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Camões

         Corrente renascentista
A fermosura fresca serra,
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;

o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;

enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos oferece,
me está (se não te vejo) magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando
nas mores alegrias, mor tristeza.
A fermosura desta fresca serra
A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;

O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do sol pelos outeiros
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a brada guerra;

Enfim, tudo o que a rara Natureza
Com tanta variedade nos oferece,
Me está, se não te vejo, magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando,
Nas mores alegrias mor tristeza.

                                        Camille Pissaro, Landscape at Chaponval, 1880
TEMA

A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,        O tema deste soneto é a necessidade
O manso caminhar destes ribeiros,          da presença da mulher amada para
Donde toda a tristeza se desterra;         que a felicidade do sujeito seja
                                           possível (“Sem ti, tudo me enoja e me
O rouco som do mar, a estranha terra,      aborrece”).
O esconder do Sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;
                                           O poeta expõe as contradições do amor.
Enfim, tudo o que a rara natureza          Como pode este sentimento harmonizar
Com tanta variedade nos of'rece,           dois    corações.   Sendo    afinal   tão
Me está, se não te vejo, magoando.         contraditório?
                                           Este tema das contradições do amor,
Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;       expresso por antítese, é um lugar comum
Sem ti, perpetuamente estou passando,
                                           da lírica europeia quinhentista. Petrarca
Nas mores alegrias, mor tristeza.
                                           tem um soneto semelhante.
Alegria e verdura é vida eterna. Claridade; frescura; águas de cristal,
transparentes; suavidade; amenidade. Sem amor a vida não tem interesse e o
poeta não é capaz de viver a vida sem a amada, não consegue ter alegria.


                                  Tema
                       Saudade; ausência da amada.
As palavras sublinhadas são aquelas que
                                        evidenciam a harmonia da natureza descrita
                                        pelo sujeito lírico


A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,           Descrição da beleza da
Donde toda a tristeza se desterra;         natureza que o circunda

O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do Sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;

Enfim, tudo o que a rara natureza
Com tanta variedade nos of'rece,            A total irrelevância da
Me está, se não te vejo, magoando.        harmonia natural quando a
                                            mulher amada não está
Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;              presente
Sem ti, perpetuamente estou passando,
Nas mores alegrias, mor tristeza.
A fermosura fresca serra,
1º momento (vv.1-8)                        e a sombra dos verdes castanheiros,
                                           o manso caminhar destes ribeiros,
Visão objectiva da Natureza –
                                           donde toda a tristeza se desterra;
descrição      de    um      ambiente
verdejante, fresco, aprazível, capaz
de trazer felicidade e alegria a quem      o rouco som do mar, a estranha terra,
nele se inserir.                           o esconder do sol pelos outeiros,
                                           o recolher dos gados derradeiros,
                                           das nuvens pelo ar a branda guerra;
2º momento (vv.9-14)
O estado de espírito do sujeito poético    enfim, tudo o que a rara natureza
caracteriza-se pelo desgosto, dor e        com tanta variedade nos oferece,
sofrimento. O abandono em que se           me está (se não te vejo) magoando.
encontra, devido à ausência da mulher
amada, fá-lo recusar tudo quanto o
rodeia.                                    Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
                                           sem ti, perpetuamente estou passando
A infelicidade e a tristeza não o deixam
ver a Natureza no que ela tem de mais      nas mores alegrias, mor tristeza.
perfeito. Incapaz de afastar a tristeza,
vê a Natureza com os olhos da alma.
                                                  A repetição do último terceto realça a
                                                       ausência da mulher amada.
ESTRUTURA INTERNA
                                        1ª. parte: 2 quadras - Descrição da Natureza.



A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,     O soneto divide-se em duas partes lógicas,
                                        desempenhando a palavra “enfim” a mudança:
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;      1ª parte – duas quadras – descreve-se uma
                                        natureza harmoniosa, propícia ao amor;
O rouco som do mar, a estranha terra,   A 1ª parte do texto é constituída por uma descrição
O esconder do Sol pelos outeiros,       que, basicamente, se estrutura numa enumeração
O recolher dos gados derradeiros,       de elementos que constituem a paisagem e que são
Das nuvens pelo ar a branda guerra;     qualificados ora por adjetivos ora por substantivos
                                        ou orações relativas.

Enfim, tudo o que a rara natureza
Com tanta variedade nos of'rece,
Me está, se não te vejo, magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando,
Nas mores alegrias, mor tristeza.
ESTRUTURA INTERNA                    2ª. parte: 2 tercetos - Sentimentos do poeta em
                                        relação à ausência da amada.


A fermosura desta fresca serra           2ª parte – dois tercetos – refere a irrelevância da
E a sombra dos verdes castanheiros,      beleza natural sem a mulher amada.
O manso caminhar destes ribeiros,
                                         A 2ª parte constitui uma síntese, que se conclui ser
Donde toda a tristeza se desterra;
                                         “rara” e dotada de grande “variedade”. Mas, para
                                         além dessa síntese, o poeta introduz, nesta parte,
O rouco som do mar, a estranha terra,    um novo elemento – o “tu” -, que se vem juntar ao
O esconder do Sol pelos outeiros,        Eu – Natureza até então dominante. E a presença
O recolher dos gados derradeiros,        deste terceiro elemento assume um carácter
Das nuvens pelo ar a branda guerra;      decisivo na visão da paisagem: na ausência da
                                         amada (o “tu”) tudo o “enoja” e “aborrece” e
                                         “perpetuamente” passará “mores alegrias, mor
Enfim, tudo o que a rara natureza        tristeza”.
Com tanta variedade nos of'rece,
Me está, se não te vejo, magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;       Enquanto a descrição da 1ª parte tendia para a
                                           objetividade (exterioridade / 3ª pessoa), na 2ª
Sem ti, perpetuamente estou passando,
                                           parte, com a introdução das 1ª e 2ª pessoas do
Nas mores alegrias, mor tristeza.          singular (instituindo-se uma relação eu-tu-
                                           Natureza), o texto assume certo dramatismo e
                                           uma grande subjetividade.
ESTRUTURA INTERNA


A fermosura desta fresca serra          O marcador discursivo “enfim” (advérbio) introduz a
E a sombra dos verdes castanheiros,     conclusão do soneto e a razão de o sujeito lírico ter
O manso caminhar destes ribeiros,       descrito a serra e a natureza.
Donde toda a tristeza se desterra;      Os dois primeiros versos deste terceto resumem os
                                        elementos referidos na primeira parte do soneto com o
O rouco som do mar, a estranha terra,   pronome indefinido “tudo”.
O esconder do Sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;
                                        O elemento introduzido no último verso deste terceto
                                        que provoca no sujeito lírico a explosão da sua
Enfim, tudo o que a rara natureza       subjetividade lírica é o seu objeto de amor , ou seja, o
Com tanta variedade nos of'rece,        “tu”, referido no soneto através do pronome: “te”.
Me está, se não te vejo, magoando.
                                        O ritmo do poema é mais lento nos dois tercetos
Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;    devido ao recurso a complexos verbais como “me está
Sem ti, perpetuamente estou passando,   (…) magoando” e “estou passando”; devido ao recurso
                                        à anáfora, “Sem ti (…)”; sem ti (…)”, a que acresce o
Nas mores alegrias, mor tristeza.
                                        recurso ao advérbio, “perpetuamente”.


                                        Neste terceto, o sujeito lírico já não se encontra em
                                        harmonia com a natureza devido à ausência do seu
                                        objeto de amor.
Caracterização
    Elementos da
      paisagem            Adjectivos   Substantivos        Oração relativa

serra
castanheiros            fresca
caminhar dos ribeiros   verdes
                                       fermosura
mar                     manso
                                       sombra         donde toda a tristeza se
terra                   rouco
                                       som            desterra
esconder do sol pelos   estranha
                                       guerra
outeiros                derradeiros
recolher dos gados      branda
nuvens



              Relacionamento Eu/Natureza patente no poema.
 Na ausência da amada, a Natureza embora bela, não o seduz, sem ela ele não
                      consegue achar beleza em nada.
A fermosura desta fresca serra              Estrutura Formal do Texto e Recursos
E a sombra dos verdes castanheiros,              Estilísticos mais Relevantes
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;
                                        Personificação: "manso caminhar destes
                                        ribeiros", "Das nuvens pelo ar a branda
O rouco som do mar, a estranha terra,
                                        guerra" - Ao personificar a natureza o Poeta
O esconder do Sol pelos outeiros,
                                        pretende transmitir toda a importância dela
O recolher dos gados derradeiros,
                                        na ausência da amada.
Das nuvens pelo ar a branda guerra;
                                        Anáfora: "Sem ti… / Sem ti…" - Esta
                                        reiteração expressa a mágoa do poeta.
Enfim, tudo o que a rara natureza
                                        Hipérbole: "perpetuamente estou passando,/
Com tanta variedade nos of'rece,
                                        Nas mores alegrias, mor tristeza" - Expressa
Me está, se não te vejo, magoando.
                                        toda a dor do poeta, ele quer transmitir todo
                                        o amor e toda a dor que lhe causa a
Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
                                        separação desse amor.
Sem ti, perpetuamente estou passando,
                                        Antítese: "Nas mores alegrias, mor tristeza" -
Nas mores alegrias, mor tristeza.
                                        Expressa toda a amargura que o poeta sente
                                        pela ausência da amada.
UNIDADE FORMA / CONTEÚDO


O dramatismo e a subjetividade da 2ª parte devem a sua intensidade à utilização
de alguns recursos estilísticos:

a) Anáfora - “Sem ti… Sem ti”
b) Antítese - “Nas mores alegrias, mor tristeza”
Vocábulos que servem para caracterizar a serra
        “Formosura desta serra”
        “Verdes castanheiros”
        “Manso caminhar”
        “O esconder do sol pelos outeiros”
        “Nuvens pelo ar”
        “Rara natureza”


Os vocábulos caracterizam a serra como um quadro
idílico (harmonioso) são: “fermosura”, “fresca”,
“verdes castanheiros”, “manso caminhar destes
ribeiros”, “rouco som do mar”, “estranha terra” e
“esconder do sol”.

As sensações visuais e auditivas conferem uma
sensação de paz, calma, simplicidade, alegria, tristeza,
amor.

 A repetição da palavra “sem ti” no último terceto
serve para intensificar o seu aborrecimento e a sua
tristeza que passa quando não têm a sua amada ao pé
dele.
Sensações

    Visuais:
    - “ a sombra dos verdes castanheiros”
    - “ o esconder do sol pelos outeiros”
    - “ nuvens pelo ar”
    Auditivas:
     - “manso caminhar”
    - “ rouco som do mar”
    - “recolher dos gados”
Disciplina: Português
Prof.ª: Helena Maria Coutinho

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A formosura desta fresca serra

  • 1. Camões Corrente renascentista
  • 2. A fermosura fresca serra, e a sombra dos verdes castanheiros, o manso caminhar destes ribeiros, donde toda a tristeza se desterra; o rouco som do mar, a estranha terra, o esconder do sol pelos outeiros, o recolher dos gados derradeiros, das nuvens pelo ar a branda guerra; enfim, tudo o que a rara natureza com tanta variedade nos oferece, me está (se não te vejo) magoando. Sem ti, tudo me enoja e me aborrece; sem ti, perpetuamente estou passando nas mores alegrias, mor tristeza.
  • 3. A fermosura desta fresca serra A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do sol pelos outeiros O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a brada guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos oferece, Me está, se não te vejo, magoando. Sem ti, tudo me enoja e me aborrece; Sem ti, perpetuamente estou passando, Nas mores alegrias mor tristeza. Camille Pissaro, Landscape at Chaponval, 1880
  • 4. TEMA A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O tema deste soneto é a necessidade O manso caminhar destes ribeiros, da presença da mulher amada para Donde toda a tristeza se desterra; que a felicidade do sujeito seja possível (“Sem ti, tudo me enoja e me O rouco som do mar, a estranha terra, aborrece”). O esconder do Sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; O poeta expõe as contradições do amor. Enfim, tudo o que a rara natureza Como pode este sentimento harmonizar Com tanta variedade nos of'rece, dois corações. Sendo afinal tão Me está, se não te vejo, magoando. contraditório? Este tema das contradições do amor, Sem ti, tudo me enoja e me aborrece; expresso por antítese, é um lugar comum Sem ti, perpetuamente estou passando, da lírica europeia quinhentista. Petrarca Nas mores alegrias, mor tristeza. tem um soneto semelhante.
  • 5. Alegria e verdura é vida eterna. Claridade; frescura; águas de cristal, transparentes; suavidade; amenidade. Sem amor a vida não tem interesse e o poeta não é capaz de viver a vida sem a amada, não consegue ter alegria. Tema Saudade; ausência da amada.
  • 6. As palavras sublinhadas são aquelas que evidenciam a harmonia da natureza descrita pelo sujeito lírico A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros, Descrição da beleza da Donde toda a tristeza se desterra; natureza que o circunda O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do Sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara natureza Com tanta variedade nos of'rece, A total irrelevância da Me está, se não te vejo, magoando. harmonia natural quando a mulher amada não está Sem ti, tudo me enoja e me aborrece; presente Sem ti, perpetuamente estou passando, Nas mores alegrias, mor tristeza.
  • 7. A fermosura fresca serra, 1º momento (vv.1-8) e a sombra dos verdes castanheiros, o manso caminhar destes ribeiros, Visão objectiva da Natureza – donde toda a tristeza se desterra; descrição de um ambiente verdejante, fresco, aprazível, capaz de trazer felicidade e alegria a quem o rouco som do mar, a estranha terra, nele se inserir. o esconder do sol pelos outeiros, o recolher dos gados derradeiros, das nuvens pelo ar a branda guerra; 2º momento (vv.9-14) O estado de espírito do sujeito poético enfim, tudo o que a rara natureza caracteriza-se pelo desgosto, dor e com tanta variedade nos oferece, sofrimento. O abandono em que se me está (se não te vejo) magoando. encontra, devido à ausência da mulher amada, fá-lo recusar tudo quanto o rodeia. Sem ti, tudo me enoja e me aborrece; sem ti, perpetuamente estou passando A infelicidade e a tristeza não o deixam ver a Natureza no que ela tem de mais nas mores alegrias, mor tristeza. perfeito. Incapaz de afastar a tristeza, vê a Natureza com os olhos da alma. A repetição do último terceto realça a ausência da mulher amada.
  • 8. ESTRUTURA INTERNA 1ª. parte: 2 quadras - Descrição da Natureza. A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O soneto divide-se em duas partes lógicas, desempenhando a palavra “enfim” a mudança: O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra; 1ª parte – duas quadras – descreve-se uma natureza harmoniosa, propícia ao amor; O rouco som do mar, a estranha terra, A 1ª parte do texto é constituída por uma descrição O esconder do Sol pelos outeiros, que, basicamente, se estrutura numa enumeração O recolher dos gados derradeiros, de elementos que constituem a paisagem e que são Das nuvens pelo ar a branda guerra; qualificados ora por adjetivos ora por substantivos ou orações relativas. Enfim, tudo o que a rara natureza Com tanta variedade nos of'rece, Me está, se não te vejo, magoando. Sem ti, tudo me enoja e me aborrece; Sem ti, perpetuamente estou passando, Nas mores alegrias, mor tristeza.
  • 9. ESTRUTURA INTERNA 2ª. parte: 2 tercetos - Sentimentos do poeta em relação à ausência da amada. A fermosura desta fresca serra 2ª parte – dois tercetos – refere a irrelevância da E a sombra dos verdes castanheiros, beleza natural sem a mulher amada. O manso caminhar destes ribeiros, A 2ª parte constitui uma síntese, que se conclui ser Donde toda a tristeza se desterra; “rara” e dotada de grande “variedade”. Mas, para além dessa síntese, o poeta introduz, nesta parte, O rouco som do mar, a estranha terra, um novo elemento – o “tu” -, que se vem juntar ao O esconder do Sol pelos outeiros, Eu – Natureza até então dominante. E a presença O recolher dos gados derradeiros, deste terceiro elemento assume um carácter Das nuvens pelo ar a branda guerra; decisivo na visão da paisagem: na ausência da amada (o “tu”) tudo o “enoja” e “aborrece” e “perpetuamente” passará “mores alegrias, mor Enfim, tudo o que a rara natureza tristeza”. Com tanta variedade nos of'rece, Me está, se não te vejo, magoando. Sem ti, tudo me enoja e me aborrece; Enquanto a descrição da 1ª parte tendia para a objetividade (exterioridade / 3ª pessoa), na 2ª Sem ti, perpetuamente estou passando, parte, com a introdução das 1ª e 2ª pessoas do Nas mores alegrias, mor tristeza. singular (instituindo-se uma relação eu-tu- Natureza), o texto assume certo dramatismo e uma grande subjetividade.
  • 10. ESTRUTURA INTERNA A fermosura desta fresca serra O marcador discursivo “enfim” (advérbio) introduz a E a sombra dos verdes castanheiros, conclusão do soneto e a razão de o sujeito lírico ter O manso caminhar destes ribeiros, descrito a serra e a natureza. Donde toda a tristeza se desterra; Os dois primeiros versos deste terceto resumem os elementos referidos na primeira parte do soneto com o O rouco som do mar, a estranha terra, pronome indefinido “tudo”. O esconder do Sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; O elemento introduzido no último verso deste terceto que provoca no sujeito lírico a explosão da sua Enfim, tudo o que a rara natureza subjetividade lírica é o seu objeto de amor , ou seja, o Com tanta variedade nos of'rece, “tu”, referido no soneto através do pronome: “te”. Me está, se não te vejo, magoando. O ritmo do poema é mais lento nos dois tercetos Sem ti, tudo me enoja e me aborrece; devido ao recurso a complexos verbais como “me está Sem ti, perpetuamente estou passando, (…) magoando” e “estou passando”; devido ao recurso à anáfora, “Sem ti (…)”; sem ti (…)”, a que acresce o Nas mores alegrias, mor tristeza. recurso ao advérbio, “perpetuamente”. Neste terceto, o sujeito lírico já não se encontra em harmonia com a natureza devido à ausência do seu objeto de amor.
  • 11. Caracterização Elementos da paisagem Adjectivos Substantivos Oração relativa serra castanheiros fresca caminhar dos ribeiros verdes fermosura mar manso sombra donde toda a tristeza se terra rouco som desterra esconder do sol pelos estranha guerra outeiros derradeiros recolher dos gados branda nuvens Relacionamento Eu/Natureza patente no poema. Na ausência da amada, a Natureza embora bela, não o seduz, sem ela ele não consegue achar beleza em nada.
  • 12. A fermosura desta fresca serra Estrutura Formal do Texto e Recursos E a sombra dos verdes castanheiros, Estilísticos mais Relevantes O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra; Personificação: "manso caminhar destes ribeiros", "Das nuvens pelo ar a branda O rouco som do mar, a estranha terra, guerra" - Ao personificar a natureza o Poeta O esconder do Sol pelos outeiros, pretende transmitir toda a importância dela O recolher dos gados derradeiros, na ausência da amada. Das nuvens pelo ar a branda guerra; Anáfora: "Sem ti… / Sem ti…" - Esta reiteração expressa a mágoa do poeta. Enfim, tudo o que a rara natureza Hipérbole: "perpetuamente estou passando,/ Com tanta variedade nos of'rece, Nas mores alegrias, mor tristeza" - Expressa Me está, se não te vejo, magoando. toda a dor do poeta, ele quer transmitir todo o amor e toda a dor que lhe causa a Sem ti, tudo me enoja e me aborrece; separação desse amor. Sem ti, perpetuamente estou passando, Antítese: "Nas mores alegrias, mor tristeza" - Nas mores alegrias, mor tristeza. Expressa toda a amargura que o poeta sente pela ausência da amada.
  • 13. UNIDADE FORMA / CONTEÚDO O dramatismo e a subjetividade da 2ª parte devem a sua intensidade à utilização de alguns recursos estilísticos: a) Anáfora - “Sem ti… Sem ti” b) Antítese - “Nas mores alegrias, mor tristeza”
  • 14. Vocábulos que servem para caracterizar a serra  “Formosura desta serra”  “Verdes castanheiros”  “Manso caminhar”  “O esconder do sol pelos outeiros”  “Nuvens pelo ar”  “Rara natureza” Os vocábulos caracterizam a serra como um quadro idílico (harmonioso) são: “fermosura”, “fresca”, “verdes castanheiros”, “manso caminhar destes ribeiros”, “rouco som do mar”, “estranha terra” e “esconder do sol”. As sensações visuais e auditivas conferem uma sensação de paz, calma, simplicidade, alegria, tristeza, amor. A repetição da palavra “sem ti” no último terceto serve para intensificar o seu aborrecimento e a sua tristeza que passa quando não têm a sua amada ao pé dele.
  • 15. Sensações  Visuais: - “ a sombra dos verdes castanheiros” - “ o esconder do sol pelos outeiros” - “ nuvens pelo ar”  Auditivas: - “manso caminhar” - “ rouco som do mar” - “recolher dos gados”