Cotação da




                                                                                                              Cotação da
 questão




                                                                                                               questão
                 5
                                                                                            ANO LETIVO                       2.2 Justifica a importância económica e cultural das abadias e mosteiros.
                                   DEPARTAMENTO CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS                                                        A importância económica das abadias, ao modificarem o seu espaço circundante,
                                                                                            2012 /2013                      fazendo o arroteamento de matas, a secagem de pântanos, ao aplicarem e
                                                                                                                            experimentarem novas técnicas agrícolas e ao incentivarem a criação de ofícios
                                TESTE DE HISTÓRIA DA CULTURA E DAS ARTES                                                    artesanais, foi essencial para a conformação de uma Europa que viria a emergir com o
                                                                                            2TAAR1114
                                   MÓDULO III – A CULTURA DO MOSTEIRO                                                       Renascimento.
                                                                                                                                  Quanto à sua importância cultural, esta centra-se essencialmente no seu papel de
                               ALUNO ____________________________________ N.º _____                                          preservadoras das obras da Antiguidade, através do trabalho dos monges copistas que,
                                                                                                                             ainda que corrompessem alguns dos textos, enriqueciam outros com comentários, além
                                                                                                                             de desenvolverem a arte das iluminuras. Será das bibliotecas das abadias que sairão os
                               FEVEREIRO DE 2013               PROFESSORA: TERESA GONÇALVES                                  textos fundadores do novo humanismo renascentista.

                                                                                                                             2.3 Diz por que razões, apesar de toda a dureza da vida monacal, os monges optavam
                  1. No meio da desorganização administrativa, económica e social produzida pelas
                                                                                                                                   por esta forma de vida.
              invasões germânicas e pelo esfacelamento do Império Romano, praticamente apenas a
                                                                                                                                   Apesar de todo o rigor e dureza da vida monástica, os monges consideravam-se
              Igreja, com sede em Roma, conseguiu manter-se como instituição.
                                                                                                                            privilegiados, pois tinham abrigo e proteção no mosteiro, assim como alimento, segurança
                                                                                                                            na velhice e a esperança na Redenção – já que dedicavam a sua existência ao serviço de
               1.1 Refere o papel da Igreja após a queda do Império Romano do Ocidente.
                                                                                                                            Deus.
                 Face à desorganização administrativa, económica e social e à fragmentação do Império
             Romano produzida pelas invasões germânicas, praticamente apenas a Igreja conseguiu
                                                                                                                               3.   Observa a Figura 1 e lê o Texto B.
             manter-se como instituição, ajudando e protegendo as populações. Consolidando sua
             estrutura religiosa, foi difundindo o Cristianismo entre os povos “bárbaros”, enquanto
             preservava muitos elementos da cultura greco-romana, criando normas de comportamento                                                                        Figura 1 – Reconstituição da planta original da Catedral
                                                                                                                                                                         de Santiago de Compostela, 1075-1188,
             social, religioso e moral através de uma intensa atividade pedagógica.
                                                                                                                                                                         in upload.wikimedia.org (consultado em 11 de 2010)
                1.2 Localiza no tempo a Idade Média.
                 A Idade Média teve início com a queda do Império Romano de Ocidente, em 476 (com a
             invasão dos Hérulos), e terminou com o fim do Império Romano do Oriente, em 1453 e com o
             advento dos Descobrimentos Portugueses e do Renascimento.

                  2.      Texto A - A ociosidade é inimiga da alma. Por isso, os irmãos devem ocupar-
              se, em certas horas, com o trabalho manual e, noutras, com a leitura das coisas divinas. Os
                                                                                                                           Texto B
              irmãos devem sair pela manhã para trabalharem no que for necessário, desde a hora prima
                                                                                                                                  «A planta das igrejas de peregrinação parece desenhada pelas multidões que as
              até à quarta hora. Da quarta até à sexta hora entregar-se-ão à leitura. Depois da sexta hora,
                                                                                                                           percorrem, pela ordem da sua marcha e das suas estações, pelos seus pontos de paragem
              após se terem levantado da mesa, descansarão nas suas camas em completo silêncio.
                                                                                                                           e seu escoamento. Por vezes, um vasto nártex, lembrança da antiga igreja dos
                     Depois de rezarem, à nona voltarão ao trabalho que tiver de ser feito, até às
                                                                                                                           catecúmenos, precede a igreja e serve-lhe de vestíbulo, igreja ele próprio, com a sua nave
              Vésperas. Se a necessidade exigir que os irmãos façam eles próprios o trabalho da ceifa,
                                                                                                                           principal, as suas naves secundárias e o seu andar.
              não deverão afligir-se com isso, porque é assim que serão verdadeiros monges, vivendo do
                                                                                                                                   A igreja propriamente dita é de três e por vezes cinco naves. Alberga assim a multidão
              trabalho das suas mãos.
                                                                                         Regra de S. Bento                 que se acumula e impõe-lhe uma ordem, abrindo nessa matéria movediça sulcos paralelos. Um
                                                                                                                           transepto simples ou duplo, para o qual se abrem capelas orientadas, desenha na planta duas
               2.1 Refere, de acordo como texto A, as atividades a que se dedicavam os monges.                             ou quatro saliências, e os braços monumentais têm as proporções de uma igreja transversal
                O texto refere que os monges se dedicavam ao trabalho manual, como por exemplo, à                          que se insere na igreja principal. Mas não interrompem o percurso do peregrino. Oferecendo à
              ceifa ou a qualquer outro tipo de trabalho das suas mãos, assim como à leitura e à oração.                   multidão acesso e saídas secundárias, pertencem também a essa topografia arquitetónica da
                                                                                                                           peregrinação que permite um percurso contínuo no interior do edifício, desde a fachada
                                                                                                                           ocidental até às capelas da abside e das capelas da abside à fachada ocidental.»
                                                                                                                                                               Henri Focillon, Arte do Ocidente, Lisboa, Editorial Estampa, 1993


                Didáxis – Cooperativa de Ensino, RA                                                                                                                                               Teste de HCA – Módulo III
Cotação da




                                                                                                             Cotação da
 questão




                                                                                                              questão
             3.1 Refere    quatro das características da planta da catedral românica de                                         5. Lê os textos C e D e observa a figura 3.
                  peregrinação, recorrendo à observação da Figura 1 e à leitura do Texto B.                               Texto C - “Quando Gregório I, O Grande, Papa de 590 a 604, constatando a dificuldade de
                  Na arquitetura românica pretendia-se que a igreja constituísse a representação de toda a                fazer chegar a palavra de Deus a uma população sobretudo analfabeta, proclamou que a
             criação divina sobre a Terra: a planta de cruz latina (alusão simbólica à imagem de Cristo na                imagem é a escrita dos iletrados, fez dessa imagem, da figuração sacra, um texto para ser
             Cruz), a cobertura em abóbadas de canhão e as naves laterais em arcadas de meio ponto,                       lido e entendido por toda a vasta cristandade, desde a regência ao povo - um processo de
             constituem os elementos principais, com a cabeceira (lugar do altar) e o portal (espaço para                 evangelização que tinha como suporte os muros sagrados dos edifícios de Deus. (…)
             esculturas e baixos-relevos) de um templo românico.                                                                     Esta abertura fez comungar todo o povo medieval nos ensinamentos sagrados e
             3.2 Faz a legenda dos pontos assinalados na figura 1.                                                           nos mais simbólicos quadros dos textos litúrgicos, contribuiu para a explosão do
                                                                                                                             riquíssimo léxico figurativo sagrado que se constata no gosto pela diversidade do homem
                               A.       Torre sineira   E. Transepto                                                         medieval, tão patente no livro figural das paredes das Igrejas e dos Mosteiros.
                               B.       Nave central    F. Absidíolos                                                                                                  Hugo Lopes, Os mosteiros medievais como edifícios de saber
                               C.       Nave lateral    G. Abside
                               D.       Cruzeiro
                                                                                                                           Texto D - «A pintura estava, na verdade, a caminho de se tornar uma
                                                                                                                           forma de escrita através de imagens.»
               4. Em finais do século XI, já existiam, no nosso país, mosteiros beneditinos de arquitetura                                        E.H. Gombrich, A História da Arte, Londres, Phaidon, 2005
                   românica.
                                                                                                                                                                                 Figura 3 – O Trono de Deus,
                                                                                                                                                                                 iluminura do séc XI


                                                                                                                            5.1 Tendo em conta o texto C, refere a subordinação da pintura e da escultura românica
                                                                                                                                em relação à arquitetura.
                                                                                                                             A escultura e a pintura românicas aparecem subordinadas à arquitetura. Isto significa
                                                                                                                             que o escultor é obrigado a adaptar-se aos elementos arquitetónicos – tímpanos,
                                                                                                                             capitéis, etc. – e a uma lógica geométrica própria, que impõe uma distorção das formas
                                                                                                                             próprias dos animais, plantas e pessoas esculpidas.
                                                                                                                                A pintura decora paredes, frontais de altar e retábulos, abóbadas e tetos. Divide-se
                                                                                                                             em frisos horizontais, como se fosse uma banda desenhada e tem também fins
                                                                                                                             didáticos e catequéticos

                                                                                                                            5.2 Explica a frase sublinhada.
                                                        Figura 2                                                             Gregório Magno – o papa Gregório I, o Grande – ao afirmar que “ a imagem é a escrita
                                                                                                                             dos iletrados” pretendia que a decoração dos templos fosse como que a ilustração do
                                                                                                                             evangelho, uma vez que a esmagadora maioria da população era analfabeta. Tanto as
                                                                                                                             paredes do templo, como os seus elementos essenciais (a cabeceira e o portal) servem
             4.1 Identifica o templo representado na Figura 2.                                                               de suporte a toda uma iconografia cujo objetivo é ensinar aos fiéis a Verdade da palavra
                 A figura 2 representa a Igreja de S. Pedro de Rates, no concelho da Póvoa de Varzim-                        de Deus.

             4.2 Carateriza a fachada deste edifício.                                                                        5.3 Baseando-te no texto D, diz o que sabes sobre a pintura medieval.
                 A fachada da Igreja de S. Pedro de Rates é assimétrica e apresenta um pórtico bem                             A pintura medieval está sempre subordinada à arquitetura. A sua finalidade é didática
                 dimensionado, franqueado por dois robustos contrafortes e estruturado em cinco                           além de decorativa. A cor é intensa, pura e as figuras são contornadas com uma linha negra
                 arquivoltas assentes em colunelos profusamente decorados.                                                Os temas são os mesmos da escultura: Cristo em majestade (Pantocrator), os Tetramorfos,
                                                                                                                          a Virgem com o Menino, temas do Antigo e Novo Testamento, dos Evangelhos apócrifos e
                                                                                                                          o “Agnus Dei”. É uma pintura anti naturalista e simbólica, em que as figuras são solenes,
                                                                                                                          hieráticas, distantes e severas. São figuras planas, pois não têm volume, nem perspetiva,
                                                                                                                          nem profundidade. Os fundos são neutros ou em faixas policromas para dar a impressão de
                                                                                                                          intemporalidade. É uma arte feita com a mente, não com os sentidos. Não procura a beleza,
                                                                                                                          mas o expressionismo.
              Didáxis – Cooperativa de Ensino, RA                                                                                                                                                     Teste de HCA – Módulo III
Cotação da




                                                                                                                       Cotação da
 questão




                                                                                                                        questão
             6.        Numa época em que a voz do sacerdote não possuía qualquer                                                     7.1 Explica, com base na leitura do texto E e na observação da figura 4, de que forma os
             auxiliar, o canto desempenhou funções ministeriais: exprimia a oração de                                                princípios doutrinários de Bernardo de Claraval se materializaram na arquitetura.
             forma mais suave, favorecia o caráter comunitário da mesma e conferia
             amplitude e solenidade à palavra das escrituras e aos ritos. Derivado dos                                                     Para Bernardo de Claraval, a excessiva decoração dos conventos, mosteiros e igrejas,
             cantos da sinagoga judaica, e provavelmente também influenciado pelas                                                  “com monstros” e “criaturas disformes” leva os fiéis mais a “ a ler no mármore do que nos
             músicas grega e romana, o canto gregoriano é uma música monódica, de                                                   nossos livros e a passar todo o dia admirando estas coisas, em vez de meditar na lei
             ritmo livre, destinada a acompanhar os textos latinos retirados da Bíblia,                                             divina”. Reagindo contra o monaquismo da época, São Bernardo defendia uma
             enquadrados no sistema diatónico.                                                                                      religiosidade fundada na contemplação da beleza da alma e preconizava uma
                                                                 Figura 5 – S. Gregório Magno,                                      inteligência feita de amor, mais do que de erudição. Criticava a excessiva riqueza da
                                                                 iluminura do século XII.                                           maioria dos mosteiros e o excesso de rituais, defendendo que a arquitetura religiosa devia
                                                                                                                                    refletir simplicidade e abnegação, impondo um programa «estético» que recusava o
                6.1 Baseando-te no texto, refere as funções do canto gregoriano.                                                    excesso nas decorações escultóricas para evitar a dispersão da atenção dos fiéis.
                O canto gregoriano é uma oração cantada, em que a palavra é superior à nota musical.                                       Nos mosteiros que a sua Ordem construiu por toda a Europa – incluindo o mosteiro de
              Este canto, também conhecido como canto chão, foi implementado pelo papa Gregório                                     Alcobaça (figura 4), está presente uma sobriedade extrema e a exclusão de todo o
              Magno (na imagem ao lado) no ritual cristão no séc. VI – daí lhe advém o nome.                                        supérfluo decorativo ou opulência arquitetónica. A interdição da cor significou o
                                                                                                                                    desaparecimento dos frescos e a predominância da pedra à vista em paredes, pavimentos,
                 6.2 Menciona as principais caraterísticas desta expressão musical sacra.                                           portais e janelas, contribuindo para o pretendido ambiente de despojamento, austeridade e
                   As principais características do canto gregoriano são: as melodias são cantadas em                               severidade.
              uníssono (monódico), sem predominância de vozes, ou seja, rigorosamente homofónico; de                                Figura 6 - Carlos Magno, representado por Durer,
              ritmo livre, sem compasso, baseado apenas na acentuação e na palavra; cantado "à                                      usando a coroa imperial de Otão o Grande
              capella", isto é, sem acompanhamento de instrumentos musicais; as letras são em latim,
              retiradas dos textos bíblicos, sobretudo salmos.                                                                                             8. Carlos Magno ampliou o Reino Franco por meio de uma política
                                                                                                                                                               expansionista. A Igreja Católica, representada pelo Papa Leão III, vai
                                                                                                                                                               coroá-lo imperador do Sacro Império Romano no Natal do ano 800.
                 7.   Lê o Texto E e observa a Figura 4.
                    Texto E                                                                                                                                  8.1 Explica o significado da Coroação de Carlos Magno.
              «De resto, para que serve, nos claustros, onde os frades leem o                                                                                Em Dezembro de 800, Carlos Magno recebeu a coroa de imperador
              Ofício, aquela ridícula monstruosidade, aquela espécie de estranha                                                                             do Ocidente. Este acontecimento revestiu-se de grande importância
              formosidade disforme e disformidade formosa? O que estão ali a                                                                                 politica visto que:
              fazer os imundos símios? Ou os ferozes leões? Ou os monstruosos                                                               concedeu a Carlos Magno a qualidade de legítimo herdeiro dos imperadores
              centauros? Ou os semi-homens? Ou os tigres listrados? Ou os                                                                    romanos;
              cavaleiros combatendo? Ou os caçadores com as trombetas?                                                                      restabeleceu o Império Romano do Ocidente, transferindo a dignidade imperial
              Podem ver-se muitos corpos com uma só cabeça ou então muitas                                                                   para o rei dos Francos;
              cabeças sobre um único corpo. De um lado, avista-se um                                                                        unificou o Ocidente sob o mesmo poder político e também o mesmo poder
              quadrúpede com cauda de serpente, do outro, um peixe com                                                                       espiritual - o do Cristianismo e dos papas de Roma.
              cabeça de quadrúpede. Ali, um animal com o aspeto dum cavalo
              arrasta, atrás de si, a metade de uma cabra; aqui, um animal                                                          8.2 Caracteriza a ação cultural deste Imperador Cristão do Ocidente.
              cornudo tem um traseiro de cavalo. Enfim, por todo o lado, aparece
              tão grande e estranha diversidade de formas, que nós somos mais                                                             Na época de Carlos Magno houve um certo desenvolvimento cultural, o chamado
              tentados a ler no mármore do que nos nossos livros e a passar todo                                                    Renascimento Carolíngio, caracterizado pela promoção das atividades culturais, através
              o dia admirando estas coisas, em vez de meditar na lei divina. Por                                                    da criação de escolas e pela vinda de sábios de várias partes da Europa, tais como Paulo
              amor de Deus, se não nos envergonhamos destas criancices, por                                                         Diácono, Eginardo e Alcuíno - monge fundador da escola palatina.
              que razão, ao menos, não evitamos estes gastos?»                                                                      Executou reformas na educação que ajudaram a preparar o caminho para o Renascimento
                            Bernardo de Claraval – Apologia XII, 28 e 29 (Adaptação)                                                do século XII.
                                                                                                                                          Este "renascimento" contribuiu para a preservação e a transmissão de valores da
                                                                                        Figura 4 – Nave da igreja do                cultura clássica (greco-romana).Destaque para a ação dos mosteiros, responsáveis pela
                                                                                        Mosteiro de Alcobaça.
                                                                                                                                    tradução e cópia de manuscritos antigos.
                Didáxis – Cooperativa de Ensino, RA                                                                                                                                                      Teste de HCA – Módulo III
Cotação da




                                                                                                               Cotação da
 questão




                                                                                                                questão
                 9. A cidade islâmica é a soma de um determinado número de crentes (não de um
              determinado número de cidadãos – como a cidade clássica). A cidade islâmica é uma
              cidade secreta, uma cidade que não se vê, não se exibe, que não tem rosto.

                       9.1 Diz por que razão a cidade islâmica é uma “cidade secreta”.
                       Como tudo se constrói de dentro para fora, a rua – espaço coletivo – perde o seu
             valor estrutural. Isto dá à rua um aspeto intimista que está de acordo com o caráter secreto da
             cidade.
                       Uma rua contínua, aberta, é obrigatoriamente exibicionista, coisa que repugna o
             Muçulmano – que prefere o recato, a privacidade. A igualdade apregoada pela religião de
             Maomé tem aqui um papel importante. Assim, o Muçulmano é recatado para não ferir os
             seus irmãos – a primorosa fachada da sua casa será erguida num pátio interno para
             sua íntima contemplação.
                       Por tudo isto, a cidade muçulmana é uma cidade secreta, indiferenciada, sem rosto,
             misteriosa e recôndita, profundamente religiosa, símbolo da igualdade dos crentes perante o
             Deus Supremo.

                       9.2 Justifica o aniconismo da arte islâmica.
                       A arte islâmica é anicónica, uma vez que rejeita a representação figurativa na sua
             totalidade, devido ao perigo de idolatria. Pelo nomadismo das tribos beduínas, a arte nunca
             teve espaço para se desenvolver entre esta cultura. Assim, a palavra toma o espaço deixado
             livre: a transmissão oral ganha a maior importância. Desta maneira, a palavra, na cultura
             islâmica, ganha um valor idêntico ao da imagem na cultura cristã e, visualmente, a caligrafia
             adquire um carácter iconográfico, substituindo as imagens e entranhando-se no sistema
             decorativo da arte islâmica.


                                                                            Bom trabalho!




                Didáxis – Cooperativa de Ensino, RA                                                                         Teste de HCA – Módulo III

Exame mod 3 2 taar - proposta de correção

  • 1.
    Cotação da Cotação da questão questão 5 ANO LETIVO 2.2 Justifica a importância económica e cultural das abadias e mosteiros. DEPARTAMENTO CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS A importância económica das abadias, ao modificarem o seu espaço circundante, 2012 /2013 fazendo o arroteamento de matas, a secagem de pântanos, ao aplicarem e experimentarem novas técnicas agrícolas e ao incentivarem a criação de ofícios TESTE DE HISTÓRIA DA CULTURA E DAS ARTES artesanais, foi essencial para a conformação de uma Europa que viria a emergir com o 2TAAR1114 MÓDULO III – A CULTURA DO MOSTEIRO Renascimento. Quanto à sua importância cultural, esta centra-se essencialmente no seu papel de ALUNO ____________________________________ N.º _____ preservadoras das obras da Antiguidade, através do trabalho dos monges copistas que, ainda que corrompessem alguns dos textos, enriqueciam outros com comentários, além de desenvolverem a arte das iluminuras. Será das bibliotecas das abadias que sairão os FEVEREIRO DE 2013 PROFESSORA: TERESA GONÇALVES textos fundadores do novo humanismo renascentista. 2.3 Diz por que razões, apesar de toda a dureza da vida monacal, os monges optavam 1. No meio da desorganização administrativa, económica e social produzida pelas por esta forma de vida. invasões germânicas e pelo esfacelamento do Império Romano, praticamente apenas a Apesar de todo o rigor e dureza da vida monástica, os monges consideravam-se Igreja, com sede em Roma, conseguiu manter-se como instituição. privilegiados, pois tinham abrigo e proteção no mosteiro, assim como alimento, segurança na velhice e a esperança na Redenção – já que dedicavam a sua existência ao serviço de 1.1 Refere o papel da Igreja após a queda do Império Romano do Ocidente. Deus. Face à desorganização administrativa, económica e social e à fragmentação do Império Romano produzida pelas invasões germânicas, praticamente apenas a Igreja conseguiu 3. Observa a Figura 1 e lê o Texto B. manter-se como instituição, ajudando e protegendo as populações. Consolidando sua estrutura religiosa, foi difundindo o Cristianismo entre os povos “bárbaros”, enquanto preservava muitos elementos da cultura greco-romana, criando normas de comportamento Figura 1 – Reconstituição da planta original da Catedral de Santiago de Compostela, 1075-1188, social, religioso e moral através de uma intensa atividade pedagógica. in upload.wikimedia.org (consultado em 11 de 2010) 1.2 Localiza no tempo a Idade Média. A Idade Média teve início com a queda do Império Romano de Ocidente, em 476 (com a invasão dos Hérulos), e terminou com o fim do Império Romano do Oriente, em 1453 e com o advento dos Descobrimentos Portugueses e do Renascimento. 2. Texto A - A ociosidade é inimiga da alma. Por isso, os irmãos devem ocupar- se, em certas horas, com o trabalho manual e, noutras, com a leitura das coisas divinas. Os Texto B irmãos devem sair pela manhã para trabalharem no que for necessário, desde a hora prima «A planta das igrejas de peregrinação parece desenhada pelas multidões que as até à quarta hora. Da quarta até à sexta hora entregar-se-ão à leitura. Depois da sexta hora, percorrem, pela ordem da sua marcha e das suas estações, pelos seus pontos de paragem após se terem levantado da mesa, descansarão nas suas camas em completo silêncio. e seu escoamento. Por vezes, um vasto nártex, lembrança da antiga igreja dos Depois de rezarem, à nona voltarão ao trabalho que tiver de ser feito, até às catecúmenos, precede a igreja e serve-lhe de vestíbulo, igreja ele próprio, com a sua nave Vésperas. Se a necessidade exigir que os irmãos façam eles próprios o trabalho da ceifa, principal, as suas naves secundárias e o seu andar. não deverão afligir-se com isso, porque é assim que serão verdadeiros monges, vivendo do A igreja propriamente dita é de três e por vezes cinco naves. Alberga assim a multidão trabalho das suas mãos. Regra de S. Bento que se acumula e impõe-lhe uma ordem, abrindo nessa matéria movediça sulcos paralelos. Um transepto simples ou duplo, para o qual se abrem capelas orientadas, desenha na planta duas 2.1 Refere, de acordo como texto A, as atividades a que se dedicavam os monges. ou quatro saliências, e os braços monumentais têm as proporções de uma igreja transversal O texto refere que os monges se dedicavam ao trabalho manual, como por exemplo, à que se insere na igreja principal. Mas não interrompem o percurso do peregrino. Oferecendo à ceifa ou a qualquer outro tipo de trabalho das suas mãos, assim como à leitura e à oração. multidão acesso e saídas secundárias, pertencem também a essa topografia arquitetónica da peregrinação que permite um percurso contínuo no interior do edifício, desde a fachada ocidental até às capelas da abside e das capelas da abside à fachada ocidental.» Henri Focillon, Arte do Ocidente, Lisboa, Editorial Estampa, 1993 Didáxis – Cooperativa de Ensino, RA Teste de HCA – Módulo III
  • 2.
    Cotação da Cotação da questão questão 3.1 Refere quatro das características da planta da catedral românica de 5. Lê os textos C e D e observa a figura 3. peregrinação, recorrendo à observação da Figura 1 e à leitura do Texto B. Texto C - “Quando Gregório I, O Grande, Papa de 590 a 604, constatando a dificuldade de Na arquitetura românica pretendia-se que a igreja constituísse a representação de toda a fazer chegar a palavra de Deus a uma população sobretudo analfabeta, proclamou que a criação divina sobre a Terra: a planta de cruz latina (alusão simbólica à imagem de Cristo na imagem é a escrita dos iletrados, fez dessa imagem, da figuração sacra, um texto para ser Cruz), a cobertura em abóbadas de canhão e as naves laterais em arcadas de meio ponto, lido e entendido por toda a vasta cristandade, desde a regência ao povo - um processo de constituem os elementos principais, com a cabeceira (lugar do altar) e o portal (espaço para evangelização que tinha como suporte os muros sagrados dos edifícios de Deus. (…) esculturas e baixos-relevos) de um templo românico. Esta abertura fez comungar todo o povo medieval nos ensinamentos sagrados e 3.2 Faz a legenda dos pontos assinalados na figura 1. nos mais simbólicos quadros dos textos litúrgicos, contribuiu para a explosão do riquíssimo léxico figurativo sagrado que se constata no gosto pela diversidade do homem A. Torre sineira E. Transepto medieval, tão patente no livro figural das paredes das Igrejas e dos Mosteiros. B. Nave central F. Absidíolos Hugo Lopes, Os mosteiros medievais como edifícios de saber C. Nave lateral G. Abside D. Cruzeiro Texto D - «A pintura estava, na verdade, a caminho de se tornar uma forma de escrita através de imagens.» 4. Em finais do século XI, já existiam, no nosso país, mosteiros beneditinos de arquitetura E.H. Gombrich, A História da Arte, Londres, Phaidon, 2005 românica. Figura 3 – O Trono de Deus, iluminura do séc XI 5.1 Tendo em conta o texto C, refere a subordinação da pintura e da escultura românica em relação à arquitetura. A escultura e a pintura românicas aparecem subordinadas à arquitetura. Isto significa que o escultor é obrigado a adaptar-se aos elementos arquitetónicos – tímpanos, capitéis, etc. – e a uma lógica geométrica própria, que impõe uma distorção das formas próprias dos animais, plantas e pessoas esculpidas. A pintura decora paredes, frontais de altar e retábulos, abóbadas e tetos. Divide-se em frisos horizontais, como se fosse uma banda desenhada e tem também fins didáticos e catequéticos 5.2 Explica a frase sublinhada. Figura 2 Gregório Magno – o papa Gregório I, o Grande – ao afirmar que “ a imagem é a escrita dos iletrados” pretendia que a decoração dos templos fosse como que a ilustração do evangelho, uma vez que a esmagadora maioria da população era analfabeta. Tanto as paredes do templo, como os seus elementos essenciais (a cabeceira e o portal) servem 4.1 Identifica o templo representado na Figura 2. de suporte a toda uma iconografia cujo objetivo é ensinar aos fiéis a Verdade da palavra A figura 2 representa a Igreja de S. Pedro de Rates, no concelho da Póvoa de Varzim- de Deus. 4.2 Carateriza a fachada deste edifício. 5.3 Baseando-te no texto D, diz o que sabes sobre a pintura medieval. A fachada da Igreja de S. Pedro de Rates é assimétrica e apresenta um pórtico bem A pintura medieval está sempre subordinada à arquitetura. A sua finalidade é didática dimensionado, franqueado por dois robustos contrafortes e estruturado em cinco além de decorativa. A cor é intensa, pura e as figuras são contornadas com uma linha negra arquivoltas assentes em colunelos profusamente decorados. Os temas são os mesmos da escultura: Cristo em majestade (Pantocrator), os Tetramorfos, a Virgem com o Menino, temas do Antigo e Novo Testamento, dos Evangelhos apócrifos e o “Agnus Dei”. É uma pintura anti naturalista e simbólica, em que as figuras são solenes, hieráticas, distantes e severas. São figuras planas, pois não têm volume, nem perspetiva, nem profundidade. Os fundos são neutros ou em faixas policromas para dar a impressão de intemporalidade. É uma arte feita com a mente, não com os sentidos. Não procura a beleza, mas o expressionismo. Didáxis – Cooperativa de Ensino, RA Teste de HCA – Módulo III
  • 3.
    Cotação da Cotação da questão questão 6. Numa época em que a voz do sacerdote não possuía qualquer 7.1 Explica, com base na leitura do texto E e na observação da figura 4, de que forma os auxiliar, o canto desempenhou funções ministeriais: exprimia a oração de princípios doutrinários de Bernardo de Claraval se materializaram na arquitetura. forma mais suave, favorecia o caráter comunitário da mesma e conferia amplitude e solenidade à palavra das escrituras e aos ritos. Derivado dos Para Bernardo de Claraval, a excessiva decoração dos conventos, mosteiros e igrejas, cantos da sinagoga judaica, e provavelmente também influenciado pelas “com monstros” e “criaturas disformes” leva os fiéis mais a “ a ler no mármore do que nos músicas grega e romana, o canto gregoriano é uma música monódica, de nossos livros e a passar todo o dia admirando estas coisas, em vez de meditar na lei ritmo livre, destinada a acompanhar os textos latinos retirados da Bíblia, divina”. Reagindo contra o monaquismo da época, São Bernardo defendia uma enquadrados no sistema diatónico. religiosidade fundada na contemplação da beleza da alma e preconizava uma Figura 5 – S. Gregório Magno, inteligência feita de amor, mais do que de erudição. Criticava a excessiva riqueza da iluminura do século XII. maioria dos mosteiros e o excesso de rituais, defendendo que a arquitetura religiosa devia refletir simplicidade e abnegação, impondo um programa «estético» que recusava o 6.1 Baseando-te no texto, refere as funções do canto gregoriano. excesso nas decorações escultóricas para evitar a dispersão da atenção dos fiéis. O canto gregoriano é uma oração cantada, em que a palavra é superior à nota musical. Nos mosteiros que a sua Ordem construiu por toda a Europa – incluindo o mosteiro de Este canto, também conhecido como canto chão, foi implementado pelo papa Gregório Alcobaça (figura 4), está presente uma sobriedade extrema e a exclusão de todo o Magno (na imagem ao lado) no ritual cristão no séc. VI – daí lhe advém o nome. supérfluo decorativo ou opulência arquitetónica. A interdição da cor significou o desaparecimento dos frescos e a predominância da pedra à vista em paredes, pavimentos, 6.2 Menciona as principais caraterísticas desta expressão musical sacra. portais e janelas, contribuindo para o pretendido ambiente de despojamento, austeridade e As principais características do canto gregoriano são: as melodias são cantadas em severidade. uníssono (monódico), sem predominância de vozes, ou seja, rigorosamente homofónico; de Figura 6 - Carlos Magno, representado por Durer, ritmo livre, sem compasso, baseado apenas na acentuação e na palavra; cantado "à usando a coroa imperial de Otão o Grande capella", isto é, sem acompanhamento de instrumentos musicais; as letras são em latim, retiradas dos textos bíblicos, sobretudo salmos. 8. Carlos Magno ampliou o Reino Franco por meio de uma política expansionista. A Igreja Católica, representada pelo Papa Leão III, vai coroá-lo imperador do Sacro Império Romano no Natal do ano 800. 7. Lê o Texto E e observa a Figura 4. Texto E 8.1 Explica o significado da Coroação de Carlos Magno. «De resto, para que serve, nos claustros, onde os frades leem o Em Dezembro de 800, Carlos Magno recebeu a coroa de imperador Ofício, aquela ridícula monstruosidade, aquela espécie de estranha do Ocidente. Este acontecimento revestiu-se de grande importância formosidade disforme e disformidade formosa? O que estão ali a politica visto que: fazer os imundos símios? Ou os ferozes leões? Ou os monstruosos  concedeu a Carlos Magno a qualidade de legítimo herdeiro dos imperadores centauros? Ou os semi-homens? Ou os tigres listrados? Ou os romanos; cavaleiros combatendo? Ou os caçadores com as trombetas?  restabeleceu o Império Romano do Ocidente, transferindo a dignidade imperial Podem ver-se muitos corpos com uma só cabeça ou então muitas para o rei dos Francos; cabeças sobre um único corpo. De um lado, avista-se um  unificou o Ocidente sob o mesmo poder político e também o mesmo poder quadrúpede com cauda de serpente, do outro, um peixe com espiritual - o do Cristianismo e dos papas de Roma. cabeça de quadrúpede. Ali, um animal com o aspeto dum cavalo arrasta, atrás de si, a metade de uma cabra; aqui, um animal 8.2 Caracteriza a ação cultural deste Imperador Cristão do Ocidente. cornudo tem um traseiro de cavalo. Enfim, por todo o lado, aparece tão grande e estranha diversidade de formas, que nós somos mais Na época de Carlos Magno houve um certo desenvolvimento cultural, o chamado tentados a ler no mármore do que nos nossos livros e a passar todo Renascimento Carolíngio, caracterizado pela promoção das atividades culturais, através o dia admirando estas coisas, em vez de meditar na lei divina. Por da criação de escolas e pela vinda de sábios de várias partes da Europa, tais como Paulo amor de Deus, se não nos envergonhamos destas criancices, por Diácono, Eginardo e Alcuíno - monge fundador da escola palatina. que razão, ao menos, não evitamos estes gastos?» Executou reformas na educação que ajudaram a preparar o caminho para o Renascimento Bernardo de Claraval – Apologia XII, 28 e 29 (Adaptação) do século XII. Este "renascimento" contribuiu para a preservação e a transmissão de valores da Figura 4 – Nave da igreja do cultura clássica (greco-romana).Destaque para a ação dos mosteiros, responsáveis pela Mosteiro de Alcobaça. tradução e cópia de manuscritos antigos. Didáxis – Cooperativa de Ensino, RA Teste de HCA – Módulo III
  • 4.
    Cotação da Cotação da questão questão 9. A cidade islâmica é a soma de um determinado número de crentes (não de um determinado número de cidadãos – como a cidade clássica). A cidade islâmica é uma cidade secreta, uma cidade que não se vê, não se exibe, que não tem rosto. 9.1 Diz por que razão a cidade islâmica é uma “cidade secreta”. Como tudo se constrói de dentro para fora, a rua – espaço coletivo – perde o seu valor estrutural. Isto dá à rua um aspeto intimista que está de acordo com o caráter secreto da cidade. Uma rua contínua, aberta, é obrigatoriamente exibicionista, coisa que repugna o Muçulmano – que prefere o recato, a privacidade. A igualdade apregoada pela religião de Maomé tem aqui um papel importante. Assim, o Muçulmano é recatado para não ferir os seus irmãos – a primorosa fachada da sua casa será erguida num pátio interno para sua íntima contemplação. Por tudo isto, a cidade muçulmana é uma cidade secreta, indiferenciada, sem rosto, misteriosa e recôndita, profundamente religiosa, símbolo da igualdade dos crentes perante o Deus Supremo. 9.2 Justifica o aniconismo da arte islâmica. A arte islâmica é anicónica, uma vez que rejeita a representação figurativa na sua totalidade, devido ao perigo de idolatria. Pelo nomadismo das tribos beduínas, a arte nunca teve espaço para se desenvolver entre esta cultura. Assim, a palavra toma o espaço deixado livre: a transmissão oral ganha a maior importância. Desta maneira, a palavra, na cultura islâmica, ganha um valor idêntico ao da imagem na cultura cristã e, visualmente, a caligrafia adquire um carácter iconográfico, substituindo as imagens e entranhando-se no sistema decorativo da arte islâmica. Bom trabalho! Didáxis – Cooperativa de Ensino, RA Teste de HCA – Módulo III