Espiral 38

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Espiral 38

  1. 1. l espiral espiral boletim da associação FRATERNIT TERNITAS FRATERNITAS MOVIMENTO 1 10 anos N.º 38 - Janeiro / Março de 2010 vozes proféticas precisam-se Sousa Serafim de Sousa N os últimos dois meses, levantaram-se vozes di- versas a respeito dos sacerdotes que abando-naram o exercício das ordens. Felizmente no mês de Ja- preparação, muito estudo e muita reflexão em conjunto e em particular, dá-se o passo final, a ordenação. Ordenado presbítero ou até diácono, este sacramentoneiro do ano em curso, tudo parece ter serenado e os imprime carácter. Nada o pode destruir, é indelével. Portelefonemas da comunicação social do mais diverso teor isso não gosto, não concordo com a expressão muitopararam. E tudo isto aconteceu porque um sacerdote usada no meio eclesiástico “redução ao estado laical”novo, com pouco mais de um ano de vida paroquial, se Acho esta expressão humilhante, e principalmenteapaixonou por uma jovem de 18 anos. O sacerdote foi aniquilante. Usou-se, mas tem de deixar de se usar porentrevistado na televisão e deu mostras claras de uma não corresponder à realidade pura e simples.pessoa sensata e equilibrada. Nos tempos que correm, o povo de Deus já não se Por que é que tudo isto aconteceu? É sempre muito escandaliza com o casamento dos padres. Para as pes-fácil dizer que perdeu a vocação e por isso seguiu outro soas mais esclarecidas tanto lhes dá que os sacerdotesrumo. Ora eu não penso assim. Uma vocação é algo de sejam casados ou não. Querem, sim, ver gente capazsagrado. Foi Deus quem chamou ao sacerdócio, come- de lhes transmitir o Evangelho da vida, a Palavra de Deus,çando pelo seminário menor até ao maior ou mesmo a celebração da Eucaristia e vivência cristã, sem pres-universidade. Depois de ordenado com vocação, com sas, sem rotina, onde se sinta bem a profundidade dofé e destinado ao serviço das almas ou do povo de Deus, amor a Deus e ao próximo.não se perde tudo isso de um momento para outro. A O sacerdote de que falei no princípio, se lhe conce-vocação continua, como todas as outras ideias ligadas dessem autorização para continuar como sacerdote ca-ao serviço da Igreja, que é o Corpo de Cristo. O que sado, com certeza poderia prestar relevantes serviços naacontece é que as circunstâncias da vida vão mudando. mesma ou noutras paróquias, formando, a partir da suaMuda o ambiente que nos rodeia, mudam as pessoas comunidade familiar, um pequeno núcleo que podia serque nos acompanham, mudam também as nossas idei- excelente auxiliar na caminhada da fé. O mesmo acon-as e todos nós estamos num mundo onde a evolução é teceria com outros, que conheço, e a prestarem impor-contínua. Nós também evoluímos e mudamos. tantes serviços nas comunidades e serviços sociais. Diz o nosso povo :“Só os burros é que não mudam.” As regras da Igreja têm mudado ao longo dos tem-Eu costumo dizer :“A vocação ao sacerdócio é obra de pos e torna-se necessário que mudem também agora eDeus.” Deus chama quem quer, onde quer e como quer depressa, pois corremos o risco de as igrejas ficaremO chamado por Deus responde «sim» e depois de muita vazias e não mobilizarem ninguém. A mulher precisa de ter um papel na Igreja de acor- do com a sua dignidade. Afinal, o Cristianismo come- çou com o «sim» de uma mulher. Acabe-se com o que está obsoleto. Refresque-se a mente com novas formas de cativar e caminhar com Cristo. Ponha-se de lado a ideia de que só nós é que sabemos, pois o pulsar colec- tivo indica-nos que há outros modos, outros caminhos que atraem para Deus, Senhor do mundo e da vida ple- na. Juntos, homens e mulheres, poderemos ainda che- gar muito longe. Não vejam em mim um revoltado, ou visionário, mas apenas e só um homem de fé que olha o futuro com alguma apreensão, e peço ao Senhor que nos inspire a servi-Lo cada vez melhor.
  2. 2. 2 espiral O ESCÂNDALODe coração aberto, D. Ilídio Leandro, bispo de Viseu, acolheu osseus padres dispensados do exercício do ministério ordenado. Na Igreja de Viseu, o histórico dia 19 de Dezembrode 2009, em que o seu pastor, atento aos sinais dos «Gostaria «Gostariatempos, acolhe 17 dos 29 convidados, dos quais cinco quefaltaram por impossibilidade, é um marco já inapagável.No encontro, de verdade e amor, a passagem bíblica ninguém se1Cor 7, 9 («Melius est nubi quam uri: É melhor casar doque ficar abrasado»), sem que tivesse sido citada, foi sentisse àfestejada no íntimo dos padres dispensados do exercício arte, parte, quedo ministério sacerdotal, dispensa que a quase totalida-de tinha pedido na convicção de que o casamento é um medireito natural e inalienável de todo o ser humano, que ajudásseis.»também é vocação. pos e como, em conjunto, poderíamos colaborar e con- CONVITE PROFÉTICO tribuir (…) sobretudo para nos conhecermos e para es- D. Ilídio, cerca de um mês antes, na carta de convite tarmos juntos durante uma manhã.»para este encontro, sem dúvida com a ternura e inspira- Estavam preparados os nossos corações para o «sim»ção que o Espírito nele insuflara, afirmava que, sendo ao convite e dado o mote para o primeiro encontro, quebispo de Viseu há pouco mais de três anos, gostaria de iria ser um conclave a terminar com um almoço de con-se encontrar com todas as pessoas a quem fora envia- vívio: «somente o bispo com aqueles que, da nossa dio-do. Este Homem compreensivo e irmão lembra e pro- cese ou de outra mas a viverem aqui, foram e estãopõe: «Um grupo que me estimula e desafia (…) é o gru- dispensados do exercício do ministério ordenado.»po dos que, como eu, foram ordenados sacerdotes (…)Destes, alguns fizeram outras opções, não deixando de DO CORAÇÃO DO PASTOR PAST ASTORamar e servir, não amando e servindo menos, mas en- Na primeira e maior parte do encontro, uns, desco-tendendo que não poderiam continuar a fazê-lo de de- nhecidos, outros, que há muito se não encontravamterminada forma. Assim, conscientemente, optaram por porque residentes em vários pontos do país, mas todos,outro modo de ser e viver a sua vocação e a sua forma incluindo o anfitrião que nos recebia na sua residência ede estar na Igreja e no Mundo. Eu gostaria que (…) nos que fora o Seminário de vários dos presentes, com mui-encontrássemos e partilhássemos (…) reflectíssemos jun- to em comum, com grande à-vontade, apresentaram-tos sobre que Sociedade e que Igreja para os novos tem- se, falaram do seu currículo, das suas experiências deEncontro dos movimentos laicais, em Fátima Convocados pela Comissão Episcopal do Laicado e dos leigos no mundo, em resposta às necessidades des-Família, reuniram-se, em Fátima, no Centro Pastoral te e em conformidade com a missão da Igreja.Paulo VI e Casa Senhora do Carmo, de 5 a 7 de Feve- Para enriquecer o debate e iluminar as questões emreiro, muitos dos responsáveis dos movimentos e obras apreço, várias intervenções se fizeram ouvir, nomeada-laicais de Portugal. mente a de D. António Carrilho, presidente da Comis- A direcção da Associação Fraternitas Movimento, são Episcopal do Laicado e Família, do teólogo Joãocorrespondendo ao convite formulado, esteve presente. Duque e dos dirigentes nacionais Alexandra Viana Lo- O objectivo prioritário do encontro era a discussão pes e Pedro Duarte Silva.da proposta de Estatutos da futura Conferência Nacio- A voz da Fraternitas fez-se ouvir nos trabalhos de gru-nal do Apostolado dos Leigos (CNAL), cujas finalidades, po e plenários, assinalando, no entanto, a sua especifi-de acordo com o seu articulado estatutário, são: cidade no enquadramento eclesial: movimento de pa- – promover a comunhão entre os seus membros, e dres casados dispensados do exercício do ministério.entre estes e as estruturas eclesiais do apostolado dos Estando presente, deu-se a conhecer, contribuindo tam-leigos; bém para a comunhão na diversidade da nossa Igreja – – fomentar o discernimento comum das realidades Corpo Místico de Cristo.contemporâneas e dos desafios da sua evangelização; – contribuir para uma maior coordenação no serviço António Duarte António Duar arte
  3. 3. l espiral 3vida sacerdotal, profissional, familiar, eclesial, social… «na prática, o que qualquer leigo bem preparado podeA todos o pastor escutou atentamente, provocou res- fazer, peço que o façam e dêem sugestões os que cápostas, com a evidente intenção de conhecer-nos e, ain- vivem; sois formadores muito especiais, porque prepa-da mais notório, com a satisfação de estar connosco. rados». É de supor que o bispo de Viseu, nos seus escla-Confidenciou-nos os seus planos para este Ano Sacer- recimentos e decisões, foi até ao limite máximo da aber-dotal, em que não faz visitas pastorais às paróquias, para tura legítima a que pode chegar um bispo na sua dioce-poder visitar grupos arciprestais de padres e leigos e com se.eles celebrar a corresponsabilidade. O Pai na Fé passou a focar, de maneira clarividente, MENSAGEM QUE FICA MENSAGEMa nossa situação e relação na Igreja e com o bispo, Chegara a hora do almoço que D. Ilídio quis ofere-«nem sempre serena e próxima, também as normas da cer e, no caso, bem se lhe poderia chamar almoço deIgreja por vezes são frias e distantes» – reconheceu –, Natal, porque era na época e, sobretudo, era após re-mas, porque olha para mais além e quer aplicar a força flexões que mais nos tinham aproximado do Jesus-Amor.terapêutica da Boa Nova, eleva-nos à contemplação do No final, acordou-se continuar com outros encontros decoração de Deus e do Seu Reino, onde somos família e reflexão, podendo o próximo ser em Maio ou Junho,«quer cada um reconciliado consigo e com o seu passa- tendo-se abordado alguns tópicos que poderão sinteti-do». zar-se: Palavra de Deus e Concílio Vaticano ll versus Dirige-se, seguida e preferencialmente, a parte dos normas do Direito.ouvintes para os interpelar: «Queria estar convosco, so- Estamos em crer que, no íntimo de cada um, conti-bretudo, com os que vivem cá». Elucida que, na dioce- nuou a reflexão sobre o «escândalo ao contrário», asse, decorre o terceiro ano em que o Plano Pastoral é de consequências nefastas que constatamos na Igreja e napreparação para o Sínodo Diocesano, que decorrerá sociedade, e maneiras de reparar tudo isto. O subscritorde 2010 a 2015, para reflectir sobre o Concílio Vatica- destas notas, porque, no dia imediato, viu necessidadeno II, celebrando-se em 2015/2016 os 50 anos do de enviar um e-mail ao seu prelado, incluiu o que semesmo concílio. E conclui a interpelação: «Gostaria que segue:ninguém se sentisse à parte, que me ajudásseis.» «(…) o meu profundo agradecimento ao Pai na Fé De maneira contundente, e que tem a ver com a nos- desta diocese pelo encontro e palavras amigas de aco-sa «condição marginal na acção pastoral» (confessada, lhimento reconciliador e perspectivadoras de melhor fu-numa entrevista do ano, pelo cardeal Tarcísio Bertone, turo eclesial, que ontem nos proporcionou. Maravilho-secretário de Estado do Vaticano) a que temos sido vo- so! Rezo ao Espírito Santo para que Roma se Lhe abra etados, reconheceu o que há de negativo e infeliz na ex- altere a disciplina em causa, não por mim, caduco, quepressão «redução ao estado laical», chapa inalterada já não aspiro a mais, mas por alguns sacerdotes dispen-nos rescritos que a Santa Sé nos tem enviado. Toda esta sados meus conhecidos, de competência e santidademarginalização porque havia o medo do “escândalo” indubitáveis, que, readmitidos ao exercício, tanto bemdo Povo de Deus – referiu o nosso bispo –, apontou o proporcionariam ao faminto Povo de Deus. Julgo que odescabimento e corrigiu: «Hoje, o escândalo é ao con- contrário será escandalizar este mesmo Povo.»trário, por saber que há desaproveitamento»(…), por isso, Luís Cunha“Ah, se a Igreja ouvisse melhor as mulheres’’ Anne Soupa, jorna- «Houve períodos da História em que voz das mulhe-lista, biblista e teóloga res era muito mais ouvida. Na Idade Média, a palavrafeminista católica, aca- de uma Hildegarda de Bingen, de uma Angela di Foligno,ba de fundar, junto com teve forte repercussão. Depois, mais tarde, Teresa d’Ávila,outros amigos, a cuja voz chegou até Roma...», afirma numa entrevista àConférence des revista francesa Panorama, de Janeiro passado. «TodosBaptisé(e)s de France e todas temos uma parte feminina que acolhe a palavra(Conferência de Bapti- divina, que se deixa penetrar por ela. Também temoszados/as da França). uma parte masculina que vai à frente, que abre as por-Em 2008, ela ficou conhecida mundialmente ao criar o tas. Se a parte feminina fosse mais ouvida, acho que a“Comité de la Jupe” [Comitê da Saia] para contestar, Igreja estaria melhor. Sem dúvidas, os homens, na Igre-até mesmo no tribunal da Igreja, uma afirmação machista ja, estariam melhor, ousariam talvez mais facilmente abrirdo cardeal arcebispo de Paris, Andrés Vingt-Trois: «O as portas ao lado feminino da sua própria espiritualida-importante não é ter uma saia, mas ter alguma coisa na de. E as mulheres também estariam melhor, às quais secabeça» (6 de Novembro de 2008), que lhe pareceu impõe às vezes – em particular na vida religiosa – umindigna e reveladora do modo de pensar de um certo modelo muito calcado sobre os homens, que nem sem-número de padres com relação às mulheres. pre lhes permite realizar a sua feminilidade.» .
  4. 4. 4 espiralPÁSCOA,ESPERANÇA ESTIMULANTETal como a Primavera nos confirma a revitalização cíclica da Natureza, a celebração anual da Páscoa reafirma a Primavera confirma revitalização Natureza, celebração reafirma confiança emergência for ort mort Ressurreição utopia confiança na emergência da vida mais forte do que a mor te. A mensagem da Ressurreição é essa utopia que horizonte Terr erra. tantos dilata a insatisfação humana até um horizonte além do vivido na Terra. Como acreditar nisso, quando tantos se deixam inv asfixia energias confiança? deixam invadir por uma onda de pessimismo, caindo num desânimo que asfixia as energias da confiança? Manuel António Ribeiro António Os desastres naturais e a persis- vés do mito do imperativo absolutotência de uma terrível crise econó- da revolução técnico-científica, aomica, deixando milhares de famílias serviço de um Estado omnipresentedestroçadas pela praga do desem- e das elites que o compõem e oprego e da pobreza, lembram-nos, perenizam.de forma dramática, que a paixão Em nome das «verdades» da ci-de Cristo assume um negro realismo ência e da sacralização do lucro, vãonas imagens da morte e do sofrimen- sendo atingidos as liberdades indivi-to, regularmente actualizadas. duais e a dignidade da pessoa, ao Celebramos a Páscoa numa al- mesmo tempo que se geram perver-tura em que nos confrontamos com sões insanáveis, como a corrupçãoacontecimentos de tristeza e desola- e as novas formas de exploração doção, sejam os que decorrem dos gri- Homem pelo Homem. Este modelotos de dor, no Haiti como na Madei- de progresso, cujos benefícios dera, no Chile como no Afeganistão e revelaram efémeros e enganadores,Turquia, sejam os que corporizam os está agora a ser travestido na exal-vergonhosos casos de pedofilia em tação de uma tecnologia queinstituições católicas, ou que mos- robotiza e serializa, mostrando comotram o desespero dos que foram mais a frieza da técnica está a impedir avitimados pela crise financeira. eclosão de um mundo mais humanizado. A MÃO HUMANA Nuns casos, a destruição saiu à INQUIETAÇÕES INQUIETAÇÕESrua pela força dos elementos da Os sinais de alarme estão a reti-Natureza, lembrando ao Homem a nir, de forma cada vez mais preocu- pela voracidade dos media. Umsua condição frágil, magnificamente pante. A violência e o empobreci- olhar atento poderá testemunhar re-retratada por Camões nos versos de mento crescente de vastas camadas alidades bem luminosas a aconte-«Os Lusíadas»: «Onde pode acolher- populacionais formam uma mistura cer diariamente.se um fraco humano /Onde terá se- explosiva que dinamita a esperança A corrente de solidariedade nagura a curta vida, /Que não se arme no futuro. sequência dos desastres ocorridos noe se indigne o céu sereno /Contra Quando a vida da pessoa é Haiti e na Madeira revelam bem queum bicho da terra tão pequeno?» subalternizada em nome da no coração humano não está Noutros casos, as forças da mor- maximização de bens materiais, é atrofiada a bondade. Muitas maiste foram provocadas pela crise do toda a Humanidade que se degra- provas disso se verificam no anoni-sistema neoliberal, assente numa ló- da, pois a sede desenfreada de ri- mato quotidiano. O estilo de vidagica que está a sobrepor-se à pró- quezas leva o Homem a fechar-se simples, o espírito de partilha, a ca-pria razão do homem. O aumento sobre si mesmo, atrofiando o que há pacidade de renunciar ao ter emdas assimetrias sociais, tornando os de melhor em si: o amor, as relações nome da felicidade do outro e umaricos cada vez mais ricos e os pobres verdadeiras, a capacidade de se abrir relação inteligentemente respeitosacada vez mais pobres, é a denúncia aos outros e a Deus. com a Natureza são exemplos declara de um «progresso» que não põe gestos que fazem diminuir o sofri-a pessoa humana no centro. SOLUÇÕES SOLUÇÕES mento e que incrementam relações O messianismo secularizado, de- Felizmente que, ao lado das fu- humanas mais harmoniosas. Man-pois de ter visto as consequências nestas notícias diariamente propa- da, por isso, o realismo que não po-desastrosas do mito da crença no ladas pela comunicação social, tam- demos minimizar a gravidade doprogresso indefinidamente crescen- bém há muitas alegrias celestes nes- momento presente, acreditando in-te, pretende agora afirmar-se atra- ta terra, ainda que não detectáveis genuamente que um mundo novo e-mail: geral@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: direccao@fraternitas.pt * página oficial na Internet: w
  5. 5. l espiral 5 possa nascer da desordem actual. Picasso, a nossa maior perda não é lho não leva a desviar o olhar dos Mas também não devemos abando- a morte, mas aquilo que morre em lados terríveis da vida, mas faz ver nar a esperança numa sociedade nós enquanto vivemos. nela uma luz capaz de ver para lá melhor, com a desculpa de que to- da espessa escuridão. Quando aco- das as utopias falharam. As previ- DA VISÃO CRISTÃ DA HISTÓRIA lhemos o projecto de Deus, somos sões catastróficas em relação ao fu- Os cristãos acreditam que conti- capazes de fazer o impossível para turo, em vez de suscitarem alertas nua a avançar na história o sonho que outras pessoas encontrem ale- preventivos, vão-nos preparando de Deus sobre a Humanidade e so- gria de viver. psicologicamente para aceitar a bre o cosmos. Esse sonho pareceu A verdadeira obra de arte, aque- inevitabilidade da desgraça. Pelo brutalmente interrompido na cruz, la que faz reanimar em nós a vida contrário, a capacidade de encarar mas foi aí que se manifestou verda- que nem a morte pode dissolver, o porvir com esperança pode trans- deiramente a força da vida para lá constrói os seus alicerces no interior formar a presente crise numa bên- da morte. do coração, porque é aí que germi- ção mobilizadora de energias. As so- O acontecimento pascal aviva- nam as verdades não luções a inventar não são fáceis, pois nos a confiança de que a morte, que percepcionáveis pela inteligência os excessos de liberalismo apelam pertence ao tempo, não pode atin- analítica. Como nos adverte Bento a um poder regulador, que só será gir a vida que está para além do tem- XVI, na conclusão da sua mensagem legítimo se estiver verdadeiramente po. Não há nada de contraditório, quaresmal, só o coração pode aco- ao serviço de todos, coisa que não quando os cristãos, em nome desta lher a justiça “maior” do Amor, essa está a acontecer nos dias de hoje. esperança estimulante, se compro- respiração pneumática que leva o Todavia, as dificuldades tornam- metem na transformação concreta homem a sentir-se “mais devedor do se intransponíveis se deixarmos mor- da sociedade, sem caírem no logro que credor, porque recebeu mais do rer a confiança, já que, como intuiu das consolações fáceis. O Evange- que aquilo que poderia esperar”. A FIDELIDADE DE DEUS: ELE CUMPRE A SUA PALAVRA Uma reflexão de um grupo da Universidade Sénior de Castelo de Paiva, partilhada por Joaquim Soares Leitura de Génesis (17, 1 – 27): dência era necessária ao trabalho de rerá a uma subtileza: é vontade de Deus faz uma aliança com Abrão, pastores, à sobrevivência da tribo; a Deus? Assim, pela posse da terra, que será pai de uma longa descen- terra era indispensável às pastagens torna-se uma tribo sedentária... dência e possuirá a terra que ocupa – a riqueza da família, a força e a Há depois o problema da suces- como estrangeiro. Contra todas as defesa da tribo. são. Abraão reconhece que Sara está expectativas, Deus mantém a Sua Versículo 14 – A circuncisão era de idade avançada. Entretanto exis- palavra. Isaac será herdeiro da uma cerimónia praticada nos primei- te Isaac. Intervenção de Deus? Sim. Abrão, que passou a chamar-se ros oito dias da vida do menino. Sa- O que se passa é obra de Deus, não Abraão, e continuador da Aliança dismo do sofrimento? Marca a en- é obra de homens. A terra, o filho, com Deus. A Aliança tem um aspec- trada na vida que é sofrimento? são frutos da iniciativa de Deus. to social – a descendência numero- O sexo feminino era excluído des- É preciso defender a Fé no Deus sa, a posse da terra; e um aspecto te rito. Porquê? Uma excepção? Ig- único, preservar a Fé numa socieda- pessoal e social – a circuncisão. norância do aparelho genital? O de rodeada por povos politeístas. Por Versículo 1 – «Eu sou o Deus aparelho sexual da mulher é interior isso, impôs-se a circuncisão, que supremo.» Ou Omnipotente. Com ao corpo? implica a adesão pessoal, individu- os primeiros patriarcas, Deus é co- A circuncisão, rito exterior, simbo- al, da pessoa a Deus e à Lei. É uma nhecido exactamente pelo poder; liza a outra, a interior, do coração. identificação – o incircunciso seria com o povo de Israel, Deus mani- Versículos 15 a 21 – Sara signifi- erradicado dentre o povo. festa a Sua fidelidade às promessas. ca princesa. Deus altera-lhe o nome A mulher não e circuncidada, Versículo 3 – Abrão adorou o pelo mesmo motivo da alteração ao porque são um só pelo casamento Senhor: «Anda na minha presença nome do marido? Deus tira as dúvi- (cf. Gn 2, 24 Transmite-se a ideia cf. cf 24)? e sê perfeito», quer dizer: cumpre os das a Abraão: de facto Sara gerará de que a mulher é companheira pri- Meus preceitos, as Minhas ordens. um filho – Isaac – o herdeiro das pro- vilegiada do homem (ideia retoma- Abrão, por indicação de Deus, messas divinas. da de Gn 1, 27 27)? passa a chamar-se Abraão: ‘ab’ sig- «…Deus desapareceu de junto de Este casal em idade avançada nifica pai, e ‘raham’ multidão. É Abraão» – realizada a missão, Deus não desiste do que lhes é mais caro. encarregado de uma missão. Co- remete-se ao silêncio. E Deus acompanha-os, alimenta o meçou assim o seu ‘mandato’. Quererá Abraão mudar o curso sonho. Superam a crise. Isaac con- A Aliança traduz-se em descen- da vida, transformar o nomadismo firma-lhes a bênção de Deus. Os dência e posse da terra. A descen- em que até agora têm vivido? Recor- seus esforços tiveram resposta.www.fraternitas.pt * e-mail: secretariado@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: tesouraria@fraternitas.pt
  6. 6. 6 espiral Cinquenta anos alerta para servir com dedicação A luz que brilha, em girândolas de fulgor. Pastoral da Pontifícia Universidade de Salamanca, onde O rosto de um homem, que percorreu caminhos, me licenciei, apresentando uma tese sobre «Adolescen- Os mais variados, de Lardosa à Montanha Sagrada tes – caminho para uma educação libertadora». Já em Lisboa, licenciei-me em História, na Universi- O padre Afonso Ribeiro foi o meu herói, em peque- dade Clássica, e em Ciências Literárias, na Universida-nino. Queria ser como ele. Não consegui. Os seminári- de Nova. E continuei a aventura da educação na forma-os de Gavião, Alcains, Marvão e Portalegre foram luga- ção de professores e na gestão das escolas, como presi-res de encontro, formação, fé, amizades e cultura. Com dente do Conselho Directivo da Escola Secundária deos saudosos Eusébio e Tomás Farinha, subi ao altar, a Santa Maria, em Sintra, e director executivo da Ferreira12 de Julho de 1959: instante maravilha, rosa que ama- de Castro, em Mem Martins. Procurei ajudar a construirnhece, ideia que brilha e floresce. uma escola viva e solidária, em que se partilhavam ri- Fui secretário particular desse grande homem e bis- quezas, alegrias e dores, esperanças e amores, porquepo, D. Agostinho de Moura. Era um amigo e um apelo os jovens sentiam a aventura diária das aulas, visitas econstante de Deus. dos projectos, e viva e solidária porque os professores e Em 1960, começou a minha saga com os jovens, no pais tinham o seu lugar determinante.colégio diocesano de Santo António. Em 1965, fui no- Em 1999, com os meus irmãos José e António e al-meado director. Rompemos com velhas tradições, in- guns amigos (Guilhermina, Augusto e Gina), a prestimosatroduzimos a coeducação e a participação de todos na ajuda do presidente, Joaquim Morão, e da populaçãoresponsabilidade. Nasceram amizades, desenvolveram- local, lançamo-nos na grande aventura da construçãose segredos, brilhou o diálogo espontâneo e descobriu- de um Lar, na nossa terra, Lardosa. Depois de grandesse a beleza da comunidade educativa. lutas e sacrifícios, inaugurámos-lo em Novembro de Simultaneamente, vivi a aventura do escutismo. Fre- 2004, para gáudio e tranquilidade dos nossos idosos.quentei campos de formação em Braga, França e Ingla- E agora talvez possa dizer, com verdade, que deixeiterra. Como assistente diocesano, ajudei alancar os agru- algumas marcas nas areias do tempo. Plantei árvores,pamentos de Portalegre, Castelo Branco, Abrantes, escrevi livros e tenho dois filhos admiráveis: Manuel LuísAlpalhão, Gavião, Ponde de Sor, Tramagal, Mouriscas, e Inês Maria, e uma esposa, Maria de Fátima (Fatinha),Mação, Sertã, Proença-a-Nova, Alcaisn e Idanha-a- afável, generosa e carregada de humanidade.Nova. Já assistente-geral dos exploradores, realizámos,em Portalegre, o XII Acampamento Nacional. A Fatinha faleceu no dia 28 de Setembro de 2009, Embrenhei-me também, a fundo, no movimento dos vítima de cancro da mama. Suportou heroicamente aCursos de cristandade, dinamizando algumas dezenas doença, durante sete anos.nas dioceses de Lamego, Aveiro e Faro. Era uma mãe extremosa, amando e servindo os seus Quando em 1972 me dirigi a Segóvia, para frequen- dois maravilhosos filhos, o Manuel e a Inês.tar um Curso de Diálogo, estava longe de pensar no Era uma esposa solícita, a minha alma gémea, atentaimpacto que iria ter na minha vida. O Movimento por à minha missão de padre-professor. Para quê o celiba-um Mundo Melhor procura a renovação das comunida- to com uma mulher assim?des, a partir da base e de uma educação personalizada Era linda, generosa e carregada de humanidade.e humanista. Já integrado na equipa nacional, animei Estará, para sempre, no coração dos seus familiarescentenas de cursos por todo o país. e amigos. Há um tempo para tudo E vou continuar a fazer, fazer melhor, «não atacando, Em 1974, fui para Madrid frequentar o Instituto de não odiando, mas amando». Duar arte Manuel Duarte Luís INTERPRETAR SABER LER E INTERPRETARCelibato e Matrimónio Como interpretar tudo isto? Com certeza que, à se- Na defesa do celibato obrigatório, a Igreja, além de melhança do que se diz sobre o cortar a mão ou pé e1Cor 7, escuda-se também em Mt 19, onde os discípu- arrancar o olho, se eles forem ocasião de pecado oulos, face a tantas exigências na vivência matrimonial, escândalo (Mc 9, 42-50), também aquelas passagensconcluem que, então o melhor é não se casar. Jesus não devem ser tomadas à letra, com fundamentalismo.responde-lhes que isso é só para eunucos. E também no Trata-se do estilo oriental hiperbólico, mediante o qualrelato do jovem rico, no mesmo capítulo de Mateus, con- se tenta inculcar no ouvinte ou leitor a mensagem: evitarcluído com uma pergunta de Pedro «Nós deixámos tudo o mal, o pecado, o escândalo, mesmo com sacrifícios.e seguimos-Te, qual será a nossa recompensa?», res- Foi assim que o entenderam os Apóstolos, como seponde: «… sentar-vos-eis em doze tronos… E todo aquele deduz da forma como vivenciaram estas mensagens, nasque tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, mu- suas vidas. Caso contrário, Pedro, já ordenado, teria de,lher, filhos ou terras…» pelo menos, ter cortado a língua com a qual renegou
  7. 7. l espiral 7«O sacerdócio nunca foi um ónus» DEDICADO a vós nidade familiar – esposa e três filhos – e todos eles já Maria Cristina, com as respectivas esposas, ao serviço da sagrada cau- Pedro Miguel, Francisco João e José António, sa, e nos mais diversos meios de acção e missão. de quem Deus fez, para felicidade minha, Alegra-me, por isso, a grata notícia que recortei dos e na tarde da minha vida, jornais acerca do convite do bispo de Viseu, D. Ilídio uma abençoada alvorada do Céu Leandro, para um encontro com os sacerdotes da dio- Os últimos grãos de areia da minha ampulheta vão- cese que pediram dispensa das ordens sacras. É que,me lembrando que estou quase a ter 91 anos de idade, tendo predominado – e em muito – a condição e carizcom a gratíssima recordação de que o nosso saudoso e de uma Igreja de poder, saber e de ter, é mais do quesempre querido P e Filipe de Figueiredo foi comigo que . hora para se testemunhar a Igreja do ser: mais de ir-teve uma das primeiras conversas sobre o sonho-projec- mãos, e menos de senhores e de súbditos.to da nossa Fraternitas. Já colaborava com ele, ainda Não admira, por isso, que o santo João Paulo II jáno exercício da sagrada ordem do Sacerdócio, e conti- subscrevesse: um dia para se encontrarem «homens bons»nuou a mobilizar-me depois que pedi – e rapidamente teriam de se buscar entre muitos que «até já não pisamme foi concedida – a «recondução ao estado laical». o adro das igrejas». Ou mesmo entre muitos que, dizen- Recusei-me, então, a assinar o pedido de «dispensa do-se das mais estranhas filosofias, crenças e culturas,de ónus sacerdotal», como era da praxe, porque o sa- «são cristãos que se ignoram», como os qualificou Jeancerdócio nunca foi para mim um ónus, mas uma mis- Guitton.são. E em missão me mantive, por opção, como leigo Tem sido, no leque variado das minhas múltiplas fren-que voltei a ser, embora – e como ainda recentemente tes de trabalho e de missão, também minha esta surpre-se sublinhou em Jornadas sobre o Laicado – apesar dos sa e graça: quanta gente boa e de bem, e sem outropronunciamentos e documentos conciliares tanto subli- rótulo significativo senão só o de «fazer o bem», como onhassem a natureza do laicado e a missão dos leigos na bom samaritano!...Igreja, a verdade – e triste realidade – é que o laicado Ao esgotar-se a última areia da minha ampulheta,está por ganhar completa verdade. aos 91 anos, deixai-me que vos confidencie este meu Servi a Igreja, não hierarquia mas povo de Deus, em testemunho leal, amigo e fraterno. É como se fosse adoação total durante 30 anos, “pontificando” e olhan- minha mensagem para o feliz e abençoado retiro, reali-do do supedânio, como então ainda dos púlpitos, para zado em Fátima, mas a que as minhas dificuldades dea nave. E, depois, passei a olhar a Igreja, até agora, deslocação impedem de participar.mas anonimamente entre o povo da nave, olhando para De longe – mas com o coração muito perto de vós –o altar… E em que condições? As mesmas de qualquer vos saúdo a todos, bem como a Maria Cristina, estacristão anónimo. Apenas por graça da Fé. abençoada samaritana que Deus me fez encontrar na Contudo, nunca me deixei de sentir em missão – e vida há já 60 anos, e que tem sido, tanto ela como osnas mais diferente frentes – ao serviço da mesma sagra- meus filhos, a minha força para continuar a servir até aoda causa, e com não menos generosidade e variedade fim. São tantos os trabalhos que ainda tenho em mãos…de sectores de trabalho do que antes. E uma surpresa: nas Misericórdias, deram o meu Com uma particularidade que foi para mim a maior nome a um Centro de Documentação, Informação ebênção: antes, era eu só; agora é toda a minha comu- Estudos. Manuel Ferreira da Silva SilvJesus, etc. Sabemos que não o fez e, mesmo assim, foi nem considerou o sexo como fonte de pecado e de todoperdoado por Jesus. o mal como, tantas vezes, homens da hierarquia da Igreja E deixaram os Apóstolos as mulheres esposas? Não. pensam e fazem, porque impregnados de ideiasJesus curou a sogra de Pedro, já apóstolo seguidor de maniqueístas e quejandas! Pelo contrário, «Deus, vendoJesus (Mt 8,14): «E ela, levantando-se, pôs-se a servi- toda a sua obra, considerou-a muito boa» (Gn 1, 31).los.» Então Pedro era casado! Mas voltemos a 1Cor, capítulos indicados. Depois PARECER S. PAULO O PARECER DE S. PAULO de falar de forma tão apaixonada sobre a virgindade, Paulo, em 1Cor 8 e 9, faz idêntico percurso, ao pro- não é o mesmo Paulo que, traduzido por Ambrósio, diz:por a virgindade como forma mais excelente (?) de vida, «Numquid non habemus potestatem mulierem sororemmas mostrando que depois, na vida real, ela é quase circumducendi sicut et caeteri Apostoli, et fratres Dominiimpossível. Nem outra coisa seria de esperar, pois, a et Cephas? Aut ego solus, et Barnabas, non habemusprimeira comunicação bíblica de Deus com o Homem é potestatem hoc operandi?» [«Não temos o direito de le-a explicitação de algo que está gravado na própria na- var connosco, nas viagens, uma mulher cristã, como ostureza da criatura: «Abençoando-os, Deus disse-lhes: restantes Apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas? Ou“Crescei e multiplicai-vos. (Gn1,28). Não os amaldiçoou só eu e Barnabé é que não temos o direito de proceder (continua na última página)
  8. 8. espiral Boletim de Fraternitas Movimento | Trimestral | Redacção: Fernando Félix | Prac. Malmequeres, 4 - 3.º Esq | 2745-816 QUELUZ | E-mail: fernfelix@gmail.comVIDA FRATERNITA SVIDA FRATERNITA de Bouças/Cinfães), vítima de cancro nos intestinos. O Amaral está no último ano do estágio profissional, no Dia 3 de Dezembro: 13.º aniversário de Encontros Mestrado em Filosofia;Vivenciais (Autoconhecimento, Sacramentos e Bem- dia 20: Manuel Paiva (Oliveira de Azeméis) dá con-Aventuranças) na casa de Cristo Martins (Mem Martins); ta da bênção e inauguração de um espaço solidário dia 14: «Continuamos em diálogo sincero e leal com com o nome do pároco local, para fornecer refeiçõeso bispo de Angra. Os documentos para a dispensa che- aos pobres e àqueles que, por desemprego, sofrem pe-garão no próximo ano. Iniciarei Mestrado em Ciências núrias. Faz parte da direcção do Centro Social Paro-Sociais.» F.J.S.M., não sócio dos Açores. quial que promove a iniciativa. (…) E lançou um livro, Dia 2 de Janeiro: Maria de Lurdes Branco (esposa cuja receita reverte para estas obras paroquiais;de António J. Branco, de Chaves), fez já 8 operações; dia 22: operação do Vasco (Porto) a um aneurisma dia 6: Primeiro contacto de João Tavares, de na aorta, por cataterismo. Correu bem e a convales-Carvalhais e residente no Brasil. Padre (comboniano) cença aconteceu em toda a Quaresma;dispensado e membro do MPC, congénere à nossa as- dia 25: O presidente , Serafim Sousa, visitou o P e.sociação. Contacto: padrescasados@grupos.com.br; Guilhermino Saldanha em Chaves, onde se encontra dia 10: António M.M. de Sousa colocou pacemaker; no Hotel Geriátrico. «O estado dele é muito melhor. dia 11: José Alves Rodrigues e São continuam como Come por sua mão (esquerda ). Quando nos viu (...)soureiro e presidente da APN (As. Port. Doentes fez um sorriso de orelha a orelha (...). Ainda não fala.»Neuromusculares); Manuel Sousa Gonçalves (Bagunte/ Dia 1 de Março: Ana Vaz T. B. da Silva, da JunqueiraV. do Conde) e Armando Marques da Silva referem o (V. do Conde) comunicou que está viúva desde 8 demal-estar por causa da maleitas na próstata. Agosto. Manuel Baptista da Silva foi vítima de AVC; Dia 3 de Fevereiro: o filho de Lúcio e Bárbara Sousa Fevereiro: dia 2: um postal de D. Serafim Ferreira e Silva (Fá-(Cuba/Alentejo), Nuno, ordenado em 28.06.09, é pá- tima) – «Rezo por vós. Talvez nos encontremos em Abril»;roco em Mora; dia 9: José Sampaio Ferreira (Lisboa) continua com dia 4: faleceu o pai da Maria J. Bijóias, sogro do a ventilação/oxigenação 16 a 18 horas diárias;Fernando Félix (Massamá), após doença prolongada; dia 24: Francisco Monteiro (Lisboa) tem andado com 6: dia 6 faleceu o pai de António R. Amaral Pinto (Cruz problemas de saúde e pede orações. Celibato e Matrimónio (continuação) O celibato é uma instituição humana não intrínsecadesse modo?»] É, pois evidente, que, de tal forma Paulo e obrigatoriamente ligado àquele ministério, como seafirma que os Apóstolos eram casados com uma mu- viu pelas citações feitas da Palavra de Deus.lher irmã-cristã, que até salienta – na sua perspectiva de É que não se trata de um preceito divino como ovirgindade – um certo escândalo para si por não só al- «Crescei e multiplicai-vos», mas tão-somente de um dosguns apóstolos, mas até os irmãos do Senhor (Tiago e chamados “conselhos evangélicos”, que Jesus procla-João?) e próprio Pedro serem e viverem casados. mou para todo e qualquer discípulo Seu, à semelhança E é como se dissesse mais: eu, sendo apóstolo, se das Bem-Aventuranças.não sou casado é porque não quero. Nada mo proibia. Face a carestia da Eucaristia, que a Igreja tinha porSó que tenho tendência para ser eunuco, talvez devido obrigação proporcionar a todo o Povo de Deus, nãoà minha formação rabínica. Quem sabe se não seria será isto um pecado contra o Espírito Santo? Não seráeste o espinho, o anjo de Satanás, que atormentava a reger-se por regras humanas, que nem sempre foramvida de Paulo! assim, e tantos distúrbios e escândalos têm causado aos DA USO DA IGREJA fiéis, como ultimamente se tem visto? Como se pode No compêndio, com todas as aprovações canónicas considerar pecado actos ou situações de vida que, se-e adoptado pelo Seminário de Coimbra nos finais da gundo cremos, na perspectiva de Deus e de Jesus, nun-década de 1960, por onde estudámos a Primeira Carta ca o foram nem nunca o serão: o amor e a família? Sóaos Coríntios, os autores, talvez libertos um pouco já, se for pelo comportamento farisaico da exterioridade,pelo Concílio, das camisas de força hermenêuticas an- tão exorcizado por Jesus.teriores, interpretam do seguinte modo: «4-6 … Una QUANT AO ANTO E QUANTO AO “DEIXÁMOS TUDO”? TUDO”?mujer hermana: una cristiana. Mujer…: puede tomarse Também não será de levar tanto à letra. Não é ver-en sentido próprio de esposa o de mujer en general. En dade que eles continuavam com barcos disponíveis e ael contexto cuadra mejor el primer sentido. Paulo podria exercer a profissão de pescadores, mesmo após orde-haberse casado y llevar consigo su mujer…» (LEAL, Juan nados, e depois da Ressurreição de Jesus?e outros, La Sagrada Escritura, Nuevo testamento II Além das diversas referências aos barcos de traves-Hechos de los Apóstoles y Cartas de S. Paulo, p. 405, sia, com ou sem mar encapelado, não o prova, segun-segunda edicion, B.A.C. Madrid 1965). do Jo 21, a aparição de Jesus Ressuscitado nas mar- E o que dizer do facto de Paulo afirmar, não só em gens do Lago Tiberíades, após uma noite infrutífera de1Tm 3 mas também em Tt 1, que entre as qualidades pesca para Pedro e companheiros, com a bênção deexigidas ao bispo, ao presbítero e ao diácono, é impor- uma rede a abarrotar de tanto peixe que quase se ras-tante que eles sejam homens de uma só esposa (unius gava, numa segunda tentativa, às ordens do Mestre, queuxoris virum), «pois se alguém não sabe governar a sua foi necessário chamar os outros barcos?casa, como cuidará da Igreja de Deus?»… neves fernando neves

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