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  1. 1. espiral da ANO xiII - fraternitas moviment ternit N.º vimento boletim da associação fraternitas mo vimento N.º 48 JULHO/SETEMBRO - JULHO/SETEMBRO de 2012Esper ança, antídoto contr a as crisesEsperança, antídot contra crises A Fernando Félix nossa irmã desolação. - falta de fé, esperança e amor, básicamente, também faz parte da nossa T enho ouvido repetida a vários sócios a palavra vida. A crise dos encontros com as realidades som- «péssimismo», e sempre associada ao futuro da brias da vida é a coroa da mesma moeda que é a nossa reali- Fraternitas. Parece que se perdeu com o passar dos dade pessoal.anos e com o declinar do tempo aquele entusiasmo dos pri- Isto é, a vida tem sonhos, utopias, experiências belas e,meiros tempos, dos anos em que o Padre Filipe Figueiredo também, medos, monstros e amarguras. E brotam pergun-andava entre nós, movia corações e congregava pessoas à tas, que podem ser santas ou insidiosas: “Será que valeu avolta do sonho de reunir os padres dispensados num movi- pena ter entregue a Deus e aos outros o melhor da minhamento, com as suas mulheres e filhos. vida?... Não foi uma loucura e utopia o que até agora tentei Todavia, também sabemos que a idade avançada é uma viver?... Que ganhei?... Onde estão os frutos de tanto trabalhoidade madura, caracterizada por determinantes específicos tais e esforço? Os outros perceberam, recolheram e vão dar usocomo interioridade, responsabilidade, sabedoria, e, particu- e continuidade ao que eu fiz?...”larmente, quando diminuem as forças, abre-se a possibilida-de de confiar mais nos outros, além de, claro, em Deus. Um meu tio costuma dizer. «Aos 70 anos Ou seja, à desesperança do pessimismo, haveremos decontrapor o optimismo da esperança, apoiada na confiança. faço o mesmo que fazia aos 18. Na altura, Muitos sócios da Fraternitas já viveram a primeira metade fazia o que podia; agora... também faço oda vida, outros estão a atravessar a fronteira e são poucos os que posso..»mais novos. Os da meia-idade lutam por sobreviver no mundo em T odas estas palavras querem ser um convite a partitempos de crise. Há muita agitação, por causa, sobretudo, das cipar no nosso 33.º Encontro Nacional daquestões do emprego, das incertezas na economia, da preo- Fraternitas, que se realiza de 5 a 7 de outubro, des-cupação com o futuro dos filhos e, também, com os sinais ta vez no Norte, em Devesas, Vila Nova de Gaia (ver páginade fraqueza da saúde que começam a manifestar-se. 9 deste jornal). Iremos falar da Esperança, percorrendo a Bí- Os de idade mais avançada chegaram ao tempo em que o blia, para continuarmos a percorrer os caminhos da nossa“eu” é obrigado a olhar, não tanto para fora, mas para essa vida e os trajetos do mundo onde nos movemos.outra realidade, imensa e profunda, de sua vida interior. É a Nas crises de desalento e desesperança, a vida parece per-idade em que se sente não ter forças para nada, sente-se o dida. As forças, que antes se tinham e que lutavam em nossocansaço, fazem-se balanços da vida. E é do eu, contemplativo, favor, vão-se debilitando e acabando. Mas o que não acaba éque nasce a vontade e disponibilidade para rezar, para dar a experiência do que realmente somos, temos e queremos.conselho, para encorajar. No meio deste tipo de crise, corre-se o perigo de nos Em todas as idades há perguntas ainda a precisar de res- distanciarmos de tudo e de todos, de nos isolarmos no nos-postas, há sentimentos de insegurança pelos caminhos ainda so pequeno mundo, de termos a impressão de que algo mui-não experimentados, há a incertezas e confuões, tantas vezes to importante se perdeu.por causa de expetativas frustradas. Perguntemo-nos: «Onde está e o que vale a intimidade A virtude de viver em sociedade, em pequenas comuni- com Deus, que nos conduziu até aqui?... Onde estão aquelesdades - como a família, o grupo, a associação, o movimento gestos generosos cheios de “santa loucura”?- é que a partilha das experiências impede de perder tempos Um meu tio costuma dizer. «Aos 70 anos faço o mesmopreciosos e montes de energia, quando, cada um, procura que fazia aos 18. Na altura, fazia o que podia; agora... tam-por si só, as respostas, as vitórias. bém faço o que posso..»
  2. 2. 2 espiral Livros de associados da Fraternitas editados em 2012 e em 2003-2005 Vamos anunciando as obras lite- Dividi a citada obra em três fases, a taríamos que tal evento ficasse perpetu-rárias com base nos dados dispo- saber: - 1ª Fase (1980/1987), em que se ado através de um livro, com a história níveis no secretariado. O critério fala da génese embrionária da ALADI, desta Instituição, com uma certa profun-tem sido, então, os que vão sendo focando-se figuras que muito fizeram didade e rigor, em que sejam relatadas publicados recentemente e o por esta Instituição, sensibilizando e di- todas as ocorrências havidas desde a sua biénio ou o triénio, consoante a namizando toda a comunidade lavrense conceção até ao presente.”abundância da produção literária, “recuando” no tempo. No último e parte da população matosinhense; Após madura reflexão, aceitei “embar- número, devido à homenagem a - 2ª Fase (1987/1994), período do car” em tão ambiciosa aposta, devido ao Henrique Maria dos Santos, arranque decisivo e ganhador, com ações objetivo em vista: falar sobre algo que, de dedicámo-nos “apenas” à sua múltiplas e marcantes, a começar pela uma maneira incontornável, foca e coloca obra – “ Aventura Feliz”. elaboração, aprovação e publicação em Lavra como possuidora de uma Associa- Diário da República dos respetivos es- ção deveras singular – a ALADI –, plas- Urtélia Silva Urtélia Silv tatutos; mada num genuíno humanismo cristão, - 3ª Fase (1994/até...2012), período condimentado por uma saudável partilha “ALADI - 25 ANOS A DIMI- que começou pela inauguração do Lar de alto quilate e de bairrismo sadio.NUIR A DIFERENÇA”, Residencial e com a assinatura de pro- Escrevera Fernando Pessoa, insigneBoaventura Santos Silveira (2012), im- tocolos para o funcionamento deste e poeta português do séc. XX, que, a res-pressão da gráfica Imprensa Portuguesa do CAO pela Segurança Social. peito de qualquer obra digna e– Porto, 320 páginas]. CONVITE/DESAFIO A UM enaltecedora do ser humano, existe o Obrigado a COMPROMISSO (páginas 9 e 10): As contributo sistemático e decisivo de duas Boaventura Silveira, obras, na maioria dos casos, ilustram os coordenadas – a vontade de Deus e o que já nos preparou pensamentos, as emoções e, sobretudo, acarinhar dum sonho pela pessoa –, o que se apresenta. os sonhos, os quais, ao passarem pelo condensado no seguinte verso inserido Do autor: «Na coração, normalmente motivam as pes- na sua famosa “Mensagem” (II Parte, freguesia de Lavra soas e as levam a concretizá-los no seu no poema intitulado “O Infante”, cons- (concelho de dia a dia. Foi precisamente o que se pas- tituído por três quadras), considerada a Matosinhos), em sou com o nascimento da “Associação joia dos seus escritos poéticos: abril de 1987, fora Lavrense de Apoio ao Diminuído Inte- “Deus quer, o homem sonha e a obra criada uma institui- lectual” (ALADI), que, em abril de 2012, nasce” (1º verso da 1ª quadra). Acabariação para deficientes mentais, com a se- completa 25 anos de existência ao ser- o dr. Joaquim José Fernandes Branco porguinte denominação: Associação viço dos mais frágeis da comunidade solicitar os meus préstimos para estaLavrense de Apoio ao Diminuído Inte- lavrense, assim como das freguesias e ação. Aceitei, embora reconhecendo emlectual (ALADI). concelhos limítrofes. mim próprio uma certa ousadia/atrevi- No início deste ano de 2012, a pedido Há tempos, a atual Direção da mento. Porém, estava em causa uma es-insistente da atual direção, escrevi a histó- ALADI, na pessoa do seu presidente, pecífica entidade, reconhecida eria da ALADI, para comemorar os seus dr. Joaquim José Fernandes Branco, me referenciada pela sua forte e exclusiva de-25 anos de vida. Foi atribuído a esta obra comunicou que era intenção dos respon- dicação aos mais necessitados de tecidoo título “ALADI - 25 anos a diminuir a sáveis desta nobre Instituição espoletar social, cuja existência depende da conju-diferença”. É um livro em e. Esta casa uma comemoração condigna, por oca- gação de uma real e contínua interaçãoacolhe 60 utentes (em regime de interna- sião das BODAS DE PRATA desta entre os que podem e os que precisam.to), a que acrescem mais 50 no Centro de Obra, verdadeiramente humanitária e Imbuído dum sincero espírito de ser-Atividades Ocupacionais (CAO). No pró- com um inquestionável pendor e cariz viço, aceitei o repto, presumindo, de ante-ximo mês de setembro um novo módulo de solidariedade social, a qual ocupa um mão, que não me faltaria uma prestimosaserá solenemente inaugurado, em que no lugar cimeiro no íntimo de todos aque- colaboração das muitas pessoas a quemLar respetivo serão admitidos mais 24 ele- les que a conhecem mais de perto. irei recorrer, para a obtenção de dadosmentos, enquanto que no CAO poderão E, a seguir, em jeito de pedido, lan- indispensáveis, que pretendo registar, paraser aceites mais 20 utentes. çou-me um convite…desafiador: “Gos- os transmitir aos vindouros.»
  3. 3. lespiral 3 PREFÁCIO escrito por D. Manuel após espaço. Assim a ALADI, em La- que não pode ser assim, nem deveria ser,Clemente, Bispo do Porto: «Nos 25 anos vra e onde chegue. mesmo que fosse materialmente viável.da ALADI (Associação Lavrense de Como no Antigo Testamento, tam- Com os autênticos profetas, concentra-Apoio ao Diminuído Intelectual) pedem- bém agora no Novo em que estamos e mos o olhar e o coração no que real-me breves palavras de introdução a este no que à profecia respeita. No tempo mente vale e verdadeiramente acontece,trabalho do Dr. Boaventura Santos dos vários Isaías, as atenções estavam em cada ser humano, um por um, novoSilveira, tão evocativo e meritório como mais viradas para os palácios dos reis e ou velho, saudável ou enfermo, mais ououtros da sua escrita. Particularmente as suas obras, grandes ou pequenas, menos capacitado. E percebemos quemeritório, aliás, por descrever um quar- combinações e tratados, glórias e reve- nada vale tanto como isso mesmo, nadato de século da ALADI, Obra que par- zes das políticas… Menos para o que os compensa tanto como a entreajuda, oticularmente avulta, em Lavra e não só. profetas divinamente diziam, sobre a carinho oferecido, o serviço humilde daNão poderia deixar de as dar, como aqui retidão face a Deus e aos outros, o bem- pequenez de todos, a persistência no ser-vão, em simplicidade convicta. orar e o bem-fazer. viço, que comprova o amor. Mérito também para a atual Direção, Nas duas décadas e meia que a Em 2012 sabemos, não tendo des-encabeçada pelo Dr. Joaquim José ALADI já viveu, também grandes fac- culpa nem álibi para não o saber, entreFernandes Branco, que não quis esque- tos e enormes promessas encheram no- os escombros de tanta ilusão. Há 2000cer os que sonharam e guiaram a ticiários e distraíram vidas, muitas vidas. anos, o futuro do mundo não se jogavaALADI, desde o saudoso P.e Dr. Ma- Promessas em catadupa, de paraísos à em Roma, nem sequer em Atenas, ounuel Domingos da Silva Lopes e o Prof. mão e geralmente a crédito; figuras me- em qualquer outro pólo da atração ge-Júlio da Silva Oliveira. Destes e outros diáticas de diversos setores, por diver- ral. Jogava-se e ganhava-se nos discre-nomes, tão justamente lembrados, dá o sas razões, melhores ou piores… Tudo tos gestos em que Jesus resumia o Céu eautor vasta referência ao longo das pá- se previu e parecia possível, com uma a Terra na caridade autêntica do serviçoginas que se seguem. Junte-se a minha condição prévia: a de se ser apto e ca- a todos, honrando a humanidade ondedevotada homenagem também. paz para produzir e consumir, com ela mais doía: nos pobres de todas as A palavra que especialmente aqui cânones apertados de esteticismo à pobrezas, nos pequenos mais esqueci-deixo é sobre o cariz “profético” que a Hollywood. O produzir redundava dos, marginalizados e sós.ALADI sobremaneira tem. E explico- mesmo em “produzir-se” a si mesmo, O que louvo, agradeço e sublinho,o: “Profecia” é palavra de Deus, dita no segundo tais cânones e expectativas al- nos 25 anos da ALADI, é isto mesmo:mundo para bem dos homens. Há quem tas. Sacrifícios, a manterem-se, eram nes- a profecia do futuro, proferida e escritaa oiça e a transmita fielmente, sendo as- ta linha e apenas nela. Chamavam-lhe, na vida de todos os seus sucessivos res-sim profeta, como o foi Jesus Cristo, por vezes, “qualidade de vida”, como ponsáveis, colaboradores e benfeitores,por máxima razão. Há, muito felizmen- se a vida em si mesma – toda e qualquer como na vida de quantos serviu e serve.te, quem participe do Espírito de Jesus vida humana – não tivesse qualidade Obrigado, ALADI, por nos mostra-Cristo e se torne assim em profecia e bastante e só por si. res também “os novos céus e a novaevangelho, tempo após tempo e espaço Em 2012 sabemos que não é assim, terra!”» “AUTOTRANSCENDÊNCIA – e aos ventos. Na perplexidade desta se- as pessoas, numa partilha total do que oterceiro passo existencial”, Manuel Joa- gunda década do século XXI, em que estudo lhe revela, a reflexão aprofundaquim Cristo Martins (julho, 2012), Pau- todas as estruturas da sociedade pare- e a experiência consagra. Na sua peda-linas Editora, 263 páginas. cem desmoronar-se, esta trilogia traz a gogia peculiar, surpreende-nos com a Na CONTRACAPA, o autor: “Este mensagem de que a Humanidade não síntese dos seus diagramas, com a pro-é o terceiro livro da nossa trilogia. Em está num beco sem saída. Ao fundo do fundidade dasAutoconhecimento, o primeiro passo túnel já vislumbramos os pardos suas explicações eexistencial, propusemo-nos descobrir o verdejantes do reinado do Homem In- com a simplicida-nosso Ser. Em Autoconsciência, o se- tegral que nos oferece a vivência plena, de da sua lingua-gundo passo existencial, propusemo-nos em progresso e em paz, porque ilumi- gem. O seu cam-centrarmo-nos no Ser. Em Autotrans- nada pelo projeto «HOMEM» do nos- po de ação temcendência, o terceiro passo existencial, so Deus.” sido largo e diver-propomos construirmo-nos no Ser. O Ainda na CONTRACAPA, Vasco sificado: empre-Ser dos humanos é a sua «estrutura espi- Ventura: “Cristo Martins faz do huma- sas, escolas, insti-ritual», é a «rocha» do Evangelho, sobre nismo o seu sacerdócio, quer através dos tuições, associa-a qual toda a construção resiste à chuva seus livros quer no contacto direto com ções…”
  4. 4. 4 espiral “O CÉU: ONDE DEUS NOS “ A MARGEM DA TRANSCENDÊNCIA – UMESPERA PARA SEMPRE”, Fran- ESTUDO DA POESIA DE RUY BELO”, Manuelcisco Sousa Monteiro (2004), Editori- António Silva Ribeiro (2004), com o patrocínio da Fun-al A.O.- Braga, 216 páginas. dação Calouste Gulbenkian e da Fundação para a Ciên-www.jesuitas.pt/AO. cia e do Ensino Superior. Também no Espiral nº 15, abril-ju- No Espiral nº 15, abril/junho de 2004, na página 6,nho de 2004, página 6, consta a notícia consta a notícia da sua publicação e alguns dados adici-da sua publicação e alguns dados adici- onais, transcrevendo-se: «Leiam-se a Voz Portucalenseonais. Acrescenta-se a partir do livro: de 19.5.2004 e a Brotéria de Julho.2004.» DEDI- CATÓRIA do autor - “ A todos os que me pre- “MARCOS- O EVANGELISTA habituados à deificação de imperadores cederam na DO ANO B / algumas notas e de heróis. No caso, tratava-se, como fé, na glória intodutórias”, Artur da Cunha Olivei- já vimos, de que não era um homem e estão uni- ra (2003), edição do autor, União Grá- que se fizera Deus, mas um Deus que dos ao infi- fica Angrense, Açores, 75 páginas]. assumira verdadeiramente a natureza nito Amor Na INTRODUÇÃO, o autor: «(…) humana. É mesmo este um dos aspec- de Deus. E aquilo que é preciso dizer antes de tos que mais falta faz na evangelização e A todos mais é que a leitura litúrgica, uma vez na espiritualidade da Igreja Católica: a os que co- que fragmentada, jamais nos poderá dar centralidade da pessoa de Jesus de Na- migo crêem um retrato perfeito do autor nem a zaré, em que se fez homem o Verbo deem Jesus Cristo e O amam. exacta ideia do que é a sua obra. O que Deus. «E o Verbo fez-Se homem e veio A todos os que até ao fim dos tem- está pois em causa, neste momento, é habitar connosco» (Jo 1, 14a).pos gozarão a glória na unidade do in- aproveitar a ocasião para dar a conhe- Enfim, a Humanidade foi assumida,finito Amor de Deus Trino. cer um pouco quem é Marcos e algu- pessoalmente, pela Divindade, passan- Ao P. Filipe de Figueiredo, instru- mas características e temas do segundo do então a realizar-se, como se se tra-mento de Deus no meu caminho para dos quatro evangelistas da nossa Bíblia tasse de um sacramento – sinal eficaz,Ele e que agora, no céu, há-de ler este (…)”. aquilo que nos revela Gn 1, 27: «Deuslivro, no Coração de Deus, para sem- Em CONCLUSÃO, o autor: “(…) criou o ser humano à sua imagem».”pre. (…) “ O estilo de Marcos é um estilo vivo, re- Na CONTRACAPA, um trecho do alista, quase testemunhal, em que os as-Prefácio, pelo P. Peter Stillwell – “Tra- pectos humanos de Jesus merecem-lheta-se de uma meditação tranquila que um interesse e atenção que não se en-por vezes se transforma em oração de contram nos outros evangelistas, sobre-acção de graças ou de louvor. O ritmo tudo nos sinópticos Mateus e Lucas.é o do próprio espírito, soprando onde Sinal de quê? Se se não trata apenasquer. As várias partes da obra não obe- de modismos literários, Marcos e Pe-decem, portanto, à sequência de uma dro interessaram-se, na sua obra de evan-argumentação lógica nem a uma siste- gelização aos Romanos, em acentuar amatização escolar. Mais parecem um rio, humanidade de Jesus. Romanos aliásespraiando os braços em delta, antes demergulhar no mar. Com efeito, o lugar O Secretariado agradece os dados relativos a quaisquer livros publica-para onde a reflexão caminha, nunca está dos pelos associados. Igualmente agradecemos, de novo, a M.J. Cristoem dúvida. O autor enuncia-o claramen- Martins (associado até dezembro de 2011, continuando a sê-lo de e note nas primeiras páginas da introdução. coração), que tão gentilmente nos ofereceu o seu terceiro livro. Leve- mos este bendito fruto do rendimento dos talentos que Deus vos conce-É «o nosso êxtase de amor por Deus deu (e outras obras) para os Encontros Nacionais!... Parabéns aos au-… ‘face a face’… finalmente, sem véus, tores e seus colaboradores.sem hesitações nem negações, para todo A nossa profunda gratidão.o sempre…»” Os exemplares foram cedidos pelos autores ao Secretariado, podendo ser solicitados pelos sócios.
  5. 5. lespiral 5Jesus e/ou Cris to Deus… seguiam Jesus. Jesus voltou-se e, notando que eles o seguiam, pergun- tou-lhes: “Que pretendeis?” Eles disse- Artur Artur Oliveira Deus para levar a cabo um desígnio di- ram-lhe: “Rabi – que quer dizer Mestre vino. É o caso do rei persa, Ciro, en- – onde moras?”. Ele respondeu-lhes: J ESUS (em hebraico Yešu`a) é quanto escolhido por Yahweh para li- “Vinde e vereis”. Foram, pois, e viram nome teofórico de pessoa. Quer bertar os Judeus do cativeiro da onde morava e ficaram com Ele nesse dizer: na sua composição entra babilónia: Eis o que diz o Senhor a Ciro, dia. Era ao cair da tarde. André, o ir-um elemento proveniente do nome de seu ungido (messias/cristo), a quem to- mão de Simão Pedro, era um dos doisDeus (neste caso, Yahweh, que foi como mou pelas mãos… (Is 45, 1), como o que ouviram João e seguiram Jesus. En-o Senhor do Universo Se nomeou a Moi- dos patriarcas. Nunca, porém, se usa na controu primeiro o seu irmão Simão, esés naquela célebre teofania do Monte Bíblia do Antigo Testamento o termo disse-lhe: “Encontrámos o Messias!” –Horeb (Ex 3, 14) e um elemento do “messias” (em grego, “cristo”), como que quer dizer Cristo (Jo 1, 36-41). Osubstantivo “ajuda” ou “salvação” que, nome de pessoa. Por outro lado, a ex- mesmo (Messias/Cristo) se lê no episó-em hebraico, é išu`ah. Foi, com efeito, pressão “ungido de Yahweh”, que se dio da Samaritana (Jo 4, 25).este o significado de Jesus supostamen- aplicava ao soberano reinante, só no úl- A verdade é que se estava, então, nate manifestado em sonhos a José: Ela timo século pré-cristão é que principiou expectativa do Messias, o libertador, o rei(Maria) dará à luz um filho ao qual da- a ser usada com referência ao prometi- descendente de David que restituiria a an-rás o nome de Jesus, porque Ele salvará do redentor de Israel, que se concebia tiga soberania ao Povo de Israel, o qual,o povo dos seus pecados” (Mt 1, 21). como rei. Daí passou à linguagem dos de há mais de meio milénio, andava sujei-Jesus quer, pois dizer: “O Senhor rabinos e aos escritos do Novo Testa- to ao domínio de povos estrangeiros(Yahweh) salva”, ou, “o Senhor ajuda”. mento: o aguardado redentor de Israel (Assíria, Babilónia, Síria, Roma). HaviaÉ, portanto, nome de pessoa. é designado por o Messias, ou o Cristo, mesmo quem se preparava para a revolta Foram quase uma dúzia as pessoas em grego. Veja-se esta significativa pas- contra Roma. Inclusivamente, no númeroque na Bíblia se chamaram Jesus, desde sagem do IV Evangelho: dois dos dis- dos Doze Apóstolos poderá ter havidoum levita (2 Cor 31, 15), no reinado de cípulos de João Baptista, ouvindo o seu um desses: Simão, o Zelota (Mt 10, 4; LcEzequias (716-687 a. C.), e um repatria- mestre tratar Jesus por Cordeiro de 6, 15) ou Cananeu (Mc 3, 18).do da Babilónia (Esd 2, 5), no tempo Estranhamente ou não, já depoisde Ciro (531-529 a. C.), rei persa, até da morte do Senhor Jesus e da reve-um descendente de David (Lc 3, 29) e lação de que Ele continuava existin-um colaborador do apóstolo Paulo (Cl do, a morte não O vencera (Ressur-4, 11). Nome exclusivamente de pes- reição), naquela criação literária lucanasoa, o que não acontece com Cristo que, do desaparecimento definitivo dono Antigo Testamento, nunca aparece Senhor Jesus (Ascensão) os discípu-como tal. E, no Novo Testamento, va- los ainda perguntavam: “Senhor émos já ver como e por que se usa Cris- agora que vais restaurar o Reino deto como, supostamente, o nome pes- Israel?” (Act 1, 6). E foram os cris-soal do Senhor Jesus. tãos helenistas, nomeadamente quan- C RISTO deriva do adjecti do a primitiva Comunidade dos dis- vo grego Christós/ê/ón que, por sua vez, vem do Designações bíblicas do Senhor Jesusverbo chriô cujo significado é “ungir”. DesignaçãoCristo, em grego, é pois, aquele que foi Jesus Cristo Senhor Jesus Senhor Jesus Nosso Senhor Jesus deungido, que recebeu a unção própria dos Jesus Cristo Cristo Jesus Cristo Nazaréreis e dos sacerdotes. Na Bíblia usa-se Autorcristo para traduzir o hebraico mašiah Marcos 71 6 1 4 - - 3ou o aramaico mešiha, donde nos veio Mateus 159 12 - 1 - - 4o termo “messias”. Com este termo de Lucas“messias” se designa no Antigo Testa- Evangelho 92 12 1 - - - 3mento todo o homem que foi consa- Actos 30 8 12 16 4 2 6grado a Deus por meio de uma unção João 242 17 - 3 - - 3(reis e sumos sacerdotes) ou também, Paulo 20 226 9 222 2 5 -que foi especialmente escolhido por
  6. 6. 6 espiralcípulos do Senhor Jesus se separou do Ju-daísmo, e porque menos ligados à tradi- VII Encontro Mundialção judaica, que passaram a usar Cristocomo segundo nome próprio de Jesus.Foi em Antioquia que, pela primeira vez, das Famíliasos discípulos começaram a ser tratados Reflexão de Mons. Bruno Fortepelo nome de “cristãos” (Act 11, 26). Tal- que participou do encontro dasvez pudessem ter vindo a ser denomina- famílias, em Milão, com uma nu-dos “jesuânicos”. Mas não. Os eventuais merosa delegação.“jesuânicos” passam a ser “cristãos”, e oeventual “Jesuanismo” deu-nos o Cristia- B ento XVI concluiu, em Minismo, para o que contribuiu não pouco lão, o VII Encontro Mundialo apostolado paulino (Veja-se, por exem- das Famílias com o tema “Aplo: Rm 6, 4.8-9; 8, 17; 1 Cor 1.12- família, o trabalho, a festa, que decorreu13.17.22-24). Pelo Quadro seguinte po- de 30 maio a 3 junho de 2012.demos ficar sabendo como o Senhor Je- Trata-se de um evento com umasus foi nomeado nos Evangelhos, nos mensagem forte e atual. Para entendê-Actos e em Paulo. Nos primeiros, predo- lo, parto de algumas frases da carta quemina o nome Jesus: 594 vezes, contra ape- o Santo Padre enviou para anas 20 em Paulo. Cristo: só 55 vezes nos convocatória: “Nos nossos dias, a or-Evangelhos e Actos e 226 em Paulo. ganização do trabalho, pensada e atuada Concluindo: Jesus e Cristo são a em função da concorrência de merca-mesma pessoa. Mas quem? Homens de do e do máximo lucro, e a concepçãoIsrael, escutai estas palavras: Jesus de da festa como ocasião de evasão e deNazaré, Homem acreditado por Deus consumo, contribuem para desagregarjunto de vós, com milagres, prodígios e a família e a comunidade e para difun-sinais que Deus realizou no meio de vós dir um estilo de vida individualista. Por tes e jovens podem aprender a amar apor seu intermédio… Deus ressuscitou- isso, é necessário promover uma refle- Deus e ao próximo, e os idosos, raízeso, libertando-o dos grilhões da morte xão e um compromisso que visem con- preciosas, podem à sua vez sentir-sepois não era possível que ficasse sob o ciliar as exigências e os tempos de tra- amados. A família é, assim, sujeito ativodomínio da morte (Act.2,22-24), pro- balho com aqueles da família e recupe- no caminho da comunidade cristã e daclamou Pedro no dia do Pentecostes. rar o sentido verdadeiro da festa, espe- sociedade civil, não somente destinatá-Era esta a fé e a cristologia da primitiva cialmente do domingo, dia do Senhor e ria de iniciativas, mas protagonista doComunidade Cristã. Assim, podemos dia do homem, dia da família, da co- bem comum em cada um dos seus com-afeiçoar-nos pelo nome Jesus como pelo munidade e da solidariedade.” ponentes.termo Cristo. Só que os resultados não Estas palavras subentendem uma alta Para que isso aconteça, o pacto con-serão os mesmos. Enquanto que, afei- visão do valor e do papel da família: os jugal, que é a base da família, deve serçoando-nos pelo nome Jesus, constituí- esposos unidos no sacramento do ma- vivido de acordo com algumas regrasmos uma como que relação pessoal e trimónio são imagem da Trindade divi- fundamentais: o respeito da pessoa douma vivência mais íntima com Ele, as- na, do Deus que é amor e, por isso outro; o esforço para entender melhorsim como um mais eficaz compromis- mesmo, relação e unidade do Pai, que as suas razões; o saber tomar a iniciativaso com a Sua Mensagem; preferindo a eternamente ama, do Filho, que é eter- de pedir e oferecer perdão; a transpa-denominação Cristo já não é bem a re- namente amado, e do Espírito, vínculo rência recíproca; o respeito pelos filhoslação com a pessoa mas com a entida- do amor eterno. Nesta unidade como pessoas livres e a capacidade dede, e é mais fácil deixarmo-nos levar profundíssima cada um é si mesmo, en- oferecer a eles razões de vida e de espe-pelo formalismo e contentarmo-nos quanto acolhe totalmente o outro. À luz rança; o deixar-se questionar pelas suascom a aceitação de dogmas, de cânones, deste modelo, a vocação matrimonial é esperanças, sabendo escutá-los e dialo-de rituais e de tradições. Há muito por vista como unidade plena e fiel dos dois, gando com eles; a oração, com a qualaí quem encha a boca com “Cristo, Cris- comunhão responsável e fecunda de pedir a Deus a cada dia um amor mai-to, Cristo”, mas não seja capaz de, por pessoas livres, abertas à graça e ao dom or, buscando ser um para o outro, e jun-si, dar de graça – digamos – um copo da vida aos outros. tos, para os filhos, dom e testemunhode água a quem tem sede, como Seio do futuro, a família é escola de Dele.indubitavelmente faria o Senhor Jesus. vida e de fé, na qual crianças, adolescen- Um estilo de vida semelhante não é
  7. 7. lespiral 7nem fácil, nem óbvio, e muitas vezes as viver o trabalho, por um lado cheio de miliar" (aniversários, onomásticos...), atécondições concretas da existência ten- responsabilidade pela construção da casa celebrar fielmente como família o en-dem a enfraquecê-lo: pensemos na pos- comum (trabalhar bem, com consciên- contro com Deus no domingo, dia dosível fragilidade psicológica e afetiva nas cia e dedicação, qualquer que seja a tare- Senhor, encontro de graça capaz de pro-relações entre os dois e em família; no fa que se tenha); por outro lado, em es- duzir frutos profundos e surpreenden-empobrecimento na qualidade dos re- pírito de solidariedade para os mais fra- tes. Quem vive a festa, é estimulado alacionamentos que pode conviver com cos, tutelar e promover a dignidade de exercitar a gratuidade, experimentandotriângulos amorosos aparentemente es- cada um. Nesta luz, compreende-se ple- como seja verdadeiro que existe maistáveis e normais; no normal stress origi- namente como a falta de trabalho seja alegria em dar do que receber! A festanado pelos hábitos e pelos ritmos im- uma ferida grave na pessoa, na família e nos ensina como amar seja viver o dompostos pela organização social, pelos no bem comum, e porque a segurança de si tanto nas escolhas de fundo da exis-tempos de trabalho, pelas exigências de e a qualidade das relações humanas no tência, quanto nos gestos humildes damobilidade; pela cultura de massa vei- trabalho sejam exigência moral que deve vida quotidiana, aprendendo a dizer pa-culada pelos meios de comunicação que ser respeitada e promovida pelo indiví- lavras de amor e a ter gestos correspon-influenciam e corroem as relações fami- duo, começando pelas instituições e pe- dentes, que jorrem de um coração gra-liares, invadindo a vida da família com las empresas. to e alegre.mensagens que banalizam a relação con- A propósito da festa, por fim, deve- A negação da festa, especialmente dojugal. Sem uma contínua, recíproca aco- se evidenciar o quanto ela ajude ao cres- domingo, é por isso um atentado aolhida dos dois, abrindo-se um ao outro, cimento da comunhão familiar: nascen- bem precioso da harmonia e da fideli-não poderá haver fidelidade duradoura do do reconhecimento dos dons rece- dade conjugal e familiar: e é significati-nem alegria plena: “A flor do primeiro bidos, que abraçam os bens da vida vo que esta mensagem ressoe por Mi-amor murcha, se não supera a prova da terrena, as maravilhas do amor recípro- lão, capital vital e laboral da economia efidelidade” (Soren Kierkegaard). Torna- co, a festa educa o coração à gratidão e da produção do País. Apostar na famí-se então mais do que nunca vital conju- à gratuidade. Onde não há festa, não há lia fundada sobre o matrimónio e aber-gar o compromisso cotidiano em famí- gratidão, e onde não há gratidão, o dom ta ao dom dos filhos e esforçar-se paralia com as condições que o sustentem se perde! É necessário aprender, então, promover as condições de trabalho eno âmbito do trabalho e na experiência a respeitar e celebrar a festa, principal- de respeito para a festa, que ajudem nada festa. mente como tempo de perdão recebi- sua serenidade e crescimento, é contri- Cada trabalho – manual, profissio- do e doado, pela vida renovada pela buir para o bem de todos, livrando-senal e doméstico – tem plena dignidade: maravilha agradecida, até se tornar ca- de lógicas muitas vezes redutivas e con-por isso é justo e correto respeitar cada pazes de viver os dias feriais com o co- fusas com relação ao seu valor de célulauma dessas formas, também nas esco- ração de festa. decisiva da sociedade e do seu amanhã.lhas de vida que os esposos são chama- Isso é possível, se começa-se da aten- É a mensagem que de Milão parte hojedos a fazer pelo bem da família e espe- ção às festas que marcam o “léxico fa- para a Itália e para o mundo inteiro!cialmente dos filhos. Contribui para obem da família tanto quem trabalha emcasa, quanto quem trabalha fora! Claro,o trabalho apresenta muitas vezes aspec-tos de cansaço, que – segundo a fé cristã– o Filho de Deus quis fazer própriopara redimí-los e sustentá-los de dentro,como lembra uma página belíssima doConcílio Vaticano II: ele “trabalhou commãos de homem, pensou com mentede homem, agiu com vontade de ho-mem, amou com coração de homem”(Gaudium et Spes, 22). Inspirando-se no Evangelho, é pos-sível, então, formar-se como homens emulheres capazes de fazer do própriotrabalho um caminho de crescimentopara si e para os outros, apesar de to-dos os desafios contrários. Isso requer
  8. 8. 8 espiral A nova evangelização e os novos profetas da desgraça A reflexão é de Enzo Bianchi, se há em nós uma humanização que da qual fazemos parte: uma humanida- monge e teólogo italiano, prior e ocorre na sinergia entre a graça do Se- de já não cristã, mas que devemos ou-fundador da Comunidade de Bose, nhor – isto é, o Espírito Santo – e o vir nas suas manifestações mais impres- num artigo publicado na revista nosso espírito, então nós devemos sionantes e nos seus gemidos. Como Jesus, de agosto de 2012. testemunhá-lo, anunciá-lo a quem nos Igreja, devemos nos exercer a uma lei- J á está próxima a celebração do pede conta do nosso modo de viver, tura sábia da História, sem ceder à ten- Sínodo dos Bispos que irá refle dessa esperança que nos habita (cf. 1Pd tação de assumir posições defensivas, tir sobre o tema da evangeliza- 3, 15), dessa prática do amor que Jesus de encastelar-nos em cidadelas que for-ção de modo a poder dar indicações à nos pede para viver quotidianamente. çosamente contam com o número eIgreja universal, indicações que depois Então, é inútil procurar estratégias ou com os recintos: é fácil ceder a essa faltadeverão ser concretizadas, traduzidas e táticas de nova evangelização, é pernici- de fé no Senhor da História, o Senhorrealizadas de modo diferenciados e es- oso ter medo da nossa fraqueza devida amante dos seres humanos, o Senhor,pecífico nas diversas áreas culturais do a uma diminuição numérica, mas não de que "quer que todos os seres humanosmundo. No entanto, continua sendo ver- significado, é mundano esperar em um sejam salvos" (1Tm 2, 4), e se tornardade que esse tema, quando é anuncia- retorno da cristandade tranquilizante dos profetas da desgraça, como advertiado como "nova evangelização", diz res- tempos passados. João XXIII há 50 anos atrás, no iníciopeito sobretudo ao Ocidente europeu e Mas então o que devemos procurar, do Concílio.norte-americano, as terras de mais ou como devemos nos mover nesse êxo- Devemos ouvir para aprender, namenos antiga cristianização, terras em que do de uma terra que deixamos para trás consciência da autonomia da História ese viveu uma sólida pertença às Igrejas para nos dirigir rumo a uma margem na liberdade da humanidade que, nocristãs, mas que hoje – depois do fenó- que não conhecemos, mas que sabemos entanto, continua sendo querida pormeno da secularização e do desencanto que é um horizonte habitado pela po- Deus, composta por pessoas cada umareligioso – estão contaminadas pelo in- tência de Jesus ressuscitado e vivo, à es- “criada à imagem de Deus” (cf. Gn 1,diferentismo. pera do nosso desembarque para iniciar 26): esse selo impresso por Deus em Nas últimas décadas, caíram as ide- um outro êxodo, para passar de êxodo cada ser humano, justo ou pecador, nun-ologias portadoras de uma esperança em êxodo até o reino? ca poderá falhar. Trata-se também demessiânica intra-humana, fracassou a Acredito que, acima de tudo, deve- não alimentar ingenuidade, de não sertransmissão da fé cristã pela geração que mos mudar a nossa atitude para com a desprovido de humanidade, mas capazestá desaparecendo às novas gerações humanidade em que estamos imersos e de discernir a presença do mal reconhe-que se assomam ao horizonte, tornou- cendo, porém, o caminho de humani-se muito fraco o anúncio do evangelho zação e de autocorreção do qual o sercomo boa notícia aqui e hoje. humano é capaz, como nos recorda Eis, portanto, a urgência de repensar Christoph Theobald.as palavras de Jesus, que enviava os seus É nesse espaço em que a Igreja en-discípulos em missão no mundo inteiro contra o mundo na escuta e no diálogo(cf. Mc 16, 15), até as extremidades da recíproco que os cristãos munidos deterra (cf. Atos 1, 8), entre todos os po- uma fé madura, exercitada, pensada, di-vos e até o fim dos tempos (cf. Mt 28, zem e vivem o evangelho, acima de tudo19-20). Isso na convicção de que o nos- como escola de humanidade, caminhoso tempo, a contemporaneidade – o de humanização: cristãos que sabemúnico tempo que conhecemos ao viver despertar confiança naqueles que encon-imersos neles – é sempre um "momen- tram, naqueles dos quais se fazem pró-to favorável" para o anúncio da boa no- ximos; cristãos que sabem discernir nostícia de Jesus Cristo, o único Filho de outros a fé humana que os habita e aosDeus e o autêntico homem. quais podem doar palavras, atitudes e No tempo oportuno ou não opor- ações que narram Jesus de Nazaré.tuno (eúkairos – Ákairos, cf. 2 Tm 4, 2), A crise de fé hoje, antes de ser crise página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: direccao@fraternitas.pt * blogue: http://fraternitasmovimento.blogspo
  9. 9. l espiral 9 Convocatória 33.º ENCONTRO NACIONAL Local: Seminário Redentorista Cristo-Rei, em Devesas (Vila Nova de Gaia) Tema: “A ESPERANÇA como fio condutor na narrativa Bíblica” Orientador: Pe. Rui Santiago, c.s.s.r. PROGRAMA ALOJAMENTO Dia 5 (sexta-feira) Diária por pessoa: 20h00 – Jantar, antecedido de - 37 • (quarto individual); acolhimento. - 30• (quarto duplo ou triplo). 21h15 – Apresentação do Dormida e pequeno-almoço: orientador e lançamento do tema. - 26• (quarto individual); - 21• (duplo ou triplo). de fé em Deus, é uma crise de confian- Dia 6 (sábado) - Refeição: ça humana, é a falta de confiança nos 8h30 – Pequeno – Almoço. – Almoço ou jantar: 10 •. outros, na vida, no futuro e, acima de 9h00 – Laudes. tudo, é fraqueza em acreditar no amor 9h45 – Plenário/Grupos. COMO CHEGAR (cf. 1Jo 4, 16). Apenas em um terreno 11h00 – Intervalo. O Seminário situa-se na rua Vis- tão humanizado e predisposto, Deus 11h30 - Plenário/Grupos. conde das Devesas, n.º 684, em Vila pode então realizar o que só Ele é ca- 13h00 – Almoço. Nova de Gaia. paz de operar: doar a fé, isto é, iniciar 15h00 – Plenário/ Grupos. É possivel obter a rota na uma relação com quem ouve a sua pa- 16h45 – Intervalo. Internet, na página maps.google.pt. lavra, que quem encontra Jesus Cristo, 17h30 - Plenário/Grupos. Ali, clica-se em «Obter direcções», porque “a fé nasce da escuta” (Rm 10, 19h00 – Vésperas. Eucaristia. escreve-se o endereço de origem e o 17). 20h00 – Jantar. do destino, e o programa traça o Então, a Igreja encontrará em seu li- 21h15 – Serão: partilha de vida. melhor percurso. miar aqueles que desejam e pedem para Tertúlia. ser introduzidos em Jesus Cristo, que INSCRIÇÕES pedem para se tornar o seu corpo atra- Dia 7 (domingo) Secretariado: Urtélia Silva vés do Batismo e da Eucaristia... Assim 8h30 – Pequeno-almoço. Rua Prof. Carlos Alberto Pinto de ocorre a geração em Cristo e na Igreja, 9h00 – Laudes. Abreu, 33, 2ºEsq. assim a evangelização se torna evento 9h45 – Plenário. 3040-245 Coimbra de encontro, de relação viva entre Deus 12h00 – Eucaristia, com ensaio Telefones 239 001 605; 914754706 e o ser humano: no tecido de relações prévio. (até às 21h15m) humanas quotidianas entre cristão teste- 13h00 – Almoço secretariado@fraternitas.pt munha evangelizador e o ser humano de hoje. A evangelização, de fato, sem- pre depende do testemunho pessoal de NOTA DE TESOURARIA: QUOTAS E SOLIDARIEDADE quem evangeliza: o evangelho, a boa 1. Ninguém é indiferente às neces- gue a quem precisa! Mandem o notícia só acontece no encontro, na re- sidades dos outros. comprovativo e dêem conhecimento da lação com uma pessoa. 2. Só é possível continuar a acorrer finalidade. Os homens e as mulheres de hoje a casos de verdadeira necessidade se 4. Também podem depositar na continuam a perguntar: Como viver? partilharmos também. Por isso, não es- mesma conta bancária o valor da quota Nós não lhes respondemos procuran- perem que lhes batam expressamente anual de sócio: 30 euros - casal; 20 euros do novos métodos mais refinados, não à porta. Decidam-se: partilhem com os - pessoa singular; ou contribuir para o respondemos com a expectativa de um outros através da Fraternitas. boletim «Espiral». percurso fácil: tentamos apenas viver a 3. Vão à caixa do multibanco mais 5. Contactem o tesoureiro fé e, portanto, despertar confiança, sem próxima e façam uma transferência Fernando Neves ter medo, porque o Senhor está con- interbancária para a conta n.º 0033 0000 Av. Nova, n.º 22 nosco, e quanto mais nos sentimos fra- 4521 8426 660 05. O montante depen- 3770-355 PALHAÇA. cos, mais opera em nós a sua força (2 de apenas da vossa consciência. A Di- Telefones 234 752 139; 968 946 913 Cor 12). recção da Fraternitas fará com que che- E-Mail: tesouraria@fraternitas.pt.ot.com * e-mail: secretariado@fraternitas.pt * página oficial na Internet: www.fraternitas.pt * e-mail: tesouraria@fraternitas.pt
  10. 10. 10 espiralIgreja Ortodoxa na Rússia“O maior problema é o regresso dohomem aos seus próprios valores” Versando a situação da Igreja na Rússia, Isabella Campbell-Wessig e Rudolf Schermann entrevistaram opadre or todo x o russo ANDREJ LORGUS, que es tudou Teologia e Psicologia. Fundou uma Faculdade de Psico- ortodox LOR ORGUS, estudou Teologia Fundou Faculdade Univerersidade Ortodox Russa Teólogo, Moscov Para logia na Univ er sidade Or todox a R ussa de S. João o Teólogo, em Mosco v o. Par a além de Psicologia, ensina Cristã Linguística Ortodox Também assegura assistência pastoral paraAntropologia Cris tã e Linguís tica Or todo x a. Também assegur a a assis tência pas tor al a um Lar par a pessoas diminuídas mentais. Montou ali uma capela onde é celebrada missa uma vez por semana. Andrej Lorgus é casado e tem dois filhos adultos. Kirche In, p. Publicado em Kirche In , 12/2002, p. 26,27. Tradução de João Simão Kirche In: Sabe-se que existem do homem aos seus próprios valores, à KI: Como foi que chegou à suaatualmente tensões entre a Igreja or- sua consciência de ser humano, pois a fé e à sua vocação?todoxa e a Igreja católica romana. herança do passado é diametralmente L: Os meus pais não eram crentes,Em seu entender, qual é a causa des- oposta ao retomar desta consciência. mas alguns dos meus antepassados vi-sas tensões? Não são os valores económicos que nham de famílias sacerdotais. Porém, Lorgus: Sei que há de facto tensões e devem estar no primeiro plano, mas sim durante muito tempo não soube nadatambém leio o que sobre elas se escreve valores como amor, vida, saúde, fé, sa- disso. Os meus pais ocultaram esses fac-nos meios de comunicação. Mas na mi- ber. tos, já que era muito perigoso contar issonha atividade, quer pastoral quer como às crianças. Foi só durante os meusconferencista, não me sinto minima- tempos de Universidade que me tor-mente afetado por elas. nei crente. KI: Na Rússia houve sempre uma KI: Como foi que lá chegou?ligação muito forte entre a Igreja e L: Foi um impulso interior, mas,o Estado. Pode-se dizer que a Igre- naturalmente, essa aproximação nãoja ortodoxa é a Igreja do Estado? aconteceu de repente, cresceu lenta- L: De forma alguma. O Estado está mente. Provavelmente foi o amor àmais orientado para uma colaboração minha esposa, aos meus filhos.com a Europa e com as outras Igrejas, KI: Era possível, na clandesti-ao passo que, dentro da Igreja ortodo- nidade, ter acesso a literatura reli-xa, há um ambiente que rejeita essas ten- giosa?dências. Tanto a Igreja ortodoxa como L: A minha geração cresceu como povo mantêm uma atitude de textos copiados. Quando descobría-ceticismo face à Europa. Subsistem ain- mos obras literárias, copiávamos osda no povo tendências nacionalistas livros e emprestávamo-los uns aoscontrárias a uma abertura ao exterior. outros. Foi assim que, põe exemplo, liHá naturalmente um motivo psicológi- um romance de Soljenitzyn numa noi-co para isso, que assenta no facto de a te, porque tinha de restituir as folhasRússia ser de tal modo grande que o KI: Estes valores foram atropela- no dia seguinte.resto do mundo quase desaparece da dos durante os setenta anos de regi-consciência das pessoas. me soviético? Houve células onde KI: Para viver no regime soviéti- eles tivessem podido sobreviver? co como homem crente era necessá- KI: Numa conferência em Viena, L: O regime conduziu à destruição ria uma grande dose de coragem.mencionou a existência duma crise total destes valores todos. Mas, realmen- Qual era o perigo que se corria sen-antropológica na sociedade russa. te, também existiram essas células, for- do crente?Em que consiste essa crise? madas por personalidades e famílias in- L: Os meus amigos e eu dissemos L: O maior problema é o regresso dividuais. abertamente que tínhamos sido
  11. 11. lespiral 11batizados. A consequência foi a nossaexpulsão da Juventude Comunista. Alémdisso, foi-nos instaurado um processo,que, aliás, não chegou a ser concluído. KI: Há hoje na Rússia sinais decrescimento religioso na sociedade? L: A renovação religiosa é um pro-cesso muito trabalhoso e difícil. No en-tanto, não se podem ignorar os sinais decrescimento. Qualquer visitante pode verque, na Rússia, por toda a parte igrejas econventos estão a ser recuperados e istoapesar de o povo viver com extremasdificuldades. As pessoas partilham daseguinte opinião: mesmo que passemosmal, queremos que, ao menos na Igreja,as coisas estejam bem. disciplina não é nem de religião nem de de afluência aos estabelecimentos de ética. A Igreja tem vindo a reclamar ensino eclesiástico, mas a escassez de pa- KI: Qual é a relação dos jovens constantemente um ensino religioso pro- dres é, apesar disso, muito grande. Talcom a Igreja? priamente dito, mas esbarra com a opo- situação pode explicar-se tendo em aten- L: Eu não posso julgar a atitude dos sição dos funcionários educativos e tam- ção que a pastoral ainda está em fase dejovens em geral face à Igreja, mas estão bém duma grande parte dos intelectuais estruturação. Temos hoje cerca de 20.000muito bem representada na Igreja. russos. Quando o Patriarca uma vez se paróquias, mas precisaríamos de 200 mil. manifestou publicamente sobre o tema KI: A Igreja russa tem muitos con- do ensino da religião, levantou-se na im- KI: A Igreja ortodoxa russa foifessores e mártires. Qual é a atitude prensa uma verdadeira campanha de sempre fortemente clerical. Existeda Igreja a respeito deles e das ten- oposição, na qual cientistas e intelectuais alguma coisa como um despertar dossões que surgiram entre os confes- assumiram um tom muito ofensivo para leigos?sores e aquelas pessoas que pensa- com a religião. L: Uma exigência do género daram que seria melhor entrar em com- “Nós Somos Igreja” ninguém a faria napromissos com o regime? KI: Pode-se dizer que também na Rússia. Mas os leigos são bastante ativos L: Tais tensões não são particular- Rússia há uma intelectualidade for- e conscientes. Ao envolverem-se nasmente percetíveis, elas existem mais no te entre os fiéis da Igreja ortodoxa? questões eclesiais e religiosas, o seu prin-subconsciente. Foram cononizados mi- L: Há uma forte intelectualidade or- cipal desejo não é alcançar protagonis-lhares destes mártires e praticamente to- todoxa. Na era soviética os intelectuais mo, mas antes sublinhar que pertencemdas as Igrejas têm os seus próprios már- eram seguramente mais cristãos do que à Igreja.tires, muito venerados sobretudo local- o restante povo.mente. Há uma comissão específica que KI: E como é a tensão entre po-ainda hoje acrescenta vários nomes à lis- KI: Como é o envolvimento soci- bres e ricos?ta dos mártires. al da Igreja russa? L: Nos últimos dez anos a Igreja tem L: Há princípios orientadores de um vindo a fazer boas experiências no tra- KI: O que é que se passa com o envolvimento desta natureza, mas ainda balho com os pobres. Mas é muito difí-ensino religioso na Rússia? faltam forças em toda a parte para levar cil chamar os ricos à razão, quando o L: Nas escolas estatais ainda não há as coisas por diante. Atualmente a ação dinheiro lhes subiu à cabeça. No entan-ensino religioso, mas esperamos chegar social da Igreja ortodoxa cinge-se so- to, também há pessoas ricas que desco-lá. Há, no entanto, iniciativas de direções bretudo às prisões e aos lares de crian- briram o caminho da Igreja e se mos-de algumas escolas a disponibilizarem o ças e de idosos. tram dispostos a reaprender a humilda-ensino da religião como disciplina de de. Eu concordaria com a frase do bis-opção livre. Aliás há uma matéria para KI: E como é com a falta de pa- po latino-americano Dom Helder Câ-todos os alunos onde são ensinados os dres na Rússia? mara: “Queremos libertar os pobres dafundamentos da cultura russa. Mas esta L: Verifica-se hoje em dia uma gran- pobreza e os ricos do egoísmo.”
  12. 12. 12 espiral SOLIDARIEDADE SOLIDARIED ARIEDADE | P.Ta Malmequeres, 4 - 3.º Esq | 2745-816 QUELU Z | E-mail: fernfelix@gmail.com COM D. JANUÁRIO TORGAL FERREIRA D. TORGAL FRATERNIT TERNITAS MOVIMENTO, A Associação FRATERNITAS MOVIMENTO, atr avés de associados seus, manif es ta solidariedade par a com D. Januário T. F erreir a, atra manifes esta para T. Ferreir erreira, a propósito da sua intervenção numa entrevista a uma rádio portuguesa, em julho de 2012. «Amigos, só vi a notícia na TVI. Conheço o Sr. D. Januário e sei que não é homem com «Estou inteiramente de acordo com as palavras do nossointeresses políticos. É um homem da Igreja, um homem bom, irmão J. S. sobre o significado da incómoda intervenção do Boletim de Fraternitas Movimento | Trimestral |honesto, com sensibilidade humana aos problemas dos ho- Sr. D. Januário. A este eu desejo manifestar a minha solidari- QUELUmens. Vive com preocupações com este estado de coisas. Vê edade pela coragem, oportunidade e simplicidade com quemais do que eu. E sente-se angustiado com o rumo que as nos faz chegar a linguagem de Jesus de Nazaré.coisas tomam. E os responsáveis calam-se, fecham os olhos, Esquecemos facilmente (bispos incluídos) que Jesus nãonão tem respostas... Mas nem ao menos se inquietam e não hesitou chamar "sepulcros caiados de branco" aos hipócritasinquietam as consciências deste país, se é que os políticos a e poderosos do seu tempo.têm. Nunca os verdadeiros profetas foram peritos em medir Vós estais muito mais dentro destes problemas que eu. palavras»Não se calem, não calem o movimento. Deixem que o Espí- A.C.rito fale, apoiem o Espírito que fala através dos profetas, «Estou plenamente de acordo com o A.C.. Só se ame-que são incómodos...E é de lamentar se os bispos já se vie- drontam aqueles que não têm consciência das preocupaçõesram demarcar de D. Januário. Lamento. Os bispos usam o da Igreja pelos mais castigados da sociedade. E talvez tam-solidéu, mas aquilo é só ornamento, adereço, de resto vivem bém aqueles a quem não falta o pão, mesmo arrancado dasamedrontados(…). mãos de quem o fabricou com muito suor e amor.» Por favor, ponham o movimento a andar, esclareçam os M. P.sócios, animem-nos, estimulem-nos. Eu apoio-vos se é paraanimar o Sr. D. Januário.» «Respondo a esta missiva. Ouvi com muita atenção a de- Um abraço., núncia profética do senhor D. Januário no famigerado pro- J.S. grama da TVI. Estou com ele, porque ele foi a voz do Espí- rito, a voz de alguém que profeticamente exerce a sua mis- P.Ta são de homem da Igreja que vive os problemas e as angús- tias de tantos irmãos pobres, desprezados e humilhados por uma desgovernação vergonhosa, marcada pela insensibilida- Redacção: Fernando Félix de e pela astúcia de alguns políticos que se "governam", mas não governam. O aparecimento do senhor Ministro da De- fesa a meter-se no assunto e a tentar virar a opinião pública contra o Bispo Profeta que, à semelhança de Amós, denun- cia os erros dos governantes, fez-me recuar a meados do século passado e reviver o que, então, foi feito ao saudoso Bispo do Porto senhor D. António Ferreira Gomes a quem o poder político, então vigente em Portugal, desterrou para Roma por ter tido a coragem de dizer ao governante Salazar que era preciso mudar de políticas. E, então como hoje, a Conferência Episcopal reverentemente calou, consentiu, não «Estou com a proposta do Joaquim Soares e dou a mi- levantou a voz e os senhores Bispos continuaram a ter mor- espiralnha adesão ao D. Januário Torgal, congratulando-me por ter domias e honrarias. Será que agora se está a preparar algo delevantado a sua voz exprimindo a angústia que sofre o nosso semelhante? O senhor D. Januário tem razão nas denúnciasPovo com as políticas que estão a ser implementadas e de- que faz. Não ofendeu ninguém, a não ser aqueles a quem anunciar os aproveitamentos pessoais que ocorrem neste "pân- consciência acusa de maldade, porque a verdade incomoda.tano" de desolação, penúria e miséria.» Ao senhor D. Januário é devido todo o apoio nesta sua mis- Parabéns D. Januário, estamos consigo» são de denúncia das injustiças, venham elas de onde vierem.» E.J. J.M.

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