ram-se tornando mais inteligíveis Deus seria a negação da Sua pró- tem mais a ver com imposições pela explicação das ciências. E pria essência: AMOR. Assim como humanas, medos que atavicamen- dava-se o conflito entre Fé e Ra- também não acredito num Deus te controlam o nosso consciente ou zão, que os tempos modernos ten- que Se aproveite da miséria de pa- subconsciente, sendo fruto de uma tam conciliar, desfazendo o que íses pobres e de situações socais hierarquia (poder sagrado), que parecia um antagonismo visceral. aviltantes e degradantes para a o não devia ser, mas sim diaconia Segundo a revelação cristã, dignidade do ser humano, para aí (serviço, ministério = aquele que Jesus veio para que os homens «te- fazer florescer vocações eclesias, é o mais pequeno, o menos im- nham vida em abundância» e celibatárias ou não. Deus é pela portante, servidor dos outros), para mostrar o rosto amoroso de dignidade humana e quer que to- como Jesus, que assumiu o papel Deus, constituindo este a Sua es- dos colaborem com Ele na promo- de criado, escravo, lavando me- sência, numa das Suas últimas de- ção dessa dignidade, principal- taforicamente os pés aos Seus finições bíblicas: «Deus é amor». mente aqueles que vivem na abun- apóstolos. É neste Deus que creio; não dância e a podem e devem parti- Se na desgraça falarmos do num Deus velhaco e humilhante, lhar com os mais pobres. amor e o actuarmos, as pessoas redutor da Sua criação, em geral, Se na sociedade contemporâ- não procurarão Deus por medo e do homem, em particular, que nea Deus parece ser o grande au- ou como remédio que se compra «Ele criou à Sua imagem e seme- sente, não será por Sua culpa, mas para as maleitas, mas por razões lhança.» Um Deus criador, que sim pela imagem de Deus que os essenciais, que têm a ver com a aprecia o que criou com a classi- responsáveis religiosos, ao longo dignidade: «Deus é amor» e «vós ficação de «era bom» e «muito dos tempos, quiseram, e ainda que- sois deuses». bom», nunca Se pode tornar num rem, fazer passar: um Deus que Se Fernando Neves
  • 7. espiral 7 HOMENAGEM INESQUECÍVEL Conhecemo-nos e fizemo-nos voção a Nossa Senhora da Ale- FRANCISCO DOS SANTOS amigos na Escola José Régio, em gria, a padroeira, (trazia sempre SANTOS É com um misto de alegria e Vila do Conde. Manteve sempre o terço, que recitava uma e mais de tristeza que evoco Francisco um certo optimismo pelo futuro, à vezes por dia), e aprendeu a fé fe- Santos. Em primeiro lugar, alegria, mistura com algumas dúvidas e cunda no Salvador do mundo, Je- porque, cumprida brilhantemente incertezas (quem as não tem?). Foi sus Cristo. a sua missão na terra, partiu para um homem de fé arraigada. Co- «De mortis nisi bonum».O o Pai com uma serenidade impres- laborou em actividades pastorais aforismo não em razão de ser com sionante. Os últimos meses da sua onde residia. Em Vairão, sua últi- o Dr. Abílio, porque, enquanto pe- vida foram de enorme sofrimento, ma residência, foi organista e regrinou na Terra, foi de tal ma- sempre aceite com exemplar resig- ensaiador do grupo coral. A cer- neira honesto e bom que não é pre- nação. Muito aprendi com ele. Era teza do Além ficou expressa nas ciso empolar nada a seu respeito. bom amigo, óptimo colega, ad- duas obras de poesia que publi- Viveu modestamente e de for- mirado e respeitado por todos. cou «Caminhando» e «Reviver». ma simples, tendo por lema fazer Lembro-o também com triste- A sua humildade não permitiu o bem. A amizade era para ele um za, pois deixo de o contactar fa- que revelasse a sua bagagem cul- atributo, que distribuía pelos seus miliarmente. Ele recebia-me sem- tural. A sua modéstia deixou com- companheiros. Muito jovem ainda, pre com um acolhimento fidalgo. posições musicais, obras poéticas, nos tempos em que jogava fute- Nasceu a 12 de Julho de 1931, e não só, na gaveta, como esta: bol, nunca os seus adversários o em Castelo do Douro, Alijó. Nes- MORTE acusaram de deslealdade, bru- ta região, onde tudo é poesia, Ó morte, porque vens pela calada, talidade, nem tão pouco de cresceu poeta. Na poesia encon- numa hora, que é sempre tão incerta? mau perder. Acabava o jogo, trou a chama da sua existência. Sempre vens quando és menos esperada. de que muitas vezes saia vence- Fez os primeiros estudos no dor, e, de imediato, animava a Colégio Oficina de S. José, no Embora sejas pouco desejada, equipa vencida, como que di- Porto, e aí tirou o curso de im- Quando truncas a vida, só, deserta, zendo «na próxima serão pressor. Completou a secundá- Mas quando a alma tem a porta aberta vocês». ria no Instituto Salesiano de Dum gozo eterno, és mesmo procurada. Terminado o Curso, já no Mogofores. Cursou Filosofia no exercício das suas funções, a to- Instituto Salesiano de Manique Sim! Não é tão escuro o teu degredo dos acolhia com um sorriso e do Estoril e Teologia em Lisboa. Como o pinta quem de ti tem medo tom optimista, e dava conselhos, Foi ordenado Presbítero em Qual vil harpia que nos rouba assim! usando sempre de caridade cris- Évora. tã. Foi um baluarte no Ministé- Após a ordenação, seguiu És da glória do justo portadora, rio da Educação e a muitos pro- para Macau onde, durante oito Dos tormentos da vida vencedora: piciou carreiras de sucesso. Tu abres o caminho à luz sem fim. anos, leccionou várias disciplinas Deus escolheu para ele a no Colégio Dom Bosco. Regres- SOUSA GONÇALVES mulher certa, a Maria de S. José, sou a Portugal, para a direcção de AMIGO que soube ser esposa exemplar, Estudos na Escola Profissional de ABÍLIO C. A. REBELO com desvelo sem limites. Santa Clara, em Vila do Conde e, Faleceu a 20 de Outubro. Era Nos últimos anos, enfrentou depois, cinco anos em Izeda. natural de Riodades, freguesia que com a maior resignação a subida Veio o momento delicado e de- tem como ex-libris o promontório do calvário da vida. Quando lhe cisivo da sua vida. Fez uma op- de São Salvador do Mundo, se- perguntava pela saúde, respondia ção, da qual jamais se arrepen- meado de pequenas capelas, dis- sempre «seja o que Deus quiser». deu. Solicitou a dispensa do exer- postas para a via-sacra, encima- Pelas festas do Natal, Páscoa e cício das ordens sacras e passou a das por vetusta igreja, sobre o aniversários, mimoseava os ami- repartir a sua vida com Maria Na- magestoso rio Douro. gos com cartas lindíssimas. Priva- tália Pereira e as duas filhas, que, Foi neste ambiente paradisíaco va com muitos sacerdotes e, quan- com extremo carinho, dedicação, que o Dr. Abílio viveu os verdes do se dirigia à igreja, o seu en- comunhão de felicidade, o acom- anos, acarinhado por família dis- canto era estar perto do altar. Pa- panharam até à partida para a tinta, nomeadamente pelo tio, o recia que era o que lhe dava mais Felicidade Eterna, a 30 de Setem- Cónego Amaral, figura cimeira da prazer na vida. bro. diocese de Lamego; e sorveu a de- NUNO PASCOAL
  • 8. 3.º ANIVERSÁRIO DO FALECIMENTO DO CÓNEGO FILIPE DE FIGUEIREDO A Fundação locais, os Bombeiros, amigos do padre Fili- Cónego Filipe Dr. Francisco pe, população de Estarreja e o Dr. Francisco de Figueiredo Monteiro em representação da Obra Nacio- promoveu em Pastoral nal da Pastoral dos Ciganos, que o padre Estarreja, terra Filipe dirigiu durante longos anos, e da natal do padre «Fraternitas», «Fraternitas», Movimento que ele fundou. Filipe, e local Após o almoço no Hotel Eurosol, se- onde o Senhor guiu-se, no Salão Nobre da Câmara Munici- o chamou a Si, pal, uma interessante conferência proferida uma Semana Cultural para comemorar o 3.º pelo amigo do Cónego Figueiredo, também aniversário do seu falecimento, em 28 de No- Dr. Amador, so- natural de Estarreja, Dr. Olívio Amador, so - vembro de 2003. bre alguns escritos que o homenageado de- A Semana, que teve início em 25 de No- dicou a figuras notáveis de Estarreja. Este es- vembro, culminou no dia 2 de Dezembro com insere- Dr. tudo insere - se na pesquisa que o Dr. Olívio uma Missa solene na igreja de São Tiago de Amador está a fazer, com o objectivo de es - fazer, es- Beduído, igreja paroquial das origens de crever uma biografia do Cónego Filipe. Estarreja, e em cujo cemitério o Cónego Fili- Durante a Semana realizaram-se diver- pe está sepultado. A Missa foi presidida por sas outras actividades, das quais se destaca D. António Marcelino, Bispo de Aveiro, num o espectáculo do padre Borga e a sua Ban- dos seus últimos actos públicos antes de re- da. signar das suas funções episcopais em Avei- Francisco Monteiro Foi, D. ro. Foi, também, D. António Marcelino quem erigiu canonicamente a Fundação Cónego Fi- «O mais pernicioso (da lipe de Figueiredo. História) foram e são ideias À Missa seguiu-se o lançamento da 1.ª teológicas mesquinhas e pedra do Centro Social Nossa Senhora do Passal, Amparo, no lugar do Passal, em terrenos que ridículas. Também por isso, o Cónego Filipe tinha doado à Fundação D. Filipe Fundação D. nomeadamente Buda, Manuel Mendes da Conceição Santos, por si Confúcio, Sócrates e Jesus, criada, a qual os cedeu à Fundação que ago- figuras determinantes para a ra leva o nome dele. O Centro corresponde Humanidade e de cuja pro- a um sonho do Cónego Filipe para a sua funda religiosidade ninguém «T terra natal de Estarreja: «Tenho um sonho que pode duvidar, foram conside- quero tornar realidade: dotar a minha terra rados ateus. Sócrates con- Lar Terceira de um Lar de Terceira Idade». Quis o Senhor,Senhor, cretamente bebeu a cicuta, no dia em que na Câmara Municipal de acusado de ateísmo, e Jesus Estarreja, no gabinete do hoje Administrador morreu na cruz, acusado de Fundação Filipe, Sr. Valter da Fundação Cónego Filipe, Sr. Valter Martins, blasfémia. era comunicado que a licença para a cons- Estes factos obrigam a trução do Centro Social tinha finalmente sido ter constantemente presen- concedida, chamá-lo a Si. tes, com temor e tremor, os Ao lançamento presidiram D. AntónioD. perigos patológicos das reli- Marcelino, que abençoou a 1.ª pedra, o Go- giões.» vernador Civil de Aveiro, o Presidente da Câ- mara Municipal de Estarreja e o Presidente Anselmo Borges; da Fundação Cónego Filipe de Figueiredo, Padre e professor de Filosofia, Sr. Filipe Figueiredo; Sr. Manuel Filipe Figueiredo; participaram nu- in Público merosas autoridades e entidades regionais e espiral Boletim da Fraternitas Movimento Associação Responsável: Fernando Félix Praceta dos Malmequeres, 4 - 3º Esq. Nº 25 - Outubro/Dezembro de 2006 Massamá / 2745-816 Queluz www.fraternitas.pt e-mail: fernfelix@gmail.com