Espiral 20

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Espiral 20

  1. 1. espiral boletim da associação FRATERNITAS MOVIMENTO Nº 20 - Julho / Setembro de 2005 TEMPO DE FÉRIASEsperado com uma certa ansiedade por muitos, desejado por profunda realidade de membros da Fraternitas. Se assim for,todos, nem sempre o sabemos aproveitar em todas as suas estamos ambos a perder o nosso tempo: eu a escrever e vós apotencialidades. Corremos o sério risco de chegar ao fim e ler. Não é justo, e por isso gostaria que encarásseis apenasnos encontrarmos tanto ou mais vazios do que quando as esta minha reflexão como uma partilha fraterna daquilo que acomeçámos. E pos-sivelmente nem sequer nos encontraremos mim próprio me faz pensar neste momento.mais repousados, mais libertos, mais reforçados, maisdisponíveis para um novo ano de trabalho. Claro que não somos diferentes dos outros, quaisquer que eles sejam, mas há na nossa história de vida alguma coisa deE porquê? Claro que não há receitas mágicas nem pro-gramas específico que não podemos ignorar. Como casais cristãosinfalíveis. O que nos falta sobretudo é profun-didade naquilo com um passado muito concreto, há valores de cultura,que fazemos, e as férias são um bom teste para a nossa espiritualidade e visão da vida e do mundo que temos umacapacidade interior. Senão vejamos. obrigação imperiosa de pôr em comum com muitos que nos vão rodear neste período de férias. E seria uma pena que nãoE ou não verdade que durante o ano nos falta tempo pa-ra o fizéssemos, como seria uma pena ainda maior que não nosconviver, para nos extasiarmos com tanta coisa bela que a procurássemos enriquecer com as vivências daqueles comnatureza nos oferece, para termos conversas inte-ressantes quem tivermos oportunidade de conviver. Quantas e quantascom gente interessante, para lermos livros que nos ajudam a vezes as conversas em que participamos podem ter um rumoreflectir ou simplesmente nos descansam, para fruir da vida (continua na pág. 2)familiar e de amizade, e para conversar calmamente comDeus? Então nas férias, porque não nos organizamos um poucopara desfrutar disso tudo com serenidade? Sumário:Alguém pode estar a ler estas palavras e pensar que não passam Novos Sócios | Breves... | Quotas 2de lugares comuns, e que nada têm a ver com a nossa mais Padres casados com fé na abolição do celibato 3 Aquela ponte! | Grito 4 CURSO FRATERNITAS XII Encontro Nacional da Associação Fraternitas 5 Fátima, 11 a 13 de Novembro de 2005 Habemus papam? 6Tema: QUE PROCURAMOS EM IGREJA? Cartas... | Ecos do Espiral 7 Orientador: Doutor JOÃO DUQUE (UCP BRAGA) , Dentro da Igreja!... E fora da Igreja?!... 8 Inscrições: Secretariado da Fraternitas
  2. 2. 2 espiralTempo de Férias deve dar espaço para O podermos escutar serena-mente?(continuação da pág. 1) Porque não entrarmos com recolhimento e devo-ção neste imenso templo Seu, que é a natureza que nos rodeia, espanta,de seriedade e reflexão que as torne diferentes do mero bate- serena ou interpela, de coração aberto e olhos límpidos, e nospapo sem interesse. E pode estar nas nossas mãos fazê-las sentirmos parte integrante deste mundo espantoso em que Eletomar rumos mais positivos, discre-tamente, naturalmente e nos faz viver, sentindo que na nossa pequenez somos tambémsem qualquer presunção.Aqui-lo que estudámos, reflectimos, com Ele formadores do Reino que há-de vir, mas que já é?lemos, orámos, rejubi-lámos ou sofremos, pode perfeitamentedar aos nossos contactos de férias uma dimensão mais rica e Um livro, uma música, um encontro, uma conversa, um afecto,positiva, sem beliscar sequer o ambiente descontraído e sereno tudo podem ser momentos de oração e contem-plação quedeste tempo mais livre de formalidades e normas que o resto nos deixarão mais cheios e fortes, prontos para enfrentar novasdo ano. Porque não experimentar? tarefas e comprometimentos no ano que depois disto vai começar. Mas procuremos não viver tudo isto sozinhos, talvezMetidos na vida profissional “stressante” e citadina, a maior como em tempos passados da nossa história de solidão.Agoraparte do tempo nem podemos sequer ver a natureza tão diversa que somos casal (e neste momento não posso deixar de pensare bela que nos rodeia. Porque não aproveitar estas semanas naqueles e naquelas que este ano perderam a presença físicaespeciais para nos delei-tarmos com ela, para descobrirmos doseucônjuge…masqueosentirãopresentedoutrafor-ma…),novas maravilhas, com um olhar e um coração que temos a possibilidade e o dever, a alegria e o prazer de viverprovavelmente perdemos desde a nossa extasiada mas já isto em conjunto, com a Mulher, com o Marido, com os Filhos,longínqua infância? uma mais-valia que é um dom inestimável que tantas vezes não sabemos apreciar devidamente!Pressionados por horários, compromissos e afazeres, duranteo ano nem temos tempo para orar com paz e frontalidade face Boas Férias para todos e até ao nosso regresso. Deus fiqueao nosso Deus, sempre desejoso de conversar connosco. E connosco, e nós O saibamos sentir em cada momento!agora que estamos menos espartilhados por horários rígidos emassacrantes, porque não entabular um diálogo, olhos nos Vasco Fernandesolhos com Ele, e fazermos em nós aquele tão raro silêncio que b r e v e s . . . NETOS (b): PRÉMIO NETOS (a): Também o Luís e Eduarda Cunha, nos- INTERNACIONAL: O Carlos Leonel, da Direcção, e a Ma- sa Secretária, estão naturalmente mui- O Alberto Videira, autor do nosso ria Guilhermina estão muito gratos a to felizes e babados pelo nascimento logótipo, obteve o 2º Prémio Inter- Deus pelo dom de mais uma netinha. da Mafalda. nacional de Arte em Pequim, China. Felicidades. Vida longa e venturosa . Muitos Parabéns! Novos Sócios da FRATERNITAS QUOTAS Agradecemos o favor de serem pagas as quotas Nº 104 -ANTÓNIO JÚLIO SAMPAIO VERÍSSIMO e DILCARINA RODRIGUES para o nosso Movimento. VERÍSSIMO A única fonte de receita são os nossos contributos e, quando faltam, o Nº 105 -FERNANDO JORGE FÉLIX FERREIRA e MARIA JOSÉ BIJÓIAS MENDONÇA tesoureiro vê-se em apertos...
  3. 3. espiral 3 considera o “celibato belo e um óptimoPadres casados testemunho de Deus”. Para o antigocom fé na abolição do celibato* padre “trata-se de uma questão disci- plinar da Igreja, e não teológica e de fé” e como tal, “a sua obrigatoriedade devia ser repensada”.Religião. O celibato é uma das encontro, “onde se possam sentir Com a mudança na liderança da Igreja,principais razões que levam os padres a compreendidos e encorajados”, lê-se no a questão volta a estar na ordem do dia.pedirem dispensa do exercício do site da associação. O Presidente da Fraternitas não temministério. A Fraternitas é uma Sem ter saudades daquilo que foi, Vasco dúvidas de que “é muito cedo para preverassociação composta por cerca de cem Fernandes diz que “desempenhou o como vai ser o papado de Bento XVI”,padres que abandonaram o papel de padre com toda a sinceridade”. ainda assim mostrou esperança em quesacerdócio para constituírem Mudar de vida foi uma tarefa facilitada as coisas evoluam nesta matéria. “Estoufamília. pelo apoio familiar, todavia não esconde expectante e não acho impossível um um sorriso perante a perspectiva de rumo diferente do actual”, disse.Vasco Fernandes foi padre jesuíta exercer novamente o sacerdócio, casodurante 22 anos. Hoje é presidente da fosse possível. A questão do celibato é,Associação Fraternitas, uma entidade de sem dúvida, um ponto sensível para os * SANDRA CARDOSOpadres dispensados do exercício do padres dispensados. Vasco Fernandes scardoso@destak.ptministério. Depois de ter sido missionárioem África, padre/operário em Paris e CELIBATO – A OPINIÃO DA IGREJAprofessor em colégios, sentiunecessidade de mudar o rumo da suavida: a solidão e falta de afectividade Contra. A Favor.eram difíceis de suportar. Enviou o “O celibato tem de ser urgentemente Para o padre José Cardoso “celibato épedido de dispensa para o Vaticano banido como lei obrigatória, porque é um dom de Deus, tal como oalegando motivos de ordem pessoal. A um atentado aos direitos humanos” A casamento”. Encara a sua opção comresposta foi rápida. Um ano e meio opinião é do Padre Manuel Vilas Boas naturalidade, visto que foi fruto de umdepois estava casado. Hoje tem 70 anos, que considera que a sua abolição grande período de reflexão edois filhos e afirma sentir-se realizado. discernimento. “Foi uma opção “aumentaria a saúde psicológica dos sacerdotes”. O Padre considera a pessoal, sinto-me feliz, não me imaginoComo Vasco Fernandes outros padres casado”, explica ao Destak. O Fraternitas “uma associação de boasentiram a necessidade de ponderar a eclesiástico não vê o celibato como um vontade, mas que não resolve ossua decisão. Com nove anos de “dogma”, explica ao Destak, problemas” e acredita que estes padresexistência a Fraternitas conta com cem relembrando que os padres não sãomembros e é reconhecida pela voltariam ao sacerdócio se a Igreja o permitisse. “A Igreja mostra-se celibatários desde o início, ainda assimConferência Episcopal. não acredita numa mudança na prepotente ao não aceitar o trabalho de legislação quanto a este ponto. “Trata-O facto de alguns padres abandonarem padres preparados, que se mantêm -se de uma questão mediática, maso sacerdócio para constituírem família quietos, mudos e surdos”, acusa. dentro da Igreja não é um problema”,está normalmente associado à ideia de Relativamente à posição do Sumo reflecte e acrescenta que “acabar comchoque com a Igreja, mas nem sempre Pontífice em relação à questão, Vilas o celibato não traz mais vocações nemé assim. “A Fraternitas não te um papel Boas diz que “Bento XVI não tem o fim dos escândalos sexuais quecontestatário” revela o presidente ao capacidade para fazer uma alteração envolvem membros da Igreja porqueDestak e sublinha “somos Igreja”. Os da lei” e sustenta que “só um Papa do essas questões são problemas deobjectivos do organismo são ajudar 3º Mundo o poderá fazer”. formação”.espiritualmente os seus membros,proporcionando-lhes um espaço de * (textos retirados do jornal diário de distribuição gratuita Destak)
  4. 4. 4 espiralAquela Ponte!(No aniversário da queda da Ponte Hintz Ribeiro, em Entre-os-Rios) E já lá vão quatro anos. Memória? região olhavam e não viam. Não viam razões, com as suas vastas e profundasSaudade? A velha Ponte de Entre-os- os sinais de fraqueza? Ou não queriam ideias de homens importantes e não viam-Rios, Hintze Ribeiro, soçobrou às ver? E quando se associam os “media” os sinais de velhice que a velha e cente-cheias, às tormentosas correntes, aos então é que os homens ficam desnor- nária Ponte não escondia: o piso, o supor-maus tratos de longos anos… Rebentou teados, cegos… “Os homens só vêem te, os pilares, a ferrugem, os buracos, ode velhinha! Não aguentou a passagem na medida dos seus interesses…” Este leito do rio, a extracção das areias, ade um autocarro… problema é grave! Os homens impor- responsabilidade irresponsável dos que Era uma vez a Ponte!... tantes, circunspectos… só olham coisas deviam e tinham responsabilidade pela A velha Ponte, já mostrava sinais importantes. E não olharam a Ponte! conservação e responsavelmente de-de cansaço. Os homens, os responsáveis, Serviam-se constantemente dela, viam zelar pelo seu bom estado deos homens sérios deste país e da nossa argumentavam nas suas vastas e eruditas ponte… Depois… conclusão douta dos mais entendidos na matéria: causas naturais. Pois… porque não? Se a água corre para GRITO níveis mais baixos… se é Inverno… se a torrente é tumultuosa… se a lei da gravidade é real… se o poder erosivo Quantas vezes vou desesperando!... das águas é evidente… se o autocarro Lembro então a palavra de Amor escolhesse outra hora de passagem… que em minh’alma rebrilha e cintila, se os interesses fossem outros… se se em apelo p’ra Ti, meu Senhor. cuidasse das coisas públicas com cuidado e carinho… se quem tem o dever Essa estrela é Luz e é Fé de zelar, zelasse… se se pudesse mudar que ao meu peito aquece e se inflama, a história… oh! hoje, felizes, em torrentes de Luz e Esp’rança: celebraríamos mais um aniversário da quem confia e espera é porque ama. velha Ponte Hintze Ribeiro. Como o “se” é condição, neste Quanto mais cintilante essa Luz caso irredutível… não podemos mudar no recôndito brilha e aquece, o curso à história. Lamentar é a solução o meu todo oscila, estremece, dos fracos. E não estamos sós! … Preferia prevenção, responsabilidade e, na noite, Te grita, Jesus, assumida de quem governa e de quem bem ardente e sentida esta prece: julga … e muitas graças daríamos a “Só o Teu Sol no meu ’scuro reluz!” Deus que nos tinha enviado homens sábios, capazes de dar o progresso A. de Oliveira Marinho merecido a esta tão martirizada terra! Elvas, 03.09.2004 J. Soares
  5. 5. espiral 5e c o s d o . . . . . . xii encontro nacional da associação fraternitas movimentoDe 22 a 25 de Abril de 2005 teve lugar Direcçãoem Fátima, na Casa de N.ª Sr.ª do Carmo, Presidente – Vasco Jorge Santos Fernandes (Porto)o XII Encontro Nacional daAssociação Vice-presidente – Carlos Leonel Pereira dos Santos (Lisboa)Fraternitas Movimento com a presença Secretária – Eduarda Garcia de Oliveira e Cunha (Viseu)de oitenta participantes. Tesoureiro – Serafim Rodrigues (Cinfães)Do programa constava uma parte Vogal – Salomão Duarte Morgado (Porto)formativa – que tem sido uma constanteem todas as reuniões deste género – e a Mesa da Assembleia Geralreunião da Assembleia Geral da Presidente – Jacinto de Sousa Gil (Leiria)Fraternitas para o cumprimento das Secretário – Manuel Batista Calçada Pombal (Viana do Castelo)exigências estatutárias e para proceder Vogal – Alípio MartinsAfonso (Chaves)à eleição dos corpos gerentes da Conselho Fiscalassociação para o próximo triénio. Presidente – José Serafim Alves de Sousa (Lisboa)A parte formativa, que percorreu todo o Secretária – Cibele da Silva Carvalho Sampaio (Chaves)encontro e foi orientada pelo sócioArtur Relator – Luís da Luz e Cunha (Viseu)da Cunha Oliveira, tinha como tema “S.Mateus — o Evangelista do Ano A”. Logo após a eleição destes titulares, teve momentos de oração, celebraçãoBaseado num livro de sua autoria com lugar a cerimónia da tomada de posse eucarística pelo P. João Caniço eeste título, o Artur, para além de desen- dos respectivos cargos, posse que lhes momento de arte e cultura pelo colegavolver os assuntos a tratar, organizou foi conferida pelo Presidente da Francisco Fanhais. Todo o encontro foitópicos específicos para o trabalho de Assembleia Geral cessante. um saudável convívio entre todos.grupos, moderou criticamente as conclu- No seu conjunto, este encontro foi uma Também não foram esquecidos ossões dos grupos, respondeu a questões, jornada de muitas horas, com longos e ausentes nem aqueles que Deus jáesclareceu dúvidas, tirou conclusões. agradáveis momentos de estudo, chamou para Si.Na tarde de domingo, dia 24, reuniu aAssembleia Geral para tratar os váriospontos da agenda. Começou pelaapreciação e votação do relatório econtas relativos ao ano de 2004, do planode actividades para 2005 e da corres-pondente previsão orçamental, docu-mentos que foram aprovados por unani-midade.Aprovou também uma propostade aumento da quota anual, bem comoum donativo de •500 à Fundação CónegoFilipe de Figueiredo, de Estarreja, comohomenagem ao nosso fundador eassistente.Por último, procedeu-se à eleição doscorpos gerentes da Fraternitas para opróximo triénio. Como resultado, os Mangas arregaçadas, pose desportiva... Parecem de férias, mas não! Estão aqui é para trabalhar! São o rostonovos titulares são os seguintes: da Fraternitas: a nossa Direcção eleita para este triénio.
  6. 6. 6 espiral Habemus Papam? Não, com Bento XVI, quem sabilidades e (talvez ao contrário do seu docente foi ele. Portanto, é lícita algumaassumiu o leme da Igreja não foi antecessor) também humilde, ele assu- ansiedade por saber se e de que modoseguramente alguém que pudesse ser um miu com extrema seriedade este dever esta faceta do seu carácter vai sobressair“Pai” para os padres casados e suas de defesa contra desenvolvimentos que, nesta sua nova função.mulheres. Com maioria de razão sob a a seu ver, contenham algo de perigoso.sua direcção nada mudará no que Ainda na homilia da eucaristia de Neste contexto seria interessante erespeita à obrigatoriedade do celibato. abertura do conclave foi central a adver- importante lançar um olhar rectros-Seria, aliás, ingénuo lamentar, pura e tência contra o “individualismo” que ele pectivo não só para o Ratzinger prefeitosimplesmente por este motivo, a decisão equipara ao egoísmo. da Congregação para a Doutrina da Fé,pessoal do conclave: com qualquer outro mas também para o anteriormente bispocandidato seria exactamente a mesma de München und Freising. De qualquercoisa. maneira não se conhecem desse tempo Se houve um docente nenhumas medidas restritivas sensacio- É, no entanto, fundamental ser-se nais do género das que, naAlemanha de de teologia quecauteloso nos prognósticos sobre as hoje, são habituais para alguns bispos de soubesse transmitirconsequências desta eleição papal. nomeação de João Paulo II.Compreensívelmente os comentadores não sópartem da actuação de Ratzinger conhecimentos sobre Já por força da sua idade, Bentoenquanto prefeito da Congregação para a fé, mas também XVI será um papa de transição;a Doutrina da Fé. Neste cargo era tarefa alegria na fé, esse provavelmente foi o que pensaram ossua intervir contra desvios (factuais ou docente foi ele. seus eleitores. Justamente neste últimosupostos) da doutrina da fé católica; o Portanto, é lícita quarto de século João Paulo II permitia,sistema está totalmente orientado para a alguma ansiedade se não mesmo forçava, que, nadefesa. percepção pública, a Igreja se identi- por saber se e de que ficasse cada vez mais com a persona- modo esta faceta do Seria, aliás, ingénuo lidade do papa. Disso ela tem de come- seu carácter vai çar por se refazer. O que é que está pro- lamentar, pura e sobressair nesta sua priamente contra a que nesta situação o simplesmente por nova função. papa Bento XVI tenha sido a escolha este motivo, a certa? decisão pessoal do conclave: com Como papa, ele já não se pode qualquer outro limitar a uma atitude de escrupulosa e Ernst Sillmann, candidato seria constante prontidão defensiva.Aliás, ela presidente da VkPF exactamente a não corresponde ao seu perfil intelectual. (associação alemã dos padres mesma coisa. As suas aulas em Tübingen tinham um católicos casados e suas esposas). estilo totalmente diferente. Se houve um 21 Abril 2005. docente de teologia que soubesse Porque Ratzinger é um servidor da transmitir não só conhecimentos sobre a [origem: http://www.nwn.de/vkpf/sua Igreja consciente das suas respon- fé, mas também alegria na fé, esse aktuelles.htm]
  7. 7. espiral 7 Cartas... Quando recebo o “Espiral”, não otrato como mais uma publicação à espera reflexão dialéctica entre o nosso Vê-se que o Espírito Santo estáde tempo para a ler. Leio-o imedia- Movimento e a Igreja (nas suas connosco!tamente, como carta de um amigo ou estruturas), sobretudo, no seu caminhar. J. Silva Pintoamigos, e logo destes, de vós!... [...] Entretanto, eu continuo, em acto de Fé, A escritura diz (mais ou menos) que a afirmar: “Creio na Igreja, Una, Santa, N. E.: Esta carta, assaz longa, do nosso“o homem de Deus tira, do seu tesouro, Católica, Apostólica e Romana”. [...] amigo e companheiro Silva Pinto, jácoisas novas e velhas...”. Foi o que fez o Estas “cartas”/Espiral são sempre há bastante tempo que estava em nossoSimão. [...] Conheço-o bem e sei que bem-vindas. Mas, não poderiam ter sido poder, esperando oportunidadenão perde “pitada” para fazer um acto enviadas mais cedo? Desculpa, Osório! (= espaço) para ser publicada. Comode Fé: “Deus anda por aí”! [...] Parabéns aos irmãos, autores e simpaticamente nos autorizou a fazer Algumas das suas afirmações [do editores — e não são poucos —, pela “cortes”, partilhamo-la agora comJoão Simão] poderão servir para uma qualidade e oportunidade dos temas! [...] todos.e c o s d o . . .“... Agradeço a oferta do Boletim e “...a agradecer mais um número de “Recebi os dois números de Espiral quefelicito-o [Vasco] pela confiança Espiral e a solidarizar-me, na comunhão muito agradeço. Permite-me contactardepositada na sua pessoa pelos membros de Igreja, com o que o Vasco tão com uma realidade viva da nossa Igrejada Associação, e faço votos para que rectamente sublinhou no Editorial. Só e acompanhar os caminhos dapossa ajudar todos a encontrar o seu com Comunhão e Amor do Evangelho, Associação com fraterna estima e atentalugar na Igreja, como membros de pleno e com as pessoas concretas do nosso oração.”direito, sempre prontos para o serviço dia-a-dia, é possível dar “razões de Carlos Azevedoaos irmãos.” Esperança” É necessário escrever, com- António Vitalino prometendo-nos com este serviço de Honra! Desejo a todos a prossecução feliz duma caminhada-movimento onde a fraternidade é sinal e fascínio. Não há melhor carta de apresentação!” Januário Torgal Ferreira“Venho agradecer-lhe o “Espiral” que li . . . espiralde fio a pavio como sempre. Convenço--me que nada lhe vai faltar paracontinuar no mesmo ritmo. Que o nosso “Agradeço ao novo presidente deDeus os abençoe e que o vosso e nosso Fraternitas o envio do Boletim, com vo-desejo se tornem quanto antes numa tos de que continue a ser um bomatitude da mãe Igreja.” instrumento de ligação e formação.” Manuel Martins Manuel Falcão
  8. 8. DENTRO DA IGREJA!... E FORA DA IGREJA?!... ou contar-vos hoje uma pequena história de Estou a falar do perdão. Entrosados numa cruel «lei de Maurice Bellet: Talião» que nos comanda desde a família até à profissão e à Houve uma vez um grande política, falta-nos a coragem de viver uma das evidênciasCongresso de musicólogos. Por isso o tema era a música. Os mais incontestadas do Evangelho, como é o perdão! Podemparticipantes foram tão numerosos quanto eminentes. Houve dizer-me que se insiste exageradamente nesta falta dediscursos até fartar, colóquios subtis, mesas-redondas, coerência entre o que se diz e o que se faz. Mas tem mesmoconferências de imprensa, resmas de papéis policopiados, e que se insistir. É esta incoerência que provoca as maioresaté textos impressos. desilusões na vida de quem procura a felicidade. Quando não No conjunto o Congresso foi um êxito! Só parece ter há um ponto de referência na vida, cai-se na satânica confusãodestoado um pequeno incidente: No decurso de uma sessão de não se saber já o que se quer. E a infelicidade é isso: nãoplenária, alguém começou a tocar flauta! Tentou-se fazê-lo sabermos o que queremos, e matarmo-nos por o conseguir! Écompreender que devia acabar imediatamente com esse som luta de náufragos!... Ora vejam:inoportuno. Mas, inconsciente ou cínico, ele não entendeu. Jesus estava, um dia, em casa do fariseu Simão, que OFoi preciso fazê-lo sair. Porque as coisas são o que são: não convidara para um jantar. Entrou na sala uma pecadora, queconvém que a música perturbe algo de tão sério como a todos conheciam... Pesado como chumbo, caiu um silêncio,musicologia!... quase tétrico, naquela sala! Era uma mulher e, ainda por cima, É a história da incoerência e da contradição. Vou aplicá- pecadora! Para os homens daquele tempo (e para os de-la à nossa vida concreta. hoje?!...) era inadmissível tal atrevimento!... Mas ela avançou, Imagino-me numa igreja. Ressoa, pelos venerandos corajosa, sem pedir licença a ninguém! Atravessou a sala eespaços, uma límpida cascata de vozes convictas, ritmadas, foi cair de joelhos aos pés de Jesus! Não disse nada. Nãopossuídas da alma das palavras. A oração é simples, como é pediu nada, porque aquele gesto, na sua mudez, dizia tudo! Ossimples o diálogo com Deus: É o «Pai Nosso». E o eco das olhares esquivos dos presentes rezaram-lhe a sentençavozes da assembleia esvoaça, de mansinho, pelo vasto templo: condenatória! Quantos, que agora a condenavam, a tinham«Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a procurado, aumentando-lhe o fardo dos seus pecados?!...quem nos tem ofendido»... Depois vem o abraço da paz, que Sentiam-se incomodados ali!...pretende ser símbolo da nossa união com Deus e com os O homem nunca é tão grande como quando se ajoelhaoutros. Há um misto de silêncio e de festa, em sorrisos, a diante de Deus! E aquela mulher tornou-se tão grande queciciar um desejo: «A paz de Cristo esteja contigo». Tudo esmagou todos os presentes com a sua coragem. Todos não!...parece um claro compromisso!... Jesus falou e acolheu essa mulher, oferecendo-lhe o perdão Mas chega o momento de sair da igreja e entrar no que só ela entendeu. Para os restantes não passou de umconcreto da vida. Aí começa a contradição! Agora já o coro é exotismo sem sentido nem etiqueta.diferente! No congresso de música não se devia tocar flauta, Os discursos, as palavras, que hoje pronunciam tantoscomo na vida já parece não se dever ser cristão. Quantos de que não as vivem, também as sabiam os presentes naquelenós teremos a coragem de repetir, em gestos concretos, no jantar. Mas não haviam descoberto esse fio de música mágica,nosso dia-a-dia, o que expressamos em palavras, dentro da que era, afinal, o segredo da alegria e de humanidade. Esseigreja?!... Será que o cristianismo não passa de palavras fio é o perdão.bonitas, entaipadas dentro dos templos?! Vamos a ver se, ao menos nós, que cantamos e rezamos em casa e na igreja, somos capazes de aprender a lição: «...Assim como nós boletim da espiral associação fraternitas movimento perdoamos a quem nos tem ofendido»... Vale a pena pensar nisto!... Para não Rua Lourinha, 429 - Hab 2 4435-310 RIO TINTO Responsável: Alberto Osório de Castro fazermos de palhaços idiotas!... e-mail: a-osorio-c@clix.pt Nº 20 - Julº/Setº de 2005 Manuel Paiva

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