Espiral 41

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Espiral 41

  1. 1. espiral da fraternitas moviment ternit vimento boletim da associação fraternitas movimento N.º ANO xi - N.º 41 oUTUBRO dEZEMBRO - oUTUBRO / dEZEMBRO de 2010 QUAL SERÁ O FUTURO QUAL FUTURO FRATERNIT TERNITAS DA FRATERNITAS Serafim de Sousa Passou o Dia de Todos os Santos e seguiu-se a quem o lê os nossos anseios e a nossa vida inseridacomemoração dos Fiéis Defuntos. Nestas datas, que nas comunidades e na pastoral da Igreja. Vamosse repetem todos os anos, dei por mim a reflectir no continuar, enquanto pudermos, nesta linha, dando osfuturo que nos espera. Muitos dos associados já estão nossos testemunhos, vivendo em comunidade ena eternidade, gozando a felicidade dos Santos e partilha com todos que nos rodeiam e conhecem,contemplando a face de Deus, Pai de misericórdia e vivendo a fé em Jesus. Somos um grupo de pessoas,do Amor por excelência. A lista já é muito grande e, que, quando nos encontramos, difundimos alegria emais tarde ou mais cedo, lá teremos de partir. paz à nossa volta. Encontramo-nos pelo menos duas vezes ao ano e é sempre o mesmo espectáculo. A FRATERNITAS FOI CONCEBIDA paraunir as pessoas que foram dispensadas do exercício UMA COISA ME/NOS PREOCUPA: estamosdas ordens sacras, que optaram por uma vida de família, cada vez mais avançados em idade, temos bastantesatravés do casamento, e que em determinado tempo viúvas e viúvos e não temos recebido gente nova, paraandavam cada um para seu lado, num isolamento mais continuar a Fraternitas, daqueles que pediram aou menos acentuado, dados os condicionalismos que dispensa das obrigações sacerdotais.nos foram impostos. Numa palavra mais agressiva, Somos uma cela da Igreja actual, com defeitos efomos quase todos marginalizados e em muitos casos virtudes, como todos os outros. Não somos mais nemabandonados à desgraça de sermos uma espécie de menos. Somos cristãos, vivemos intensamente e com“ralé” na sociedade, que nos ostracizou sem piedade. algum sentido crítico os problemas que existem a todos Houve gente que passou mal, nalguns casos até a os níveis, e não vislumbramos o tal sangue novo quefome bateu às suas portas e foi muito dura a adaptação possa rejuvenescer o Movimento. Precisamos de genteà nova situação. Éramos um rebanho disperso, quase nova e de novos sócios, para podermos ter a certezaainda como agora, cada um com os seus espinhos, e que o grupo não morre, quando desaparecerem oslonge uns dos outros, sem podermos ajudar-nos numa fundadores. Temos contactos de muitos, comunicamoslinha de solidariedade e caridade concreta. Neste com eles, dialogamos, não somos saudosistas, nemaspecto, temos de prestar homenagem ao Padre Filipe “beatos”, como já alguém nos chamou.de Figueiredo, que se lembrou de nós e começou por Homens e mulheres de fé e dinâmicos em todos osnos convocar à medida que ia descobrindo o nosso aspectos, queremos contribuir com seriedade para umaparadeiro. Com muitos encontros e retiros, fomo-nos Igreja viva e renovada, dentro das linhas do Evangelho.juntando por diversas vezes, sempre em Fátima, aos Todos não somos demais para tarefa tão árdua epés de Nossa Senhora, e foi-se criando um grupo cada complexa. Cada um dá o que tem de melhor e maisvez maior, que culminou na Associação Fraternitas profundo por esta causa, que depende essencialmenteMovimento, mais tarde reconhecida pela Conferência de pessoas conscientes e livres.Episcopal Portuguesa, caso único no mundo. OS SINAIS DOS TEMPOS são muitos e O ESPIRAL é o órgão oficial desta associação, evidentes demais para não cruzarmos os braços. Temoscom periodicidade trimestral, que vai anunciando a (CONTINUA NA PÁGINA 2)
  2. 2. NOTíCIAS2 espiral(CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1)plena consciência disso. Há muita coisa que precisade mudar! O nosso Movimento apela à união entre Homenagem vivenctodos os que têm consciência, para que, em cada hora, Uma Vida ao Sese procure a santidade dos homens, único caminho No dia 21 de Novembro, em Fátima, foique leva a Deus, que ama sem limites a todos, deu a apresentada a obra Padre Filipe Figueire-vida por nós, venceu a morte com a Sua ressurreição. do. Uma vida ao serviço dos outros. To-Ele vive connosco para sempre, no meio das multidões maram a palavra D. Serafim Ferreira ee no coração de cada um. Vamos dar-nos a Ele sem Silva, bispo emérito de Leiria-Fátima, quemedo e sem hesitações, pois venceu o mal. classifica o Cónego Filipe com quatro «P»: Padre, Professor, Peregrino, Profeta; o Dr. O PADRE FILIPE passou para o Pai há sete anos, Artur Oliveira, com uma dissertação bíbli-mas a sua obra tem de continuar a chamar por todos, ca sobre a diferença entre tratar Jesusa segredar aos corações que «só com Ele pelo Seu nome e, portanto, ter uma rela-encontraremos a paz e a felicidade que desejamos». ção interpessoal, e tratá-Lo pelo conceitoEle foi um homem de causas que pareciam perdidas, «Cristo», que se associa a um estatuto;mas que o não foram graças à sua teimosia, também Manuel Filipe de Figueiredo,determinação, e ao seu desígnio de entrega aos outros, continuador da obra social pensada pelomesmo que isso obrigasse a grandes sacrifícios. seu tio, e, por fim, o Dr. Alípio, cujasConseguiu muito com poucos meios, sempre levado palavras reproduzimos.pela fé que movia montanhas e ultrapassava osobstáculos. Saibamos honrar a sua memória,caminhando em frente na intransigência da nossa Sou um dos muitos co-autores. O meu papel é o deentrega à Fraternitas, que ele nos deixou e pela qual arquitecto final sobre quem recaiu a tarefa de ideali-temos de dar graças a Deus. Unidos venceremos! zar o trabalho, carear os materiais, burilá-los e distri- Já lá vai o encontro/retiro de Novembro, onde a buí-los pelas diversas áreas do edifício, cujo trabalhohomenagem a este Homem culminou com o livro que final, di-lo-ia La Palisse, tem, assim, a matriz do meulhe é dedicado, e que foi superiormente coordenado ADN.pelo Dr. Alípio Afonso, onde se lê na capa “uma vida O desejo de fazer-se um Memorial escrito da As-ao serviço dos outros”. Está de parabéns o autor, está sociação Fraternitas Movimento vem de longe. Partiutambém de parabéns a Fraternitas, por ter conseguido do nosso saudoso assistente espiritual – Cónego Fili-uma obra destas em tempo recorde. A dedicação, a pe de Figueiredo.entrega a um trabalho desta envergadura, para a pessoa Luís Gouveia é uma das pedras basilares, na medidaque se pretende homenagear, e tudo feito em que foi o primeiro a pôr em prática o desejo dogratuitamente, não há na terra como pagá-lo. Só Deus Cónego Filipe, mediante recolhas fotográficas, recortespode compensar tal gesto e atitude. Só uma palavra: da imprensa e a organização de uma síntese sobre osOBRIGADO, e também à Câmara Municipal de Encontros em Fátima.Estarreja, que, em homenagem a um filho da terra, A pedra angular é do nosso actual presidente,patrocinou esta obra. Serafim de Sousa, ao decidir, há um ano, implementar Os proventos do livro destinam-se à construção e, desde logo pôr em prática, a elaboração dodo Centro Social N.ª SR.ª do Amparo – Espaço Memorial. As dezenas de pedras interligadas queIntergeracional, na terra do Cónego Filipe, que nos formam o corpo do edifício, na sua maioria, sãodeixou repentinamente, depois de ter comunicado a subscritas por muitas e muitos de nós, sócios.um grupo de homens este seu grande sonho. Comprem Manuel Filipe é o grande impulsionador, aoo livro, é uma forma simples de ajudar e se quiserem assumir-se, em nome da Fundação Cónego Filipe depodem fazer-se sócios da obra como beneméritos, Figueiredo, os custos da publicação e distribuição.fundadores ou associados. O E-Mail é: Eu fui, ainda, o ‘estafeta’, agora chegado à meta.fundaconfilipedefigueiredo@gmail.com; telefone: 234086020. No seu percurso, o peso foi sentido em casal. A Continuemos a sonhar, acreditemos na Providência Zélia experimentou-o sempre que precisou de mim eDivina e as coisas boas hão-de acontecer. me julgou ausente. Imagino que terá chegado a pensar
  3. 3. Reflexão l espiral 3 Delicadeza, amor natalíciocial da Fraternitas Depois, ou a seguir às qualidades naturais deerviço dos Outros qualquer ser humano que pretenda viver e conviver em paz e de bem consigo próprio e em sociedade, parece que me perdera de Amores ou de Alzheimer pelos ser a delicadeza - de sentimentos, palavras, acções e caminhos, quando me omissões - a virtude mais apreciável. mantinha em casa, agar- As qualidades naturais estão ao alcance de qualquer rado ao computador. um de nós: honestidade, honradez, lealdade, exactidão, Feito um primeiro es- recta intensão, por exemplo, e são imprescindíveis ao boço com a maioria dos ser humano sociável. materiais dispo-níveis, A delicadeza pode ser a educação elevada ao seu distribuí-o, via e-mail, grau mais sublime. Poderá ser idêntica a educação subtil, por seis obreiros, solici- cortesia, urbanidade, afabilidade, ternura, brandura, tando-lhes os reparos suavidade, mimosidade, leveza, promorosidade, possíveis. Com as res- susceptibilidade simples, atenção às coisas pequenas. postas, recebi várias É comparável ao amor que S. Paulo define em1Cor 13. anotações, nem todas Ao contrário, a falta de delicadeza, ao menos coincidentes, mas com- primária, converte-se em impaciência, maldade, inveja, plementares no conjun- vaidade, intolerância, orgulho, soberba, inconveniência, to. O Luís Cunha foi o egoísmo, desconfiança, deslealdade, injustiça, mentira, analista mais abrangente. arrogância, teimosia, presunção, e outras que A Zélia continuou a percebemos como nocivas para a vida pessoal, familiar fazer de primeira leitora, e social. atenta à semântica e sin- Pode-se ser ateu, laico, agnóstico ou semelhante e taxe de todos os textos, especialmente dos elabora- ser-se delicado. dos e adaptados por mim. Pode ir-se a caminho da perfeição humana e/ou cristã O Luís, como clássico competente e exigente, e ser-se já delicado em grau quase sumo. prosseguiu a tarefa de passar a pente fino a pontua- Mas não pode ser-se santo sem ser-se sumamente ção e semântica finais. Graças a ele foram aqui e ali delicado. Nunca faltou esta delicadeza a um santo. Muito detectadas e evitadas ligeiras e novas duplicações e menos consta ou se ouviu dizer que algum santo fosse novas gralhas. O papel do Luís foi, assim, impres- grosseiro ou semelhante. cindível. Ao contrário, jamais um pecador ou transgressor Ter mino com a seguinte mensagem, por inveterado em qualquer sentido pode ser, algum dia, considerá-la perfeitamente aplicável à personalidade razoavelmente delicado. do nosso Cónego Filipe de Figueiredo e, de algum A delicadeza toca, muito de perto, a perfeição modo, a cada um de nós: humana e/ou cristã. «- Aprendi a tirar pedras do caminho para poder Um transgressor contumaz, nem de perto, nem de avançar. Os heróis são todos os que fazem o que é longe, é capaz de tocar, nem minimamente, esta virtude necessário. da delicadeza. São antagónicos, opostos. - Aprendi que plantar o próprio jardim é melhor A delicadeza verdadeira é mel. A sua falta ou que ficar à espera de alguém que me traga flores. ausência é fel. - Aprendi que a mim pertence apostar nos Sem delicadeza não se vai a lado nenhum. próprios talentos e realizar os próprios sonhos. Com delicadeza humana e cristã podem transpor-se - Aprendi a aceitar os familiares e amigos que montanhas e conseguir-se, com menos custo, chegar-se não mostram amar-me muito; que tal não é sinónimo onde se deseja ou necessita. de não me amarem muito; que talvez seja o máximo A delicadeza não se conquista nem obtém de um dia que conseguem e que isto é o mais importante. para o outro. Exige renúncia, ter o crucifixo na mão e - Aprendi, olhando o tempo que passa e não volta, estar no crucifixo. Sem delicadeza, seja bispo, chefe de a descruzar os braços, vencer o medo e seguir atrás Estado ou o que for, na verdade, nada sou. de novos sonhos.» Alípio M. Afonso Silv Pinto José Silva Pinto
  4. 4. DOSSIER4 espiral Trinta e nove papas foram casados P. e John Shuster w. ta t. w w w. r e n ta p r i e s t. c o m Tradução: João Simão São muitos os fundamentos históricos da existência do Padr es adresSou padre católico romanocasado. Queria falar-vos de sacerdócio casado. Durante os primeiros 1200 anos da vida da casados nauma crise que atingiu a nossaIgreja católica romana: há uma Igreja, padres, bispos e 39 papas foram casados3. O celibato existiu Igrejaalarmante falta de padrescelibatários 1. Essa falta é tãograve que muitas paróquias no primeiro século entre os eremitas e os monges, sendo primitiv imitiva pr imitivaestão a ser forçadas a considerado como um estilo de vidaencerrar 2 . Simultaneamente, Recordemos as palavras de opcional, alternativo. Foi a política Jesus: «Tu és Pedro e sobre estaum em cada três padres casou.Ou seja, há um grande número medieval que introduziu a pedra edificarei a minha Igreja.» S.de padres disponíveis para disciplina do celibato obrigatório Pedro, o papa mais próximo deassumir paróquias. para os padres. Jesus, era casado. No Evangelho há três referências à esposa de S. Pedro, Padres e Clérigos à sua sogra e à sua família. Com base na lei e nos costumes judaicos, Os padres casados continuam atendendo à nossa preparação podemos admitir com toda aa ser padres, mas já não são específica, à nossa ordenação e a segurança que todos os apóstolos,clérigos. Vejamos a diferença entre doze séculos de tradição católica talvez com excepção do jovempadre e clérigo: o padre está romana, no casamento os padres João, foram casados e tinhamcomprometido numa vocação de mantêm o papel de dirigir o povo família4.serviço, que é um chamamento como Jesus fez. Os padres casados e suasespiritual de Deus. Clérigo é o que Nós, padres casados, NÃO esposas foram os primeirosocupa uma posição organizacional abandonámos a fé. Continuamos a pastores, os primeiros bispos e osna Igreja institucional. ajudar os católicos em necessidade primeiros missionários. Eles Quando um padre casa, é-lhe e esperamos a completa reinte- levaram a mensagem de Jesus aretirado o estado clerical. Mas gração logo que seja rescindida a todas as culturas, protegendo-a commantém a plenitude do sacerdócio. lei humana do celibato. muitos trabalhos. Guiaram oDeve ser designado por “ex- No limiar deste terceiro milénio, primeiro crescimento da jovem eclérigo”. Muitos, erradamente, 30 % de todos os padres estão agora frágil Igreja e ajudaram-na ausam o termo “ex-padre”. É que casados. Sente-se que Deus nos sobreviver a numerosas persegui-ele foi ordenado para ser padre, está a chamar para a nossa tradição ções.não para ser clérigo. A ordenação católica primitiva. E, uma vez que O Papa João Paulo IIé permanente, nos termos do a sociedade finalmente reconheceu reconheceu isto quando em 1993cânon 290 do Código do Direito às mulheres a igualdade de direitos, disse publicamente que o celibatoCanónico (CIC). é tempo de também a Igreja lhes não é essencial ao sacerdócio5. Esta Há 29 leis eclesiásticas que garantir igualdade no múnus declaração formal constitui umahabilitam os católicos a recorrer pastoral. Na realidade, muitos grande promessa no sentido deaos serviços dos padres casados. padres casados e esposas ministram resolver o problema da falta dePor força do cânon 290 e como casal. sacerdotes celibatários.
  5. 5. DOSSIER l espiral 5 Igreja Influência romana de famílias na Igreja Como foi que se chegou à grande instituição que hoje temos? O que A Igreja primitiva era uma malha foi que aconteceu ao sacerdócio casado?de pequenas comunidades ba- Tudo começou no ano 313, quando o imperador Constantino legalizouseadas em famílias ao longo da o cristianismo dentro do império romano. Com esta legalização, a Igrejaregião mediterrânica. A vida era primitiva evoluiu de um grupo perseguido de pequenas comunidadesmarcada por um sentido de alegre para se tornar a fé oficial duma potência mundial sob o imperadorexpectativa. Jesus disse que voltaria Teodósio, no ano 380.e os primeiros cristãos acreditavam As intenções de Constantino ao adoptar o cristianismo não eramque viria em breve. Orientados por inteiramente espirituais6. Sentindo a sua liderança desafiada por grupospadres casados encontravam-se nas políticos, ele precisava de afirmar o seu poder. Forçando os outroscasas uns dos outros para a políticos a tornarem-se cristãos era um teste à sua lealdade.celebração da Eucaristia. Convi- Constantino serviu-se da nova religião como um instrumento efectivodavam estranhos para a partilha do para extirpar os seus inimigos. Com isso reforçava o seu poder político.pão e do vinho. Ninguém era Constantino também se deparava com a necessidade de unificar muitosexcluído da comunhão. Os povos que os seus exércitos tinham subjugado. O cristianismo foi a chaveestranhos rapidamente ficavam para estabelecer uma nova identidade romana nos povos conquistados.amigos, aderiam à nova Igreja e Na aparência fê-los cristãos para salvarem as suas almas, mas, natraziam outros para escutarem a realidade, esta nova religião foi o acto final da conquista sobre eles.Boa Nova de Jesus. A Sagrada Escritura documentaque, na Igreja primitiva, padres ebispos eram casados. No NovoTestamento, na primeira carta aTimóteo, capítulo 3, versículos 1 a7, S. Paulo analisa as qualidadesnecessárias para ser bispo.Descreve um pai «sóbrio,ponderado», chefe de família quegoverna bem a própria casa. S.Paulo fundou muitas pequenascomunidades deixando-as nas mãosde padres e bispos casados. A chefia da Igreja era baseadano ser viço e era responsávelperante o povo. Todos os membrosda Igreja tinham uma palavra nacomunidade. Tal como lemos nosActos dos Apóstolos, capítulo 15,versículo 22, as decisões de grupo Referênciaseram tomadas em concordância 1. Commonweal. October 11, 1991.com toda a comunidade. A Igreja 2. The Journal for the Scientific Study of Religions. December 1990. 3. Kelly, J. N. D. Oxford Dictionary of Popes. New York, Oxford Press. 1986.primitiva é descrita como 4. Padovano, A. Joseph’s Son. National Catholic Reporter. April 12, 1996.democrática, em que a liderança 5. Time Magazine. July 1993.escutava a comunidade e respondia 6. Grant, M. Constantine the Great: The Man and His Times. New York, Charlesàs suas necessidades. Scribner and Sons. 1993.
  6. 6. DOSSIER6 espiralReformas da Igreja do Império Sendo o cristianismo a religião oficial do império autoridade aos padres casados das pequenasromano, muitas coisas mudaram rapidamente na comunidades a fim de consolidarem o poder políticoIgreja: à sua volta. Com o auxílio do império romano, a - Aos padres das pequenas comunidades foi dado liderança da Igreja transformou-se numa hierarquia queum estatuto social especial entre os novos amigos se foi afastando das suas origens familiares pararomanos. Já não tinham necessidade de se esconder adquirir a mentalidade romana duma classe dominantedos soldados romanos, nem de temer pela vida. Pelo que estava acima do homem da rua9.contrário, eram pagos pelos serviços que prestavam Outras mudanças aconteceram que deslocaram acomo sacerdotes e gozavam de privilégios especiais ênfase do povo para as preferências dos políticosna sociedade romana. romanos. A Igreja adoptou a prática romana de serem - Aos bispos foi concedida autoridade civil e só os homens os detentores da autoridadeatribuída jurisdição sobre os povos das suas áreas7. institucional. Há sólidas provas históricas de que as - Os romanos, que eram membros da elite local mulheres exerceram funções sacerdotais antes destedominante, rapidamente se converteram ao tempo10.cristianismo, seguindo as ordens do imperador. Erampessoas treinadas na vida pública e peritos em política8.Fizeram-se ordenar de padres e rapidamenteascenderam a posições de liderança na Igreja. Agora ordenados, estes políticos romanostrouxeram para a Igreja as atitudes impessoais elegalistas de governo: - A celebração da Eucaristia passou de pequenasreuniões familiares para o que agora designamos por“missa”, envolvendo grandes assembleias de pessoasem grandes edifícios. A missa transformou-se numritual altamente estruturado à semelhança dascerimónias da corte imperial romana. Foi destainfluência romana que derivaram os actuaisparamentos, as vestes, os ritos de genuflectir e deajoelhar, bem como a estrita formalidade da missa. - Emergiu uma estrutura eclesial institucional àimagem da do Governo romano. Grandes edifícios,tribunais eclesiásticos, chefes e súbditos começarama substituir as pequenas comunidades de base familiarassistidas por um sacerdócio casado local. Mulheres sacerdotisas Os novos padres romanos trataram de retirar a na Ig r eja pr imitiva Igr primitiv imitiva 7. Straus, B. R. The Catholic Church. David and Charles, Em 494, terminava a participação das mulheres naEngland. P. 37. liderança das pequenas comunidades: o Papa Gelásio 8. Torjesen, K. J. When Women Were Priests. Harper San decretou que as mulheres não podiam mais serFrancisco. 1993. P. 155. admitidas ao sacerdócio11. Esta legislação é talvez a 9. Straus, B. R. The Catholic Church. David and Charles, prova mais forte que temos de que as mulheresEngland. P. 34. 10. Torjesen, K. J. When Women Were Priests. Harper San desempenharam as funções de líderes espirituais naFrancisco. 1993. P. 34. Igreja primitiva. O papel das mulheres na Igreja 11. Padovano, A. Power, Sex, and Church Structures. A lecture diminuía à medida que papas e bispos marchavam empresented at Call To Action, Chicago. 1994. sintonia com as autoridades romanas.
  7. 7. DOSSIER l espiral 7 Celibato obrigatório: ataque às mulheres e à intimidade Com o tempo, o celibato assumiu o estatuto de umaespiritualidade especial. A fim de o promover, certasfacções denegriam a santidade do matrimónio e da vida Papa Siríaco abandonou a esposa e os filhos parafamiliar. A prática romana da abstenção de relações conseguir ser papa. Decretou imediatamente que osmaritais para manter a energia antes de uma batalha padres não podiam mais ser casados, mas foi incapazou de um evento desportivo entrou na prática litúrgica. de impor a concordância a esta lei ultrajante14.Aos padres era ordenado que se abstivessem da Ao longo dos mil anos seguintes, desenvolveu-se,intimidade com as esposas na noite antes de celebrarem na teologia da Igreja, uma ética sexual não natural.a missa. A mensagem daí decorrente foi a de que a Esta nova preocupação legalista com a sexualidadesexualidade e o casamento já não eram santos. era contrária ao relacionamento humano normal e O celibato tornou-se ainda outra oportunidade desfasada da ordem natural da vida tal como Deus apolítica nas mãos de padres e bispos ambiciosos. programou. Continuou a ser muito depreciativa paraUsaram o estilo de vida celibatário como instrumento com as mulheres.político para enfraquecer a influência dos padres Em 401, Santo Agostinho escrevia que «nada é tãocasados. Partindo da hierarquia, começou a emergir poderoso a puxar para baixo o espírito do homem comouma atitude negativa para com as mulheres e a as carícias de uma mulher»15. A atitude que daí nascesexualidade, atitude essa que estava em forte contraste contra a sexualidade e as mulheres destinava-se acom a perspectiva de família saudável, central na Igreja controlar os aspectos íntimos da vida das pessoas. Estaprimitiva12. Assim se colocava o celibato no grau mais dinâmica continua até hoje.elevado da santidade e se promovia a eventual Por serem homens de família, os padres casadossupressão do sacerdócio casado. podiam descobrir a agenda política que estava por Por exemplo, em 336 o Papa Dâmaso iniciou o detrás da obsessão da hierarquia relativamente àassalto ao sacerdócio casado declarando que os padres sexualidade. Os padres casados estavam solidáriospodiam continuar a casar, mas não eram autorizados com as pessoas e faziam o seu melhor para quebrar osa expressar sexualmente o seu amor pelas esposas13. continuados esforços da hierarquia romana para ganharPadres e povo rejeitaram esta lei. No ano de 385, o poder de controlo sobre eles e suas famílias. Acaba a Sagrada Comunhão para divorciados re-casados No século XII, a hierarquia da Igreja foi dominada europeias. Tendo a capacidade de controlar ospor uma mentalidade legalista e negativa. Num esforço casamentos reais, Roma compreendeu que podiapara estabelecer uniformidade e controlo, bispos e influenciar alianças políticas e manipular negócios depadres celibatários deram grande ênfase ao pecado e Estado 17. Em resultado deste novo esforço paraà culpa. Quem sofria com estas tendências era o povo. controlar as alianças reais, com a negação do acesso à Foi durante este período da História da Igreja que comunhão e aos sacramentos, quem era punidoo casamento depois do divórcio foi declarado pecado. imediatamente eram as pessoas comuns que seOs divorciados re-casados não podiam comungar. Até divorciassem e voltassem a casar. Era-lhes negada aentão, os casamentos eram julgados em tribunal, plena participação na vida da Igreja porque nãoconsensualmente dissolvidos e os cônjuges ficavam condescendiam com o querer das autoridadeslivres para voltar a casar e podiam comungar16. eclesiásticas. O estatuto legal substituiu a espiri- Entretanto, outra dinâmica política entrava aqui tualidade como marca de santidade e de boa reputaçãoem jogo. A hierarquia eclesiástica medieval estava em na Igreja institucional, o que ainda hoje é uma poderosaluta pelo poder com várias monarquias e famílias reais influência. 12. Ranke-Heinemann. Eunuchs For The Kingdom Of Heaven. Doubleday. New York. 1990. P. 100 ff; 13. Barstow, A. L. Married Priests and the Reforming Papacy: The Eleventh-Century Debates. The Edward Mellen Press. Lewiston, NY. 1982. P. 21; 14. Padovano, A. Power, Sex, and Church Structures. A lecture presented at Call To Action, Chicago. 1994; 15. Padovano, A. Ibid.; 16. Mackin, Theodore. Divorce and Remarriage. Paulist Press. 1984. P. 116; 17. Mortimer, R. Angevin England 1154 - 1258. Blackwell. Oxford, U. K. P. 28.
  8. 8. DOSSIER 8 espiral Infalibilidade é um Celibato: ataque conceito humano Na crescente atmosfera de poder e legalismo, certos papas medievais abusaram da sua autoridade18. No ano aos padres casados de 1075, o Papa Gregório VII declarou que ninguém, A hierarquia via nos padres casados um obstáculo excepto Deus, pode julgar o papa. Introduzindo o à sua ânsia de controlo total de Igreja, pelo que conceito de infalibilidade, foi ele o primeiro papa a focalizou contra eles um ataque em duas frentes. Por decretar que Roma nunca pode errar. Mandou fazer um lado, usou o celibato obrigatório para atacar e estátuas à sua imagem, colocando-as nas Igrejas de dissolver as famílias sacerdotais influentes em toda a toda a Europa. Insistia que todos deviam obediência Europa e no mundo mediterrânico, em particular. Por ao papa e que todos os papas são santos mercê da sua outro, reclamava a propriedade das igrejas e das terras associação a S. Pedro19. pertencentes aos padres casados. Como proprietária de terras, a hierarquia medieval sabia que conquistaria o ambicionado poder político em toda a Europa. Um “Os padres irão cometer benefício adicional da posse de terras era o dinheiro. pecados muito piores do Teria então a capacidade para cobrar impostos aos que a fornicação” fiéis e levar dinheiro pelas indulgências e pelos Um homem audaz, o bispo italiano de Imola, Ulrico, ministérios sacramentais20. Esta prática contribuiu argumentou que a hierarquia não tinha o direito de muito para a reforma protestante e para a divisão da proibir a casamento dos padres e aconselhou bispos e comunidade católica no século XVI. padres a não abandonarem a respectivas famílias. Disse O ataque ao sacerdócio casado aumentou de que «se o celibato for imposto, os padres cometerão intensidade no século XI. Em 1074, o Papa Gregório pecados muito piores do que a fornicação» 24. [O VII decretou que todo o candidato à ordenação deve número de casos recentes, largamente publicitados, de primeiro fazer voto de celibato. Continuou o ataque padres envolvidos em abusos sexuais vieram dar contra as mulheres afirmando publicamente que «a crédito ao bom bispo Ulrico. Aparecem cada vez mais Igreja não se pode libertar das garras do laicado a não provas científicas de conexão entre o celibato ser que primeiro os padres se libertem das garras das obrigatório e os abusos sexuais dos padres.] esposas»21. Num espaço de 20 anos as coisas deram A respeitável tradição do sacerdócio casado foi uma volta para o pior. virtualmente destruída pelas novas leis do celibato. Em 1095, houve uma escalada de força brutal Com a supressão do sacerdócio casado e com a contra os padres casados e suas famílias. O Papa desvalorização das mulheres na Igreja, ficaram abaladas Urbano II ordenou que aqueles padres casados que as saudáveis origens familiares da nossa fé. ignorassem as leis do celibato fossem presos para o bem das suas almas. Mandou que as esposas e os filhos desses padres casados fossem vendidos como escravos 18. Padovano, A. Power, Sex, and Church e o dinheiro revertesse para os cofres da Igreja22. Structures. A lecture presented at Call To Action, Chicago. 1994. O esforço da hierarquia medieval para consolidar 19. Padovano, A. Ibid. o poder eclesiástico e se apoderar dos bens das20. Mortimer, R. Angevin England 1154 - 1258. Blackwell. Oxford, famílias dos padres casados teve êxito em 1139. A U. K. P. 105-112. legislação que efectivamente pôs fim ao celibato 21. Padovano, A. Power, Sex, and Church Structures. A lecture opcional dos padres veio do II concílio de Latrão, sob presented at Call To Action, Chicago. 1994. 22. Ranke-Heinemann. Eunuchs For The Kingdom Of Heaven. o Papa Inocêncio II23. A verdadeira motivação para Doubleday. New York. 1990. P. 110. estas leis era o desejo de adquirir terras em toda a23. Celibacy, Canon Law of. The New Catholic Encyclopedia. New Europa a fim de fortalecer a base do poder papal. As York. McGraw Hill. 1967. leis que exigem o celibato obrigatório para os padres 24. Barstow, A. L. Married Priests and the Reforming Papacy: usavam uma linguagem de pureza e de santidade, mas The Eleventh-Century Debates. The Edward Mellen Press. Lewiston, NY. 1982. P. 112. a verdadeira intenção era a de solidificar o controlo 25. Gallup Survey of Catholic sobre o baixo clero e eliminar qualquer desafio aos Opinion, May 15 - 17. 1992. intentos políticos da hierarquia medieval. página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: direccao@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.
  9. 9. DOSSIER l espiral 9 Cento e dez mil padres casados em todo o mundo Muitos dos problemas com que hoje nos debatemos contrair um segundo matrimónio. O público tem dado na Igreja podem ser remetidos ao período da história indicações de que aprecia o seu estilo tranquilo e a medieval do cristianismo. Mas, no dealbar do século sua abordagem prática dos problemas da vida. XXI, parece que Deus nos chama outra vez para a Particularmente as mulheres, não raro, ficam ortodoxia das nossas origens como Igreja. Nos últimos profundamente sensibilizadas com a honestidade e o 25 anos casaram mais de 100 mil padres católicos respeito que os padres casados demonstram pelas romanos em todo o mundo e muitos continuam esposas e com a compreensão e o apoio que eles dão discretamente a exercer o seu sacerdócio. Nos EUA, às questões femininas. um em cada três padres católicos romanos é hoje padre casado e continua a crescer o número de padres que se casam. O casamento abriu a estes padres uma nova perspectiva. Eles exercem o seu sacerdócio com uma compreensão mais profunda das pessoas e dos desafios a que elas estão sujeitas. Actuando em casal, os padres casados prestam assistência religiosa nos hospitais quando não há padres celibatários, assistem os casais que, por qualquer razão, estão deslocados da sua paróquia local. Os padres casados entendem as necessidades especiais dos católicos que se divorciaram e desejam 70 % dos Americanos desejam padres casados “O celibato não é essencial Os padres, para poderem passar do celibato ao par a o sacer dócio” para sacerdócio” casamento, não tiveram outra alternativa senão a de assinar papéis do Vaticano dos quais se inferia que Além da afirmação do Papa João Paulo II de que o eles realmente nunca tinham tido vocação para o celibato não é essencial para o sacerdócio, tem havido sacerdócio, que são psicologicamente instáveis, ou no Vaticano outros desenvolvimentos promissores a moralmente fracos. Ora é exactamente o contrário que respeito dos padres católicos casados. é verdade. Os padres casados agiram guiados pelo A maior parte dos católicos não se dá conta de que Espírito Santo e responderam com convicção e amor Roma tem vindo a ordenar ministros protestantes ao seu chamamento abrangente. Muitos católicos casados atribuindo-lhes paróquias aqui nos EUA. americanos reconheceram formalmente a sua coragem, Nalguns casos, estes ministros protestantes, agora especialmente aqueles que os contactaram através do sacerdotes católicos, substituíram padres forçados a programa Rent-A-Priest. A nível nacional 70 % dos deixar as paróquias por terem casado. Roma permite- católicos quer que os padres que casaram retomem o lhes que permaneçam casados e providencia apoio às ministério como padres casados na Igreja católica ro- suas famílias. mana25. Têm ficado impressionados com a integrida- Há estudos que mostram que os custos do apoio a de dos padres casados e com a compreensão compas- uma família de um padre casado são, por vezes, siva que evidenciam para com as pessoas apanhadas menores do que a um celibatário com governanta e em situações difíceis. outros auxiliares..pt * e-mail: secretariado@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: tesouraria@fraternitas.pt
  10. 10. DOSSIER10 espiral O VATICANO ORDENA MINISTROS PROTESTANTES CASADOS A maioria dos novos padres católicos casados é de Vaticano poderia levantar a disciplina do celibatoepiscopalianos que deixaram a sua tradição pelo facto obrigatório para todos os padres. Fazendo-o, poderiade a Igreja Anglicana da Inglaterra ser a favor da mobilizar mais de 110 mil padres em todo o mundo eordenação de mulheres. Ao ordenar ao sacerdócio mais reabrir todas as paróquias que foi forçado a encerrar.de 100 ministros protestantes casados, o Vaticano O Papa João Paulo II trabalhou outra iniciativa querestabeleceu de facto o sacerdócio casado na Igreja envolve padres casados. Existem cerca de 20 ritoscatólica romana. Agiu com base na afirmação do papa diferentes na Igreja universal: a Igreja católicade que o celibato não é essencial ao sacerdócio. Com bizantina, a de rito caldeu, a do rito copta, só paraa ordenação de ministros protestantes casados o citar alguns exemplos. Nem todos estes ritos estão emVaticano mudou as regras. Ao fazê-lo, criou um comunhão com Roma, mas João Paulo II fez tentativasprecedente que é o de que os católicos podem agora para unificar todos os ritos numa família eclesial. Nater padres casados a celebrar a missa e os sacramentos sua maior parte, os ritos orientais têm vindo a mantere que há leis eclesiásticas que permitem isso. Pelo seu ao longo dos séculos a tradição do sacerdócio casadopróprio exemplo, Roma anunciou claramente ao e desejam continuar com essa tradição em qualquermundo uma nova aceitação pública na Igreja de padres nova aliança.católicos casados. A declaração de João Paulo II de que o celibato Na verdade, o celibato obrigatório é uma lei não é essencial para o sacerdócio tem a dupla vantagemhumana, justamente como a antiga regra que proibia de resolver a carência de clero na nossa tradiçãomulheres ao altar. Estas práticas disciplinares não são romana e de estabelecer os fundamentos de umanecessárias para a nossa fé como católicos romanos. compreensiva e agradável unidade eclesial em todo oTais regras podem ser, e têm sido, alteradas. Deparamo- mundo. O futuro da Igreja contém muitosnos hoje com o encerramento de paróquias por causa desenvolvimentos promissores em cuja implementaçãoda lei do celibato. Com um simples golpe de pena o os padres casados desempenharão um papel chave.Leis canónicas: o público tem de fazer a petição Cada uma das leis da Igreja tem a denominação de Este cânon confirma que os padres católicoscânon. O corpo das leis eclesiásticas - Código de casados continuam a ser padres válidos em boaDireito Canónico (CIC) - formou-se logo após a posição. Os sacramentos que administrem sãoimposição do celibato obrigatório. Parece que o santo sacramentos válidos. Muita gente pensa que um padremonge Graciano, que foi quem formulou a lei canónica, quando casa fica excomungado e deixa de ser padre.estava consciente da perseguição injusta de que Mas o cânon 290 diz-nos que isso não é verdade. Éestavam a ser alvo os padres casados e suas famílias. no espírito deste cânon que nós nos designamos porTalvez por isso ele tenha introduzido no código “padres católicos romanos casados”.cânones que os poderiam proteger e permitir que o Deverá ter ouvido dizer que os sacramentossacerdócio casado se venha a restaurar um dia. administrados por padres casados são válidos, mas não Há 21 cânones que permitem aos fiéis recorrer aos lícitos. Isso é tecnicamente correcto, mas eu gostariapadres casados. Gostaria de tocar em dois destes de aduzir um exemplo para explicar a distinção entrecânones para explicar como qualquer pessoa pode os termos “válido” e “lícito”. Vou servir-me dumaestar à vontade para recorrer à ajuda de padres casados. analogia médica. Imagine que um médico do Novo O cânon 290 é muito especial 26 . Fala da México toma o avião para Chicago para umapermanência da ordenação sacerdotal. Cito: «A sagrada conferência. Aterra no aeroporto internacional deordenação, uma vez recebida validamente, nunca se O’Hare, aluga um taxi e, no caminho para o hotel,anula.» depara com um acidente de viação. Há uma pessoa
  11. 11. DOSSIER l espiral 11 O Cânon de Ouro primária da Igreja. Este entendimento do cânon de ouro do direito canónico coloca o sacerdócio casado O cânon 1752 é conhecido como “a regra de ouro” numa luz inteiramente nova. Também permite quedo direito canónico. Estabelece que «a salvação das cada fiel partilhe da nossa comum autoridade ealmas é sempre a lei suprema da Igreja». Parece que responsabilidade pelo futuro da Igreja.este cânon torna muito claro que tudo no direito Do ponto de vista do direito canónico nós estamoscanónico e nos esforços da Igreja existe para servir as hoje num estado de emergência, porque a falta denecessidades espirituais do Povo de Deus. Todas as padres celibatários está a provocar o encerramento dedeterminações que forem contra este objectivo paróquias e a ameaçar a disponibilização da missa eprimordial são efectivamente contraproducentes e, por dos sacramentos, que são as actividades essenciais daconseguinte, de validade questionável. Se a lei humana Igreja27. É muito improvável que, no futuro, haja umado celibato dos padres impede alguém de receber os reversão desta falta de padres celibatários. De facto,sacramentos, então essa lei está contra a missão todos os estudos que têm sido feitos, incluindo os que foram patrocinados pela nossa Conferência Episcopal dos EUA, indicam que a crise só piorará nos anos que aí vêm. Os padres celibatários serão cada vez menos e mais velhos para dar assistência aos católicos em número cada vez maior. Enveredar pelo encerramento de paróquias não é resposta aceitável para esta crise. O programa Rent- A-Priest é uma iniciativa inovadora à disposição dos católicos que foram apanhados nesta crise crescente. Muitas comunidades paroquiais sentem que a reintegração de 20 mil padres casados aqui nos EUA é uma solução boa e efectiva porque tem um precedente histórico e teológico sólido claramente fornecido pelo código do direito canónico.que foi projectada da viatura em que seguia e tem uma dos actos segundo a lei canónica que os católicos,ferida que sangra abundantemente. O médico acorre quando não podem encontrar um padre acessível ouem auxílio do ferido, estanca a hemorragia e estabiliza disponível, recorrem a padres católicos casados. Oso paciente até chegar a ambulância. A ajuda do médico padres casados são pessoas que receberam de Deus anesta emergência é “válida” porque ele é médico vocação para o sacerdócio. Completaram com êxitoadequadamente preparado, tem um grau académico os anos de for mação no seminário e foramconferido por uma faculdade de medicina. No entanto, validamente ordenados por bispos católicos romanos.a ajuda do médico à vítima não é “lícita”, porque ele Têm graus académicos em teologia e noutras matériasnão tem autorização para exercer medicina no Estado afins.de Illinois. Esta é a diferença entre um acto válido e Por força do cânon 290 pode-se ter a certeza deum acto lícito. Pode estar certo de que a vítima do que os sacramentos ministrados pelos padres casadosacidente ficou muito contente com a ajuda “válida” são tão válidos como os ministrados pelos padresdo médico que a socorreu quando ela precisava celibatários em qualquer paróquia católica. As pessoasurgentemente. que procuram os serviços dos padres casados acreditam Ora é com esta mesma compreensão da validade que o seu sacerdócio é válido aos olhos de Deus. 26. Coriden, et. Al. The Code of Canon Law. Paulist Press. 1985. 27. Smolinski, D. Canonical Reflections on Pastoral Emergency and the Use of Married Priests in the Catholic Church. CatholicResource Center. Framingham, MA. 1995.
  12. 12. DOSSIER12 espiralTranquilamente,os bispos aplaudem Os nossos bispos americanos lidam todos os dias muitas mudanças verificadas na Igreja católica acon-com a falta de padres. Um em cada quatro bispos disse teceram através do povo de baixo para cima e não deoff the record que está pronto a receber de braços abertos cima para baixo. As jovens acólitas são um exemploos padres casados. Os bispos da América são bons recente. Muitas paróquias tinham cursos de prepara-líderes que querem o melhor para o seu povo. Sabem ção de acólitos que eram frequentados por rapazes eque, em média, há 400 padres casados por cada raparigas. Em 1987, o Vaticano emitiu uma nota aEstado. Trabalhando em conjunto, padres casados e proibir as raparigas ao altar. Mas como em todo opadres celibatários podem parar o encerramento de mundo esta ordem não foi acatada e se continuou aparóquias. Juntos, poderiam melhorar especta- ter raparigas como acólitas, o Vaticano abrandou ecularmente a disponibilização da missa e dos cedeu. A prática transformou-se em costume e o cos-sacramentos. tume em lei. Muitos bispos americanos querem deixar de À medida que mais e mais católicos recorrem adesperdiçar o saber e a experiência que os padres padres casados para a administração dos sacramen-casados têm para oferecer à Igreja. Todos os bispos tos, esta prática levará à reintegração plena dos pa-foram informados do programa Rent-A-Priest. Alguns dres católicos casados, ao fim do encerramento deencorajaram-nos a que continuemos a promover o paróquias e a um melhor atendimento sacramental desacerdócio casado, já que é uma tradição eclesial que todos os católicos.a prática se transforma em costume e o costume setransforma em lei. Isto já está a ser feito com aadmissão ao sacerdócio dos ministros protestantescasados e pela declaração do Papa João Paulo II de Resumindoque o celibato não é necessário para o sacerdócio. O A nossa mensagem é simples e directa. Comopróximo passo será que as pessoas comecem a pedir católico romano qualquer pessoa tem o direito apadres casados para o serviço pastoral. recorrer a padres católicos casados para a missa e os Nem toda a gente poderá estar informada de que sacramentos. O programa Rent-A-Priest é um ministério pastoral dos padres católicos romanos casados. Nós oferecemos o nosso sacerdócio para ir ao encontro das necessidades espirituais dos católicos de hoje. Partilhamos os mesmos objectivos dos nossos bispos, que são os de garantir que todos os católicos tenham pleno acesso à missa e aos sacramentos e trabalhar para que todos os católicos experimentem a plenitude da nossa tradição católica. São estas as actividades primárias e essenciais da Igreja. Quando Roma reintegrar formalmente os padres católicos casados na plena participação eclesial, trabalharemos em coordenação com os nossos bispos e os nossos irmãos sacerdotes celibatários que precisarem da nossa ajuda. Até que esse dia chegue, servir-nos-emos das provisões pastorais para os padres casados garantidas pelo cânon 21 do CIC para servir os católicos que pedirem a nossa ajuda. Através do programa Rent-A- Priest, os padres católicos casados levam a missa e os sacramentos às casas dos católicos em todo o país.
  13. 13. IGREJA l espiral 13 REPENSAR JUNTOS A PASTORAL DA IGREJAO «Espiral» convidou os membros da AssociaçãoFraternitas PREÂMBULOMovimento a partilhar comentários e propostas que ajudem a Aplaude-se com entusiasmo a iniciativa deIgreja portuguesa a repensar a sua pastoral. Estas ideias auscultar a Igreja em Portugal. Discorda-se darecolhidas, se achadas oportunas, podem ser endereçadas pela observação do Instrumento de Trabalho (II) de queDirecção à Conferência Episcopal Portuguesa, e/ou outras que não a acção da Igreja “vive dispersa”, sem “ligação entreestão aqui. si”. Comentários MAIS VALIA DA SITUAÇÃO ACTUAL Considera-se que o Espírito Santo (como não 1. Passando 50 anos sobre o Vaticano II, é urgente poderia deixar de ser da sua parte, porém com arever a pastoral à luz dos documentos concilares, generosa resposta dos fiéis à acção da sua graça) temque ainda são novidade. A CEP tem documentos que estado particularmente activo na Igreja em Portugal,revelam o estado da prática religiosa. Pode ser o ponto e no mundo em geral, através da adesão dedicada,de partida para uma revisão de vida, objectiva, prática, por vezes até heróica de inúmeros fiéis de todos osordenada à vida. extractos etários e sociais a movimentos, encontros, 2. A situação religiosa é grave. O povo tem bases eventos, projectos da Igreja ou não, que revelam que,culturais muito limitadas. Há que fomentar um nas populações, o Espírito toca cada um e cada umaconhecimento mais aprofundado da Sagrada e muitos respondem ao seu chamamento à oração, àEscritura, História da Igreja, Liturgia, Moral, solidariedade, a simples encontros de comunhão, àEspiritualidade laica, Canto Litúrgico… profunda vida sacramental. 3. Rever corajosamente as práticas tradicionaisde manifestações religiosas: peregrinações, APELOSconcentrações, santas missões, desobrigas, festas aos Apela-se a que a Igreja hierárquica comuniqueoragos, outras manifestações pomposas, exteriores, eficazmente aos fiéis, como uma mãe o faz com osgrandiosas, espectaculares. seus filhos, que os compromissos apostólicos ou 4. Os leigos ocupem o seu lugar de direito, simplesmente solidários (voluntariados, etc.) em queparticipem nos centros de decisão e administração eles se empenham são carinhosamente respeitadosparoquiais, vicariais, supravicariais, diocesanos… e apoiados por ela. Apela-se a que a Igreja hierárquica monitorize Propostas rigorosamente o seu empenhamento efectivo com as margens da sociedade, não se limitando a delegá- 1. Que não sejam ouvidos ou questionados apenas lo mas experimentando-o como uma mãe o faz coma elite dos católicos, os tradicionais, os frequentadores um filho que está doente.das igrejas e capelas, os membros das confrarias, os Francisc o Sousa Monteiro Francisco Monteiroprofessores da UCP, etc. Ouça-se a voz dosmarginalizados, dos que não têm voz, de tantosespezinhados pelo poder eclesiástico. 2. Os bispos, ou aqueles que os representam, nãose fechem nas sacristias, nos paços episcopais, nemnas residências paroquiais, nem observem o mundo eas suas questões através das janelas e varandas dosseus espaços reservados e privilegiados. 3. Leiam com inteligência as estatísticas queapresentam a frequência dominical, o número debaptismos pedidos, os casamentos católicos, osfunerais católicos, as vocações dos chamados ao
  14. 14. IGREJA14 espiralexercício das ordens no ministério, do número dos os sem-tecto, se sentem bem nas nossas igrejas?consagrados na vida religiosa, os divórcios de Sentem-se bem-vindos às nossas celebrações? Sãocasamentos realizados na igreja. vistos pelos cristãos instalados como irmãos? 4. Interpretem corajosamente esses dados e 10. A Igreja já se libertou de muitos privilégiossuperem a lamúria da falta de vocações, da financeiros, sociais, culturais… A Igreja tornou-selaicização da sociedade. Fujamos duma Igreja mais autêntica, ganhou credibilidade. Mais temos aacomodada ao mundo ao qual ela se dirige com uma percorrer! Temos de abandonar o fausto. Devemosmensagem de salvação – ela é sal. cultivar o respeito e a apreciação das obras de arte que enchem as nossas igrejas e testemunham uma fé 5. Promovam-se os leigos a serem activos na popular, que na arquitectura, pintura, escultura, traduz,administração das paróquias - não sejam apenas em forma mais inteligível, os mistérios mais profundosleitores, acólitos, cantores, promotores das festas da nossa Fé.paroquiais. 11. Hoje a Igreja tem de ser solidária com o povo, 6. A formação dos leigos seja mais promovida. A descobrir for mas novas de cooperação ecultura religiosa do povo cristão é muito deficiente. desenvolvimento. A Igreja tem de abrir-se ao EspíritoEstimule-se a formação teológica, moral, sacramental, Santo, acolher formas novas de testemunhar a Fé,bíblica, litúrgica. Promova-se uma catequese para proclamar a Boa Nova com coragem, determinação,adultos, catecumenal, pelas vigararias, para facilitar a criatividade e inovação. Tem de abandonar formasfrequência do maior número de pessoas. tradicionais, que a fecham e empobrecem a mensagem da Boa-Nova. 7. Durante muitos anos promoveu-se a recitaçãodo terço, a participação em peregrinações e 12. Os bispos, os padres, os cristãos devemprocissões... Estas práticas, estes hábitos são encontrar formas simples de testemunhar a Fé. Háimportantes. Embora possam e devam continuar napastoral, todavia centre-se a vida religiosa em Jesus –o único mediador entre Deus e os homens. NA NOITE... em que se move a sociedade contemporânea, cada 8. Encontrem-se, fomentem-se a criatividade e vez mais laica, vejo na Igreja livre e libertadora a únicainovação na prática religiosa dos cristãos. Não para LUZ capaz de iluminar um CAMINHO DEaderir a modernismos e outras aberrações, mas para ESPERANÇA para o mundo. Para tal, deverá a Igrejasermos fiéis ao Espírito Santo que constantemente libertar-se de todas as formas de autoritarismo naestimula os cristãos à abertura a novas iniciativas. condução de grupos e comunidades.Parece que as grandes celebrações, nas quais os Há que ouvir mais e mais os leigos,participantes são anónimos, tiveram a sua época. Abra- responsabilizando-os nas decisões a tomar. Mas, parase caminho a celebrações mais individualizadas, haver responsabilização, urge insistir muito mais naconferindo-lhes também o valor da celebração formação para uma fé esclarecida, que não sedominical. confunda com a mera crença espontânea vinda de pais e avós. 9. Libertemos a Igreja da pompa, da exterioridade A formação é, por conseguinte, o caminhoexcessiva, do espectáculo, da grandiosidade, da necessário e urgente para revitalizar as nossasimponência, que deslumbra os olhos, abre às emoções, comunidades.mas não leva à conversão. A Igreja, nos seus bispos e Como corolário, diria que nós, elementos dapadres, tem uma linguagem de pobreza, de atenção Fraternitas, dispomos aqui (no campo da formação)aos pobres e marginalizados, mas na prática manobra- de uma área privilegiada onde poderíamos pôr ase muito bem e deixa-se atravessar pelas linhas da render, ao serviço das nossas comunidades, asinfluência, da riqueza, da tranquilidade e bem-estar. competências bíblico-teológicas que recebemos noSerá que os pobres, os anónimos, os marginalizados, nosso percurso académico. ulo Pa ul o Eufrásio
  15. 15. REFLEXÃO l espiral 15vestes e símbolos que nada dizem ao homem do «Deus é desnecessárioséculo XXI. Vestes aberrantes que não se coadunamcom o tempo de hoje. Que dizer de grandes para explicar a criação»construções, megalómanas? Como justificar os grandes Esta é a frase bombástica de Hawking.investimentos? Mitras, báculos, solidéus - podem ser Não passa disso.símbolos muito queridos e até podem traduzirhumildade de quem os usa - são resquícios de uma era Hawking é um prestigiado cientista. A suapassada e exprimem poder passado, símbolos de um especialidade é a Física. Ensinou com brilhantismopoderio e triunfalismo que nada dizem no presente. excepcional em Cambridge. Recentemente publicou The Grand Design («O Grande Projecto»), que foi escrito 13. Que fazer? Tudo mal? Nada se aproveita? em parceria com o físico norte-americano LeonardRomper com o passado? O passado da Igreja Mlodinov. Tem outras obras de merecidocorresponde a um testemunho. Não se pode ignorá- reconhecimento cultural.lo; não pode ser apagado. Assumimos esse passado, Este autor explica o aparecimento do universo poressa história, esse testemunho. Errado é vivermos geração espontânea. Segundo ele, a lei da gravidade,agarrados a ele. O passado não é dogma de Fé. aliada a outras forças da Natureza, teria necessariamente esta consequência. 14. Preparemos um sínodo representativo do Povo É evidente que The Grand Design exige uma leiturade Deus. Não como a Missão em curso na diocese do atenta, não se pode ficar pela rama. A Ciência investigaPorto. Um sínodo que vá às raízes, às fontes da Fé, à sobre dados conhecidos, desenvolve teorias, explicaTradição Apostólica. Perscrutem-se os verdadeiros os resultados das experiências laboratoriais, desdobraproblemas económicos, financeiros, culturais, sociais, os componentes até chegar aos elementos primeiros,religiosos – humanos. Busquem-se as causas. Digamos mais ínfimos… mas trabalha sempre com a matérianão à superficialidade, ao banal. Não pretendemos positiva, real, extensiva – matéria segunda – dizem osarrastar multidões. Analisem-se os problemas à luz da filósofos.Palavra de Deus. Dêem-se respostas pastoraisadequadas. Não queremos respostas académicas ouproblemas equacionados com teses de mestrado edoutoramento – queremos Vida religiosa, que leve àmaturidade na Fé, que nos leve a viver Jesus Cristo,Palavra do Pai. Pretendemos compromisso pessoal,conscientemente assumido. 15. A CEP escolha psicólogos, sociólogos, analistas,teólogos, pastoralistas, liturgistas, militantes da AcçãoCatólica, militantes de outros movimentos deapostolado, outros… que venham para o terreno,ouçam as pessoas – cristãos comprometidos, osdissidentes, os praticantes convictos, os nãopraticantes, os indiferentes, ateus… Interroguem,recolham depoimentos, testemunhos. Analisem essesconteúdos. Proponham reflexões, alargadas. Aceitemsugestões. Ninguém tenha medo do presente nem do O erro de Hawkingfuturo. A conclusão de Hawking enferma de um erro crasso! Qual é o erro de Hawking? Podemos falar de 16. O Espírito de Jesus está com a Igreja. O erro? Em que sentido? Um cientista pode errar?Espírito assiste-a e governa-a. Tenha o Povo de Deus A Ciência nunca erra. A Ciência tem leis rígidas,a coragem de ouvir esse Espírito e de seguir as suas muito exigentes que respeitam sempre a Natureza.decisões. Joa Soares Joa q uim Soares (CONTINUA NA PÁGINA 16)
  16. 16. A Imaculada Conceição | P.Ta Malmequeres, 4 - 3.º Esq | 2745-816 A Igreja, “Mãe e Mestra”, oferece-nos a festa da Imaculada na preparação para o Natal. Maria, como boa judia, conhecia as profecias sobre Assim Maria começou a preparar a vinda de Jesus,a vinda do Messias. Israel esperava um Messias no silêncio, na rotina de todos os dias, na simplicidadetriunfador, um grande libertador que vingasse a da vida doméstica, no seu coração… Grandeignomínia a que Israel estava votado. Maria pensava transformação de Maria! O seu ventre, um Templo!assim? Ou terá descoberto, contra esta corrente O seu coração, um tabernáculo!tradicional, características verdadeiramente E assim Deus realiza o Seu plano: a salvação dosinovadoras, sobre o Messias? O princípio das suas homens concretiza-se.dúvidas: ela estaria certa? E a tradição? Os estudiosos E hoje como preparas a comemoração desteestariam errados? E os conhecedores dos segredos de nascimento? Jesus continua a ter necessidade deDeus que pensariam? – Uma loucura! nascer. Precisa de ti para incarnar as situações de Maria, na linha dos profetas, acreditava que Deus injustiça, de pecado. Que te propões? Não desanimes! P.Taintervém na vida dos homens por outros homens e Não desistas! Fazes parte daquele Resto que espera,mulheres. Como é que Maria descobriu que era contra todas as evidências, que venha até nós essechamada para intervir de for ma objectiva, Reino de justiça, de verdade, de paz, de amor… que Boletim de Fraternitas Movimento | Trimestral | Redacção: Fernando Félixparticipando neste plano de Deus? E logo ela! já está no meio de nós. Ele quer vir. Mas conta Estava Maria indecisa para dar a sua adesão a este contigo: a tua vontade, o teu trabalho, o teuplano. Hesitava. Ela, uma jovem, ignorada, como compromisso. Sem ti, nada! Mistério da Fé!podia dar o seu contributo? Seria possível? Maria encoraja-nos. Temo-la diante dos olhos. O Anjo, com nome próprio Gabriel, intervém. Procedamos como Ela. Soares J . SoaresConfirma que as suas dúvidas eram seguras.Garante-lhe que Deus quer que ela intervenha.Disse-lhe que Deus tem vindo a prepará-La: é“cheia de graça”. Quem será este Anjo? É um mensageiro divino.Mas será de facto um ser espiritual? Ou alguém desseresto de Israel que esperava o Reino no silêncio, nadiscrição, na humildade, longe dos centros dedecisão?… Nesta conversa com a Virgem, revelamuitos pormenores sobre o procedimento de Maria e Paz e Alegria na Alegrda sua relação com Deus. É evidente que Deus pode Ter r a que Deus ama! err que QUELUZ | E-mail: fernfelix@gmail.comter enviado um Anjo…(CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 15)Erram os cientistas, quando extrapolam da sua esfera experiência e conclusões. Assim contribui para o bempara outros domínios do conhecimento ou tiram e progresso da humanidade.conclusões mais alargadas do que a experiência lhespermite. Há mérito em Hawking Que se passou de facto? À Física compete explicar Sem dúvida! Sobretudo ajuda a purificar o conceitoos fenómenos científicos que engendra, ou os de Deus. Vemos que há uma progressão nessefenómenos que constatamos no Universo. E nisso há conhecimento. No Génesis, Deus aparece-nos commérito do cientista que vai avançando nas suas um trabalhador, forma o homem de um pouco deexperiências analisando e decompondo os fenómenos, barro. No Êxodo, Moisés já nos dá uma ideia deesmiuçando-os. Errado será passar do mundo físico, transcendência: a sarça arde sem se consumir. Osmatéria extensiva, misturando análises positivas com profetas vão purificando este conceito até Jesus noso domínio da Filosofia e Teologia. É evidente que a dar a verdadeira noção, ou pelo menos, a maisCiência nada pode sobre estes domínios. Já no século aproximada e compreensível, do nosso Deus.IV, Santo Agostinho advertia que o imanente não abre Concluímos: de facto Deus não é um artesão. Ele é a espi ralcaminho ao transcendente. Isto para dizer que o causa primeira: uma presença ausente. Será possívelsapateiro não vai além da chinela. Compete ao compreendermos esta dimensão?cientista conter-se na sua área e aí apresentar a sua Soares J . Soares

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