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E o jardim tinha flores
                               De que não me sei lembrar...

N    ão sei, ama, onde era,
                               Flores de tantas cores...
                               Penso e fico a chorar...
                               (Filha, os sonhos são dores...).
Nunca o saberei...
Sei que era Primavera          Qualquer dia viria
E o jardim do rei...           Qualquer coisa a fazer
(Filha, quem o soubera!...).   Toda aquela alegria
                               Mais alegria nascer
Que azul tão azul tinha        (Filha, o resto é morrer...).
Ali o azul do céu!
Se eu não era a rainha,        Conta-me contos, ama...
Porque era tudo meu?           Todos os contos são
(Filha, quem o adivinha?).     Esse dia, e jardim e a dama
                               Que eu fui nessa solidão...
Temáticas : Dor de pensar (‘’penso e fico a chorar’’) e Nostalgia da infância perdida ;
   Narrativa de um sonho , expressa num dialogo entre o sujeito poético e a
   ‘ama’;
                                     • Tempo : Primavera
                                     •Espaço : ‘jardim do rei’ que ‘’azul tão azul tinha’’
                                     com ‘’flores de tantas cores...’’
                                     •Personagens : o sujeito poético como rainha no
                                     seu sonho



Transfiguração do sonho para o                  Formalmente :
real criado pelo desejo de fugir                4 quintilhas e uma quadra
aos limites impostos pelo                       Rima cruzada, e uso de
                                                versos soltos ( parentéticos)
‘’eu’’, substituindo a realidade                Redondilha menor
pelo sonho , pelo desejo do                     intercalada com versos
distante do imaginado                           hexassilábicos
Não sei                                Atento ao que sou e vejo,
                                                 Torno-me eles e não eu.
 quantas almas                                 Cada meu sonho ou desejo
                                               É do que nasce e não meu.
            tenho A
 ‘’Não sei quantas almas tenho.
                                              Sou minha própria paisagem;
                                               Assisto à minha passagem,
                                                   Diverso, móbil e só,
      Cada momento mudei. B                   Não sei sentir-me onde estou.
   Continuamente me estranho. A
     Nunca me vi nem acabei. B                 Por isso, alheio, vou lendo
   De tanto ser, só tenho alma.                 Como páginas, meu ser.
  Quem tem alma não tem calma.                 O que segue não prevendo,
      Quem vê é só o que vê,    Metáfora:
                                                O que passou a esquecer.
    Quem sente não é quem é,    assemelha-
                                                Noto à margem do que li
                                -se a um
                                                 O que julguei que senti.
                                livro
                                                 Releio e digo: "Fui eu ?"
Anafóra : acentua a sua própria
condição ‘’quem tem alma não                 Deus sabe, porque o escreveu.   ’’
tem calma’’ , presente a
dicotomia pensar/sentir
Temática :               a dor de pensar e fragmentação do ‘’eu’’

                                     Caracteriza-se como
                                  ‘’diverso’’ -reforçando a
                                multiplicidade -’’móbil’’ – ser
                                móvel capaz de se dividir- e
                                       ‘’só’’ – ‘’alheio’’
                                                                   ‘’Alheio’’ a todas as suas
       Acto constante da                                                   múltiplas
  despersonalização, deixa-o                                      personalidades´, como se
 resumido a sua alma e ‘sem                                        fosse um espectador da
 calma’ , entregue a angústia                                        sua própria vida , cujo
   e inquietação que sofre                                            passado é apagado e
                                                                         futuro incerto



                                      QUEM
                                      sou eu
                                        ?
Só cumprindo o
             Nota:                                   nosso dever é
                                                     que
                                                     alcançaremos a
No manuscrito original Pessoa
                                                     liberdade !
escreve debaixo do titulo do
poema: "(Falta uma citação de
Séneca)".

Séneca foi um filósofo do Séc.
I, um estóico preocupado com a                        Todo o poema é
ética. Dizia Séneca que o                               uma Ironia
cumprimento do dever era um
serviço à humanidade. Para ele o
                                       Crítica ao povo português , que espera por um
destino estava predestinado, o
                                     Salvador ;
homem pode apenas aceitá-lo ou
                                       Enumeração : ‘’Crianças/ Flores, música (…)’’
rejeitá-lo, mas apenas a aceitação
                                       O poema finda com uma crítica social aos poderosos ;
lhe pode trazer a liberdade. Eis o
                                     Formalmente , apresenta irregularidade métrica :
estoicismo na sua essência.
                                       Presença da quadra, do terceto e de oitavas ;
Eis o filtro que se deverá usar na
                                       Rima cruzada , rima emparelhada e versos soltos;
leitura do poema "Liberdade": o
                                       Quanto à métrica : há versos
estoicismo de Séneca.
                                     octossilábicos, tetrassilábicos e trissilábicos ;
O menino da sua
    mãe…
         No plaino abandonado      Caiu-lhe da algibeira
         Que a morna brisa aquece, A cigarreira breve.
         De balas trespassado-     Dera-lhe a mãe. Está inteira
         Duas, de lado a lado-,    E boa a cigarreira.
         Jaz morto, e arrefece.    Ele é que já não serve.

         Raia-lhe a farda o sangue.    De outra algibeira, alada
         De braços estendidos,         Ponta a roçar o solo,
         Alvo, louro, exangue,         A brancura embainhada
         Fita com olhar langue         De um lenço… deu-lho a criada
         E cego os céus perdidos.      Velha que o trouxe ao colo.

         Tão jovem! Que jovem era!     Lá longe, em casa, há a prece:
         (agora que idade tem?)        “Que volte cedo, e bem!”
         Filho unico, a mãe lhe dera   (Malhas que o Império tece!)
         Um nome e o mantivera:        Jaz morto e apodrece
         «O menino de sua mãe.»        O menino da sua mãe
Temática : Nostalgia da infância perdida

                                                   Todo o poema é
                                                     uma grande
                                                      metáfora



                               •A morte do jovem soldado ainda menino da sua mãe
                               representa a impossibilidade do sujeito poético poder
                               regressar à sua infância para junto da sua mãe, que ficou
                               irremediavelmente para trás ;
                               •Ao longo do poema é traçado um quadro
Formalmente :                  dramático, que ‘jaz e apodrece’ num plaino abandonado
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  Rima           interpolada   •Uso da hipálage : ‘’ a cigarreira breve’’ = Breve foi a
intercalada     com     rima   vida do rapaz ;
emparelhada       e   versos   •‘’A brancura embainhada/ de um lenço …’’ representa a
soltos ;                       inocência e pureza do jovem soldado ;
  Métrica hexassilábica ;      • O poema finda com o cenário da mãe em casa que
                               espera ansiosamente pelo retorno da sua ‘’criança’’ ;

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Análise de poemas de Fernando Pessoa

  • 1.
  • 2. E o jardim tinha flores De que não me sei lembrar... N ão sei, ama, onde era, Flores de tantas cores... Penso e fico a chorar... (Filha, os sonhos são dores...). Nunca o saberei... Sei que era Primavera Qualquer dia viria E o jardim do rei... Qualquer coisa a fazer (Filha, quem o soubera!...). Toda aquela alegria Mais alegria nascer Que azul tão azul tinha (Filha, o resto é morrer...). Ali o azul do céu! Se eu não era a rainha, Conta-me contos, ama... Porque era tudo meu? Todos os contos são (Filha, quem o adivinha?). Esse dia, e jardim e a dama Que eu fui nessa solidão...
  • 3. Temáticas : Dor de pensar (‘’penso e fico a chorar’’) e Nostalgia da infância perdida ; Narrativa de um sonho , expressa num dialogo entre o sujeito poético e a ‘ama’; • Tempo : Primavera •Espaço : ‘jardim do rei’ que ‘’azul tão azul tinha’’ com ‘’flores de tantas cores...’’ •Personagens : o sujeito poético como rainha no seu sonho Transfiguração do sonho para o Formalmente : real criado pelo desejo de fugir 4 quintilhas e uma quadra aos limites impostos pelo Rima cruzada, e uso de versos soltos ( parentéticos) ‘’eu’’, substituindo a realidade Redondilha menor pelo sonho , pelo desejo do intercalada com versos distante do imaginado hexassilábicos
  • 4. Não sei Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. quantas almas Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. tenho A ‘’Não sei quantas almas tenho. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Cada momento mudei. B Não sei sentir-me onde estou. Continuamente me estranho. A Nunca me vi nem acabei. B Por isso, alheio, vou lendo De tanto ser, só tenho alma. Como páginas, meu ser. Quem tem alma não tem calma. O que segue não prevendo, Quem vê é só o que vê, Metáfora: O que passou a esquecer. Quem sente não é quem é, assemelha- Noto à margem do que li -se a um O que julguei que senti. livro Releio e digo: "Fui eu ?" Anafóra : acentua a sua própria condição ‘’quem tem alma não Deus sabe, porque o escreveu. ’’ tem calma’’ , presente a dicotomia pensar/sentir
  • 5. Temática : a dor de pensar e fragmentação do ‘’eu’’ Caracteriza-se como ‘’diverso’’ -reforçando a multiplicidade -’’móbil’’ – ser móvel capaz de se dividir- e ‘’só’’ – ‘’alheio’’ ‘’Alheio’’ a todas as suas Acto constante da múltiplas despersonalização, deixa-o personalidades´, como se resumido a sua alma e ‘sem fosse um espectador da calma’ , entregue a angústia sua própria vida , cujo e inquietação que sofre passado é apagado e futuro incerto QUEM sou eu ?
  • 6.
  • 7. Só cumprindo o Nota: nosso dever é que alcançaremos a No manuscrito original Pessoa liberdade ! escreve debaixo do titulo do poema: "(Falta uma citação de Séneca)". Séneca foi um filósofo do Séc. I, um estóico preocupado com a Todo o poema é ética. Dizia Séneca que o uma Ironia cumprimento do dever era um serviço à humanidade. Para ele o Crítica ao povo português , que espera por um destino estava predestinado, o Salvador ; homem pode apenas aceitá-lo ou Enumeração : ‘’Crianças/ Flores, música (…)’’ rejeitá-lo, mas apenas a aceitação O poema finda com uma crítica social aos poderosos ; lhe pode trazer a liberdade. Eis o Formalmente , apresenta irregularidade métrica : estoicismo na sua essência. Presença da quadra, do terceto e de oitavas ; Eis o filtro que se deverá usar na Rima cruzada , rima emparelhada e versos soltos; leitura do poema "Liberdade": o Quanto à métrica : há versos estoicismo de Séneca. octossilábicos, tetrassilábicos e trissilábicos ;
  • 8. O menino da sua mãe… No plaino abandonado Caiu-lhe da algibeira Que a morna brisa aquece, A cigarreira breve. De balas trespassado- Dera-lhe a mãe. Está inteira Duas, de lado a lado-, E boa a cigarreira. Jaz morto, e arrefece. Ele é que já não serve. Raia-lhe a farda o sangue. De outra algibeira, alada De braços estendidos, Ponta a roçar o solo, Alvo, louro, exangue, A brancura embainhada Fita com olhar langue De um lenço… deu-lho a criada E cego os céus perdidos. Velha que o trouxe ao colo. Tão jovem! Que jovem era! Lá longe, em casa, há a prece: (agora que idade tem?) “Que volte cedo, e bem!” Filho unico, a mãe lhe dera (Malhas que o Império tece!) Um nome e o mantivera: Jaz morto e apodrece «O menino de sua mãe.» O menino da sua mãe
  • 9. Temática : Nostalgia da infância perdida Todo o poema é uma grande metáfora •A morte do jovem soldado ainda menino da sua mãe representa a impossibilidade do sujeito poético poder regressar à sua infância para junto da sua mãe, que ficou irremediavelmente para trás ; •Ao longo do poema é traçado um quadro Formalmente : dramático, que ‘jaz e apodrece’ num plaino abandonado Uso da quintilha ; ; Rima interpolada •Uso da hipálage : ‘’ a cigarreira breve’’ = Breve foi a intercalada com rima vida do rapaz ; emparelhada e versos •‘’A brancura embainhada/ de um lenço …’’ representa a soltos ; inocência e pureza do jovem soldado ; Métrica hexassilábica ; • O poema finda com o cenário da mãe em casa que espera ansiosamente pelo retorno da sua ‘’criança’’ ;