Espiral 56

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boletim da Fraternitas Movimento de outubro/dezembro 2015

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Espiral 56

  1. 1. Nº 56 - Outubro / Dezembro de 2015 b o l e t i m d a F R A T E R N I T A S M O V I M E N T O A conteceuem Madrid,de29 de Outubro a 1 de Novembro, o Congresso InternacionaldaFederaçãoEuropeiade PresbíterosCatólicosCasados (FEPCC). A Fraternitas esteve representada pela atual direção,com exceção do Joaquim Soares. Foi para nós uma lufada de ar fresco, quer pela frescura atmosférica, quer sobretudo pela profundidade e audácia do tema do congresso: "Presbíterosemcomunidadesadultas". Neste sentido, foi preciosa a ajuda dos dois conferencistas convidados: Sílvia Regina de Lima Silva, Teóloga, do Departamento Ecuménico de Investigações, Costa Rica; e J. Antonio Estrada, Teólogo, da Universidade de Granada. Quer a primeira quer o segundo procuraram dar o seu precioso contributo para uma reflexão e uma ação mais maduras na prossecução do que tem sido o pensamento da MOCEOP (Movimento para o celibato opcional),desdeháquarenta anos. É um caminho e um processo, pois não existe um sem o outro. E se inicialmente o movimento contestou a obrigatoriedade do celibato para os presbíteros católicos, atualmente a reflexão e a prática, em fidelidade evangélica, caminham cada vez mais no sentido de as próprias comunidades cristãs serem o lugar teológico onde precisamos reinventar a nossa forma de pertença. Para que a maturidade e a adultez sejam vida vivida é preciso que as comunidades sejam protagonistas da sua existência, buscando no EvangelhodeJesusCristoarespostaparaaspessoas de hoje. OEspírito de Jesus Cristo é o mesmo para todos e, por isso mesmo, dá a cada um algo único paraoenriquecimentodacomunidade.Ondeexiste espaço e tempo para a partilha dessa riqueza em celebrações frequentemente "pré-cozinhadas", apressadas e anónimas? Precisamos pensar e agir. Fazermos como o caracol, que vive, lentamente, entre dois movimentos: o centrífugo e o centrípeto; o da interioridadeeodaexterioridade;odaMariaeoda Marta, irmãs de Lázaro, de quem Jesus era muito amigo. Também queremos ir renovando a Fraternitas, para que ela possa ir sendo uma ajuda na resposta de amizade a Jesus. Pessoalmente, cada um e em comunidade. Luís Carlos Lourenço Salgueiro A MATURIDADE E A ADULTEZ O Pactodas Catacumbas 2-3 DoDiário,apropósitoda“CasaComum” 4 VentosNovos! 4 Ecosde... EncontrodeFormação Testemunhos 5-6 EcosdoEncontro 6 FormaçãonaFraternitas-Movimento 7-10 VIICongressodaFederação EuropeiadePCC PadresemComunidadesAdultas 12
  2. 2. 50 anos. O ''Pacto das Catacumbas'' para uma Igreja serva e pobre No dia 16 de novembro de 1965, há 50 anos, poucos dias antes do encerramento do Vaticano II, cerca de 40 padres conciliares celebraram uma Eucaristia nas Catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade ao Espírito de Jesus. Depois dessa celebração, assinaram o "Pacto das Catacumbas". O documento é um desafio aos "irmãos no Episcopado" a levar adiante uma "vida de pobreza", uma Igreja "serva e pobre", como sugerira o Papa João XXIII. Os signatários — entre eles muitos brasileiros e latino-americanos, embora muitos outros tenham aderido ao pacto mais tarde — comprometiam-se a viver em pobreza, a renunciar a todos os símbolos ou privilégios do poder e a pôr os pobres no centro do seu ministério pastoral. O texto teve uma forte influência sobre a Teologia da Libertação, que surgiria nos anos seguintes. O Pacto das Catacumbas foi assinado por 42 Bispos de 25 países, representando os cinco continentes. Um dos signatários e propositores do pacto foi Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife. Eis o texto: Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as deficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado; contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda a determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça, comprometemo- nos ao que se segue: 1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20. 2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre Act 3,6. Nem ouro nem prata. 3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s. 4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7. 5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15. 6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceites, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19. (continua na pág. 3)
  3. 3. 7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos os nossos fiéis a considerarem as suas dádivas como uma participação nor- mal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4. 8) Daremos tudo o que for necessário do nosso tempo, reflexão, coração, meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras pessoas e grupos da dio- cese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; Act 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27. 9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relações mútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s. 10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmónico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus. Cf. Act. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5, 16. 11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral – dois terços da humanidade – comprometemo-nos: - a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres; - a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adopção de estruturas económicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem da sua miséria. 12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim: - esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles; - suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o espírito, do que uns chefes segundo o mundo; - procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...; - mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s;Act 6,1-7; 1Tim 3,8-10. 13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão, seu concurso e suas preces. AJUDE-NOS DEUS A SERMOS FIÉIS. (continuação da pág. 2) O Pacto das Catacumbas A Direcção da Fraternitas augura aos membros do Movimento e a todos os leitores do a Paz, a Alegria e a Simplicidade que dimanam do Natal de Jesus, irrupção do inesperado nas frestas da nossa segurança. Bom ano de 2016.
  4. 4. Ainda mal acordado, a fantasia leva-me a divagar na contemplação do novo "paraíso terreal",entrevisto entusiasticamentenaacabadaleiturameditada do Laudato Si,doPapa Francisco.Talvez estePapa sejaummeteoroprovidencial,mas oextraordinário luzeiro produzido hádecontinuarailuminar aTerra!… Inesperadamente, descubro abertas 2 portas, a do quarto e, ao fundo do corredor, outra. Vislumbro paisagembonitaemmanhã que desponta. Fecha-se uma porta intermédia.Escuridão.Do quarto vizinho,indícios de vibrante realidade orgástica… Atrás, por cima da minha cabeça,noto luz vinda do exterioremconvite a deixaro descanso. Doutroquartovizinho,ouço: —Avó! Mamã, mamã! Mãe solícita acorre e acabam os gritos. Do meu lado, vem um apelo amoroso: — Põe a máscara! —Jánãoépreciso.—respondo,enquanto,aolonge,talvezdaárvorenoquintaldaresidência episcopal, um cuco canta a sugerir relacionar-me com a natureza e o Criador. Acima, moço!Viva a "ecologiaintegral"!!! Luís Cunha Viseu, 13.08.2015 Do , a propósito da "Casa Comum" Atravessamostemposdifíceis. Surpreende-nosa pouca transpa- rência de pessoas, das quais es- perávamos uma presença mais ativa, dinamizadora, mais força, mais atenção e respeito pelos va- lores que marcaram a nossa in- fância e adolescência. De quan- do em vez, agora com mais fre- quência, aparece o negativo da vida.Enãohásituaçõesimunesa esta degradação.Afraude, a cor- rupçãoaparecememtodosossec- tores em que o homem participa. E as razões são diversas! Será ambição de um só ou um progra- ma engendrado porumgrupo?O poder é polvo... O que é certo é que depois se busca uma capa protetora, com que se cobrem e encobrem uns aos outros e mais competem e se sublimam na ex- ploração dos maisindefesos. Que istoé reale verdadeirona sociedade civil, no mundo dos negócios,napolítica,nabanca,na justiça,nogoverno…Nãoseacei- ta, mas já estávamos mais ou menos à espera! São homens e mulheres dotados de capacidade humana, liderança, competência técnica, profissional, académica, etc., que engendram os meios mais sofisticados para enganar o "Zé". E na tua Igreja,Senhor?Tam- bém na tua Igreja!... Somos pe- cadoresesomosIgreja.Cardeais, bispos... partilhamos a mesma humanidade.Assumimosasnos- sas limitações e as contradições da nossa natureza, que "não per- mitefazero bem quequeremos", mas nos sujeita ao mal, ao peca- do... Uma boa nova! Eu creio no Espírito.Eleestápresente.Gover- na a Igreja, no silêncio dos tem- pos. Deu-nos o papa Francisco. Em boa hora encetou uma cami- nhadaderenovação.Elesabia,nós sabemos que não é fácil mover inertes calcinados, cimentados pelo musgo da história,àmistura comtradiçõescómodaseinteres- seiras. Ventos Novos! (conclui na pág. 6)
  5. 5. A Angélica e eu gostá- mos do encontro de formação realizado em Fátima, dirigido pelo padre doutorAnselmoBorges.Admira- mos o seu saber, o ser capaz de escutar, a sua capacidade de dia- logar e o grande respeito que de- monstrara pela dignidade huma- na de todos e de cada um.Viu-se nele um homem empenhado em enriquecer cada vez mais os seus profundos conhecimentos e em transmiti-los, com humildade e paciência, a todos os seus ouvin- tes, sem precisar de apoios em guiões. Sempre aberto a todas as questões que lhe apresentaram, procurava dar respostas mais ou menosconvincentes,massempre admitindoopensardosoutros. Verificamos tratar-se de uma pessoamuitoevoluídaedeideias bastanteavançadasemrelaçãoao comum do clero. Notou-se que está muito à frente dos nossos padrões, no campoteológico.Varreunumero- sas teias de aranha nos assuntos queabordou. A única Eucaristia do encon- tro deixou-nos um pouco perple- xos... Em suma, valeu a pena a nos- sa ida a Fátima. Boaventura e Angélica Silveira T E S T E M U N H O S A convitedonossogran- de amigo Padre Anselmo Borges, re- solvemos deslocar-nos a Fátima no fim de semana de 9 a 11 de Outubro último para participar num Encontro de Formação que ia realizar-se na Casa Retiro Nª SªdasDores,naproximidadeime- diatadoSantuário. Emboaverdadenãotínhamos a noção exacta daquilo a que ía- mos, mas o facto de irmos até Fátimaecomtãoboacompanhia, foi razão mais do que suficiente para não olharmos para trás! Durante a viagem do Porto paraFátima,apercebemo-nosque oEncontroemqueíamospartici- par,envolviaessencialmentepes- soas integradas no movimento eclesial FRATERNITAS. Este movimento congrega sacerdotes dispensados,casadosounão,suas esposas ou viúvas, tendo como objectivo a procura de uma vivência de solidariedade, espiritualidade e amizade. Uma questãosenoscolocouentão:não seria estranho que um casal for- mado por uma Pintora e um En- genheiro sefosseintrometer nes- se Encontro? Que situação iría- mos criar?...Apesardasdúvidas, láfomos!Embreve sehaveria de ver! Devemos dizer que a nossa integração se fez perfeitamente! Logonasextafeiraànoiteaojan- tar e na sessão de apresentação dos participantes, fomos muito bemacolhidos por todose asim- patia que nos dedicaram foi aci- madetudoo quepodíamosespe- rar! No sábado, as sessões orien- tadas pelo PadreAnselmo foram muito motivadoras, sistematiza- das e de conteúdo teórico exce- lente;foigrandeaadesãodospar- ticipantes, com diálogos muito animados, com a partilha de dú- vidas e inquietações, interroga- ções e ideais, em suma, vivemos momentos altos de grande enri- quecimento espiritualehumano! No domingo, último dia do Encontro,iriaterlugaradespedi- da, momento sempreenvolto em alguma tristeza, mas tudo correu bem! Devemos destacar a bela celebraçãoeucarística,quefoium momento único e muito especial decomunhãoentretodososparti- cipantes! Queremos dizer que valeu muito apena termos idoe conhe- cido o movimento FRATERNI- TAS!Encontramos pessoassere- nas e felizes que, ao contrário do que se poderia imaginar, soube- ram dar a volta e encontrar um outro sentido para as suas vidas, semprenorteadas pelos ideais do Evangelho.Aindaque emalguns (conclui na pág. 6)
  6. 6. Ecos do Encontro A qui vai um pequeno testemunho sobre o EncontrodeForma- ção,de9a11deOutubrode2015, em Fátima. Motivou anossapresença,ca- sal Lúcio e Bárbara, alentejanos, o encontro com os irmãosque fi- zeram uma experiência especial com Deus pelo sacerdócio "mi- nisterial". Este encontro fez-se com irmãos e irmãs já conheci- dose outrosnãoconhecidos eaté com um casal de leigos que nos enriqueceu com a sua presença. Nós,casal, procuramos expe- rimentar o amor, a misericórdia de Deus nas nossas vidas, mas essa experiência torna-se mais válida, consolida-se e cresce numacomunidade maisalargada que acredita, dá razões da sua fé, vive e testemunha,interroga-se e casos seja patente uma certa amargura e algum desconforto pela forma como se sentiram injustiçados pela Hierarquia da Igreja Católica , no geral encon- celebra a misericórdia de Deus. É por isso que estamos integra- dos nesta comunidade,a "Frater- nitas". O nosso Bom Deus tem- nos falado muitas vezes através dela. A nossa fé cristã é dinâmica, não pode ficar parada no tempo, utilizando umalinguagem já não escutada, às vezes, ferindo a racionalidade. É necessário dar razões da nossa fé. Uma fé sem razõesécaminhodeateísmo,não esquecendo que uma das razões da nossa fé é onosso testemunho da misericórdia de Deus. Quem evangeliza, todos os que fizeram esta salvadora experiência de Deus que me ama, que nos ama, deve transmitir esta experiência numa linguagem credível. A evangelização passa pela lingua- gemepelotestemunho.Urgeuma conversão do próprio modo de pensar Deus, de pensar Jesus, de pensara Igreja,dedizerDeus,de dizer Jesus, de dizer Igreja. Este foiofiocondutordareflexãocon- juntadosdias10e11deOutubro. Gostámosda força da palavra doPadreAnselmo,frutodemuita reflexão no Mistério em que está inserido,mas que o ultrapassa. Algunspontosforam ouvidos comumavoz mais impressiva: o homem procura Deus mas não podeprovarempiricamentea sua existência. O ser humano nasce "prematuro". Vimos ao mundo inacabados. A nossa missão é fazermo-nos sempre mais até ao limite: a morte. Empiricamente não sabemos se há vida para lá da morte. Não há razões para di- zer que não há. Pela fé acreditamos que Deus que éAmor não nos pode deixar nasepultura,comonãodeixouna morteaSua Revelação.Cada um de nós morre mas Deus não nos deixa cair no nada. Respeitante à Igreja, a distin- ção entre Igreja, Povode Deus, e organização eclesiástica ésauda- velmente importante. O Papa Francisco disso nos dá testemu- nho,dia-a-dia. Houvepontosquemotivaram algum atrito: o pecado original. Dizer que cada um de nós "não faz o bem que quer, mas o mal que não quer", reconhecer que nascemos marcados pela imper- feição, eis o pecado original, in- dependentemente, da maçã!... Finalizamosestedepoimento, agradecendo a Deus este Encon- troquenosfortaleceumaisnoSeu Amor. Lúcio e Bárbara tramos pessoas renascidas, com vidas novas e muito motivadas! Continuem!Vale bem apena! Muitoobrigado!BemHajam! António e Alcina Machado e Moura Eu estou com o papa Francis- co. Admiro o homem simples, despidodasmaneirassociais,apa- ratosas,comumaprofunda moti- vação para as coisas essenciais. Um humanista convicto. E por- tantoumhomemdeféadulta.Que espero do papa Francisco? Estou consciente do icebergue que en- frenta.PeçoaDeuscoragem,for- ça, paciência, perseverança para levar esta Igreja a bom porto. Novembro / 2015 J. Soares Ventos Novos! (continuação da pág. 4) Testemunhos (continuação da pág. 5)
  7. 7. Cinquentaelementos,amaio- ria membros da Fraternitas-Mo- vimento (padres casados e suas esposas),reuniram-seemFátima, na Casa de Retiros de Nª Senho- ra das Dores, nos dias 9, 10 e 11 de outubro, para uma for- mação sobre o tema: "Igre- ja - Jesus - e Deus". A direção da Fraterni- tas, no cha- mamentodiri- gidoaosasso- ciados e ou- tras pessoas para esta for- mação, ao fazê-lo, assu- miuumestado de alma, pre- núnciodoêxitodainiciativa,que transcrevo: "A Fraternitas Mo- vimento tem a alegria (o subli- nhado é nosso) de a/o convidar a participar nesta formação, orientada pelo Padre Dr. Anselmo Borges (Universidade de Coimbra)". Atentos à expressão dos par- ticipantes neste "Encontro-Con- fronto", era visível, desde o iní- cio, aalegre expectativa,perante os temas em debate, sentimento reforçado pela memória que a maioria,senãotodos,possuíamos das capacidades do "formador" sobre o objeto da formação. A expectativa de todos era tanto mais intensa quanto os te- mas em confronto: "Igreja – Je- sus–eDeus",foramesãooscon- teúdos de vida, que enformaram e enformam o percurso existen- cial de cada um dos presentes. Vou procurar interpretar, de forma livre, as palavras do P. Dr. Anselmo Borges, o qual come- çou por nos introduzir no misté- rio de Deus, o Ser por excelên- cia.Aquelequeéaluzfulgurante, a fonte deenergia e de esplendor da qual provém toda a vida e a cor de todas as coisas, cuja bele- za não pode ser contemplada peloolhodehomeme"continuar a viver" (Ex 33,18ss) como po- derávir ohomem a contemplara Deus?! Se nenhum ser humano viu a Deus, como o pode identificar? SeohomemidentificasseaDeus, Deus deixaria de ser Deus, por- que deixava deser absoluto para se tornar igual aqualquer ser cri- ado, limitado à perceção huma- na. Como pode o infinito caber, ser entendido, apreendido, co- nhecido pelo ser finito, por uma "OSábadofoifeitoparaoHomem…"(Mc2,27) FORMAÇÃO NA"FRATERNITAS MOVIMENTO" inteligêncialimitada?Comodiria Agostinhoeamaioriadosfilóso- fos e teólogos místicos de todas as religiões sobre oAbsoluto, o Inominável:oqueimaginas,oque pensaseoquedizesdeDeus,não é Deus! Quem é, como é, então, AquelaEntidadeaquechamamos Deus? Nunca ninguém O viu... QuandoOquestionamos sobreo sentido daexistência, do destino do universo, do sofrimento dos inocentes,domal,dainjustiça,da morte,obtemosumsilênciototal. Não temos qualquer resposta. Contudo pressentimos, temos a consciênciadasuaexistência.Por isso continuamos a questionar, a perguntar pelo sentido da vida e procuramos fazermo-nos "para lá"!Debatendo-noscomumabar- reira intransponível: a morte, in- satisfeitos… Satisfeitos na mor- te?! E agora? Prosseguiu o Pe. Anselmo, (continua na pág. 8) Fotode “família”:quase todososparticipantesno final do Encontro de Formação
  8. 8. agora, nós somos, por excelên- cia, os seres que nos transcende- mos! Somos por constituição ra- cionaledecrençaosseresdaper- gunta,dotranscendente.Assim a cada resposta vem nova pergun- ta para "lá". Não aceitamos a morte como castigodeDeus,pois queOpres- supomos ser o Amor por exce- lência; nem aceitamos o Seu si- lêncio,umavezquepressentimos pelaluzdanossaconsciêncianão só a imensidão da Sua presença, mas a grande eloquência da Sua mensagem, que nos envolve e percecionamosnoíntimodonos- so ser e nos fala através de todas ascoisasematocriadorcontínuo. Desta consciência, dá fé osAtos dosApóstolos:"Én'Ele,realmen- te, que vivemos,nos movemos e existimos"(At 17,20). OPe.Anselmoconfronta-nos com as palavras, que João colo- ca na boca de Jesus: "Eu e o Pai somos Um" (Jo 10, 30), com a injunção de que cada qual pode fazer suaaquela frase, acentuan- do, assim,a autonomiatranscen- dentedohomem:"SomosDeus". Deusnãoéalgo,umente,além doconjuntodetodososentesque formamomundo,neméumapar- te do todo, nem tão-pouco é a soma de todas as partes. Não O podemosimaginar,nementender, não porque seja uma figura con- traditóriaouumaesfingeimpene- trável, mas sim porque é o Ser e oTudo,apresençaeacomunhão no coração decada ente, cuja es- sêncianãoatingimos. Aoconfrontar-noscom oaxi- oma: "que só Deus pode falar de Deus… Quem não fala é porque não existe", logo centrava a nos- sa reflexão na força da esperan- ça, fundamentada na razão, pela qualohomemsevaitranscenden- do nas perguntas quecolocapara "lá" , capacitando-se pela fé de queo princípioefundamentoúl- timodetodaarealidadeseja uma "ConsciênciaPessoal","UmCri- ador em contínuo", a que damos o nomede "Deus". Reforçava o seu pensamento afirmandoque"afééumcomba- te", a qual não está circunscrita a dogmatismos de cariz imperial, mas antes,seapoianalucidez in- teligente da razão, que procura semcessarpelaféesse"Deusque oculta ao mundo o Seu rosto", a que damos o nome de "Deus". Poroutrolado,explicitoucom profundidade os sinais, que fun- damentam onosso"combate"na fé,osquaisconfirmamereforçam anossaconfiança,queiluminam elibertam amenteparaumaade- sãopessoalàexistênciad'Aquele que nos transcende,mas tão pre- sente no coração de todos os se- res. Deentreoutros sinais eviden- ciouaconstantemanifestaçãoda consciência antropológica de- mandando, perguntando, para "lá" dovisível,acerca dodestino últimodohomem.Acadaresposta obtidaavançacom nova pergun- ta, assim se vai transcendendo continuamente, não aceitando a morte como barreira intrans- ponível,nemcomofimúltimo,fir- mandoasuaesperançaeconfian- do para lá. Noíntimodasuaconsciência, à medida que cresce, o homem pressente,descobreedeslumbra- secom umaenergiavital,criado- ra, que está com ele, mas que o transcende, que o vai impulsio- nando na sua evolução física, anímica, mental e espiritual, que não está configurado com qual- quer imagem, que não sabe ex- plicar, mas que identifica com Deus. Confronta-nos oDr.Anselmo Borges com a circunstância do homem, "ao nascer, se revelar um ser prematuro para realizar tudo o que terá para fazer. Vi- mos ao mundo por fazer e le- vamos muito tempo até adqui- rirmos a autonomia que verifi- camos existir nos outros ani- mais logonos primeiros momen- tos de vida. No ponto de vista da natureza, vimos prematuros, temos quereceber, construir, por aculturação aquilo que a natura não nos deu." Concluin- do: "fazendo o que fazemos a nossa vida é fazermo-nos o que somos. No final ou somos uma obra de arte ou uma (…)". ODr.AnselmoBorgeseviden- ciouapossibilidadequetemosde aceder ao mistério do Sagrado, de Deus, que em tudo nos trans- cende,mas queseidentificacom a raiz do nosso ser e nele habita, dotando-nos da capacidade de sermos Ele, ecom Ele construir- mos continuamenteoquesomos em todas as etapas do existir n'Ele. Este sentido esclarece a nossa mente, dácertezas à nossa consciência, ilumina anossa fé e diz-nosquepodemosexperimen- tarasalvação,experimentarDeus. ÉumMistério,nãoconseguimos vernemouviraquilocomque"ve- moseouvimos"oInominável. Reflete o orador, para que te- nhamos a perceção, possível, do mistériodasalvaçãoporumDeus, que é pessoal, mas não à nossa maneira,haveremosdeaceder-lhe através da obtenção da consci- ênciadaautênticaidentidade,as- (continuação da pág. 7) Formação na Fraternitas 
  9. 9. sumidanaexperiênciamísticado EU! Assim, Deus manifesta-se no aqui, no nossoexistir e no existir de todos os seres, que só vemos eouvimos comos meios quenão podemos ver nem ouvir, por- quantoelessãoobrilho,oesplen- dor da imagem do Transcenden- te em nós.Assumir esta confian- ça em Deus será tomar a verda- deiradecisãodanossavida,aqual lhe dará pleno sentido na última revelação. Falandode JESUS,Anselmo Borges assinala que Jesus fez a experiência do amor de Deus na sua vivência de deserto.Aquele espaçofísicoepsicológico épro- pícioàtranscendência,àidentifi- cação das grandes questões, às tomadas deconsciênciados cha- mamentos e das decisões a assu- mir.Ali faz a experiência de que Deus éAmor.Tomaconsciência, identifica-se e assume-se como Filho de Deus. Parte para junto dos seus,anunciando-lhes a Boa Nova do amor de Deus, que a todosvailibertarparaavida,por- que os ama. Assim se decide a proclamaroAmordeDeus.Aqui, JesusanunciaqueDeuséPai,mas para superar o temor reverencial associado ao conceito de pai, Je- sus vai ao coração da vida e atri- bui aDeus a fontedo sentimento mais libertador, mais amoroso, maisafetuoso,maiscarinhosoque se pode dar a alguém, e identifi- ca-O como "ABBA", ou seja, "PaiQuerido","Paizinho".Jamais na tradição rabínicaseassumiu a liberdade de tratar a Deus como Pai. Tratava-se de uma ousadia, que roçavaa blasfémia!… JesusidentificouaDeuscomo a suma bondade, ao qual todos podem aceder sem medos, sem receios e sem intermediários. Oxalá que fosse assim nas estru- turas do Povo de Deus! Jesus vai tomando consciên- cia profunda de que se estava a aproximarum temponovo,aque chamava Reino de Deus, e que ele mesmo erao profeta enviado por Deus para anunciar o apare- cimentodessetemponovo:acura dos doentes, a libertação dos oprimidos, dos camponeses, dos pescadores e de todos os aflitos. Jesus sente que, por Ele, es- tão a sercumpridas as velhas es- peranças messiânicas, que para isso foi enviado, tomando auto- consciênciadeseroenviadopelo Pai, o Messias. AnunciaumReinoparaavida, ondeDeus reinaparaos mais ne- cessitados, para os pobres e para os pecadores, afirmando que o "Reino"jáestavaneles.Com pa- lavrassimplesconvida,atravésde parábolas, a serem como Deus: sol e chuva para todos, pai amo- roso dos filhos transviados, terra boaondegermineasemente,fer- mento que faça crescer todo o pão, bom Samaritano para todos os caídos à beira dos caminhos da vida…. Para acentuar a importância do homem na economia da sal- vação global, Anselmo Borges chama às seguintes palavas de Jesus as mais revolucionárias da história: "O sábadofoi feito para o homem e não o homem para o sábado" (Mc 2,27) Para Jesus o mais importante eram as pessoas e não a doutri- na, o cultoe os preceitos morais, sempremanipuladospeloshábeis escribas esacerdotes doTemplo. Como verdadeiro profeta, foi uminovador,umprovocador,um infrator, que se entregou de cor- po e alma, a salvar toda a vida, a curaras feridas da alma edo cor- po das pessoas, fazendo-se pró- ximodetodosparaoslibertardos males queos escravizavam, com risco da própria vida.Assim, re- velouDeuscomomistériodepro- ximidadeedeternura.Anunciava oReino "paralá". EJesusmorrecomoblasfemo religiosoerevolucionáriopolítico. Sentiucomotodososinjustiçados o silêncio e o abandono de Deus nomomentodasuamorte: "Meu Deus, meu Deus porque me abandonastes" (Mc 15,34)… Porém, logo aceitou o "caminho para lá, o da integração na Vida Total: "Pai nas Tuas mãos entre- go o meu espírito…" (Lc 23,45) Os amigos deJesus, osApós- tolos, após a morte de Jesus, re- fletiram sobre toda a Sua vida, fazem a experiênciade Deus por tudo quanto viram e ouviram do Mestre. Impulsionadas pelos afetos, abertos à luz do Espírito, felizesedecididospelafirmezada sua fé no Deus do Seu Mestre, decidem-sefirmementeaanunci- ar que Jesus é o Cristo. Procla- mamqueElevemdeDeus,cons- ciência que irá presidir ao seu anúncioda"BoaNova"eàsfutu- ras efabulações que vieram a to- mar consistência nas comunida- des cristãs nascentes. IGREJA - O Papa Francis- co procura ser Cristão… O orador falou sucintamente da história do nascimento das "Ecclesia", pequenas comunida- des que se foram constituindo, pelos diversos territórios, por cristãos queeram evangelizados pelos apóstolos. OsApóstolos, crentes em Je- sus, celebravam essa fé, e, em (conclui na pág. 10) 
  10. 10. coerênciacomoqueacreditavam, anunciavam-napelapalavraepela escrita.Cadaumanunciavaomis- tério deJesusà suamaneira,fun- damentados nas suas palavras: "Quem me vê, vê o Pai… (Jo 14,8-9),masoPaiémaiordoque eu" (Jo 14,28). (Jesus na medida em que re- vela Deus,mistério último, tam- bémoesconde.Jesusnãoéomis- térioúltimo.) As pequenas comunidades "ecclesia"reuniam-seemnomede Jesus em quem acreditavam, ce- lebravam essa fé na partilha do pão, na oração, na partilha fra- ternadosbens,liamas Escrituras e ouviam as mensagens orais ou escritas dosApóstolos. Aspequenascomunidadesfo- ram-seaglutinando,crescendo, e organizaram-se como já conhe- cemos, tomando o conjunto da- quelesqueacreditavam em Jesus Cristo, os cristãos, a designação de Igreja. Ao descrever o devir da His- tória, o orador faz-nos refletir como o cristianismo religião da Igreja, se torna a religião do Im- pério (romano), de perseguida passa aperseguidora.Em termos depensamento,deorientação te- ológica e de consciências e de manipulação de poder, naquele contexto, éapresentado um deus "irado". Havia que repará-lo, acalmá-lo,daíosacrifício"infini- to", a Eucaristia. E o orador con- fronta a assembleia: "O que acontece quando Deus está pre- sente? Ser o que está a aconte- cer em hebraico e ser em grego situa-se na razão ontológica. No acontecer de Deus e Deus é amor, só pode acontecer o amor." Percebemos,"deus irado" éuma efabulação! Confundimosmuitasvezesre- ligião com o mistério sagrado. Devemos ter em conta todas as religiões. Há mais verdade em todasasreligiõesdoquenumasó. As religiões são construções humanas,histórico-culturaispara se relacionar com o sagrado. Tudo começapor uma experiên- ciadosagrado,domistério,aqual estáparaalémdodizível.As reli- giões sãosempre "segundos" re- lativamenteàexperiênciapessoal Em síntese,o nosso formador passou a analisar a Igreja atual à luz dos três impulsos de Kant: o ter, o poder e o prazer, aplicados àatualidade. AfirmandoqueoPapa procu- racumprirasuamissão,assumin- do como primeiratarefaque tan- to ele, como os cardeais e todos os católicossejam cristãos. Con- cluindoque temos um Papa cris- tão,confirmadopelaspalavrasdo Presidente Obama: "O Senhor é a experiência viva dos ensina- mentoscristãos". Teve que fazer face à degra- dação moral causada pela pedofilia sobre a qual declarou tolerânciazero. Em segundo lugar declara o saneamento moral e cristão dos dinheiros afetos à Igreja, refor- mulando a banca e os costumes ostensivamente luxuosose mun- danosdealgunshierarcaseodes- tinocriminososdealguns dinhei- ros. Em terceiro lugar restaura a democracia na vida do Povo de Deus. Foiassimeaindaé:oPapa não pode ser julgado.Aorgani- zação eclesial-clerical tornou-se imuneàcrítica.Aindanãoatingi- mos a idade da razão. "A hierar- quiamanda,osleigosobedecem" (Pio IX). A eclesiologia é uma hierarquilogiaquepodesermuito perigosa. Pretende a representação de todos os continentes no governo da Igreja, quer a descen- tralização, a defesa dos direitos humanos. O que é de todos tem de ser participado por todos. O problema do celibato e das mulheres revela que a Igreja é a únicainstituiçãomundialdeauto- ridade absoluta. Os jovens e as pessoasnãoentramnumainstitui- ção onde não podem participar. Esperamos que o Papa esta- beleça o diálogo de fé com a ci- ência. Oproblemadoecumenismoé um caminho para a paz. Sem o diálogo inter-religioso, sem paz entre as religiões não há paz en- tre os povos. Refletindo, comoéquede Je- sus e dePedro derivou um chefe de estado? Este Papa tornou-se uma voz político-moral entre os povos, afirmando, de entre outros prin- cípios e acercado regime capita- lista:"estaeconomiamata". Todos tomámos consciência, aoescutarmos oPe.Dr.Anselmo Borges, de que o "mistério de Deus"serevelanoíntimodonos- so ser, no coração de todos os seres, na Boa Nova de Jesus, no espíritodoPovodeDeuscongre- gado em Igreja. Desculpemoprolixo. Ernesto Jana (conclusão da pág. 9) Formação na Fraternitas
  11. 11. ja é urgente para cooperar face aos desafios que os seres huma- nostêmlevantado. 2. Para a renovação da Igreja e das comunidades de crentes em ordem a um modelo ativamente comunitário de Assembleia do PovodeDeus,precisamosdeuma mudançaestrutural;nãosãosufi- cientes mudanças meramente pessoais. Há uma inércia de sé- culos que atua como um peso morto e dificulta qualquer reno- vação progressiva. 3. Anossapresençanascomuni- dades fez-nos experimentar e compreender que o eixo desta transformação não é o padre — célibe ou não:não é esteo princi- paldesfio —nem a hierarquia da Igreja, mas sim ascaracterísticas dacomunidade:apenasascomu- nidadesadultas,maduras,podem levar a cabo essa transformação estruturalnecessária eurgente.A estrutura atual tende a perpetuar oimobilismoeamudançadefor- mas sem ir ao profundo. 4. Estascomunidadesadultas— já existentes, algumas vezes ig- noradas ou perseguidas, mas por incentivar — são comunidades em que os seus membros vivem a igualdade, a corresponsa- bilidade,afraternidadeeairman- dade, sem girar em torno de uma figura—opadre,quefoiconcen- trando,aolongodahistória,todas as tarefas e responsabilidades na sua pessoa. 5. Esse estado adulto permite- -lhesadaptar-seàsexigênciascul- turais e sociais do nosso mundo em mudança, viver e formular a fé e de outra maneira e organi- zar-se desde dentro conforme as suasnecessidades.Elassãolivres e exercera liberdade. Não vivem só com base na obediência, mas a partir da criatividade. 6. E, finalmente, entre as suas características está escolher e atribuir tarefas,serviços eminis- tériosapessoasconsideradasmais preparadas e adequadas para cada qual, sem distinção de sexo ou estado. Esforçam-se por ser comunidadesabertas,inclusivas, combasenapluralidade enores- peito. Temosencontradoeparticipa- do em comunidades deste tipo. Não são uma quimera, mas uma realidade, apesar dassuas defici- ências. E estamos determinados em continuar lutando para que, cada dia, sejam mais numerosas e autênticas. Este compromissonãoé fácil. Estamosconscientesda natureza VIII CONGRESSO DA FEDERAÇÃO EUROPEIA DE PADRES CATÓLICOS CASADOS (FEPCC) (conclusão da pág. 12) problemática do nosso compro- misso: às vezes abeirando a ile- galidade;masnãoporcaprichoou arbitrariamente;senão porfideli- dade aos valores profundamente evangélicos. Eacreditamosqueosdesafios atuaisexigem-nosabrircaminhos nessas áreas pouco exploradas, sercriativo,reconhecerepraticar oprotagonismodascomunidades e tornar assim realidade aquelas intuiçõesdo ConcílioVaticano II quetantailusãodespertaram,que foram postas a um canto como perigosas e que hoje, com a che- gada do Papa Francisco, ganha- ram atualidade e recuperaram a sua carta de cidadania na nossa Igreja. Convidamos todos os crentes em Jesus a serem corajosos e a percorrer os caminhos da criatividade e da liberdade, para fazer o Evangelho da Misericór- diaedaresponsabilidadeparacom os seres humanos e para com a nossa Mãe Terra cada dia mais reais. Guadarrama, 1denovembrode2015. TESOURARIA Pagamento de quotas Qualquerassuntoreferente aquotasou queenvolva qualquer pagamento deve serendereçado para o novoTesoureiro: JoséAlvesRodrigues Rua CampinhoVerde,15 = 4505-249FIÃESVFR Telf: 220 815 616 / Tlmv: 966404 997 Conta para depósitosou transferências bancárias: NIB003300004521842666005(MillenniumBCP)
  12. 12. Rua Dr. Sá Carneiro, 182 - 1º Dtº 3700-254 S. JOÃO DA MADEIRA e-mail: espiral.fraternitas@gmail.com boletim de f r a t e r n i t a s m o v i m e n t o Responsável: Alberto Osório deCastro Nº 56 - Outubro/Dezembro de 2015 (conclui na pág. 11) Um grupo de cerca de 100 pessoas, provenien- tesde15paísesepertencentes ao movimento inter- nacional de padres casados, reunimo-nos de 29 de outubroa1denovembroemGuadarrama(Madrid) para realizar um Congresso Internacional, sob o lema"Padresemcomunidadesadultas".Édesubli- nhara presença de 30 pessoas da América Latina que, ape- sar da distânciae do custo, vi- eram participar. Este evento culminaumprocessodelonga data: sete congressos interna- cionais,maissete latino-ame- ricanosemuitosoutrosnacio- nais. Nós pertencemos a esse amplo grupo de crentes em Jesus de Nazaré que decidiu, desde há uns quarenta anos, reivindicar através da palavra edasaçõesaopcionalidadedo celibato para os sacerdotes da Igreja Católica do Ocidente. O nosso percurso como grupo foi ampliando a perspetiva inicial, centrada em torno de celibato, passando a aprofundar um modelo de padre não clerical e um modelo de Igre- ja não assente ferreamente num sacerdote exclusi- vamente varão, célibe e clérigo. Onosso objetivo neste congressofoiclaro:"Fa- zer uma análise e um balanço" — após quase qua- rentaanos—doquetemproduzidoanossa presen- çanascomunidadesdoscrentesaquepertencemos, tanto a nívelpessoal quantoeclesial. Para isso, partilhámos e refletimos sobre várias experiências comunitárias, algumas das quais fo- ram trabalhadas e publicadas no livro com o mes- motítulodocongresso("Curas enunascomunida- des adultas"). Contámos com a inestimável ajuda de dois conferencistas (SílviaR.deLima,brasilei- ra,e JuanA.Estrada,espanhol),dos intervenientes numamesaredonda,ecomotrabalhorealizadoem váriosgrupos. De entre as nossas conclusões, destacamos: 1. Estamosconvencidos—enissocoincidimoscom outras comunidades da Igreja — de que o modelo de cristandade maioritariamente imperante está desatualizado,quandonãoacabado;e,longedeaju- darà implementaçãodo Reinado deDeus,é,muitasvezes,umobs- táculo à vivência dos valores do Evangelho.Umnovotipodeigre- PADRES EM COMUNIDADESADULTAS A Federação Europeia de Padres CatólicosCasados (FEPCC) realizou o seu VIII congresso em Madrid, com o tema "Padres em comunidades adultas". No finaldostrabalhos,iniciadosa 29 de outubro econcluídosa 1 de novembro,os congressistas aprovaram a Declaração Final, em que pedem um novo modelo de Igreja. Comunicado Final Elementos da direção da Fraternitas presentes no Congresso.

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