HORIZONTE Mensagem
Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
Esplendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa —
Quando a nau se aproxima ergue-se a
encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e
cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte —
Os beijos merecidos da Verdade.
EXTRUTURA EXTERNA
• Este poema é constituído por três estrofes. Estas estrofes
são constituídas por seis versos, ou seja, sextilhas.
RIMA
Ó mar anterior a nós, teus medos A
Tinham coral e praias e arvoredos. A
Desvendadas a noite e a cerração, B
As tormentas passadas e o mistério,
C
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
C
Esplendia sobre as naus da iniciação. B
Linha severa da longínqua costa — D
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
D
Em árvores onde o Longe nada tinha; E
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: F
E, no desembarcar, há aves, flores, F
Onde era só, de longe a abstracta linha. E
O sonho é ver as formas invisíveis G
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
G
Movimentos da esperança e da vontade, H
Buscar na linha fria do horizonte I
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte — I
Os beijos merecidos da Verdade. H
Rima emparelhada
Rima cruzada
ESTRUTURA INTERNA
• O poema “Horizonte” pertence à segunda parte da obra “Mensagem” onde
evidenciamos um grande destaque dado aos Descobrimentos, sobretudo a
realização da pátria através do mar.
• O sujeito poético sublinha o contraste entre o mar desconhecido e assustador-
“anterior a nós”- e o mar novo, “Desvendadas a noite e a cerração”.
• Transmite a beleza e o fascínio da conquista do “Longe”.
• O valor esotérico dos versos “o Sul sidério/Esplendia sobre as naus da
iniciação”: as viagens das descobertas não são apenas marítimas, mas viagens
iniciáticas, de demanda de um conhecimento superior;
• Os agentes destas viagens são “eleitos”, escolhidos e sagrados por uma vontade
superior, divina;
•A descoberta progressiva e gradual da Longe: “se aproxima”, “ergue-se”, “Mais
perto, abre-se”, “no desembarcar, há”;
• O abstrato concretiza-se em “encosta”, “árvores”, “sons e cores”, “aves, flores”.
• Na última estrofe, atende-se no tom reflexivo: o “sonho”, animado da
“esperança e da vontade”, conduz à conquista da Verdade ( a maiúscula reforça o
absoluto da verdade, etapa última de qualquer demanda), premiada com “beijos
merecidos”; o prémio, a recompensa sensísvel, relaciona-se com a Ilha dos
Amores na europeia camoniana.
RECURSOS EXPRESSIVOS
Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
Esplendia sobre as naus da iniciação.
• Apóstrofe
• Personificação
• Enumeração
• Metáfora
• Aliteração em “s”
Linha severa da longínqua costa —
Quando a nau se aproxima ergue-se a
encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e
cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.
• Metáfora
• Aliteração em “s”
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte —
Os beijos merecidos da Verdade.
• Metáfora
• Personificação
• Enumeração

Horizonte

  • 1.
  • 2.
    Ó mar anteriora nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério Esplendia sobre as naus da iniciação. Linha severa da longínqua costa — Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstracta linha. O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte — Os beijos merecidos da Verdade.
  • 3.
    EXTRUTURA EXTERNA • Estepoema é constituído por três estrofes. Estas estrofes são constituídas por seis versos, ou seja, sextilhas.
  • 4.
    RIMA Ó mar anteriora nós, teus medos A Tinham coral e praias e arvoredos. A Desvendadas a noite e a cerração, B As tormentas passadas e o mistério, C Abria em flor o Longe, e o Sul sidério C Esplendia sobre as naus da iniciação. B Linha severa da longínqua costa — D Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta D Em árvores onde o Longe nada tinha; E Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: F E, no desembarcar, há aves, flores, F Onde era só, de longe a abstracta linha. E O sonho é ver as formas invisíveis G Da distância imprecisa, e, com sensíveis G Movimentos da esperança e da vontade, H Buscar na linha fria do horizonte I A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte — I Os beijos merecidos da Verdade. H Rima emparelhada Rima cruzada
  • 5.
    ESTRUTURA INTERNA • Opoema “Horizonte” pertence à segunda parte da obra “Mensagem” onde evidenciamos um grande destaque dado aos Descobrimentos, sobretudo a realização da pátria através do mar. • O sujeito poético sublinha o contraste entre o mar desconhecido e assustador- “anterior a nós”- e o mar novo, “Desvendadas a noite e a cerração”. • Transmite a beleza e o fascínio da conquista do “Longe”. • O valor esotérico dos versos “o Sul sidério/Esplendia sobre as naus da iniciação”: as viagens das descobertas não são apenas marítimas, mas viagens iniciáticas, de demanda de um conhecimento superior; • Os agentes destas viagens são “eleitos”, escolhidos e sagrados por uma vontade superior, divina; •A descoberta progressiva e gradual da Longe: “se aproxima”, “ergue-se”, “Mais perto, abre-se”, “no desembarcar, há”; • O abstrato concretiza-se em “encosta”, “árvores”, “sons e cores”, “aves, flores”. • Na última estrofe, atende-se no tom reflexivo: o “sonho”, animado da “esperança e da vontade”, conduz à conquista da Verdade ( a maiúscula reforça o absoluto da verdade, etapa última de qualquer demanda), premiada com “beijos merecidos”; o prémio, a recompensa sensísvel, relaciona-se com a Ilha dos Amores na europeia camoniana.
  • 6.
    RECURSOS EXPRESSIVOS Ó maranterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério Esplendia sobre as naus da iniciação. • Apóstrofe • Personificação • Enumeração • Metáfora • Aliteração em “s”
  • 7.
    Linha severa dalongínqua costa — Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstracta linha. • Metáfora • Aliteração em “s”
  • 8.
    O sonho éver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte — Os beijos merecidos da Verdade. • Metáfora • Personificação • Enumeração