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- 1888 - Nasce, a 13 de Junho, o poeta Fernando António Nogueira Pessoa, no 4º andar esquerdo do nº 4 do Largo de São Carlos em Lisboa, filho de Maria Madalena Pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa. - 1896 - Partida para a África do Sul de D. Maria Madalena e o filho, no início do mês de Janeiro. - 1905 - Regressa sozinho a Lisboa e vai viver com a avó Dionísia e as duas tias, na Rua da Bela Vista, n.º 17.  - 1915 - Sai, em Abril, o primeiro número do Orpheu.  - 1934 - Aparece, em Dezembro, a Mensagem. É-lhe atribuída, nesse mesmo mês, a segunda categoria do prémio Antero de Quental, do Secretariado de Propaganda Nacional.  - 1935 - É internado, em 28 de Novembro, com uma cólica hepática, no Hospital de S. Luís, em Lisboa, onde morre a 30 de Novembro.  Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935)
Maria Madalena Pinheiro Nogueira Joaquim de Seabra Pessoa Pai, morre tuberculoso em 1893, com 43 anos Mã e
Casa onde Fernando Pessoa nasceu no Largo de São Carlos em Lisboa.
Fases da estética Ao longo de 1913, Fernando Pessoa percorre novos caminhos literários e estéticos, estando na origem de novas correntes de índole diversa, expressões da moderna literatura portuguesa, como por exemplo: - o paúlismo,  - o interseccionismo  - o sensacionismo.  “ Ismos” que marcaram profundamente a poesia modernista portuguesa do século XX.
Poema Pauís publicado na revista  Renascença
[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],O seu poema Impressões do Crepúsculo, marca o advento da poesia modernista em Portugal.
“ Os “ismos” do Pessoa ortónimo  são de expressão musical,  revelam estados de alma inefáveis,  nostalgias de um passado,  vivências profundas, vozes de  anima ,  em tom menor e melancólico...” Deste poema deriva a corrente paúlismo, o primeiro “ismo” criado por Fernando Pessoa.
Do paúlismo derivou ainda outra corrente, o interseccionismo, cuja melhor expressão foi a  “Chuva Oblíqua”,  corrente que resulta de uma adaptação do paúlismo a novas estéticas como o futurismo e o cubismo. Com esta corrente o poeta pretende exprimir a complexidade e a intersecção das sensações percepcionadas, aproximando-se, então, do cubismo que exprime a interpenetração e sobreposição dos planos dos objectos.
Chuva Oblíqua II Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia, E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça... Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso. E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro... O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar... Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça E sente-se chiar a água no facto de haver coro... A missa é um automóvel que passa Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste... Súbito vento sacode em esplendor maior A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe Com o som de rodas de automóvel... E apagam-se as luzes da igreja Na chuva que cessa...
Mais tarde surgia o sensacionismo, corrente que faz a apologia da sensação como a única realidade da vida corrente que Fernando Pessoa considera cosmopolita e universalista e que corresponde a uma arte sem regras, conforme o texto datado de 1916:  “ A uma arte assim cosmopolita, assim universal, assim sintética, é evidente que nenhuma disciplina pode ser imposta, que não a de sentir tudo de todas as maneiras…”
O terceiro número da revista não passou, por falta de financiamento, da fase das provas de página   Orpheu   (1915/1916-1º,2º)
Mais do que um movimento literário,  "Orpheu"  foi um movimento artístico: Nele participaram poetas, pintores, escultores, enfim, um sem número de artistas que concebiam a arte como algo de muito nobre e revelador de uma mentalidade muito própria. Assim, nos dois números desta publicação tão efémera  surgem poesias a par de gravuras, formando, em conjunto uma nova concepção de arte. Após a Proclamação da República em 1910, com todo o entusiasmo proveniente da febre revolucionária, a nova vaga de jovens artistas começa a deambular pelos cafés da Baixa Lisboeta.  Orpheu
Destes encontros, surge uma ligação quase umbilical entre estes jovens que desejavam, romper com um passado decadente e fazer aparecer algo de diferente. Assim. em 1915, com a saída do primeiro número da revista "Orpheu" opera-se uma revolução, desta feita, estética e social. Após a publicação do 1º número, os seus mentores quase que se viram obrigados a esconder-se, tal não foi a violência da reacção da sociedade da época. Os seus principais impulsionadores foram Fernando Pessoa, Mário Sá-Carneiro e Almada Negreiros, embora os colaboradores tenham sido muitos mais. Mas, aqueles três constituíram o núcleo duro desta publicação. O escândalo por ela provocado era um óptimo sinal de que estavam no caminho certo: o da mudança!
Fernando Pessoa no Martinho da Arcada com Raul Leal, António Botto e Augusto Ferreira Gomes
O poeta português Mário de Sá-Carneiro. Um dos membros do grupo da revista  Orpheu  e amigo de Fernando Pessoa, apesar da morte prematura (por suicídio - 1916) deixou uma obra de poesia e prosa significativa, onde por vezes explora as técnicas literárias do futurismo.
Pessoa na Baixa de Lisboa Orpheu
Almada Negreiros
"O  Orpheu  é a soma e a síntese de todos os movimentos literários modernos. Entenda-se que parte do simbolismo, do decadentismo, do paulismo, simultaneismo, futurismo, cubismo, expressionismo, sensacionismo, interseccionismo e outros  ismos ."   (Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação).
F.P. – Ortónimo Temáticas: ,[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],Orpheu
Autopsicografia O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.
Gato que brincas na rua  Como se fosse na cama,  Invejo a sorte que é tua  Porque nem sorte se chama.  Bom servo das leis fatais  Que regem pedras e gentes,  Que tens instintos gerais  E sentes só o que sentes.  És feliz porque és assim,  Todo o nada que és é teu.  Eu vejo-me e estou sem mim,  Conheço-me e não sou eu.
Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem achei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê. Quem sente não é quem é.  Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo, É do que nasce, e não meu. Sou minha própria paisagem, Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só. Não sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo, «Fui eu?» Deus sabe, porque o escreveu.
Linguagem e estilo ,[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object]
Em Dezembro de 1934, aparece a Mensagem, única obra publicada em vida. É-lhe atribuída a segunda categoria do prémio Antero de Quental. Pessoa diz que o aparecimento do livro coincide "com um dos momentos críticos da remodelação do subconsciente nacional“ . Sintoma do abatimento nacional sob o jugo salazarista.
Esboços de Fernando Pessoa para o título da  Mensagem . Mens agitat molem  - "A mente move a matéria"
Fernando Pessoa foi sempre movido pela consciência de ser o intermediário entre o divino e a humanidade e que uma missão, recebida, lhe cumpria desempenhar. Esta consciência move-o no seu percurso literário e culmina, amadurecida e trabalhada, na publicação, em 1934, da sua obra Mensagem.  Fernando Pessoa, consciente do papel da difusão dos grandes mitos, parte, então, do mito de D. Sebastião, que, desaparecido no nevoeiro, tal como o Rei Artur, haveria de regressar para que Portugal se cumprisse de novo.
Estrutura Mensagem Poema épico-lírico Três Grandes “Andamentos” 1.º  BRASÃO 2.º  Mar Português 3.º O ENCOBERTO O Timbre A Coroa As Quinas Os Castelos Os Campos 12 poemas Os Avisos Os Símbolos Os Tempos
Na primeira parte, percorre, através de figuras da nossa história, emissários e heróis ao serviço da vontade divina na  formação da nação portuguesa,   sempre com a ideia de uma condução histórica que parte, não da vontade dos homens mas, dos desígnios divinos. Na segunda parte traça o percurso grandioso da epopeia épica dos portugueses, bem como a preço a pagar pela universalidade conquistada por este povo. Na terceira parte afirma a possibilidade de uma regeneração de Portugal através da força do mito. Consciente da decadência e estagnação do país, o poeta acredita na possibilidade de Portugal voltar a constituir-se como um Império.
Nesta obra, cujos poemas foram escritos entre 1913 e 1934, está bem patente o seu ideal patriótico, sebastianista e messiânico e a crença na condução divina dos destinos da humanidade e da história: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”  (Parte I, O Infante).   Na Mensagem, o cruzamento dos percursos espiritualistas, ocultistas e míticos de Fernando Pessoa reúnem-se para a apresentação de um Portugal eleito por Deus, um Portugal decadente mas que deverá constituir-se novamente como um Império, desta vez do espírito e da cultura, ideia profética e mítica que o poeta desenvolve ainda no poema  Quinto Império , onde também aí visiona o surgimento de Portugal como um Império (depois de Grécia, Roma, Cristandade e da Europa) não material, mas da cultura e do espírito.
Mensagem - Os Lusíadas   Mensagem, enquanto poema épico-lírico, revive o canto épico da literatura portuguesa - Os Lusíadas, mas prossegue noutro sentido a história do futuro, na linha de Bandarra e de Padre António Vieira. A dominante mítica é, no poema de Pessoa, solidária da desvalorização da narração e da descrição características da epopeia, dando relevo a um pensamento unificador, ostensivo na proliferação de símbolos em detrimento da acção e conferindo ao poema uma dimensão mais emblemática do que épica.   Portugal, que Camões via como cabeça da Europa, é agora o rosto contemplativo de uma Europa jacente. Marca visível do diálogo com Camões é a reflexão directa de um mito, como é, por exemplo, o poema "O Mostrengo", que corresponde ao Mito do Adamastor. É-o ainda na presença notória de um vocabulário comum aos dois textos.
Como Prado Coelho afirmou, “Em contraste com o realismo d’ Os Lusíadas  (…) a  Mensagem  reage pela altiva rejeição a um «Real» oco, absurdo, intolerável, propondo-nos em seu lugar a única coisa que vale a pena: o imaginário”.  Os Lusíadas e Mensagem são obras situadas no início e no  terminus  do grande processo de dissolução do Império. Enquanto Os Lusíadas são a exortação pura, do D. Sebastião presente, da esperança na renovação do Império decadente, a Mensagem é a exortação do mito Sebastianista, do rei morto e agora feito apenas futuro. O D. Sebastião de Camões é viril e aventureiro, à moda das histórias de cavalaria da época. O D. Sebastião de Pessoa é já o mito, despido de vestes humanas, humilhado, feito arrependimento e tortura do espírito. A Mensagem é mais súplica do que Os Lusíadas, e por isso menos grandiosa, mais ocultista e hermética.  Há esperança n’ Os Lusíadas, utopia na Mensagem.
Texto épico Texto épico-lírico - Cântico heróico de mitos colectivos e de lendas - Celebração de feitos excepcionais - Glorificação dos heróis e das suas excelentes qualidades ,[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],-Elementos épicos e líricos -Discurso narrativo à mistu- ra com discurso do“eu” -Subjectividade histórica -Releitura da história heróica -Emoção do “eu” face à história -Brevidade dos poemas
“ A origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação.  Estes fenómenos fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo.” GENESE dos HETERÓNIMOS
“ A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim…  A origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação…  A histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia...  Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo.  Repito: oiço, sinto, vejo...  E tenho saudades deles.” In  Carta a Adolfo Casais Monteiro
Em 1894 cria o primeiro heterónimo:  Chevalier de Pas .  Em 1899 nasce o heterónimo  Alexandre Search , em nome do qual, escreve cartas para si mesmo.  Para além de muitas outras personalidades, as mais conhecidas são os heterónimos  Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis . Para cada um destes homens, Fernando Pessoa desenhou uma cuidada biografia, um horóscopo, um retrato físico completo, traçou as suas características morais, intelectuais, ideológicas.
ALBERTO CAEIRO O Mestre No dizer do próprio poeta, em carta ao amigo Casais Monteiro “nasceu em Lisboa em 1889 e morreu em 1915.  Viveu quase toda a vida no campo.”
Carta astral de Caeiro
O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... (...) Creio no mundo como um malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... (...) Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Ao entardecer, debruçado pela janela,  E sabendo de soslaio que há campos em frente,  Leio até me arderem os olhos  O livro de Cesário Verde.  Que pena que tenho dele! Ela era um camponês  Que andava preso em liberdade pela cidade.  mas o modo como olhava para as casas,  E o modo como reparava nas ruas,  E a maneira como dava pelas cousas,  É o de quem olha para árvores,  E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando  E anda a reparar nas flores que há pelos campos...  Por isso ele tinha aquela grande tristeza  Que ele nunca disse bem que tinha,  Mas andava na cidade como quem anda no campo  E triste como esmagar flores em livros  E pôr plantas em jarros...
O poeta do olhar...
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...  Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer  Porque eu sou do tamanho do que vejo  E não do tamanho da minha altura... Nas cidades a vida é mais pequena  Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.  Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,  Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,  Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos  olhos nos podem dar,  E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro dá também voz ao paganismo. Segundo Fernando Pessoa, A obra de Caeiro representa uma reconstrução integral do paganismo, na sua essência absoluta, tal como nem os gregos nem os romanos que viveram nele e por isso o não pensaram, o puderam fazer. (Páginas Íntimas e Auto Interpretação, p.330)   Apresenta-se como o poeta das sensações; a sua poesia sensacionista assenta na substituição do pensamento pela sensação (Sou um guardador de rebanhos./ O rebanho é os meus pensamentos / E os meus pensamentos são todos sensações.).
Alberto Caeiro é o poeta da natureza, o poeta de atitude antimística (Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o./ Sou místico, mas só com o corpo./ A minha alma é simples e não pensa./ O meu misticismo é não querer saber. / É viver e não pensar nisso).  É o poeta do objectivismo absoluto. Ricardo Reis afirma que Caeiro, no seu objectivismo total, ou, antes, na sua tendência constante para um objectivismo total, é frequentemente mais grego que os próprios gregos. (Páginas Íntimas e Auto Interpretação, p. 365).
É também o poeta que repudia as filosofias quando escreve, por exemplo, que Os poetas místicos são filósofos doentes / E os filósofos são homens doidos e que nega o mistério e o a busca do sentido íntimo das coisas: O único sentido íntimo das coisas / É elas não terem sentido íntimo nenhum..
[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],Estilo e Linguagem
RICARDO REIS O Poeta da ataraxia (serenidade da alma) No dizer do próprio poeta  “nasceu no Porto em 1887, formou-se em Medicina. Por ser monárquico, parte para o Brasil em 1919...
Carta astral de Ricardo Reis
Mestre, são plácidas   Todas as horas   Que nós perdemos,   Se no perdê-las,   Qual numa jarra,   Nós pomos flores.   Não há tristezas  Nem alegrias   Na nossa vida.   Assim saibamos,   Sábios incautos,   Não a viver,   Mas decorrê-la, Tranquilos, plácidos,   Tendo as crianças   Por nossas mestras,   E os olhos cheios   De Natureza ...   À beira-rio,  À beira-estrada,   Conforme calha,   Sempre no mesmo   Leve descanso   De estar vivendo.   O tempo passa, Não nos diz nada.   Envelhecemos.   Saibamos, quase   Maliciosos,   Sentir-nos ir.   Não vale a pena Fazer um gesto.   Não se resiste   Ao deus atroz   Que os próprios filhos   Devora sempre.
ODE Não tenhas nada nas mãos  Nem uma memória na alma,  Que quando te puserem  Nas mãos o óbolo último,  Ao abrirem-te as mãos  Nada te cairá.  Que trono te querem dar  Que Átropos to não tire?  Que louros que não fanem  Nos arbítrios de Minos?  Que horas que te não tornem  Da estatura da sombra  Que serás quando fores  Na noite e ao fim da estrada.  Colhe as flores mas larga-as,  Das mãos mal as olhaste.  Senta-te ao sol. Abdica  E sê rei de ti próprio.    Colhamos flores. Molhemos leves  As nossas mãos  Nos rios calmos,  Para aprendermos   Calma também.  Girassóis sempre Fitando o Sol,  Da vida iremos  Tranquilos, tendo  Nem o remorso  De ter vivido.  Óbolo – moeda; Átropo – morte; Minos – rei de Creta
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.  Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos  Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.    (Enlacemos as mãos.)  Depois pensemos, crianças adultas, que a vida  Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,  Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,    Mais longe que os deuses.  Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.  Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.  Mais vale saber passar silenciosamente    E sem desassossegos grandes.  Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,  Nem invejas, que dão movimento demais aos olhos,  Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,    E sempre iria ter ao mar. (…)
Médico de profissão, monárquico, facto que o levou a viver emigrado alguns anos no Brasil, educado num colégio de jesuítas, recebeu, pois, uma formação clássica e latinista e foi imbuído de princípios conservadores, elementos que são transportados para a sua concepção poética. Domina a forma dos poetas latinos e proclama a disciplina na construção poética. Ricardo Reis é marcado por uma profunda simplicidade da concepção da vida, por uma intensa serenidade na aceitação da relatividade de todas as coisas. É o heterónimo que mais se aproxima do criador, quer no aspecto físico - é moreno, de estatura média, anda meio curvado, é magro e tem aparência de judeu português (Fernando Pessoa tinha ascendência israelita)- quer na maneira de ser e no pensamento.
É adepto do sensacionalismo, que herda do mestre Caeiro, mas ao aproximá-lo do neoclassicismo manifesta-o, pois, num plano distinto como refere Fernando Pessoa em Páginas Íntimas e Auto Interpretação, (p.350): Caeiro tem uma disciplina: as coisas devem ser sentidas tais como são. Ricardo Reis tem outra disciplina diferente: as coisas devem ser sentidas, não só como são, mas também de modo a integrarem-se num certo ideal de medida e regras clássicas.
Associa-se ainda ao paganismo de Caeiro e suas concepções do mundo vai procurá-las ao estoicismo e ao epicurismo (segundo Frederico Reis a filosofia da obra de Ricardo Reis resume-se num epicurismo triste –  (in Páginas Íntimas e Auto Interpretação, p.386).   A sua forma de expressão vai buscá-la aos poetas latinos, de acordo com a sua formação, e afirma, por exemplo, que Deve haver, no mais pequeno poema de um poeta, qualquer coisa por onde se note que existiu Homero (Páginas Íntimas e Auto Interpretação, p.393).
Estilo e Linguagem ,[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object]
ÁLVARO DE CAMPOS O Poeta indisciplinado das sensações Álvaro de Campos nasce em Outubro de 1890,  em Tavira. Tira o curso de engenharia mecânica e depois naval em Glasgow, na Escócia. Vive agora em Lisboa, tendo viajado pelo Oriente.
Carta astral de Álvaro de Campos
1ª fase  -  O Decadentismo  “ Opiário”, exprime o tédio, o enfado, o cansaço, a naúsea, o abatimento e a necessidade de novas sensações  2ª fase - O Futurismo e o Sensacionismo   “ Ode Triunfal”, celebra o triunfo da máquina, da energia mecânica e da civilização moderna. Sente-se nos poemas uma atracção quase erótica pelas máquinas, símbolo da vida moderna.  3ª fase - A Abulia e a Inquietação  “ Lisbon revisited”, perante a incapacidade das realizações, traz de volta o abatimento. Nesta fase, Campos sente-se vazio, um marginal, um incompreendido. Sofre fechado em si mesmo, angustiado e cansado.  As três fases de Álvaro de Campos
Visitou o Oriente e durante essa visita escreve o poema Opiário, dedicado a Mário de Sá-Carneiro.  Desiludido dessa visita, regressa a Portugal onde o espera o encontro com o mestre Caeiro, e o início de um intenso percurso pelos trilhos do sensacionismo e do futurismo ou do interseccionismo. Espera-o ainda um cansaço e um sonambulismo poético como ele prevê no poema Opiário:  “ Volto à Europa descontente, e em sortes  De vir a ser um poeta sonambólico.” Conheceu Alberto Caeiro, numa visita ao Ribatejo e tornou-se seu discípulo: O que o mestre Caeiro me ensinou foi a ter clareza; equilíbrio, organismo no delírio e no desvairamento, e também me ensinou a não procurar ter filosofia nenhuma, mas com alma .  (Páginas Íntimas e Auto Interpretacão, p. 405)
Distancia-se, no entanto, muito do mestre ao aproximar-se de movimentos modernistas como o futurismo e o sensacionismo. Distancia-se do objectivismo do mestre e percepciona as sensações distanciando-se do objecto e centrando-se no sujeito, caindo, pois, no subjectivismo que acabará por enveredar pela consciência do absurdo, pela experiência do tédio, da desilusão. (Grandes são os desertos, e tudo é deserto / Grande é a vida, e não vale a pena haver vida.) e da fadiga (O que há em mim é sobretudo cansaço - / Não disto nem daquilo, / Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, /Cansaço).
Álvaro de Campos experimentara a civilização e admira a energia e a força, transportando-as para o domínio da sua criação poética, nomeadamente nos textos Ultimatum e Ode Triunfal.  Álvaro de Campos é o poeta modernista, que escreve as sensações da energia e do movimento bem como, as sensações de sentir tudo de todas as maneiras.  É o poeta que mais expressa os postulados do Sensacionismo, elevando ao excesso aquela ânsia de sentir, de percepcionar toda a complexidade das sensações.
O OPIÁRIO É antes do ópio que a minh'alma é doente. Sentir a vida convalesce e estiola E eu vou buscar ao ópio que consola Um Oriente ao oriente do Oriente. Esta vida de bordo há-de matar-me. São dias só de febre na cabeça E, por mais que procure até que adoeça, Já não encontro a mola pra adaptar-me. Em paradoxo e incompetência astral Eu vivo a vincos de ouro a minha vida, Onda onde o pundonor é uma descida E os próprios gozos gânglios do meu mal. Por isso eu tomo ópio. É um remédio Sou um convalescente do Momento. Moro no rés-do-chão do pensamento E ver passar a Vida faz-me tédio.
Ode Triunfal À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica  Tenho febre e escrevo.  Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,  Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.  Ó rodas, ó engrenagens,  r-r-r-r-r-r  eterno!  Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!  Em fúria fora e dentro de mim,  Por todos os meus nervos dissecados fora,  Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!  Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,  De vos ouvir demasiadamente de perto,  E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso  De expressão de todas as minhas sensações,  Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
À maneira do poeta norte-americano Whitman e num estilo escandalosamente novo, Campos canta a civilização moderna e atinge o ponto mais brilhante da poesia Futurista. “ Ó rodas, ó engrenagens,  r-r-r-r-r-r  eterno!”
LISBON REVISITED  Não: Não quero nada.  Já disse que não quero nada. Não me venham com conclusões!  A única conclusão é morrer.  Não me tragam estéticas!  Não me falem em moral!  Tirem-me daqui a metafísica!  Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas  Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —  Das ciências, das artes, da civilização moderna!  Que mal fiz eu aos deuses todos?  (…) Não me macem, por amor de Deus!
Estilo e Linguagem ,[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object]
“ Com Caeiro fingimos que somos eternos,  com Campos regressamos dos impossíveis sons imperiais para a aventura labiríntica do quotidiano moderno,  com Reis encolhemos os ombros diante do Destino, compreendemos que o Fado não é uma canção triste, mas a Tristeza feita verbo e com  Mensagem  sonhamos uma pátria de sonho para redimir a verdadeira.” Eduardo Lourenço
O padrasto,  o comandante João Miguel Rosa, casa em 1895  com  Maria Madalena
Aos seis anos
Com 13 anos
Fernando Pessoa em Durban, África do Sul, para onde partiu em Janeiro de 1896.
Fernando Pessoa nos primeiros anos em Lisboa, após o regresso da África do Sul
Aos vinte anos de idade
Fernando Pessoa
No quotidiano lisboeta,  onde trabalhou como «correspondente estrangeiro»
Em 1920 escreve a 1ª carta de amor e inicia o namoro com Ophélia Queirós
Ofélia Queiroz depois da morte de Fernando Pessoa
Na Baixa Lisboeta
Aos 40 anos de idade
No Rossio
Nas Ruas de Lisboa
Em 1929, na tasca Abel Pereira da Fonseca  Texto de Bernardo Soares:  Se um homem escreve bem só quando está bêbado dir-lhe-ei: embebede-se.  E se ele me disser que o seu fígado sofre com isso respondo: o que é o seu fígado?  É uma coisa morta que vive enquanto você vive,  e os poemas que escrever vivem sem enquanto.
No Martinho da Arcada
Na Rua Augusta, com Utra Machado
Com Moitinho de Almeida,  «O Patrão Vasques» (à extrema direita)
Por volta do dia 25 de Novembro de 1935, Pessoa teve uma crise, na casa da Rua Coelho da Rocha, caindo ao chão sem sentidos. "O médico era categórico" - diz Gaspar Simões - "mais um cálice de aguardente e seria o fim".  Fernando Pessoa em "flagrante delitro".
1935 - Última fotografia de Pessoa, tirada por Augusto Ferreira Gomes.
 
Retrato de Fernando Pessoa. 1954, óleo sobre tela,  2010 x 2010 mm  Museu da Cidade, Lisboa, Portugal Quadro de Almada Negreiros (1893-1970), pintado para o restaurante  Irmãos Unidos , de Lisboa, versão final de uma encomenda cujo projecto primitivo se intitulava «Lendo o Orpheu»..
Mural dos Heterónimos. Caricaturas de Almada Negreiros  de 1958
Cartaz
Citando Jacinto Prado Coelho: "Há unidade na multiplicidade pelo simples facto de os heterónimos trazerem cada um a sua resposta à inquietação crucial do poeta".
Estátua junto ao Café Martinho da Arcada
Desenho de Almada Negreiros
As sombras do “eu”
Óculos de Fernando Pessoa Caixa de rapé de Fernando Pessoa
Máquina de escrever de Fernando Pessoa
Assinaturas de Fernando Pessoa e dos heterónimos
A Célebre Arca do autor
http://www.ufp.pt/page.php?intPageObjId=10296 http://omj.no.sapo.pt/forum.htm http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa http://www.casafernandopessoa.com/ Endereços na Internet sobre F. Pessoa http://www.pessoa.art.br/?p=541
José Maria Araújo,  Ano de 2007 FIM Boa Semana !...

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Conhecer o Poeta Fernando Pessoa

  • 1.
  • 2. - 1888 - Nasce, a 13 de Junho, o poeta Fernando António Nogueira Pessoa, no 4º andar esquerdo do nº 4 do Largo de São Carlos em Lisboa, filho de Maria Madalena Pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa. - 1896 - Partida para a África do Sul de D. Maria Madalena e o filho, no início do mês de Janeiro. - 1905 - Regressa sozinho a Lisboa e vai viver com a avó Dionísia e as duas tias, na Rua da Bela Vista, n.º 17. - 1915 - Sai, em Abril, o primeiro número do Orpheu. - 1934 - Aparece, em Dezembro, a Mensagem. É-lhe atribuída, nesse mesmo mês, a segunda categoria do prémio Antero de Quental, do Secretariado de Propaganda Nacional. - 1935 - É internado, em 28 de Novembro, com uma cólica hepática, no Hospital de S. Luís, em Lisboa, onde morre a 30 de Novembro. Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935)
  • 3. Maria Madalena Pinheiro Nogueira Joaquim de Seabra Pessoa Pai, morre tuberculoso em 1893, com 43 anos Mã e
  • 4. Casa onde Fernando Pessoa nasceu no Largo de São Carlos em Lisboa.
  • 5. Fases da estética Ao longo de 1913, Fernando Pessoa percorre novos caminhos literários e estéticos, estando na origem de novas correntes de índole diversa, expressões da moderna literatura portuguesa, como por exemplo: - o paúlismo, - o interseccionismo - o sensacionismo. “ Ismos” que marcaram profundamente a poesia modernista portuguesa do século XX.
  • 6. Poema Pauís publicado na revista Renascença
  • 7.
  • 8. “ Os “ismos” do Pessoa ortónimo são de expressão musical, revelam estados de alma inefáveis, nostalgias de um passado, vivências profundas, vozes de anima , em tom menor e melancólico...” Deste poema deriva a corrente paúlismo, o primeiro “ismo” criado por Fernando Pessoa.
  • 9. Do paúlismo derivou ainda outra corrente, o interseccionismo, cuja melhor expressão foi a “Chuva Oblíqua”, corrente que resulta de uma adaptação do paúlismo a novas estéticas como o futurismo e o cubismo. Com esta corrente o poeta pretende exprimir a complexidade e a intersecção das sensações percepcionadas, aproximando-se, então, do cubismo que exprime a interpenetração e sobreposição dos planos dos objectos.
  • 10. Chuva Oblíqua II Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia, E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça... Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso. E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro... O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar... Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça E sente-se chiar a água no facto de haver coro... A missa é um automóvel que passa Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste... Súbito vento sacode em esplendor maior A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe Com o som de rodas de automóvel... E apagam-se as luzes da igreja Na chuva que cessa...
  • 11. Mais tarde surgia o sensacionismo, corrente que faz a apologia da sensação como a única realidade da vida corrente que Fernando Pessoa considera cosmopolita e universalista e que corresponde a uma arte sem regras, conforme o texto datado de 1916: “ A uma arte assim cosmopolita, assim universal, assim sintética, é evidente que nenhuma disciplina pode ser imposta, que não a de sentir tudo de todas as maneiras…”
  • 12. O terceiro número da revista não passou, por falta de financiamento, da fase das provas de página Orpheu (1915/1916-1º,2º)
  • 13. Mais do que um movimento literário, "Orpheu" foi um movimento artístico: Nele participaram poetas, pintores, escultores, enfim, um sem número de artistas que concebiam a arte como algo de muito nobre e revelador de uma mentalidade muito própria. Assim, nos dois números desta publicação tão efémera surgem poesias a par de gravuras, formando, em conjunto uma nova concepção de arte. Após a Proclamação da República em 1910, com todo o entusiasmo proveniente da febre revolucionária, a nova vaga de jovens artistas começa a deambular pelos cafés da Baixa Lisboeta. Orpheu
  • 14. Destes encontros, surge uma ligação quase umbilical entre estes jovens que desejavam, romper com um passado decadente e fazer aparecer algo de diferente. Assim. em 1915, com a saída do primeiro número da revista "Orpheu" opera-se uma revolução, desta feita, estética e social. Após a publicação do 1º número, os seus mentores quase que se viram obrigados a esconder-se, tal não foi a violência da reacção da sociedade da época. Os seus principais impulsionadores foram Fernando Pessoa, Mário Sá-Carneiro e Almada Negreiros, embora os colaboradores tenham sido muitos mais. Mas, aqueles três constituíram o núcleo duro desta publicação. O escândalo por ela provocado era um óptimo sinal de que estavam no caminho certo: o da mudança!
  • 15. Fernando Pessoa no Martinho da Arcada com Raul Leal, António Botto e Augusto Ferreira Gomes
  • 16. O poeta português Mário de Sá-Carneiro. Um dos membros do grupo da revista Orpheu e amigo de Fernando Pessoa, apesar da morte prematura (por suicídio - 1916) deixou uma obra de poesia e prosa significativa, onde por vezes explora as técnicas literárias do futurismo.
  • 17. Pessoa na Baixa de Lisboa Orpheu
  • 19. "O Orpheu é a soma e a síntese de todos os movimentos literários modernos. Entenda-se que parte do simbolismo, do decadentismo, do paulismo, simultaneismo, futurismo, cubismo, expressionismo, sensacionismo, interseccionismo e outros ismos ." (Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação).
  • 20.
  • 21. Autopsicografia O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.
  • 22. Gato que brincas na rua Como se fosse na cama, Invejo a sorte que é tua Porque nem sorte se chama. Bom servo das leis fatais Que regem pedras e gentes, Que tens instintos gerais E sentes só o que sentes. És feliz porque és assim, Todo o nada que és é teu. Eu vejo-me e estou sem mim, Conheço-me e não sou eu.
  • 23. Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem achei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê. Quem sente não é quem é. Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo, É do que nasce, e não meu. Sou minha própria paisagem, Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só. Não sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo, «Fui eu?» Deus sabe, porque o escreveu.
  • 24.
  • 25. Em Dezembro de 1934, aparece a Mensagem, única obra publicada em vida. É-lhe atribuída a segunda categoria do prémio Antero de Quental. Pessoa diz que o aparecimento do livro coincide "com um dos momentos críticos da remodelação do subconsciente nacional“ . Sintoma do abatimento nacional sob o jugo salazarista.
  • 26. Esboços de Fernando Pessoa para o título da Mensagem . Mens agitat molem - "A mente move a matéria"
  • 27. Fernando Pessoa foi sempre movido pela consciência de ser o intermediário entre o divino e a humanidade e que uma missão, recebida, lhe cumpria desempenhar. Esta consciência move-o no seu percurso literário e culmina, amadurecida e trabalhada, na publicação, em 1934, da sua obra Mensagem. Fernando Pessoa, consciente do papel da difusão dos grandes mitos, parte, então, do mito de D. Sebastião, que, desaparecido no nevoeiro, tal como o Rei Artur, haveria de regressar para que Portugal se cumprisse de novo.
  • 28. Estrutura Mensagem Poema épico-lírico Três Grandes “Andamentos” 1.º BRASÃO 2.º Mar Português 3.º O ENCOBERTO O Timbre A Coroa As Quinas Os Castelos Os Campos 12 poemas Os Avisos Os Símbolos Os Tempos
  • 29. Na primeira parte, percorre, através de figuras da nossa história, emissários e heróis ao serviço da vontade divina na formação da nação portuguesa, sempre com a ideia de uma condução histórica que parte, não da vontade dos homens mas, dos desígnios divinos. Na segunda parte traça o percurso grandioso da epopeia épica dos portugueses, bem como a preço a pagar pela universalidade conquistada por este povo. Na terceira parte afirma a possibilidade de uma regeneração de Portugal através da força do mito. Consciente da decadência e estagnação do país, o poeta acredita na possibilidade de Portugal voltar a constituir-se como um Império.
  • 30. Nesta obra, cujos poemas foram escritos entre 1913 e 1934, está bem patente o seu ideal patriótico, sebastianista e messiânico e a crença na condução divina dos destinos da humanidade e da história: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” (Parte I, O Infante). Na Mensagem, o cruzamento dos percursos espiritualistas, ocultistas e míticos de Fernando Pessoa reúnem-se para a apresentação de um Portugal eleito por Deus, um Portugal decadente mas que deverá constituir-se novamente como um Império, desta vez do espírito e da cultura, ideia profética e mítica que o poeta desenvolve ainda no poema Quinto Império , onde também aí visiona o surgimento de Portugal como um Império (depois de Grécia, Roma, Cristandade e da Europa) não material, mas da cultura e do espírito.
  • 31. Mensagem - Os Lusíadas Mensagem, enquanto poema épico-lírico, revive o canto épico da literatura portuguesa - Os Lusíadas, mas prossegue noutro sentido a história do futuro, na linha de Bandarra e de Padre António Vieira. A dominante mítica é, no poema de Pessoa, solidária da desvalorização da narração e da descrição características da epopeia, dando relevo a um pensamento unificador, ostensivo na proliferação de símbolos em detrimento da acção e conferindo ao poema uma dimensão mais emblemática do que épica. Portugal, que Camões via como cabeça da Europa, é agora o rosto contemplativo de uma Europa jacente. Marca visível do diálogo com Camões é a reflexão directa de um mito, como é, por exemplo, o poema "O Mostrengo", que corresponde ao Mito do Adamastor. É-o ainda na presença notória de um vocabulário comum aos dois textos.
  • 32. Como Prado Coelho afirmou, “Em contraste com o realismo d’ Os Lusíadas (…) a Mensagem reage pela altiva rejeição a um «Real» oco, absurdo, intolerável, propondo-nos em seu lugar a única coisa que vale a pena: o imaginário”. Os Lusíadas e Mensagem são obras situadas no início e no terminus do grande processo de dissolução do Império. Enquanto Os Lusíadas são a exortação pura, do D. Sebastião presente, da esperança na renovação do Império decadente, a Mensagem é a exortação do mito Sebastianista, do rei morto e agora feito apenas futuro. O D. Sebastião de Camões é viril e aventureiro, à moda das histórias de cavalaria da época. O D. Sebastião de Pessoa é já o mito, despido de vestes humanas, humilhado, feito arrependimento e tortura do espírito. A Mensagem é mais súplica do que Os Lusíadas, e por isso menos grandiosa, mais ocultista e hermética. Há esperança n’ Os Lusíadas, utopia na Mensagem.
  • 33.
  • 34. “ A origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo.” GENESE dos HETERÓNIMOS
  • 35. “ A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim… A origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação… A histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia... Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto, vejo... E tenho saudades deles.” In Carta a Adolfo Casais Monteiro
  • 36. Em 1894 cria o primeiro heterónimo: Chevalier de Pas . Em 1899 nasce o heterónimo Alexandre Search , em nome do qual, escreve cartas para si mesmo. Para além de muitas outras personalidades, as mais conhecidas são os heterónimos Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis . Para cada um destes homens, Fernando Pessoa desenhou uma cuidada biografia, um horóscopo, um retrato físico completo, traçou as suas características morais, intelectuais, ideológicas.
  • 37. ALBERTO CAEIRO O Mestre No dizer do próprio poeta, em carta ao amigo Casais Monteiro “nasceu em Lisboa em 1889 e morreu em 1915. Viveu quase toda a vida no campo.”
  • 38. Carta astral de Caeiro
  • 39. O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... (...) Creio no mundo como um malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... (...) Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
  • 40. Ao entardecer, debruçado pela janela, E sabendo de soslaio que há campos em frente, Leio até me arderem os olhos O livro de Cesário Verde. Que pena que tenho dele! Ela era um camponês Que andava preso em liberdade pela cidade. mas o modo como olhava para as casas, E o modo como reparava nas ruas, E a maneira como dava pelas cousas, É o de quem olha para árvores, E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando E anda a reparar nas flores que há pelos campos... Por isso ele tinha aquela grande tristeza Que ele nunca disse bem que tinha, Mas andava na cidade como quem anda no campo E triste como esmagar flores em livros E pôr plantas em jarros...
  • 41. O poeta do olhar...
  • 42. Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... Nas cidades a vida é mais pequena Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar, E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
  • 43. Alberto Caeiro dá também voz ao paganismo. Segundo Fernando Pessoa, A obra de Caeiro representa uma reconstrução integral do paganismo, na sua essência absoluta, tal como nem os gregos nem os romanos que viveram nele e por isso o não pensaram, o puderam fazer. (Páginas Íntimas e Auto Interpretação, p.330) Apresenta-se como o poeta das sensações; a sua poesia sensacionista assenta na substituição do pensamento pela sensação (Sou um guardador de rebanhos./ O rebanho é os meus pensamentos / E os meus pensamentos são todos sensações.).
  • 44. Alberto Caeiro é o poeta da natureza, o poeta de atitude antimística (Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o./ Sou místico, mas só com o corpo./ A minha alma é simples e não pensa./ O meu misticismo é não querer saber. / É viver e não pensar nisso). É o poeta do objectivismo absoluto. Ricardo Reis afirma que Caeiro, no seu objectivismo total, ou, antes, na sua tendência constante para um objectivismo total, é frequentemente mais grego que os próprios gregos. (Páginas Íntimas e Auto Interpretação, p. 365).
  • 45. É também o poeta que repudia as filosofias quando escreve, por exemplo, que Os poetas místicos são filósofos doentes / E os filósofos são homens doidos e que nega o mistério e o a busca do sentido íntimo das coisas: O único sentido íntimo das coisas / É elas não terem sentido íntimo nenhum..
  • 46.
  • 47. RICARDO REIS O Poeta da ataraxia (serenidade da alma) No dizer do próprio poeta “nasceu no Porto em 1887, formou-se em Medicina. Por ser monárquico, parte para o Brasil em 1919...
  • 48. Carta astral de Ricardo Reis
  • 49. Mestre, são plácidas  Todas as horas  Que nós perdemos,  Se no perdê-las,  Qual numa jarra,  Nós pomos flores.  Não há tristezas  Nem alegrias  Na nossa vida.  Assim saibamos,  Sábios incautos,  Não a viver,  Mas decorrê-la, Tranquilos, plácidos,  Tendo as crianças  Por nossas mestras,  E os olhos cheios  De Natureza ...  À beira-rio,  À beira-estrada,  Conforme calha,  Sempre no mesmo  Leve descanso  De estar vivendo.  O tempo passa, Não nos diz nada.  Envelhecemos.  Saibamos, quase  Maliciosos,  Sentir-nos ir.  Não vale a pena Fazer um gesto.  Não se resiste  Ao deus atroz  Que os próprios filhos  Devora sempre.
  • 50. ODE Não tenhas nada nas mãos  Nem uma memória na alma,  Que quando te puserem  Nas mãos o óbolo último,  Ao abrirem-te as mãos  Nada te cairá.  Que trono te querem dar  Que Átropos to não tire?  Que louros que não fanem  Nos arbítrios de Minos?  Que horas que te não tornem  Da estatura da sombra  Que serás quando fores  Na noite e ao fim da estrada.  Colhe as flores mas larga-as,  Das mãos mal as olhaste.  Senta-te ao sol. Abdica  E sê rei de ti próprio.   Colhamos flores. Molhemos leves  As nossas mãos  Nos rios calmos,  Para aprendermos  Calma também.  Girassóis sempre Fitando o Sol,  Da vida iremos  Tranquilos, tendo  Nem o remorso  De ter vivido. Óbolo – moeda; Átropo – morte; Minos – rei de Creta
  • 51. Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses. Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. Mais vale saber passar silenciosamente E sem desassossegos grandes. Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz, Nem invejas, que dão movimento demais aos olhos, Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, E sempre iria ter ao mar. (…)
  • 52. Médico de profissão, monárquico, facto que o levou a viver emigrado alguns anos no Brasil, educado num colégio de jesuítas, recebeu, pois, uma formação clássica e latinista e foi imbuído de princípios conservadores, elementos que são transportados para a sua concepção poética. Domina a forma dos poetas latinos e proclama a disciplina na construção poética. Ricardo Reis é marcado por uma profunda simplicidade da concepção da vida, por uma intensa serenidade na aceitação da relatividade de todas as coisas. É o heterónimo que mais se aproxima do criador, quer no aspecto físico - é moreno, de estatura média, anda meio curvado, é magro e tem aparência de judeu português (Fernando Pessoa tinha ascendência israelita)- quer na maneira de ser e no pensamento.
  • 53. É adepto do sensacionalismo, que herda do mestre Caeiro, mas ao aproximá-lo do neoclassicismo manifesta-o, pois, num plano distinto como refere Fernando Pessoa em Páginas Íntimas e Auto Interpretação, (p.350): Caeiro tem uma disciplina: as coisas devem ser sentidas tais como são. Ricardo Reis tem outra disciplina diferente: as coisas devem ser sentidas, não só como são, mas também de modo a integrarem-se num certo ideal de medida e regras clássicas.
  • 54. Associa-se ainda ao paganismo de Caeiro e suas concepções do mundo vai procurá-las ao estoicismo e ao epicurismo (segundo Frederico Reis a filosofia da obra de Ricardo Reis resume-se num epicurismo triste – (in Páginas Íntimas e Auto Interpretação, p.386). A sua forma de expressão vai buscá-la aos poetas latinos, de acordo com a sua formação, e afirma, por exemplo, que Deve haver, no mais pequeno poema de um poeta, qualquer coisa por onde se note que existiu Homero (Páginas Íntimas e Auto Interpretação, p.393).
  • 55.
  • 56. ÁLVARO DE CAMPOS O Poeta indisciplinado das sensações Álvaro de Campos nasce em Outubro de 1890, em Tavira. Tira o curso de engenharia mecânica e depois naval em Glasgow, na Escócia. Vive agora em Lisboa, tendo viajado pelo Oriente.
  • 57. Carta astral de Álvaro de Campos
  • 58. 1ª fase - O Decadentismo “ Opiário”, exprime o tédio, o enfado, o cansaço, a naúsea, o abatimento e a necessidade de novas sensações 2ª fase - O Futurismo e o Sensacionismo “ Ode Triunfal”, celebra o triunfo da máquina, da energia mecânica e da civilização moderna. Sente-se nos poemas uma atracção quase erótica pelas máquinas, símbolo da vida moderna. 3ª fase - A Abulia e a Inquietação “ Lisbon revisited”, perante a incapacidade das realizações, traz de volta o abatimento. Nesta fase, Campos sente-se vazio, um marginal, um incompreendido. Sofre fechado em si mesmo, angustiado e cansado. As três fases de Álvaro de Campos
  • 59. Visitou o Oriente e durante essa visita escreve o poema Opiário, dedicado a Mário de Sá-Carneiro. Desiludido dessa visita, regressa a Portugal onde o espera o encontro com o mestre Caeiro, e o início de um intenso percurso pelos trilhos do sensacionismo e do futurismo ou do interseccionismo. Espera-o ainda um cansaço e um sonambulismo poético como ele prevê no poema Opiário: “ Volto à Europa descontente, e em sortes De vir a ser um poeta sonambólico.” Conheceu Alberto Caeiro, numa visita ao Ribatejo e tornou-se seu discípulo: O que o mestre Caeiro me ensinou foi a ter clareza; equilíbrio, organismo no delírio e no desvairamento, e também me ensinou a não procurar ter filosofia nenhuma, mas com alma . (Páginas Íntimas e Auto Interpretacão, p. 405)
  • 60. Distancia-se, no entanto, muito do mestre ao aproximar-se de movimentos modernistas como o futurismo e o sensacionismo. Distancia-se do objectivismo do mestre e percepciona as sensações distanciando-se do objecto e centrando-se no sujeito, caindo, pois, no subjectivismo que acabará por enveredar pela consciência do absurdo, pela experiência do tédio, da desilusão. (Grandes são os desertos, e tudo é deserto / Grande é a vida, e não vale a pena haver vida.) e da fadiga (O que há em mim é sobretudo cansaço - / Não disto nem daquilo, / Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, /Cansaço).
  • 61. Álvaro de Campos experimentara a civilização e admira a energia e a força, transportando-as para o domínio da sua criação poética, nomeadamente nos textos Ultimatum e Ode Triunfal. Álvaro de Campos é o poeta modernista, que escreve as sensações da energia e do movimento bem como, as sensações de sentir tudo de todas as maneiras. É o poeta que mais expressa os postulados do Sensacionismo, elevando ao excesso aquela ânsia de sentir, de percepcionar toda a complexidade das sensações.
  • 62. O OPIÁRIO É antes do ópio que a minh'alma é doente. Sentir a vida convalesce e estiola E eu vou buscar ao ópio que consola Um Oriente ao oriente do Oriente. Esta vida de bordo há-de matar-me. São dias só de febre na cabeça E, por mais que procure até que adoeça, Já não encontro a mola pra adaptar-me. Em paradoxo e incompetência astral Eu vivo a vincos de ouro a minha vida, Onda onde o pundonor é uma descida E os próprios gozos gânglios do meu mal. Por isso eu tomo ópio. É um remédio Sou um convalescente do Momento. Moro no rés-do-chão do pensamento E ver passar a Vida faz-me tédio.
  • 63. Ode Triunfal À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica Tenho febre e escrevo. Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno! Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! Em fúria fora e dentro de mim, Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos, De vos ouvir demasiadamente de perto, E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso De expressão de todas as minhas sensações, Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
  • 64. À maneira do poeta norte-americano Whitman e num estilo escandalosamente novo, Campos canta a civilização moderna e atinge o ponto mais brilhante da poesia Futurista. “ Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!”
  • 65. LISBON REVISITED Não: Não quero nada. Já disse que não quero nada. Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer. Não me tragam estéticas! Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — Das ciências, das artes, da civilização moderna! Que mal fiz eu aos deuses todos? (…) Não me macem, por amor de Deus!
  • 66.
  • 67. “ Com Caeiro fingimos que somos eternos, com Campos regressamos dos impossíveis sons imperiais para a aventura labiríntica do quotidiano moderno, com Reis encolhemos os ombros diante do Destino, compreendemos que o Fado não é uma canção triste, mas a Tristeza feita verbo e com Mensagem sonhamos uma pátria de sonho para redimir a verdadeira.” Eduardo Lourenço
  • 68. O padrasto, o comandante João Miguel Rosa, casa em 1895 com Maria Madalena
  • 71. Fernando Pessoa em Durban, África do Sul, para onde partiu em Janeiro de 1896.
  • 72. Fernando Pessoa nos primeiros anos em Lisboa, após o regresso da África do Sul
  • 73. Aos vinte anos de idade
  • 75. No quotidiano lisboeta, onde trabalhou como «correspondente estrangeiro»
  • 76. Em 1920 escreve a 1ª carta de amor e inicia o namoro com Ophélia Queirós
  • 77. Ofélia Queiroz depois da morte de Fernando Pessoa
  • 79. Aos 40 anos de idade
  • 81. Nas Ruas de Lisboa
  • 82. Em 1929, na tasca Abel Pereira da Fonseca Texto de Bernardo Soares: Se um homem escreve bem só quando está bêbado dir-lhe-ei: embebede-se. E se ele me disser que o seu fígado sofre com isso respondo: o que é o seu fígado? É uma coisa morta que vive enquanto você vive, e os poemas que escrever vivem sem enquanto.
  • 83. No Martinho da Arcada
  • 84. Na Rua Augusta, com Utra Machado
  • 85. Com Moitinho de Almeida,  «O Patrão Vasques» (à extrema direita)
  • 86. Por volta do dia 25 de Novembro de 1935, Pessoa teve uma crise, na casa da Rua Coelho da Rocha, caindo ao chão sem sentidos. "O médico era categórico" - diz Gaspar Simões - "mais um cálice de aguardente e seria o fim". Fernando Pessoa em "flagrante delitro".
  • 87. 1935 - Última fotografia de Pessoa, tirada por Augusto Ferreira Gomes.
  • 88.  
  • 89. Retrato de Fernando Pessoa. 1954, óleo sobre tela, 2010 x 2010 mm Museu da Cidade, Lisboa, Portugal Quadro de Almada Negreiros (1893-1970), pintado para o restaurante Irmãos Unidos , de Lisboa, versão final de uma encomenda cujo projecto primitivo se intitulava «Lendo o Orpheu»..
  • 90. Mural dos Heterónimos. Caricaturas de Almada Negreiros de 1958
  • 92. Citando Jacinto Prado Coelho: "Há unidade na multiplicidade pelo simples facto de os heterónimos trazerem cada um a sua resposta à inquietação crucial do poeta".
  • 93. Estátua junto ao Café Martinho da Arcada
  • 94. Desenho de Almada Negreiros
  • 95. As sombras do “eu”
  • 96. Óculos de Fernando Pessoa Caixa de rapé de Fernando Pessoa
  • 97. Máquina de escrever de Fernando Pessoa
  • 98. Assinaturas de Fernando Pessoa e dos heterónimos
  • 99. A Célebre Arca do autor
  • 100. http://www.ufp.pt/page.php?intPageObjId=10296 http://omj.no.sapo.pt/forum.htm http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa http://www.casafernandopessoa.com/ Endereços na Internet sobre F. Pessoa http://www.pessoa.art.br/?p=541
  • 101. José Maria Araújo, Ano de 2007 FIM Boa Semana !...